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Álvaro Guimarães foi uma pessoa determinante na minha formação. Foi mesmo mais do que isso: foi um anjo do Destino. Bethânia e eu fazemos música por causa dele. Ele me apresentou à primeira mulher que conheci. Depois me apresentou a Duda Machado, uma das maiores influências que, com prazer e deslumbramento, sofri. Alvinho me apresentou ao Brizolismo, a Roberto Pinho e ao professor Agostinho da Silva. Ele inventou o nome Baby Consuelo (e deu esse nome para Bernadete Cidade usar publicamente como vocalista dos Novos Baianos). Ele era amigo de Glauber antes de eu conhecer qualquer dos dois pessoalmente.
Foi assim: conheci Alvinho através de Sônia Castro e Lena Coelho (mãe de Laís Bodanski). Ele era um jovem diretor de teatro. Todos eram de esquerda e estavam próximos ao CPC da UNE. Mas Sônia me disse que Alvinho era crítico do panfletarismo do CPC. Logo Alvinho conversava comigo e, sem sequer ter me ouvido cantar, me chamou para fazer a trilha sonora do filme dele: confiava nas minhas conversas sobre João Gilberto, Miles Davis e Caymmi. Depois me fez compor trilhas para as peças “O primo da Califórnia” e “A exceção e a regra”. Fiz tudo, embora protestando. Isso mudou minha vida. Alvinho montou “O Boca de Ouro” e chamou Bethânia para cantar “Na batida do samba”, no escuro, na abertura do espetáculo. Só a voz. Ninguém nunca mais esqueceu aquela voz e ela virou uma figura de culto entre a turma de teatro de Salvador. Anos depois Alvinho brilhou atuando na peça de Fausi Arap “O amor do não”, em Sampa e no Rio. Recentemente, ele tinha um programa de TV, onde apareci falando sobre o carnaval. E Alvinho desapareceu. Fui reecontrá-lo no sul da Bahia, vivendo no Arraial da Ajuda. Foi um reencontro muito amoroso e comovente para nós dois. Hoje choro com saudade dele e com fascínio diante do mistério das amizades que desenham a vida da gente.
“Fera ferida” é muito Roberto na minha cabeça. Não gosto de me intrometer na questão do que é mesmo de Roberto e Erasmo (ou de Lennon e McCartney). Mas tenho curiosidade e alguma idéia sobre as individualidades envolvidas. Há coisas de rima em “Fera ferida” que eu atribuiria a Erasmo (com seu talento para os versos rimados e seu amor por essa forma, como atestam o uso que ele fez do poeminha de Ghiaroni e as letras do disco do “Coqueiro verde” - sem falar em “Sentado à beira do caminho”, um esplendor de clareza e precisão), mas o tema de “Fera ferida” é Roberto puro. O que impacta nessa canção é o tom de confissão íntima de Roberto, tom que fica reforçado pelo fato de a música ter sido lançada em sua voz. Mas Erasmo é tudo o que eu disse em “Verdade tropical” e muito mais. Lendo o livro de Midani (que tem algumas lembranças que não coincidem com as minhas mas é mesmo um ótimo livro), vi voltar a imagem forte de Erasmo, sua personalidade rock. José Agrippino de Paula também gostava mais de Erasmo do que de Roberto (como Midani) e eu sempre entendi por quê.
Recebi vários livros de Glauco Mattoso: ele me mandou aqui pra casa essa semana, dizendo que afinal lhe tinham dado meu endereço. Fiquei feliz. Faz tempo que não tenho notícias dele. Li algumas coisas de Glauco na Caros Amigos (quando estava viajando muito com o “Cê” pelo Brasil, comprava Veja e Caros Amigos para ler no avião: era sempre gozado; à vezes comprava também a Carta Capital, que eu chamava de “a Veja do Lula”). Quem me apresentou a poesia do Glauco foi Augusto de Campos. Nesse tempo Glauco tinha um jornalzinho poético (todo escrito por ele) de que Augusto gostava muito. Fiquei interessado. Depois, livros. E a revelação de que esse não era o nome dele: era um trocadilho com “glaucomatoso”, pois ele sofria de galucoma. O que o levou à cegueira total. Ele é o poeta cego, Homero, um arquétipo, um poema de Antonio Cicero, uma Idéia com i maiúsculo. Vou ler todos os livros e já já volto a falar nele.
Prometo para breve escrever sobre a palestra de Zizek (por ora, só digo que não foi tão divertida assim, não me fez rir; adianto a Roberto Joaldo de Carvalho que reconheci o primeiro artigo de Terry Eagleton: acho que Hermano tinha me mandado faz um tempo; comecei a ler o segundo – também muito bom – mas cheguei do estúdio tarde e me obriguei a parar.)
O texto sobre Rio e Sampa está esperando moderação (minha não do Hermano). Por ora, basta celebrar a próxima vitória de Gabeira e dizer que, sem candidato em São Paulo, fiquei triste com a mancada da campanha de Marta. Sempre levo em consideração o fato de um candidato “de esquerda” ser o favorito dos mais pobres. Não é populismo. É uma antiga ligação com a esquerda universitária, que sempre pus em questão mas que sempre me comove quando cria um laço com as populações carentes, pra lá do apelo de time de futebol que ela tem para pessoas de classe média que querem parecer inteligentes, cultas ou bondosas. Mas não dá pra perdoar Marta nem João Santana (que é conhecido meu da Bahia e que ela responsabilizou pela patada) nessa história de perguntar se o eleitor sabe se Kassab é casado e se tem filhos. O velho Suplicy reagiu com dignidade. Se eu fosse o Kassab, eu teria respondido ao indiscreto que, na sabatina da Folha, perguntou “você é homossexual”?, assim: “sou”. Pra cortar o papo. Entre outras coisas, porque nem sei o que possa significar “não ser homossexual.” Eu não daria para ser político (com trocadilho, por favor, como diz o Agamenon).
Tomei as notas acima desde ontem à noite. Mas o Salem tem razão (isso é freqüente nele): voltei ao estúdio e estou pondo voz. Antes estava rouco. Agora, gravando de novo, não tive tempo de reler os textos – e não postei. Mas tenho escrito muito nos comments.
Heloisa, é duro para um baiano, vizinho dos nordestinos (e nordestino na denominação oficial de hoje em dia), ler que o preconceito contra sotaques e “tendências” lingüísticas regionais se volta sempre para os mineiros. Você, tão cosmopolita, nessa hora soa ilhada pelas alterosas. O erre “líqüido” e sonoro (algo inglês, sobretudo inglês americano) da região de Alfenas e Três Pontas (e do interior de São Paulo – além de parte de Goiás) é peculiar e soa cômico aos ouvidos dos demais brasileiros (assim como é curiosa a onda de não conjugar os verbos pronominais como tais). Mas a caricatura do nordestino ganha de longe como tipificação depreciativa (com agressões à vezes explícitas em cartas à redação de jornais paulistanos). O mineiro – como o gaúcho – pode ser freqüentemente imitado com exagero, mas não é tão facilmente discriminado quanto o “baiano” ou o “paraíba.” (“Baiano” aqui no sentido que o paulistano comum dá à palavra; “paraíba”, no que o carioca comum lhe dá.) De resto, adorei sua tradução da frase francesa que você me mandou. Ficou mais concisa em português. No seu português. Embora eu não esteja seguro de que tenha sido justa comigo.
E vou parar pois está longo à beça esse post.
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Outubro 18th, 2008 at 3:08 am
Nina,
O Suplicy é de longe o homem mais coerente do PT… Smepre tão lúcido, ético e centrado…
Não entendo a lógica de Marta… Não entendo!
Beijos!
Outubro 18th, 2008 at 9:29 am
Caetano, quero você sem moderação, manda os textos.
Outubro 18th, 2008 at 9:50 am
Se eu fosse o indiscreto, diria: “você precisa de um homem pra chamar de seu, mesmo que este homem seja eu”. Legal esta canção já interpretada por Marina e Ney Matogrosso, além do Erasmo, creio que esta canção tem mais cara de Erasmo do que Roberto..
Outubro 18th, 2008 at 9:53 am
Bom dia
Quando voce se dedica a memorias, mostra um voz singularíssima, como alias em toda a sua obra, mas há no Brasil ausência sentida de alguem que possa, assim como ja fizestes anteriormente, escrever nossa memoria cultural.
De modo que:
QUANDO TEREMOS VERDADE TROPICAL II?
Um abraço
João Carlos
Outubro 18th, 2008 at 10:01 am
Existe uma lenda que a muito segue as águas do São Francisco. A dita cuja se refere à criação da música “o ciúme”, composta por Caetano Veloso. Aqui nas margens desse rio, um velho conta suas estórias e em uma delas ele afirma que durante um festival de música em que o autor da canção participava, sua esposa na atualidade, teria sumido em direção a Petrolina em Pernambuco. Enquanto ele trabalhava, ela curtia com uns amigos. Este fato teria marcado tanto a vida do cantor que anos depois, ainda com a marca em sua mente o agora senhor criou para todos a bela canção que diz: “Dorme o sol à flor do Chico, meio-dia. Tudo esbarra embriagado de seu lume. Dorme ponte, Pernambuco, Rio, Bahia. Só vigia um ponto negro: o meu ciúme. O ciúme lançou sua flecha preta. E acertou no meio exato da garganta. Quem nem alegre nem triste nem poeta. Entre Petrolina e Juazeiro canta. Velho Chico vens de Minas…”. Seria essa lenda do velho do rio a verdade Caetano?
Discordo que a revista Carta Capital seja a Veja do LULA. Isto soa como uma heresia. Mas é sua opinião.
Outubro 18th, 2008 at 10:36 am
Caetano está “pondo” voz. Que maravilha. Sempre achei bem peculiar o uso dos verbos “colocar” ou “por” voz ao invés de “cantar” quando se trata de uma gravação. Talvez venha daí o meu antigo temor desse momento. “Cantar” parece mais fácil e natural do que “por” uma voz, o que representa simbolicamente retirá-la de algum lugar para colocá-la em outro. O que, por consequência, parece mais físico e um tanto consciente, em oposição ao ato natural de cantar. Não é a toa que “cantamos” uma garota. Ou um craque “canta” a jogada. De qualquer forma, Caetano é daqueles “colocadores de voz” que conseguem “cantar” de fato dentro de um estúdio. Em “Fina Estampa” temos claramente o esforço consciente da pronúncia do espanhol e a emoção inequívoca do intérprete se atirando com coragem às canções.
Sempre achei “Fina Estampa” um tanto subestimado pelos ouvintes, a crítica e o próprio Caetano, que se mostrou exigente e às vezes crítico com o resultado. É uma obra-prima de interpretação e me deixa pasmo imaginar (sou fóbico) que aquelas vozes foram “postas” em estúdio.
Consigo sentir o clima de estúdio em “Outras Palavras”, onde “Tem que ser Você”, por exemplo, exibe trejeitos bem intencionais de interpretação aparentemente escolhidos a priori. Também gosto desse Caetano com um canto-pensado que homenageia outros cantores.
Nas canções de Transamba postadas nesse blog, há um pouco das duas coisas, mas sobretudo há canções-mistério. Composições vindas de lugar nenhum, cheias de risco e intuição vocal.
A transposição da reflexão mais racional para o blog deixou o repertório livre para a experimentação no estúdio. Caetano não entrou no estúdio pra pensar. Entrou pra cantar. O disco foi “pensado” na sua gestação em progresso, ao longo dos ensaios, shows e falações deste blog.
Por isso, “por” a voz nesse momento parece soar como “por” tudo que se passou nesses meses. Ou melhor, se livrar de tudo isso e “cantar”.
Tenho muito orgulho do “cantor” Caetano Veloso que sempre é tão modesto quando fala desse seu atributo. Mas , mesmo parecendo ser modesto, ele canta muito. E muito é muito pouco pra quem o admira. Estou ficando ansioso.
Outubro 18th, 2008 at 10:40 am
A diarista que trabalha aqui em casa, Leide, vai votar na Marta Suplicy. E me explicou porque:
“Tenho quatro filhos e moro lá no final da Parelheiros. Antes da Marta prefeita, eu pegava no mínimo quatro conduções por dia para trabalhar e tinha que gastar dinheiro em todas. Os ônibus eram muito velhos, caindo aos pedaços – vira e mexe, quebravam no caminho; ou eu desistia e voltava pra casa, ou pegava uma daquelas lotações clandestinas, que corriam muito e eram ainda mais caras que o busão. Meus filhos não tinham material escolar e nem roupa; tinham vergonha de ir à escola vestindo ‘roupinha pobrinha’ – me contavam que eram discriminados pelas outras crianças que tinham pelo menos uma havaiana pra calçar. Fora da escola, lá no bairro, as crianças não tinham nada pra fazer, nenhum lugar pra brincar ou pra aprender alguma coisa boa. Daí veio a Marta, ela inventou o bilhete único e eu passei a gastar metade do que gastava em condução – e os ônibus melhoraram, tinha até ônibus cheirando a novo na periferia! E mais: a Marta foi lá e inaugurou um CEU – por isso, pela primeira vez na vida, meus filhos foram no cinema”. Texto completo em http://www.quasepoucodequasetudo.blogspot.com
Outubro 18th, 2008 at 10:41 am
PS:
Por outro lado, as galinhas “põem” ovos. Uma imagem de parto que redime o verbo “por” quando usado para significar o parto de um “canto” fecundado em meses de gravidez.
Outubro 18th, 2008 at 11:12 am
Suplicy é daqueles políticos que teria, caso votasse em São Paulo, orgulho em confiar o voto ( não saberia dizer porque mas, cada vez mais me simpatizo com o Suplicy e com o Serra).
Vejo em Suplicy,um político que poderia concorrer à presidência, mas, lamento o fato dele não ser mediático, o que infelizmente, a meu ver, é cada vez mais necessário ao postulante no Executivo.
Quem sabe Caetano você possa começar o movimento aqui no blog, Suplicy 2010.
Meu português está mais para o do Jotabê. Desculpe-me aí. Trata-se de uma limitação estilísta e uma falta de habilidade em escrever textos no computador.
Outubro 18th, 2008 at 12:01 pm
delicia esse comentario seu. mais mezclado. tanta politica me cansa. baca na você ter falado do glauco pq depois que le ficou completamente cego, acho que ele começou a sofrer bastante preconceito. não pelo fato de estar cego, mas por isso também, mas pelas opções artisticas que ele pode fazer a aprtir da cegeuira. talvez o caso dos sonetos seja o ajis emblematico. conversando não fa zmuito tempo com alguma spessoas, sempre ouvia elas falarem a mesma coisa “ah, mais o glauco encaretou, ta ate faznedo soneto agora, e só fala besteira rimada”. num exercicio de defesa das liberdades acabamos sendo bem intolerantes, em arte sobretudo vejo isso. verso livre pode, poesia visual pode, poesia cinetica, poesia praxias, concreta, video poesia… mas soneto, de, elegia, parecem soar (quando feito por contemporâneos) ruim de antemão.
adoro quando você fala dos seus amigos.
beijos
Outubro 18th, 2008 at 12:11 pm
Pois é. Álvaro Guimarães.Um ser tão importante e um desconhecido até pra boa parte dos baianos. Não é que somos um povo sem memória. O buraco é mais embaixo. Ou em cima.
Mas, como acredito, meeeeeeeesmo, em anjos e coisas do tipo, penso que o Alvinho agora tá bem. Recuperou suas asas e deve estar livre de volta à imensidão da sua casa.
Rodando pela internet, achei uma maravilhosa entrevista que Bethânia deu à Playboy 12 anos atrás. Bela. Vasculhem e leiam. Lá ela conta, por exemplo, que Caetano dizia “acredita em deus, não, mana, deus não existe. Deus sou eu.” Cê inda pensa assim, Caetano? Mas queria deixar aqui um trecho da entrevista que ela fala do Alvaro Guimarães, pra que quem não conheceu tenha uma noção da figura que ele era:
“Comovocê escapa dessa confusão radiofônica?
Não ligando o rádio. E lendo Mônica, Cebolinha, Pato Donald, Tarzan, Fantasma, Drummond, Pessoa, Verlaine, Baudelaire e Proust.
Nessa ordem?
[Risos.] Na ordem inversa. Em quadrinhos eu me viciei depois de grande. Agora [o romancista francês Marcel] Proust eu lia com 14 anos porque um grande amigo meu, o [cineasta e diretor de teatro baiano] Álvaro Guimarães, o Alvinho, me aconselhava: “Bethânia, você tem de ler Proust muito cedo, para já arrancar na vida sabendo das coisas”…
Outubro 18th, 2008 at 1:15 pm
Prezado Caetano,
Só conheci o blog agora. Acho incrível que uma pessoa como você, tão presente e atuante na vida brasileira, mantenha a mesma presença e atuação também através de um blog.
A Marta pisou na bola mesmo; aqui em São Paulo, estão dizendo que ela só vai aconselhar alguém : “Relaxa e goza!”, se a pessoa já for casada e tiver filhos.
Quanto ao baiano ser vizinho dos nordestinos, eu tive uma nammorada baiana que dizia que a Bahia não era nordeste e nem sudeste, que a Bahia era “outro continente”.
Um abraço,
JR.
Outubro 18th, 2008 at 1:26 pm
Como é que Marta, a sexóloga moderna dos anos 80, sai com uma dessas? E quer que o povo acredite nela?
Outrossim, está na hora do Brasil, e aí acho que a mídia poderia ajudar, em vez de atrapalhar ou aumentar, olhar o Brasil com outros olhos. Vivemos num país imenso, lindo por suas diferenças.Vamos acabar com essa pasteurização adotada pela mídia.
Outubro 18th, 2008 at 1:48 pm
E, Heloisa, de onde você tioru a idéia de que seria surpresa para mim ouvir que a língua é viva. É assim que sempre a percebi. Não sou conservador no que tange à língua portuguesa. Ontem mesmo gravei “ela se esgancha por cima de mim” numa letra. Cresci ouvindo o verbo “esganchar” ou “esganchar-se” em Santo Amaro. Não é igual a “enganchar”. Uma pessoa “esganchada” sobre um galho, sobre um cavalo: isso inclui a idéia das pernas abertas. Mas a palavra “não existe”. Quer dizer, não está no dicionário.
Luedy, não li ainda o texto do Bagno na Caros. Os meus sobre os críticos paulistas eram também piadas. Vou ver o dele. Insisto em que a entrevista de Bagno era muito fraca. Vou ler os livros e volto ao assunto. E “gotejantes” para mim soou engraçadíssimo, por isso disse que a expressão era genial. Espero que tenha papel humorístico no texto. Se não, qual é seria mesmo o sentido sério dela?
Outubro 18th, 2008 at 3:07 pm
Sobre a polêmica Bagno x Caetano, eu queria dizer que não vi o “gotejantes” que ele (Bagno) empregou em seu texto na Caros Amigos como algo pejorativo ou violento. Apesar de reconhecer que há aqui muita torcida pró-caetano, bem no estilo time de futebol, aliás como seria de se esperar, não acho que “gotejantes” devesse despertar tanta ira.
Acho que não tem ninguém que mais admire Caetano entre meus amigos e conhecidos do que eu. Sou professor de turmas de pedagogia e sempre que penso em alguma música para que a gente possa cantar juntos, sempre me vem à mente Caetano. “Alguém Cantando’ se tornou um sucesso em minhas turmas, desde que passei a cantá-la com as alunas do curso (e isso desde 2003, quando passei a ensinar arte-educação a turmas de pedagogia). Enfim, me sinto à vontade para discordar e criticar Caetano quando julgo pertinente.
Reconheço também que a admiração que tenho se transforma também em grandes expectativas. E é aí que tenho que me policiar para não ficar exigindo demais de Caetas. No entanto, no que tange ao debate com os linguistas, acho que Caetano, talvez por conhecer pessoalmente o Pasquale e gostar da figura; talvez por ser mesmo normativista, ele demonstra ter posturas muito conservadoras no que tange à lingua portuguesa. [O que é muito curioso: Caetano curte funk carioca, curte os Racionais MC's - ou seja, reconhece a contribuição imensa dos artistas populares que fazem um uso nada canônicos da língua]
E voltando à polêmica, eu queria dizer também que acho os/as caetanetes engraçados/as: Caetano foi bem violento quando manifestou sua discordância com a crítica que lhe fizeram por ocasião do show com Roberto Carlos. Pouca gente aqui se manifestou contrário àquilo que eu julguei totalmente improcedente e que se resumia à desautorização do disensso.
Bagno não foi nem um pouco violento, comparado com aquele texto primeiro de caetano contra os jornalistas. Cadê a coerência, gotejantes?
ps. adorei o último post.
Outubro 18th, 2008 at 3:14 pm
Oi, Caetano. Já viu o filme Passeios no Recanto Silvestre, que fizeram com o José Agrippino de Paula, entregando a ele uma super-8? Tá lá no youtube:
http://br.youtube.com/watch?v=91fEMnFw0Ts
Outubro 18th, 2008 at 4:20 pm
Fernando Salem!
inspiradíssimas suas “colocações”!
tenho um amiga que tinha mania de inventar novas palavras no meio das conversas . de tanto fazer todo mundo percebia que ela fazia com o maior descaramento. e muitas acabavam pegando.
ela, comentaria assim:
inspiradíssimas suas “ponhações!
sempre aprecio “ouvir” homens falando sobre “gestação”, por exemplo. gosto da apropriação dessa palavra por eles, e a expansão pra muitas esferas e ocasiões. é como precisar ir muito a fundo para se apropriar de algo que aparentemente seria mais natural a outro gênero. acho que muitas mulheres não sabem mais “gestar” com naturalidade.
exercícios de linguagem, e contexto.
“e caetano põe a voz”
Outubro 18th, 2008 at 5:20 pm
Heloisa,
não chamo “o jeito de não conjugar os verbos pronominais da forma correta” de cômico, embora o pudesse chamar de peculiar. O que eu disse foi que essa onda é curiosa. O erre retroflexo (”líqüido”) é que eu disse que é visto pelos brasileiros que não o empregam como cômico etc. Não era expressão da minha opinião. Observe que você é que qualificou de “correta” a conjugação promnominal dos verbos reflexivos. Eu nem isso fiz. De minha parte, adoro o inglês dos negros americanos e já encontrei meinas no interior de São Paulo que me fizeram amar o erre líquido (na canção “A Outra Banda da Terra” eu o uso de forma ostensiva e carinhosa). Claro que sei que em BH riem dos caipiras. Normal. Na Bahia também se ri dos tabaréus. Desde nem lembro quando que não me identifico com quem ri muito facilmente de diferenças. E “onda” é coisa que se forma, se desenha e se desencadeia, como as mudanças históricas. Por que deveria eu apoiar a arrogante discriminação dos professores de gramática que se tornam populares?
Outubro 18th, 2008 at 5:37 pm
´Oi Caetano. Tô gostando de tudo por aqui.Gostei do poema em espanhol, e de vários outros comentários. Uns anos atrás fui gravado sob a direção de Alvinho Guimarães, para um programa de TV dele , dedicado ao ICBA nos anos militares. Foi a última vez que o vi.
É sempre luminoso ler seu blog.Aqui em Salvador , a minha opinião é votar contra Geddel. Acêeminho aderiu a ele , como não poderia deixar de ser. Queria mesmo era poder votar em Gabeira.
Outubro 18th, 2008 at 5:41 pm
Caetano o que mais admiro em uma pessoa é a capacidade de manter a sua mente aberta. Posições, opiniões, situações, são mutáveis, os princípios é que são fundamentais, pois nos fornecem as bases para avaliar e a grandeza de coompreender. A sua música é isso! Na sua voz cabem muitas melodias e muitas emoções, por isso vc é único, por isso sua irmã sentirá sua falta hoje! Como fã gostaria de ouvir algumas coisas que ficariam lindas na sua voz como poso sugerí-las? Apesar do importante momento político do país, meu voto vai para vc que é “totalmente demais”
Outubro 18th, 2008 at 5:59 pm
Pois é, Caetano, aqui em A TARDE gostaríamos de poder ter dado material melhor e mais extenso sobre a vida de Alvinho, já que sobre a obra pouco de publicável ficou (”Caveira, my friend”, e algumas entrevistas da década de 80, muito boas de se ler, como tive oportunidade por conta da morte dele). Lembro de gente que não acreditava muito nas histórias que ele contava sobre o contato com você e Bethânia, como se fosse coisa olímpica ter estado com os dois num momento em que eram, ambos (os três, na verdade), apenas jovens cheios de idéias numa Salvador ainda prenhe de tudo que viria depois… Foi bom ler seu depoimento, ele teria orgulho do respeito que você dedicou a ele. Abraço.
Outubro 18th, 2008 at 6:08 pm
Sor.ria ! No quería dejar de escribirte sobre el Amor. El amor!!. Qué miedo, sí, y más cuando se torna un Amo. Voce sabe que existe una maldición árabe de la que no se puede escapar? Yo me crucé una vez con um menino do Rio (de la Plata) y al no sucumbirme a sus encantos me miró fijo y me gritó (como nunca nadie me había gritado en mi vida) con toda la fuerza y con todo el despecho.
OJALA QUE TE ENAMORES!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Siempre inocente!! Pensé que o menino estaba maluco pero que era un Nature Boy que me deseaba paz y amor. Puxa vida! Luego lo entendí: dónde está la palabra “paz” en un “ojalá que te enamores”??!! Pasaron unos día y comprendí que el muy mal parido (por no decir el re-mil hijo de puta) me había sentenciado a vagar por esta vida buscando un estado de enamoramiento constante. Pero seguí leyendo sor-risa!!!!! Esto no termina acá. Un día (muy cercano a la maldición) soñé a una gitana que me revelaba cuál era la medicina para romper las cadenas con el “ojalá que te enamores”. Ela falou em español porteño: Piba, la posta es esta: “Tenés que enamorar”. Punto, nada más me dijo. Pois eso no me ayudó en nada! La malinterpreté y empecé a enamorar a cualquiera, sin hacer discriminación. Era tal mi des-esperación que hasta a los perros vagabundos trataba de enamorar: Se me cruzaba un perrito y ahí yo estaba tratando de enamorarlo. Y encima pensé que cuantas más personas enamorara, más rápido se iría la maldición. Un día entré en un cafetín de Buenos Aires… de esos donde aún reina el machismo porteño y se ven escasas mujeres. Claro, enamorar a un machista, qué fácil! Caen como mosquitas los pobres! Le conté mi penar al que resultó ser el nieto del escritor del tango “Amurado”. Me cantó la canción bajito… y ahí entendí: Su abuelo también había sido sentenciado.
AY EL “AMOR”!! Seguiré intentando des-maldecirme. Si en el camino dejo a alguien “amurado” pois que me desculpe… soy solo una maldita tratando de volver reversible lo irreversible…. con mi amiga la ilusión. Y, lo más importante, con intensiones amorosas.
PD: Cuando buscás la cura para esta terrible maldición, no hay nada peor que toparse con la Histeria Masculina… Son engañosos demais porque no saben que ellos también están malditos. BEWARE MY LOVE!
AMURADO
Campaneo a mi catrera y la encuentro desolada.
Sólo tengo de recuerdo el cuadrito que está ahí,
pilchas viejas, una flores y mi alma atormentada…
Eso es todo lo que queda desde que se fue de aquí.
Una tarde más tristona que la pena que me aqueja
arregló su bagayito y amurado me dejó.
No le dije una palabra, ni un reproche, ni una queja…
La miré que se alejaba y pensé:
¡Todo acabó!
¡Si me viera! ¡Estoy tan viejo!
¡Tengo blanca la cabeza!
¿Será acaso la tristeza
de mi negra soledad?
Debe ser, porque me cruzan
tan fuleros berretines
que voy por los cafetines
a buscar felicidad.
Bulincito que conoces mis amargas desventuras,
no te extrañe que hable solo. ¡Que es tan grande mi dolor!
Si me faltan sus caricias, sus consuelos, sus ternuras,
¿qué me quedará a mis años, si mi vida está en su amor?
¡Cuántas noches voy vagando angustiado, silencioso
recordando mi pasado, con mi amiga la ilusión!…
Voy en curda… No lo niego que será muy vergonzoso,
¡pero llevo más en curda a mi pobre corazón!
Outubro 18th, 2008 at 6:15 pm
Oi Exequiela,
espero que vc nao tenha acreditado naquela brincadeira!!! Eu ando jogando futebol, vc sabe aqui no Brasil driblar é uma febre!
Eu gostei mesmo de ter meus coments, que nao diziam nada de fora do contexto bloqueados!!!!
Gesto de posicionamento macho, sem ser machista. Adorei a DITA-DURA! Me senti protegida e prestigiada!
Sou alguém leve de alma, pois nao nego aquilo que me atinge como verdade. Também nao quer dizer que nao possa ir à um “inferninho”, convenhamos comer o prato predileto todo dia faz mal à saude!!! Eh uma questao de balanceamento alimentar!
Eh muito triste sua a poesia, porém é bonita. A vida nao é e nem deve ser perfeita. As coisas sao da maneira que devem ser.
Ainda bem que tenho desprendimento do orgulho burguês, senao estaria arruinada!
Estou muito feliz por estar te escrevendo!
Agora a noite estah caindo, a bruma e maresia deixando as janelas cada vez mais embaçadas estah tudo tao lindo!
Obrigada pelo carinho!
Os homens às vezes sao tao duros que nem eles mesmos aguentam, e ai começam a chorar. Eu é que nao queria ter a responsabilidade de manter a DUREZA permanente.
Aai, eu me identifiiico com os hoomens e béem é poor iiso que soou assiim viadiiinha, eu queria ter um paaau soooh prah me vestir de mulher, seria um triunfo!
beijos
à todos e um especial à vc Exequiela!
Outubro 18th, 2008 at 6:28 pm
Caetano,
Para começar, meu erre não é ‘líqüido’, adjetivo que só mesmo um poeta poderia usar para retroflexo. Cresci e passei a maior parte da minha vida em Belo Horizonte, e só quando vim morar no sul passei a ouvir esse erre com freqüencia. E preciso confessar: só algum tempo depois acabei com o meu preconceito (sim, surpreendentemente, as pessoas de Belo Horizonte também desdenham o falar dos interioranos). Minha saída da capital acabou por me deixar sem um ponto de referência fixo: meio suspensa no ar, observando a forma como se relacionam mineiros e outros brasileiros. A relativa distância e o contato com a lingüística clarearam quase tudo o que antes eu não entendia, ou não queria ver. Os lingüistas podem soar ridículos em algumas coisas (eu até já reclamei do Marcos Bagno aqui), mas para mim o essencial neles, o que não pode passar em branco é seu esforço para mostrar o preconceito língüístico. Você, ao comentar o jeito mineiro de não conjugar os verbos pronominais da forma correta, desdenhosamente chama de onda curiosa, cômica e peculiar. Não é uma onda, Caetano. Onda é o que se inventa em determinada época, é temporária, não tem história. Nossa fala é assim naturalmente, historicamente. É a língua que minha mãe fala, porque foi assim que ela aprendeu com seus pais e seus avós, que aprenderam com uma mistura de raças que se estabeleceu em Minas. Culpa de quem? O carioca tem culpa de falar o ‘x’ que irrita tanta gente? E o paulista tem culpa de falar o ‘deintro’ que muitos ouvidos não suportam? É claro que eu entendo porque essas falas não são discriminadas, além de representarem as cidades principais: é porque os falantes aparentemente não cometem nenhum erro gramatical gritante, nem falam o ‘pavoroso’ erre retroflexo. Nordestinos são um caso à parte, infelizmente, já que o preconceito envolve muito mais do que só a linguagem. E você , como baiano, assume uma atitude contraditória (que novidade!) ao lamentar o preconceito contra seu povo e seus vizinhos, enquanto alimenta o mesmo preconceito contra os mineiros.
Você me vê ilhada pelas alterosas – engano seu. Na terceira margem do rio eu aprendi que posso amar minhas montanhas e a fala rica dos povoados, o mar da Bahia e a fala de sua gente, Nova York e todas as línguas do mundo. Democratizei meus ouvidos a ponto de ouvir com gosto a fala de qualquer brasileiro, europeu, americano, britânico…só ainda não gosto muito do inglês dos pretos americanos, mas um dia chego lá.
Eduardo, concordo que fomos meio incoerentes: às vezes precisamos deixar um pouco de lado a tietagem e colocar Caetano contra a parede sim. Agora, quanto a não exigir demais dele, já não concordo. Exijo sim, porque ele agüenta a pressão.
Nelson, obrigada pelas músicas lindas. Você tem razão, há algo indefinível de Minas em Keith Jarret mesmo. E eu adoro as suas risadas!
Exequiela, Helena e Rosana: Obrigada por me citarem com tanto carinho. Exequiela, também não entendi e não concordei com aquele comment sobre você. Beijos.
Miram: Você só pode ser uma pessoa linda, para falar de outra com tanta generosidade. Só por isso, tentarei ser mais solar agora.
Nina: Sempre que ouço ‘Sou você’, tenho que segurar o choro. A letra tem algo de solar, mas a melodia evoca algo dilacerante que – ninguém se engane - está logo ali, à espera.
Outubro 18th, 2008 at 6:31 pm
Caetano,
sobre sotaques, me fez pensar algumas coisas. Toda vez que gozam do mineiro é com um sotaque que não é o meu. Claro que não é algo de se ficar puto, você têm razão, “baiano” e “paraíba” podem ser ofensas aqui também. Mas engraçado, quando ouço “paraíba” aqui, só pode ser ofensa, “baiano” pode ser ofensa ou identificação do sujeito pelo sotaque (conheço dois lavadores de carro chamados de “baiano” porque falam “mainha”). Em Minas há vários sotaques, o tipo ideal das caricaturas me parece ser sempre um caipira esperto na sua inocência. Acredito que na Bahia também devem ser vários “baianos”, gostaria que falasse sobre isso.
Vou muito ao norte de Minas. Em Araçuaí, por exemplo, tem um sotaque curioso, lembra mais o baiano do que o mineiro mas não é nehum dos dois. No segundo turno em BH está acontecendo uma coisa no mínimo interessante, que é uma marcação de diferenças em torno dos jeitos de falar. Aquela coisa, BH é uma cidade (ainda) nova, com muita gente dos interiores do estado. O candidato do PMDB, Leonardo Quintão, exagera o sotaque da capital, “geeente, tiô te falá um negócio…”, ele é do tipo vizinho e amigo do eleitor. O outro, da aliança (frouxa) Aécio-Pimentel, Márcio Lacerda, é do sul de Minas, tenta mas não consegue esconder o erre, e acaba representando o tipo empresário de sucesso.
Abraço,
Lucas
Outubro 18th, 2008 at 7:04 pm
Pablo,
adorei Suplicy 2010… Somos sonhadores! Sonhemos então!
Outubro 18th, 2008 at 7:33 pm
o psdb sempre carregou o estigma da aliança com o pfl, essa aliança derrotou as esquerdas ( e as direitas) e chegou. o pt veio depois e suplantou essa aliança num arco com os nanicos, pagou por isso e teve que aturar o mensalão. agora em são paulo a gente vê marta tendo que superar um prefeito biônico vindo das colunas malufistas, esse é São Paulo! quando a marta pergunta por quem é esse homem, o pau quebra e novas insinuações rasteiras tomam uma importância imprevisível. mas o gajo foi herói e limpou as ruas das placas e da sujeira visual. Como é fácil ganhar votos, porque não aprendem? novamente o psdb se arruma pra ganhar, dessa vez com o candidato deles o que de certa forma já é uma derrota. mas Sampa é Sampa e o poeta já disse tudo…o que virá? Caetano tocou no ponto quando se referiu a resposta do candidato a pergunta indiscreta sobre preferência sexual. O candidato mentiu ou foi verdadeiro? Nos EUA ele estaria frito se mentisse, nós por aqui aceitamos de tudo, às vezes… garantir ao psdbpfl a hegemonia em são paulo com vistas a sucessão presidencial ou seguir com o pt dando mole pra marta. que mulher corajosa essa…topar uma parada dessa a essa altura do campeonato…em são paulo se trava o duelo brasileiro, aqui é província.
Outubro 18th, 2008 at 8:27 pm
Helô,
sabia que uma parrte de minha familia é do sur de Minas! Eh verrdade!
” nao mi imporrta qu’a porrteirra esteja aberrta porrta mesmo é serr feliz! ”
Adorro essa parrte de minha familia, que nunca vejo, que sao “bicho do mato” que nunca vao prrah capitarr! Eh que andarr de carro enjôa!!!
Sao as pessoas mais maravilhosas e educadas que conheço! E eles se subestimam, tem verrgonha do gracioso e exagerrado sotaque!!!
Caetano fala numa musica “eh tao bom tocar um instrumento”. Eu digo “eh tao bom terr o corraçao mineiro!”
Eh sério o coraçao mineiro(do sul, que eu conheço) tem uma pureza, que os deixa propensos a serem mais para reservados e desconfiados. No meu caso a pureza dah efeito contrario!!!!!
bjao
Outubro 18th, 2008 at 8:37 pm
Prezado Caetano,
Esta semana perdemos um amigo em comum, nosso Álvinho, Álvaro Guimarães, encontrado morto no Arraial d’Ajuda. Perdemos um grande nome, alguém que junto com tantos outros baianos tá fazendo falta. Sou também do recôncavo e parece que lá nos apegamos mais as pessoas, as lágrimas caem mais facilmente. Prezado comente algo sobre alvinho, ele merece.
Outubro 18th, 2008 at 8:41 pm
Caetano,
Venho acompanhando seu blog há algum tempo. Parabéns. Ainda não tinha deixado comentários, mas esta postagem sua me comoveu muito, ao ler sua homenagem, mais do que justa, a Álvaro Guimarães.
Ele representa aquela Bahia que apontava para um futuro e que naufragou no provincianismo, na ditadura, na violenta centralização Rio-São Paulo que continua “roubando” nossos talentos.
Tenho um carinho enorme por Alvinho, e queria aproveitar para registrar aqui o falecimento de Nilda Spencer, outra representante dessa Bahia que podia dar certo enquanto centro (central, mesmo) da arte brasileira.
Cheguei a pensar em escrever uma postagem no blog do meu grupo, http://www.teatronu.com, falando sobre sua música “a cor amarela”, mas você disse parte do que eu queria. É música axé, é pagode, é “a cor do som”, é uma justa homenagem à música de festa autêntica da Bahia, que a imprensa tenta diminuir, enquanto exalta enlatados de menor qualidade vindos de fora ou nascidos no “sul-maravilha”.
Aproveito para fazer uma pergunta: você pretende gravar “o pé da roseira”? Vale a pena buscar nas ostras do passado as pérolas esquecidas…
grande abraço,
Gil Vicente Tavares
Outubro 18th, 2008 at 9:59 pm
Eu admiro e gosto do Suplicy:”contado” ou escrito. Não vou dizer calado porque é judiação. Mas a voz dele, o jeito dele falar me dá uma certa agonia, quase uma angústia. Tenho a impressão que há sempre uma palavra “pregada” na garganta dele, como se estivesse mesmo engasgado.
Ah! se todos pudessem falar como Caetano, Darcy Ribeiro ou Ariano Suasuna. Adoro essas vozes, a de Darcy, adorava. E tenho o costume de ler esses três com as vozes deles na minha cabeça. É engraçado, não sei como explicar a vocês.
E até por isso tenho vontade de saber como seria as vozes de Heloísa (já disse que não é dos “erres”, de Nelson, e outras muitas pessoas que tenho gostado de ler por aqui.
Apreciei muito também o “líquido” que Caetano usou pra ilustrar os erres dos mineiros. Erres que eu também não tenho, nunca tive. Por que isso de achar que os mineiros falam com esses erres? Por aqui onde moro o que usamos, ou deixamos de usar, são os finais das palavras, e também usamos demasiadamente os diminutivos; é um tal de: “pititim”, “imaginá”, “fazenu”, e pararáss… Creio que Heloísa fez referência a esse sotoque mimeiro - posso estar enganada. E os belo-horizontinos, com raras exceções, têm mesmo um jeito torto de olhar pra gente que fala assim.
Nem ligo, “achu tão bunitim o jeitu deu falá”
Outubro 18th, 2008 at 10:18 pm
Pessoal, vocês leram o texto de Contardo Calligaris na Folha esta semana? Ele fez uma crítica muito interessante sobre as campanhas de Marta e McCain, mostrando como ambas jogam com fatos não confirmados para confundir a cabeça do eleitor. Só que hoje alguém escreveu para a Folha comentando a hipocrisia do cronista, que há dois meses disse na revista ‘Imprensa ‘ que concordava com a lógica de expor a vida privada do candidato em campanhas eleitorais. A réplica foi sensacional: ‘Claro, no meu mundo ideal, não haveria nada a esconder, mesmo; a ponto que as opções seriam indiferentes. Agora, a campanha de Marta agiu contando com o fato de que estamos em outro mundo, em que a sexualidade poderia ser fonte de vergonha e descrédito. Isso, sim, é vergonhoso.’ Grande Calligaris!
Caro Caetano, que parece estar muito bravo comigo: Foi daqui que eu tirei a idéia: ‘Fiquei maravilhado com a afirmação de que a língua é viva e mutante na práxis dos falantes: a língua é falada, a escrita seria apenas uma notação convencionada a posteriori, como as pautas musicais.’ Não fui a única a estranhar esse comentário seu, já que ele foi citado no blog de Sírio Possenti – para quem não conhece, é um dos lingüistas brasileiros mais respeitados, professor da Unicamp e autor de vários livros. Ele disseca seu post ‘Lingüistas’ de maneira meio desagradável, mas acho que você deve dar uma olhada. Pelo menos ele não fala só do Pasquale o tempo todo. Só que, ao copiar sua frase para colar aqui, prestei atenção às frases anteriores e vi que cometi um erro fatal: você falava sobre seus primeiros contatos com a lingüística, e não sobre sensações atuais. Possenti e eu nos enganamos – de minha parte, peço desculpas pelo descuido. So sorry! And please, don’t be angry with me, my bittersweet real diamond…
Outubro 18th, 2008 at 10:41 pm
Oi Nina, cê tah atrapalhada mesmo!!! No coment 38. faltou um H no LINA !!!
Soh tô falando pq. vc. parece estar preocupada, pq. meus coments tem mais erros de português do que qquer outro e eu fico sempre esperando que ninguém tenha percebido! Tenho mil desculpas para escrever mal o português e vou fazendo feio ao invés de me preocupar em escrever direito minha primeira referência lingüistica!
Falando nisso a lingua falada (tanto os sons como a construçao lingüistica) à meu ver nao é outra coisa além de afeto!
Outubro 18th, 2008 at 10:56 pm
Heloisa, que lindo seu comentário sobre a música “sou você”… Eu sempre costumo dizer que ela pusa entre o passado e o futuro e nos encanta/arebata no presente… Mas sua síntese é maravilhosa… A primeira vez que ouvi foi no cinema… Acabou o filme e ela foi prá casa comigo… Nunca mais me deixou, rs! Alás, como as músicas do Caetano… Lembro que ouvi Alegria Alegria quando ainda era uma garotinha e fiquei fascinada… Era uma festa… O sol de quase dezembro… Meu aniversário… “Eu nunca mais fui a escola”… As férias davam em novembro… Nos meus doces sonhos de menina, achei que essa música tinha sido feita prá mim…Rsrs! Decididamente prá mim Alegria Alegria tem gosto de novembro, de bolo, da doce espera do Natal, das festas de fim de ano e do veraneio… Tem a leveza da alegria mesmo!
Beijos em você, no Caetano e na turma muito antenada desse blog… Fico fascinada com os comentários… Como tenho “natureza contemplativa”(Cazuza disse isso uma vez e eu já me apropiei, rs!) me deleito!
Outubro 18th, 2008 at 11:06 pm
eu fico impressionado: Caetano tá gravando e ainda tem tempo para escrever os posts, ler os comentários e ainda e responder com atenção ao quem lhe chama a atenção (tanto os impertinentes quanto os gotejantes). Caetano, ainda que discordando de você, saiba que eu te adoro.
Outubro 18th, 2008 at 11:07 pm
por favor, leiam o pulca ai em cima com um “l” no meio e o arrebata com 2 eres… Beijos!
Outubro 18th, 2008 at 11:10 pm
vixe quantos erros em meu comment! é o que dar ficar copidescando demais…
Outubro 18th, 2008 at 11:34 pm
deixa a língua me levar…
Outubro 18th, 2008 at 11:36 pm
Agora não posso mais acompanhar o blog só pelo reader (sabe o que é reader, Caetano?), porque estou perdendo uma parte muito saborosa, dinâmica e espontânea: os comentários.
Tive de voltar atrás só pra entender a discussão dos ditongos, de Bagno (quem já li, entrevistei e achei um arrogante de marca maior apesar de tanto blablablá). Divirto-me com o bate-papo na cozinha e saboreio pão-de-queijo e cafézim, vatapá e bichim, alfajores y dulce de leche! E eu, apesar de morar no estrangeiro, fico com olhos d’água: sô e só de sodade.
Adorei o comentário de Salem!
Um beijo, Patrícia
Outubro 19th, 2008 at 12:04 am
Heloisa,
Devo te confidenciar sempre achei Minas absolutamente indecifrável pra mim(um “cariócá” meio arredio pros padrões locais “cariócás” até mesmo devo sinalizar pros padrões linguisticos “cariócás” com erré “gutural”, adorei adjetivar o modo de falar o que em si mesmo me parece ingenuo e preconceituoso de per si já que não raro me perguntam de onde é meu sotaque rsrsrsrsrsr hehhehehe), que ama o mar e mora perto dele mas que sempre teve para com ele uma relação de espaço a ser admirado e não exatamente “DEGLUTIDO”este sim um estado de espirito carioca genuino do tipo choveu e não deu praia neguinho fica de péssimo humor e acha que está frio na cidade o que é hilario.
Este meu jeito sempre me aproximou da zona norte da cidade sem pertencer de fato e de direito á zona norte no sentido da apropriação genuina de sua cultura e de seu modo de viver.
Até entender minimamente a beleza de milton(demorei cerca de 15 anos pra processar a beleza e o misterio mineiro dele cantar, confesso achava milton um porre)lô borges, toninho horta,uakti e que tais, as lembranças quando criança de temporadas em regiões de agua mineral(são lourenço e caxambu),de carro pelas montanhas e pelo pasto a traduzir um mundo calmo e seguro,o céu mineiro que é um céu diferente do céu da bahia, enfim até entender que minas é o mistério do brasil ou em certo sentido minas é o japão do brasil, e sua gente tem um jeito de ser peculiar e complexo lá se vão meus 32 anos.
o que quero te dizer é que esta discussão com caetano ,que ainda vai terminar em pão de queijo e doce de leite da vovó ou em compota de abóbora com bolo de milho e café passado em coador de pano sobre a mesa grande da fazenda, é que caetano e nem eu e talvez ninguém do brasil a não ser os próprios mineiros são capazes de entender a complexidade simplicidade de ser mineiro, que hoje pra mim em termos de cultura me parece o japão brasileiro temos exemplos na(moda,musica,gastronomia,comportamento e artes plasticas que comprovam o que disse).
enfim tudo isso é pra te dizer kkkkkkkkk, hehehehehe, rsrsrsrsrs, hihihihihihih, que vc
é doce e firme, intensa e calma(ponderada),estelar e chão de terra batido,contemporanea pacas e interiorana,desconfiada-confiada, arredia e solar como a musica de miltom onde o sol reside na alma e transborda pelo céu estrelado por entre as montanhas e discos voadores.
abraços nelson
trilha sonora do dia:
http://br.youtube.com/watch?v=fmjULeODgqc
agora me explica uma coisa: eu que nada entendo de linguistica e que ja fui da “academia”, não a de ginástica e que preciso da musica pra viver ,herança de meu pai que colocava musica classica enquanto eu ainda estava na barriga da minha mãe,
Outubro 19th, 2008 at 12:12 am
Caetano poderia regravar, apenas para adequar-se à norma culta, apregoada pelo Prof. Pasquale, duas de suas músicas, Odara: “Deixe-me cantar/Para meu corpo ficar Odara” e Gema: “Deixe-me ver/Pedra clarão na floresta/Gema do olho na fresta”…
Outubro 19th, 2008 at 12:14 am
estou tão atrapalhada que nem consigo escrever, por favor, ponha um L NO PUSA, 1ª linha e 2 erres no arrebata na 2ª lina, por favor, não deixe esse comentário e o outro que postei sairem assim…Obrigada!
Outubro 19th, 2008 at 12:56 am
Caetano,
O jornal que Pedro José Ferreira da Silva, o incrível Glauco Mattoso, escrevia no final dos anos 70 era o “Jornal Dobrabil”, uma espécie daqueles antigos “zines”, que vinha todo dobrado, por isso o nome e também uma brincadeira com o Jornal do Brasil. Mais trocadilhos na vida de Glauco, além do seu nome artístico-poético-patogênico.
Deve ter sido este jornal que Augusto de Campos te passou. Eu tenho uma edição, ganhei do próprio, além de alguns livros que ele me mandou também pelo correio, como “LImeiriques e Outros Debiques Glauquianos”, hai-cais ( é assim mesmo que se escreve??) porno-escatológicos onde ele homenageia o também genial “poeta do absurdo”, o “Zé Limeira”.Essas coisas dele estão na minha “bisbilhoteca”.
Eu era um “aborrecente” em 1990 e tinha uma banda de punk-rock, e de sopetão enviei ao Glauco ( conhecido e cultuado entre os punks da época em Sampa) uma edição grotesca do meu opúsculo “Busílis”. Para minha surpresa ele curtiu, principalmente meu “Poema Bucólico”;
com tua merda
preparei os campos,
futuras primaveras
nascerão com teu perfume..
Troquei cartas, livros e telefonemas com Glauco Mattoso até mais ou menos 97, 98, quando seus problemas com a visão pioraram e ele ficou cego. Certa noite, ele me disse ao telefone…”cara, punk é sonhar que estou enxergando e acordar cego, blindado”.
Eu fiquei triste e chorei por ele, pelo meu ídolo juvenil ( até hoje é ), cego, como Homero.
Então ele se mudou e gentilmente me enviou seu novo endereço em Sampa e seu novo telefone, mas eu estava na assessoria de imprensa do Sesc, correndo pra lá e pra cá e perdi o contato. Sorry. Depois, eu fui pra Sardenha e fiquei empalhado lá, longe do Brasil.
Ele me conhecia como Marcelo Théo - já que meu nome é uma saga; “Marcelo Henrique Théo Borges Monteiro”…e meu apelido sempre foi Teteco e “dos Anjos” é uma homenagem ao Augusto dos Anjos.
Mas fico sempre comovido ao falar de Glauco Mattoso…o guru que me deu a dica para conhecer e gostar também de Caetano e, consequentemente, de música brasileira, acordes dissonantes etc, além de todo “barulho” que eu e meus amiguinhos curtíamos. Ele me falou da “antropofagia oswaldiana” e eu saquei que, no mundo, tudo se mistura, se entrelaça.
E eu acho irado que você fale dele e goste das coisas dele. O seu livro “Centopéia”, com cem sonetos.. não escritos, mas ditados (ele já estava cego) é uma porrada. Glauco é punk!!! Ah..cumpra sua “promessa” e fale mais dele. Grazie mille.
Outubro 19th, 2008 at 1:16 am
Marcio Junqueira, a sua indignação quanto à patrulha sofrida por Glauco Mattoso, depois da ficar completamente cego, ao optar pela forma poética do soneto, preconceituosamente vista pela vanguardeiros só como fôrma fixa, casa-se inteirmente com as sacadas de Antonio Cicero que li numa entrevista.
Na entrevista sobre A Cidade e os Livros, até onde eu saiba sua segunda e última coletânea de poemas publicada até aqui, Cícero, sem desmerecer o valor histórico e estético das vanguardas, no entanto desmistifica algumas de suas caras ‘verdades’, a exemplo da proclamação da “morte do soneto”. Ele fala da importância das vanguardas em relativizar as formas tradicionais - destronandas de seu lugar de herdeiras de uma natureza que fosse intrínseca à poesia passando a ser compreendidas como filhas de uma convenção.
Só que apos desfetichizar tais formas tradicionais, as vanguardas intentaram inverter o fetiche, passando a tomar as novas formas como as únicas artisticamente admissíveis.
Para Cícero, a descoberta vanguardística de que nenhuma forma é essencial à poseia não pode ter como corolário que qualquer nova forma, por mais alta ou original que seja a sua taxa de novidade, se torne a forma cabal e última de toda a poesia futura.
O soneto foi sempre igual? Conquanto mantenha sua forma na exterioridade sempre reconhecível ao longo dos tempos - claro que não! Embora na entrevista não se atenha à transformação que a forma sofreu entre, por exemplo, seus dois grandes marcos, Petrarca e Shakespeare, Cícero repõe a questão ao relatar que, em sua própria criação poética, tende por explorar também sonetos, mas de modo experimental, desnaturando-os sem conspucar-lhes a forma.
Eis o link pra entrevista completa com as sacações de Cícero:
http://www2.uol.com.br/antoniocicero/storm.html
Penso que Glauco se valha do soneto como todo sonetista, como recurso ambivalente: espécie de fôrma-dique para conter a expressão - que ao contrário redundaria diluviana, se sua linguagem poética não tivesse comportas, e - aguçado pela cegueira - como forma generativa, isto é, que facilite a composição ou a criação poética, posto que estrutura formal facilmente retida na mente, mas que admite um show de performances.
Um viva a todas as formas, a todos os meios, que, mesmo tradicionais, possam se refazer ou reinventar experimentalmente!
Vamos conferir isso no próprio espaço de Glauco:
http://glaucomattoso.sites.uol.com.br/index5.html
p.s.: Ao comentar isso, não posso me esquecer da perda que a perda da visão representou para João Cabral, acelerando a sua partida. Próximo ao fim da vida, repentinamente ficou cego. Como somente concebia a poesia, a verbal que unicamente praticou, através de seu suporte visual, o papel, já que não tinha maior apreço pela organização do poema com ênfase no suporte sonoro, embora fosse o nosso maior craque moderno no emprego das rimas assonantes e de formas poéticas que beiravam mas transtornavam formas populares, a exemplo da redondilha, não pôde concluir, na escuridão que enoiteceu nosso poeta solar, sua última obra, o poema dramático A Casa de Farinha - que prometia perpassar toda a história desse alimento nordestino com uma elocução bem diversa da que nos acostumara com as palhas dos canaviais.
Outubro 19th, 2008 at 2:46 am
Olá! Adorei seu blog e principalmente as lindas palavras ao se referir ao Alvinho. Ele tinha muita admiração e respetito por você e por sua familia. Tive o prazer em conhecer aquele incrivel homem ao graver em 2006 um vídeo documentário e depois deste vídeo estavamos sempre em contato. Ele falou muito de você e sempre com muito carinho. Além do material editado, tenho ainda todo o material bruto que gravamos com ele e se tiver uma oportunidade gostaria de envir uma copia para vc.
Tenha certeza que Alvinho esta muito feliz com sua lembrança e palavras.
Abraços
Outubro 19th, 2008 at 3:19 am
Oi Caetano, passei por aqui prá dizer que sonhei com você! Te encontrava numa festa … era uma emoção imensa, e eu falava pra mim mesma: agora vou ter de falar pra ele! Não vai ter jeito! E dei um jeito de falar com você… Tudo já está revelado. A maldade, a Salvação, o sentido da nossa vida na terra … tudo. Só precisa haver a popularização desse conhecimento. Escute quem quiser escutar, acredite quem quiser acreditar. Para quem quiser ouvir, dá trabalho e requer coragem, mta coragem. Mas é o único caminho. Se fizer sentido, me responda. Do contrário, se achar que se trata de um devaneio ou se não tiver falando nenhuma novidade, deixe prá lá… Abs…com carinho.
Outubro 19th, 2008 at 3:50 am
Joana e Patrícia
Confesso que fiquei gotejante com os elogios. Essa história de homem falando sobre gestação é algo não tinha pensado antes.
Acho a letra de “Grávida” escrita pelo meu querido amigo Arnaldo Antunes pra inspiradíssima melodia da Marina Lima uma obra-prima.
Quando eu era adolescente tinha uma cisma com essa história de que era bacana homem ser sensível, externar sentimentos e outras chatices da época. Por outro lado, sempre me dei melhor com as mulheres do que com os homens, não apenas sexualmente, mas também nas conversa jogadas fora e dentro.
E quando minha mulher ficou grávida eu tive todos aqueles piripaques e desejos contra a minha vontade íntima. Também passei a sentir os sintomas de gestação antes de escrever textos e compor canções modestas.
Elogios de garotas são um grande gesto. Gestação aí parece um aumentativo.
Valeu.
Outubro 19th, 2008 at 5:13 am
Caetano querido:
“Hoje choro com saudade dele e com fascínio diante do mistério das amizades que desenham a vida da gente”. (Me gustó ésta tu frase).
Una emoción que, “infelizmente”, yo también conozco.(me refiero a chorar com saudades).
Es muy curioso y como tu bién dices “misterioso”el don de la amistad. Pasa aquello de, “antes de que nos hubiéramos visto ya nos buscábamos, y lo que oíamos decir el uno del otro producía en nuestras almas mucha mayor impresión de la que se advierte en las amistades ordinarias, y creo que ello fue así por alguna disposición celestial: a mí me sucedió en un encuentro casual, nos sentimos tan afín uno con otro, tan cercanos, que de en más nada pudo resultarnos más entrañable a cada uno que el otro”. Tu para mi eres desde siempre mi “amigo”; porque ya lo pensó Aristóteles, creyo que nadie llega a conocerse si no cuenta con un amigo en cuyo juicio pueda verse reflejado. Claro que luego fue contradictorio, al concebir al amigo como “una especie de segundo yo”. Siendo así ya no se perfilaría como tan otro y , en consecuencia, ya no podría asegurarse que la contemplación no constituiría una forma solapada de este autoconocimiento. Sabes? me gusta pensar que un “amigo” es mi alma y la del otro en uno”. (Mitad del alma mía). Caetano meu!. Dá para muchísimo más esto de filosofar…ves? nos sinceramos con otro buscando hacerlo con nosotros , pero por qué te digo esto?, porque el que ese otro sea capaz de convocarnos a semejante práctica de semejante ejercicio de “transparencia” es virtud sólo suya y de ningún modo nuestra.
(Eu sei que você me entende!).
Reconozco que se siente por el trato inteligente. En esa conjunción infrecuente de ternura y lucidez que distingue siempre a los espíritus notables y que hace de él un espíritu cordial. Suyo es el acierto de la pregunta oportuna, el tacto de la discreción, la aptitud para la espera, ese saber aguardar alentando la creciente cercanía de lo que importa decir y tratar; ese modo de detenerse en lo que interesa celebrando su relevancia, desplegando sus posibles sentidos, la jerarquía de un matiz, el peso de un significado que altera “súbitamente” lo que se creía comprender e impide, de ese modo, que un juicio se congele y caiga sin remedio en la fosa del prejuicio. Sí, Caetano querido,la inteligencia de un “amigo”, cuando se nos manifiesta, nos desvela, nos excita y nos deleita, dándole a nuestra vida una consistencia innovadora. Gracias por este “modus operandi” que desvelaste en mí, en esta madrugada y…en tantas que puedan venir…
Pienso ahora que la grande responsabilidad que la amistad nos impone es la de transformar en “palabras” embriones de ideas, sensaciones, sentimientos e impresiones. Enfin…así, y para ¡escándalo! de la matemática, la imposibilidad de terminar de ser uno redunda en el fruto prodigioso de ser “dos”.
Te escribo estas sinceras palabras,con el fondo musical de “Blue note Plays Bossa Nova”,donde se interpretan clásicos de la Bossa Nova,(algunos como: Joe Herdenson, Cassandra Wilson, Eliane Elias y Bobby Mcferrim y especialmente Tania Maria)que me encanta como canta!!. Por si todavía no lo tienes…te lo recomiendo,(a todos), este disco, es imperdible!!.
Bueno ya escribí demasiado; es que hoy me has inspirado el “alma”. Caetano querido,y querido… cada vez más..te mando beijos no teu coraçao. Vero.
Outubro 19th, 2008 at 5:25 am
Patrícia, que delícia seu comment!
E Júlia, que bom ler essas coisas boas sobre Alvinho. Quero ver o documentário.
Outubro 19th, 2008 at 5:57 am
Antigamente, eu postava “comment” em todo e qualquer “post” que aparecia. hoje em dia já não rola, vi que tenho de comer muito feijão pra postar igual a uns caras que pintam por aqui…Mas isso não significa que deixei de acessar o site, muito pelo contrário. E é incrível como o blog passou a fazer parte de meu dia-a-dia…. E é legal perceber que não só as intervenções de Caetano são esperadas, mas as de figurinhas frequentes também, e com ansiedade parecida.. Quando olho a “barrinha” do “obra em progresso” já na casa dos 70%, fico com pena de saber que isso tudo está próximo do fim !
abraços
Bruno
Outubro 19th, 2008 at 6:26 am
Realmente é muito bonito isso de como as amizades e influências nos colocam num outro lugar de onde iremos sempre partir em frente a nossa finitude. Aquele lugar de outrora não mais existe e o que restou é apenas a referência do novo ponto de partida.
Você, Caetano Veloso, me colocou noutro lugar. Em 87, meu pai comprou, ou gravou, uma fita k7 com as músicas do disco “Velô”, eu tinha 5 anos e morava em Fortaleza (nasci e moro em Taguatinga, Distrito Federal). Do momento em que ouvi “Língua” pra diante do meu tempo, àquele ponto em que estava antes, criança desligada do som das palavras, vou morrer sem retornar. Foi de arrepiar. E como era gostoso sentir aquele ronco rosnado da Elza Soares. Foi uma violenta atração pra dentro do som, do texto, das sílabas, da língua lapidando a brutalidade das vibrações, da linguagem. Naquela infância me lembro de gargalhar com minha irmã ouvindo meu pai ouvir você cantar “ela comeu meu coraçãozinho de galinha no xinxim, ai de mim”; eu me identificava muito com essa coisa de coração de leão, porque me chamo Ricardo, e já naquele tempo alguém deveria me chamar, brincando, “Ricardo, coração de leão”.
Hoje ouço o disco (comprei ele por R$10,00 nas Americanas, o que é uma maravilha de preço e uma delícia para quem, como eu, adora capa, encarte, caixinha, ficha técnica, letra, informação) e me emociono muito com as cores, os cheiros, o calor de Fortaleza, o som da risada de minha irmã e a cara jovem do meu pai que o disco me trás. Choro quase sempre que ouço “O homem velho”. Adoro aquela Banda Nova que te acompanhava.
Transformações pra dentro são impressionantes e esquisitas. Por pra fora assim é emocionante.
Um beijo de quem te admira,
Ricardo.
Outubro 19th, 2008 at 9:56 am
Fiquei triste com a morte de Nilda Spencer e de Alvaro Guimarães. Acho que mundo fica menos brilhante depois da morte deles.
Outubro 19th, 2008 at 10:32 am
-Exequiela, se com palavras eu pudesse esconjurar seu sortilégio…
(A seguir, condensação que há um belo tempo fiz da Carta ao Camarada Kostróv sobre a Essência do Amor, publicada na antologia Nova Poesia Russa, pela Perspectiva, em São Paulo. Ei-la, com a permissão poética de Vladímir Maiakóvski & Augusto de Campos.)
BILHETE AO COSMOS SOBRE A QUINTESSÊNCIA DO AMOR
Minha voz é de bom timbre. Tonteio como éter. Basta ouvir-me. Não me fisgam com armas sem valor. Não caio por qualquer charme. Eu fui para sempre ferido pelo amor - mal e mal posso arrastar-me. O amor não está em ferver bruscamente, nem em acender uma fogueira, mas no que há por trás das montanhas de nosso peito, e bem abaixo da selva de nossa cabeleira. Amar é ir ao fundo do cercado e, até que a noite chegue, cortar lenha com chispas no machado, e a nossa própria força pôr em xeque. O amor não é paraíso: é simplesmente o atestado de que outra vez se engrena o coração - motor enferrujado. Na terra há luzes - até o céu. No céu, estrelas a granel. Se eu não fosse poeta, seria astrônomo por certo. Minhas palavras soletram às estrelas um cometa dourado. Deixando pelo céu seu rastro, brilha a plumagem caudalosa do cometa. Oúço em meu peito até o último pulsar: o amor a ressoar. O furacão, o fogo, o mar vêm vindo furiosamente. Quem os pode domar? Você? Experimente!
-Bilhete a ser enviado, em cápsula protetora, na saída da próxima sonda interestelar… Com tais palavras. Ou com outras, mais, ou menos, sublimes. Se já não dispusermos de nossas próprias. Ou mesmo mudos. Nada importa. Onde quer que estejam as estrelas. Ainda chegaremos até elas. Se antes não atingirmos em cheio o coração de alguém.
Outubro 19th, 2008 at 1:15 pm
Oi, só para pontuar: em Minas tá rolando o movimento catrumano, em prol de reconhecer os baianeiros, ou seja, os mineiros do Norte de Minas. Os mentores são professores da Unimontes que postulam, inclusive, a proximidade cultural da Bahia. Eles querem, por exemplo, o reconhecimento da cidade de Matias Cardoso como primeira cidade fundada em Minas, via São Francisco/Bahia.
Outubro 19th, 2008 at 1:24 pm
Oi Nelson,
agradeço suas postagens de musica do dia, as duas ultimas sao simplesmente maravilhosas, até me fizeram chorar!
beijos
Ria!
Outubro 19th, 2008 at 1:26 pm
Nelson,
nao entendi porque, mas meu coment foi parar acima do seu!
Deve ser o horario de verao!
Outubro 19th, 2008 at 1:31 pm
Para que nao haja mal entendido a Cacau ali no alto que pede respostas nao sou eu. Cruz credo!
Outubro 19th, 2008 at 1:42 pm
Alguém falou que na Bahia existem vários “baianos” e é verdade. Seria interessante se Caetano falasse sobre isso. Até porque sua afirmação sobre a não nordestinidade da Bahia só se aplica, e mesmo assim de forma questionável, quando considerada apenas a Bahia do Recôncavo, a Bahia “mítica”, por assim dizer. A Bahia sertaneja, que possui uma identidade bem mais ligada à idéia de Nordeste e que só representa uma identidade baiana secundária, diferente da chamada baianidade (ainda que esta tenha em si, naturalmente, elementos sertanejos do interior baiano) - a Bahia sertaneja -, bem como outras regiões do Estado, não pode ser encaixada como uma cultura a parte (desligada do Nordeste) como comumente se faz com o Recôncavo Baiano. De todo modo o próprio Recôncavo pode ser tido, numa análise mais ampla, como Nordeste, quando se vê que a Zona da Mata pernambucana, tb de grande presença negra, ainda que muito mais ligada à cultura ibérica-sertaneja do interior do Nordeste do que o Recôncavo Baiano, é obviamente uma sub-região nordestina.
Saudações, Caetano!
Outubro 19th, 2008 at 1:59 pm
Este blog é delicioso.

Nasci no sul, vivi em Ctba até os 16 anos, depois Rio de Janeiro- Ipanema- 30 anos, agora estou em Natal. Meu ex, pai dos meus 2 filhos, é do sul de Minas, fala poblema, não consegue dizer problema
Deus meu, como somos preconceituosos! Onde vou ouço queixas sobre sotaques, comportamentos… Acabo de chegar de Paris e vi como são rígidos os franceses,intolerantes. E está cheio de gente de outros lugares lá- é preciso se abrir, senão… que merda somos, um bando de mesquinhos, agarrados ao familiar, aos pares.
Difícil conviver com pessoas com tantos pré- conceitos.
Eu gosto de vc, Caetano, por ser aberto. Eu tento.
E tb sou Gabeira desde que este existe na vida pública. Pena que agora estou aqui e não vai dar p votar nele
mas dá para colaborar, isto dá.
Marta pisou na bola, foi burra tb, agora que segure a peteca. Era ‘A sexóloga’, ‘A liberal’. Não importa qual é o objeto de desejodo outro, faz favor… estamos no século 21
Um abraço,
Laura
Outubro 19th, 2008 at 3:06 pm
continuação do post anterior:
do mesmo modo que na musica há uma diferença entre ouvir e escutar,entre duvidar e sentir, entre experimentar e se arriscar , te perguntaria se na linguistica há uma diferença entre compreender e
e se comunicar?
abraços nelson
canção do dia:
http://br.youtube.com/watch?v=PSFIWnd7_p8
a elegância de rosa passos , uma rosa brasileira
felizmente pra gente
Outubro 19th, 2008 at 4:17 pm
Poxa Caetano!Mas Minas é o estado mais fronteiriço.O norte mineiro e aquele sotaque tão abaianado.Por sinal delicioso no rumo norte o contato com aquela macieza no sotaque.Vide o montesclareano Beto Guedes.O sul tão caipira paulista.Juiz de Fora é meio nossa capital fluminense.Belô é meio centrão,meio sertão,meio tudão…Acho que a turma que você se referiu dos que riem dos caipiras é daqueles belorizontinos que emigram para Sampa achando que lá é primeiro mundo e se esquecem que Jeca Tatu nasceu mesmo foi em São Paulo.
Outubro 19th, 2008 at 5:18 pm
Roberto Joaldo, adorei seu comment relacionando as críticas à adoção do soneto por parte do glauco com as idéias do cícero sobre vanguarda. Aliás, não tinha lido a entrevista do Cícero, quando li, caí pra trás. Especialmente com essa citação: “quem tem demasiado desprezo pelo finito não chega a realidade alguma, permanece no abstrato e consome-se a si próprio”. O Cícero escreveu uma barbaridade sobre poesia sábado passado na folha. A única coisa na entrevista que me pegou e me pareceu meio que um ponto cego ali, no pensamento que ele expunha, era quando ele falava do “poema bom”. O que, diabos, vem a ser um bom poema, afinal? Me lembro vagamente de ele falar de modo breve sobre isso no finalidades sem fim, mas não tenho certeza. Carlito Azevedo, diferentemente, no forum do blog das escolhas afectivas, disse se interessar hoje não por esse critério da qualidade, mas por poéticas que se apresentem como aventuras intelectuais. O que, se bem compreendido, pode ser efetivamente mais interessante.
Outubro 19th, 2008 at 5:30 pm
Minas ter precoceitos é fantástico.Foi formada por migrantes nordestinos e bahianos.E claro os “grandes” exploradores bandeirantes paulistas.Mais negra que Minas só a Bahia.Também prefiro a divisão regional antiga BA+MG+SP+RJ+ES=LESTE.O meio-norte MA+PI então,bacana demais da conta,muito mais a vê.
Outubro 19th, 2008 at 5:35 pm
Laurene (comentário 62): ao menos em Belo Horizonte motorista mineiro não é exemplo para ninguém (e realmente não sei em que parte do país um motorista poderia ser exemplo para os demais). Então, chamar de “baianada” ou de qualquer outro nome uma falha no modo de conduzir um veículo é só uma maneira de afastar problemas que antes deveriam ser tratados dentro de casa. Ou devemos concluir que no trânsito mineiro a grande maioria dos motoristas é baiana e não mineira.
Outubro 19th, 2008 at 6:10 pm
Oi, Caetano e pessoal, que legal esse papo. Existe preconceito em Minas contra os baianos, principalmente a forma que dirigem. Um dia eu estava com uma amiga num táxi em Salvador. O motorista fez uma ultrapassagem arriscada e minha amiga reclamou: “isso que o senhor fez não é proibido?” Ele respondeu malandramente: “isso aqui, filha, é chamado americano ninja”. Nervosa, minha amiga prontamente respondeu:”pois lá em Minas a gente chama isso de baianada!”
Outubro 19th, 2008 at 6:19 pm
roberto joaldo
minha indignação se baseia muito na leitura do cicero também. agora mesmo por esses dias tenho lido o “finalidades sem fim”, que é uma linda coletanea do cicero, em que el fala sobre poesia, artes e suas ideias sobre vanguarda. as contribuições do cicero nesse terreno devem ser bem mais valorizadas. mas para além da leitura do cicero, sempre me pareceu estranho a postura de alguma pessoas que , se arvoravam, de cultivar a vanguarda e eram tão reacionarias. o texto do cicero que abre o “finalidades sem fim” é uma aula para gente pesnar essas questões.
é isso.
Outubro 19th, 2008 at 6:30 pm
salem,
sempre preferi os discos gravados “ao vivo”. tanto que meus favoritos do caetano são transa e circuladô vivo. achei interessante sua visão da coisa: a diferença de cantar e por voz. uma versão ao vivo, ainda que tecnicamente inferior, me soa melhor aos ouvidos. não que não hajam pérolas gravadas em estúdio - longe disso. mas é que como vc mesmo bem pontuou, é diferente por voz e cantar. e eu prefiro o canto.
transa foi gravado “ao vivo”, mas sem platéia - cartano cantava junto com a banda. pelo menos foi assim que li uma vez (já fiz algumas citações furadas aqui e o caetano, subliminarmente, me corrigiu - espero não estar dizendo borracha desta vez, mas minha memória me trai).
e como já disse em outra oportunidade, cassia eller acustico, pra mim, é o ultimo melhor disco do século XX.
abçs.
Outubro 19th, 2008 at 6:41 pm
Que linda sua música na trilha sonora do filme: O Romance…. me deleitei!
Outubro 19th, 2008 at 6:59 pm
É preciso diferenciar “discriminação linguística” de um costume brasileiro que considero saudável de gozar ou imitar sotaques regionais.
Gosto quando os cariocas imitam os paulistas (sou paulista). Soa caricato e é um modo da gente ser escutado à voz dos outros. Quando era pequeno adorava imitar baiano e isso não era uma depreciação. Era uma espécie de homenagem aos personagens nordestinos do meu bairro, que eram queridíssimos.
Aqui em SP de vez em quando alguém puxa um “s” carioca como forma de parecer alguém mais “sacado”.
A discriminação que de fato existe no sudeste contra nordestinos não se dá ao meu ver pela notabilidade do sotaque, mas pela origem humilde.
Quando os tropicalistas apareceram, lembro que tinha um montão de gente que puxava o sotaque baiano porque soava “inteligente”.
Finalmente, as inseguranças da língua são típicas do nosso país tão adolescente que ainda busca a melodia ideal pra se afirmar socialmente. E eu acho esse intercâmbio de sotaques uma farra.
Achei bem engraçado ver a Grazzi Massafera na novela com um carioca domesticado pela Globo. O sotaque caipira dela é sensualíssimo! Ela perdeu a brejeirice.
E adoro quando vejo o Pedro Simon na TV do Congresso com aquele errrre sulista, quase “de época”.
A nossa língua {letra) está em construção (ou seria em progresso?) e as nossas melodias também. A idéia de discriminação às vezes soa um tanto xenófoba.
Que as línguas se misturem. Beijos de línguas.
O língua brasileira é um samba de amor e malandragem. Tem afeto e tem sacanagem. Por isso as piadas de língua, as imitações, as caricaturas são divertidas.
Outubro 19th, 2008 at 7:38 pm
pôxa salem, que bom vc gostou…
seu gotejante encaixou perfeito
deu um banho no bagno.
Outubro 19th, 2008 at 8:29 pm
Nelson,
Não sei se entendi sua pergunta. De qualquer forma, leia o trecho de um comentário que encontrei por acaso:
‘Na Cafetaria Oxford, da nobre e pailanesca cidade de “La Coruña” , entrei, pedi um café com leite morno…
O moço -bastante velho- disse-me que que era morno?… que lá nao falavam “portuguxés” (sic).
Expliquei serenamente.
Trouxe-me um café a ferver.
Disse-lhe que lho pedira morno, ergui-me e fui-me.
O moço saiu trás mim, mas já foi tarde para ele. Nem volvi daquela nem voltei em adiante.’
Não sei se você sabe, mas essa mistura de português e espanhol é o galego, falado na Galícia, noroeste da Espanha. O assunto, como você viu, é discriminação lingüistica, que infelizmente não escolhe lugar - é global como tudo mais. Esse comentário foi a respeito de um fato acontecido na região: um atendente da ‘cadeia de hamburguesas’ (que delícia é a variação lingüística) exigiu que o cliente falasse espanhol, alegando não entender galego. No caso da cafeteria, houve uma tentativa de comunicação que o atendente não compreendeu, ou não quis compreender. A comunicação se faz por escolhas lingüísticas (como o galego, no caso contado), por gestos, sons, desenhos, música, expressões faciais, e o que mais a imaginação humana quiser criar. A compreensão é diferente: depende de habilidade, conhecimento de mundo e interação com o outro. A história da cafeteria é compreendida, a princípio, pela óbvia semelhança com nossa própria língua. No entanto, depois que expliquei o fato a que ela se referia, você entendeu melhor, certo? Não sei se era isso que você queria saber, mas espero que você goste de minha explicação assim mesmo. E obrigada por tudo o que você disse sobre Minas e sobre mim: minha terra merece, mas eu nem tanto. Um abraço.
E um beijo a todos que me escreveram com tanto carinho: fico feliz em inspirar tantos comentários.
Caetano,
Desculpe-me por colocar palavras em sua boca: tudo o que escrevi foi por dedução lógica a partir de comentários seus. Curiosamente, espero estar enganada desta vez. Sabia que você iria discordar da minha definição de onda. É que, pelo menos para mim, onda é algo que se forma e passa. Então, se você diz ‘a onda de não conjugar os verbos…” você parece ver a tendência como algo que surgiu, assim, ‘out of the blue’, e pode passar logo. Era isso que eu queria dizer. Quanto à sua pergunta: ‘Por que deveria eu apoiar a arrogante discriminação dos professores de gramática que se tornam populares?’, afirmo que em nenhum momento pensei nisso. Aliás, sempre que cito Marcos Bagno é para criticar essa posição dele. Já fui professora de gramática, literatura e produção de texto: amo essa língua com todas as suas regrinhas e esquisitices, apesar de não dominá-la nem de longe como você. Admiro Pasquale e acho que todos os brasileiros deveriam ter acesso à beleza de nossa norma culta, para que pudessem entrar no mundo dos livros e conhecer outros, sete mil outros em progressão infinita… Baci milli per te!
Outubro 19th, 2008 at 9:39 pm
Estou emocionada e triste por saber da morte de Alvinho, agora, ao entrar no seu blog. Os poucos jornais existentes em Salvador não deram a ele a devida importância. Aliás, Alvinho ficou esquecido por todos nós há bastante tempo.
Trabalhamos juntos, quando fizemos uma homenagem para Jorge Amado, na inauguração da TVE baiana. Começamos do nada, mas fizemos um lindo especial sob a direção do incansável Alvinho, que explodia em alegria pelo que estava fazendo.Jamais esquecerei da sua garra no set de gravação, que nos ajudava a fazer o melhor.
Caetano, adorei a sua humildade por reconhecer em Alvinho o lindo homem que sempre nos estimulou com a sua alegria de viver.
beijos
Outubro 20th, 2008 at 12:30 am
Exequiela e Roberto Joaldo de Carvalho,
Guimarães Rosa já disse: “Amar é sede depois de se ter bem bebido.”
Difícil falar sobre o amor, sem incorrer em lugar-comum.
Roberto, gostei muito da sua adaptação de Maiakóvski, via Augusto de Campos. Concordo com tudo, também, que você falou sobre o Glauco Mattoso, para mim, um dos grandes poetas brasileiros vivos.
Exequiela, o seu coment sobre o amor me incomodou. Mas, ao mesmo tempo, me inspirou. Não gosto de pensar nesse sentimento somente como tortura, desilusão, maldição, mas como libertação, tesão, alegria.
Abaixo, dois cantos amorosos:
FLOR DO ÉBANO
Todo amor é negro, sempre negro,
mas sua ausência é a pior fortuna.
E sendo amor, será desassossego,
embora tal sentir não há quem puna.
Todo amor é medo, festa e atropelo,
e o seu avesso ainda nos perturba.
Mas sendo sonho ou mesmo pesadelo,
renova o céu, doando mel à turba.
Flor do ébano, o meu gozo, juro,
a tuas entranhas sempre se dirige.
Amar a ti, mulher, faz bem ao ego.
E se vierem outros tempos duros,
não fugirei, que o amor assim exige.
Pois só a ti, mulher, é que me entrego.
CANÇÃO DE SEGREDO E SIGILO
Meu segredo é te amar em sigilo.
Extrair o pistilo, o sexo da flor,
pra fazer deste amor um laurel, um bacilo,
e transbordar de alegria até o esplendor.
Pra te amar com fervor. Pra te amar com estilo.
Em surdina. Sem ninguém mais supor.
Outubro 20th, 2008 at 12:41 am
Caetano: a paróquia da Purificação completou ontem 400 anos, que nos contemplam com o som barroco das jaculatórias.A Bahia fica sem Alvinho e sem Nilda Spencer.Nicinha fez “oitenta” e, segundo me disse,trocou as moquecas apimentadas pelas inofensivas saladas.O seu blog tem o condão de acender o caleidoscópio tropicalista como atitude e método.Inteligência inquieta na corrente sangüínea do Brasil.Bethânia começa cantando “Fera Ferida”pelo verso:”Não vou mudar!”.Isso já é, em si, um manifesto.Só Ela tem autoridade e autorização para reescrever, com a voz,os poemas definitivos de nossa literatura musical.
O resto é “bagno”de língua viperina.
Outubro 20th, 2008 at 1:12 am
Depois do sonho… Pensei que o post seria muito longo e eu ainda estava muito impressionada com o show onírico que assisti.
Agora, a noite, li com calma.
Eu gosto mais de erasmo, mas me emocionei com vc cnatando debaixo dos caracois dos seus cabelos (que é Tão Roberto). A Marta pisou mesmo na bola, mas o Kassab poderia ter se saído melho se não se explicasse tanto…
Enfim não vou ficar conversando com seu post porque estou simplesmente satisfeita em ler o que vc escreveu as 6 da manhã… Vou te linkar no meu blog.
Outubro 20th, 2008 at 1:13 am
Márcio Junqueira,
Que bacana! Recentemente eu vi algo sobre esse livro de ensaios de Cícero no portal Cronópios, e não vejo a hora de lê-lo. E só agora atentei que ‘Finalidades sem fim´segue bem divulgado no próprio espaço web do poeta e filósofo, que republica resenha para O Globo - Prosa e Verso, intitulada Liberdade e aguda ironia, escrita por Francisco Bosco.
Já pela resenha, o sentido de ‘ironia’(caro para a compreensão da aventura da modernidade no pensamento de Cícero), enquanto consciência crítica do saldo histórico das vanguardas, se amolda também à oficina desconcertante de nosso sonetista experimental Glauco Mattoso, citado por Caetano desde a canção Língua como um de seus “nomes” adorados na Lusamérica.
-texto completo da resenha aqui:
http://www2.uol.com.br/antoniocicero/finalidades.html
Outubro 20th, 2008 at 1:43 am
Caetano querido:
Las especiales “coincidencias” existen, fuí testigo fideliño de eso; sabes? hoy salí de paseo con un día hermoso de “sol”, (25 grados,cielo totalmente despejado con un Río de la Plata azul,como a mí me gusta verlo)asi que me diriguí a la 31(exag)Exposición de libros que se presentó en Mdeo.;ya que hoy era el cierre de la misma, aproveché! y para mí feliz coincidencia, me deparo con el stand de Casa do Brasil,(que es Centro de Idiomas y Cultura do Brasil claro! primera vez que exponen), y encuentro el libro -Balance(o) de la bossa nova y otras bossas de Augusto de Campos-. Para mí asombro el único que tenían, me pareció como si el libro estuvieseme esperando, al menos asi lo sentí, hasta la posición en que se encontraba cuando lo tomé en mis manos para ojearlo y adivina en que página lo abrí! así de primera nomás!!: Conversación con Caetano Veloso: Caetano dijo que consideraba al tropicalismo un neo-antropofagismo(aludiendo al movimiento de la antropofagia de Oswald de Andrade). Y por suerte llegué a entender de que hablaba Teteco en el coments43.
Te juro que estoy maravillada! no puedo creer la “divina coincidencia”, porque justo en el post nombras a Augusto de Campos, y así supe mucho más de él, que bueno!no paro de leer…voy por la parte cuando…lo qué sucedió en el Festival Internacional de la Canción, cuando tuvieron lugar las eliminatorias paulistas, en el TUCA.
Me encanto aquello de ir más allá del hecho musical y de saberte coherentemente con la letra de tu canción así tan “desafiante”, con el coraje de DECIR NO AL NO.
Admiré y admiro en tí esa integridad artística!!.
Estoy aprendiendo mucho,…. y eso me pone euforica…
Me gustó la pregunta que Augusto de Campos le formula al comienzo del libro a Joao Gilberto,en Nueva Jersey,7 de mayo de 1968:-¿Qué decirle a Caetano?
-”Dígale que voy a estar mirando en dirección a él”.
Qué se puede comentar después de tal respuesta?…melhor do que o siléncio só Joao…exactamente. Caetano querido.
Y si tú me lo permitieras hoy yo te diría LO MISMO QUE JOAO respondió. Dándote las gracias privilegiadas por estar en “dirección”, contigo, mirando justamente y juntamente “obra em progresso”.
Voy a terminar de devorarme el libro…pero ya te digo que me encantó y que estoy muy feliz! por mi compra tan antenada. Pregunté por “Verdade Tropical” pero aquí como siempre está difícil de conseguir…mais NO VOY A DESISTIR DE TENERLO!. Prometo mismo.
Ate…com beijos no coraçao. Vero.
Outubro 20th, 2008 at 2:08 am
Glauco, Erasmo…ok..queremos tudo.
Mas alguém neste blog
sabe me dizer
por onde anda
o fabuloso
Elomar Figueira Melo?
Heloísa; Elomar é uma das maiores representações em nossa música de que a língua é viva. Ele é o próprio “sertanez”, luso-ibérico-árabe-nordestino..o “inventa-línguas”, como diria Haroldo de Campos.
Você fala do “galego”, a mistura do português com o espanhol. Um fato curioso, se te interessa, é que alguns dialetos “sardos” ( são quatro )e, em especial o da região de Sassari, misturam palavras comuns ao português, espanhol, italiano (claro) e árabe. Deus, em sardo-sassari, por exemplo, é Deus. O mesmo famoso vocábulo do nosso português.
Outubro 20th, 2008 at 3:36 am
O ERRE
…no Vale do Paraíba paulista usamos e abusamos do “erre líquido” ou retroflexo, como queiram. “amarrr..darrr tudo, não terrr medo, tocarrr…”
Sim,o Jeca Tatu aflorou em São Paulo. Lobato (natural do Vale do Paraíba) o imortalizou em “Cidades Mortas”. Gil expandiu a coisa em “Jeca Total”, e temos orgulho de sermos “jecas”.
FHC - vocês se lembram? - disse categóricamente e diplomaticamente que éramos “todos caipiras”.
Outubro 20th, 2008 at 7:44 am
Oi, Caetano, gostaria de dar mais um toque. Aqui na UFMG não se fala tanto em Bagno quanto em Marcelo Perine, que seria “o” cara da ciência linguística, enquanto Bagno seria mais político/midiático.
BH, inclusive, é um desafio para os linguistas (sempre eles!) pois é uma cidade que não formou bem um sotaque, é composta por gente que veio do interior e de outros estados.
A melhor posição é a intermediária que uma professora da UFRJ sugeriu para vc.
É porque, afinal, o diferencial é que a linguística está mais próxima das ciências exatas do que a gramática (sou professora de Matemática, inclusive, e posso perceber). E isso, na universidade e para os institutos de pesquisa, vale ouro. Já o culto à língua vale ouro na mídia, mas é uma tradição rígida e que, dizem os linguistas, sempre existiu, embora agora esteja na TV.
Outubro 20th, 2008 at 12:50 pm
Caetano, ficou pra além de canastrona a propaganda da Marta, mas como sempre o jornalismo de sampa conseguiu superar a babaquice da campanha de João Santana, em muito!
Todos os que sempre demonizaram Marta, em parte, invadindo (e por vezes caluniando) sua vida pessoal agora estão com o estandarte da privacidade. São guardiães da vida privada somente agora, quando se queria tirar Kassab à força do armário de sua sonsice política, humana e social.
Marta desesperadamente quer concorrer contra uma biografia humana e não contra um simulacro de gerente urbano (que mal chega a ser prefeito), pois ela é escancaradamente presente em sua carreira política e reputação pessoal.
Acho que não se deva fazer crítica à campanha de Marta fazendo eco às colocações hipócritas da mídia paulistana da FSP, VEJA e cia.
Por isso, o parabenizo pela colocação que fez, única em toda minha leitura sobre o assunto:
” Se eu fosse o Kassab, eu teria respondido ao indiscreto que, na sabatina da Folha, perguntou ‘você é homossexual’?, assim: ’sou’ ”
Diria o mesmo.
Pois é, saber se Kassab é Gay interessa na medida em que está perdendo a oportunidade de romper com o preconceito. Pelo contrário, em seu projeto político da neutralidade absoluta cultiva a arte de não acumular rejeições às custas dos avanços culturais que poderia promover. É lamentável.
Novamente parabéns por ter saído da mesmice dos comentários sobre a questão.
Outubro 20th, 2008 at 1:26 pm
Olá Caetano!
Com certeza seu blog é importante e nesse momento de tristeza da morte do nosso Alvinho eu tive o prazer de trabalhar ao lado de Álvaro e não precisei saber que ele era seu amigo e que foi importante em sua vida porque ele foi importante na vida de todos que estiveram ao lado dele mesmo que por um comentário. Eu tbm o chamava de Alvinho mais não sabia que era um nome tão íntimo. Acho que todos que se aproximava dele sentia essa nessecidade de cultivar os carinhos com ele. Ele era meu colega de trabalho aqui na rádio 88 FM e um dos momentos que tenho com ele é que ele odiava computador e mais gostava do progresso e ao invés de se sentar na sala preferia ficar em baixo do solitário pé de côco para poder ilustrar os seus ilários comentários. Alvinho com certeza deixa-nos saudosos e cheios de orgulho e intusiasmo. Ele um dia chegou na radio feliz da vida nos contando que ficou a madrugada ao telefone com você.tentei visualizar o tipo de conversa que vocês tiveram, mais o importante mesmo é saber que aquela madrugada ele não estava só e sim feliz. Parabéns pelo seu comentário.
Outubro 20th, 2008 at 1:59 pm
teteco dos anjos: O malungo Elomar, recentemente lançou o “Sertanílias” em Salvador e chegou de uma pequena tournée: São Paulo, Porto Alegre e Portugal. A sua “Porteira” oficial é: http://www.elomar.com.br/index.html
No mais, “Minha vida é chiqueirar e pastorar, tangerino de ovelhas e bode.”
abraços.
Outubro 20th, 2008 at 2:01 pm
heloisa,
amei sua explicaçã muito charmosa rsrsrsrsrsrs.
O que motivou minha pergunta foi o contexto da discussão entre vc e caetano no sentido de que o que importa é ser compreendido e não exatamente o som das palavras ou o modo como se pronuncia as mesmas.
Se o erré é”carregado” ,”liquido”,”iliquido” ou retroflexo ou ainda
se há 8 9 OU 10 ditongos na lingua inglesa enfim é bacana problematizar estas questões mas pelo menos pra mim o barato é se comunicar com uma postura benevolente de compreensão, sem preconceitos ou sem discriminações(segundo suas explicações) este é o mundo ideal.devo estar falando sandices e por falar em palavras palavras palavras segue a canção do dia, em que pensei substituir a palavras world pela palavra word kkkkkkkkk, hehehehehehehe, rsrsrsrsrsrs .hihihihihihihi em sua homenagem então o titulo da canção deve ser i´ve got the word on a string e no final tem uma pssibilidade do caetano treinar a compreensão do inglês quem sabe ele para de ter aversão ao minimo multiplo comum linguistico mundial …
beijos com sabor de palavras …..
http://br.youtube.com/watch?v=_VSqDzkphtw
Outubro 20th, 2008 at 3:24 pm
Amei “o parto de um “canto” fecundado em meses de gravidez” Excelente Salem.
Outubro 20th, 2008 at 3:32 pm
Heloisa:”erre líquido” X “erre não líquido”, confuso isto p/ um não linguista. Peço a saidera: explica melhor! Bjo.
P.S: Amo estas discussões!!!
Outubro 20th, 2008 at 3:43 pm
Kassab não é Caetano.
Caetano, como deves saber, Sampa está muito, muito perigosa.
Quanto à questão sobre a sexualidade do Kassab, assumo: se o seu eleitorado do prefeito se diz ofendido pela campanha tanto quanto Marta é preconceituosa, então sou preconceituoso também.
Não se pode colocar em dúvida a colaboração que Marta trouxe para iluminar o tema na nossa sociedade, por conta de uma publicidade, apenas. Como também não vão conseguir transformar um títere, um boneco, em um símbolo da luta. Ele jamais responderia a sua resposta…Kassab jamais seria Caetano.
Fico com o Luiz Mott, que respondeu assim ao portal Terra:
“Colocando na balança duas perguntas dúbias, que podem ser interpretadas não necessariamente como homofóbicas, e todo o histórico de ações e declarações favoráveis, não podemos tripudiar em cima de uma figura tão importante na nossa cidadania GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros) no Brasil”.
Forte abraço e parabéns pelo blog.