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ERASMO, GLAUCO, ÁLVARO GUIMARÃES
18/10/2008 6:42 am

Álvaro Guimarães foi uma pessoa determinante na minha formação. Foi mesmo mais do que isso: foi um anjo do Destino. Bethânia e eu fazemos música por causa dele. Ele me apresentou à primeira mulher que conheci. Depois me apresentou a Duda Machado, uma das maiores influências que, com prazer e deslumbramento, sofri. Alvinho me apresentou ao Brizolismo, a Roberto Pinho e ao professor Agostinho da Silva. Ele inventou o nome Baby Consuelo (e deu esse nome para Bernadete Cidade usar publicamente como vocalista dos Novos Baianos). Ele era amigo de Glauber antes de eu conhecer qualquer dos dois pessoalmente.

Foi assim: conheci Alvinho através de Sônia Castro e Lena Coelho (mãe de Laís Bodanski). Ele era um jovem diretor de teatro. Todos eram de esquerda e estavam próximos ao CPC da UNE. Mas Sônia me disse que Alvinho era crítico do panfletarismo do CPC. Logo Alvinho conversava comigo e, sem sequer ter me ouvido cantar, me chamou para fazer a trilha sonora do filme dele: confiava nas minhas conversas sobre João Gilberto, Miles Davis e Caymmi. Depois me fez compor trilhas para as peças “O primo da Califórnia” e “A exceção e a regra”. Fiz tudo, embora protestando. Isso mudou minha vida. Alvinho montou “O Boca de Ouro” e chamou Bethânia para cantar “Na batida do samba”, no escuro, na abertura do espetáculo. Só a voz. Ninguém nunca mais esqueceu aquela voz e ela virou uma figura de culto entre a turma de teatro de Salvador. Anos depois Alvinho brilhou atuando na peça de Fausi Arap “O amor do não”, em Sampa e no Rio. Recentemente, ele tinha um programa de TV, onde apareci falando sobre o carnaval. E Alvinho desapareceu. Fui reecontrá-lo no sul da Bahia, vivendo no Arraial da Ajuda. Foi um reencontro muito amoroso e comovente para nós dois. Hoje choro com saudade dele e com fascínio diante do mistério das amizades que desenham a vida da gente.

“Fera ferida” é muito Roberto na minha cabeça. Não gosto de me intrometer na questão do que é mesmo de Roberto e Erasmo (ou de Lennon e McCartney). Mas tenho curiosidade e alguma idéia sobre as individualidades envolvidas. Há coisas de rima em “Fera ferida” que eu atribuiria a Erasmo (com seu talento para os versos rimados e seu amor por essa forma, como atestam o uso que ele fez do poeminha de Ghiaroni e as letras do disco do “Coqueiro verde” - sem falar em “Sentado à beira do caminho”, um esplendor de clareza e precisão), mas o tema de “Fera ferida” é Roberto puro. O que impacta nessa canção é o tom de confissão íntima de Roberto, tom que fica reforçado pelo fato de a música ter sido lançada em sua voz. Mas Erasmo é tudo o que eu disse em “Verdade tropical” e muito mais. Lendo o livro de Midani (que tem algumas lembranças que não coincidem com as minhas mas é mesmo um ótimo livro), vi voltar a imagem forte de Erasmo, sua personalidade rock. José Agrippino de Paula também gostava mais de Erasmo do que de Roberto (como Midani) e eu sempre entendi por quê.

Recebi vários livros de Glauco Mattoso: ele me mandou aqui pra casa essa semana, dizendo que afinal lhe tinham dado meu endereço. Fiquei feliz. Faz tempo que não tenho notícias dele. Li algumas coisas de Glauco na Caros Amigos (quando estava viajando muito com o “Cê” pelo Brasil, comprava Veja e Caros Amigos para ler no avião: era sempre gozado; à vezes comprava também a Carta Capital, que eu chamava de “a Veja do Lula”). Quem me apresentou a poesia do Glauco foi Augusto de Campos. Nesse tempo Glauco tinha um jornalzinho poético (todo escrito por ele) de que Augusto gostava muito. Fiquei interessado. Depois, livros. E a revelação de que esse não era o nome dele: era um trocadilho com “glaucomatoso”, pois ele sofria de galucoma. O que o levou à cegueira total. Ele é o poeta cego, Homero, um arquétipo, um poema de Antonio Cicero, uma Idéia com i maiúsculo. Vou ler todos os livros e já já volto a falar nele.

Prometo para breve escrever sobre a palestra de Zizek (por ora, só digo que não foi tão divertida assim, não me fez rir; adianto a Roberto Joaldo de Carvalho que reconheci o primeiro artigo de Terry Eagleton: acho que Hermano tinha me mandado faz um tempo; comecei a ler o segundo – também muito bom – mas cheguei do estúdio tarde e me obriguei a parar.)

O texto sobre Rio e Sampa está esperando moderação (minha não do Hermano). Por ora, basta celebrar a próxima vitória de Gabeira e dizer que, sem candidato em São Paulo, fiquei triste com a mancada da campanha de Marta. Sempre levo em consideração o fato de um candidato “de esquerda” ser o favorito dos mais pobres. Não é populismo. É uma antiga ligação com a esquerda universitária, que sempre pus em questão mas que sempre me comove quando cria um laço com as populações carentes, pra lá do apelo de time de futebol que ela tem para pessoas de classe média que querem parecer inteligentes, cultas ou bondosas. Mas não dá pra perdoar Marta nem João Santana (que é conhecido meu da Bahia e que ela responsabilizou pela patada) nessa história de perguntar se o eleitor sabe se Kassab é casado e se tem filhos. O velho Suplicy reagiu com dignidade. Se eu fosse o Kassab, eu teria respondido ao indiscreto que, na sabatina da Folha, perguntou “você é homossexual”?, assim: “sou”. Pra cortar o papo. Entre outras coisas, porque nem sei o que possa significar “não ser homossexual.” Eu não daria para ser político (com trocadilho, por favor, como diz o Agamenon).

Tomei as notas acima desde ontem à noite. Mas o Salem tem razão (isso é freqüente nele): voltei ao estúdio e estou pondo voz. Antes estava rouco. Agora, gravando de novo, não tive tempo de reler os textos – e não postei. Mas tenho escrito muito nos comments.

Heloisa, é duro para um baiano, vizinho dos nordestinos (e nordestino na denominação oficial de hoje em dia), ler que o preconceito contra sotaques e “tendências” lingüísticas regionais se volta sempre para os mineiros. Você, tão cosmopolita, nessa hora soa ilhada pelas alterosas. O erre “líqüido” e sonoro (algo inglês, sobretudo inglês americano) da região de Alfenas e Três Pontas (e do interior de São Paulo – além de parte de Goiás) é peculiar e soa cômico aos ouvidos dos demais brasileiros (assim como é curiosa a onda de não conjugar os verbos pronominais como tais). Mas a caricatura do nordestino ganha de longe como tipificação depreciativa (com agressões à vezes explícitas em cartas à redação de jornais paulistanos). O mineiro – como o gaúcho – pode ser freqüentemente imitado com exagero, mas não é tão facilmente discriminado quanto o “baiano” ou o “paraíba.” (“Baiano” aqui no sentido que o paulistano comum dá à palavra; “paraíba”, no que o carioca comum lhe dá.) De resto, adorei sua tradução da frase francesa que você me mandou. Ficou mais concisa em português. No seu português. Embora eu não esteja seguro de que tenha sido justa comigo.

E vou parar pois está longo à beça esse post.

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220 Comentários sobre o Post “ERASMO, GLAUCO, ÁLVARO GUIMARÃES”

  1. Mille disse:
    Outubro 18th, 2008 at 3:08 am

    Nina,

    O Suplicy é de longe o homem mais coerente do PT… Smepre tão lúcido, ético e centrado…

    Não entendo a lógica de Marta… Não entendo!

    Beijos!

  2. Guido Spolti disse:
    Outubro 18th, 2008 at 9:29 am

    Caetano, quero você sem moderação, manda os textos.

  3. Guido Spolti disse:
    Outubro 18th, 2008 at 9:50 am

    Se eu fosse o indiscreto, diria: “você precisa de um homem pra chamar de seu, mesmo que este homem seja eu”. Legal esta canção já interpretada por Marina e Ney Matogrosso, além do Erasmo, creio que esta canção tem mais cara de Erasmo do que Roberto..

  4. joao carlos disse:
    Outubro 18th, 2008 at 9:53 am

    Bom dia
    Quando voce se dedica a memorias, mostra um voz singularíssima, como alias em toda a sua obra, mas há no Brasil ausência sentida de alguem que possa, assim como ja fizestes anteriormente, escrever nossa memoria cultural.
    De modo que:
    QUANDO TEREMOS VERDADE TROPICAL II?
    Um abraço
    João Carlos

  5. DIMAS ROQUE disse:
    Outubro 18th, 2008 at 10:01 am

    Existe uma lenda que a muito segue as águas do São Francisco. A dita cuja se refere à criação da música “o ciúme”, composta por Caetano Veloso. Aqui nas margens desse rio, um velho conta suas estórias e em uma delas ele afirma que durante um festival de música em que o autor da canção participava, sua esposa na atualidade, teria sumido em direção a Petrolina em Pernambuco. Enquanto ele trabalhava, ela curtia com uns amigos. Este fato teria marcado tanto a vida do cantor que anos depois, ainda com a marca em sua mente o agora senhor criou para todos a bela canção que diz: “Dorme o sol à flor do Chico, meio-dia. Tudo esbarra embriagado de seu lume. Dorme ponte, Pernambuco, Rio, Bahia. Só vigia um ponto negro: o meu ciúme. O ciúme lançou sua flecha preta. E acertou no meio exato da garganta. Quem nem alegre nem triste nem poeta. Entre Petrolina e Juazeiro canta. Velho Chico vens de Minas…”. Seria essa lenda do velho do rio a verdade Caetano?
    Discordo que a revista Carta Capital seja a Veja do LULA. Isto soa como uma heresia. Mas é sua opinião.

  6. Fernando Salem disse:
    Outubro 18th, 2008 at 10:36 am

    Caetano está “pondo” voz. Que maravilha. Sempre achei bem peculiar o uso dos verbos “colocar” ou “por” voz ao invés de “cantar” quando se trata de uma gravação. Talvez venha daí o meu antigo temor desse momento. “Cantar” parece mais fácil e natural do que “por” uma voz, o que representa simbolicamente retirá-la de algum lugar para colocá-la em outro. O que, por consequência, parece mais físico e um tanto consciente, em oposição ao ato natural de cantar. Não é a toa que “cantamos” uma garota. Ou um craque “canta” a jogada. De qualquer forma, Caetano é daqueles “colocadores de voz” que conseguem “cantar” de fato dentro de um estúdio. Em “Fina Estampa” temos claramente o esforço consciente da pronúncia do espanhol e a emoção inequívoca do intérprete se atirando com coragem às canções.

    Sempre achei “Fina Estampa” um tanto subestimado pelos ouvintes, a crítica e o próprio Caetano, que se mostrou exigente e às vezes crítico com o resultado. É uma obra-prima de interpretação e me deixa pasmo imaginar (sou fóbico) que aquelas vozes foram “postas” em estúdio.

    Consigo sentir o clima de estúdio em “Outras Palavras”, onde “Tem que ser Você”, por exemplo, exibe trejeitos bem intencionais de interpretação aparentemente escolhidos a priori. Também gosto desse Caetano com um canto-pensado que homenageia outros cantores.

    Nas canções de Transamba postadas nesse blog, há um pouco das duas coisas, mas sobretudo há canções-mistério. Composições vindas de lugar nenhum, cheias de risco e intuição vocal.

    A transposição da reflexão mais racional para o blog deixou o repertório livre para a experimentação no estúdio. Caetano não entrou no estúdio pra pensar. Entrou pra cantar. O disco foi “pensado” na sua gestação em progresso, ao longo dos ensaios, shows e falações deste blog.

    Por isso, “por” a voz nesse momento parece soar como “por” tudo que se passou nesses meses. Ou melhor, se livrar de tudo isso e “cantar”.

    Tenho muito orgulho do “cantor” Caetano Veloso que sempre é tão modesto quando fala desse seu atributo. Mas , mesmo parecendo ser modesto, ele canta muito. E muito é muito pouco pra quem o admira. Estou ficando ansioso.

  7. Marcio Gaspar disse:
    Outubro 18th, 2008 at 10:40 am

    A diarista que trabalha aqui em casa, Leide, vai votar na Marta Suplicy. E me explicou porque:

    “Tenho quatro filhos e moro lá no final da Parelheiros. Antes da Marta prefeita, eu pegava no mínimo quatro conduções por dia para trabalhar e tinha que gastar dinheiro em todas. Os ônibus eram muito velhos, caindo aos pedaços – vira e mexe, quebravam no caminho; ou eu desistia e voltava pra casa, ou pegava uma daquelas lotações clandestinas, que corriam muito e eram ainda mais caras que o busão. Meus filhos não tinham material escolar e nem roupa; tinham vergonha de ir à escola vestindo ‘roupinha pobrinha’ – me contavam que eram discriminados pelas outras crianças que tinham pelo menos uma havaiana pra calçar. Fora da escola, lá no bairro, as crianças não tinham nada pra fazer, nenhum lugar pra brincar ou pra aprender alguma coisa boa. Daí veio a Marta, ela inventou o bilhete único e eu passei a gastar metade do que gastava em condução – e os ônibus melhoraram, tinha até ônibus cheirando a novo na periferia! E mais: a Marta foi lá e inaugurou um CEU – por isso, pela primeira vez na vida, meus filhos foram no cinema”. Texto completo em http://www.quasepoucodequasetudo.blogspot.com

  8. Fernando Salem disse:
    Outubro 18th, 2008 at 10:41 am

    PS:
    Por outro lado, as galinhas “põem” ovos. Uma imagem de parto que redime o verbo “por” quando usado para significar o parto de um “canto” fecundado em meses de gravidez.

  9. Pablo disse:
    Outubro 18th, 2008 at 11:12 am

    Suplicy é daqueles políticos que teria, caso votasse em São Paulo, orgulho em confiar o voto ( não saberia dizer porque mas, cada vez mais me simpatizo com o Suplicy e com o Serra).

    Vejo em Suplicy,um político que poderia concorrer à presidência, mas, lamento o fato dele não ser mediático, o que infelizmente, a meu ver, é cada vez mais necessário ao postulante no Executivo.

    Quem sabe Caetano você possa começar o movimento aqui no blog, Suplicy 2010.

    Meu português está mais para o do Jotabê. Desculpe-me aí. Trata-se de uma limitação estilísta e uma falta de habilidade em escrever textos no computador.

  10. Marcio Junqueira disse:
    Outubro 18th, 2008 at 12:01 pm

    delicia esse comentario seu. mais mezclado. tanta politica me cansa. baca na você ter falado do glauco pq depois que le ficou completamente cego, acho que ele começou a sofrer bastante preconceito. não pelo fato de estar cego, mas por isso também, mas pelas opções artisticas que ele pode fazer a aprtir da cegeuira. talvez o caso dos sonetos seja o ajis emblematico. conversando não fa zmuito tempo com alguma spessoas, sempre ouvia elas falarem a mesma coisa “ah, mais o glauco encaretou, ta ate faznedo soneto agora, e só fala besteira rimada”. num exercicio de defesa das liberdades acabamos sendo bem intolerantes, em arte sobretudo vejo isso. verso livre pode, poesia visual pode, poesia cinetica, poesia praxias, concreta, video poesia… mas soneto, de, elegia, parecem soar (quando feito por contemporâneos) ruim de antemão.
    adoro quando você fala dos seus amigos.
    beijos

  11. Socorro disse:
    Outubro 18th, 2008 at 12:11 pm

    Pois é. Álvaro Guimarães.Um ser tão importante e um desconhecido até pra boa parte dos baianos. Não é que somos um povo sem memória. O buraco é mais embaixo. Ou em cima.
    Mas, como acredito, meeeeeeeesmo, em anjos e coisas do tipo, penso que o Alvinho agora tá bem. Recuperou suas asas e deve estar livre de volta à imensidão da sua casa.
    Rodando pela internet, achei uma maravilhosa entrevista que Bethânia deu à Playboy 12 anos atrás. Bela. Vasculhem e leiam. Lá ela conta, por exemplo, que Caetano dizia “acredita em deus, não, mana, deus não existe. Deus sou eu.” Cê inda pensa assim, Caetano? Mas queria deixar aqui um trecho da entrevista que ela fala do Alvaro Guimarães, pra que quem não conheceu tenha uma noção da figura que ele era:

    “Comovocê escapa dessa confusão radiofônica?

    Não ligando o rádio. E lendo Mônica, Cebolinha, Pato Donald, Tarzan, Fantasma, Drummond, Pessoa, Verlaine, Baudelaire e Proust.

    Nessa ordem?

    [Risos.] Na ordem inversa. Em quadrinhos eu me viciei depois de grande. Agora [o romancista francês Marcel] Proust eu lia com 14 anos porque um grande amigo meu, o [cineasta e diretor de teatro baiano] Álvaro Guimarães, o Alvinho, me aconselhava: “Bethânia, você tem de ler Proust muito cedo, para já arrancar na vida sabendo das coisas”…

  12. João Renato disse:
    Outubro 18th, 2008 at 1:15 pm

    Prezado Caetano,
    Só conheci o blog agora. Acho incrível que uma pessoa como você, tão presente e atuante na vida brasileira, mantenha a mesma presença e atuação também através de um blog.
    A Marta pisou na bola mesmo; aqui em São Paulo, estão dizendo que ela só vai aconselhar alguém : “Relaxa e goza!”, se a pessoa já for casada e tiver filhos.
    Quanto ao baiano ser vizinho dos nordestinos, eu tive uma nammorada baiana que dizia que a Bahia não era nordeste e nem sudeste, que a Bahia era “outro continente”.
    Um abraço,
    JR.

  13. Claudinha disse:
    Outubro 18th, 2008 at 1:26 pm

    Como é que Marta, a sexóloga moderna dos anos 80, sai com uma dessas? E quer que o povo acredite nela?
    Outrossim, está na hora do Brasil, e aí acho que a mídia poderia ajudar, em vez de atrapalhar ou aumentar, olhar o Brasil com outros olhos. Vivemos num país imenso, lindo por suas diferenças.Vamos acabar com essa pasteurização adotada pela mídia.

  14. Caetano Veloso disse:
    Outubro 18th, 2008 at 1:48 pm

    E, Heloisa, de onde você tioru a idéia de que seria surpresa para mim ouvir que a língua é viva. É assim que sempre a percebi. Não sou conservador no que tange à língua portuguesa. Ontem mesmo gravei “ela se esgancha por cima de mim” numa letra. Cresci ouvindo o verbo “esganchar” ou “esganchar-se” em Santo Amaro. Não é igual a “enganchar”. Uma pessoa “esganchada” sobre um galho, sobre um cavalo: isso inclui a idéia das pernas abertas. Mas a palavra “não existe”. Quer dizer, não está no dicionário.

    Luedy, não li ainda o texto do Bagno na Caros. Os meus sobre os críticos paulistas eram também piadas. Vou ver o dele. Insisto em que a entrevista de Bagno era muito fraca. Vou ler os livros e volto ao assunto. E “gotejantes” para mim soou engraçadíssimo, por isso disse que a expressão era genial. Espero que tenha papel humorístico no texto. Se não, qual é seria mesmo o sentido sério dela?

  15. Eduardo Luedy disse:
    Outubro 18th, 2008 at 3:07 pm

    Sobre a polêmica Bagno x Caetano, eu queria dizer que não vi o “gotejantes” que ele (Bagno) empregou em seu texto na Caros Amigos como algo pejorativo ou violento. Apesar de reconhecer que há aqui muita torcida pró-caetano, bem no estilo time de futebol, aliás como seria de se esperar, não acho que “gotejantes” devesse despertar tanta ira.
    Acho que não tem ninguém que mais admire Caetano entre meus amigos e conhecidos do que eu. Sou professor de turmas de pedagogia e sempre que penso em alguma música para que a gente possa cantar juntos, sempre me vem à mente Caetano. “Alguém Cantando’ se tornou um sucesso em minhas turmas, desde que passei a cantá-la com as alunas do curso (e isso desde 2003, quando passei a ensinar arte-educação a turmas de pedagogia). Enfim, me sinto à vontade para discordar e criticar Caetano quando julgo pertinente.
    Reconheço também que a admiração que tenho se transforma também em grandes expectativas. E é aí que tenho que me policiar para não ficar exigindo demais de Caetas. No entanto, no que tange ao debate com os linguistas, acho que Caetano, talvez por conhecer pessoalmente o Pasquale e gostar da figura; talvez por ser mesmo normativista, ele demonstra ter posturas muito conservadoras no que tange à lingua portuguesa. [O que é muito curioso: Caetano curte funk carioca, curte os Racionais MC's - ou seja, reconhece a contribuição imensa dos artistas populares que fazem um uso nada canônicos da língua]

    E voltando à polêmica, eu queria dizer também que acho os/as caetanetes engraçados/as: Caetano foi bem violento quando manifestou sua discordância com a crítica que lhe fizeram por ocasião do show com Roberto Carlos. Pouca gente aqui se manifestou contrário àquilo que eu julguei totalmente improcedente e que se resumia à desautorização do disensso.
    Bagno não foi nem um pouco violento, comparado com aquele texto primeiro de caetano contra os jornalistas. Cadê a coerência, gotejantes?

    ps. adorei o último post.

  16. laurene disse:
    Outubro 18th, 2008 at 3:14 pm

    Oi, Caetano. Já viu o filme Passeios no Recanto Silvestre, que fizeram com o José Agrippino de Paula, entregando a ele uma super-8? Tá lá no youtube:

    http://br.youtube.com/watch?v=91fEMnFw0Ts

  17. joana disse:
    Outubro 18th, 2008 at 4:20 pm

    Fernando Salem!

    inspiradíssimas suas “colocações”!

    tenho um amiga que tinha mania de inventar novas palavras no meio das conversas . de tanto fazer todo mundo percebia que ela fazia com o maior descaramento. e muitas acabavam pegando.

    ela, comentaria assim:

    inspiradíssimas suas “ponhações!

    sempre aprecio “ouvir” homens falando sobre “gestação”, por exemplo. gosto da apropriação dessa palavra por eles, e a expansão pra muitas esferas e ocasiões. é como precisar ir muito a fundo para se apropriar de algo que aparentemente seria mais natural a outro gênero. acho que muitas mulheres não sabem mais “gestar” com naturalidade.
    exercícios de linguagem, e contexto.

    “e caetano põe a voz”

  18. Caetano Veloso disse:
    Outubro 18th, 2008 at 5:20 pm

    Heloisa,
    não chamo “o jeito de não conjugar os verbos pronominais da forma correta” de cômico, embora o pudesse chamar de peculiar. O que eu disse foi que essa onda é curiosa. O erre retroflexo (”líqüido”) é que eu disse que é visto pelos brasileiros que não o empregam como cômico etc. Não era expressão da minha opinião. Observe que você é que qualificou de “correta” a conjugação promnominal dos verbos reflexivos. Eu nem isso fiz. De minha parte, adoro o inglês dos negros americanos e já encontrei meinas no interior de São Paulo que me fizeram amar o erre líquido (na canção “A Outra Banda da Terra” eu o uso de forma ostensiva e carinhosa). Claro que sei que em BH riem dos caipiras. Normal. Na Bahia também se ri dos tabaréus. Desde nem lembro quando que não me identifico com quem ri muito facilmente de diferenças. E “onda” é coisa que se forma, se desenha e se desencadeia, como as mudanças históricas. Por que deveria eu apoiar a arrogante discriminação dos professores de gramática que se tornam populares?

  19. Tuzé de Abreu disse:
    Outubro 18th, 2008 at 5:37 pm

    ´Oi Caetano. Tô gostando de tudo por aqui.Gostei do poema em espanhol, e de vários outros comentários. Uns anos atrás fui gravado sob a direção de Alvinho Guimarães, para um programa de TV dele , dedicado ao ICBA nos anos militares. Foi a última vez que o vi.
    É sempre luminoso ler seu blog.Aqui em Salvador , a minha opinião é votar contra Geddel. Acêeminho aderiu a ele , como não poderia deixar de ser. Queria mesmo era poder votar em Gabeira.

  20. Meire disse:
    Outubro 18th, 2008 at 5:41 pm

    Caetano o que mais admiro em uma pessoa é a capacidade de manter a sua mente aberta. Posições, opiniões, situações, são mutáveis, os princípios é que são fundamentais, pois nos fornecem as bases para avaliar e a grandeza de coompreender. A sua música é isso! Na sua voz cabem muitas melodias e muitas emoções, por isso vc é único, por isso sua irmã sentirá sua falta hoje! Como fã gostaria de ouvir algumas coisas que ficariam lindas na sua voz como poso sugerí-las? Apesar do importante momento político do país, meu voto vai para vc que é “totalmente demais”

  21. Sandro Lobo disse:
    Outubro 18th, 2008 at 5:59 pm

    Pois é, Caetano, aqui em A TARDE gostaríamos de poder ter dado material melhor e mais extenso sobre a vida de Alvinho, já que sobre a obra pouco de publicável ficou (”Caveira, my friend”, e algumas entrevistas da década de 80, muito boas de se ler, como tive oportunidade por conta da morte dele). Lembro de gente que não acreditava muito nas histórias que ele contava sobre o contato com você e Bethânia, como se fosse coisa olímpica ter estado com os dois num momento em que eram, ambos (os três, na verdade), apenas jovens cheios de idéias numa Salvador ainda prenhe de tudo que viria depois… Foi bom ler seu depoimento, ele teria orgulho do respeito que você dedicou a ele. Abraço.

  22. Exequiela...T-Mal-Digo disse:
    Outubro 18th, 2008 at 6:08 pm

    Sor.ria ! No quería dejar de escribirte sobre el Amor. El amor!!. Qué miedo, sí, y más cuando se torna un Amo. Voce sabe que existe una maldición árabe de la que no se puede escapar? Yo me crucé una vez con um menino do Rio (de la Plata) y al no sucumbirme a sus encantos me miró fijo y me gritó (como nunca nadie me había gritado en mi vida) con toda la fuerza y con todo el despecho.
    OJALA QUE TE ENAMORES!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Siempre inocente!! Pensé que o menino estaba maluco pero que era un Nature Boy que me deseaba paz y amor. Puxa vida! Luego lo entendí: dónde está la palabra “paz” en un “ojalá que te enamores”??!! Pasaron unos día y comprendí que el muy mal parido (por no decir el re-mil hijo de puta) me había sentenciado a vagar por esta vida buscando un estado de enamoramiento constante. Pero seguí leyendo sor-risa!!!!! Esto no termina acá. Un día (muy cercano a la maldición) soñé a una gitana que me revelaba cuál era la medicina para romper las cadenas con el “ojalá que te enamores”. Ela falou em español porteño: Piba, la posta es esta: “Tenés que enamorar”. Punto, nada más me dijo. Pois eso no me ayudó en nada! La malinterpreté y empecé a enamorar a cualquiera, sin hacer discriminación. Era tal mi des-esperación que hasta a los perros vagabundos trataba de enamorar: Se me cruzaba un perrito y ahí yo estaba tratando de enamorarlo. Y encima pensé que cuantas más personas enamorara, más rápido se iría la maldición. Un día entré en un cafetín de Buenos Aires… de esos donde aún reina el machismo porteño y se ven escasas mujeres. Claro, enamorar a un machista, qué fácil! Caen como mosquitas los pobres! Le conté mi penar al que resultó ser el nieto del escritor del tango “Amurado”. Me cantó la canción bajito… y ahí entendí: Su abuelo también había sido sentenciado.
    AY EL “AMOR”!! Seguiré intentando des-maldecirme. Si en el camino dejo a alguien “amurado” pois que me desculpe… soy solo una maldita tratando de volver reversible lo irreversible…. con mi amiga la ilusión. Y, lo más importante, con intensiones amorosas.
    PD: Cuando buscás la cura para esta terrible maldición, no hay nada peor que toparse con la Histeria Masculina… Son engañosos demais porque no saben que ellos también están malditos. BEWARE MY LOVE!

    AMURADO
    Campaneo a mi catrera y la encuentro desolada.
    Sólo tengo de recuerdo el cuadrito que está ahí,
    pilchas viejas, una flores y mi alma atormentada…
    Eso es todo lo que queda desde que se fue de aquí.

    Una tarde más tristona que la pena que me aqueja
    arregló su bagayito y amurado me dejó.
    No le dije una palabra, ni un reproche, ni una queja…
    La miré que se alejaba y pensé:
    ¡Todo acabó!

    ¡Si me viera! ¡Estoy tan viejo!
    ¡Tengo blanca la cabeza!
    ¿Será acaso la tristeza
    de mi negra soledad?
    Debe ser, porque me cruzan
    tan fuleros berretines
    que voy por los cafetines
    a buscar felicidad.

    Bulincito que conoces mis amargas desventuras,
    no te extrañe que hable solo. ¡Que es tan grande mi dolor!
    Si me faltan sus caricias, sus consuelos, sus ternuras,
    ¿qué me quedará a mis años, si mi vida está en su amor?

    ¡Cuántas noches voy vagando angustiado, silencioso
    recordando mi pasado, con mi amiga la ilusión!…
    Voy en curda… No lo niego que será muy vergonzoso,
    ¡pero llevo más en curda a mi pobre corazón!

  23. Sor.ria ! Sor.ria! disse:
    Outubro 18th, 2008 at 6:15 pm

    Oi Exequiela,
    espero que vc nao tenha acreditado naquela brincadeira!!! Eu ando jogando futebol, vc sabe aqui no Brasil driblar é uma febre!
    Eu gostei mesmo de ter meus coments, que nao diziam nada de fora do contexto bloqueados!!!!
    Gesto de posicionamento macho, sem ser machista. Adorei a DITA-DURA! Me senti protegida e prestigiada!

    Sou alguém leve de alma, pois nao nego aquilo que me atinge como verdade. Também nao quer dizer que nao possa ir à um “inferninho”, convenhamos comer o prato predileto todo dia faz mal à saude!!! Eh uma questao de balanceamento alimentar!

    Eh muito triste sua a poesia, porém é bonita. A vida nao é e nem deve ser perfeita. As coisas sao da maneira que devem ser.
    Ainda bem que tenho desprendimento do orgulho burguês, senao estaria arruinada!
    Estou muito feliz por estar te escrevendo!
    Agora a noite estah caindo, a bruma e maresia deixando as janelas cada vez mais embaçadas estah tudo tao lindo!
    Obrigada pelo carinho!
    Os homens às vezes sao tao duros que nem eles mesmos aguentam, e ai começam a chorar. Eu é que nao queria ter a responsabilidade de manter a DUREZA permanente.
    Aai, eu me identifiiico com os hoomens e béem é poor iiso que soou assiim viadiiinha, eu queria ter um paaau soooh prah me vestir de mulher, seria um triunfo!
    beijos
    à todos e um especial à vc Exequiela!

  24. Heloisa disse:
    Outubro 18th, 2008 at 6:28 pm

    Caetano,

    Para começar, meu erre não é ‘líqüido’, adjetivo que só mesmo um poeta poderia usar para retroflexo. Cresci e passei a maior parte da minha vida em Belo Horizonte, e só quando vim morar no sul passei a ouvir esse erre com freqüencia. E preciso confessar: só algum tempo depois acabei com o meu preconceito (sim, surpreendentemente, as pessoas de Belo Horizonte também desdenham o falar dos interioranos). Minha saída da capital acabou por me deixar sem um ponto de referência fixo: meio suspensa no ar, observando a forma como se relacionam mineiros e outros brasileiros. A relativa distância e o contato com a lingüística clarearam quase tudo o que antes eu não entendia, ou não queria ver. Os lingüistas podem soar ridículos em algumas coisas (eu até já reclamei do Marcos Bagno aqui), mas para mim o essencial neles, o que não pode passar em branco é seu esforço para mostrar o preconceito língüístico. Você, ao comentar o jeito mineiro de não conjugar os verbos pronominais da forma correta, desdenhosamente chama de onda curiosa, cômica e peculiar. Não é uma onda, Caetano. Onda é o que se inventa em determinada época, é temporária, não tem história. Nossa fala é assim naturalmente, historicamente. É a língua que minha mãe fala, porque foi assim que ela aprendeu com seus pais e seus avós, que aprenderam com uma mistura de raças que se estabeleceu em Minas. Culpa de quem? O carioca tem culpa de falar o ‘x’ que irrita tanta gente? E o paulista tem culpa de falar o ‘deintro’ que muitos ouvidos não suportam? É claro que eu entendo porque essas falas não são discriminadas, além de representarem as cidades principais: é porque os falantes aparentemente não cometem nenhum erro gramatical gritante, nem falam o ‘pavoroso’ erre retroflexo. Nordestinos são um caso à parte, infelizmente, já que o preconceito envolve muito mais do que só a linguagem. E você , como baiano, assume uma atitude contraditória (que novidade!) ao lamentar o preconceito contra seu povo e seus vizinhos, enquanto alimenta o mesmo preconceito contra os mineiros.
    Você me vê ilhada pelas alterosas – engano seu. Na terceira margem do rio eu aprendi que posso amar minhas montanhas e a fala rica dos povoados, o mar da Bahia e a fala de sua gente, Nova York e todas as línguas do mundo. Democratizei meus ouvidos a ponto de ouvir com gosto a fala de qualquer brasileiro, europeu, americano, britânico…só ainda não gosto muito do inglês dos pretos americanos, mas um dia chego lá.

    Eduardo, concordo que fomos meio incoerentes: às vezes precisamos deixar um pouco de lado a tietagem e colocar Caetano contra a parede sim. Agora, quanto a não exigir demais dele, já não concordo. Exijo sim, porque ele agüenta a pressão.

    Nelson, obrigada pelas músicas lindas. Você tem razão, há algo indefinível de Minas em Keith Jarret mesmo. E eu adoro as suas risadas!

    Exequiela, Helena e Rosana: Obrigada por me citarem com tanto carinho. Exequiela, também não entendi e não concordei com aquele comment sobre você. Beijos.

    Miram: Você só pode ser uma pessoa linda, para falar de outra com tanta generosidade. Só por isso, tentarei ser mais solar agora.

    Nina: Sempre que ouço ‘Sou você’, tenho que segurar o choro. A letra tem algo de solar, mas a melodia evoca algo dilacerante que – ninguém se engane - está logo ali, à espera.

  25. Lucas Jorio disse:
    Outubro 18th, 2008 at 6:31 pm

    Caetano,
    sobre sotaques, me fez pensar algumas coisas. Toda vez que gozam do mineiro é com um sotaque que não é o meu. Claro que não é algo de se ficar puto, você têm razão, “baiano” e “paraíba” podem ser ofensas aqui também. Mas engraçado, quando ouço “paraíba” aqui, só pode ser ofensa, “baiano” pode ser ofensa ou identificação do sujeito pelo sotaque (conheço dois lavadores de carro chamados de “baiano” porque falam “mainha”). Em Minas há vários sotaques, o tipo ideal das caricaturas me parece ser sempre um caipira esperto na sua inocência. Acredito que na Bahia também devem ser vários “baianos”, gostaria que falasse sobre isso.
    Vou muito ao norte de Minas. Em Araçuaí, por exemplo, tem um sotaque curioso, lembra mais o baiano do que o mineiro mas não é nehum dos dois. No segundo turno em BH está acontecendo uma coisa no mínimo interessante, que é uma marcação de diferenças em torno dos jeitos de falar. Aquela coisa, BH é uma cidade (ainda) nova, com muita gente dos interiores do estado. O candidato do PMDB, Leonardo Quintão, exagera o sotaque da capital, “geeente, tiô te falá um negócio…”, ele é do tipo vizinho e amigo do eleitor. O outro, da aliança (frouxa) Aécio-Pimentel, Márcio Lacerda, é do sul de Minas, tenta mas não consegue esconder o erre, e acaba representando o tipo empresário de sucesso.
    Abraço,
    Lucas

  26. Mille disse:
    Outubro 18th, 2008 at 7:04 pm

    Pablo,
    adorei Suplicy 2010… Somos sonhadores! Sonhemos então!

  27. gil disse:
    Outubro 18th, 2008 at 7:33 pm

    o psdb sempre carregou o estigma da aliança com o pfl, essa aliança derrotou as esquerdas ( e as direitas) e chegou. o pt veio depois e suplantou essa aliança num arco com os nanicos, pagou por isso e teve que aturar o mensalão. agora em são paulo a gente vê marta tendo que superar um prefeito biônico vindo das colunas malufistas, esse é São Paulo! quando a marta pergunta por quem é esse homem, o pau quebra e novas insinuações rasteiras tomam uma importância imprevisível. mas o gajo foi herói e limpou as ruas das placas e da sujeira visual. Como é fácil ganhar votos, porque não aprendem? novamente o psdb se arruma pra ganhar, dessa vez com o candidato deles o que de certa forma já é uma derrota. mas Sampa é Sampa e o poeta já disse tudo…o que virá? Caetano tocou no ponto quando se referiu a resposta do candidato a pergunta indiscreta sobre preferência sexual. O candidato mentiu ou foi verdadeiro? Nos EUA ele estaria frito se mentisse, nós por aqui aceitamos de tudo, às vezes… garantir ao psdbpfl a hegemonia em são paulo com vistas a sucessão presidencial ou seguir com o pt dando mole pra marta. que mulher corajosa essa…topar uma parada dessa a essa altura do campeonato…em são paulo se trava o duelo brasileiro, aqui é província.

  28. ria disse:
    Outubro 18th, 2008 at 8:27 pm

    Helô,
    sabia que uma parrte de minha familia é do sur de Minas! Eh verrdade!
    ” nao mi imporrta qu’a porrteirra esteja aberrta porrta mesmo é serr feliz! ”

    Adorro essa parrte de minha familia, que nunca vejo, que sao “bicho do mato” que nunca vao prrah capitarr! Eh que andarr de carro enjôa!!!
    Sao as pessoas mais maravilhosas e educadas que conheço! E eles se subestimam, tem verrgonha do gracioso e exagerrado sotaque!!!
    Caetano fala numa musica “eh tao bom tocar um instrumento”. Eu digo “eh tao bom terr o corraçao mineiro!”
    Eh sério o coraçao mineiro(do sul, que eu conheço) tem uma pureza, que os deixa propensos a serem mais para reservados e desconfiados. No meu caso a pureza dah efeito contrario!!!!!
    bjao

  29. Henrique Brito disse:
    Outubro 18th, 2008 at 8:37 pm

    Prezado Caetano,
    Esta semana perdemos um amigo em comum, nosso Álvinho, Álvaro Guimarães, encontrado morto no Arraial d’Ajuda. Perdemos um grande nome, alguém que junto com tantos outros baianos tá fazendo falta. Sou também do recôncavo e parece que lá nos apegamos mais as pessoas, as lágrimas caem mais facilmente. Prezado comente algo sobre alvinho, ele merece.

  30. Gil Vicente Tavares disse:
    Outubro 18th, 2008 at 8:41 pm

    Caetano,

    Venho acompanhando seu blog há algum tempo. Parabéns. Ainda não tinha deixado comentários, mas esta postagem sua me comoveu muito, ao ler sua homenagem, mais do que justa, a Álvaro Guimarães.
    Ele representa aquela Bahia que apontava para um futuro e que naufragou no provincianismo, na ditadura, na violenta centralização Rio-São Paulo que continua “roubando” nossos talentos.
    Tenho um carinho enorme por Alvinho, e queria aproveitar para registrar aqui o falecimento de Nilda Spencer, outra representante dessa Bahia que podia dar certo enquanto centro (central, mesmo) da arte brasileira.
    Cheguei a pensar em escrever uma postagem no blog do meu grupo, http://www.teatronu.com, falando sobre sua música “a cor amarela”, mas você disse parte do que eu queria. É música axé, é pagode, é “a cor do som”, é uma justa homenagem à música de festa autêntica da Bahia, que a imprensa tenta diminuir, enquanto exalta enlatados de menor qualidade vindos de fora ou nascidos no “sul-maravilha”.
    Aproveito para fazer uma pergunta: você pretende gravar “o pé da roseira”? Vale a pena buscar nas ostras do passado as pérolas esquecidas…

    grande abraço,

    Gil Vicente Tavares

  31. Rosana Tibúrcio disse:
    Outubro 18th, 2008 at 9:59 pm

    Eu admiro e gosto do Suplicy:”contado” ou escrito. Não vou dizer calado porque é judiação. Mas a voz dele, o jeito dele falar me dá uma certa agonia, quase uma angústia. Tenho a impressão que há sempre uma palavra “pregada” na garganta dele, como se estivesse mesmo engasgado.
    Ah! se todos pudessem falar como Caetano, Darcy Ribeiro ou Ariano Suasuna. Adoro essas vozes, a de Darcy, adorava. E tenho o costume de ler esses três com as vozes deles na minha cabeça. É engraçado, não sei como explicar a vocês.
    E até por isso tenho vontade de saber como seria as vozes de Heloísa (já disse que não é dos “erres”, de Nelson, e outras muitas pessoas que tenho gostado de ler por aqui.

    Apreciei muito também o “líquido” que Caetano usou pra ilustrar os erres dos mineiros. Erres que eu também não tenho, nunca tive. Por que isso de achar que os mineiros falam com esses erres? Por aqui onde moro o que usamos, ou deixamos de usar, são os finais das palavras, e também usamos demasiadamente os diminutivos; é um tal de: “pititim”, “imaginá”, “fazenu”, e pararáss… Creio que Heloísa fez referência a esse sotoque mimeiro - posso estar enganada. E os belo-horizontinos, com raras exceções, têm mesmo um jeito torto de olhar pra gente que fala assim.
    Nem ligo, “achu tão bunitim o jeitu deu falá”

  32. Heloisa disse:
    Outubro 18th, 2008 at 10:18 pm

    Pessoal, vocês leram o texto de Contardo Calligaris na Folha esta semana? Ele fez uma crítica muito interessante sobre as campanhas de Marta e McCain, mostrando como ambas jogam com fatos não confirmados para confundir a cabeça do eleitor. Só que hoje alguém escreveu para a Folha comentando a hipocrisia do cronista, que há dois meses disse na revista ‘Imprensa ‘ que concordava com a lógica de expor a vida privada do candidato em campanhas eleitorais. A réplica foi sensacional: ‘Claro, no meu mundo ideal, não haveria nada a esconder, mesmo; a ponto que as opções seriam indiferentes. Agora, a campanha de Marta agiu contando com o fato de que estamos em outro mundo, em que a sexualidade poderia ser fonte de vergonha e descrédito. Isso, sim, é vergonhoso.’ Grande Calligaris!

    Caro Caetano, que parece estar muito bravo comigo: Foi daqui que eu tirei a idéia: ‘Fiquei maravilhado com a afirmação de que a língua é viva e mutante na práxis dos falantes: a língua é falada, a escrita seria apenas uma notação convencionada a posteriori, como as pautas musicais.’ Não fui a única a estranhar esse comentário seu, já que ele foi citado no blog de Sírio Possenti – para quem não conhece, é um dos lingüistas brasileiros mais respeitados, professor da Unicamp e autor de vários livros. Ele disseca seu post ‘Lingüistas’ de maneira meio desagradável, mas acho que você deve dar uma olhada. Pelo menos ele não fala só do Pasquale o tempo todo. Só que, ao copiar sua frase para colar aqui, prestei atenção às frases anteriores e vi que cometi um erro fatal: você falava sobre seus primeiros contatos com a lingüística, e não sobre sensações atuais. Possenti e eu nos enganamos – de minha parte, peço desculpas pelo descuido. So sorry! And please, don’t be angry with me, my bittersweet real diamond…

  33. ria disse:
    Outubro 18th, 2008 at 10:41 pm

    Oi Nina, cê tah atrapalhada mesmo!!! No coment 38. faltou um H no LINA !!!
    Soh tô falando pq. vc. parece estar preocupada, pq. meus coments tem mais erros de português do que qquer outro e eu fico sempre esperando que ninguém tenha percebido! Tenho mil desculpas para escrever mal o português e vou fazendo feio ao invés de me preocupar em escrever direito minha primeira referência lingüistica!
    Falando nisso a lingua falada (tanto os sons como a construçao lingüistica) à meu ver nao é outra coisa além de afeto!

  34. Nina disse:
    Outubro 18th, 2008 at 10:56 pm

    Heloisa, que lindo seu comentário sobre a música “sou você”… Eu sempre costumo dizer que ela pusa entre o passado e o futuro e nos encanta/arebata no presente… Mas sua síntese é maravilhosa… A primeira vez que ouvi foi no cinema… Acabou o filme e ela foi prá casa comigo… Nunca mais me deixou, rs! Alás, como as músicas do Caetano… Lembro que ouvi Alegria Alegria quando ainda era uma garotinha e fiquei fascinada… Era uma festa… O sol de quase dezembro… Meu aniversário… “Eu nunca mais fui a escola”… As férias davam em novembro… Nos meus doces sonhos de menina, achei que essa música tinha sido feita prá mim…Rsrs! Decididamente prá mim Alegria Alegria tem gosto de novembro, de bolo, da doce espera do Natal, das festas de fim de ano e do veraneio… Tem a leveza da alegria mesmo!
    Beijos em você, no Caetano e na turma muito antenada desse blog… Fico fascinada com os comentários… Como tenho “natureza contemplativa”(Cazuza disse isso uma vez e eu já me apropiei, rs!) me deleito!

  35. Eduardo Luedy disse:
    Outubro 18th, 2008 at 11:06 pm

    eu fico impressionado: Caetano tá gravando e ainda tem tempo para escrever os posts, ler os comentários e ainda e responder com atenção ao quem lhe chama a atenção (tanto os impertinentes quanto os gotejantes). Caetano, ainda que discordando de você, saiba que eu te adoro.

  36. Nina disse:
    Outubro 18th, 2008 at 11:07 pm

    por favor, leiam o pulca ai em cima com um “l” no meio e o arrebata com 2 eres… Beijos!

  37. Eduardo Luedy disse:
    Outubro 18th, 2008 at 11:10 pm

    vixe quantos erros em meu comment! é o que dar ficar copidescando demais…

  38. Gilliatt disse:
    Outubro 18th, 2008 at 11:34 pm

    deixa a língua me levar…

  39. Patrícia disse:
    Outubro 18th, 2008 at 11:36 pm

    Agora não posso mais acompanhar o blog só pelo reader (sabe o que é reader, Caetano?), porque estou perdendo uma parte muito saborosa, dinâmica e espontânea: os comentários.
    Tive de voltar atrás só pra entender a discussão dos ditongos, de Bagno (quem já li, entrevistei e achei um arrogante de marca maior apesar de tanto blablablá). Divirto-me com o bate-papo na cozinha e saboreio pão-de-queijo e cafézim, vatapá e bichim, alfajores y dulce de leche! E eu, apesar de morar no estrangeiro, fico com olhos d’água: sô e só de sodade.
    Adorei o comentário de Salem!
    Um beijo, Patrícia

  40. nelson disse:
    Outubro 19th, 2008 at 12:04 am

    Heloisa,

    Devo te confidenciar sempre achei Minas absolutamente indecifrável pra mim(um “cariócá” meio arredio pros padrões locais “cariócás” até mesmo devo sinalizar pros padrões linguisticos “cariócás” com erré “gutural”, adorei adjetivar o modo de falar o que em si mesmo me parece ingenuo e preconceituoso de per si já que não raro me perguntam de onde é meu sotaque rsrsrsrsrsr hehhehehe), que ama o mar e mora perto dele mas que sempre teve para com ele uma relação de espaço a ser admirado e não exatamente “DEGLUTIDO”este sim um estado de espirito carioca genuino do tipo choveu e não deu praia neguinho fica de péssimo humor e acha que está frio na cidade o que é hilario.

    Este meu jeito sempre me aproximou da zona norte da cidade sem pertencer de fato e de direito á zona norte no sentido da apropriação genuina de sua cultura e de seu modo de viver.

    Até entender minimamente a beleza de milton(demorei cerca de 15 anos pra processar a beleza e o misterio mineiro dele cantar, confesso achava milton um porre)lô borges, toninho horta,uakti e que tais, as lembranças quando criança de temporadas em regiões de agua mineral(são lourenço e caxambu),de carro pelas montanhas e pelo pasto a traduzir um mundo calmo e seguro,o céu mineiro que é um céu diferente do céu da bahia, enfim até entender que minas é o mistério do brasil ou em certo sentido minas é o japão do brasil, e sua gente tem um jeito de ser peculiar e complexo lá se vão meus 32 anos.

    o que quero te dizer é que esta discussão com caetano ,que ainda vai terminar em pão de queijo e doce de leite da vovó ou em compota de abóbora com bolo de milho e café passado em coador de pano sobre a mesa grande da fazenda, é que caetano e nem eu e talvez ninguém do brasil a não ser os próprios mineiros são capazes de entender a complexidade simplicidade de ser mineiro, que hoje pra mim em termos de cultura me parece o japão brasileiro temos exemplos na(moda,musica,gastronomia,comportamento e artes plasticas que comprovam o que disse).

    enfim tudo isso é pra te dizer kkkkkkkkk, hehehehehe, rsrsrsrsrs, hihihihihihih, que vc
    é doce e firme, intensa e calma(ponderada),estelar e chão de terra batido,contemporanea pacas e interiorana,desconfiada-confiada, arredia e solar como a musica de miltom onde o sol reside na alma e transborda pelo céu estrelado por entre as montanhas e discos voadores.

    abraços nelson

    trilha sonora do dia:
    http://br.youtube.com/watch?v=fmjULeODgqc

    agora me explica uma coisa: eu que nada entendo de linguistica e que ja fui da “academia”, não a de ginástica e que preciso da musica pra viver ,herança de meu pai que colocava musica classica enquanto eu ainda estava na barriga da minha mãe,

  41. Edison disse:
    Outubro 19th, 2008 at 12:12 am

    Caetano poderia regravar, apenas para adequar-se à norma culta, apregoada pelo Prof. Pasquale, duas de suas músicas, Odara: “Deixe-me cantar/Para meu corpo ficar Odara” e Gema: “Deixe-me ver/Pedra clarão na floresta/Gema do olho na fresta”…

  42. Nina disse:
    Outubro 19th, 2008 at 12:14 am

    estou tão atrapalhada que nem consigo escrever, por favor, ponha um L NO PUSA, 1ª linha e 2 erres no arrebata na 2ª lina, por favor, não deixe esse comentário e o outro que postei sairem assim…Obrigada!

  43. teteco dos anjos disse:
    Outubro 19th, 2008 at 12:56 am

    Caetano,

    O jornal que Pedro José Ferreira da Silva, o incrível Glauco Mattoso, escrevia no final dos anos 70 era o “Jornal Dobrabil”, uma espécie daqueles antigos “zines”, que vinha todo dobrado, por isso o nome e também uma brincadeira com o Jornal do Brasil. Mais trocadilhos na vida de Glauco, além do seu nome artístico-poético-patogênico.
    Deve ter sido este jornal que Augusto de Campos te passou. Eu tenho uma edição, ganhei do próprio, além de alguns livros que ele me mandou também pelo correio, como “LImeiriques e Outros Debiques Glauquianos”, hai-cais ( é assim mesmo que se escreve??) porno-escatológicos onde ele homenageia o também genial “poeta do absurdo”, o “Zé Limeira”.Essas coisas dele estão na minha “bisbilhoteca”.
    Eu era um “aborrecente” em 1990 e tinha uma banda de punk-rock, e de sopetão enviei ao Glauco ( conhecido e cultuado entre os punks da época em Sampa) uma edição grotesca do meu opúsculo “Busílis”. Para minha surpresa ele curtiu, principalmente meu “Poema Bucólico”;

    com tua merda
    preparei os campos,
    futuras primaveras
    nascerão com teu perfume..

    Troquei cartas, livros e telefonemas com Glauco Mattoso até mais ou menos 97, 98, quando seus problemas com a visão pioraram e ele ficou cego. Certa noite, ele me disse ao telefone…”cara, punk é sonhar que estou enxergando e acordar cego, blindado”.
    Eu fiquei triste e chorei por ele, pelo meu ídolo juvenil ( até hoje é ), cego, como Homero.
    Então ele se mudou e gentilmente me enviou seu novo endereço em Sampa e seu novo telefone, mas eu estava na assessoria de imprensa do Sesc, correndo pra lá e pra cá e perdi o contato. Sorry. Depois, eu fui pra Sardenha e fiquei empalhado lá, longe do Brasil.
    Ele me conhecia como Marcelo Théo - já que meu nome é uma saga; “Marcelo Henrique Théo Borges Monteiro”…e meu apelido sempre foi Teteco e “dos Anjos” é uma homenagem ao Augusto dos Anjos.
    Mas fico sempre comovido ao falar de Glauco Mattoso…o guru que me deu a dica para conhecer e gostar também de Caetano e, consequentemente, de música brasileira, acordes dissonantes etc, além de todo “barulho” que eu e meus amiguinhos curtíamos. Ele me falou da “antropofagia oswaldiana” e eu saquei que, no mundo, tudo se mistura, se entrelaça.
    E eu acho irado que você fale dele e goste das coisas dele. O seu livro “Centopéia”, com cem sonetos.. não escritos, mas ditados (ele já estava cego) é uma porrada. Glauco é punk!!! Ah..cumpra sua “promessa” e fale mais dele. Grazie mille.

  44. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Outubro 19th, 2008 at 1:16 am

    Marcio Junqueira, a sua indignação quanto à patrulha sofrida por Glauco Mattoso, depois da ficar completamente cego, ao optar pela forma poética do soneto, preconceituosamente vista pela vanguardeiros só como fôrma fixa, casa-se inteirmente com as sacadas de Antonio Cicero que li numa entrevista.

    Na entrevista sobre A Cidade e os Livros, até onde eu saiba sua segunda e última coletânea de poemas publicada até aqui, Cícero, sem desmerecer o valor histórico e estético das vanguardas, no entanto desmistifica algumas de suas caras ‘verdades’, a exemplo da proclamação da “morte do soneto”. Ele fala da importância das vanguardas em relativizar as formas tradicionais - destronandas de seu lugar de herdeiras de uma natureza que fosse intrínseca à poesia passando a ser compreendidas como filhas de uma convenção.

    Só que apos desfetichizar tais formas tradicionais, as vanguardas intentaram inverter o fetiche, passando a tomar as novas formas como as únicas artisticamente admissíveis.

    Para Cícero, a descoberta vanguardística de que nenhuma forma é essencial à poseia não pode ter como corolário que qualquer nova forma, por mais alta ou original que seja a sua taxa de novidade, se torne a forma cabal e última de toda a poesia futura.

    O soneto foi sempre igual? Conquanto mantenha sua forma na exterioridade sempre reconhecível ao longo dos tempos - claro que não! Embora na entrevista não se atenha à transformação que a forma sofreu entre, por exemplo, seus dois grandes marcos, Petrarca e Shakespeare, Cícero repõe a questão ao relatar que, em sua própria criação poética, tende por explorar também sonetos, mas de modo experimental, desnaturando-os sem conspucar-lhes a forma.

    Eis o link pra entrevista completa com as sacações de Cícero:

    http://www2.uol.com.br/antoniocicero/storm.html

    Penso que Glauco se valha do soneto como todo sonetista, como recurso ambivalente: espécie de fôrma-dique para conter a expressão - que ao contrário redundaria diluviana, se sua linguagem poética não tivesse comportas, e - aguçado pela cegueira - como forma generativa, isto é, que facilite a composição ou a criação poética, posto que estrutura formal facilmente retida na mente, mas que admite um show de performances.

    Um viva a todas as formas, a todos os meios, que, mesmo tradicionais, possam se refazer ou reinventar experimentalmente!

    Vamos conferir isso no próprio espaço de Glauco:

    http://glaucomattoso.sites.uol.com.br/index5.html

    p.s.: Ao comentar isso, não posso me esquecer da perda que a perda da visão representou para João Cabral, acelerando a sua partida. Próximo ao fim da vida, repentinamente ficou cego. Como somente concebia a poesia, a verbal que unicamente praticou, através de seu suporte visual, o papel, já que não tinha maior apreço pela organização do poema com ênfase no suporte sonoro, embora fosse o nosso maior craque moderno no emprego das rimas assonantes e de formas poéticas que beiravam mas transtornavam formas populares, a exemplo da redondilha, não pôde concluir, na escuridão que enoiteceu nosso poeta solar, sua última obra, o poema dramático A Casa de Farinha - que prometia perpassar toda a história desse alimento nordestino com uma elocução bem diversa da que nos acostumara com as palhas dos canaviais.

  45. Júlia disse:
    Outubro 19th, 2008 at 2:46 am

    Olá! Adorei seu blog e principalmente as lindas palavras ao se referir ao Alvinho. Ele tinha muita admiração e respetito por você e por sua familia. Tive o prazer em conhecer aquele incrivel homem ao graver em 2006 um vídeo documentário e depois deste vídeo estavamos sempre em contato. Ele falou muito de você e sempre com muito carinho. Além do material editado, tenho ainda todo o material bruto que gravamos com ele e se tiver uma oportunidade gostaria de envir uma copia para vc.
    Tenha certeza que Alvinho esta muito feliz com sua lembrança e palavras.
    Abraços

  46. Cacau disse:
    Outubro 19th, 2008 at 3:19 am

    Oi Caetano, passei por aqui prá dizer que sonhei com você! Te encontrava numa festa … era uma emoção imensa, e eu falava pra mim mesma: agora vou ter de falar pra ele! Não vai ter jeito! E dei um jeito de falar com você… Tudo já está revelado. A maldade, a Salvação, o sentido da nossa vida na terra … tudo. Só precisa haver a popularização desse conhecimento. Escute quem quiser escutar, acredite quem quiser acreditar. Para quem quiser ouvir, dá trabalho e requer coragem, mta coragem. Mas é o único caminho. Se fizer sentido, me responda. Do contrário, se achar que se trata de um devaneio ou se não tiver falando nenhuma novidade, deixe prá lá… Abs…com carinho.

  47. Fernando Salem disse:
    Outubro 19th, 2008 at 3:50 am

    Joana e Patrícia

    Confesso que fiquei gotejante com os elogios. Essa história de homem falando sobre gestação é algo não tinha pensado antes.

    Acho a letra de “Grávida” escrita pelo meu querido amigo Arnaldo Antunes pra inspiradíssima melodia da Marina Lima uma obra-prima.

    Quando eu era adolescente tinha uma cisma com essa história de que era bacana homem ser sensível, externar sentimentos e outras chatices da época. Por outro lado, sempre me dei melhor com as mulheres do que com os homens, não apenas sexualmente, mas também nas conversa jogadas fora e dentro.

    E quando minha mulher ficou grávida eu tive todos aqueles piripaques e desejos contra a minha vontade íntima. Também passei a sentir os sintomas de gestação antes de escrever textos e compor canções modestas.

    Elogios de garotas são um grande gesto. Gestação aí parece um aumentativo.

    Valeu.

  48. Vero (URUGUAY) disse:
    Outubro 19th, 2008 at 5:13 am

    Caetano querido:

    “Hoje choro com saudade dele e com fascínio diante do mistério das amizades que desenham a vida da gente”. (Me gustó ésta tu frase).
    Una emoción que, “infelizmente”, yo también conozco.(me refiero a chorar com saudades).

    Es muy curioso y como tu bién dices “misterioso”el don de la amistad. Pasa aquello de, “antes de que nos hubiéramos visto ya nos buscábamos, y lo que oíamos decir el uno del otro producía en nuestras almas mucha mayor impresión de la que se advierte en las amistades ordinarias, y creo que ello fue así por alguna disposición celestial: a mí me sucedió en un encuentro casual, nos sentimos tan afín uno con otro, tan cercanos, que de en más nada pudo resultarnos más entrañable a cada uno que el otro”. Tu para mi eres desde siempre mi “amigo”; porque ya lo pensó Aristóteles, creyo que nadie llega a conocerse si no cuenta con un amigo en cuyo juicio pueda verse reflejado. Claro que luego fue contradictorio, al concebir al amigo como “una especie de segundo yo”. Siendo así ya no se perfilaría como tan otro y , en consecuencia, ya no podría asegurarse que la contemplación no constituiría una forma solapada de este autoconocimiento. Sabes? me gusta pensar que un “amigo” es mi alma y la del otro en uno”. (Mitad del alma mía). Caetano meu!. Dá para muchísimo más esto de filosofar…ves? nos sinceramos con otro buscando hacerlo con nosotros , pero por qué te digo esto?, porque el que ese otro sea capaz de convocarnos a semejante práctica de semejante ejercicio de “transparencia” es virtud sólo suya y de ningún modo nuestra.
    (Eu sei que você me entende!).

    Reconozco que se siente por el trato inteligente. En esa conjunción infrecuente de ternura y lucidez que distingue siempre a los espíritus notables y que hace de él un espíritu cordial. Suyo es el acierto de la pregunta oportuna, el tacto de la discreción, la aptitud para la espera, ese saber aguardar alentando la creciente cercanía de lo que importa decir y tratar; ese modo de detenerse en lo que interesa celebrando su relevancia, desplegando sus posibles sentidos, la jerarquía de un matiz, el peso de un significado que altera “súbitamente” lo que se creía comprender e impide, de ese modo, que un juicio se congele y caiga sin remedio en la fosa del prejuicio. Sí, Caetano querido,la inteligencia de un “amigo”, cuando se nos manifiesta, nos desvela, nos excita y nos deleita, dándole a nuestra vida una consistencia innovadora. Gracias por este “modus operandi” que desvelaste en mí, en esta madrugada y…en tantas que puedan venir…

    Pienso ahora que la grande responsabilidad que la amistad nos impone es la de transformar en “palabras” embriones de ideas, sensaciones, sentimientos e impresiones. Enfin…así, y para ¡escándalo! de la matemática, la imposibilidad de terminar de ser uno redunda en el fruto prodigioso de ser “dos”.

    Te escribo estas sinceras palabras,con el fondo musical de “Blue note Plays Bossa Nova”,donde se interpretan clásicos de la Bossa Nova,(algunos como: Joe Herdenson, Cassandra Wilson, Eliane Elias y Bobby Mcferrim y especialmente Tania Maria)que me encanta como canta!!. Por si todavía no lo tienes…te lo recomiendo,(a todos), este disco, es imperdible!!.

    Bueno ya escribí demasiado; es que hoy me has inspirado el “alma”. Caetano querido,y querido… cada vez más..te mando beijos no teu coraçao. Vero.

  49. Caetano Veloso disse:
    Outubro 19th, 2008 at 5:25 am

    Patrícia, que delícia seu comment!

    E Júlia, que bom ler essas coisas boas sobre Alvinho. Quero ver o documentário.

  50. Bruno Guimarães disse:
    Outubro 19th, 2008 at 5:57 am

    Antigamente, eu postava “comment” em todo e qualquer “post” que aparecia. hoje em dia já não rola, vi que tenho de comer muito feijão pra postar igual a uns caras que pintam por aqui…Mas isso não significa que deixei de acessar o site, muito pelo contrário. E é incrível como o blog passou a fazer parte de meu dia-a-dia…. E é legal perceber que não só as intervenções de Caetano são esperadas, mas as de figurinhas frequentes também, e com ansiedade parecida.. Quando olho a “barrinha” do “obra em progresso” já na casa dos 70%, fico com pena de saber que isso tudo está próximo do fim !
    abraços
    Bruno

  51. Ricardo de Alcântara disse:
    Outubro 19th, 2008 at 6:26 am

    Realmente é muito bonito isso de como as amizades e influências nos colocam num outro lugar de onde iremos sempre partir em frente a nossa finitude. Aquele lugar de outrora não mais existe e o que restou é apenas a referência do novo ponto de partida.

    Você, Caetano Veloso, me colocou noutro lugar. Em 87, meu pai comprou, ou gravou, uma fita k7 com as músicas do disco “Velô”, eu tinha 5 anos e morava em Fortaleza (nasci e moro em Taguatinga, Distrito Federal). Do momento em que ouvi “Língua” pra diante do meu tempo, àquele ponto em que estava antes, criança desligada do som das palavras, vou morrer sem retornar. Foi de arrepiar. E como era gostoso sentir aquele ronco rosnado da Elza Soares. Foi uma violenta atração pra dentro do som, do texto, das sílabas, da língua lapidando a brutalidade das vibrações, da linguagem. Naquela infância me lembro de gargalhar com minha irmã ouvindo meu pai ouvir você cantar “ela comeu meu coraçãozinho de galinha no xinxim, ai de mim”; eu me identificava muito com essa coisa de coração de leão, porque me chamo Ricardo, e já naquele tempo alguém deveria me chamar, brincando, “Ricardo, coração de leão”.

    Hoje ouço o disco (comprei ele por R$10,00 nas Americanas, o que é uma maravilha de preço e uma delícia para quem, como eu, adora capa, encarte, caixinha, ficha técnica, letra, informação) e me emociono muito com as cores, os cheiros, o calor de Fortaleza, o som da risada de minha irmã e a cara jovem do meu pai que o disco me trás. Choro quase sempre que ouço “O homem velho”. Adoro aquela Banda Nova que te acompanhava.

    Transformações pra dentro são impressionantes e esquisitas. Por pra fora assim é emocionante.

    Um beijo de quem te admira,
    Ricardo.

  52. O homem dos cadernos grampeados disse:
    Outubro 19th, 2008 at 9:56 am

    Fiquei triste com a morte de Nilda Spencer e de Alvaro Guimarães. Acho que mundo fica menos brilhante depois da morte deles.

  53. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Outubro 19th, 2008 at 10:32 am

    -Exequiela, se com palavras eu pudesse esconjurar seu sortilégio…

    (A seguir, condensação que há um belo tempo fiz da Carta ao Camarada Kostróv sobre a Essência do Amor, publicada na antologia Nova Poesia Russa, pela Perspectiva, em São Paulo. Ei-la, com a permissão poética de Vladímir Maiakóvski & Augusto de Campos.)

    BILHETE AO COSMOS SOBRE A QUINTESSÊNCIA DO AMOR

    Minha voz é de bom timbre. Tonteio como éter. Basta ouvir-me. Não me fisgam com armas sem valor. Não caio por qualquer charme. Eu fui para sempre ferido pelo amor - mal e mal posso arrastar-me. O amor não está em ferver bruscamente, nem em acender uma fogueira, mas no que há por trás das montanhas de nosso peito, e bem abaixo da selva de nossa cabeleira. Amar é ir ao fundo do cercado e, até que a noite chegue, cortar lenha com chispas no machado, e a nossa própria força pôr em xeque. O amor não é paraíso: é simplesmente o atestado de que outra vez se engrena o coração - motor enferrujado. Na terra há luzes - até o céu. No céu, estrelas a granel. Se eu não fosse poeta, seria astrônomo por certo. Minhas palavras soletram às estrelas um cometa dourado. Deixando pelo céu seu rastro, brilha a plumagem caudalosa do cometa. Oúço em meu peito até o último pulsar: o amor a ressoar. O furacão, o fogo, o mar vêm vindo furiosamente. Quem os pode domar? Você? Experimente!

    -Bilhete a ser enviado, em cápsula protetora, na saída da próxima sonda interestelar… Com tais palavras. Ou com outras, mais, ou menos, sublimes. Se já não dispusermos de nossas próprias. Ou mesmo mudos. Nada importa. Onde quer que estejam as estrelas. Ainda chegaremos até elas. Se antes não atingirmos em cheio o coração de alguém.

  54. laurene disse:
    Outubro 19th, 2008 at 1:15 pm

    Oi, só para pontuar: em Minas tá rolando o movimento catrumano, em prol de reconhecer os baianeiros, ou seja, os mineiros do Norte de Minas. Os mentores são professores da Unimontes que postulam, inclusive, a proximidade cultural da Bahia. Eles querem, por exemplo, o reconhecimento da cidade de Matias Cardoso como primeira cidade fundada em Minas, via São Francisco/Bahia.

  55. Ria! disse:
    Outubro 19th, 2008 at 1:24 pm

    Oi Nelson,
    agradeço suas postagens de musica do dia, as duas ultimas sao simplesmente maravilhosas, até me fizeram chorar!
    beijos
    Ria!

  56. Ria! disse:
    Outubro 19th, 2008 at 1:26 pm

    Nelson,
    nao entendi porque, mas meu coment foi parar acima do seu!
    Deve ser o horario de verao!

  57. Ria! disse:
    Outubro 19th, 2008 at 1:31 pm

    Para que nao haja mal entendido a Cacau ali no alto que pede respostas nao sou eu. Cruz credo!

  58. flavio alves disse:
    Outubro 19th, 2008 at 1:42 pm

    Alguém falou que na Bahia existem vários “baianos” e é verdade. Seria interessante se Caetano falasse sobre isso. Até porque sua afirmação sobre a não nordestinidade da Bahia só se aplica, e mesmo assim de forma questionável, quando considerada apenas a Bahia do Recôncavo, a Bahia “mítica”, por assim dizer. A Bahia sertaneja, que possui uma identidade bem mais ligada à idéia de Nordeste e que só representa uma identidade baiana secundária, diferente da chamada baianidade (ainda que esta tenha em si, naturalmente, elementos sertanejos do interior baiano) - a Bahia sertaneja -, bem como outras regiões do Estado, não pode ser encaixada como uma cultura a parte (desligada do Nordeste) como comumente se faz com o Recôncavo Baiano. De todo modo o próprio Recôncavo pode ser tido, numa análise mais ampla, como Nordeste, quando se vê que a Zona da Mata pernambucana, tb de grande presença negra, ainda que muito mais ligada à cultura ibérica-sertaneja do interior do Nordeste do que o Recôncavo Baiano, é obviamente uma sub-região nordestina.

    Saudações, Caetano!

  59. Laura disse:
    Outubro 19th, 2008 at 1:59 pm

    Este blog é delicioso.
    Nasci no sul, vivi em Ctba até os 16 anos, depois Rio de Janeiro- Ipanema- 30 anos, agora estou em Natal. Meu ex, pai dos meus 2 filhos, é do sul de Minas, fala poblema, não consegue dizer problema :)
    Deus meu, como somos preconceituosos! Onde vou ouço queixas sobre sotaques, comportamentos… Acabo de chegar de Paris e vi como são rígidos os franceses,intolerantes. E está cheio de gente de outros lugares lá- é preciso se abrir, senão… que merda somos, um bando de mesquinhos, agarrados ao familiar, aos pares.
    Difícil conviver com pessoas com tantos pré- conceitos.
    Eu gosto de vc, Caetano, por ser aberto. Eu tento.
    E tb sou Gabeira desde que este existe na vida pública. Pena que agora estou aqui e não vai dar p votar nele :(
    mas dá para colaborar, isto dá.
    Marta pisou na bola, foi burra tb, agora que segure a peteca. Era ‘A sexóloga’, ‘A liberal’. Não importa qual é o objeto de desejodo outro, faz favor… estamos no século 21
    Um abraço,
    Laura

  60. nelson disse:
    Outubro 19th, 2008 at 3:06 pm

    continuação do post anterior:

    do mesmo modo que na musica há uma diferença entre ouvir e escutar,entre duvidar e sentir, entre experimentar e se arriscar , te perguntaria se na linguistica há uma diferença entre compreender e
    e se comunicar?

    abraços nelson

    canção do dia:

    http://br.youtube.com/watch?v=PSFIWnd7_p8

    a elegância de rosa passos , uma rosa brasileira
    felizmente pra gente

  61. Vianna Vana Caravana disse:
    Outubro 19th, 2008 at 4:17 pm

    Poxa Caetano!Mas Minas é o estado mais fronteiriço.O norte mineiro e aquele sotaque tão abaianado.Por sinal delicioso no rumo norte o contato com aquela macieza no sotaque.Vide o montesclareano Beto Guedes.O sul tão caipira paulista.Juiz de Fora é meio nossa capital fluminense.Belô é meio centrão,meio sertão,meio tudão…Acho que a turma que você se referiu dos que riem dos caipiras é daqueles belorizontinos que emigram para Sampa achando que lá é primeiro mundo e se esquecem que Jeca Tatu nasceu mesmo foi em São Paulo.

  62. Lucas Matos disse:
    Outubro 19th, 2008 at 5:18 pm

    Roberto Joaldo, adorei seu comment relacionando as críticas à adoção do soneto por parte do glauco com as idéias do cícero sobre vanguarda. Aliás, não tinha lido a entrevista do Cícero, quando li, caí pra trás. Especialmente com essa citação: “quem tem demasiado desprezo pelo finito não chega a realidade alguma, permanece no abstrato e consome-se a si próprio”. O Cícero escreveu uma barbaridade sobre poesia sábado passado na folha. A única coisa na entrevista que me pegou e me pareceu meio que um ponto cego ali, no pensamento que ele expunha, era quando ele falava do “poema bom”. O que, diabos, vem a ser um bom poema, afinal? Me lembro vagamente de ele falar de modo breve sobre isso no finalidades sem fim, mas não tenho certeza. Carlito Azevedo, diferentemente, no forum do blog das escolhas afectivas, disse se interessar hoje não por esse critério da qualidade, mas por poéticas que se apresentem como aventuras intelectuais. O que, se bem compreendido, pode ser efetivamente mais interessante.

  63. Vianna Vana Caravana disse:
    Outubro 19th, 2008 at 5:30 pm

    Minas ter precoceitos é fantástico.Foi formada por migrantes nordestinos e bahianos.E claro os “grandes” exploradores bandeirantes paulistas.Mais negra que Minas só a Bahia.Também prefiro a divisão regional antiga BA+MG+SP+RJ+ES=LESTE.O meio-norte MA+PI então,bacana demais da conta,muito mais a vê.

  64. Nando disse:
    Outubro 19th, 2008 at 5:35 pm

    Laurene (comentário 62): ao menos em Belo Horizonte motorista mineiro não é exemplo para ninguém (e realmente não sei em que parte do país um motorista poderia ser exemplo para os demais). Então, chamar de “baianada” ou de qualquer outro nome uma falha no modo de conduzir um veículo é só uma maneira de afastar problemas que antes deveriam ser tratados dentro de casa. Ou devemos concluir que no trânsito mineiro a grande maioria dos motoristas é baiana e não mineira.

  65. laurene disse:
    Outubro 19th, 2008 at 6:10 pm

    Oi, Caetano e pessoal, que legal esse papo. Existe preconceito em Minas contra os baianos, principalmente a forma que dirigem. Um dia eu estava com uma amiga num táxi em Salvador. O motorista fez uma ultrapassagem arriscada e minha amiga reclamou: “isso que o senhor fez não é proibido?” Ele respondeu malandramente: “isso aqui, filha, é chamado americano ninja”. Nervosa, minha amiga prontamente respondeu:”pois lá em Minas a gente chama isso de baianada!”

  66. Marcio Junqueira disse:
    Outubro 19th, 2008 at 6:19 pm

    roberto joaldo
    minha indignação se baseia muito na leitura do cicero também. agora mesmo por esses dias tenho lido o “finalidades sem fim”, que é uma linda coletanea do cicero, em que el fala sobre poesia, artes e suas ideias sobre vanguarda. as contribuições do cicero nesse terreno devem ser bem mais valorizadas. mas para além da leitura do cicero, sempre me pareceu estranho a postura de alguma pessoas que , se arvoravam, de cultivar a vanguarda e eram tão reacionarias. o texto do cicero que abre o “finalidades sem fim” é uma aula para gente pesnar essas questões.
    é isso.

  67. Nobile disse:
    Outubro 19th, 2008 at 6:30 pm

    salem,

    sempre preferi os discos gravados “ao vivo”. tanto que meus favoritos do caetano são transa e circuladô vivo. achei interessante sua visão da coisa: a diferença de cantar e por voz. uma versão ao vivo, ainda que tecnicamente inferior, me soa melhor aos ouvidos. não que não hajam pérolas gravadas em estúdio - longe disso. mas é que como vc mesmo bem pontuou, é diferente por voz e cantar. e eu prefiro o canto.

    transa foi gravado “ao vivo”, mas sem platéia - cartano cantava junto com a banda. pelo menos foi assim que li uma vez (já fiz algumas citações furadas aqui e o caetano, subliminarmente, me corrigiu - espero não estar dizendo borracha desta vez, mas minha memória me trai).

    e como já disse em outra oportunidade, cassia eller acustico, pra mim, é o ultimo melhor disco do século XX.

    abçs.

  68. Aline Athayde disse:
    Outubro 19th, 2008 at 6:41 pm

    Que linda sua música na trilha sonora do filme: O Romance…. me deleitei!

  69. Fernando Salem disse:
    Outubro 19th, 2008 at 6:59 pm

    É preciso diferenciar “discriminação linguística” de um costume brasileiro que considero saudável de gozar ou imitar sotaques regionais.

    Gosto quando os cariocas imitam os paulistas (sou paulista). Soa caricato e é um modo da gente ser escutado à voz dos outros. Quando era pequeno adorava imitar baiano e isso não era uma depreciação. Era uma espécie de homenagem aos personagens nordestinos do meu bairro, que eram queridíssimos.

    Aqui em SP de vez em quando alguém puxa um “s” carioca como forma de parecer alguém mais “sacado”.

    A discriminação que de fato existe no sudeste contra nordestinos não se dá ao meu ver pela notabilidade do sotaque, mas pela origem humilde.

    Quando os tropicalistas apareceram, lembro que tinha um montão de gente que puxava o sotaque baiano porque soava “inteligente”.

    Finalmente, as inseguranças da língua são típicas do nosso país tão adolescente que ainda busca a melodia ideal pra se afirmar socialmente. E eu acho esse intercâmbio de sotaques uma farra.

    Achei bem engraçado ver a Grazzi Massafera na novela com um carioca domesticado pela Globo. O sotaque caipira dela é sensualíssimo! Ela perdeu a brejeirice.

    E adoro quando vejo o Pedro Simon na TV do Congresso com aquele errrre sulista, quase “de época”.

    A nossa língua {letra) está em construção (ou seria em progresso?) e as nossas melodias também. A idéia de discriminação às vezes soa um tanto xenófoba.

    Que as línguas se misturem. Beijos de línguas.

    O língua brasileira é um samba de amor e malandragem. Tem afeto e tem sacanagem. Por isso as piadas de língua, as imitações, as caricaturas são divertidas.

  70. joana disse:
    Outubro 19th, 2008 at 7:38 pm

    pôxa salem, que bom vc gostou…

    seu gotejante encaixou perfeito

    deu um banho no bagno.

  71. Heloisa disse:
    Outubro 19th, 2008 at 8:29 pm

    Nelson,

    Não sei se entendi sua pergunta. De qualquer forma, leia o trecho de um comentário que encontrei por acaso:

    ‘Na Cafetaria Oxford, da nobre e pailanesca cidade de “La Coruña” , entrei, pedi um café com leite morno…
    O moço -bastante velho- disse-me que que era morno?… que lá nao falavam “portuguxés” (sic).
    Expliquei serenamente.
    Trouxe-me um café a ferver.
    Disse-lhe que lho pedira morno, ergui-me e fui-me.
    O moço saiu trás mim, mas já foi tarde para ele. Nem volvi daquela nem voltei em adiante.’

    Não sei se você sabe, mas essa mistura de português e espanhol é o galego, falado na Galícia, noroeste da Espanha. O assunto, como você viu, é discriminação lingüistica, que infelizmente não escolhe lugar - é global como tudo mais. Esse comentário foi a respeito de um fato acontecido na região: um atendente da ‘cadeia de hamburguesas’ (que delícia é a variação lingüística) exigiu que o cliente falasse espanhol, alegando não entender galego. No caso da cafeteria, houve uma tentativa de comunicação que o atendente não compreendeu, ou não quis compreender. A comunicação se faz por escolhas lingüísticas (como o galego, no caso contado), por gestos, sons, desenhos, música, expressões faciais, e o que mais a imaginação humana quiser criar. A compreensão é diferente: depende de habilidade, conhecimento de mundo e interação com o outro. A história da cafeteria é compreendida, a princípio, pela óbvia semelhança com nossa própria língua. No entanto, depois que expliquei o fato a que ela se referia, você entendeu melhor, certo? Não sei se era isso que você queria saber, mas espero que você goste de minha explicação assim mesmo. E obrigada por tudo o que você disse sobre Minas e sobre mim: minha terra merece, mas eu nem tanto. Um abraço.

    E um beijo a todos que me escreveram com tanto carinho: fico feliz em inspirar tantos comentários.

    Caetano,

    Desculpe-me por colocar palavras em sua boca: tudo o que escrevi foi por dedução lógica a partir de comentários seus. Curiosamente, espero estar enganada desta vez. Sabia que você iria discordar da minha definição de onda. É que, pelo menos para mim, onda é algo que se forma e passa. Então, se você diz ‘a onda de não conjugar os verbos…” você parece ver a tendência como algo que surgiu, assim, ‘out of the blue’, e pode passar logo. Era isso que eu queria dizer. Quanto à sua pergunta: ‘Por que deveria eu apoiar a arrogante discriminação dos professores de gramática que se tornam populares?’, afirmo que em nenhum momento pensei nisso. Aliás, sempre que cito Marcos Bagno é para criticar essa posição dele. Já fui professora de gramática, literatura e produção de texto: amo essa língua com todas as suas regrinhas e esquisitices, apesar de não dominá-la nem de longe como você. Admiro Pasquale e acho que todos os brasileiros deveriam ter acesso à beleza de nossa norma culta, para que pudessem entrar no mundo dos livros e conhecer outros, sete mil outros em progressão infinita… Baci milli per te!

  72. Lígia disse:
    Outubro 19th, 2008 at 9:39 pm

    Estou emocionada e triste por saber da morte de Alvinho, agora, ao entrar no seu blog. Os poucos jornais existentes em Salvador não deram a ele a devida importância. Aliás, Alvinho ficou esquecido por todos nós há bastante tempo.
    Trabalhamos juntos, quando fizemos uma homenagem para Jorge Amado, na inauguração da TVE baiana. Começamos do nada, mas fizemos um lindo especial sob a direção do incansável Alvinho, que explodia em alegria pelo que estava fazendo.Jamais esquecerei da sua garra no set de gravação, que nos ajudava a fazer o melhor.
    Caetano, adorei a sua humildade por reconhecer em Alvinho o lindo homem que sempre nos estimulou com a sua alegria de viver.
    beijos

  73. Ricardo Vieira Lima disse:
    Outubro 20th, 2008 at 12:30 am

    Exequiela e Roberto Joaldo de Carvalho,
    Guimarães Rosa já disse: “Amar é sede depois de se ter bem bebido.”
    Difícil falar sobre o amor, sem incorrer em lugar-comum.
    Roberto, gostei muito da sua adaptação de Maiakóvski, via Augusto de Campos. Concordo com tudo, também, que você falou sobre o Glauco Mattoso, para mim, um dos grandes poetas brasileiros vivos.
    Exequiela, o seu coment sobre o amor me incomodou. Mas, ao mesmo tempo, me inspirou. Não gosto de pensar nesse sentimento somente como tortura, desilusão, maldição, mas como libertação, tesão, alegria.

    Abaixo, dois cantos amorosos:

    FLOR DO ÉBANO

    Todo amor é negro, sempre negro,
    mas sua ausência é a pior fortuna.
    E sendo amor, será desassossego,
    embora tal sentir não há quem puna.

    Todo amor é medo, festa e atropelo,
    e o seu avesso ainda nos perturba.
    Mas sendo sonho ou mesmo pesadelo,
    renova o céu, doando mel à turba.

    Flor do ébano, o meu gozo, juro,
    a tuas entranhas sempre se dirige.
    Amar a ti, mulher, faz bem ao ego.

    E se vierem outros tempos duros,
    não fugirei, que o amor assim exige.
    Pois só a ti, mulher, é que me entrego.

    CANÇÃO DE SEGREDO E SIGILO

    Meu segredo é te amar em sigilo.
    Extrair o pistilo, o sexo da flor,
    pra fazer deste amor um laurel, um bacilo,
    e transbordar de alegria até o esplendor.
    Pra te amar com fervor. Pra te amar com estilo.
    Em surdina. Sem ninguém mais supor.

  74. Jorge Portugal disse:
    Outubro 20th, 2008 at 12:41 am

    Caetano: a paróquia da Purificação completou ontem 400 anos, que nos contemplam com o som barroco das jaculatórias.A Bahia fica sem Alvinho e sem Nilda Spencer.Nicinha fez “oitenta” e, segundo me disse,trocou as moquecas apimentadas pelas inofensivas saladas.O seu blog tem o condão de acender o caleidoscópio tropicalista como atitude e método.Inteligência inquieta na corrente sangüínea do Brasil.Bethânia começa cantando “Fera Ferida”pelo verso:”Não vou mudar!”.Isso já é, em si, um manifesto.Só Ela tem autoridade e autorização para reescrever, com a voz,os poemas definitivos de nossa literatura musical.
    O resto é “bagno”de língua viperina.

  75. Carolina disse:
    Outubro 20th, 2008 at 1:12 am

    Depois do sonho… Pensei que o post seria muito longo e eu ainda estava muito impressionada com o show onírico que assisti.
    Agora, a noite, li com calma.
    Eu gosto mais de erasmo, mas me emocionei com vc cnatando debaixo dos caracois dos seus cabelos (que é Tão Roberto). A Marta pisou mesmo na bola, mas o Kassab poderia ter se saído melho se não se explicasse tanto…
    Enfim não vou ficar conversando com seu post porque estou simplesmente satisfeita em ler o que vc escreveu as 6 da manhã… Vou te linkar no meu blog.

  76. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Outubro 20th, 2008 at 1:13 am

    Márcio Junqueira,

    Que bacana! Recentemente eu vi algo sobre esse livro de ensaios de Cícero no portal Cronópios, e não vejo a hora de lê-lo. E só agora atentei que ‘Finalidades sem fim´segue bem divulgado no próprio espaço web do poeta e filósofo, que republica resenha para O Globo - Prosa e Verso, intitulada Liberdade e aguda ironia, escrita por Francisco Bosco.

    Já pela resenha, o sentido de ‘ironia’(caro para a compreensão da aventura da modernidade no pensamento de Cícero), enquanto consciência crítica do saldo histórico das vanguardas, se amolda também à oficina desconcertante de nosso sonetista experimental Glauco Mattoso, citado por Caetano desde a canção Língua como um de seus “nomes” adorados na Lusamérica.

    -texto completo da resenha aqui:
    http://www2.uol.com.br/antoniocicero/finalidades.html

  77. Vero (URUGUAY) disse:
    Outubro 20th, 2008 at 1:43 am

    Caetano querido:

    Las especiales “coincidencias” existen, fuí testigo fideliño de eso; sabes? hoy salí de paseo con un día hermoso de “sol”, (25 grados,cielo totalmente despejado con un Río de la Plata azul,como a mí me gusta verlo)asi que me diriguí a la 31(exag)Exposición de libros que se presentó en Mdeo.;ya que hoy era el cierre de la misma, aproveché! y para mí feliz coincidencia, me deparo con el stand de Casa do Brasil,(que es Centro de Idiomas y Cultura do Brasil claro! primera vez que exponen), y encuentro el libro -Balance(o) de la bossa nova y otras bossas de Augusto de Campos-. Para mí asombro el único que tenían, me pareció como si el libro estuvieseme esperando, al menos asi lo sentí, hasta la posición en que se encontraba cuando lo tomé en mis manos para ojearlo y adivina en que página lo abrí! así de primera nomás!!: Conversación con Caetano Veloso: Caetano dijo que consideraba al tropicalismo un neo-antropofagismo(aludiendo al movimiento de la antropofagia de Oswald de Andrade). Y por suerte llegué a entender de que hablaba Teteco en el coments43.
    Te juro que estoy maravillada! no puedo creer la “divina coincidencia”, porque justo en el post nombras a Augusto de Campos, y así supe mucho más de él, que bueno!no paro de leer…voy por la parte cuando…lo qué sucedió en el Festival Internacional de la Canción, cuando tuvieron lugar las eliminatorias paulistas, en el TUCA.
    Me encanto aquello de ir más allá del hecho musical y de saberte coherentemente con la letra de tu canción así tan “desafiante”, con el coraje de DECIR NO AL NO.
    Admiré y admiro en tí esa integridad artística!!.
    Estoy aprendiendo mucho,…. y eso me pone euforica…

    Me gustó la pregunta que Augusto de Campos le formula al comienzo del libro a Joao Gilberto,en Nueva Jersey,7 de mayo de 1968:-¿Qué decirle a Caetano?
    -”Dígale que voy a estar mirando en dirección a él”.

    Qué se puede comentar después de tal respuesta?…melhor do que o siléncio só Joao…exactamente. Caetano querido.

    Y si tú me lo permitieras hoy yo te diría LO MISMO QUE JOAO respondió. Dándote las gracias privilegiadas por estar en “dirección”, contigo, mirando justamente y juntamente “obra em progresso”.

    Voy a terminar de devorarme el libro…pero ya te digo que me encantó y que estoy muy feliz! por mi compra tan antenada. Pregunté por “Verdade Tropical” pero aquí como siempre está difícil de conseguir…mais NO VOY A DESISTIR DE TENERLO!. Prometo mismo.

    Ate…com beijos no coraçao. Vero.

  78. teteco dos anjos disse:
    Outubro 20th, 2008 at 2:08 am

    Glauco, Erasmo…ok..queremos tudo.
    Mas alguém neste blog
    sabe me dizer
    por onde anda
    o fabuloso
    Elomar Figueira Melo?

    Heloísa; Elomar é uma das maiores representações em nossa música de que a língua é viva. Ele é o próprio “sertanez”, luso-ibérico-árabe-nordestino..o “inventa-línguas”, como diria Haroldo de Campos.
    Você fala do “galego”, a mistura do português com o espanhol. Um fato curioso, se te interessa, é que alguns dialetos “sardos” ( são quatro )e, em especial o da região de Sassari, misturam palavras comuns ao português, espanhol, italiano (claro) e árabe. Deus, em sardo-sassari, por exemplo, é Deus. O mesmo famoso vocábulo do nosso português.

  79. teteco dos anjos disse:
    Outubro 20th, 2008 at 3:36 am

    O ERRE
    …no Vale do Paraíba paulista usamos e abusamos do “erre líquido” ou retroflexo, como queiram. “amarrr..darrr tudo, não terrr medo, tocarrr…”
    Sim,o Jeca Tatu aflorou em São Paulo. Lobato (natural do Vale do Paraíba) o imortalizou em “Cidades Mortas”. Gil expandiu a coisa em “Jeca Total”, e temos orgulho de sermos “jecas”.
    FHC - vocês se lembram? - disse categóricamente e diplomaticamente que éramos “todos caipiras”.

  80. laurene disse:
    Outubro 20th, 2008 at 7:44 am

    Oi, Caetano, gostaria de dar mais um toque. Aqui na UFMG não se fala tanto em Bagno quanto em Marcelo Perine, que seria “o” cara da ciência linguística, enquanto Bagno seria mais político/midiático.
    BH, inclusive, é um desafio para os linguistas (sempre eles!) pois é uma cidade que não formou bem um sotaque, é composta por gente que veio do interior e de outros estados.
    A melhor posição é a intermediária que uma professora da UFRJ sugeriu para vc.
    É porque, afinal, o diferencial é que a linguística está mais próxima das ciências exatas do que a gramática (sou professora de Matemática, inclusive, e posso perceber). E isso, na universidade e para os institutos de pesquisa, vale ouro. Já o culto à língua vale ouro na mídia, mas é uma tradição rígida e que, dizem os linguistas, sempre existiu, embora agora esteja na TV.

  81. João Segundo disse:
    Outubro 20th, 2008 at 12:50 pm

    Caetano, ficou pra além de canastrona a propaganda da Marta, mas como sempre o jornalismo de sampa conseguiu superar a babaquice da campanha de João Santana, em muito!
    Todos os que sempre demonizaram Marta, em parte, invadindo (e por vezes caluniando) sua vida pessoal agora estão com o estandarte da privacidade. São guardiães da vida privada somente agora, quando se queria tirar Kassab à força do armário de sua sonsice política, humana e social.

    Marta desesperadamente quer concorrer contra uma biografia humana e não contra um simulacro de gerente urbano (que mal chega a ser prefeito), pois ela é escancaradamente presente em sua carreira política e reputação pessoal.

    Acho que não se deva fazer crítica à campanha de Marta fazendo eco às colocações hipócritas da mídia paulistana da FSP, VEJA e cia.

    Por isso, o parabenizo pela colocação que fez, única em toda minha leitura sobre o assunto:

    ” Se eu fosse o Kassab, eu teria respondido ao indiscreto que, na sabatina da Folha, perguntou ‘você é homossexual’?, assim: ’sou’ ”
    Diria o mesmo.

    Pois é, saber se Kassab é Gay interessa na medida em que está perdendo a oportunidade de romper com o preconceito. Pelo contrário, em seu projeto político da neutralidade absoluta cultiva a arte de não acumular rejeições às custas dos avanços culturais que poderia promover. É lamentável.

    Novamente parabéns por ter saído da mesmice dos comentários sobre a questão.

  82. Angelo Gilson disse:
    Outubro 20th, 2008 at 1:26 pm

    Olá Caetano!
    Com certeza seu blog é importante e nesse momento de tristeza da morte do nosso Alvinho eu tive o prazer de trabalhar ao lado de Álvaro e não precisei saber que ele era seu amigo e que foi importante em sua vida porque ele foi importante na vida de todos que estiveram ao lado dele mesmo que por um comentário. Eu tbm o chamava de Alvinho mais não sabia que era um nome tão íntimo. Acho que todos que se aproximava dele sentia essa nessecidade de cultivar os carinhos com ele. Ele era meu colega de trabalho aqui na rádio 88 FM e um dos momentos que tenho com ele é que ele odiava computador e mais gostava do progresso e ao invés de se sentar na sala preferia ficar em baixo do solitário pé de côco para poder ilustrar os seus ilários comentários. Alvinho com certeza deixa-nos saudosos e cheios de orgulho e intusiasmo. Ele um dia chegou na radio feliz da vida nos contando que ficou a madrugada ao telefone com você.tentei visualizar o tipo de conversa que vocês tiveram, mais o importante mesmo é saber que aquela madrugada ele não estava só e sim feliz. Parabéns pelo seu comentário.

  83. Lígia disse:
    Outubro 20th, 2008 at 1:59 pm

    teteco dos anjos: O malungo Elomar, recentemente lançou o “Sertanílias” em Salvador e chegou de uma pequena tournée: São Paulo, Porto Alegre e Portugal. A sua “Porteira” oficial é: http://www.elomar.com.br/index.html
    No mais, “Minha vida é chiqueirar e pastorar, tangerino de ovelhas e bode.”
    abraços.

  84. nelson disse:
    Outubro 20th, 2008 at 2:01 pm

    heloisa,

    amei sua explicaçã muito charmosa rsrsrsrsrsrs.

    O que motivou minha pergunta foi o contexto da discussão entre vc e caetano no sentido de que o que importa é ser compreendido e não exatamente o som das palavras ou o modo como se pronuncia as mesmas.

    Se o erré é”carregado” ,”liquido”,”iliquido” ou retroflexo ou ainda
    se há 8 9 OU 10 ditongos na lingua inglesa enfim é bacana problematizar estas questões mas pelo menos pra mim o barato é se comunicar com uma postura benevolente de compreensão, sem preconceitos ou sem discriminações(segundo suas explicações) este é o mundo ideal.devo estar falando sandices e por falar em palavras palavras palavras segue a canção do dia, em que pensei substituir a palavras world pela palavra word kkkkkkkkk, hehehehehehehe, rsrsrsrsrsrs .hihihihihihihi em sua homenagem então o titulo da canção deve ser i´ve got the word on a string e no final tem uma pssibilidade do caetano treinar a compreensão do inglês quem sabe ele para de ter aversão ao minimo multiplo comum linguistico mundial …

    beijos com sabor de palavras …..

    http://br.youtube.com/watch?v=_VSqDzkphtw

  85. Helena disse:
    Outubro 20th, 2008 at 3:24 pm

    Amei “o parto de um “canto” fecundado em meses de gravidez” Excelente Salem.

  86. Helena disse:
    Outubro 20th, 2008 at 3:32 pm

    Heloisa:”erre líquido” X “erre não líquido”, confuso isto p/ um não linguista. Peço a saidera: explica melhor! Bjo.

    P.S: Amo estas discussões!!!

  87. Carlos "Alemão" Moura disse:
    Outubro 20th, 2008 at 3:43 pm

    Kassab não é Caetano.

    Caetano, como deves saber, Sampa está muito, muito perigosa.

    Quanto à questão sobre a sexualidade do Kassab, assumo: se o seu eleitorado do prefeito se diz ofendido pela campanha tanto quanto Marta é preconceituosa, então sou preconceituoso também.

    Não se pode colocar em dúvida a colaboração que Marta trouxe para iluminar o tema na nossa sociedade, por conta de uma publicidade, apenas. Como também não vão conseguir transformar um títere, um boneco, em um símbolo da luta. Ele jamais responderia a sua resposta…Kassab jamais seria Caetano.

    Fico com o Luiz Mott, que respondeu assim ao portal Terra:
    “Colocando na balança duas perguntas dúbias, que podem ser interpretadas não necessariamente como homofóbicas, e todo o histórico de ações e declarações favoráveis, não podemos tripudiar em cima de uma figura tão importante na nossa cidadania GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros) no Brasil”.

    Forte abraço e parabéns pelo blog.

  88. Nobile José disse:
    Outubro 20th, 2008 at 4:19 pm

    sotaque não se escreve
    quando digo xis
    quando falo o esse
    se vou pra bahia
    ou volto pro sudeste
    com o meu erre pastoso,
    sotaque só dá pra dizer
    porque não se escreve

    os sotaques das novelas
    não existem no jornal nacional

    quem é que fala sem perceber
    o sotaque industrial?

  89. Marcos Lacerda disse:
    Outubro 20th, 2008 at 4:21 pm

    Este papo já tá qualquer coisa…Poderíamos avançar um pouco a conversa, e iniciar uma discussão sobre os temas do novo disco. Não sei se gosto desta mistificação em torno da figura do Caetano Veloso, como se ele fosse uma espécie de oráculo, capaz de falar sobre tudo e todos. Duvido muito que o Caetano tenha lido bem a obra de Marx para poder falar com uma pretensa autoridade sobre este grande pensador, levando em consideração que entender bem a análise de Marx sobre a sociedade moderna capitalista não significa aderir ao projeto das esquerdas, que têm nele uma ancoragem teórica poderosa. Desconfio de que Caetano apenas leu algumas poucas páginas sobre Marx, e os textos que são explicitamente contra a teoria construída pelo autor de “Capital”. Quer dizer, a impressão que dá é que estamos diante de análises de segunda mão, impressões difusas e opiniões que só servem para afirmar vaidades pessoais, etc. Gosto muito do livro de ensaios “Verdade Tropical”, é um livro notável, muito bem escrito, e com inquietantes interpretações sobre o Brasil e o Mundo, sob diferentes aspectos. Além disso, considero a coletânea de textos ” O Mundo não é chato” quase tão boa quanto verdade tropical, na verdade muito mais irregular. O que quero dizer é que Caetano escreve muito bem e tem uma capacidade incrível de pensar de forma imprevista e, às vezes, surpreendente. Mas isso não quer dizer que as coisas que fala não devam passar por uma análise crítica menos condescendente e salva das tietagens desnecessárias. Em suma, queria mesmo que fosse discutida os temas das canções, a própria feitura do disco, as letras, etc., e não que se fingisse um saber que não se sabe…Espero que o moderador antropólogo, ou o antropólogo moderador, libere o acesso para este comentário, pois já fui censurado em outros…

  90. Marcos Lacerda disse:
    Outubro 20th, 2008 at 4:53 pm

    Este comentário tem relação com a fala de Carlito Azevedo, numa entrevista que deu à Revista Cult. O poeta carioca falava do seu incômodo com as entrevistas dos artistas em geral, que pouco ou nada falavam sobre os seus instrumentos de trabalho, ficavam divagando sobre temas variados, às vezes de forma equivocada. Ele citava a fala de uma poeta portuguesa que dizia ter aprendido mais com a Bic do que com Baudelaire…
    As canções:
    De que modo ” A cor amarela” se insere numa linha mais ampla de canções cantadas e compostas por Caetano, como por exemplo ” Atrás do Trio elétrico, Sim/Não ( lindíssima canção, alguém se lembra?), Um canto de afoxé para o Bloco do Ilê, Depois que o Ilê passar, meia-lua inteira, Neide Candolina, Nossa gente ( avisa lá), Não enche, Alexandre e tantas outras de Livro, 13 de maio e tantas outras de noites do norte, etc.? Como ” A cor amarela” pensa a axé-music, este modo de fazer canção no Brasil que tem ganhado versões, adesões, dissensos, e variaçõesn durante décadas? Por fim, ao ouvir ” A cor amarela”, e por conta da menção à cor, fiquei pensando nos versos belíssimos de Santa Clara, padroeira da televisão: ” Quando a tarde cai/Onde o meu pai/ me fez e me criou/ Ningué vai saber/Que COR me dói/e foi aqui ficou…Que cor me dói é lindíssimo, é aquele mistério da poesia, aquela coisa toda do poeta, aquilo que nos deixa transtornados, um conjunto de palavras que nos desconcertam, é lindo demais, e tão complicado para dizer assim…

  91. Helena disse:
    Outubro 20th, 2008 at 4:57 pm

    Heloisa: Deixa a saideira pra lá… a discussão toda já me deixou tonta o suficiente por hj(estou mesmo cançada), e sei que isto n vai acabar tão cedo, ou seja, vou ler muitos comentários esclarecedores anida.

    Caetano: Robeto e Erasmo; pra mim é tudo uma coisa só(foi onde começei a sentir música brasileira com a consciência de ser brasileira e me orgulhar disso). E “Fera Ferida” na voz de Bethânia é como “Gita”; cantos de libertação (gosto de ouvi no último volume e cantar gritando de braços abertos - claro que sozinha, pq ninguém merece este incómodo rsrsrs…).

    Alvaro e Nilda… nem vou dizer pq o mais bonito já foi dito.

    Bjos.

  92. Exequiela...Agridulce disse:
    Outubro 20th, 2008 at 5:21 pm

    Vaya viaje me hice con “Amurado” y otros tango… y que conste que ni vinho tomei! JA-HA.

    Ricardo: también creo en las Flores de Ébano.
    Existe esa frase: “no aclarés, que oscurece” Pero aclaro igual (con el sentido literal y simbólico de la palabra). No es que para mí el amor sea exactamente como lo describí. Pero mi cabeza vuela de una manera!! y basta tener un día de tangos como “amurado” o “lloró como una mujer” para transportarme a mi oscuridad o a mis recuerdos de Exequiela.. “la maldita”- No creo que nadie pueda decir que no ha estado maldito alguna vez. Incluso en el largo camino del amor compartido con una misma persona, tenemos etapas de maldición y bendición. Sería muy injusto que quede la imagen de que yo creo solo eso del amor. Pero sigo afirmando que el amor por momentos es maldito. Y digo injusto porque soy muy afortunada en el amor (quizás demasiado). Tan afortunada, que aprendí a agradecerle por tanta bendición a un Dios en quien no creo.
    Roberto Joaldo: Qué bilhete! …Ainda chegaremos até elas. Se antes não atingirmos em cheio o coração de alguém.

    SIEMPRE habrá alguien que enloquecerá nuestro corazón de libertad. Sobre todo, si el corazón es de aquéllos que no se cansan de tener esperanza.

    UNA ULTIMA REFLEXIÓN CLAROSCURA
    Porque ese cielo azul que todos vemos, ni es cielo ni es azul. ¡Lástima grande que no sea verdad tanta belleza!
    ¿y es menos grande , por no ser realidad, tanta belleza?
    (Bartolomé Leonardo de Argensola)

  93. Exequiela...Agridulce disse:
    Outubro 20th, 2008 at 5:27 pm

    Qué bueno que este blog se haya vuelto menos moderado, no? Recuerdan cuando sólo se podía comentar sobre lo que escribía Caetano? Confieso que estaba bastante desilusionada y sorprendida con tanta regla exigente y pensaba:
    o fato de os moderadores desrespeitarem os direitos de os comentaristas em solo Caetaniano é por demais forte simbolicamente para eu não me abalar
    Y “hablando” de Base de Guantánamo. Esa canción sí que es simbólica! Fue compuesta hace unos meses, no? y cuando salga el CD, ese tema no va a ser pre-histórico?! Con todo lo que está pasando en el mundo… especialmente en EUA…. quién se va a acordar de la Base de G?
    ————-
    Lo que hablan de esa Marta… me hizo acordar a lo que dijo Obama en el último debate cuando le preguntaban qué pensaba de los ataques personales que recibía continuamente de McCain. Dijo: “eso habla más de su campaña que de mi persona”. Es una de las frases más inteligentes que le escuché decir.
    En los ataques despiadados y tan personales se trasluce más la personalidad del atacante que del atacado. Sí o no?

  94. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Outubro 20th, 2008 at 5:37 pm

    Além de um acontecimento intratextual ímpar com Caetano, este blog se tranforma, cada vez mais, num espaço intertextual entre nós.

    Antes de eu voltar para entretecer verbos com o que disseram e mostraram Ricardo Vieira de Lima e Lucas Matos, principalmente a partir da atual reposição em cena do nome de Glauco Mattoso por Caetano, externo aos demais tripulantes desta infocaetanave minha preocupação pelo sumiço deste espaço, por dois longos e para mim desesperados dias, de Exequiela, e justo após ela nos postar sobre aquela maldição… do amor que a assolou!

    Exequiela, meu espanhol xinfrim ainda não me permitiu adentrar bem os muros labirínticos de Amurado, conquanto seu ‘tonus’ tenha me impregnado até os ossos. E só pude reagir daquele modo intempestivo-sublimado: sacando, de meu coldre, um eterno Maiakóvski carregado no ponto de ser engatilhado.

    Mas ouvir você cantando Tarde em Itapuã… Puxa, como não ficar - este baiano de um sertão iberizante que sou, vivendo em exílio literâneo em Salvador - por ti ‘amurado’ (apaixonado)?

    Confiram. E que capítulo lingüistico à parte a pronúncia dela, em matéria de fonética e ainda de prosódia:

    http://www.myspace.com/exequiela

    -Preciso prestar um tributo. Enumerar sempre dá margem para a injustiça de algum esquecimento: mas até aqui, pegado o vagão andando, já sou fã incurável de vários caetanautas: além de Exequiela, também de Salem, Teteco, Nelson, Heloisa e de um abduzido Tyrone…

    Que vício - ao lê-los desde o início!

  95. Fernando Salem disse:
    Outubro 20th, 2008 at 6:32 pm

    OI MARCOS

    VOCÊ É PARENTE DO CARLOS LACERDA?

    VOCÊ DIZ:
    “Não sei se gosto desta mistificação em torno da figura do Caetano Veloso, como se ele fosse uma espécie de oráculo, capaz de falar sobre tudo e todos.”

    EM SEGUIDA DIZ:
    “Gosto muito do livro de ensaios “Verdade Tropical”, é um livro notável, muito bem escrito, e com inquietantes interpretações sobre o Brasil e o Mundo, sob diferentes aspectos.”

    ORA, VERDADE TROPICAL TEM MUITAS INCURSÕES SOBRE ASSUNTOS DIVERSOS, ASSIM CAETANO FAZ POR AQUI. ALIÁS VERDADE TROPICAL É RECORRENTEMENTE LEMBRADO PELOS COMENTS DE MUITA GENTE E PELO PRÓPRIO CAETANO, DADA A PROXIMIDADE QUE O LIVRO GUARDA COM ESSE ESPAÇO.

    CAETANO ESCREVE SOBRE O QUE QUISER, NA HORA QUE QUISER. LÊ QUEM QUER.

    O MAIS ENGRAÇADO, É QUE PELOS SEU SEGUNDO COMENT, VOCÊ É MAIS TIETE DO CAETANO DO QUE MUITOS GOTEJANTES POR AQUI.

    EU, PESSOALMENTE PREFIRO CAETANO FALANDO DE MARX, FIDEL, GABEIRA, LOBÃO, NOEL ETC, DO QUE SOBRE SUAS PRÓPRIAS CANÇÕES. JÁ DISSE ISSO AQUI MUITAS VEZES, POR ISSO SEU COMENTÁRIO ME CHAMOU ATENÇÃO.

    SEI LÁ, SE CAETANO LEU OU NÃO LEU A OBRA COMPLETA DE MARX OU SE ALGUÉM O VÊ COMO ORÁCULO. QUE CHATICE!

    O QUE É UMA “ANÁLISE CRÍTICA CONDESCENDENTE” EM UM BLOG? NÃO ENTENDI.

    VOCÊ PROPÕE QUE SE CONTRATE UM ESPECIALISTA EM POLÍTICA PRA FAZER UMA LEITURA PRÉVIA DO QUE CAETANO ESCREVE? OU VOCÊ QUER FAZÊ-LO.

    ALIÁS, SERIA PROVEITOSO SE VOCÊ TIVESSE COMENTADO E ANALISADO O POST EM QUE CAETANO FALOU DE MARX. SERIA DE “MAIS-VALIA”!

  96. Nobile José disse:
    Outubro 20th, 2008 at 6:39 pm

    e tem a última do paes:

    Paes ironizou a presença de artistas no programa eleitoral do adversário. “Faltam propostas ao candidato. É só oba-oba, musiquinha, jingle, muito artista na televisão. Infelizmente não vamos passar os próximos quatro anos ouvindo o Caetano Veloso cantando Cidade Maravilhosa. Adoraria que isso resolvesse os problemas da cidade, mas estamos elegendo o prefeito da cidade, não alguém que vai ficar nos entretendo nos próximos quatro anos”, disse.

    será que eduardo acha que os artistas, de um modo geral, são completamente alienados????

    segue link com íntegra da recortagem folheana:
    http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u458193.shtml

  97. Exequiela...Agridulce disse:
    Outubro 20th, 2008 at 6:41 pm

    Bueno, lo de decirle a Ricardo que también creo en Flores de Ebano suena un poco loquillo… porque lo que quise decir es que también creo en tu visión del amor.

    (estaré siendo clara?)

  98. nelson disse:
    Outubro 20th, 2008 at 6:45 pm

    Pra quase encerrar esta questão dos érres e que tais, uma sintese do rural e do urbano, uma voz que transcende qualquer linguistica, qualquer explicação,qualquer interrogação, qualquer dúvida
    qualquer ditongo, qualquer prosódia,qualquer melódia,qualquer rapapé, qualquer CANAPÉ,

  99. Lucia Alves disse:
    Outubro 20th, 2008 at 7:22 pm

    Sou mineira do “litoral” (divisa com o Rio). Lá, não temos o sotaque forte do interior, nem falamos tão cantado como na capital.
    Só não falamos o “xis” do carioca, isto é, “nósss gossstamossss de bissscoito”.

    Mas “categoricamente” não tem acento. Em nenhuma região do Brasil.

    Vamos contribuir para a salvação da nossa língua!

  100. Caetano Veloso disse:
    Outubro 20th, 2008 at 7:51 pm

    “Categoricamente” tinha acento grave no “o”. Quando eu era jovem, os adjetivos proparoxítonos (que, portanto, levavam acento agudo na sílaba tônica) ganhavam um grave na mesma sílaba quando se lhe adicionava o sufixo “mente” para que ele virasse advérbio. Era a chamada sílaba subtônica. Acho. Eu gostava. “Categòricamente” deixava claro que a sílaba mais forte depois de “men” era “gò” e não “ri”. “Cafèzinho” também tinha acento grave. E “pèzinho” etc. Na verdade eu não gosto da diminuição do número de acentos nem do desaparecimento dos acentos ditos “diferenciais” sob o pretexto de facilitação. Claro que “pèzinho” faz mais sentido do que “cafèzinho”, já que a proximidade com “pesinho” é grande. Se se segue uma racionalidade, OK. Mas “sêde” e “sede” viram um problema se, por exemplo, um poeta decide usar uma dessas palavras como título de um poema. E até hoje não sei por que “êle” não tem mais acento mas “pólo” (pelo menos até aqui) tem.
    Gozado que logo se chie se alguém que não se diz marxista ou comunista ou mesmo “de esquerda” comenta Marx: não tem cultura para isso. Ninguém faz exatamente essa pergunta aos que se dizem marxistas ou favoráveis a Marx. Quantos dos seus denfensores leram Hegel, depois Feuerbach, depois Marx e Engels? Eu, bem, li e leio algum Hegel, li o livro sobre O cristianismo de Feuerbach, li, na extrema juventude, O 18 Brumário (achei quente e chato), e de um ano pra cá dei pra ler longos trechos do Capital. Muito bacana. Mas é mesmo um trabalho intalectual imenso, a que nem sonho em me dedicar. Tom Jobim dizia que músico não gosta de falar de música: “já pensou, ele perguntava, que chatice você sair da gravação e ficar falando de compassos compostos, intervalos de segunda menor e timbre de oboé? - A gente gosta é de fazer música e falar de ciência, política, religião, filosofia e da vida alheia”. Mas eu vou falar mais do disco, da feitura, das letras etc. É que pedi a Moreno e Daniel textos sobre o processo de gravação, e eles estão tão enfronhados em tanto trabalho que não puderam. Pedro, idem (ele produz o disco com Moreno). Marcelo e Ricardo sumiram do estúdio. O bom é que a câmera soviética de Pedro produziu a imagem dos meus sonhos para ser a capa do CD. Pedro, câmera soviética e um filme vencido. Agora vou pro estúdio.

  101. Lucesar disse:
    Outubro 20th, 2008 at 8:00 pm

    Que delícia esse blog, quiçá o único no mundo em que os comments são tão interessantes quanto aos posts, só uma dúvida persiste: Onde Exequiela, Son_ria, Salém, Heloisa, Caetano, Teteco e todos os outros arrumam tempo?

    Beijos a todos, adoro passar horas com vocês.

  102. Fernando de Lima Miller disse:
    Outubro 20th, 2008 at 8:09 pm

    Gostei do seu blog e gosto ainda mais da idéia (impensável,pelo menos nos tempos que eu gravava suas músicas em uma fita K7) de você saber que existe um Fernando de Lima Miller (rs).Vou frequentá-lo sempre…Gostaria de saber sua opinião sobre a Soninha Francine,que foi candidata aqui em SP e agora apóia entusiasmadamente a candidatura do Gabeira aí no RJ…

  103. teteco dos anjos disse:
    Outubro 20th, 2008 at 8:15 pm

    Grazie
    Roberto Joaldo…

    belo o “Poema Liquefeito”

    para você, para eX..
    e outros
    que se atrevem
    entre versos

    um Borges;

    “pensaba que el poeta es aquel hombre
    que, como el rojo Adán del Paraíso,
    impone a cada cosa su preciso
    y verdadero y no sabido nombre.

    Ariosto me enseño que en la dudosa
    luna moran los sueños, lo inasible,
    el tiempo que se pierde, lo posible
    o lo imposible, que es la misma cosa.”

  104. Labi Barrô disse:
    Outubro 20th, 2008 at 9:06 pm

    Ai gente. Chega de falar em sotaque. Que coisa mais chata. Cês vão ficar eternamente comentando sotaque?
    Desculpa, mas hoje estou elétrica. Um furação passou em minha vida. Tudo está revirado. Primeiro a tal cirurgia, depois Nego Dens (meu parceiro há onze anos) simplesmente resolve me informar que foi transferido de cidade. E para completar eu entro na internet para ler algumas notícias e fico sabendo que Ivete Sangalo perdeu o bebê que estava esperando havia seis semanas. Fiquei super entristecida. Olha, eu só não fico deprimida porque Deus me fez SOLAR.
    Aliás, solar é Ivete Sangalo, com seu sorriso maravilhoso, sua eterna simpatia e seu astral prá lá de alto. Deixo aqui minha homenagem a ela. (Isto é, se a mediação permitir né…) Ivete há de superar este triste episódio. É estranho. Não consigo ouvir um CD inteiro dela, mas ADORO a figura Ivete Sangalo. Ela me passa uma coisa tão boa, que não sei explicar. Assim como Sandy e Júnior. São também dois seres solares. Sou fã de carteirinha dos dois. Eles são lindos e transmitem sempre algo de bom. Mas não consigo ser fã da música que eles fazem. Eu gosto dessas pessoas. Acho que é porque são seres solares, como eu sou.
    Gostei quando Caetano disse que deseja ser SOLAR. Achei ótimo isso.
    Mas,sabe Caetano, eu acho que existe algo de solar em Nick Drake também. Em canções como Pink Moon ou Northen sky, por exemplo. São canções que, de tão belas, renascem de maneira solar em meu coração. Pelo menos é assim que sinto. Talvez eu sinta isso porque tenho o mesmo problema que você: entendo o inglês escrito e até falo inglês (arranhando), mas não consigo entender bem, com fluência, o inglês falado e tampouco o cantado. Assim, uma música como So long, Marianne, de Cohen a mim soa como se fosse Caetano Veloso cantando Maria Bethânia (daquele disco que gravaste em Londres,música que eu ouço pelo menos uma setenta vezes por ano. Lorran, minha grande amiga que mora comigo, acha que estou escrevendo besteira. Mas é assim que sinto ué. Tanto que em meu iPod essas músicas entram nesta ordem.
    Bem, para terminar eu quero deixar algumas perguntas para Caetano Veloso. É o seguinte: Eu adoro a interpretação que Caetano fez para SAMBA E AMOR de Chico Buarque. Eu sempre pensei assim: Se um dia eu encontrar Caetano vou dizer a ele o quanto essa gravação acaricia minha alma. Gosto demais. E as perguntas são: como foi a gravação dessa música? Havia alguma mulher a te inspirar? Você estava sozinho com seu violão? Como pode alguém interpretar de maneira tão bela e apaixonante uma canção? Eu realmente gostaria de ouvir um relato sobre o dia da gravação desta música. É isso.
    Quanto a ser solar querido, continue tentando. Assim teremos mais e mais composições e interpretações suas para alimentar nossas almas.
    Gente, cadê Betá Bethânia? O irmão abre um site lindo como este e Bethânia nem aparece? Eu quero ver Bethânia aqui. Cadê a gente famosa? Cadê os artistas? Ninguém aparece não é? E o tal Hermano? Não escreve mais não é? Eu já cansei de ler Salem. E além do mais, ando enciumada. Caetano só fala dele. Mas eu gosto do Salem. Beijos especiais para Ivete Sangalo!
    Labi Barrô, agora entristecida, mas sempre SOLAR!

  105. nelson disse:
    Outubro 20th, 2008 at 10:40 pm

    Para uma tentativa de encerrar esta questão dos errés e que tais KKKKKKKKKK, uma SINTESE sem antítese, sem rapapé,sem canapé, sem melódia,sem prosódia, sem linguistica,sem duvida,sem acento,sem ser rural sem ser urbano, sem ser caipira sem ser moderna,
    APENAS ELA ELA ELA a emoção em forma de interpretação da canção que ficou absolutamente inacreditável na voz dela nossa rainha.

    detalhe o barato da musica é que a gente transcende
    e todo o resto fica meio sem sentido, diante da sintese pela transcendencia que a usica nos proporciona.

    beijos com sabor da palavra cantada
    cantada
    toada
    tatuada
    vc.
    não resisto segunda canção do dia de modo excepcional hoje.

    http://br.youtube.com/watch?v=9wCDE8Lln50

  106. Gilliatt disse:
    Outubro 20th, 2008 at 11:14 pm

    Existe música mais bonita que Angel Eyes? Difícil dizer. Mais difícil ainda apontar a sua melhor gravação: Ella, Chet Baker, Julie London, Sinatra, Sting, a do próprio Matt Dennis, a de Exequiela Goldoni?
    Quem mandou esse apaixonado por vozes sedutoras seguir o link sugerido pelo Roberto Joaldo de Carvalho!
    Cuidado, navegantes desse blog, tem sereia nesse mar!!!!

  107. Júlia disse:
    Outubro 20th, 2008 at 11:43 pm

    Olá! Terei o maior prazer em mostrá-lo, inclusive vou verificar no material bruto as falas do Alvinho sobre você e sua família. Tentamos muito fazer contato com você quando estavamos gravando com Álvinho, pois queriamos muito o seu depoimento sobre o Álvinho e sobre aquela época.
    Se preferir pode enviar para o meu e-mail (jucenturiao@gmail.com) um endereço para postar o material para você.
    Obrigada pela atenção.
    Abraços
    Júlia Centurião

  108. Fernando Salem disse:
    Outubro 21st, 2008 at 12:53 am

    Oi Lucesar

    achei engraçado você perguntar aonde a gente arruma tempo pra escrever no blog. também não sei. trabalho pra cacete em frente ao meu mac, compulsiva e desmioladamente. de vez em quando acesso esse blog como uma forma de descompensação. e os coments saem que nem xixi.

    escrever na web é diferente. isso que o Lacerda não compreendeu e tomou como algo superficial. de fato é. mas e as conversas de boteco? precisam de “análises críticas condescendentes”?

    não quero dizer com isso que a conversa virtual é um papo de botequim. não é, mas também não sarau acadêmico, nem observatório da imprensa, nem réplicas e tréplicas de painel de leitor de jornal.

    estamos exercitando uma nova forma de conversa. é bom, não é?

  109. Fernando Salem disse:
    Outubro 21st, 2008 at 12:58 am

    Caetano disse que foi pro estúdio. Porra, lá vem as minhas fantasias fonográficas perturbar o que resta da minha sanidade.

    Não quero saber o que está acontecendo. Só falo sobre esse CD depois de escutá-lo. Isso, se conseguir falar.

    Caetano no estúdio é algo que não desejo desmistificar. Mesmo que achem que o vejo como oráculo. Prefiro assim. Ponto.

  110. Rosana Tibúrcio disse:
    Outubro 21st, 2008 at 12:58 am

    Creio ser instigante e, muitas vezes, irritante isso que alguém “achar” coisas e usar dois pesos e duas medidas.
    Como assim, Caetano ou qualquer pessoa precisa ser doutor neste ou naquele assunto pra discorrer sobre ele?
    E como assim Marcos? Já que você nem acha, apenas “desconfia” que Caetano leu ou não esse autor???
    Para os outros é preciso saber TUDO e mais “tiquim” e pra você basta “desconfiar”?
    Onde tem essas normas? Na Constituição, na Bíblia, em Manual de auto-ajuda? Fiquei bem curiosa…

    Iniciei esse comentário faz um tempinho, mas precisei sair, no que voltei “percebi”, ainda não li, mas lerei com muita vontade, porque gosto muito de tudo que ele também escreve, que Fernando Salem te respondeu, em caixa alta. Deve ser uma bela resposta.

    Cada coisa!!!!!

  111. joana disse:
    Outubro 21st, 2008 at 1:38 am

    Marcos: também me chamou atenção seu coment. também te percebi mais tiete que muitos aqui. me incluo nessa.

    a Caetano, espaço para ser: Caetano.

    e se ele, como um ser existente, por acaso não for a imagem que temos dele? ôps…não vou ser eu que vou barrar a possibilidade de ele se mostrar…

    eu mesma até já confessei a imagem muito de relance que tinha dele. depois obtive outras imagens de particularidades que jamais colocaria num blog.
    mas porque barrar a possibilidade de ele mostrar a forma que está se construindo nesse momento?

    repenso meus objetivos pra estar usando meu tempo aqui, neste espaço virtual. venho pra apreciar a obra, e os obreiros, tenho meus gostares e dissabores. venho pra imaginar a respeito do trabalho que não vemos (gosto qd Caetano se refere ao trabalho que pessoas como o Daniel, Moreno, Pedrinho, Hermano, Quito e muitos que nem sei o nome estão tendo). além daqui. realizando através de mãos, e pés e orelhas, extensões de seus corações e pensamentos). sou corporal e isso não deixa de existir no espaço virtual. venho para apreciar e perceber se conecta em algo meu. é claro que vou traçando minhas idéias próprias, qd interesso as projeto pra fora, mas não me conecto com essa determinação a respeito do que Caetano deva ou não manifestar aqui. ele próprio é bem grande pra fazer suas escolhas e revê-las quando necessário, influenciado ou não por opiniões que julgar mais coerentes, de alguém daqui, ou não. e menos ainda vejo essa obra como um espaço para “analisá-lo criticamente”. até por que creio que ele não faria algo pra se lançar em uma análise crítica se atirando sem paraquedas do alto de um blog. meu achômetro está errado?
    e olha só: eu sou terapeuta. apesar de gostar muito disso e ter uma facilidade imensa pra destrinchar detalhes pontuais em padrões de construções antigas nas pessoas também não passaria meu dia discorrendo sobre o que se observa nas relações entre as pessoas. tipo os músicos que não saem debatendo os compassos. imagina agora eu também querer uma análise crítica de todos os intrincados detalhes que Caetano expressa em seus escritos e relações que vem aqui, virtualmente, estabelecendo…

    também sinto falta de outras informações sobre o disco, as músicas, mas tem outra forma de pedir isso. uma coisa não precisa negar a outra. e se for pra analisar, então que seja pra valer, mas com a combinação, concordância e parceria da pessoa em questão. e pra fazer crescer…análise crítica de fato é pra isso, não?

    mas quem consegue crescer pra qualquer lado sem se poder desnudar?

    nem uns pedaços? num blog?

    bem, Marcos me fez pensar sobre muitas coisas…

  112. Flávio Mendes disse:
    Outubro 21st, 2008 at 2:10 am

    Já passo por aqui há um tempão, adoro, e agora resolvi dar um pitaco aos organizadores desse espaço: acho que o Caetano não deveria escrever comentários, esses deveriam ser sempre novos posts. Cada vez que ele tivesse vontade de escrever alguma coisa - ou nova ou apenas comentando os comentários - seria um novo post. Isso diminuiria o cada vez crescente (150, 200!!!) número de comentários aos posts.

  113. Edison disse:
    Outubro 21st, 2008 at 4:32 am

    Oi, Caetano,
    O Livro “Folha explica Lacan” é muito fácil de entender, mas talvez apenas para quem já tenha se enfronhado nesse terreno inóspito que é a escrita do Lacan ou sobre a escrita de quem procura interpretá-lo ou entendê-lo; eu tentei, mas quase nunca consigo; o Vladimir Satafle foi quem o escreveu, ele escreveu também um livro chamado “A paixão do negativo” que procura cingir as filosofias de Hegel e Adorno com a psicanálise lacaniana; entre outras frases dessa Paixão, há uma que gosto muito, que é, mais ou menos: “a experiência freudiana se petrifica com a intersubjetividade”. De qualquer modo, o livro se parece muito com “A paixão segundo G.H.”, de Clarice, na medida em que Satafle aproxima o EU do ser humano ao das Ding freudiano, como G.H. que se aproxima do neutro da barata. Veja: “Os homens só são humanos quando eles não agem e não se colocam mais como pessoas; esta parte difusa da natureza na qual os homens não são pessoas assemelha-se ao delineamento de um ser inteligível, a um Si que seria desprovido de eu (jenes Slbst, das vom Ich erlöst wäre). A arte contemporânea sugere algo disto”.

  114. Caetano Veloso disse:
    Outubro 21st, 2008 at 5:26 am

    ok, flávio. quando chegar em 202 vou parar. mas não sem antes dizer que não mencionei os adjetivos proparoxítonos que têm o acento circunflexo na sílabaforte: esses mantinham o circunflexo quando viravam advérbios. e que respondi ao comment de marcos lacerda porque gostei do que ele escreveu. é verdade que não conheço marx para assumir tom de autoridade. mas sempre tive problemas (teóricos) com meus colegas de esquerda, desde a faculdade. daí li umas e outras. o livrinho de leandro konder sobre marx é maravilhoso (quisera que “folha explica lacan” fosse assim: mas, pensando bem, será que lacan daria para fazer um lance inteligível como um sobre marx? tenho minhas dúvidas). li hobsbawn sobre o século 20 (onde, além do nosso futebol - elevado à categria de “arte” - há referência séria à música e à poesia de chico buarque) e sobre “terrorismo, não-sei-o-quê e nnao sei-o-que-mais”. leio marxismo em toda parte. citado, interpretado. roberto schwatz, carlos nelson coutinho, zizek, negri… li “o espectro de marx” de derrida. achei meio fofo. o que mais me impressionou foi a escolha do trecho de “os miseráveis” que ele escolheu, de victor hugo. mas, sinceramente, nunca li adam smith ou ricardo - diretamente. no entanto, sou simpatizante liberal e ninguém chia. acabo de voltar do estúdio. vou dormir.

  115. Fernando Salem disse:
    Outubro 21st, 2008 at 8:46 am

    Caetano foi dormir. Alívio.

    Aos que pedem pra ver exames de ultrassom do novo CD, eu continuo preferindo visitar o bebê na maternidade.

    Caetano deve acordar lá pelo meio-dia. Será que vai ler algo sobre Marx? Será que vai escutar Emilinha Borba? Ou prefere a Marlene? Esquerda ou direita? Será que pedirá conselhos a um moderador pra decidir no que vai pensar hoje? O que tem pro café da manhã? Vai direto pro almoço? Trangênicos ou integral? Integralismo ou cominismo? Coca-cola eu tenho derteza que sim. Vai beber. Será que é uma atitude colonizada? Sejamos imperialistas.

    Conformem-se. Um blog não é um big-brother. Ao contrário. Aqui nada se vê, tudo se escreve.

    Quanto mais TRANSAMBA se aproxima do parto, menos Caetano conseguirá comentá-lo. Isso é o que eu acho. Como ele faria um making-of da sua própria experiência?

    Aguardamos novos assuntos. Pueris, profundos ou papo-furado mesmo.

    Não me interesso por ditongos, um pouco pelos acentos diferenciais. Se Caetano tivesse que ler e estudar sobre cada assunto que fala, ficaria louco. O pior é que ele arranja tempo pra ler pra chuchu.

    Deve ser chato sair do estúdio e ficar pensando só no disco. Vamos falar sobre coisas diversas.

    Os que defendem o making-of querem o final do blog. Eu não quero.

    Em SP, as pessoas chegam do trabalho e ligam a TV pra assistir a barbárie. Eu prefiro novela.

    Hoje vi 176 do Bruno Barreto. O roteiro é do meu amigo Braulio. Mas o filme não cola. Há um razoável atraso de linguagem. Soa falso, embora os atores estejam bem verdadeiros.

    Vão comparar com Cidade de Deus, é claro. Isso é o de menos. Fernando Meirelles é um inventor. Bruno é um criador. Mas dessa vez foi diluidor. Tudo no filme está no lugar: costura narrativa, bons intérprtes, fotografia de luxo, mas… Bruno parece escoregar quando tenta entrar na subjetividade de seus personagens. Aí, o filme vira um simulacro. Não parece história, parece filme. E filmes não devem parecer filmes. Pelo menos durante a catarse da exibição. Depois, no boteco, aí sim… “aquela cena lembra Bunnuel e coisa e tal”.

    Pensar sobre arte cansa mais que fazê-la.

  116. Exequiela...Agridulce disse:
    Outubro 21st, 2008 at 9:09 am

    AY Roberto J!!!! Voce toco una fibra!!!! Cuando leí tu comentario me quise esconder abajo del escritorio!! Tanta exposición… Es que mi relación con la música es.. digamos… particular. Esas canciones tienen sus años. Ahora estoy con una obritita (si la de C es obra, la mia es obritita) en progreso… pero progreso lento.. lent.. len…le..l…

    Voy a decir la obviedad de que no puedo ser comparada con a Ella e o Chet, etc. Todavía no merezco ni estar en un mismo párrafo donde los mencionen. Quizás algún día lo merezca…..
    Obrigada desde il cuore.

    Me parece que este es un buen momento para decirle algo, también desde el corazón, a o LeAozinho.
    Caetano Veloso: Me pongo formal para decirte esto. Quería contarte que por vos volví a cantar. Cuando te vi en Buenos Aires (un año y medio atrás más o menos) hacía 2 años que no emitía nota… nada… nothing… niente… simplemente la música me había abandonado (o ya a ella). Ni siquiera lo sentía como conflicto… ya no quería cantar más. Punto. Vine a Buenos Aires desde EEUU, antes de “volver definitivamente”…. y cuando fui a tu recital produjiste TAL impacto en mí que pareció que me tocaste con una varita mágica y la música volvió a mí. Y esto ocurrió viéndote del tamaño de un muñequito de torta! (es decir, desde el fondo del teatro… arriba.. muy lejos). Si hubiese estado en primera fila, me sacan con camilla… JA-HA… Vaya a saber… si te veía muy de cerca quizás no había magia. Nunca lo sabré. Termino diciendo que siempre vas a tener un lugar muy especial en mi corazón musical. No sé si te interesa saberlo. A mí me gustaría impactar a alguien de esa manera.

  117. Exequiela...Agridulce disse:
    Outubro 21st, 2008 at 9:13 am

    Sobre la bombita de Marcos. Qué curioso! A mí me pasa que en mi cabeza han caído varios mitos de la imagen que tenía de Caetano… Y seguramente se formaron algunos otros mitos……
    Pero yo no me imaginaba a un Caetano tan egocéntrico, pedante, obsesivo, narcisista,… diría que un poco manipulador, bastante predecible por momentos. Y tan infantil. Al mismo tiempo tan abierto, curioso, irónico.. Y todavía me sorprende cuando dice que adora que lo critiquen… A veces pienso que es ironía y otras veces pienso que realmente le gusta.
    Y lo que sí me imaginaba, se ha ido cumpliendo, aunque hay algunos Caetanos que me gustaría ver y todavía no vi.
    Esto es un poco como una película… donde Caetano es el director… Y a mí me parece que le gusta bastante dirigir!

  118. Marcos Lacerda disse:
    Outubro 21st, 2008 at 9:15 am

    Caetano Veloso é grande demais, e o cometário de fernado salem sobre o meu comentário também o é,embora eu não seja parente de Carlos Lacerda!Acho que houve algumas confusões com relação ao que eu disse,um conflito de interpretações. O que eu quis ressaltar foi a necessidade de se tomar cuidado com as nossas “opiniões” sobre assuntos diversos,para não corrermos o risco do texto apressado. Não, Salem, para se entender Marx, deve-se entender de economia clássica,dialética hegeliana, sociologia, estudos de linguagem, etc,etc, e não apenas “política”. Eu apenas pedi um pouco de cuidado,porque acho irresponsável falar de coisas assim, dessa maneira.
    Caetano Veloso é grande demais,eu o adoro,e o considero não só um grande compositor, mas um sujeito que “explicita a função crítica da canção” e um dos personagens mais importantes da cultura brasileira. Mas é preciso discutir, discordar, apontar algumas contradições,e assim por diante.
    Alguém disse que eu era tiete de Caetano Veloso,eu não tenho dúvida em responder dizendo que Caetano é,em minha vida, “o melhor que podia acontecer”.

  119. fernando vita disse:
    Outubro 21st, 2008 at 9:19 am

    Ainda sobre o Alvinho, coube-lhe criar o jornal alternativo “O Verbo Encantado”, revolucionário como ele sempre o foi. Durou pouco, o Verbo, mas valeu enquanto.

  120. Ricardo Vieira Lima disse:
    Outubro 21st, 2008 at 9:40 am

    Exequiela: entendi perfeitamente o que você quis dizer.
    Graças ao Roberto Joaldo, acessei suas gravações e fui surpreendido. Sua voz é tranqüila, transmite paz. No entanto, que beleza selvagem você tem! Pude sentir isso nas suas fotos. Gostei, em geral, das músicas, mas mais ainda de Miss Celie´s Blues e Angel eyes. Gostaria de ouvir as músicas brasileiras, na sua voz, em espanhol, talvez com uma levada portenha.O que acha?

    Caetano: não pare de nos surpreender com comentários dentro dos comentários. Aproxima você da gente. Diminui a distância.

    Nelson:chorei de emoção ao ouvir/ver o link da música “É o amor”, na voz da Bethania. Já conhecia, é claro, a versão, mas acompanhada daquelas imagens, o significado de cada palavra cresceu. É uma interpretação definitiva. Caetano deve ter muito orgulho da irmã que tem.

    Não sei postar vídeos, músicas, mas posso “postar” um poema. O texto abaixo vai para os freqüentadores desse blog, inclusive seu criador e moderador. É um poema do cubano José Martí. Hasta la vista, babies.

    “Cultivo una rosa blanca
    En junio como en enero
    Para el amigo sincero
    Que me da su mano franca.
    Para el cruel que me arranca
    El corazón con que vivo,
    Cardo ni urtiga cultivo,
    Cultivo una rosa blanca.”

  121. Biajoni disse:
    Outubro 21st, 2008 at 10:22 am

    glauco mandou A PLANTA DA GAZELA?

    http://sublinhado.blogspot.com/2006/01/deliciosa-planta-da-donzela.html

    meu e-mail taí, manda um endereço preu mandar um livro também.
    :>)

  122. Fernando Salem disse:
    Outubro 21st, 2008 at 11:00 am

    Quando disse “Caetano foi dormir. Alívio” não me referi ao nosso alívio e sim ao dele. O merecido sono de um sujeito que coloca a voz no estúdio e os pensamentos na internet.

  123. Graça disse:
    Outubro 21st, 2008 at 11:36 am

    Sou do erre “líquido” e aqui em SP, fora das poses escriturais dos escritórios de negócio, o erre é mais líquido do que se pensa.

  124. alberto disse:
    Outubro 21st, 2008 at 12:43 pm

    qndo vc vem fazer show em São Paulo

  125. Nobile José disse:
    Outubro 21st, 2008 at 12:52 pm

    folha explica lacan???? acho que lacan nem frued explica…

  126. Exequiela...Agridulce disse:
    Outubro 21st, 2008 at 1:53 pm

    Con permiso, quiero retribuirle el cariño (a mi manera) a Roberto J… y enseñarle un poco de lunfardo porteño para que entienda un poco mejor la letra de Amurado. Seguramente habrá alguna otra persona que también le interese. Ya sé Leaozinho… a vos no. Me cortaste el rostro fulero guachito!
    El glosario está debajo de la letra.
    AMURADO (Música: Pedro Maffia / Pedro Laurenz Letra: José De Grandis)
    Campaneo a mi catrera y la encuentro desolada.
    Sólo tengo de recuerdo el cuadrito que está ahí,
    pilchas viejas, una flores y mi alma atormentada…
    Eso es todo lo que queda desde que se fue de aquí.
    Una tarde más tristona que la pena que me aqueja
    arregló su bagayito y amurado me dejó.
    No le dije una palabra, ni un reproche, ni una queja…
    La miré que se alejaba y pensé:
    ¡Todo acabó!
    ¡Si me viera! ¡Estoy tan viejo!
    ¡Tengo blanca la cabeza!
    ¿Será acaso la tristeza
    de mi negra soledad?
    Debe ser, porque me cruzan
    tan fuleros berretines
    que voy por los cafetines
    a buscar felicidad.
    Bulincito que conoces mis amargas desventuras,
    no te extrañe que hable solo. ¡Que es tan grande mi dolor!
    Si me faltan sus caricias, sus consuelos, sus ternuras,
    ¿qué me quedará a mis años, si mi vida está en su amor?
    ¡Cuántas noches voy vagando angustiado, silencioso
    recordando mi pasado, con mi amiga la ilusión!…
    Voy en curda… No lo niego que será muy vergonzoso,
    ¡pero llevo más en curda a mi pobre corazón!
    Campaneo: viene del verbo campanear que significa observar.
    Glosario:
    Catrera: cama
    Pilchas: ropa
    Bagayito: diminutivo de Bagayo. En este caso significa “atado”, “bulto”, “pertenencias”. También se lo usa para decir que una mujer u hombre es fulero o fulera. Fulero: feo. Nota: Esta palabra en este contexto a mí me parece de lo más dulce!!!. Cuando escucho “agarró sus bagayitos y amurado me dejó” me mata!!!
    Amurado: Preso, encerrado, apresado, abandonado.
    Berretín: ilusión, fantasía
    cafetín: café, bar
    bulincito: diminutivo de bulín. Cuarto, habitación
    curda: borracho.

  127. Exequiela...Agridulce disse:
    Outubro 21st, 2008 at 2:09 pm

    Me olvidé!!! No hay nada mejor que escuchar a Adriana Varela. La GATA VARELA!! La mejor cantante de tangos LEJOS!!!!!!!!! …pocas veces vi una intérprete así. Escúchenla cantando AMURADO.
    http://www.fulltono.com/tangos/adriana-varela/
    “Amurado” es la número 49. También recomiendo la número 19 “Alma de loca”.

    Viste Lucesar!! Me hago tiempo hasta para buscarles canciones!

  128. George Ciro disse:
    Outubro 21st, 2008 at 2:47 pm

    Caetano

    Se tu jamais conseguiu nos encantar escrevendo textos (seja em livro ou agora em blog), por outro lado és um gênio da Música Pop Brasileira.

    Jobim tinha razão, e você, em especial, deve dar pitaco sobre tudo, mas não escrever (exceção para os Boulezs, Buarques, e outros gênios da palavra escrita).

    Abraços

  129. Edison disse:
    Outubro 21st, 2008 at 3:55 pm

    Talvez por uma questão de fuso horário, não sei, o post 114 (do Caetano) é seis minutos anterior ao 113 (meu) que veio lá por antecipação…

  130. Socorro disse:
    Outubro 21st, 2008 at 4:08 pm

    Pra quem perguntou por Elomar, ele continua lá pelas bandas de Vitória da Conquista, no meio do mato, pastoreando seus bichos e cuidando da Casa dos Carneiros, que agora é uma fundação. Inda outro dia, teve aqui em Salvador lançando um livro, Sertanílias. Deve continuar o mesmo maravilhoso bicho-do-mato, talvez um pouco pior. Vi na Porteira Oficial dele que vai fazer um show no TCA dia 17 de dezembro. Ah! desculpem, show, não, concerto. Concerto de Antífonas. Quem estiver em Salvador, não deve perder.
    Bom, quem quiser mais detalhes pode fazer uma visita à tal porteira: http://www.elomar.com.br/ e ao site da Casa dos Carneiros http://www.casadoscarneiros.org.br

  131. Carlos "Alemão" Moura disse:
    Outubro 21st, 2008 at 4:38 pm

    Salem, aqui em Sampa, nem barbárie, nem novela: buteco! Meirelles inventor… não sei. Sem dúvida, um bom diretor. Quero assistir Garapa do José Padilha na Mostra. Sujeito polêmico esse Zé.

    Abraço!

  132. Fernando Salem disse:
    Outubro 21st, 2008 at 4:53 pm

    Oi Lacerda

    Se pra entender Marx “deve-se entender de economia clássica, dialética hegeliana, sociologia, estudos de linguagem” eu não entendo de Marx. Deve ser por isso que não fiz nenhum comentário sobre o assunto. Também porque não me interessei por ele. Mas acho que o Caetano manja e gosta de falar disso. Se por um lado não manjo picas de economia, por outro tô ficando PHD em blog. E de uma coisa eu tenho certeza, ninguém é obrigado a ler nada pra escrever um comentário. Corre-se o risco do ridículo, do inculto e da embromação. Há bons e maus comentários. Alguns meio áridos e extensos. Outros doces e afetivos. Alguns meio narcísicos. Outros chatos a beça. É assim. Eu pessoalmente, gosto de não tomar tanto cuidado com o que escrevo por aqui. Enteda “cuidado” como um auto-police, ou algum tipo de rigor letrado. O bom do papo por aqui é essa incontinência geral.

    Alemão

    Meirelles é um inventor na medida em que criou um formato de narrativa que influênciou uma penca de filmes. O uso do off, tão demonizado pelos “modernos” do cinema, foi sublimemente resgatado em Cidade de Deus. Um risco estético gigante! Em Tropa de Elite, Padilha usou a mesma estratégia da narração em OFF. Uma clara influência do filme Cidade de Deus. Quando me refiro à invenção, não estou falado da favelização do cinema brasileiro. Estou falando de linguagem cinematográfica. Direção, corte, decupagem, luz, atores, ação. Terra em Transe também tem essa potência. Dá a impressão que daqui uma décadas quando forem estudar esse nosso tempo, Cidade de Deus permanecerá uma obra-prima. Não tenho a mesma sensação com outros filmes contemporâneos. Não tenho certeza disso e nem leio sobre cinema. Sou cinéfilo. Também quero ver Garapa.

    abraço

    Fernando

  133. Luíz Moura disse:
    Outubro 21st, 2008 at 5:44 pm

    Também tive privilégio de aprender com alvinho, fizemos juntos o programa Muito Prazer, álvaro Guimarães. E eu estava lá naquela entrevista de duas horas e cinquenta minutos que você deu, em sua casa, falando sobre o carnaval.
    Alvinho era genial e sempre tinha uma saída para as dificuldades. Foi muito bom conviver com ele.

    Saudações

    Luiz Moura

  134. carolina disse:
    Outubro 21st, 2008 at 5:59 pm

    Concordo com Nando 133. Às vezes aparecem certos comentários em que é perceptível a forma como o sujeito se altera. As discussões às vezes beiram a agressão ou a chatice.

  135. K MACHO disse:
    Outubro 21st, 2008 at 7:05 pm

    Caro Nando,
    ainda bem que aqui é! conversa de boteco e um pedido de cuidado com o espaço animico alheio num ambiente assim pode ser uma forte forma de dominaçao da espontaneidade animica do vizinho.
    Eu por exemplo aprecio circular à vontade nos ambientes que frequento e você?
    O Marcos Lacerda foi bastante rigido e parece nao ter entendido que este blog é palavras soltas. Ele esperava de Caetano grandes discusoes filosoficas, grandes responsabilidades intelectuais qdo isso aqui é um espaço para a vida simplesmente assim, como disse uma outra colega de blog, conversa de cozinha, com pao de queijo, e todos os quitutes da informalidade cotidiana etc…
    Isso é arte e é vida!
    Agora se comer pao-de-queijo pra vc pede o ritual de caviar e champagne, luvas brancas, travessas de prata, cristal tcheco, perfume e sei lah o que o e sei lah o que do que problema é seu.
    A Heloisa nao deveria ter seu nome tocado aqui, pois Caetano nao reagiu emocionalmente com ela, ele esteve tertuliando com ela e a meu ver foi chato, foi implicante mas também foi dentro de seu estilo rigido bastante doce com ela.
    Eu acho mesmo é que VOCÊ Nando gosta de ver cadeiras voando, tua onda é faroeste é medir forças no tiro!
    Olha pro peixe e atira no gato! E nao é por competência! Seu olhar estah desviado! Dominador disfarçado de sei lah o que de sei lah! Cordeirinho do olhar de fogo! SUA CAIXA ALTA è BAIXA!
    Um pouquinho de CUIDADO sou EU quem diz!

  136. K MACHO disse:
    Outubro 21st, 2008 at 7:15 pm

    Nando, (CAIXA ALTA)
    meu comentario resposta saiu logo acima do seu por alguma confusao horaria dado o horario de verao.
    Nao seria o caso de todos regularem os relogios, Hermano?
    De qquer maneira mesmo antes do horario de verao qdo postava algo sempre saia (desculpem me falta acento no teclado) com duas horas a menos.
    obrigado
    K MACHO

  137. Nando disse:
    Outubro 21st, 2008 at 8:20 pm

    Ainda bem que aqui não é conversa de boteco. Imagino como seria ao vivo UMA RESPOSTA EM CAIXA ALTA. Voaria cadeira pra todo lado também?

    Às vezes vocês me dão medo.

    Só um lembrete: quando conseguimos convencer alguém de alguma coisa é porque podemos convencê-lo de qualquer coisa - e isto é uma forma de dominação.

    Acho que ninguém aqui gostaria de ser dominado. Gostaria?

    Então, talvez um pouquinho mais de cuidado com o espaço anímico alheio seja necessário. É virtual, mas é tão real quanto o real - ou o Caetano não teria reagido emocionalmente num debate com a Heloísa.

  138. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Outubro 22nd, 2008 at 1:46 am

    -Caetano

    Fuçando a web, encontrei uma entrevista recente do fenomenal Slavoj Zizek (“o filósofo que detesta pessoas”), dada quando participava do último Festival de Cinema de Saravejo, em que ele lança óptimas farpas contra o multiculturalismo:

    http://www.euronews.net/pt/article/12/09/2008/euronews-talks-films-and-balkans-with-slavoj-zizek/

    -Exequiela

    Vibro em saber que uma de tuas mais caras fibras ficaram assim tão retesas com a divulgação que fiz. Mas toda armadilha já estava por ti montada! Ato contínuo, Gilliatt e Ricardo também foram fisgados, como eu, em todos esses sentidos – prismáticos - de “amurado”.

    Acabo de ouvir a interpretação dorida & desolada de Varela. Tem troco pra ti. Daria um belo tango. Quem sabe algum dia nós dois não possamos adaptar o texto? O ´pathos´ não é menos sofrido, patético, desesperado. Pena que não é em lunfardo. Sirvo-te de novo em russo, e mais uma vez versado pelo Augusto de Campos para o portguguês, mais este Maiakóvski:

    http://www.lumiarte.com/luardeoutono/liliapoema.html

    -Ricardo Vieira Lima

    O que eu disse a respeito da oficina desconcertante de Glauco no fabrico de sonetos se aplica em boa medida ao seu “Flor de Ébano”. Na realidade, a vanguarda tinha razão somente quando se irritava com o soneto enquanto linguagem calcinada pelo preciosismo vocabular e pelo culto exacerbado a uma forma que ficara oca de vida, como ocorrera com a maior parte dos poetas praticantes do período parnasiano.

    E bem antes da vanguarda modernista proclamar a morte do soneto,Stéphane Mallarmé escrevia em 1868 um soneto ‘vanguardista’ tão assombroso que até mesmo escandalizaria aos atuais vanguardeiros de plantão. Talvez você já o conheça. É “O soneto em ix”, que ganhou estudo belissimo e tradução de Octavio Paz, publicados no Brasil em ´Signos em Rotação’, pela Perspectiva, se fazendo acompanhar de tradução para o nosso idioma por Augusto de Campos que rivaliza em beleza com o original francês.

    Quando a gente se depara com os sonenetos camonianos – bem e bem atrás -, dá para perceber o vitalismo, a mística vívida do soneto, que pode ser reexperimentada, sim, na contemporaneidade. Desde que do seu aparente acabamento da forma, compreendida sobretudo em sua exterioridade, seja pela sua quantidade fixa de versos, seja pela mesma distribuição de estrofes, seja pelo seu esquema rímico predefinido, vigore uma ambigüidade no tratamento dos temas, promovendo uma festa de sentidos, irredutíveis ou em aberto.

    Glauco Mattoso, num soneto “vanguardista” de viés ‘concretista’, publicado em 1977, intitulado “Carne Quitada”,de um período, pois, muito anterior à cegueira dita ‘homérica’, e também por isso bem diverso dos que até aqui vi que ele anda fabricando ultimamente, além de nos mostrar o caroço, a ossatura da forma, exemplifica bem essa sua mística vívida, até bem literalmente:

    http://sonetodos.sites.uol.com.br/9a50.htm

    Sobre o meu experimento com a transformação da Carta de Maiakóvski naquele Bilhete, que você tanto curtiu, o que mais curto é aquela mescla da imagem do lenhador (que lembra a dimensão do cotidiano humano) com as imagens da evasão que o poeta faz para os grandes planos cósmicos (com isso hasteando a bandeira da amplidão abissal do desejo). As duas imagens são de uma natureza díspare tal e ao mesmo tempo se engancham uma na outra de um modo tão indissolúvel que constituem um dínamo. Poucos poetas atingem isso.

    Adoraria confabular mais contigo, pode ser também por e-mail: rjoaldo@gmail.com

    -Lucas Matos

    Obrigado pela apreciação que fez de meu primeiro comentário sobre Glauco. A frase que você citou (“quem tem demasiado desprezo pelo finito não chega a realidade alguma, permanece no abstrato e consome-se a si próprio”) não e de Antonio Cícero, mas é uma citação que durante essa entrevista ele faz de Hegel, como uma das principais justificativas para o fato dele próprio ter publicado poesia tão pouco ao longo da vida (dois livros). Confira isso lá.

    Olha, não penso que esse conceito de ´poema bom´ seja bem um “ponto cego”, como você diz, na argumentação de Cícero, durante essa mesma entrevista. Veja que, a rigor, não é um conceito, mas uma noção empregada num contexto bem peculiar, a pretexto de dar conta das querelas que discutem sobre se letras de música têm ou não estatuto de poema. Tanto que ele desvincula essa noção do conceito de “canonicidade”. Vou retornar o link, para você e quem mais desejar conferir essa instigante questão (plasmadas quase que no final da página, entre a antepenúltima e a pergunta anterior):

    http://www2.uol.com.br/antoniocicero/storm.html

    -Teteco

    Obrigado pela visita ao meu cantinho na constelação de Centauro. Você percebeu que o meu “poema liquefeito” contém ressonâncias de “Um Índio” de Caetano Veloso? “Virá que eu vi”, cantou Caetano. Mesmo sem ter partido, já tinha vindo, sim. Que eu, criancinha ainda, no cair da noite do segundo domingo de dezembro de 1973, vi! Mais tarde conheci essa canção, lançada por Caetano no espaço sideral como mais um de seus objetos não identificados, e de nada nela me senti surpreso.

    Percebo que o você mais curte em Glauco Mattoso, a quem eu fui apresentado, ao inverso do ocorreu contigo, por Caetano, através da canção “Língua” (assim como ao Arrigo Barnabé), é bem um lado dele que fica bem emblematizado por um dos lemas de outro poeta, o Manoel de Barros: “Encoste um cago no sublime. E no solene um pênis sujo.” (Uma Didática da Invenção, XV, de O Livro das Ignorãças).

    Eu curto mais em Glauco o ´humour´, e o tratamento experimental da linguagem poética, numa trilha irônica, paródica e crítica não somente do legado das vanguardas modernista e concretista, como dos temas e da estética da literatura brasileira do passado, como do período romântico.

    Te retribuo el brujo Borges que a mim e a Exequiela me dedicou com uma versão eletrônica da “Cantiga de Amigo”, de Elomar, feita pelo grupo Axial (Senoide, 2007, canção 5, em ‘Downloads’):

    http://www.axialvirtual.com/indexbra.html

  139. Fernando Salem disse:
    Outubro 22nd, 2008 at 2:02 am

    Pô Nando

    sorry pela caixa alta. dá mesmo a impressão de grito. mas a intenção foi só diferenciar as falas do Lacerda das minhas. não queria que parecesse raiva. aliás, aproveito pra dizer que não tive nenhuma intenção de ofender o Lacerda, a quem eu respeito. medo? pô, aqui a moçada é tão meiguinha e gotejante.

    valeu pela dica da caixa alta. não vou mais usar. prometo.

  140. Fernando Salem disse:
    Outubro 22nd, 2008 at 2:15 am

    Cacildis, como diria o meu amado Mussum!

    Tô me sentindo culpado. Tudo por causa da caixa-alta? Calma. K Macho, você tem razão quando refuta o o tal “pedido de cuidado” do meu xará Nando. Concordo com você, mas o Nando não teve a intenção de acirrar os ânimos, pelo contrário, ele viu incêndio onde nem havia faísca. Vamos respirar e lembrar: estamos todos vivendo o privilégio da liberdade de expressão no blog de um dos maiores artistas da história do Brasil É isso. Distraídos venceremos.

  141. Heloisa disse:
    Outubro 22nd, 2008 at 2:27 am

    Salem: Adorei a ‘incontinência geral’ do nosso papo. É isso mesmo - ninguém precisa ser PhD em nada para dar opinião aqui. E sdoro seus comentários!

    Teteco: Conheço alguma coisa do Elomar, e gosto também. Muito interessante o dialeto que você mencionou - você já morou na Sardenha? Adoro a Itália e tudo o que refere a ela.

    Exequiela: Sua voz é muito linda. Queria ouvi-la em espanhol também. Obrigada pelo glossário - vai me ajudar a apreciar melhor ‘Amurado’.

    Joana: Seu comentário me deixou muito pensativa - ‘e se ele, como um ser existente, por acaso não for a imagem que temos dele?’ Para mim a imagem está em progresso, não sei ainda o que pensar. E se…?

    Nelson: Bethânia me fez gostar de ‘É o amor’, que eu detestava antes. Só ela para cantar ‘que faz eu gostar de você e esquecer de mim’ e o português capenga não me doer os ouvidos. Donny Hathaway é uma maravilha. Obrigada por nos emocionar com suas canções diárias.

    Lucesar: Não sei como, mas além de comentar, ainda consigo tempo para ir atrás dos ótimos links que encontro aqui. É um vício total.

  142. Gravatai Merengue disse:
    Outubro 22nd, 2008 at 2:59 am

    Caetano, Zizek escreveu um belíssimo ensaio condenando a invasão do Iraque, mas, neste ano, escreveu um outro ensaio endossando a invasão chinesa do Tibete.

    Num caso, a condenação se deu pelo fato de que um país soberano, por pior que seja a opressão supostamente sofrida pelo povo, não pode ser invadido por quem queira levar “progresso”.

    No outro, a aprovação se deu pelo fato de que o país feudal, dada a opressão sofrida em razão da crueldade dos monges, foi suplantada pelo progresso trazido pelos comunistas chineses.

    Confesso que não entendi. Mas ele é, segundo os fãs, um gênio. A condenação da ação bushista saiu em livro, o apoio à ação chinesa saiu num artigo que, no Brasil, foi publicado pela Folha de São Paulo (talvez por ocasião das Olimpíadas).

    Ele se parece com aquele padre/cardeal, de suas duas músicas, que é a favor da pena de morte, mas contra o aborto. Nesse caso, porém, creio que a contradição é ainda mais evidente, pois se trata de dois casos exatamente iguais.

    Só muda a cor da bandeira.

    Um abraço.

  143. Nobile José disse:
    Outubro 22nd, 2008 at 12:24 pm

    fernando: o que seria a “favelização do cinema brasileiro”? tb gostei de incontinencia geral. uma conhecida minha diz que sofre de incontinência verbal. hehehehe. qto ao episódio da caixa alta, só posso dizer que ele vem a confirmar a existência do poder simbólico - e que este poder está vinculado ao meio em que ele atua. caixa alta, na net, de fato significa gritar. o bom da internet é que as pessoas retomaram a escrita como forma de se comunicar. e as palavras, quando escritas, às vezes, ficam perigosas, mesmo quando tomamos o máximo de cuidado. já tive discussões no msn por puro mal entendido. acho que as palavras escritas, muitas vezes (dependendo do interlocutor) acabam tomando valor de face, ficado à mercê do leitor.

    nando: quem tem medo é a regina duarte… hehehe aqui somos todos gotejantes. gostei da idéia do buteco. podíamos marcar o I congresso de caetanetes gotejantes. num buteco, claro! hehehehe

    exequiela: não entendo muito do dizes, porém de digo: és linda.

    hermano: pode parecer um ímpeto narcísico, mas o que vc acha de incluirmos nos comments a possibilidade de aparecer uma foto??? assim poderiamos ver quem quizesse ser visto. não sei se pesaria muito o blog. ah!, outra sugestão (tô atrevido, né?): que tal se fosse feito um chat???

    caetano: como é trabalhar com seu filho??? conhecendo parte de seu trabalho, sempre notei a presença dele pelos discos, mas é a primeira vez que ele te produz, né???

    abrçs.

  144. Maria do Carmo - BH disse:
    Outubro 22nd, 2008 at 2:20 pm

    Caetano Emanuel Viana Teles Veloso,
    Que delícia de blog. É como o Fernando Salem disse: “estamos todos vivendo o privilégio da liberdade de expressão no blog de um dos maiores artistas da história do Brasil.” Concordo, concordo, concordo. Vício total este blog.

  145. Marcos Lacerda disse:
    Outubro 22nd, 2008 at 4:14 pm

    Os comentários todos estão muito bons.Também respeito o Salem,e gostoda idéia de usar algum modo tipográfico para nos diferenciar. Eu quis apenas apontar algumas coisas,e só. Nada parecido com o que fez José Guilherme Merquiior, ao chamar Caetano de sub-intelectual de miolo mole. Uma piada que Caetano sempre comenta, sobretudo nas entrevistas que frequentemente faz. Aliás, a melhor,mais completa e instigante entrevistas que Caetano fez, foi a que saiu na Revista Cult, numa edição só dele, intitulada ” Caetano Veloso, o Poeta da MPB”.Todos gostamos muito da obra em progresso de toda a carreira do Caetano veloso,e também acompanhamos as suas entrevistas, as aparições públicas, os textos,o pensamento na canção e fora dela,na verdade, a obra do caetano,e a sua figura pública,nos exige um conhecimento amplo, a fim de procurar entender o porque das referências, as citações, interpretações, e sempre criações,criações. Mas tomemos cuidado com o mito burguês do “criador incriado”, ou da “arte pela arte”,o tropicalismo é uma resposta convincente ( e extremamente complexa ) a estas e outras questões, e Caetano é o principal teórico do tropicalismo. As suas canções, e a sua forma de pensar o mundo e as coisas do mundo ( Cores, nomes, jóias, palavras, cinema, livros, etc.) é uma grande contribuição para o mundo, e tem um refinamento comparável ao que se produz em conhecimento mais exigente e depurado. Em algumas coisas não, como os exemplos que citei, nestes casos prefiro outros autores,que são bem mais interessantes. Repudio ( e nisso caetano veloso me apoiaria, já que ele disse ter gostado do meu comentário ) as tentativas implícitas de desmerecer o trabalho acadêmico, a vida intelectual, a universidade, e também qualquer tentativa apressada de insistir em hierarquias de saberes. Porque não se pode falar em temas diferenciados, e com um grau de exigência intelectual ( presente em tantos comentários), num blog, ou num buteco?

  146. Janio disse:
    Outubro 22nd, 2008 at 5:59 pm

    Falando em Elomar, nos anos 80 - com o Axé começando a estourar - ele veio fazer um show em Paulo Afonso (BA) e aconteceu um fato bem interessante. Praça lotada e o nosso catingueiro começa a dedilhar o violão para os primeiros acordes de Incelença Para Um Poeta Morto. Foi quando uma meninada na beira do palco começou a gritar: “Toca Nega do Cabelo Duro!”. O velho cantador ficou puto, pegou o violão e se mandou. A sorte da galera é que a banda que tocou em seguida num Trio Elétrico já tinha passado o som.

  147. Renato disse:
    Outubro 22nd, 2008 at 7:01 pm

    Caetano naturalmente não tem obrigação de conhecer tudo em profundidade (ele mesmo já disse uma vez que “não sei nada tudo”). Inclusive ele falou aí que Van Morrison é “sombrio, mas desejo ser solar”. Van Morrison não é sombrio - ele faz músicas tristes com tanta frequência quanto faz músicas alegres, “pra cima”; ninguém sombrio faria algo como “Brown Eyed Girl” ou “Come Running” ou “Bright Side of the Road” ou “Cleaning Windows”. Van Morrison é essencialmente um cantor de soul music, embora tenha navegado por mares diversos, desde folk celta a country & blues & funk & baladas tradicionais & jazz, até um pouco de new age ele andou fazendo. Tanto temática quanto esteticamente é impossível rotulá-lo. Eu tenho obrigação de saber disso - porque eu conheço toda a discografia de Van Morrison; Caetano não tem nenhuma obrigação. O problema é que ele quase sempre parece categórico em suas opiniões. Mesmo quando não conhece em profundidade o objeto de sua análise.

    Outra coisa: Caetano já disse mais de uma vez que David Bowie restaurou a teatralidade no rock - depois de todo o esforço dos Stones para acabar com ela. Será mesmo? O maior personagem “teatral” de Bowie (e o auge da sua carreira) foi, sem dúvida, Ziggy Stardust. E no show de despedida, da “morte” de Ziggy, no Hammersmith Odeon, os/as adolescentes se descabelavam, choravam, queriam um pedaço do Ziggy/Bowie, da roupa, de qualquer coisa, enquanto no palco, enlouquecido, Bowie simulava sexo oral em seu guitarrista Mick Ronson. Estava mais para um bacanal a Zé Celso do que para uma teatralidade limpinha e sem sal, como ele queria dar a entender (ou como eu entendi).

  148. Fernando Salem disse:
    Outubro 22nd, 2008 at 7:29 pm

    Oi Renato

    É verdade que muitas vezes Caetano “parece categórico” em alguns assuntos sem ser um especialista. E gosto quando você diz que ele não tem “obrigação de conhecer tudo em profundidade”.

    Esse é um perfil do cara. E a esse estilo devemos muito. Desde o discurso de É Proibido Proibir que percebo esse talento poético-político-retórico e falastrão. Caetano pensa como uma espécie de liga-pontos. E tivesse que ser especialista em cada assunto que passa, fodia.

    Agora se isso tem alguma coisa ver com esse tal de mito burguês do “criador incriado” que o Lacerda fala, não sei. Acho esse negócio de mito burguês pode soar bonito pra alguns. Pra mim é tosquera.

  149. Marcos Lacerda disse:
    Outubro 22nd, 2008 at 11:17 pm

    Nossa, o Salem não entendeu nada do mito burguês, talvez por ele estar todo deslumbrado com a idéia. Apenas quis dizer que o Caetano, como qualquer outro artista, faz parte de uma rede ampla que inclui público, mercado, meio de comunicação ( crítica de jornal, revista de “arte”, telvisão, em suma, os média), sem o qual não haveria obra nenhuma, quer dizer o artista não é incriado, e por isso suas opiniões sobre as coisas não podem ser encaradas como as opiniões de um sujeito que não faz parte de uma estrutura social, um sistema político e econômico, um campo cultural específico, uma situação de classe, etc. Claro está que não é a estrutura social, campo cultural, etc., que define ou condiciona a obra, aliás os aspectos socias da obra, internos a sua própria feitura, podem ser, em alguns casos, de significado secundário para se entender a obra e o artista. E mais, os discos, idéias, canções, sons, textos, não estão num domínio etéreo, quer dizer,tem uma materialidade, uma concretude inelutável. Caramba, Salem, dizer que isso é tosquera, é simplesmente não fazer jus ao que a obra do Caetano nos leva a pensar, fiquei bem decepcionado com o que você disse, imaginava um debate um pouco mais substancial, mesmo para um blog…

  150. Pedro disse:
    Outubro 22nd, 2008 at 11:36 pm

    “(que tem algumas lembranças que não coincidem com as minhas mas é mesmo um ótimo livro)”

    Também estou lendo o livro do Midani e queria muito saber que diferenças seriam essas!
    Se curiosidade matassse…

  151. Dokstra disse:
    Outubro 23rd, 2008 at 9:21 am

    e a palestra do zizek era pra rir?! é cada uma…

  152. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Outubro 23rd, 2008 at 11:41 am

    - Mais Glauco Mattoso -

    SONETO 406 PAULINDRÔMICO

    Ter algo que dizer não é o que conta.
    O “como” é que o poeta faz de monta.

    Algum palestrador alega assim,
    que o verbo é pedra em si, não ferramenta.
    Mas isso não é cláusula pra mim.

    Prefiro achar que ter um bom motivo,
    além do jeito, é justo requisito.
    Concordo, enfim, com Paulo Henriques Britto
    que existe inspiração num verso vivo.

    Ocorre que um poema é meio e fim,
    porém precisa ser de alguém que enfrenta
    dor, fome, angústia, azar, algo ruim.

    Não basta o “como” em verso ou prosa pronta.
    Temer o tema é o medo que amedronta.

    -E já que falei, no comentário anterior. em CARNE QUITADA, o soneto até onde sei o mais idio/s/sin(cr)(t)ét(r)ico que existe em língua portuguesa, estive pensando que o Caetano que musicou o magma da prosa serpeante de Nabuco (Noites do Norte), o verso-e-o-contraverso gemente e consteliza[dor] de Haroldo (Circuladô de Fulô), e, sobretudo, a fala-quasar de Augusto (Pulsar), é o mesmo que algum dia bem que poderia musicar pra gente esse experimento glaucomattoso, que reencena, desafinada e desafiadoramente, a ‘mística vívida’ que a forma atingiu na oficina camoniana.

    . Vejam um clipe de Pulsar:

    http://www.youtube.com/watch?v=BfO6r1t0E9Q

    . Que banho de aula em sonetologia comparada com o próprio, nosso professor e desconcertista (CARNE QUITADA incluso):

    http://glaucomattoso.sites.uol.com.br/definicoes.htm

  153. Fernando Salem disse:
    Outubro 23rd, 2008 at 11:53 am

    Oi Lacerda

    “Tosquera” no sentido de que esse viés em mim é “tosco” mesmo. Respeito a forma mais ampla que você enxerga o artsita no meio de uma estrutura social, e tal. Mas eu não sou assim. Quando usei o termo “tosquera” se referia a mim, que tenho uma relativa resistência a “debate substancial”. Defeito meu ou característica minha. Gosto do cheiro de amplificador valvulado, de jornal quentinho, de rádio de pilha, de literatura de cordel, de filme B e coisa e tal. Cada vez que o papo fica reduzido a referências teóricas, me entedio.

    Não quis ofendê-lo e mais uma vez reitero que respeito esse teu estilo de olhar o “artista” inserido em contextos. Mas esse tipo de abordagem deleta qualquer aspecto coloquial, pop, delirante mesmo, que é ao meu ver, um jeito de “olhar” a cultura mais anárquico e aberto.

    O tosco sou eu.

  154. Exequiela...Pulsada disse:
    Outubro 23rd, 2008 at 3:39 pm

    Roberto… Me ENCANTO esa música Pulsada!!!!!!!!!!!!!!! No la conocía. Gracias por mostrarnos el video.

    Voy a leer el poema EM LUGAR DE UMA CARTA con más tiempo… lo necesito para poder entenderlo!.

  155. Roberto Joaldo.... glaucomatizado! disse:
    Outubro 23rd, 2008 at 10:28 pm

    Exequiela, onde quer que você esteja… PULSAR é, sim, de um esplendor capaz de deixar a gente assim: glaucomatizado! Além da gravação nesse vídeo, há mais duas gravações do poema-canção por Caetano. Confira:
    http://www.caetanoveloso.com.br/sec_busca_obra.php?language=pt_BR&page=1&id=325&f_busca=Pulsar

    Quer ganhar um poster do poema? Ache-o em ‘Caixa Preta’, em página do próprio Augusto de Campos:

    http://www2.uol.com.br/augustodecampos/poemas.htm

    -Nma das entrevistas que deu pra Cult, que parece não estar disponível no site da revista, Caetano nos conta detalhes sobre a experência de tê-lo musicado. Se quiser lê-la, passe-me teu e-mail, que eu a escaneio e mando pra ti.

    Tua conterrânea, Lila Guerrero - que foi contemporânea de Maiakóvski e o conheceu na Rússia pouco tempo antes dele se despedir da vida (quitando-a com a própria carne) disparando uma bala no peito -, afinal te auxiliará em ¡A LILITA!:

    http://amediavoz.com/maiacovski.htm

    -Será até instigante, também para quem mais quiser comparar, conferir a versão espanhola, pra conceber a excelência da transcriação de Auguso pro português!

  156. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Outubro 24th, 2008 at 1:56 am

    Dokstra, não vi logo sua indagação/indignação.

    Porque justamente eu fiz a pergunta sobre os humores do esloveno durante a palestra na UFRJ, senti-me no direito de vir dizer que você deveria compreender o contexto, no comentário (173) à postagem anterior de Caetano.

    Acrescento que a primeira vez que vi Caetano falar de Zizek, aqui neste blogue, o foi de um modo que me soou bem peculiar. Encontre-a.

    “As singularidades se atraem com a mesma força com que se repelem”. Parece dito de Paulo Coelho. Nem me lembro mais onde vi pela primeira vez esse vaticínio oracular!

    Pois eu estava lendo Terry Eagleton e descobri que este - professor britânico dedicado à literatura e aos estudos culturais - tinha posto Zizek de um jeito bem interessante em sua alça de mira, e de um modo também em que parece sentir-se atraído por ele, ao tempo em que repelido e repelindo-o.

    Queira conferir ao menos o primeiro link que eu pus naquele comentário. Eagleton começa descrevendo o esloveno por seus ares de astro pop internacional.

    E por falar em diversão (intelectual), eis que encontrei agorinha Zizek proferindo uns verbos (”Unas gafas para leer entre líneas a McCain”) ferinos que não poupam também a companheira republicana da campanha presidencial americana, e toda uma trupe:

    http://www.elpais.com/articulo/opinion/gafas/leer/lineas/McCain/elpepiopi/20081002elpepiopi_13/Tes

    -Em português, ainda não estamos bem servidos de Zizek na web. Achei um Índice bem bom em espanhol, pra quem quiser conferir um pouco mais o périplo desse filósofo-andarilho:

    http://es.geocities.com/zizekencastellano/index.htm

  157. Luiz disse:
    Outubro 24th, 2008 at 2:00 am

    Exequiela, Roberto,

    não sei se conhecem a primeira gravação de “O pulsar”, conhecem? Saiu num compacto, no final dos anos 70, que vinha encartado num livro do Augusto — o “Poesia 1949-1979″. Do outro lado tinha “Dias, dias, dias”, bem bacana também. Acho que gosto mais daquelas primeiras gravações, que tinham um sotaque, um cacoete, sei lá, um timbre mecânico moderno que soa mais moderno do que a moldura eletrônica das gravações mais recentes.

  158. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Outubro 24th, 2008 at 2:29 am

    ¿Quieres reír por mí, por favor?

    http://es.geocities.com/zizekencastellano/artrisas.htm

  159. Caetano Veloso disse:
    Outubro 24th, 2008 at 10:00 am

    no rio zizek repetiu essas idéias sobre papai noel, riso enlatado e carpideiras. muitas vezes era óbvio que ele esperava as risadas. elas só vieram depois, em momentos um tanto mais livres (e ele parecia aliviado ao constatar que a platéia entendia seu inglês). odeio, nos artigos da folha e nos dois livros dele que li (”bem vindo ao deserto do real” e “in defense of lost causes”) essa atitude obviamente tendenciosa que o faz reprovar a invasão do iraque e aprovar a do tibete. by the way, vi centenas de “i love lucy”s e tantas vezes minha risada coincidia com as da gravação quantas não. vejo humorísticos na tv com meu flho de 11 anos e, há cerca de um lustro, vejo-o rir em uníssono com os elatados e também em desacordo com eles. zizek me atrai por sua inteligência e sua impertinência - e me irrita pela previsibilidade: ele pode dar as maiores voltas na cabeça, explorar mil camadas de ironia, mas estará sempre a favor dos comunistas e contra o resto. tenho instintivo horror a essas aderências.

  160. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Outubro 24th, 2008 at 12:15 pm

    LUIZ,

    Eu soube dessa primeira gravação pelo próprio Caetano na entrevista pra Cult 49 (agosto/2001), intitulada “Outras Palavras”, exemplar que reencontrei e estou folheando nesse instante. É a entrevista que eu mais curto dele, pois é a mais extensa e rica que eu conheço dada sobre suas relações com os livros, a poesia (principalmente a de João Cabral) e a literatura.

    Não mencionei a gravação justo porque, ainda não conhecendo essa coletânea do Augusto, não tive acesso ao compacto do encarte.

    Aprecio muito do Augusto de Campos, mas não conheço integralmente a obra do poeta. Augusto me instiga a fazer também alguns experimentos. Eu transformei uma tradução dele de Pasternak (do poema “Hamlet”), em ‘outro’ poema. Se te interessar, eis o exemperimento (a versão do poema de Pasternak pode ser acessada clicando-se no título da minha postagem neste blogue):

    http://estreladecentauro.blogspot.com/2007/09/romeo-and-juliet.html

    Conheci “Dias, dias, dias” pelo site do poeta mesmo. Para quem mais tiver curiosidade por esse outro poema de Augusto, peque carona pelo link que pus em meu penúltimo comentário.

    Acabei de descobrir pelo google que há um endereço na web disponibilizando em mp3 a gravação de Caetano para “Dias, dias, dias”; só que o download não está carregando. E não achei disponível nele nem em outro lugar essa primeira gravação de O “Pulsar”.

    -Gostei muito da descrição que você faz. Se puder gravá-las em mp3 e enviar pro meu e-mail (rjoaldo@gmail.com), te penhorarei minha gratidão!

    EXEQUIELA,

    Somente hoje reencontrei esse meu exemplar da Cult, e como os trechos em que Caetano comenta a experiência com “Pulsar” não são tão longos, dá para postá-los aqui. Eis o que então ele disse (para você, Luiz e quem mais chegar):

    “…um poema que tira partido do aspecto visual de uma tal palavra com o significado dela, com o valor semântico, e joga com isso, termina que - quando são bons e verdadeiros poemas - não é meramente uma descoberta de algo que está aí, mas é alguém dizendo algo que não foi dito, de um jeito que se apresenta como necessário.

    “(…) Você vê um poema como ‘Pulsar’, com aquela página preta, aquelas estrelas, aquilo como as estrelas vão… Aquela estrela que vai ficando longe, e a própria página já como um todo, estrelada, e com aquelas luas que crescem, e a estrela que nos esquece e some. E no ‘eco oco’, o ‘o’, a lua fica oca porque tem um buraco que é uma estrela, que é o ‘e’ em negativo, tem o ‘o’ e o ‘e’. Aí já é uma elaboração, são tantas coisas…

    [Essa descrição de como ele lê o poema me faz lembrar algo caro a mim que li de e em Octavio Paz... Mas Caetano continua falando mais em outro ponto da entrevista.]

    “(…) Mas eu tenho um carinho especial pelo ‘Pulsar’. Que é um negócio que eu quase não fiz nada e no entanto o resultado para mim é de uma beleza… Eu já fiz várias versões dele, em vários shows, já gravei umas três vezes, de três maneiras diferentes. De vez em quando, penso em fazer uma nova versão, de gravação ou ao vivo. (…) … eu não fiz esforço nenhum. Eu tive uma idéia muito simples e apliquei a idéia na hora, como uma solução quase fácil demais, mas eu sabia que não era. Foi fácil de aparecer e de executar o primeiro esboço, que foi o que apresentei no disco incluído no livro de Augusto (’Caixa Preta’ e, depois, ‘Viva Vaia’). Mas sabia que, embora parecesse fácil, mesmo para mim, eu sabia que era rico. Com o passar do tempo, eu fui achando mais e mais ainda rico. (…)”

    [puxa, teclo tão rápido, que espero não ter cometido muitos dezlises na digitação!]

  161. Marcelo disse:
    Outubro 24th, 2008 at 1:32 pm

    Nem iria comentar sobre o texto atual, mas, ao ler os comentários, o “assunto Marx” me chamou a atenção. A idéia de que é preciso ter autoridade instituída para emitir comentários sobre esse ou aquele autor, não só é absurda, como nos mostra exatamente o encastelamento das universidades no Brasil. Levando em conta que não se propôs (ou se fez) uma análise detalhada da obra do autor, o comentário do colega não procede. É uma pena que certas discussões sempre “descambem” pro campo do discurso de autoridade. Me faz lembrar do conceito de “discurso competente”, daquela filósofa daquela universidade, comprometida com os atos daquele partido.
    Caetano tocou em um ponto interessante: isso é muito comum quando se fala em Marx. Quando se trata de outros autores, dificilmente a reação é nesse tom. Falou-se sobre o clima de “torcida organizada” e de tietagem por aqui; tenho a mesma sensação quando se fala de Marxismo no Brasil. E casos públicos que ilustram bem isso não faltam.
    Não é estranho que o conhecimento sobre a obra do auto-intitulado “marxizante”, Milton Santos, não tenha sido questionada, por exemplo? Enfim, uma esfinge.
    Caetano, há duas coisas que claramente não consigo entender: o Inglês falado de Zizek nos vídeos que vejo, e a obra de Derrida. Certo diplomata brasileiro escrevera, inclusive, que os franceses jogariam Derrida no lixo, assim que recobrassem a razão. Sou timidamente simpático à idéia. Mas talvez seja fruto dos meus 21 anos; pra descambarmos no discurso que se legitima pela idade…

  162. Exequiela...110 x minuto disse:
    Outubro 24th, 2008 at 3:14 pm

    Bueno quedé enamorada de Pulsar…. Primero escuché la canción y sin entender la letra… me FASCINÓ… Esa transmisión de pulso con la voz!!! Ahora leí el poema y escuché las otras versiones y mis latidos subieron a 110 pulsaciones por minuto…para una mujer de mi edad… eso es taquicardia.

    CAETANO VELOSO: La podrías cantar cuando vengas a Bs As? POR FAVORRRRRRRRRR. POR FAVORRRRRRRR. POR FAVORRRRRRRRR.

    (Mi mamá me dijo que cuando estaba en su vientre, fue a una conferencia de musicoterapia y pusieron por los altavoces, a todo volumen, los latidos de un corazón y yo enloquecí y empecé a moverme de tal manera que se tuvo que ir…. es que los latidos de mi mamá más esos latidos externos eran demasiado. Suerte que una vez fuera del utero ya podemos vivir en paz con nuestros latidos y esos latidos dispares y pares que nos rodean).

    *******************************
    P.D. Qué es más macho? Pineapple or knife?
    http://www.youtube.com/watch?v=PBKp3ahbAxA Laurie Anderson - Smoke Rings (Home of the Brave)

    Standby. You’re on the air. Buenos noches Senores y Senoras. Bienvenidos. La primera pregunta es: Que es mas macho, pineapple o knife? Well, let’s see. My guess is that a pineapple is more macho than a knife. Si! Correcto! Pineapple es mas macho que knife. La segunda pregunta es: Que es mas macho, lightbulb o schoolbus? Uh, lightbulb? No! Lo siento, Schoolbus es mas macho que lightbulb. Gracias. And we’ll be back in un momento. Well I had a dream and in it I went to a little town And all the girls in town were named Betty. And they were singing: Doo doo doo doo doo. Doo doo doo doo doo. Ah desire! It’s cold as ice And then it’s hot as fire. Ah desire! First it’s red And then it’s blue. And everytime I see an iceberg It reminds me of you. Doo doo doo doo doo. Doo doo doo doo doo. Que es mas macho iceberg or volcano? Get the blanket from the bedroom We can go walking once again. Down in the bayou Where our sweet love first began. I’m thinking back to when I was a child - Way back to when I was a tot. When I was
    an embryo - A tiny speck. Just a dot. When I was a Hershey bar - In my father’s back pocket. Hey look! Over there! It’s Frank Sinatra Sitting in a chair. And he’s blowing Perfect smoke rings Up into the air. And he’s singing: Smoke makes a staircase for you To descend. So rare. Ah desire! Ah desire! Ah desire! So random So rare And everytime I see those smoke rings I think you’re there. Que es mas macho staircase o smoke rings? Get the blanket from the bedroom We can go walking once again. Down in the boondocks Where our sweet love first began. Ooo I’m gonna follow you. Out in the swamps and into town. Down under the boardwalk Track you down. Doo doo doo doo doo. Doo doo doo doo doo. Doo doo doo doo doo. Doo doo doo doo doo.

  163. Exequiela...110 x minuto disse:
    Outubro 24th, 2008 at 10:10 pm

    Roberto, VOCE nos está iluminando con esos poemas, esos textos y esos links! Gracias!! Obrigada!! Grazie!!

    Leí el texto Defensores de la fe-
    Totalmente de acuerdo con:
    “Los fundamentalistas realizan lo que ellos consideran que son buenas acciones con el fin de cumplir la voluntad de Dios y obtener la salvación; los ateos las realizan simplemente porque eso es lo que hay que hacer. ¿Acaso no es ésta nuestra experiencia más elemental de moralidad? Cuando realizo una buena acción, no la hago con las miras puestas en ganarme el favor de Dios; actúo así porque, en caso contrario, no soportaría mirarme al espejo. “
    Igualmente, él mismo tiene una actitud fundamentalista… pareciese que quiere eliminar las religiones y que sólo tiene que quedar el ateismo. Me molesta cuando los “pensadores” o filósofos se alejan de la cotidianeidad o de lo terrenal. Porque la fe TIENE que ser defendida, o no?. Bienaventurados aquéllos que se apoyan en la fe para persistir. Yo soy atea pero muchas veces necesitaría tener una religión… igualmente me voy creando algunos Dioses (temporarios en algunos casos)… Pois sí, todos necesitamos sugestionarnos…. incluso los ateos.

    ¿Quieres llorar por mí, por favor?
    Me quedé pensando en esas risas enlatadas… Se imaginan si también hubiese llantos enlatados, en los momentos dramáticos de las series. Ay no!!! No soporto las risas de fondo… menos los llantos!! Además en los llantos no coincidiría nunca.

  164. Marcos Lacerda disse:
    Outubro 25th, 2008 at 1:21 am

    Não quero mais insistir no “assunto Marx” como disse um sujeito aí.Aliás, que texto bobo, mal escrito, e que insiste no jargão do “encastelamento da Universidade”. Posso garantir ao menino que escreveu o texto, que o acesso às universidades, ou a qualquer lugar que ouse cultivar o conhecimento, é bem mais tranquilo do que o acesso às vedetes da cultura de massa, por exemplo. Falar em discurso de autoridade, ou mesmo dizer que não se propõs uma análise de Marx, etc., é realmente mostrar-se incapaz de entender o cerne da questão, a saber, mostrar uma situação muito comum nos “média”: artistas vaidosos que acham que podem falar sobre tudo e todos de forma despreocupada e, por vezes, irresponsável. Fico imaginando um jornalista que fala mal de Caetano, e mostra um desconhecimento em música popular brasileira, e me pergunto: Para ele não serve o mesmo critério, que o habilita a falar sobre tudo e todos de forma irresponsável, etc? Quantas vezes, Caetano não tem aparecido para condenar este vale tudo dos Cadernos de cultura, e de seus críticos que acham que podem falar de qualquer modo sobre ele, ou outros músicos brasileiros? E aí, Caetano não estaria fazendo isso que o sujeito chamou de “discurso de autoridade”? Porque o jornalista não pode falar sobre tudo e todos, e Caetano pode? Porque o Jornalista não pode mostrar desconhecimento, e Caetano pode?

  165. POR QUEM? disse:
    Outubro 25th, 2008 at 3:45 am

    Adoraria, Caetano, escrever sobre o porquê de ser a canção que eu tenho curtido mais até aqui do futuro álbum. Não é uma leitura que queira sondar todas as nuances de todas as imagens, mas por meio de algumas avaliar e avalizar a taxa de dor e prazer, a gema do gemido. E registrar o roçagar no ar das “câmeras” em movimento, que captam e mobilizam o que a canção encerra e libera.

    A considerar o início da letra, parece uma invasão de privacidade isso…

    No entanto, como toda poesia se faz de história e nela reencarna, mesmo quando a renega ou dela finge que escapa (diluição que faço de Octavio Paz), não precisamos esperar que se remeta de forma óbvia a alguma conhecida história - histórias pessoais (verazes ou ficcionais, não importa) por si sós constituem suficiente mitologia individual, revelando e evocando ao sabor de um tempo certo e em todo viés a matéria e o espírito de alguém em concreto e suas pulsões.

    A canção começa evocativa de uma situação amorosa, uma lembrança íntima recente, em ambiente interno, um quarto, e a letra em sua segunda parte, em suave corte cinematográfico, muda daquele plano fechado interno para a vizinhança exterior mais imediata, com algumas tomadas externas da realidade rumorejante do asfalto, pneus e mar (o plural “negros” soa pra mim como cor desses elementos, reverberando ser noite), para logo em seguida novamente cortar, agora de modo abrupto, saltando em panorômica vertiginosa para um ponto mais distante, onde aos poucos se detém realçando ranhuras em montanhas que despenham em vales… o dia (eu acrescentaria nesse filme) amanhecendo.

    Cinema incidental. Prazer crí(p)tico. “Interioridade” retroprojetada na “exterioridade” e vice-versa. Trocas (românticas) entre a solidão e o desejo de um sujeito amoroso por mais amor e a solidão da urbe e da natureza. Devas(s)(t)idão da dor.

    -Durante a passagem dos créditos finais - conceda-me Caetano os direitos de continuar filmando esse curta-metragem! -, bem que a gente poderia pôr para ressoar ao fundo essa alta pulsação manifestada por Exequiela, e, surgindo, mesclando-se a ela e subindo aos poucos, o som de um trechinho de “As Curvas da Estrada de Santos”, de Roberto Carlos, estancado com a tela já negra, apagada:

    Só ando sozinho
    E no meu caminho o tempo é cada vez menor
    Preciso de ajuda

    Por favor me acuda
    Eu vivo muito só
    Se acaso numa curva eu me lembro do meu mundo
    Eu piso mais fundo

    Corrijo num segundo
    Não posso parar

    -com todo o carinho de Roberto Joaldo

  166. Caetano Veloso disse:
    Outubro 25th, 2008 at 7:50 am

    Marcos Lacerda,
    você está certo, em geral. Mas não há isso. Os jornalistas podem falar sobre tudo, eu também, você também. Todos temos o direito de errar e o dever de ouvir os corretivos. E ainda o direto de contradizê-los. Eu próprio já te prestei contas do que conheço de Marx e de onde vem minha desconfiança na intocabilidade dele. Li algum Marx e muitos marxistas. Não li Adam Smith. Mas me considero liberal. Sou largamente ignorante e demonstro, no tom de conversa inconclusiva, a consciência disso. Já li aqui que acham que sôo “categórico” ou algo assim. Pra mim não é isso. Nnao é o que sinto. Sinto que é mais humilde fazer declarações claras e definidas do que apenas parecer sempre referir-se a uma erudição subjacente. Quem afirma uma conclusão simples a que chegou enfrenta o risco de ver essa afirmaçnao discutida. Quem descreve círculos em volta de verdades tidas como difíceis e não se compromete com decisões é que parece querer demonstrar uma superioridade inalcançável. Gosto dos pensadores ingleses porque não temem o senso comum. Mas filósofos em geral são afirmadores categóricos, não se sentem num debate. Têm a loucura de saber o que é e de o dizerem. Não são mais imodestos do que os professores que os analisam e discutem. Artistas são mais impositivos do que filósofos. E gente como eu, que trabalha com o entretenimento de massas, guarda traços do artista. Mas uma conversa à mesa (ou um blog) pode reunir pessoas que estejam nessas diversas posições (e que tenham algo delas em si mesmas) - e nem por isso deixa de ser uma conversa possível.

  167. Fernando Salem disse:
    Outubro 25th, 2008 at 8:35 am

    “Porque o jornalista não pode falar sobre tudo e todos, e Caetano pode? Porque o Jornalista não pode mostrar desconhecimento, e Caetano pode?”

    Eu respondo em caixa-baixa:

    Porque isso é um blog. Se Caetano escrever sobre Marx no caderno Mais, pode sim ser replicado por estudiosos do assunto.

    Aqui também pode. Seria bacana. Mas não é o tom. Aliás, Lacerda, seria legal se você argumentasse sobre o que Caetano falou sobre Marx e enriquecesse o papo. Não foi isso que você fez. Você criticou o fato dele falar sobre Marx sem ter “leitura” para isso. O que incomoda é esse meta-debate sobre como se deve ou não deve falar no blog. Isso é chato. Caetano falou uma bobagem? Conteste. Mas não fique avaliando como os outros se comportam.

    Marcelo tem 21 anos e tratá-lo como um “menino” deu uma certa bandeira do seu patrulhamento por aqui. O texto dele não é “mal-escrito”, pelo contrário. É claro e bem pontual.

    Olha só. Nem sei porque insisto em responder aos seus coments. Só acho que, com toda a sua cultura, seria mais útil que você mirasse nos conteúdos. Questione, critique, contribua, polemize a vontade. Mas o que é muito desagradável é esse negócio de falar dos atributos que os participantes deveriam ter ou não ter pra participar das conversas.

    Deixe que digam, que pensem, que falem. Nesse tal de “assunto Marx”, que eu fiz questão de dizer que não manjo bulhufas, não tive até agora nenhuma informação nova da sua parte. Só vi você criticar o Caetano e quem comentou, chamando de tietagem.

    Sou de uma família de acadêmicos. Tem historiador da USP, filósofo da Sorbonne e o escambau. Falamos de jazz, futebol, literatura, celebridades, novela e cultura pop. Sem polices, regras ou exigências de citação bibliográfica.

    Se esse fosse um blog sobre o Marx, não o frequentaria.

    Se Caetano “mostra um desconhecimento”, aponte e relativize, mas não fique cobrando. É chato e pouco produtivo.

    Respeito seu jeito e já disse que o “tosco” sou eu. Mas, assim como o “menino” Marcelo, quero participar dessa conversa sem tom de “sarau literário” ou “observatório da imprensa”. Deixemos isso pros jornalistas. Que aliás, seriam bem vindos por aqui.

    Até agora seu papo foi “meta”. De Marx mesmo, nada. Já mudamos de assunto faz um tempão. Isso parece uma dízima periódica.

  168. Renato disse:
    Outubro 25th, 2008 at 6:50 pm

    Caetano,

    Sempre que você usa “dizem”, “acham”, “falam” eu fico pensando que você está chateado ou reagindo com frieza.

    Não se engane: foi (também) com você que aprendi a pensar livremente. Às vezes sôo incisivo, mas é tão somente para tentar (desastradamente?) enfatizar o que penso. Não há um desejo deliberado de ofendê-lo. E não falo sempre diretamente para você “Caetano, blablabla” porque não é sempre que você responde e acho desagradável ficar alugando ou ficar sem resposta. Mas é óbvio que sei que você lê; eu não seria estúpido de escrever de modo indireto para ofendê-lo só para dizer o que penso.

    De qualquer forma, perdoe-me se a qualquer tempo causei má impressão - nunca quis isso.

    Uma das minhas primeiras lembranças nesta vida é sua voz cantando “O Leãozinho”. E só Deus sabe o que isto significa pra mim, no meio de tantas fraturas. Desculpe-me mais uma vez.

  169. Marcos Lacerda disse:
    Outubro 25th, 2008 at 10:10 pm

    Acho que estou gostando cada vez mais do Salem, as palavras que ele escreve são corretas e colocadas no momento certo, cabem certinho no texto, ficam bonitas e soam bem. Não são nem um pouco toscas, muito pelo contrário, demonstram uma lucidez incrível,e sua crítica a mim é correta. Caetano Veloso também acerta em vários pontos,e tem o direito de me cobrar um texto mais condizente com as minhas “críticas”. Antes disso, gostaria de apontar algumas coisas importantes, sobretudo em relação à política, em especial aos posicionamentos políticos. É difícil falar em “direita” e “Esquerda” e não correr o risco da simplificação do debate, eu pessoalmente gosto muito da idéia Liberal,e acho que o liberalismo político e econômico ( Locke, Tocqueville, mill, benthan, mendelville, etc.), além das discussões sobre teoria democrática contemporânea ( dahl, guilherme o´donnel, charles pessanha, entre muitos outros), sobretudo os conceitos de poliarquia, crise do sistema representativo, etc., conseguem ser mais interessantes e estimulantes do que a insistência em temas como “luta de classes”, ” modo de produção”, ” mais-valia”, “teoria do valor”, ” lei geral de acumulação capitalista”, ” Lumpem-proletariado”, ” infra-estrutura e super-estrutura”, ” materialismo dialético”, ” valor de troca x valor ( e não apenas valor de uso)”, relações sociais de produção, etc.
    Mas, confesso, e isso me intriga: é difícil dizer que Marx não o foi o pensador que conseguiu mostrar de forma mais brilhante a anatomia da economia burguesa,e do sistema capitalista. E as implicações da análise de Marx, no “campo cultural” são incrívelmente vigorosas, é só ver os estudos de alguns dos autores da “Escola de Frankfurt”, sobretudo os estudos de benjamim sobre a inadequação entre mudanças na infra-estrura e mudanças na superestrutura,criando “fantasmas”, a que chamamos “expressões culturais”, etc.
    Está aí, eis minha tese ( posição), sou um simpatizante liberal, acredito no ideário da democracia moderna, gosto dos textos dos federalistas americanos, acho o socialismo um ideal a ser alcançado, penso que o Brasil deve radicalizar os ganhos de Constituição de 88, alargar as possibilidades de expressão dos movimentos sociais ( ocupação sem teto, sem terra, movimento estudantil, etc.), e assim por diante. Louvo Fernando Gabeira, pois vejo nele a expressão da possibilidade de radicalização democrática na cidade do rio de janeiro. Também gosto da idéia do transliberalismo delirante…e com batuque!

  170. Heloisa disse:
    Outubro 25th, 2008 at 11:48 pm

    Salem, mais uma vez você resumiu a situação de forma clara, sem pedantismo e sem descrever círculos - imagem perfeita que o Caetano buscou para definir um tipo de atitude esnobe que me incomoda desde sempre. Gostei de ‘o tosco sou eu’: paradoxalmente, essa afirmação afastou de você qualquer idéia de ‘tosquera’. Também gostaria que o meta-debate tivesse mostrado um pouco mais de conteúdo - ignorantes a respeito de Marx, como eu, aceitariam de bom grado qualquer informação que escapasse da irritante dízima períodica.

    Marcelo, até entendo o inglês de Zizek, mas acho que acabo por me desconcentrar com alguns sons estranhos do sotaque no final das palavras. Não sei se você conhece um vídeo com legendas em inglês, em que ele fala sobre diferentes tipos de ‘toilets’(deixo em inglês mesmo para não parecer tosca). Caetano está certo - novamente - Zizek dá voltas interessantes e inusitadas, mas parece chegar sempre ao mesmo lugar.
    E, outra coisa: sou uma pessoa que tem pouca paciência para textos mal escritos, mas se todos escrevessem ‘mal’ como você minha vida seria infinitamente melhor.

  171. Caetano Veloso disse:
    Outubro 26th, 2008 at 12:10 am

    Renato, não há do que pedir desculpas. Quando escrevo “dizem”, “acham”, “falam” (ou “alguém falou aqui” etc.) é porque não releio na hora de escrever. É de memória. E eu não discutia com você, era mais com Marcos Lacerda. De quem, aliás, gosto também. Mas gosto mais do garoto de 21 anos, cujo nome não lembro agora (acabo de chegar do show que se seguiu à exibição de “Coração vagabundo”: foi bem legal e o filme causou impressão).

  172. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Outubro 26th, 2008 at 7:39 am

    Marcelo:

    Não venho aqui para nenhuma nota consoante nem dissonante - espero. O meu discurso é outro.

    Caetano vem atravessando gerações fazendo parte de nossos romances de formação. Você tem 21 anos. Eu prestes a 43. A largueza de interesses intelectuais de Caetano é impar. A nossa largueza é, em alguma medida, mesmo que resistamos a sofrer sua influência, impelida pela grandeza artística e intelectual dele, que interpenetra e extrapola seu pensamento já sempre versado em canções.

    E este espaço não é mais apenas um blogue. Se tornou algo híbrido. Depois que várias das regras de moderação foram relaxadas ou abandonadas, passou a ser um misto. Uma mistura de blogue, fórum de discussões & rede social.

    Aqui não apenas comentamos o conteúdo das postagens de Caetano - que corriqueiramente, por motivos não mais discutíveis como ocorria antes neste espaço online, vão além de nos mostrar as dobraduras de sua obra musical prestes a ser lançada. Aqui passamos também a conhecer pessoas, manifestando nossas inquietações, preferências existenciais, estéticas, políticas, afetivas, eróticas etc. etc. Aqui discutimos tópicos imprevistos, sem compromissos formais de conhecimento. Aqui trocamos links e informações, música, vídeo. Pomos a poesia e o delírio no ar. Aclaramos sentidos. Apontamos mistérios. Transferimos, espancando teclados, convicções, razões, equívocos da tela de nossa mente para a tela do computador. Viramos cada vez mais: uma comunidade virtual. Pelo tempo que durar essa infocaetanave!

    Digo isso somente para dizer que fiquei muito curioso por algo mais sobre o que você disse sobre Derrida. A vontade minha foi: quero mais.

    Sabemos que a chamada “desconstrução” reflete uma virada não só de paradigmas para o conhecimento, por denunciar seu resíduo metafísico, como também uma virada política, a começar pela política acadêmica que entronizou uma sorte de disciplinas novas e afins nos departamentos de ciências sociais e humanas, sobretudo na área de cultura contemporânea.

    Esquecemos que é curioso que tudo isso tenha surgido como decorrência de estudos sobre discurso, linguagem, literatura, ou seja, a partir da escrita, de textos, artefatos que manejamos todos os dias. Compreendendo toda sorte de objetos culturais, além de textos propriamente ditos, por meio das ferramentas da desconstrução nada passaria batido, tudo passa a ser “lido”. Fiquemos, por ora, com apenas esses três demasiados conhecidos exemplos: moda, canção, televisão.

    Em tudo ela procura, a par de desfazer o edifício metafísico, desmontar também as armadilhas ideológicas. A desconstrução, filha pródiga da chamada “virada lingüística”, foi coroada em muitos âmbitos da contemporaneidade como disciplina rainha do conhecimento, a “única” capaz de apontar a direção para o desmascaramento de toda forma de mistificação em qualquer esfera: social, psicossocial, sexual etc. E por falar em sexual, de onde é que brotam e recrescem os hoje tão conhecidos estudos de gênero?

    Falocentrismo, patriarcado, logocentrismo já deixaram de tremer ante ela?

    Não sou um profundo conhecedor de Derrida, nem do movimento desconstrucionista em geral. Por isso eu gostaria de saber: baseado em quais premissas um certo diplomata brasileiro asseverou então que os franceses o jogariam no lixo assim que recobrassem a razão?

    Onde você encontrou isso?

    Que tal, como diversão intelectual mesmo, sem maiores pretensões, eu, você, nós dois, Caetano certamente, e quem mais se interessar, alimentar um saboroso debate, neste momento ou em outro momento do blogue?

    De minha parte, depois que li essa afirmação adquiri ganas de reler um ensaio em especial, dentre os contidos num livro para o qual da primeira vez que caiu em minhas mãos nem lhe dei maior atenção. O livro se intitula A Ética da Leitura, escrito por J. Hilis Miller, que foi ou ainda é professor emérito de literatura na Universidade da Califórnia, publicado pela Imago. O ensaio nele contido, “O Crítico como Hospedeiro”, porque teria marcado época entre os estudos da desconstrução, seria emblemático do projeto do qual Derrida se tornou a maior figura. Um ótimo ponto de partida, penso eu… para mim.

    A desconstrução, para além do absurdo florescimento na seara literária, e de sua tonitruante contestação da natureza coerente do sujeito (martelamento que já se dá desde Nietzsche), está deixando de se proliferar também no reino dos demais estudos culturais (em muito do que é discutido sob a ótica do “multiculturalismo”)?

    Acho que vale a pena a gente fincar um pouco mais um pé no assunto e uns verbos na página.

    xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

    Exequiela, vida pulsante:

    Só aplicando zoom máximo conseguir ler afinal as tirinhas com Miguelito e seu narcisismo “vaporoso”. É de um humor solar de invejar Woody Allen.

    Eu andei ensaiando como algum dia eu fraturaria meu espelho narcísico sem quebrar-me a cara - e o fiz brincando com a tentativa anterior frutífera de um poeta brasileiro que talvez não conheça (clicando no título da postagem em meu blogue, o poeta Paulo Leminski pede passsagem):

    http://estreladecentauro.blogspot.com/2007/09/desmanchar-se.html

    Não quero chorar por ti. Prefiro fazê-la rir com essa também pulsante:

    http://www.youtube.com/watch?v=1V4rGIhUP20

    Marina de La Riva canta “Adeus, Maria Fulô”, música de Humberto Teixeira e Sivuca, entremeando-a com “La Mulata Chancletera (Habanera)”, de Ernesto Lecuona e G. Galarraga:

    Adeus, vou me embora meu bem
    Chorar não ajuda ninguém
    Enxugue seu pranto de dor
    Que a seca mal começou

    Adeus, vou me embora Maria
    Fulô do meu coração
    Eu voltarei qualquer dia
    É só chover no sertão
    E os dias da minha volta
    Eu conto na minha mão
    Adeus Maria Fulô
    Marmeleiro amarelou
    Adeus Maria Fulô
    Olho d’água estorricou

    Chancletera soy yo
    Que nací en el manglar
    Y por eso soy flor
    De un aroma sin par
    Chancletera nací
    Y con mi chancleta al sonar
    Pregonando me voy por la calle al pasar
    Con mi chancleta voy por ahí
    Y a su sonido vienen a mi
    Pues doy la fiebre y el frenesi
    A ver quien puede con esa flor

    Flor de canela que es la mejor
    Si señor!

  173. Fernando Salem disse:
    Outubro 26th, 2008 at 9:23 am

    Oi Caetano

    Tive o prazer de escrever o roteiro do Prêmio Bravo que será entregue na segunda-feira na Sala São Paulo. Hoje (domingão) dirijo o ensaio com o MC Lázaro Lamos.

    Obra em Progresso pra minha alegria é candidato/a a Melhor Show.

    Você já vai estar de volta? Vai aparecer por lá?

    abraço

    Fernando

  174. Fernando Salem disse:
    Outubro 26th, 2008 at 9:29 am

    Heloisa, Lacerda, Marcelo e Caetano

    Acho que aos poucos a gente vai se desvencilhando do papo circular. Desconfio que essa comentação desenfreada tem um propósito inconsciente. Chegar ao coment 202 que o Caetano prometeu pra esse POST que já é o recordista do blog.

    Gosto de imaginar alguém dizendo Marrrrx com sotaque de Minas.

  175. Marcos Lacerda disse:
    Outubro 26th, 2008 at 10:43 am

    Acho que causei um desconforto desnecessário às pessoas que escrevem neste blog. Não quero criar um clima de disputa ou competição sobre as pessoas que escrevem aqui. Em geral, todos os textos são bons, inclusive o do Marcelo ( eu apenas não gostei de algumas idéias ali apresentadas, e me posicionei contra, etc.). Dou o assunto por encerrado, e gostaria de falar sobre as canções, as canções do disco do Caetano, o único sentido e estímulo para a feitura do blog. Em suma, acho que fui incoveniente demais, então peço desculpas a todos, e não quero causar má impressão em ninguém, viu Heloisa…Como também adoro Caetano, fico curioso em saber suas interpretações sobre as canções, e só. O que me faz ir ao blog, ler os textos, ouvir as canções, ler entrevistas, analisar o “Verdade Tropical”, em suma, levar a sério algumas questões ali apresentadas, e o colocar entre os grandes livros sobre o Brasil, ( por isso, fico curioso em saber se Caetano escreverá mais, sobretudo continuando as experiências musicais a partir do Jóia, Qualquer coisa, etc.), quer dizer, o coloco ao lado de “Raízes do Brasil”, “Casa grande e senzala”, “minha formação”, etc. Não quero disputar nada cm ninguém do blog, os textos de Marcelo ( que apenas discordei em alguns pontos ), Heloisa e Salem, são bem melhores que os meus, e claro os textos de Caetano também. Quando soube do blog, fiquei entusiamado com a possiblidade de conversar com Caetano e seus fãs refinados, sobre as canções, os motivos de sua feitura, as esclhas de temas, o significado que o artista dá a elas. E fiquei muito feliz com a possibilidade de conversar sobre as novas canções em progresso de feitura, elas acontecendo.

  176. Nando disse:
    Outubro 26th, 2008 at 10:44 am

    Caetano, de “Transa” a “Outras Palavras” (ou seria “Velô”? “Totalmente Demais”?) todos os seus albuns foram batizados com nomes que são também gírias, algumas bem conhecidas (Jóia, Bicho) e outras talvez mais particulares (Outras Palavras, Araçá Azul, Uns?). Isso parou no album que abre com “Eu Sou Neguinha?” e depois acho que você não usou mais (embora “Fina Estampa” talvez também possa entrar aí, ou “Circuladô de Fulô”, estou tateando aqui).

    Queria que você falasse um pouco a respeito, sobre sua relação com a gíria e se houve algum fechamento de ciclo. Você estranha as gírias usadas atualmente? Gosta delas? Bem recentemente adorei ouvi-lo cantar “Você foi mó rata comigo!”.

    Salem: VAMOS NA VELÔ DA DICÇÃO CHOO-CHOO DE CARMEM MIRANDA! Sem maiores neuras, abraço! Ah, e pão de queijo com café preto em copo americano, schifaichifavoire.

  177. Marcelo Sá de Sousa disse:
    Outubro 26th, 2008 at 10:47 am

    Eu concordo com o Fernando Salem. Já tinha visto o comentário do Marcos Lacerda há um bom tempo, mas preferi não responder, já que a intenção era a ofensa mesmo. Fiquei sem entender o motivo de tamanha acidez. Mas é que eu só tenho 21 anos, vai ver que é por isso…

  178. Fernando Salem disse:
    Outubro 26th, 2008 at 1:10 pm

    Marcos

    Que bom que você gostou do que eu falei. Fiquei feliz do coment não sido interpretado como crítica pessoal. Que bom.

    Quanto a esse velho papo de esquerda/direita, pouco entendo. Mas o que tenho notado é um crescimento de um discurso auto-intitulado de “direita” bem personificado na figura do jornalista e blogueiro Reinaldo Azevedo. Tem ecos em Mainard e agora parece até aparecer no blog do Geral Thomas. Tem muita gente letrada aqui em SP votando no Kassab por conta dessa reação ao petismo.

    Quem vitamina essa new-direita é a Veja. Nasce um novo jeito de pensar meio rancoroso, com argumentos risíveis e com aparência de estofo intelectual.

    A reação ao escândalo do mensalão e a Zé Dirceu parece ser a gênese da construção de um pensamento reacionário. Dá a impressão que os “aloprados” fizeram o que essa pseudo-elite esperava para justificar suas idéias jurássicas travestidas de moderninhas.

    Não gosto da Marta por uma coleção de motivos. Não voto nela, nem no Kassab. Mas esse crescimento da figura do Kassab escorado pelo pensamento dos new-direitistas me lembra coisas como a invenção de Fernando Collor.

    O debate um dia foi “direita X esquerda”, aí se tornou “privatismo X estatização” e a coisa entornou em “ex-sexóloga da elite X gay no armário”.

    Se a gente olhar direitinho aonde está o empobrecimento desse debate, pelo menos aqui em SP, chegamos à “Veja”.

    Mainard muitas vezes tem razão e fontes confiáveis o escoram, mas é um obsessivo. Um dia vai ficar sem assunto. Reinaldo é um homem de trocadilhos e agressões pouco fundamentadas. Há quem o idolatre por aqui. O acham lúcido. Odeio essa palavra “liberal”. Quando era moleque, diziam que meus pais eram liberais. Eles também odiavam.

    O fato é que a terminologia se desgastou de vez.

    Lula surpreendeu a todos com o seu segundo mandato. Ninguém acreditava que ele, sem o cerco dos amigos sindicalistas, faria o que fez. A new-direita apostou suas fichas no denuncismo. Aliás, quando denunciou o mensalão, o fez com competência.

    Não me sinto nem à direita, nem à esquerda, me sinto flutuando. Hoje anulo meu voto. Que pena.

  179. Marcos Lacerda disse:
    Outubro 26th, 2008 at 1:59 pm

    Elas acontecendo…Assim, fiquei intrigado com a canção “A cor amarela”,e já o disse, tentando fazer algumas perguntas que a mim pareceram pertinentes, embora talvez sejam desestimulantes ou primárias para Caetano, de quem gosto mais que qualquer outro, ele gosto ou não de mim. Adorei o comentário sobre a canção ‘Por quem” que me causa uma estranha sensação, é como se me sentisse íntima dela, saba-se lá porque, ou por quem. E é uma delícia ouvir o Caetano cantá-la, me dá a sensação do novo, o outro, aquele que vai chegar quando menos se espera, aquele que nos causa transtorno, sem nos dar a companhia total, mas ainda assim o esperamos ( lembrei da canção “Etc”, que insiste em anunciar-se no desejo?). Falta a ser.

  180. Marcelo Sá de Sousa disse:
    Outubro 27th, 2008 at 1:28 am

    Para esclarecer: meu último comentário tinha sido escrito antes da retratação do Marcos, portanto, não o encarem como uma tentativa de continuar essa situação desagradável.

    Marcos: não concordo com a idéia de que você apenas não gostou de algumas coisas escritas em meu comentário. “Menino”, “texto bobo e mal escrito” são alguns dos excertos que, puxando pela cabeça, poderia utilizar para ilustrar a contradição. Mas deixemos esse assunto de lado de uma vez por todas.

    Heloisa, eu tinha escrito um comentário de apenas uma frase, que, infelizmente, aparenta não ter passado pela moderação. Tento de novo: “Heloisa, você é uma dama”.

    Roberto, o diplomata é o Paulo Roberto de Almeida e o artigo em questão está aqui: http://www.espacoacademico.com.br/089/89pra.htm

    Há algumas idéias interessantes não só no artigo em questão – no qual o autor vocifera contra a exigência acadêmica do “marco teórico”-, como em outros também. Entendo muito pouco de Derrida, Roberto. É justamente por isso que afirmei que minha adesão ao movimento de jogar o filósofo no lixo era “tímida”. Não sei sequer se essa discussão será aceita pela moderação, mas, de qualquer forma, vou esboçar alguma coisa, no geral.
    A problemática sobre Derrida está fundamentada, em essência, na sua escrita. Ao menos é o que eu percebo. Há um questionamento – uma rejeição até, pode-se dizer – de parcela acadêmica significativa, de diferentes matizes, sobre a validade dos intricados parágrafos do autor em questão. Os marxistas normalmente já andam com o dedo em riste no trato com os pós-modernos, mas “o caso Derrida” (já que falei em “assunto Marx”) recebe atenção também dos que não são norteados por Marx. Ou melhor, “suleados”, já que, como aponta o físico Márcio D’olne Campos em um projeto interessante (www.sulear.com.br), nós do hemisfério sul somos guiados pelo Cruzeiro do Sul. Sendo assim, em linhas rápidas, a idéia de nos “nortearmos” por algo reflete uma apropriação do espaço que nos é estrangeira. Mas, enfim, não quero sucatear o pensamento do Márcio nessas rápidas linhas que escrevo.
    Tentando ser sintético e correndo o risco da simplificação em demasia, Roberto, eu diria (ressoando também muitas opiniões alheias) que o que muitos questionam (não me inclua por completo) é se Derrida de fato diz coisas relevantes; e, ainda, se o “trabalho” para se chegar a tais idéias sequer valeria o “esforço”. Acho um movimento interessante, no sentido em que ele ataca a idéia de que escrever de maneira ininteligível é algo a ser valorizado ou respeitado. Mas não nutro paixão alguma. Bourdieu, Habermas, Foucault, Deleuze… Nenhum deles, ME PARECE, é questionado como Derrida.
    Agora, no particular (falava no geral), eu sinto uma rejeição muito grande por quem escreve mal. Isso funciona, muitas vezes, para camuflar o pensamento que verdadeiramente se expõe naquelas páginas determinadas. Veja Foucault. Gosto muitíssimo dele, mas, depois de bater a cabeça em alguns parágrafos e finalmente compreender, não lhe ocorre que o que por vezes está exposto é um conceito até bastante simples? Eu, assim como Foucault, também admiro Deleuze. Mas não deixo de computar o baixo ibope dos mesmos pelos próprios franceses. Enfim, é um assunto muito complexo para ser abordado de maneira tão despreocupada como faço. Em meu primeiro comentário no blog, falei com excitação (talvez até pueril) sobre as mudanças que parecem estar em marcha no mundo. Suspeito que uma reavaliação da contribuição dos franceses também possa estar aos poucos se insinuando… Mas isso são apenas suposições.

  181. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Outubro 27th, 2008 at 10:47 pm

    ESPECIALMENTE, MAS NÃO SOMENTE SÓ COMENTAÇÃO GERAL


    Eu sou um pássaro
    Que vivo avoando
    Vivo avoando
    Sem nunca mais parar

    Eu ia lhe chamar!
    (Enquanto corria a barca)
    Lhe chamar!

    Ouvirei “Preta, Pretinha” durante os próximos verbos. Para quem quiser ouvir junto (clique com o botão direito e peça para abrir noutra janela):

    http://b.radio.musica.uol.com.br/radio/index.php?ad=on&ref=Musica&busca=Preta+Pretinha&param1=homebusca&q=Preta+Pretinha&check=musica&x=51&y=9

    xxxxxxxxxxxx

    Dedicado a LÍCIA:

    Justo no comentário de número 209, da penúltima postagem com título de Caetano, “ELEIÇÕES (10-out)”, que a caetanauta Lícia diz: “Leio esse blog há meses… nunca vi uma reunião de tanta gente inteligente, divertida, interessante como essa. Um dia tomo coragem e chego mais perto.”
    ______________

    FERNANDO SALEM

    Eu sou um fruto, (araçá azul?), da “incontinência geral” que você terminou por festejar em um adorável momento deste blogue, e que a nossa fina flor do Lácio, Heloísa, nem demorou em concordar. No entanto, eu já tinha identificado desde sempre no impagável e onipresente Nelson, e logo na primeira vez que pus os olhos nas ‘travetexturas’ de Exequiela, o anseio de que esse espaço transcendesse, e se trans-tornasse no que ora é.

    Somos – repito para reconstatar - já mais do que blogue, a soma de blogue, fórum de discussões e rede social ou de relacionamentos virtuais. Mas ainda somos o ovo do ovo do ovo do: novo. Ainda não contamos - falando em termos “zizekianos” - com ‘códigos de conduta’ prontos, consistentes, definidos, para este circuito. É até bem possível que esta infocaetanave saia do ar antes que atinjamos a utopia de circularmos não sob algum ‘regime liberal do entendimento geral’ de todo impossível e indesejável, mas segundo diversas harmonias possíveis sem juízo final.

    Vi você fazendo várias vezes esse papel difícil de legislador. Por exemplo, quando reclama agora da “comentação geral”, e quando afirmara antes que sarau literário não é a sua praia.

    Sou fã teu já pelos teus textos daqui. Lê-lo é um de meus vícios, desde o início, eu já disse isso. E não o leio somente cá. Já pintei no teu blogue. E lá e cá você escreve de modo tal que eu tendo a pensar: puxa… sem comentários! Como diz Caetano, você tem sempre razão. Mas há razões que a sua própria razão desconhece. Como Marcelo nos trouxe, somente com a força de uma declaração citada, a levada percussiva da filosofia da desconstrução, eu digo: nenhuma razão é isenta. Nem a sua. É possível sempre em alguma parte desmontá-la. Como justamente sob a tônica dessa sua ‘autoridade legislativa’ subjacente.

    As regras que transformam este espaço online além de blog em comunidade virtual são mais ricamente constituídas (e de forma irresistível isto vem acontecendo) fora de qualquer centramento numa autoridade unívoca - a começar fora dos critérios estabelecidos inicialmente pela moderação.

    Viva a Geléia Geral!
    ___________________

    MARCELO SÁ DE SOUSA

    Eu não queria aprofundar o assunto e chegar a esse ponto g: o do “marco teórico”. O que eu pude dizer, apenas o fiz para não desmerecer um movimento que traz legados importantes pros estudos culturais, literários, de gênero, e ainda são os que mais se dedicam a questões cruciais da vida contemporânea: mídia, moda, cultura pop etc. E o fiz em parte me baseando na lembrança de leituras da bibliografia de uma única disciplina afim que cursei com o professor Arthur Nestrovski na PUC-SP há uns 15 anos, em parte no que ficou na memória de artigos nos cadernos culturais dos jornais, e apertando as orelhas do livro de Miller (Ética da Leitura) que neste momento ando folheando.

    J. Hillis Miller, além de vidrado em literatura, dedicou-se muito à teoria e crítica da instituições, quanto a esta última faceta não sei se seguindo a trilha de Foucault. Da autoria deste último, nos meus tempos de universidade era “crime” não ler, por exemplo, Vigiar e Punir, e Microfísica do Poder – cito isso somente para revelar o poder entronizado de um autor na academia.

    A turma da desconstrução pariu uma pensadora singular que causa muito furor hoje e há um belo tempo. Quem ainda não ouviu falar do livro Personas Sexuais escrito por Camille Paglia? Eis a desconstrutora:

    http://en.wikipedia.org/wiki/Camille_Paglia

    Tenho curiosidade por saber se Caetano a aprecia!

    Isso que o diplomata não perdoa são certas “aporias” do discurso que eu sabia que já rolavam em Derrida e Foucault. Mas rolam também com Paul de Man, que é quem eu conheço um pouco mais, pois já o li diretamente. Miller, neste livro escangalhado aqui de meu lado, justamente dedica um capítulo inteiro, com o título “’Lendo’ Parte de um Parágrafo em Alegorias da Leitura”, a enfrentar algo parecido que acontece com seu colega de Man.

    Alegorias da Leitura é o livro pelo qual de Man ficou mais conhecido. É neste livro que ele faz uma “crítica literária” e soberba da filosofia de Niezsche. O ‘Lendo’ no título do capítulo, aspeado pelo próprio Miller, é uma tentativa deliciosa de enfrentar uma dessas “aporias”. Recomendo que você o leia.

    Aporias, quem não as comete ou as tem? Eu? Você? Caetano? Salem? Amém!

    Passe-me seu e-mail pra rjoaldo@gmail.com que eu poderei me estender mais sobre o texto do diplomata Paulo Roberto de Almeida, assim como sobre a leitura que reinicei de “O Crítico como Hospedeiro”, de Miller, texto também seminal para quem lê ou escreve crítica literária. Quem sabe a gente não foca alguma coisa interessante para em algum contexto voltarmos a pôr mais outro pé construtivo neste blogue sobre algo dessa trupe?

    A juventude em 68 quis mudar o mundo com a grita “todo o poder à imaginação”. Principalmente na década de 1980, em boa parte do mundo, e sobretudo nas academias americanas, essa trupe da desconstrução imaginou poder abalar o poder minando com as suas ferramentas críticas o edifício metafísico e ideológico de instituições, e de toda uma série de artefatos culturais. Não exatamente como 68, também não conseguiram mudar o mundo de todo até aqui. Mas ainda estão por aí!

    Não foi à toa que o filósofo pragmatista Richard Rorty tenha se dedicou tanto a Derrida:

    http://www.lawrence.edu/dept/english/courses/60a/handouts/rorty2.html

    http://muse.jhu.edu/journals/new_literary_history/v039/39.1.rorty01.pdf_
    ______________

    MARCOS LACERDA

    Obrigado pela apreciação de meu roteiro/curta-metragem a partir de Por Quem. Pretendo fazer algo nessa trilha com as outras canções que Caetano reunirá no futuro álbum, à medida que forem se encarnando em mim - meu coração não se cansa de ter esperança de que isso acontecerá.

    Enquanto não retorno, acho que irá curtir muito algo. Queira ler “Linguagem, Mito e História em ‘Al Capone’, de Raul Seixas”, escrito por Jayro Luna (aplicando zoom máximo, pois as letras são tão diminutas quanto às das tirinhas do Miguelito postadas por Exequiela):

    http://www.blocosonline.com.br/literatura/prosa/artigos/art040.htm

    Para mim você tem toda a razão: Por Quem, além de ser uma canção-prima, tem a ver com “Etc.”: é o avesso do avesso desta. Quem quiser conferir, confirmar o contradizer:

    http://www.caetanoveloso.com.br/sec_busca_obra.php?language=pt_BR&page=1&id=81&f_busca=etc.

    Sabe, depois da controvérsia gerada com aquele seu comentário que começava… “Esse papo tá qualquer coisa”… eu vim te acompanhando com um interesse - crescente a qualquer réplica de Salem e posicionamento de Caetano. A sua impertinência é inteligente, mas não a sua atual penitência. Acho que muito reside em que você tem razões que à razão de Salem não apetece.

    Voltei e freqüentei todos os seus comentários anteriores. E fiquei encantado - tanto pra frente quanto pra trás, na roda do tempo deste blogue - com a forma como você conhece e admira (pro-fun-da-da-men-te ) o universo artístico e intelectual de Caetano.

    Mas adoraria em algum contexto específico vê-lo mobilizando algum dos “conceitos” que você ostentou em vários comentários, seja o da primeira parelha (os mais clássicos), seja o da última parelha (que inclui até, com um humor inclassificável, o “transliberalismo delirante e batucante”).

    Quanto a Marx, não passei do Manifesto Comunista. Estrago que me foi causado por Oswald de Andrade, de quem li muito cedo “A Crise da Filosofia Messiânica” e “A Marcha das Utopias”. Os dois ensaios, como um golpe de foice, me fizeram desconfiar de que a seta da História não seguiria reta para a abolição das classes e da opressão mediante a força dos martelos. Porém tenho adorado a atual crítica literária marxista, como a de Terry Eagleton, autor que já andei divulgando neste blog. Ele tem uma relação com o pensamento de Walter Benjamim bem visceral.

    Walter Benjamim, possivelmente Caetano o sabe, foi um pensador seminal para o galáctico poeta e crítico brasileiro Haroldo de Campos.

    E olha, não li Hegel a não ser de segunda mão. Mas devorei A Instituição Imaginária da Sociedade, de Cornelius Castoriadis, com uma voracidade tal como Caetano a Leonardo de Caprio.

    Conheço um ensaio do Paul de Man, autor a que me referi acima para o Marcelo, contido em livro intitulado A Resistência à Teoria, numa tradução feita em Portugal, em que de Man discute o anti-tratado “A Tarefa do Tradutor”, de Walter Bejamim. O texto de Benjamim é sobre a im-possibilidade de traduzir poesia e ao mesmo tempo mobiliza um conceito sui generis sobre a História. Imperdível!

    Se a você interessar essas sendas que percorro, escreva-me um e-mail pra gente começar a confabular e em algum contexto mais específico e, quem sabe, trazer coisas interessantes pra este espaço ou pra outros que disseminem idéias e conhecimentos.

    _________

    EXEQUIELA

    Eu adjetivei o narcisismo de Miguelito de “vaporoso” mas encontrei designação ainda melhor pra esse ‘vapor’ e que fica um barato: evaporoso. Você não teria como digitar pra gente o texto?

    Também concordo contigo quanto ao sectarismo anti-religioso de Zizek. E não foi com Caetanino (Cae + tanino) que todos nós aprendemos que não crer é o vero crer mas que é proibido proibir orar sobre patins?

    Jurema Paes que o diga:

    xxxxxxxxxxxx

    Só! Somente Só!
    Assim vou lhe chamar.
    Assim você vai ser.

    Por minha cabeça não passava
    Só! Somente Só!

  182. Caetano Veloso disse:
    Outubro 28th, 2008 at 12:25 am

    Pra chegar ao 202: Marcelo, adoro você escrevendo e pensando com tanta clareza e cuidado aos 21.

  183. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Outubro 28th, 2008 at 2:48 am

    Ops, EXEQUIELA, Jurema Paes não seguiu logo, mas segue agora, cantando, dançando odara, e, a Santo Antonio, nos fazendo orar sobre patins (a canção é de Jota Velloso, sobrinho de Caetano):

    http://www.youtube.com/watch?v=VTmEzPxRGs4

  184. Fernando Salem disse:
    Outubro 28th, 2008 at 7:51 am

    Simbora ao 202!

    Querido Roberto Joaldo

    Não acho que tenha feito o “papel difícil de legislador”. Pelo contrário sou um anti-legislador compulsivo. Fui dos primeiros a questionar os critérios de moderação expostos pelo mestre Hermano, por aqui. E me opus ao Lacerda quando, involuntariamente, propunha pré-requisitos de leitura aos livres comentaristas deste blog.

    Mas você tem inteira razão anti-legislar pode ser uma forma de legislar. Essa é uma questão política muito atual.

    Mas não reclamei da “comentação geral”, pelo contrário, defendi o que chamei de “incontinência”!

    Gosto dos textos soltos, a queima roupa, com erros de digitação, com assuntos múltiplos. E de modo geral, me divirto com tudo e todos por aqui. Do contrário seria um masoquista.

    Caetano é um pensador polifônico e esse blog reflete essa deliciosa desarmonia, cheia de ruídos e momentos de consonância também

    Quando disse usei a expressão “sarau literário” ao lado de “observatório da imprensa”, me referia a um vício de se conversar olhando o tempo todo para o “modo” em que a conversa se dá. É verdade, isso me irrita, mas contraditoriamente alimento esse vício, quando critico os que praticam o meta-debate. Acabo por fazê-lo. E aí sim, tavez tenha um leve sotaque legislativo.

    Me interesso por samba, futebol, cinema, tv, política de boteco e… João Gilberto. “Jogar conversa fora” é uma prática bem brasileira. Pertenço a uma dessas famílias que conversa à mesa sobre qualquer assunto. E fazemos saraus onde Oswald e Fábio Júnior podem conviver lado a lado. Blogs são um espaço muito convidativo pra esse tipo de ser humano que chamei de “tosco”, como eu. Só isso.

    Talvez, po ter essa tendência tão ignorante e curiosa, a um só tempo, tenha me irritado e involutariamente legislado a respeito de quem se arrisca a regrar o tom das conversas por aqui.

    O artista que gerou esse blog também me parece assim, de assuntos diversos e texto livre, embora seja intelectualmente bem mais preparado do que alguns supõem.

    De agora em diante, não comento mais nada que diga respeito à forma (meta-debate) em que o blog “progride”. De fato, isso pode parecer legislar e eu tenho horror a isso.

    grande abraço

    Fernando

  185. Nando disse:
    Outubro 28th, 2008 at 10:15 am

    Marcelo, lembro o que disse o Antônio Cícero: há que se ter mesmo um esforço necessário na apreensão de qualquer texto filosófico, é um ato de concentrado esforço. Agora, pra saber se o que Derrida tem a dizer vale a pena, só chegando lá. O fato de alguém ou algum grupo concluir que “não” por si só não atesta uma possível contingência em sua obra. As flutuações de escolas e estilos cansam demais; negam, depois revêem, assimilam, resgatam, tornam a negar; pensadores póstumos, pensadores futuros, haja paciência. Estou bem mais com Neruda, “Feche o livro e vá viver” ;)

    Pergunto: é possível desenvolver um pensamento complexo com simplicidade - sem cair pra síntese oriental de “tudo é tudo e nada é nada, né?” e sem querer parecer deliberadamente difícil? E se o ininteligível mais adiante se tornar inteligível pelo cabedal do leitor? Quem vai pagar o livro rasgado? :p

  186. Marcelo disse:
    Outubro 28th, 2008 at 10:47 am

    Caetano, você e mais uma pequena “galera” (”patota” pode assumir uma conotação negativa) têm culpa no cartório quanto a isso. Referências incontornáveis.

  187. Nobile José disse:
    Outubro 28th, 2008 at 1:38 pm

    esse blog me impressiona. nunca pensei ser lido por caetano. ainda que ele passe os olhos, e nem guarde meu nome. mas é que já tinha perdido a esperança de um dia encontrá-lo. e agora aqui, nesse virtù, com meu discurso vazio, pra chegar no 202, vou regritar: lindo!!!!!!!!!! como fiz em 1994, na primeira vez que vi cae ao vivo, em jf, milésimos de segundo antes dele entoar “nunca me faça mal (lindo!!!!!!!!) linda e sabe viver…”. com direito a itamar franco na platéia, que na época era o maior sucesso.

  188. paul constantinides disse:
    Outubro 28th, 2008 at 2:03 pm

    Nao entendi pq o Caetano disse no inicio de seu texto que se sentiu obrigado a fazer as musicas para seu amigo, no inicio de sua carreira.
    Outra coisa, sobre sotaques brasileiros. Vivo ha nove anos nos Estados Unidos e vivi no Brasil sempre em SP. Aqui dou aulas de portugues e ocasionalmente algum aluno me pergunta sobre qual eh o sotaque “mais” brasileiro, e eu respondo q nenhum, q todos sao.
    mas, ultimamente, ouvindo portugueses, vejo muitas semelhancas entre o portugues dos portugueses e dos cariocas..pelo menos no quesito “origem”, o carioques esta, talvez, mais proximo a nossa Matriz….porem, observo, todos os sotaques sao bonitos….

    abs
    paul

  189. Fernando Salem disse:
    Outubro 28th, 2008 at 2:55 pm

    Então, viremos a página, rumo ao expresso 202. Fiquei encantado com os grooves do Marcelo e do Ricardo lá no Prêmio Bravo. Ricardo tem um baixo fraseante sem perder o groove. Há algo de Paul Mc Cartney nisso. Baixo a serviço da canção e da levada. Com a força dos sub-woofers digitais, os baixistas andaram meio enfeitiçados com a idéia de apenas grudar no bumbo e fazer a terra tremer. Ricardo é suave, mas soa rock. Marcelo é um batera cheio de referências. É sério, mas faz brincadeiras. No arranjo que escutei pra Águas de Março havia algo de Queen. Ele pulsa suave e de re pente pontua grandiloquente.

    Tenho pensado a respeito dessa geração. O Rio era até bem pouco tempo o paraíso do mercado fonográfico. Músicos ficavam conhecidos nas fichas técnicas dos discos acompanhando cantores. É o que nós aqui em SP apelidamos de “músicos sindicalizados” ou “músicos de pochete”.

    Com a retração do mercado do disco, os músicos voltaram a tocar por aí, nos bares, na Lapa, nos inferninhos. Tocam em um montão de guigues ao mesmo tempo. Choro, samba, covers, rock e o escambau.

    Aqui em SP isso também está rolando. São meninos que não pintam o cabelo de vermelho e usam roupa de ir pra escola.

    Me lembro, nos 80, do esforço visual, que nós músicos fazíamos para “aparecer”. Agora parece meio ridículo. Me lembro também, de como era necessário se opor à MPB, às vezes de maneira boba, enquanto Gil e Caetano elogiavam as bandas.

    De certa forma, essa geração não tem medo do velho. O que é fundamental pra que o “novo” surja. E isso me empolga muito.

    Não sei se essa descrição dos novos músicos tem a ver com o que o Caetano chamou de “crianças indie”. Mas vendo e ouvindo Marcelo e Ricardo tocarem, senti neles todo desapego que ao que os profissionais do showbizz chamam de “atitude” no palco.

    A anti-atitude dessa molecada acaba sendo uma postura mais atrevida e forte do que os solos de guitarra ajoelhados, ou as rodadas de baqueta, ou aquela encostada de costas do baixista no guitarrista.

    Além das mudanças musicais que estão “em progresso” na nossa canção popular, há um desmanche de da imagem caricatural do músico pop.

    Amanhã vou assistir Nina, Pedro e Ricardo no Studio SP fazendo uma “releitura” (expressão que os jornalistas adoram e eu não uso outra por preguiça) de um álbum solo da Rita Lee.

    Sinto cheiro de amplificador valvulado no ar. Isso pra mim é perfume!

  190. Marcelo disse:
    Outubro 28th, 2008 at 3:54 pm

    Nando, que provocações interessantes que você fez no seu comentário! Eu concordo com quase tudo o que você disse, menos com a conclusão.
    Eu tenho minhas reservas com relação a se apontar a culpa no cabedal do leitor. É justamente essa a estratégia que muita gente usa…Ou não? O modus operandi é justamente escrever de maneira ininteligível, e, ao ser questionada, a pessoa diz que é você, leitor, que é incapaz de entender. É estranho que eu cite Marilena Chauí neste momento, já que, para mim, a autora também tem contas a prestar com a disposição dos elementos numa oração; mas a ilustração é boa: já ouvi por um colega que, em certa fala, Marilena afirmou que tenta ler um texto 3 vezes. Se na primeira não entende, ela acha que a culpa é dela; se não entende na segunda, ela sente que há alguma coisa errada; na terceira, ela já culpa o autor mesmo. Espero ter contado a história de maneira correta, mas creio que foi assim mesmo que relataram a mim.
    O que eu quero dizer, Nando, é que não só é possível como já foi feito. É comum? Na Filosofia, eu diria que não, ao menos em geral. O que não falta são pensadores “complexos”. O problema é quando críticas como “Imposturas intelectuais” (do Sokal) aparecem na praça e tentam demonstrar que parte do “complexo”, na verdade, é embuste.
    Não acuso aqui Derrida de ser um embuste, embora já tenha ouvido isso. Só sinto que não poderia deixar de citar o Sokal em um ponto que começou, basicamente, ao se falar dos “pós-modernos”.
    Tentando ser sintético e ignorando tudo isso aí de cima: o problema é quando o ininteligível se torna estilo ou se faz passar por condição sine qua non para pensar com profundidade. Aí a coisa se infantiliza. Parece que estamos numa gincana: quem é que escreve pior? Afinal, o objetivo deveria ser justamente passar a mensagem com o menor ruído possível. Dessa maneira, evita-se a compreensão errônea de conceitos por parte do leitor e as conseqüências que isso traz em seu bojo, como as críticas. Mas aí há um ponto importante: nesse caso, quando a forma não é descuidada, não é tão fácil se esquivar alegando que “você não entendeu o que eu escrevi”, o que já ocorreu em mais de um caso. Escrever mal é um defeito a ser superado. Não pode ser confundido como “estilo”.
    Pra finalizar, não podemos deixar de notar, também, que existe uma facilidade, uma inclinação pessoal nessa equação. Eu conheço uma pessoa – a qual se intitula de “leitora hardcore” de Filosofia – que não só entende Derrida, como acha a leitura de Deleuze “simples”, “fácil”. Só que, não contente em achar Deleuze fácil, ela diz, por exemplo, que tem mais facilidade com ele do que com Nietzsche. Um espécime raro, certamente.

    P.S: se não me engano, Sokal não bate em Derrida no “Imposturas…”

  191. Exequiela. ad.lib. disse:
    Outubro 28th, 2008 at 5:01 pm

    202: 2+2: 4
    Fuego, Tierra, Aire y Agua

    Roberto!
    Me encantó desmanchar-se!!!!. Me gustaría saber más portugués para entender todo lo que escribís en tu blog! Pero… estoy aprendiendo de a poco. Gracias también por las canciones. Me gustó muchísimo Marina de la Rivera! Acá va otra: http://www.youtube.com/watch?v=G-eG6rODpB0&feature=related

    La trascripción de Miguelito … pero recomiendo que lo lean con los dibujitos http://exequiela.blogspot.com/2008/10/miguelito.html , sino no tiene mucha gracia. También se puede cliquear sobre la imagen y se agranda.
    Miguelito: A que el próximo auto que pasa es azul.
    Miguelito: Cómo puede un auto equivocarse tanto?

    Felipe: Hola Miguelito, qué hacés mirando ese charco?
    Miguelito: Estaba dejando mi imagen en esta agua… Así cuando se evapore cada gotita llevará un poco de mí a toda la ciudad.
    Cuando mañana en el noticioso digan el porcentaje de humedad, ya sabés de quién estarán hablando.

    Miguelito: Comprensión y respeto, eso es lo importante para convivir con los demás, y sobre todo, sabés qué? No creer que uno es mejor que nadie.
    Porque así como hay mucha gente que a mí puede no gustarme… Es lógico suponer que también yo puedo no gustarle a un montón de imbéciles, no?

    Miguelito: Alguien de ustedes se llama Miguelito?… Estos bichos deben usar unos nombres espantosos.

    Para los que quieran conocer al mundo de Mafalda http://mafalda.dreamers.com/

  192. nelson disse:
    Outubro 28th, 2008 at 8:03 pm

    galera,pra chegar ao 202..

    o cd duplo do buena vista social club at the carnegie hall saiu…eh trem bom demais….recomendo tb o podcast da totem uma marca aqui do rio …pra quem gosta de musica é mesmo um achado…é muita informação musical bacana em um lugar só…

    roberto muita gentileza sua uma determinada referencia á minha pessoa…..obrigado!

    please é pela descontrução que se “mata” o legislador rsrsrsrsrs….figura que reflete um estadio animico “castrador”…..legislador aqui não cara palida….o pensamento em uma sociedade radicalmente democratica,liberal e onirica precisa ser plural…..

    sou mais do que tosco….sou um quase obra na tentativa diaria de conhecer aprender e viver…viver viver sempre…..

    licia vou na onda do roberto e segue uma canção pra ti tb….espero que heloisa não fique com ciumes….gente quer ser feliz esse é o barato da vida e é para o que fomos feitos…senão perde-se o sentido da nossa existencia…detalhe caetano cita roberto…..bacana rsrsrsrsr

    http://www.youtube.com/watch?v=7uaEx5UJCig

    roberto meu negô se eu for ler tudo isso que vc citou acho que não preciso mais frequentar a casa do saber rsrsrsrsrsrs….vou começar pelos links…

    heloisa

    ai ai ai saudade não venha matar….

    ai ai ai saudade não venha me matar….

    vou lhe chamar
    lhe chamar
    chamar chamar chamar….rrsrsrsrsr

  193. nelson disse:
    Outubro 28th, 2008 at 8:34 pm

    é caetano gabeira perdeu…

    a democracia representativa não sobreviveu á um feriado prolongado e de praia…..dai disse certa feita que a democracia representativa tinha falido….e vc com sua dignidade que lhe é peculiar disse que eu estava errado….

    a praia foi mais importante….precisamos evoluir ainda muito….e a sociedade carioca ainda não desejou de fato romper paradigmas..em um post que comentei…. achei que a missão era impossivel mas a praia foi mais importante que escolher alguem que vai nos “comandar” nos proximos 4 anos….

    detalhe no final da tarde de domingo depois de ter votado andei pela lagoa e a mesma esta abolutamente degradada e pensei “o homem nunca vai chegar perto da quase perfeição da natureza pelo simples fato de que somos, salvo honrosas exceções,
    egoistas”.

    abraços

  194. Marcos Lacerda disse:
    Outubro 28th, 2008 at 11:15 pm

    A segunda parte do texto de Nando é bem interessante e instigante. “É possível desenvolver um pensamento complexo com simplicidade?” Acho que esta indagação já expressa bem, em síntese, o que poderia ser escrito sobre os textos atuais, inclusive o texto de Caetano. Gostei muito dos comentários do Roberto Joaldo, como gosto de quase tudo que escreve o Salem,e, confesso, quase nada do que escreve o Caetano aqui no blog. Acho que o Roberto resolveu uma série de problemas que vinha sentindo por causa de minha impertinência em relação às falas de uma vedete do mercado de entretenimento de massas, uma vedete que admiro muito, diga-se de passagem, mas que mantenho um distanciamento crítico que me proporciona ver suas limitações e insuficências.
    A questão central, para mim, é que Caetano Veloso perdeu muito da sua capacidade crítica ao aderir às facilidades da condição de “artista”. Diferentemente dos grandes de sua geração, o compositor baiano parece ter se perdido, deslumbrado, na roda viva do mercado de músicas banais para entretenimento de massas, ou para jovens burgueses em transe, claro que atento às benesses do tal mercado, os seus “falsos leblons” e sua preguiça solar. Um bom exemplo que podemos usar como contraponto é Chico Buarque, compositor muito mais refinado, inteligente e coerente politicamente do que o doce bárbaro. Acho que só Aldir Blanc e Paulo César Pinheiro chegaram perto da clareza de Chico, foram capazer de resolver alguns dos impasses do “século XX americano”, se distanciando do barroquismo hermético falsamente refinado tantas vezes usado por caetano, e que se transformou em sério obstáculo epistemológico, para a sua obra brilhante, mas bastante irregular. Ainda assim, a obra em progresso de toda a carreira de Caetano continua instigante e importante.

  195. Heloisa disse:
    Outubro 29th, 2008 at 12:48 am

    Marcos,

    Você não me causou má impressão nenhuma - desculpe-me se foi o que pareceu. E não subestime seus textos, colocando-os abaixo dos meus: eu, aqui na nossa página alternativa, nada mais faço do que tentar absorver um pouco do conhecimento de vocês. Só de curiosa e atrevida que eu sou.
    Comecei a ler ‘Verdade Tropical’ (escrevi sobre isso para o Caetano em outra página, mas ele não se manifestou) e já sinto necessidade de comentários e opiniões. Assim que você começar, já terá uma leitora atenta a cada palavra sua.

    Roberto, Nando e Marcelo, não sei como absorver tantas palavras carinhosas. Também não sei por que isso acontece: quase não passo um dia sem agradecer a alguém aqui. Mas talvez o mistério não se explique em mim, e sim em vocês todos.Obrigada.

  196. Heloisa disse:
    Outubro 29th, 2008 at 2:00 am

    Marcos, não quero começar uma discussão, mas preciso dizer que meu comentário ficou quase sem sentido depois que li o seu: parece até que escrevi para outra pessoa…Como assim? Eu achava meus sentimentos em relação ao Caetano contraditórios, mas os seus parecem mostrar uma incoerência assustadora.

  197. nelson disse:
    Outubro 29th, 2008 at 2:18 am

    caetano,

    saudade.da pra chorar…..eu chorei.

    verdades mais do que tropicais.verdades universais.
    zen e barroco.
    baianidade nagô.
    iemanjá.
    mestre do meu mestre.
    um brasil que me parece tão distante……
    não te parece?

    vc magrinho.
    vc reverenciando o que sempre mereceu reverencia.

    engraçado como os seres universais e imortais
    como ele ao final dizem sempre algo parecido.
    é uma humildade daqueles que sabem ser genios mas
    não prcisam demonstrar…

  198. nelson disse:
    Outubro 29th, 2008 at 2:19 am

    segue o video que deixei de colar e que demostra o que disse no commment acima
    http://www.youtube.com/watch?v=zLpIZlGTVzY

  199. Caetano Veloso disse:
    Outubro 29th, 2008 at 3:45 am

    bem, o 202 está perto. cheguei do estúdio. com ida e volta a roma via paris - sem conseguir dormir no avião - minha voz ficou meio ruim de gravar. mas fui gravando assim mesmo. toma mais tempo. que bom que salem encontrou ricardo e marcelo. ricardo tinha me mandado e-mail sobre o prêmio. eu não sabia que nada (ou se sabia não lembro). muito bom nosso showzinho carioca ser premiado em sampa. as canções são bacanas. a banda soa divinamente. sobretudo nas versões mixadas por moreno e daniel + pedro sá. ‘a cor amarela’: que beleza essa música com a energia artística da grande música do moderno carnaval da bahia (moderno e já vetusto: nasceu primeiro com dodô e osmar, depois com ‘atrás do trio elétrico’, depois com moraes moreira, depois com o ilê, depois com o olodum, depois luís caldas, depois com a banda reflexu’s, depois com daniela, com a timbalada, com o gerasamba, o tchan, harmonia do samba, psirico… orgulho-me muitíssimo dessa história. ‘a cor amarela’ ressalta dentre os transambas mais antónio zambujo indie rock lyra paulistana minimal do zii e zie por essa sintonia com a poesia da bahia. estou com saudades de são paulo. amando o rio por quase ter elegido gabeira (ele foi o vencedor de honra) mas cheio de saudade de são paulo.

  200. Exequiela. ad.lib. ... disse:
    Outubro 29th, 2008 at 6:57 am

    Estoy de acuerdo con la pregunta de Nando:
    Pergunto: é possível desenvolver um pensamento complexo com simplicidade - sem cair pra síntese oriental de “tudo é tudo e nada é nada, né?” e sem querer parecer deliberadamente difícil?

    Yo estoy del lado de las personas que a veces (o muchas veces) leen algunos textos “difíciles” o “complejos” y dicen: “QUÉ???”. Lo intento leer otra vez y como tengo CERO PACIENCIA y me cuesta mucho concentrarme cuando leo… lo dejo. Y ahora que veo lo que dijo Marcelo, me parece interesante la historia de Marilena. Pero qué pasa con los que no tienen paciencia como yo… o los que simplemente no vamos a entender textos “complejos”? Yo no pretendo que TODO sea escrito con simplicidad… o que TODOS los pensamientos partan de la simplicidad pero… no puede ser la filosofía, el análisis un poco más accesible para los “desafinados”?

  201. Exequiela. ad.lib. ... disse:
    Outubro 29th, 2008 at 7:30 am

    Muy bueno el video Nelson! Lástima que no capté todo lo que falaban. Caetano… tan joven y flaquito… qué ternura… pero qué falador!!! Casi no podía meter bocado (hablar) Caymmi………..

  202. nelson disse:
    Outubro 29th, 2008 at 10:11 am

    marcos,

    há um certo pedantismo no ar e nas palavras….

    pra mim usou epistemologico,barroquismo hermetico,
    preguiça solar e jovens burqueses em transe….há esta pretensa cultura da vanguarda da retarguada da anticultura…. faaaazfavorrrrrrrr se vc é o dos 21 anos
    vai namorar ao som de cor amarela no farol da barra
    comendo acarajé e beijando uma bela morena e todas estas palavras desaparecerão como que por encanto…
    encanto da preguiça solar de um artista brasileiro bacanerrimo, integro,honesto,contemporaneo, que tem 3 anos a menos que meu pai, que poderia estar de pijama curtindo os netos mas viaja e discute e canta e grava e conversa e omite opiniões que a gente pode discordar, debater mas apenas e tão somente desautorizar e com argumentos de pretensa erudição ….não fica bem …o grande barato da vida é ser elegante ate mesmo discordando mas devo te dizer isso vem com a idade com a vida e suas bordoadas com a ideia de somar pra dividir e não de dividir pra desautorizar…

    respeito tua opinião mas achei vc deselegante..
    abraços

  203. nelson disse:
    Outubro 29th, 2008 at 10:38 am

    caetano,

    Vencedor de honra não existe…..

    “mais antónio zambujo indie rock lyra paulistana minimal do zii e zie por essa sintonia com a poesia da bahia” esta passagem merce um post teu.

    minimal eu entendo, sintonia com a poesia da bahia
    faço uma ideia,indie tem varios sentidos possiveis,
    rock lyra paulista faço ideia ….é liguagem cifrada?poesia concreta?alguma especie de chamamento?declaração de amor á são paulo?

    saudade de acarajé,bolinho de estudante e moqueca de siri catado….

    abraços

  204. Marcos Lacerda disse:
    Outubro 29th, 2008 at 11:30 am

    Chega de Verdade!

  205. Fernando Salem disse:
    Outubro 29th, 2008 at 2:24 pm

    Ontem fui ao lançamento aqui em SP do filme do Branco Mello que narra a saga dos Titãs. Fiquei bem emocionado. De certa forma, faço parte da história contada lá. Um narrativa costurada apenas com a edição de velhos takes de VHS intercalados com imagens de arquivo televisivo e videoclipes. O impressionante é que não se trata de um documentário formal com depoimentos atuais. A própria edição dos velhos retalhos e stock-shots dá conta da curva dramática. Há algo de cronológico dentro de um vai-e-vem no tempo, com a prisão do Tony e do Arnaldo, a morte do Fromer (que é meu padrinho de casamento), programas do Chacrinha, bebedeiras antológicas e um puta som remasterizado que faz o cinema tremer.

    Ponho isso tudo nesse blog, porque num dos meus posts falei do quanto foi ridículo o look da minha geração new wave no patropi.

    Desfalo aqui tudo que disse! As roupas da grife Kaos Brasilis, os cabelos e aquilo que chamei ironicamente de “atitude” são o espetáculo também.

    A plaréia ri muito ao perceber que os Titãs permanecem atuais e o seu entorno já é “de época”. Dinossaurico. O cenário do Clube do Bolinha, as imagens lavadas do Perdidos na Noite, os shows no Lira Paulistana e no Sesc Pompéia. Tudo é precário, mas as canções estão ali. E a própria edição trata de colar uma mesma canção tocada nesse cenário de época com um take atual. O belo truque de edição nos faz ver que a estética, o design, a linguagem de corte da TV, enfim… tudo mudou e parece antigo. Mas a música não se infantiliza.

    O filme é sensacional. E há muito de tropicalismo nessa história toda.

  206. Exequiela. ad.lib. ... disse:
    Outubro 29th, 2008 at 2:37 pm

    Qué es zii e zie?? Vamos LeAoncito.. no nos dejes con la intriga.

  207. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Outubro 29th, 2008 at 2:38 pm

    & corro o risco - mas alguém precisa corrê-lo - de estar escrevendo o ‘cabalístico’ comentário geral n. 202… quão mau quão bom fado para o felizardozarado!

    ______

    “Mariposa de lindos colores
    Que en mi patio cantas
    Al atardecer
    Mariposa
    Ay si tu pudieras
    Decirle en tu canto
    Mi cruel padecer”

    EXEQUIELA, passarinha solar & desenjaulada, não apenas em Maiakóvski o coração tem razões revolucionárias para se rebelar contra a anatomia do peito. Em mim igualmente. Assoma do mais fundo de minhas montanhas estufando por La Riva uma rosa branca – e, por ti, uma amarela!

    xxxxxxxxxxxx

    …OLHA LÁ
    VAI PASSANDO
    A DESCONSTRUÇÃO
    SE ARRASTANDO
    QUE NEM COBRA
    PELO CHÃO…

    xxx

    Salamaleicam, SALEM, carinho, benção, axé, shalon, mermão!

    Com toda a admiração, ofereço-te como um antídoto, para qualquer recaída – é um daqueles (para usar palavra que agradaria a Derrida) fármacos de que se diz ‘é tiro, e queda’:

    “De onde vem, para os homens,
    o desejo maldito
    de que deve haver apenas o uno
    e de que tudo deve vir do uno?”
    (Hölderlin) [apud Miller]

    xxx

    MARCOS, eu cuspiria quase em uníssono contigo toda essa insolência a Caetano, e mesmo ao sol - se preciso fosse. Mas o mal, é bom! E o bem cruel. Sua insolência é salutar e só tem sabor em estado da mais absoluta impenitência. O que você me diria sobre isso:

    “Conceptual language, the foundation of civil society, is also, it appears, a lie superimposed upon an error. [A linguagem conceitual, a base da sociedade civil, é também, ao que parece uma mentira sobreposta a um erro]” (Paul de Man, in: Miller]

    xxx

    MARCELO, toma essa declaração e as passagens que se seguem como um beijo:

    “One sees from this that the impossibility of reading should not be taken too lightly [Vê-se a partir disso que a impossibilidade de ler não deve ser encarada com leviandade]” (Paul de Man)

    “Eis aqui a série de generalizações que forma a pressuposição preliminar essencial para as afirmações de de Man a respeito do momento ético na leitura:
    ‘O paradigma de todos os textos consiste numa figura (ou sistema de figuras) e sua desconstrução. Mas como esse modelo não pode ser encerrado numa leitura definitiva, ele engendra, por sua vez, uma superposição figural suplementar, que narra a ilegibilidade da narração anterior. Distinguindo essas narrativas na segunda (ou terceira) potência das narrativas desconstrutivas primárias, centradas em figuras e, em última análise, sempre na metáfora, podemos chamá-las de ‘alegorias’. As narrativas alegóricas contam a história do fracasso da leitura, enquanto as narrativas tropológicas… contam a história do fracasso da denominação. A diferença é apenas de grau, e alegoria não apaga a figura. As alegorias são sempre alegorias da metáfora e, como tais, são sempre alegorias da impossibilidade de {fechamento da} leitura – frase na qual o ‘de’ genitivo tem de ser ‘lido’, ele próprio, como metáfora.’” [in: Miller]

    A linguagem, eureca, nos condena à… linguagem. E eu que já cheguei um dia a pensar que no princípio ela teria sido feito um Éden pra toda a humanidade! Marche Roberto Joaldo, consciência torturada pelo pó ou finitude, mais ao norte, mais ao sul, meridionalmente – ora, ora, equatorialize-se: afinal, desBabelize-se!

    Orientemo-nos, todos, ó irmãos em Infortúnio, em Nonadas – ou… em Graça, em Fé, em Sombra, em Sol, em Som, em Festa… de sentidos – com a bússola-Gil (clicando com o botão direito, abrindo em outra janela, e seguindo a canção 6):

    http://www.gilbertogil.com.br/sec_discografia_view.php?id=39

    HELOISA & CAETANO, é incrível a força que as coisas (e alguns seres) têm para se chocarem e se entretecerem - mas eu estou recitando desde acima e até embaixo extratos do texto de J. Hillis Miller a que me referi já para o Marcelo quando eu escutava “Preta, Pretinha”, o “‘Lendo’ Parte de Um Parágrafo em Alegoria da Leitura”, contido em A Ética da Leitura (editora Imago). E esse textamento do Miller não é – exatamente - sobre um texto em que de Man – justamente – trata de ‘Julie, ou La Nouvelle Hélöise’, de Rousseau, mesmo romance epistolar lido no capítulo 5 do ensaio “A Transparência e o Obstáculo” por Jean Starobinski (editora Cia. Das Letras)? - …farpas e farpas que já andei lançando na direção de vocês dois, através de nossa fina dama da lingüistica? Por ora, se virem os dois com isto:

    “A segunda parte… parece narrar o desencanto de Julie com Saint-Preux e sua subseqüente dedicação a Deus; mas o que ‘de fato’, ou melhor, alegoricamente, a volta de Julie à devoção religiosa significa, narra, conta, é, pela fatalidade de um engendramento necessário, a incapacidade do texto para se ler a si mesmo. O fracasso de Julie em poder ‘ler’ suas próprias cartas anteriores a Saint-Preux (cartas que, é de se acreditar, deveriam impedi-la de cometer o ‘mesmo’ erro novamente), é a alegoria daquilo que o texto ‘realmente diz’; isto é, a incapacidade que ele tem de se ler a si próprio. Pode-se dizer a mesma coisa da incapacidade de Rousseau para ler aquilo que escreveu…” (in: Miller… sapecando sua leitura de parte de um único parágrafo de de Man lendo Rousseau…. não, não e não, até onde isso nos levará, deuses meus!)

    xxx

    NELSON

    Por que você não interpela a organização mantenedora técnica responsável pelo lançamento diário desta infocaetanave em órbita nas mais altas camadas da blogosfera a fim de permitir que seus verbos em vez de escritos sejam logo locucionados para todos nós em formato mp3 ou outro codec mais leve? Acaso sua voz não é como a minha, de bom de timbre, meu chapa?

    xxx

    P.S. a MARCELO:

    Recebi seu endereço em meu e-mail.

    Como já deve ter percebido, sou ser tão delirante que não detenho autoridade recomendada pra analisar o texto (do diplomado diplomata brasileiro), conforme me comprometi. Porém estarei convocando amigo meu, filósofo que pertence à academia, professor da jovem Universidade Federal do Recôncavo da Bahia-UFRB, campus de Cachoreira, para textemunhar em meu lugar e não me fazer passar vergonha.

    Ele se chama André Luís Mota Itaparica, e - não mais que… coincidentemente! - escreveu sobre isso que tanto o alegra, a tal da bela escrita, ou arte do bem escrever, isto é, sobre o decadentismo (a virada da ênfase de ‘do quê’ pro ‘como’ dizer), em seu livro de estréia, intitulado ‘Nietzsche: Estilo e Moral’ (saído pela Discurso Editorial & Editora UNIJUÍ).

    O decadentismo literário através ‘da’ filosofia e ‘na’ própria escrita nietzcheana.

    Caso seja difícil de achar por aí, vou ver se descolo exemplar pra você com esse pensador fominha.

    Antes de tudo, enviarei pro seu e-mail um conto de humor patafísico meu - não tá no meu blogue por falta de clima pra ele lá: chama-se O Espírito de Tudo. (Se aprová-lo, e quiser reescrevê-lo melhor, todos os direitos de minha vã autoria estarão desde já, em público, a você conferidos).

    Mas queira, ao lê-lo da primeira vez, reouvir a seguinte canção (Gênesis) do Caetanino:

    http://www.caetanoveloso.com.br/sec_busca_obra.php?language=pt_BR&page=1&id=133&f_busca=Esp%EDrito%20de%20Tudo

    Quem mais desejar o conto, peça-me pra rjoaldo@gmail.com

    xxxxxxxxxxxx

    EXEQUIELA – finnegans wake! –, eis que no finnícius você revém: não sei se sabe, mas aqui ‘mariposa’ nem se apassarinha nem flamula as asas pro sol como aí em plagas argentinas; consegue ser ainda mais triste que na canção interpretada por La Riva, porque é borboleta só(no)turna…

    “Só borboleta em vôo cego
    Na cela do viver apenas lego
    Meu pó no vidro austero
    Para a assinatura do prisioneiro
    Nas janelas severas do destino”

    (Velimir Khlébnikov-Augusto de Campos)

    N.B.: Cito de memória… posso estar sendo um tanto dramático.

    ______
    Contrato digitador (a) urgente! - Agradecimentos ao Microsof Office Word Incorporation: o primeiro comentário digitado direta e exclusivamente em editor de textos quem esquece…

  208. ANGELICA disse:
    Outubro 29th, 2008 at 4:07 pm

    Nelson,
    qdo vc fala no comentario 202. “o artista tem 3 anos a menos que seu pai….vc diz OMITE? opinioes que agente pode discordar”,etc… Nao entendi!
    Nelson, te assisto de longe neste blogue, nao gosto de ficar “dando” minha opiniao, mas posso dizer que você é um tanto encantador!
    Sinto saudades daquelas suas risadas… elas me remetiam a um lugar cheio de fantasias!
    beijos
    Anje

  209. Fernando Salem disse:
    Outubro 29th, 2008 at 5:09 pm

    Cacildis!

    E não é que o 202 foi meu! Juro que foi por acaso. Mas vamos ao número caetanístico:

    Dizem que foi no ano de 202 a.C. que foi fundada a famosa dinastia Han. Um período de uns 4000 anos em que a China foi comandada por uma família, o clã de Liu. Tem uma pá de chineses que até hoje se diz descendente de Han. E foi nesse período que a China se transformou num estado confucionista.

    Pois é. E por aqui instalamos o estado “confusionista”.

    Viva 202!

  210. Fernando Salem disse:
    Outubro 29th, 2008 at 5:10 pm

    Sorry. O 202 foi meu por alguns minutos. Agora é do Nelson. Está em boas mãos!

  211. alberto disse:
    Outubro 29th, 2008 at 6:42 pm

    então vem pra São Paulo.
    Também gostaria de saber o significado de zii e zie

  212. Marcelo Sá de Sousa disse:
    Outubro 29th, 2008 at 8:05 pm

    Salem, tomei a liberdade de visitar seu blog. Gostei bastante do que vi.

  213. Marcelo Sá de Sousa disse:
    Outubro 29th, 2008 at 8:19 pm

    (Comentário anterior ficou cortado)

    De novo: Roberto, parece ser interessante o trabalho desse seu amigo. Há até duas coisas em comum: tenho uma ligação com a Federal do Recôncavo por motivos de representação estudantil, e, a minha universidade, a UNIRIO (Federal do Estado do Rio de Janeiro), possui um pessoal bastante reconhecido pelo estudo de Nietzsche, como o Charles Feitosa (que ganhou o Jabuti, inclusive). A Unirio promove um seminário (o “Assim falou Nietzsche”) que ele deve conhecer.

  214. NELSON disse:
    Outubro 29th, 2008 at 11:04 pm

    leia-se emite.
    thanks salem.
    roberto não entendi teu comment rsrsrsrsrs.
    abraços a todos
    beijinhos pra heloisa.

    Alguem teria um video do caetano cantando algum fado notadamente “foi deus”?hermano irmão brother
    o blog ta meio devagar nas postagens.

  215. Nando disse:
    Outubro 30th, 2008 at 6:21 am

    Rosana, se você passar por aqui: desculpadíssima, Xuxu! ;)

    Marcelo: a desculpa usada em discussões do tipo “você não entendeu” versus “você é que não foi claro” me parece tão infantil, como acho que você já observou, que extingue qualquer ânimo para ir adiante no tema.

    Marcos Lacerda: sintetizei assim sua visão do Caetano: uma vedete do mercado de entretenimento de massas que utiliza um barroquismo hermético falsamente refinado, confere? Gostaria que você desse exemplos concretos pra gente quanto ao “barroquismo hermético falsamente refinado”. Acho que seria amsi proveitoso para todos se você fosse um pouco mais claro e objetivo em vez de ficar atirando bolinha de papel em Caetano para em seguida reafirmar reiteradamente que o ama.

    Seus posts me lembram um pouco do livro do Pedro Alexandre Sanches, “Decadência Bonita do Samba”, um livro venenosamente apaixonado.

  216. NELSON disse:
    Outubro 30th, 2008 at 10:41 am

    Acredito em energia boa e energia ruim.
    Em pessoas com energia boa e energia ruim.

    Como o comentario 202 foi meu e todos que apreciam caetano(eu incluso) empenhados em chegar ao mesmo só com energia boa mas acabei fazendo uma critica ao marcos e quebrou a energia totalmente zen linda baiana iemanjá sargaço mar oxum ialorixá DE UMA BRASILIDADE que caetano sempre afirmou e reafirma e difundi e integra do ponto de vista cultural brasil portugal….

    vou reproduzir o link despido de qualquer energia que não a energia do bem, da musica, da reverencia, da integração, da beleza da convergencia da luz da bahia, da magia que só a bahia tem, da força e sagacidade que a bahia tem e que ate hoje é um misterio para mim….misterio que venho tentando desvendar mas que nunca o conseguirei pelo simples fato de que o misterio e beleza da bahia é dos baianos e eu sou um branquelo carioca …..

    http://www.youtube.com/watch?v=zLpIZlGTVzY

    abraços a todos

    heloisa adorei seu comentario da canção que postei do king of blues:
    comentario sucinto, convidativo,envolvente e rsrsrsrsrs

    me fez lembrar esta canção
    que espero que vc aprecie e quem sabe um dia….
    rsrsrsrsrsrs

    http://www.youtube.com/watch?v=F4OXrmxDp44

  217. Eef. disse:
    Outubro 31st, 2008 at 10:46 am

    Oi Caetano, a grafia do verbo em português é “ESCANCHAR” como nesse verso do Alceu Valença “Na curva de suas ancas / Quando escanchada na sela”; se não me engano, “esganchar” é em espanhol.
    Grande abraço,

  218. Angela Luiza Machado disse:
    Novembro 10th, 2008 at 7:19 am

    Caio,

    Cheguei ao fim da leitura do seu post sobre Álvaro Guimarães comovida, orgulhosa, e, mais que tudo, feliz por você chorar a saudade dele e a saudade dele ta doendo em mim.

    Alvinho também foi um anjo no meu destino. Graças a ele - empreendedor/diretor/roteirista/apresentador/editor/ amigo/parceiro/cúmplice - meu início e permanência no mundo “atrás das câmaras”. Por conta dessa nossa parceria, uma tarde de sol fui te buscar em casa, em Ondina, logo após àquele atentado, para gravar a convite de Alvinho, sua participação no programa que iria concorrer no festival de 30 anos de existência da rede Globo. O personagem principal seria Castro Alves. Já estava gravado, a Gang Bang cantando Vozes D’África, um rock danado, Simone Moreno, Tonho Matéria. Sua participação era uma incógnita. Alvinho dizia: “ só na hora, vou saber. Você apareceu vestindo um macacão verde limão, quase chegay para castroalvar. Rumamos para o Teatro Castro Alves despedaçado, na iminência de ser transformado em shopping. No palco, entre tantas tralhas, um velho piano. Enquanto ficamos imaginando o que e como fazer, você sentou-se ao instrumento. Alvinho te chamava a todo momento, carinhoso. Caio. Um nome, uma senha, que me permitiu ver a intimidade, amizade, respeito, sem dimensões de tempo ou de palco. Entre vocês, uma vida desenhada numa fita infinita. Em cima de uma escada de abrir, Alvinho foi até as nuvens naquela tarde, entre acordes de um piano desafinado e poemas de Castro Alves que você tentava, em vão, decorar. No fim, o festival foi cancelado por conta do Plano Collor e o material se perdeu, mesmo. Uma pena! Pra mim, Alvinho acertou no Álvaro, sempre. (Acerte no Álvaro, era o nome do programa de TV ao qual você compareceu) Alvinho foi morar no lugar onde o Brasil foi descoberto. Morreu onde tudo começou. O que há de bom na vida deve tê-lo convocado, imediatamente, para lutar ao lado das suas legiões. Um beijo com todo carinho, Caetano-Caio.

  219. João André Ribeiro Lepsch disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 9:43 am

    Calipso com o apoio público de Caetano? Respeitar é uma coisa: respeito o trabalho independente e a força de vontade para atingir o sucesso deste grupo. Caetano que faça esta afirmação tudo bem, já estamos acostumados. Mas acho uma injustiça e um exagero enorme colocar tal grupo como geniais, como revolução na música brasileira, daí já é demais.Soa como uma demagia, tão comum na geração de Caetano. Desde os anos 80 vimos por um enorme conglomerado de fatores, que todos que realmente gostam de música brasileira conhecem, a repentina mudança de rumo da música brasileira de sucesso, principalmente entre a classe média que cresceu mas não acompanhou a sofisticada cultura que era comum neste segmento da sociedade, anterior aos 80. É o que se chama de “nivelamento por baixo”. Se não fosse a internet, algumas boas casas de shows “underground”, e os festivais que se multiplicaram pelo Brasil todo, a VERDAIRA BOA MÚSICA BRASILEIRA, seja rock ou MPB ou a mistura experimental brasileira, teria já talvez acabado com relação à mídia. É uma questão estética Caetano, estética! Não vamos ser demagogos.

  220. Júlio Lucas disse:
    Abril 3rd, 2009 at 6:39 pm

    Caetano,

    A Bahia não conhece a Bahia. É inadmissível que uma figura como Álvaro Guimarães nos deixe sem que os meios de comunicação (sequer aqueles pelos quais ele transitou) tenham dado a devida atenção. Pelo menos que eu saiba, Alvinho trabalhou na TVE, ARATU/GLOBO e ARATU/CNT, além de ter escrito coluna para jornal.
    Tive o prazer de conhecer e trabalhar com ele no programa “Muito Prazer, Álvaro Guimarães” na TV Aratu. Por sinal, o título foi uma sugestão minha. Mais tarde ficaria sabendo que Chacal se lançou na Poesia com cem exemplares mimeografados mais de duas décadas passadas com a idéia original: “Muito Prazer, Ricardo”.
    Trabalhar com Álvaro foi uma grande experiência. Ainda hoje colho os frutos de ter feito parte da equipe como produtor/roteirista enquanto ele se autodirigia com uma criatividade e poder de improviso incríveis.
    Alvinho sempre falava de você com carinho e respeito. Lembro-me também da ocasião do programa que fizemos durante o Carnaval que você se refere em seu texto. Passávamos por uma situação difícil para manter o programa no ar por falta de patrocínio. O amigo Luiz Moura, também da equipe, me convenceu a te ligar sem a autorização de Álvaro, já que ele era irredutível na idéia de não te incomodar. Foi muito difícil pra mim, pois não sabia qual seria sua reação. E você, Caetano, com a simpatia que lhe é peculiar, e o mesmo carinho e respeito que Alvinho tinha por você, me atendeu. Marcamos a entrevista, a princípio no camarote na Ondina. Mas sem hora marcada (no meio da folia ficou difícil) e terminamos por realizar a gravação em sua casa.
    Assim como você, Caetano, foram as mãos de Álvaro Guimarães que colocaram a pedra-fundamental para que eu realize meus trabalhos ainda hoje, na área de audiovisual.

    Júlio Lucas

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