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Peço perdão a C por interromper o que quer que seja que estávamos falando (o que era mesmo? sobre críticas e a imprensa? alguém pensou que era contra São Paulo? jamais: estou muito no Rio mas gosto muito mais de São Paulo sob vários pontos de vista - um dia volto a esse antigo tema): preciso dizer a Lucas Matos que eu nunca escrevi que lingüistas não amam a língua portuguesa - e que quando falei em demagogia eu me referia a determinados argumentos que vi publicados, não a todos os lingüistas. Não preciso ser especialista na disciplina para me manifestar. O que escrevi foi: “Sou apaixonado pela língua portuguesa e por gramática (ao contrário de lingüistas e demagogos em geral, acho o sucesso público de figuras como o professor Pasquale um bom sintoma).” Já li e ouvi de diversos demagogos (alguns eram lingüistas) reações enraivadas à presença pública de Pasquale e outros gramáticos que dão dicas em revistas ou na TV. Diferentemente deles, acho um bom sinal que tal fenômeno tenha surgido e crescido. Não há nenhum charme de falar sobre o que não sei aí. Sei muito bem de tudo isso. Quanto à lingüística propriamente dita, li Saussure (aquelas aulas) no início dos anos 70. Li somente porque os poetas concretos falavam dele, Lévi-Strauss (cujo “Tristes trópicos” me apaixonou em 1968) falava dele, todos falavam de Jacobson, que falava dele. Fiquei maravilhado com a afirmação de que a língua é viva e mutante na práxis dos falantes: a língua é falada, a escrita seria apenas uma notação convencionada a posteriori, como as pautas musicais. Nunca vou esquecer sua observação de que o francês é a única língua ocidental que tem uma palavra cuja grafia não guarda nem um só dos valores fonéticos originais das letras que a compõem: “oiseaux”. Depois, entre muitas outras conversas, observações e leituras, fui nuançando essa visão. Para meu governo (tenho uma vida mental íntima, como todo o mundo, que não se desenvolve para publicar-se: aqui no blog naturalmente essa vida íntima se expõe mais, mas é só uma tênue película - como sói acontecer.). Há já um bom número de anos, fui fazer show em Campinas e um professor da Unicamp me entregou um presente: o livro de uma lingüista, com uma dedicatória bonita (”Para Caetano, com as palavras que me faltam”). O livro era sobre português europeu e português brasileiro. Talvez surjam aqui imprecisões, já que perdi o livro numa das mudanças que se seguiram à minha separação - e muitas vezes o confundo com um outro, de autoria coletiva, chamado “Português brasileiro” (título e expressão que adoro). O da professora era escrito num português excelente e tudo nele me interessava. Mas havia coisas que me ficaram como questões numa discussão que nunca se deu. Por exemplo: ela assumia de uma vez por todas que a segunda pessoa do singular não existe no Brasil. É “você” e acabou. A segunda do plural, então, já tinha morrido antes de o Império terminar. Considerava também como inexorável o desaparecimento futuro das conjugações reflexivas (os verbos pronominais). Ora, eu acho que os gaúchos dizem “tu” a torto e a direito (talvez mais a torto do que a direito); os cariocas conjugam, com muita ginga, verbos na segunda pessoa para enfatizar ironia ou agressividade (”tás me estranhando!”, “tás por fora”, “tens cara de veado” etc.) e usam o “tu” para mostrar informalidade (”tu é gay, tu é gay que eu sei”, o Maracanã grita para alguns jogadores; meu filho de 16 anos diz a seus amigos - e ouve deles - coisas como “tu vai lá e chega na mina.”); os pernambucanos perguntam sempre “viste?” - que muitas vezes eles suavizam para “visse?”; os paraenses conjugam o verbo na segunda pessoa, quando escolhem “tu” em vez de “você” - e muitos deles usam o possessivo na segunda do plural (a um casal ou grupo de amigos perguntam: “esses livros aqui são vossos?”). E, seja como for, todos os brasileiros, inclusive (talvez mesmo principalmente) as crianças entendem as letras das canções de Orestes Barbosa ou de Chico Buarque em que o cantor se dirige à amada na segunda do singular. Não se pode dizer que todas essas pessoas não possuam esses recursos da língua. Muito menos que as estará oprimindo quem lhes explicar como funcionam. Por outro lado, meus amigos baianos e cariocas (inclusive muitos semi-analfabetos) riem dos mineiros (e de alguns falantes do interior de São Paulo) quando eles omitem o pronome dos verbos reflexivos: “paixonei com ela” (em vez de “me apaixonei por ela”), “espera eu aprontar” (em vez de “espera eu me aprontar”), “assustou” (em vez de “se assustou”) etc. Lembro que, no livro, a professora indicava tratar-se de tendências. Mas, além de ela dar valor normativo a essas tendências, o argumento de que qualquer transmissão de conhecimento relativo à tecnologia da língua é opressão era recorrente. Essas eram questões que gostaria de discutir com ela. Mas meu tempo foi sempre escasso - e temi importuná-la e tomar seu tempo. Depois perdi o livro. Volto a pensar nessas coisas (e em outras que encontrei, nascidas das descobertas de Noam Chomsky) sempre que vejo reações públicas de lingüistas a qualquer exposição de paradigma culto. Finalmente, li uma entrevista na Caros Amigos, que me foi enviada por Tuzé de Abreu, de um lingüista que escreveu “A norma oculta”, defendendo o português de Lula contra os preconceitos da “elite”. Eu tenho idéias políticas a respeito. E não preciso me formar em ligüística na Sorbonne para expô-lo. Claro que são argumentos para se discutir. Mas são fortes. Na entrevista do autor de “Norma oculta” (não estou evitando escrever seu nome: simplesmente esqueci, mas faço questão de mencionar o nome do livro, que deve ser lido) há agressões a Pasquale (por parte dele e dos entrevistadores) e a toda idéia de correção ou enriquecimento da fala. E um quase silêncio mórbido sobre a língua escrita. Ora, eu acho que esses arroubos de populismo são em geral um superesnobismo mal disfarçado. Claro que sei que se escrevia “frecha” (até os poetas românticos ainda usavam essa forma) e que , portanto, dizer “TV Grobo” não é exatamente errado. Mas as pessoas que dizem “grobo” são as mesmas que têm vocabulário menor, menos acesso aos conhecimentos, menos poder. Os emergentes brasileiros que, saindo da pobreza para a crescente classe média, desejam aprender com os Pasquales da vida são os alvos finais da agressão desses lingüistas. Por mais bem intencionados que sejam, estes resultam demagógicos, pois proíbem a troca natural entre os níveis de informação (sendo assim mais contra o dsenvolvimento orgânico da língua do que os gramáticos) e ostentam estar de posse de teorias de ponta. Aliás, naquela longa entrevista de Lévi-Strauss a Didier Eribon, o grande antropólogo diz que começou influenciado pela lingüístca mas que nos últimos anos deixou de interessar-se pelos textos teóricos da disciplina por achá-los muito esnobes e preciosistas. Acho que se tivermos mais brasileiros letrados, melhores escolas, menos pobreza (isto já começa a se dar), o trato com a palavra escrita poderá mudar muitas “tendências”. E é gritante o desleixo pela palavra escrita nesse processo. Sim, me lembro de Saussure. Mas, por exemplo, há “tendências” misteriosas: por que leio hoje nos jornais e nos livros quase sempre “em um” ou “em uma”, em vez de “num” ou “numa”? Será que há uma regra que desconheço? Os falantes que ouço, todos, sempre disseram “o corpo foi encontrado num canto da praça Genral Osório”. Mas os jornais escrevem “em um canto da General Osório”. As moças da TV já dizem preferencialmente “em um”. E já começo a ouvir pessoas de carne e osso dizendo “em uma rua escura” em vez de “numa rua escura”. Será que é regional (como a professora que me mandou o livro toma uma inclinação mineira contra os verbos pronominais como universalmente brasileira, eu estarei tomando uma tendência baiana a fazer a contração da preposição “em” com o artigo indefinido como regra nacional?)? “Você e tu”, está na minha letra de “Língua”. Odeio ter lido um elogio à decisão do novo traditor de Proust (um Py, aliás bom) de “evitar o lusitanismo “raparigas’” e chamar o título do terceiro volume de “Em busca do tempo perdido” de “À sombra das moças em flor”. Mas quê que é isso? Trata-se de um livro do início do século 20, contando histórias que se passam no século 19, um livro culto, complexo - por que diabos deve-se sacrificar o ritmo e a sonoridade bonita que Mário Quintana encontrou para traduzir “À l’ombre des jeunes filles en fleur” (inclusive mantendo o mesmo número de sílabas e a acentuação no “i” do original)? Só para usar o termo “moça”, vulgar, pesado, e dar a impressão de que escreveu em português brasileiro “natural”, sem “lusitanismo”? Não! Para mim ficou foi sem a beleza de “À sombra das raparigas em flor”. O que isso tem a ver com os lingüistas, a língua falada, a norma culta, a norma oculta, a demagogia e a mania de pensar que o melhor modo de resolver o problema das favelas é destruir o sistema de esgoto de que desfrutam as “elites”? Tudo.
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Setembro 2nd, 2008 at 2:33 am
Há quem se denomine o dono da língua. Mas a língua se faz a todos os dias com ou sem erudição. A democracia se fará mais plenamente quando a informação também for dividida. Quando o sistema de esgoto chegar a favela. Não devemos nivelar por baixo.
Setembro 2nd, 2008 at 3:48 am
“O que isso tem a ver com os ligüistas, a língua falada, a norma culta, a norma oculta, a demagogia e a mania de pensar que o melhor modo de resolver o problema das favelas é destruir o sistema de esgoto de que desfrutam as “elites”? Tudo,
caetano:
me permita parafrasear:
O que isso tem a ver com os totalitarios,a “lingua
solta”, a norma de ocasião,os grampos,o cinismo e o politicamente correto dos vips bem como a mania de pensar que o melhor modo de resolver a produção cultural do brasil é destruir a lingua e reduzir tudo á luta de classes?
é nóis não…..somos nós…ou melhor seriamos nós….aquilo que gostariamos de ser mas estamos muito longe
Setembro 2nd, 2008 at 6:39 am
De acordo, e mais: defendamos o trema dos ataques covardes que ele há tempos vem sofrendo.
(posso estar enganado, mas pelo texto tive a impressão de ter encontrado um simpatizante da causa)
abraço
Setembro 2nd, 2008 at 7:25 am
Bom dia, caro Caetano:
ia bem, até a frase final. Quer dizer que ainda há os que temem que para urbanizar - humanizar - favelas é preciso destruir os esgotos dos condomínios?
Ainda que eu tenha sugerido que você não lesse o Folhão - caramba! não encontrei ali meu comentário de ontem - lembro Clóvis Rossi: este é o país dos que não dormem, com medo dos que não comem.
Eu sou daquelas que sempre quis a divisão de morangos com chantilly. Jamais pensei em propor o extermínio dos morangos.
Abraços.
Setembro 2nd, 2008 at 9:25 am
Tenho que começar o texto com essa frase sua, que acho lindíssima: “Minha pátria, minha língua!” Nessa frase, você diz tudo…nossa língua é, realmente, uma das coisas mais ricas e belas que temos, embora, quase sempre, esqueçamo-nos disso! É lamentável ver a língua escrita se definhando nas mãos das pessoas, ao longo das décadas! Sinto isso mais intensamente, agora, com essa geração msn/orkut que insiste em escrever: “vc quer tc hj?” Esses dias, ganhei um cartão de presente de uma priminha e estava todo escrito com abreviações e emoticons. Resultado, mil a zero para ela, não entendi nada! Adorei o texto LINGÜISTAS e engrosso o coro que se tivermos mais brasileiros letrados, melhores escolas, mais oportunidades, o trato com a palavra escrita poderá mudar muitas “tendências” e quem sabe, todo um país!
Setembro 2nd, 2008 at 12:05 pm
é injusto tudo se encaminhar para a culpa dos jornalistas pelos artigos publicados, e pior, para a análise da má qualidade do produto deles… todo mundo entendeu o que eles queriam dizer, desde a manchete. A questão é porque eles dizem aquilo, quem os legitima a dizer aquilo quando tanto poderia ser dito. A questão é o papel da midia na política cultural do país. Nem ao menos um artigo ao lado daqueles com o olhar diferente, nada. Desferiram um petardo no nosso prazer e na nossa glória. E isso poderia ter sido feito com o melhor português, da melhor forma. Foi feito do jeito que Caetano nos mostrou, mas …foi feito…e as subjetividades?
Setembro 2nd, 2008 at 12:30 pm
Caetano querido, sou gaúcha (meio torta, bem sei, pois geralmente concordo com vc, e isso já me faz uma gaúcha meio torta)e me criei ouvindo “tu foi” e aprendendo que o certo era “tu fostes” isto deu um nó no meu apredendizado que me persegue até hoje, imagino quem tem “menos acessos aos conhecimentos” Me incomoda muito as demagogias de lá e de cá.Sonho que a escola pública se qualifique para”democratizar” nossa bela língua.
ah… uso “rapariga” para me referir as meninas em geral.Gosto muito de dizer a palavra, acho bonita, prefiro. Quando morei no rio, uma manicure carioca ficou ofendida comigo.
enfim…
com carinho
ro
Setembro 2nd, 2008 at 12:32 pm
Caetano,
Muitas leituras equivocadas seriam evitadas se soubéssemos equilibrar minimamente os níveis de “explicitude” e “implicitude” no texto apresentado. Em post anterior, quando você apresenta sua opinião sobre lingüistas e gramáticos, fica clara uma generalização, o
que justamente não contribui para que o leitor subentenda o contrário:
“Sou apaixonado pela língua portuguesa e por gramática (ao contrário de lingüistas e demagogos em geral, acho o sucesso público de figuras como o professor Pasquali um bom sintoma) mas sou muito desarmado em matéria de ortografia”
Em função disso, vários desentendimentos surgem… Acredito ter sido altamente pertinente essa “ruptura temática” no blog para esclarecer tais questões, sobretudo porque muitos lingüistas se posicionam de modo bem distinto tanto dos Pasqualis consultores de língua como dos seguidores das idéias de “A Norma Oculta’. A meu ver, um posicionamento adequado está longe da visão purista da língua e, também, dos arroubos de populismo.
Fora esse aspecto, as idéias em relação aos fenômenos lingüísticos mencionados me pareceram bastante razoáveis, principalmente considerando que não é especialista na área. Também acho que não é preciso ser lingüista para discuti-los. Afinal, em seu ofício, você também trabalha o tempo todo com a palavra.
Quanto às mudanças abordadas pela professora (imagino que seja no livro da Rosa Virgínia de Mattos e Silva, uma de nossas principais estudiosas em mudanças lingüísticas no português brasileiro, da UFBA), penso que se, como você mesmo lembrou, ela falou em “tendências’, não há porque desconsiderar o desaparecimento da segunda pessoa e das construções reflexivas em algumas formas verbais. Ora, o trabalho dos lingüistas é justamente esse: detectar as variações presentes na língua e considerá-las também em termos de ‘tendências” para as mudanças que estão a ocorrer em nosso sistema lingüístico. Talvez o posicionamento da autora tenha lhe parecido um tanto radical, por revelar mudanças ainda em curso, que podem ou não se concretizar. Mas será mesmo que ela dá “tratamento normativo” a essas tendências? Em se tratando de uma lingüista, acho estranho. A própria palavra “tendência” já se distância do termo “normativo”, que sugere algo já convencionado e cristalizado na língua.
No que se refere ao atual descaso com a língua escrita, esta é uma questão a ser discutida posteriormente, com mais calma… Penso no tratamento geral da língua há duas funções distintas: a análise científica dos fenômenos lingüísticos, isenta de juízos de valor como “certo” e “errado”, e a normatização do uso lingüístico, condicionada a todos os valores e papéis sociais que dele surgem. Cabe a nós, estudiosos e usuários da língua, achar o equilíbrio entre essas duas posições.
Um abraço,
Jaqueline
Doutoranda em Lingüística/UFRJ
Setembro 2nd, 2008 at 12:48 pm
Meu Deus!!! O que foi isso qu eu acabei de ler? Uma mega aula de Letras!!Tá certo que ja és meu mestre no sentido da l´´ingua, das críticas, da música e de tudo qto há!!M as agora foi um ápice!!
DEsculpa Cae mas vou ter que pegar seu texto pra guardar no meu Blog, que demais!!!Ainda ontem numa aula da faculdade afirmei, nem sei por quantas vezes, que eram responsáveis pela minha tragetória cultural (eram os Doces Bárbaros a quem me refiro de início) os responsáveis pelo studo da nossa Língua. Agora de subto esse texto? Que demais!!! E pensar que tá dificil de assimilar a teoria ao contexto linguístico da nossa língua falada no país. Esse texto é mais que didático. Lembro até quando li em “Verdade Tropical” que vc gostaria d ter sido professor e viver ao lado dos alunos e tal. Isso sempre vem a tona na minha mente quando penso que daqui algum tempo também vou ser uma integrant da educação. Muito legal Cae. Muito bom esse espaço aqui do seu Blog, tão mais próximo do meu mestre e exemplo cultural. Qu demais. Adorei a aula.
Um beijão
Débora
Setembro 2nd, 2008 at 1:04 pm
Caetano, tem um erro aí que desagradaria bastante ao famoso apresentador/linguista da TV Cultura. Não é nenhum desvio de gramática, mas você escreveu errado o nome do Pasquale, com E.
Setembro 2nd, 2008 at 1:19 pm
Caetano,
É nessas horas que lastimo a morte precoce do Glauber Rocha. Algo me diz que, se ele estivesse vivo, estaria agora no seu próprio blog defendendo-se de críticas tacanhas e provincianas…
O “tu” é mais agressivo, “você” é mais suave. Talvez isso justifique o meu amor distante e não correspondido pelos cariocas. Ou não.
Mas existe a agressão de agregar (agregar em sua raíz vem de agressão)e a agressão bestial, que ocorre sem sentido algum. É da segunda que padecem esses pseudo-jornalistas, pseudo-críticos, ou simplesmente pseudos.
Discordo de ti e faço uma errata naquilo em que discordo.
Onde se lê:
“tenho uma vida mental íntima, como todo mundo”
Leia-se:
“tenho uma vida mental íntima, como muitos, ou talvez alguns”
Deduzir que todos têm vida mental, íntima ou não, é um ato de fé.
Discordo também do Nelson Motta quando ele diz que, quando todos assistirem ao show na TV, ficará claro que dois e dois são três. Aqui minha discordância é total: um show ao vivo, para quem assiste, é completamente diferente de um (dum??) show na TV. É preciso que o show aconteça ao vivo, em outras cidades brasileiras, para o Brasil dizer o que viu e ouviu. Para que existam mais raparigas em flor.
bjs,
Setembro 2nd, 2008 at 1:20 pm
Ângela aí em cima,interessante vc ter falado em Glauber Rocha.Apesar de não gostar dele,sempre esperei que Caetano falasse dele aqui no blog.Pegando o gancho da discussão sobre a crítica de cinema,sempre houve essa proximidade entre os dois,mas sempre achei que Caetano tinha bem mais a ver com a chamada “pornochanchada”,um estilo de cinema,que,ainda bem,vem sendo revisto.Estilo de cinema que captava a alma e o coração brasileiro e que acabou sendo estereotipado como “cinema de mulher pelada”.As questões sociais estavam ali,mas a “intelligentzia” não viu.Antes desse cinema levar milhões aos cinemas,Caetano já prenunciava esse movimento.É só olhar a capa de “Joia”.O que se confirmou quando ele fez a trilha de A Dama do Lotação
Setembro 2nd, 2008 at 1:39 pm
“Caetanear o que é bom”
Parabéns Caetano! Nunca gostei de você, porém a crítica do JB Medeiros foi equivocada. Aliás, acredito que esse texto será tema de “calorosas” discussões nos próximos 10 anos. O pior de tudo isso: nos últimos 20 textos do JB, publicados pelo Estadão (recortei e guardei), ele não pegou pesado com ninguém.
Muita saúde e paz!
Setembro 2nd, 2008 at 2:03 pm
Li, agora, com mais atenção o qu evc diz aqui. Creio que tem razão. Escrevo contos curtos, dou para uma amiga rever, algumas vezes ela substitui palavras- pelas mais corretas- e eu questiono.

Raparigas no título de Proust é corretíssimo. Eu gosto de usar raparigas de vez em qdo, minha avó era portuguesa, acho bonito o som de raparigas. E costumo usar no blog: ‘Estive a fazer’- gosto.
Eu não tenho gabarito p entrar nesta sua discussão. Gostei de saber que o R dos mineiro no lugar do L vem de longe.Meu ex marido- mineiro do sul de Minas- não conseguia dizer problema, será que é dai?
Merci, teu post foi uma aula.
Abs, Laura
Setembro 2nd, 2008 at 2:55 pm
Sei que provavelmente nunca venha te conhecer pessoalmente e hoje até que agradeço a isso tamanha vergonha diante da minha passionalidade quando falastes de São Paulo e rancorosamente fui um tanto indelicado, desculpe-me.Justamente você, com o seu talento nato me fez gostar de uma música intensamente.
Setembro 2nd, 2008 at 3:06 pm
hermano.
porque a supressão das imperfeições e imprecisões
durante a madrugada de caetano? cheguei a comenta-las no blog mas os respectivos posts e meus comentarios sofram suprimidos…
uma obra em progresso é feita de cansaço, erros, tentativas…é bacana um artista dizer que chegou cansado do ensaio ás duas da manhã e escrever errado assim…. é sinal de que é humano como a gente que tambem temos nossas gramatiquices
e chegamos cansados e escrevemos errado….
abraço e esperando o making of em primeira das gravações do novo cd….
abraços nelson
Setembro 2nd, 2008 at 3:21 pm
Caetano
Imagine se todo o nosso conhecimento pudesse ser representado por uma fruta: o abacate. Nessa medida, o jornalismo seria um dos integrantes da casca, que é superficial, mas, em determinadas situações, protege a polpa. Esta, que é a parte comestível, estaria representada pelas ciências (exatas, naturais e humanas). O caroço – semente nua e crua, que “eterniza” a vida – seria a filosofia, em cuja película protetora encontraríamos a arte, a poesia, a literatura, a oratória e, num certo aspecto, o esporte.
Esta minha visão sobre o conhecimento humano está no meu livro “Deus algema e atrasa o Direito”, que será lançado brevemente na Bahia. E só a revelo antecipadamente aqui porque, numa entrevista de longas oito horas em 1º de fevereiro de 1996, quando lhe prestei uma homenagem no jornal A TARDE (caderno Cultural),fiquei encantado com o seu talento de nos envolver falando por horas e mais horas… De fato, a arte, a poesia e a oratória estão na película do caroço do abacate -daí você transitar por elas com tamanha destreza.
Infelizmente, lendo agora quase diariamente seus textos “jornalísticos” neste “OBRA EM PROGRESSO”, aquele encantamento vem se deslustrando em mim. E, com certeza, isso se dá pela distância que você não consegue superar entre a película do caroço (arte) e a casca do abacate (jornalismo). Não obstante, parabenizo-lhe pela ousadia de se expor em textos que até o desmitificam… É uma nova fase, talvez crepuscular, do mais genial (aí sim) compositor brasileiro de todos os tempos!
Marconi de Souza - advogado e jornalista
Setembro 2nd, 2008 at 3:32 pm
Salve,salve, Caetano!De aqui, das margens do Subaé, mando-lhe um abraço pelo texto Lingüistas.Li a deplorável entrevista na Caros Amigos e pude constatar um “Bagno”(banho) de inveja que os raivolingüistas têm do Prof. Pasquale.
Sofro também na Bahia porque, além de ensinar Gramática na TV e em uma (numa)rádio popular, sou autodidata em LP, ex-aluno de Nestor Oliveira, como você.
A grande diferença será sempre esta:poetas têm autoridade de inventores da língua;os demais usuários podem ser, no máximo, estudiosos.Ou, em alguns casos “estu - odiosos”.
Em tempo: Pasquale é um grande poeta.Que precisa “sair do armário”.
Jorge Portugal
Setembro 2nd, 2008 at 3:33 pm
“Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luis de Camões.”
E a lingua(gem) é tão viva e irrigada de sangue quanto o próprio músculo.
[Mesmo faltando tempo para concluir um trabalho pra Academia - ironicamente, sobre lingüística - me atenho ao seu blógue. E veja só, cá está o meu assunto, de forma tão mais agradável e menos pedante. E veja só, Caetano, assim, acessível, conversando comigo sobre os livros que ando lendo e com disponibilidade para ser comentado virtualmente. Veja só!]
Abraços, virtuais mas tão cheios de calor e de uma infantil adoração que bem poderiam ser reais.
Setembro 2nd, 2008 at 3:34 pm
Olá Caetano
Antes de mais, uma pequena introdução: sou 50% brasileiro 50% português. Vivi metade da minha vida lá outra cá, não importando onde é cá ou lá. Sou criatura híbrida, que ama duas pátrias, dois povos. Ao contrário do que é habitual ver neste mundo globalizante, gosto das diferenças, especialmente as diferenças linguísticas. Vejo-as como cimento de uma relação saudável que une Brasil, Portugal e demais países de língua portuguesa. Acredito na língua enquanto mecanismo facilitador da comunicação, e como tal deve obedecer um conjunto de regras, mas é a sua aplicação flexível, a assimilação das suas diferenças, que fertilizam o solo onde nasce a criatividade. Querer impor o absolutismo das regras é uma forma presumida de estagnação. Vejo, antes, países que se fortalecem e tiram proveito da sua dinâmica de expressão, viva como nunca do lado brasileiro, colorida e alegre do lado africano, racional e objectiva do lado português. O “tu” que o Brasil deixou cair, quer pela simplificação da língua, quer pela bandeira que alguns dizem ser “uma revolta contra as diferenças sociais”, jamais irá morrer porque há no outro lado desta balança países como Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, que prezam a amplitude da nossa língua. Cultivam-na, respeitam-na, o que por si é a segurança de saber que a língua está a ser preservada. Por outro lado, no Brasil, neologismos proliferam como cogumelos e enriquecem todos os dias a língua que já foi de Camões e que agora pertence ao mundo. Portanto, Caetano, o teu impecável texto está, como já nos habituaste, genial. Acrescento por minha conta: deixemos os acordos ortográficos para os especialistas e donos de editoras, mas não deixemos, nunca, de exortar as diferenças. Viva a diferença. Viva tu, viva você.
Um grande abraço luso-brasileiro deste teu fã.
Paulo Torck.
Setembro 2nd, 2008 at 3:39 pm
Você não precisa de perdão, menino! - do meu, tanto menos -, você é uma das pessoas mais naturalmente perdoadas que eu já vi.
Aliás, depois que li seu Verdade Tropical perdão era uma palavra recorrente nos comentários que eu fazia a respeito. Sempre tentei dizer a alguém o que me impressionou nesse livro, que foi a espontaneidade e ao mesmo tempo o extremo método com que você perdoa o que precisa ser perdoado. A música pré-bossa nova (sempre achei que é você quem faz o que você atribuiu a João Gilberto quando disse uma vez em algum lugar: o João Gilberto transforma uma canção nela mesma; ele revela o samba autêntico que existe naquilo que se não fosse por ele passaria apenas por uma balada - é o que você faz mesmo quando não faz bossa nova), as guitarras elétricas, a Coca-Cola, o próprio Terra em Transe, o axé. Depois percebi que perdão não era a palavra mais adequada porque trazia em si uma conotação qualquer de consentimento indiscriminado e ingênuo, de fazer vista grossa às faltas inegáveis, ou de coisa pior ainda que é esse quê de contrição e erro que antecede o perdão naquela atitude que muita gente chama de católica. Coisa que talvez muita gente também queira atribuir a você, sob o clichê difundido de “a Bahia é linda, tudo é lindo” etc.
Deixei de usar o termo, mas intimamente ele ainda me faz muito sentido. Porque eu não me referia a uma permissividade cega, e sim ao perdão mais fundamental de fazer revelar-se o samba escondido nas coisas como João, de tocar as coisas apagadas e acendê-las. Como se você só as destrancasse, e elas então se criam por si mesmas. Não aleatoriamente nem qualquer coisa: mas através do finíssimo critério que te é natural. O perdão de Clarice Lispector: “um pedido (…) de amém: porque aquilo que é ruim está desprotegido e precisa da anuência de Deus: eis a criação.” Ou: “As coisas sabem tanto as coisas que a isto… a isto chamarei de perdão (…). É o perdão em si. Perdão é um atributo da matéria viva.”
Setembro 2nd, 2008 at 4:07 pm
antes de tudo uma reflexão espiritual para dirigir a palavra ao universo caetano. Depois e agora sim, um comentário de quem não viu ou ouviu o show; de um brasileiro, carioca, administrador por profissão, atento a palavra escrita e falada: música é movimento, segue a vida desde os primórdios; letra canta com o som e se faz entender pelos altos e baixos dos tons e emoção de quem canta e quem houve, fazendo a conjunção dos sentidos com a matéria da boca, da cabeça, da habilidade instrumental. Podemos até pensar em criticar o som estático da música eletrônica, mas não o pulsar do verbo vivo presente nas letras que passeia na gramática, em evolução, criando, mudando, dizendo ou negando. Quanto aos críticos, vamos perdoar… eles tem que escrever sem inspiração. Na música? há na música só se canta ou escreve com inspiração, uma espécie de senha da alma.
Setembro 2nd, 2008 at 4:19 pm
É interessante como esse tema sempre aparece associado a grandes polêmicas. As pessoas brigam para que os menos favorecidos continuem falando de forma inconsciente um português capenga. Lembro bem que Manoel bandeira chamava a língua do povo de “língua certa do povo” e concordo com ele nesse respeito. Contudo, penso que para que nós tenhamos plena certeza de que somos livres, linguisticamente falando, precisamos conhecer o que mantém a língua entendível e gostosa.
Não sou um purista da língua, nem cacife para isso eu tenho, sou apenas um apaixonado pela possibilidade de escolha. Aqueles que escolhem usar a linguagem, conhecidamente pobre, que façam isso cientes (e devidamente preparados para usar se necessário) de que existe a linguagem chamada erudita.
O grande e razoável gramático Evanildo Bechara diz que nós precisamos ser poliglotas em nosso próprio idioma. E o mestre Carlos Drummond de Andrade disse em seu poema “aula de português”: O português são dois; o outro, mistério. Concordo com eles.
Setembro 2nd, 2008 at 4:34 pm
Caetano
mudando de assunto, mas voltando ao tema do Porto Barra, o qual acho muito importante, li uma entrevista hoje com o minsitro, em que ele fala sobre o erro do iphan, da prefeitura.
Vamos tentar se mobilizar e tentar que não acabem com o Porto.
link da entrevista
http://luishipolito.wordpress.com/2008/09/01/juca-ferreira-iphan-errou-ao-liberar-obra-na-ba/
Setembro 2nd, 2008 at 5:01 pm
Caetano,
Por favor, por toda a crença e descrença, leia essa comentário absorto, pois ele próprio irá lhe dizer “um pouco de tudo” sobre mim.rs
…
Tenho Sonhos tão nítidos, que de tão (ou ditão) a mim perecem transcendentes ao real. Neles te vejo palavrear, novear-signos, conduzir e induzir versos a meus ouvidos.E, num acordar momento, num simples despertar d’olhos, pois minha mente ainda em sonho induzido escuta por todos os poros os neotermos e estrofes que havia me dito. Devido a isso, conversamos regularmente em sonhos nítidos, e por isso, dessa forma aformica seu caêto-canetar telepatipoético garante em mim a certeza de que tudo o que escrevo é pertencente a você, Caetano, Caetano onírico, Onirico caetano, dono do meu ser e estar é
seu caetanear, proprietário capião(usucapião)das minhas idéias.Portanto, Meu Caêto-canetar é real.
PS:Caetano, de tanto recortar e colar você, escrevi os versos abaixo. E outra, se caso me concedesse um mínimo a mais da sua atenção, gostaria de lhe mostra umas letras e umas possíveis canções que sonho um dia serem cantadas por você. Agora, só sendo um pouco mais importuno, leia por favor, o que recortei superficialmente de você.
Recortando Caetano…
Trilhos urbanos conduzem à…
Matinê, “Cinema Transcendental”.
A noite sob “Lua e Estrela”
Polir-nos-á “Samba de verão”.
Pertinho “Menino do Rio”
convoca para si “Beleza Pura”.
A “Beira mar” “Leãozinho”
calar-se-á num “Sim/Não”.
Não a estrutura, sim a cultura.
Quero mais “Circuladô de Fulô”
Circulando odor,
Frescor de “Elegia”, “Etc”.
Xangô suingado em “Odara”.
Salve “Tropicália”!
Salve “Tigresa”!
“Outras palavras”…
Todas as palavras
Tropeçaram desastradas
No astro “Índio” conhecido por:
Caetano Veloso.
Felipe Magã
Setembro 2nd, 2008 at 5:13 pm
“Minha pátria, minha língua!”
A colega Vivi tem toda razão, é linda essa tua frase Caetano!
Abaixo outra coisa de que gosto muito!
Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da nação brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro
Oswald de Andrade
Abraços
Setembro 2nd, 2008 at 5:14 pm
Caetano,
Que impasse! Como admitir a norma culta e festejar a mutação da língua ao mesmo tempo? A mutação é a quebra da norma, tornando-se norma em seguida, principalmente quando há difusão literária da “expressão”. Como bom conhecedor da língua, você sabe que a norma culta é um retrato de uma fase da língua e que ironia chamarmos qualquer fase das línguas neolatinas de norma culta quando são variações do Latim vulgar, não acha? Ou seja, esse absoluto formal é bem relativo na prática. Isso não quer dizer que a norma culta não tenha uma plástica belíssima(em alguns casos), mas perceber que o problema não se reduz a gramática. Não concordo com esnobismos lingüísticos ou demagogias lingüísticas. Sejamos dialéticos…
Mas uma coisa eu afirmo com vigor: Pasquali é um achado! Alguém usar de um meio de comunicação eletrônico de modo tão persuasivo para socializar a gramática e a norma culta, isso é genial! Ser contra isso é querer manter privado os recursos do “bem falar” a pequena elite que a detém. É temer que a cultura se democratize de fato. É querer perpetuar a divisão: povo inculto e elite culta.
A questão da crítica do “falar errado” de Lula carrega sim traços preconceituosos e elitistas, como exigir gramática de quem na infância vendia balas no sinal para sobreviver. Se há demagogos eles são da estirpe do Paulo Maluf, esse sim. Mas se ser populista é ser popular, então a democracia é inviável para os que pensam assim.
Se tiver, Caetano, possibilidade de rever os debates de Lula com Alckimin da última eleição, verá que injustiça fazem contra Lula quando subestimam a sua inteligência. Para mim, a forma contundente de realizar essa crítica da norma culta enquanto gramática ou preconceito, seria abrir as vísceras de sua gênese social, sua “norma oculta” como você diz Caetano. Seu desvelamento superaria o impasse e mostraria o inverso.
Caetano, eu entendo sua preocupação, só descordo um pouco. Mas sua militância na cultura enquanto criador genial ou até mesmo como ação política direta de seu amigo Gilberto Gil são a melhor resposta. Sua arte já é a melhor definição do que eu quero afirmar: a busca de uma síntese entre o erudito e o popular, nacional e internacional, regional e global - e esse preciosismo transgressor você alcançou muitas vezes.
Parabéns pelo site, pela obra e pela sua contribuição a nossa cultura brasileira.
Setembro 2nd, 2008 at 5:28 pm
Sabe quando o gato de “Alice no País das Maravilhas” enlouquece com tanta informação e dá tchau com as duas mãos balançando a cabeça freneticamente? Não sei se essa cena existe mesmo, posso estar confundindo com o gato atrás do rato de baixo das xícaras de Cinderella.
Enfim, ainda não estou preparado pra tanto, mas é bom ver os links pra wikipedia. Mais tarde tento de novo.
Setembro 2nd, 2008 at 7:32 pm
Mas Ceará possível que os jagunços do Coroné Caê vão deixar meu post passar ou mais uma vez falarei para as paredes?
De qualquer forma tem sido engraçado vir aqui todos os dias e deixar uma mensagem magoando o ego do nosso ilustre baiano.
Aliás, essa mensagem aqui não vai mudar o mundo nem reinventar a roda, eu só quero mesmo deixar meu protesto contra a censura que vigora nesse espaço.
Como diz o ditado gay: “Não sabe brincar, não desce pro playground”
Ps.: Não, não sou gay. Apenas me utilizo das expressões criativas e engraçadas que eles inventam.
Setembro 2nd, 2008 at 8:31 pm
Resolvi ler o post acima pra não dizerem que sou apenas um insensível a procura de atenção (o que confesso que sou!).
Bom Caê, confesso que nesse post acima você fez um excelente uso do blog como ferramenta de destruição em massa.
Aliás, esse seu post é o exemplo perfeito da opinião que tenho sobre a MPB e a tchurminha que a segue como a uma religião. A MPB sempre tem uma explicação ou uma citação famosa pra tudo. Ô povinho que gosta de dar pitaco, vou te contar!
Vocês parecem aquele vizinho que todos já tiveram:
Se você diz que ganhou um carro de controle remoto, o pai dele deu uma aeronave comandada pela voz. Se você diz que pescou um peixe de 2,5kg, ele pescou um boto com um cadarço de all star amarrado na ponta do dedo. Se você diz que escreveu um conto que foi publicado no jornalzinho da escola, ele diz que escreveu um comentário que foi aceito pelos censores do blog do Caê… Enfim, é aquele tipo que além de sempre ter opinião pra tudo, quer ter a opinião final, quer encerrar o assunto derramando arrogância e subserviência.
Ps.: Sei que subserviência não se encaixa no fim do meu comentário, mas achei que soaria legal, afinal de contas se o Caê faz isso, também posso eu!
Ps2.: Tô me divertindo chamando o figurão de Caê… vocês não?
Setembro 2nd, 2008 at 10:29 pm
Concordo com a primeira discordância de Ângela Vianna (1:19).
Pois Beyus também não afirmou (como muitos gostam de evocar)que todos no mundo podem ser artista…
Se forem na frase factual ele disse que todas as pessoas “que podem ler o mundo” são potenciais artistas. (a preguiça me impede de ir ao livro em busca da frase precisa)
Acredito que nem todas as pessoas na face do planeta sabem ou conseguem “ler o mundo” então…
E acredito também que uma parte de mim é todo mundo…
Setembro 2nd, 2008 at 10:49 pm
Caetano, aprendi mais sobre português na sua aula.do que quando pego algum livro para estudar.
A propósito o que você acha da reforma ortográfica
que vem por ai?
Setembro 2nd, 2008 at 11:21 pm
Mais uma vez penso em uma frase, que já citei em algum comentário e qua não é minha. - A liberdade é fruto do conhecimento. - Ou seja, quando mais temos conhecimento, mais livres somos.
Recentemente, li essa frase em um livro do flautista francês Michel Debost, “The Simple Flute”. Apesar de ter claro que é um livro que só interessaria a flautistas, ele faz essa citação em um capítulo que ele chama de “Liberdade” (Freedom), no qual analisa as condições técnicas e a liberdade do intérprete diante da obra de um outro artista que é o compositor, e do conhecimento que um músico tem que ter para entender e realizar uma música. Em um trecho do capítulo, ele diz: “Quando você domina sua performance instrumental em vários aspectos de sonoridade, vibrato, afinação, controle da respiração, dinâmica, cor, digitação, velocidade dos dedos, e controle, você torna-se um músico livre, ao invés de permanecer um escravo da sua imperfeição como instrumentista”
Penso que essa refelexão pode servir como metáfora para qualquer outra forma de conhecimento.
O texto “Linguistas” me trouxe mais uma vez reflexões em relação a língua portuguesa, a sua utilização, e a pobreza de vocabulário que encontarmos na maioria das críticas e textos dos jornais, das revistas, das conversas.
Lí os poetas concretos porque Caetano falava deles. Lembro como foi instigante para mim ler o livro Poesia 1949-1979 (VIVAVAIA) de Augusto de Campos e descobrir a relação do coneúdo com a plasticidade gráfica e visual das palavras. Foi uma emoção parecida com a que tive quando ouvi La Mer e o Prélude a l’Après-Midi d’un Faune de Debussy. Me encantava o imprevsível daquela música. Muito tempo depois, li em um livro de um autor americano, Paul Griffiths, “A Música Moderna”, que se a música moderna teve um ponto de partida preciso, poderia ser identificado na melodia para flauta que abre o Prélude de Debussy. No mesmo livro ele fala ainda ainda que a harmonia de Schoenberg, o rítmo de Stravinsky e a forma de Debussy foram os elementos que mais interessaram e mais importância tiveram para os compositores no decorrer do século XX. Muito tempo tempo depois fui encontrando relações da música de Caymmi com o impressionismo de Debussy, da música de Srtavinsky e Schoenberg com a música de Arrigo Barnabé. Da música de Caetano com várias dessas influências. Fui entendendo o significado do antropofagismo.
É isso, viva a língua portuguesa!
Setembro 2nd, 2008 at 11:47 pm
CONSEGUI!
Gostei, viajo bastante nesse tema. Um segredo pra ficar só entre nós, hein: minha irmã está sempre dizendo “corier” ao invés de “colher”, dou boas risadas. E as trocas são acompanhadas pela voz mais engraçada do mundo! O dia que eu colocar o “posso pôr a mão, Gustavo” no Youtube você vai ver.
Ah, quase escrevi “vc”, mas voltei e consertei. Esteticamente fica feio, “num” blog tão chique… rs
Setembro 2nd, 2008 at 11:53 pm
Quando você escreve transborda meus pensamentos.
Aí fico assim, “possuída”, por suas palavras…
beijoca
Setembro 3rd, 2008 at 12:00 am
O que é a comunicação senão a própria expressão da alma. Neste sentido, não importa o grau de refinamento da expressão oral ou escrita de uma possoa, se não há alma no que se quer dizer.
Por isso, muitas vezes há mais emoção num simples errôneo “eu te amo” do que no refinado em “eu amo-te”.
Mais concretamente, há uma galáxia maior de sentimentos em “eu sei que vou te amar” do que em “Eu sei que vou amar-te”.
Setembro 3rd, 2008 at 12:21 am
Caro Caetano,
Lendo seu texto, não vejo realmente nenhuma grande discordância entre o que entendo ser seu pensamento e o de Marcos Bagno, o autor de “Norma Oculta”. Ele jamais se pronuncia contra o ensino da chamada norma culta; muito pelo contrário, ele diz que esta deve ser cada vez mais veiculada e ensinada nas escolas. O que ele denuncia é um arcaico mecanismo de poder que existe no ato sistemático da correção gramatical, sobretudo da fala.
E que aprender a escrever e falar segundo o padrão culto está sempre ligado à adequação a diferentes contextos sociais e à defesa contra mecanismos de controle.
Ao ouvir sua música “Língua” - uma pérola de nossa língua -, imagino que você saiba melhor do que ninguém que a língua é o terreno da consensualidade e do próprio apreço pela linguagem em si.
Recomendo a todos a leitura de “Preconceito Lingüístico” de Marcos Bagno aos que quiserem compreender melhor seus pontos. Fugindo de maledicências de qualquer natureza a lingüístas e a gramáticos.
Abraços,
Chuí
Setembro 3rd, 2008 at 12:56 am
ENTÃO ME DIGA LÁ: COMO É QUE FOI QUE O LATIM VIROU “PÓ”?
E vamos um pouco mais devagar nessa história dos “mestres da língua”. Nem tudo é o que parece ser.
Cá entre nós: esse Pasquale é muito pedante e chato (quem já viu ele derramando suas lições cheio de tiques e malabarismos vocais deve entender o que estou falando). Ele é, tão somente, um mestre da “boa língua”. Ele ainda não chegou a 1922, embora use poemas de Oswald de Andrade como exemplos de suas aulas. A referência é vazia.
E viva a língua natural e neológica. VIVA A CONTRIBUIÇÃO MILIONÁRIA DE TODOS OS ERROS. Sem os quais o português não teria surgido.
Setembro 3rd, 2008 at 1:02 am
Querido:
Eu vim da Bahia, mais precisamente da margem direita do Sergimirim e esquerda do Subaé, de quem vai do Bomfim pro Amparo, a escrever nuns e numas, duns e dumas, mas foi uma editora do JB, diário em que trabalhei, que, olhar severo, setenciou que eu parasse com aquilo. E eu, cordato, demais da conta até, como quem se livra da sobra que a lavagem da peça do vestuário propicia ao fundo dos bolsos da calça, passei a evitar essas contrações. Como se estivesse a fazer algo mais limpo, escorreito, inteligível, a escrever sem obstáculos, comecei a grafar em uma, em um, de um e por aí vai.
A minha mulher é Mestre em Lingüstica, na obra de Jaymes Joyce, e cá em casa nos deliciamos com coisas da língua e com a exatidão exemplificada do Pasquale. O uso correto da língua tinha que ser ensinado no rádio, na tevê, de modo a que fosse popularizado o chamado bem falar, o bem escrever. Entretanto, é na hora da raiva que se impõem as verdadeiras formas de expressão, haja vista ser nesses momentos cruciais, somadas a forma de ferir, a de se dizer a verdade e a música que para isto é empregada, é que o verbo se mostra afiado. Ou assim se o usuário acha que.
Vou aproveitar o entroncamento virtual, mesmo sabendo do seu va-vu (atribulação, em reconcavês, dileto dialeto dito em Santo Amaro) para te convidar e também ao nosso conterrâneo Jorge Portugal, meu colega do (Centro Educacional) Teodoro Sampaio, a ver e a ler, respectivamente, as fotos e textos que cometo e posto no flog http://www.fotolog.com/edmilsonsilva.
Em tempo: desculpem os erros em que esbarrarem nos textos, como no que postei hoje: uma crase antes de um que e uma concordância verbal totalmente exdrúxula, falhas que credito terem sido fruto da falta de revisão ou, adentrado o terreno das subjetividades, do melaço resultante da moenda da emoção contra as canas (sarangós, caianas, fitas) das lembranças.
No fundo, no fundo, língua é como comida; convenção: deve haver lugar para o caviar do inusitado, assim como para o feijão com arroz do dia-a-dia. Do contrário, do que seriam a prosa e a poesia!?
Em suma: falar é se fazer entender. Quanto é que custa?, para uns, pode ser “a cuma é?” ou “a’cumé?” para outros, ora bolas.
E levemos a vida, da forma mais leve possível, porque dela não se leva é nada.
Setembro 3rd, 2008 at 2:14 am
CAETANO: “EST RES MAGNA TACERE”
Talvez, da dúvida em si existir na palavra, haja sempre um vernáculo a mais em toda história linguística de um povo ou de uma raça - aí a “BABEL” milagrosa e insólita da comunicação. Seus textos, assim como as suas letras de músicas, cada vez mais vão se aproximando da linguagem do povo, da massa e, quem sabe, a sua alma também. Percebo que o rigor técnico que antes era exigido em sua construção poética - entenda-se rigor não como regra ou formatações que exterminam o ato criativo e genial que você possui - perpassa e soçobra com o seu maior amadurecimento pessoal e artístico.
Quando li o seu livro “VERDADE TROPICAL” tive a impressão de estar quase diante de um texto barroco, mas cofigurado à modernidade e à amplidão que o texto buscava: a contradição é a sua principal façanha!
Ainda bem que a Bárbara Heliodora é crítica teatral!…Porque recentemente eu li o livro dela “O HOMEM POLÍTICO EM SHAKESPEARE” e vi como tantos argumentos históricos, linguísticos, de análise real e estudo, de vida literária conduziram a obra à tese de doutorado. Pois bem, aonde vamos chegar? A dramaticidade shakespereana, a análise humana, seus personagens conduzem ao ser Caetano Veloso. Shakespeare era um autor que escrevia para o povo e tinha uma liguagem clássica,genial,ímpar. O Caetano é ímpar! Talvez “…DESDE O FIM”.
A Língua Portuguesa requer isso: que abracemos a sua grandeza! Impressiona-me como ter luz incomoda muita gente. Se falar bem, escrever bem, se criticar, se não se conformar, se pôr tudo às claras ou ao avesso… tudo cria tensão e o mundinho dos que acham que sabem tudo e, pior ainda,dos que não passaram por quase nada e desvencilham-se de suas convicções, se é que as possuem, tem que sempre usar dos dentes de dragão para ferir o âmago alheio. Como diz ADRIANA CALCANHOTTO: ” EU APLAUDO REBELDIAS… E NÃO LIGO PARA CONCHAVOS”.
PARABÉNS CAETANO!
Setembro 3rd, 2008 at 2:53 am
Caetano, seu post me lembrou um pequeno texto do Adorno (que está no “Minima Moralia” e você deve conhecer). Não sei em que medida concordo -para dizer a verdade, há pontos bastante discutíveis-, mas é um exemplo de filósofo inequivocamente de esquerda que se contrapõe a boa parte dos lingüistas, eles também majoritariamente à esquerda. Se me permite, transcrevo aqui:
“É reacionário lançar mão dos dialetos dos operários contra a língua escrita. O ócio e até a soberba e a arrogância conferiram ao discurso das classes superiores uma certa independência e autodisciplina. Através disso ele é levado a opor-se à sua própria esfera social. Ele se volta contra os dominantes, que dele abusam para comandar, pretendendo comandá-los e recusando-se a continuar a serviço de seus interesses. Na linguagem dos oprimidos, porém, resta apenas a expressão da dominação, que também a privou daquela justiça que a palavra autônoma, não-mutilada, promete a todos aqueles que são livres o bastante para dizê-la sem rancor. A linguagem proletária é ditada pela fome. O pobre masca as palavras de modo a saciar-se nelas. Ele espera o espírito objetivo da linguagem, o alimento substancioso que a sociedade lhe recusa; ele, que nada tem para abocanhar, enche a boca com palavras. Vinga-se assim na linguagem. Ele desonra o corpo da linguagem, o que não lhe é permitido amar, repetindo com uma força impotente o ultraje que a ele próprio foi infligido. Até mesmo o que há de melhor em dialetos como o do norte de Berlim ou dos cockneys, a resposta pronta e a graça natural, sofre do defeito de que, para superar sem desespero situações desesperadoras, põe-se a zombar de si mesmo quando zomba do inimigo, e assim dá razão ao curso do mundo. Se a língua escrita codifica a alienação das classes, então esta última não pode ser revogada pela regressão à língua falada, mas apenas na coerência da mais rigorosa objetividade lingüística. Somente a fala que suprassume em si a escrita liberta o discurso humano da mentira de que ele já é humano.”
Setembro 3rd, 2008 at 5:31 am
Caro Caetano e leitores,
Vejo que a discussão aqui rala solta…tudo isso por conta de um assunto tão atual e capaz de ferir muitas bases. Ontem mesmo fiz uma prova de lingüística em que deveria tratar de assuntos discutidos aqui, e referenciar lingüistas de ontem e de hoje (como Bagno e Mattos e Silva, p.ex.) Se tivesse publicado este post mais cedo provavelmente eu faria referência. Por outro lado, desde o início da graduação até hoje nunca me foi proposta ler artigos de Pasquale, muito menos de outros defensores de doutrinas lingüísticas(a-científicas). A língua de Pasquale somente ele a usa porque seu público vem tentando “roçá-la” conforme rossou camões há mais de 5 séc. e pertence a uma classe preconceituosa e segregadora. Sabe por que não me foi dado artigos deste autor? Respondo: porque ele é alguém que ainda tem privilégios e poderes conferidos pela concepção de “certo” e “errado”.
Mas como o pensar científico não comunga dessa idéia, daí porque muitos linguístas sérios no Brasil recebam títulos de baixo calão. Ah, a estes não lhes reservaram o título de linguísta certo ou linguísta errado ainda por quê? Talvez porque estão buscando um meio-método-teoria para para classificá-los.
É só isso,
Abraço.
Setembro 3rd, 2008 at 9:00 am
Permite uma pequena sugestão? Textos longos ficam graficamente pesados na tela do computador mas;
se
você
espacear (existe? não? achei bonito anyway)
um pouco entre os parágrafos eles ganham espaço para respirar e a gente vai longe lendo lendo sem cansar o olhar.
é uma estratégia para contornar a preguiça e o imediatismo que o meio eletrônico proporciona.
Setembro 3rd, 2008 at 10:38 am
Eu preciso fazer uma confissão antes de concluir meu comentário, faço um empréstimo do seu texto, apenas por um momento, para que eu use dele com a obrigação de ser restituído integralmente, um Ctrl + C copiar e depois um Ctrl + V colar no “word”(palavra?) dessa forma eu posso alterar as palavras com tipo de impressão maiores. É um caso além da gramática, precisamente falta de visão literalmente. Hipermetropia dificulta enxergar as letras pequenas do seu blog. Eu peço desculpas pela minha falta sensorial pela qual os olhos, por intermédio da luz, põem o Homem em relação ao mundo exterior, ela é realmente curta ou seria culta, quem sabe oculta, seja como for, o fato é existir não só o recurso lingüístico , mas o informático.
No seu texto “Lingüistas” inúmeras frases e um universo a se explorar em cada uma delas.
“todos os brasileiros, inclusive (talvez mesmo principalmente) as crianças entendem as letras das canções de Orestes Barbosa ou de Chico Buarque em que o cantor se dirige à amada na segunda do singular.”
Essa frase em particular me fez lembrar de um livro de Mário Prata “Minhas tudo.” – Uma amiga dele, quando era criança, ficava muito triste quando “numa” brincadeira de roda cantava-se.
“ O amor que tu me tinhas era pouco e se acabou” Ela achava que tu me tinhas era um japonês ainda criança, chamado Tumita. E o amor de Tumitinha era pouco e se acabou.
Um beijo
Setembro 3rd, 2008 at 12:13 pm
Caetano,
não conheço nenhum teórico (não li, não assisti palestras, nunca vi nem ouvi falar, etc.) que sustente que a transmissão de conhecimento relativo à tecnologia da língua seja opressão. Creio que a questão seja como se dá essa transmissão e qual conhecimento se enfatiza. (Rápido parentêses: não li o livro que você menciona, mas creio que a autora poderia estar afirmando simplesmente que as conjugações de segunda pessoa não fazem mais parte da gramática adquirida - no período de aquisição da lingugaem - dos falantes nativos de português brasileiro. Nesse caso, mesmo a recuperação lexical do tu por parte de jovens (especialmente cariocas) não traz nenhuma informação nova, uma vez que os verbos fazem a concordância com as desinências de terceira pessoa do singular “tu é gênia, gata, etc.”)O entrevistado da Caros Amigos é Marcos Bagno, autor também de Dramática da Língua Portuguesa, A Língua de Eulália (li esses dois que cito, mas não li A Norma Oculta). Acho que o que ele problematiza é uma transmissão de conhecimento relativo à tecnologia da língua baseada na estigmatização da variedade nativa do falante, dividindo as variedades entre “certas” e “erradas”, ou de modo mais preconceituoso, entre “língua de gente burra/analfabeta” e “língua de gente inteligente/culta”. Ele também questiona o fato de muitas vezes tal transmissão se ancorar numa idéia fixa de língua, imutável, operando correções que não condizem com o português falado e escrito por pessoas com nível de escolaridade superior (Bagno usa o critério de nível de escolaridade para determinar o que seria um falante culto) no Brasil - note-se que Pascoale adota os dois procedimentos criticados. Por outro lado, temos um teórico como Evanildo Bechara, autor de gramáticas normativas e conhecido acadêmico, que defende a idéia de “língua exemplar”, que, salvo engano meu, seria o somatório dos fatos gramaticais referendados pelos bons falantes e bons escritores do idioma. (Na minha opinião, o problema da abordagem de Bechara, além da questão óbvia - quem seriam os bons falantes e bons escritores do idioma? mas para essa questão, critérios podem ser pensados - é que ela fundamenta uma postura de fobia da diferença, ou mesmo de ódio à diversidade lingüística: penso especialmente em franceses vaiando Tom Zé e em políticas autoritárias quanto ao uso de estrangeirismos, existentes, por exemplo, em Cuba, e no mal fadado projeto de Aldo Rebelo). Todavia, nem Bagno, nem Bechara, nem nenhum outro lingüista ou estudioso da língua com o qual eu tenha tomado contato proíbe a troca natural entre níveis de informação. Bechara, inclusive, fala que o papel da escola, quanto ao ensino do idioma materno, é fazer do aluno um poliglota da sua própria língua (lema que acho, de fato, louvável). De fato, uma das coisas que sempre me chamou atenção em suas canções é essa fluência (bela) entre as mais diversas variedades: do já citado “tu é gênia, gata, etc. , mas cê foi mesmo rata comigo demais” até às mesóclises de passistas, sem falar no “tarado ni mim”, na incorporação de gírias lusitanas, no vocabulário rico de “um sonho”.
That’s all, folk.
Setembro 3rd, 2008 at 12:17 pm
Olá, Caetano,
Que coincidência receber agora a notícia deste post: estava justamente conversando sobre isso em público, via blogs, com uma professora de lingüística (sou professora de francês e literatura). Em resposta a meus lamentos sobre algumas mudanças no português brasileiro que atentam contra a ossatura do idioma (ou seja, a sintaxe - como “é o carro que você precisa”), ela me acusava de elitismo. Ora, cito você -
“as pessoas que dizem “grobo” são as mesmas que têm vocabulário menor, menos acesso aos conhecimentos, menos poder”
- para afirmar que, se há no estudo do idioma a função descritiva e a normativa, não entendo por que os profissionais de Letras envolvidos na primeira função (os lingüistas) insistem em menosprezar a segunda, negando a necessidade de padrões para os idiomas e transformando a norma culta numa espécie de instrumento de opressão próprio das “classes dominantes” - um marxismo barato transposto para estudos lingüísticos. Além do mais, embora sejam duas funções igualmente importantes, há uma diferença significativa entre elas: a primeira é eminentemente acadêmica (descreve-se para compreender melhor o idioma e produzir teoria), enquanto a segunda gera resultados fora das portas da universidade, na medida em que, através do ensino para um maior domínio da modalidade culta, há um real aumento não só de possibilidades de ascensão social, mas de desenvolvimento pessoal. Quem domina o padrão culto não só angaria mais oportunidades profissionais, mas lê melhor, escreve melhor e, acredito, até pensa melhor. Assim, o resumo de meu argumento é: enquanto os lingüistas pretendem criar para essas pessoas de “menos poder” uma ilha de falso consolo, são os professores de português (os Pasquale da vida) que de fato lhes estendem a mão e as puxam para cima.
Que os lingüistas continuem portanto naquilo que é de sua especialidade - descrever o uso do idioma - enquanto os professores de português fazem o que é de sua competência: ensinar a variante culta da língua. Descrever e normatizar são duas funções diversas, mas ambas possuem relevância. Não é preciso que uma diminua para que a outra cresça.
Seu blog e esse post foram uma agradável surpresa. Parabéns!
Abraços,
Norma
P.S. Manuel Bandeira confessou achar bonitinho quando os cariocas dizem “para mim fazer”. Particularmente não gosto, mas tenho especial simpatia pelo fenômeno que você citou na linguagem oral de Minas Gerais: a ausência dos pronomes em determinados verbos (”Ele assustou!”). Ora, podemos de fato apreciar alguns desvios da norma culta (orais ou escritos) sem, com isso, adotar esse discurso populista de nivelamento. Aliás, saber apreciar desvios é uma das condições para a fruição da literatura. Senão, professores de português jamais leriam ou recomendariam Guimarães Rosa!
Setembro 3rd, 2008 at 12:36 pm
Erich
Nem todo ERRO contribui. A língua negocia com o tempo. A beleza dos ERROS que se incorporam à língua tem mistérios. Do contrário, estamos apenas glamurizando a ignorância.
Viva Adoniran Barbosa!
Setembro 3rd, 2008 at 12:42 pm
O livro que lestes chama-se “Ensaios sobre as gramáticas do português”, escrito pela lingüista franco-portuguesa Charlotte Galves. Eu que a lisonjeei ao pedir que o dedicasse a você…
E ao ler suas considerações (excelentes, pertinentes), me dá vontade de presenteá-lo mais.
Um grande abraço!
Setembro 3rd, 2008 at 2:26 pm
Ah…a vã tarefa humana da obrigatoriedade de se traduzir em sons e símbolos o que vai pelo éter do pensamento…precisamos instituir a telepatia como matéria obrigatória…um dia, numa rádio aqui de Ribeirão Preto, Roberto Carlos e violão estavam promovendo um LP…la pelas tantas, RC resolveu cantar/tocar uma música que tinha composto há poucos dias e disse ser a primeira vez que o faria em público…com versos e melodia um tanto diferentes, tremi na base ao ter o privilégio de ouvir quero que va tudo pro inferno…e me recordo disso pois Roberto, Dylan, Madonna, e tantos outros um dia se disseram “eu quero”…e estão aí para todo sempre, como a eterna caetanave prontinha para zarpar mais uma vez, fazendo roquenrou em cima da festa da bossa…sua inspiração e a dos garotos em breve vai virar produto que passaremos a lupa em nossos lares…e tome traduções de mais pensamentos em sons e símbolos que nos embalarão no porvir…e nesta discussão semântica, penso nos blogorkuts ushahushahsuahs da molecada…ou nos textos sem vírgula, sem maísculas, sem espaço, um stream infindável, que Dylan roubou lá e cá e botou na roda…um dia tive a oportunidade única de trocar duas palavras num pós-show com El Veloso Himself, também em Ribeirão Preto…dei-lhe um livro sobre Rita Lee, uma brincadeira da qual involuntariamente e na galhofagem, você Caetano entrou de gaiato na barcarola…você disse “vou ler seu livro”…e eu agora fico torcendo, que mesmo sem separação, ele tenha sido perdido porque fico imaginando uma análise tipo destas dos artigos…affff…
Energia e sorte a todos os envolvidos na OEP…
Setembro 3rd, 2008 at 2:37 pm
Meu Deus, reencontrei Edmílson, o número 8 da “primeira D”do Teodoro Sampaio no blog de Caetano.Que coisa magnífica!
Que Lingüística que nada!Esse blog tá ficando é metafísico demais.Tá parecendo a praça da Purificação em 2 de Fevereiro.
Jorge Portugal
Setembro 3rd, 2008 at 4:16 pm
Olá, Caetano!
Sempre gostei de suas músicas. E de linguagem. Sou jornalista, doutoranda em Lingüística, e, sobretudo, aprendiz. Posso ter me enganado, mas, “intuitivamente”, achava você mais próximo dos lingüistas do que dos gramáticos puristas. Posso ter me equivocado. Também tenho um blog no qual já falei sobre linguagem (http://liquimix.zip.net) e não sei se me acharia demagoga. O que posso dizer (resumidamente, porque você é artista e não tem tempo) é que tive oportunidade de estudar autores “puristas” e “lingüistas”. Também corrigi redação em vestibulares e no Enem por vários anos e é triste, Caetano, ver os problemas de escrita de muitos brasileiros. Talvez, esses problemas devessem ser interpretados como prova de que ensinar o aluno a decorar a classificação das subordinadas e cia. não está dando certo, não está contribuindo para formar cidadãos-escritores-leitores. Talvez os lingüistas estejam querendo apenas enfatizar que uma boa formação vai muito além de um eventual equívoco de norma padrão. Gramáticas e dicionários contribuem, devendo estar sempre à mão, mas, sozinhos, não formam bons usuários da língua. Os dicionários são bons aliados para evitar incoerências (como a de uma internauta, acima, que concordou com seu texto, escreveu “trajetória” com “g” e, em breve, vai ser uma “integrant(e) da educação”. Ah, sim, eu também posso cometer equívocos.). Bem legal que você tenha lido Saussure. Depois dele, vieram muitos outros. Já que se interessa pelo assunto, quem sabe valha a pena ler algum livro de Magda Soares. Um de que gostei bastante foi “Linguagem e Escola: Uma Perspectiva Social”. Isso para não indicar alguém da Unicamp (eu poderia ser suspeita, pois estudo lá) e nem o Marcos Bagno (o autor de “A norma oculta” – experimente um dia “A língua de Eulália”…). É só uma dica, você não tem obrigação de ler nada disso… (eu quase nada entendo de música…).
Abraços de quem ouve seus CDs. Érika.
Setembro 3rd, 2008 at 5:29 pm
O mais bonito disso tudo, dessa incongruência a respeito das normas cultas (e ocultas; ótimo!), é saber que uma língua se move tanto quanto o aparelho final à ela destinado. E que os tus e vocês, e os nós e os eles estarão sempre se movimentando de acordo com uma condição temporal. Isso, da mutabilidade de um idioma, e que linguista algum poderá cercear, é que faz dele, no meu ponto de vista, a grande diferença no frigir dos ovos. Não me refiro a sotaques ou mesmo a neologismos, muito menos a regionalismos, mas a criação livre de um idioma temporal, que acaba por designar modos, costumes, tendências, mas sobretudo, a identidade de um povo em determinado momento. Note que a gíria (antiga e moderna) acompanha o costume (antigo e moderno), ou seja, no passado “tu vai lá e chega na mina” não faria mesmo o menor sentido. Enfim, tudo isso, a discrepância, a discordância dos acadêmicos para com aqueles que recriam o idioma demosntra que eles mapeiam o mundo que se recria. O resto vira discussão por que o ser humano é assim, doudo por uma conversa.
Grande abraço paulistano, que aqui se traduz ultimamente como “beijo”.
Setembro 3rd, 2008 at 5:57 pm
Sobre a “política” de comentários deste blog ver o texto “antipático mas necessário” que acabo de publicar em http://www.obraemprogresso.com.br/caetano/
Setembro 3rd, 2008 at 6:39 pm
Caetano: se estudou Saussure, talvez tenha lido essa passagem: “de fato, toda gente dela [da língua] se ocupa, pouco ou muito; mas - conseqüência paradoxal do interesse que suscita - não há domínio onde tenha (sic) germinado idéias tão absurdas, preconceitos, miragens, ficções” (p. 14 da edição da Cultrix)
Setembro 3rd, 2008 at 8:43 pm
Caetano, como tocaste no assunto, vou pagar um mico medieval aqui e mostrar-te minha proposta linguística, sem tremas, para o milênio. Uma bobagem que escrevi há um tempinho. Te quero bem, abs.
Da ensinança de bem escrever
Em nome de nosso senhor Jesu Cristo, que he mandado que todallas cousas façamos, ajudando aquel dito que de fazer livros nom he fim, screvo algüas cousas per que seran ajudados pera a milhor percalçar os que leerem com boa voontade. Faço por ensynar os que tanto nom souberem, e trazer em renembrança aos que mais sabem as cousas que lhes bem parecerem. Per bem screver he necessario que ajom duas cousas principaaes: grande desposiçom e muyto saber. De cada hüa direi apartadamente o que me parece, per que me praz de poer esta scyencya em scripto ainda que tam aproposito nom venham por fazer a algüus proveito, posto que a outros pareça sobejo. (Bem sey quanto pera mym presta fazello ou leixallo de fazer.)
Grande desposiçom: O coraçom oucioso, de tam fraca desposiçom, nom averá poder de cometer, contradizer e soportar todallas cousas fortes e contrarias que perteecem aos estados e oficios de screver. Os desesperançados leixam d’aprender o que pera saber lhes he necessario, e ssom conhecidamente os mais enganados por esto. E ssentyndo esto o vailente emperador Jullyo Cesar, por muyto que ouvesse de fazer, sempre quando avya spaço seguya o estudo e algüas obras de novo screvya. Digo que he visto per speriencia que o coraçom dos que prezam screver he semelhante aa moo do moynho, a qual botada per força das auguas nunca cessa de seu andar, e tal farinha dá como a ssemente que mooe.
Muyto saber: Aos que dizem que screver sem livro se deprende, digo que nom he verdade. Papagayos bem aprendem porem nom leem pera saberem milhor. Aos que bem pratycam a converssaçom de mais cousas razoadamente devem saber, por que esta manha per ssy soo nom he soficiente pera fazer algüu muyto valer. Ssaybham nom tomar jnoramcia por boa voontade. Os que tiram grandes vantagëes do conhecymento em proveito de bem parecer e outras mostramças nom poderóm seer boons scryptores por que a contynuada husança de sua presunçom afastará muytas pessoas se os leerem, que logo se enfadaróm delles. Por regra geeral pessoas de boos coraçõoes desejam leer livros dalgüa scyencya ou enssynança, nom livros bestas mais sem proveito que ellas.
Screver nom he jogo de manqual. Screver bem he saber leer aalem da propria imagem em hum espelho de borracha. E por nom trautarse de avamjelho esto que aquy screvo, leixo de mais sobre ello screver, por muyto nom perlongar. Milhor ouvermos nosso caminho per doutro mar de lomgo.
da Jlha de Vera Cruz, 2008.
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Setembro 3rd, 2008 at 9:26 pm
C., que papo é esse de escrever falando que o Caetano interrompe conversas e que pedir perdao é por omissao de algo? De quem é o sentir de injustiça?
Criticar o outro é muito facil, mostra seu trabalho, mostra o que vc faz, tem uma musica de diz: “Brasil mostra a sua cara!”
Tantos opinam ou julgam, mas o que fazem além disso?
Escrevo para dar um alô, pois sobre linguistica eu nao consigo ler. Talvez por falta de capacidade burocratica, ou ainda ignorância assumida.
A letra C tem o formato da lua de hoje, e apenas algumas pessoas tem o poder de uivar neste periodo.
um beijao à todos que escrevem neste blog, “Obra em Progresso”, o nome diz. Toda imperfeiçao, estah contida neste eixo! Brasil!!!!
beijos e mais beijos auuuuuuuuuu!!!!!!!!!
Setembro 3rd, 2008 at 10:00 pm
Norma achou o “ponto”da coisa: que os lingüistas( ou cientistas da linguagem, como eles gostam)continuem a descrever a língua; e os professores de português, a ensinar a norma culta e a acender o farol sobre as demais variáveis.
Quanto a Lucas, eu que já li quase tudo de Pasquale e já o entrevistei várias vezes JAMAIS flagrei um laivo sequer de preconceito contra qualquer variável, ou declarações “normacultacentristas”.
Os raivosolingüistas é que decidiram levianamente carimbá-lo como conservador e fazem disso um estandarte da agonia.Aquela história da mentira repetida mil vezes, etc, etc…
Por favor, vamos centrar a discussão no objeto da reflexão e não no penteado das pessoas.
Conheçam, com honestidade, o pensamento e a visão de Pasquale e só assim se sintam autorizados a voltar ao debate.
Setembro 4th, 2008 at 12:05 am
Haverá alguma relação entre Tristes Trópicos de L. Strauss e Coração Vagabundo de Caetano?
Setembro 4th, 2008 at 12:19 am
Oi Caetano,
Comentaste no início deste tópico que “apesar de estar muito no Rio, prefere a capital paulista”.
Gostaria muito de ver descrito seu ponto de vista favorável a São Paulo. Estive nas duas cidades e também gostei mais de São Paulo, por isso fiquei curioso para ouvir-te a respeito.
Sou da área de turismo e assim seria interessantíssimo suas opiniões.
Parabéns pelo trabalho!!!
Setembro 4th, 2008 at 12:20 am
oi Fernando: não sou só eu na moderação - claro que o timing é um problema - vamos melhorando aos poucos (se o movimento por aqui exigir - como nos últimos dias com picos inesperados de visitas)- afinal a Obra nos bastidores do blog também está em progresso - abraços
PS: e desculpa colocar este comentário nada a ver com o post por aqui - mas era tanta gente reclamando por não ter tido comentários publicados que tive que colocar os links para os esclarecimentos…
Setembro 4th, 2008 at 12:34 am
Caro Caetano,
Só agora soube do teu (posso usar a segunda pessoa do singular, que aqui em Portugal se usa, mas conforme a proximidade?) blogue, pela minha amiga paulista-carioca Luciana, e é um prazer ler-te. Eu sou uma portuguesa-portuguesa-abrasileirada e por isso o tema certamente me interessa, muito. Muito eu troco a minha fala de Portugal pela do Brasil, por prazer e por emoção, dentro dos possíveis. Muito, isto é, de vez em quando. Concordo que as “tendências” da evolução da língua não podem ser conduzidas por encobrimentos de informação – se percebi bem. Não vamos emparedar os caminhos das “tendências”! Nunca à informação escondida, a informação nunca é escusada. Defender a não exposição à informação é como um ensaio antropológico a que os informados querem assistir… Amar as falas não supõe isso, eu acho.
Com admiração,
Inês
(Eu nunca entendi o “em um” e o “em uma” usados no Brasil, fiquei a pensar se os meus “num” e numa” estariam errados, e nunca descobri)
Setembro 4th, 2008 at 2:07 am
Corrijo aqui meus erros de digitação para garantir a publicação:
Caro Hermano
Li com atenção cada item da “política” de publicação deste blog. Confesso que fiquei meio dividido. Se por um lado, a moderação determina uma maior qualificação da conversa virtual; por outro, suas ponderações parecem meio frágeis. Estou a vontade pra falar isso por muitos motivos: 99% do que postei foi aceito, admiro muito o seu trabalho e acompanho o de Caetano há anos.
Mas há algo que incomoda mesmo assim: no item 3 você diz que “só uma equipe de moderação gigantesca conseguiria ficar avaliando 24hs todos os comentários que chegam por aqui”
e, em seguida, no item 4, que “só aprovamos comentários que tenham a ver com o que está sendo discutido no post”.
Como sou um velho blogueiro fiquei um tanto perplexo. Se não dá pra avaliar os todos os comentários 24hs, como garantir o timing de um papo virtual? E se os coments tem que ter a ver com o post, a situação piora. A demora na publicação dos posts e na moderação dos coments aumenta a chance de um comentário novo, sobre um novo tema, ter que ser enviado no espaço destinado a uma velha discussão já vencida.
Ora, com essa política tão focada e temática a moderação deveria ser mais ágil e “a tempo”. E mais: alguns coments não pertinenetes ao tema do post podem ser bacanas. O seu por exemplo sobre a “política” do blog não tem nada a ver com o post “Linguístas” do Caetano. Achei-o meio sem querer, fuçando no papo.
A internet é anárquica. É claro que grosserias e rasgações de seda são inconvenientes, mas uma moderação feita por apenas um cara, com disponibilidade relativa e presença irregular, num blog relacionado a um projeto tão importante, pode ser um perigo.
Na internet, quantidade e qualidade se misturam e por mais que os critérios sejam (e são) compreensíveis, fica um sabor de critério editorial. Aí a sua palavra “política” ganha um novo sentido. Ou melhor, o “velho” sentido. Não confundo isso com censura, mas é no mínimo uma análise bem pessoal e vetorial.
Tenho um modesto blog e recebo coments muitas vezes fora do esquadro. Tremo só de pensar em deletá-los! Tenho arrepios de pensar que só os coments pertinentes ao post sejam por mim aceitos.
Você pode correr o risco de não entender um comentário, ou analisá-lo de forma pessoal, quando os outros aqui presentes nem se incomodariam, ou entenderiam algo que você não percebeu. Assim é o mundo. Assim é a web.
abraço de um admirador
Fernando Salem
Setembro 4th, 2008 at 9:02 am
C sem ponto (http://www.obraemprogresso.com.br/2008/09/02/linguistas/#comment-2469):
Não entendi bem o que você disse sobre perdão como omissão de algo, nem sobre uma injustiça. Mas quanto àquela história de interrupções, não foi uma crítica - não a Caetano, pelo menos, até porque eu não disse que ele interrompia, mas que era constantemente interrompido. E interrompido exatamente por críticas. E seria de todo modo uma pena que um espaço tão promissor quanto este virasse uma arena de críticas fáceis e que ainda por cima desviassem Caetano de outras coisas que ele poderia estar nos dando a oportunidade de ler, sem essa acidez constante de acusações e rebates (que em si já é uma queda na qualidade pela qual este blog zela). Eu não critico Caetano por responder, eu mesma estou te respondendo. Só lamentei o tempo que se perde com isso, porque eu tenho muita ansiedade em ler o que ele diz descompromissadamente. Muito do que ele faz e diz é relevante pra mim; ele é uma das peças centrais do meu trabalho que você sugere que eu mostre, e por isso adorei a idéia de um blog que fosse uma expressão cotidiana dele e de uma criação em andamento. (Até porque esse meu trabalho também é uma obra em progresso, é essencialmente “em andamento”, o que faz com que este blog me seja duplamente enriquecedor - não só por conter textos de Caetano como pela identificação com o método aberto de criação.)
Eu agradeço que você queira que eu “mostre a minha cara” e explique do que se trata o meu trabalho - sou leonina com ascendente em leão, Caetano deve saber o que isso significa diante de uma proposta dessa! -, mas este não é o espaço para isso. Como também não é o espaço para eu dizer o quanto gosto de Caetano sem ficar retida no filtro da tietagem desenfreada (porque eu certamente ficaria), mas acho que não vai contra a política do blog reforçar outra vez que não o critiquei em palavra nenhuma do que escrevi.
p.s.: O estado de alerta em que a gente fica quando sabe que a tensão de ataques e defesas está no ar me deu a impressão de que essa última frase pode ter soado irônica e que eu discordo da política do blog. Não, Hermano, eu a achei bem razoável por sinal.
Setembro 4th, 2008 at 9:51 am
Depois de ler esse post do Caetano, sinto-me compelido a parafrasear Sírio Possenti, já que também sou um (bastante jovem) estudante da língua portuguesa e da linguagem humana:
“Eu também não entendo nada de música”.
Setembro 4th, 2008 at 10:43 am
Só faltou falar do livro Macunaíma, todo escrito, magistralmente, na forma linguística e não gramatical, por nosso querido Mario de Andrade
Abs
André Gardenberg
Setembro 4th, 2008 at 11:21 am
ao Fernando Salem:
observe que em qualquer situação da vida, limites são necessários. em espaços reais e nos virtuais também. o fato da web se possibilitar uma grande velocidade na comunicação e sem qualquer enraizamento pra que isso aconteça, sem necessidade dos referenciais concretos pra isso (como olhares e movimentos corporais por ex) está gerando uma nova categoria de doenças da informação e comunicação. crianças em idade escolar sendo diagnosticadas muitas vezes erroneamente como hiperativos e receitados aos cuidados de drogas nada agradáveis como ritalina, enquanto grande parte de seus problemas se resolve rapidamente com um tempo determinado em receita médica tipo “duas horas de pátio ao voltar da escola”, “brincar com argila com a participação dos pais”. e isso não é piada não. é fato que quem está mais enganjado nesta área conhece a gravidade do problema. de ter orientador escolar receitando ritalina pra aluno ativo demais. pessoas se constituindo desprovidas de limites corporais e mentais, desprovidas de contato com a terra em todos os seus amplos sentidos. e o “perigo” de moderar comentários é exatamente o mesmo que as pessoas que se propõem a ter filhos assumem: possibilitar a expansão da mente, evoluindo, mas com limites claros. tarefa de pai e mãe. e muitas vezes se diz não demais e muitas de menos. acho que o hermano está agora em uma posição de maior “paternidade” da moderação desse blog. e de maior responsabilidade com andar desses próximos movimentos. e o risco de não entender algo nos faz lembrar que apesar da web e internet, somos humanos. não podemos separar completamente o pessoal. e isso também nos ajuda a lembrar que também existe um motivo pra que seja o hermano que está nesse papel. em parceria com caetano, e todas outras pessoas. apesar da sensação de grandes espaços virtuais que a web proporciona, lembremos que tudo é muito mais humano. obras são construídas assim. bem, escreveria muito a respeito disso, pq trabalho com as doenças das pessoas que vem muitas vezes desses esquecimentos, mas talvez isso já demostre minha pre ocupação a respeito de aceitarmos algo como “a web é assim”. ela não é assim, é o que fazemos dela, é um reflexo do que estamos fazendo dentro das nossas casas e trabalhos com as pessoas que nos cercam. abraço fernando, quis te colocar esse ponto de vista também. achei importante já que o assunto surgiu.
Setembro 4th, 2008 at 11:25 am
e desculpe minha gramatica. escrevo como penso, e as vezes faço muito rápido, e suprimo virgulas. e geralmente, em situações casuais e virtuais, não corrijo. exatamente pra me lembrar como está funcionando meu pensamento.
Setembro 4th, 2008 at 12:43 pm
Caetano,
Neste dia triste para a música brasileira, em função da perda de Waldick Soriano, peço humildemente uma palavra sua sobre este grande nome do cancioneiro popular do Brasil. Você, cuja liberdade criativa que só os grandes têm nos proporcionou revisitações a obras de Peninha, Fernando Mendes e de outros subjugados pelos “bestinhas de nariz em pé”, pode, como ninguém, falar um pouco de Waldick, canção popular, música brasileira… Enfim, é isso.
Muito obrigado pela atenção,
Ilan.
Setembro 4th, 2008 at 1:29 pm
Se a língua fosse imutável, falaríamos latim.
Se a língua fosse 100% mutável, seríamos Babel.
O equilíbrio, as tendências e a mistura me permitem conhecer a língua musical de Caetano, ler Camões, entender a língua dos meus amigos mal-escolarizados e estar habilitada a dar aula de gramática tradicional.
.equilíbrio.
um abraço,
Emily
Letras - USP
Setembro 4th, 2008 at 1:38 pm
vai rolar imagens de estúdio da gravação do disco???
Setembro 4th, 2008 at 2:35 pm
O pesquisador e escritor entrevistado na Caros Amigos é Marcos Bagno e seu grande livro se chama “Preconceito Lingúistico”. Meu povo, cuidado em manter as coisas superficiais. O Bagno é um grande professor da Universidade de Brasília (onde fui seu aluno) e um tremendo defensor da língua portuguesa. É escritor e preza muito pela beleza, riqueza e complexidade de nossa língua. O que ele despreza e ataca é o preconceito, é a propagação da idéia de que quem não fala a norma culta (e norma culta mais se escreve, menos se fala) está por fora, é pobre, é burro, é incapaz. Língua é comunicação e qualquer “nóis vai” “tv grobo” e o que quer que seja comunica, assim como esse meu queísmo todo aí atrás. Em seus livros, Bagno não se furta a citar os grandes autores da língua portuguesa, aliás, muito de suas idéias podem ser apreendidas da querida Emília, do grande (e muitas vezes equivocado) Monteiro Lobato. Existe um jornalismo tosco que nos bombardeia e Pasquale faz parte disso sim. Decorar e propagar regras de gramática (gramática, não língua) não inclui nem ensina ninguém. Esses caras se alimentam e alimentam vestibulandos e concursandos, não a nossa grande população semi-letrada. Aliás, banho de língua sempre nos deram os grandes artistas da música brasileira, como o Caetano, Chico Buarque, Gil, Cartola, e, porque não, Adoniran Barbosa.
Setembro 4th, 2008 at 3:10 pm
Caetano, o prof. Pasqualle sempre diz que em suas músicas, seus textos o português esta e é corretíssimo, você tem este dom.Sabe aonde, como, quando usar e aplicar a língua corretamente.
A critica brasileira feita no Brasil por críticos brasileiros - sobretudo - sempre foi para falar mal do Brasil de um modo geral.Sobretudo em relação á artistas que se destacam lá fora como você ou um amigo querido nosso - outro apaixonado pelo Brasil e a língua portuguesa: Zé Celso.Que tem um dos nomes mais lindos e poéticos que já vi: José Celso Martinez Corrêea. E a crítica, não importa o que ele faça, o quão se empenhe com seu grupo, não perdoa.
Não sou especialista em língua portuguesa, tenho apenas 28 anos. Mas como você e outros aqui, sou extremamente apaixonado pela nossa lingua mãe.
Curiosamente, a mesma crítica que muitas vezes massacra nossos artistas é a mesma que se encarrega de massacra nossa própria língua. Criando verbos e expressões em inglês, nada contra, ainda que não haja significado para certas palavras em inglês ou traduções literais ao pé da letra.
Como saudade. É algo que só temos no Brasil e em nenhum outro país. Claro, você pode ter traduções que até chegam perto de seu significado, mas: “saudade“, é algo que só nascido e criado uma vez no Brasil para saber seu real significado. Não á toa, quando os estrangeiros vem morar aqui, ficam loucos aos descobrirem o poder desta palavra.
E assim é nossa língua, riquíssima como nossos artistas. E a crítica permanecerá eternamente provinciana.
Há e voltando ao: `´você`´, não ainda não acabou. Devo discordar. Eu ainda uso muito o: “você“. Em São Paulo assim como aí no Rio também se usa muito o: “tú“ ou o: “tá“: - “tá ligado mano“?
E pelas ruas de Sampa ou SãPã ainda ouvimos muito o: “você“. É só parar pra prestar atenção nas conversas alheias.
A língua brasileira é uma eterna resistente assim como nossos artistas, além de muito rica e criativa, enquanto a crítica segue em sua província ou melhor dizendo: latifúndio!
E aproveitando que o tema é: “Você“, eu fico com o seu: “CÊ`´. É um disco pra lá de envolvente, estranho quando se ouve logo de cara, mas as músicas como: “Rocks“, “ Odeio“, entre outras, tem refrões grudentos, desses que ficam e não saem tão fácil assim das nossas cabeças.
Estou ansioso por este OBRA EM ABERTA. Já pensou na possibilidade um disco duplo? Repleto de novos clássicos? A maioria das músicas que ouvi aqui não merecem ficar de fora. Tem de ser duplo ou triplo.
Setembro 4th, 2008 at 4:05 pm
SOMOS BABEL SIM!
É por isso que há este debate e todos os debates.
É por isso que falamos a mesma língua, mas falamos diferente.
Setembro 4th, 2008 at 4:11 pm
Caro Caetano,
Realmente, não é preciso ser especialista para se manifestar sobre a língua. Ainda mais que você demonstra não ser totalmente leigo na teoria, uma vez que já consultou diversos teóricos no assunto. Não tenho absolutamente nada contra a pessoa do professor Cipro Neto. Apenas entendo que ele possui uma atitude normativista em relação à língua, com a qual não concordo. Em suas “dicas”, o referido professor trata a língua como um ente homogêneo, ignorando suas diversidades. Você, Caetano, com seu texto, oferece aos estudiosos da ciência lingüística uma boa oportunidade de divulgar outras opiniões a respeito.
Não importa a razão que o levou a ler Saussure; deve ter sido uma leitura bastante proveitosa. Você também teria gostado de ler Jakobson, teórico que trata das funções da linguagem, dentre as quais a poética, que você domina tão bem. Segundo ele, a mensagem com função poética é ambígua (daí sua multiplicidade de leituras) e auto-reflexiva, o que a leva a “dar seu recado” duas vezes: pelo que diz e pela forma como o diz.
Embora tenha lido Saussure há tanto tempo, você parece ter ficado muito bem impressionado com ele, pois guardou na memória suas observações sobre fala e escrita, e a não equivalência entre sons e letras. Se você ficou “maravilhado com a afirmação de que a língua é viva e mutante na práxis dos falantes”, deve concordar que ela não é homogênea e que é impossível congelá-la no tempo ou no espaço. Pena você ter perdido o livro que lhe foi presenteado, com uma dedicatória inesquecível. Mas, parece que ele cumpriu o papel de inquietá-lo, o que não é pouca coisa. Graças a ele, você se interessou pelo assunto, leu outros livros e artigos sobre o tema. Enfim, o livro provocou em você excelentes reflexões.
Você tem razão: os gaúchos, a torcida no Maracanã e seu filho empregam a segunda pessoa, embora a mesclem com a terceira, num desvio de concordância verbal que foge à norma culta e, certamente, seria condenado pelo prof. Pasquali. Bem observado também o registro de ironia/agressividade presente no “tu” do falar carioca. As formas viste/visse empregadas pelos pernambucanos ocorrem também com os catarinenses (“Fosse na festa? Gostasse?”), não por uma questão de suavização, mas por um processo fonológico que torna um fonema igual ou semelhante a outro, devido à proximidade com ele. A omissão do pronome nos verbos reflexivos observada em mineiros e paulistas do interior é outro regionalismo e implica também uma alteração na regência de alguns desses verbos (apaixonar-se por/com). Evidentemente, o nível de escolaridade acaba por suplantar esses falares regionais.
Quanto à conjugação verbal dos paraenses, você está certo: eles utilizam mesmo a segunda pessoa. A opção pela terceira é uma tendência, não uma regra geral. Falado num continente imenso, o idioma só poderia variar mesmo, você não acha? E essas variações não são apenas fonéticas e lexicais. São também gramaticais, como nesse caso. E, evidentemente, nenhum lingüista discordaria de sua afirmação sobre as canções de Orestes Barbosa ou de Chico Buarque. Tais diferenças não nos impedem de apreciar os versos de Fernando Pessoa, nem aos portugueses de apreciar Drummond.
Você é justo ao afirmar que a autora que o presenteou falava em “tendências”, o que impede o “valor normativo” que você enxergou no texto. Penso que se tratou de um equívoco de leitura, que pode ser atribuído a sua falta de familiaridade com o assunto, até então. Tendências não têm valor normativo. Não sei se entendi bem sua afirmação de que era recorrente o argumento “de que qualquer transmissão de conhecimento relativo à tecnologia da língua é opressão”. Você quer dizer que a autora considerava opressivo o conhecimento gramatical? Desculpe, mas deve ser novo equívoco de leitura. Se você se debruçar um pouco mais sobre o assunto, vai verificar que os lingüistas afirmam que não existe língua sem gramática. Mais que isso, há diferentes gramáticas na língua, cada uma regendo uma Norma diferente (Norma, nesse jargão, é entendida como “como se fala”, não “como se deve falar”).
Penso que Chomsky não pode servir de apoio para suas convicções em relação à norma culta e sua defesa de Cipro Neto, uma vez que, como você deve saber, o lingüista americano trata da competência do falante-ouvinte ideal. Para esse autor, o objeto de estudo da lingüística é a explicação dessa competência (que é abstrata), e não o desempenho (sua concretização), onde ocorrem os fenômenos que você descreveu acima – sejam eles regionais, sócio-culturais ou situacionais. Você afirma que “se tivermos mais brasileiros letrados, melhores escolas, menos pobreza (isto já começa a se dar), o trato com a palavra escrita poderá mudar muitas ‘tendências’”. Você acha importante mudar tendências como as identificadas e jocosamente comentadas por você próprio? Elas não “enriquecem” a língua portuguesa, tornando-a viva e variada como seus falantes?
Quanto à decisão de “evitar o lusitanismo “raparigas’” do tradutor de Proust foi uma questão de preferência dele. A consideração de que o termo “moça” é “vulgar” e “pesado” é sua. Outros falantes podem discordar disso. Como você deve ter lido em Saussure, a língua oferece ao falante possibilidades lexicais e gramaticais, dentre as quais ele escolhe aquelas que julgar mais adequadas a sua personalidade, a seu modo de ver o mundo e à situação. Finalmente, com relação à ocorrência de “em um” ou “em uma”, em vez de “num” ou “numa”, a contração não é obrigatória, diferentemente do que ocorre com o artigo definido. Até porque “um” e “uma” não funcionam apenas como artigos, mas também como pronomes indefinidos. As duas formas existem na língua.
Como diria o Cipro neto: “É isso aí”.
Atenciosamente,
Sonia.
Setembro 4th, 2008 at 4:29 pm
Caetano sou um estudante de jornalismo e como tal adorei a aula. Aula de português, de elegância e de paciência. É impressionante como algumas pessoas se sentem donas de uma verdade absoluta que não existe. Dos lingüistas aos críticos de música, todos se acham de alguma forma donos de uma verdade que é relativa por si só. Dias atrás eu estava ouvindo um disco tributo ao Renato Russo que possui entrevistas nas últimas faixas. Num dos trechos, ao falar sobre o pessoal dos cadernos culturais e suas perseguições descabidas aos artistas de sucesso, por volta do ano de 94, ele solta: “CAETANO TEM TODA RAZÃO…ESSAS BICHAS SÃO DANADINHAS…EDITORES AINDA POR CIMA…” Renato tinha razão, Lobão tem razão, Caetano tem razão, eu tenho razão. Todos temos. Mas não temos a verdade. Ainda…
Setembro 4th, 2008 at 7:17 pm
Pra Joana
Joana. Esse não é um blog destinado a “crianças em idade escolar”, embora entenda que há adultos pirados na Internet. Quanto ao Hermano assumir um papel “paterno”, aí ‘cê forçou.
Seu coment me pareceu um tanto fóbico em ralação a web. A hipe