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MULATO, MAÇÃ, CANDÉ, 80%, ALEIJÃO, RC E CV CD DVD ACJ
10/11/2008 10:44 pm

A hipótese de “mulato” vir daquela palavra árabe sempre me convence mais do que a de que vem de “mula”. Mas o Houaiss dá “jumento” como o primeiro significado da palavra. Segue-se “burro pequeno, ainda novo”. O.K. Mais crível que SEJA burrico do que que VENHA DE mula. Para “vir de mula” seria preciso uma formação de palavra italiana (em inglês tem dois tês), como “frutato” (ou será “frutatto”?): era assim que eu pensava até ler o Houaiss. Seja como for - além de jumentos serem bonitos (e jumentinhos novos, lindíssimos, parecidos com Brigitte Bardot) - “mulato” é uma palavra com conotação positiva no português brasileiro que aprendi em casa e na rua. Mais: no segundo verso da canção que é o Hino Nacional Brasileiro não-oficial, “Aquarela do Brasil”, o país é chamado, orgulhosa e carinhosamente, de “meu mulato” (aliás o Houaiss dá “inzoneiro” como sinônimo de “mulato”, quando este tem valor adjetivo). By the way, a “Aquarela do Brasil” foi eleita em votação popular (popular mesmo: a audiência do Fantástico) como a primeira dentre as “maiores músicas brasileiras de todos os tempos”. Seguida, se não me engano, de “Águas de março”, “O bêbado e a equilibrista” e “Carinhoso”.

Glauber, lembro do Stained Glass. Depois eu falo.

Ricardo Pereira, conheço Júpiter Maçã (ou Apple). Depois eu falo.

Gravataí Merengue, concordo totalmente com você: afro-isso, afro-aquilo (e a forma americana “African- American” é ainda pior) é um modo racista de falar. Um egípcio é africano. Um bôer da África do Sul também. O mesmo para tunisinos, marroquinos e argelinos. “Africano” não quer dizer “negro”. Mas mesmo que todos os africanos fossem pretos, seria racismo designar povos tão variados (inclusive fenotipicamente), oriundos do maior continente da Terra, por uma só palavra. Iorubanos não são bantos, malineses não são bundos, haussás não são gege. São povos com histórias diferentes e muitas vezes tingidas de inimizades milenares. Chamar um mulato filho de uma branca americana com um preto do Quênia de “African-American” é uma grosseria histórica. Essas expressões são “muito piores do que qualquer outra adotada espontaneamente pelas pessoas”, como você diz. Usá-las é adotar o olhar do traficante de escravos.

Contei que conheci Portishead há uns dez anos através de um elenco fascinante que entrou na casa de Milton Nascimento, numa festa. Disse que não foi lá que, através de Marininha, Karola, Candé, Luísa e Natália, tomei contato com o grupo inglês. Foi quando, dias depois, liguei para um deles, que ouvi uma gravação fantástica na secretária eletrônica. Perguntando, me informaram que a banda se chamava Portishead. Bem, todos os envolvidos me dizem que escrevo tão mal que ficou parecendo que conheci Portishead ligando pro Milton Nascimento. Se pareceu isso, corrijo: foi ligando para Candé que ouvi Portishead pela primeira vez. Ele (e as meninas bonitas) adoravam esse grupo. Até apelidei Candé de Portishead, já que muitas vezes era a banda que atendia quando eu ligava para ele. E, além de me dizerem que escrevo mal, Candé chiou por ter passado de protagonista a mero figurante na história.

Este blog é da obra em progresso, a feitura do “zii e zie”. Quando o disco estiver pronto para sair, acaba. Mas não se avexem não que vai demorar a sair. Já está todo gravado, embora não todo mixado. Falta também eu ir lá na Universal falar com Gê e Pedro (não Sá) para fazermos a capa (já tenho as fotos e as idéias de tipos). De todo modo, o disco só deve sair no ano que vem: Roberto Carlos e eu lançamos neste fim de ano o CD e o DVD do show com as músicas de Jobim.

Aqui vocês vão ouvir “Incompatibilidade de gênios” nas duas versões para eleger uma. Isso, amanhã ou depois.

Heloísa, você ficou de mal comigo. Minha resposta sobre o “aleijão” foi pura e doce, mesmo que parecesse teimosa e cruel. Justamente por não haver nada mau em mim em relação ao erre retroflexo é que nem lembrei do que você falava quando voltou ao assunto. Sabia que tinha lido algo assim da primeira vez mas, entre tantos comments, não me liguei em “Verdade tropical” (embora ali estivesse explícita a referência). Creio ser o único artista de fora da região do erre líqüido a usá-lo na composição (e gravação) de uma música não cômica nem folclórica, com profundo amor de identificação. Je t’embrasse. Tendrement.

Rafael, prefiro GABEIRA PRESIDENTE do que questionar o resultado da eleição. Embora, é claro, ache erradíssimo o cara que, no Globo, comparou a Zona Sul a um “curral eleitoral”.

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448 Comentários sobre o Post “MULATO, MAÇÃ, CANDÉ, 80%, ALEIJÃO, RC E CV CD DVD ACJ”

  1. glauber guimarães disse:
    Novembro 10th, 2008 at 11:05 pm

    caetano,
    c lembra do “stained glass”?? e “small faces”? e o “free”, chegou ver em londres, apesar das circunstâncias de sua estadia lá, exilio e tal? putz, fiquei eletrico agora…hj que nao durmo mesmo…

    “sour times” do portishead, aliás, o “dummy” todo eh perfeito.

    êee, vida boa!

  2. Cora Rónai disse:
    Novembro 11th, 2008 at 12:24 am

    Ué, ninguém comentou ainda?

    ¿Que passa?

    Menino, estou apaixonada pelo Zambujo! Baixei os dois CDs dele que encontrei no e-music (às vezes eu baixo na legalidade) e descobri a mesma coisa que você, um fadista que emociona. Muito bom — embora com isso vá pro brejo a minha fantasia musical predileta, a de que todos os problemas da dor-de-corno incontrolável estariam resolvidos no dia em que as fadistas portuguesas, eternamente apaixonadas e abandonadas pelos seus homens vis, se encontrassem com os argentinos do tango, traídos por aquelas a quem deram casa, comida e carinho (e umas facadas ocasionais, mas tango é tango). Agora vou ter que repensar isso. Tsk.

    E nessa me lembrei da Libertad Lamarque cantando Fumando Espero: como é bom.

    Beijos!

  3. Judith disse:
    Novembro 11th, 2008 at 12:24 am

    Querido Cae:

    Es increible cómo te brindas a todos y cada uno de los que aqui escriben. Admiro mucho eso de ti.

    y esperaré felizmente la posibilidad de optar por una de las dos versiones de “Incompatibilidad de genios”….no demore, ya no resisto por escuchar!

    Laurene:no es necesario hablar del color de la piel para que un término sea racista.

    saludos. besos.-

    Ju.-

  4. Cora Rónai disse:
    Novembro 11th, 2008 at 12:43 am

    Ah, sobre essa questão do afro-americano: não adianta mudar a terminologia enquanto não se muda a atitude. A maioria das palavras que caiu na malha do politicamente incorreto não era pejorativa na origem; o que as fez odiosas foi o preconceito que estava, e em muitos casos ainda está, por trás do que é dito; em como se diz o que é dito.

    Independentemente do absurdo geo-político que representa, African-American já começa a ser considerada uma expressão pejorativa por muita gente nos Estados Unidos. Daqui a pouco, cairá em desgraça, substituída por Black-American ou lá o que se invente. Vai adiantar tanto quanto acabar com a lepra por decreto.

    Não são as palavras que definem o racismo, é o racismo que contamina as palavras.

  5. Hermano Vianna disse:
    Novembro 11th, 2008 at 12:45 am

    Obama ainda não se auto-classificou como mulato, mas disse explicitamente: “mutts like me” ( http://www.youtube.com/watch?v=Rk_uGSBn__c ), falando do tipo de cachorro que quer levar para a Casa Branca - mutt pode ser traduzido sim como vira-lata, mas fui procurar no dicionário e pode significar também: “pessoa ignorante”, “mulher pouco atraente”… tudo pejorativo (como dizem que é o mulato vindo de mula)… bem interessante ele se dizer mutt logo na sua primeira entrevista depois de eleito…

  6. laurene disse:
    Novembro 11th, 2008 at 2:44 am

    Oi, Caetano e pessoal. Sobre ser afro-americano: o afro indica a origem num continente. Seria racismo se falasse explicitamente da cor da pele num sentido pejorativo: nigger-american.

    Foram os brancos quem primeiro, por orgulho, se disseram WASP. Olha, Caetas, pode ser poético dizer mulato, mas na prática as pessoas usam para não assumir que são negras ou mestiços negros.

  7. Gravatai Merengue disse:
    Novembro 11th, 2008 at 3:09 am

    Poxavida! Agora foi pra morrer do coração! Eu não sou tiete! Eu nasci pra ser rebeldezinho! Eu chorei agora, que legal isso da gente ficar bobo só de ser citado ali no texto! Nunca senti isso com coisa alguma, com ninguém, com nada.

  8. paoladl disse:
    Novembro 11th, 2008 at 3:41 am

    uhm, se o blog for “filho de zii e zie”, com
    certeza terá un primo…

  9. albertino disse:
    Novembro 11th, 2008 at 5:51 am

    Caro Senhor,

    o maior continente da terra não será, digamos, a Ásia?

    Pois…

  10. Exequiela-oh no- disse:
    Novembro 11th, 2008 at 8:18 am

    NOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

    Pensé que no iba a terminar este blog pero… “todo concluye al fin, nada puede escapar”. Laureano conoce seguro esta canción de fogón. Siempre la odié, es una depresión y te la hacen cantar en los momentos de despedida, cuando terminas el colegio por ejemplo y pensás que ya no vas a ver más a tus compañeritos del alma, a los llantos y con el corazón estrujado…. Lo único que falta es que haya que cantarla en los funerales.

    Bueno, entonces quiero decirles que AME este blog y a todos sus participantes. A algunos los amé más pero no quiero dar nombres porque es feo dejar a gente afuera. Incluso me gustó el mensaje que decía que iban a regalar los discos de CAetano a los sordos, me reí mucho!

    De corazón les digo que les tomé mucho cariño. Siempre me sentí muy atraída por Brasil y ahora mucho más. Son muy bonitinhos!!

    LeAozinho: Me en-cantó conocerte un poquito más y leer todo lo que sale de esa cabecita inquieta que nunca se quiere ir a dormir. (pero voy a seguir diciendo estadounidense jeje).

    Si alguno viene a Bs. As. me escriben (egoldini@gmail.com) y les hago (o al menos intento hacerles) una “magical mystery tour” de mi querida ciudad.

    Muchos besos y/e beijos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Exequiela

  11. Caetano Veloso disse:
    Novembro 11th, 2008 at 8:20 am

    O que há de pejorativo em “nigger”? Nada. A palavra quer dizer “negro” (aliás, os americanos não usam mais “negro” tampouco). Foi o tom com que os brancos a usaram que lhe deram o peso ofensivo. Tudo bem. Palavras são vivas. “Gay”, que quer(ia) dizer “alegre”, passou a significar “homossexual” (no começo, apenas do sexo masculino) - o que era bonito, já que dizia algo sobre a relativa tristeza da heterossexualidade (embora, seguindo a maneira americana, isso tenha matado o sentido original da palavra - o que retira a graça do novo uso). Mas hoje você ouve o Maracanã inteiro gritando “tu é gay que eu sei” para os jogadores que a torcida quer agredir: a palavra já é usada como xingamento. O problema com “African-American”, laurene, não é como o de “nigger”. É que “African” se refere a um continente inteiro. Dizer “preto” (ou mesmo “negro”) é melhor. E: como assim, se alguém se diz mulato está querendo esconder que é negromestiço? Se a pessoa se diz apenas “negra”, ela está adotando o que o senhor de escravos americano determinou: se for mesclado com negro, é negro; passa pro lado de lá, aqui não entra. Obama é sinal de que isso já vem desaparecendo nos EUA. Aqui nunca foi assim. O que queremos? Que passe a ser como era nos EUA, levando à conclusão de que a História é a americana e que estamos apenas atrasados? Que nossa história particular não conta em sua originalidade? Eu, que sou mulato, ouvi de gente racista cordial que não deveria dizer isso, pois sou branco para os padrões brasileiros. Dizer-se mulato é, sim, na prática, assumir ascendência negra. E ainda por cima não aceitar a norma do senhor de escravos do sul dos Estados Unidos, que determina que se chamem negros todos os que não são brancos “puros”. Então, laurene, releia o comment de Gravatai Merengue a que respondi. Releia com atenção e pense. Está muito mais bem escrito do que o meu.
    Também adorei, Hermano, que Obama se dissesse “mutt”. É um pejorativo leve que se usa mais para cachorro mesmo (com o sentido de vira-lata) mas que, por extensão, se aplica também a tudo o que é fuleiro - inclusive “mulher feia”. Vem de “mutton”, carneiro. Mas Obama já perguntou a um diplomata nosso: “não pareço brasileiro”?

  12. Rafael Rodriguez disse:
    Novembro 11th, 2008 at 9:02 am

    Exequiela,
    a formação do “CÊ” é um pouco por aí[Caetano algún día haga un disco de Jazz con un trio (piano+contrabajo+bateria)]. Era tão lindo quando ele cantava “O Homem Velho”, “Amor mais que Discreto”… O teclado do Ricardo fazendo umas intervenções e a voz pura do Caetano. Além daquele jogo de luz entre o azul e o vermelho, o roxo preenchia o palco… Fiz uma analise das cores no “CÊ” estúdio e das performances ao vivo para um trabalho sobre teoria da cor… Fiz uma foto linda do show no Circo Voador, imprimi de uma maneira tosca e corri para entregar ao Caetano no Canecão quando “CÊ” passou por lá.

    Cae,
    a coisa é mais suja do que chamar a zona sul de “curral eleitoral”. O cara tem a ficha imunda. Defendeu as milícias em várias entrevistas… Fica difícil aceitar um Rio nas mãos de um cara qualquer. O Gabeira abriu os olhos para a esperança política, será difícil controlar esse fogo que arde desejoso por mudanças. Não dá mais para aceitar esse processo eleitoral, falta um diálogo com o povo, falta transparência. Se alguma coisa tem que mudar no cenário brasileiro deve começar pela transformação da politica. Digo, acabar com a politicagem e definitivamente fazermos política (que é outra coisa, é linda, pura e se compromete com o agir moral).

    Não compreendo muito essas coisas de política, mas quero entender. Nunca estive tão motivado para tal ação. Foram vários os agentes que me instigaram; principalmente os vários tópicos e comentários postados por aqui. Tenho ficado mais “calado” e lendo do que comentando.

    Vários amigos do Orkut e que fazem parte do movimento estão sendo ameaçados de morte, estamos mostrando as línguas feridas do Rio de Janeiro e estamos querendo ir fundo.

    bjs.

  13. gil disse:
    Novembro 11th, 2008 at 9:12 am

    Caetano Veloso na Academia Brasileira de Letras…o que falta pra isso? Caetano querer. Seria lindo de fardão, teria gente que chiaria…o imortal Caetano Veloso…demorou.

  14. Nando disse:
    Novembro 11th, 2008 at 9:15 am

    Há não muito tempo uma associação formada por anões estava tentando proibir o uso do termo “anão”. Sugeriam em troca algo como “pessoas não favorecidas pela alta estatura”. Onde será que vamos parar.

    &

    “Coitado” vem de coito e “recuar” é colocar o cu de ré (segundo o genial professor Jayme Barros). Devemos então deixar de dizer coisas como “A viúva, coitada, chorava muito” ou “O padre recuou diante da multidão”?

    Acho que o importante é, como disse o Caetano, a “conotação positiva no português brasileiro que aprendi em casa e na rua”.

    &

    Apesar de clássica, não dá para votar como maior canção brasileira numa que diz: “Ah… esse coqueiro que dá côco”. Imagine isso num Hino Nacional, ecoando mundo afora. Depois reclamam porque dão risada do Brasil.

  15. Rafael Rodriguez disse:
    Novembro 11th, 2008 at 9:20 am

    Em meu comentário anterior saíram uns estão, estamos, estamos… Eu escrevo bonitinho, infelizmente acabei não revisando esse último.

    Mulato, afro, gay, jumento, recuar, etc.
    “Palavras, palavras…” Depende sempre do contexto.

    Poxa! Queria tanto o “zii e zie” para logo, mas é bom também que fique para longe, assim o blog demorará para acabar.

    Existe alguma possibilidade de votar nas duas versões para “Incompatibilidade de Gênio”? (risos) A que foi executada durante os shows no Vivo Rio não seria a junção das duas idéias (efeitos de quitarra e base pura)?

    bjs.

  16. Maria João Brasil disse:
    Novembro 11th, 2008 at 9:40 am

    Vou trabalhar com tristeza no coracao com “Quando o disco estiver pronto para sair, acaba.”

  17. Maria João Brasil disse:
    Novembro 11th, 2008 at 9:43 am

    Obama falou mutts se referindo a raca dos cachorros que vai dar para as filhas. Alias, esse papo do cachorro rendeu muito, meio esquisito esse povo. E achei Obama todo politicamente correto “vou primeiro procurar em um asilo”. Po, melhor se ele tivesse dito “o cachorro que elas quiserem”.
    bjs

  18. Soninha Francine disse:
    Novembro 11th, 2008 at 9:51 am

    Já precisei confessar que um dos meus defeitos é a inveja (instada a isso em um programa de TV, o Saia Justa). Este blog a desperta do sono leve: queria escrever bem como vcs (Caetano, Cora), queria ter o repertório de vocês (tb Hermano), queria ser capaz de manter um blog tão vivo e dinâmico, queria conseguir responder a todos os meus comentários também… Sobre “afro-americanos”; se for para ser bem pentelho com as palavras, vamos questionar também o “americano”. Que nome os nativos davam às suas terras, antes de os gringos batizarem-na de “América”? E se os americanos podem generalizar tudo continentalmente, eles que não se esqueçam de uma coisa: somos todos americanos. Tudo “American people”.

  19. Exequiela-oh yeah- disse:
    Novembro 11th, 2008 at 10:46 am

    Me olvidé de algo (y seguro que me estoy olvidando de algo más)
    Lucesar: un mensaje para agradecerte todos los videos que nos has mandado en este blog. Me FASCINO Get out of Town. Caetano+Porter. Qué placer!!! Me encantaría que Caetano algún día haga un disco de Jazz con un trio (piano+contrabajo+bateria). Me parece que ese entorno haría que su voz se exponga en su esplendor.

  20. glauber guimarães disse:
    Novembro 11th, 2008 at 10:47 am

    nando,
    ouvi o seatrain. pirei, endorfina total. tipico som que eu e os caras da “cascadura” ouviamos em reuniões nos 90s e inicio dessa decada. hj eh mais dificil encontrar…saudade.
    ricardo “flash” alves [que era da cascadura] toca comigo agora, no meu projeto [que nao posso falar o nome, senão o hermano "modera", prq fica parecendo spam, haha. mas ele ta certo, senao vira mangue. no mau sentido]
    muito obrigado mesmo, cara. eh como eu digo, nunca acaba. preciso de umas tres encarnaçoes pra ouvir tudo, hahaha

    êee, brasilzão véio sem porteira!

  21. Socorro disse:
    Novembro 11th, 2008 at 11:18 am

    Pergunte a qualquer um dos seus amigos negros aqui na Bahia. Pergunte a Vovô. Pergunte a Jorge Portugal. Pergunte a Lazo. Pergunte a Lázaro…se eles preferem o termo negro ou mulato…
    Muito mais bonito o “eu sou negão/meu coração/é a Liberdade”…
    Mas, gente, o Zambujo é mesmo muito gracinha: colocou no blog dele um trecho do que Caetano escreveu aqui sobre ele. Parece que ele vem ao Brasil no início do próximo ano e disse que é fã de João Gilberto e Caetano. Êita mundo pequeno…
    Ah! dá pra ouvir todos so discos dele no blog. E fazer comentários também. http://www.antoniozambujo.com/home.asp?zona=1&template=7&precedencia=0&idioma=1

  22. Guido Spolti disse:
    Novembro 11th, 2008 at 11:31 am

    Pro rapaz do post 12: gostei do estilo em & amarrando os textos; adorei os comentários sobre a associação dos “meninos (as) de baixa estatura”, e quanto ao:

    “Coitado” vem de coito e “recuar” é colocar o cu de ré (segundo o genial professor Jayme Barros). Devemos então deixar de dizer coisas como “A viúva, coitada, chorava muito” ou “O padre recuou diante da multidão”?

    Devemos ler Marques de Sade!

  23. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Novembro 11th, 2008 at 11:34 am

    CAETANO

    Encontrei mesmo uma forma de reler Verdade Tropical de uma forma que eu não precise ficar relendo-o para sempre, para ficar de vez em minha memória - é um livro impossível de se resumir e de se esgotar numa releitura. Eu já disse em outra página aqui que, e isso se revela desde o tom explícito de sua Introdução, lá você parece um Pero Vaz que nos desencaminha. Parece que você está reescrevendo a famigerada Carta, sim. Mas como é que eu sinto que você nos desencaminha? Sinto porque o seu livro transporta o Brasil e a nós de uma forma não oficial para algo mais além, para uma outra esfera de realidade e grandeza. Ora, isto parece-me estar assentado no conceito jurídico do (crime de) descaminho! Veja-se:

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Descaminho

    Mas uma modalidade enviesada, diversa da do descaminho penal. Por quê? Porque, na realidade, o que você pega do Brasil e nos devolve ou exporta-nos por vias extraordinárias é algo da brisa do Brasil que como ninguém você transforma em flâmula aos povos: a nossa ambrosia.

    Para mim, na literatura, você faz par mais ao lado de Guimarães Rosa do que de Gregório de Matos. No seu cancioneiro (um conceito hoje “autocomplacente”?), tão permeado pela palavra enredada no romance da poesia, em primeiro lugar para mim estará - até quando eu viver - Outras Palavras. E, em segundo lugar - Cores Nomes. Depois do que há nesses dois álbuns, vem o resto: seja o seu, seja o resto de todos os outros, o resto do resto.

    Não sei se, por isso, te amo mais ou se te odeio. Mas declaro que, nas vésperas de meus 44 anos no próximo dia 28, por causa de muito do que - antropofagicamente & adrianacalcanhotamente - venho devorando de você… ainda me sinto feliz e um: Peter Pão!

    ___________

    WALLINMEDIA

    Olá pessoal, sei que há recursos nessa plataforma Wordpress, usada na concepção deste espaço, para o caso da gente querer revisitar as demais antigas postagens de Caetano e lá fazer comentários que a gente gostaria de ter feito e eles passarem a estar visíveis, ao menos em parte, na página principal - desta forma possibilitando que outros se interessem por um outro dado momento desta obraemprogresso. Acho que, pelo tempo que nos resta, que eu prefiro não seja um tempo preciso, anunciado, pro final inexorável desta horrível seta, seria ótima pedida pra muitos infocaetanautas, que como eu pegaram o bonde andando, se rolasse algo parecido.

    Vejam, no blog a seguir, montado na mesma plataforma, de um estudante de cinema daqui na Bahia, e em que já tive o prazer de fazer o comentário que encontrarão, uma funcionalidade ao final da página, numa tarja com destaque gráfico (cor) interessante, e onde, além de outro itens, há justamente um menu de “comentários recentes”, o qual nos leva não só para lê-los na íntegra, como para dentro das postagens de que se derivaram - e que podem não estar mais na página principal do blogue:

    http://www.sobaminhalente.com/iv-semcine-a-celebracao-do-tango

    HERMANO

    Soube por um amigo aqui da Bahia, que tem proximidade com Caetano, que ele nem queria saber de internet e, por isso, você é o maior culpado dessa maravilha que foi e está sendo esta infocaetanave, insuflando-lhe esse vírus que se adquire e mais facilmente se propaga nas camadas mais altas da blogosfera. Queira considerar com carinho a idéia acima! Grato por tudo!

    _____

    Especialmente para Exequiela, Heloísa, Miriam Lúcia, Salem, Gilliatt, Marcos Lacerda e Nando, estou escolhendo uma canção, que eu postarei aqui em breve, como um presente de coração, e como a minha despedida antecipada - pois vou ficar aqui até o cisco! - de ter estado nesta nave viajando em vossa companhia com muito maior empatia: uma canção pela qual amaria ser lembrado. Queria contar com vocês e com quem mais se interessar para a idéia da “Impertinácia - uma revista web viva”, inspirada no que eu encontrei aqui: informação, conhecimento misturado com delírio, e com afetos nem sempre tão açucarados. Uma fusão de blog com fórum de discussões & rede social de relacionamentos virtuais. Espaço para trocarmos links, batermos papos e comentarmos postagens sobre todas as coisas: principalmente música, poesia, literatura, política, artes visuais, cinema… ufologia!

    ____

    Gente, vi que alguém postou aqui o link para o blogue dele, que eu ainda não conhecia: vamos invadir então a webosfera e passar a “comer” também o Tom Zé?

    P.S.: Escrevo muito porque também não tenho tempo para editar meus pensamentos!

  24. Guido Spolti disse:
    Novembro 11th, 2008 at 11:37 am

    Pro Caetano:

    Aprendi, especialmente contigo, mas não somente contigo, mais uma vez no V.T, que o termo gay, no ápice da contracultura não trazia conotação de homossexualismo, mas sim de alegria; se for por aí, o cara poderia ser hétero (ia dizer homem como se homossexuais não fossem homens, veja só que bobagem) e ser gay; e quanto a expressão viado a partir do porte altivo do animal “veado” como o Gil muito bem refletiu na canção, você pensa que ela foi amenizada e não soa mais como xingamento, ou está no mesmo padrão de preconceitos sexuais que a terminologia “gay”?

  25. Marcelo Porciuncula disse:
    Novembro 11th, 2008 at 11:48 am

    Exequiela,

    Sos nuestra musa, cómo podes tener la intención de dejarnos tan temprano? Nos quedan 20% todavía, hasta el año que viene (nos dijo Caetano). Es decir, por lo menos 2 meses más! Cual la razón para tus palabras de despedidas? Ya te vas? Cómo?
    Te parece que soportaremos la ausencia de tus “NOOOOOOO”, de tus “Decime que noooo”, “Me fascinó”, dichos con ese acento porteño?
    Vos tenés que estar con nosotros hasta el final, sí?
    Dale, chica… decinos que sí….

    Besos

  26. Miriam Lucia disse:
    Novembro 11th, 2008 at 12:09 pm

    Não vou negar o meu desapontamento, e vou insistir, quem sabe alguém ai me escuta, ou melhor me lê. Falei no post anterior, mensagem 210 para ser precisa, da morte da Miriam Makeba uma negra nascida em Joanesburgo maior cidade da África do Sul e que em 1963 (Obana tinha 2 anos na época), depois de um testemunho veemente sobre as condições dos negros na África do Sul, perante o Comitê das Nações Unidas contra o Apartheid, os seus discos foram banidos do país pelo governo racista; o seu direito de regresso ao lar e a sua nacionalidade sul-africana foram cassados, tornando-se apátrida. Os problemas nos Estados Unidos começaram em 1968, quando se casou com o ativista político Stokely Carmichael, um dos idealizadores do chamado Black Power e porta-voz dos Panteras Negras, levando ao cancelamento dos seus contratos de gravação e das suas digressões artísticas. Por este motivo, o casal mudou-se para a Guiné, onde se tornaram amigos do presidente Ahmed Sékou Touré. Nos anos 80, Makeba chegou a servir como delegada da Guiné junto da ONU, que lhe atribuiu o Prêmio da Paz Dag Hammarskjöld. Separada de Carmichael em 1973, continuou a vender discos e a fazer espetáculos em África, América do Sul e Europa. A morte da sua filha única em 1985 levou-a a mudar-se para a Bélgica, onde se estabeleceu. Dois anos depois, voltaria triunfalmente ao mercado norte-americano, participando no disco de Paul Simon Graceland e na digressão que se lhe seguiu. Com o fim do apartheid e a revogação das respectivas leis, Miriam Makeba regressou finalmente à sua pátria em 1990, a pedido do presidente Nelson Mandela, que a recebeu pessoalmente à chegada. Na África do Sul, participou em dois filmes de sucesso sobre a época do apartheid e do levantamento de Soweto, ocorrido em 1976. Agraciada em 2001 com a Medalha de Ouro da Paz Otto Hahn, outorgada pela Associação da Alemanha nas Nações Unidas “por relevantes serviços pela paz e pelo entendimento mundial”, Miriam continuou a fazer shows em todo mundo e anunciou uma digressão de despedida, com dezoito meses de duração. (biografia Wikipedia http://pt.wikipedia.org/wiki/Miriam_Makeba)

    Pois é, e morreu aqui na Itália dia 9 de novembro, domingo passado, dia em que se comemora a queda do muro de Berlin, após um show a favor do escritor Roberto Saviano, ameaçado de morte pela máfia, na região de Nápoles, e também em defesa de alguns africanos que foram executados pela mafia recentemente.

    Desculpem-me pela ignorância e pela insistência, mas foram muitos africanos que fizeram a historia dos negros, pretos, mulatos, black, black-white, mulattos, afros.

    E não me esqueço dos milhares de africanos que morrem todos os dias nas costas européias tentando alcançar o continente, são crianças, são gestantes, são rapazes, e são mulheres, e são homens aos montes, naufragados por ai fugindo da miséria, das guerras intermináveis, isso em pleno século 21. Acredito muito que Obama não vai deixar o povo do seu pai na mão como foi feito ate agora, quem sabe chegou “a hora e a vez” da África, da raça, isso sim é um bom motivo para se comemorar.

    http://www.youtube.com/watch?v=yLVhjdzEszU

    Paul Simon - Under African Skies - Para quem quiser acompanhar a musica:

    Joseph’s face was black as night
    The pale yellow moon shone in his eyes
    His path was marked
    By the stars in the Southern Hemisphere
    And he walked his days
    Under African skies
    This is the story of how we begin to remember
    This is the powerful pulsing of love in the vein
    After the dream of falling and calling your name out
    These are the roots of rhythm
    And the roots of rhythm remain
    In early memory
    Mission music
    Was ringing ’round my nursery door
    I said take this child, Lord
    From Tucson Arizona
    Give her the wings to fly through harmony
    And she won’t bother you no more
    This is the story of how we begin to remember
    This is the powerful pulsing of love in the vein
    After the dream of falling and calling your name out
    These are the roots of rhythm
    And the roots of rhythm remain
    Joseph’s face was black as night
    And the pale yellow moon shone in his eyes
    His path was marked
    By the stars in the Southern Hemisphere
    And he walked the length of his days
    Under African skies

    Beijos pra todos!

  27. quito ribeiro disse:
    Novembro 11th, 2008 at 12:24 pm

    Eu também adorei mutt. Vira o complexo de vira-latas pelo avesso.

    Caetano, me identifiquei totalmente com o racismo cordial. Muitas vezes acontece de pessoas desqualificarem a minha mulatice, me dizendo que sou até clarinho para um negro. Cordialmente me avisando da minha falta de pedigree de parte a parte.
    Dizer-se mulato é uma ação afirmativa.

    Estou lendo o Zizek que você vinha comentando aqui. Vi o livro na sua mão no meio do material filmado para o dvd do show do Casagrande e comprei pela internet.
    No meio de várias sandices especialmente quando ele analisa filmes, gostei do que ele fala sobre repetição e novo(me pareceu apropriado se aplicado à relação entre tropicalismo e bossa nova).O que te pareceu? Agora estou na parte em que ele fala sobre populismo e popular. Tem uma etnografia que li há pouco tempo que fala das relações entre a comunidade negra de Ilhéus na Bahia e a política local, e que apresenta semelhanças na descrição do funcionamento da democracia neste contexto com o que Zizek fala sobre populismo. Até falei pra Clara te dar de presente, pois foi o orientador dela quem escreveu e achei que podia te interessar.

  28. Nando disse:
    Novembro 11th, 2008 at 12:40 pm

    Salem,

    Assim não vale. Se o Hino Nacional Oficial fosse QUALQUER MÚSICA cantada pelo João Gilberto eu colocaria a mão no peito e só escutaria. Taí: poderia ser “Águas de Março” na versão (insuperável, um milhão de vezes insuperável!!!) do album branco do João.

    Abração,

  29. Julio Vellame disse:
    Novembro 11th, 2008 at 1:05 pm

    Falando das palavras eu acredito mesmo que o significado intrínseco delas (sem o contexto de quem fala) vale mesmo pouca coisa. A etmologia então, quase nada. Por uma questão bem simples: o permeiar de quem ouve impacta muito mais do que de quem diz. Quando chamo meus amigos de pretos só eu e eles entendemos o significado carinhoso que isso trás. (mesmo que é claro eu entendo uma coisa e eles outra. Um terceiro então…)
    Acho um saco essa coisa de não podermos falar nigro em US (a não ser que vc seja preto. E bastante preto para ter essa autorização). Ainda mais essa, preciso ter cor para poder falar…

  30. Miriam Lucia disse:
    Novembro 11th, 2008 at 1:13 pm

    Robertissimo, obrigada pela dica, adoro encurtar caminhos! E também agora pelo que senti por aqui a coisa esta meio que em ritmo de despedida, embora o Caetano tenha dito para não nos desesperarmos que isso ainda tem ai pelo menos um mês e meio, ate a chegada de 2009, então vamos indo, nós na verdade já estamos lá seguros no orkuto-circuito (por falar nisso a Exequiela com aquela carinha meiga e seu gatinho são uma gracinha, vero? E para atiçar ai a curiosidade a Heloisa é especial, não é? Eu acho que a Rosana tem tbm o orkut ela tem que achar a gente… alooouu Rosana, E o Nelson não conseguiu ainda? Fiquei de postar o textinho dele se ele ainda quiser me avisa). Vejo que algumas pessoas estão colocando seus sites alguns já estão nos meus favoritos, e também seus e-mails, mas, como já foi sugerido nos posts anteriores, quem sabe se no blog se poderia criar um apêndice, um local onde as pessoas possam continuar se falando, como num fórum talvez, onde inclusive o Caetano possa passar quando tiver um “tempinho” para matar a saudades dos seus “caetanetes”, que segundo minha busca no google “caetanetes gotejantes” já virou uma realidade.

    E, por falar nisso vamos gotejar: - Do que posso dizer é que este daqui é o maior show que Caetano tenha feito durante toda sua carreira, aqui temos musica, temos vídeos, exposições de fotos e o principal o artista que esta sempre ai interagindo com as pessoas, respeitando a todos nós, todas as opiniões ate as mais contraditórias foram colocadas ai. Obra Monumental! É assim que defino Obra em Progresso, a qual não existirá outra igual no planeta, pode ter certeza.

    Beijos a todos

  31. theodoro disse:
    Novembro 11th, 2008 at 1:21 pm

    Mundo, mundo, vasto mundo. O Mulato, de Aluísio, se chamava Raimundo.Tinha olhos azuis e cabelo pixaim. Aluísio não aguentou o rojão: trocou a literatura pela carreira diplomática. Curiosamente, mais tarde, Vinicius, o branco mais preto do Brasil, na linhagem de Xangô, preferiu a música à carreira diplomática e, graças a essa decisão, surgiu a Bossa Nova e todas as maravilhas que vieram depois, inclusive este blog. Raimundo significa protetor. Barack, o abençoado. E, no mais: branco é branco, preto é preto, mas o mulato é o tal, é o tal.

  32. Felipe Schuery disse:
    Novembro 11th, 2008 at 1:31 pm

    O acervo de Hermínio Bello de Carvalho acabou de ser digitalizado. Olha que maravilha a Elizeth Cardoso cantando “Como dois e dois”:

    http://www.acervohbc.com.br/player.htm

  33. laurene disse:
    Novembro 11th, 2008 at 1:43 pm

    Oi, Caê (eu sei que você acha Caê muito comercial, mas me perdoa)! Estou FELIZ de estar falando com vc! A vida é doce. Não consigo ouvir essa música sem cantar: a vida é doce, vida é mel, escorre da boca do Senhor de Engenho no Recôncavo Baiano de Casa Grande & Senzala.
    Eu falo mais com o coração e não sei dizer algo que lhe agrade. O fato é que um amigo meu que é negro teve uma filhinha branca e me falou: isso é que nem urubu, nasce branco e logo vira negro. E isso me faz pensar numa pesquisa que a UFMG fez do DNA dos brasileiros e descobriu que a mestiçagem indígena é maior do que a negra! As minhas observações sobre os negros se dizendo mulatos foram a partir de uma pesquisa para a qual fiz umas estatísticas, sobre a Língua da Tabatinga, um remanescente quilombola do centro-oeste mineiro. Tem frases como “ele gosta de caxar o imbuete no janô do cuete”. Na hora de pesquisar o bairro onde se fala a língua, descobriram que lá não tinham negros assumidos e sim uma maioria de “mulatos” e “morenos”! E isso atrapalhou a pesquisa.
    E tem a história do quadro A Filha de Cham, Caetas. E´ um quadro onde uma mãe negra vê a filha mulata com uma neta de olhos azuis ao lado do marido imigrante e sorri para o céu. A pesquisa do DNA na UFMG disse o seguinte a partir do quadro: a neta é tão preta quanto a vó, se formos olhar seu DNA. Curioso, não? Olha, vê se responde mais a gente, não se avexe de opinar sobre Dead Lover´s, Meteorango Kid, Coquita Rugelo, Xuárts, Xuártas e a fonte a cantar…

  34. Maria disse:
    Novembro 11th, 2008 at 1:49 pm

    Ok. Mulato Caetano. Você é realmente o máximo.
    Obrigada pelas suas explicações.
    Queria estudar mais sobre o assunto, mas tenho vários livros para ler até o dia 10 dezembro, entre eles, um Bakhtim bastante denso.

    Eu não chego a ser mulata, mas certamente a minha brancura não é pura. Meu avô era mulato e a minha mãe fala de alguma avò índia. Minha tendência é gostar do negro, da sua cultura, força, musicalidade, por isso, não achei que fazia diferença entre ser mulato ou negro, uma vez que, ter alguma coisa de negro, para mim, é uma coisa preciosa. Mas eu entendo o que você diz.
    Saudemos a mulata e os mulatos então.
    Abraços a todos
    Maria

  35. Vianna Vana Caravana disse:
    Novembro 11th, 2008 at 2:06 pm

    Caetano,esse “racismo” tipo:”passa pro lado de lá,aqui não entra” seria inviável em uma nação com uma justiça precária,consciência de cidadania limitada,com vocação exploratória histórica que necessita da mão de obra humana básica e barata que prima na concentração descomunal da renda.
    Portishead é bem melancólico,né?A muito tempo o Brasil deixou de fazer boa música melancólica.Tá na hora de retomar isso.Quem essa crise econômica traga ao mundo um profundo clima mais humano,poético e sentimental.

  36. Nobile José disse:
    Novembro 11th, 2008 at 2:16 pm

    minha tendência inicial era dar menos importância à cor da pele de obama, pra tentar ultrapassar essa discussão - tipo o que cony escreveu na folha no último domingo.

    mas quando o berlusconi disse que obama era bronzeado… bom, revi meu posicionamento. agora entendo, como nunca, a importância da vitória de obama nesse aspecto.

    em relação ao fim do blog… bom, quando começou esse negócio de internet na minha vida, no final doa anos noventa, muitos diziam: o mundo nunca mais será o mesmo e blablabla.

    mas o mundo continuava igual e de fato nunca vi tudo isso que as pessoas vêem na internet. tá, é legal, as pessoas se falam, trocam correspondência, as informações trafegam livremente, etc etc.

    mas esse blog me faz mudar de opinião (mudo de opinião toda hora - não me vexo de repenssar, e em segundos, já estar pensando diferente…)

    a obra em progresso realizou um sonho antigo que eu tinha: encontrar caetano veloso. na minha adolescência cheguei a sonhar algumas vezes que estava conversando com ele, tomando um chope, numa mesa animada, etc etc. com o tempo, percebi que tudo não passaria mesmo de um sonho. então veio esse blog: parece que estamos de fato conversando com o caetano. é engraçado. caetano, de repente, ficou uma figura próxima, como salém, teteco, exiquiela, heloísa, e toda a galera. um dia sonhei que a gente aqui do blog estava conversando num boteco do leblon (acho que era leblon, não sei bem - essas coisas de sonhos…)

    mas enquanto a obra não termina, aproveitemos, ao som da nova canção que acabei de fazer (um amigo meu colocou a música pq de música eu nada entendo):

    um outro ceatano

    se a língua é viva
    e a inês é morta
    já não mais importa
    quem tem a razão

    já não me recordo
    se era na record
    um outro caetano
    na televisão

    então não vem me dizer
    o que preciso aprender
    pra poder tocar
    o seu coração

    não não não
    não tem nada
    não não não
    não tem nada não

    alguém já disse:
    talvez seja o tempo
    do fim da canção

  37. Fernando Salem disse:
    Novembro 11th, 2008 at 2:24 pm

    Querido Nando

    Se o Hino Nacional Oficial fosse Aquarela do Brasil cantada por João Gilberto colocaria a mão no peito e só escutaria.

    Não gosto quando criticam o verso genial do Ary Barroso: “esse coqueiro que dá coco”. Seus críticos “mas todo coqueiro da coco”. Mentira. Só o coqueiro do Ary na voz do João é que dá o coco que “amarra a minha rede nas noites claras de luar”.

    abraços

    salem

  38. Exequiela-WhiteNigga-Goldini disse:
    Novembro 11th, 2008 at 2:40 pm

    Viví “mais devagar” en carne propia.

    Siempre me pregunté por qué “nigger” es aceptada entre los negros si teóricamente les ofende tanto que sea usada por los blancos. Muy separatistas, aunque digan que son unidos. The N Word… como si fuese The F word! También: Por qué está mal usar “negro” para nombrar a alguien?? En EEUU me acostumbré a decir “negro” súper bajito cuando hablaba con otra persona para que nadie me escuche porque allá “negro” es una mala palabra. No es terrible eso???!!!! Por qué negro tiene que ser una MALA palabra? Es necesario prohibir la palabra “nigger” como lo hicieron en NY? Se ve que los colores son muy importantes porque también usan “white trash” despectivamente para los blancos.
    **********
    Por último me gustaría preguntar a uds. brasileros y espero que alguien me conteste: cómo es que allá lograron mezclarse tanto los negros con los blancos? Cómo es que (si no me equivoco) es el país donde hay más mulatos? Por quem?
    **********
    Roberto: Paquita es una gatita canina que necesita mucho cuidado. Confío en que la vas a cuidar bien!
    En fin… ojalá se sumen otros a Orkut así Paquita va pasando de falda en falda. Aunque la idea de Miriam es muy buena… Ah! Ví el video que pusiste de Makeba (Chuva ). Me gustó muchísimo… no la conocía. Hacés bien en insistir.

  39. Affonso Leitão/RJ disse:
    Novembro 11th, 2008 at 2:41 pm

    Nobre Leão Mulato

    Daqui do Blog.Caetano Veloso para a Academia Brasileira de Letras.E Fernando Gabeira para Presidente.Por que não….???

    Acompanho a sua obra, plural, há muitos anos.E sou extremamente crítico em relação à ela.Com ela nunca me decepcionei.Muito menos com a trajetória política do Deputado Federal Fernando Gabeira.

    Da sua obra literária,fiz a leitura atenta de Verdade Tropical e O Mundo Não é Chato.Não por decorrência dessas leituras também fiz,antes, a de Avant Garde na Bahia,de Antônio Risério.Faz sentido.

    Da sua vasta e extensa obra,pinço de Milagres do Povo:”é no xaréu que brilha a prata à luz do céu”.
    Em minhas andanças pela Bahia,sempre busquei o significado para o significante deste extrato de letra.Andanças pelo Recôncavo,por Morro de São Paulo(pré-turismo),Boipeba(já em consciência da importância do eco-turismo),Buscavida,Candeal(Pracatum)e a Cidade da Bahia.Nunca encontrei.Até que um dia eu vi uma foto de Pierre Verger que enquadrava a pesca do xaréu no litoral baiano.Aí eu entendi a poesia visual contida nessa sua imagem verbal.E tudo fez sentido.Assim é a arte.

    Há sinais de liberdade no ar.Hope so…
    Saibamos captá-los,para melhor prosseguir.

    Por fim…porque não???

    Saudações artísticas e políticas.

    Affonso Leitão

    PS1:Sem maiores conjecturas a respeito do “Nobre”.Please.Pura e simplesmente,Nobre.
    Quanto ao Mulato? Nós,humanos,somos todos mulatos!!!E quanto ao Leão…motivos óbvios.

    PS2:As exposições no MAM/RJ,em comemoração aos seus 60 anos,estão imperdíveis.Uma aula magna de história recente da Arte “Visual” Brasileira.

  40. Exequiela-WhiteNigga-Goldini disse:
    Novembro 11th, 2008 at 2:41 pm

    Rafael: sí es verdad, pero quiero a un Caetano más sincopado… Me gusta así eh… pero soy viciosa.

    (Tan viciosa que me comí un chocolate enorme sabiendo que me da migraña (qué he hecho yo para merecer esto?) y ahora no sé cuántas píldoras de Migral voy a tener que tomar para que me quiten este dolor pulsante. Ya veo por qué el chocolate era pecado)

  41. Lucia Alves disse:
    Novembro 11th, 2008 at 2:41 pm

    Não entendo quando alguém se ofende, ou acha ofensivo, falar que alguém é preto. Logo mandam um “fulano não é preto, é negro, porque preto é cor, não raça”.

    Ora bolas, a raça é humana, preto é cor sim. Cor da pele. Assim como eu sou branquelinha tem gente que é pretinha. Ou trigueirinha, como dizia uma professora lá de Minas…

    E o cúmulo do preconceito é a definição: “preto de alma branca”.

    A cor da pele só faz diferença pelo passado negro (sombrio) da escravidão, que até hoje persiste na nossa sociedade.

    Também acha curioso quando alguém se ofende quando chamado de gay. Se não tem nada demais (e não tem), se não é crime (e não é), qual o problema?? não deveria ser a mesma coisa que ser chamado de feio ou cara-de-mamão?

    Pena que o blog vai acabar. Mas tudo acaba mesmo, nós inclusive.

    E Caetano, não fica bravo comigo, mas vc é um ídolo pra mim, principalmente no excelente uso e propaganda da nossa mal tratada língua. Então, não prefira “do que”. VocÊ não.

    Beijos e abraços, Lilu

  42. Fernando Salem disse:
    Novembro 11th, 2008 at 2:49 pm

    Mulato Bamba e Mulata Assanhada são grandes sambas. Dizem que o primeiro, Noel compôs para Madame Satã, que além de preto+branco era gay. A letra diz:

    Esse mulato forte é do Salgueiro.
    Passear no tintureiro é o seu esporte,
    Já nasceu com sorte e desde pirralho
    Vive às custas do baralho,
    Nunca viu trabalho.
    E quando tira um samba é novidade,
    Quer no morro ou na cidade,
    Ele sempre foi o bamba.
    As morenas do lugar vivem a se lamentar
    Por saber que ele não quer se apaixonar por mulher.

    O mulato é de fato,
    E sabe fazer frente a qualquer valente
    Mas não quer saber de fita nem com mulher bonita.
    Sei que ele anda agora aborrecido
    Por que vive perseguido
    Sempre, a toda hora
    Ele vai-se embora
    Para se livrar
    Do feitiço e do azar
    Das morenas de lá.

    Eu sei que o morro inteiro vai sentir
    Quando o mulato partir
    Dando adeus para o Salgueiro.
    As morenas vão chorar,
    Vão pedir pra ele voltar
    E ele não diz com desdém:
    -Quem tudo quer, nada tem

    A letra do samba, em contraponto, com a saudável polêmica sobre o racismo de Feitiço da Vila, no comecinho deste blog, mostra um Noel ousado e com uma posição claramente anti-homofóbica e anti-racista.

    Isso não o redime de ter caído em tentação na sua polêmica com Wilson Baptista.

    Gosto muito quando Caetano diz:

    “O que queremos? Que passe a ser como era nos EUA, levando à conclusão de que a História é a americana e que estamos apenas atrasados? Que nossa história particular não conta em sua originalidade?”

    De fato, a questão racial no Brasil tem aspectos muito originais e específicos. E a música popular é a melhor fonte pra gente entender essa história preta, pretinha. Me atreveria a dizer que os sambas, marchinhas e rap brasileiros vão além dos textos de Darcy e Freyre (ambos com um belo ipissilone nos nomes).

    O Escurinho de Geraldo Pereira é um clássico. Imaginem o que os politicamente-corretos diriam se a gente usasse o termo “escurinho” pra designar os tais “afro-descendentes”. O mais intragável dessa terminologia é a associação de “cor” a descendência. Ora, eu tenho a pele branca, mas sou afro-descendente também. “Descendência” é uma palavra associada a genealogia e não ao cromatismo epidérmico.

    Não gosto de falar de racismo no Brasil sem falar de música popular. Não faz sentido algum. Nosso repertório de canções, bem estudado, é a melhor bússola pra que a gente entenda a nossa originalidade. É preto no branco. O resto é beje.

  43. Fernando Salem disse:
    Novembro 11th, 2008 at 2:57 pm

    Dizem que a população de cães vira-latas no Brasil é percentualmente majoritária. Infinitamente maior do que a soma de todos aqueles que tem a raça “pura”, com pedigree e que hoje têm que ser fabricados pelos comerciantes de pet-shops. O futuro é vira-lata! Os cães vira-lata não costumam ter dono. Tem uma incrível autonomia. Não comem ração. Não tem casa. Estão “aqui de passagem” como diz a letra de Branco Mello. Gosto de projetar essa idéia para o imaginário humano. Não quero dono. Não quero ração prescrita por nutricionista. Eu cuido do meu banho e da minha tosa. O tal “complexo de vira-lata” que Nelson Rodrigues anteviu é verdadeiro. Mas a senha não foi bem interpretada. O problema não está em SER vira-lata, mas em ter complexo por sê-lo.

  44. Miriam Lucia disse:
    Novembro 11th, 2008 at 3:03 pm

    Exequiela: Gracinha você pela tua atenção, obrigada! Tem coisas que eu penso que não podem passar despercebidas. Beijinhos!

    Nobile José gostei muito desta estória de sonhos que você falou, na verdade, as vezes tenho a sensação de que a gente esta num show de Caetano e aquelas coisas enquanto a gente espera fica conversando, corre aquele papo paralelo, um zumzumzum, risadas, se pode ate tomar uma cervejinha, ou um vinho nacional meu (caso… risos), dai chega o Caetano e a gente fica extasiado gotejando… mas sabe que eu já pensei que um dia o Caetano durante um show normal poderia descer do palco e ir passeando pelas mesas, com certeza ele iria viver mais ou menos isso mesmo, claro que pessoalmente as emoções aumentam e as dificuldades desta realização também. Ah podemos combinar uma festa de encerramento, com brindes e tudo, cada qual no seu PC munidos de alguma bebida que goste, pode ser legal. Olha este negocio do Berlusconi foi considerado mais uma gafe para sua coleção, ele é famoso por falar assim, sabe o cara que quer ser engraçado? Eu o compreendo assim, talvez ele tenha achado que se falasse negro, afro, preto iria ficar parecendo preconceito, mas o cara fala, muitas vezes sem pensar, imagina você que depois de ser criticado pela oposição em direta na tv chamou os opositores de bando de imbecil, tem hora que ele se esquece que é chefe de governo.

    Robertissimo por falar em idéias gostei muito esta sua idéia da musica, mas você já esta marcado em nós com as tuas belas poesias e teu Centauro, podemos fazer uma grande festa virtual no bolg, com direito a choradeira e tudo (rindo muito, no momento), e eu já fui passear lá no blog do Tom Zé, mas gostei dessa idéia de invasão tipo “doces bárbaros”? O Gravatai Merengue também tem um blog e já colocou o endereço no outro post e já fui xeretar por la também, quem sabe a gente possa ir assim visitando todo mundo… cuidados caetanetes gotejantes na área. Adorei!!!

    Lucia Alves: “Quem quer que conheça um pouco de história, sabe que sempre existiram preconceitos nefastos e que mesmo quando alguns deles chegam a ser superados, outros tantos surgem quase que imediatamente. Apenas posso dizer que os preconceitos nascem na cabeça dos homens. Por isso, é preciso combatê-los na cabeça dos homens, isto é, com o desenvolvimento das consciências e, portanto, com a educação, mediante a luta incessante contra toda forma de sectarismo. Existem homens que se matam por uma partida de futebol. Onde nasce esta paixão senão na cabeça deles? Não é uma panacéia, mas creio que a democracia pode servir também para isto: a democracia, vale dizer, uma sociedade em que as opiniões são livres e portanto são forçadas a se chocar e, ao se chocarem, acabam por se depurar. Para se libertarem dos preconceitos, os homens precisam antes de tudo viver numa sociedade livre.” (Norberto Bobbio, jurista e filosofo Italiano)

    Saludos e beijinhos

  45. Fernando Salem disse:
    Novembro 11th, 2008 at 3:03 pm

    Desculpem tantos coments seguidos. Até agora não levei nenhum pito virtual.

    É que fiquei 2 dias ausente pro conta de um mergulho profissional. E fiquei pasmo! Basta um dia sem acessar o blog, que a gente se sente completamente fora do ritmo.

    O blog pegou mesmo. E o mais bacana é que o número de coments não é assim tão gigantesco que nem os blogs das celebridades e dos jornalistas. Leio tudo, porque a regularidade e a qualidade de quem passeia por aqui são a marca dessa espaço progressivo.

    Me sinto amigo de muita gente! Vira-latas gotejantes!

  46. laurene disse:
    Novembro 11th, 2008 at 4:13 pm

    Oi, pessoal. O problema dos negros é preocupante, mas ainda mais o das gordas. Envio aí o blog de uma amiga. E não sou gorda. As gordas são as malditas entre as mulheres! O futuro será uma luta entre as gordas e as magras, não entre os comunas e as bichas, que aliás tem muito em comum. Tenho um amigo escritor, Fernando Gonzaga, o Groza, que tem um personagem que vivia entre “comunistas, bichas e drogas”. Achei essa tríade do livro dele, Amanda, muito legal.

  47. Vini Correia disse:
    Novembro 11th, 2008 at 4:52 pm

    salve Caê!!
    pintou uma dúvida sobre a questão da antropofagia praticada aqui no Brasil e gostaria de ouvir/ler a opinião de um tropicalista… Até que ponto a música latina tem influenciado nossa cultura? Será que a influencia de (rumbas, salsas, mambos, merengues, calipsos, congas, tangos, maxixes, guajiras, etc) na nossa cultura é tão forte quanto a da musica americana (jazz, rock, blues, hiphop, funk, etc)?

    abs

  48. Rafael Rodriguez disse:
    Novembro 11th, 2008 at 4:54 pm

    Exequiela,
    nossa! Você fica com dor de cabeça quando come chocolate? Que horror!!! Espero que passe logo! Tome um floral e durma um pouco. Melhoras!!!
    …risos…

    Em relação ao Caetano sincopado. Não sou muito bom em analisar a estruturas musicais. Mas acho que este novo trabalho será marcado por músicas que caminham por essa vereda.

    Beijão.

  49. Gravatai Merengue disse:
    Novembro 11th, 2008 at 5:20 pm

    Às vezes parece que essa discussão das terminologias é chatice ou velhacaria, mas ela é urgente aqui no Brasil, sobretudo em tempos de ações afirmativas e políticas de cotas.

    Independentemente da questão étnica, por exemplo, houve uma tentativa desastrada de criar um glossário politicamente-correto por parte da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, acho que em 2005 (vocês se lembram disso?).

    O Casseta e Planeta, na época, brincou com a música “O Bêbado e o Equilibrista”, traduzindo a letra para o que deveria ser a forma ‘correta’ ( algo como: “caía a tarde como um viaduto, e um dependende de álcool trajando vestimentas de quem recentemente perdeu um ente querido…” ou algo assim).

    Caetano tocou num ponto importante, que não pode ser apenas uma figura de retórica em seu texto: “qual o problema em ‘nigger’? QUAL O PROBLEMA NA PALAVRA NEGRO, afinal?

    Uma vez, ouvi que os pretos preferiam ser chamados de pretos porque ‘negro’ era a forma como os Senhores de Engenho a eles se referiam. Agora, não sei, parece que já preferem ‘negro’ pois houve uma série de debates de conscientização.

    Sou neto de espanhóis, italianos, portugueses e, segundo dizem os de minha família, também de ciganos oriundos do Marrocos, o que faz de mim um inusitado “afro-americano” (é mole?) ou até mesmo “afro-euro-americano”.

    Acho que deveríamos chamarmo-nos uns aos outros por apelidos carinhosos, mesmo. Ou até depreciativos, mas sempre invidudializados e sem menções étnicas. É mais seguro.

    De todas as ditaduras que já vislumbraram para o futuro, acho que nunca imaginaram um Autoritarismo Lingüístico como esse - no máximo, aquela coisa de ‘novilíngua’.

  50. Labi Barrô disse:
    Novembro 11th, 2008 at 5:25 pm

    Boa Tarde Gente Boa!
    *
    Eu sou mulata. Mas não gosto da palavra. Aprendi no colégio que mulata é uma palavra criada por efeito do preconceito. Não gosto não. Mas sou sim. Sou mulatinha. E gosto de ser. Sambo milhor di que a Luma gente boa! E sou tão linda quanto ela. Adoro Luma. Ser mulata é muito bom.
    **
    By the uai: Por que é que Caetano Veloso pode chamar Deus e o mundo de preto e se a gente comum chama alguém de preto é logo taxado de racista? A palavra preto na boca de Velô pode. Na boca da população é proibido. Minha gente, quando alguém chama outro de preto, quase nunca está dizendo com preconceito. E se for pra ter preconceito, terá chamando do que quiser chamar. O som da voz dirá. Lorran falou que CV pode porque CV é artista. Deve ser mesmo né… Mas o que eu gosto é de sentir a minha língua roçar a língua de Caetano Veloso! E quero me dedicar a criar confusões de prosódia e uma profusão de paródias que encurtem dores e furtem cores como uma boa camaleoa, que soy.
    ***
    Mas gente!
    Eu não acreditei no que li lá em cima.
    Veloso. Ô Veloso! Veloso…
    Que é que tu quer, tu que é tão amigo do rei?
    Ouriçar a rapaziada?
    Que história é essa de que o disco já está todo gravado e só não está mixado? Eu pensei que este blog fosse influenciar na composição das músicas. Afinal o trem tava em progresso uai…
    Me diga Belo Velô, como foi e está sendo a influência do blog no disco? Tem que ter pelo menos alguma coisinha de Labi no som né. Você ouviu Divine? Por que C não grava Shake it up no disco assim só com voz e violão? Vai ficar legal.
    ****
    CV c VIU?
    A Tropicália foi tema de uma questão do concurso para o Senado Federal. Pode? O examinador citava letras de algumas músicas (de Gil, Caetano e Chico) e depois perguntava: qual dessas músicas não fez parte da Tropicália? A resposta, segundo a FGV do Rio, era Roda Viva do Chico Buarque. Acontece que tem um monte de gente dizendo que a peça Roda Viva foi o momento tropicalista de Chico e que, portanto, a questão tem que ser anulada. O que é que Belo Velô diria sobre isso? Não sei. Mas tenho a mínima idéia.
    Malo vendrá que bueno me hará!
    Labi Barrô, mulatinha assanhada de Brasília.
    Com muito orgulho.

  51. Paulo Osório disse:
    Novembro 11th, 2008 at 5:58 pm

    Caetano:

    Se gostou de Portishead tem que ouvir Massive Attack; aliás os primeiros são “discipulos” dos segundos.

    E para quando uma edição de colecionador das músicas inéditas de Caetano? Você gostou daquela em 4 cd’s??

  52. Rosana Tibúrcio disse:
    Novembro 11th, 2008 at 6:22 pm

    Ai genteeee ando tão triste de tá tudo tão correndinho por aqui, aí só posso ler e não apreender… mas tudo bem.
    Deu pra ver que tem pessoas babando de felicidade de ler nome e citação no post de Caetano, já até fui num blog parabenizar um dos citados. Deu pra confirmar que Heloísa é muito boUUaaa, pois novamente citada… aiiii.
    Deu pra sentir que estou certíssima de ter esse meu ídolo como ídolo há muiitasss décadas e sem nem conhecê-lo tanto assim como todos vocês conhecem. Gosto e ponto!!
    E deu pra ler meu nomito em Miriam Lúcia - sim, eu tenho orkut… aiii, vou procurar vocês. Alguém já criou a comunidade Caetanetes Gotejantes??? E mais, alguém podia me achar, Rosana Tibúrcio nem é tão difícil, penso… Mas xácumigo, vou por algum nome maiorzinho… hehe.
    Beijocas caetanetes e dono

  53. Janio disse:
    Novembro 11th, 2008 at 7:01 pm

    Salem

    Também acho que os Vira-Latas são muito mais legais que os frequentadores de Pet Shop. Aqui mesmo no sertão do Raso da Catarina dá gosto de vê-los completamente sem razão e sem juízo indo atrás de uma cadela no cio. Passa carro, mata um; passa menino, joga pedra; passa mulher, vira a cara, e eles nem aí pro mundo, guiados apenas pelo cheiro que lhes joga nas fuças a real possibilidade de uma engatadinha.
    Quanto a morte de Miriam Makeba, me lembrei de Faustino, um genial pichador dos muros de Salvador nos 70, que em um deles escreveu: “Faustino usa escovas Pata-Pata!”. Alguém aí lembra dele?

  54. Cora Rónai disse:
    Novembro 11th, 2008 at 7:37 pm

    Bom dia Caetano, bom dia pessoas — como é que a gente tá aqui falando em música e em mulatos, e ninguém lembrou de “Salve a mulatada brasileira”, do Martinho da Vila? É tão bonito!

    Ô Vanina
    Vanina bonita, bonita Vanina
    Gente boa, gente fina
    Vanina, queres saber
    Vou te dizer
    Minha bisavó era purinha bem limpinha
    De Angola
    O meu bisavô também purinho, bem limpinho
    De Moçambique
    Eu não sou branquinho, nem pretinho
    A minha dona é moreninha
    Eu tenho muitos mulatinhos
    Salve! Salve!
    Salve a mulatada brasileira!
    Salve a mulatada brasileira, salve! salve!
    Salve a mulatada brasileira!

    José do Patrocínio
    Aleijadinho
    Machado de Assis que também era mulatinho
    Salve a mulatada brasileira!
    Salve a mulatada brasileira, salve! salve!
    Salve a mulatada brasileira!

    Para quem quiser ouvir:
    http://www.youtube.com/watch?v=EeaYVWwDd4w

    Beijos, vocês estão com a vida ganha, mas eu ainda tenho que trabalhar.

  55. glauber guimarães disse:
    Novembro 11th, 2008 at 7:53 pm

    jeeezziisss, eh como salem falou: a gente passa umas dez horas fora e tudo acontece aqui…sensacional!

    gravatai merengue mandou bem no lance das terminologias.

    exequiela,
    almendra, sui generis, fito, cerati, redonditos, no meu coração. além de piazolla e gardel, claro. “say no more!”, haha

    o cerati tem um DVD fantastico, tenho ate o CD aqui:
    gustavo cerati - “11 episodios sinfonicos”. belíssimo…besos desde bahia.

    oscarito para todos! viva miriam makeba! salem rocks!

  56. Patrícia disse:
    Novembro 11th, 2008 at 8:00 pm

    Para mim, o fim deste blog pode representar exatamente o avesso do fim. É a expectativa do que virá. É bom. É leve. O que tem amanhã? Talvez um outro espaço? Talvez não. A dúvida abre mais portas que qualquer certeza.

    Blogs/redes sociais são legais, mas consomem muito a energia da gente. Sem perceber, você troca o disco na vitrola e o descanso no sofá com olho fechado pelo vídeo no youtube com som ruim. Ambos valem, mas são experiências diferentes também. E a vida é boa quando há liberdade para o novo, de novo, novamente.

    Enquanto durar, o blog é gostoso demais. É divertido, inteligente, com poesia, ritmo, alegria e uma troca intensa. Para Caetano, que traz o seu lado delícia nas idéias, interações com tantas pessoas, que reúne gatos, gatas, bruxos de Salém, ratos, erres e patas Patrícias.

    Meu lado antropóloga social (acho tão sexy quanto o lado lingüista de outros - hoho) vê toda gente louca para dividir, aplaudir, acompanhar. Todos querem contar baixinho que também são demasiadamente sensíveis. E somos. É divertido ler os comentários. E Caetano fica como anfitrião, mediador, cantor, sedutor, ímã e parabólica.

    Em 2009, fique, vá e sempre volte. Resgato Antonio Cícero e Guardar que Caetano dividiu uma vez aqui:

    Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
    Do que um pássaro sem vôos.

    Em outras, mesmo com a beleza da cantoria de Assum Preto, quero Caetano com as duas asas, choro de paloma, mente solta e olhos de leão. Muito assim: assum mulato!

  57. Patrícia disse:
    Novembro 11th, 2008 at 8:16 pm

    Gravatai Merengue - ciganos oriundos do Marrocos! Fumavam haxixe e andavam de camelô; se seus parentes ciganos em país árabe no norte da África estavam Casablanca na época da II Guerra, ouso imaginar que pediram pro Sam tocar mais uma vez. Tu és, por fim, um quase marroquino-francês, também, se quiseres. Tu és Rosa e Salsa. Tu és Merengue. :)

  58. teteco disse:
    Novembro 11th, 2008 at 8:17 pm

    Houaiss…
    genialíssimo.
    a saída que ele encontrou
    para o trocadilho GOD-DOG
    de James Joyce em “Ulisses”
    é a melhor que já vi (li);

    “DEUS-SUED”

    docemente bárbaro!

    e Leopold Bloom disse:
    “o amor ama amar o amor”
    (trecho do mesmo “Ulisses”, traduzido
    por Houaiss)
    e isso me lembra
    “amor morto motor da saudade”

    atrevo-me a dizer que “Outras Palavras”
    é toda Joyce - Houaiss - Lewis Carrol

    gosto quando Caetano joga com as palavras
    ou argumenta coisas do tipo “jumentinhos novos, lindíssimos, parecidos com Brigitte Bardot”…é engraçado demais. Como Joyce era engraçado..”quem quer que fosse, ele não tinha o que quer que fosse”.

    anos atrás, minha ex-namorada me chamou de
    “filhote de jumento”. foi o fim do amor.
    que pena,
    hoje eu poderia entender que ela estaria
    dizendo que eu era tão lindo quanto Brigitte Bardot.

    mas a palavra “mula”, citada no post principal, é também usada no árabe. para os sufis ( vertente mística do islam, mais comum na Turquia) um “mula” é um grande sábio. diferente e mesmo “oposto” ao seu significado em português.

    finalizando meu “papo de pangaio”,
    um Joyce que tem, a meu ver, tudo a ver
    com a atmosfera desse “obra em progresso”;

    “nutridos e nutrientes cérebros ao meu redor, sob lâmpadas incandescentes, pingentes com filamentos pulsando desmaiados”

  59. Gravatai Merengue disse:
    Novembro 11th, 2008 at 8:18 pm

    A questão do concurso público dizer que “Roda Viva” não fez parte da Tropicália - assim no todo - é de uma estupidez limítrofe assustadora.

    É ridicularizar e ao mesmo tempo transcrever para a linguagem jurídica e das repartiççoes toda a Tropicália, justamente o movimento que viria - e veio - para acabar com todos os outros movimentos.

    Será que “Roda Viva” foi uma canção tropicalista? Será que era a peça? Será que era Zé Celso? O que é ser “tropicalista”? O concurso inteiro deveria ser anulado. O elaboradores talvez sejam muito simpáticos, mas…

    Enfim, Gil fundiu a cuca deles! :)

  60. Patrícia disse:
    Novembro 11th, 2008 at 8:18 pm

    ERRATA: camelô = quis escrever camelo, dromedário

  61. Nando disse:
    Novembro 11th, 2008 at 9:10 pm

    Fiquei aqui cismado com a questão da “maior música brasileira” de todos os tempos. Sem prejuízo dos outros temas do tópico, quais seriam os votos de vocês? Votem aí quando forem postar; a maior brasileira e, se não for do Caetano, também a dele, só pra gente ter uma idéia.

    Tô aqui bem dividido mas já-já posto minhas escolhidas.

  62. Gravatai Merengue disse:
    Novembro 11th, 2008 at 9:18 pm

    Denise tem razão, isso da cor varia, mesmo, de acordo com o país. Na Itália, segundo Berlusconi, Obama é apenas “bronzeado”.

  63. Gravataí Merengue disse:
    Novembro 11th, 2008 at 9:20 pm

    Agora, a sério, e se montássemos um blog para quando acabar o trabalho internético do Obra em Progresso?

  64. Denise Sóllami disse:
    Novembro 11th, 2008 at 10:04 pm

    A cor da gente vai variando de acordo com o país em que se está. Na Inglaterra, se estiver quiemada de sol, sou quase mestiça; já na França branqueio, e quando chego na Espanha ou em Portugal sou branca.
    Obama, aqui, seria o que se diz um ‘mulato claro’. Lá, nos EUA é que fica mais escuro.
    Só tem uma coisa: Obama não é um furão das diferenças sociais - como é, por exemplo, o Ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal - e sim um mestiço de classe média que estudou, alguém que venceu na meritocracia americana. Isso não tira a beleza de sua vitória, mas uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa…
    Mas claro que sua vitória é linda!

  65. Nanda disse:
    Novembro 11th, 2008 at 10:24 pm

    Salem,
    “Faustino” era o personagem do artista plástico Miguel Cordeiro que fez história em Salvador. A arte de rua interativa de Bel Borba é “cria” de Faustino. Realmente, Faustino usa pata-pata é a máxima, mas tinha também: “Faustino canta no coral da empresa”, “Faustino usa calça topeka”, “Faustino namora com Bernadete que faz curso normal no ICEIA”, “Faustino mora com a Tia”, “A irmã de Faustino vai no banheiro com a amiga”. Bons tempos!

  66. glauber guimarães disse:
    Novembro 11th, 2008 at 10:32 pm

    salem e caetano,
    pixações que eu adoro e via ao andar de ônibus aqui em salvador no final dos 80s:

    “o verdadeiro tadeu é o rei das criancinhas”

    “joão, meu cuncunhado”

    “racistas, nos deixem!”

    “chupa, caetano!”

    haaaaaaaaaaaaaaahahahahahahahaahaha, eh muito engraçado e inteligente, cara

    a ultima, pra quem nao eh daqui, eu explico: se o sujeito passa na rua e vê outro beijando escandalosamente a namorada, grita: “chupa, caetano!”. nao sei se isso surgiu antes ou depois do caetano, alguem sabe?

    salvador eh sensacional!

    [recebi aquela mensagem “vc está publicando comentarios rapido demais…”. no exterior, eles colocam “easy, cowboy!”

  67. teteco dos anjos disse:
    Novembro 11th, 2008 at 10:38 pm

    Obama aceita convite de Lula e vem ao Brasil após sua posse, em 20 de janeiro. Oba! Boa!
    Na conversa telefônica com Lula, as 19h de ontem, ele ressaltou o “papel fundamental que o Brasil tem que desempenhar contra a atual crise econômica mundial, principalmente na representação dos povos latinos da América”, e ainda lembrou que foi aluno do Mangabeira Unger.
    Eu gostei da notícia, ainda mais que a ligação partiu do próprio Obama. Como diria o filósofo Raul Seixas..”nós não vamos pagar nada”.
    Venha Obama e ouça João Gilberto cantando…
    “Eu nasci num clima quente/ Você diz a toda gente/ Que eu sou moreno demais/ Não maltrate o seu pretinho/ Que lhe faz tanto carinho/ E no fundo é um bom rapaz…/ Lindo. Obama demonstrou conhecer um pouco do Brasil. Mas, Obama precisa ouvir todos os discos do João Gilberto para conhecer profundamente o que o Brasil tem de melhor.

    Lembrei, o “Asdrubal Trouxe o Trombone” tem uma canção linda sobre Bardot, que o Caetano canta junto;

    “Brigitte Bardot, você é bonita demais,
    você cativou os homens
    e agora pede liberdade para os animais”

    Eu acho triste e complicada essa história de escolher a melhor canção ou as melhores canções da mpb. Triste por tantas injustiças que podemos cometer. Complicada pela infinidade de “obras-primas” que vejo em Noel, Assis, Lamartine, Ary Barroso, Caymmi, Luiz Gonzaga, Tom Jobim, Pixinguinha, Dolores, Cartola, Adoniran, Lupcínio, Chico, Caetano, Gil, Jorge Ben Jor, João Bosco etc etc etc etc.
    Alguém nesse blog já ouviu Elpídio dos Santos?
    Em 2009 será comemorado, acho que nas unidades SESC/SP, os cem anos do seu nascimento. Ele faleceu em 1970. Eu listaria esse compositor fantástico.

    Mas, enfim, gosto de “Último Desejo”, “Tabuleiro da Baiana”, “Ave Maria no Morro”, “É de Manhã”, “Primavera”, “Mãe Menininha..”, “Eu sei Que Vou te Amar”, “Soy Loco Por Ti América”, “Tropicália”, “Brasil Pandeiro” e todas do velho “Lua”.

  68. Lucas Matos disse:
    Novembro 11th, 2008 at 10:48 pm

    passando rapidamente, não sei se alguém já mencionou, mas saiu no site da globo e não pude deixar de me lembrar deste blog:
    No fim da conversa, o presidente eleito dos EUA lembrou a Lula que foi aluno do ministro Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) na Universidade Harvard.

  69. Patricia disse:
    Novembro 11th, 2008 at 10:52 pm

    Mulatos, mulatas, negros, negras… pele linda…firme… agora nao podemais usar as palavras ‘denegrir’…ou ‘a coisa ta preta’…e por aí vai…alguem pensa em negro quando usa ‘denegrir’? Quando vc fala em ‘a coisa ta preta’, vc ja diz na frase ‘coisa’…não é gente… Acho que as coisas vão estar bem, quando acabar estes posicionamentos…
    Obama é um stray muito refinado…escrevi num comentário…êle não tem cor, tem brilho…Digo isto tbem do Gabeira…muito brilho…
    No dicionário tem denegrir e denigrir…duas maneiras de escrever a mesma coisa mas não pode…palavras serão presas … cassadas…ui..de novo…o reverso…ensaio sobre a cegueira…o caos…as palavras possuem significados e tambem passam a significar…seu uso ou não revela muita coisa…quando não podemos usar uma palavra adianta buscar um sinônimo…o caso é nao poder usar…o que é um abuso.
    Já estou imaginando o fim do blog…sem obra…adoro musica mas com os comentários tão bacanas que vejo aqui não vou ter coragem de dizer nada…mas escolher uma das versões de incompatibilidade de genios…disso eu entendo…ja tive meu ‘incompatível particular’…
    Bjs Caetano

  70. Patricia disse:
    Novembro 11th, 2008 at 10:55 pm

    quis dizer que NÃO adianta usar sinônimo…

  71. glauber guimarães disse:
    Novembro 11th, 2008 at 11:15 pm

    aah, caetano, se eu só pudesse te mostrar um único videoclipe aqui, sería esse. por favor, veja. eh de uma banda chamada manic street preachers. a canção eh “so why so sad”. emocionantes, video e música.

    http://www.youtube.com/watch?v=hSMklt5i614

  72. Patricia 1 disse:
    Novembro 11th, 2008 at 11:17 pm

    Vi que tem outra Patricia…n quis nmais usar o apelido…cismei…então os dois comentarios logo acima são de Patricia 1…ta bom?

  73. Ingrácia disse:
    Novembro 11th, 2008 at 11:25 pm

    Quando eu tinha entre dez e 15 anos, não lembro bem, minha mãe branquinha de cabelo pixaim respondeu brava a uma vizinha que me chamou de negra que eu era morena de traços finos.E acho que me disse uma vez que eu tinha saído o pior dela (o cabelo) e o pior do meu pai (a cor), preto mais pra índio de cabelos muito lisos, linda mistura preto/branco/índio. Parece um comentário cruel, o da minha mãe, então não sei se disse mesmo ou se sonhei. E ela é ótima, só pra registrar! O fato é que por muito tempo preenchi o espaço da cor, em formulários, com a palavra morena. Demorei alguns anos para entender que sim era negra, a única das três irmãs que poderia ser identificada como tal. E a partir daí o sou, em formulários, palavras e ouvidos. Acho que o preconceito é muito mais sutil, muito além das definições. Nas impressões dos encontros nas esquinas, nas primeiras leituras de pessoas que fazemos. Fazemos, eu inclusive. Hoje acho engraçado e um pouco constrangedor quando alguém ao se referir a um negro/a diz aquele moreninho/moreninha. E depois do auto-reconhecimento, tentei e tento entender o que o fato de eu ser preta e viver num país cheio de preconceitos escondidos tem a ver com os encontros e desencontros que tive até então.

    Pulando do divã para a literatura, como bloomsdayana que sou, sempre quis ler Ulysses. Iniciei a viagem, mas fui parando nas estações literárias que Joyce indicava. A mais recente “Os anos de Aprendizado de Wilhelm Meister. Por causa do “Obra em Progresso”, fui ler Verdade Tropical e achei curioso alguém ter dito ser ele também um “romance de formação”. Os comentários sobre Gil e sua negritude foram luz sobre as sutilezas que tento entender sobre raça, cor e preconceitos. Amo Gil, Caetano e Chico e estou gostando muito de muitas coisas que ouço por aqui.

  74. Gilliatt disse:
    Novembro 11th, 2008 at 11:26 pm

    Pronto, Nando! Agora vem o dilema: fico sem dormir dias e dias pensando na sua enquete (e mudando de voto) ou respondo logo.

    Amo e odeio essas coisas.. rsrs

    Vamos lá!

    Vou escolher primeiro uma que não é do Caetano, assim posso votar em duas:

    SÓ LOUCO (dorival caymmi)

    ERRÁTICA (caetano veloso)

    PS: Caetano, me ajuda, por favor, a lembrar de uma música sua que é linda linda linda e não consigo recordar quem gravou, pra recuperar. a melodia tá inteira na minha cabeça, mas a letra…. tem uma momento que diz “violão, deita em minha mão, acordar algumas notas, colocar com exatidão na sombra o clarão sem fim”. Essa é es-pe-ta-cu-lar!

  75. Marcos Lacerda disse:
    Novembro 11th, 2008 at 11:44 pm

    Nando, eu citaria algumas:
    ” Rosa de Maio” , na belíssima gravação de Silvio Caldas, canção de custódio mesquita com evaldo rui. Deles também ” Noturno em tempo de samba”. De manezinho araújo ” pra onde vai valente”. De Wilson Batista ” Deus no céu e ela na terra”. De zequinha de abreu ” Branca”, valsa lindíssima. Lua Branca é uma obra-prima de Chiquinha gonzaga. “cabelos brancos” cantada pelo grande grupo vocal “quatro ases e um coringa”. ” Praça clóvis de paulo vanzolini. valsa verde de capiba. Boneca de pano de Assis valente, cantada pelo quatro ases e um coringa. Eu não tenho inveja, com Gilberto alves. Ave-maria com Roberto silva. Agulha no palheiro com Doris monteiro. e tem mais, muito mais…
    De caetano: Terra, Sampa, Muito, Nu com minha música, Trem das cores, Minha mulher, Livros, Tempestades solares ( lindíssima), Qualquer coisa, escândalo, Estrangeiro, José, o ciúme, noite de hotel, vaca profana, ele me deu um beijo na boca, os argonautas, menino deus, os passistas, e mais, muito mais…

  76. Caetano Veloso disse:
    Novembro 12th, 2008 at 3:46 am

    Cora Rónai, que bom ler você aqui!

    Adoro os posts da Patrícia.

    MIRIAM MAKEBA merece homenagem especial. Nunca a esqueceremos.

    Adoro o “coqueiro que dá coco”, com ou sem João. Salem tem razão (mesmo).

    Nando e Glauber arrasam em rock culture. Sou fã antigo e apaixonado do (ex-Dr.) Cascadura. A melhor defesa da axé music seria recapitular a história do rock na Bahia: de Raul a Pitty, passando pelo Camisa de Vênus (que nome espetacular), o rock baiano tem criatividade e vitalidade insessante e muitas vezes pioneira. Além, é claro, do diálogo entre o trio elétrico e o rock, que nunca se interrompeu. Nnao digo dos dois grupos de criadores (aí não há muito diálogo) mas da música em si. Tipo Dodô “inventa” a guitarra elétrica maciça, Armandinho soma solos meio prog meio heavy, Moraes vem dos Novos Baianos - os mais atrevidos misturadores do amor ao choro com o amor ao rock -, Pepeu “glitter”, Daniela pop-rock e também eletrônica (aqui é bom lembrar o quanto eletrônica, reggae, rap, tantas linhagens vêm do rock - e eram classificadas no começo como ramos do rock), o reggae no samba de Neguinho, etc. etc. etc.

    Será que Heloísa me respondeu lá nos comments do post anterior? (Isso já aconteceu antes…)

  77. Fernando Salem disse:
    Novembro 12th, 2008 at 4:02 am

    Uma canção não é “tropicalista”. Ela fica. Claro que as canções emblemáticas daquilo que a posteriori se denominou Tropicalismo, como Galéia Geral, Tropicália e Bat Macumba, são definidas como “tropicalistas” na sua gênese. Mas e “Coração Materno”? Nasceu tropicalista ou ficou depois da interpretação de Caetano? Canções ficam com um tom tropicalista por questões diversas. Algumas bem subjetivas.

    Roda Viva mostra um momento inquieto do Chico. O belo jovem de olhos verde-azuis era capa da revista Capricho. Frequentava programas populares da TV Record. Mas queria “dar um chute no lirismo”, como dia a letra de “Agora falando Sério”.

    Caetano tropicalizou Carolina e foi mal entendido por isso. Zé Celso entendeu Roda Viva e também tropicalizou-a. Colocou a canção no contexto em que deveria estar.

    Chico não usava batas, nem era cabeludo. Não vestia a camisa da Tropicália. Nada nele, visualmente, nos remeteria ao movimento. Mas Roda Viva foi o plot-point de uma encenação com inúmeros signos tropicalistas.

    Quando Caetano reencontrou Chico no Castro Alves, aí sim tivemos cenas de tropicalismo explícitas.

    As canções de Chico têm ali uma doce aderência ao Tropicalismo. E mesmo a sua forma de cantar desencapsulou sua admiração pelo movimento.
    Por essas e por outras, definir uma canção com Tropicalista seria reduzir o termo a um gênero, o que me parece uma bobagem.

  78. Lucesar disse:
    Novembro 12th, 2008 at 4:55 am

    Muitos negros no Brasil sofrem do auto-preconceito, é muito comum, sobretudo nas classes mais pobres, que eles se digam “moreninhos”. Para esses a palavra “negro” tem um caráter pejorativo. Talvez Barack Obama venha lhes redimir dessa culpa, já que nossos (grandes) heróis negros, que se resumem a cultura e ao esporte, não lhes são de grande valia.

    Segue a obra de um grande negro brasileiro;

    Caetano cantado Rosa de PIXINGUINHA:

    http://www.youtube.com/watch?v=lPLPSgJaMmk

  79. Rafael Costa disse:
    Novembro 12th, 2008 at 6:22 am

    sobre a palavra ‘mulato”: perfeito o comentário sobre o caráter positivo da palavra. Ora, língua é isso mesmo, é corpo-vivo: o sentido de um signifante não é a sua etimologia.

  80. Socorro disse:
    Novembro 12th, 2008 at 6:27 am

    “O Faustino comenta no blog de Caetano”. Quem passou por Salvador na década de 70 lembra dessas pichações maravilhosas: “Irmã Dulce tem conta na Suiça” ou “Faustino faz xixi no box”. Quem sabe o Miguel Cordeiro, parceiro de Marcelo Nova na música Simca Chambord, não lê o blog de Caetano? Aliás, meia Bahia lê.
    No filme Meu Tempo é Hoje, Paulnho da Viola diz que a música do século é Carinhoso. Porque atravessou um século inteiro sendo lembrada por todo brasileiro. Concordo com ele. Uma de Caetano? Gosto de tantas, tantas fizeram parte da trilha sonora da minha vida…vou pensar. Por hoje, porque é novembro, porque a vida é assim mesmo, Mamãe Coragem.
    E nessa discussão de negro ou mulato, prefiro o negro, claro. Mas porque somos mesmo todos mestiços, lembro o trecho de uma música do Siba, acho, no CD do Mestre Ambrósio:
    “Tantos povos se cruzam nessa terra
    Que o mais puro padrão é o mestiço
    Deixe o mundo rodar, que dá é nisso
    A roleta dos genes nunca erra
    Nasce tanto galego em pé-de-serra
    E por isso, eu jamais estranharei
    Sertanejo com olhos de nissei
    Cantador com suingue caribenho
    Como posso saber de onde venho
    Se a semente profunda eu não toquei?”…

  81. glauber guimarães disse:
    Novembro 12th, 2008 at 6:32 am

    puxa vida, o resto do brasil precisa mesmo conhecer melhor toda a loucura que foi o rock baiano de 1990 pra cá.

    “úteros em fúria”, “cascadura”, “crac!”, “meio-homem”, “brincando de deus”, “dead billies” [da qual fiz parte e acabou em 2001], “alex pochat & os 5 elementos”, “nancyta viegas”, “ronei jorge & os ladrões de bicicleta” e tantos outros. são muitos, muitos mesmo!

    caetano, que bacana que vc eh fan antigo do “casca”. tmb sou fan, desde mil novecentos e antigamente! se vc acha que saco de rock culture, música americana, c tem que conversar com fábio magalhães do cascadura. um arquivo vivo, loucura…

    tenho um razoável conhecimento de música brasileira, graças a meu querido pai, lula carvalho, que vc sabe, eh compositor [compôs com batatinha "pra todo efeito"], e tinha pilhas de discos em casa.

    êee, vidão!

  82. Julio Vellame disse:
    Novembro 12th, 2008 at 7:03 am

    Lembrei de uma expressão que quando ouço não gosto: “um negro lindo” por que não somente lindo como falamos de qualquer pessoa bonita?

    - presente inclusive na lírica do afoxé… -

    Acho que descaracteriza o negro como ser humano, pois se preciso definir a espécie antes do adjetivo é por que não quero confundir com o que seria subentendido (no caso ser-humano).

    Aliás vc observa a palavra negro antes dos nomes próprios na literatura Brasileira do sec 19. Não deve ser por acaso….

    E eu me queixando dessa conversa de expressões racistas e entrei nessa tb

  83. teteco dos anjos disse:
    Novembro 12th, 2008 at 7:11 am

    Salem, que maravilha.
    minha filha de 8 anos, a Iah Iah, ama as músicas do Disney Club. Eu não sabia que são suas. Parabéns.
    É verdade, ela também adora “leões” e adora a canção “Leãozinho”, um hit para todas as idades e não-idades.

    Glauber, vc conheceu a banda de rock baiana do “Gil”, filho do Paulinho Boca de Cantor?
    Acho que se chamava “Catapulta”.

  84. glauber guimarães disse:
    Novembro 12th, 2008 at 8:25 am

    putz, como pude esquecer dos inimitáveis, extraordinarios, “retrofoguetes”!!! meus irmaos para toda a eternidade. ando meio desligado…hahaha

  85. Fernando Salem disse:
    Novembro 12th, 2008 at 8:59 am

    Caro Nobile

    Sou suspeito pra falar de música pra criança. No CD do Castelom Rá Tim Bum (que recomendo sem modéstia) há 12 canções minhas e outras do Arnaldo Antunes, Helio Ziskind e André Abujamra. Nesse Cd eu também canto 2. Fiz tbm todas do CD do Disney Club… esse é + difícil de achar, mas é bem divertido. Tem Paulo Miklos e André Abujamra cantando bem a beça.

    A nova temporada do Cocoricó (na cidade) terá trilha minha.

    Uma dica boa são os CDS do Palavra Cantada do Paulo Tatit e Sandra Perez. Belíssimo trabalho que as crianças adoram.

    Mas põe Leãozinho pro teu filho escutar e vê a reação. É o maior hit infantil da história da nossa música popular!

  86. Nobile José disse:
    Novembro 12th, 2008 at 9:39 am

    Miriam Lúcia: topo de cara um encontro virtù com o pessoal do blog. já botei a cerveja pra gelar (rs)… quanto ao cometário do berlusconi, acho que é um pouco mais que uma gafe: é uma denuncia… hehehehe. acho que é o tipo do ato falho no qual ele revela o que realemnte pensa - não podemos esquecer que ele é facista!

    nando: não sei responder qual é a maior música brasileira de todos os tempos. se fosse do século vinte, arriscaria “faroente caboclo”, que tem mais de nove minutos…

    caetano: vou tentar mais uma vez conseguir de vc uma resposta. o que vc acha desse movimento que vem ganhando força atualmente no brasil, de se buscar a condenação criminal dos militares que toturaram no período da ditadura?

    salem: vc tem dicas de músicas pra crianças? tenho um filho de seis anos e uma filha de dois. dia desses “apliquei” na menor a turma do cocoricó, do hélio ziskind - ela adorou. aguardo suas dicas…

    pessoal, não sei se vcs perceberam mas quem deu uma pinta por aqui foi a soninha…

  87. Alexander Canale disse:
    Novembro 12th, 2008 at 9:57 am

    Como um intruso atrasado, abomino essa denominação de afro-americano. Mas, ao que parece, este termo é o politicamente correto, embora racista. Que diabos é ser politicamente correto?

    De certa forma, percebo isso onde vivo. Caxias do Sul. Colonizada predominantemente por italianos. Aqui, como em cidades vizinhas, é comum a exaltação da descendência italiana ou alemã. “Sou Italiano, graças a Deus”, é adesivo comum em carros. Tais ítalos-brasileiros, por vezes, não se consideram brasileiros e acreditam que a sua descendência os difere, os eleva, os distancia.

    Para mim, isto é repugnante.

  88. Nassau Santiago disse:
    Novembro 12th, 2008 at 9:59 am

    Sou mulato como Obama!!

    O termo mulato vem de mestiço ou mula mesmo, animal híbrido que é o resultado do cruzamento entre cavalo ou égua com o jumento.

    A etimologia das palavras remete à conceitos históricos obviamente, porém existem aquelas em que à època de sua criação ou surgimento de variáveis, tiveram como única opção ou inspiração aquelas já existentes dentro do contexto aplicável à espécie.

    Se justiça fosse feita nosso continente se chamaria Índia ou pelo menos Colômbia.

    Originais somos nós do Brasil. Embora meu próprio nome seja importado. Fui batizado Nassau Alves Santiago, filho de um baiano de Caém, próximo à Jacobina. Meu pai, negro e neto de escravos, ouvia desde menino as estórias do alemão e não holandês, como muitos pensam, Maurício de Nassau em Pernambuco, próximo dali e na Bahia mesmo, já que Nassau chegou a invadir Salvador. Levado à Minas Gerais pelas rotas dos tropeiros, junto de meu avô fixou-se em Rubim, Vale do Jequitinhonha. Ali conheceu minha mãe, branca e filha de fazendeiro tradicional.

    Obama e eu somos mulatos, americanos, advogados. Me orgulhei da sua eleição, como se eleitor dele fosse!!

  89. glauber guimarães disse:
    Novembro 12th, 2008 at 10:02 am

    nando,
    cantei blues nessa casa que vc mencionou, “atelier” [não lembro bem a grafia] no iniciozinho dos 90s com dannemann, oyama, alvaro assmar, julio argentino. monstros do blues daqui. uma honra pra mim.

    quito,
    adorei a citação a darth vader, cara. “luke, meu nego, eu sou seu pai!” hahaha

    gil,
    espero esse indio tmb. gostei muito do que vc falou. o axé faz parte da minha memoria afetiva tmb, claro. principalmente, o axé roots, o “grito de guerra” do chiclete com banana, luiz caldas e tal. serei o primeiro a estourar a champanha se perceber um maior interesse do axé em melhorar o nível de composição. meu pai [lula] fez isso com “levada louca” e “é o ouro”. saulo e jau têm feito coisas mais interessantes. mas ainda falta muito a ser feito. pra mim, o maior problema do axé eh que o publico nao exige muito das bandas, dos compositores. o agito basta. tudo isso, salvo excessões [que confirmam a regra. ou não?]. uma coisa que percebi durante as conversas aqui, eh que caetano realmente gosta de axé, tem uma relação afetiva com ele. eu pensava que fosse uma atitude politica dele. e eh tmb. mas percebi que ele gosta de verdade. no final de todo esse bla bla bla, o que me importa mais eh que as pessoas tenham escolha, acesso, educação. amo minha gente. no mais, “coragem pra suportar”…

    salem,
    castelom rá tim bum e cocoricó tmb fazem parte de minha memoria afetiva e formação musical. serio. a musica do cocô roqueiro eh genial! minha filha e eu adoramos. obrigado. e a gente gosta da xuxa tmb. serio.

    abraço sincero a todos!

  90. laurene disse:
    Novembro 12th, 2008 at 10:12 am

    Oi, Caetano e pessoal. Vcs nem quiseram saber qual o significado da frase: “ele gosta de caxar o imbuete no janô do cuete”, que eu citei? Quer dizer: “ele é gay”, na Língua da Tabatinga.
    Olha a definição de “nigger” no http://www.urbandictionary.com :

    A word that everyone else is afraid to define except in utter seriousness, for fear of being branded a rascist, in total ignorance of the colloquial usage of the word, its characterization in popular culture, and the populations of people it is used most by.

    Um exemplo:

    You shouldn’t ever say the n-word, you rascist cracker asshole.

  91. laurene disse:
    Novembro 12th, 2008 at 10:48 am

    Caetano, vejo o elogio da mestiçagem nesse blog do francês Pierre Doury, chamado Zoreilles en Coin, tratando da mudança dele de Toulouse para a ilha de Réunion. Fiquei comovida quando li a referência ao Brasil:

    Sur la route, les paysages sont comme sur les photos : ça monte vite depuis la mer, et les pentes sont verdoyantes, lorsque les falaises noires ne sont pas à nu. Impressionnant : les immenses filets métalliques sur les parois sensés empêcher les éboulis sur la route du littoral (en travaux… à cause des éboulis).
    C’est marrant, les panneaux au bord des routes, les bagnoles (presques toutes françaises), les magasins (Champion, But, Monsieur Bricolage…), tout ça, ça fait très « La France », mais les gens sont beaucoup moins blancs… On ne va pas se réenfiler le topo sur les différentes vagues de peuplement de l’île, mais le résultat est là : des Noirs, des Indiens, des blonds, un petit Loïc tout foncé dans le bus avec sa maman toute blanche (il y a eu pas mal de Bretons qui se sont installés ici, pas tous pirates)… Et tout ça s’est mélangé : vive l’appel de la chair exotique ! (il paraît que dans quelques siècles on sera tous brésiliens. Ici, ils ont pris de l’avance). Ah ! Important : au premier abord, les gens sont sympas ! Sourires, attendez-je-vais-vous-aider, bienvenue-à-La-Réunion-m’sieu-dame… On n’est déjà plus tout à fait au pays d’Astérix. Tout est bien sûr écrit en français, mais entre eux les gens parlent créole, tout le temps. C’est joli à entendre, ça fait penser un peu à Jar-Jar Binks dans La Guerre des Etoiles. On comprend, un peu, pas tout. Faudra s’y mettre…

  92. Evangelina Maffei disse:
    Novembro 12th, 2008 at 11:10 am

    Gilliat,
    a música é MANSIDAO (1982)

    Vasto céu
    Diminuta luz
    Estelar
    Brilha entre as nuvens
    Esta voz
    Que o cantar me deu
    É uma festa-paz
    Em mim
    Violão
    Deita em minha mão
    Acordar
    Algumas notas
    Colocar com exatidão
    Na sombra o clarão
    Sem fim
    Um amor
    Que já me fez chorar
    Agora não fará
    Não sofro mais assim
    Pois está
    Tudo onde deve estar
    Nada será ruim
    Mansidão
    Luminosa paz
    Minha voz
    E aquela estrela
    Vasto chão
    Sensação feliz
    Seda, linho, lã
    Cetim

  93. Nando disse:
    Novembro 12th, 2008 at 11:16 am

    Salem: Não fosse pela “bobagem” não teríamos esse seu post maravilhoso at 4:02am (lembrando que este é um blog tropicalista: muitas respostas vêm antes das perguntas!)

    Listas de “melhores” podem ser interessantes desde que não sejam levadas a sério. Podemos ler maravilhas como essas que o Marcos Lacerda e o Teteco postaram. Relax. A maior canção brasileira (Ei, Nobile José, “Metal Contra as Nuvens” é ainda maior que “Faroeste”!), IMHO, é “Canção do Novo Mundo”, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos.

    Gilliatt: você conhece “Só Louco” com Luiz Melodia? Afff…

    João Ubaldo Ribeiro, respondendo a alguém que dizia não aceitar expressões como “Meu dia hoje foi negro” (alegando racismo implícito) disse certa vez que também não ia aceitar mais coisas como “na hora me deu um ‘branco’ e esqueci a resposta”, sob pena de ser considerada ofensa aos brancos; nem “amarelo de susto” ou “vermelho de raiva”, posto que ofensa aos orientais e índios respectivamente.

    Rock Baiano… Glauber, please?! Salvador tem umas coisas… Uma noite, daquelas que a gente já deu por perdida, entro num bar perto do Campo da Pólvora, ouço uma guitarra de blues… mas não era uma guitarra de blues qualquer, era uma guitarra fora do normal. Mário Dannemann, mestre absoluto, um gigante canhoto, pondo pra gemer sua Fender Stratocaster 1968. Coisas de que a gente jamais se esquece. Inclusive contavam que este bar (numa rua atrás da Av.Joana Angélica, final da rua) funcionava onde antes era uma casa e que Caetano costumava tomar sopa com Gil lá à noite, na década de 60!

  94. Guido Spolti disse:
    Novembro 12th, 2008 at 11:21 am

    …Roda Viva não é uma canção tropicalista, como foi dito acima, no sentido de gênese, ela não possui aquelas características de música atonal, dodecafônica, aquela coisa toda, mas ela é tropicalista pela intensidade, e muito mais pelo aspecto anárquico dada a peça de Chico por Zé Celso, e é claro pela própria sintonia de Chico pelo trabalho que “os tropicalistas” estavam engendrando…

    Votar melhores canções é coisa “careta” e, no entando, somos “caretas”;
    há algumas comunidades voltadas a comentar o trabalho do Caetano, a do Ty, por exemplo, que vem com algumas enquetes, eu acabo sempre votando, embora o “nariz torto”;

    Melhor seria uma votação do tipo, o melhor da década de 30, 40, o melhor do samba;

    Do período tropicalista, por exemplo, votaria em ENQUANTO SEU LOBO NÃO VEM, também votaria (eu sei que o Caetano disse que não a considera como tropicalista, no V.T) em É PROIBIDO PROIBIR ambas as versões ( amo o Caetano declamando excerto do poema mensagens com o som dos mutantes ao fundo) e ainda ouço o “esporro” de Caetano com entusiasmo na Versão Festival; mas na minha lista entraria “CLARA” tanto a do Caetano suavizada quanto a CROCODILO do Arrigo super-extravasada; Haveria lugar para MISERERE NOBIS e GELÉIA GERAL, Num tempo tropicalista outro escolheria sem titubear todo o álbum dos “DOCES BÁRBAROS”…

    É difícil, escolheria, também Aquarela do Brasil mas não Aquarela Brasileira, Escolheria praticamente tudo do GERALDO PEREIRA (FALSA BAIANA, BOLINHA DE PAPEL, ESCURINHO) mas não tudo do ATAUFO ALVES (e olha que eu gosto do ATAULFO…

    EU GOSTO MESMO É DAQUELA QUE CHAMA ROSA, não! A melhor canção é CARINHOSO, ou seria EU TE AMO?

  95. Evangelina Maffei disse:
    Novembro 12th, 2008 at 11:26 am

    Gilliatt (desculpe, agora percevo que seu nome é com dois “t”)
    Concordo. Essa música é linda. Lindissima. Caetano a gravou com Jane Duboc. Eu nao sei como postar o MP3. Se é possível, me diga eu mando….
    Obrigada.
    Beijos.

  96. quito ribeiro disse:
    Novembro 12th, 2008 at 11:45 am

    Oi Lucia do comentario 41,

    Acho que foi à minha fala no outro post que você se referiu quando falou do preconceito na expressão preto de alma branca. Não vejo racismo nenhum aí. Eu não fiz nenhum juízo de valor sobre as pessoas que apresentei segundo este conceito. Embora o uso da expressão já traga um caráter perjorativo, estava apresentando uma hipotética possibilidade de um membro do movimento negro de Salvador se sentir representado por aquele: Mas, te digo, eu gosto desta expressão. Acho que ela comunica bem um pensamento sobre um determinado tipo de pesonalidade. Tem poesia. Muito melhor do que eu escrever um parágrafo inteiro para tentar fugir da expressão.
    Já está provado que raças, do ponto de vista genético, não existem. O que faz do racismo algo anacrônico cientificamente além de deplóravel moralmente. Agora querer apagar da língua as expressões que têm a ver com o conceito de raça, me parece vontade de varrer este conceito para debaixo do tapete da história.; de não querer compreender a extensão que este assunto tem no nosso país em nome do politicamente correto.
    Raças ainda existirão por muito tempo na cultura. São como etnias, tribos, turmas ou torcidas com as quais os sujeitos se identificam ou não. O problema está em ver quem está fora de sua turma como inferior ou como inimigo. E isto eu não fiz.
    Falamos que um perfume ruim é espanta-nigrinha, que Darth Vader é do lado negro da força. Acho legal perceber que há um componente racial nisto, mas cabe aos falantes da língua fazerem naturalmente estas expressões entrarem em desuso. Há tempos atrás um sujeito que se vestia mal era chamado de brau. Hoje não ouço as pessoas falando isto.
    Mais: as vezes o humor supera o preconceito. Piadas de judeu, preto, viado e etc nem sempre são desagradáveis. Pelo menos para mim. Na minha casa, minha irmã, que é um pouco mais clara que o resto da família, era às vezes chamada de amarela pelo meu pai. E isto aparecia tanto para evidenciar seu carinho por ela chamando-a de amarelinha, quanto em forma de reprimenda quando ele falava: sinhá amarela pare com isso. O assunto é grande e não devemos ter medo dele.

  97. disse:
    Novembro 12th, 2008 at 12:10 pm

    Eu acredito piamente na mudança de toda uma politica universal e de conceitos universais agora, aparti dessa estrondosa mudança que vem doa Estados Unidos com Obama.
    Sempre amei a musica de Caetano, a literatura de Caetano, apesar de as vezes não ama-lo…pois acho que as vezes ele incomodar um pouco mas quem não incomoda hem???
    Essa ideia de ter Caetano na net é coisa muito boa boa boa boa boa….Jô

  98. gil disse:
    Novembro 12th, 2008 at 12:11 pm

    talvez a melhor defesa do axé music ( só na bahia mesmo..axé…miusic) seja mesmo o plano real e a situação da economia brasileira daquele período. as meninas gostosas dançando na boquinha da garrafa de todas as periferias já existiam há muito, muito, muito tempo, mas isso virar música e embalar nas rádios foi fenômeno. Depois da Constituinte, que país é esse, eleição pra presidente, Renato Russo, Herbert Vianna, Todos os Titans, Cazuza, Lobão, Cidade Negra, Paulo Ricardo, Gessinger, Paula Toller, … e Collor, a gente parece que chegou na gente e veio FHC e o plano real. TV geladeira e fogão, na música axé pagode sertanejo e padre…e MTV com rock estrangeiro e Sepultura, vamos falar o rock que não fala a nossa língua e vamos viajar. Nossa linha evolutiva combinou com nossos gráficos de altos e baixos…depois disso? onde está a indústria da música? e os catálogos, as coletâneas. Esperamos na verdade que um índio desça afinal e resgate o que há de bom.

  99. Gravataí Merengue disse:
    Novembro 12th, 2008 at 12:17 pm

    A palavra “escravo” vem de “eslavo”, ou seja, todo o povo oriundo do leste europeu. Ninguém - absolutamente ninguém! - se refere aos escravos buscando atacar os nascidos na Polônia, Ucrânia, Iugoslávia, Estônia, Rússia etc.

    E a expressão, inclusive, não é posta em debate quando começam com essa coisa estranha da ‘novilíngua étnica’ - pela qual já passou “judiar” e também “denegrir”.

    Caetano, certa vez, lembrou com acerto o equívoco de “opção sexual”, pois aí não se trata de uma bobagem etimológica adotada espontaneamente, mas sim de um erro lógico usado à força.

    No caso dessas palavras (’escravo/eslavo’, ‘judiar/judeus’, ‘denegrir/negros’), convenhamos, há um preciosismo que não beira, mas ultrapassa a fronteira do ridículo. A ponto de, lá pelas tantas, não se poder usar o ‘de um branco’ quando algo sumir da memória - sob pena de ser essa a conta de ofensa lingüística aos arianos.

  100. Luiz Castello disse:
    Novembro 12th, 2008 at 12:44 pm

    SIVUCA que um dia tocou piano na minha casa(alem de acordeonista,tocava piano com elegancia e desenvoltura)foi arranjador de Miriam Makeba,no sucesso mundial da cantora”pata pata”.Ele tambem merece homenagem especial.Nunca esquecerei aquela tarde inesquecivel.

  101. Gilliatt disse:
    Novembro 12th, 2008 at 1:35 pm

    Evangelina!!! Você é o máximo, um anjo mesmo!!! Já não me lembrava de toda a letra de Mansidão, agora não esqueço mais. Obrigadíssimo!!! Ainda hoje vou ver se existe em CD. Vou procurar, depois te digo. Acho que temos a mesma paixão por raridades! Vamos nos falar? Me escreve. Aproveito pra deixar meu email pra todos: gilliatt.rj@gmail.com

    Nando, já ouvi sim a gravação do Melodia. É do songbook do Caymmi, não? Acho Melodia um cantor raro. Aliás, Só Louco não é pra qualquer um, não. Dificílima de cantar, cheia de armadilhas. A Nana também arrasa (claro!).

    Beijos e abraços!

  102. Gilliatt disse:
    Novembro 12th, 2008 at 1:50 pm

    PS: Sem falar na Gal!!! Mas essa a gente nem precisa citar. Garanto que ninguém lembra de Só Louco sem pensar na Gal.

  103. Exequiela- Corazón X - disse:
    Novembro 12th, 2008 at 2:30 pm

    Marcelo P. Se você me escreve em espanhol porteño, não posso negarme a decirte que SIII!! Es que no es cruel que termine el blog? Ya me tengo que empezar a construir un avión virtual para volver a Bs As sino voy a quedar varada en Brasil muy solita. Mejor irse lentamente en piloto automático.

    Rafael: Ya estoy mejor, gracias. Y También me da migraña el vino y soy amante del Malbec! Gracias a Caetano que existe el Migral!!

    Elegir la mejor canción… el mejor cantante… el mejor compositor…. qué tarea imposible!!!!! Además “el mejor” no va cambiando mientras vamos transitando la vida? Mi “mejor” de hoy definitivamente no mi “mejor” de hace 10 años.

    Envío en nombre de las taquicardias, bradicardias y arritmias un corazón delator cantado por Cerati en el Colón, especialmente para glauber que dijo que le gustan “los 11 episodios…” pero para todos los corazones:
    corazones delatores, corazones escondedores, corazones vagabundos, corazones vulgares, corazones saltarines,
    a los corazones que creen que no laten (y se equivocan)y a aquellas personas que tienen terror de que el corazón los delate. Si hay alguno por aquí, me gustaría decirle a ese corazón: “Abrí las esposas”

    CORAZON DELATOR http://www.youtube.com/watch?v=nsv7X98iZC4
    Un señuelo
    Hay algo oculto en cada sensación
    Ella parece sospechar, parece percibir
    En mi debilidad
    Los vestigios de una hoguera
    Oh mi corazón se vuelve delator
    Traicionandome
    Por descuido, fui victima de todo alguna vez
    ya lo puedo percibir, ya nada pueden impedir
    En mi fragilidad, es el curso de las cosas
    Hoy mi corazon se vuelve delator
    Se abren mis esposas

    Un suave látigo, una premonición
    Dibujan llagas en las manos
    Un dulce pálpito, la clave intima
    Se van cayendo de mis labios

    Como un mantra
    De mis labios
    De mis labios

  104. Gravataí Merengue disse:
    Novembro 12th, 2008 at 2:37 pm

    Minha música favorita de Caetano é “Reconvexo” e, salvo melhor juízo, nunca a ouvi em sua voz - nem sei de qualquer gravação que a tenha feito dessa música.

    É lindíssima, em primeira pessoa, com referências globais e regionais. Não sei se é a melhor ou pior. É a de que mais gosto, por razões pessoais, íntimas, emocionais, como costuma ser com a arte em geral e, comigo, a música em especial (”Baby”, por exemplo, tem um lugar reservadíssimo também por conta disso).

    Caetano, será que um dia você grava “Reconvexo”? Quem será que já teve a sorte de ouvi-lo cantar essa música?

  105. laurene disse:
    Novembro 12th, 2008 at 3:37 pm

    Oi, Caetano. Aprendi muito vc sobre nigger: é uma referência ao rio Níger, à Nigéria! Escreva uma canção em inglês usando essa palavra, recuperando-a! Vc faz isso maravilhosamente com o Peninha!

    Claro que só porque deram conotação pejorativa vc não vai usar. Meu marido, por exemplo, tem traços mongolóides e ascendência indígena. E hoje sabemos que a Mongólia não tem nada a ver com a síndrome de down.

    Tem coisa no blog dele aí em cima que se aproveita, como um artigo da Camille Paglia sobre Daniela Mercury e um sobre os intelectuais alemãesfrankfurtianos aceitarem Bob Dylan, mas nem tudo presta.

    Roberto: quando verdade tropical saiu, vi uma palestra de uma professora chamada Vera que disse que Caetas não era bom historiador da tropicália. Ela fazia coisas como apertar uma folha na mão e dizer: olha a dobra de Deleuze! E eu retruquei: imagine o que seria um depoimento de Napoleão sobre Waterloo! Verdade é Waterloo ás avessas. Caetano fez um generosíssimo romance de formação que ficou. Fica. Ficará.

  106. Patrícia disse:
    Novembro 12th, 2008 at 3:48 pm

    MU-LA-TO.
    Que palavra linda!
    O mais recente cd da Daniela Mercury, por exemplo, chama-se “Balé Mulato”. Achei um belo título. Ainda mais quando se trata de uma artista branca. Mas aqui na Bahia ser mulato vai muito além da cor da pele. É orgânico. Quer coisa mais mulata que dançar ao som do tambor e comer acarajé? Há tempos a mulatice se faz presente entre as classes sociais soteropolitanas. Acho Caetano tão mulato que poderia sair no bloco do Ilê! :)
    Dinheiro não… Beleza pura!
    beijos.

  107. Miriam Lucia disse:
    Novembro 12th, 2008 at 3:51 pm

    Caetano disse: MIRIAM MAKEBA merece homenagem especial. Nunca a esqueceremos. Isso para mim já teve um significado muito especial. Obrigada.

    Teteco, gostei muito dos teus coments sobre o mulo, sempre com muito humor levando sua mensagem, e deixando o dia com umas “petelecadas” engraçadas. Olha você esta vendo que estamos planejando uma festa, chamada pelo Nobile de Vitù (com direito a acento grave e tudo, coisa fashion) por isso pode ir se preparando, tirando o terno da naftalina ok? Não conhecia o Elpídio dos Santos, mas já andei pelo youtube e vi por lá algumas musicas dele, obrigada pela dica

    Gravataí Merengue, olha já pensei nisso também mas acho que seria precipitado a gente pensar nisso agora porque a coisa aqui ainda vai ate o começo de 2009, depois esta coisa de “caetanetes gotejantes” faz parte da historia do Blog e não sei se seria ético usa-la sem o consentimento de Caetano, ao mesmo tempo que pode existir um “engraçadinho” que o faça para se aproveitar da situação, vamos pensando…

    Julio Vellame: da mesma forma que se diz ôôôhhh loira gostosa, ou aquela morena é um avião, ou ainda que bunda tem aquela mulata e por ai vai…!

    Eu penso que o maior preconceito esta dentro de cada um, vai desde a verdadeira intenção de quem falou, passa por como foi dito, e como a gente acabou entendendo a coisa.

    Luiz Castello, achei muito carinhosa a tua lembrança deste paraibano maravilhoso chamado Sivuca, concordo com você que ele tem que ter também uma homenagem especial.

    Nando
    Eu na vida tenho muitas predileções, as vezes meus filhos não me entendiam quando eu falava esta musica é a minha preferida, depois vinha uma outra e eu dizia a mesma coisa, e eles questionavam, na verdade, me intimavam para que eu escolhesse 1 só, diziam que não era possível ter tantas musicas como sendo a predileta, e minha resposta foi: a minha musica predileta é a que estou escutando nesse momento, a que me toca dependendo do meu estado de animo, com tanta gente boa por este Brasil a fora para mim eleger 1 não da, agora, nesse momento estou curtindo a musica Foguete de Roque Ferreira e Jota Velloso, meigamente cantada por Bethânia (tudo de bom na vida! a musica toda é de uma poesia e sensibilidade que me fascina). Quanto a 1 musica predileta de Caetano, vale tudo que escrevi acima, gosto de tudo (bem gotejante mesmo) e atualmente ando curtindo muito este novo trabalho dele, A Cor Amarela, Perdeu, Falso Leblon, enfim o que anda ai disponível para gente escutar, mas devo confessar que tenho uma quedinha por Trem das Cores, que para mim é como um quadro, uma aquarela mágica que vai surgindo e eu imagino toda aquela paisagem que ele canta, algo que me leva a infância.

    Rosana já te achei, quer dizer espero que seja você! Agora te esperando, certo? E viu que a Heloisa sumiu? Acho que foi enfeitiçada pelo beijos carinhoso que levou do Caetano no outro post, sabe como é a princesa quando esta adormecida acorda com o beijos do príncipe, mas quando esta acordada pode acabar adormecendo, o que é que você pensa? (risos), vou te falar que a gente sente mesmo é saudades dela.

    Beijos a todos

  108. Nando disse:
    Novembro 12th, 2008 at 3:57 pm

    Faltou a minha maior do Caetano: “Um Índio” - seguida de muito perto por “Peter Gast” e a três araçás azúis de “Avarandado”, “Coração Vagabundo” e “Não Identificado”.

    Glauber: você leu “Rebelde entre os rebeldes”, do Arnaldo Baptista (Ed.Rocco)? Rapaz… se não leu, leia. Sua relação com a música não merece menos que o gozo de Luz contido no final desta pérola mutante!

    Falando em música intantil, quem ainda não teve a oportunidade de ouvir a trilha da 1ª versão do Sítio do Picapau Amarelo, fica a dica: um dos grandes albuns infantis (e não só) de todos tempos: um João Bosco alucinado em “Visconde de Sabugosa” (”Sábio sabugo, filho de ninguém, espiga de milho, bobo sabido, doido varrido: nobre de vintém”), Sérgio Ricardo mandando recado na barra pesada da época em “Emília” (”Pobre de mim/Emília, me traga uma notícia boa”) e muita riqueza instrumental, tudo com arranjos de Dori Caymmi e tema de abertura inesquecível do Gil; tem uma faixa dos Doces Bárbaros (”Peixe”), que era tema do Reino das Águas Claras. Impecável.

  109. Fernando Salem disse:
    Novembro 12th, 2008 at 4:16 pm

    Sobre canções e listas

    Oi Guido

    É verdade o que você disse: “Roda Viva não é uma canção tropicalista, como foi dito acima, no sentido de gênese”…

    Mas quanto ao que você diz em seguida: “ela não possui aquelas características de música atonal, dodecafônica” eu tenho que fazer uma observação.

    As canções compostas para os discos que acostumamos a chamar de tropicalistas não tem nada de atonal, nem de serialismo e dodecafonismo da Escola de Viena. Pelo contrário. São canções de forte apelo tonal e flertam com o cancioneiro mais pop-ular do mundo: Beatles, Luiz Gonzaga, Vicente Celestino, Roberto Carlos e Sinatra. Baby é um hit radiofônico bem tonal.

    Um dos grandes méritos dessas canções está nas harmonias com acordes consonantes em contraponto às sequências harmônicas complexas da Bossa-Nova (também tonais, mas quase impressionistas).

    A ruptura tropicalista está no discurso. Quando falo isso não estou me referindo apenas às letras. O arranjo de Duprat que “ilustra” a fala de Gil em Geléia Geral é um discurso.

    Os figurinos, a capa de Tropicália e de “Caetano Veloso”. O design pop de Rogério Duarte. A concretude do poema-visual de Bat Macumba. O cabelo de Gal. Nara como ela é. Tudo é discurso. Não usaria a palavra manifesto, embora caiba.

    Roda Viva “ficou” tropicalista porque se incorporou ao discurso pela sua história: Chico rompendo com a sua imagem e Zé Celso tropicalizando a canção.

    Quanto a essa história de a melhor música de todos os tempos “da última semana”, tendo a ficar aflito. A revista BRAVO elegeu 100. Há algumas que são consenso. Outras meio forçação.

    Só posso dizer uma coisa: CHEGA DE SAUDADE é a canção mais completa de todos os tempos.

    CARINHOSO, ÁGUAS DE MARÇO, ASA BRANCA e VOCÊ JÁ FOI À BAHIA são obras-primas.

    Mas CHEGA DE SAUDADE é a síntese estética mais impressionante que já escutei na vida. O encadeamento da melodia/harmonia (tão sofisticadas) e o encaixe da letra da paranormal.

    Ficaria dias falando sobre essa canção, mas é bobagem. Não gosto de rankings, nem de listas, nem de campeonatos, nem de festivais. Mas se o voto dessa brincadeira fosse obrigatório, iria às urnas por CHEGA DE SAUDADE. E se ela não fosse candidata, anularia meu voto. Odeio voto útil, adoro a Inútil Paisagem.

  110. glauber guimarães disse:
    Novembro 12th, 2008 at 4:18 pm

    exequiela,
    você acertou em cheio: corazón delator é minha preferida nesse disco. que letra, que melodia, que coisa poderosa…

  111. Fernando Salem disse:
    Novembro 12th, 2008 at 4:22 pm

    Cacilds

    Esse horário de verão ‘tá zoando a nossa conversa! Isso parece uma mesa branca! Tem nego adivinhando o que o outro vai dizer uma hora depois. Psicografia virtual!

    Viva o “espírito” tropicalista!

  112. glauber guimarães disse:
    Novembro 12th, 2008 at 4:25 pm

    salem,
    inda num li esse livro, cara. farei isso imediatamente. a trilha do sitio eh incrivel, impecavel como vc disse. joão bosco roubaria a cena ali, não fosse a genialidade de todos os outros participantes. ouço até hoje, gravei pra minha filhota, e ela adora!

    devíamos todos nos adicionar no MSN! hahahahahaha

  113. Fernando Salem disse:
    Novembro 12th, 2008 at 4:27 pm

    Oi Glauber

    De que livro cê tá falando? Ou definitivamente minha amnésia tomou conta, ou não citei nenhum livro. Mas mesmo assim, o leia “imediatamente”.

    abraço

    Salem

  114. Ricardo de Alcântara disse:
    Novembro 12th, 2008 at 5:19 pm

    O Brasil é o país do futuro: não é que vai chegar um futuro em que o Brasil vai ser o presente, é que o Brasil está num presente que é o futuro das outras gentes não-brasileiras; um presente em que a raça é humana e a cor é coisa que dá beleza e transcende.

    Um preto ou mulato governando o Brasil teria muito menos impacto para nós mesmos do que o nordestino pé-rachado operário paulistano que nos governa. Obama não será perfeito nem para os americanos, muito menos para o resto do mundo, o importante é o que ele e sua linda cor de pele significam. Esse é o choque que eles precisavam, nós tivemos o nosso, e que tudo sirva de lição (já que em nenhum dos casos o choque dá choque de verdade).

    “Afro-descentende” para designar os negros é mais um conceito abominável que nossa imprensa cega, burra, objetiva e “imparcial” importou dos E.U.A., quando eles pararem de usar lá, param de usar cá também.

    Nós ensinamos que nação não tem cor, tem jeito, e o nosso jeito é mulato de ser.

  115. Julio Vellame disse:
    Novembro 12th, 2008 at 5:33 pm

    Miriam Lucia: É mesmo. Pode ser que não tenha esse sentido, vou pensar sobre isso…

  116. Lucia Alves disse:
    Novembro 12th, 2008 at 5:56 pm

    Oi Quito do comentário 96:

    não, não foi sobre o seu comentário de preto de alma branca. Confesso que não leio todos os comentários aqui. Falei exatamente porque acho que há um patrulhamento exagerado com as expressões.

    Eu, que sou branca que dói (e gostaria de pelo menos ficar um pouco moreninha), acho que a branquinha, em qualquer lugar sou eu, como o Pelé era chamado de criolo pelos amigos, ou negão.

    A cor da pele é só a cor da pele. Como é a cor do cabelo, da camisa, etc.

    Esta expressão em particular - preto de alma branca - me irrita porque queria dizer que era um preto TÃO BOM quanto um branco. Vê se pode?

    Mas acho triste que principalmente no Brasil, o preconceito esteja ainda tão entranhado em nossas almas, pretas ou brancas. E brasileiro não gosta é de pobre, não de preto. Será verdade?

    Acho que o Obama, no Brasil, teria muito menos problema que o Obina. Será?

    Abraços a todos, até pro Caetano que continuou preferindo “do que”…

    Lilu

  117. Caetano Veloso disse:
    Novembro 12th, 2008 at 6:51 pm

    insessante?????

    o preto gaúcho lipicínio tem uma música chamada “judiaria”

    sim, glauber, amo profundamente a música de carnaval da bahia. é um dos maiores tesouros nossos (do brasil todo). “tum tum tum, meu coração/numa noite de luar”… o todo da coisa.

    sou um mulato nato no sentido lato etc. (alguém já lembrou aqui): o bacana é “mulato democrático”.

    eu sabia que obama tinha sido aluno de mangabeira desde. sabia desde o tempo em que a escolha obama ou hillary para candidato democrata ainda não estava decidida. foi o jorge mautner quem me disse.

  118. Lucesar disse:
    Novembro 12th, 2008 at 8:23 pm

    O mito do racismo cordial aqui resumido:

    nasci num lugar que virou favela
    cresci num lugar que já era
    mas cresci a vera
    fiquei gigante, valente, inteligente
    por um triz não sou bandido
    sempre quis tudo o que desmente esse país
    encardido
    descobri cedo que o caminho
    não era subir num pódio mundial
    e virar um rico olímpico e sozinho
    mas fomentar aqui o ódio racial
    a separação nítida entre as raças
    um olho na bíblia, outro na pistola
    encher os corações e encher as praças
    com meu guevara e minha coca-cola
    não quero jogar bola pra esses ratos
    já fui mulato, eu sou uma legião de ex mulatos
    quero ser negro 100%, americano,
    sul-africano, tudo menos o santo
    que a brisa do brasil beija e balança
    e no entanto, durante a dança
    depois do fim do medo e da esperança
    depois de arrebanhar o marginal, a puta
    o evangélico e o policial
    vi que o meu desenho de mim
    é tal e qual
    o personagem pra quem eu cria que sempre
    olharia
    com desdém total
    mas não é assim comigo.
    é como em plena glória espiritual
    que digo:
    eu sou o homem cordial
    que vim para instaurar a democracia racial
    eu sou o homem cordial
    que vim para afirmar a democracia racial

    eu sou o herói
    só deus e eu sabemos como dói

    Esta letra poderia ter sido escrita pelo escritor negro Solano Trindade que em 2008 faria 100 anos.

  119. Labi Barrô disse:
    Novembro 12th, 2008 at 8:37 pm

    Mas será o Benedito gente boa?
    Estou esperando para ouvir a música “incompatibilidade de gênios” e nada. Caetano disse amanhã ou depois mas até agora nada. E hoje já é depois de depois do dia que era depois.
    Enquanto isso no iPod ouço Dorival Caymmi.
    Eu comprei, há uns anos, aquela caixa “Caymmi, Amor e Mar”. Que lindo! É tão bom. Eu sou muito fã de Dorival. Eu chorei no dia que ele morreu. São tantas canções que tocam meu coração…Quem vai pra beira do mar, O bem do mar, Dora, O mar, A jangada voltou só, Noite de temporal, Marina, Suíte dos pescadores, Acontece que eu sou baiano, A lenda do Abaeté. Tudo lindo, maravilhoso. Caymmi sempre terá um lugar no meu coração. Quem não conhece trate de comprar. É bom demais.
    Caymmi combina comigo, mas o que combina com Brasília é Neil Young. Aí entra tudo na sequência do iPod: Lotta Love, Old man, Harvest moon, Saudades de Itapoã e …ops! Maria Bethânia, please, send me a letter. I wish to know things are getting better, better, better, betá, betá, betá Bethânia! Isso é bom demais.
    Veloso cadê a música pra gente votar?
    Bem, enquanto CV não vem, peço licença pra mostrar pra vocês um som que curto muito e que é daqui de Brasília. É uma figura chamada Renato Matos. Salém, cê conhece? Eu gosto muito dele.

    http://www.youtube.com/watch?v=vuJJQQBpPco

    http://www.youtube.com/watch?v=QHE9WknC_k4

    Brasília: 50 anos em 2010! Vai ser uma festa maravilhosa.

    http://www.youtube.com/watch?v=BVcJ_T-gQiw

    Labi Barrô, eleitora atenta, louca pra votar na música “incompatibilidade de gênios”.

  120. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Novembro 12th, 2008 at 9:04 pm

    Oi, IAURENE, não tenho pintado aqui com a presença e visceralidade de semanas atrás (motivos de saúde em família me subtraíram bastante tempo), e eis que entro agora para uma espiadinha e vejo você mencionando-me a propósito de Verdade Tropical. Outro dia também te vi rapidamente, em outra página, procurando tabelar com mais alguém sobre aquela entrevista de Caetano que postei, exatamente sobre o ponto da crítica de Roberto Schwarz ao Tropicalismo. Avisei lá que eu me interessaria por interagir mais a respeito. Até pretendo, sobre o assunto, em alguma comentação geral a qualquer momento, em página anterior, lançar algo na direção de vocês: mais um de meus textos “voadores”.

    Essa cena que você descreve, de sua professora em relação ao Verdade Tropical, só posso rotular assim: ‘esquivocada’.

    Nem se pode acusar Caetano de falta de distanciamento para lidar com a história, pois não é a tarefa explícita e “séria” de um historiador a assumida por ele. Ele se entrega a todos nós justamente como um personagem (maior) que encarnou parte relevante (a liderança) dessa história. E, no meu delírio, o “personagem” de que Caetano se traveste, fazendo um paralelo com a própria história do Brasil, é mesmo o de um outro e curioso Pero Vaz Caminha, assim como tentei pintar, e explico um cadinho mais: um escriba de uma Nova Carta que não despreza a nossa origem colonial, mas que, pelo seu próprio exemplo de vida, por sua trajetória artística e pública, nos desencaminha do fatalismo derrotista impregnado na formação de nossa civilização por essa herança colonialista, e flamula ao mundo através de um modo extraordinário - a canção - uma grandeza até então não de todo suspeitada para o nosso país: ambição legada que não podemos mais abandonar.

    Caetano como: “Pero Vaz Descaminha” - um prato cheio para um “cinema” de ‘reinvenção’ do Brasil. Que tal? Um filme de Júlio Bressane!

    _______

    Acessei Penetralia agora. Estou visitando a página com interesse.

    Tenho curtido muito o universo de referências que você tem trazido pra gente aqui.

    Tanto melhor se antes de terminar o combustível desta infocaetanave, e com inspiração no que encontrei curiando como as coisas rolam por aqui, pretendo lançar para a webosfera uma nave alternativa, a “Impertinácia”, uma revista web viva, nada impeditiva de que eu e os demais participantes possam continuar nesta nave, ou perambular pelo blogosfera embarcando ao mesmo tempo em outras, só para citar um exemplo, em Tom Zé.

    Sobre o nome e o propósito mais geral da revista, já andei falando várias coisas aqui em mais de uma página. E por e-mail e pelo Orkut venho já tabelando com alguns interessados, inclusive convidados de fora da naveloucaetânica. Tomara que essa minha orquidéia possa te interessar - você seria uma ótima companhia.

    Andei perguntando a ti, em outro lugar, sobre o “nome em si” de Altino Caixeta. Caso saiba algo - informe-me para o meu e-mail, indicado na página do meu perfil em meu blog.

    Estou preparando também uma canção para você, isto é, escolhendo uma canção pela qual quero que se lembre de mim como passageiro & tripulante desta infocaetanave.

    xxx

    Peço desculpas a ALLINMEDIA, pela grafia errada bem mais acima.

  121. Gravataí Merengue disse:
    Novembro 12th, 2008 at 9:07 pm

    Na minha opinião, é difícil - talvez impossível - dizer o que faz ou não parte da Tropicália. E chega a ser engraçado colocar esse sufixo “ismo”, tão refutado por boa parte de seus expoentes (Caetano incluído).

    Chico Buarque talvez tivesse reservas quanto a boa parte do que se fizesse na Tropicália, mas até que ponto “Roda Viva”, assim como foi gravada, não poderia fazer parte dos discos de Gil ou Caetano ou Gal ou Tom Zé? Em que difere das grandes músicas deles todos?

    Atonal? Dodecafônica? Não vejo esse tipo de regra acadêmica para ser ou deixar de ser do grupo. Isso me lembra aquelas coisas dos professores dos cursinhos pré-vestibulares, que por sua vez repetem algumas dissertações de mestrado de interpretação enviesada, que filtram a Tropicália usando lógicas acadêmicas.

    Como é que vão “academizar” o caos? Isso remete àquele texto do próprio Caetano em que contexta Ariano Suassuna (notem, é um debate de extremíssima altitude), quando o autor se propôs a debater de forma ‘lógica’ o postulado anárquico e obviamente ilógico ‘é proibido proibir’, resvalando para uma assertiva de Dosvoiévsky que tratava do ateísmo ou coisa assim.

    O papo inicial era bem simples e objetivo: uma questão de concurso público (ou seja, algo por excelência objetivo e técnico) exigia que se dissesse de forma clara que “Roda Viva” não era uma questão “tropicalista”. A meu ver, é estapafúrdio dizer isso, assim na lata. Assim como é estapafúrdio também dizer o contrário.

    Colocar a música nesse pão-pão/queijo-queijo dos concursos públicos é fazer pouco de algo que está muito além e acima da burocracia dessas provinhas.

  122. Gravataí Merengue disse:
    Novembro 12th, 2008 at 9:08 pm

    (jesus! onde se lê ‘contexta’, leia-se CONTESTA! :) )

  123. Nanda disse:
    Novembro 12th, 2008 at 9:48 pm

    Essa história de cor de pele, cor de cor me lembrou uma música linda que Caetano fez para um espetáculo do Balé do Teatro Castro Alves - Retratos da Bahia, em 1990:
    Chegar a Bahia
    Na hora no dia
    Que farol me indica
    me diz onde fica
    Chegar à Bahia
    Preto e Prata verei
    Preto e Preto verei lá

    Preto e Preto verei
    Cores, Cores verei lá

    Não é demais?

    Tem ainda “Bahia, minha Preta” que eu adoro.
    Minha música favorita de Caetano? ITAPUÃ
    Tenho guardado que ele fez prá Dedé, mas não sei agora se é verdade. Sempre adniti que fosse e para mim era a melhor declaração de amor que já tinha escutado. Se não for, prá mim fica sendo.
    Contei uma vez a Dedé que eu devia ter uns 6 ou 7 anos quando Caetano cantou Tropicália na TV. Minha mãe já era apaixonada por ele desde o programa de “A palavra é” que ele ganhava todas. Meu pai repetia tanto que Caetano era louco, que eu inverti as frases buscando dar sentido de loucura real e aí só cantava “sobre a cabeça os caminhões, sob os meus pés, os aviões…” Dedé riu à beça e disse que Caetano adoraria essa história. Vamos ver.
    Caetano, deixa eu aproveitar para tirar uma dúvida que me acompanha tb há séculos: vc gravou uma música assim: “tudo caminhando direitinho, coisa decidida, mas veio o destino e resolveu, agora se meter na nossa vida. Cheguei em casa/entrei no apartamento, qual foi o meu sofrimento, quando olhei tudo vazio.Mas vc não tem culpa, vctb não queria destruir, mas destruiu. É coisa do destino”.
    Tenho essa música guardada na memória como sendo cantada por vc, mas não consigo achar um sobrevivente que lembre disso (e eu lembro da musica toda)e não acho na sua obra nada que indique que ela seja sua ou que vc a tenha gravado. Hoje me dei conta que podia te perguntar isso aqui, que coisa louca esse blog. Eu nunca tive discos na infância, ouvia tudo no rádio.

  124. glauber guimarães disse:
    Novembro 12th, 2008 at 10:21 pm

    salem,
    quem falou do livro foi o nando. rock geriatrico eh isso aí!
    o poltergeist leprechaun tropicalista ta zoando.

    nando,
    lerei. valeu!

    teteco,
    conheço o pessoal da “catapulta”. todos meus amigos. gil, grande batera. banda competentíssima.
    tem tmb o filho de galvão, peu, excelente guitarrista e compositor e baía, do tihuana [filho do falecido fernando josé, ex-prefeito de salvador]. eh gente como um corno!

    abração, beautiful people.

  125. Heloisa disse:
    Novembro 12th, 2008 at 10:38 pm

    Caetano,

    Você pode não ter tido intenção consciente de ofender ninguém, mas na minha opinião foi o que aconteceu. Estranho ao espírito do português? Como assim? Você, que conhece tão bem nossa língua, sabe que ela não é uma só. E ainda diz que o erre ‘soa para nós, brasileiros, como algo ridículo.’ Que feio, Caetano. Os falantes do ‘aleijão’ devem se considerar, de acordo com seu comentário, não só ridículos, mas também não brasileiros? Sei que você fala de algo real – ah, como sei! Passei a maior parte da vida em um grande centro, e também sentia esse mesmo preconceito contra os falantes do erre retroflexo. Sempre defini a fala como determinante sociocultural, e por isso não conseguia imaginar palavras cultas produzidas com aquele som ‘engrolado’. Mas nada disso é verdade – hoje tenho alunos com doutorado, ou que se preparam para doutorado fora do Brasil, além de amigos formados na USP, amigos poetas, com cultura muito além da minha, de quem ouço com respeito o ‘odiado’ erre . Bonito não acho - mas é um sotaque tão válido quanto os outros, e como tal deve ser respeitado. Acontece que sou voz solitária aqui: meus amigos não gostam de você, e nem pensariam em ler seu livro. Mas eu - que aprendi a falar com o erre gutural, como o seu - tento, em vão, mudar sua forma de pensar – o que, estou certa, faria diferença no preconceito contra o outro erre. É uma pena que não consiga – mas quem sou eu, afinal? E nem adianta você lembrar a música: não sei bem a época em que ela foi gravada, mas o ‘aleijão’ tem data: 1997. Sei que a música foi antes - quando foi que você passou a amar o erre, então?
    Desculpe-me responder tão asperamente as suas palavras tão doces. Você não me convence, por mais delicado e encantador que seja. Mas não estou magoada. Afinal, ninguém pode ser tão perfeito assim – nem você, que quase é. Je t’embrasse aussi – sept mille fois.

    Lucesar: Obrigada por ‘Get out of town’. Adoro Cole Porter.

    Lucia Alves: Acho que Caetano usa ‘do que’ porque aqui ele escreve bem à vontade, quase como se estivesse conversando com a gente.
    Também me irrito com o ‘preto de alma branca’ – é o racismo cordial mesmo.

    Albertino: Caetano derrapou no tamanho da África, e ninguém mais comentou…Mas foi melhor do que a Sarah Palin, que achava que África era um país. :D

    Laurene: Gostei muito do texto em francês, que me lembrou este comentário sensacional que um Sam, de Chicago, escreveu em um blog:

    Nothing wrong with being a mutt. America is a nation of mutts and will increasingly be more mutty. Our new president simply reflects what’s already happening demographically. Eventually, though, the mutt will be the new breed.

    Miriam: Sumi por uns dias porque fiquei em estado de choque, só de pensar no fim desse blog. Fiquei emocionada de saber que fiz falta. E que comentário foi aquele a respeito da minha carinha no orkut? Não tenho nada de especial, você é que é muito linda.Beijo!

    Rosana: Já andei passeando por seu blog e gostei muito. Adoro como você escreve, de um jeitinho tão mineiro…Eu não sei escrever assim, com sotaque espontâneo. Beijim…

    Nando: Ai, ai, escolher uma música entre tantas maravilhas é tarefa muito árdua. Vou ter que pensar, e pensar muito! As suas são lindas: adoro todas.

    Gravataí: Redescobri ‘Reconvexo’ recentemente e estou apaixonada: para mim é uma das músicas mais fortes do Caetano. Ele não gravou, que eu saiba. Queria muito ouvir na voz dele também. Andei pelo seu blog: muito bacana.

    A todos os outros, um beijão. Escrevi muito porque estive meio sumida.

  126. Marcinha.ssa.ba disse:
    Novembro 12th, 2008 at 11:01 pm

    Olá pessoas!

    Salve Caetano!

    Na UNEB e em São Lázaro (UFBA), tem grupos de estudos sobre as questões da “negritude” e também de gênero… Vou indicá-los para passarem aqui e aprenderem com vocês na leveza e na multiplicidade de opções, pois aquela explicação etimológica/ sociológica/antropológica de mulata é horrível! Além da de gay!

    Socorro, Salém e Nanda: Minha mãe está aqui do meu lado e disse que lembra de quatro pichações de FAUSTINO:

    Faustino tem uma casa na ilha;

    Faustino usa camisa volta ao mundo;

    Faustino usa calça de tergal;

    Fautino é noivo.

    Adoro o João Ubaldo e essa do VERMELHO DE RAIVA é bárbara… Deve ser por isso que a militância do pt é tão raivosa!

    Heloisa e Patrícia, quando eu crescer, quero escrever como vocês! Vai demorar, mas eu “não deixo de querer conquistar”, com a licença do poeta!

    Nando: voto em “LINDEZA” , de Caetano, cantada por ele, claro… Embora com a Gal, seja muito bonita também.

    E prá terminar, ofereço essa página musical, com todo amor e carinho, pedindo que votem na minha canção:

    Lindeza
    Caetano Veloso
    Composição: Caetano Veloso / Pedro Aznar

    Coisa linda é mais que uma idéia louca
    Ver-te ao alcance da boca
    Eu nem posso acreditar
    Coisa linda minha humanidade cresce
    Quando o mundo te oferece
    e enfim te das tens lugar
    promessa e felicidade, festa da vontade
    nítido farol, sinal novo sob o sol, vida mais real
    Coisa linda, lua lua lua lua
    Sol palavra danca lua, pluma tela petala
    Coisa linda, desejante desde sempre
    ter-te agora um dia e sempre, uma alegria pra sempre…

    Anotou Nando?

    Beijos para todos e de forma especial para Caetano!

    Marcinha

  127. Edison disse:
    Novembro 12th, 2008 at 11:50 pm

    Um fragmento de um panfleto da nova era, escrito por Mautner, publicado em 1980: “Heráclito sambista negro das Américas da onde ele o sabe,é líder pois pratica intensamente este apostolado revolucionário sensual-racional tropical tão pouco enxergado ou apercebido pela grande maioria de seus próprios colegas e contemporâneos. Ultradiplomático, procura não demonstrar esta sua estranheza que advém justamente de sua supercapacidade de totalizar e englobar dados, como imensa esponja que recebe e emite, pulsa como estrela mulata que é, com máxima autoconsciência, o que lhe provoca sem dúvida, uma profundíssima e permanente angústia filosófica dos que portam o estandarte do ser, e não se deixam nunca fisgar por ideologias, ou reificações, é político-ideólogo máximo porque sabe que é artista e que a arte está situada antes das ideologias, sociologias, postulados…”

  128. Lina disse:
    Novembro 12th, 2008 at 11:54 pm

    Oi Caetano!

    Oi Gente!

    Assim como a Carolina ai de cima, quero protestar contra o fim do blog, e por favor, me avisem para onde vão todos, ok?

    Tenho 18 anos e acho tão estranho essa questão toda sobre negro e gay… Não entendo mesmo, não sei se porque sou baiana e desde que nasci meus pais, que são louros, usavam umas camisetas que diziam: Negro é lindo! 100% Negro! Eu sou Negão! Que transito sem questão… Assim como gay… Não entendo isso. Meu curso(Comunicação na UFBA) é MULATO, mestiço, misturado, com “gente de toda cor”…E de todo sexo também… Assim como meus amigos e meu tio Beto, que é gay assumido…Também vou pedir aos pesquisadores da UNEB e da UFBA passarem por aqui…Vocês estão dando uma aula e etinia e de gênero!

    Aliás, aula é aqui mesmo, pois o que eu aprendo…

    Amo Reconvexo e Bethânia cantando “é qualquer coisa” de muito, muito especial!

    Nando, não sei o hino nacional, vou pensar, mas se fosse o da Bahia, já teria a princípio duas opções, seria CHAME GENTE, pois essa música traduz o verdadeiro espírito da Bahia quando diz: “Alegria, alegria é o estado que chamamos Bahia”… E a outra é uma música bem antiga que a Bethânia gravou que se chama “A BAHIA TE ESPERA”… É linda!

    No mais, beijos!

  129. Marilia Castello Branco disse:
    Novembro 13th, 2008 at 12:35 am

    Lembrando que crioulo também não tem nada de pejorativo: Crioulo é a cria da terra, os filhos da América. Brancos, pretos, mulatos, marrons, bombons, amarelinhos, sararás, caboclos, roxinhas e todos os lindos nomes que os brasileiros tem para descrever suas próprias cores, somos todos crioulos.
    Sardenta, costumo me declarar malhada.

  130. Carolina disse:
    Novembro 13th, 2008 at 12:41 am

    Protesto quanto ao fim do BLOG… Eu não terei tempo pra me tornar uma Heloisa ou um exequela…Não consegui ler tantos comments, nem consigo conversar com o post.
    Mas gosto de saber que a qq momento quando abrir o MEU blog vai pintar uma atualização longa e confusa do seu.
    Essa infinitude que cabe nas relações que se formaram com a internet e que a tornam mais que um instrumento de expressão(pra mim esse espaço é um amplificador de idéias democrático e Lúdico.
    Digo Lúdico porque muita gente fala: Mas vc acredita que é o Caetano mesmo? E eu respondo que não sei, mas gosto de fazer de conta que é. E pra mim isso basta).
    Nesse sentido, eu que pensei que esse canal aberto assim permaneceria,entretanto o descubro (repentinamente)limitado e que as inúmeras possibilidades de revisitá-lo reconstruí-lo e desconstruí-lo deixarão de ser uma opção.
    Terei, então, que me contentar com os perfis Fake do orkut…
    Por Enquanto vou acompanhando a obraemprogresso, feliz e crendo na possibilidade de que vc esteja aí, seja lá quem vc for!
    Ja estou com saudades e torço pra que vc não consiga se desligar.

  131. Nando disse:
    Novembro 13th, 2008 at 4:00 am

    Nana: genial o comentário sobre o coqueiro que dá coco! Ary Barroso visionário!

    Gravataí, morra de inveja: já ouvi Caetano cantando “Reconvexo” praticamente na porta da casa dele em Santo Amaro, num dos imperdíveis shows anuais de 2 de fevereiro que acontecem (ainda acontecem?) por lá.

    Todo mundo: obrigadíssimo pelos votos. Quanta coisa linda, hein?!

  132. Nana disse:
    Novembro 13th, 2008 at 4:33 am

    Oi!

    Adorei o post Caetano, você é brilhante, como sempre! Adoro os comentários, são maravilhosos!

    Também aprendo muito, mas não vou entrar nessa de me sentir ofendida sem alguém disser que “deu um branco”… Eu quero todo mundo junto, seja preto, branco, amarelo e até vermelho… Eu adoro MU-LA- TO, adoro! E o cd da Danila também Patrícia! E amei o Teteco com sua explicação árabe de mula, muito, muito interessante!

    Nando, eu voto pela Aquarela do Brasil e nesse momento de tantas mutações genéticas, é bom um “coqueiro que dá coco”, rs!

    Gilliatt, essa música foi gravada por Caetano e Jane Duboc? Deve ser linda! Dê notícias, tá?

    Abraços a todos!

  133. Elena disse:
    Novembro 13th, 2008 at 4:47 am

    Oi gente!

    O post e os comentários estão demais!

    Affonso Leitão/RJ - lendo seu comentário, me veio uma frase de uma música “prá saber seus segredos serei baiano também”… Muito legal sua viagem!

    Nando, ainda estou pensando no hino, mas se você quiser registrar o da Bahia, voto naquela música que diz”…eu queria que essa brincadeira fosse eterna, quem sabe um dia a paz vence a guerra e viver será só festejar”…

    No mais, odara!

    Elena

  134. Marcelo Porciuncula disse:
    Novembro 13th, 2008 at 5:00 am

    Todos

    Quando o blog terminar teremos o cd pronto. É uma compensação e tanto, não?
    Como em outras palavras disse alguém em algum lugar (procurei com a ajuda do “localizar” mas não encontrei): se as coisas boas se prolongassem indefinidamente no tempo elas não nos dariam a oportunidade de desfrutar com tranquilidade de outras tantas, igualmente boas, que sempre terminam por aparecer. Porque coisa boa nos absorve, captura, sequestra. Uma coisa boa tem inveja de outra coisa boa, ela nos quer só pra si. O melhor a fazer me parece ser relaxar e deixar rolar.

    O Rio Grande do Sul nos deu pelo menos 3 brasileiros incríveis “de cor”: Lupicínio, Ronaldinho Gaúcho e Daiane dos Santos. Deveriam levar adesivos onde se pudesse ler: “Também temos negros, graças a Deus”.

    Exequiela

    Me encantó escuchar tu ´SÍÍ´… Gracias. Y gracias también por el corazón delator que trajiste vos… Un corazón delator en BsAs, cantado en el Colón, muy fuerte…

    Janio e Nanda

    Logo que aprendi a ler (final dos anos 70) pude ver escrito em um muro perto de casa: “Faustino leva bombons pro chefe”.
    Eu tinha esquecido isso e adorei ter sido levado a lembrar. Obrigado.

    Glauber

    Salvador é mesmo sensacional. Lá pelos anos 80 li no Garcia, onde eu estudava, a seguinte pichação: “As mulheres da Curva Grande não gostam dos homens do Pau Miúdo” Ri muito!
    Atualmente só tenho visto aquelas assinaturas esquisitas, decifráveis por quem assina ou por quem está enturmado com a linguagem dos pichadores (são talentosos esses caras!).

    Heloísa

    Senti sua falta. Pensei que você nops tivesse deixado antes do blog acabar. Felizmente me enganei.

    Nando

    Viva o Sítio do Pica-Pau Amarelo! Viva também Os Saltimbancos!

    Sempre me vejo diante do desafio bobo “qual a melhor música/filme/livro?”
    Muitas vezes me pego pensando sobre “se eu tivesse que escolher uma única música, um único filme, um único livro, como faria?”
    É engraçado, não preciso me colocar essa questão, mas ela me surge com bastante freqüência, proposta por mim mesmo. E nunca consegui respondê-la sem que pouco depois me viesse uma sensação de arrependimento. Como se eu anteriormente tivesse afirmado algo que não me correspondesse mais. E aí me pergunto mais uma vez, como em uma tentativa de organizar, “desta vez em definitivo”, a lista final. Estabeleço novos critérios (beleza, importância histórica, etc.) e refaço tudo. Mas a angústia se repete. Não aprendo, faço isso sempre (será que tenho TOC?). E agora me vem você com esse tema!
    Bem, pelo menos me permita escolher 3 músicas, preciso dessa colher de chá.
    Além disso, exijo também poder estabelecer 4 categorias (e são 3 músicas para cada uma delas…rs).
    Ah, e não posso esquecer um detalhe importante: as 3 músicas que citarei estão no mesmo patamar, ou seja, medalha de ouro para todas, combinado?
    As 3 mais de Caetano: Avarandado, Quem me dera e Oração ao Tempo.
    As 3 mais da MPB (Caetano não vale): Sem Fantasia (Chico), Canto Triste (Edu e Vinícius) e Clube da Esquina 2 (Milton e Lô Borges).
    As 3 mais do carnaval da Bahia: Frevo Mulher (Zé Ramalho – seria a letra de Amelinha?), Bloco do Prazer (Moraes Moreira e Fausto Nilo) e Faraó (Luciano Gomes).
    As 3 mais do rock brasileiro: Agora só falta você (Rita Lee e Luis Sérgio Carlini), Ouro de tolo (Raul) e Passamos por isso (Marcelo Nova e Karl Hummel).

    E me deixe teclar logo “Comentar” antes que eu refaça tudo.

    Abraços

  135. Mille disse:
    Novembro 13th, 2008 at 5:02 am

    Oi gente,

    Realmente a aula cantante e dançante está maravilhosa… Sou a favor de políticas afirmativas, mas elas não precisam ser “amuativas”, podem ser lúdicas, como aqui.

    Teteco dos Anjos e Marília Castelo Branco, obrigadíssimo! Mula e Criolo, devia até virar nome próprio de tão lindos que são!

    Nando, voto em Aquarela do Brasil com Elis!

    Beijos,

    Mille

  136. Guido Spolti disse:
    Novembro 13th, 2008 at 5:16 am

    objetivamente falando “Roda Viva” não é uma canção tropicalista, e, pra efeito de vestibular está certo dizê-lo, é como pedir pra diferenciar entre “um tipo” da jovem-guarda e “um tipo” da música de protesto, assim RODA VIDA NÃO É UMA CANÇÃO TROPICALISTA, Poderia ser se passasse por uma desconstrução, algo como “SALEM” (?) falou em Carolina; não sou músico, mas quando falo em atonalidade e dodecafonia (alguém por aí entortou o nariz?) quero dizer o que todos sabem, a tropicália, especialmente com DUPRAT, mas não somente com ele, deformou, descon(s)certou o som; assim NÃO DÁ, sonoramente falando (e não só sonoramente visto RODA VIVA se aproximar muito mais, em sua proposta texto/contexto, do aspecto nostálgico “do sujeito emepebista”, diferentemente do desconstrutor, bricouler do tropicalista). Assim, não dá pra colococar Roda Viva, de um modo mais objetivo como canção tropicalista, ela não possui a desconstrução tonal e nem frasal de uma maravilhosa MARGINÁLIA II. O MELHOR É DESINVENTAR e NÃO INVENTAR TANTO, senão, daqui a pouco vou dizer que O PORTÃO do Roberto Carlos é tropicalista, essa não é nem que o Caetano e “os outros” tropicalistas queiram! Será?

  137. Guido Spolti disse:
    Novembro 13th, 2008 at 5:40 am

    AMO “É PROIBIDO PROIBIR” e quando ela nos remete para o que possa significar ou não significar este “refraozinho” fico ainda mais encantado! Já votei nela como uma “das maiores” (logo a canção que Caetano diz não gostar, que lástima!)! Fico grato ao moço (Gravataí Merengue) pela lembrança do texto “Dostoieviski, Ariano e Pernambucália” por vários motivos, um deles é que em Caetano falar em Pernambucália, remete a uma discussão histórica do legado tropicalista ter partido “exclusivamente” da Bahia, o papo do “grupo núcleo”, Torquato em Segundo Plano, Jomar Muniz (será esse o nome do poeta?)essas coisas de Caetano ser ou não ser o mentor da Tropicália (adoro este papo), o outro, é esta coisa de religião/ética/moral e coisa e tal. Peguei um excerto ao acaso de modo dada: eis

    “Mas o refrão “É proibido proibir” não carece dessas ressalvas. Ele simplesmente não pode ser tomado por outra coisa que não um paradoxo irreverente, a menos que se parta de uma atitude intelectualmente desonesta. De qualquer forma, mesmo que, pérfida ou ingenuamente, tentemos tomá-lo ao pé da letra (mas como, se ele é uma letra que emenda o pé na cabeça e não pára de girar?), da idéia de proibir todas as proibições não se deduz necessariamente o ateísmo. Ao contrário, se tivermos coragem de pensar como Sartre, é a responsabilidade moral do homem que implica a impossibilidade de Deus. Tudo bem, Sartre está fora de moda, mas é espantoso que um autor tão erudito como Ariano o desconheça tanto, ou o entenda tão mal. De fato, num texto escrito durante a guerra, Sartre desenvolve uma argumentação em torno da questão da moral, em que se lê: “O homem encontra por toda parte a projeção de si mesmo, tudo o que encontra é a sua projeção. A esse respeito, o que podemos dizer de mais definitivo sobre uma moral sem Deus é que toda moral é humana, mesmo a moral teológica”. Quando cita diretamente a frase de Ivan é para observar: “Dostoiévski escreveu: ‘Se Deus não existe, tudo é permitido’. É o grande erro da transcendência. Quer Deus exista ou não, a moral é um assunto ‘entre homens’, no qual Deus não mete o bedelho. A existência da moral, na verdade, longe de provar a existência de Deus, mantém-na à distância”.

  138. Caetano Veloso disse:
    Novembro 13th, 2008 at 5:55 am

    Heloísa,
    que bom que não foi por raiva de mim que você demorou a reaparecer. Embora estivesse revoltada com minhas voltas em torno do “aleijão”. A música “A Outra banda da Terra” é do início dos anos 80. Mas não sejamos tão lineares. O amor que demonstrei ali só fez crescer desde então. Nem por isso deixei de escrever o que escrevi em “Verdade tropical”. E não vejo nenhuma incompatibilidade entre o que ali disse (ou a explicação que esbocei aqui) e o fato de grandes inteligências e obras se desenvolverem em falantes do erre retroflexo. É preciso separar duas coisas: em “Verdade tropical” narro o que se passou e o que pensei a respeito. Aqui somei à afirmação de que amo o erre retroflexo e odeio quem deseja humilhar os outros à confissão de que não creio ser possível, nem benéfico, querer-se dizer que os sotaques todos se equivalem. Ou que todos os aspectos de todos os sotaques têm peso idêntico. O mesmo para as variações gramaticais. Amo o sotaque nordestino e sei que ele não é empecilho para o desenvolvimento de um Suassuna, de um Gilberto Freyre, de um João Cabral. Mas a diferença real que ele representa não se nega. A consciência da difereça de status pode servir de inibidor ou de estímulo (ou ambos). Mas não suponho ser bom que se finja que ela não existe. Mas, como disse, ainda não voltei ao texto do meu livro. Gosto muito do pessoal que escreve aqui. Alguns às vezes mais que muitos. Você, Heloísa, eu adoro. Adoro sua clareza, seu cuidado, sua inteligência calma, tudo. (Amei o modo como você se referiu ao comment de Marcelo Porciúncula sobre axé music.) E claro que sei que a língua não é uma só. Os falantes do erre retroflexo são tão brasileiros quanto os outros. Alguns podem nascer e morrer sem nem saber que há quem ache estranho seu jeito de falar. Hoje isso é mais difícil de acontecer. Quando o falante se vê no quadro geral, encontra a estranheza que causa e sente a pressão da tendência para o padrão (ditado pela concentração de poder das áreas privilegiadas econômica, política, historicamente - sendo que esse privilégio, aliás, tem conseqüência na formação do sotaque dessas áreas). Não há nada de mal em você, por exemplo, não gostar do inglês dos pretos americanos (que eu adoro), embora justamente estes sejam objeto de discriminação. Se você fosse descrever, francamente, que aspectos das pronúncia ou da prosódia ou da sintaxe desses pretos a desagradam, dificilmente estaria a salvo de cometer algo que parecesse (ou fosse, como nunca disse que não é) tão ofensivo quanto as palavras que usei ao descrever o drama do erre retroflexo no Brasil. Não se trata de você mudar minha forma de pensar. Com um bom argumento, isso sempre é possível. Mas o fato é que não discordamos. Apenas nos equivocamos. Precisamos limpar a área. Você diz que antes cria ser a fala determinante sociocultural e que aprendeu (com surpresa) ser possível um falate do erre retroflexo se tornar doutor, cientista e poeta. Pois eu, que venho de uma cidade pequena do interior da Bahia, nunca acreditei nisso. Nunca tive que passar por esse aprendizado. Minha canção “A Outra Banda da Terra” pôde ser escrita antes de “Verdade tropical” porque eu nos anos 80 já podia achar bonito o sotaque do interior de São Paulo - coisa de que você ainda hoje (como você mesma declarou) não é capaz. Escrevi tudo aquilo no livro porque me sentia livre do preconceito, embora reconhecendo-o na sociedade em que vivo (em mim mesmo) e não desejando denegá-lo. Esse medo de dizer “falou errado”, “mulato”, “judiaria” é, muitas vezes e em larga medida, sintoma de dificuldade íntima de aceitação da alteridade. Vamos nos aramar melhor para enfrentar quem gosta de humilhar, inibir, torturar. Estar livre de um preconceito não implica não reconhecer em que medida ele passa também através de você.
    Vai aqui outro beijo terno e doce, embora tenha falado sério.

  139. Patrícia disse:
    Novembro 13th, 2008 at 5:59 am

    Música brasileira mais bonita:
    Voto em “Como Nossos Pais”

    Música do Caetano:
    Pôxa… Difícil, mas “Trem da Cores” é primorosa.

    Música baiana:
    “Baianidade Nagô”, “Ilê Pérola Negra” e “É d’Oxum”.

    beijos a todos.

  140. Maria João Brasil disse:
    Novembro 13th, 2008 at 6:32 am

    Nando,

    Eu não tenho a música mas tenho a frase:
    “E a coisa mais certa de todas as coisas, não vale um caminho sob o sol.”

    PS. Vê lá meu comentário no axé.n.26…

  141. glauber guimarães disse:
    Novembro 13th, 2008 at 6:34 am

    pessoal, como eh bom dormir cedo e acordar cedo. passa das 5:30h aqui e o sol já nasceu. lí tudo, como sempre. tô aprendendo muito aqui. AC/DC [antes de caetano/depois de caetano, hahaha].

    um amigo me ligou e disse: “cara, vc vai lá no blog de caetano e escreve em internetês??? com aquelas pessoas tão cultas…podem pensar que c não sabe escrever direito.”

    adequo-me ao veículo, claro. mas, exequiela [que não é daqui], se meu internetês lhe dificultar o entendimento do que digo, passo a usar o português correto, ok?

    inté, moçada!

  142. araça blue disse:
    Novembro 13th, 2008 at 7:03 am

    fim…

    é o fim
    mas o fim
    é demais também

    tudo de bom este blog!

  143. Lucia Alves disse:
    Novembro 13th, 2008 at 7:31 am

    Oi Heloísa,

    anos e anos (e bota anos nisto) indo a todos os shows de Caetano, tendo o prazer de falar rapidamente com ele algumas vezes, e sempre tive inveja profunda de quem conversa mesmo com ele!!

    E duvido muito que ele não considere conversar usando a melhor das palavras, mesmo quando fala sozinho.

    Esta distância entre o “escrever certo” e “falar certo” só deveria existir pra quem acha um sacrifício, acha cansativo o uso correto da Língua, que não é o caso do Caetano.

    Dele sempre vou esperar mais. Fui mal acostumada!

    Sobre alguns sotaques nos soarem ridículos, eu, que sou neta de portugueses, cheia de tios manoeis, joaquins, franciscos, todos falavam muito engraçado, mas nos acostumamos com o “Serrrrrrrrrgio” que minha vó falava.
    Mas que cada vez que o lindíssimo craque Figo aparece falando em uma entrevista, não tenho como não lembrar de um padeiro português. ou de um dos meus tios…rs.

    Abraços cordiais,

    Lilu

  144. laurene disse:
    Novembro 13th, 2008 at 7:35 am

    Oi, pessoal. Roberto, obrigada pela atenção. Nessa postagem aí embaixo comenta-se a canção Dans Mon Ile e a interpretação de Caetano, que é chamada de “divine”

    http://zoreillesencoin.blog.fr/2006/08/26/eh_ben_non~1070275

  145. junior taques disse:
    Novembro 13th, 2008 at 8:03 am

    Puxa vida, fui ontem ao show do GIL (BANDA LARGA CORDEL). e ele é realmente LUMINOSO. maravilha!

    realmente, vcs são fodas!

    Em tempo:

    que preto, que branco, que índio o quê?
    que branco, que índio, que preto o quê?

    aqui somos mestiços, mulatos, cafuzos, pardos,
    mamelucos, sararás, crilouros, guaranisseis e judárabes

    somos o que somos
    INCLASSIFICÁVEIS, INCLASSIFICÁVEIS
    (…)

    arnaldo antunes

  146. Bruno Guimarães disse:
    Novembro 13th, 2008 at 8:51 am

    Li que uma americana fora morta pela Ku Klux Klan na Lousiana… A América mostra seus lados antípodas em menos de uma semana. Tecnicamente falando, o termo “negro” é muito mais racista do que “´preto”. negro é raça, preto é cor, certo?! Depois do mapeamento do genoma, ficou cientificamente comprovado que só existe a raça humana,e que os homens se “diferenciam” (aspas, muitas aspas) tão somente pela cor da pele, o que torna o termo “preto” muito mais adequado. Mas isso é dizer o que todos já sabem. “Na prática, a teoria é outra” e a vitória de Obama tem valor histórico inquestionável. Só escrevi porque fiquei triste com o ocorrido com a KKK…. pobres americanos pobres na noite da louisiana….

  147. Gilliatt disse:
    Novembro 13th, 2008 at 8:55 am

    Nana: graças à Evangelina, que postou a letra inteira de Mansidão e lembrou que foi gravada em 82 pela Jane Duboc, cheguei a esse site, em que dá pra ouvir um trechinho da música:

    http://www.discosdobrasil.com.br/discosdobrasil/consulta/detalhe.php?Id_Disco=DI00268

    Sua sacação do coqueiro que dá coco é imperdível! rsrsrs

    Beijos.

  148. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Novembro 13th, 2008 at 9:03 am

    BOM DIA AOS NAVELOUCAETRINETLÂNTICOS!

    Passei parte da noite enveredado na releitura que faço de Verdade Tropical. Acabei de despertar, meio pleno de tudo, feito Ney Matogrosso proferindo - em enigmática canção - os seguintes verbos bem agudos:

    BANDOLEIRO
    (Composição: Lucina e Luli)

    Fossem ciganos a levantar poeira
    A misturar nas patas
    Terras de outras terras, ares de outras matas
    Eu, bandoleiro, no meu cavalo alado
    Na mão direita o fado
    Jogando sementes nos campos da mente
    E se falasses magia, sonho e fantasia
    E se falasses encanto, quebranto e condão
    Não te enganarias, não te enganarias
    Não te enganarias, não!
    Fossem ciganos a levantar poeira
    A misturar nas patas
    Terras de outras terras, ares de outras matas
    Eu, bandoleiro, no meu cavalo alado
    Na mão direita o fado
    Jogando sementes nos campos da mente
    E se falasses magia, sonho e fantasia
    E se falasses encanto, quebranto e condão
    Feitiço, transe-viagem, alucinação… Miragem!

    -Ouçam-na, clicando com o botão direito o seguinte link, e abrindo a página com as gravações em outra janela:

    http://b.radio.musica.uol.com.br/radio/index.php?ad=on&ref=Musica&busca=Bandoleiro&param1=homebusca&q=Bandoleiro&check=musica&x=42&y=11

    N.B.: Aproveitem e confiram a partir dessa página também a imperdível “Amor Bandoleiro”, na voz de Joelma, com a Banda Calypso”. Imaginem um clipe do grupo cantando a canção na recepção da esquadra de Pedros Álvares Cabral durante atos oficiais do Descobrimento do Brasil. E que o dia lhes seja leve, devertido, amoroso, instrutivo!

    _______

    LINK PARA O CONTEÚDO ORIGINAL DA CARTA DE CAMINHA (

    -Experimentam lê-la como se proferida com a voz e, sobretudo, no tom tropicalista de Caetanino:

    http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/carta.html

    P.S.: Acho que em algum lugar, por certo num vídeo, Caetano andou já declamando um trecho da Carta. LUCESAR, que tem mais tempo do que todos nós juntos pra antologizar e compartilhar links, o conseguiria para nós?
    ______

    NOTINHA DE CURIOSIDADE PÚBLICA:

    NÉLSON foi abduzido? TYRONE, mais outra vez, também?

  149. Marcelo Porciuncula disse:
    Novembro 13th, 2008 at 9:04 am

    Heloísa

    Li agora o comment de Caetano e fui atrás da referência feita por você ao meu depoimento sobre música baiana. Eu não a tinha visto.
    Um elogio vindo de você é realmente uma alegria.
    Obrigado, e Axé!

    Pessoal

    Não posso deixar de sugerir que escutem João Gilberto cantando “Estate” nesse vídeo. Fora de qualquer lista, hours concours. A coisa mais linda que pode existir.

    http://www.youtube.com/watch?v=ZC19UZcqQwY (o som está um pouco baixo, aumentem o do computador)

    Um país que tem um cara como esse não pode perder pra ninguém.

    Beijos

  150. glauber guimarães disse:
    Novembro 13th, 2008 at 9:08 am

    hermano,
    penso que os posts de caetano e todos os comentarios, ao final do obraemprogresso, devem ser guardados por vc num arquivo desse momento, definitivamente, historico. mesmo que não se possa acessar, ler na net. o importante eh que vc tenha isso guardado.

    c ja deve ter providenciado isso [os irmaos vianna têm 5 cerebros, cada um!].

    sua modestia lhe impede de publicar este comentario, hahaha

    sinto falta de vc comentando mais, mais sei que c ta trabalhando duro aí. serás canonizado!

    abraço no seu irmão [herbert, pra quem nao sabe] que eh um compositor espetacular, grande guitarrista e letrista.

    bora-bora!

  151. tyrone medeiros disse:
    Novembro 13th, 2008 at 9:12 am

    OI

    Roberto!!!!!!!!!

    Estou mais lendo que escrevendo.

    Adorei a citação de BANDOLERO, nao BANDOLEIRO - é uma gravação lindissima de Ney Matogrosso da década de 70.

    _____________________________________________-

    Gilberto Gil na década de 70 tb… gravou uma no disco com Germano Mathias :

    Não sou de briga
    Mas estou com a razão
    Ainda ontem bateram na janela
    Do meu barracão
    Saltei de banda
    Peguei da navalha e disse
    Pula muleque abusado
    Deixa de intriga pro meu lado

    Minha nega na janela
    Diz que está tirando linha
    Êta nega tu é feia
    Que parece macaquinha
    Olhei pra ela e disse
    Vai já pra cozinha
    Dei um murro nela
    E joguei ela dentro da pia

    Quem foi que disse
    Que essa nega não cabia?

    ____________________________________________

    me lembrei dessa agora…

  152. glauber guimarães disse:
    Novembro 13th, 2008 at 9:13 am

    rolou um odioso “mais” no lugar de “mas”. foi mal, seo aurélio, haha.

  153. Miriam Lucia disse:
    Novembro 13th, 2008 at 9:14 am

    Caro Nobile, dei uma lida em todos os comentários e com relação a musicas infantis não vi nenhum que falasse de Saltimbancos de Chico que é uma gracinha, nas vozes de Nara Leão, MPB-4 e do próprio Chico, da mesma forma não vi referencia sobre Plunct, Plact, Zum do Raul Seixas, segue ai pra você um site com algumas opções de musicas infantis que achei bem legal.

    http://www.musicas10.com.br/infantil.html

    Olha eu tive uma experiência muito legal com as minhas crianças com a compra de um teatro de fantoches grandes e fantoches de dedos (inclusive ontem vi um aqui numa loja e me lembrei de você), eles mesmos eram quem criavam as estórias, com direito a fundos musicais e tudo, no final se libertaram do teatrinho de pano e improvisaram muitas outras estórias, confeccionando fantasias e pinturas faciais para interpreta-las, eles sempre foram muito incentivados em todas as suas apresentações, a gente sempre estava presente, isso quando não convidávamos amigos nossos (adultos) para assistirem também. Era uma farra!

    Nando Adoro o Pica Pau Amarelo! Como falei de Caetano não sei o que dizer, Índio é maravilhoso, mas A Luz de Tieta é algo, mas Alegria, Alegria, Atrás do trio elétrico, e A Filha da Chiquita Bacana, desde que o samba é samba, e por ai vai.

    Falando em João Ubaldo Ribeiro, esta questão de muitas cores eu acho mesmo horrível ainda mais aquela expressão que se usam para os pretos (que ainda não vi por aqui) que ele é uma pessoa “de cor” a propósito disso outro dia ate recebi um vídeo por e-mail muito interessante sobre tema, onde o negro vai narrando a vida dele dizendo quando nasci era preto, quando tomo banho gelado sou preto, quando tenho medo sou preto, quando sinto raiva sou preto e assim vai, depois coloca o branco e começa quando você nasceu era rosa, quando toma banho gelado fica azul, quando tem medo fica amarelo, quando tem raiva fica verde e assim vai, e no final conclui: e você ainda tem coragem de me chamar de “homem de cor”? Fala sério existe alguma coisa mais separatista do que esta?

    Heloisa fiquei feliz de te ver por ai, compreendo o que você fala em ficar em estado de choque por causa do termino do blog, mas gostei desse negocio de você levantar e sacudir a poeira e voltar com toda esta força que lhe é peculiar.

    Beijos a todos

  154. Marcio Ulisses disse:
    Novembro 13th, 2008 at 9:14 am

    Aprendi desde a escola primária que mulato é a mistura de negro com branco, caboclo, mistura de branco com índio e mameluco negro com índio. Sou mulato, e sempre me orgulhei disso porque me considero como a cara do Brasil. Para mim nunca me soou pejorativo. mas é uma expressão na verdade pouco usada pelo povão. O povo prefere falar moreno a mulato ou mesmo a negro. Já a palavra caboclo, assume pelo menos aqui em Pernambuco nos tempos atuais um pouco pejorativa pois tem conotação de entidade do candoblé. Mameluco nunca usei e também nunca ouvi sendo usada. A eleição do Obama nesse aspecto do preconceito racial realmente é um grande marco para a história. Gostei dele desde a primeira vez que vi. Gosto muito de sua voz megalofônica e realmente espero que a política externa norte-americana vá passar a menos agressiva. E isso pode ser o primeiro passo para a diminuição do terrorismo, que chegou ao ápice com o odiado Bush.

  155. Maria disse:
    Novembro 13th, 2008 at 9:21 am

    Só um mulato nato.
    No sentido lato. Mulato democrático,
    Bonito. Delicado. Leonino genial,
    para me tirar de leitura como:
    …Para Bakhtin, os gêneros, as linguagens e até mesmo as culturas em sua totalidade são suscetíveis à “iluminação recíproca”. No poema-canção “Língua”, Caetano Veloso cria um texto eminetemente dialógico, tanto no aspecto literário como musical., que ilustra admiravelmente a iluminação recíproca das línguas, gêneros musicais e mesmo das culturas como um todo. Seu ponto de partida é um traço característico da música popular e da arte brasileira em geral: a tendência, nu8m país de raízes culturais múltiplas, de contrapor dois gêneros ou duas tradições - por exemplo, o fado português e o samba-canção (como no Fado Tropical, de Chico Buarque), o samba e o rock, o reggae e o bolero, a música sertaneja e o calipso, e assim por diante.. Eis um trecho de “Lingua”: Gosto de sentir a ……………..” (Da Teoria Literária à Cultura de Massa - Robert Stam, pág, 76)

    E Para aqueles já saudosos com o blog,inclusive eu, aqui vai uma música.

    http://www.youtube.com/watch?v=KiU6B4rEVhs

    Mas isso não quer dizer acomodação.People, vamos pedir, protestar, gritar, calar, vamos às ruas, deixar como deve ser também :)))))))))

    abraços a todos.
    Maria

  156. Miriam Lucia disse:
    Novembro 13th, 2008 at 9:26 am

    Conceito de raças:
    A noção de raças humanas tem sido usada não só para estudar e sistematizar as populações humanas, mas também para criar um esquema classificatório que parece justificar a ordem social e a dominação de alguns grupos por outros. Assim, a persistência da crença na existência de raças está ligada à hierarquização dos grupos humanos em uma escala de valor. Nesse sentido, tal persistência é “tóxica”, contamina e enfraquece a sociedade como um todo. Neste artigo nós queremos defender o ponto de vista de que a classificação em raças não tem um papel útil na avaliação clínica do paciente individual e que a medicina brasileira só teria a ganhar banindo-a de seus cânones. Como o espaço disponível não permitirá entrar em detalhes sobre todas as facetas deste complexo problema, sugiro ao leitor interessado a consulta a outros textos recentes de nossa autoria sobre a mesma temática.
    Origem da idéia de raças humanas e a inexistência biológica das mesmas
    É relevante lembrar que o conceito de “raças humanas” como entidades hierárquicas distintas é relativamente moderno, só tendo emergido de forma explícita após o início do tráfico de escravos africanos, talvez mesmo como uma tentativa de conciliar a consciência cristã com as práticas de atrocidades da escravidão. A mais influente classificação racial humana, baseada na diversidade morfológica que caracteriza populações de diferentes continentes, foi a do antropólogo alemão Johann Friedrich Blumenbach (1752- 1840). Em seu livro De generis humani varietate nativa (Das variedades naturais da humanidade) ele propôs a existência de cinco principais raças humanas: a caucasóide, a mongolóide, a etiópica, a americana e a malaia. A “raça” que incluía os nativos da Europa, Oriente Médio, Norte da África e Índia, foi chamada caucasóide porque Blumenbach achava que o “tipo” humano perfeito era o encontrado nos habitantes das montanhas do Cáucaso. Na ótica de Blumenbach, as raças eram entidades fixas, quase espécies diferentes. Vem daí a expressão mulato derivada de mula (um animal híbrido entre espécies) para designar os filhos de casamentos entre membros de diferentes grupos continentais humanos. Essa classificação racial cientificamente obsoleta infelizmente persiste até hoje na medicina, onde a expressão caucasóide ainda é comumente usada.
    Os avanços da genética molecular e o seqüenciamento do genoma humano permitiram um exame detalhado da correlação entre a variação genômica humana, a ancestralidade biogeográfica e a aparência física das pessoas e mostraram que os rótulos previamente usados para distinguir raças não têm significado biológico. Pode parecer fácil distinguir fenotipicamente um europeu de um africano ou de um asiático, mas tal facilidade desaparece completamente quando procuramos evidências destas diferenças raciais no genoma das pessoas. Uma pletora de linhas independentes de pesquisa molecular fornece evidências científicas incontrovertíveis de que raças humanas não existem do ponto de vista genético ou biológico. Apesar disto, o conceito de raças persiste como construção social e cultural em nossa sociedade.
    Para quem quiser ler o texto completo: http://www.ciranda.net/spip/article1068.html
    xxxxx

    Ainda bem que a medicina já evoluiu, basta apenas os homens ter o conhecimento destes novos conceitos, somente assim passaremos a ser todos seres humanos, e basta, e quem sabe ter os mesmos direitos e as mesmas obrigações também.

  157. glauber guimarães disse:
    Novembro 13th, 2008 at 9:42 am

    sergio dias,
    onde quer que vc esteja agora: “cavaleiros negros” eh uma de minhas canções preferidas. adoro os mutantes prog tmb, you naughty boy! haha. to ouvindo ela no repeat aqui umas 10 vezes. que banda fenomenal. obrigado de coração. por tudo. c podia pintar por aqui…

    arnaldo,
    hoje eh dia 36. beijo procê.

    rita,
    love ya.

    hermano,
    se quiser juntar meus ultimos comentarios num só, ta beleza.

  158. Fernando Salem disse:
    Novembro 13th, 2008 at 9:43 am

    Caras Carlolina e Lina

    Que nomes lindos a sim um do ladinho do outro!

    “Eu bem que avisei… vai acabar” diria o Chico.

    Não acho bom que vocês tenham saudades antecipadas do final que ainda não rolou…

    Chega de Saudade!

    O filme tá chegando ao clímax e vocês pensando que ele vai terminar. Entrem com tudo nas próximas cenas. Num certo sentido, vocês também somos protagonistas. Têm um papel nessa história.

    Lá fora, uma rosa nasceu.

    Se entreguem sem moderação. Se não o tempo vai passar na janela virtual e só Carolinas e Linas não vão ver.

    beijos

    salem

  159. Fernando Salem disse:
    Novembro 13th, 2008 at 9:45 am

    Corrigindo errinhos de digitação:

    Caras Carlolina e Lina

    Que nomes lindos a sim um do ladinho do outro!

    “Eu bem que avisei… vai acabar” diria o Chico.

    Não acho bom que vocês tenham saudades antecipadas do final que ainda não rolou…

    Chega de Saudade!

    O filme tá chegando ao clímax e vocês pensando que ele vai terminar. Entrem com tudo nas próximas cenas. Num certo sentido, vocês também são protagonistas. Têm um papel nessa história.

    Lá fora, uma rosa nasceu.

    Se entreguem sem moderação. Se não o tempo vai passar na janela virtual e só Carolinas e Linas não vão ver.

    beijos

    salem

  160. glauber guimarães disse:
    Novembro 13th, 2008 at 9:48 am

    vixe! a coisa aqui ta tão sensacional, que nem dá pra destacar nada. mas vou.

    nando,
    existem 2 diferenças básicas entre recife e salvador, qndo se fala de rock:

    1] a “cena” de salvador não conseguiu unir várias áreas de atuação [publicidade, jornalismo, musica, etc], por varios motivos. isso gerou um problema de logistica. há talento, criatividade, força, inteligência, mas falta grana e articulação. a coisa eh caótica, como se diz no rio.
    além de que [apesar do dialogo entre rock, mpb, música de carnaval, que caetano citou] a população não tem tanta familiaridade com os arquetipos do rock/pop, que eh uma coisa de classe media. a maioria da população compreende mais outras paradas [paradas eh ótimo, haha], não menos importantes e interessantes.

    2] as bandas de recife se aglutinaram em torno de um conceito: o manguebeat. aqui, isso eh muito dificil, prq cada banda eh completamente diferente da outra. cada cabeça um mundo mesmo. o rock em salvador gosta de ser escandalosamente diverso, as bandas realmente procuram se diferenciar das outras. somos unidos, amigos, mas esteticamente, cada macaco no seu galho [grande riachão].

    as duas “cenas” se completam, recife e salvador. recife eh cada vez mais plural esteticamente e salvador ta aprendendo a se articular. no festival boombahia deste ano que se realizou no pelourinho [olha o dialogo de novo], tocou o mudhoney, banda americana importantissima no “movimento” grunge dos 90s. superlotou, não so no dia dos gringos, em todos.

    não sei se fui muito claro no que quero dizer. vou pensar no que vc falou.

    caetano,
    “é proibido proibir” = oroboro, haha.

    adoro “sorvete”. a melodia, a letra. piro tmb com aquela da trilha d’a dama do lotação [perdão, não me ocorre o nome. "pecado original"?]. “o estrangeiro”, “eu sou neguinha?”, “outros românticos”, “outras palavras”, “tropicália”, “wally salomão”…bom, são muitasssss…

    vcs estão inspirados pra caramba!

    love is all we need.

  161. Nobile José disse:
    Novembro 13th, 2008 at 9:58 am

    nando: tb tenho perdido noites de sono pensando na maior música brasileira de todos os tempos. me sinto como um pai que tem que escolher qual dos filhos é o mais bonito. por enquanto vou eleger minha música argentina preferida: years of solitude, do piazzola e do mulligan.

    heloisa: senti saudades. by the way, caetano já cantou esse erre na música sorvete, do disco velô.

    carolina: bem vinda a bordo.

    caetano: tá bom, não te pergunto mais nada. hehehe

    ah! e sobre esse negócio de raça, cor e etc, só posso dizer que até o momento sou a favor da política de cotas nas universidades. acho que deveria durar uns 50 anos mais ou menos e depois acabar.

    e sobre esse negócio de tropicália, chico e concurso do senado, a questão deve ser anulada - apesar do congresso ser uma roda viva…

  162. quito ribeiro disse:
    Novembro 13th, 2008 at 10:04 am

    Lúcia e Heloisa,

    Vejam que interessante. Vocês estão se referindo a uma conotação desta expressão preto de alma branca como um elogio branco a um preto que seria quase um branco, e a conotação que eu sugeri é diferente: um preto não aceito pelo movimento negro como seu representante por ter alma branca(um traço negativo), algo como um preto sem suingue só pra apimentar os preconceitos. Se não me engano Lucia chegou a fazer uma classificação semelhante chamando Obama de mulato mauricinho.
    A primeira conotação sendo inclusiva porque quer dizer ‘você é um dos nossos’ é cordialmente racista; a segunda, num re-uso da expressão, sendo exclusiva porque diz ‘você não me representa, não é negão’ para mim apenas politiza a situação, traz o que para mim é a ação afirmativa em essência. Não enxergo aí racismo às avessas. Não estava menosprezando o preto de alma branca, apenas dizendo a ele que ‘eu’ sou de outra turma. Uma turma que acha ainda necessário afirmar o índice negritude-mulatice no discurso do poder. Não acho que Obama seja alma branca. Já expliquei porque no outro post. E também não acho que seu discurso seja pós-racial. Seu discurso é mulato.

  163. Caetano Veloso disse:
    Novembro 13th, 2008 at 10:14 am

    acho que vocês são loucos por votação. uns democratas apaixonados. falei na ‘aquarela’ como escolhida ‘a maior’ pela audiência do fnatástico porque queria enfatizar quão representativa ela é ainda para os brasileiros - e a canção chama o brasil de mulato. mas logo começou uma eleição da melhor canção de todos os tempos. bem, estou com salem (outra vez): ‘chega de saudade’ se impõe, embora tampouco leve a sério listas de melhores.

    também foi só eu falar em duas versões de ‘incompatibilidade de gênios’ para optar que uma eleição começou - sem as pessoas ouvirem as gravações!

  164. Nassau Santiago disse:
    Novembro 13th, 2008 at 10:28 am

    Antes que o blog acabe!!!

    Antes que este canal entre nós admiradores do Caetano e de sua Obra se feche, gostaria de registrar minhas breves impressões sobre tudo que li, aprendi, descobri e entendi, ou não, neste espaço.

    Para mim foi excitante poder escrever aqui e pensar que o Caetano poderia ler. Os vários temas abordados pelo Caetano e tudo o mais que se seguiu com as deliciosas participações diversas me fizeram conhecer mais sobre muita coisa, não só a Obra do Caetano.

    A imagem do Caetano que chegava até antes de ler este blog foi bem modificada. tudo

  165. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Novembro 13th, 2008 at 10:46 am

    UMA MÚSICA DE TODOS OS TEMPOS DO DESCOBRIMENTO!

    Para mim, figura no próprio Álbum Tropicália:

    - Três Caravelas -
    (Composição: ?) [não estou com o álbum por perto]

    Un navegante atrevido
    Salió de Palos un día
    Iba con tres carabelas
    La Pinta, la Niña y la Santa María

    Hacia la tierra cubana
    Con toda sua valentía
    Fue con las tres carabelas
    La Pinta, la Niña y la Santa María

    Muita cousa sucedeu
    Daquele tempo pra cá
    O Brasil aconteceu
    É o maior
    Qué que há?!

    Um navegante atrevido
    Saiu de Palos um dia
    Vinha com três caravelas
    A Pinta, a Nina e a Santa Maria

    Em terras americanas
    Saltou feliz certo dia
    Vinha com três caravelas
    A Pinta, a Nina e a Santa Maria

    Mira, tú, que cosas pasan
    Que algunos años después
    En esta tierra cubana
    Yo encontré a mí querer

    Viva el señor don Cristóban
    Que viva la patria mía
    Vivan las tres carabelas
    La Pinta, la Niña y la Santa María

    Viva Cristóvão Colombo
    Que para nossa alegria
    Veio com três caravelas
    A Pinta, a Nina e a Santa Maria
    (La Pinta, la Niña y la Santa María)

    -Ouçam-na, na íntegra, com Caetano & Gil, pela Rádio Uol:

    http://b.radio.musica.uol.com.br/radio/index.php?ad=on&ref=Musica&busca=tr%EAs+carabelas&param1=homebusca&q=tr%EAs+carabelas&check=musica&x=46&y=9
    (use o botão direito do mouse para abrir em outra janela)
    ______

    SOBRE A NAU CATRINETA POLITICAMENTE INCORRETA!

    -Uma história impublicável:

    http://carecaraiboso.blogspot.com/2007/11/os-descobrimentos_3186.html

    -Uma história publicada (o “conto”, de Rubem Fonseca):

    http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&rlz=1B3GGIC_pt-BRBR231BR231&q=%22Nau+Catrineta%22+AND+%22Rubem+Fonseca%22&btnG=Pesquisar&meta=
    ______

    UMA DEIXA PARA JORGE ENCARNAÇÃO, MARCOS LACERDA E MARIA JOÃO BRASIL! (Momento autocomplacentemente incorreto)

    Estive pensando que a música e estética de Joelma e Chimbinha podem fornecer substrato teórico para a formulação de um novo movimento, que, de certo modo, conquanto jamais se confundam, já se encontrava subentendido no Tropicalismo. Segundo deduzo daqui de meu Olimpo, de onde rio e choro sem mais poder com suas travessuras nessa nau catrineta caetânica, vocês seriam os doutrinadores mais preparados para redigir o Manifesto do Tropicalypso!

    Jorge Encarnação: Embora eu só me sinta espírita só como ato solidário - sem ironia - perante um amigo que mergulhou genuinamente na doutrina, percebo que você não é alma deste mundo, que você não passa de aparição, e a despeito disso não é que a cada manifestação sua eu não me arrepie de todo, dos fios de meus mais ínfimos cabelos ao meu mais indecoroso dedão?

    Marcos Lacerda: Nessa trilha da transmigração das almas (que eu curtiria que rolasse mais pela via pitagórica do que pela kardecista), não é que certas vezes de relance você não me pareça uma reencarnação panfletária & poética & política de nosso icaropterossauro baianao, o Glauber Rocha, que se vivo fosse alimentaria por certo essas birras com o Caetano?

    Maria João Brasil: Puxa, a começar pelo nome, você é a pessoa em que eu mais boto fé aqui dentre todos os naucatrinetacaetânicos! Mas diga-me, se isso não te irrita, você é ou descende de alguma linhagem de mulheres da Paraíba?

    _______

    CONVITE AO NANDO PARA A COMPOSIÇÃO DE UM SAMBA-EXALTAÇÃO INTITULADO “DIALÉTICA DO ESCURECIMENTO” (Outro momento politicamente ‘incorreto’, se não assimilado por uma ótica de justa licença ‘poética’)

    Querido Nando, tenho acompanhado toda essa discussão sobre pretitude e branquitude, e mais a da latitude mulata de Obama etc. e tal. E, bem a propósito, sei que você é muito antenado com o descarte daquela querela inglória ente “clareza” and “entendimento”. Além do mais, pressinto que você deve fazer uma leitura bem peculiar da seguinte verdade oracular: “é preciso saber-se um caos para ser uma estrela”. A par disso, adivinho que você não é estrangeiro aos “demônios da escureza” que, por exemplo, freqüentam a poesia de Manoel de Barros & Fabrício Carpinejar, nem ao desafio goethiano: “quando a Treva nos pega e nos confrange os próprios ombros, mais ímpetos adquirimos de buscar a Luz”. E como eu sou um branco (na verdade, um amarelo feito o João Grilo do Auto da Compadecida de Suassuna) de alma preta, comecei uma letrar um samba e queria contar contigo pra transformar toda essa filosofice em canção! Topas? Passe-me seu e-mail, msn, fone, endereço telepático…

    ____
    Pronto. Escrevi tudo o mais que eu podia hoje, antes que surja a temível tela branca que tanto tem admoestado a linda fera ferida Exequiela.

  166. glauber guimarães disse:
    Novembro 13th, 2008 at 10:47 am

    quito,
    aí eh com ele. mas confesso que isso me deixaria um tanto encabulado. não parece, mas sou bastante tímido.e caetano eh os beatles…importante mesmo eh o arquivamento. sabe-se lá o que se fará com isso no futuro. tomorrow never knows…

    caetano,
    quito me lembrou outra canção sua que eh uma obra-prima: “livros”.
    “os livros são objetos transcendentes/mas podemos amá-los do amor táctil/que votamos aos maços de cigarro” e c dá aquelas notas bluesy nordestinas acentuando a dramaticidade…putz! ôoo, santamarense danado!

  167. Miriam Lucia disse:
    Novembro 13th, 2008 at 10:55 am

    Ta ai, nem mesmo acabei de falar sobre isso e olha o que li ainda a pouco num jornal on line brasileiro:

    Em entrevista ao programa de televisão “Access Hollywood”, a atriz norte-americana Lindsay Lohan se referiu ao presidente eleito dos EUA Barack Obama como “primeiro presidente de cor” (“colored president”) do país.

    Falando sobre como se sentiu no dia da eleição de Obama, Lohan disse: “Foi muito emocionante. É um sentimento maravilhoso. Ele é o nosso primeiro presidente de cor”. Lohan, que havia declarado em seu blog que apoiava Obama, não declarou nada a respeito da gafe.

  168. Mameluca Maluca disse:
    Novembro 13th, 2008 at 10:58 am

    Caetano meu Rei
    Sei que não será preciso, mas por você eu pegaria em armas!
    Tião Carreiro é o rei da Viola.
    Os irmãos Rebouças eram amigos do rei, e foram reis da construção.
    Você cantando Moça do Wando é o rei do meu coração. É a coisa mais linda desse mundo inteiro.
    Essa vida me deu uma louca paixão…
    milhões de abraços

  169. Nando disse:
    Novembro 13th, 2008 at 11:29 am

    Colocando um pouco mais de azeite no tacho do rock baiano: muita coisa no rock brasileiro é original (na maioria das vezes, via “crossover”); muita coisa é derivativa; muitas beiram o plágio. Outras o consumam.

    Gosto do Raul e do Camisa de Vênus. Raul, inclusive é responsável por parte da originalidade via crossover, unindo baião e berimbau ao rock (Alceu Valença também sacou que Elvis e Gonzagão não eram assim tão díspares; e, salvo engano, Chico Science lá na frente aparentemente aproveitou algumas lições destes dois ícones, unindo o maracatu ao hard rock e ao metal, via exuberância do inacreditável guitarrista Lúcio Maia).

    A saída para o rock nacional, desde Mutantes, Novos Baianos, Alceu e Raul até a Nação Zumbi, tem sido a aglutinação estética; ou a referência explícita (ex: Barão Vermelho = Stones); ou, caso isolado, através de puro lirismo - Legião Urbana (que também prestava suas homenagens, como “Ainda é Cedo” = “A Means to an End”, do Joy Division). Quando ouvi o “Bloco do Eu Sozinho”, pensei: “Isso é Tropicália + Legião Urbana + Radiohead”.

    De tanto decalcar sonoridade, algumas vezes se vai mesmo um tanto além: o cara escuta “SOS” do Raul e diz: “Pô, esse cara é demais” - porque não conhece “Mr.Spaceman”, dos Byrds, música na qual SOS foi “inspirada”. Ouve uma das mais belas baladas do Raul, “Canto para minha morte”, sem saber que aquilo é “Balada para Mi Muerte”, que Piazzolla gravou com Amelita Baltar. “Cowboy Fora da Lei” é “I Want You”, de Dylan. Enfim, dá pra fazer uma lista enorme de “homenagens” do Raul.

    Quanto ao Camisa, nem se fala. O primeiro disco é praticamente um “best of” das influência do Marcelo Nova: Controle Total (”Remote Control”, The Clash); Metástase (”Where Next Columbus?”, Crass); O Adventista (”I Believe”, Buzzcocks); Passatempo (”That’s Entertainment”, The Jam) etc etc etc.

    O rock baiano tem uma parte forte de experimentalismo (como a Crac!), outra de influências pouco disfarçadas (Cascadura era bem stoneana, não sei se ainda o são). Das mais recentes, acho que Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta são fenomenais. Em música e em texto (e aquela capa do primeiro disco eu achei bem King Crimson!!!)

    Glauber, acho que uma das grandes sacadas do pessoal do manguebeat tenha sido perceber que o “inimigo” tradicional e conservador pode na verdade ser um grande aliado. Não como oportunismo para “aparecer”, mas para dar ao mundo coisas do calibre de “Macô” ou “A Praieira”.

  170. Patricia 1 disse:
    Novembro 13th, 2008 at 11:37 am

    A melhor musica de Caetano…a que me toca muito e embarco numa espaçonave é Alegria Alegria…seu começo Caetano…não podia ser melhor…O Porto da barra…Vila Velha…Tropicalia… perfeita…os milicos perturbando e vc respondendo com lindas músicas…

  171. Rogério Grillo disse:
    Novembro 13th, 2008 at 11:53 am

    ..pra quem citou a letra: “eu vi um menino correndo, eu vi o tempo…” a música é “FORÇA ESTRANHA”.. gravada pelo rei Roberto e Gal .

  172. Carolina disse:
    Novembro 13th, 2008 at 11:58 am

    A melhor música pode ser aquela que mais emociona?
    Trem das Cores do caetano me faz delirar.
    Delicada, com uma poesia lindíssima eu praticamente vejo: “as casas tão verde e rosa que vão passando ao nos ver passar, os dois lados da janela. E aquela num tom de azul quase inexistente, azul que não há. Azul que é pura memória de algum lugar…”

    Fernando Salem: Ao ler seu comm.(159) pensei em Guimarães Rosa (vou escrever de lembrança, me perdoem se nÃO FOR LITERAL): O real não está nem na partida nem na chegada, ele se dá no meio da travessia. Então vou atravessando com vcs!

    Falando em Mague beat: Assistir o anamauê trazido pelo chico science e nação zumbi foi tão forte que nem consigo comentar!
    Bjs

  173. Lucesar disse:
    Novembro 13th, 2008 at 12:39 pm

    Acabo de me tornar o vagabundo do Obra, e olha que eu trabalho de domingo à domingo.

    Roberto pediu trecho da carta de Caminha
    e segue junto Os Argonautas:

    http://www.youtube.com/watch?v=dF8yQhzKvr4

    Aí Gravata, apesar da qualidade não estar legal (malditas VHS) segue Reconvexo por Caetano:

    http://www.youtube.com/watch?v=HGYc1NuS9AQ

    Evamoquevamo!

  174. Carla Patrícia disse:
    Novembro 13th, 2008 at 12:45 pm

    As minhas eleitas.
    Nacional: ÁGUAS DE MARÇO
    Do Caetano : TREM DAS CORES
    Da Bahia : ILÊ DE LUZ (que Caetano já gravou)

  175. Caetano Veloso disse:
    Novembro 13th, 2008 at 12:57 pm

    a lista dos maiores artistas na rolling stone brasileira deu três baianos entre os dez primeiros. mas caymmi não estava entre eles. então não vale. fora joão, eu trocaria os baianos todos (e alguns cariocas) que estão enrte os dez por caymmi.

    nando, seu conhecimento de rock me entusiasma. eu nunca fui assim. por passar a dar atenção a roberto carlos (e erasmo e wanderléia) e, depois, aos beatles, passei a gostar do rock. ouvi jimmi hendrix, pink floyd, janis joplin, em são paulo 1967/8. vi os stones na inglaterra e passei a achá-los geniais (eles eram, no palco, e têm alguma canções/gravações bacanas). vi tyronosaurus rex, led zeppelin, david bowie, joni mitchell, the who, the doors, emerson lake and palmer, john&yoko com ringo e delaney & bonny - mil coisas - na inglaterra. e fui ouvir little richards, elvis, chuck berry, como não tinha ouvido antes. claro que lembrava do pop-rock do início dos 60 (paul anka, neil sedaka etc.). e de elvis. mas minha atenção à tradição brasileira e ao que era criado no brasil tornou-se ainda mais concentrada depois que voltei de londres. fico impressionado com a freqüência de cópias que você aponta no rock brasileiro. sempre achei o cascadura muito rolling stones. e sempre ouvi dizer que o legião era joy division à beça. mas não conheço joy division. ouvi muito the smiths, mas joy division não. notei o desejo de raul de fazer coisas à dylan. amo o disco do sex pistols. vi o clash em paris. mas não conheço bem os discos. dé, do barão vermelho, me mostrou (me deu de presente) ’sincronicity’ do police e eu adorei. tanto que ainda amei vê-los pela tv no show do reencontro agora. muito musical, unido e energético. tão bom quanto joão bosco cantando ‘incompatibilidade de gênios’ com aquela banda samberklee. e olha que em geral não sou de jazz-fusion: não gostava nem do weather report. raul tocava para platéias mais pobres, mais subrbanas e menos instruídas do que nós, da ‘bossa nova’, que tocávamos para a classe média (sobretudo universitária). muito disto aqui está contado (na ordem direta) em ‘verdade tropical’. mas dou voltas em torno do assunto porque me assustou o tanto de plágio e cópia que há no rock brasuca. sinto-me, em parte, do rock brasuca. mas acho que se deve criar coisas que se destaquem no mundo. o que você listou me faz pensar na mera vontade feladaputa de ser americano. por outro lado, temos de pensar em quanto o simples desejo de imitar pode levar a soluções originais - e a pretensão de ser original pode levar à redundância. david byrne se apaixonou pelas misturas de influências que os brasileiros realizam, às vezes de modo ingênuo. o crítico julian dibell mais ainda: como eu, ele adora lulu santos por essa razão (aliás lulu é criador de grandes formas pregnantes não copiadas de ninguém em particular). em suma, meu desejo seria saber de tudo, mas cultivo relativa ignorância em relação ao rock por economia de tempo (preciso ouvir roberta sá e teresa cristina, além da irresistível avalanche de axé a cada verão - e flamenco, fado, boleros, son cubano…) e porque minha relação oblíqua com algo tão hegemônico me é vital. há quem diga que joão gilberto só queria imitar o chet baker. em geral é gente boba que diz isso: joão máximo ou o cara que escreveu a biografia de chet (péssima do ponto de vista da música). mas é uma referência limite a ser ativada quando pensarmos nos resultados infinitamente superiores à imitação que podem advir do desejo de imitar. dos mutantes ao sepultura. conversemos mais.

    joana, é que heloísa é tão clara que tive de me esforçar para não me enrolar demais.

    nando, outra vez: adoro “macô” e “a praieira” mas quem é “o inimigo”?

  176. Rosana Tibúrcio disse:
    Novembro 13th, 2008 at 1:03 pm

    Minhas gentes: “num dô conta docês não, tá doido”. Eu leio tanta gente sugerindo tanta coisa por aqui que lá vai mais uma: que tal alguém mais “desocupado” fazer um resumão? Glauber disse, isso, Nando aquilo e por aí… hehe, seria uma boa, né não?
    Caetano, Heloisa e os quase “entreveros” deles? Não, esses eu leio na íntegra, porque adoUUro!! Isso inda vai dar samba, ai vai…rs
    Falando a sério: lindo de ler!!

    Sobre canções preferidas eu acho um de-sa-fo-ro SAMPA. Sempre achei. Há anos digo: se soubesse escrever alguma coisa gostaria de ser autora dessa canção.
    Adoro também Amor de Índio de Beto Guedes e Ronaldo Bastos. Bethânia cantando no dvd Maricotinha - tenho aqui - é muito desaforo também. Ela canta lendo a canção num papel. Ah, não gente!!
    A impressão que eu tenho é que essas pessoas que criam essas letras e as que cantam assim, tão lindamente, são feitas de outro material. Num sou feita disso não! BABO!!

    Miriam, feliz que me achou no orkut e por seu intermédio, já tenho Heloisa, Roberto e Exequiela. Obrigada.

    Heloisa, é uma honra saber que passeou em outras trilhas… (fico inté tímida).

    Roberto, meu irmão era admirador, leitor e amicíssimo de Altino Caixeta; apesar de ter solicitado à Laurene algo sobre o nome dele, vou perguntar se sabe coisas a respeito. Se sim, te falo.

    Labi Barrô, mas será o Benedito? Eu me divirto muito com seus comentários. AdoUUUro!!

    Um beijo moçada de quem já gosto tanto.
    E algo me diz que não vamos perder Caetano de vista, assim como tempos agora, depois de encerrado o CD. Afinal, ele já “pegô” amor pela Heloisa e outros fãs. A gente vai ou fica junto, por tabela. FÉ!!!

  177. Nobile José disse:
    Novembro 13th, 2008 at 1:03 pm

    salem: obrigado pelas dicas. pensei q vc tinha me deixado no vácuo - só depois descobri que a obra por aqui reembaralha os tijolos permanentemente. minha pergunta a ti estava depois da tua resposta. parece análise lacaniana. hehehehe

  178. Nando disse:
    Novembro 13th, 2008 at 1:15 pm

    JOALDO: Rapaz, tem coisas bem sérias aí no que você disse at 10:46am. Tô bem enferrujado com relação a composição. Parei em pouco mais de 30, guardei os instrumentos e fui cuidar dos filhotes. Realmente não sei se daria conta de um “samba-exaltação”, não é bem minha praia. Mas, quem sabe?

    CAETANO, falando um pouco mais a sério sobre listas: há um caráter estético investigativo que acho válido porque é uma possibilidade de mapeamento interessante, um referencial. Eu adorava a “Discoteca Básica” da BIZZ, conheci coisas maravilhosas por causa daquilo ali; havia um rigor, inicialmente, que a tornava muito interessante; seu “Transa” e o “Expresso 2222″ do Gil saíram nela; creio que sejam excelentes representantes de pontos altos nas respectivas carreiras e que poderiam sem embargo ser (como foram) indicados como “discos que você precisa ter”. Mas é preciso ser criterioso. Não dá pra juntar uma dúzia de pessoas, cada um vota no que quer e depois é só contar e ver as intercessões. Isto é bem pobre.

    Aqui é uma brincadeira, obviamente.

    Mas há um outro caráter que, mesmo de brincadeira, pode ser aproveitado: a interação subjetiva entre público e artista/obra de arte. É ela quem conduz a votação dos “maiores” ou “melhores”. Qualquer pessoa que se ponha a votar nos seus dez discos favoritos, ou dez livros favoritos, fatalmente dirá algo a seu respeito; a si mesmo ou a terceiros. Meus critérios quanto a discos, por exemplo, passam pelo seguinte: se é bom ou não; se eu gosto ou não; se é importante ou não. Exemplo:
    *É bom, eu gosto e é importante (”Dark Side of the Moon”, do Pink Floyd).
    *É bom, eu não gosto, mas é importante (”Psychocandy”, Jesus & Mary Chain).
    *Não é bom, eu gosto, é importante (”As Aventuras da Blitz”, Blitz), assim por diante. É um exercício interessante, porque podemos aprender a valorizar aquilo de que não gostamos, a comparar nosso gosto com o curso histórico da Arte, a tornar mais maleável nossa rigidez interna (quando isto é necessário) etc.

    Se você, sem conhecer alguém intimamente, pergunta: “Quais seus cantores favoritos?” e a pessoa responde: “Agnaldo Rayol, Nelson Gonçalves e Altemar Dutra” e outra responde: “John Lydon, Iggy Pop e Max Cavallera” isto seguramente está lhe dando informações acerca da subjetividade (ou de algum tipo de compensação por falta) daquelas pessoas. E, na real, elas estão fazendo listas!

  179. Gilliatt disse:
    Novembro 13th, 2008 at 1:21 pm

    Pra mim o Hino Nacional deveria ser “Canta Brasil”, de Alcyr Pires Vermelho e David Nasser, que começa dizendo: “As selvas te deram nas noites teus ritmos bárbaros / Os negros trouxeram de longe reservas de pranto / Os brancos falaram de amor em suas canções / E dessa mistura de vozes nasceu teu canto”.

    Mas adoro ouvir o Hino Nacional (o oficial mesmo) cantado pelo João Gilberto!

  180. Fernando Salem disse:
    Novembro 13th, 2008 at 1:24 pm

    Gravata

    Não existi Roda Viva X Tropicália. O que houve foi uma conversa até interessante a partir de uma questão estúpida colocada em uma prova que indagava se Roda Viva era ou não uma canção tropicalista.

    Claro, que a pergunta é burra, mas a burrice pode sim despertar questões interessantes. Muito se fala sobre o assunto em Verdade Tropical.

    Chico, um doa maiores gênios do Brasil, ficou sinucado entre a imagem de bom moço e a de compositor engajado.E Roda-Viva é uma canção que agradou a esquerda por versos como “a gente vai contra a corrente até não poder resistir”. Foi lida como canção de protesto. Zé Celso a transfigurou. Não acho Roda-Viva das melhores canções do Chico, mas assim como Cálice e Apesar de Você, ela foi sendo apropriada à leituras redutoras dos enga-chatos.

    Tentei resgatar um coment de alguém que disse ironicamente que daqui a pouco vão dizer que O Portão de Roberto e Erasmo é uma canção tropicalista. Pois eu acho que é.

    O sol nas bancas de revista
    Me enchem de alegria e preguiça
    Meu cachorro me sorriu latindo
    Minhas malas coloquei no chão

    Isso é só uma brincadeira. Mas faz sentido. Não existe canções tropicalistas enquanto gênero. Mas a justaposição de signos. A descontextualização da obra. A mixagem de estilos são gestos que compõem o imaginário tropicalista.

    Vale a pena ler O Balanço da Bossa de Augusto de Campos.

    Outra coisa: pelo que li em um coment, posso ter deixado a impressão de achar que o que faz uma canção ser tropicalista é a sua leitura ou arranjo. Não gosto dessas expressões que os jornalistas adoram colocar nos releases, como “releitura”, canção “revisitada” Acho cafona.

  181. Fernando Salem disse:
    Novembro 13th, 2008 at 1:34 pm

    Hoje escutei Tropicália 2 inteirnho no carro. Na época, gostei muito do disco, mas não identificava bem a Tropicália no CD.

    Pois é. O tempo fez seu trabalho. A textura, as canções, cromatismos, frases, as cordas, as vozes de gil e caetano grudadinhas. E Cinema Novo! Que samba impressionante! De modulações estranhas! De tensão e repouso para o refrão que nunca chega. As citações.

    Cinema Novo está para o cinema, assim como Merda está para o Teatro.

  182. joana disse:
    Novembro 13th, 2008 at 1:38 pm

    Caetano! ufa, na sua resposta pra heloisa, 138, é a primeira vez que te leio e consigo entender com coerência do início ao fim! pelo menos acredito que sim…

    gentes: sou muito mais lerda que todos vcs nesse contexto. qt informação e referências! demoro um tempão pra absorver, e de fato nem absorvo, só observo.

    daqui uma semana consigo talvez mandar uma opinião sobre ” as melhores músicas”, mas as que vcs tão mandando já dizem pra caramba. tem coisa boa a beça! acho que eu me deteria em observar o repertório do Caymmi pra achá-la. e em Caetano, hummm, não sei muito, mas me emociono muito qd o vejo cantando Odeio, pelo conjunto da obra. sempre choro na verdade. apesar de gostar de coisas mais antigas também, com muita mais história.

  183. quito ribeiro disse:
    Novembro 13th, 2008 at 1:49 pm

    Glauber,

    Que tal esta sugestão para o arquivamento/continuação do blog?
    Caetano fazer como no show Livro e ler trechos de posts e comments do blog no show da obra.

  184. Exequiela- éteR disse:
    Novembro 13th, 2008 at 2:07 pm

    Estoy muy contentita porque sé que algunos vamos a seguir en contacto a través de Orkut, MySpace o email. Y al LeAozinho lo voy a extrañar tanto, tantoooooooooooooooooooooooooooooooooooo (a no ser q me escribas un email algún día para mandarme un besitobeijito).

    Heloisa: qué susto!! pensé que te había pasado algo!!!! Ahora nos aliviamos todos.

    Glauber: trato de entender todo pero uso mucho google translate y muchas veces me pierdo de muchas cosas. Igual los disfruto mucho. Aprovecho para decirte por acá también que adoré la Sopa de Pintor.

    Marcelo P: de nada che! :) Las repeticiones de las vocales son la efusión, la efusiooooon. Me alegro que te haya gustado el corazón delator.

    Bello LeAozinho: En el último comentario demostraste que podés ser sinceramente tan melifluo y humilde! Lindo LeAozinho… besobeijo!

    Para Gi y para todos los que gustan del JAZZZZ Rachell Ferrell POTENTE-POTENTEEEEEEE!!!!

    http://www.youtube.com/watch?v=en6kmiX0SDc

  185. glauber guimarães disse:
    Novembro 13th, 2008 at 2:20 pm

    carlos moura,
    sua ideia é brilhante. a soninha pode dar um start nesse negocio. beijo pra ela.
    legal você mencionar o bluegrass [um ramo da musica country, mais ligado às tradições da música irlandesa]. gosto muito.

    exequiela,
    muito obrigado. sua afinação é impecável, que voz límpida. cool.

    merengue,
    abraço procê! falou e disse.

    ……….

    quanto à brincadeira de escolher o tal hino alternativo, o argumento do paulinho da viola me convence totalmente: “carinhoso”. viva o paulinho da viola!

    ………….

    lembrei de uma canção de ivan lins e vitor martins, que é uma coisa de louco: “quaresma” [do "nos dias de hoje" de 78. tenho em vinyl e CD]. disco pesado, a começar pela capa [ivan lins preso], e extraordinário. gilson peranzetta nos teclados é um absurdo. ivan…gênio.

  186. Lucia Alves disse:
    Novembro 13th, 2008 at 2:25 pm

    Difícil ser original o tempo todo, sempre ser o primeiro.

    João Gilberto tentava imitar Chet Baker? Duvido, mas “ambos os dois” cantam tão lindamente que também nao haveria problema. Sou fã dos dois. Esta turma de rock que vocês falam eu já ouvi, mas não sei quem é. Não comprava disco deles, mas tenho todos os Beatles, Stones, Chet Baker (não todos, mas muitos), Milton, Chico e Caetano. E Gil. E Gal e Bethânia. O resto eu ouvi pela vida.

    Música preferida, lista de melhores músicas, são coisas difíceis demaisssssssssss pra mim.

    Adoro as brincadeiras de Chico, como em A Rosa (egipcia, encontra e me vira a cara), adoro Cartola, que fazia um esforço comovente pra não escrever errado, porque não teve muita instrução.

    Temos sorte de ter tanta gente talentosa.

    Beijos, Lilu

  187. laurene disse:
    Novembro 13th, 2008 at 2:27 pm

    Oi, Caetano e pessoal. Eu falei em Schwarz e Caixeta, mas prefiro agora falar em Elvis. Eu sei de um fã fanático dele que me deu alguns toques curiosos, o Sergei Chiodi. Ele me disse que Elvis passava um pouco de sombra nos olhos e foi um dos primeiros popstars a se apresentar maquiado, além de usar calças coloridas, cor-de-rosa ou lilás, por exemplo. E que ele não transava com mulheres que já tivessem sido mães(!)

    Roberto: será que Altino Caixeta quer dizer Al-tinha-uma-caixinha, eu tinha uma caixinha, uma “bouceta”? E diria respeito a uma bissexualidade primordial, assim como à Caixeta de Pandora. Quem sabe?

    A grande chave, penso, da vida de Elvis foi justamente o fato de que, de família de brancos pobres, foi obrigado a conviver com negros no período da Grande Depressão.Claro que os primeiros roqueiros não tinham prestígio nem charme de intelectual. Sabiam que, na onda dos pornôs no final da década de 60, Elvis fez filmes pornôs caseiros consigo mesmo? Eu ouvi falar disso, não tenho certeza, mas o Sergei me disse que os filmes foram disputados à tapa em Hollywood.

    E Raul era um rapaz de classe média que conviveu com os americanos do consulado norte-americano em Salvador. As platéias eram suburbanas, pobres, etc. Raul tinha uma vontade feladaputa de não ser artista de consumo. O rock (ou parte dele, incluindo Raul) também queria fazer bonito nas rodas intelectuais ou eruditas, que o diga a voz de Annie Haslam, do Renassaince, por exemplo. No passado, o rock não tinha aura, mas era uma novidade, eram os ritmos quentes da atualidade. Tanto que eu até vi uma matéria histórica que chamava a poesia concreta de “rock and roll da poesia”!

  188. glauber guimarães disse:
    Novembro 13th, 2008 at 2:44 pm

    caetano,
    acho isso muito importante: fazer referências as coisas que me são caras, assimilar as influências, mas colocar algo que seja meu ali. pessoal e intransferível. sempre bato nessa tecla com meus amigos de outras bandas. copiar os gringos [mesmo que com competência, é passée]. não acho que tenha chegado lá, mas estou no caminho, i guess…

    nobile,
    morri de rir com “análise lacaniana”. hahaha

  189. Julio Vellame disse:
    Novembro 13th, 2008 at 2:52 pm

    Esse debate de Heloisa com Caetano podia muito bem terminar no divâ:

    Um trabalho de psicologia voltado ao significado latente das palavras e reações a sotaques no inconsiente.

    Tipo associação livre Freudiana….

    Deve ser bem mais importante para o desenvolvimento da civilização o significado oculto (e portanto verdadeiro)

  190. Gravataí Merengue disse:
    Novembro 13th, 2008 at 3:16 pm

    Para mim, bem francamente, não precisaria haver “hino nacional”. É uma coisa besta, sem sentido, talvez fosse interessante haver apenas a melodia.

    Por que precisamos de um “hino”?

    _ _ _

    Heloísa: Que legal você ter visitado o blog! Ali é tudo muito bobinho, besta de verdade, é ‘de humor’ e dedicado às bobagens. Há um outro espaço meu na internet menos fútil, digamos, o http://www.imprensamarrom.org (espero que esse outro não a desaponte como o primeiro que visitou).

    - - -

    Roda Viva x Tropicália
    Quando dizem, taxativamente (e de forma nervosa!), que “Roda Viva” não é uma canção tropicalista, como se houvesse uma demarcação objetiva, fica tudo muito próximo da comédia.

    Isso lembra aquele papo da “canção de protesto”, que só pode ser qualificada como tal quando faz uma manifestação partidária de esquerda.

    Uma música libertária sexual, por exemplo, não é vista como “de protesto”, nem um samba do morro, nem qualquer outra coisa, por mais que tenha conteúdo oprimido ou algo assim.

    Pra ser “protesto” é preciso ser “de esquerda”. E, pra ser da “tropicália” é preciso passar pela “comissão de avaliação dos corretores do concurso do Senado Federal”.

    Não dá pra não rir disso.

  191. Bruno Guimarães disse:
    Novembro 13th, 2008 at 3:45 pm

    Acho “chão de estrelas” a coisa mais bonita que se escreveu em português. Nesse sentido, estou com o Manuel Bandeira, que costumava dizer que o verso “tu pisavas nos astros distraída” era o mais belo da língua portuguesa. A idéia de a luz da lua entrar pelos buracos no telhado de zinco e “Salpicava de estrelas nosso chão / tu pisavas nos astros distraída” é de chorar.

  192. nanda disse:
    Novembro 13th, 2008 at 3:45 pm

    Sabem o que lembrei? Que eu tinha um tio que minha mãe dizia que era CABO VERDE. Não era moreno, não era mulato, era CABO VERDE.
    Mas estou escrevendo para dizer que antes eu anotava o número do último comentário que havia lido e no dia seguinte partia daquele número, mas agora tem de reler tudo de novo porque os horários estão saindo errados, e a ordem (o progresso continua) foi pro beleléu…
    bjs a todos

  193. Carlos "Alemão" Moura disse:
    Novembro 13th, 2008 at 4:29 pm

    Salem, Glauber, Nando, Soninha, Caetano e todo mundo que se interessa por rock, que aliás é muito afro-american-blue grass. A Bahia nos deu rock antes ou depois da régua e do compasso?

    Fui ao show do REM aqui em Sampa. Foi emocionante ver o Michael Stipe feliz com Obama e, mesmo louco pra voltar pra casa, como ele mesmo disse, fez um belo show.
    Pena que caro, pena que para poucos…

    Soninha, Salem, vamos levar adiante uma proposta cultural, do tipo: de tantos em tantos shows acima de 3 dígitos, o município seria obrigado a promover uma apresentação gratuita, ao ar livre… Artistas engajados (desculpem o termo desgastado) não se interessariam por essa iniciativa?

    Abraço a todos

  194. Vianna Vana Caravana disse:
    Novembro 13th, 2008 at 4:33 pm

    A gravação que mais me impressionou e tocou depois de qualquer outra de João Gilberto foi mesmo “Beijo Partido”(Nana,Toninho,Dori).Aliás é sintomático que tenha sido produzida dois anos antes do “Amoroso”.Acho muito lindo perceber identificações vice-versa entre mestres e discípulos.Quando Nana se aproxima do universo musical de João não tem para nenhuma nesse mundo.Caetano aquele disco de João que voce produziu é tão lindo meu deus e meus ouvidos clamam por arranjos de Dori ali.Será que ainda dá tempo?De ti,”Pecado Original” e uma canção gravada pela Telma Costa e voce que esqueci do título mas não letra e melodia (”Amo ver voce de madrugada;logo apos o seu adormecer…”)são daquelas coisas…Olha…Não só escutando mesmo!

  195. Rafael Rodriguez disse:
    Novembro 13th, 2008 at 4:33 pm

    Caetano,
    quando falei de “incompatibilidade de gênios”, não votei, apenas perguntei…

    Durantes as apresentações no Vivo Rio, foi ou não foi a junção dessas duas formas?

    Brinquei quanto a possibilidade de se votar nas duas versões….

  196. Gilliatt disse:
    Novembro 13th, 2008 at 4:52 pm

    Exequiela: Amei!!!!! Fiquei louco com essa interpretação da Ferrell pra Autumn Leaves. É sobrenatural!!! Você foi no alvo!!! Maravilha!!! Muito obrigado!!! Mil besos!!!

    Vianna Vana Caravana: A música se chama “Certeza da Beleza”. Mais um “Lado B” do Caetano. Já pensou que bacana seria um disco dele só com regravações dessas músicas que outros cantores gravaram, mas que pouca gente conhece? A lista é enorme. Outra que adoro é “Não posso me esquecer do adeus”.

  197. Julio Vellame disse:
    Novembro 13th, 2008 at 5:16 pm

    Para Miriam Lucia e o conceito de raças:

    Miriam, é evidente que você está sociologicamente correta, mas….

    Não sou da área médica contudo sempre aprendi que existem sim distinções biológicas (além das fisiológicas e morfológicas que podem ser observadas a olho nú).

    Essas distinções estão muito presentes nos estudos das patologias inclusive algumas são totalmente específicas de uma raça ou outra. Certa feita lí um livro de Renato Failace chamado Hemograma onde as distinções estão presentes no campo da hematologia.

    Sempre pensei se essas diferenciações poderiam se extrapolar para o campo das habilidades intrínsecas, mas… como foram os nazistas que levaram esse estudo a sério é melhor esquecer.

    Ou talvez ir a fundo e quebrar o tabu….

  198. Barbara disse:
    Novembro 13th, 2008 at 5:41 pm

    Hello, everyone!

    I’ll apologize in advance for reverting to English. I’m pressed for time. Composing in Portuguese is a slow and torturous process for me, and I’m not very successful at it, anyway. When I have more time, I’ll force myself to re-engage in combat with the online Portuguese keyboard I found that seems to hate me as much as I hate it.

    I’m glad that so many join me in celebrating the election of President-Elect Obama. Yea!!!

    As for the discussions of “African-American” as a term, in the US we generally allow the person or group to decide how they want to be called. The consensus seems to be now that people with African ancestry want to be called “African-American.” It was interesting to me that a colleague of mine with African/ British-Commonwealth heritage took great offense at Barack Obama being called “African-American.” She didn’t feel that he qualified.

    It’s interesting to note the number of words you have in Brazil for racial combinations. If we have had them in the US, their usage has mostly died out. I don’t think that “mulatto” will ever come back, which is a good thing. In the US, it was used to specify the amount of African or European ancestry that an individual had, which I think is pretty offensive. (There were other words to describe people with less African blood, presumably so that they could be held in higher esteem.)

    I was born and raised in Oklahoma. For obvious historical reasons, if you were born in Oklahoma, the chances are good that you have Indian blood. I had one proudly Indian grandmother and one proudly French grandmother who rejoiced in the absence of Indian (or any other dark-skinned) genes in her blood. I saw both sides and preferred the proudly Indian side.

    When I was growing up, my favorite playmate did not have any Indian blood at all, and I thought that was so exotic. A German! How exotic! Just as with terms like “mulatto” (in the US), there’s an unfortunate focus on percentage of Indian blood among the Oklahoma tribes. That’s apparently historical and was imposed on them by the Federal Government. Whether a person was ¼ Indian or ½ Indian or 1/16 Indian was supposed to be important. I have always found it to give cause for discrimination or feelings of superiority, pride, or inferiority. I’ll be very glad when all of that disappears.

    Knowing about one’s ancestors and honoring their experiences is a good thing. All the focus on describing people based on their heritage doesn’t seem very healthy to me.

    Perhaps the next generation will put the whole idea to rest. I look at my sister’s children who are English/Cherokee/French/German/Irish/Thai – American. It’s not totally accurate to call them Asian-American, although they have plenty of Asian and American heritage. Will they need to come up with a category for themselves?

    The beginning of the end for these ethnic heritage categories came when Tiger Woods became famous. We didn’t have a category to put him in. He calls himself “Cablinasian,” (Caucasian/Black/Indian/Asian) but that (fortunately) has not caught on. I looked him up on Wikipedia to see how they describe him – they went for “American professional golfer.”

    American! Now there’s a concept. Isn’t that almost the definition of American (thinking now of the continents, not the country)? A bunch of mutts!!

    Kind greetings to all,
    Barbara

  199. Nando disse:
    Novembro 13th, 2008 at 6:03 pm

    Caetano,

    Definitivamente: você não sabe brincar ;)

    Saiba que a cada nome citado [vi os stones na inglaterra(...) vi tyranosaurus rex, led zeppelin, david bowie, joni mitchell, the who, the doors, emerson lake and palmer, john&yoko com ringo e delaney & bonny - mil coisas - na inglaterra(...)] sonoros palavrões foram emitidos do lado de cá, acompanhados de uivos, urros, gemidos e auto-flagelação :)

    O assunto é longo e complexo - peço desculpa aos amigos do blog, pelos posts extensos.

    Cópias, homenagens, citações e decalques são frequentes no rock nacional. De “Como Eu Quero” do Kid Abelha (retirada diretamente de “Save a Prayer” do Duran Duran) aos primeiros discos do Ira! (retirados dos melhores albuns do The Jam). A salvação dos Paralamas foi o “Selvagem?”, trocando The Police pelas guitarradas do norte do Brasil (e com uma citação do Santana pouco disfarçada no solo de “Alagados”). Acho A Cor do Som (principalmente fase Armandinho, mas mesmo no disco imediatamente posterior à saída de Armando, com o maravilhoso Victor Biglione) mais original do que a maioria das bandas nacionais de “puro” rock. Mas, começando pelo fim:

    Quem são os “inimigos”? São toda e qualquer “tradição” local: o inimigo do rock baiano é a axé music; do rock independente goiano é a música sertaneja; do rock carioca é o samba (e o funk e o rap) e assim por diante. Teoricamente, o “inimigo” do mangue beat seria o maracatu. Tudo o que atrapalhe o bom desenvolvimento da “cena rocker” (sim, isto é linguagem corrente no meio, apesar de hoje em dia estar muito mais amenizado). O problema ( e aí tento costurar o motivo de ter dado no post anterior sobre rock baiano, ao final, um toque para o Glauber) é que - parafraseando o que você disse sobre Raul no encarte do Tropicália 2 - (quase) tudo o que não é decalque do rock internacional no rock brasileiro é crossover com as culturas locais. Então, o que vale mais: a imitação (que varia do puro decalque/homenagem/citação à cultura estrangeira ao pastiche vagabundo) ou a ligação orgânica e criativa com os frutos das culturas locais?

    Legião Urbana é tributária não só do Joy Division, mas do Cure, Smiths e de tantas outras. Ao escrever “Lá vem os jovens gigantes de mármore(…)” - e muita gente ficava “oh, como esse cara arruma essas imagens?!” - ele estava traduzindo o nome de uma das suas bandas favoritas: Young Marble Giants. Entretanto, “Faroeste Caboclo” é nada mais nada menos do que “Domingo no Parque” atualizada para a época: triângulo amoroso com desfecho trágico. E nem por isso é desimportante, ao contrário!

    Acho que no diálogo com o que já foi feito antes (e por que só com o que foi/é feito lá fora?) é que pode residir a riqueza do rock nacional. O Sepultura tem um disco chave em sua discografia, que é o “Roots”, um album que flerta com a música brasileira, com toque indígena e participação do Carlinhos Brown. Fazer igual ou melhor ao que eles fazem lá fora pode trazer sucesso, riqueza e fama, mas não trás qualquer mérito artístico. Sérgio Dias disse que fez “Senhor F” em 7/4 depois que ouviu “All You Need Is Love”: “Ah-ha! Quer dizer que podemos fazer em 7/4?!” - mas tempo musical não é patente de ninguém. E fez a maravilha que conhecemos.

    Marina Lima regravou “Beija-Flor” da Timbalada e o baterista dela (me foge à memória seu nome) pôs TODA a Timbalada no cymbal da bateria. Assim como João Gilberto põe a bateria de uma escola de samba inteira no seu violão. Nem tudo precisa ser tão óbvio. A riqueza é imensa.

    [temos de pensar em quanto o simples desejo de imitar pode levar a soluções originais - e a pretensão de ser original pode levar à redundância].

    Pronto. Trancou e engoliu a chave.

  200. Labi Barrô disse:
    Novembro 13th, 2008 at 6:14 pm

    Boa tarde people!

    Eis a questão que tanta polêmica causou em Brasília:

    Em abril de 1967, na mostra de artes visuais Nova Objetividade Brasileira, realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o carioca Hélio Oiticica apresentou uma obra-ambiência batizada “Tropicália” que, pouco tempo depois, emprestaria o nome ao movimento que transformou o ambiente cultural do
    país no período.
    Os trechos abaixo foram extraídos de canções que compõem a discografia associada ao Tropicalismo, com exceção de:
    (A) O rei da brincadeira – ê, José / O rei da confusão - ê, João /
    Um trabalhava na feira – ê, José / Outro na construção – ê,
    João.
    (B) Atenção / Tudo é perigoso / Tudo é divino, maravilhoso /
    Atenção para o refrão: / É preciso estar atento e forte / Não
    temos tempo de temer a morte.
    (C) Eu quis cantar / Minha canção iluminada de sol / Soltei os
    panos, sobre os mastros no ar / Soltei os tigres e os leões,
    nos quintais / Mas as pessoas na sala de jantar / São
    ocupadas em nascer e morrer.
    (D) Tem dias que a gente se sente / Como quem partiu ou
    morreu / A gente estancou de repente / Ou foi o mundo
    então que cresceu… / A gente quer ter voz ativa / No nosso
    destino mandar / Mas eis que chega a roda viva / E carrega o
    destino pra lá.
    (E) Sobre a cabeça os aviões / Sob os meus pés os caminhões /
    Aponta contra os chapadões / Meu nariz / Eu organizo o
    movimento / Eu oriento o carnaval / Eu inauguro o
    monumento no planalto central / Do país / Viva a bossa-sa-sa
    / Viva a palhoça-ça-ça-ça-ça / Viva a bossa-sa-sa / Viva a
    palhoça-ça-ça-ça-ça.

    E aí Caetano? O que você acha da questão? É pra causar tanta polêmica mesmo?
    Não sei minha gente, mas acho que a FGV quis, na verdade, homenagear Caetano e os outros compositores. E gerou uma polêmica em Brasília…
    O salário é de R$12.000,00 Dá pra tirar o pé da lama gente boa.

    Labi Barrô, esperando a votação…

  201. glauber guimarães disse:
    Novembro 13th, 2008 at 6:33 pm

    zezão escreveu sobre os 80s e 90s também. com certeza, fará o mesmo com essa década. entrevistou todo mundo [inclusive este lóki-beleza que vos fala] com a disciplina de um monge. ele também é um grande colecionador de discos [os bolachões mesmo]. tenho orgulho de ser amigo dele.

  202. Good disse:
    Novembro 13th, 2008 at 6:59 pm

    Aê pessoal, ja que aqui se fala de rock na bahia..
    rock baiano dos anos 90…
    http://polimorfismoperverso.blogspot.com/2008/07/dont-mess-with-dead-billies.html

    Abraço a todos!

  203. Ingrácia disse:
    Novembro 13th, 2008 at 7:03 pm

    Há um baú infindável de melhores músicas brasileiras, no qual não pode faltar todas as “coisas” de Moacir Santos, esse Deus da música brasileira. Geni e inúmeras outras de Chico. O roteiro pronto que é Domingo no Parque de Gil e ele todo. Tantas, tantas e mais outras de Caetano,inclusive aquelas de terceiros que na voz e interpretação dele viram ouro. Dor e dor, senhor cidadão e Tom Zé inteiro.. Missão impossível fazer essa escolha. Mas é mesmo preciso escolher?

  204. Gravataí Merengue disse:
    Novembro 13th, 2008 at 7:05 pm

    Salem: é isso mesmo! A graça está no fato de perguntarem isso numa questão de concurso público! Acho lindo quando a música é discutida por músicos ou amantes da música ou até por gente que odeia música. Mas colocá-la como objeto de “pontuação” numa prova, e assim de forma tão ridícula, convenhamos…

    ——-

    Heloísa: reli o que havia escrito, ali sobre o blog, e houve um erro grave de pontuação. Da forma como escrevi, pareceu que você não gostou do blog, quando na verdade o elogiou. Desculpe minha imperícia na digitação :)

    ——–

    Caetano: o papo de “afro-isso, afro-aquilo” lembrou demais aquela parte genial da música “Língua”… “nós canto-falamos como quem inveja negros que sofrem horrores nos guetos do Harlem”. Essa cópia terminológica é um pouco disso, de certa forma, pois ‘invejamos’ uma segregação pela qual não chegamos a passar e copiamos um termo esdrúxulo que nunca precisaríamos adotar (e nem mesmo os americanos o precisariam, aliás). Na nossa vez de estar dois passos adiante, damos quatro para trás…

  205. Gravataí Merengue disse:
    Novembro 13th, 2008 at 7:11 pm

    Salem!!! Lembrei de uma outra coisa extremamente engraçada dos jornalistas! É quando eles dizem que fulano - ou o disco de fulano - “flerta” com determinado estilo.

    Já viu isso? Em geral, sabe-se lá por que cargas d’água, é com a “eletrônica”. Acho engraçado, dá um pouco de raiva porque gosto de música e não gosto que a tratem mal, mas no fim das contas resta mesmo é a gargalhada.

    A crítica de cultura em geral, e a de música em especial, é toda ela dogmatizada. Não há alguém disposto a pensá-la ou repensá-la sem cair nesses chavões bobocas e - repito - engraçados.

    Tal coisa é “tropicalista”, outra canção é “de protesto” e aquela outra é “brega”. Assim se monta uma coluninha dessas de caderno de cultura, artes, espetáculos, tal e coisa.

    Mas o que me faz rir pra valer, mesmo, é essa coisa do “flerte”.

  206. Fábia disse:
    Novembro 13th, 2008 at 7:13 pm

    Caetano e Heloísa, vocês conhecem o livro “As formas do silêncio no movimento dos sentidos”?

  207. Professor Rocha disse:
    Novembro 13th, 2008 at 8:03 pm

    Domingo, 1 de Julho de 2007
    O Conceito de Raça

    Para ajudar a entender o tema Miscigenação Racial, vamos dar alguns conceitos. Todos eles do Prof. Dr. Kabengele Munanga.

    Etmologicamente, o conceito de raça veio do italiano razza, que por sua vez veio do latim ratio, que significa sorte, categoria, espécie. Na história das ciências naturais, o conceito de raça foi primeiramente usado na Zoologia e na Botânica para classificar as espécies animais e vegetais. Foi neste sentido que o naturalista sueco, Carl Von Linné conhecido em Português como Lineu (1707-1778), o uso para classificar as plantas em 24 raças ou classes, classificação hoje inteiramente abandonada.
    Como a maioria dos conceitos, o de raça tem seu campo semântico e uma dimensão temporal e especial. No latim medieval, o conceito de raça passou a designar a descendência, a linhagem, ou seja, um grupo de pessoa que têm um ancestral comum e que, ipso facto, possuem algumas características físicas em comum. Em 1684, o francês François Bernier emprega o termo no sentido moderno da palavra, para classificar a diversidade humana em grupos fisicamente contrastados, denominados raças. Nos séculos XVI-XVII, o conceito de raça passa efetivamente a atuar nas relações entre classes sociais da França da época, pois utilizado pela nobreza local que si identificava com os Francos, de origem germânica em oposição ao Gauleses, população local identificada com a Plebe. Não apenas os Francos se considerava como uma raça distinta dos Gauleses, mais do que isso, eles se consideravam dotados de sangue “puro”, insinuando suas habilidades especiais e aptidões naturais para dirigir, administrar e dominar os Gauleses, que segundo pensavam, podiam até ser escravizados. Percebe-se como o conceitos de raças “puras” foi transportado
    da Botânica e da Zoologia para legitimar as relações de dominação e de sujeição entre
    classes sociais (Nobreza e Plebe), sem que houvessem diferenças morfo-biológicas
    notáveis entre os indivíduos pertencentes a ambas as classes.
    As descobertas do século XV colocam em dúvida o conceito de humanidade até então conhecida nos limites da civillização ocidental. Que são esses recém descobertos (ameríndios, negros, melanésios, etc.)? São bestas ou são seres humanos como “nós”,
    europeus? Até o fim do século XVII, a explicação dos “outros” passava pela Teologia e
    pela Escritura, que tinham o monopólio da razão e da explicação. A península ibérica
    constitui nos séculos XVI-XVII o palco principal dos debates sobre esse assunto. Para
    aceitar a humanidade dos “outros”, era preciso provar que são também descendentes do
    Adão, prova parcialmente fornecida pelo mito dos Reis Magos, cuja imagem exibe personagens representes das três raças, sendo Baltazar, o mais escuro de todos considerado como representante da raça negra. Mas o índio permanecia ainda um incógnito, pois não incluído entre os três personagens representando semitas, brancos e negros , até que os teólogos encontraram argumentos derivados da própria bíblia para demostrar que ele também era descendente do Adão.
    No século XVIII, batizado século das luzes, isto é, da racionalidade, os filósofos
    iluministas contestam o monopólio do conhecimento e da explicação concentrado nas mãos da Igreja e os poderes dos príncipes. Eles se recusam a aceitar uma explicação cíclica da história da humanidade fundamentada na idade de “ouro”, para buscar uma explicação baseada na razão transparente e universal e na história cumulativa e linear. Eles recolocam em debate a questão de saber que eram esses outros, recém descobertos. Assim laçam mão do conceito de raça já existente nas ciências naturais para nomear esses outros que se integram à antiga humanidade como raças diferentes, abrindo o caminho ao nascimento de uma nova disciplina chamada História Natural da Humanidade, transformada mais tarde em Biologia e Antropologia Física.
    Por que então, classificar a diversidade humana em raças diferentes? A variabilidade humana é um fato empírico incontestável que, como tal merece uma explicação científica. Os conceitos e as classificações servem de ferramentas para operacionalizar o pensamento. É neste sentido que o conceito de raça e a classificação da diversidade humana em raças teriam servido. Infelizmente, desembocaram numa operação de hierarquização que pavimentou o caminho do racialismo. A classificação é um dado da unidade do espírito humana. Todos nós já brincamos um dia, classificando nossos objetos em classes ou categorias, de acordo com alguns critérios de semelhança e diferença.
    Imagine-se o que aconteceria numa biblioteca do tamanho da Biblioteca Nacional do Rio
    de Janeiro. Sem classificação por autor e ou por assunto, seria muito complicado a busca de um documento. Com a preocupação de facilitar a busca e a compreensão, parece que o ser humano desde que começou a observar desenvolveu a aptidão cognitiva de classificação. A primeira tentativa consiste em distinguir os seres animados dos inanimados; os minerais dos vegetais e os vegetais dos animais. Entre os animais, não há como confundir um elefante com um leopardo, uma cobra com uma tartaruga. São todos animais, mas porém diferentes.
    Na história da ciência, a classificação dos seres vivos começa na Zoologia e na
    Botânica. Era importante encontrar categorias maiores por sua vez subdivididas em
    categorias menores e subcategorias e assim adiante. Os termos para designar as categorias são como todos os fenômenos lingüísticos convencionais e arbitrários. Assim as principais categorias foram as divisões filo e sub-filo, a classe, a ordem e a espécie. Como homens, pertencemos ao filo dos cordados, ao sub-filo dos vertebrados (como os peixes), à classe dos mamíferos (como as baleias), à ordem dos primatas (como os grandes símios) e à espécie humana (homo sapiens) como todos os homens e todas as mulheres que habitam nossa galáxia. Somos espécie humana porque formamos um conjunto de seres, homens e mulheres capazes de constituir casais fecundos, isto é, capazes de procriar, de gerar outros machos e outras fêmeas. Sem a classificação, não é possível falar de milhões de espécies de animais do universo conhecido. Apenas, no seio da espécie homo-sapiens (homo sábio), a que pertencemos, somos hoje cerca de 6 bilhões de indivíduos. Nessa enorme diversidade humana que somos, da mesma maneira que distinguimos o babuíno do orangotango, não podemos confundir o chinês com o pigmeu da África, o norueguês com o senegalês, etc.
    Em qualquer operação de classificação, é preciso primeiramente estabelecer alguns
    critérios objetivos com base na diferença e semelhança. No século XVIII, a cor da pele foi considerada como um critério fundamental e divisor d’água entre as chamadas raças. Por isso, que a espécie humana ficou dividida em três raças estancas que resistem até hoje no imaginário coletiva e na terminologia científica: raça branca, negra e amarela. Ora, a cor da pele é definida pela concentração da melanina. É justamente o degrau dessa concentração que define a cor da pele, dos olhos e do cabelo. A chamada raça branca tem menos concentração de melanina, o que define a sua cor branca, cabelos e olhos mais claros que a negra que concentra mais melanina e por isso tem pele, cabelos e olhos mais escuros e a amarela numa posição intermediária que define a sua cor de pele que por aproximação é dita amarela Ora, a cor da pele resultante do grau de concentração da melanina, substância que possuímos todos, é um critério relativamente artificial. Apenas menos de 1% dos genes
    que constituem o patrimônio genético de um indivíduo são implicados na transmissão da
    cor da pele, dos olhos e cabelos. Os negros da África e os autóctones da Austrália possuem pele escura por causa da concentração da melanina. Porém, nem por isso eles são geneticamente parentes próximos. Da mesma maneira que os pigmeus da África e da Ásia não constituem o mesmo grupo biológico apesar da pequena estatura que eles têm em comum.
    No século XIX, acrescentou-se ao critério da cor outros critérios morfológicos como
    a forma do nariz, dos lábios, do queixo, do formato do crânio, o angulo facial, etc. para aperfeiçoar a classificação. O crânio alongado, dito dolicocéfalo, por exemplo, era tido como característica dos brancos “nórdicos”, enquanto o crânio arredondado, braquicéfalo, era considerado como característica física dos negros e amarelos. Porém, em 1912, o antropólogo Franz Boas observara nos Estados Unidos que o crânio dos filhos de imigrados não brancos, por definição braquicéfalos, apresentavam tendência em alongar-se. O que tornava a forma do crânio uma característica dependendo mais da influência do meio, do que dos fatores raciais.
    No século XX, descobriu-se graças aos progressos da Genética Humana, que haviam no sangue critérios químicos mais determinantes par consagrar definitivamente a divisão da humanidade em raças estancas. Grupos de sangue, certas doenças hereditárias e
    outros fatores na hemoglobina eram encontrados com mais freqüência e incidência em
    algumas raças do que em outras, podendo configurar o que os próprios geneticistas
    chamaram de marcadores genéticas. O cruzamento de todos os critérios possíveis ( o
    critério da cor da pele, os critérios morfológicos e químicos) deu origem a dezenas de raças, sub-raças e sub-sub-raças. As pesquisas comparativas levaram também à conclusão de que os patrimônios genéticos de dois indivíduos pertencentes à uma mesma raça podem ser mais distantes que os pertencentes à raças diferentes; um marcador genético característico de uma raça, pode, embora com menos incidência ser encontrado em outra raça. Assim, um senegalês pode, geneticamente, ser mais próximo de um norueguês e mais distante de um congolês, da mesma maneira que raros casos de anemia falciforme podem ser encontrados na Europa, etc. Combinando todos esses desencontros com os progressos realizados na própria ciência biológica (genética humana, biologia molecular, bioquímica), os estudiosos desse campo de conhecimento chegaram a conclusão de que a raça não é uma realidade biológica, mas sim apenas um conceito alias cientificamente inoperante para explicar a diversidade humana e para dividi-la em raças estancas. Ou seja, biológica e cientificamente, as raças não existem.
    A invalidação científica do conceito de raça não significa que todos os indivíduos
    ou todas as populações sejam geneticamente semelhantes. Os patrimônios genéticos são
    diferentes, mas essas diferenças não são suficientes para classificá-las em raças. O maior problema não está nem na classificação como tal, nem na inoperacionalidade científica do conceito de raça. Se os naturalistas dos séculos XVIII-XIX tivessem limitado seus trabalhos somente à classificação dos grupos humanos em função das características físicas, eles não teriam certamente causado nenhum problema à humanidade. Suas classificações teriam sido mantidas ou rejeitadas como sempre aconteceu na história do conhecimento científico.
    Infelizmente, desde o início, eles se deram o direito de hierarquizar, isto é, de estabelecer uma escala de valores entre as chamadas raças. O fizeram erigindo uma relação intrínseca entre o biológico (cor da pele, traços morfológicos) e as qualidades psicológicas, morais, intelectuais e culturais. Assim, os indivíduos da raça “branca”, foram decretados coletivamente superiores aos da raça “negra” e “amarela”, em função de suas características físicas hereditárias, tais como a cor clara da pele, o formato do crânio (dolicocefalia), a forma dos lábios, do nariz, do queixo, etc. que segundo pensavam, os tornam mais bonitos, mais inteligentes, mais honestos, mais inventivos, etc. e conseqüentemente mais aptos para dirigir e dominar as outras raças, principalmente a negra mais escura de todas e conseqüentemente considerada como a mais estúpida, mais emocional, menos honesta, menos inteligente e portanto a mais sujeita à escravidão e a todas as formas de dominação.
    A classificação da humanidade em raças hierarquizadas desembocou numa teoria
    pseudo-científica, a raciologia, que ganhou muito espaço no início do século XX. Na
    realidade, apesar da máscara científica, a raciologia tinha um conteúdo mais doutrinário do que científico, pois seu discurso serviu mais para justificar e legitimar os sistemas de dominação racial do que como explicação da variabilidade humana. Gradativamente, os conteúdos dessa doutrina chamada ciência, começaram a sair dos círculos intelectuais e acadêmicos para se difundir no tecido social das populações ocidentais dominantes. Depois foram recuperados pelos nacionalismos nascentes como o nazismo para legitimar as exterminações que causaram à humanidade durante a Segunda guerra mundial.
    Podemos observa que o conceito de raça tal como o empregamos hoje , nada tem de
    biológico. É um conceito carregado de ideologia, pois como todas as ideologias, ele
    esconde uma coisa não proclamada: a relação de poder e de dominação. A raça, sempre
    apresentada como categoria biológica, isto é natural, é de fato uma categoria etnosemântica.
    De outro modo, o campo semântico do conceito de raça é determinado pela estrutura global da sociedade e pelas relações de poder que a governam. Os conceitos de
    negro, branco e mestiço não significam a mesma coisa nos Estados Unidos, no Brasil, na África do Sul, na Inglaterra, etc. Por isso que o conteúdo dessas palavras é etno-semântico, político-ideológico e não biológico. Se na cabeça de um geneticista contemporâneo ou de um biólogo molecular a raça não existe, no imaginário e na representação coletivos de diversas populações contemporâneas existem ainda raças fictícias e outras construídas a partir das diferenças fenotípicas como a cor da pele e outros critérios morfológicos. É a partir dessas raças fictícias ou “raças sociais” que se reproduzem e se mantêm os racismos populares.
    Alguns biólogos anti-racistas chegaram até sugerir que o conceito de raça fosse
    banido dos dicionários e dos textos científicos. No entanto, o conceito persiste tanto no uso popular como em trabalhos e estudos produzidos na área das ciências sociais. Estes, embora concordem com as conclusões da atual Biologia Humana sobre a inexistência científica da raça e a inoperacionalidade do próprio conceito, eles justificam o uso do conceito como realidade social e política, considerando a raça como uma construção sociológica e uma categoria social de dominação e de exclusão.
    A questão mais importante do ponto de vista científico não é apenas observar e
    estabelecer tipologias, mas sim principalmente encontrar a explicação da diversidade
    humana. Antes de Darwin e seus predecessores (Lamarck), a representação do mundo tido
    como criado, era estática e imóvel. As variações entre os organismos tinham uma
    explicação metafísica. Mas Darwin demonstrou a partir dos princípios da seleção natural (A Evolução da Espécie,1859), que os organismos vivos evoluíram gradativamente a partir de uma origem comum e se diversificaram no tempo e no espaço, adaptando-se a meios hostis, diversos e em perpétua transformação. A variação dos caracteres genéticos, fisiológicos, morfológicos e comportamentais hoje observados, tanto entre as populações vegetais e animais como humanas, correspondem em grande medida a um fenômeno adaptativo.
    Exemplos: uma pele escura concentra mais melanina que uma pele clara, pois protege
    contra a infiltração dos raios ultravioletas nos países tropicais; uma pele clara é necessária nos países frios, pois auxilia na síntese da vitamina D. Graças aos progressos da ciência e da tecnologia, a adaptação ao meio ambiente não precisa mais hoje de mutações genéticas necessárias no longínquo passado de nossos antepassados.
    A diversidade genética é absolutamente indispensável à sobrevivência da espécie
    humana. Cada indivíduo humano é o único e se distingue de todos os indivíduos passados, presentes e futuros, não apenas no plano morfológico, imonológico e fisiológico, mas também no plano dos comportamentos. É absurdo pensar que os caracteres adaptativos sejam no absoluto “melhores” ou “menos bons”, “superiores” ou “inferiores” que outros.
    Uma sociedade que deseja maximizar as vantagens da diversidade genética de seus
    membros deve ser igualitária, isto é, oferecer aos diferentes indivíduos a possibilidade de escolher entre caminhos, meios e modos de vida diversos, de acordo com as disposições naturais de cada um. A igualdade supõe também o respeito do indivíduo naquilo que tem de único, como a diversidade étnica e cultural e o reconhecimento do direito que tem toda pessoa e toda cultura de cultivar sua especificidade, pois fazendo isso, elas contribuem a enriquecer a diversidade cultural geral da humanidade.

    Quanto ao Rock na Bahia, anos 70, vale lembrar da banda “MAR REVOLTO”, que tocava no ICBA, corredor da Vitória. Era legal!

  208. Laureano - "Vicious. You hit me with a flower." disse:
    Novembro 13th, 2008 at 8:25 pm

    Caramba… si, Exequiela. Conozco la canción “Presente”, y casualmente la odio tanto o mas de lo que vos la odiás.
    Odio en general todo cliché de fogón.
    Parece que mis comentarios hacen suponer que soy un poco naif, pero no. Dios me libre!

    En el booklet de A Foreign Sound hay una cita de Sinatra:
    ” Rock ´n Roll smells phony and false. It is sung, played, and written for the most part by cretinous goons, and by means of its almost imbecilic reiteration, and sly, lewd, in plain fact, dirty lyrics, it manages to be the martial music of every sideburned delinquent on the face of the earth. It´s the most brutal, ugly, desperate, vicious form of expression it has been my misfortune to hear.”

    Yo adopto y admiro esa forma de expresión, y a sus cretinos imbéciles representantes.

  209. Janio disse:
    Novembro 13th, 2008 at 8:52 pm

    Hélio Gadelha, meu querido “H”, técnico de som da lendária banda de rock baiana Mar Revolto (foi nela que Brown deu seus primeiros toques no tambor), me mandou essa bela matéria sobre a história do rock baiano, escrita pelo jornalista Zezão Castro. Vale a pena dar uma olhada.

    Com 50 anos nas costas e sem sinal de reumatismo, o rock’n’roll baiano deve ter acendido velas a Deus e ao Diabo para continuar existindo. Dos tremeliques de Raulzito imitando Little Richard, passando pela onda do iê-iê-iê, o jazz rock do Creme e o hard rock do Mar Revolto, muita fumaça subiu após velhos conceitos terem sido incinerados na velha Bahia. Vale relembrar, em meio século de existência, o legado punk do Camisa de Vênus, em Salvador, os anos 80 com Ramal 12 e Utopia, os 90 com a Úteros em Fúria, a cena heavy metal… enfim, é muita farofa até chegar em Pitty e o papel da MTV no rock nacional.

    Quando o rock chegou à Bahia não foram exatamente os requebros de Elvis que provocaram a ruptura, pois rebolado aqui nunca espantou ninguém. A primeira descarga elétrica, por assim dizer, se deu quando o filme ‘Sementes da Violência’ (Blackboard Jungle, 1955), de Richard Brooks, foi exibido em Salvador. Cinemas foram depredados pela adrenalina dos bad boys. Na trama, os estudantes assumiam o controle da escola, ao som de Bill Haley, que fazia o papel dele mesmo cantando a clássica Rock Around The Clock. Bastou.

    Embora outros filmes tivessem ajudado a espalhar pelo mundo um novo padrão estético, com cabelos gomalinados e jaquetas de couro, as trilhas sonoras eram quadradas, sem o poder incendiário do novo ritmo. O roqueiro Raul Seixas, que morreu há 15 anos, foi um dos que assistiram às explosivas exibições de Sementes em Salvador e confessou em entrevista concedida à jornalista Ana Maria Bahiana, já nos anos 70, como foi que a onda bateu.

    “Foi uma loucura pra mim. A gente quebrou o cinema todo, era uma coisa mais livre, era minha porta de saída, era minha vez de falar, de subir num banquinho e dizer – eu estou aqui. Eu senti que ia ser uma revolução incrível. Na época, eu pensava que os jovens iam dominar o mundo”, relembrou Seixas. Corria o ano de 1956, Raul tinha 12 anos e o outro pioneiro, Waldir Serrão, (Big Ben, a partir de 1967), 16. Os dois moravam na Cidade Baixa e foram apresentados por Titó, que disse para o garoto Raulzito que conhecia um cara com mais discos que ele.

    Por convenção, o marco zero se deu quando Elvis Presley legitimou a fórmula “groove de negro em voz de branco” com o lançamento de ‘Blue Moon of Kentucky’ (Bill Monroe) no lado A e ‘That’s All Right Mama’, no B, em julho de 54. Os adolescentes foram inseridos oficialmente no circuito de consumidores de cultura musical. Outros vieram no vácuo. A molecada gostou. Os homens de negócio sacaram o movimento, prensaram, empacotaram e venderam o produto para o mundo.

    Na Bahia, o primeiro programa dedicado ao rock surgiu em 1959 na Rádio Cultura. “Era o Só para Brotos,” com locução de Almir Duarte, depois Jaime Farrel e também Waldir Serrão. Com a febre do rock subindo, foi montada também a primeira banda de que se tem notícia na Bahia – Waldir Serrão e seus Cometas –, em 1957, com o próprio Serrão, Barbeirinho, Antônio Carlos, Edvaldo Gonzaga e Hélio Rocha, segundo ele conta.

    A febre do iê-iê-iê baiano

    O rock 60 no Brasil ganhou o nome de iê-iê-iê por causa do refrão de She Loves You, dos Beatles, em 1964. Um fenômeno curioso que só aconteceu no Brasil. Conseqüentemente, o solista perdeu terreno, e os conjuntos viraram moda em todo o mundo. Antes disso, do estouro dos quatro de Liverpool, Raulzito já tinha criado Os Relâmpagos do Rock, com os irmãos Thildo e Délcio Gama em 62 (antes de Os Panteras). Pepeu Gomes, com 11 anos, criou Los Gatos, Armandinho, no mesmo embalo, criou depois o Hell’s Angels, (com o irmão Betinho no baixo, Everaldo, na guitarra, Kau na bateria). No sertão de Caetité, surgiram Os Tártaros, especializados em Jovem Guarda.

    Antenada, a Rádio Cultura promoveu em Salvador concursos de twist, com distribuição de brindes. Apenas um estúdio funcionava na Bahia nessa época, o JS Discos, na Rua Bonifácio Costa, onde foi registrado ‘Nanny’, em 64 (de GinoFrey), com The Panthers. No ano seguinte, eles adotaram o nome Raulzito e Os Panteras, que gravaria LP homônimo de estréia pela Odeon, em 68, mas nada aconteceu. Apenas uma rede de televisão funcionava nesse tempo, a TV Itapoan, inaugurada em 19 de novembro de 1960. A TV Aratu seria inaugurada em 1969.

    As bandas surgiram em profusão, no rastro de Renato e seus Blue Caps, The Jetblacks como Os Labaredas e The Brazilian Crickets (Jeff Cesar, crooner, Álvaro, guitarra-solo, Brasil, guitarra-base, Joílson, baixo e Júnior, bateria). Havia também Eles Quatro, Os Cinco Loucos, The Gentleman (Pepeu com os irmãos Carlinhos e Jorginho), Os Príncipes do Iê-Iê-Iê (Luciano Souza, Ricardo Souza e Gegéu), Brasa Bossa, Thildo e Seus Bossas, Os Jovens, (também com Thildo), Os Jormans, MJ6 e Bossa Jovem.

    Os Minos abrigava em sua formação dois ícones da guitarra brasileira Luciano Souza e Pepeu Gomes, na época contrabaixista. Completavam a formação, Ricardo Souza, irmão de Luciano, na guitarra-base, e o baterista Jorge Gomes, hoje músico de Gilberto Gil. “Nós fomos para São Paulo e ficamos dois anos por lá, tocamos no programa ‘O Bom’, de Eduardo Araújo, na TV Excelsior, e depois voltamos para cá, em 68”, conta Luciano Souza.

    Em Salvador, nos anos 60, os espaços para shows eram raros. O principal point ainda era o Cinema Roma, o Templo da Juventude, na Cidade Baixa, onde Big Ben produzia as matinais do rock. No Hotel da Bahia, tinha o Grill Room. A Fenit, que sempre chamava bandas locais, e o Clube Mesbla, no Largo Dois de Julho. Havia também os programas de auditório na TV Itapoan, onde os roqueiros tocavam música de caubói.

    Surf Music baiano

    Thildo Gama, já saído dos Panteras, também furou o bloqueio e conseguiu lançar o compacto Thildo Gama com Os Terríveis pela Astor em 67. No lado A, ‘Bonequinha’, versão de Waldir Serrão para ‘Pretty Woman’, de Roy Orbinson. No B, vinha ‘Você é Inspiração’ (Jeff Cezar e Thildo Gama), ambas vinham com a designação surf, sendo, ao que se sabe, a primeira gravação de um artista baiano a designar sua produção dentro do subgênero surf music. Hoje, o roqueiro é também técnico contábil e ressurgiu artisticamente após a morte do parceiro Raul.

    Na JS Discos, de Jorge Santos, que funcionava na Rua Bonifácio Costa, uma transversal da Rua Chile, em 1968, Tuzé de Abreu e outros gravaram um dos itens mais raros do rock baiano, a música-tema do filme ‘Meteorango Kid’ (André Oliveira, 1969). Nessa época, após voltar de São Paulo com Os Minos, Pepeu troca o contrabaixo pela guitarra e cria Os Leif’s, em 1968, com os irmãos Carlos e Jorginho. Os tempos já eram outros.

    Tropicalismo: pimenta no hambúrguer

    Com o surgimento do movimento estético cultural chamado Tropicalismo, em 1968, brota uma nova forma de expressão musical, sem a obrigação de só falar em festas de arromba, ao modo da Jovem Guarda, tampouco com a obrigação de fazer fundo musical para passeatas. Elementos da cultura nacional passaram a se mesclar com ingredientes estrangeiros como fórmula. Gil apresenta-se na capa de um LP com uniforme militar, como Hendrix fazia do outro lado do Atlântico, e Caetano discursava com atitude em ‘É Proibido Proibir’.

    Tom Zé completava a zona gravando ‘Jimi Renda-se’, colorindo o sarro. Gal Costa produziu os discos mais rock’n’roll de sua carreira no período 68-72, antes de ser uma costela da MPB. No caldo da Tropicália: Wanderléia, Beatles, Mestre Bimba, samba, Jackson do Pandeiro, Dodô e Osmar, Hendrix, Vicente Celestino e Mutantes. Os puristas acharam que eles eram americanistas por usar a guitarra. Pobres moços, não sabiam que Dodô (Adolfo Nascimento) tinha inventado o pau elétrico e a guitarra baiana.

    Derretendo a cuca

    Com a ida de Gil e Caetano para o exílio em Londres e o posterior mergulho na MPB, a peteca do rock na Bahia ficou nas mãos de Os Novos Baianos (NB), que lançaram o primeiro disco pela RGE com o título ‘Ferro na Boneca’, nome de uma faixa considerada iê-iê-iê psicodélico, com o pedal fuzz plugado na guitarra dando um timbre saturado semelhante ao de ‘Satisfaction’ dos Rolling Stones.

    Em sua formação, ícones da MPB como Baby Consuelo (carioca de Niterói), Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão, letrista e mentor. Mais tarde, Pepeu, que já era Leif’s e tocou no primeiro LP, entrou, oficialmente. Viviam em comunidade no Rio de Janeiro, quando João Gilberto aportou no sítio da galera e a bossa-nova do juazeirense impregnou o grupo. Voltaram à pauleira num hiato em ‘Barra Lúcifer’, rockaço do LP ‘Caia na Estrada e Perigas Ver’ (Tapecar 76). Gravaram ainda oito discos e encerraram a carreira em 1980.

    Os anos 70 testemunharam, definitivamente, a coroação de Raul Seixas. Gita (Phillips, 74) estourou e outros hits, frutos de parcerias com o “mago” Paulo Coelho. Os anos 70 cristalizaram as divisões do rock: glitter rock, progressivo jazz-rock, acid rock, punk rock e outras etiquetas que as lojas inventaram.

    Surge então, por volta de 1973, o Mar Revolto composto por Luiz Brasil, Geraldo Benjamin, Octávio Américo, Raul Carlos Gomes, Jorge Brasil e Vicente dos Santos. “No palco, eles eram mais rock’n’roll do que nos discos e eu ainda tenho as fitas de rolo de um show no Acbeu dos anos 60 que era pau puro”, revela o ex-técnico de som da banda, Hélio Abreu Neto, o Helinho. O grupo gravou dois LPs, já nos 80, e acabou pouco depois.

    Mito do jazz-rock baiano

    Mas ninguém brilhou na constelação rock dos anos 70 mais do que o guitarrista baiano Luciano Souza, que integrou o grupo Creme (substituindo Perinho Santana) ao lado de Moisés Gabrielli (baixo), Jaime Sodré (bateria) e Luciano Silva (baixo). Em 1974, o grupo tinha radicalizado na “nordestinização do jazz-rock, com o show ‘Esporas e Chicotes’, improvável encontro de Mahavishnu Orquestra com Luiz Gonzaga.

    É um mito vivo, embora, com seu jeito simples, não pareça dar a mínima para os que insistem em lhe chamar de mestre. Reclama apenas que velhos amigos não o visitam mais no apartamento 102 do Edifício Cachoeira, na Avenida Visconde de Itaborahy, em Amaralina. Mergulhou fundo na onda psicodélica: “Minha geração foi a geração do ácido”, relata. Sofreu na pele as seqüelas e vive em paz com elas.

    Quando integrava o conjunto de rock progressivo Som Nosso de Cada Dia, um dos cinco melhores em jazz-rock do planeta, como dizia a crítica da época – a banda abriu para o Gênesis, em São Paulo, grupo de progressivo inglês –, o guitarrista Steve Hackett deu-lhe a guitarra após vê-lo tocar. Vendeu a guitarra para Armandinho, anos depois.

    A cena 70

    Em meados dos anos 70, um dos clãs mais musicais da Bahia também estava na onda do rock’n’roll: os Brasil, que tocavam com outros grupos nas matinês rock do Teatro Vila Velha. “Uma delas era a Nirvana, onde tocavam Mô Brasil e Octávio Requião, além dos Nuvens Negras, que tinha Luiz Brasil na formação”, relembra o jornalista Eduardo Bastos, que trocou o sertão de Caetité pela capital quando fervia o jazz-rock em 1978. Os shows nessa época aconteciam no Teatro do Colégio Iceia, na Faculdade de Arquitetura da UFBA ou no Teatro Vila Velha, reduto da bossa nos anos 50 e 60 e que, na década seguinte, viraria hangar do rock’n’roll baiano e celeiro do punk com o Camisa de Vênus.

    * Zezão Castro é jornalista na Bahia. Este texto foi publicado originalmente no jornal A Tarde.

  210. Carolina disse:
    Novembro 13th, 2008 at 9:25 pm

    Gente esse negócio ta fervendo, né?
    Bom mas lendo o comm do Caetano sobre Caymmi, tem uma música de caymmi que eu descobri com o Nouvelle Cuisine que fiquei ouvindo horas e horas. Depois parei de ouvir pra não gastar. O nome me foge mas a letra diz assim: Você não sabe amar meu bem, não sabe o que é amor, nunca viveu, nunca sofreu e quer saber mais que eu. O nosso amor parou aqui…”
    TAMBÉM EMOCIONA MUITO!
    E como o show circuladô de Caetano foi um divisor de águas na minha vida cultural, chega de saudade interpretada por caetano no Teatro da Paz em Belém do Pará há muitos anos foi A ELEITA!!!

  211. Fernando Salem disse:
    Novembro 13th, 2008 at 9:53 pm

    Boa Gravata! Adorei!

    RELEASE QUE SERVE PRA QUALQUER BANDA (TEMPLATE)

    “A Banda X faz um pop que flerta com o eletrônico e faz releituras de antigas canções revisitadas com roupagem nova. Com ritmos variados os componentes passeiam várias vertentes da MPB. Vindos da vanguarda underground a banda promove uma fusão de tendências num único caldeirão.”

    É mais ou menos assim que os caras escrevem, né?

    abração

    Salem

  212. laurene disse:
    Novembro 13th, 2008 at 10:39 pm

    OI, Caetas. Já acendi uma vela e pensei em vcs em minhas orações para que você ganhe os Grammys latinos. Encare como um apelo neomístico.

    E eu me dou ao direito de, embora respeitando os linguistas, não gostar de ouvir “sorrrta a porrta do elevadorrrr porr favorrr”.

  213. Fernando Salem disse:
    Novembro 13th, 2008 at 10:40 pm

    Caracoles! Vocês viram a Cicarelli e o Tas no Grammy Latino? Nós por aqui estamos em outro planeta! É um luxo a gente falar de Roda Viva, Tropicália, rock baiano e miscigenação racial.

    Aquilo é a síntese do que está na letra de Rock in Raul. Uma festa provinciana desencontrada, simulacro de premiação gringa com cara de festa de formatura de faculdade de esquina.

    Ri muito com envelopes errados sendo abertos com o vencedor de outra categoria, o microfone baixo obrigando Cicarelli a ficar corcunda por mais de 2 horas, textos do além, entregadores de prêmio obrigados a ler o teleprompter. Deu dó do Pepeu.

    Oraganizações Tabajara total!

  214. glauber guimarães disse:
    Novembro 13th, 2008 at 11:08 pm

    salem,
    seu release tá hilario, cara. hahahaha

    olha o [anti]release que escrevi para o meu projeto atual:

    “glauber guimarães, jorge solovera, heitor dantas, ricardo alves e tadeu mascarenhas, cansados da vida de modelo e atriz, unem-se para fazer música. livre como a vida deve ser, o - nome do projeto - é um conjunto musical de boa índole. no mais, tire suas próprias conclusões. e boa sorte, que nunca é demais.” hahahahahaha

    escrevi em 2006. este ano o reduzi a uma única frase.

    ………….

    good,
    obrigado. para sorte de miss siquara, não uso mais aquele corte de cabelo, hahaha

    ………………..

    professor rocha,
    seu comentário lerei amanhã pela manhã, hoje estou deveras cansado da lida. hoje foi punk.

    …………

    sugestão para o tal hino: “desabafo e desafio” [morais moreira]. do disco de 75, que é incrível.
    até mais vê-los. juízo, hein…

  215. antonio monteiro de barros disse:
    Novembro 14th, 2008 at 12:04 am

    Estive lendo alguns posts, ou comentários, que me pareceram interessantes. Relembro as pichações (também fui pichador de paredes) que croiu a figura do Faustino. Eram anos rebeldes,seja no plano político, seja no plano das drogas. Recordo Raulzito e seus Panteras tocando em festinhas particulares. Ele com aquele estilo de rockeiro (meio James Dean, meio Marlon Brando e,sem
    dúvida alguma, influenciado pelo Elvis)faziam com que os “pais de família” da época proibissem suas filhas de se aproximarem dele. Ele deve ter sofrido muito com estas proibições, típicas daquela época (anos 60). Apesar de Bill Halley ter sacudido a juventude (anos 50) com seu ritimo alucinante, Elvis era o rei do rock. Mas o rock and roll não tinha a força e a vitalidade da Bossa Nova que levava o pessoal da minha turma de primario cantar canções como “O Barquinho”. Havia uma forte reação contra as músicas alienigenas e a defesa da nossa música era muito forte. Os roqueiros viveram a jovem guarda sob a batuta do rei Roberto e do seu amigo “irmão, camarada”, Erasmo Carlos. Waldir Serrão tinha até programa de televisão, mas não prosperou. Era famoso, dançava bem e enrrolava no inglês, como quase todos os demais rockeiros. O ingles não era o forte, mas eles pareciam cantar do modo mais correto possivel. O que importava mesmo era o ritmo e não a letra porque ninguém entendia nada de inglês, salvo os alunos da escola panamericana que funcionava no Campo Grande e alguns intelectuais e filhinhos de papai. Havia uma guerra entre os roqueiros dos anos 60, que melhor seria denomina-los como integrantes da jovem guarda. A Bossa nova é que tinha força, mas o violão diante da guitarra perdia longe. Durante muito tempo se discutia se deviamos aposentar o violão e passar a usar a guitarra nas músicas nacionais. Foi ai que o Caetano pulou o muro e botou pra quebrar com Alegria, Alegria. Não sei se ele sofreu algum tipo de represalia. Foi muito bom Caetano ter assumido a guitarra e eu acho que este foi um dos maiores marcos da tropicalia, pois com a guitarra ele mesclou bossa-nova com rock and roll sem fugir das nossas raizes. Em suma, ele inovou e deu um passo para a linha evolutiva da nossa MPB, juntamente com Rita Lee e os Mutantes. Gil também seguiu Caetano. Eles eram o orgulho dos baianos. Mas, localmente, havia um estranhamento entre os bossanovistas e os jovemguardistas (ie-ie-iê + rock and roll). Os acordes da guitarra foram sendo aceitos de forma parcimoniosa. Geraldo Vandré era um icone das esquerdas, Chico também caiu nas graças das esquerdas, enquanto Caetano sofria uma rejeição espantosa. Não era por ser baiano, mas era porque ele era inovador e não estava engajado com as lutas políticas que culminariam com a luta armada. Foi preso, sofreu como um corno, morreu de medo ( o que é normal). Dedé foi uma companherissima dele e lutou muito até chegar a ver Caetano. Lebro de caetano, antes do exilio, ter declarado que os sucessores dele e de gil seriam os novos baianos (grandes figuras… Galvão, Paulinho Boca de cantor, Pepeu, Baby do Brasil… todos louquerrímos, lisergianamente loucos e muito cultos. Também sofreram muito, mas resistiram do modo que podiam. Então, com o endurecimento do regime, com o AI-5, o bicho pegou e a música estrangeira passou a dominar. Chico era quase o único que conseguia ser ouvido e tocado. Fabio Júnior e outros usavam nomes estrangeiros e cantavam em inglês vários sucessos. Mar Revolto era a banda dos anos 70. O ambiente fervilhava e havia muita fumaça canabiana no ar. E o rock nacional só vei se firmar nos anos 80, creio. Com o exilio de muitos artistas da nossa MPB o espaço ficou fácil de ser preenchido pela música estrangeira. Não sei a razãopela qual Caetano sempre era reprovado pelas esquerdas e a coisa só melhorou pra ele quando voltaram do exílio. Mesmo assim prenderam Gil por porte de marijuana (uma erva inofensiva se a compararmos com o alcool). Muita gente foi perseguida políticamente e quando não tinha como ser apanhado, a repressão buscava prender quem usava o fuminho. Quem não fumou, não viveu essa época de modo completo. Pra viver na ditadura “só mesmo embriagado, ou muito louco”. Caetano diz que não se deu bem, mas meteu a pacoteira na latrina e deu a descarga. O relato de Janio é interessante. Quanto a presença de Raul no cinema eu não sei dizer se o filme era impróprio para menores. Raul escreveu que participou com Waldir - em o Balanço das Horas (57)… Bom, ele nasceu em 45 e a sessão do Guarani, todo quebrado, foi parar nas ruas. O fenomeno foi mundial… depois Elvis roubou a cena até o surgimento do Beatles e dos Rolling Stones e o Brasil continuou com seus icones: Chico, Vandre, Caetano e Gil e as baianinhas Betania e Gau (gal burgus), além de Elis e Nara Leão. Tempo bom não volta mais. Caetano já não toca frevo pq aqui quem governa é o axé e o pagode e, “nas trincheiras da alegria” agora explode o pagode com suas letras mediocres. Pagode bom é de Martinho da Vila e Zeca Pagodinho. Racionais é muito bom pelo conteúdo de denúncia social e Caetano, Gil, Chico continuam no poder, numa “nice”. Caetano agora até é totalmente demais: antropologo, físico, químico, crítico, analista, gramatologo e etc… Ele polemiza e não tá nem ai pra porra nenhuma. Tem o espaço dele, ou não?
    Saudações tropicalistas e tonzenianas.

  216. Guido Spolti disse:
    Novembro 14th, 2008 at 5:59 am

    Não é nada disso, alguém fez confusão!

    O riso como forma combativa=deboche tropicalista=Gilberto Gil com um tomate na boca e riso debochado tentando sacar a galera irada.

    Não é questão de dividir as canções entre alienadas, de protesto (Pense no Haiti) ou quaquer outra coisa; é um papo de ver a figuratividade de cada canção; se tomássemos, por exemplo, o modo de ver o carnaval pela ótica de uma mpb romântica, nostálgica, presente em canções como “Marcha de quarta feira de cinzas” “Noite dos Mascarados” e “Não Identificado” que diferenças encontráriamos na visão “do sujeito” de cada canção? É notória a diferença; o mesmo se dá com a questão nacionalista, o pessoal do Centro Popular de Cultura (não só, famos dizer, em sua forma nacionalista-xenófoba e sua forma de ver na canção a luta contra o imperialismo norte-americano que se traduzia numa forma limitada de criação artística por se voltar quase exclusivamente por salvar “o morro” e “o sertão”, é totalmente diferente de uma expressão de Oiticica, que, preocupando-se em atuar contra uma arte burguesa que ao invés de dizer a vitalização da favela, demonstrou esteticamente a efervescência do morro; o mesmo ocorreu com uma arte de um Zé Celso que ao chamar os atores para “tirarem a bunda da cadeira” e extravasar no palco o que não conseguiam fazer na vida real, ou seja, reconhecerem-se como pequenos burgueses em sua vivência; sem falar na zombaria, na ridicularização da nação presente na canção Made in Brazil do “Panis”, onde uma desconstrução da identidade/originalidade da nação é estilhaçada.

    Há inúmeros exemplos que, de um ponto de vista mais sociológico, vem dar como o fazer, o pensar de cada grupo.

    Quero dizer, o tropicalismo é rizomático. Ele desloca os platôs da cultura, da realidade nacional, ele sai da questão identitária do o tropicalismo é: e isto está explícito em suas canções.

    Há muito o que se dizer: aliás, seria bem tropicalista Geraldo Vandré cantando Baby e os Mutantes cantando “Pra não dizer que não falei das flores ou Caminhando (o percurso da caminhada entre canções ditas tropicalistas e emepebistas é bem interessante.

    Obs: a canção Lindonéia é uma homenagem ao “retrato ainda na parede” meio amarelado pelo tempo.

    Beijos mis.

    No caso dos tropicalistas (na melhor abrangência que possa haver no termo)

  217. Fernando Salem disse:
    Novembro 14th, 2008 at 6:06 am

    No Grammy latino tinha cateorias do tipo Melhor Música Sertaneja Regional de Raiz. Pode? Ou Melhor Música Regional Contemporânea. E o juri é formado por executivos de gravadoras. E o Lobão tava lá. O mesmo que criticou as majors no Congresso e defendeu a numeração dos CDs. Tava lá concorrendo, tudo bem. Mas quem votou nele foram os caras que o vendem.

    Caetano disse que a gente tem uma certa tara por democracia. Por aqui fazemos enquetes e listas, falamos de democracia racial e o escambau.

    Mas ainda vamos ter que engolir muito Grammy pra aperfeiçoar nossos métodos democráticos.

    Comentar em um blog como este já é um avanço. Foi por isso que defendi desde o começo uma desmoderação completa e a liberdade de escrever sem o rigor de tudo ter que estar relacionado ao post do Caetano.

    Vamos nos divertindo e aprendendo. Mais uma vez: Distraídos Venceremos (Paulo Leminski)

  218. Guido Spolti disse:
    Novembro 14th, 2008 at 6:07 am

    ia continuar mas deixei pra lá, a vida é muito mais, apesar da “questão do senado”, que pode até ser burra, mas é pertinente?

    Ou será que a contextualização de uma, chamarei de vanguarda, cultural nos manuais didáticos é nociva? Será que nossas escolas devem se ater ao “velho padrão” de só ensinar história política, relegando a segundo plano questões “menos” importantes como Tropicália e Bossa Nova? Que questões seriam pertinentes a um Concurso do Senado ou qualquer outro tipo de provas? Ou será que eles deveriam ter perguntado se Jorge Ben(jor) é ou não um tropicalista?

  219. Nando disse:
    Novembro 14th, 2008 at 7:21 am

    Opa, derrapei com gosto: “interseções”, não “intercessões” (lá em 13/11, 1:15pm).

    Roberto Joaldo de Carvalho:

    “é preciso saber-se um caos para ser uma estrela”.

    Talvez fosse mais rigoroso: “é preciso saber-se Luz para ser uma estrela”. Pode haver caos e não haver estrela. Mas, havendo Luz (não crepuscular nem de penumbra, muito menos fogo-fátuo, mas Luz fiel a si mesma em seu esplendor) haverá estrela!

    De qualquer sorte, o caos é inevitável; é um (dos) portal(is). Poderá gerar ou não estrela (há os chamados desvios de iniciação e estes não são menos atraentes).

    Para ti: “Última Inspiração”, do Peter Pan, na interpretação do Gereba, CD “Serenata na UMES”. Deus em forma/som de violão!

    Abraço,

  220. Nobile José disse:
    Novembro 14th, 2008 at 7:32 am

    e no meio dessa confusão, segue uma reflexão, do murilo mendes, que amo de paixão:

    Reflexão n°.1
    Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho
    Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio
    Nem ama duas vezes a mesma mulher.
    Deus de onde tudo deriva
    É a circulação e o movimento infinito.

    Ainda não estamos habituados com o mundo
    Nascer é muito comprido.

  221. José Luis disse:
    Novembro 14th, 2008 at 8:01 am

    Olha, eu tenho o maior prazer em ser um mestiço, em ter a cor brasileira, de possuir em minha genetica todos matizes de cores. Sou branco, negro, cafuzo, tupinambá, mouro, romano, francês. Gosto da pele “morena” (adoro a palavra morena)… Sou cabo verde, sou a COR BRASILEIRA e me sinto ótimamente bem com o que Deus me deu. Me dou bem com as gatinhas que não me olham com os olhos do preconceito. Eu nem me incomodo com os invejosos que me vêem colado com lindas gatas. Gosto das “sapatonas”, elas são maravilhosas e não tô nem ai pra preconceito.
    Adorei Marina Lima confessando o caso dela com GAU. Não tô nem ai pra o lance da cor da pele. Eu só preciso de um pouco mais de grana pra viver mais do jeito que gosto. Das farras, da boemia, das loucuras noturnas. De sair pela cidade, de respirar o ar da orla de Salvador e, com todo respeito, de transar com putas, de ser eu mesmo. Eu quero é viver e vivo, mas tenho vontade de viver mais e mais e com tamanha intensidade que minha grana não dá. Acho que Salvador ficou pequena demais pra o tamanho dos meus sonhos. Mas, esse papo de se debater questão racial já “tá qualquer coisa”. Deixem Barack Obama na dele, deixem ele ser o que ele quiser ser. Esqueçam o que ele aparenta e se liguem na essência do ser, na consciência do ser. O resto não importa. A América do Norte deu uma prova ao mundo de que essa coisa de raça tá demodê. Abraço respeitoso a todos.

  222. claudio disse:
    Novembro 14th, 2008 at 8:08 am

    postar em blogs de internautas
    me enchem de incertezas e preguiça
    quem lê tanta cortiça?

  223. laurene disse:
    Novembro 14th, 2008 at 8:14 am

    Oi, pessoal. Olha, reflitam: se o tropicalismo for tudo, então o tropicalismo é nada. Perguntei a uma pessoa que leu a bibliografia da tropicália e ele me disse que nunca viu alguém analisando Roda Viva como espetáculo tropicalista. Isso é coisa para acadêmicos. Labi, eu marcaria a alternativa Xyko.Nem toda loucura é genial, nem toda a genialidade é loucura.

    Márcio: O Schwarz dele não tem “t”. Sem “t” não há solução. Bom, curto essa onda dele, o artigo dele sobre o Caetano, Cultura e Crítica 1964-69 é rico, muito bom, pouco lido. Está no relançado Pai de Família.

    É um texto complexo. Tem só um ponto que aponto: Caetas, Glauber, Boal, Zé Celso não fizeram parte da patota do Efeagá no tal seminário marxista e não sabiam das teorias que ele cobra deles ali, mas ele coloca como se, da mesma forma que os artistas deveriam saber de todas as teorias dos professores uspianos, “essas velhas tartarugas”…

  224. quito ribeiro disse:
    Novembro 14th, 2008 at 9:05 am

    Teteco e Galuber,

    Viva Betão e Giló,

    As minhsa músicas (com gravação preferida)

    Brasil: Desde criança águas de março(por tom jobim) e Na Baixa do Sapateiro (por João Gilberto)

    Caetano: atualmente Uns

  225. glauber guimarães disse:
    Novembro 14th, 2008 at 9:08 am

    antonio monteiro, professor rocha, nando, merengue, salem e caetano, dão show nos últimos comentários. cada um no seu estilo.

    estava a par das coisas que foram ditas, mas não com a riqueza de detalhes e eloquência com que vocês abordam os assuntos. a gama de informação que tenho recebido aqui me deixa tonto. e eu gosto! principalmente quando se fala em etimologia, assunto que não domino.

    tenho uma falha grave: leio muito menos do que deveria e gostaria. li o básico, alguns clássicos e tal, mas isso é pouco. muito pouco. é uma falha da minha geração, talvez. espero remediar isso e correr atrás do prejuízo.

    falar em ler, li tambem o “tropicalista lenta luta” de tom zé, na mesma época em que li “verdade tropical”. um foi complemento para o entendimento do outro. tom zé escreve como constrói suas canções/loop e eu realmente me diverti muito, lendo-o. e aprendi pacas sobre música erudita de vanguarda do início do século xx.
    caetano emociona, instiga, esclarece. sobre a relação do pasquim com a tropicália, ele diz coisas que foram importantes demais pra mim. terminei o livro com a certeza de que ele e gil inventaram o brasil em que eu nasci. esse brasil que entorta a cabeça do resto do mundo. e olhe que temos o problema da língua. se o resto do mundo falasse português, precisaría fazer análise, haha.

    teteco,
    encontrando-os, darei seu recado.
    adoro millôr [um sujeito brilhante], mas ele possui aquela marra tipo “jazz vs. rock” de que caetano falou anteriormente. woody allen também. sujeitos geniais, embora marrentos.

    salem,
    acho que se existe alguma coisa na MPB [além da tropicália] que se podería chamar de rock, é edu lobo, em algumas de suas canções. e que voz!

    recomendo aí pra moçada a biografia de jaime ovalle, “santo sujo”, de humberto werneck. dêem uma olhada aqui:

    http://www.cosacnaify.com.br/noticias/flip2008/osantosujo.asp

    caetano,
    você conheceu o jaime ovalle? tem algo a dizer sobre essa figura maravilhosamente excêntrica?

    nando,
    precisamos trocar idéias, discos. como fazemos isso? merengue tem meu email. estarei hoje no stanley jordan, de chapéu azul tipo bogart.

    o caos é o método, amigos queridos.

  226. Luiz Castello disse:
    Novembro 14th, 2008 at 9:22 am

    Oi Nando do comentário quase 200
    Concordo com o que voce diz ali:”Cópias, homenagens, citações e decalques são frequentes no rock nacional”_e internacional tb,acrescento eu.All you need is love,que vc citou,tem como introdução o hino nacional da França.Fora do rock isso tb acontece.Caetano em sua obra prima ‘Sampa’,utiliza dois compassos inteirinhos da melodia de Paulo Vanzolini ‘Ronda’(cenas de sangue num bar da avenida São João).Não conheço nada que seja,absolutamente original no campo das atividades humanas.Se tal proeza fosse possivel,certamente nos faltariam referencias sensoriais,para torná-la perceptivel no mundo objetivo.Por isso,eu aplicaria suas palavras à todas as manifestações artisticas.Toda obra de arte é Upgrade.
    Um abraço fraterno do Luiz Castello.

  227. Alexander Canale disse:
    Novembro 14th, 2008 at 9:29 am

    Isso aqui é uma confusão total!!!! Tantas coisas ao mesmo tempo. Muito legal.

    Esse negócio de flertar, incluenciar, copiar, etc… quando o Caetano lançou o Cê, a crítica fez diversas referências a bandas que eu nunca tinha escutado. Por que sempre, em toda a crítica musical, é necessária a comparação????

  228. gil disse:
    Novembro 14th, 2008 at 9:37 am

    sempre houve sem sucesso a tentativa de nomear o rock de cada estado pra destacar alguma diferença, não rola. O BRock, Rock Brasil dos anos 80 não foi nem da Legião de Brasília nem da Blitz carioca, não foi gaúcho nem muito menos baiano, não foi paulista do RPM nem dos Titãs, o Rock Brasil tocou no Brasil inteiro, mudou o espaço e a geografia dos shows e da música, avançou primeiro sobre os teatros e depois os ginásios, criou economia e escala, foi trilha sonora no rito de passagem entre a ditadura e a democracia no Brasil. Assim como na Bossa Nova, no Tropicalismo, os meninos da burguesia brasileira com seus sonhos e energia, com paixão e entusiasmo, fizeram mais uma vez da música a expressão cultural mais relevante do país e mudaram costumes e mudou o país.
    Blitz, documentos!
    Muito mais que um legado, Caetano Veloso e Gilberto Gil estiveram sempre presentes, antesduranteedepois, em todos os momentos, no inconsciente e no imaginário, no mínimo. Talvez estiveram, estão e estarão em tudo que se referir a cultura nacional. Eu estava lá no dia em que Gal Costa no Teatro Tereza Raquel apresentou pela primeira vez a música que chegava de Londres, numa língua que lambeu o nosso coração naquela hora. Viva Caetano!

  229. Fernando Salem disse:
    Novembro 14th, 2008 at 10:54 am

    Pra tchurminha democrática.

    As nossas conversas aparentemente confusas e diversas nesse POST, apesar de heterogêneas guardam uma bonita proximidade. Votação no Blog, Incompatibilidade de Gênios, Eleições Americanas, Festivais, Tropicalismo, Roda Viva, Gabeira Presidente, a melhor música brasileira e coisa e tal.

    1967- FESTIVAL DA RECORD

    1º Ponteio (Edu Lobo)
    2º Domingo no Parque (Gilberto Gil)
    3º Roda Viva (Chico Buarque)
    4º Alegria, Alegria (Caetano Veloso)
    5º Maria Carnaval e Cinzas (interpretada por Roberto Carlos)

    Cinco grandes canções.

    Edu mais sintonizado com a modernização pós-bossa-nova com texturas regionais. Foi a preferida. O tempo tratou de tornar Ponteio um clássico, mas não exatamente um divisor de águas estético.

    Domingo no Parque também se aproximava de um tom regional, mas com uma pegada pop e “mutante”. A Tropicália nascia por ali, na música-filme de Gil.

    Roda-Viva, uma canção buarquiana, lida como “de protesto” e com cara de festival. Naquele contexto, contrastava com o que Gil e Caetano traziam.

    Alegria Alegria. Mais o que Domingo no Parque, a marcha-rock era uma síntese do que os chamados “baianos” tramavam na subjetividade e objetividade dos seus planos.

    Roberto, anti-jovem-guarda anunciava o seu tom romântico e porque não, bossa-nova. O refrão de Maria Carnaval e Cinzas era samba.

    As 5 canções juntinhas nesse placar final formam um painel interessantes. Lado a lado, fazem sentido. Isso é pensar tropicalista.

    Se as 5 fossem regravadas hoje, dependendo da pegada, poderíamos ter um resultado um tanto trans-tropicalista.

    Os caras que fazem o Grammy Latino tinham que se trancar numa sala e assistir a esses vts. Não por saudosismo retranqueiro, mas por inspiração futurista.

    Canções não são sozinhas. Elas ficam outra coisa quando ao lado de outra canção. Por isso essa história de “a melhor de todos os tempos” me parece bobagem.

    Exceto Chega de Saudade. Ela é hour-concour!

  230. Vianna Vana Caravana disse:
    Novembro 14th, 2008 at 11:03 am

    É Gilliat,concordo!O lado B do Caetano é também certeza de beleza.

  231. Gravataí Merengue disse:
    Novembro 14th, 2008 at 11:13 am

    Guido: Peço desculpas se não me fiz entender, mas a “bronca” não foi em relação ao fato de se estudar música popular na Academia, mas sim em resumi-la a uma questão banal e objetivíssima de concurso público - a ponto de fazer o indivíduo decidir de “Roda Viva” seria ou não mais ou menos ‘tropicalista’ que as outras quatro opções (e não ‘alternativas’ como insistem os que não sabem a diferença entre ‘opção’ e ‘alternativa’).

    Mas isso não quer dizer, também, que a Academia não comete suas atrocidades com a Música Popular - agora, sim, em maiúsculas. Há estudos maravilhosos e outros não exatamente louváveis. Já li, por exemplo, que “Cajuína” seria uma confissão homossexual de Caetano Veloso (???) e que

    Bruno Tolentino, poeta já falecido, era contra o estudo do cancioneiro como paradigma de alta cultura. Eu também sou contra, mas por motivo diametralmente oposto: acho que Academia alguma está à altura de nossa Música. Salvo raras - bem raras, mesmo - exceções, o que mais se vê são lambanças. Ou textos de fãs travestidos de teses; quase como encômios acadêmicos com essas palavrinhas bonitas inventadas para dar subsídio teórico para aquilo que muitas vezes nasceu de alguma farra.

    Imagino, por exemplo, os meninos Arnaldo e Sério Dias inventando quase tudo que hoje se faz no rock do Brasil - e também de boa parte do mundo (veja as influências das bandas novas da Inglaterra e dos EUA!), ou mesmo Caetano e Gil e Tom Zé etc., e então leio essas teses todas. Não dá para não achar tudo isso num só tempo engraçado e estranho. Mas, claro, mais engraçado do que estranho.

    A questão, porém, não é sobre os estudos acadêmicos. Não sou contra, mesmo quando não concordo com quase nada do que se diga - como quando leio algumas coisas de José Ramos Tinhorão, que definitivamente é um estudioso de profundas bases.

    É para falar de música? Falemos: ouça com carinho “Roda Viva” e “Domingo no Parque”, por exemplo, e veja se são canções tão díspares. Não são! Leia as letras, agora, as letras de “Roda Viva” e “Divino Maravilhoso” e mais uma vez notará que não são músicas feitas por pessoas de planetas distintos.

    Essas divisões, Guido, muitas vezes nascem da necessidade de se criar rótulos, cisões etc. Arte é sexo, arte é gozo. Não sou contra o estudo da música, claro que não! Tanto que, aqui, fazemos um pouco disso - e sem a menor responsabilidade.

    Você disse uma coisa interessante: “…o tropicalismo é rizomático. Ele desloca os platôs da cultura, da realidade nacional, ele sai da questão identitária do o tropicalismo é: e isto está explícito em suas canções…”

    Você diz duas vezes “o tropicalismo é” e depois informa o que ele faz, para em seguida dizer que ele transcende a questão “identitária”. Mas por que raios você o precisou identificar em dois momentos antes de dizer que o movimento não precisa de identidade? Ficou estranho.

    Eu prefiro Carlinhos Brown. Tropicália é “Magalenha” e “Magamalabares”. E também é “How Beautiful Could a Being Be”. Isso sim transcende a “questão identitária”. Aliás, você mesmo diz que não é preciso dizer “sim” e “não”, mas defende que se diga “sim” e “não” naquela questão!

    Por isso tudo, Guido, não entendo como é possível, numa prova de concurso público, dizer taxativamente que uma música é ou não “tropicalista”? O mais engraçado é que, no fim das contas, quem acerta a resposta ‘conquista a prerrogativa’ de levar cafezinho para o Jader Barbalho.

    Não sei se Tropicália merecia essa.

    (desculpem o comentário extremamente longo!)

  232. Marcos Lacerda disse:
    Novembro 14th, 2008 at 11:20 am

    Está difícil fazer comentários nesta discussão, pois a conversa de Nando com Caetano está excelente, e nos exige um conhecimento de rock muito refinado e bem destilado. Eu não gosto de rock, e já disse que deveríamos ficar atentos à diversidade de formas de fazer música popular no Brasil e no mundo, que não são meras consequências ou desdobramentos da música rock. O hip hop, por exemplo, é algo diferente, e já aponta para uma série de questões estéticas que nem de longe se aproximam do rock.
    Mas, tem se falado também em tropicalismo,e na crítica da cultura uspiana, com uma menção constante ao grande Roberto Schwartz. Não há dúvida que a interpretação de Schwartz sobre o tropicalismo é espetacular, e não pode ser considerada como uma agressão ou discordância em relação ao projeto tropicalista.Eu sempre achei que a crítica cultural uspiana, as leituras da escola de frankfurt, sobretudo o grande Adorno, a esquerda mais combativa dessa mesma universidade, e a música de Chico buarque, sempre foram um contraponto vigoroso e potente ao projeto tropicalista, apresentando uma refinada concepção de mundo e do Brasil no mundo. E sempre vi como algo extremamente autoritário e opressor os tropicalistas dizerem que o movimento tropicalista tinha surgido para acabar com a necessidade de movimentos. Isso é absurdo,e parece expressar um desejo de ficar sempre no centro das questões estéticas e de poder, quando se fala em fantasmagorias, ou expressões culturais. Eis, Roberto, porque chamei o tropicalismo de vanguarda subdesenvolvida, quando o comparei aos escritos de Merquior, um crítico do “irracionalismo” do século XX, da hegemonia da contracultura, e da entranhas imundas, e nem um pouco saneadoras, da cultura de massas, quer dizer, neste caso, visto em relação aos livros do Merquior, as propostas tropicalistas pareciam mera expressão de vanguarda subdesenvolvida, embora NÃO O SEJAM.
    A arte é difícil e terrível como disse Caetano no verdade tropical. E estas questões que apresentei neste comentário podem nos levar a pensar uma série de coisas. A obra-prima “Livros” tem um dos versos mais significativos e que respondem, a seu modo, algumas destas questões. E as respondem de forma profunda, como um poeta. ” Tropeçavas nos astros desastrada/Sem saber que a ventura e a desventura/Dessa estrada que vai do nada ao nada/SÃO LIVROS E O LUAR CONTRA A CULTURA.

  233. Carlos "Alemão" Moura disse:
    Novembro 14th, 2008 at 11:41 am

    Glauber, obrigado pela resposta. Vou ao blog do Salem postar a idéia, é mais fácil. O mesmo farei com Soninha (acho que ela tem blog, sei lá).

    Isso aqui é uma porra de um caldeirão borbulhante. Cada post é uma tese (e isso aqui não é nenhuma crítica).

    Acredito que os artistas devem, sim, devem, retribuir a boa vida que levam. Show de grátis pra galera.Show de grátis pra galera.

  234. teteco dos anjos disse:
    Novembro 14th, 2008 at 11:45 am

    Glauber, que mundo pequeno o nosso. também sou amigo do Gil do Catapulta e também do irmão dele, o Betão (filhos do Boca). se acaso os verem, diga que Théo ou Teteco (tanto faz) de São Luiz do Paraitinga/Taubaté (SP) lhes manda um abracadabraço e pede que apareçam por aqui! Grazie fratello!

    é Veloso, “Never Mind the Bollocks” dos Sex Pistols é muito massa. “EMI” é fantástica.

    “Isolation” do Joy Division é magnífica. Ian Curtis, o líder, se matou nos anos 80, minutos depois de assistir Bergman. mas a expressão “Joy Division” me dá bóde, é muito baixo astral. foi usada pelos nazistas na segunda guerra para definir as alas femininas e masculinas de alguns campos de concentração. na ala feminina os nazi praticavam estupros.

    “Acabou Chorare” dos Novos Baianos, “Gil & Jorge” e “Transa” são discos dos anos 70 que sempro ouço e piro. assim como os da Gal cvantando Caymmi e Ary Barroso, além de “Índia”…milho verde, linda, do folclore português e “Exile on Main Street” dos Stones. adoro aquele do Mautner, com Gil e Roberto de Carvalho, em que eles tocam a piradíssima “Guzi Muzi”. tenho a trilogia do “Caos” de Mautner e “Narciso em Tarde Cinza”, maravilhosos. O Millor Fernandes detonou Mautner no Pasquim, mas Millor, na verdade, não entendeu nada do Mautner.

    desconsiderei totalmente a lista da Rolling Stone brasileira quando vi que Caymmi não estava na relação dos 10 maiores do Brasil.

    Miriam Lúcia, Heloisa, obrigado pelos elogios e por me acharem “bem humorado”. afinal, a vida não deve ser chata. adorei. e que festa imodesta é esta???

  235. javi disse:
    Novembro 14th, 2008 at 11:55 am

    Caetano por que termina el blog? No has pensado en continuarlo?
    muy justos los terminos bonita e gostosa para exequiela, nuestra SEXY SADIE, pero no creo que sea justo llamarla frenetica.
    Exequiela, la foto con tu gatita muestra que sos muy melifluo (admito que tuve que buscar la palabra en el diccionario) y no tan frenetica

    Esta cancion de memphis me recuerda a vos

    LA FLOR MAS BELLA http://www.youtube.com/watch?v=ttH7bwupkmU
    Ella es la flor mas bella
    Vagando por las estrellas
    Brilla más que el sol
    Baila y se dibuja en la bruma
    Cuando se pierde la bruma parece flotar

    Ella es la de la Tierra
    De mujeres divinas
    Ella es Argentina
    Como ella no hay

    Si llegara a besarte
    Con su boca de fuego
    Un loco deseo
    Te haría olvidar
    De todas tristesas
    Y crueldades del mundo
    En un solo segundo
    De felicidad

    Ella es la flor mas bella
    Vagando por las estrellas
    Brilla más que el sol

  236. Heloisa disse:
    Novembro 14th, 2008 at 12:28 pm

    Fábia, não conheço o livro, mas me lembro de ter lido alguma coisa dessa autora na faculdade. Uma frase da resenha já me chamou a atenção: ‘Aquilo que é o mais importante nunca se diz.’ É claro que eu preciso ler, então. Talvez a leitura me ajude a entrar nos meandros da mente do Caetano.Obrigada pela dica.

    Lucesar, obrigada demais pelo ‘Reconvexo’ com Caetano. E também pelo carinho com que você dedicou o vídeo para todos aqui.

    Gravataí, o Imprensa Marrom é muito legal: não há nada mais distante do título que você escolheu.Voltarei sempre. E você vai lançar um livro e não conta para ninguém?

    Glauber, gostei muito do Teclas Pretas. Uma das músicas eu ouvi várias e várias vezes. E onde você arranjou uma foto tão impressionante de pássaros? Fiquei maravilhada.

    Salem, adorei o post “Aniversário ‘repleto’ de mensagens” do seu blog. Todas as vezes que receber uma daquelas vou me lembrar de você agora.
    Ah, e para o impagável release que você e o Glauber criaram, queria contribuir com mais uma frase: ‘com levada techno/groove/trance, etc.’ Essa não falta nunca!

    Paratodos: Quase chorei ao ler tudo o que vocês escreveram para mim, pessoas lindas. E não, não vou embora. Fico até o Hermano acabar com a nossa festa. Beijos!

  237. araçablue disse:
    Novembro 14th, 2008 at 12:39 pm

    errata

    mas pra mim foste a estrela entre as estrelas

  238. Jorge Gonçalves disse:
    Novembro 14th, 2008 at 1:13 pm

    Li Verdade Tropical (o livro é caro pra quem ganha pouco)e gostei. Caetano surpreende, mas acredito que ele ainda poderia escrever mais e mais. Gosto muito de Gil, mas foi com Caetano cantando Alegria, Alegria que aconteceu algo novo no cenário musical brasileiro. Os acordes da guitarra e aquela coisa de caminhar contra o vento, sem lenço e sem documento, com o bolso vazio, tomar uma coca-cola, falar em Brigit Bardot e tantas coisas mais foi sensacional. Cada um entendia a letra do modo que queria e não do jeito que Caetano “desenhou” o quadro. Gil com Domingo no Parque foi genial (aliás, gil sempre foi genial, filho de pai comunista e bom médico, lá do Barbalho… gente muito boa!)apresentou uma história cinematográfica chocante. Roberto Carlos já tinha utilizado o recurso cantando a História de um Homem mau, ou o Calhambeque, com ritmos diferentes. Gil era pura MPB com poesia regional. Caetano foi além e aquele som de Alegria soava novo e fez sucesso. Não ganhou o primeiro lugar porque Caetano não estava organicamente vinculado a qualquer partido revolucionário. Disparada, cantada por Jair Rodrigues equipara-se a Domingo no Parque e ambas as letras são preciosidades da nossa MPB. Gosto de Gil tropicalista com o volkswagem blue, com VITRINES… aquele elepê que ninguém concece bem e que é formidável. Depois o Caetano - embora vestido de modo meio cafona, já aparentava rebeldia através do cabelo “mau comportado” para os padrões da época. Chico, com o cabelo bem penteado, olhinhos azuis, além de ter conteúdo ganhava de Caetano pela estética e pelo peso do nome dos BUARQUE DE HOLANDA, sem que, com isso, queira desmerecer o imenso talento do cara que é simplesmente demais. Hoje nós não temos uma geração que supere essa dos anos 60. As coisas mudaram. Na Bahia somos obrigados a engolir músicas pobres. Só vejo graça no OLODUM. Carlinhos BROWN é excelente, mas abandonou o amigo NEGUINHO DO SAMBA que merecia ser levado com ele para o exterior. Então eu sinto falta de um carnaval com Caetano, Gil, Moraes, Gal e etc… A questão da musicalidade é outro papo e, é claro, música não pode ficar “parada no tempo”, é preciso re-arranjar. Vivemos um momento de muita pobreza, com letras tristes e decadentes. Estamos na era do “creu” e da Indústria capitalista do carnaval, com o espaço publico sendo usurpado por camarotes milionários, enquanto o povão fica espremido na rua , favorecendo e fomentando a violência. O mundo político adora o cheiro da grana e muitos artistas, também e quem padece é o povão, a plebe ignara. Ninguém luta pra mudar qualquer coisa e tudo é ditado pela indústrai do AXÉ (tem algumas letras boas e alguns ritmos bons). Sinto falta de gente que fazia os antigos carnavais e essa mesma gente pode fazer um carnaval delirante com um ritmo mais harmonico e gostoso. Não é uma questão romântica, mas uma questão de gosto que, sabemos, não se discute. Finalizo crendo firmemente que a tropicalia começou com alegria-alegria, ainda que o próprio Caetano não queira admitir, por modestia, ou não. É meu pensamento. Agora, pqp, era phoda viver e fazer música com censura e ditadura. Tinhamos que ler e ouvir o que os milicos queriam. Era uma merda !

  239. anlene disse:
    Novembro 14th, 2008 at 2:40 pm

    Sobre Grammy e prêmios.

    O Grammy, em si, seja latino ou marciano, está dentro do mesmo caldo de cultura norteamericano que valoriza “vencedores” e “vendedores” pra tudo. Não necessariamente se premiam os melhores. Aliás, o que é ser “o melhor” mesmo?

    Grande parte destes modelos de “premiações” ao estilo da terra do TiObama são copiados no mundo inteiro, às vezes bem, outras vezes bem mal.

    Aqui na Espanha as entregas de prêmios muitas vezes são patéticas tentativas de imitar os yankees. Tapete vermelho, longos, famosos, caras e bocas. O que se premia é o de mesmo, o que importa é o marketing que o evento gera a sua volta.

    Do meu “de longe”, vejo o que no Brasil ainda existe um complexo de inferioridade tolo. É a tal “ai que vergonha, ai que mico!” aborrecente, como se tudo que se fizesse no Brasil fosse pior que em qualquer outra parte.

    Na Europa, por exemplo, há países que em matérias de premiações e muitas outras coisas são muito mais patéticos. Vide Italia, Espanha, etc. Há escolhas e premiações absurdas em todas partes.

    Como dizem por aqui, “me da igual” o Grammy Latino. O “melhor” é o que cada um decide ouvir. Tem pra todo mundo e ainda sobra.

  240. laurene disse:
    Novembro 14th, 2008 at 2:48 pm

    Oi, pessoal. Só umas coisas que me vieram à cabeça: o Schwarz, quando fala na tropicália, é até humilde em dizer que não estava fazendo sociologia e sim testemunho de geração.

    Márcio: Schwarz é bom para sintetizar o clima da época, mas, no entanto, em outros momentos ele, como diz, “se emaranha no inessencial”: a área que ele mais entende é teatro, nas outras a gente sente que ele está meio que tateando. Mesmo assim, a partir do final dos anos 70 a tropicália passou a render teses em cachoeira. Pelo que pude saber, os estudiosos de Frankfurt hoje em dia aceitam o Dylan, mas aqui no Brasil ainda tem os “puros” e “duros” que não aceitam. O que transparece é um tom meio assim: “ó, se vcs, artistas e estudantes, nos ouvissem (professores e seminaristas) TUDO seria diferente”…Aí não. O que é cultura de massa para vc? O que seria a verdadeira cultura do povo?

    Por exemplo, quando se canta astronarta libertado, não acho que se mistura o arcaico e o assunto moderno (o tal “r” numa canção que fala de viagens espaciais). É uma variação linguística que remete a relações arcaicas na roça.

  241. Fernando Salem disse:
    Novembro 14th, 2008 at 2:54 pm

    Oi Lacerda

    Tudo o que li sobre Tropicália como movimento não me satisfez. Embora admire o texto de Celso Favaretto e de outros que pensaram sobre o tema, tudo se faz um tanto árido e complexo, diante dos meus ouvidos de garoto fã de rádio e de TV. Foi assim queo repertório de Gil e Caetano me foi apresentado. Da forma mais pura: rádio, TV e vitrolinha. E eu acho que entendi tudo, embora ninguém entendesse nada e eu também.

    Depois de alguns anos, fui ler sobre o assunto e pouco me acrescentou ao frescor do que já reparava na época sem precisar racionalizar. Ao ler Verdade Tropical, com seu jeitão de ego-history, finalmente algo de novo se introduziu. Ali está tudo certo, por linhas tortas.

    Quanto ao hip hop, apontar “para uma série de questões estéticas que nem de longe se aproximam do rock”, discordo. Essa é uma racionalização estranha. Os racionais letrados pensam diferente das letras dos Racionais.

    Não entendo muito bem quais são essas questões estéticas as quais você se refere. Mas aos meus ouvidos (toscos) o hip-hop ressuscitou muitos cromossomos do rock básico. Também recuperou a testosterona do jazz que estava virando musak.

    O rock and roll é um velho rabugento prestes a se levantar da cova. Sempre. Não morre. Isso porque não é um estilo, um groove, uma levada, um gênero.

    Rita Lee, nos anos 80 disse que o problema do rock brasuca é que ele “deixou de ser oposição pra virar situação”.

    Adoro isso!

    O Hip-hop tirou o rock de uma clínica geriátrica e devolveu-lhe o vigor político e sexual. Não sei se isso é uma “questão estética”, mas é uma questão “genética”, de sobrevivência, cadeia alimentar, teoria da evolução.

    O rock tá mais pras Ciências Biológicas do que pras Humanas. Começou pela pélvis e não pelo cérebro. Nasceu preto, assim como o samba e trouxe uma nova ereção para os brancos.

    Michael Jackson, num certo sentido, trouxe o fenômeno para o próprio corpo na sua esquizofrenia alvejante.

    O problema do rock é sempre será a manutenção do vigor sexual. Sex Pistols na veia.

    O hip hop foi o viagra dos anos 90.

    O pau não pode baixar!

  242. Guido Spolti disse:
    Novembro 14th, 2008 at 3:57 pm

    Gravataí Merengue:

    Estou ligeiramente apressado, saindo do trampo (fundo de canção: coração vagabundo versão Omaggio a Federico e Giulieta); enquanto eu reflito sobre as canções Roda Viva e Domingo no Parque (faça o mesmo),remeto-me ao poeminha de Cícero e Marina (creio) que o Caetano gravou no uns: bobagens, meu filho, bobagens.

    Um grande Abraço, até mais transes tropicais.

  243. Suely Rouco disse:
    Novembro 14th, 2008 at 4:04 pm

    Nando,
    Sobre as músicas que mais me marcaram tenho algumas histórias para contar: A primeira aconteceu quando eu tinha mais ou menos oito anos de idade e gostava de me balançar em um balanço que meu pai colocou no quintal. Era muito bom ficar ali enquanto rádio de minha mãe ficava ligado na cozinha. Eu ouvia e gostava. Uma tarde, eu estava lá e de repente aconteceu: um som novo, uma nova forma de cantar e uma letra que falava da saudade que alguém sentia de seu amor… falava do sofrer por este amor e prometia que se seu amor voltasse ele lhe daria mais beijinhos em sua boca do que a quantidade de peixinhos que haveria no mar…
    Eu ali, criança, fui atingida em cheio por todo o romantismo que havia naquela música. Hoje me lembro que meu coraçãozinho se encheu de vários sentimentos novos. Eu descobrira ao mesmo tempo a palavra saudade e o que ela significava. Percebi que o amor existia e que podia causar dor e prazer. “Chega de Saudade” me deixou em êxtase e me tirou da inocência de uma forma tão doce e terna que nunca mais me esqueci.
    Anos depois tive uma experiência parecida quando, já adolescente, ouvi “Tropicália’ na voz de Caetano. Senti que algo novo estava acontecendo uma revolução na maneira de traduzir o mundo. Em pleno regime ditatorial surgia uma forma totalmente nova e verdadeira de ufanar-se por ser brasileiro, latino, africano, português, índio. Eu não sabia nada sobre a tropicália mas mesmo assim me identifiquei com aquele estilo. Eu podia “ver” literalmente as imagens criadas, minha carne sentia e instintivamente percebia a grandiosidade de tudo aquilo.
    O tempo passou e depois de muitas alegrias e frustrações no amor, eu adulta e curtida, tive meu momento de voltar aos oito anos e descobrir que o amor pode fazer-se presente mesmo quando só o que parece existir é a solidão. Caetano fez “Etc”.

    Um beijo e obrigada por ter-nos provocado tantas e boas reflexões.
    Para Caetano…”chega de saudade”.

  244. Carlos "Alemão" Moura disse:
    Novembro 14th, 2008 at 4:14 pm

    Teteco, Tony, minha reverência.

    Conheci sua irmã numa festa familiar (bodas em churrascaria, anos 90, acho). E ela não se furtou a dar uma saborosíssima canja de Banho de Lua e Estúpido Cupido que, aliás, tive a indescritível felicidade de cantar ao seu lado. Definitivamente, Celly era iluminada.

    Quando for a Ubatuba, gostaria de te dar um abraço, em Taubaté ou São Luís do Paraitinga.

  245. Labi Barrô disse:
    Novembro 14th, 2008 at 4:29 pm

    Uau! Mas que papo mais Lobão hein Salem?
    Gostei viu. É assim que se fala véi!
    Pô, dou o maior dez! O pau não pode baixar.
    P.I.L. é melhor que Pistols.
    Li seu comment enquanto ouvia Love Removal Machine, do Cult. Eles foram processados pelos Stones porque copiaram. Mas a cópia do Cult ficou melhor que o original dos Stones!
    É… Labi também é roqueira gente boa.
    Mas nada disso chega aos pés de Caymmi.
    Maria Bethânia…Please, send me a letter…Isso é lindo demais! Rock é bobagem. Mas é tão bom…
    Cadê o home gente? Cês ficam falando muito, Caetano some. E sem ele não tem graça.
    Volta Veloso. Fica assim não kirido! Que é que tu quer tu que é tão rei também? Volta e coloca um post quente aí que eu tô elétrica!
    Labi Barrô, aguardando Caetano.

  246. Bruno Guimarães disse:
    Novembro 14th, 2008 at 5:01 pm

    Jorge Gonçalves (comment 238 até segunda ordem)
    Você foi injusto com o livro Verdade Tropical. Ele não é nada caro, mesmo pra quem ganha pouco. Existe até uma versão de bolso, com texto integral. custa 25 reais, eu acho ! Onde moro, ingresso de cinema é R$15!

  247. Marcos Lacerda disse:
    Novembro 14th, 2008 at 5:23 pm

    Prezado Salem,

    Quando disse que o Hip Hop aponta para questões estéticas distintas da música rock, estava querendo enfatizar o que para mim só pode ser um erro grave de perspectiva, a saber, considerar o Hip Hop como quase uma derivação da música rock. Aí me parece absurdo demais, é querer dar uma dimensão para a música rock esmagadora. Desde garoto conheço Hip hop e vi o movimento surgir na periferia de São Paulo. Os racionais ( o nome não foi escolhido a toa) são a expressão mais viva dessas distinções, as letras são quilométricas, e todas muito bem arquitetadas, além de duras, secas, cerebrais, algumas quase num tom professoral, de quem está dando uma lição. Ouço eles desde o primeiro disco, e não apenas depois que o grupo ganhou projeção nacional, com a MTV e o “Sobrevivendo no Inferno”. Mas eu não quero iniciar um debate sobre as possíveis diferenças e semelhanças entre o rock e o Hip Hop, acho que vai ficar chato demais.
    As interpretações sobre o tropicalismo podem ser, e muitas vezes são, mais interessantes que a audição das canções do período heróico do movimento. O esforço de entendimento e o caráter conceitual e intelectual do projeto estão presentes nas figuras principais do tropicalismo, e temos o Caetano como um exemplo notório. Caetano nunca caiu na armadilha da imagem do irracionalismo subjetivista que muitas vezes costuma ser associada a ele.Caetano fala repetidas vezes em Antonio Cícero, por considerar brilhante a sua proposta de retomada radical do cogito cartesiano, da razão, além de fazer loas ao iluminismo francês, ao Estado Laico, à democracia liberal, etc. Só que o seu pensamento é complexo mesmo, e ambíguo, mas sempre apontando para interpretações inusitadas e, às vezes, brilhantes. Mas eu queria que se prestasse atenção a outros fatores que eu apresentei no cometário 232.

  248. joana disse:
    Novembro 14th, 2008 at 6:11 pm

    caets,

    se a clareza de helô te leva ao esforço, e nesse veículo te foi possível navegar num contato mais profundo com o universo semântico de helô, para lê-la e respondê-la,…
    se exatamente por isso te foi possível colocar teus argumentos e pensamentos e intenções de forma mais clara e firme, próximo de helô, e de forma alguma longe de vc mesmo…
    então, foi um passo mais fundo, pra fora de vc, pra reafirmar sem dispersar o que vem de dentro de vc
    espelhos uns dos outros.

    bons vínculos virtuais pra vcs. gostei do “sério”.

    quito:

    tenho lido seus coment e tenho pensado em algumas coisas que tive vontade de escrever mais ainda não captei por onde. não sei se tenho entendido teu posicionamento. pq exatamente o que vc escreveu me fez pensar sobre se vc observa a história de alguém como algo vivo escrito em todas suas células e transmitida de geração em geração. e que pra mudar isso, é necessário acessar essa história não apenas com o entendimento do intelecto, mas também com o entendimento do tipo de reação inconsciente que se desenvolve a partir dela. e vencer todas as resistencias internas pra gerar mudanças. “Não estava menosprezando o preto de alma branca, apenas dizendo a ele que ‘eu’ sou de outra turma. Uma turma que acha ainda necessário afirmar o índice negritude-mulatice no discurso do poder.” mas acho que ainda não te entendi direito. se vc escrever mais sobre o que vc levantou em seus posts, talvez eu possa achar um gancho e escrever algo que também penso a respeito, e que num primeiro momento quase ninguém gosta de pensar sobre. escreva mais sobre.

    salem:

    engraçadinho! vc foi o primeiro a tentar me dar pitaco por incluir crianças e ritalina em coments bem lá no comecinho da obra. moderação explicita dizendo algo tipo que esse blog não era pra crianças! rs rs e eu te respondo até que comentei pra vc ter uma idéia a mais de coisas que andam acontecendo exatamente por vc trabalhar com coisas pra elas. e agora tá todo mundo aí falando inclusive de crianças, do cocorico, as minhas já ficam espiando eu lendo. humm. rs rs. e eu fui a primeira a defender o hermano moderador. e acredito que de lá pra cá o que ele deve ter lido e deletado de baixaria bobagem infrutifera (até pra fazer a pessoa se puxar e escrver algo que acrescente ao invés de só encher o saco). beijim. sua alegria nas letras de sua escrita é bem inspiradora! percebeu já que nos seus escritos sempre tem essa emoção?

  249. Nando disse:
    Novembro 14th, 2008 at 7:17 pm

    Gente, preciso deixar claro: não quis dizer que no rock brasileiro tudo é cópia (o copiar não está restrito ao rock nem ao Brasil, a história é bem antiga). Além do mais, tenho MUITO orgulho do rock brasileiro, sobretudo dos anos 80, que foram os que vivi intensamente.

    Suely, querida, obrigado a você!, por compartilhar conosco coisas tão importantes da sua vida.

    Tô na correria, mas volto já, abraço em todos.

    PS:Marcos Lacerda, o movimento para acabar com todos os movimentos não deu certo, brasileiro adora movimento: Clube da Esquina, o Pessoal do Ceará, rock 80’s, mangue beat…

    PS2: Glauber, já escutou o PATA DE ELEFANTE, trio instrumental gaúcho? Afff, surf music + Hendrix, sensacional!

  250. joana disse:
    Novembro 14th, 2008 at 7:21 pm

    Julio Vellame,

    vi o coment do prof Rocha (excelente!) e adiei te comentar algo.
    mas como vi que o prof também te pegou de jeito:

    “Sempre pensei se essas diferenciações poderiam se extrapolar para o campo das habilidades intrínsecas”

    temos marcações genéticas, predisposições, pra doenças e habilidades, mas esse mapeamento ainda é um longo assunto. existem predisposições, mas não é fator determinante de manifestação.

    mas algo que acontece de fato e que é mais rápido e fácil de observar, se dedicar tempo a isso, é que habilidades podem se manifestar exatamente vinculadas a bloqueios. aliás, qd alguém trabalha com alguma questão sua, problemática, em todos os seus componentes, físico, mental, emocional, e outros, o momento de liberação do problema está vinculado a um processo criativo, transformador e de acesso a potencialidades e habilidades encobertas pela problemática em questão, e pela falta de consciência a respeito de.

    tem um exemplo que uso bastante: somos como um rio que flui, uma bacia hidrog. estamos em constante movimento. células nascendo e morrendo. se algum ponto de um rio desta bacia, pelos mais variados motivos, começar a acumular galhos e folhas e coisaradas, é provável que com o tempo isso se tornará um bloqueio no percurso.mas o rio não pára de correr. e isso poderá se tornar uma represa. ali, mesmo que seja um problema que precisa de uma solução, e implique um sofrimento porque está indo contra a natureza do rio, que é seguir seu curso, mesmo assim, ali há um potencial muito grande. como represa mesmo. qd o problema é liberado a potencialidade pode se manifestar.

    marcado intrinsecamente, sim, mas o manifestar será determinado por uma série de fatores.

    as diferenças não deveriam ser encaradas como motivo de repulsa e problema. combinações homogêneas são mais estéreis e fracas qd pesnamos em genética.

    não sei se deu pra colaborar com clareza. é algo amplo. vivenciar é mais esclarecedor que falar a respeito.

  251. Affonso Leitão/RJ disse:
    Novembro 14th, 2008 at 7:57 pm

    Elena/Veloso/Todos.

    Função extrato post Elena 133,em comentário meu post nº39:
    “Affonso Leitão/RJ - lendo seu comentário, me veio uma frase de uma música “prá saber seus segredos serei baiano também”… Muito legal sua viagem!”

    Pois é…Aqui,um pouquinho de Artes “Visuais”…em um ambiente musical…

    A Coleção Jorge Amado…VIVE!!!

    Pobre e Rica Bahia.

    Pobre e Rico Brasil.

    Viva a Cultura Afro-Baiana e Brasileira.

    E para sempre Viva a Obra de Jorge Amado.

    À saber:

    Paloma e João Jorge levam à leilão parte do acervo da Coleção Jorge Amado.

    Obras de arte de Jorge Amado vão a leilão no Rio
    AE - Agencia Estado .Compilação de 03/11/08.

    RIO DE JANEIRO - Muito amigo de Jorge Amado, Lasar Segall um dia o chamou para um almoço, mostrou-lhe vários quadros e pediu que ele escolhesse o que mais lhe agradava para levar de presente. O escritor optou por um, mas o pintor sugeriu outro. O artista então fez questão de escolher o lugar na parede de Jorge onde a imagem da mulher deitada na rede ficaria; dali por diante, brincaria que ia visitar a tela, e não seu dono.

    Essa e outras histórias estão no catálogo do leilão de obras de arte de parte da coleção particular do autor, que será realizado no Rio nos dias 18, 19, 20 e 21 de novembro.

    São cerca de 600, de um total de 1.400 que ele tinha espalhadas pelas duas residências de Salvador, o apartamento de Paris e o de Copacabana. A maior parte foi dada pelos pintores -como o painel de Djanira, de 2,5 por 2,4 metros, o item mais valioso do leilão: o lance inicial é R$ 800 mil. A aquarela presenteada por Segall está avaliada em R$ 44 mil.

    Djanira, como Segall, Carybé e Carlos Scliar, outros nomes da coleção, era bem próxima a Jorge. Ao longo de sua vida, foram poucos os quadros que Jorge comprou. Entre eles, um São Francisco de Volpi, também à venda. O leilão tem ainda quadros de Anita Malfatti, Pancetti, Antonio Bandeiras, Diego Rivera e Flavio de Carvalho - um retrato do escritor, estimado em R$ 740 mil. De Picasso, com quem ele conviveu na Europa, entraram uma gravura e uma peça em cerâmica, cada uma a R$ 15 mil. Os itens mais baratos são guaches do amazonense Percy Deane, a R$ 300.

    A escolha foi feita pelos filhos do autor, Paloma e João Jorge, que resolveram vender parte dos quadros do pai para levantar recursos e fazer da casa do Rio Vermelho - onde Jorge e Zélia viveram por 46 anos e em cujo jardim foram enterradas suas cinzas - um memorial.

    Além de ajudar também a Fundação Casa de Jorge Amado, que guarda o acervo do escritor, os dois pretendem ainda colaborar com o Projeto Axé, que ajuda crianças de rua de Salvador - será doado o valor arrecadado com a venda de um Di Cavalcanti, de lance mínimo de R$ 450 mil (o quadro foi um presente, a propósito, que o pintor deu a Jorge em troca de um filhote de cachorro, conforme Paloma conta no catálogo).

    O leilão será realizado pelo escritório de Soraia Cals, que promove exposição da coleção entre os dias 12 e 17.

    As informações são do Jornal O Estado de S. Paulo.

    Saudações Artísticas.

    Affonso Leitão

  252. Julio Vellame disse:
    Novembro 14th, 2008 at 8:15 pm

    Muito obrigado pelo ótimo texto Professor Rocha!

    Bem verdade que ele é contraditório em termos já que entedende as diferenças, esmiúça elas e depois no final diz que não existem diferenças.

    Se a pele negra sofre menos no sol, nesse aspecto ela não é “melhor”?

  253. Carolina disse:
    Novembro 14th, 2008 at 9:41 pm

    Depois de Salém declarar chega de saudade a vencedora entre as vencedoras, fui procurar o link no you tube pra versão que eu escolhi (cantada por caetano no show circulado).
    Mas o que eu achei? Achei o Jokerman do Bob Dylan também interpretada por caetano no show circulado.
    Ja que o Dylan foi citado aqui por nando e pelo proprio caetano (mesmo que eu ainda não tenha alcançado nada de Dylan na obra de rauzito, sorry!)
    Sugiro a todos:
    http://www.youtube.com/watch?v=ve6wD3g0EO4
    Detalhe para a legenda em espanhol…
    Heloísa um dia ainda te alcanço eheheh

  254. Flávio Mendes disse:
    Novembro 14th, 2008 at 10:42 pm

    Nando,

    acho que você forçou nessas enciclopédicas referências de canções brasileiras à sucessos internacionais… vejamos:

    Save a prayer com Como eu quero? (você disse DIRETAMENTE!!) em quê? nas síncopes em colcheias? no clima caribenho? a harmonia não encaixa não… pô, aumente a sua lista, tem mais 2224 que fizeram igual… E, PRINCIPALMENTE, Save a prayer já se utiliza disso, não é exatamente criativa por causa desses elementos.

    Citação de Santana no solo de Alagados??? o Santana nunca solou em arpejos, meus deus do céu… sobre a citação às guitarradas foi (é) pertinente e ousado esteticamente em 1986 - não sei se você era nascido nessa época, mas citar as guitarradas do norte seria o supra sumo do fora da estética dominante na época - louros pra Herbert Vianna.

    Ah, e All you need is love NÃO É EM 7/4!!!! pelamordedeus!!! Nem na primeira parte, onde tem um copasso de 3 ali, mas que não transforma, de forma nenhuma, a música em 7/4.

    De resto gosto de tudo o que você falou. Mesmo sobre o Renato Russo (pra mim não existe a Legião Urbana: é Renato e seus amigos. Mas isso é outro papo…)

    Abs

  255. quito ribeiro disse:
    Novembro 14th, 2008 at 11:01 pm

    Joana:

    Não sei como me explicar melhor para você. Não quis dizer nada muito diferente do que já estava ali escrito. Talvez as voltas do texto tenham deixado ele meio enrolado.

    De toda forma, o que eu quis dizer tem a ver com o seguinte:
    É importante termos em mente o preconceito(racial no caso) como um pre-juízo, um prejuízo(em inglês é prejudice né!).
    O fato de o Brasil viver há tanto tempo num ambiente de preconceito gera muito prejuízo para a nossa sociedade. E eu acredito que para correr atrás do prejuízo não podemos ainda perder de vista as raças. Não devemos anunciar uma nação pós-racial.
    Muito pelo contrário, acredito que a reparação do prejuízo passa pela afirmação da ascendência negra na nossa mestiçagem. Isto parecem favas contadas. Mas não é bem assim.
    Acho que os prejudicados nesta história podem e devem ser a vanguarda de um movimento que afirme a mulatice nacional. Acho que os não-pobres no Brasil precisam assumir a sua mulatice mais do que o fazem. Sem que isto soe como uma herança distante, desindentificada.
    Assim os pretos-mulatos-morenos de alma branca, representarão e se sentirão representados pelo lado prejudicado da moeda do preconceito. E a expressão no sentido que eu venho falando aqui caducará. Ou terá uma nova conotação.
    Porque para mim bizarra não é a relação entre cor da pele e pobreza no Brasil, mas entre cor da pele e riqueza. Prarafraseando o anfitrião do pedaço aqui. Brancos ou quase brancos de tão ricos. Alguma novidade?

  256. Enzio Andrade disse:
    Novembro 14th, 2008 at 11:31 pm

    Caro Gravataí, creio que o Guido Spolti quis apenas afirmar que o procedimento tropicalista é tal qual um Rizoma deleuziano,ou seja ,ele não se limita a ser uma expressão musical que define a si mesmo(nós entramos e saímos de todas as estruturas,como disse Caetano em 1968 no happening Tuca-Ambiente de festival)e não define espaço ou território como se a música fosse a representação de um determinado lugar especificamente.Em 1975 Caetano brincando com a impressa,colocou tal idéia nos manifestos Jóia e Qualquer Coisa,onde se referia a ” samba feito por paulistas,rock por mineiros” e etc e tal.entao o procedimento das cançoes tropicalistas é o da multiplicidade,entendida na visao deleuziana, aquela que vai além da dicotomia tao cara a dialetica marxista.aquela que admite as contradiçoes convivendo mutuamente e nao produzindo síntese,mas novas dimensoes culturais,”Platôs”.
    Caetano,fui eu quem lembrou de “Sugar Cane Fields Forever” em outro tópico, não só por que adoro Araçá Azul( o disco todo e a música que é uma pérola de concissão e de rara beleza),mas porque usei sua frase “Sou um mulato nato,no sentido lato,mulato democrático do litoral” em uma disciplina na pós graduaçao ao falar de Gilberto Freyre e Sérgio Buarque e suas teorias, e fechei minha exposição usando sua letra do Cê ” o Herói”.e mulato é uma palavra bem bonita não? me lembra sempre Assis Valente.
    Caetano,gostaria de saber se vc tem a letra da “Canção da Jujuba” que fizeste para o ” Rei da Vela” em 1967.se você puder por gentileza,escreva aqui no blog,pois já procurei pela net e não achei.desde já muito obrigado.sua caixa remasterizada dos “40 anos caetanos” ainda saí este ano?abraços pra você.

  257. Marcelo Neder disse:
    Novembro 14th, 2008 at 11:44 pm

    Caetano, vc viu?

    o Hermínio Bello de Carvalho está colocando o seu acervo disponível gratuitamente na internet!

    Já são mais de dez mil arquivos disponíveis, entre áudios, fotos, cartas, etc…

    Viva a memória cultural brasileira!!!!

  258. Heloisa disse:
    Novembro 15th, 2008 at 1:10 am

    Caetano,

    Sua mente é estranha, embora fascinante. Você escreveu mesmo de forma clara, como a Joana notou de maneira bem franca. Mas ela, observadora cuidadosa, também percebeu com sensibilidade e um certo assombro o seu esforço em procurar um contato mais profundo com meu universo semântico. Você me leu, provavelmente releu ou se lembrou de algumas idéias que eu deixei espalhadas no caminho da nossa conversa, na tentativa de formar um todo coerente onde você pudesse entrar e clarear tudo para mim. Mas não, você ficou quase só na superfície. Por mais que eu busque coerência no que você afirma, sempre alguma coisa ainda não se encaixa. Você, por exemplo, diz que nunca acreditou que um falante do erre retroflexo não pudesse se desenvolver intelectualmente – e dá exemplos claros disso. Mas, logo depois, chama a atenção para a diferença de status que a fala ‘diferente’ confere a seus falantes. Mire veja: se temos dois cientistas com a mesma formação, ambos com PhD em universidades estrangeiras, um de um grande centro e outro da cidade onde eu moro, há diferença de status entre eles? É justo haver? E se o do interior ainda for mais qualificado, ainda assim ele perde status? Talvez, como você disse, as pessoas possam passar a vida sem saber que existe preconceito: ou nunca saem de onde moram, ou fazem como muitos nessa cidade que eu queria minha – procuram viver independentes dos grandes centros brasileiros, mantendo contato direto com outros países. Talvez para evitar a inequação, quem sabe? Entendo que a realidade seja tudo o que você diz, mas não aceito e não concordo. No meu mundo ideal nenhum preconceito entraria; no seu, o lingüístico é válido e até desejável. Como não discordamos, então? Em Verdade Tropical não há uma narrativa de algo que se passa - você simplesmente ataca o assunto de forma grotesca e ofensiva, e quase se desculpa com o leitor por essa chaga que toma conta de uma pequena parte do país. Aí a incoerência pesa muito: você diz que amava o erre e se via livre do preconceito, sem negá-lo, e portanto poderia massacrar a variante lingüística como quisesse. Que amor destrutivo é esse? Eu posso não gostar muito de alguns sotaques – como o dos pretos americanos que você citou , como alguns cariocas ou fluminenses que colocam o x até onde não há - mas nunca seria capaz de falar deles um décimo do que você falou do erre. Nunca. E nem teria motivo ou vontade para isso. Tenho o direito de não achar seu som agradável de ouvir, mas não de chamá-los ‘aleijão e horrível som engrolado’ – isso só você pode, porque você é Caetano. De tudo o que você disse, só um argumento se instalou de mim e não me deixa em paz: ‘Estar livre de um preconceito não implica não reconhecer em que medida ele passa também através de você.’ Nesse eu preciso pensar com cuidado para chegar a uma conclusão , talvez porque ele desnude cantos da minha mente que eu ainda não estou preparada para enfrentar. Ainda não somos espelhos, como quer a Joana, pois sinto que os vínculos virtuais ainda se perdem na neblina que parece constante entre nós. Acho que você é, e sempre vai ser a minha neblina.

  259. Heloisa disse:
    Novembro 15th, 2008 at 1:16 am

    Oops, houve um typo:onde se lê ‘inequação’, leia-se ‘inadequação.’

  260. Fernando Salem disse:
    Novembro 15th, 2008 at 1:51 am

    Caro LACERDA amigo

    O Hip hop não surgiu na periferia de São Paulo. Chegou a ela. Nasceu nos anos 60 nos subúrbios de NY. Associar o Hip Hop aos Racionais por aqui é pouco.

    Primeiro: Hip Hop não é um gênero musical. Foi definido, a princípio, como uma cultura que agrega o rap (ritmo e poesia), o grafitte (artes visuais) e o break (dança de rua com variações como a House Dance, Popping ou Freestyle).

    Aqui no Patropi Thaíde, DJ Hum, Região Abissale Rappin Hood, entre mais uma penca de caras fizeram variações múltiplas do estilo.

    Mas foi no mundo todo que o fenômeno aconteceu! O Hip Hop se espalhou pelo planeta e seu caráter apenas político e de inserção social ampliou-se. Há raps românticos, sexys, de brodagem e as letras hoje falam de muitas coisas além da exclusão dos guetos. Também virou situação parafraseando Rita Lee.

    O papo é outro. O rap, musicalmente, desconstruiu a idéia de melodia na canção popular, introduzindo elementos de divisão, prosódia e discurso descritivo estilhaçantes. A ruptura foi tão potente que de pronto influenciou compositores do mundo todo. Língua de Caetano é um exemplo emblemático. Não é uma canção de temática social.

    Li com atenção o seu coment, sim. O que me incomoda é falar de rock com esse tom estetizante. Parece cerveja sem álcool. Não bate. Atenção, nada de crítica ao que estamos aqui vulgarizando com a expressão “acadêmico”, que eu msmo confesso ter usado, contribuindo para um ligeiro preconceito.

    Mas olha só… Não sei porque você se refere ao rock com a expressão “música rock”, mas reparei que talvez aí resida a nossa discordância (saudável).

    Não consigo ver o rock ou o hip-hop ou o samba como ritmos, gêneros musicais apenas. A música, é claro, é o suporte de expressão. Mas não dá pra falar de rock sem ver a cintura de Elvis, os olhos de Kurt, as máscaras do Pavilhão 9, os escândalos de James Brown, os coquetéis mortíferos de Janis e a fúria de Jimmy Hendrix!

    Quando uso a expressão “pau duro”, um tanto vulgar, é porque (sempre tosco) é a única que encontro pra diferenciar a natureza sexual do rock e suas diluições chatas (que mais se parecem com próteses penianas).

    O rock se dilui quando vira “situação”. É o Sting vestido de Raoni. Mas vou prar por aqui porque esse caminho é brochante.

    QUERIDA JOANA

    Não me lmbo de ter dito “que esse blog não era pra crianças!”, se disse peço desculpas.

    Adoro o seu jeito de escrever e dizer as coisas. Você tem charme. Quanto à moderação do Hermano, tenho certeza que os pedidos de flexibilização de todos nós fizeram algum efeito.

    Se ele e seus companheiros têm limado baixarias em grande quantidade, não sei. Mas que se compararmos o blog do início com o de hoje, há uma enorme desmoderação. Esse espaço tá mais anárquico e se libertou da obrigação de estar atrelado ao Progresso da Obra. Ganhou vida própria!

    Nesse sentido está mais infantil. Somos crianças em busca de atenção brincando de dizer coisas, correndo riscos e zoando a vontade.

    beijoca

    salem

  261. gil disse:
    Novembro 15th, 2008 at 2:57 am

    o inimigo é a contra política, é a falta, a pobreza…esse é o inimigo. O inimigo é a desqualificação, a vulgaridade. o inimigo é a falta de perspectiva, a desesperança, o medo. o inimigo é o desemprego, o pouco, a carência. Mas não tem fantasmas não, o que não podemos é responder errado quando se pergunta quem é o inimigo, o inimigo é desconhecê-lo.

  262. Luis disse:
    Novembro 15th, 2008 at 3:24 am

    Gosto muito de rock. Pequeno adorava ouvir Ray Charles, Pat Boone. Ray Charles irradiava uma melodia bonita e triste.Não entendia a letra, mas gostava. Ele era negro e o racismo nos EEUU era terrivel. Na música, nos esportes e no box os negros americanos eram muito bons. Mas havia muito racismo por lá… A Ku Klux Klan era de meter medo. Por causa dessa onda racista norte-americana eu passei a simpatizar com a União Sovietica. Bobagem de menino. Não entendia o que era comunismo e muito menos o que era a guerra fria. Simplesmente achava que a URSS freava os impulsos belicistas dos EEUU. Inconscientemente, talvez, gostar da URSS foi uma forma que encontrei para “punir” aquela nojeira que eu lia nos noticiários da época. Torci muito quando Martin Luther King surgiu, mobilizando os negros e reagindo contra a postura racista estadunidense. Depois vieram os panteras negras e eu torcia por eles como torcia por Che Guevara. Comecei a estudar história e, sem nunca ter lido Marx, passei a entender a luta de classe de modo primário. Nos anos 60 - foi uma das decadas mais deslumbrantes e emocionante pra mim, porque a juventude se revoltava, se rebelava e havia uma causa. Não era à toa que a juventude ia às ruas para desafiar o poder vigente. Mas não quero debater política, quero falar que adoro rock and roll e suas variantes. Gosto de Blue, Soul, HIP-HOP, Reggae etc. Mas também adoro o samba e a bossa nova. Faz algum tempo que fui ver Toquinho cantar e que o escuta tocando fica maravilhado. É diferente de ouvir Toquinho através de LPs, Cassetes, CDS e DVDs. Ao vivo tudo é melhor. Mas o Rock sempre foi mal visto pela rapaziada mais culta. O rock era alienação. Quem se der ao luxo de estudar o rock vai ver que durante muitas decadas ele era sinônimo de alienação. Quem gostava de rock era “maluco”. Havia muita discriminação também com quem surfava e na Bahia eram poucos os surfistas. Coisa de gente “drogada”. Tatuagem era coisa marginal. Coisa de marinheiro. A Jovem Guarda trazia o rock de modo malemolente, com aquela aura romântica que Roberto Carlos passava. Com tantas outras bandas (gosta de Renato e seus Blue Caps e dos Brazilian Beatles). Veio com os Beatles uma mudança de costumes. Na Rua Chile já podiamos ver algumas figuras, denominadas como playboy e que eram uma figuração meio James Dean, meio Marlon Brando. Tinha uns carinhas que gostavam de lambreta e tinham mocinhas prafentex. Os namoros eram ridiculos. Pra pegar no peitinho da namorada eu levava 3 dias. Pra comer só se fosse pra casar. Era uma tortura que só resolviamos indo ao brega, ou com as nossas doces empregadas domesticas. Não sei se era assim com quase todo mundo, mas era assim que me acontecia. Quando não havia jeito a punheta resolvia. Tinha os “catecismos” do Carlos Zefiro, proibidissimos. As piadas de Bocage eram contadas a boca pequena. Mas o mundo foi rodando. Os jovens foram imitando seus idolos e o nosso rock era a jovem guarda. Com os Beatles é que muita coisa mudou e passamos a ter cabelos longos e roupas justas e quem usava cabelos longos era taxado de veado, efeminado e coisas similares. Não era nada disso, mas o preconceito conservador era enorme. No meio intelectual esses costumes novos eram execrados. Raul sofreu o diabo na Faculdade de Direito por gostar de Rock. Caetano deve saber dessas coisas mais que eu, porque ele era bossanovista e só depois tropicalista. Mas sempre foi ecletico, falta compor um Hip-Hop, creio. Nos anos 70 é que a música estrangeira passa a dominar. A alienação era uma imposição. A MPB era coisa de subversivos e tinha que haver subversão mesmo e foi bonito ver tanta gente compondo de modo inteligente pra passar as mensagens tão necessárias aos espiritos libertários. Era a luta da luz contra as trevas, sem maniqueísmo. Alguém já tratou disso mais acima e só reforço o que lí. Bom, sobre o lance do Rock ter chegado até nós através de Sementes da Violência eu acho que é uma meia verdade. Bill Haley canta Rock and Roll The Clock por pouco tempo. Não recordo dos cinemas quebrados após a exibição deste filme. Recordo, sim, de que o filme ROCK AND ROLL THE CLOCK, aqui denominado de Ao Balanço das Horas, ter provocado reações incriveis. Não foi um fenomeno localizado, foi algo que ia acontecendo em todos os cinemas por onde o filme era exibido. Aqui aconteceu no Guarani e a minha dúvida é com relação ao que o Raulzito contou. Quem conheceu raul sabe que ele gostava de “chutar” um pouco. Aquela história dele e do Paulo Coelho terem visto um disco voador virou folclore. Também não ficou bem aceito a versão do encontro dele com Lennon. Tudo é possivel, mas dúvida se petrifica, né? Pois Raul foi da geração pós guerra e eu não sei se ele chegou a entrar no Guarani na exibição de Ao balanço das Horas, embora ele tenha relatado que sim e chegou a contar o quebra cadeiras como um “arraso”. Havia muita gente que sabia dançar rock and roll e twist. Raul dançava e Waldir Serrão, também. Era algo mal visto, mas uma boa parcela da garotada gostava dos impulsos inovadores que o ritmo impunha. Foi um tempo de conflito de gerações, de muitas brigas em família e de atitudes agressivas. Foi o tempo de fumar escondido. Foi o tempo em que apareciam de modo isolado os baseados. João Gilberto, desde os anos 50 fumava lá no Rio. Na capital federal pode ser que as coisas fossem diferentes. Até mesmo para uma mulher usar biquini era um desafio. Veja que Jânio Quadros proibiu o uso do biquini e do lança-perfume. Eu adorava o cheiro da Rodoro, hoje a rapaziada cheira loló e a UNIVERSITÁRIA e outras coisas mais. Hoje todo mundo anda se tatuando em qualquer parte do corpo. Maconha já deveria ser liberada porque eu sinto o cheiro da erva em tudo quanto é canto e até parece que sou um fumante passivo. O pessoal que usa diz que faz menos mal que o cigarro e do que o alcool. Não entro no mérito dessa discussão, mas se a coisa tá tão escancarada é melhor liberar do que marginalizar e dar terreno pra o tráfico se implantar através de suas organizações malignas. A questão racial eu acho que devia ser melhor enfocada como uma questão de ordem econômica, pois o negro rico é tratado de forma distinta. O “branco” pobre também não circula em elevador social, vai no de serviço. Pobre sofre independentemente da cor, o do que denominam como sendo cor. Para finalizar eu deixo uma provocação no ar a quem gosta de discutir sobre raças: porque no 2 de julho a figura da Cabocla e do Caboclo foram eleitos para representar a nossa gente vitoriosa ? Será que a Cabocla e o caboclo tem a cor brasileira. Quanto a quem escreveu sobre sementes da violência eu gostaria de obter mais dados, com quando e onde o filme foi exibido em salvador e qual foi a repercussão na época. Aquele abraço!
    Luisito
    PS - desculpem as incorreções e qualquer impropriedade

  263. Caetano Veloso disse:
    Novembro 15th, 2008 at 3:37 am

    ah! “prefiro… do que” não. aquilo não era coloquialismo (não falo assim). foi um desses erros de quem está teclando nesses computadores doces de apertar, onde aparecem letras fáceis de apagar - tão longe das máquinas de escrever, que nos obrigavam a pensar tudo antes, já que o trabalho de consertar seria imenso. prefiro “prefiro… a” - para não dizer “prefiro… do que” está errado: pode ser que um lingüista igulaitarista da ‘caros amigos’ se enraive. lembro de tom jobim falando que temia gravar com lincoln olivetti: “esse homem já tem nome de máquina…”. (lincoln trabalha com sintetizadores e teclados eletrônicos.) por falar nisso, o que foi feito da olivetti? quando essas mudanças tecnológicas surgem edominam, o que acontece com quem fabricava o que foi superado? de todo modo, no caso da olivetti o que aconteceu? quem sabe aí?

  264. Socorro disse:
    Novembro 15th, 2008 at 4:26 am

    Êta bloguin bom danado! Aqui se fala de tudo. E o dono já nem faz mais UM comentário, comenta no meio dos outros comentários. Quem não lê tudo perde o melhor da história.
    E como meia Bahia lê este quase jornal-mural, vou colocar aqui uma notícia do povo lá da minha terra. Zezão, esta é especialmente pra ti:

    “Conselheiro vive! Canudos inaugura sua igreja

    Neste feriado de 15 de novembro, uma verdadeira romaria de fiéis vai a Canudos, a mais de 300km de Salvador, para inauguração da Nova Igreja de Santo Antônio de Canudos. Construída na Canudos que se reergueu pela terceira vez - a que surgiu depois da guerra foi sepultada pelo Açude de Cocorobó, na década de 60 - a igreja também foi feita, como nos tempos do Conselheiro, com doações da população, e abriga algumas relíquias da Canudos antiga.
    Na programação, uma celebração eucarística com a bênção da nova igreja, mas também alvorada, teatro e música. Mais de cem anos depois da guerra, o povo daquele lugar, que já viu sua Canudos ser destruída duas vezes, ainda é um povo que mantém a alegria e a fé. Apesar dessa população da terceira Canudos ser tão carente quanto aquela que seguia o beato, festa lá tem que ter zabumba, pífano, sanfona e muita cantoria.
    Os descendentes daqueles jagunços, que como disse Euclides da Cunha não se renderam, estão hoje, quem sabe, realizando o sonho do Conselheiro:festejar a construção de sua igreja. Ironicamente, no aniversário da proclamação da República.”

  265. Fernando Salem disse:
    Novembro 15th, 2008 at 7:29 am

    Pensamentos-cápsulas genéricos

    Que bonito alguém que fala do Rock da Bahia dos anos 70 se chamar Professor Rocha!

    Heloisa ter comentado um texto do meu blog foi uma grande emoção pra mu=im.

    Nando é o cara que mais me surpreende. Ele não anda em círculos. Ele se expande.

    Meu primeiro ídolo do rock (eu era um molequinho) foi Alice Cooper. Não me lembro de ter ficado fascinado pela música do cara. Mas um sujeito com aquela cara (hoje facilmente encontrável nas Noites de Terror do Playcenter) segurando uma cobra!

    Depois: NOVOS BAIANOS! Aí sim, a música, o futebol, a comunidade hippie, o choro-rock, “minha velha é louca por mim, só porque sou assim” era meu verso manifeso adolescente!

    BEATLES de cara! Qualquer criança gostava deles! Mas só fui entender o Rock gringo de forma enviesada: Mutantes e Raul me fizeram ter vontade de conhecer a fonte.

    Por não falar inglês, quando garoto, me desinteressei. Mas fiquei ligado nos riffs de guitarra. Baixo + Batera = sexo.

    Sonífera Ilha com Titãs dançando no Programa do Chacrinha me parecia Tropicalismo.

    Titãs não era uma banda de rock. Os caras pouco sabiam daquilo. Eram fãs de Gil, Caetano, Cartola e Clementina! Todos tocavam violão e compunham, exceto Charles (esse sim com uma natureza roqueira).

    Não gosto da expressão “Rock Nacional” nas prateleiras das lojas. Parece coisa de whiskie.

    No show 25 Anos Luz (comemorativo de 25 anos de carreira de Gil) aqui em SP. Gil anunciou os Paralamas como um trio com som de uma usina. E os Titãs como um octeto com som de “radinho de pilha”. Os caras ficaram meio “sem jeito”. Mas Gil acertou na mosca!

    Eles cantaram a música TV Sado-Maso-Punk. Uma pérola do Gil que nem ele se lembrava, achada em uma fitinha cassete de um show de violão/voz no Colégio Equipe.

    Não há rock brasileiro, assim como não há samba americano.

    Chico Buarqeu apontou o Hip Hop como uma saída pros limites da canção.

    Difícil compor músicas no país de Chico / Ben / Da Viola / Veloso / Gil / Jobim / Ary / Babo / AAntunes / Lyra / Cartola / Cavaquinho / Newton Mendonça / Sinhô / Gonzaga / Caymmi / Geraldo Pereira / Wilson Baptista / Luiz Tatit / Rita Lee…

    Mas vamos tentando Distraídos Venceremos.

    salem

  266. erick disse:
    Novembro 15th, 2008 at 7:35 am

    nú véi!
    acho que precisa falar do dub nessa conversa do hip-hop aí.

  267. gil disse:
    Novembro 15th, 2008 at 7:41 am

    faltou lembrar que renato russo dançava como quem? que o cabelo do outro era como o de quem? que a entrevista foi baseada na fórmula de quem? que a guitarra, a foto, se ele falava retroflexo, se a gente entendia o que ele falava, essas coisas…francamente, catar fragmentos e a fórmula da coca cola? eu tomo coca cola e pronto. o técnico do flamengo é chamado de professor pardal. a indústria da moda e o menino perguntou: qual é a roupa que veste essa música? como é mesmo o nome daquela grife que as moças lançaram? daspu disse o outro. tem mercado. a questão do que país é esse permanece, o que queremos projetar aqui dentro que é onde vivemos pode ser um desejo. tem outros, legítimos, vamos nos projetar no planeta, no espaço sideral enfim…mas tem a bolinha rente a relva. e tem os caras se projetando por cima da gente também, tem esse diálogo…quem fala mais alto ou em bom som.

  268. glauber guimarães disse:
    Novembro 15th, 2008 at 7:52 am

    heloísa,
    obrigado. tenho o hábito de colocar palavras no google e ver o que aparece de imagem. certa feita, esbarrei com aquela ilustração do filme de hitchcock. a intenção foi tirar um sarro de mim mesmo ali.

    lembro aqui a obra de roberto rodrigues, irmão do nelson. morreu aos 23, assasinado. seus óleos e ilustrações, com total elegância, falavam de tempo, morte, dor, fatalidade, resignação.
    boêmio, típico personagem do início do século xx, era admirado pelos seus e disputado a tapa pelas mulheres. dêem uma olhada:

    http://www.heco.com.br/roberto/gallery.htm

    simbóra, minha gente.

  269. Marcelo Sá de Sousa disse:
    Novembro 15th, 2008 at 8:24 am

    É uma pena que o blog termine, mesmo que tenha quer ser assim mesmo e faça total sentido. Em mim, ao menos, vai deixar muita saudade. Acompanhei todas as atualizações; às vezes de perto, e outras nem de tanto assim. Mas o fato é que entrei neste rio como um fã de Caetano e saio fã de tantos outros, como Salem, Nando Heloísa, Roberto… Aliás, minto. De Heloísa saio súdito.

    Minha internet vai ficar muito chata sem vocês.

  270. valter silva disse:
    Novembro 15th, 2008 at 8:35 am

    ola
    ja tinha ouvido falar em uma potencial praga nacional, o “amiguismo”, mas achei que era folclore … então caí aqui neste blog, e dei de cara com o tal !

  271. Suely Rouco disse:
    Novembro 15th, 2008 at 9:23 am

    Caetano, você é demais! A todo momento nos lança uma questão fundamental. Agora vamos discutir o destino da olivetti. Será que com um ou dois tês? Será que a língua mãe perde ou ganha com a substituição da máquina de escrever pelo computador? Será preconceito preferir o computador à velha máquina de d-a-t-i-l-o-g-r-a-f-a-r ? Respostas para ASDFGÇLKJH.

  272. Marcio Ulisses disse:
    Novembro 15th, 2008 at 9:23 am

    Caê, A Olivetti hoje em dia fabrica máquinas copiadoras.
    Um abraço terno.

  273. Maurício disse:
    Novembro 15th, 2008 at 9:33 am

    Oi Caetano, vamos ultrapassar esse negócio de raciar Obama, se ele é negro, branco, azul ou um “mulato nato no sentido lato do litoral ” … Ele é lindo e pronto. Ei vocês, alguém aí tem algo contra os lindos? Espero que não. E esse blog é massa, você é massa! Bisou … see you … aqui, ali, algures, alhures, anywhere, everywhere …

  274. Lucia Alves disse:
    Novembro 15th, 2008 at 9:48 am

    Prezados,

    e não é que tudo acaba mesmo em chope??

    olha só o que saiu no blog do Ancelmo:

    “Foi ontem, no Conversa Fiada de Ipanema: um pinguço ergueu o dedo e pediu um… “Barack Obrahma”, na pressão.

    O garçom, totalmente fluente na gíria mangüaça, trouxe um chope escuro.”

    Não tem jeito, seu Barack, virou chopinho. Tá na companhia política do garotinho, junto com a branquinha, com a loura gelada, e muitos outros.

  275. Fernando Salem disse:
    Novembro 15th, 2008 at 9:48 am

    Lucia!

    “Barack Obrahma”, na pressão. Que coisa maravilhosa! Isso resolve tudo!

    É a senha para detonar o papo de que o nosso “rock” imita. E essa história de que tudo por aqui tem uma referência gringa. Nós somos antropófagos mesmo. Adorei!

    Sobre a canção A OUTRA BANDA DA TERRA com os tais ERRES. É a música que acalentou meu namoro com a Fernanda, casada comigo até hoje. Música também serve pra isso.

    Quanto à coisa de música infantil:

    gosto pra caramba quando o pessoal por aqui conta suas histórias de criança e suas descobertas musicais. prefiro essas incursões às complexas análises sobre a linha evolutiva do rock ou da MPB. esse tipo de depoimento conta mais sobre a nossa música popular do que muitos textos (exceto Wisnik. ele vale a pena).

    Se todos aqui contassem como descobriram CAETANO VELOSO teríamos um grand finale para o BLOG.

    Então aí vai:

    1968. Casa do meu, historiador, Boris Fausto. Em cima da mesa, ao lado da grande vitrola HI-Fi a capa de CAETANO VELOSO (primeiro solo) com aquele entorno pop-color. Eu tinha 7 anos e achei que era disco de música infantil. Me encantei com a capa, mas não escutei a música, não.

    Depois, CAETANO apareceu cantando ALEGRIA, ALEGRIA em algum programa da Record e meu pai disse: esse é o cantor (que linda palavra) da capa colorida do disco do seu tio.

    Em casa havia LPs do Chico, Marcos Valle, Jair Rodrigues e Elis, Nara, Elis, Beatles. Todos das minhas irmãs.

    A minha discoteca se resumia aos Disquinhos coloridos da Disney com versões de Braguinha e tudo de Jovem Guarda. O LP do Caetano então me veio de presente se juntar a João de Barro e Roberto. Pronto. Eu não sabia, mas tinha a prateleira mais tropicalista da casa!

    Quando escutei o álbum branco pré-exílio, fiquei louco por Lanny Gordin. Estava começando a colecionar ídolos. Os primeiros de Gil só descobri depois de Expresso 2222. Ao lado de Transa eu atingia o êxtase. Macalé, Lanny e Cia entravam no meu álbum de figurinhas imaginário.

    A partir daí, comecei a a companhar de pertinho Gil e Caetano.

    O primeiro show que fui tinha Caetano e o Bedengó no Teatro Bandeirantes. Jóia e Qualquer Coisa gastaram os sulcos na vitrola.

    Bicho Baile Show e Refavela! Vi Péricles Cavalcanti chorar no Tuca quando Gil começou o show com Refavela! Gravei o show com um gravador escondido na mochila.

    Fiquei na França entre 81 e 82 trabalhando como músico e soube que Caetano passou por Paris. Minha amiga e figurinista Marjorie Gueller disse que o viu. Tive inveja. Falou de uma nova canção chamada Trem das Cores.

    Quando recebi o disco CORES E NOMES enviado pelo meu pai, chorei.

    Na volta ao Brasil, fui ao Anhembi e achei engraçado no meio da música Sina, o Caetano dar um beijinho bn na boca do percurssionista Bolão. Lembro de um amigo me dizer… acho que ele virou gay.

    Mas meu grande momento foi em 78, no Colégio Equipe. Na quadra, inverno, Caetano, violão e voz. Casaco de pelúcia rosa. Ele abriu com Festa Imodesta. Nessa época eu era bilheteiro dos shows que eram comandados por Serginho Groismann.

    Hoje, frequento esse blog, muito mais por essas sensações infanto-juvenis, tão presentes ainda; do que pelas polêmicas de apelo intelectual. Entro nelas não por inquietação antropológica, mas por afeto.

    Foim exatamente por isso que no início do blog, combati a idéia de moderar ou censurar declarações de fãs e versinhos de amor.

    Ao meu modo, acho que estou fazendo isso desde o começo.

    Heloísa é a novidade.

    abçs

    salem

  276. Marcos Lacerda disse:
    Novembro 15th, 2008 at 9:50 am

    Viva Heloisa, a quem devemos muito do nosso entusiasmo para escrever neste blog. E que bom conversar com o Salem. Ei, Roberto, cê está aí?
    O blog está perto do fim, mas nossa conversa não, pois não é sempre que se encontra pessoas assim tão interessantes para uma conversa sobre papos variados, qualquer coisa e jóia.

  277. Fernando Salem disse:
    Novembro 15th, 2008 at 9:51 am

    CAETANO NÃO POSTA. APOSTA.

  278. Luis disse:
    Novembro 15th, 2008 at 10:05 am

    Me parece que há um novo tipo de preconceito no ar: o cantor de platéia “suburbana”! Ai me fica a impressão de que temos que ingressar em debates mais aprofundados sobre o que é conceito e o que é preconceito e sobre classes sociais, além de buscarmos refletir o que vem a ser suburbio, sem nos privarmos de debater o uso de palavras que embutem preconceitos. No futuro, quando forem escrever sobre a história das mentalidades, caso continuemos a colocar mal as palavras, daremos uma impressão ruim, de seres contraditórios. Certamente a dialética nos revelará contraditórios e, graças a ela somos impulsionados para o mundo do progresso, “ainda que uns não queiram”.
    Raulzito foi cantor de platéia suburbana? Em Salvador o suburbio, ou seja, a periferia da cidade, eram o suburbio ferroviário de um lado e Itapuã, do outro. Amaralina, e Pituba já foram áreas suburbans, também. O centro da cidade e seu entorno deve ser observado mais criteriosamente. A evolução urbana de Salvador pode ser melhor pensada e na época de Raul, Rio Vermelho e Itapagipe, antigos arrabaldes apraziveis de nossa soteropolis foram redutos de veranistas ricos. Itapagipe tem uma história longa, extenuante, de veranistas a moradores de classe social rica, mas também era reduto de pescadores, de operários e de mulheres muito bonitas. De arrabalde, bairro de veranistas, foi morada de gente de todas as classes sociais e deixou de ser suburbio. Vale dizer que Itapagipe dista entre 6 a 8 kilometros da cidade alta. Também é oportuno informar que a compreensão que muita gente tem de cidade baixa e de cidade alta é folclorica. Salvador nasceu cidade acrópole e foi se expandindo para a beira mar, com os sucessivos aterramentos ela se espraiou e, aos olhos dos moradores e dos visitantes, quem descesse para o plano inferior da cidade estaria indo para a cidade baixa, ao nível do mar. O que está acima do mar, nas colinas, poderia ser denominada de “cidade alta” e os bairros localizados ao nível do mar, seriam todos cidade baixa. No século 19 tinhamos Itapagipe de Baixo (do Noviciado da Jequitaia, até a Ribeira, ficava a peninsula itapagipana) e Itapagipe de Cima (onde fica o Largo do Tanque). Mas, por ignorância cidade baixa passou a ser uma denominação vulgar do bairro do comercio até a Ribeira. Isso se justifica pois a cidade também crescia lá no alto. Então Barbalho, Lapinha, Liberdade, Largo do Tanque e etc eram a cidade alta, também e o que estivesse abaixo da colina, ao nível do mar: cidade baixa. Falta a muitos soteropolitanos esta compreensão, é bom que se diga. A questão de tal denominação é decorrente do relevo, com seus altos e baixos. Área suburbana Itapagipe não é faz muitas decadas. Infelizmente tem pessoas com livros prontos, mais não tem como publica-los e a história dessa peninsula importante, que abriga pontos turísticos não menos importantes, fica por ser contada enquanto vai se descaracterizando. No tempo do Raul já não era suburbio e para irmos ao suburbio tinhamos que pegar o trem na estação da Calçada, que já foi um bairro chic de salvador, com um comercio intenso. Mas as cidades mudam e os mais jovens a enxergam com os olhos do presente vez que ignoram o passado e a história que existe em cada lugar. Não sei se o Raul era cantor de suburbio. Eu o via cantando para platéias classe média. Em minha rua, em casa de Walter Ruy, salvo engano, fins dos anos 50, começo dos anos 60, por meses residiu João Gilberto. Ele era visto como um sujeito “estranho”. Entrava na casa e ninguém mais o via. É próprio dele, embora a casa que depois foi da dona do antigo IRTE, tivesse área para ele repousar debaixo da sombra de frondosas mangueiras. Raul tocava para um tipo de platéia que podia pagar. Tocar no cinema Roma, que era um grande cinema e por ser cinema de bairro e por ter preços mais acessiveis à classe média, por esta era frequentado. Era cinema do Circulo operário, controlado pela irmã Dulce e Frei Hildebrando, portanto cinema católico. Depois tudo mudou. Mas era ali que os “roqueiros” se encontravam. Era o “Templo do Rock”, como o Vila Velha antigo era o “Templo da Bossa Nova”. Waldir Serrão me contou que Gil mandava gente observar as coisas no Roma e ele e o Raul faziam o mesmo com o Vila Velha. O estranhamento também embutia, além da rivalidade, a competitividade. Claro que a bossa nova sempre contou com adeptos intelectualizados e platéia seleta. O Rock era coisa marginal. Quando Raulzito e seus Panteras foi escolhido para acompanhar Roberto Carlos em Salvador eu que adimirava o grupo, achava que era a melhor banda de rock da cidade, imaginei que fossem pegar uma verdadeira fortuna. Qual nada, pegaram uma merreca que eu nem quis acreditar. Foram pobres no pedir e a Radio Sociedade também estava no meio dessa história. Mas é preciso abstrair de certos textos informações desconectadas do tempo em que as coisas ocorreram, bem como a ar pejorativo e muitas vezes pernóstico emprestado pelas palavras. Um outro detalhe que merece atenção: Raul “pipocou” na midia de modo inusitado. Fez uma estripulia, gravou OURO DE TOLO, uma canção diferente, também, para àquela época e fez sucesso. Foi a partir dai que ele alavancou. Também era um músico ecletico que gostava de João Gilberto. Tinha uma origem social, de certo modo, privilegiada. O pai era Engenheiro bem situado. Hoje a cidade baixa, depois da invasão dos Alagados, a maior e mais vergonhosa favela do mundo, uma nódoa para o regime militar, mudou muito. Foi abandonada pelo poder público. Na BAIXA do Bonfim o que se vê é muito lixo e sujeira, que só tratam quando vem visitante ilustre, ou chega o tempo da grande festa do Senhor do Bonfim. Itapagipe foi abandonada e só puseram lampadas “brancas” na orla. Então, com Alagados e os aterros feitos com lixo e com o dinheiro do Banco Mundial, a peninsula foi-se unindo - pela conquista e aterro do mar, com o bairro suburbano de Lobato, através do areial que a draga posta no mar, nas bandas do antigo colégio Santa Bernadete e depois Costa e Silva, jogava pra lá. Mas Alagados ainda existe e vai findar quando não houver mais mar e isto está perto de acontecer. Esta ligação fez com que muita gente da “alta” classe média (sempre tem que haver a baixa e a alta, em Salvador)deixasse a peninsula, favorecendo a situação de abandono em que se encontra. Finalizo dizendo aos novos ricos que a Paralela também é suburbio e que o Alphaville fica no suburbio, sem medo de errar. É periferia da cidade, do outro lado da cidade!

  279. joana disse:
    Novembro 15th, 2008 at 11:09 am

    Helô

    não me referi a espelhos por querer algo de vcs. mas só pra demonstrar. e me referi a “espelhos uns do outros” não só pela relação virtual que estamos vendo ser construída entre vocês, mas como uma simbologia pra todas as relações. daqui e fora daqui.
    e espelho apenas reflete, não qualifica.
    se qd o Caetano te olha ele vê clareza e qd vc olha a ele vê neblina, aí já está o que o espelho dessa relação tá mostrando agora…mas isso é mutável, se pararem aí, fica assim… comentei com honestidade e espanto porque deu pra ver que Caetano saiu um pouco de sua neblina, de frente, pra fazer um movimento mais focado. e para o que ele está acostumado isso é uma ressaltável diferença…neblinas são como falta de contato e dificuldade de mantê-lo. pra quem fica do outro lado do contexto, pode ser profundamente irritante. acho que vc lida com essa irritação se colocando com elegãncia.

    Salem

    taí, pesquei o lance da moderação! isso que vc entende como desmoderado, pra mim é moderado. não conseguiria imaginar esse espaço sem essa liberdade pra todos, pra mim isso é o normal. eu também bateria um papo com o Hermano se achasse que isso aqui fosse muito controlado. moderação pra mim, implica só não permitir avacalhamentos com faltas de respeito e baixarias infrutiferas.
    eu tive dois coments deglutidos, mas isso não me faz cósquinha, nem questiono se foi moderação ou pq passou batido. teimei, escrevi tudo de novo e aumentei o assunto, e eles foram regurgitados.

    quito

    “Muito pelo contrário, acredito que a reparação do prejuízo passa pela afirmação da ascendência negra na nossa mestiçagem. Isto parecem favas contadas. Mas não é bem assim.”

    sim!!! agora te entendi se afirmando claramente.

    entendi melhor suas colocações. acho que por isso eu ficava pensando coisas do tipo: sim, mas pra essa afirmação acontecer a história precisa ser lembrada. acho que isso que vc diz com “Acho que os não-pobres no Brasil precisam assumir a sua mulatice mais do que o fazem.”

    e acho que muitas vezes não lidamos as claras com essa mulatice!!! (eu acho essa palavra linda)

    não penso na história nem apenas como conhecimento teórico. se na escravidão os negros “aprenderam” que “não há direito a propria existência, qualquer tentativa de manifestar vida e necessidades próprias são silenciadas com agressão, violência e morte, e que vida e poder (num sentido amplo) são “brancos”, então não há solução a não ser se acomodar e se submeter a situação.” tem que desaprender. cada parte de cada pessoa que recebeu essa herança, precisa desaprender essa crença. de dentro pra fora. sem precisar negar uma parte de si pra conseguir existir mais ou menos.

    enfim, mais idéias a respeito, mas como não gosto de tudo de uma vez só, outro momento dou mais pitaco nesse chá da tarde da Patricia…(acho que foi ela que deu essa intençâo alguns coments atrás…)

    bom sábado amiguinhos!

  280. Fábia disse:
    Novembro 15th, 2008 at 11:10 am

    Gosto muito do livro e da possibilidade de encontrar significados no silêncio, Heloísa…

    A quem se interessar, o http://loronix.blogspot.com (não precisa de www) reúne maravilhas da música brasileira, todas fora de catálogo. Eu encontrei discos ótimos de muita gente que gosto e passei a gostar de outros que conheci lá. Charles Gavin, em entrevista ao Globonews nessa semana, disse que é o melhor blog de música brasileira. Eu concordo.

  281. Nando disse:
    Novembro 15th, 2008 at 11:23 am

    Carolina: o melhor Dylan está no melhor Raul e certamente você conhece: “Ouro de Tolo”.

    Flávio Mendes: a referência a “Save a Prayer” foi feita pelo produtor da faixa do Kid Abelha, Liminha (que disse assim: “Muita gente acha que “Como eu quero” foi cópia da Madonna, mas não foi; foi de “Save a Prayer”. E a referência à faixa dos Beatles em 7/4 foi feita pelo Sérgio Dias (no youtube tem). Não inventei nada; o início de ambas as faixas é em 7/4 mesmo. O trecho do solo de “Alagados” pode ser ouvido em “Samba pa Ti”. Herbert várias vezes declarou seu amor por Santana.

    Gil: Renato Russo dançava como Morrissey, Ian Curtis e Jim Morrison. Ele mesmo disse isso. Me surpreendeu a tentativa de sarcasmo dos seus últimos comentários.

  282. teteco disse:
    Novembro 15th, 2008 at 12:40 pm

    SALEM; pra vc que fala de hip hop, lá vai então “HIP HOP DO RALO” do “Nigra Sun”, de Sampa.

    caricatura dessa vida dura
    trabalhador que vive sempre na pindura
    e a utopia que no bacana pia
    que também vive em cana em plena utopia.
    que seja o presidente americano,
    o chefe dos moicanos, o bardo ucraniano,
    tá todo mundo entrando pelo cano
    do eldorado além da graça e do engano…

    é..vai tudo pro mesmo ralo
    é..por isso que nem me abalo
    é..vai tudo pro mesmo ralo
    é..no hip hop do ralo

    e a fonte viva dessa vida torta
    é mesmo o paraíso que nem se suporta
    e que nos exporta pelo mundo afora
    e que nos importa quando chega a hora.
    cadê o faraó, cadê, cadê platão,
    o lindo papo estóico do híppie doce e heróico
    e aquele bando macho de lampião
    se tudo vira poesia, história ou histeria…

    é..vai tudo pro mesmo ralo…
    etc…

    por aí vai, Salem, eu achei maneiro.

    QUITO: é..Betão e Giló, saudade dos caras!

    GLAUBER: é mesmo, Millôr “marrento”. Mas é legal.

    EMETEVE: Mion…Caetano é humano, demasiado humano. este blog é uma das evidências disso. é a ponte viva entre a estrela e seu público. claro que não concordamos com tudo dele e vice-versa. isso é democrático e saudável, como a visão de Heráclito; “da força dos contrários, nasce a mais bela harmonia”.e eu nucna vi, em tal fluência, outro bamba da música fazer algo similar. o baiano inovou novamente. e chatice, meu caro, todo mundo tem, como as virtudes. e Caetano-Humano não poderia ser diferente da raça.

    ALEMÃO: fala bródi, meu email é mmtheo@hotmail.com. grazie!!!

  283. glauber guimarães disse:
    Novembro 15th, 2008 at 1:13 pm

    gil,
    “o inimigo é desconhecê-lo”. perfeito. e lindo. penso assim também.

    nando,
    conheço o “pata de elefante”. excelente.

    exequiela, caetano, salem, gil, nando e todos los amantes del rockenról,

    esta é uma banda paulistana de uns amigos meus que, acho, é das melhores coisas no rock brasil underground.
    nos vocais, um argentino chamado alejandro, que canta em portuñol [!!!!!]. imperdível pra quem gosta de rock. sugiro que ouçam primeiro “shine” e “ela pirou”.

    http://www.myspace.com/detetivesbr

    não pude ler tudo agora. volto depois e faço isso. abração!

  284. Gilliatt disse:
    Novembro 15th, 2008 at 1:31 pm

    Caetano, Waly e Vera Barreto.

    O começo é impagável, com as explicações de Caetano sobre a diferença entre “the last” e “the latest”.

    http://br.youtube.com/watch?v=iLOrvyLDAIg

  285. Miriam Lucia disse:
    Novembro 15th, 2008 at 2:06 pm

    Caetano

    A Olivetti acompanhou o tempo e investiu em impressoras de alta qualidade de impressão e tecnológicas, como é o caso das impressoras para fotografias, também atua de maneira muito forte com maquinas poderosíssimas de xérox, calculadores, impressoras ficais, etc. Quanto a velha maquina de escrever foi substituiu por lindos e modernos Notebooks, no Brasil não sei se já estão disponíveis estes produtos da Olivetti, mas aqui na Itália já vi muitos produtos da Olivetti e também alguns destes portáteis.

    Beijos

  286. Lucesar disse:
    Novembro 15th, 2008 at 2:34 pm

    ¿ Que pasa ? Nooooooo
    Exequiela e Caetano juntos???? Nesse clip:

    http://www.youtube.com/watch?v=oduCfR7iZAc

    Meu lado “LOBÂO” , ao passar por esses comments de 50/100 linhas (posta um link por favor!), fica com vontade de dizer que eles são os “malas” do Obra.

    Lobão tem razão.

  287. glauber guimarães disse:
    Novembro 15th, 2008 at 3:09 pm

    pessoal,
    o loronix é, sem dúvida, o melhor blog de música brasileira “das antiga”. faz parte da elite de blogs musicais no mundo.

    tudo ripado do vinyl, mantendo um pouco dos chiadinhos, o que deixa a experiêcia de ouvir os discos ainda melhor. além dos arquivos em MP3, disbonibiliza em FLAC, para os mais exigentes quando se trata de audiofidelidade.

    longa vida ao loronix!

  288. laurene disse:
    Novembro 15th, 2008 at 3:13 pm

    Oi, Caetano: vc viu o Globo Repórter que dizia que as mulheres baianas preferem ginástica e família “do que” sexo (os gramaticuzinhos que me perdoem, mas vou escrevendo assim mesmo!)? Por que será? Acho esse assunto mais excitante, prefiro bater nessa tecla do que bater na Olivetti. Caetano, vc foi atravessado pelo “r” retroflexo e pelos conceitos e preconceitos helosianos. Como te disse, leia Ricoeur. Ele diz que devemos ser amarxistas, atravessar Marx.

    Será a Axé que causa o desejo nas baianas? Será a presença de Caetas que causa esse frisson? Eu só vi a chamada, não a reportagem.

    Queria tb que vc comentasse a propaganda do carro com Sepultura em que eles cantam bossa nova. Liiindo!
    bossa-trash!

  289. Edison disse:
    Novembro 15th, 2008 at 4:06 pm

    Muito profícua a discussão entre Heloísa e Caetano. Um dando baile no outro. Nunca vi um linguísta chegar à profundidade de Caetano em alguns aspectos. Já tratei de copiar para meu HD as opiniões de Caetano. Heloísa sabe provocar: “Ainda não somos espelhos, como quer a Joana, pois sinto que os vínculos virtuais ainda se perdem na neblina que parece constante entre nós. Acho que você é, e sempre vai ser a minha neblina.” Um bom Lacan resolveria a questão no caso aqui.

  290. Lafa Luiz disse:
    Novembro 15th, 2008 at 4:17 pm

    Uau! nem acredito. mas me belisquei. muito legal poder estar aqui e falar com todos os que ouvem esse gênio poeta anjo CV. Desde os 12 acho que ouço e leio e reouço e cantarolo os versos belos de Trem das Cores ou de Odara ou de O Homem Velho! Voltarei mais vezes, podem acreditar. Bye! (Até postei em meu bloguezinho sobre Obra em Progresso, muitas vezes. E hoje há um link para esta extraordinária conversa virtual a mil vozes aqui.)

  291. joana disse:
    Novembro 15th, 2008 at 4:19 pm

    Lucesar

    vc foi um arraso com essa homenagem!

    deliciei-me! rs

  292. gil disse:
    Novembro 15th, 2008 at 4:37 pm

    a crise pressiona, o dólar velho de guerra voltou a ser o mesmo, caro, vai ser caríssimo, dólar forte de novo e com o carimbo Obama. vivemos assim quase a vida inteira. O mundo mudou, guitarra baixo bateria e vocal. Vão começar cortando a música que é supérfluo…supérfluo? não é necessária? mas pra que ser humano? em que caverna? os passarinhos já não se ouvem mas o homem continua assobiando…tum tum tum meu coração. a gente não quer só comida, berrava o menino da burguesia brasileira no rádio, a gente quer inteiro e não pela metade. muito interessante constatar que não há samba francês, mas não há porque? Se a França inteira resolver produzir cinema então teremos o cinema francês ( que por acaso “nasceu”? ali…mas existe cinema noutra parte?). Vai dizer para um argentino que não há o rock argentino? ou mesmo ao francês, que não há o rock francês…o BRock é o rock que fala a nossa língua, nossos meninos morreram por ele, atenção. Existe sim e não trata de querer balizar movimento ou apreender a história, se trata de produzir riquezas. Internamente. O poder da nossa música reside sobretudo na sua capacidade interna, no seu imenso mercado interno, a questão é como suportá-lo e ampliá-lo, isso não é contra política. Vamos ouvir muito falar de protecionismos daqui pra frente. Dane-se o rock mas não vamos cuspir no espelho, vamos louvar o Herbert, o Arnaldo, o Russo, o Cazuza…como se reproduzem?…alimentados e incentivados. E que assim seja, não tem viúva aqui não, nós temos Caetano entre nós e portanto não estamos sós…mas não vamos desinventar, estamos nos referindo a mais de uma década de ativação de comportamento, e estamos falando, o princípio desse papo todo, da opção que tomamos, do caminho que escolhemos, ou do que sobrou, e nos perguntamos quem é o inimigo… E essa é a questão, a cultura e a civilização elas que se danem… ou não…

  293. Patricia 1 disse:
    Novembro 15th, 2008 at 4:48 pm

    Sem querer escrevi no post anterior…vou cartar de novo: Já comprei meu ingresso para a apresentação que Bethânia vai fazer na Pupileira da Santa Casa da Misericórdia em Salvador dia 10/12…ela recitará poemas de Padre Antonio Vieira e cantará musicas sacras e “o que sempre”(whatever…rrsss)…Gente…um sonho…será para 195 pessoas e euzinha estarei la…Ôbaaaaa! O ‘esquente’vai ser com Mercedes Sosa, e dia seguinte Gil no Tca, 28 e 29/12… Coloquei todas as entradas no cofrinho…Tomara que Caetano dê uma cancha em algum destes…vumbora Cae, dê…venha pra ca e dê, viu?bjbjbjs

  294. Patricia 1 disse:
    Novembro 15th, 2008 at 4:51 pm

    errei… Mercedes Sosa e Gil será nos dias 28/11 e 29/11

  295. Marcos Lacerda disse:
    Novembro 15th, 2008 at 5:29 pm

    Achei bonito desde já, achei bonito logo a proposta de Salem, como acho bonito tudo o que ele escreve. Falar sobre o modo como conhecemos Caetano. Acho que todos aqui devem ter histórias inusitadas. Eis a minha:
    Eu sou nascido na periferia de São Paulo, meus pais vieram da Paraíba. Meu pai, em especial, sempre teve um gosto por música, sempre gostou de ouvir canções. Mas para ele, canções boas mesmo só eram as canções pré-Bossa-Nova, as canções de Noel rosa, Lamartine Babo, Braguinha, Assis Valente, Cartola, Manezinho Araújo, Jackson do Pandeiro, Luis Gonzaga, Mário Reis, Augusto Calheiros, Roberto Silva, Orlando Silva, Ciro Monteiro, Jorge Veiga, Dalva de Oliveira, Herivelton Martins, Vicente Celestino, e muitos outros mesmo. Além disso, meu pai sempre gostou de canções latino-americanas, cubanas, mexicanas, peruanas, venezuelanas, etc. E também fado português. Mas eu não gostava de música, sempre preferi ler, e considerava a música como algo menor que a leitura, e os livros. Só passei a considerar a música popular como algo relevante, e que poderia me dar informações tão densas quanto os livros, quando meu pai comprou uns CDs em promoção, todos coletâneas de grandes nomes da “MPB”. Entre eles havia o de Caetano. Eu nunca tinha ouvido nada de Caetano, e meus amigos só ouviam hip hop, pagode, axé e alguma coisa de forró. Então ouvi canções como “Estrangeiro”, “podres poderes”, “Qualquer coisa”, “fora da ordem”, e fiquei espantado! Aquelas referências todas das canções me levaram a potencializar minhas leituras, acreditar na possiblidade de uma entrada em uma universidade pública ( algo longe do horizonte cognitivo das pessoas que moram nas periferias de São Paulo, que são sempre desestimuladas para a atividade intelectual mais exigente), e o gosto pelas canções, pensar as canções como uma forma privilegiada de interpretação do mundo. E foi Caetano Veloso, ele mesmo um intelectual ousado, e que tem um pensamento refinado sobre a canção e o mundo. Daí fui ouvir outras pessoas, outros músicos, alguns até me entusiasmaram muito, mas nenhum comparável a esta descoberta pessoal.

  296. Luiza disse:
    Novembro 15th, 2008 at 6:08 pm

    Que delícia descobrir este blog. Parti do Brasil quando o progresso da obra ainda era bem pequeno para morar na França. Pela primeira vez vivendo sozinha, pela primeira vez na Europa, respirando a liberdade. Não demorou para perceber que eu pertenço ao Nosso Brasil. Nunca antes tinha escutado você, querido Caetano, dessa forma. Nunca pude entender o saudosismo. Vai ver faz parte de ser estrangeiro, mas acho que tá mais pro encanto brasileiro. Eu, escutando Aquarela do Brasil nesse exato momento na voz de Caetano, Gil e João, disco que costumava ouvir em vinil em meu doce lar… Concordo com Fernando Salem “Só o coqueiro do Ary na voz do João é que dá o coco”. Estou aqui enquanto uma grande amiga francesa está no Brasil. Não é por acaso que enquanto eu me pergunto se aguentarei muito mais ela me diz que nunca mais voltará para a França. Nossa terra é muito linda. Muito obrigado a todos por esse contato com o meu mundo. Saudades de todos. Saudades dos shows de Caetano Veloso. Entrei no site após assistir um vídeo de Cae no you tube para ver se por algum feliz acaso ele não estaria pensando em fazer um show por essas bandas.

    Infelizmente nenhuma noticia de sua presença física, mas encontrei-os aqui. Bem-vindo à França mais uma vez Cae, trouxe toda sua discografia comigo e, aos poucos estou criando novos fãs seus por aqui. Outro dia, já um pouco encabulada ao perguntar a um grande novo amigo francês que veio jantar aqui em casa se ele se importaria de eu tirar os beatles para colocar uma música brasileira fiquei emocionada ao ouvir: J’ai dejà écouté Caetano toute la journée, mais j’aimerais bien écouter Cartola”

    E vocês ainda têm dúvidas de que nossa música não é original? Infuências fazem parte e enriquecem. Nunca entendi muito bem essa paranóia em identificar semelhanças enormes entre nossas bandas de rock e o rock internacional e julgar cópia… Bom, também não entendo tanto de música assim.

    Beijos a todos e bem-vindos à França!

  297. Gravataí Merengue disse:
    Novembro 15th, 2008 at 6:10 pm

    Salem: Hip-Hop, como movimento, é interessante. Mas a música é um tanto repetitiva e há aí uma fórmula que chega ao Brasil de maneira estranha (como identificada coincidentemente em duas canções de Caetano, “Língua” e “Rock’n'Raul” - “nós canto-falamos como quem inveja negros que sofrem horrores nos guetos do Harlem” e “e hoje olha os mano…”).

    Há uma inequívoca revitalização da cultura popular da periferia. Isso é indiscutível. E também não se restringe a Racionais MCs. De todo modo, há uma repetição estética aí - como acontece com todos esses ‘movimentos’, o que é triste, infelizmente. Um copia o outro, que copia o um etc. Lá pelas tantas, o que se anuncia como ‘movimento’ é pura marolinha (e nem o mais embriagado pensamento surrealista a retrataria como outra onda :)).

    Entramos naquela miríade de problemas e questões: é ruim a sucessão de cópias? É ruim a falta de criatividade pujante? Não sei - honestamente não sei. Talvez isso tudo, assim como está e é, faça parte do movimento e deva ser mesmo dessa forma. Como acontece, por exemplo, com o funk do Rio (culturalmente riquíssimo; e é burrice negar tal fato).

    O que me afasta do hip-hop - do ‘rap’ em especial, e bem especificamente das letras da maioria das canções - é um certo caráter de “afirmação por meio da segregação”, que copia uma atitude Panteras Negras/Malcom X, uma “ação afirmativa enlatada” não condizente com nossa realidade. Fica estranho, não soa bem e não combina definitivamente com nosso cancioneiro - mesmo aquele de afirmação racial.

    Mas seria desonesto não destacar Rappin Hood que se impõe - vale destacar “Sou Negrão” -, escapando dessa coisa de “o branco é ruim”. A versão em que canta com Leci Brandão é lindíssima, eu não sabia que ela participava e fiquei com olhos marejados, lembrando-me de quando a ouvi, menino de tudo, naquelas gravações do Cacique de Ramos (sim, não sou tão veterano como a maioria, tenho 32 anos, por sinal completados hoje :)).

    E dei essa volta toda pra dizer que o samba do Rio de Janeiro, do início da década de 80 tem muito mais força, importância e influência do que o rock nacional feito também no início daquela década - tanto no impacto para a população quanto no que se ouve hoje das bandas novas.

    Zeca Pagodinho, Orquestra Imperial, Arlindo Cruz, Maria Rita, Leci Brandão, Rapin Hood. E, antes disso, Tia Ciata. É a história do Brasil, da música do Brasil. Ignorar a força desse samba do Rio de Janeiro como o GRANDE MOVIMENTO dos 80s é não atentar para os fatos (basta ver o que houve depois, o que acontece agora etc).

    E isso não é bairrismo. Sou de São Paulo. Mas sei que a identidade musical do Brasil está na sacanagem do pernambucano Bezerra da Silva cantando os versos dos compositores do Morro do Galo, e não nos versos paulistanos de segregação de parcela do “rap” inserido no “hip hop” devidamente importado dos EUA.

    O que houve com o rock nacional? Correu beber na fonte verdadeira: Orquestra Imperial, Los Hermanos, Maria Rita, Marisa Monte (e também Lobão, Sepultura etc).

    Por mais que se tente fazer de conta que não haja uma história na quadra do Cacique de Ramos, ela está aí na nossa frente, e em nossos ouvidos, e presente nos palcos todos os dias.

    Heloísa: Que história é essa de livro, moça? Sei que meus comentários são longos e chatos, talvez eu seja expulso daqui, mas onde você leu que vou escrever um livro? Fiquei curioso agora! :)

  298. Fernando Salem disse:
    Novembro 15th, 2008 at 6:25 pm

    Querido Caetano

    A última notícia que tive contato sobre o “mago” Lincoln Olivetti foi de que ele estaria (odeio esse futuro do pretérito usado pelos jornalistas para não serem processados por acusações levianas) remixando velhos tapes do Tim Maia com o conteúdo ainda inédito do projeto Tim Maia Racional gravado entre 75 e 76, ao entrar para a seita Universo em Desencanto e que gerou 2 álbuns.

    Como tudo que Tim Maia fez, o projeto do Racional 3 já vem cercado de polêmicas.

    Carmelo, seu filho e herdeiro, andou meio irritado com o vazamento do conteúdo desses tapes secretos na Internet.

    Parcece que outra herança que Tim deixou é a vocação pelas pendengas judiciais.

    O caso foi contado pelo jornalista Ricardo Schott no blog discoteca básica:

    “A história do Racional 3 começou em 2000, quando o produtor Dudu Marote recebeu tapes gravados por Tim, por volta de 1976, no estúdio carioca Somil. As fitas, que estavam sem canais de cordas e metais, foram dadas a ele pelo técnico de som William Junior, filho do dono do estúdio. Dudu disse ter passado as músicas para algumas pessoas, que provavelmente as colocaram na rede. O produtor Kassin ouviu os tapes e os mostrou para amigos de Tim, como Paulinho Guitarra e Nelson Motta. Mas diz não estar mexendo nas fitas.

    Carmelo diz não conhecer Kassin e que pretende respeitar conceitos paternos no projeto.

    - Quem vai mexer nos tapes é o maestro Lincoln Olivetti, que era amigo do meu pai. Se o Kassin vai sair nos créditos como co-produtor, não sei. Mas quem tem que estar lá são os amigos do meu pai - diz Carmelo, irritado com o vazamento do conteúdo dos tapes. - Se foi o Dudu Marote quem fez isso, ele vai ter que responder judicialmente.”

    Taí… essa é a última notícia do nosso “por onde anda Lincoln Olivetti?”.

    Eu, particularmente, sou fã do cara. Principalmente do que fez com Rita Lee & Roberto de Carvalho e com Tim Maia. Tenho álbum instrumental dele com Robson Jorge. No final dos 80, a rapidez das frases de metal dos seus arranjos começaram a me dar uma sensação estranha de som “cheiradão”, hiper bem tocado, mas com uma certa overdose bicuda.

    O estilo do cara é inconfundível. Festa do Interior com Gal é demais! Mas nada é melhor do que os arranjos de Lança Perfume e Baila Comigo.

    Tenho um velho vinil da Lucinha Turnbal com um arranjo lindo dele pra canção AROMA do Gil!

    Vem pelo vento
    Aroma
    Fragrância, odor
    Vem da pitanga
    Da manga
    Perfume da flor

    Vem do estrume
    Cheiro do gado
    Vem do pecado (aroma-amor)
    Do corpo dela (aroma-amor)
    Todo molhado
    Aroma
    Um cheiro de suor

    Vem pelas ventas
    Aroma
    Do pobre ou rico
    Embriagado
    Tu ficas
    Eu também fico

    Vem da macela
    Da graviola
    Vem do pé de manjericão
    Todo o planeta
    Aroma
    De planta do sertão

    abraço

    Salem

  299. Fernando Salem disse:
    Novembro 15th, 2008 at 6:28 pm

    A esqueci de datar a última notícia sobre Lincoln Olivetti:ABRIL DE 2008.

  300. Nando disse:
    Novembro 15th, 2008 at 6:41 pm

    O excesso de informação às vezes nos prega peças. Tô aqui também mais perdido do que cachorro que cai do caminhão de mudança. Perdoem a falta!:

    Glauber e Roberto Joaldo (e aos demais): nandofnts@gmail.com

    Maria João Brasil: não consegui achar o comentário a que você fez alusão.

    Salem: sua frase dá o que pensar. Se “não há rock brasileiro como não há samba americano”, quem explica um… blues brasileiro? Veja o Flávio Guimarães, gaitista dos Blues Etílicos. Sua gravação de “Telephone Blues” é das coisas mais maravilhosas que já ouvi de blues feito em qualquer país, inclusive (e sobretudo) nos EUA. O cara tem seu nome como verbete na Enciclopédia Americana de Blues. Um carioca. Mas, não satisfeito, o Flávio envereda pelos sertões (opa, dá liga, sem dúvida) e extrai de lá o blues genuinamente brasileiro. Eu cá com meus botões sempre vi os violeiros caipiras como primos distantes do Robert Johnson. Almir Sater e Tavinho Moura, em seus melhores temas instrumentais, atestam isto. É algo entre o mistério e a dor - com uma chamada ao virtuosimo, duelos etc. Inexplicável. Paulo Miklos também provou desta fonte na última faixa do seu segundo disco solo (o ótimo “Vou Ser Feliz e Já Volto”).

    Acho que esteticamente a raiz tende a permanecer com mais vigor e com mais intimidade no seu local de origem (ou no local de adoção onde melhor foi trabalhada), mas isto não impede que a essência possa ser bem trabalhada em qualquer lugar. “Rock”, “Samba”, “Salsa” ou qualquer outro ritmo/estilo são representantes de expressões da alma humana e, como tais, não pertencem a ninguém em particular. E lembremos do mutante Arnaldo: “Não há motivo para queixas quanto a purismos. Afinal, o samba veio da África, o futebol da Inglaterra e o violão de Portugal” (a frase não foi exatamente assim, mas quase).

    Abraços!!!!!!

  301. glauber guimarães disse:
    Novembro 15th, 2008 at 6:59 pm

    “toquei” uma olivetti daquelas portáteis numa de minhas canções. divertido pacas.

  302. laurene disse:
    Novembro 15th, 2008 at 7:31 pm

    Luís: foi o próprio Raul quem definiu sua platéia assim, como sendo de domésticas e estivadores, ao contrário da outra, dos meninos da bossa nova, que seria de estudantes e intelectuais. Está no Raul, O Autor por Ele Mesmo, aquele livrinho que saiu pela Martin Claret. Eu fui na valsa.

    Mas foi muito bom vc falar e explicar.

  303. gil disse:
    Novembro 15th, 2008 at 7:39 pm

    desculpe Nando se minha intenção passou do ponto…vc sabe que o babado é outro…e aproveitando o ensejo, o DvD desmistificou muito das performances e dos artistas, até mais do que devia eu acho, sobra pouco espaço pra gente imaginar. A Imaginação no Poder, mas como? está tudo muito mastigado e o pessoal quer mais, quer tudo, a gente quer tudo…cansa ver disco voador toda hora, quem não vê inventa até religião, depois que vê…uma ova. Madonna vem aí, é claro que Madonna é bacana mas…francamente…Madonna? Broadway?…tá na hora de olhar pro umbigo. No DVD é ótimo…é preciso ter cuidado com as imagens, com a entregação. eu acho que intuí o que fez Gal Costa, só podia ter feito…mas como assim?
    E todos aqueles shows vc encontra no DVD, ao vivo nem foram isso tudo. A máquina de sonho anglo americana produz um manancial inesgotável, mas é importante também driblá-la. Nando, tá lindo, é nós….oi skindô skindô…oi skindô skindô…não há nada como Carnaval Carioca!

  304. Luiz Castello disse:
    Novembro 15th, 2008 at 8:04 pm

    Valeu Glauber
    Neste momento em que eu escrevo pra ti agradecer a dica supracitada do Loronix,o Media Player já delicia meus ouvidos com o historico encontro,Tom-Frank Sinatra.Tb baixei Nara Leão”Meu primeiro amor”,e assisti uma linda homenagem feita à Dorival Caymmi.Enfim,vc me arremessou à mais uma “Toca do coelho” de preciosidades musicais da net.
    Obrigado de coração,Irmão.

  305. Ingrácia disse:
    Novembro 15th, 2008 at 8:56 pm

    Algumas máquinas de escrever Olivettti - devo ter aprendido datilografia em alguma delas - estão na seção de antiguidades do Mercado Livre. Aliás, no youtube tem uns comerciais ótimos, feitos na década de 1970. O link abaixo é um com a Kate Lyra

    http://br.youtube.com/watch?v=62be2KlYtZA

    P.S: Pela primeira vez, recebi o recado: você está postando rápido demais. Achei tão castrador!!!

  306. Heloisa disse:
    Novembro 15th, 2008 at 9:54 pm

    Joana,

    Comentei sobre os espelhos porque pensei ter sido o que você deduziu no final da mensagem do Caetano, não porque quisesse algo de nós. Imaginei a identificação, não o reflexo. Entendi, sim, ‘espelhos uns dos outros’ como simbologia para relações em geral, mas não da maneira clara como você me apresentou: não pensava que a neblina pudesse fazer parte da imagem refletida. Agora ficou transparente o que você disse. Desculpe-me por citar suas idéias, mas seu comentário foi tão bonito, tão instigante, que de certa forma se tornou a base para que eu tentasse responder ao Caetano. Como ao Salem, muito me agrada seu jeito de dizer as coisas – o sentido profundo surge de palavras leves, e os espaços sugerem pensamento refinado e compenetração. Um beijo.

  307. Gilliatt disse:
    Novembro 15th, 2008 at 10:04 pm

    Adorei a proposta, Salem.

    Quando saiu o primeiro LP de Caetano, em 67, eu tinha 4 anos e morava em Copacabana. Na minha casa ouvia-se música todos os dias. De todos os gêneros. Naturalmente que eu só fui ter consciência do que foi a trilha sonora da minha infância quando, anos mais tarde, comecei a fuçar a discoteca dos meus pais e descobri maravilhado discos de jazz e de música brasileira: Duke Ellington, Art Blakey, Count Basie, Thelonius Monk, Tom Jobim, Maysa, Dolores Duran, Leny Andrade, tinha de tudo. Mas a memória musical mais remota que tenho, a primeira música que guardei na minha memória, foi Superbacana. Pra mim essa música era a história em quadrinhos da minha própria história, do meu universo infantil (super heróis, super amendoim, moeda número 1 do Tio Patinhas, Copacabana). Eu pedia o tempo todo pra ouvir essa e também “aquela do disco voador” Eu ouvia aquela voz doce de mulher (era a gravação da Gal) dizendo que ia fazer uma canção para lançar num disco voador e ficava de noite, antes de dormir, imaginado que esse disco voador passaria perto da janela do meu quarto. Sonhava acordado e dormia. É incrível como certas cenas da infância ficam na cabeça da gente: lembro-me perfeitamente quando minha mãe, após uma das intermináveis vezes em que eu pedia pra ouvir o Não Identificado, olhou pro meu pai e disse: seu filho adora Caetano Veloso. Foi aí que eu, até então sem saber que as duas músicas tinham sido feitas pela mesma pessoa, soube o nome daquele que já era o meu compositor preferido.

    Com 14 anos, fui pela primeira vez a um show do Caetano. Foi no início de 1978 (ou final de 77), no Teatro Clara Nunes, aqui no Rio. “Caetano Veloso em concerto” era uma espécie de “obra em progresso” do disco “Muito”. A formação da banda era praticamente a futura “A Outra Banda da Terra”: Tomás Improta, Arnaldo Brandão, Vinicius Cantuária, Marcos Amma e um convidado especialíssimo, o Serginho dos Mutantes. Do repertório do disco, que sairia meses depois, só não entraram no roteiro “Terra”, “Quem cochicha o rabo espicha” e “Muito”. Todas as outras foram apresentadas. Inclusive “Sampa”, que ainda era inédita. No momento-voz-e-violão, ele fez “Eu sei que vou te amar” e uma versão inesquecível de “Quem vem pra beira do mar” que, imperdoavelmente, não entrou no LP. Ainda espero que ele venha a gravá-la. Nós merecemos.

  308. Heloisa disse:
    Novembro 15th, 2008 at 10:39 pm

    Suely, gostei muito de suas primeiras lembranças musicais, que me fizeram parar e pensar nas minhas. Os primeiros sentimentos que você disse ter sentido sobre amor e dor, com ‘Chega de saudade”, eu os tive aos seis anos com o primeiro disco que escolhi – na verdade me agarrei a ele, deixando claro que não existiria mais vida sem aquele som: Celly Campello e seu Estúpido Cupido! Eu ouvia o dia inteiro aquele coração cansado de chorar, e a flecha do amor que só traz angústia e dor – não à toa eu me tornei uma romântica incontrolável. Ainda criança, me apaixonei por Elis e depois pelos Beatles, claro. Bossa nova eu ouvia sempre, mas os peixinhos e barquinhos eram pouco dramáticos para mim.
    Do nome de Caetano a primeira lembrança é ‘Boa palavra’, que me chamou a atenção pela força da letra, e porque a cantora estava muito nervosa no festival. Depois veio ‘Alegria alegria’ e a adolescente que eu era nunca mais foi a mesma. Eu queria tudo: todos os discos, todos os shows, todas as fotos. Fascinação total, para ciúme de namorados e amigos. E desde então ele me acompanha, e já produziu em mim os sentimentos mais controversos: admiração, paixão irrestrita, antipatia, admiração redobrada, fascinação. Mais ou menos nessa ordem. E hoje - quem diria - no mundo virtual eu discuto com ele, tento driblar sua teimosia, ele retruca, às vezes de modo áspero. Depois se desculpa, carinhosamente; eu me derreto, e só aumenta minha fascinação. E tudo isso com platéia. Definitivamente, eu não posso reclamar da vida. :D

  309. Luis disse:
    Novembro 15th, 2008 at 10:54 pm

    laurene: depois da sua informação só tenho a lhe agradecer. Não conheço ninguém nese blog. Acessei o mesmo porque me contaram que era legal, bacana e que Caetano, vez por outra, polemizava comalguém e eu gosto de ler as coisas que ele escreve, mesmo que eu não concorde. Leio alguns posts interessantes, outros menos interessantes, gosto das pessoas que são francas mesmo sabendo que a sinceridade é uma virtude que nem sempre agrada. É fácil jogar confete e massagear o ego das pessoas, as pessoas gostam disso. Mas estou verificando que Caetano é um sujeito tolerante e que adora o debate, embora eu não tenha notado ele mais freqüente no blog dele. Sei lá, ele deve ter mil coisas a fazer e ficar preso na internet deve ser um saco. Prá mim até serve como uma terapia e tenho me sentido desocupado mesmo. O livro que você fez referência eu tenho em minha biblioteca, mas não o consultei. O Raul também é comentado no livro que Fernando Moraes escreveu sobre Paulo Coelho. É um livro muito interessante e de uma permissividade impressionante. É uma devassa na vida de Paulo Coelho. Mas é um livro muito bem redigido, bem cimentado e sei censura do biografado. Isso deu um sabor especial ao livro. Ruy Castro também tem um livro sobre a bossa nova que retrata tudo de uma forma bem atraente, com muita riqueza de detalhes. Fico feliz por ter me ajudado. Resta-me esperar receber alguma informação sobre o filme Sementes da Violência. Gostaria de saber aonde ele foi exibido em Salvador, qual foi o ano e como foi a repercussão do mesmo após ter sido exibido. Rock and Roll The Clock é que levou Raulzito a dizer que foi bombastico. Foi exibido no cinema Guarani (SSA/BA)(depois Glauber Rocha e agora deixou de ser cinema, infelizmente) e contagiou o público de tal forma que muitas cadeiras foram quebradas. O Rock foi parar na rua e - chegei a ver fotos - tinha gente que dançava o ritmo “alucinante” muito bem. Também era um espetaculo à parte proporcionado pelas esbeltas garotas daquela época (1957) que, rodavam as saias e exibiam as calçinhas. Mas a informação dada por um conterrâneo foi interessante e eu gostaria de checar. Que sementes da violência tinha um pequeno trecho em que Bill Halley cantava Rock and Roll the clock eu sei. Mas é que me ficou a impressão de que foi com Ao Balanço das Horas que o rock chegou com toda vitalidade em Salvador e por onde foi exibido a reação da platéia era idêntica. Foi um fenomeno! Tenha um bom final de semana e mais uma vez, muito obrigado pela atençao.

  310. Vero (Uruguay) disse:
    Novembro 15th, 2008 at 11:21 pm

    Heloisa,
    Você disse: “Definitivamente eu nao posso reclamar da vida”.
    Eu acho, com muito respeito ,que menos ainda da vida do própio Caetano, sobre o que ele pensa, sente, fala, ou nao fala, e como ele faz ou nao faz,o que ele bem entender.
    Você que pretende de Caetano?, que ele escreva “Verdade Tropical” de novo ? e a sua maneira de pensar Heloisa?. Me desculpe mais…
    Você que quer? analizarlo?, mudar CAETANO!! apropiarse dele?, pelo amor de deus!!Heloisa!!desse seu lugar; eu sei que você me entende, papo de mulher a mulher!!!.
    Cómo você diz “tentar driblar sua teimosia? e você quem né?, para quer mudar alguma coisa em Caetano?, você nao acha pretençao demais da sua parte?
    Se você aparentemente nao tem sentimentos claros com respeto a ele, como você citó:”sentimentos mais controversos: admiraçao, paixao irrestita, antipatia, e outra vez admiraçao redobrada, fascinaçao…fica queta entao e pensa no que você tem claro!, mais nao só com respeto a ele ,sinao, eu acho tamben, com o que você pensa da vida, você parece muito irritavel ( como disse Joana)e essa irritavilidade me incomoda a min, pelo Caetano, por meus sentimentos hacia ele, que eu sim tenho muito CLAROS, chega menina com esse papo com Caetano, já está chato demais!!!. Você já chamou a sua “atençao”,e Caetano já te ¡respondeu!!,com elegancia demais e você ainda nao o entendeu?,você é a teimosa, me parece,e nao ele. acho eu, ao final você que pretende?; aqui somos todos fans dele de igual maneira ou você tem coroa? Eu estou quebrando uma lança pelo Caetano; porque eu sim sou seu fans incondicional e nao quero que Caetano seja de outro jeito viu? eu “AMO” ele com suas virtudes, com seus defeitos e todo ao que ele tem e tenha direito!!. Se você ainda nao sabe “amar”, entao aprenda; mais deixe em paz a “meu” Caetano. Quando você tenha algo pra dizer a ele esteja segura, antes de reclamar tanta perfeiçao, e nada menos que a “CAETANO”, definitivamente você nao sabe a quem vocè está reclamando! direito você tem? do que? de CAETANO? todos nois temos, e se OLHE VOCÊ NO SEU ESPELHO ,ANTES DE DIZER que CAETANO: “NAO PUDESSE DE DESENVOLVER INTELECTUALMENTE” POR FAVOR!!. É VOCÊ QUEM NAO SABE NADA, NADA, NADA DE CAETANO!!.

    Olha! te escrevo com erros porque me teclado está configurado em espanhol viu?, e porque tamben nao acostumo a falar português com frecuencia e menos ainda a escrever-o viu!!?. Nao tome a mau minhas palavras vao com muito respeito, é que quiz dizer o que penso, já que acompanho esta discussao desde o principio e eu tamben tenho DIREITO a reclamar e talvez a defender Caetano…”Caetano”é de todos nós, viu!!?. ¡¡¡¡É NOSSO!!!!. Sem mais. Saudaçoes, Verónica.

    Caetano querido: me disculpas?,…es que esa discusión con Heloisa ya nó daba para más…no creés?, bueno al menos para mí ché!!,¡ dura la muchacha!, es que me enojé un poquito viste!? me perdona y disculpa pero…tá basta!!.

    SI!!,yo te quiero siempre más…incondicionalmente,cómo tu sos y quieras serlo…te mando…beijos no coraçao. Vero.

  311. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Novembro 15th, 2008 at 11:21 pm

    Marcão Lacerda, o que é isso? Mais parece que estão aí num festim do fim? Enquanto todos vocês se refestelam nesses verbos intermináveis, estou aqui no fundo de todos matos baianos, para onde convoquei os melhores cabeças achatados nordestinos a fim de desenvolverem em meu orquideário o piloto da Impertinácia - uma revista web viva. Tudo feito com inspiração e em aprimoramento ao que veio e vem rolando nesta infocaetanave!

    Passei boa parte da tarde a ler esse catatau catômico inteiro, e vibro em crescentemente ver que você, dentre todos nós, desenvolveu uma relação ambivalente - e, por isso, rica, complexa - com o Caetanino, explicitada já a um ponto tal que eu só tenho vontade de dizer: quero mais! Sou cada vez mais seu fã e, não menos, aprendiz. Mas não vou tabelar agora. Minhas principais sinapses estão concentradas em acelerar o piloto da Impertinácia. Você somente é superado em ambivalência por alguém que realiza um verdadeiro efeito dominó desde Caetano até cada um de nós: Heloisa!

    Por falar em você, Heloisa, o que você disse a meu respeito em página de Rosana Tibúrcio no Orkut me provocou um eclipse… oculto! Como poderei te dar um troco, que moeda cunharei para exprimir teu valor? Alguém disse que o principal de nossas vivências não é nada tagarela, querendo dizer que para isso nos falta a palavra. E eu não passo de um tagarelo.

    Marcelo Sá de Sousa, obrigado pelas palavras, jamais me esquecerei da forma como nos encontramos aqui. O que te prometi (e em parte por e-mail para Mione) seguirá no tempo certo, ou no primeiro pit stop completo que eu fizer no meu gmail.

    Desdichado y amurado Javi, meu irmão em infortúnio, não concordo de todo contigo. Mantenho minha palavra de que o adjetivo “gostosa” tascado por Caetanino em nossa rosa amarilla é rasurador e redutor da beleza impiedosa dela. Ela é, sim, uma gos-to-su-ra de pessoa! No entanto, afino-me inteiramente contigo quanto a que “frenética”, indiretamente a ela associado pela citação que ele fez daquela canção, não faz jus à doçura ferina da bela leonina. Como ele pôde ter sido tão injusto assim? Logo ele, que em canção própria já nos legou as palavras mais acertadas que existem para descrevê-la?

    http://www.caetanoveloso.com.br/sec_busca_obra.php?language=pt_BR&page=1&id=175&f_busca=Tigresa

    Será que só pelo fato de que, desiludida com o Adorno, ela tenha freqüentado as pistas do frenetic Dancin´ Days?

    Olhem, mirem, vejam como eu fiquei aqui mesmerizado com a definição do Nando pelo Salem: “É o cara que mais me surpreende. Ele não anda em círculos. Ele se expande”. Somente um camarada diamantino pode falar isso e com tanta facilidade de outro camarada que é a gema da gema.

    Nando, somente faltou enviar o endereço telepático!

    Olha, a frase é do Nietsche. Eu a memorizei de um ensaio do Emmanuel Carneiro Leão. Elá é muito citada na web, em tradução que altera o sentido das coisas. A minha pretensão não passa de um brinquedo que me veio à mente a partir daquele link que Caetano postou em página anterior sobre a Dialética do Esclarecimento. A idéia seria explorar com um humor enigmático (como, por exemplo, aquele de Gil em Oriente) e ao mesmo tempo politicamente concreto toda essa história de pretitude & branquitude, e da - como prefiro figurar- “latitude” mulata de Obama, e então fazendo algum jogo com esoterismo & coisa e tal.

    Sobre o que fez você se referir a Gereba, não sossego enquanto eu não for catar isso! Obrigado.

    Rosa Tibúrcio and Laurene (aprendi a grafar o seu nome!), obrigado por todas essas interações dentro e fora da infocaetanave sobre Altino Caixeta. A minha “intriga” com o nome vem do fato de ambas as expressões terminarm com sufixos diminutivos, e o segundo sufixo conter coloração nitidamente pejorativa. Não é muito irônico que alguém como ele, que atingiu os píncaros da excelência estética, e ainda percorreu a história da literatura experimentando como ninguém as mais variadas formas poéticas, assim se chame?

    Lucesar, ou o gênio do YouTube. Tenho direito a mais dois pedidos? Ou já gastei mais um com Os Argonautas de brinde? Você é mais que demais. Você, pela antologia de vídeos que nos destina, é lindo, sim, e o que você fez por Exequiela, colocando-a em dueto com o Caetanino, te transformam num ser lindo demais!

    Tyrone, obrigado pela correção. Eu copiei o texto do banco de letras do portal Terra. Adoro Bandolero. Sempre que o mundo resiste a mim, eu tenho ímpetos de, contagiado pelo fulgor de qualquer uma dessas duas gravações de Ney, sair por aí trucidando moinhos e gigantes com o meu Rocinante!

    Nelson, onde quer que você esteja, em marte ou júpiter, pegue carona com o primeiro OVNI, e volte para o seio de seus amados caetanáuticos.

    Miriam Lucia, obrigado pelo carinho constante e pela reapreciação sempre positiva de minha proesia. Sabia que eu curto entrar em seus textos como quem embarca num jatinho supersônico? Na rapidez elétrica de sua prosa, eu te vejo seguindo uma das lições mais caras que o Italo Calvino nos legou em Seis Propostas para o Milênio. E o dizer dessse entrecruzamento único que você faz de informação e vivência pessoal?

    Queria falar com tanto mais gente que dá vontade de conhecer…

    Glauber Guimarães, peguei carona num cometa que tava passando no myspace de Exequiela e pirei na passada por suas teclas pretas aqueles seus experimentos alucinantes! Você conhece Edgar Varèse? Ionisation para você.

    http://br.youtube.com/watch?v=TStutMsLX2s

    E, para findar por hoje, aquele abraço para Rafael Rodriguez, alguém que eu aprendo a divisar mais e mais a bordo desta nave, e que também já está no orkuto-circuito conosco!

  312. Fernando Salem disse:
    Novembro 16th, 2008 at 2:05 am

    Cacilds

    Finalmente entendi o LACERDA! Adorei seu coment. Adorei seu pai! Adorei saber que seus pais vieram da Paraíba pra perifa de SP. Adorei a forma com que você se disse encantado por livros. A aproximação com a música de Caetano por uma compilação! Ufa… gosto muito mais de saborear essas histórias do que opiniões elaboradas sobre música ou Adorno. Adoro o LACERDA!

    NANDO AMIGO:

    O blues é mais identificável como “levada”, embora tenha signos que extrapolem a música. Pode sim existir um (unidade) blues brasileiro. Mas não existe “o” (artigo definido) blues brasileiro ou blues nacional. É por aí meu raciocínio. Se um compositor inglês fizer um samba, até podemos dizer que se trata de um “samba inglês’ pela sua nacionalidade, mas isso não quer dizer que haja “o” samba inglês como um estilo. É por aí que eu penso. Posso estar errado, porque sou inculto. Mas gosto do oculto. Quanto ao samba, deixou de ser apenas um ritmo, depois da Bossa-Nova. Não gosto das demarcações de gêneros quando elas pressupõem um ritmo. O rock NÃO é um ritmo!

    GILLIAT

    Que maravilha: Caetano e HQ! Eu ainda vou provar que Caetano é o maior compositor infantil do país!

    HELOISA

    Com você é diferente. Não me meto a conversar muito, porque acho que posso me apaixonar.

    Por fim, na curva dramática desse blog, finalmente começo a sentir pingos de emoção dos gotejantes. Era tudo que foi negado até agora. Inclusive com tendências a moderar elogios ao Caetano.

    Não há como negar que todos aqui tem algo a ver com a trajetória do ídolo. Não faço aqui uma defesa da babação, mas as histórias pessoais que fizermam com que a grande maioria dos “tarados” que postam alucinadamente todos os dias aqui, traçam um painel riquíssimo. Infinitamente superior do que todas as teses que defendemos sobre tudo e todos.

    É incrível o que Caetano está conseguindo fazer por meio da Internet. Ninguém imaginaria. Muita gente fala da web como suporte virtual pra relacionamentos, produções virtuais complexas e quetais.

    Mas um blog, na sua essência, tem tudo pra ser chato a beça.

    Eu mesmo tinha uma forte resistência a ficar acompanhando os bastidores do novo CD. Disse isso neuroticamente várias vezes por aqui.

    Agora tô feliz. Acabei de voltar do cinema e ver o filme novo do Woody Allen com minha filha.

    Vou pegar meu violão.

    Boa noite!

    abraços

    salem

  313. Nando disse:
    Novembro 16th, 2008 at 6:04 am

    Roberto Joaldo de Carvalho,

    Eu sei que você sabe que eu sei que você sabe que a frase foi parida pelo nosso querido Fritz em sua longa noite zaratustriana. Mas fui apanhado de calças curtas com a alusão a Obama. Gosto do jeito de domador dele - mas minha torcida é para que seja nos estritos termos que usei anteriormente: domador de si mesmo, antes de mais nada. Desconfio do quem utiliza dogmas disfarçados em declarações aparentemente cheias de altos propósitos. E confesso que quando vi uma foto dele pegando jacaré na praia, lembrei imediatamente (e com arrepio de quem já viu assombração) “delle”. Traumas…

    Espalha essas coisas todas aí sobre um chão de giz. Eu, de cá, tô que te espio.

    Quanto à faixa do Gereba, suspenda as buscas: envio assim que você entrar em contato.

  314. Fernando Salem disse:
    Novembro 16th, 2008 at 6:48 am

    CAETANO NÃO POSTA. GOSTA.

  315. Rafael Rodriguez disse:
    Novembro 16th, 2008 at 7:17 am

    Para todos,
    a banda Lasciva Lula fez uma música chamada “Vontade de Beijar Caetano”, vocês podem escutar no myspace:
    http://www.myspace.com/lascivalula

    Muito engraçada!

    Roberto, aquele abraço!!! Adoro tudo que você escreve por aqui.

    Beijão para o Salem, a Exequila (cadê a Exequiela?), Mirian,Heloisa, Roberto, Hermano, Tyrone,Nelson, ah! para todos; principalmente para a minha mãe, para o meu pai, meus irmãos e para o Caetano. Vocês tem me ajudado a nortear minhas idéias.

  316. Rafael Rodriguez disse:
    Novembro 16th, 2008 at 7:52 am

    Alguém sugeriu que falássemos por aqui sobre o primeiro contato com o universo caetãnico é engraçado, mas é quase isso):

    Antes eu escutava o Caetano como escuto e respeito vários outros. O gostar pra valer ocorreu em 19 de dezembro de 2006 quando fui ao meu primeiro show dele, “Cê”, no Circo Voador. Dei-me de presente a entrada, era meu aniversário de 23 anos e queria estar só (numa doce solidão). Antes de começar eu tremia de ansiedade. Fiquei num estado contemplativo quando nos primeiros acordes ele entrou. No dia seguinte corri para as bilheterias para encontra-lo novamente.
    E foi definitivo, não tenho como negar, fui tomado por essa força estranha emitida pelo cara.

    bjs.

  317. Edison disse:
    Novembro 16th, 2008 at 8:10 am

    A Obra em Progresso monossilábica: do Cê vai pro erre que termina no Zii e Zie.

  318. Gravataí Merengue disse:
    Novembro 16th, 2008 at 8:51 am

    (à moda Salem)

    CAETANO NÃO POSTA. GHOST?

  319. joana disse:
    Novembro 16th, 2008 at 8:55 am

    não Heloísa!!!!!!!!!

    de forma alguma se desculpe. use e abuse dos coment. eles tão aqui pra isso. e vc comentar é a possibilidade de eu esclarecer também, e acrescentar algo, já que pra outras coisas daqui sou bem atrasinha. cheguei no blog de gaiata mesmo. e gostei das pessoas, do desenrolar da história. sou curiosa. mantive minha atenção aqui, por vcs. (e, digo sussurrando só pra vc, pra ver o que Caetano faz com tudo isso…)

    entendi sua intenção com o espelho, mas como vc percebeu e definiu de forma tão precisa a neblina, achei que valia a pena ressaltar a questão do reflexo, do contato…

    tou tentando não querer a respeito de vcs, pq já tou metendo pitaco…se nós quisermos demais, tiramos a propriedade de vcs mesmos a respeito do que tão fazendo…

    olha, não uso meu nome verdadeiro aqui pq já tive uns problemas por aí, pelos ventos da rede, que me custou bem caro…bem mais que um coração…nem sou muito de andar pela rede, mas também me identifico muito pelos afetos (como Salem nos contou dos seus). se vc ou alguém mais quiser, manda mail pro joana.jin@gmail.com . seria bom ter um contato.

  320. Francesco disse:
    Novembro 16th, 2008 at 9:04 am

    Caetano,

    Se escreve “fruttato” em Italiano. Dificil esta historia das dobles consonantes em italiano, nao e’?

    Mas te dou uma pista. Em latim fruta e’ “fructa”. Normalmente la ct latina virou tt em italiano.

    Tem muitos exemplos disso, como pacto (latim) que virou patto em italiano (pacto em portugues e latim, normalmente mas fieis a versao em latim que nao o italiano).

    Abracos,
    Francesco

  321. noemi jaffe disse:
    Novembro 16th, 2008 at 9:19 am

    Desculpem, estou chegando muito atrasada nesses comentários. Mas também acho burro e racista dizer african-american. Prefiro mesmo preto.
    Sou professora de literatura e quando meus alunos dizem estado-unidense, em vez de americano, chego a discutir com eles. Isso é incorporar a hipocrisia da assepsia politicamente correta e usá-la como se estivéssemos defendendo nossa nacionalidade. Gosto de dizer americanos, com tudo o que eles têm de bom e de ruim. ´
    abraços a todos
    Noemi

  322. glauber guimarães disse:
    Novembro 16th, 2008 at 9:24 am

    salem,
    que maravilha, woody allen com a filha [rimou!]. um dia terei esse prazer. por enquanto, a gente vê a turma da mônica e o pica-pau, eu e claricas [ela tem 5 anos. eu também, haha].

    nando,
    valeu. entro em contato por email, ainda hoje.

    castello,
    foi a fábia que deu o toque do loronix aqui. como eu já conhecia, quis dar mais uns detalhes e render homenagem.

    fábia,
    obrigado pelo seu comentário lá no blog. beijo procê.

    joaldo,
    qu