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No dia em que acordei com a notícia de que as bolsas caíram depois de o governo americano ter injetado 85 bilhões de dólares na seguradora AIG, quero falar rápido sobre dois livros que estou lendo. “O que a esquerda deve propor”, de Roberto Mangabeira Unger, e “In Defense of Lost Causes” (“Em defesa de causas perdidas”), de Slavoj Zizek. Ambos ousam ir além do impasse da esquerda. Zizek, na mesma linha em que protesta contra o café descafeinado, ressuscita os terrores de Robespierre e Stalin para desqualificar toda a ênfase nos direitos humanos como desejo de “fazer a revolução sem revolução”. Mangabeira aconselha, detalhadamente, que façamos exatamente isso.
Proponho que quem me lê aqui leia “O que a esquerda deve propor”. É um livro pequeno mas muito denso (embora claro) e intenso (embora sensato).
O livro de Zizek ainda não foi traduzido em português. Há exemplares em inglês nas livrarias boas do Rio e de Sampa. É longo e intenso. Às vezes não tão claro, embora seja muito mais pop do que o de Mangabeira, que tem, apesar de tudo, recato acadêmico.
Mangabeira é um basileiro inteligentíssimo que fala excelente português com sotaque americano e teve o livro traduzido por Antônio Risério, pois o escreveu em inglês. Zizek é um esloveno inteligentíssimo que fala inglês com um sotaque jupteriano mas escreveu seu livrão em inglês mesmo.
Sou muito mais Mangabeira. Zizek, que é tão heterodoxo nas citações e referências (vão de Spielberg a Heidegger, de Hegel a Mel Gibson, de Walter Salles a Jidanov), é 100% ortodoxo em relação aos conceitos marxistas de “proletariado”, “capitalismo”, “luta de classes” etc. – e dos dogmas da psicanálise, tal como foram reenergizados por Lacan. Mangabeira, que não menciona Monty Python, já escreveu a crítica mais contundente que já li sobre o conceito marxista de “capitalismo”. Enquanto Zizek parece ter em mente as filas de operários de fábrica que salvariam o futuro da humanidade, Mangabeira diz que a esquerda errou estrategicamente ao desprezar a bequena burguesia. E a crítica feita por Mangabeira à produção intlectual recente (que parece se comprazer numa montanha russa de idéias chocantes) se aplica justamente a Zizek.
Mas o livro de Zizek é excitante. Ele não defende o terror sem nos ilustrar sobre meandros incríveis do stalinismo. E sua erudição (cinematográfica, filosófica, musical) é gigantesca e desembaraçada.
Seja como for, esses livros de recuperação do projeto da esquerda me atraem. Pois o que me atrai no projeto liberal é que ele tem se mostrado à esquerda da esquerda tradicional. Tenho horror ao conservadorismo estreito. E não sinto que o mundo em que vivemos está belamente organizado. Odeio o lucro levando monstros a contaminarem o rio Subaé com chumbo e mercúrio. Detestei cada passo da política de Bush e acho que já devemos há um bom tempo pensar nos Estados Unidos em termos realistas mas nunca submisso. Mangabeira: a hegemonia americana deve ser admitida de fato mas não de direito.
O grande escritor Luís Fernando Veríssimo disse uma vez que no futuro a briga vai ser entre os comunistas e as bichas. É apenas uma piada boa e errada (piadas não precisam ser corretas). Mas se fosse mais do que isso, Veríssimo talvez já saiba de que lado ele ficaria. Tenho certeza de que eu estaria com as bichas.
Digo sempre que sou melhor do que Gil, Chico e Milton a jornalistas que pensam que é modéstia minha (falsa ou verdadeira) dizer que não me acho um bom músico. É uma piada absurda para que eles percam o direito de pensar assim. Mas há algumas coisinhas que me fazem às vezes crer que sou mesmo superior a todos eles. Por exemplo: sou irmão de Maria Bethânia. O texto de Zuenir sobre “o primeiro a gente nunca esquece” diz o que se deve sobre o surgimento e a trajetória luminosa de minha irmãzinha.
Não tenho nenhuma rotina. Esqueci os poucos exercícios vocais que fonoaudiólogas me ensinaram quando tive uma rouquidão renitente, faz uns anos. Mas lembro de um som que parece arroto que relaxa as cordas vocais e/ou limpa pigarros.
Apesar da dolorosa visão de “Perdeu” – e do protesto explícito de “Base de Guantánamo” – grande parte das canções do disco que está saindo desta “obraemprogresso” é animada por um sentimento otimista a respeito da vida brasileira. Com as notícias de hoje e as leituras de que falei, minha desconfiança na economia de mercado está abaixo de minha crítica esquerdizante. “Lobão tem razão” é a canção mais à esquerda, dentre as politicamente “irresponsáveis”.
Li na semana passada que Lula tem o mais alto nível de aprovação até hoje registrado. Me senti em sintonia com o povo brasileiro. Eu também venho sentindo mais aprovação interna à figura de Lula do que antes. Mesmo quando votei nele, votei sem esperar chegar a gostar tanto. E olha que até chorei na cabine. Mas a sorte dele – um dos elementos mais fortes de sua personalidade pública – precisa chegar a superar o baque que Brasil e Rússia sofreram com a crise (de raiz americana) do mercado globalizado.
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Setembro 18th, 2008 at 9:34 pm
ESQUERDA À ESQUERDA À BETHÂNIA:
QUE PODE SER MELHOR QUE BETHÂNIA? TALVEZ, TENHAMOS A RESPOSTA NA PONTA DA LÍNGUA: ELA MESMA A CADA DIA, A CADA CANÇÃO QUE INTERPRETA – CONVENHAMOS: SER IRMÃO DE MARIA BETHÂNIA, POR SI, DEMONSTRA O ESPLENDOR DE ESTAR ALÉM DE TUDO… DA DIREITA DISTORCIDA E DA ESQUERDA ESFORÇANDO-SE PARA IR UM POUCO MAIS PARA O CANTO RESERVADO DAS REFORMAS INTERNAS QUE JÁ DEVIAM TER ACONTECEDIDO – E AGORA ACONTECEM – PARA A FELICIDADE DO BRASIL.
CAETANO: POR FAVOR, VISITE O MEU BLOG (astripasdoverso.blogspot.com)! NÃO VOU DESISTIR, VIU!!!
Um forte abraço e toda luz do mundo PARA VOCÊ!!!!
ADRIANO.
Setembro 18th, 2008 at 9:56 pm
Caetano,
Respiro fundo e ouso discordar de alguém que admiro e de quem sou fã a tantos anos.Vou lhe explicar porque não vou ler O que a esquerda deve propor”.
O Mangabeira pode até falar excelente português com sotaque americano, ter o livro traduzido por Antônio Risério ou quem quer que seja… mas quando ele se mete a falar de meio ambiente, é um absurdo atrás do outro! Sou mais ler os artigos de Marina Silva, que não tem sotaque americano mas conhece profundamente as questões ambientais.
Na minha modesta opinião, seria ótimo que ele se contentasse em escrever uma crítica “contundente sobre o conceito marxista de capitalismo” e deixasse as questões ambientais para quem entende das questões ambientais.
Ufa, criei coragem e escrevi!
Um abço
Setembro 18th, 2008 at 10:50 pm
É CAETANO É PURA stand up comedy….mais que cantor é polemista da melhor qualidade….
Vamos por partes:
De onde vem a admiração de caetano por mangabeira?
Que idioma fala mangabeira?
Como mangabeira foi nomeado a apr de suas ligações com figuras recentes do noticiario policial
Mangabeira na praxis me parece totalitario….
Agora quer propor serviço comunitario obrigatório!
A ESQUERDA NÃO TEM MAIS O QUE PROPOR…a esquerda acabou…..a globalização, o multiculturalismo, a internet bem como o ideario de poder na america latina e seu projeto de poder totalizante a la morales chavez e que tasi faz pensar que esquerda hoje é sinonimo de populismo…
arnaldo jabour escreveu o que é lula no seu ultimo artigo no o globo desta semana….é definitivo…..
luiz fernando verissimo é genio nada mais declarar…..
realmente gil é melhor musico
milton é melhor cantor chico é melhor letrista mas ser irmão de maria bethania é unico…é singular…é um privilegio….é algo divinal assim como ela o é….
Recuparação do projeto de esquerda?caetano vc pirou?
NÃO CONHEÇO ZIZEK?MAS O TITULO DE SEU LIVRO É PERFEITO e ao mesmo tempo um paradoxo….se a causa é perdida não tem defesa….
abraços nelson
Setembro 18th, 2008 at 10:53 pm
ps:acho que a briga não vai ser entre bichas e comunistas e sim entre famintos e totalitarios
ou entre áqueles que tem energia e água e aqueles que não vão ter….a proposito do rio subaé
Setembro 18th, 2008 at 11:17 pm
detalhe acho que o titulo do post ficaria melhor, mais original e regional se fosse:
“dadá tipo no dendê” que é muito mais bahia,
muito mais cheiroso(o dendê) e muito mais dadá…a baiana
mais linda depois de bethania e de margareth menezes
Setembro 18th, 2008 at 11:38 pm
Caetano,
Obrigada por esclarecer a polêmica que eu causei no blog - agora sim, eu entendi. E a sua irmãzinha,linda e iluminada no show em que recebeu o prêmio Shell, é motivo real para você se sentir melhor do que os outros.A minha outra pergunta você não respondeu, ou respondeu de forma mais ampla, não sei: seu otimismo em relação ao Brasil está mais do que evidente em um trecho da música ‘Falso Leblon’, e você parece mais sereno,como os portugueses bem notaram. Mas, volto a insistir, e a tristeza furtiva que Nate Chenin percebeu em Nova York, nas músicas que remetem a idade e morte? É real? Aliás, seus leitores precisam ler a crítica, se ainda não leram. Depois de tanta bobagem que se lê na imprensa aqui, saber o que um crítico tão conceituado pensa de você lava a alma da gente. Abração!
Setembro 19th, 2008 at 2:21 am
O Brasil está sem assunto, segundo Arnaldo Jabor. Se aumento de PIB, crescimento econômico, melhor distribuição de renda e elogios externos como o do primeiro-ministro norueguês não contam, então eu não sei o que é assunto. Lula é o nosso único acontecimento? Não, ele é a fonte de todos os nossos bons acontecimentos. É isso aí, Caetano, nós que elegemos o Lula podemos e devemos ter esperança sim.
Setembro 19th, 2008 at 3:26 am
E só para completar, já que cliquei no comentar sem reler e me dar conta que não havia comentado sobre seu sentimento otimista sobre a vida brasileira: gostaria muito de compartilhar com esse sentimento! Me desculpe por insistir: vc realmente pensa que se deve ser otimista quando esse governo vai mais e mais se alinhando com a degradação das florestas e dos cerrados em nome do desnvolvimento e faz jogo de cena de que está fazendo tudo para proteger o meio ambiente? Que programas assitencialistas como o bolsa família é a solução para o país?
De repente a teoria de pessoas como o Mangabeira Unger podem ser bárbaras, mas prática…
Setembro 19th, 2008 at 3:27 am
esse alto indice de aprovaçao creditado ao presidente Lula nesta altura do campeonato, me faz temer que algo esteja por tràs disso. Ele numa entrevista ao jornal O Globo disse à uns meses atràs que pretende registrar seus feitos na internet. Como assim? Nada contra, mas delirante ou nao de minha parte, fico com a sensaçao de que ele nao estah querendo se retirar.
Como o povo poderia saber o que acontece no governo?
Outro dia saiu na uol uma pesquisa feita na Alemanha dizendo que o cachorro da raça Dachshund é o mais feroz do mundo! E quem pode discordar? Soh dah para desconfiar e eu realmente desconfio. Estamos na América do Sul!
Tenho habito de fazer tricô, mas hoje resolvi escrever no blog do Caetano, para salutar-lo e dizer que além de tricô faço uma deliciosa torta de repolho.
Caras saudaçoes!
Serena
Setembro 19th, 2008 at 6:20 am
Caetano,
cheguei à obra com 5O% dela iniciada, e desde então tenho acompanhado tijolo por tijolo. Acho muito divertido e instigante seus papos sobre música, Política, língua portuguesa e as pedras do calçadão da Barra, aqui em Salvador.
Do transviado Zizek, gosto muito. Do oblíquo Mangabeira, desconfio.
Só estou sentindo falta de um assunto, o qual sei que você adora: Cinema.
Semana passada estrearam Salvador dois filmes que considero importantes: “Linha de Passe” e “Ensaio sobre a Cegueira”.
Eu sei que todo mundo tá curioso pra ver “Ensaio Sobre a Cegueira”, afinal tem o livro de Saramago e todas as outras questões urgentes que o filme levanta. Mas seu possível sucesso corre o risco de eclipsar uma pequena jóia: o Belo e Calmo “LINHA DE PASSE”, de Walter Salles. Calmo porque mostra que também se pode filmar a tensão da vida periférica sem câmera “tremida” e com hiatos para reflexão, e Belo porque o filme é uma linha (esta sim, tremida) que atravessa (e ultrapassa) o estigma “social” porque aponta para o inefável. Tudo fica “apenas” humano.
Talvez aja entre estes dois filmes uma estranha oposição.
Aquilo que em “… Cegueira” se dissolve na brancura da nossa insensibilidade cotidiana, em “Linha de Passe”, clama por tornar-se visível, quer vir à luz, e não, sumir nela.
Se já os tiver visto gostaria de saber sua opinião.
Linha de Passe, particularmente, não aponta no sentido das possibilidades latentes que você, com seu sensato otimismo, sempre detectou no Brasil?
Setembro 19th, 2008 at 7:36 am
caetano,
as vezes atribuo as palmas a capitão nascimento como uma manifestação atávica às vais que vc levou em são paulo, ao cantar é probido proibir, na década de sessenta. pra mim, que não li o suficiente para dizer o que vou dizer, o maior erro das esquerdas foi ter acreditado ser possível ignorar o desejo do indivíduo por meio da força. freud vence marx nesse ponto crucial, já que quem mora no morro muito quer ir pra barra - mas não cabem todos na barra ou ipanema ou leblon. para o capitão nascimento, traficantes e usuários são igualmente culpados pela violência no rio. como convecer o usuário que seu desejo deve ser inibido, já que gera tanta violência? como convencer os ricos a dividirem sua riqueza? pra quem as leis funcionam? vemos a classe média, que adora picasso porque é fino adorar picasso, criticar lula por ampliar o bolsa família. já vi alguns desses pequenos burgueses dizerem que pagam imposto para sustentar vagabundos. e penso que esse argumento camufla o desejo de ter o dinheiro de seu contra-cheque todo pra si. talvez por isso, não podemos ignorar os pequenos burgueses, que com um baseado na boca, aplaudem o capitão, vaiam o lula, e depois vão dormir. tranqüilos, já que a culpa social, de alguma forma, some entre a carreira e o desconto em folha.
Setembro 19th, 2008 at 12:06 pm
trafegar por Santa Teresa à tarde num dia de semana vindo da exposição do Luís Trimano na Academia Brasileira de Letras e encontrar sem querer uma moça chamando um taxi que não pára sugere um convite para uma carona. ela olhou assim, e topou. vc vai pra onde? é pra lá que eu vou…é… o táxi não parou. era a Bia cuja filha de 29 faz Física como Moreno. Vc tem visto o blog? claro! Já falou lá? Já sim. Caetano é tudo. pois é…o Moreno tem porque fazer Física…Caetano é um gênio…o blog é o maior acontecimento cultural do ano…afinal Madonna e Noviça Rebelde…francamente né…pois é…mas tem Bethânia aí…Brasileirinho…
Setembro 19th, 2008 at 2:09 pm
Caetano,
Adorei seu blog. Também acho que a esquerda precisa reorganizar e repensar seu jeito de mostrar a cara.
Bem, não me meto a falar tanto…só queria dizer que aqui, em recife, sentimos muito sua falta nos carnavais. O gil já veio, e, quem sabe um dia, mesmo que por umas horinhas de nada, você deixa salvador e corre aqui pra cantar um frevinho ?
Sua nova fase é sensacional…enfim, não me atrevo a falar mais nada..sou apenas um pequeno fã aqui do nordeste
Um chêro.
Setembro 19th, 2008 at 3:07 pm
Caetano,
desliguei de leituras de ensaios e quetais, só quero saber de ficção. De real, gosto da vida de pessoas, das amizades, de ler com emoção trechos como este:
“Mas há algumas coisinhas que me fazem às vezes crer que sou mesmo superior a todos eles. Por exemplo: sou irmão de Maria Bethânia. O texto de Zuenir sobre “o primeiro a gente nunca esquece” diz o que se deve sobre o surgimento e a trajetória luminosa de minha irmãzinha.”
Beijo de Maria
Setembro 19th, 2008 at 5:12 pm
Caetano, nao esqueca de considerar que Lula esta colhendo frutos que Fernando Henrique plantou.
Setembro 19th, 2008 at 5:18 pm
Esse album londrino (que abre com “A Little More Blue”) é muito subestimado (nem o próprio Caetano costuma valorizá-lo). Só a versão pungente e “existencialista” de “Asa Branca” já vale o disco inteiro. Curiosidade: “Maria Bethania” foi gravada pelo supremo Scott Walker, com direito até aos “nham-nham-nham” finais.
Setembro 19th, 2008 at 5:24 pm
É impressionante como o brasileiro adora ser oposição.
Agora que temos um lider que pensou no povo, entrou, bem ou mal, nas suas casas, deu dinheiro, estabilizou os juros, conseguiu privilegiar tanto a moeda nacional, por tanto tempo (uma pena esta subida do dolar agora, mas que está, obviamente ligada a crise americana), olhou para o povo como para o empresário, sem parcialidade, agora que o desemprego foi reduzido e que o brasileiro, faminto, tem um prato de comida na sua mesa, realmente acho que fica bem dificil continuar falando mal do Lula.
A maior potência do mundo entra numa crise de proporções alarmantes.
E o Brasil vence tantas batalhas neste mesmo e exato momento.
Problemas para solucionar? Sim, temos muitos…
Mas duvido que o governo que vem por aí, se for da oposição, consiga resolve-los melhor do que nosso atual presidente, com sua garra, seu carisma e sua vontade de mudar.
Foi além de tudo um homem que quis mudar!
E para ele deixo uma frase que não me lembro bem de quem é. Para ele, e para nosso Brasilzão:
“Somos o que fazemos. Mas somos muito mais, o que fazemos para mudar o que somos”
Setembro 19th, 2008 at 7:21 pm
Caetano,
Sou Franco-Brasileiro e honestamente posso dizer que precisamos de mais pessoas como voce aqui no velho continente. Hoje em dia, ja podemos ver que o Capitalismo transformou o mundo em um circo cheio de ironias e contradicoes. Desculpe o meu pessimo Portugues, mas com certeza comprarei esse livro do Mangabeira que parece ser bem interessante. Quando terminar, talvez eu volte a escrever aqui. Boa sorte com seus projetos.
PS- Adoro o seu album “A Little More Blue Than Then” (especialmente porque vivo em Londres)
Um Abraco
Setembro 19th, 2008 at 7:30 pm
UM TIPO TIPO CA-
ETA
NO TÁ
BOTANDO PRA
QUEBRAR!
É TANTO TYPO
AQUI
É TANTO PAPO
LÁ
QUE ESPERA-
MOS MESMO
É TUDO MELHO-
RAR!
ABRAÇOS FRATERNOS!
ADRIANO.
Setembro 19th, 2008 at 8:44 pm
Será o grande escritor Luís Fernando Veríssimo quis dizer que as bichas são neoliberais?
Setembro 19th, 2008 at 8:47 pm
Mangabeira Unger é um brasileiro que precisa de terceira pessoa para traduzir seu livro para o português, mas que, ainda assim, se candidata a ser Presidente do País em que nasceu e cuja língua quase ignora. Este fato basta para descredenciar-lhe…. Ainda assim, comprei seu livro e estou disposto a “dar-lhe uma segunda chance”. Vamos ver…
Setembro 19th, 2008 at 9:40 pm
Caetano,
Seu otimismo em relação ao Brasil chegou a me tocar. Aos 29 anos de idade ando tão desanimada com a política brasileira que não sei o que será de mim após os 30, quando haverá uma revolução interna em meu ser (hehehe). Mas como militante da comunicação social e da saúde pública - sou jornalista e sanitarista - e acompanhando de perto as ações de gestão da prefeitura de Recife e do Governo Estadual de Pernambuco de um lado, e a violência, miséria e carência de tantas coisas por parte das pessoas, por outro, não tem como eu ficar tão otimista. A realidade dos sem tudo é dura e crua, como a imagem de uma criança desenhando e pintando no meio de um entulho enquanto sua mãe separa o lixo para reciclar. (imagem vista da janela de um prédio na zona de sul de Recife).
Beijos saudosos meus e do jomard Muniz de Brito!
Setembro 19th, 2008 at 11:33 pm
(Aliás, Scott Walker - o cara que tem um violoncelo na voz - ter gravado “Maria Bethania” torna Caetano duplamente melhor do que Chico, Gil e Milton :))
Setembro 19th, 2008 at 11:52 pm
rapaz, depois da exumação do texto do cara do estadão fiquei cabreiro de escrever pelaqui. mas é irresístivel. em todo caso a liberdade de quem escreve e de quem fala tem que ser total, desde que minimamente se saiba onde se está transgredindo. a língua é nossa pátria e quase tudo que nos resta nesse brasil transvaronil. seus textos, caetano, dos 70, são livres a dar com pau. mas o que queria mesmo registrar é que o brasil tem que ter como projeto prioridade 1 a educação total. na era da física da partícula estudantes pobres mal tem noção de espaço e tempo. será q já perdemos o bonde irreversivelmente? vou morrer lamentando ter vivido num país q negou seu povo e não o aceitou. eu queria poder falar de proust enquanto espero o ônibus. queria ouvir tom zé e as variações goldberg na rádio diariamente. mas nem tenho ônibus decente e drummondianamente afino o coro dos descontentes… xau!
Setembro 20th, 2008 at 12:53 am
Seu ser NU sempre provocou polemicas. O que a gente ama e recusa: o NU dos nossos herois. Quem está NU encontra abrigo!!!! E sempre há de econtrar!!!! Adoro te saber neste mundo, perto, de alguma maneira. Beijo, lica* cecato
Setembro 20th, 2008 at 1:26 am
Caetano, honestamente, não acho que Mangabeira tenha algo a dizer. E esquerda, comunismo, vale como análise história, deste que foi o grande equívoco no passado dos homens e mulheres de boa vontade. Estávamos todos redondamente enganados. O saldo do comunismo é o sucesso da China, que oferece a maior oferta de mão de obra escrava da história da humanidade, em troca de uma pitade de conforto para o trabalhador. E o saldo do capitalismo é uma sociedade doente, à beira do colapso.
Setembro 20th, 2008 at 2:04 am
Caetano, eu já ouso não pensar em esquerda. Claro que muito menos em direita. Ou centro. Não sei porque ainda tratamos da questão humana sob uma ótica que não seja pura e simplesmente o humanismo. Não compreendo porque só as crianças Índigo sacam isso. Não compreendo pq os pais das crianças Índigo não aprendem com elas. E, definitivamente, não entendo o que leva um país, um povo, ou qualquer um, a ter prazer na supremacia sobre o outro (não vou escrever “próximo”, para que o assunto não seja levado até Deus, mesmo porque Ele nunca responde, e a conversa fica parecendo eternamente unilateral).
Ser irmão da Maria Bethânia é o máximo. E ter Dna. Canô por perto, nem mastercard paga. Taí alguém que, talvez sem saber, compreende as crianças Índigo. Essa questões todas de esquerda, luta de classes, ou, por outro lado, lucros absurdos (mesmo sem poluir nadíssima), poder, e muito, muito consumismo (talvez só para não pensar na morte), puxa, isso nunca esteve com nada, e não adianta: ainda acho o escambo muito mais justo. Paga-se com aquilo que se sabe fazer, vale-se de seu real valor: talento, vontade, ação. Tudo bem que não teríamos, talvez, toda essa monstruosidade de “crescimento”, mas afinal o “crescimento” serve pra que? Os maiores pensadores do mundo não conheceram a revolução industrial. E os que conheceram, a negaram.
Porque a questão é muito mais humana do que qualquer outra coisa. Não adianta. A esquerda foi sempre tão injusta quanto a direita, ou o centro (talvez a mais cruel, a mais torturante das posições, seja na política profissional, como na pessoal (o indeciso calado), ou inter-pessoal (o indeciso escancarado).
Quando escutei “Pedro Pedreiro” do Chico, pela primera vez, eu tinha 12 anos, o ano era 1978, e descobrir que ele tinha feito a canção aos 20 anos, me travou de susto. Achei, na época, ele muito novo para sacar tão longe.
Quantos Pedros Pedreiros foram salvos pela esquerda? Nem um. Já quantos patrões de Pedros foram salvos tanto pela esquerda quanto pela direita. Talvez todos.
Esse, de agora, crash dos EUA só reforça o de sempre: não há nada no mundo, há muito tempo, que desvie a atenção do ser humano do capital. Como se ele fosse um deus (qualquer), quando não, ele, o capitalismo, não passa de uma besta. Provavelmene a do apocalipse.
Agora te pergunto (e nos respondo): segundo a ONU, 33 milhões de pessoas estão infectadas pelo HIV no mundo; segundo a mesma ONU, 900 milhões de pessoas passam fome (não vontade, fome mesmo - sim, porque para a maioria das pessoas, fome, parece, é vontade de comer alguma coisa), e o que toda essa dialética sobre esquerda e direita fez por isso? O que toda essa dialética fez pelo mundo, desde sempre? Não que não seja necessária a idéia (longe disso), o debate, uma posição, um lado pelo qual se embrenhar, mas tirante a própria alma do conversê todo, o que de fato, esquerda e direita, representam, hoje? Nada. Nenhuma das duas faz NADA, de fato, por ninguém.
Também sou muito otimista quanto ao Lula. Até porque na primeira semana de mandato, ele arregaçou as mangas e foi fazer seu corpo-a-corpo ativo. Lembro como se fosse ontem, d’ele dizendo “Plantem. Dêem um jeito, mas tenham uma horta, nem que seja no quintal”. Tudo bem que uma semana depois ele já estava engessado pelo nó na gravata, mas ele tentou.
A luta de classe, que já vinha em coma, morreu. Não porque tenha perdido sua força, sua verdade. Morreu pq perdeu adeptos. Estão todos endividados demais atrás do american way of life brasileiro, ao menos por aqui, para pensarem em lutas de classe.
Aliás, hoje está do jeito que o diabo gosta: a pior elite, a mais feladapeuta, que nasceu com a primeira instituição financeira no Reino Unido, nem precisa se preocupar. Ninguém sequer percebe mais que é escravo. Está todo mundo muito preocupado em chegar em casa, nem que seja quase à 1a da manhã, para olhar os eletro-eletrônicos recém-adquiridos, e ir dormir, sonhando com a aposentadoria para poder curtir os os eletro-eletrônicos, um dia, quem sabe, se não morrer antes “de susto, de bala, ou vício”.
Mas vamos em frente. Tá certo que, desde que o mundo é mundo, é assim: tudo pelo poder.
Por isso mesmo está na hora de mudar.
Beijo
Setembro 20th, 2008 at 3:59 am
Pelo o que entendi, Caetano, o Slavoj não protestou contra os “descafeinados”. mas sim, usou do fenomeno virtual capitalista para falar da dessubstacialização que remete “um respeito repugnante pelo o outro”.
Setembro 20th, 2008 at 5:41 am
“De cada cual según su capacidad, a cada cual según su necesidad” Lástima que como siempre adoptan esta consigna socialista pero para ayudar a los más poderosos. Cientos de miles de millones de dólares para hacerse cargo de bancos en quiebra, para financiaciones privilegiadas pero ni un centavo para los más necesitados (necesidad: Carencia de las cosas que son menester para la conservación de la vida). Pirómanos tratando de apagar incendios! Habrá que ver si se ahorcan con la cuerda que vendieron.
Sentimiento optimista: Pienso que es lo que más se necesita, sobre todo en los pueblos latinoamericanos. No sé en Brasil (me imagino que pasa en todos los países de Latinoamérica) pero los argentinos somos una queja caminando… TODO siempre está mal: “Este país de mierda!” es frase repetida. No digo que esté mal reclamar a los gobiernos pero hay que terminar un poco con la actitud paternalista inmadura de desplazar toda la responsabilidad a ellos y quedarnos de brazos cruzados. Pienso que lo que nos va a salvar son las acciones individuales y comunitarias. Menos queja y más acción… por mínima que sea.
Por último, gracias Leozinho por contestar mi pregunta sobre tu rutina vocal. Te preguntaría más cosas pero no quiero abusar de tu gentileza (x ahora).
1B
Setembro 20th, 2008 at 7:19 am
Caetano:
Aquí en mí país está difícil!, acreditar. Yo contemplo con más resignación que con entusiasmo, el escenario político. Sinceramente no creo en la “política”; si en hombres y mujeres con buenas intenciones, pero,es que la historia suele cambiar con más frecuencia de protagonistas que de “argumentos”. Si algo compromete el porvenir de un país no es, el destino que pueda llegar a correr el “envase de las ideas” sino el propósito que gobierne su “lectura”; y NO TODOS SABEN LEER!.
Yo continuo preguntándome hasta cuándo?, puede esperarse que los “libros” contribuyan a que los hombres (POLÍTICOS)se transformen en lo que debieran ser para la “vida-social” gane en calidad la orientación que los tiempos aconsejan. En un mundo donde la crueldad se ejerce sin tapujos y en nombre de todos los dioses.
No debiéramos fundar en las presuntas virtudes de un tiempo venidero la esperanza de que las cosas que hoy nos afligen mañana ya no lo hagan, sino en la evidencia, brindada por el pasado, de que las cosas, sean ellas favorables o no, siempre han cambiado.
Parezco pesimista?!, aquí brincamos dissendo: que una persona “pesimista” es un optimista bien informado(rsrs). Al menos, para mi, en lo particular es el pasado-y no el futuro-lo que me da mejor apoyo a una razonable expectactiva de “transformación”.
Con respeto a Brasil y a Lula, yo desde esta orilla lo siento en tu misma sintonia, apruebo junto con “seu povo”, muchas mejoras, aunque se sabe que falta mucho más, pero yo como uruguaia veo Brasil un país inmenso, comparando los 3 millones nuestros con sus 180 y pico de millones de habitantes que ustedes son…¡cómo para que nó me sienta eu pesimista!(rsrs).
Hoy te mando saludos en español: BESOS CARIÑOSOS…
VERO.
Setembro 20th, 2008 at 9:37 am
Prezado meu ex-ídolo, quando eu era alienado intelectualmente , Caetano veloso:
Surgiro que o senhor, para ter uma melhor capacidade de raciocínio, vá estudar análise do discurso. Se assim o fizer,então, posteriormente, vá estudar, conjuntamente, filosofia, mitologia, sociologia, química, biologia, psicologia, física quântica, matemática, geografia, história. Só assim, o senhor vai sair dessa linha simplista de raciocínio à martelada ( que pena que o seu martelo não seja o de Nietzsche), onde diz tudo e não diz nada, o que leva a esses idólatras a não terem a mínima capacidade argumentativa diante das suas colocações simplórias. Para a minha alegria, o imperério americano está ruindo! Não adianta chamar o Übermensch…rsrs. Para a nossa alegria, o Brasil está se tornando a primeirsa potência mundial em várias áreas, seguido pela China. Para a tristeza dos paulistas e alegria dos baianos, Salvador vai se tornar a capital mundial da cultura, asim como Atenas em V a.c.e Viena e Paris no fim do século XVIII e início do séc. XIX.
BAHIA RUMO À SÉRIE A!!
Atenciosamente,
Jorge Encarnação.
Setembro 20th, 2008 at 11:46 am
Caetano, considerei a declração do Lula sobre o casamento gay histórica para quem defende uma esquerda renovada e arejada. O que você achou?
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/09/17/lula_defende_uniao_gay_afirma_que_hipocrisia_sobre_tema_deve_acabar-548272979.asp
Setembro 20th, 2008 at 11:54 am
à Helena Cardoso, o Lula também plantou muita coisa. Já está na hora de vermos os resultado da política de Lula como resultado dela mesmo. Concordo com ela que exite uma saúde institucionl da democracia brasileira que é de maner as políticas de estado tais como elas se encaminham, isso, inclusive, tem a ver com qualidades dos servidores públicos. Mas a vulnerabilidade maior a crises é obra do Lula. O Brasil do FHC tremeu diante de uma crise de pequenas proporções como a crise do México e foi pras cucuias com a crise da Russia. Mantidas as mesmas condições daquela época, hoje teríamos fácil o nível do desemprego subindona casa das dezenas de milhões. Essa é a crise mais grave em décadas, portanto, devagar com o andor. Abraço
Setembro 20th, 2008 at 2:35 pm
Será que ainda há lugar para essa dicotomia conceitual? Direita e Esquerda? Me parece que são roupas velhas que já não servem mais para vestir essa hiper-realidade mutante da pós pós-modernidade. Estamos diante de um momento de perplexidades, uma oportunidade fantástica para nos despirmos de farrapos teóricos. Nao sei se o melhor é propor um salto para a transgressão metodológica e epistemológica ou fazer uma canção.
Setembro 20th, 2008 at 3:03 pm
estúdio stúdio estúdil !
plis plise please
su vox es una cosa
nona penas su vox voice, pero su voice ser
estac um blog como esse respira
respirai-nos, te quero muita vida
loving soul much
Setembro 20th, 2008 at 3:10 pm
Muito interessante, o que vejo, pois embora pareça caduco se falar e pensar em esquerda, direita, centro, ainda nao pudemos criar uma nova palavra, algo que explicite para onde gostariamos de ir. O que nos brasileiros queremos propor?
Nao li o livro de Mangabeira(deve ser muito bom), mas o titulo me parece ingênuo quanto a isso.
O que me chama enormemente a atençao é ver que Caetano estah e talvez sempre tenha estado muito distante da INDIGNAçAO com a vida. Ele està à frente disso principalmente por ter coragem de se referir sobre o que quer que seja. Ele se manifesta! Corre todos os riscos que esta exposiçao o coloca para alertar, criticar, colocar em questao problemas que se nao fosse ele nao estariamos discutindo agora pois, a grandissima maioria se cala.
Qualquer interpretaçao critica aos seus comentarios nao tem o condiçao de apagar ou enfraquecer esta força, este real PODER chamado coragem.
Acho interessante estar à esquerda da esquerda, mas jamais seria da esquerda!
Fico feliz com essa constataçao e posso voltar a varrer o quintal. Ah, nao me esqueci da deliciosa torta de repolhos que aprendi a fazer com minha bisavo, se for do seu gosto é claro!
Setembro 20th, 2008 at 5:08 pm
Olá, Caetano. Desculpe, mas vou mudar um pouco de assunto. Estive pensando sobre “Tarado ni você” e acho que ela ficaria excelente como um diálogo/dueto.
- Tarado tarado tarado (…) ni você!
- Ni mim?!
- No carnaval!
- Ni tudo…
- Todo mundo nu!
- Deixa eu gostar de…
- TARADO! TARADO! TARADO!
Setembro 20th, 2008 at 5:23 pm
eu qquero casar com a ana do comentario 27 e quero que caetano seja nosso padrinho isso claro se ela já não for casada …….
crianças indigo que coisa mais interessante…nunca tinha ouvido falar….
que lucidez de raciocinio e que texto bem redigido…..
canção do futuro casamento :vc é linda claro caetano veloso…..
é brincadeira mas toda brincadeira tem uma potencialidade de verdade…..
abraços ana
Setembro 20th, 2008 at 5:41 pm
Ser irmã de Bethânia é covardia…mas tudo bem, ela tbem é irmã sua, e se quiser usa esse trunfo…Vou procurar Zizek hj, o cenário econômico atual esta me causando arrepios e chego até a mudar de canalqquando começam a dar os dados com aquela voz de anúncio funebre…Mas o melhor de tudo é pder dialogar vcom vc sobre esses temas e saber o que vc está lendo…Os typos n foram propositais..rrsss…
Setembro 20th, 2008 at 6:33 pm
Aprova ao presidente de “esquerda” que pratica “direita”?
Me parece que você volta ao anos 60, na ilusão que teoria seja o melhor para o amanhã.
Sinto que é a necessidade de sempre ter algo em que acreditar - também chamado de fé.
Abraço,
Leandro
Setembro 20th, 2008 at 6:46 pm
Concordo inteiramente com o comentário feito por Ana, logo acima.
A divisão do mundo em direita e esquerda foi um erro por ignorar que o problema não se situa na ideologia mas no próprio ser humano. As barbaridades cometidas pelo homem (direita e esquerda) ao longo de todo o século 20 bem demonstram isso. Pouco importa se o cara se diz de esquerda, de direita, de centro, de alto, de baixo, etc. O fato é simples: existem seres humanos bons (Jesus Cristo, Mahatma Gandhi, Luther King) e ruins (Stalin, Hitler, Pol Pot, Papa Doc, Mussolini), independentemente do rótulo que adotem ou que lhes imponham.
O problema, portanto, reside no ser humano, não em ideologias e expressões escolhidas para representá-las, de modo que ser de esquerda ou de direita não produz qualquer consequência de ordem prática.
“O homem nesce bom, a sociedade é que o corrompe”.
Setembro 20th, 2008 at 10:30 pm
O que a esquerda deve propor em defesa de causas perdidas? gosto da solução “revolução sem revolução”. gosto do Zizek no Zizek, embora não tenha lido o livro dele. Será se o Encarnação por ser conhecedor das causas, saberá propor um discurso sem ser monólogo?
Setembro 21st, 2008 at 12:46 am
Essa idéia histórica de ESQUERDA/DIREITA está presa ao nosso imaginário político.
Durante anos essa visão binária facilitou a nossa vida. Era simples: “de que lado você está?”.
Agora entramos no mundo da política tridimencional. E é aí que eu (bem ignorante na matéria) gosto de discordar concordando com Caetano. Nunca entendi direito o fascínio que ele tem pelo Mangabeira.
Na minha miopia política sempre achei o Mangabeira meio desencontrado. Mas uma coisa está clara: a política se descolu da reflexão acadêmica. Virou um videogame de economia. Um mega-banco-imobiliário.
Nada é mais forte do que um banco imobiliário americano quebrar diante do mundo. E pra fazer o Mao tremer na tumba, os chineses estão socorrendo bancos no coração do capitalismo. Isso seria impensável há uma década. Nenhum acadêmico da USP pode antever esse furacão.
É quase romântico acompanhar as pessoas que “pensam” política profundamente e no mesmo dia assistir ao Horário Eleitoral Gratuito. Quando FHC foi presidente ainda havia uma certa idéia de política e vida intelectual poderiam se unir. Deu merda. Embora até respeite FHC, acho que tanto ele quanto Lula estão ancorados na política econômica.
Os game-maníacos da economia estão no comando e o pensamento dos intelectuais parecem não acompanhar a voracidade dos fatos.
Lula deu mais sorte que FHC. Pegou uma maré favorável. Não tenho certeza, mas dá a impressão que há um tanto de sorte nisso.
Caetano tem uma tocante sensibilidade política. Parace mixar sua leitura erudita com uma percepção coloquial das coisas. Tô nessa. Mas ler Mangabeira me deu preguiça. Sem Caymmi e sem Dercy, ficamos menos intuitivos. E tudo parece meio sem graça.
Se Gabeira estivesse no topo das pesquisas talvez meu interesse tosco pela política se excitasse novamente.
Fiquei com inveja ao saber que Caetano chorou diante de uma urna.
Setembro 21st, 2008 at 3:47 am
AMADO CAETANO,
QUERO EXPOR UM TEXTO QUE FOI POSTADO NO BLOG DE SEU AMIGO ILUMINADO ANTÔNIO CÍCERO O QUAL NOS REMETE PRONFUNDAMENTE AO CONTEXTO DA SUA POSTAGEM. ABAIXO DA POSTAGEM DELE O MEU COMENTÁRIO. UM GRANDE ABRAÇO E QUE O BLOG CONTINUE ESSA DÁDIVA ÍMPAR QUE ESTÁ!
“Sobre a popularidade de Lula” (TEXTO DE ANTÔNIO CÍCERO)
LULA MERECE merece os altos índices de aprovação que tem obtido. E o mais notável é que os merece enquanto frustra as expectativas tanto dos conservadores antipetistas quanto dos radicais de dentro e de fora do PT.
Os conservadores temiam, antes do primeiro mandato de Lula, a volta da inflação galopante, a declaração de moratória, os distúrbios sociais, o colapso das instituições, o caos. Os radicais basicamente torciam por tudo isso, sendo que, no lugar do caos, esperavam uma ampla mobilização popular que culminasse com a substituição da democracia representativa por uma “democracia direta” (leia-se: “ditadura populista”), tendo em vista a realização de “transformações estruturais”, isto é, de uma revolução meio cubana, meio pacífica.
Nada disso aconteceu. Contra as expectativas tanto dos conservadores quanto dos radicais, o governo de Lula tem basicamente se mantido dentro dos marcos do Estado de direito.
Hoje os conservadores – que entretanto, no Brasil, jamais morreram de amores pela democracia – temem a implantação de uma ditadura populista. Infelizmente, certos atos promovidos ou apoiados por alguns dos radicais do PT – tais como o mensalão, certas tentativas de intimidar a imprensa, a campanha pelo terceiro turno, a campanha pela “democracia direta”, a prática de agências de segurança ilegalmente espionarem até membros do Judiciário e do Legislativo, a lenidade para com os atos ilegais do MST etc.– não nos permitem descartar como simplesmente ridículos tais temores.
Já os radicais se mantêm fiéis a dois dogmas. O primeiro é o de que não será possível realizarem-se as “transformações estruturais” de que, segundo eles, o Brasil precisa, sem a substituição da democracia representativa por uma “democracia direta”. O segundo é o de que essas “transformações estruturais” se fazem necessárias porque, a menos que as realize, o Brasil jamais será capaz de resolver ao menos quatro graves problemas: (1) a dependência em relação às metrópoles capitalistas e às flutuações financeiras internacionais; (2) a estagnação ou a regressão econômica; (3) a submissão de grande parte da população brasileira à miséria absoluta; e (4) a manutenção ou o aumento da disparidade de renda entre os brasileiros mais pobres e os mais ricos.
Dado que ainda vivemos numa democracia representativa e não numa “democracia direta”, é claro que, de acordo com o primeiro dogma, não se puderam realizar as tais “transformações estruturais”. Segue-se, de acordo com o segundo, que nenhum dos quatro graves problemas mencionados pôde ser resolvido.
O fato, porém, é que, na gestão de Lula, cuja política econômica, sabiamente, dá continuidade à do governo -afinal de contas de esquerda- que o antecedeu, a inflação foi controlada e o peso da dívida externa na economia sofreu uma diminuição considerável. Concomitantemente, desmentindo os economistas-ideólogos que supunham serem incompatíveis o controle da inflação e o crescimento econômico, a economia voltou a crescer a taxas respeitáveis, foram gerados milhões de empregos formais e o salário mínimo aumentou em termos reais. E, embora não se possa esperar que país nenhum escape ileso da atual crise financeira, a verdade
é que, se ela houvesse ocorrido há alguns anos, estaríamos em situação bem pior.
Mas, a meu ver, o mais importante feito de Lula foi ter conseguido a diminuição significativa de duas infâmias que pareciam indissociáveis do nosso país: a altíssima disparidade de renda entre os mais pobres e os mais ricos, por um lado, e a miséria absoluta de grande contingente da população, por outro. O progresso na luta contra esses dois horrores foi obtido não só pelo aumento do salário mínimo e a geração de empregos formais, mas também por meio da implementação efetiva de programas sociais como, em primeiro lugar, o Bolsa Família.
Em suma, contra as previsões dos radicais, o Brasil hoje (1) tende a se tornar menos dependente das metrópoles e das intempéries financeiras, (2) cresce economicamente, (3) vê diminuir a população sujeita à miséria absoluta e (4) vê diminuir a disparidade de renda entre os mais pobres e os mais ricos.
Ou seja, mesmo dentro dos marcos do Estado de direito e da democracia representativa, as coisas estão bem mais sujeitas à transformação do que rezam os dogmas. Mas é inútil esperar que os radicais, abrindo mão dos seus dogmas, abram os olhos para a realidade: esta já os deixou para trás há muito tempo.
COMENTÁRIO MEU PUBLICADO EM SEU BLOG:
CÍCERO,
QUE ÓTIMO PERCEBER QUE A SUA VISÃO DE MELHORA E DE CRENÇA NUM BRASIL, ANTES CONFUSO, ACRESCENTE UMA LUZ PARA O POVO BRASILEIRO. E SAIBAMOS MAIS: LULA É O RESPONSÁVEL POR TUDO DE BOM QUE VEM OCORRENDO NO SETOR POLÍTICO E ECONÔMICO DO BRASIL!
A DIMINUIÇÃO DO ANALFABETISMO, DA MISÉRIA COLETIVA, DO DESGASTE ECONÔMICO, DA DESVALIA, DO CAOS: QUE SERIA DO BRASIL SE NÃO TIVESSE SIDO LULA O NOSSO REPRESENTANTE?
E QUANTOS NÃO TORCERAM PARA QUE ESSAS MUDANÇAS DESSEM ERRADO E QUE OS NOSSOS SONHOS NAUFRAGASSEM EM ABSURDOS MARES DE INVEJA E DESONESTIDADE?
LULA RESGATOU A FÉ QUE TODO BRASILEIRO TINHA NO BRASIL - E SABER QUE ANTÔNIO CÍCERO, UM PENSADOR, UM FILÓSOFO-POETA, UM CIDADÃO BRASILEIRO, UM HOMEM COMUM DISSE, SEM MEDO DE CONTRA-ATAQUES, QUE LULA MERECE TODO A APROVAÇÃO QUE LHE É ATRIBUÍDA TRANSMITE-NOS UM ACENDER DE LAMPIÕES NESSE TEMPO APARENTEMENTE DE TREVAS!
SALVE LULA! SALVE ANTÔNIO CÍCERO! PARABÉNS!
ADRIANO NUNES, MACEIÓ/AL
Setembro 21st, 2008 at 4:16 am
Não tenho nenhum amor a causas perdidas: melhor inventar novos caminhos com mais otimismo. Estou lendo esse livro do Mangabeira (peguei a indicação no blog)e me pareceu memso interessante. Mais interessante pela postura de deslocamento do foco de trsnaformação, do que pelas propostas práticas… Aí na vontade do novo por vezes Mangabeira se torna pouco pragmático: o preço da posição poética talvez seja esse. Gosto dos curto-circuitos da forma de pensar do Zizek e acho legal que ele seja tão pop-esquerda como um punk rock gritando anrquismo calçado no velho all star. Todas as estrelas apontam pro sonho americano, mas cada uma é a fogueira de uma tribo de índios (que virá)
Setembro 21st, 2008 at 8:13 am
Acho que há um pouco mais de sutileza na proposta de Zizek, que uma simples defesa do velho materialismo. Sim, há nesse autor a proposta de recuperar causas que são hoje hegemonicamente excluídas do debate como ilegítimas: a idéia de Revolução, por exemplo. Idéia idigesta, pois preferiríamos a santa paz do “Fim-da-História” capitalista. Infelizmente o recente crash americano nos alerta para a falsidade da estabilidade.
De todo modo, fico feliz que Zizek comece a ser discutido no Brasil. É, no mínimo, um pensador interessante, por expor de modo interessante seu pensamento: coisa rara na modorrenta academia.
Recomendo assistir “The Pervert’s Guide to Cinema (2006)” [http://www.thepervertsguide.com/]. Fiz parte da equipe que fez a legenda oficial, mas ainda não tem data de lançamento no Brasil.
Abs!
Adriano Oliveira
Setembro 21st, 2008 at 9:39 am
Ah… me lembrei de algo engraçado a respeito dessa história de Caetanno-Chico e Milton.
Quando Caetano lançou o disco BICHO fui ao show. Havia espaço pra dançar. Eu era da Geração Odara. Gabeira havia sido fotografado de tanga em Ipanema.
Minhas irmãs mais velhas e engajadas diziam que aquilo era “alienação”. Ainda tentavam ver mensagens cifradas nas letras do Chico. Coisas que nem ele sabia.
A Abertura política deixou a esquerda meio desléxica. E eu, moleque, era visto como um cara despolitizado.
Mais tarde entendi, que Caetano, Gil e Gabeira tinma comportamentos mais políticos do que qualquer militante.
Graças a Caetano pude escutar Chico Buarque sem o filtro redutor dos fãs esquerdistas.
A elite cultural esquerdista estava ficando atônita. A democracia colocou Hebe Camargo na coluna da Joyce Paskovitch. Eduardo Mascarenhas dando dicas de psicanáliese na revista Contigo.
Nessa época fundei uma banda chamada VEXAME com a Marisa Orth. Cantávamos Odair José e Fernando Mendes com o respeito que eles merecem. Havia uma espécie de desrecalque da minha geração, tão tachada de alienada. Estavamos sintônicos com o período político.
A música das rádios AM saiam do quarto de empregada e invadiam a sala de visitas da burguesia. Deixamos a vergonha de lado.
Hoje, quando eu paro no farol e escuto a música de Arlindo Cruz vinda de dentro de uma Pajero, penso no tanto que o Brasil mudou.O sucesso do filme “2 Filhos de Francisco” também é um resultado emocionante desse período em que a esquerda elitista perdeu o monopólio da cultura.
Gil no Ministério foi um passo histórico nessa direção. Enquanto os filhotes da Embrafilme reclamavam o seu sustento, Gil distribuiu recursos pra fazer as maravilhosas Casas de Cultura.
A eleição de Lula também está nessa direção.
Ontem Antonio Cícero fez uma resenha brilhante na FOLHA sobre a decadência dos radicais da esquerda.
Espero que Mangabeira pense o Brasil com esse vetor. Caetano sei que pensa.
É por isso que a palavra ESQUERDA ainda me incomoda. Foi graças a essa divisão binária que tanta gente não entendeu Nelson Rodrigues, Glauber Rocha e Caetano.
O verso mais político da época da abertura foi de Caetano” “gente é pra brilhar, não pra morrer de fome”.
Um desses versos, que mesmo depois do tempo passar, não dá vergonha de achar bonito. Ao contrário de algumas canções de protesto que me deixam constrangido.
Setembro 21st, 2008 at 12:59 pm
Falar sobre crianças índigo e deixar no ar é impossível. Não, não é só a sociedade que corrompe o “homem bom”. Lembro de uma matéria sobre uma cantora de ópera descoberta numa favela do Rio. Neste exemplo, a sociedade próxima (teoricamente já corrompida - pela pobreza) não só deixou de corrompê-la como teve que engolir sua ascensão. De onde veio esse “dom”? Por que ela e não outra? Mero acaso? Ou teria ela adquirido seus dons? Adquirido de que maneira? Tá, não vamos entrar em especulações.
Deixo algumas sugestões de leitura, sobretudo ao Caetano: Sergei Prokofieff, Bernard Lievegoed, Rudolf Lanz, Evelyn Scheven, Karl König e Rudolf Steiner (este antes e acima dos outros).
O grande inimigo não é destro nem canhoto. É a ignorância.
Setembro 21st, 2008 at 1:13 pm
Poxa, eu tenho ouvido ao áudio de “Perdeu” do Obra em Progresso e ela é a que eu mais estranho. Por que de vez em quando parece que a letr vai prum lado e a música pra outro, ou parece que a letra está um pouco solta na melodia. Além de lembrar sempre de “Pivete” do Chico quando ouço. Enqaunto “Sem cais” e “A cor amarela” são tão redondas, “Por quem” me lembra “Ca-já” (ainda não sei dizer por que).
Acho que Perdeu é difícil de se acostumar por ser assim como eu disse e ainda ser uma canção triste.
Setembro 21st, 2008 at 1:36 pm
Sabe caê, achei lindo você dizer que chorou na cabine. Quando Lula foi eleito, eu estava grávida de Francisco. Eu quase me destruia de tanto chorar quando o via na televisão, tomando posse.
Eu dizia: “será que vocês não conseguem alcançar a grandiozidade que está acontecento…”
Hoje, Francisco tem 05 anos, e eu, não mais me emociono ao ver Lula na televisão…
Em Beijo de quem te ama muito!!!
Valéria, Belo Horizonte
Setembro 21st, 2008 at 10:05 pm
CAETANO, VC NÃO DEVE MESMO DEIXAR DE RESPONDER AO AMERICANO WHATSOEVER.
É IMPORTANTE PORQUE É IGUALMENTE IMPORTANTE QUE TENHAMOS CADA VEZ MAIS FEEDBACKS DA REPERCUSSÃO DA MÚSICA BRASILEIRA EM OUTRAS CULTURAS.. O QUE É TAMBÉM MEIO DE APRE(E)NDERMOS COMO SOA A LUSOFONIA AOS OUVIDOS DOS ESTRANGEIROS QUE CONHECEM POUCO OU QUASE NADA DE PORTUGUÊS. A PROPÓSITO, NO NEW YORK TIMES USUALMENTE LEIO, ANO APÓS ANO, REPORTS ELOGIOSOS E ENTUSIASMADOS AOS ARTISTAS BRASILEIROS… NUM TOM QUE
MUITOS POR AQUI (INCLUINDO PRINCIPALMENTE CERTOS JORNALISTAS) NÃO COGITARIAM SEQUER.. .UM SOBRE A MART’NALIA FOI LINDO.. . (LI ATÉ MESMO, FAZ MUITOS ANOS, UM ARTIGO SOBRE A CARMEN EM QUE VC INCLUSIVE CITAVA MEU TIO SYNVAL .. JÁ NÃO ME LEMBRO MAIS EXATAMENTE, MAS PARECE QUE FOI A PARTIR DALI QUE SURGIU O CONVITE PARA A CRIAÇÃO DO “VERDADE TROPICAL”… É ISSO MESMO??? AINDA EM TORNO DESSA QUESTÃO, FAZ POUCAS SEMANAS QUE O GILBERTO GIL FOI O ENTREVISTADO DO DIA NO “HARD TALK” DA BBC E NUNCA, CERTAMENTE, O PROGRAMA SOOU TÃO SWEET: O JORNALISTA PARECIA ESTAR EM ESTADO DE GRAÇA ALI PERANTE O GIL COM SEU OLHAR SIMULTÂNEAMENTE INSTIGANTE E ACOLHEDOR, PERSONIFICANDO MUITA COISA SOBRE O BRASIL, A ÁFRICA, O DEVIR: UM OLHAR TRANS ..ENQUANTO NOS TRÓPICOS A NOSSA MÍDIA MARTELAVA FRASES DEPRECIADORAS AO MINISTRO.. .;
É UM POUQUINHO, ISTO AQUI, PARA ARGUMENTAR QUE SIM, VERDADEIRAMENTE A LUSOFONIA PODE IRRADIAR PELO MUNDO A NOSSA MÚSICA – E VICE-VERSA- SOBREPOSTA À TRANSBATUCADA, ESTA POR SUA VEZ REALIZANDO ABUNDANTEMENTE (ÊPA! ..RS..RS) O BRASIL
O INGLÊS E OUTROS IDIOMAS SÃO ÚTEIS PARA TAL EXPERIÊNCIA. IT DON’T SEEMs YOU’RE NOT EXPERIENCED ENOUGH, BROTHER.. . “WORLD IS YOUR NAME, YOUR SIZE”!
Setembro 21st, 2008 at 10:07 pm
POP REVIEW; BRAZILIAN SAMBA PRINCESS FINDS GRACE IN SYNCOPATION
BY JON PARELES
PUBLISHED: APRIL 21, 2004.
THE BRAZILIAN SAMBA IS MAGNIFICENTLY FLEXIBLE. IT CAN BE A PARADE SONG POUNDED
AND SHOUTED BY THOUSANDS OF PEOPLE IN A CARNIVAL PROCESSION, OR IT CAN BE AN INTIMATE BALLAD. IT CAN BE A LOVE SONG, A PROCLAMATION OF LOCAL PRIDE, AN EXPLORATION OF NOSTALGIA OR A SUBTLE PROTEST. IT CAN BE A POP DITTY, A JAZZ EXPLORATION AND AN AFRO-BRAZILIAN CELEBRATION; IT’S ALMOST ALWAYS DANCE MUSIC. MART’NÁLIA, A SINGER FROM RIO DE JANEIRO, SKETCHED SAMBA’S FULL SPECTRUM IN HER AIRY, CASUALLY FAR-REACHING CONCERT ON THURSDAY NIGHT AT ZANKEL HALL.
MART’NÁLIA IS THE DAUGHTER OF MARTINHO DA VILA, ONE OF BRAZIL’S MOST CELEBRATED SAMBA SONGWRITERS. SHE INCLUDED HIS SONGS IN A SET THAT REACHED FROM OLD SAMBAS TO NEW ONES BY MART’NÁLIA HERSELF, DRAWING MOSTLY ON HER ALBUM ”PÉ DO MEU SAMBA” (NATASHA/BMG BRASIL) AND MIXING SONGS ABOUT LOVE WITH SONGS ABOUT THE SAMBA ITSELF. SHE OPENED THE SET WITH NOEL ROSA’S ”FILOSOFIA,” SINGING TO A GHOSTLY SYNTHESIZER CHORD AND HER BAND’S HAND CLAPPING ABOUT THE SAMBA AS A WAY TO SHRUG OFF POVERTY AND HUMILIATION.
HER VOICE IS A SMOKY, UNFORCED ALTO THAT MIXES NONCHALANCE AND LONGING AND ISN’T OVERLY CONCERNED WITH HITTING EVERY NOTE PRECISELY. SHE MADE EACH SONG SEEM UTTERLY NATURAL, WHETHER SHE WAS LANDING SQUARELY ON THE NOTES OF A POPPY MELODY, SHARING SCAT SYLLABLES WITH HER BACKUP SINGERS OR PLACING PRECISE SYNCOPATIONS AGAINST THE SAMBA PULSE.
NEXT TO HER ONSTAGE WAS A TABLE FULL OF PERCUSSION INSTRUMENTS — GOURDS, BELLS, TAMBOURINES, A TIN BUCKET — AND SHE PICKED UP A DIFFERENT ONE FOR EACH SONG, ALIGNING THE SONG’S ARRANGEMENT. SOME WERE TRANSPARENT, ALL BRIGHT TICKING AND TAPPING SOUNDS; SOME HAD A BOTTOM-HEAVY BEAT. SOME LEANED TOWARD JAZZ WITH HER KEYBOARDIST ELABORATING ON THE HARMONIES, AND IN OTHERS THE SNAPPY DRUMS OF A PARADE SAMBA WOULD KICK IN.
FOR ONE MEDLEY MART’NALIA PLUCKED A GUITAR AS HER BAND MEMBERS JOINED HER ONE BY ONE, STARTING WITH A PERCUSSIONIST SUMMONING THE SQUEAKS AND MOANS OF A BRAZILIAN CUICA AND WORKING UP TO A FULL, SWINGING PROCESSION. NOTHING WAS BLATANT; HER SAMBAS MAKE IT SEEM AS IF EVERY PLEASURE OR SORROW CAN BE HANDLED WITH GRACE.
MART’NÁLIA’S CONCERT WAS PART OF THE PERSPECTIVES SERIES CHOSEN BY THE SONGWRITER CAETANO VELOSO. SINGING HIS SONG ”DESDE QUE O SAMBA É SAMBA” (”EVER SINCE THE SAMBA WAS A SAMBA”) WITH MART’NÁLIA, HE KISSED HER BETWEEN THE LINES.
Setembro 22nd, 2008 at 12:48 am
ainda nao sei sobre ser o Caetano o melhor de todos, mas com certeza é ele o que tem maior picos de genialidade em alguns momentos. Vou citar um, na cançao Itapuã, quando a escutamos pela primeira vez. pensamos “ai, meu Deus, outra música sobre Itapuã” e de repente vem Caetano e nos diz “… o meu verso teima em cantar seu nome outra vez” demais, demais
Eta caetano… eta baininho
Setembro 22nd, 2008 at 1:05 am
Eu estou com o Renatao numero 48. as pessoas tem que sobreviver mesmo se o entorno nao as favorece. Nossa sociedade nao dispoe de elementos para que crianças se desenvolvam de maneira saudavel, seja ela rica ou pobre.
Fica muito generico dar nome Indigo ou qualquer outro para justificar o que as crianças sao e depois perdem? Isso nao existe. Ninguem perde nada. A ignorancia que o Renato fala tenho certeza que eh a falta de amor e esperanca de quem esta tranqulo numa zona de seguranca onde tudo esta meia boca.
Hoje qualquer um pode brilhar!
Setembro 22nd, 2008 at 7:44 am
crianças índigo???? prefiro as cor de romã que entram no vagão…
Setembro 22nd, 2008 at 7:23 pm
Caetano, não tenho tanta certeza que Veríssimo ficará ao lado das bichas.
um grande abraço. Meu pai, Paulo Eloy Passos, saiu de Cruz das Almas, em 1940, para morar em Bagé, Rio Grande do Sul, fronteira com o Uruguai, enfrentando um frio infernal. Tudo porque conheceu e se apaixonou por minha mãe, Albertina. Escrevo isto para te dizer que gosto muito de tuas músicas.
Setembro 22nd, 2008 at 11:05 pm
Caetano cita mangabeira:
“Mangabeira: a hegemonia americana deve ser admitida de fato mas não de direito”.
Caetano vc que le the economist deve ter em mente que em um mundo multipolar e globalizado este raciocinio está absolutamente ultrapassado não há mais hegemonia de direto e muito menos de fato dos EUA.
há superpotencias(EUA, UE CHINA E RUSSIA INDIA) e não mais bipolaridade como nos tempos da guerra fria…..
talvez MANGABEIRA tenha um certo complexo da pseudo hegemonia americana porque tenha vivido lá muito tempo o que o levou á sindrome do deslumbramento americano…detalhe o EUA é superpotencia mas sua esfera de influencia e seu poder decisorio está para muito além de ser unilateral e hegemonico…
abraços e como esta a gravação do cd?
Setembro 23rd, 2008 at 4:43 pm
Jorge Encarnação, não se iluda. Nem quanto a essa de potência, nem quanto a derrocada dos EUA, e muito menos sobre suas opniões pós-alienadas. É sempre tempo de dúvidas. E, ainda assim, o benefício que ela concede, pode se tornar num mal terrível, se o caminho que ela, oscilante enquanto dúvida, tomar, não agradar a nenhum de nós.
Lucio Filho, eu sempre digo que para uma sociedade se transformar, antes é necessária a transformação individual. Mas aí vem alguém e retruca: “Ah…, mas até todo mundo mudar…”, e ficamos nesse impasse, aguardando que alguém comece. Mas sou otimista (apenas pq existe a possibilidade de tudo piorar) (vai saber; tivemos a primeira grande guerra, e ninguém imaginava a segunda; tivemos a ditadura militar brasileira, e ninguém imagina a tropa de choque nos morros do Rio; porque não me enganem, que eu não gosto: aquilo está com uma cara de limpeza social e de costumes, que não é mole).
Acredito que o ser humano um dia vá acordar de um longo sono cheio de pesadelos, e começar a pensar que não é o poder, o grande bastião do tesão humano, que em algumas cabeças (as de cima) (em coma, muito provavelmente) parece ocupar um lugar de louvor, quase devoção.
Renato, excelentes as sugestões de leitura sobre os Índigos deixadas no site. Eu criei um link, justamente para que todos tivesse a oportunidade de pesquisar sobre eles. Mas vale lembrar que um Índigo cerceado pode se tornar num doente desamparado, ou num gênio incompreendido, e o sistema adora destruir gênios incompreendidos. E se não lidamos bem com os Índigo, o que faremos com as crianças Cristal?
Nelson, já fui casada. Uma vez, e por muito tempo. O suficiente (é, eu demoro com essas coisas) para saber que só é um bom acordo, quando as semelhanças são maiores do que as discordâncias, então talvez tenhamos alguma chance de sucesso!
Nelson, no comentário 57: eu nunca acreditei nessa bipolaridade. Para mim, isso nunca passou de cortina de fumaça. Muito bem feita. Tão bem feita, que mesmo sendo pura fumaça, ninguém conseguiu passar por ela. O ocidente tem grande, imenso, defeito: age como se fosse único. A arrogância ocidental ainda será sua ruína.
Setembro 23rd, 2008 at 4:56 pm
Eduardo, não entendi o seu comentário. Você quis dizer que qualquer pessoa pode alcançar o que quiser, sem que o ambiente faça alguma diferença?
Pensamento ultra-capitalista, o seu.
Me lembro da resposta da Dna. Ruth Cardoso, enquanto primera-dama, ao ser perguntada se miséria gerava violência. Ela respondeu que não.
Pode não gerar violência, se o miserável não entender o sistema. Pode não gerar violência em casos isolados, de pessoas super-especiais, na no geral, na grande massa, desdentada, faminta, e humilhada, só não gera, se o sujeito for um santo.
Os índigos - ou qualquer um de nós - não perdem seus dons. São surrupiados escancaradamente por um sistema injusto, corrupto, cheio de vícios (dos sempre os mesmos no poder).
Tratar o homem como máquina, com esse papo de “o sistema está aí, só fica pobre quem quer” é, talvez, mais desumano do que saber que não tem espaço para todos no sistema, e fingir que tem, que é exatamente o que fortalece a primeira afirmação.
Aliás, se afiançar nessa crença de que tudo depende da vontade da pessoa é cruel. A gente sabe muito bem que o mundo é feito de oportunidades, e que para fazer jus à elas, há de se abrir mão de muita coisa. Talvez até de si mesmo.
Setembro 23rd, 2008 at 5:04 pm
E, Nelson, foi só vc elogiar, e o meu texto saiu cheio de erros. Culpa da pressa do sistema. Ela me aguarda, ali ao lado da janela com um semblante ameaçador, aterrorizante, enquanto solta pelos olhos o aviso “não vai dar tempo, não vai dar tempo”…
bjs
Setembro 24th, 2008 at 9:55 am
Caetano, outro dia mandei um imêio falando sobre sua aproximação com as pessoas através do blog obraemprogresso. Sou amigo de Silvio Osias, aqui da Paraíba que me levou ao camarim do show CÊ em Recife. Ontem fui entrevistar um cara na Gráfica Santa Marta, a gráfica que produziu o livro de sua irmã Mabel Veloso “O Sal é um dom” com as receitas de sua mãe, com apresentações de Bethânia e Vivaldo da Costa Lima. O livro vai ser lançado na próxima terça, no restaurante Amado em Salvador. Já tenho o livro comigo, é lindo e dá vontade de comer as moquecas de sua doce mãe.Pois é, sou um sortudo, já tenho o livro antes do lançamento.
Abraço , Kubi
Setembro 24th, 2008 at 9:59 am
Importante: não sou portadora da verdade, apenas uma pessoa, como muitas aqui, que expressa aquilo que observou, que aprendeu, que leu, que sentiu e que viveu.
Li por aqui que a esquerda não existe mais, desculpe-me a ignorância, mais politicamente falando sempre existira a direita, esquerda e centro, porque isso é apenas uma nomenclatura, ou você concorda, ou você discorda ou você pondera. O que a gente poderia questionar é se a humanidade atual é mais ou menos humana, ou consciente, ou politizada, ou participativa. Na minha opinião o que falta mesmo é conhecimento, isso alguém chamou de ignorância. A falta de participação humanitária. O imperialismo capitalista esta crolando a economia mundial, num jogo perigoso para toda humanidade, e parece que não sabiam ou não sabem disso, a ONU foi capaz de criticar o nosso biocombustivel, mais não vi ninguém se pronunciar a respeito das conseqüências econômicas do que ocorrendo nesses momento com relação os paises ditos “famintos”, o problema não esta somente em não se ter os alimentos, mais principalmente em não ter condições financeiras para adquirir-los. Não é possível que somente eu esteja vendo que os imperialistas estão querendo tamponar a economia dos paises considerados “emergentes” porque não quer correr o risco de perder seu poder supremo. Tenho a impressão que a maioria aqui não sabe o que é fome, não aquela de não ter um pedaço de carne para comer pelo menos uma vez por semana, mais aquela de não ter um migalha de pão, e me refiro principalmente as crianças indefesas e miseráveis do mundo. Muitas pessoas sequer capazes de imaginar o que é viver assim. Existem momentos em que penso que da mesma forma que a classe alta se sente ameaçada pela classe media, esta se sente ameaçada pela classe baixa e talvez a esta ultima se sinta igualmente ameaçada pelos miseráveis. Na verdade somos nada mais nada menos que operários uns dos outros e isso de certa forma nos conforta, a humanidade transformou-se em mero instrumento de trabalho, e nossa insignificância perante a imensidão do mundo me parece clara quando morremos.
O Caetano indicou um livro, não observei em momento algum uma imposição de sua parte. Os livros servem para enriquecer o conhecimento, para provocar o pensamento, inclusive contrário ao que se acabou de ler, podendo também acrescentar uma nova idéia, esta é a mágica das obras literárias, fazer com que o pensamento seja exercitado, usar de todas as operações básicas da matemática, somar, subtrair, dividir e multiplicar, e levar o pensamento a um objetivo maior, da mesma maneira que a ciência inova através do que já existe, analisando e experimentando e possibilitando novas descobertas. A literatura é fundamental, e aquele que sugeriu uma serie de autores ao autor deste blog imagino que o desconheça por completo, ou escreveu sem refletir, porque não é preciso ser amigo pessoal de Caetano para saber que ele tem uma grande bagagem literária, me poupe, isso é querer simplesmente ataca-lo sem fundamento algum. Vejo que muitas pessoas estão sempre na defensiva, mais a estes digo apenas que a ampliação da mente não é um estar só em seus próprios pensamentos, não é pensar que se sabe mais do que o outro, e sim dar a possibilidade de que a mente possa analisar em profundidade tudo aquilo que nos é apresentado e a critica que sempre será bem vinda, pode existir desde que seja fundamentada com conhecimento. Aproveitando, não poderia deixa de falar que não me causa espanto que algumas pessoas não compreendam quando Caetano diz que chorou quando estava na cabine de votação, na historia existem aqueles que apenas vêem o trem passar, outros que se acomodam em seus confortáveis vagões e, por fim, outros que com seus esforços fazem o trem seguir viagem.
Quanto a criticas ao governo não me surpreende nem um pouco, porque infelizmente a maioria das pessoas nunca viveu fora do Brasil. Sei que muitas pessoas não vão acreditar, mais somos um exemplo de democracia, existem muitos paises em que pensar contra o presidente da republica é considerado um ato contra a própria pátria, imagina poder expressa-lo seria considerado um ato subversivo. Recentemente a Itália teve um exemplo disso que estou escrevendo, quando um artista chamado Beppe Grillo em seu discurso “proferiu palavras ofensivas” ao presidente da republica e o papa. Penso mesmo que os brasileiros deveriam defender mais a pátria e, mudar através das eleições e conscientização de massa o que tem que ser mudado. (parênteses: ainda não vi este “pomar” do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, onde o Lula anda retirando tantos frutos, será que alguém poderia me dizer, concretamente, onde posso encontrá-lo?). Muitas pessoas reclamam da maneira que somos vistos em outros paises, mais as mesmas pessoas não vêem que são elas próprias que passam esta imagem, deveríamos nos valorizar mais como povo, como nação. Quem sabe seguir o exemplo do povo norte americano que atualmente através de festas bilionárias coloridas por bandeiras e bexigas tem tentado demonstrar ao mundo que são uma grande republica democrática, como se lá não existam problemas econômicos, miséria, criminalidade, ou ainda destruição ambiental, ou indo um pouco mais alem, os milhares de soldados que estão espalhados pelo mundo impedidos de viver ao lado de suas famílias, e destruindo tantas outras, orgulhosamente o povo aparece sorridente e feliz quando assistimos as transmissão televisivas. Juro que adoraria saber quem inventou que somos um povo inferior aos demais povos do mundo, o mais triste é ver que têm muitos brasileiros que ainda acreditam nessa estória.
Caetano é único por ser autentico naquilo que pensa
Por decidir ser amigo de seus fãs (ou ex-fãs) compartilhando suas idéias com a gente e, nos deixando livres para que possamos expressar as nossas também.
“isso é uma superioridade a certos pontos de visão”
Maria Betânia é única por um dia ter me ensinado amar Fernando Pessoa
Por ser a “irmãzinha” de Caetano Veloso, vice-versa.
Setembro 24th, 2008 at 11:14 am
cadê o Caetano?
Setembro 24th, 2008 at 3:28 pm
Miriam, se eu um dia precisar vir a compactuar com festas milionárias em louvor a um direito meu, constituído, me mudo antes para o triângulo das Bermudas. Exato, para o lugar do nada. Só faltava fazer festa para agradecer a democracia.
Tudo o mais, muito bem colocado. Só acrescento: qualquer pessoa é única, quando é autêntica e coerente com aquilo que pensa. E mesmo quando não, continua sendo única. Nós temos de parar de criar deuses fora de nós mesmos. Todos aqui sabem que Caetano é genial naquilo que se propôs a fazer, mas ele não é o único a ser simplemente único. Todos nós somos.
No mais, emendo com o gil, Caetano, cadê você?
Setembro 24th, 2008 at 4:44 pm
Perguntinhas pra Miriam
“Tenho a impressão que a maioria aqui não sabe o que é fome, não aquela de não ter um pedaço de carne para comer pelo menos uma vez por semana, mais aquela de não ter um migalha de pão”
VOCÊ SABE?
“O Caetano indicou um livro, não observei em momento algum uma imposição de sua parte.”
VOCÊ LEU?
“não é preciso ser amigo pessoal de Caetano para saber que ele tem uma grande bagagem literária, me poupe, isso é querer simplesmente ataca-lo sem fundamento algum.”
QUEM O ATACOU?
“Quanto a criticas ao governo não me surpreende nem um pouco, porque infelizmente a maioria das pessoas nunca viveu fora do Brasil. ”
VOCÊ VIVEU FORA DO PAÍS? PASSOU FOME POR LÁ?
“me causa espanto que algumas pessoas não compreendam quando Caetano diz que chorou quando estava na cabine de votação”
QUEM DISSE ISSO?
“e nossa insignificância perante a imensidão do mundo me parece clara quando morremos.”
VOCÊ JÁ MORREU ALGUMA VEZ?
OLÁ MRIAM
NÃO SEI SE OS MEUS 2 HUMILDES COMENTS ESTÃO NESSE BALAIO QUE VOCÊ FEZ PRA FALAR A VERDADE, NEM ME LEMBRO DE TER LIDO POR AQUI COMENTÁRIOS QUE SE INDENTIFIQUEM COM SUA FALA.
EU DISSE O SEGUINTE:
“É por isso que a palavra ESQUERDA ainda me incomoda.”
DISSE TAMBÉM:
“Essa idéia histórica de ESQUERDA/DIREITA está presa ao nosso imaginário político. Durante anos essa visão binária facilitou a nossa vida. Era simples: “de que lado você está?”.
E DISSE COM SINCERIDADE E SEM IRONIA:
“Fiquei com inveja ao saber que Caetano chorou diante de uma urna.”
MESMO ASSIM VESTI A CARAPUÇA, NEM SEI PORQUE. SUA FALA, APESAR DE TÃO IDENTIFICADA COM OS OPRIMIDOS TEM TOM DE SUPERIORIDADE QUE NÃO HAVIA VISTO NESTE BLOG. NÃO PARECE O DEPOIMENTO DE ALGUÉM QUE PASOU FOME. TALVEZ DE ALGUÉM QUE MORE OU TENHA MORADO FORA DO BRASIL. E QUE, SUPÕE-SE, LÊ MAIS DO QUE TODO MUNDO. CAETANO NÃO É “ÚNICO POR SER AUTÊNTICO NO QUE PENSA. MUITA GENTE É AUTÊNTICA NO QUE PENSA (EMBORA NÃO GOSTE DA EXPRESSÃO). CAETANO É ÚNICO POR OUTROS MOTIVOS. ALGUNS SINGELOS, OUTROS BEM PROFUNDOS. SOBRETUDO PELO SEU TALENTO.
QUANDO VOCÊ SUGERE QUE SIGAMOS “o exemplo do povo norte americano ” E EM SEGUIDA DIZ “como se lá não existam problemas econômicos, miséria, criminalidade” EM CONTRAPONTO COM” deveríamos nos valorizar mais como povo, como nação” iINCORRE EM FLAGRANTE CONTRADIÇÃO.
ORA, VOCÊ DESEJA OU NÃO O UFANISMO?
EU SOU UM BRASILEIRO DE CARTEIRINHA, MAS NÃO SOU SOCIÓLOGO, NEM MILITANTE, NEM PARTICIPO DE ONG, NEM TENHO A TAL “BAGAGEM LITERÁRIA”.
ISSO AQUI É UM BLOG E UM POUQUINHO DE BRASIL IÁ iÁ. DESSE BRASIL QUE CANTA E É FELIZ.
SERIA MAIS BACANA SE VOCÊ TIVESSE LIDO OS LIVROS, AO INVÉS DE LER OS COMENTS E INSINUAR QUE A MOÇADA NÃO LEU E “ATACA” O CAETANO. VOCÊ ERROU NO TOM.
MAS EU GOSTEI.
Setembro 24th, 2008 at 4:54 pm
Pois é, cadê o Caetano? As pessoas já falaram muito, inclusive eu, mas agora precisamos das palavras dele, e de notícias da gravação…E a música para Aveiro, sai ou não sai? Tão lindo Caetano cantando trechos de canções e conversando com o público de lá! Merecia uma música mesmo…
Setembro 24th, 2008 at 8:08 pm
te invejo, no bom sentido , por seres tão inteligente, sensivel e apaixonado e acima de tudo por ser irmão de MARIA BETÂNIA!!!!!!
Setembro 24th, 2008 at 8:13 pm
cadê o transcaetano? transcendeu?
Setembro 24th, 2008 at 10:08 pm
Fernando Salem, sabe que ao ler o comentário da Miriam, muitas das perguntas que vc fez a ela me vieram em mente, mas como não acompanho o blog desde o começo, achei melhor ficar na minha. Podia ser uma resposta em retrotivo, algo assim. Por exemplo, o ataque que ela menciona podia ter a ver com a crítica ao show, discutida alguns tópicos atrás, que foi quando justamente eu descobri o blog.
Por outro lado, no terreno político, será que ela não quis enfatizar que nós brasileiros reclamamos de barriga cheia, se comparados, a outros povos do mundo?
Não sei. Teria de ser ela a dizer, certo?
Setembro 24th, 2008 at 10:24 pm
Dio mio, retroativo saiu retrotivo. Um tivo sem a, não é ativo, e aí nem sob pena de lei se prova que houve um caminho percorrido, para que se retroaja a favor ou contra ele.
Miriam, se vc estiver ainda por aqui, explique melhor o que quis dizer. Porque quando vc diz que “deveríamos ser como os americanos”, em seguida vc mostra que se fôssemos, não seríamos tão bons assim, afinal - palavras suas - Quem sabe seguir o exemplo do povo norte americano que atualmente através de festas bilionárias coloridas por bandeiras e bexigas tem tentado demonstrar ao mundo que são uma grande republica democrática, como se lá não existam problemas econômicos, miséria, criminalidade, ou ainda destruição ambiental, ou indo um pouco mais alem, os milhares de soldados .
No fundo, acho que entendo o que vc quis dizer, mas o seu comentário parece tão mais amargurado do que, propriamente, uma posição política ou de valores, sejam eles quais forem.
Essa revolta de “devíamos ser tão feladapeutas quanto fulano, até pq ele não é, de todo, tão feliz quanto parece” denota amargura. E não é com amargura que a gente vai mudar alguma coisa, se é que.
E não me questionem sobre a utopia. Essa foi dormir há séculos, mas o que vamos passar aos nossos filhos? A idéia eterna dessa posição de perdedores?
Seria preciso muito conhecimento do acerto, inclusive, para saber, hoje em dia, quem é, de fato, vencedor ou perdedor.
Não acho que os EUA sempre estiveram com tudo isso, não. E o lugar do carrasco não me agrada. De senzala, idem. Muito menos da Casa Grande.
Alguém sabe onde fica a saída da fazenda?
bjs
Setembro 24th, 2008 at 10:57 pm
hahaha….. Viva o mundo globalizado e os avancos tecnológicos!!!
Olha só, eu desfrutando de Caetano assim tao despretenciosamente…
Adorei o blog!!!! Nao sabia que existia!!!
bjs mil
Setembro 25th, 2008 at 4:37 am
Oi Ana
Se a Miriam “quis enfatizar que nós brasileiros reclamamos de barriga cheia,” errou ao usar a “fome” como argumento. Fome e barriga cheia não combinam. Mas localizei o coment a que ela se refere. É o de número 31 desse POST e foi assinado pelo Encarnação. Acho que o li meio na diagonal e passei adiante sem dar importância. Agora reli o texto e me lembrei de um ex-publicitário aqui de SP que é fabricante de polêmicas que não pegam. Mas a Miriam, não. Ela conseguiu mexer comigo. Talvez pela sua sinceridade agro-doce. Talvez porque me encaixe de fato no seu coment tristonho. Peço desculpas se pareci inquisitivo com ela. Depois do POST simpático e apaziguador “GABEIRA E MANGABEIRA” (o próximo do Caetano) pude ver o quanto a “encanação” era mais minha do que dela. Mas é que essa história de saber o que é passar fome me tira o apetite.
Setembro 25th, 2008 at 10:30 am
Fernando Salem, caro, como você mesmo deixou bem claro não me referi aos seus comentários, na verdade, repensando cheguei mesmo a conclusão que tive uma postura um pouco antidemocrática, talvez pelo movida pelo entusiasmo, ou então, por não ter elogiado tantas pessoas inteligentes que também participam. È.., vai ver errei mesmo no tom como você bem colocou. Talvez devesse ter ressaltados os muitos comentários interessantes e, ou invés disso tomei para mim as dores que o Caetano pode nem ter sentido, enfim, uma vez postado, postado está, e quando se aperta o “enter” um abraço para o que se disse ou deixou de dizer, ou ainda para os erros que algumas vezes escapa, como no meu caso que deixei algumas preposições para trás, e o pior errei ao escrever o nome de Maria Bethânia.
Respondendo a Ana, que também teve um discurso interessante, diria dinâmico e moderno, quando falei sobre “deveríamos ser como os americanos” me referia somente a este patriotismo que muitas vezes sinto que falta ainda em nosso país. Veja bem, isso não significa ser conformista com a situação, muitas coisas mudaram, muitas ainda tem que mudar, então não simplesmente dizer que o Brasil esta bem então vamos todos dar as mãos e sair cantando, mais poderíamos enxergar as belezas do nosso pais, o aspectos positivos que são muitos também. E finalizando, observando o que você me questionou, refleti e penso que talvez esta vontade de Brasil que sinto hoje pode estar relacionada ao fato de não estar vivendo ai nesse momento, porque por motivos afetivos (afeto: homem/mulher) no momento moro na Itália, inclusive quem sabe no ano que vem consigo assistir o Show de Caetano em Caserta que não é “troppo lontano” de casa. Pode ser que seja um pouco de nostalgia, sei lá. Mais não retiro o que disse com relação a esta falta de patriotismo do brasileiro.
Ainda não li o livro sugerido mais estou vendo se consigo encontrá-lo por aqui, moro numa cidadezinha pequena, e isso dificulta um pouco as coisas, mais a moça da livraria me garantiu que vai ver se consegue um exemplar para mim. E nesse momento, já que me deram a oportunidade de escrever um pouco mais, gostaria de acrescentar que o fato do Caetano sugerir alguma literatura não é nenhuma novidade para mim, na maioria das vezes em que esta dando uma entrevista, se ainda não repararam podem reparar, ele sempre da um jeitinho de falar sobre um autor ou um livro que esta lendo, para mim isso é bárbaro!
Ah!! Nunca morri, mais sou suficientemente viva para ver que um trabalhador que morre no seu local de trabalho vitima de um acidente de trabalho vem “automaticamente” substituído. Era sobre isso que me referia no texto.
Sou feliz que existe este Brasil que canta e é feliz.
Beijos
Setembro 25th, 2008 at 11:50 am
pergunta: Caetano? vc realmente não conhecia sobre a simbologia dos “índigos” e sua forma de se manifestar no mundo?
Setembro 26th, 2008 at 3:06 pm
Miriam, compreendo essa necessidade de um, digamos, sentido patriótico (pq se ele não existe em ação, é pq não existe no coração) (da maioria) (a não ser na Copa, mas aí, me desculpe, não vale). Algo que demonstre o orgulho do brasileiro de ser brasileiro. Mas pensa bem: enquanto não apenas nossos dirigentes, mas todas as altas hierarquias do nosso país, não tratarem esse solo, de fato, como pátria, não será o moleque que chegou agora, e pegou o bonde andando na contramão, que o fará. Também sinto falta disso. O que mais se via nos jovens dos anos 80, era vontade de dar o fora daqui. Tem até aquela piada em Governador Valladares (MG) que diz que “o último que sair, apague a luz”.
Já em relação aos jovens de hoje, não consigo perceber direito o que eles querem, e para onde querem ir. A maioria não quer se formar, não possui rebeldia suficiente para peitar o sistema, e engole tudo como vem, com embalagem e tudo. Não há questionamentos. O sucesso, para eles, está alicerçado na crença no capital, e nos “milagres” que ele possa ou não “conceder”.
Se não existe sequer resistência, percepção de que algo “está fora da ordem”, como existirá patriotismo em relação a um país em ordem? E ainda: na cabeça desses jovens, se você falhar, foi por culpa sua mesmo. O capital está aí para ser - em stricto sensu - explorado por intrépidos espíritos em busca de uma riqueza que traga estabilidade. Que Deus me livre de qualquer estabilidade às custas de instabilidades alheias.
Fernando Salem, eu não confio, nem nos publicitários, nem nos padres, nem nos políticos. Já, o que vem do povo (seja da camada social e intelectual que for), eu dou crédito. Como a Miriam, várias pessoas estão até as tampas com tamanha hipocrisia, e o texto dela me pareceu justamente um grito, representante de tantos outros gritos silenciosos. Eu também me encaixo nesse comentário/texto tristonho.
E, Miriam, pelo fato de você estar na Itália, você tem a possibilidade de compreender muito da herança italiana sobre as nossas cabeças: um coração gigante, um senso mafioso protetor maior ainda, e uma turbulenta necessidade de corrupção. Por isso admiro os nordestinos. Sempre os admirei e sempre vou admirar. Eles herdaram muito pouco desse contrasenso italiano.
bjs
Outubro 14th, 2008 at 1:39 pm
Gabeira, vá lá! Mas Lula???
Ainda bem que sua poesia continua me desnorteando…
Outubro 17th, 2008 at 4:52 am
Septuagesima sexta… será que me consegues ler? Enfim… preciso dizer o simples:
Fez-me rir… rir por dentro, por fora… sentir!
Outubro 29th, 2008 at 2:45 pm
Cae:
“Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem”; mas cd o Disco novo? - quando sái, mesmo.
Abraços e espero comprá-lo, antes que chegeum as cópias piratas, aliás um assunto que está a dever a manifestação dos ARTISTAS, que tanto sofrem (no bolso) e dos próprios consumidores de arte.
O pirata vende mais (?) do que os originais…
Mas, quem verdadeiramente perde? - as gravadoras, ou o AUTOR…(?)
gostaria que você “BLOGASSE” ( eu criei esse neologismo “verbal”, agora, enquanto te escrevo…) sobre esse assunto.
abraços do conterrâneo-coetâneo
Carlos
Março 21st, 2009 at 8:14 pm
Saudades, nostalgia, de ver você, Caetano, o nosso poetartistamado cantando, tocando manso, contando íntimo o despencar da madrugada e outras, muitas outras, boas, profundas, marotices, meiguices, livre-like-a-bird.
Beijo de Paris
lica*