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SIFU?
6/12/2008 10:35 pm

Não me incomoda muito que o presidente da república tenha usado a expressão “sifo” num discurso no Rio. Conheço pessoas que estavam lá e ficaram revoltadas. Dou-lhes razão. Mas não me abalei muito. Me aborrece mais que todos os jornais do país, ao contar a história, tenham grafado “sifu”. Não entendo a razão. Me parece que assim os jornais mostraram no mínimo tanta vulgaridade quanto Lula. “Sifu”, assim escrita, é uma palavra oxítona. O “u” final cria o problema. Ele entrou aí porque palavras relativas a sexo são vistas como sujas: não têm história. O verbo que está abreviado na segunda sílaba da palavra composta não contém a vogal “u”: é “foder”. Mas leio até em livros eruditos “culhão” no lugar de “colhão”, “buceta” no lugar de “boceta” e “fuder” no lugar de “foder”. “Sifo” é, assim escrita, a palavra paroxítona que o presidente pronunciou - e sua segunda sílaba é a primeira do verbo abreviado. Escrevê-la com um “u” é transformar a primeira página dos jornais brasileiros em parede de banheiro suja de parada de ônibus. Este sou eu: apesar das incertezas a respeito da origem do uso da palavra “veado” para designar “homossexual do sexo masculino”, me sinto mal quando vejo escrito “viado”. Millôr Fernandes escreveu que quem escreve “veado” está dando provas de que é um. Acho que adoro dar esse tipo de prova, pois só grafo “veado”. Primeiro porque sou adepto da tese de que se está dizendo o nome do animal e não algo derivado de “desviado”. Depois porque, na dúvida, preferiria manter a mesma atitude que exijo em relação a “boceta”, “colhão” e “foder”. Cariocas e baianos não escrevem “chuveu” nem pernambucanos, “cibola”. Não. “Sifu” é uma indecência oxítona que a imprensa consagrou.

Implico com a mania - que começou nos anos 70 com a poesia marginal - de se ecrever “homi” (como em “os homi”) em lugar de “home”. Supostamente estão transcrevendo a fala de gente do povo, que não pronuncia o eme final. Leio isso em romances e poemas - até em ensaios. Alguns põem o circunflexo: “os hômi”. Esses ao menos evitam o oxítono fatal. Mas criam uma complicação desnecessária. Suponho que evitam “home” porque os (ainda poucos) brasileiros que lêem iriam pensar tratar-se da palavra inglesa que significa “lar”.

Este blog e os shows em que fui mostrando as canções são a exposição do trabalho que sairá em disco no ano que vem. Só “Menina da Ria” (uma canção singela e gozada) não é conhecida de quem quer que freqüente estes chats aqui. Quando eu disse que o projeto pretende um aprofundamento da experiência de “Cê” não estava anunciando uma radicalização no sentido das aparências de indie-rock, mas um aprofundamento do trabalho que iniciei com Pedro, Ricardo e Marcelo. Com essa mesma formação, enfrentar desenhos rítmicos do samba tem sido, para nós quatro, uma aventura maior do que seria confirmar expectativas de definição roqueira mais “pura” no meu trabalho. Marcelo, Ricardo e Pedro não escreveram aqui até hoje porque não quiseram. Mas eu posso dizer que eles estiveram sempre entusiasmados com o que vimos fazendo. A verdadeira Bahia é o Rio Grande do Sul. O sul é um mercado mais voltado para a cultura pop de língua inglesa do que o resto do Brasil. O centro-sudoeste compra sertaneja (mas também axé). Do Rio para cima, pelo litoral, axé (mas também sertaneja), pagode, rock brasileiro moderno, pop brasileiro moderno (odeio a denominação MPB). O cinema brasileiro também tem muito menor penetração no sul do que no resto. Então, para a moça que assina Joana: “zii e zie” não será ir mais fundo no que há no “Cê”, mas ir a lugares aonde o “Cê” não foi. Já comentei aqui que o crítico Ben Ratliff disse no NYT que as letras do “Cê” eram as minhas melhores em 20 anos, sei lá. Que mexi com ele, em Nova Iorque, dizendo que ele nem sabia português. Mas que agora penso que ele tinha razão, de certa forma. A concisão quase saxã do “Cê” não se encontra em meus textos de antes nem de depois desse disco. Mas é porque eu não quero.

Fui ao Mistura Fina ver o show de Luie, Liminha e Dádi. O artista era o Luie. Mas o trio (que depois ainda trouxe, de quebra, Cesinha na bateria) também parecia constuir um gênio musical. Luie é um cara da geração do Dádi. Eu o conheço desde os anos 70. É um desses caras que se apaixonaram, talvez desde a infância, pelo repertório de estilos que ganhou o mundo sob a rubrica “rock”. Fiel a suas eleições, ele só cantou em inglês - e só clássicos do rock’n'roll, dos blues, do country e de todas as misturas desses três elementos. Eu, que desenvolvi meu gosto de modo totalmente diferente, fico maravilhado quando vejo alguém assim. Luie tem musicalidade e feeling genuínos, ele canta de dentro da verdade daquela cultura. Não se trata nem de perfeição na imitação (o sotaque, por exemplo, não é limpo de brasilidades) mas de identificação profunda com a sensibilidade e a poesia daquele mundo. Além disso, ouvir “Dead Flowers” ou “Wild Horses”, “Like a Rolling Stone” ou “Hey Joe” é reviver os anos iniciais de minha tardia descoberta da energia histórica do rock (sou joãogilbertiano antes de tudo). Liminha (que tocou comigo em 1968, quando ele tinha 17 anos!) é o que sempre me pareceu: um músico grandioso. Dádi (que tocou comigo nos anos 90 e é uma das pessoas que mais adoro neste Rio de Janeiro) é um contrabaixista deslumbrantemente culto de tudo aquilo que Luie representa: ele toca baixo como se fosse uma extensão das guitarras de Luie e Liminha, com toda a manha, todo o sentimento daquele tipo de música. O trio soava tão bem que parecia que o equipamento de som era o melhor já montado em Tóquio. Fiquei emocionado.

Escrevi que postaria quando os comments chegassem a duzentos há dois posts atrás. E cumpri. Agora é esperar a liberação de “Incompatibilidade de gênios” por parte da editora de Bosco&Blanc.

QUERO “PÓ PARÁ COM O PÓ” CANTADO POR IVETE, DANIELA, CHICLETE, ASA, JAMIL E QUEM MAIS

Salem, você também lê meus pensamentos. A música de Nelson Cavaquinho que eu mais canto em casa é “Rugas”. E gosto mais de Nelson do que de Cartola, se é que se pode falar assim. Eu o conheci bastante e ele, com aquela cor de cerâmica e cabelos prateados, era o caboclo mais lindo. Penso o mesmo que Egberto. No mínimo. Nando lembrou certo: falei sobre o violão de Nelson para ilustrar aquele argumento. Já ouvi João Gilberto cantar “Rugas”. De lascar. Três beijos na sua testa.

Adoro Radiohead. Thom Yorke canta muito e a banda é boníssima. Não creio que Milton se entusiasmasse com eles, mas há algo de Minas ali sim. Como sou baiano, muitas vezes prefiro até Arctic Monkeys, pela linhagem mais seca, que vem de Sex Pistols, Nirvana, Strokes - e o eterno disco dos Pixies na BBC. Radiohead é muito líquido. O som é muita água e o texto é muito obscuro, muito “não quero que você me entenda”. Mas é um grupo refinado e caprichado. Lindo de se ouvir. Acho que não vou ao show da Madonna, mas ao do Radiohead eu quero ir.

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273 Comentários sobre o Post “SIFU?”

  1. Judith disse:
    Dezembro 6th, 2008 at 11:52 pm

    Caetano, comparto tu indiganación respecto al la inapropiada expresión utilizada por el Presidente de la República; ojalà que o povo não se esqueça disto quando for votar para presidente em 2010….

    Yo adoro la lectura, y el pirmer libro con el que aprendí a leer, es de Literatura hispana; hoy se admiten muchas expresiones que tergiversan el real significado de las palabras, y se les otorga otros sentidos ( muchas veces sentidos maleintencionados como el caso de la expresión usada en ese discurso al cual refieres). Detesto ( ODEIO), el mal uso de la lengua…ya sea hispana….ya sea inglesa….ya sea portuguesa…..etc.-

    No soy muy afin de radiohead, pero sí me encanta escuchar Creep….

    Un abrazo!!!!

    PD: Alguna vez voy a recibir yo tambièn algún “beijo na testa”, algún “beijinho pequeno”, alguma coisa para esta entrerriana que espera tu regreso a la tierra del Mate, del Asado y del Dulce de Leche!!!!

    En el mientras tanto, yo sí, te mando besos.-

    Judith

  2. Rosana Tibúrcio disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 3:31 am

    Nem bem deixei meu único comentário (ainda em moderação) do post anterior, no que atualizo a página, já outro post. Desta vez não quero perder nada, nada…

    Sou muitas vezes censurada, pra não dizer nominada de aborrecida, chata e implicante porque se for pra eu xingar escrevendo eu xingo direito:comigo é foder, boceta e veado, também.
    A-doooo-reiiiii estar tão bem acompanhada. Agora é que ninguém vai mais me aguentar… urúúúúúúú

  3. Marcelo Sá de Sousa disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 4:12 am

    Eu iria postar o link de “pó pára com pó” anteriormente (quando “descobri” o vídeo, antes do hype) mas achei que não fosse passar na moderação… Não costumo me interessar muito pelo axé (católico?), mas achei a música absolutamente sensacional. E, em tempos de Amy Winehouse e outros casos tupiniquins, o timing é admirável.

  4. Marcelo Sá de Sousa disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 4:23 am

    Rafael, “tomou o poder” talvez não seja o termo mais apropriado, não?

    GERAL

    Sobre a fala do presidente, não me importo tanto. As palavras podem ser infelizes mas a síntese do conteúdo é “inofensiva”. São apenas comparações explicativas naquilo que Lula acredita ser a “língua do povo”. O presidente já fez vários pronunciamentos infelizes anteriormente, muito mais problemáticos. Sendo assim, acho que fazer barulho em cima de um “sifu” ou “sifo” é uma bobagem.

  5. Rafael Rodriguez disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 4:29 am

    Eu já ia escrever umas coisas aqui, voltei ao tópico, reli e me acalmei…

    O buraco do “sifu” é bem mais embaixo…
    A imprensa está certa em pegar no pé do Lula, foi um vacilo bonito… e ainda teve a diarréia.

    Essa galera que tomou o poder, esses que sofreram nos 60 e poucos, 70 e poucos (a maioria) está fazendo um governo mais do mesmo.. de marolinha a paciente doente fodido em estato terminal. Fico sem saber o que falar quando me sacaneiam, e “foi nesse cara que você votou?” Claro que muita coisa boa foi feita, mas os erros são pedras pesadas nos bolsos dos afogados.

    Não. Prefiro não ler essa idiotice da imprensa sobre o ocorrido e pensar por mim. Ou ler e levar na esportiva (creio que essa tenha sido a atitude da maioria dos brasileiros).

    O problema não é o “sifu” é o se foi, estão dando descarga na merda que se tornou esse Brasil. Mas eu acredito na mudança, “onde cheira a merda, cheira a gente”. Onde tem gente tem palavra… com a palavra o diálogo… É necessário fazermos algo o quanto antes; não destronar os reis, mas sim mostrar que estamos aqui e não somos idiotas. Dizer ao rei que ele está nú.

    ***********************************

    Poxa… !Libera “Menina da Ria” aqui no blog!…
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    Escutei um forró de um grupo do Pará que cantava assim:
    “caspa é chifre em pó”.
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    Caetano,
    acho “zii e zie” foneticamente lindo, mas não sei… Você escolheu esse nome a partir de um determinado conceito (as músicas) ou apenas pela sonoridade? Não sei se formulei bem a minha pergunta… De qualquer maneira, enquanto aguardamos “Incompatibilidade de Gênio”, você poderia explicar esse título?

    ***********************************

    bjs.

  6. mafra disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 6:32 am

    olha, caetano,
    eu tenho uma canção em que canto “tua buceta” e escrevo buceta assim, com “u”, mesmo sabendo que o correto segundo a norma culta seria seria com “o”. faço assim pois sei que a língua se transforma. é a gramática que tenta normatizar aquilo que falamos e não o que falamos/cantamos que deve seguir a norma. nesse sentido, embora entenda seu argumento, e até o ache muito bonito no que se refere ao uso do veado (essa ambiguidade aqui é proposital), acho que você confunde, de certo modo, a língua com a gramática. a língua está viva e em permanente mutação, a gramática não. como acredito que caminhamos, muito lentamente (ao menos no sentido formal), para a criação de uma outra língua (o português brasileiro), acho que buceta com “u” é muito mais apropriado para uma canção.

    mundando de assunto, sinceramente, não acho bom para o brasil ter reis. muito menos um que proibe livros de circularem (e mais ainda, que os manda queimar). mas sinto que meus argumentos para esta afirmação, que rema contra aquilo que você pensa e diz, podem se tornar muito grandes assim escritos. prefiria dizê-los de outro modo, como se numa mesa de bar entre cigarros e risos e não desse modo… entende? (ah, estou falando de algo que disse aqui meses atrás e que teve uma resposta sua - um tanto rabugenta).

    e já que falamos dele: mas que capinha horrorosa aquela deste disco de dueto, hein?!?

  7. Lucia Alves disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 6:43 am

    Caetano, se contar pra você minha opinião, adorei as letras de “Cê”. Adorei tudo em “Cê”, mas uma das músicas sua que mais gosto está lá.

    Engraçado esta estória do veado X viado. Nunca soube direito como era. Adoro “bichice”. Mas não gosto de palavrão, nem falado, nem escrito.

    beijos da Lilu. (é um apelido, mas não é palavrão, apesar de oxítono!!rs)

  8. Luiz Carias disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 6:55 am

    Ola, a todos que aqui postam, e ao dono do blog site, Caetano e Hermano…
    Bom primeiramente gostaria de discordar do Jornalista do New York Times, que se refere a Cê, como o melhor trabalho do Caetano em 20 anos, Noites do Norte, a Foreign Sound, tanto como Cê e Obram em Progresso, são para mim, trabalhos magníficos, geniais, e vão muito além de apenas um álbum de Rock em sua essência. Amo Cê, assim como amo todas as canções de Caetano desde 68.
    Lembro que em Noites do Norte, Caetano já misturava timbres de Rock (Rock´n Raul)e (Haiti), com axé(Meia Lua Inteira e Magrelinha), com samba(Meu Rio), e até mesmo funk(Tapinha).
    Em a Foreing Sound eram clássicos americanos, e algumas essências de Bossa nova, com samba(Não tem tradução), (Come as you are)do Nirvana,O estrangeiro, são obras que por tempos não se lembrava, e ficou tão harmoniosamente lindo no show que se tornam inesquecíveis.
    Cê já mostrou um lado mais sentido de Caetano, sobre o tema sexo, onde envolve canções homossexuais(Odeio, e mais você é bonito o bastante….)me fugiu o nome da canção,misturado com canções de mágoas, como Rock´s, Odeio,O outro,etc…
    Voltando ao tempo e influências Rock,Prenda Minha e Verdade Tropical, e Transa, álbuns dos anos 90 e 70, que também são de influência mais rockeira que outro estilo.
    Acho que o melhor trabalho do Caetano é sempre o próximo, pois é sempre uma grande expectativa conhecer, se aprofundar e viajar dentro destes universos diferentes em todos os aspectos, sentidos e Gêneros.
    Caetano para mim, é o mestre dos mestres, e por ser assim, muitas vezes ele se esquiva tentando não ser tão modesto como deveria ser, pois ele pode.
    Declarações intimistas como, Desde 1967 eu estou acostumado a desagradar, e Eu respondo a todas as perguntas porque sou maluco, além de ao vivo, falar na MTV vamo bota essa porra pra funciona, pra gente toca certo essa porra, só Caetano pra ter peito e fazer…
    Discordo com Veemencia sobre artigos que criticam ou falam de Cê como o melhor trabalho, mais uma vez digo, todo o trabalho do Caetano o melhor é sempre o próximo, pela sonoridade, e pela surpresa que há em cada espetáculo, pois Caetano não faz show, faz espetáculo, e isso só os gênios conseguem.
    Um grande abraço a todos, e minha saudação e admiração pelo orgulho que tenho de ter Caetano como amigo, e me honra muito pelo fato dele ser brasileiro e levar o nome de nosso país da melhor maneira possível.
    Saudações a todos, Luiz Carias.

  9. Hermano Vianna disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 7:00 am

    oi Caetano: segundo uma pesquisa DataFolha-F/Nazca, a Região Sul também é predominantemente sertaneja: dá para baixar todos os resultados detalhados neste link: http://www.fnazca.com.br/_misc/o_que_se_ouve.zip

  10. Luiz Carias disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 7:05 am

    Bom entrando no mérito da questão SUl, pois sou do Sul do Brasil, morei 24 anos em Curitiba, e estou a 2 anos em Santa Catarina, a diferença cultural e musical é alarmante.
    Em Curitiba, a influência é mais rock, embora muitas vertentes gostem de Sertanejo, creio que seria sertanejo, pagode e rock, as mais pedidas em Curitiba.
    Já em Santa Catarina, predomina o “brega”, sertanejo, vanerão, pagode.
    Aqui estilo musical é pra poucos, eu amo quase tudo que tenha boa sonoridade, mais como Caetano é declarado JoãoGilbertiano, eu sou declarado CaetanoVelosiano, se assim pode se dizer, pois este influência a gente em muitas coisas.
    A entrevista ou as entrevistas que sempre vi no JÔ Soares, são a de um homem centrado, correto, e mais ou menos ocmo me defino: Falo o que penso, faço o que gosto e se tenho razão, chego chutando o balde.
    Um grande abraço a todos.

  11. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 7:33 am

    UAI, CAETANINO, POR DETRÁS DESSA CAIXA ALTA TODA AÍ - NÃO É QUE EU OUÇO O MEU LINDO E BALDEADO NOME SENDO PRONUNCIADO NESSE TIMBRE ÚNICO DE SUA VOZ ESPESSEGOSA?

    Você tem uma força estranha, a minha emoção é tamanha, mas não vou dar aquele vexame de Gravataí - quando em outra postagem você berrou pela primeira vez o nome merengueiro dele - mé mé mé - e ele ficou loco por ti, e, o pior, mais derretido do que o meu poema liquefeito.

    Zangue-se comigo não - né, Labô - meu nego, no fundo o que eu quero sempre dizer a você Marina de La Riva and Exequiela Goldini já o disseram para mim: “Meu bem, não faz assim comigo, não!”

    Mas posta a emoção de lado, e como eu, seguindo o preceito de Kierkegaard (será?), não sou de entregar a minha alma cativa a ninguém (para não perder o senso de minha própria identidade), a não ser por alguns momentos lindos e de, preferência, tântricos (e tanto melhor se caído em outros braços, como os das infocaetanautas Goldini and Lomelino), eu gostaria que não acontecesse com essa Caixa Alta aí (queria escrever, Altino Caixeta, e em algum lugar inóspito do cosmos ele ficaria se rindo por uma eternidade de mim), que não acontecesse, pois, um incitamento a que nós fiquemos UNOS contigo, entoando em uníssono durante um interminável acorde perfeito maior um mesmo e único Cântico.

    Por isso é que eu venho logo aqui contextualizar certas coisas e incitar a diversidade de sensibilidade and pensamento, promovendo os meios iniciais para um debate.

    Em meu cmt. de n. 175 intitulado PERGUNTEM AO PÓ na página anterior, eu postei a canção-cruzada-axé católica que pede para parar com o pó aí. Brincando com a questão da finitude humana (e brincar é viver, não é desrespeitar a fé - genuína- de ninguém) - de alguma forma a questão da droga, por estar associada à questão do “sentido” da vida, afina-se com isso -, eu intuia que essa canção condensava coisas interessantes para a nossa reflexão, e pedi especial consideração a respeito não somente a você, como expressamente também ao Hermano. Não pincelei os tópicos, mas me referia diretamente à estética e, implicitamente, é claro, à adoção desse formato de canção para a veiculação de “outro” tipo de mensagem.

    É bem possível que você tenha achado que eu tivesse uma opinão deformada sobre o asssunto. Mas eu sou uma metamorfose ambulante, sempre predisposto a mudar de opinião, quando não se tratar, como não é o caso, de alguma idéia das mais caras ou fixas minhas.

    Como um silêncio espessegoso reinou sobre o assunto, e porque eu tenho uma natureza ruim (de boa!), eu tentei fustigar infocaetanautas fora daqui da OeP por outras Bandas virtuais. Mas uma idéia fixa ocupou-se de mim: resolvi me fixar em Gravataí. Indaguei o que ele pensava a respeito pelo Orkut e ele me disse que não tinha visto antes por aqui não, mas que ao ver sob a minha instigação reconheceu que já havia visto o vídeo há algum tempo, e concluiu: “excelente! solução axé-católica para o ratatatá colombiano”. Conclusão de quem não quer saber mais de papo não!

    Aliás, a única pessoa que quis interação comigo (cmt. 212 da página anterior), a. c. (que eu pensei que significasse “antes de Cristo”, e pelo Orkut se confirmou, pois disse ser alguém de um mundo de múltiplos deuses), opinou que o ‘popararcompó’, uma campanha ‘drogas tô fora’, em forma de axé-católico, tem “potência de sucesso mundial”.

    E como a minha natureza não me perdoa, exatamente porque mais ninguém até então voltou a se interessar pelo assunto, não tive outro meio senão o de eu mesmo voltar a bater na tecla, em meu cmt. de n. 278 na mesma página. Então eu perguntara - tentando deduzir o silêncio sobre tão instigante discussão: “Medo da Igreja Católica. E o tal do Estado laico, não vigora? Ninguém mais mora na filosofia? A axé-music ali não se acha ou se rechaça?”

    As primeiras duas questões acima e devem ao fato de eu imaginar que não é difícil associar a apropriação da estética e do formato de um produto entronizado para transformar a sua finalidade em proveito de algo diverso, no caso, em mensagem politica e salutarmente correta, àquela discussão contida no tratado magistral de Salem sobre cafonice e cafonália. E voltei, ja no meu último cmt. na mesma página, a flertar nesse sentido.

    Pois bem, oferecido esse contexto, e deparando-me agora, Caetanino, neste seu atual post, contigo pedindo para todo mundo cantar o “pó parar com o pó aí”, como suponho que já no próximo Carnaval o seu desejo majestoso será atendido aqui na Bahia, eu não resisto, eu não resisto - já fui lá na página de Gravataí no orkut-circuit atraí-lo para debate sobre isso, e tasquei ali algo que eu quero estender a todos que se interessarem aqui: “Como o nouveau richism encarará o próximo Carnaval baiano, de cara limpa?” (n.b.: queiram ir até o final da página hiperlinkada com o nome “nouveau richism”!)

    Óbvio que eu sei que tem gente que fará a campanha sendo veraz…

    Óbvio que eu sei que sem o nouveau richism o Carnaval baiano perde sérios dividendos…

    Era isso, e estou aqui me preparando, peixe ensaboado que sou, para dar mil pulinhos e voltar a este delicioso assunto.

    P.S. 1: Caetano and Hermano, eu poderia aproveitar, em algum momento desse debate, e trazer para cá algo que rola vez ou outra aqui em Salvador em nossas canhestras mentalidades: a história de mudar o carnaval-business ou o carnaval-franquia para o Centro Administrativo, e deixar a cidade para a gente, assim como para aquele turista que não venha já empacatado ou industrializado em busca da alegria engarrafada and standardizada?

    P.S. 2: Caetanino, o que foi mesmo que você achou de meu lado miguilim ter dedicado aquela canção do Gil (Índigo Blue) para o Riobaldo, no sentido de assinalar que na história com Diadorim também a um “elogio” do amor heteroerótico? Retorno o link para o Blog Riobaldo e Diadorim, onde um dos textos extraídos (em postagem de 30.11.08) do Grande Sertão: Veredas segue magnificamente nessa direção.

    __________

    SALEM: por problemas técnicos, estou por alguns dias sem os meus negritos, itálicos and amulatálicos!

    __________

    GILLIATT: mande seu currículo urgente, só avaliaremos um prentendente: estaremos colocando a FM IMPERTINÁCIA no ar antes da Revista Eletrônica ser lançada, e você, por uma eleição democrática minha, foi eleito o curador de nossa Rádio Web! Venha para o meu Orkut que você me entenderá.

  12. Luiz Castello disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 8:22 am

    Tambem conheci um pouco, Nelson cavaquinho.Grande figura,sempre disponível,onde houvesse uma mesa com viola e birita.

    Por ocasião da escolha do samba de enredo da escola aqui do bairro,a “Unidos do Cabral”, ele participou como jurado na final.O enredo era em sua homenagem.Participei tocando cavaco no samba vencedor da autoria do saudoso Baianinho do Cabral,outro grande talento,cujos sambas a memória dos amigos mantem vivos.

    Na saída do Clube Magnatas,pela manhã já com a programação encerrada, dava gosto ver aquele sujeito de cabelos prateados,cheio de dignidade (ele tinha uma postura muito digna) andando meio que perdido,perguntando onde passava um ônibus pra Madureira.
    E o pessoal cercando..”calma Nelson a gente vai arrumar um carro pra ti levar’,e ele insistindo com a sua voz inigualável,afinada com muitos conhaques e sambas antológicos - eu vou pra Madureira,de lá eu pego outro… (ele morava no Jardim América).

    E eu ali parado admirando aquilo.
    -Como ë que pode,esse cara que tem seus sambas conhecidos até dentro de universidades japonesas,com a maior naturalidade à essa hora na porta de um clube do subúrbio perguntando,onde passa ônibus pra Madureira !

    A humildade dos verdadeiros gênios é tamanha, que às vezes até irrita.

  13. Julio Vellame disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 8:59 am

    Abaixo a ORTOGRAFIA “correta”, por que não aderir a fonética se o povo está assim falando?

    A maioria. Ou isso não faz diferença?

    É bonito e culto conhecer a língua oficial e ter gostado de estudar português na juventude, contudo a defesa de disso me parece mesmo reserva de mercado.

    É triste mesmo estudar uma coisa e ela acabar. Vamos estudar a coisa nova e não nos apegar ao defunto.

    Um ponto a ser tocado é o populismo associado ao sifu (sic) e as intenções do improviso planejado.

  14. Nando disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 10:45 am

    Não consegui acompanhar o raciocínio quanto ao “sifo”: um neologismo advindo de “se fodeu”, a rigor não teria que ser escrito como “sefo”? Por que “SIfo”, com “i”? Se é admissível que o som do “e” possa ser escrito como “i”, por
    que com relação ao “o” não se daria o mesmo?

    De qualquer sorte, é linguagem chula e um Presidente da República deveria se portar com o respeito que tal cargo requer.

    &

    Já cumprimentei pessoalmente alguns artistas como Mautner, Milton ou Serginho Dias, todos em situações agradáveis. Pensei que esse negócio de “falar com artista” (emocionalmente) fosse sopa. Aí fui ao camarim da Cor do Som num show quando eles voltaram depois de muitos anos sem tocar juntos. Fui logo falar com o Dadi: minha voz não saía (?!) e as pernas tremiam (?!?!). Só consegui resmungar: “Te admiro muito…”, enquanto o abraçava. Dadi é alto astral pra caramba: a beleza que sai do instrumento não vem da técnica, vem dele mesmo, foi a impressão que tive.

    Isso tudo e ele tocando com Liminha (dois dos meus três baixistas favoritos aqui no Brasil; além deles, o Bi Ribeiro) e com Cesinha na batera e tocando rock’n roll: é demais pra mim. Mas miseravelmente não faço idéia de quem seja Lui.

    &

    Adorei isso: “Radiohead é muito líquido. O som é muita água e o texto é muito obscuro, muito “não quero que você me entenda”.

    Mas eles não são os únicos. Patti Smith, REM e Luiz Melodia são alguns artistas que acho que têm um pouco a ver com liquidez, obscuridade e alguns textos de difícil compreensão. Eu chamaria de um fluxo de consciência emocional(?!).

    “Radiohead” vem do nome de uma canção dos Talking Heads. Cabeças falantes, rádio na cabeça, rádio falante, tudo isso mais água, liquidez, obscuridade, “não quero que você me entenda”, alguma exuberância instrumental, a ternura de uma criança desamparada. Lembro do Lennon dizendo: “Quando você está se afogando você não pensa em nada, você grita”. Talvez por isso a gente não deva entender nada, talvez Thom Yorke ainda seja emocionalmente uma criança gritando docemente.

  15. Paulo Osório disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 11:42 am

    Me perdoem. Eu até acho que tenho uma boa cultura de termos brasileiros. Sei o que quer dizer veado, boceta (e Xereca, será com x ou ch ?) que são termos que NÃO se usam aqui. Agora sifo/u nunca tinha ouvido falar… Penso que já entendi (pelos restantes comentários) o que quer dizer…
    Não posso comentar o emprego da palavra porque não conheço o contexto.

  16. Lucesar disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 11:47 am

    Lembro-me de um show de Caetano, foi no Canecão nos anos 80, que para elogiar a música “Todo amor que houver nessa vida” de Cazuza, ele dispara muitos e sonoros palavrões (muitos mesmo). Mas aquela atitude ali, naquele momento, soava aos nossos ouvidos, jovens e rebeldes, carinhosa e doce. A intenção era nobre (chamar a atenção para um jovem de talento imenso). A crítica, sempre ela, ficou escandalizada com a atitude de Caetano, lia-se nos cadernos culturais algo como “desnecessário, vulgar, grosseiro, etc… mas ao mesmo tempo começaram, os meios, uma corrida para saber quem era esse tal Cazuza. Quanto ao nosso presidente, a intenção era… sei lá!!!

    Nós somos o teu BANDO, NÃO ENCHE:

    http://www.youtube.com/watch?v=cvhqKWJ1kp0

  17. disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 11:49 am

    Oi Caê, olha eu juro que o que eu tinha entendido quando vi voce no programa do Jô cantando…a verdadeira Bahia é o Rio Grande do Sul…é que o Rio grande do Sul tinha alguma relação com a musicalidade de Raul Seixas, até porque essa musica se intitula rock’n'Raul mas só agora consigo entende-la por outra otica, mas me diga o que realmente o Rio Grade do Sul possui de baiano?
    Leio, escuto e vejo muito voce em todas as midias mas as vezes acho seu linguajar, seu modo de se expressar muito alem da minha pequena possibilidade de compreenção, acho que isso ou é devido a sua riquesa verbal e intelectual ou deve-se a minha incapacidade de aconpanhar seu raciocinio, mas tudo bem, eu continuo aqui instindo em caetanear o que ha de bom…
    Eu sempre desde muito menino escuto todos falando MPB para falar da musica popular no Brasil e pra mim isso sempre foi normal mas agora fico intrigado vendo voce dizer que odeia a denominação(MPB)qual o motivo disso? é a limitação que a sigla proporciona a musica no Brasil?
    Eu realmente não estou preocupado se o Lula falou”sifu”, grifado ou nao pelos jornalista, me preocupa essa gritante desigualdade social proporcionado pelos dirigentes do povo, que estão mais preocupado com seus “bolsos” do que com os direitos do cidadão, na verdade o que os lideres no gonverno querem é que o povo se “sifu” com grife e sem grife.. forte abraço Jô

  18. Aline Miranda - www.outrasbagatelas.blogspot.com disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 12:04 pm

    Eu me assustei quando vi isso no jornal.Bom você ter comentado.Que loucura tudo isso.Mais que discutir o quê o presidente disse é como esse foi reproduzido na imprensa. TENHO PENSADO MUITO SOBRE ELA,ALIÁS.Assisti o documentário e o filme 174 e é louco como a imprensa exerce poder e influencia (mesmo que sem querer) decisões da polícia, essa na qual não consigo mais confiar. Quando criança tinha medo quando via um policial,menos por ele, mais pelo motivo dele estar ali. mas 174 me deixou impressionadísima, o doc é mt melhor, mas fora as questões cinematográficas, rola o social, o pessoal. Chorei,tive pesadelo,embrulhei-me.ACho que é uma certa culpa.

    Obrigado peloe spaço aqui.Sempre bom te ler.
    Abçs carinhosos!

  19. Nando disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 12:29 pm

    Eu acho ótimos dois termos que um amigo meu usa quando em situações emergenciais: você está apertado querendo desesperadamente um banheiro, aí usa “Tô míuri” e “Tô mica”, para as respectivas necessidades fisiológicas :)

  20. joana disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 12:47 pm

    bem, qd fiz kung fu, no Rio, aprendi a chamar o mestre (o cara que ensina e coordena o grupo) de Sifu…

    a respeito do homi: me interessa qd as palavras são escritas assim em um contexto lúdico, pra tentar reproduzir a fonética da linguagem, de acordo com o que os falantes tranformam aquilo. como o “leite quente, gente” aqui do sul. em Porto Alegre viram “leeitii queentii, geenti”, no interior, “leitê quentê, geñtê”

    caets:

    muito lindo isso que vc pontuou sobre a Obra, o zii e zie, a respeito de ir a lugares que não onde o Cê não foi. esse ir além me parece belíssimo. (não sou defensora a respeito de ir mais fundo do que há no cê, acho o cê apropriado ao momento, teve seu tempo, mas lembrava dessa motivação de ir além, através do cê, através de vcs mesmos) gosto de tentar encontrar as linhas no tempo…

    o que significa “a verdadeira Bahia é o Rio Grande do Sul” ? ( não conheço a respeito da Bahia…até fiquei emocionada com seu risoto Joaldo, porque a mim seria uma ótima motivação pra ir à Bahia, mas também sequer faço idéia de onde fica essa praia que vc contou…)

    Joaldo:

    não esqueci do que te devo…mas tou sem muitos méritos de tempo pra abordar o que quero. pois eu iria tocar exatamente nesse ponto que encara a morte. e se vc observar em todos meus coment já tenho colocado um pouco disso…acho que vai maturar em mim junto com essa idéia do fim do blog…eu não vejo esses fins como de todo ruins, vejo como pontos de passagem, e de muito potencial…não me surpreende que a morte do amigo tenha alavancando os Ensaios…a força que estava aí condensada pode se expandir e concretizar algo significativo…imagina qt vc potencializou em todo o tempo que caminhou com seus amigo? depois, isso vai pra algum lugar.

    eu ía comentar antes ainda: salem, bj na testa é um primor! parece que vejo a ação!

    então, Hermano, eu sou do RS, mas repenso muito isso porque qd vou pra história lembro que meus avós vieram de outros países, e que nessa terra pisam há apenas uns 90 anos. então, nem minha genética conhece muito bem a história dessa terra, apenas meu interesse em me adaptar e integrar.
    as vezes acredito que em Porto Alegre hâ um nicho que dá ao país uma imagem muito marcada a respeito do RS.em relação ao rock, ao teatro, cultura, mas acho que é mesmo uma força bastante pontual, e que gera uma imagem como se fosse o todo. de fato, no interior se ouve muUUUIto sertanejo. é comum se ouvir muito rádio, muita música estilo bandinha alemã também. eu me criei ouvindo Roberto Carlos, cantando Menino da Porteira, Fuscão Preto e “sou caipira pira pora…”

  21. joana disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 12:55 pm

    ops, pressa, erros

    muito lindo isso que vc pontuou sobre a Obra, o zii e zie, a respeito de ir a lugares onde o Cê não foi.

    esse ir além me parece belíssimo.

    (não sou defensora a respeito de ir mais fundo no que há no cê, acho o cê apropriado ao momento, teve seu tempo, mas lembrava dessa motivação de ir além, através do cê, através de vcs mesmos) gosto de tentar encontrar as linhas no tempo…e é bom cutucar de vez em quando…pra saber o que está acontecendo.

    Dádi, parente do Daniel, que trabalha nessa Obra?
    um querido.

  22. Edison disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 1:14 pm

    Se os jornalistas transcrevessem a expressão “Sifu” ipsi literis, perderia toda a pungência semântica que ela denota, ficaria “Se fo…”, o que não valeria uma notícia de jornal.

  23. Fernando Salem disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 1:23 pm

    Pra mim a questão central do sifu/sifo/sefu/sefo está no conteúdo e não na grafia. A imprensa chamou atenção para o uso do termo, mas pouco falou do assunto no qual ele estava contido: a saúde.

    O presidente usou e ousou ao usar a expressão naquele contexto. Perguntava se os médicos se sentiriam à vontade pra dizer a tal expressão a um paciente sem saída. O resultado do seu atrevimento foi ambíguo: se por um lado, tocou na ferida da nossa saúde (doente), por outro, provocou risos sarcásticos num assunto sério. E involuntariamente, acabou chamando a atenção para a expressão e dispersou o foco de um tema seríssimo.

    Lula ficou mestre nisso. Não sei se é consciente, mas quando faz suas metáforas futebolísticas ou solta as suas piadinhas, produz descontração em ambientes tradicionalmente contraídos, travados, formais. É bom e ruim. Se por um lado, relaxa os fóruns de gente apertada por gravatas e idéias arcaicas, por outro se torna um humorista no centro de um cenário que é dramático.

    A gigantesca aprovação de Lula tem mérito: o renascimento do otimismo. Não falo de ufanismno, falo (tosca e caretamente) de esperança. Isso sim é bom. O Brasil, tão bipolar como os sambas de Nelson Cavaquinho, andava pendendo demais pra baixo. É preciso oscilar. Lula trouxe de volta essa possibilidade.

    Mas Nelson Cavaquinho é o Brasil nessa oscilação entre a tristeza e a alegria. Quando Lula falou “sifu” falava da morte. Ninguém percebeu? Rimos da morte!

    Nelson sorria pouco. Não era de piadas. Era de causos. Gosto mais da canção A Morte de Gil (gravada por Macalé) do que a recente Não tenho Medo da Morte, também maravilhosa.

    Gil diz: A Morte é rainha que reina sozinha” “Não precisa do nosso chamado”.

    Jamais Gil ou Nelson diriam a alguém associariam a morte à “se foder” (sifu).

    Caetano

    Nem sei o que dizer sobre minha leitura de pensamentos. Seria um atrevimento sugerir que você grave Rugas algum dia, mas tenho obrigação de fazê-lo.

    O verso “Feliz daquele que sabe sofrer” é uma síntese de tudo o que disse acima sobre felicidade, tristeza, morte, Lula, Gil e Nelson.

    Beijo na testa

    salem

    Ou seja: Lula

  24. Fernando Salem disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 1:24 pm

    O “ou seja: Lula” do final é um ato falho de digitação e de copy and paste. Ficou gozado.

  25. glauber guimarães disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 1:38 pm

    marília castello branco [que nome elegante] disse:

    - Tenho certeza de que, no Carnaval, haverá muita gente por aí, cheiradaça, dançando e cantando o “poparacumpó” -

    concordo, marília. aliás, adorei as coisas que você falou sobre o assunto. fugir da superficialidade, do politicamente correto, do controle-de-danos social, é um exercício de sensibilidade. e liberdade. para poucos, infelizmente.

    a cultura da droga, do esporte, da superação, do herói [e consequentemente, a glamourização do anti-herói] fazem parte de uma mesma coisa.

    se as pessoas pararem de cheirar ou fumar maconha pra não subvencionar o tráfico, terão que usar outras coisas. entorpecer-se é tão velho quanto a própria história das civilizações.

    cocaína é droga, álcool é droga, coca-cola é droga, TV é droga, religião é droga, ignorância é droga. umas mais pesadas que outras, apenas.

    deixo claro que acho o uso de cocaína uma burrice. ela só tira, não lhe dá nada em troca [explico: LSD, mesmo sendo tão perigosa quanto, pode lhe ajudar a construir uma nova percepção das coisas, aguçar-lhe os sentidos, isso não acontece com a cocaína].

    vício é vício, minha gente. nenhum viciado ou dependente químico se diverte com isso.

    olha que coisa: parei de beber faz uns dois anos. bebia muito, muito mesmo. desde os 15. só que fumo um maço por dia agora. antes não fumava. parando com o cigarro [e vou!], algo virá me socorrer na dança dos dias. não?

  26. Marilia Castello Branco disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 1:48 pm

    Caetano;

    Tem sido um prazer estar aqui. Acompanhar as conversas e dar meus pitacos ocasionais tem me feito refletir sobre um mundo de coisas para além da música, tanto da cultura como pessoais. O Salem tinha sugerido que escrevessemos sobre nossos encontros com a sua música e eu o fiz, dias atrás – e percebi quanto você teve um papel decisivo na minha formação, mais ainda com relação ao comportamento e visão de mundo do que musicalmente. Mas não achei que, naquele momento, o texto fosse algo que coubesse publicar aqui.

    Tenho quase 50 anos e o ouço e acompanho desde os nove. Você foi um herói da minha adolescência, representou um modelo de identificação e uma imagem do um masculino extremamente inovadora e não tradicionalista, de questionador dos modelos estabelecidos. Me marcou, e à minha visão de mundo, de uma maneira tamanha que não saberia dizer o quanto de minha personalidade traz a marca dessa “caetanice” – e por isso eu te apreciarei e serei grata, sempre.

    Olhando hoje de outro ponto de vista, me intriga e perturba um pouco pensar em como deve ser para uma pessoa ocupar esse lugar do “herói” - ou o contrário disso, ou uma combinação perigosa de ambas as coisas - para milhares de pessoas. O peso que isso deve ter sobre um par de ombros humanos. Tantos têm sucumbido. Desta distãncia, me parece que você o vem carregando com muita dignidade e coerência.

    Um dos aspectos dessa visão de mundo a que você me apresentou, nos meus anos cruciais de formação, tem a ver com a capacidade de dar um olhar renovado para coisas que eram encaradas como “lixo” pelo pensamento estabelecido e, através de seu toque refinado (gosto dessa palavra que tem a ver com a busca do essencial, e gosto de usá-la em oposição a “sofisticado”, que acho horrorosa), revelar a beleza oculta pelos preconceitos “dos intelectos que não usam o coração como expressão”, canção que o querido e cafona Salem já citou aqui.

    Desde Coração Materno você vem fazendo aflorar essa beleza negada e ferida. Este talvez seja um dos aspectos mais marcantes da “caetanice” que levei para a vida, que me tocou profundamente a alma. Certamente foi uma influência importante na minha escolha de trabalhar com o que é mais rejeitado pela sociedade (minha mãe tinha a bandeira do Oiticica “seja marginal seja herói”, pendurada na sala). Hoje uso a arte e o teatro para entrar em contato com a beleza trágica intrínseca nas histórias daqueles que foram eleitos bodes expiatórios de tudo o que, enquanto cultura, temos de pior. Amar, respeitar e encontrar a doçura e delicadeza de sentimentos dos dependentes químicos.

    Assim, não é que me surpreenda o seu grito chamando pra cantar o “poparacumpó”, que é uma canção que abomino não por questões musicais mas pelo que representa: o desprezo disfarçado de boas intenções para aqueles que sofrem com a perda da liberdade e a incapacidade de não usar uma substância. A idéia por trás da canção, para mim, representa a visão cristã pervertida e perversa de quem prega a “força de vontade”, que denuncia o argueiro no olho do vizinho sem entrar em contato com a trave no próprio, que “vê tanto espírito no feto e nenhum no marginal”, incapaz de enxergar a beleza nos travestis ou compreender a alusão ao “homem mijando sobre um saco brilhante de lixo do Leblon”. A podridão por trás daquela capa da Veja com o Fábio Assunção, menino lindo e talentoso que certamente está sofrendo o diabo.

    Pois é. Pela primeira vez você conseguiu me chocar. Eu que, como já disse aqui, “mamei Tropicalismo com Nescau” e achava tudo, vindo de você, natural e lindo, fosse o Araçá Azul, fosse a “melô do OB” (“foi crescendo, crescendo e me absorvendo”) ou a simplicidade de “Sozinho”.

    Mas, finalmente, pensar nisso, encarar esse sentimento, me trouxe uma grande tranquilidade; afinal, esse homem aí, chamado Caetano, um cara famosão, que tem esse blog, faz umas músicas lindas, grava uns discos, escreve uns lances, etc. e tal, não é a mesma coisa que um caetanoveloso interno que eu possa ter inventado para mim. Felizmente o tempo me tornou capaz de ter nítida essa diferença, e ambos podem coexistir. Sou capaz de tocar os pés de barro do meu herói, e que bom que sejam de barro! Barro é a terra, a mãe, humus, ser humano. Caetano não é um símbolo, não me pertence. Há muito não preciso mais de heróis: pude construir o meu próprio, interno. Acho a canção uma merda e você me põe em contato com a merda em toda a sua riqueza simbólica. Acredito que seu talento é capaz de transformar em beleza essa merda, como eu luto para ajudar meus pacientes a fazer.

    JOALDO: Finalmente localizei o comentário em que você colocou a canção que me incomoda. Desculpe a ignorância, mas ainda não saquei bem a questão que você está colocando através dela. De qualquer maneira, gostaria de fazâ-lo, e de tentar elaborar mais a respeito já que é um tema que me toca e instiga.

    Há muitos anos Caetano deu uma entrevista para a revista Bondinho onde, se lembro direito, se classificava como “Caretano”. Foi importante para mim, que era menina, e estava prestes a fazer os primeiros contatos com esse universo das drogas. Foi protetor, de uma maneira que hoje a gente classifica como “redução de danos”. Era possível ser careta sem ser careta. Muito mais efetivo do que qualquer postura tipo “diga não às drogas”, que só serve para prevenir o abuso entre aqueles que jamais as experimentariam e instigar os que usam. Tenho certeza de que, no Carnaval, haverá muita gente por aí, cheiradaça, dançando e cantando o “poparacumpó”.

  27. Gravatai Merengue disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 1:48 pm

    Caetano!!! Ha um problema com a primeira vogal, tambem! O ’se’ deveria ser grafado com ‘e’, nao? Por mais que, no dia a dia, todos o pronunciemos com o som de ‘i’ - mesmo paulistas, baianos, cariocas - exceto, talvez, os paranaenses, catarinenses e sulistas em geral.

    Ja pensou? ‘Sefo’, com acento circunflexo - que nao tenho aqui em funcao do computador emprestado…

    Acho que ficaria mais charmoso, talvez interferisse da mesma maneira na revolta da plateia, mas a imprensa acertaria a mao.

    Beijo na tempora (ja que testa e coisa do Salem)

  28. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 3:32 pm

    Marília Castello Branco, não estou podendo escrever à vontade porque estou aqui, neste domingo véspera de feriado em Salvador (amanhã, dia da Imaculada Conceição, é feriado municipal), sendo “escravizado” por duas sobrinhas pequenas. Acabo de ler a sua estupefação e fiquei encantado com isso de você ansiar por que Caetano extraia leite dessa pedra.

    Sua visada inicial já é infinitamente mais rica do que a minha.

    Eu me incomodo também com essas “verdades” do catolicismo, que é a minha origem cultural mais remota e familiar, vindo que sou de cidadezinha sertaneja, e o incômodo se agrava por vários motivos adicionais aos que você aponta, e que agora não é o caso de resumir.

    Quando postei o vídeo na outra página - retornado acima na expressão “parar com o pó”, que é um hiperlink, basta clicar para revê-lo -, a princípio estava mais interessado em como Caetano e outros queridos companheiros desta OeP viam a canção se apropriando do formato entronizado do axé. Eis o meu ponto de partida.

    Como não o pincelei inteiramente na página anterior, situei melhor as coisas no meu comment acima, dizendo que interessei-me também pelo aspecto “cafona” mediante o qual, enfatizo agora, a canção procura expressar uma “moral” ‘elevada’ e interessada na “solução” de uma mazela social, existêncial, espiritual etc.

    Esse meu interessse por si só não signfica desvalorização do diapasão “cafona”, mas a compreensão de que ele não se ajusta a essa mensagem. Quando eu falei, também na página anterior, e bem de passagem, sem relação direta com o que estamos falando aqui, ser o ‘arrocha’ um “fenômeno cretino-musical”, eu vou por essa mesma trilha.

    Quando vi neste post que Caetano propugna em CAIXA ALTA que a canção se torne hit de toda a tchurma que faz o Carnaval daqui da Bahia, vi nisso uma grande - e, até aqui penso, involuntária - ironia. Porque quem mais comparece com dindim para movimentar a “indústria” do Carnaval baiano é um público que, em boa medida, quem não sabe disso?, não faz a festa de “cara limpa”, não!

    Embora eu não tenha dito isso acima, pois tudo pareceu-me já ser tão intuitivo, a “verdade” catolaica da canção se tornará bastante hilária nas avenidas e mais ainda nos camarotes: e não somente para o segmento do público proveniente do nouveau richism, que já é cotidianamente embalado por toda sorte absurda de consumismos and excitantes.

    Você traz coisas que nos enriquecem o pensar. E eu não vim trazer verdades prontas. Eu vim trazer também o meu espanto com isso existir - e provocar Caetano e quem mais se interessar.

    Quando eu revejo o vídeo, eu me corrôo de rir, o que não é nada politicamente correto de se dizer - mas me corrô ainda mais mesmo assim. Eu fico sem acreditar que isso exista. E que isso promova a efetiva conscientização que, penso que bem intencionada mas equivocadamente, foi buscada pela instituição religiosa que o respalda.

    Até aqui, todos a quem eu mostrei o vídeo, acham-no hilário. Mesmo meus primos cristão praticantes acham graça como se não acreditassem que por ele se possa estar “transmitindo” uma ‘nobre’ “mensagem”.

    Eu vou mostrá-lo agora para as minha sobrinhas pequenas e retorno outra hora pro debate.

    Quanto prazer em te conhecer - e em saber desse seu interesse em elaborar uma questão tão cabeluda! Adoro questões assim. Elas nos provocam a ir até algum lugar e por isso acabam modificando ou aprofundando o nosso pensar!

  29. ana disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 5:48 pm

    O que fode minha paciência é o espaço e o tempo que a mídia gasta pra tentar queimar Lula por conta dessas metáforas de gosto duvidoso que ele solta aqui ou ali. Toda essa indignação me soa tão hipócrita… E depois vem o desespero qdo o Datafolha solta o resultado de mais uma pesquisa de opinião mostrando que o presidente vai bem EM TODAS AS FAIXAS e não só entre o povão.

    Nada contra a oposição da mídia, desde que ela se baseasse em críticas mais consistentes. Ainda bem que existem uns analistas independentes na net, pq os jornalões… Que lástima! Já sifu (ou sifo, como quer Caetano).

    Como o titular deste blog, tb prefiro Nelson Cavaquinho a Cartola. Detesto essas escolhas excludentes, mas, já que a questão foi levantada - e que Cartola é muito mais incensado… É como aqueles dilemas que a mídia adora: Beatles ou Stones? Caetano ou Chico? Não quero ter de escolher. Mas, no fundo, no fundo, tenho minhas preferências, que se baseiam em critérios muito mais subjetivos do que técnicos. Ou seja: há sempre quem fale mais à minha pessoa, à minha subjetividade.

    Em tempo: Stones e Caetano.

  30. teteco dos anjos disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 6:22 pm

    Boceta ou Buceta? Eis a questão!

    Na tradução de “Uivo” de Allen Ginsberg, o escritor e tradutor Claudio Willer utiliza o termo “buceta”. Ferreira Gullar usa “bocetinha” logo no início do seu “Poema Sujo”.
    Oswald de Andrade utiliza das duas formas. Numa edição de “Santeiro do Mangue”, o poeta fala em “buceta”, noutra - já não sei se é coisa do editor, pois trata-se de uma edição póstuma - a gente encontra “boceta”.
    Quanto ao “colhão ou culhão”, juro que nunca li “colhão”. O Glauco Mattoso me escrevia “culhão”, sempre q e a banda de punk rock paulista “Lady Vestal” também utiliza “culhão”.
    Eu - pessoalmente - prefiro ler e escrever como falo; “BUceta”, com “bu”. Acho buceta bem mais ousado e até mais romântico que boceta, que me soa um tanto quanto carola.

  31. Rafael Rodriguez disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 6:35 pm

    Salem,
    vc escreveu o que eu queria dizer só não tive capacidade(maturidade) para expressar (acabei fazendo um comentário agressivo e pessimista - coisa que não sou).

    **************************
    …risos… Eu ia escrever isso:
    “- Tenho certeza de que, no Carnaval, haverá muita gente por aí, cheiradaça, dançando e cantando o “poparacumpó” -”(Glauber)

    Já estou vendo um monte de gente viajando de bala e de coca pulando que nem pipoca e cantando “poparacumpó”.
    Tem que estar muito doido para dançar isso.

    Só o refrão que se salva: “popararcumpó, poparacumpó aê, poparacumpó” parece com uma outra gringa assim “pi papapa ropo, papapa ropo, pi papapa ropo…”

    “Injetar na sua veia o sangue que correu na cruz”

    Mas já é revolução essa Jack falar que o povo católico também tem axé.

    Encontrei a Ivete falando da canção e da cantora (de cima do trio, para toda a massa):
    http://br.youtube.com/watch?v=NxFe3PuPM18

  32. teteco dos anjos disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 6:43 pm

    De certa forma eu concordo com os comentários do Julio e do Edison. “Sifu” rende mais nos jornais que “sifo”, tem mais impacto. É isso que a imprensa quer; Impacto. Quanto a falta ou não de decoro de Lula e da imprensa, não sei dizer. Não me incomodo que Lula diga qualquer “nome feio” - estou utilizando uma expressão que minha querida vovó usava…”nome feio”…referindo-se aos palavrões e coisas relativas a sexo. Vovó queria que eu fosse um bom polido e comedido menino..nem sempre correspondi as expectativas dela. Cresci um “boca suja” e adoro, de fato, os nomes feios. Verlaine, Baudelaire, Bukowiski - meus escritores preferidos - são cheios de nomes feios. Que Lula ou Caetano ou qualquer Zé Mané como eu digamos “sifu, buceta ou boceta” e que a imprensa ressoe tudo isso pouco me importa. O problema maior do Brasil, como disse claramente o inigualável Oswald Andrade é ” super-produção de buceta e desemprego de pica”.

  33. Nando disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 7:11 pm

    Marília,

    Concordo com seus argumentos. Ainda assim, pondero o seguinte:

    O fato de perceber ou não os próprios defeitos condiciona o desejo sincero de que as coisas dêem certo? O fato de Caetano não ser profundo conhecedor da complexidade que se refere a um dependente químico (algo que suponho) o priva do desejo de que a dependência seja superada ou evitada? Porque se só pudermos ser otimistas considerando nossa própria perfeição acho que está claro que nenhum de nós pode desejar nada de bom aos outros. Se só quem conhece o inferno da dependência química puder se manifestar contra o uso de drogas, estamos no vinagre.

    Apesar de ter achado abominável tudo aquilo (do link), tanto que nem consegui acabar de ver, me pergunto se sendo a temática um “use camisinha” seus argumentos seriam os mesmos. Não sei como vive uma pessoa com o vírus nem o quanto luta um dependente químico, mas me sinto em pleno direito de lutar a favor da prevenção em ambos os casos.

    Quanto aos cheiradaços do carnaval, eles têm compromisso com sua própria consciência, não podemos fazer isso por eles. E eles não têm o direito de decidir pelo que devemos lutar.

    Por último: lá no link, a música, a “mensagem”, o “alicerce”, tudo péssimo. Creio que Caetano tenha pescado a intenção e fechado com ela, de acordo com seus próprios princípios. Afinal, se tanta gente o desconstrói internamente para poder se libertar, ele certamente tem o direito de se manter fiel a si mesmo, nem que seja apelando para o caps lock.

    Beijo no supercílio (a testa é do Salem, copyright by Gravataí)

    Nando

  34. Fábia disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 7:12 pm

    Acho que os jornais é que querem Lula “sefo” ou “sifu”, faz tempo. Mas preferiria que o presidente não usasse essa e algumas outras expressões dispensáveis. De todo jeito, é impressionante que ele tenha respaldo, com aprovação melhor mês a mês, com toda -ou quase toda- maré midíatica torcendo contra. Prova de que o Brasil é muito mais complexo do que pode parecer a primeiras impressões. Eu adoro isso!!

    “A Flor e o espinho” é uma música linda de Nelson Cavaquinho.. Tive o privilégio de ouvi-la num show no CCBB de Brasília, em 2002, com Arnaldo Antunes dividindo o palco com Elza Soares. Dá para imaginar o quanto foi lindo? Eu fui em três dos quatro dias, tamanha a minha emoção (com o show inteiro). Arnaldo Antunes é poeta de doçura ímpar..

    Ainda não vi o novo filme de Woody Allen, que adoro. Estou curiosa pra ver se vou sacar a crítica kantiana. Se não sacar, quero saber..

  35. Renata Roizenblit disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 7:57 pm

    Caetano,Você sabe que quando estou perto de vc não consigo falar, pensar, ou raciocinar, mas aqui no blog, consigo me soltar um pouco mais, apesar de estar vermelha agora, só de saber que vc pode ler o que eu estou te escrevendo. Mas essa é a vida! desde os 12 anos sou sua fã e sempre fiquei assim, não é agora com 39 que vou mudar… Eu também adorei aquele show, apesar de já ter visto umas cinco vezes, mas todas sem o cesinha, e posso dizer que ele deu um gás no show. Agora voltando ao Cè, é um disco maravilhoso , ms da primeira vez que ouvi, estranhei um pouco, é realmente diferente de tudo que vc costuma fazer, mas na segunda ouvida, já tava tudo no lugar! Os shows , nem se fala… Inesquecíveis. O do Tim, até quase cinco da manhã, teve um impacto muito grande em mim. Adorei. Agora o que gostei mais do que tudo, foi esse nome lindo que vc escolheu para o novo CD, o Claudio, meu marido ,falou que vc disse para ele que é italiano. Um som lindo,suave, sereno, principalmente vino da sua voz. Obrigada por me entender.Quanto ao Lula, levo à sério uma frase suâ
    “Política é o fim”. Beijos mil.

  36. a.c. disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 8:18 pm

    recebamos com alegria o popararcompó!
    é ótimo isso.. a mulher chega na maior cara lavada e pede ou ordena, em axé, pra parar com o pó. me lembro de “cocada boa” do bezerra da silva, ou então daquela paródia clássica de Copacabana, princesinha do mar: “Pó tá acabando, princesinha quer mais”
    este axé católico é uma resposta clara a tudo isso…
    e é careta sem ser.

  37. tatiana f. salomon disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 8:31 pm

    Caetano d’Amour !
    Esta fazendo muito frio, o céu esta cinza e molhado, o meu português virou português de gringo mais… a tua voz cantando Drão faz o frio se transformar em calor, o cinza em rosa e o meu português em versos do Fernando Pessoa…

    Muitíssimo obrigo et aquele abraço de Paris para você,

  38. teteco dos anjos disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 8:47 pm

    O compositor e poeta Marco Rio Branco, de São Luiz do Paraitinga ( o cujo o qual Boca de Cantor já gravou e Susana Sales adora) me disse também que as letras do “Cê” são as melhores de Caetano dos últimos anos. “O que chamo de poemas musicados e não músicas letradas”.
    Ben (sei lá o quê) em Nova Iorque e Rio Branco em São Luiz, dois mundos tão distantes, duas idéias afinadíssimas. Eu também gostei muito do punch e da pegada das letras de “Cê”…”desolação de Los Angeles”…linda e as minhas preferidas, junto com a dor homenagem da perda de Wally Salomão, “Odeio” e “Musa Híbrida”. Mas, na verdade, o disco todo é especial…”tatuou um Ganesh na côxa…”
    Você talvez não saiba, Caetano, mas esse verso do “Ganesh na côxa” causou calorosas discussões entre os adeptos do hinduísmo - a turma do Hare Krisna - da fazenda “Nova Gokula” em Pindamonhangaba. Eu estive lá e uma devota bradava com horrores que “semi-deuses”, como Ganesh - o homem com cabeça de elefante - não poderiam ser tatuados “abaixo da cintura”. Outro devoto argumentava que não tinha problema algum, segundo os fundamentos de sua religião. Eu que já li a Gita de cabo a rabo, livro sagrado deles, não vi também nenhuma referência sobre o uso adequado de imagens e simbologias.
    Pra quem não conhece, Nova Gokula é uma comunidade-krisna rural muito linda, aos pés do pico do Itapeva (2,2 mil metros de altitude) na Serra da Mantiqueira, cortada por riachos cristalinos e morros verdes & rochosos deslumbrantes. Dizem que George Harrison bancou Nova Gokula. Deve ser verdade. Vejam; http://www.novagokula.com.br, mas não cantarolem “tatuou um Ganesh na côxa..”, vai ser discussão na certa. Hare Om !!!

  39. Labi Barrô disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 9:10 pm

    Boa Noite Gente Boa!
    O home, doce home, voltou elétrico! Quem diria… Caetanho Velosso se solta again. Olga Del Volga. Que caramba!

    http://www.youtube.com/watch?v=Eer9UoqN_9E

    Esse texto de Velô me lembrou uma professoa de português que tive. Um loira muito simpática, que adorava café e fumava a beça. O nome dela? Elvira Montenegro. Exatamente. A MÃE de Oswaldo Montenegro. Nas aulas ela adorava contar que fez o filho regravar a canção Condor. Tudo porque o Oswaldo, na primeira gravação, pronunciou o nome da ave de forma errada. O correto é Condôr e o errado é Côndor. Eu acho que é isso. Ou será que fiquei cafusa? Bem, o que importa é que eu adorava a Dona Elvira. Era EXCELENTE professora. Ela levava uma garrafa de café pra sala. Mas só ela tomava. Os alunos não. Ô Dona Elvira, eu espero que eu tenha aprendido alguma coisinha viu…A senhora sabe, eu era a aluna mais fraquinha né.

    http://www.youtube.com/watch?v=4-Ve19tbxlQ

    Ai que eu não consigo esquecer o argentino, minha gente. Ouvimos o som de Caetanho Velosso juntinhos. Foi tão bom…

    http://www.youtube.com/watch?v=dtmi65rv7TM

    http://www.youtube.com/watch?v=RZw_Hr4X3dE

    E por falar em Milton, Velô, sabe o que o Artuzinho me mostrou? Um participação especial de Milton Nascimento em um disco do Duran Duran. O Simon Le Bon é tão lindo, né Velô? A música até que passa.

    http://www.youtube.com/watch?v=yftOy8kz7aE

    Mas Velô, vê lá o que tu anda colocando no título rapá. Coloca uma coisa mais doce home. Foi qualquer coisa dentro, doida, que mexeu, foi? Assim não dá. Por que assim, sem essa aranha, nem a sanha arranha o carro, nem o sarro arranha a Espanha. Meça, tamanha, Velô. Meça, tamanha. Esse papo seu já tá de manhã. Coloca Labi Barrô no título querido. Fica mais bonito. Parece coisa do Casseta e Planeta: MC FoDEU e MC Deu Mal!

    http://www.youtube.com/watch?v=CmVwoiSc_k8

    Roberto Joaldo exTasiado, muito obrigado pelo convite. Eu topo sim. Espero que dê certo. By the uai, lindo, eu sou MINEIRA, de São João Del Rey. Moro em Brasília desde pequena.
    Rosana Tibúrcio, que bom que você voltou!

    http://www.youtube.com/watch?v=Yd60nI4sa9A

    Caetano, você conhece a Teoria Queer?
    Hermaninho…

    http://www.youtube.com/watch?v=z-yrQ5vcga4

    Ah é. Sobre a língua piguesa né? Alguém aqui tem a língua piguesa? Assim, tipo Cazuza. O argentino que conheci tinha a língua piguesa. Cês acreditam que eu gostei? Deu um charme pro homem…Não ficou gay não.
    Hermaninho, cê anda tão caladinho. Que que houve? Conta pra gente. Cê tá triste? Fica não, bobo. Isso tudo ainda vai acabar em samba. Ou melhor, em TRANSAMBA! E eu quero ver Salem sambando! Samba aí Hermaninho! Chama o Velô. Rosana, Helô, Miriam, Exequiela, Teteco, Gravatai, Alemão, Nando, Adriana Caetana, vamos sambar! Vamos sambar que Labi está indo embora…Agora só no ano que vem gente boa! Olha aí:

    Ai, que conflito
    Roubaram o cabrito do seu Benedito. É conflito.
    Ai, que conflito
    Roubaram o cabrito do seu Benedito

    Roubaram o cabrito do seu Benedito
    O couro virou tamborim da escola
    A carne do bicho entrou no palito
    Assado na brasa e cerveja gelada
    Muita batucada e cachaça de litro

    Benedito ao dar falta do bode
    Chegou no pagode com cara de aflito
    Pegou o churrasqueiro e deu logo um sacode
    Encheu de bolacha o Zé Periquito
    Deu tiro na bola, parou a pelada
    Que era apitada por Dão Esquisito
    Que ao ver Benedito baixando a madeira
    Ficou de bobeira engoliu o apito

    Ai, que conflito
    Roubaram o cabrito do seu Benedito

    Mas tinha um tal de Caroço
    Que chupava um osso igual pirulito
    Esse, Benedito agarrou no pescoço
    E atirou no poço na hora do atrito
    Pior pro cara do pandeiro
    Que cantava maneiro e versava bonito
    Mas ganhou uma banda, caiu no braseiro
    E gritava bombeiro, me acode, eu tô frito é conflito

    Ai, que conflito
    Roubaram o cabrito do seu Benedito

    (Zeca Pagodinho.Composição: Barbeirinho do Jacarezinho / Marcos Diniz)

    Aí galera do Rio, Labi e sua trupe está chegando. Vamos ver o show de Madonna! Quer ir junto com a gente Velô? Leva o Hermaninho. Vai ser muito dez!

    Labi Barrô, sambando milhor di que a LUMA!

  40. gil disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 9:28 pm

    ahahahaha…o dono do pedaço vai!…e eu vou também…a praça castro alves é do povo…como o céu é do avião…caetano vai…então eu vou…pois é Caetano, os meninos ficam encantados que nem indiano olhando a cobra e aí depois fica tudo embassado, é ruído pra todo lado, é muito chato…mas eu sei que é bacana…mas interessa? bem…os meninos encantados sempre interessa…vamos então ver aquela porcaria que é bacana, tem a tristeza diferente, a boa, aquela bem terrível…eheh…e seja o que Deus quiser ( esse líquido me grilou, será que vai chover?…).
    Mas hoje eu vi por todo lado aqui no Rio de Janeiro e também na Folha, a chegada do disco , do seu disco Caetano, com Roberto Carlos e cantando Tom Jobim…que luxo, que espetáculo, timing eterno…mas me lamentei, vejo o anúncio da Madonna, que anúncio bacana, vejo o anúncio do RadioHead, que máximo…e porque o anúncio da nossa Glória também não é descacetante? Não faltam baianos bom de anúncio na nossa propaganda, poxa Caetano, lamentei e pensei na hora na Heloísa e seu gosto, pensei em responder a ela que não tem nada, não tem culpa pelo gosto, ao contrário…mas a gente pode também parar e pensar de onde vem esse gosto, o que constitui o nosso gosto..sem paranóia, numa boa..depois a gente esquece isso e cai de boca…não tem caretice na parada não, a coisa é doida eu sei, mas eu pensei na Heloísa e a vi na minha mente, ela lá em Minas Gerais ( onde aliás, junto com os da Bahia, está a maioria dos nossos colegas aqui…eu acho…) olhando o anúncio do RadioHead, os ingressos sendo anunciados para a meia noite mais de quantos meses antes? E que anúncio!!! a banda fica até melhor com um anúncio daqueles, fala sério…um borrão, um anti anúncio, faz de conta que ninguém quer vender nada como no plano de marketing do disco, liberado na internet e capa em todos os jornais do mundo, de grátis…os Britamericanos não estão dando mole mesmo…mas nosso Caetano com Roberto Carlos cantando Tom Jobim gente, disparou neste domingo e neste domingão ele disse que vai ao show do RadioHead e nos contou do trio rockenroll que ele foi ver…demais…mas eu olho aquela foto, aquele azul, o lettering avant garde…eu não me convenço…e daí? quem não vai querer esse disco histórico e memorável? Eu quero Heloísa, mesmo assim eu quero e vou ouvi-lo cheio de marra, acho que do jeito que vc pra mim parece ouvir o RadioHead. Pode vir quente que eu estou fervendo… No Entreatos, aquele documentário do João Moreira Salles com o Lula, tem um sujeito gaúcho que disse: o RGS é o último reduto do socialismo e do rockenroll…achei bacana, tudo inclusive o filme, mas não sei não, tem muito caipira pra todo lado…e a gente somos inútil disse o menino, e caipiras disse o presidente.

  41. Caetano Veloso disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 10:25 pm

    Nando, veja que você escreveu “míuri” e “mica”. O acento agudo da primeira palavra diz o que eu quero: sem ele ela se tornaria oxítona. Como é que você não vê por que “sifu” é, em português, um oxítono? Vi hoje no jornal as palavras escritas que Ziraldo inventou no Pasquim: “paca”, “tasquíupa”, “jaco” e “sifu”. Por que ele grafou “jaco” (de “já comi”) com “o” e “sifu” com “u”? O povo também diz “cumi”. Como diz “chuveu”. Mas só se desrespeitam as palavras relativas a sexo. É moralismo e cafajestada ao mesmo tempo.

    Joaldo, sempre adorei que você chamasse atenção pro “Pó pará cum pó”. Vi o vídeo, adorei e postei em caixa alta.

    Marília Castello Branco, não sei por que a música seria lesiva aos dependentes que tentam se livrar do vício. Eu conheço sim muito bem os sofrimentos dos viciados. Nunca usei cocaína mas vi muita gente próxima lutar contra seu domínio. E ainda vejo. Penso um tanto como o Rafael. Mas não sou católico nem penso naquela música como um meio sério de combater as drogas. Gostava da campanha “Drogas, tô fora”. Tive pena de ela sair do ar. Mas essa música parece mais uma grande piada que não fará ninguém cheirar nem deixar de cheirar. Vi Ivete com a moça no link que Rafael mandou e adorei. Instintivamente acho saudável que ela seja cantada nas ruas. Com alguns cheirando e muitos não, como sempre. Mas quase todos bebendo, o que é uma outra tragédia quando chega no nível da dependência.

    Sim, no Sul deve-se ouvir muita música sertaneja. Mas em Curitiba e Porto Alegre há uma grande força do rock. “A verdadeira Bahia é o Rio Grande do Sul” queria dizer exatamente o que Jô pensou. Raul. Rock. Bahia. RG. Não gosto de MPB como sigla que indica um gênero. Não há tal gênero. Claro que MBP como simplesmente “música popular brasileira” é OK. Mas isso não é um gênero. Não se pode dizer: rock, reggae, blues, axé, pagode e MPB. Está errado. Na MPB FM ouve-se rock, reggae, blues, bolero, axé e guarânia - contanto que seja feito e interpretado por brasileiros, é Música Popular Brasileira.

  42. Fernando Salem disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 10:41 pm

    Cacilds

    Pó Pará Cum Pó tem CHEIRO de sucesso. Anti-cocaína em Amarelina. Vamo tirá o pó do chão! Nem Cheiro de Amor tem, na sua carreira tão brilhante, um hit tão bicudo. Pra mim, a música não cheira, nem fede. Mas cada um sabe onde botar o seus ouvidos e seu nariz. Achei graça da cantora no YouTube. As coreografias. O timbre de Claudia Leite. Do pó viemos e eis que ao pó voltamos.

    Atchim.

    Cheiro na testa

  43. Fernando Salem disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 10:41 pm

    Amaralina.

  44. daniel disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 1:20 am

    Opa,

    Uma dúvida pro Caetano ou pra quem mais souber: alguém já registrou o João Gilberto cantando essa versão de Rugas?
    Se não, tá faltando alguém fazer isso, pô…

  45. Caetano Veloso disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 2:16 am

    por que o comment que postei à 2:30 a.m. de segunda saiu como se tivesse sido postado às 10:15 p.m. de domingo? - e passou logo pra cima (antes) do comment de salem (aliás espetacular)?

  46. Mario Garcia disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 2:53 am

    Acho bonito a forma pela qual Lula expressa o pensamento dele. Falou ma verdade e, nos tempos atuais, só as mimosas pudicas podem ficar chocadas com uma expressão tão comum em nosso cotidiano. Sifu, ou Sifo (sifu parece mas agradável). Isso em nada abalará a popularidade de um presidente que fala a mesma linguagem do povo, sem ser populista. Faustão diz tantas coisas, nossas músicas se valem de tantos “palavrôes” e até acho bom não haver censura. Como não sou censor de ninguém, não tenho porque ficar arrepiado ao saber do fato e, principalmente, pela forma como a gíria popular foi empregada. Vamos olhar pra dentro de nós mesmo antes de ficarmos “chocados” com uma coisa que, no meu entendimento, já não é um mais palavrão. Vamos e convenhamos e aceitemos o linguajar do povo, sem medo de sermos felizes. Achei lindo !

  47. Álvaro Gomide disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 3:16 am

    Caetano adora botar lenha na fogueira e depois vai ficar curtindo os comentarios deste inusitado post. Hoje sifo, ou sifu, não agride mais ninguém. Veado, ou viado, é elogio. Os machões que ainda se preocupam com os Ricardões, devem pensar nas Ricardinhas. O mundo tá mudado, tudo se transformou. Até as letras de centenas e centenas de músicas estão ai pra mostrar isso. Acho legal Lula não ser um mascarado e ser expontâneo. O cara é genuinamente brasileiro, com Gil, ou sem Gil. Eu tô rindo agora é dos machões que ficam antenados nos “ricardões”, enquanto as “ricardinhas” estão desenfreadas por ai. Viva o Brasil e o azul celeste deste país tropical e sem as caretices do passado.

  48. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 4:49 am

    Labi Barrô, você aceita o apelido aglutinador: Labô? Você nem reclamou? Achei tão bonito!

    Enquanto não revejo Marília, e curiando um pouco o que Nando, a.c., Rafael Rodriguez, Glauber, Salem disseram ou fizeram…

    Estava curtindo minha sobrinhas pequenas enquanto escrevia para Marília, e resolvi mostar a elas logo em seguida o vídeo da canção catolaica. Elas, pela criação “liberada” que vêm recebendo de meu irmão e sua esposa, são crianças eminentemente ‘midiáticas’. Eu penso que a educação e a cultura delas deveriam ser mais diversificadas…

    Aprenderam o refrão instantaneamente, sem qualquer curiosidade quanto ao seu sentido. Dançaram divertidamente - e a menorzinha, de 6 anos, após eu perguntar a ambas o que acharam, exclamou, travessa, como se procurasse animar ainda mais a si: “ex-tra-va-sa!”.

    Procurei saber de onde vinha o verbo, e ela pronunciou o nome: Cláudia Leite!

    Realmente, pó pará com o pó aí tem tudo pra se tornar um prefixo deste verão. Uma canção-campanha em compasso de mascarada. Uma campanha des-mascarada. Para mim, enfim, besteirolizada. Gozação que nivela e embota os sentidos.

    Mas eu possa estar vendo as coisas turvas.

    Exemplificará, em vez disso, o eterno retorno do… do desreprimido? E não é justo isso - o Carnaval? Ai que conflito - sacrificarão em altar profano mais um sacro cabrito!

    Se percebi bem, quanto aos sentimentos que a canção despertou: um certo asco para Nando, uma derrisão sem fim para Rafael, um ar de niilismo em Glauber, um tom de deslumbre e diversão em a.c., uma manifestação da graça para Salem. Podemos “fechar” aqui a discussão? Putz - não!

    E continuo todo absorto pelo movimento do pensamento de Marília - que preciso aprofundar -, e além disso pelo conclame feito a Caetano para falar mais um cadinho sobre de onde vem essa vemência por colocar o bloco do popararcomopoaí na rua! Curiosidade quando não mata… nos enriquece de conhecimento, ou de alguma gaia ou ainda mais divertida e carnavesca ciência.

    p.s: Adoraria que atentássemos mais para o vídeo de Ivete que o Rafael postou. Há algo ali. Vou tentar ver melhor com os olhos que a poesia me propicia, e volto feito peixinho - ensaboadinho - e pulante, quem sabe num texto voador.

  49. Fernando Salem disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 6:04 am

    Hoje escutei Lapa depois de alguns meses da primeira edição. Pareceu-me outra canção. Melhor. Com mais sentido. Com maior vigor.

    Por um momento parei pra pensar no tempo de maturação das canções dentro da gente. Chamei a Fernanda, minha mulher, que também havia escutado a canção quando foi postada. O efeito do tempo não foi tão erosivo, quanto foi pra mim.

    Fernanda já havia gostado muito da música, mas estranhou minha sensação de que era “outra” canção. Pra ela era a mesma. Desta vez um pouco mais “fácil” de escutar e gostar.

    É verdade que com o tempo a gente aprende a gostar, desgostar, transformar ou se afeiçoar a canções. Até porque algumas acabam se relacionando subjetivamente com o que vivemos na época em que as escutamos.

    Mas Lapa ainda era muito recente (em cronologia) pra que tivesse provocado alguma espécie de memória emotiva em mim.

    Aí, pensei nesse blog que completa 6 meses. Fernanda não o frequenta. Vez ou outra mostro alguns posts do Caetano. Havia essa diferença. Reescutei Cais contaminado pelo tempo virtual vivido por aqui. Novos afetos, novas percepções.

    Certamente Lapa não era mais a mesma canção. Escutei-a depois de imaginar a praia de Itararé de Joaldo, os papos sobre Paulinho da Viola com Nando e a revelação de que Caetano ouvira João Gilberto cantando Rugas.

    Tudo isso fez de Lapa uma nova música. Fiquei comovido imaginando o que esse novo CD do Caetano pode significar, ao longo do tempo, pra todos nós por aqui.

    Me chamou atenção o fato daqueles primeiros posts com as canções em video terem pouquíssimos coments. No máximo 20.

    Sugiro a experiência a todos: é muito bacana, depois de tantos devaneios virtuais, voltar ao repertório motivador desse blog, antes do CD sair.

    Lapa é uma canção muito sentida e com mais sentido do que nunca. Perdeu foi a segunda que mais se modificou no ranking dos meus ouvidos. A Cor Amarela parece ser a mesma.

    Agora entendo porque não queria acompanhar os bastidores da gestação do CD. Odeio pré-natal e ultrassonografia. Precisava dessa distância.

    Estive na Lapa há um mês atrás e me esforçava tentando lembrar da melodia da canção pra fazê-la de trilha sonora pro meu passeio a pé. Não consegui.

    Agora, conseguria. Lapa já está no playlist da minha memória. E esse blog já faz parte da minha modesta história.

    Bom isso.

    beijo fraterno nas testas

    salem

  50. Marilia Castello Branco disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 9:57 am

    Joaldo

    Quando postei o meu comentário, ainda não tinha lido o seu, que foi publicado enquanto eu escrevia, e daí li os seus dois depois da publicação do meu. Acho que vc coloca umas questões muito pertinentes, bacanas e que interessam a mim. Estou preparando um texto para continuar o diálogo contigo, mas não creio que o terei pronto antes de amanhã ou quarta, que hoje aqui não é feriado e nem só de internet vive a mulher.

    O tema é mesmo cabeludo e espinhoso como certas plantas lá da sua terra. Por isso, e por compaixão para com el Hermano (me assusta só imaginar o tanto de tranqueira que ele deve precisar filtrar), vou procurar me ater ao que isso tem a ver com os assuntos discutidos aqui: cultura, arte, música, rock’n roll, consumismo, cafonice, etc. Tratando de uso, abuso e dependência de álcool e drogas, é fácil desviar por outros caminhos, questões que já foram discutidas exaustivamente em outros lugares e que, apesar de ainda merecerem muita discussão, não cabem neste espaço.

    Por conta do meu trabalho, perdi um pouco a possibilidade de rir daquele vídeo, mas tenho certeza de que corroer-se em gagalhadas, “A Encantação pelo Riso” seja a melhor maneira de demolir o moralismo e a hipocrisia. Portanto, “Ride, ridentes!
    Derride, derridentes!“

    Para quem quiser pensar mais sobre o que não cabe aqui, e em especial para o Nando, sugiro o texto do Tom Taborda, “Sobre a Demanda Permanente das Drogas”:

    http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/jd080820012.htm

    Pessoalmente, compartilho a maior parte as opiniões dele. Tem também a discussão no blog da Cora Rónai, com as tão necessárias opiniões divergentes e convergentes nos comentários:

    http://cora.blogspot.com/2004_05_01_cora_archive.html#108364640581654684

    Como trilha sonora, a canção que considero absolutamente definitiva sobre o assunto, um bando de tantãs que sabe do que está falando, tocando o cerne da questão.

    http://www.youtube.com/watch?v=N8VSI-0GN2E

    E vocês? Têm sede do quê?

  51. Hermano Vianna disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 10:52 am

    Caetano: a hora do blog e’ tem mesmo algum defeito: hoje está normal, mas ontem não estava… o pessoal da administração técnica ainda não descobriu qual o problema… tem também a ver, acho, com as horas dos nosso computadores, nem sempre sincronizados com a hora certa…

  52. Vinícius Vargas disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 12:29 pm

    “enfrentar desenhos rítmicos do samba”

    Lendo João Cabral vejo o enfrentamento dos desenhos de Mondrian. Na sua canção vejo o enfrentamento do desenho linguistico de Joao e consequentemente de Mondrian..

    A sensação de desenhos rítmicos e outros eu tive ainda criança, anos 80/90 ouvindo vc, quando nao sabia de João nem Mondrian…

    Ultimamente, isso, o CÊ, …, são um fluxo constante em mim.

  53. Lenartei disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 12:43 pm

    Marilia, gostei de ler (no primeiro comentário) tua referência sobre “caretano” e redução de danos. Para mim, ainda, ela faz sentido muito mais ao falar da autonomia das pessoas que usam drogas, ao reconhecermos que elas sabem mais sobre drogas do que muitos especialistas, e que, por isto, é necessário um respeito mínimo, um diálogo sem pedestais. Aliás por isso mesmo acho a palavra “paciente” de muito mal gosto no trabalho em saúde, e não somente para quem usa drogas. Porém, com quem usa drogas ela infelizmente soa como quase um elogio, como se enxergássemos novamente algo de humano em meio à devassidão hedonista (que encontramos por exemplo na Veja falando do Fábio Assunção).

    A maioria das pessoas “drogadas”, ou seja, que se encontram sob efeito de uma droga, não são atendidas ou são mal atendidas nos serviços. É como uma punição moral: “vamos atender a vida dos que valem mais a pena”. E aí, colesterol alto também não pode né? Ninguém mandou comer, fique de castigo no corredor. Então, acho que é por aí o nosso caminho… não me parece o bastante falarmos da Redução de Danos somente para reconhecermos quem usa drogas como pessoa humana e de direitos. Mesmo porque nem todas as pessoas que usam drogas desenvolverão necessariamente relações viciadas. Tem também toda uma coisa a ser combatida, do “médico que tem que dar o exemplo de saúde perfeita”. Uma bobagem, hospital não é igreja, trabalhadores/as da saúde não são padres.

    Eu uso drogas e trabalho e pesquiso com Redução de Danos, e quando li o Caetano frisar (em outro post aí) que “odeia maconha como quem odeia pepino”, me senti muito mais contemplado. É exatamente isso. Droga é subjetividade e cada pessoa é um universo de expectativas. Muita gente usa agenciando prazer e vida, outros usam e se dão mal; o importante é não generalizar. “Legalize porque é natural” não soa tão bem, mas o “drogas nem morto” é horrível. Como disse também a Rita Lee: “Diga não às drogas - mas seja educado: diga não, obrigado”. Ou então, na conversa entre a Sandy e o João Gordo, naquele programa divertidamente sacana que ele tinha na MTV:

    - Cê já fumou maconha? Nunca deu um pega?
    - Não.
    - Mas tem a manha de passar o beck na roda né?
    - Claro que sim.

    Penso hoje que Redução de Danos não é só este “jeito legal de ser careta”. Ela já passou disso e hoje, felizmente e para o bem de todos nós, pode ir além e alcançar todo um modo de falarmos dos prazeres e do livre uso de corpo e mente, sem confundir “educação” com “imposição de moralidades cristãs”. Assim como com o sexo: não há coerência em manifestarmos repúdio às coisas que não nos dão tesão, ou querer que todos sintam tesão pelo “certo” e broxem diante do “errado”. Afinal, não é novo também o entendimento de que buscarmos “a saúde ideal” seja uma idéia rasa e potencialmente danosa, já que tanto “saúde” quanto “drogas”, hoje em dia, infelizmente estão na vida vivida sobretudo como mercadorias.

    ======================

    Gaúchos e gaúchas ouvem muita “axé-music”, pagode, sertanejas e também as músicas gaúchas, que são como que sertanejas, só que “menos cowboys” - na minha cabeça, estão muito mais para o Mato Grosso do Sul do que para São Paulo. E de fato, têm entre jovens classe média ou alta uma cena indie forte, especialmente universitários (estudantes de publicidade e afins). Apesar de gostar do indie rock, vejo a cena de Porto Alegre como algo não muito atraente. Criei-me em Gravataí (cidade próxima à Porto Alegre), e estou em Salvador há seis meses. Não vi cena indie aqui, e talvez porque eu esteja frequentando os lugares certos (rs). Aqui em Salvador se aceita mais naturalmente o fato de existirem “músicas de festa”, para serem dançadas; vi que nos jornais aparecem até detalhes como por exemplo: “a música de trabalho de fulana para o carnaval 2009 é tal”. Em Porto Alegre, isso soaria quase como uma desmitificação do fazer artístico para o público indie, que ainda se importa muito com uma certa estética roqueira que desumaniza (ou faz endeusar) as pessoas que sobem no palco. A linguagem desse jornalismo seria muito mais indireta.

    No carnaval de trio elétrico (coisa que não rola em Porto Alegre, pois no máximo temos os desfiles das escolas de samba), sinto uma empatia direta, palco e platéia compartilham da dança, da festa, do espetáculo, não há carnaval sem o público.

    Aliás, nesse contexto todo de palco/platéia, acho bem interessante ver a atração que geram as bandas indie-funk nesse contexto, porque o funk tem uma referência muito mais explícita ao corpo na dança e a estética indie é bem “careta”.

    =================================

    Agora mesclando os dois assuntos (drogas e indie-rock, ao menos em Porto Alegre), tenho certeza que faria mais sentido no carnaval de Porto Alegre “PÓ PARÁ COM A RITALINA” do que “COM O PÓ”, e não sei se digo: “infelizmente”, porque as pessoas levam isso mais a sério. Quero dizer, embora quimicamente sejam duas drogas quase idênticas, é muito diferente usar Ritalina porque “meu médico diz que eu preciso”, do que usar Cocaína porque “eu tô a fim de curtir”. A diferença nos dois tipos de uso está justamente naquele papo da “autonomia” ao fazer uso de nossos próprios corpos, e também naquilo que faz as pessoas agirem tal e qual como “pacientes”, quando falam de sua própria saúde (de suas próprias vidas). Ritalina tá dando dinheiro pra caralho, só não supera o Viagra (esse, literalmente faz jus à essa expressão, rs). Agora nos EUA já tá rolando uma pressão científica (“neutra” como toda boa ciência, é claro), para legitimar o uso de drogas farmacêuticas na otimização de corpos e mentes que são saudáveis. A indústria sacou o uso de cocaína pelos yuppies na década de 80, e “viu que era bom”. O papo é esse: pode-se usar drogas, desde que continuemos (nós, cientistas) ditando o que é bom e o que não é. Então entra em contradição quando sabemos que há todo um aprendizado no uso de drogas que se dá no corpo e na subjetividade – enquanto que a indústria farmacêutica só enxerga as pessoas pelo viés do varejo.

    Só não vou falar se prefiro uma coisa ou outra, que é pra não contradizer aqueles princípios da Redução de Danos - respondo por mim (como quem diz que não gosta de pepino), que eu prefiro a neblina da ganja…

    Abraços

  54. gil disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 1:32 pm

    bacana Lenartei, muito bacana

  55. DIMAS ROQUE disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 1:34 pm

    PERDÃO MAIS EU ERREI O POST. Este deveria vir para cá.

    Estava eu passeando pelo belo visual do Raso da Catarina nas cercanias da cidade de Paulo Afonso na Bahia, quando me deparei com o famoso iluminado Zezim de Cumade Zefa. Foi ele com a sua magnífica inteligência que me aproximou da escrita de um tal Luís Fernando Veríssimo. A despeito das criticas recebidas pelo Presidente Lula quando proferiu o antes nunca falado em público por qualquer pessoa, SIFU. Ele mês explicou falou que alguns amigos do Caê ficaram horrorizados com aquilo ao terem seus ouvidos agredidos. Mas o velho sábio e morador do Raso estava confuso. Seriam eles artistas? Seriam eles membros da Opus Dei? Pelo sim pelo não, ele me mostrou uma transcrição que foi encontrada em pergaminhos datadas da idade dos presentes ao tal evento.
    Segue a transcrição para que Caê tome conhecimento de que outros pensam diferente. Sem polemicas. A não ser que seja para estar em evidência.

    Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos.

    É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia. Sem que isso signifique a “vulgarização” do idioma, mas apenas sua maior aproximação com a gente simples das ruas e dos escritórios, seus sentimentos, suas emoções, seu jeito, sua índole.

    “Pra c******”, por exemplo.

    Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que “Pra c******”?

    “Pra c******” tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra c******, o Sol é quente pra c******, o universo é antigo pra c******, eu gosto de cerveja pra c******, entende?

    No gênero do “Pra c******”, mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso “Nem f****o!”.

    O “Não, não e não!”, assim como o “Absolutamente Não” já soam sem nenhuma credibilidade.

    O “Nem f****do” é irretorquível, e liquida o assunto.Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência.

    Solte logo um definitivo “Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM F****DO!”.

    O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Caetano Veloso.

    Por sua vez, o “porra nenhuma!” atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional.

    Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um “é PhD porra nenhuma!”, ou “ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!”. O “porra nenhuma”, como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha.

    Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um “p***-que-pariu!”, ou seu correlato p***-que-o-pariu!”, falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba. Diante de uma notícia irritante qualquer um “p***-que-o-pariu!”dito assim te coloca outra vez em seu eixo.

    Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.

    E o que dizer de nosso famoso “vai tomar no c..!”? E sua maravilhosa e enforcadora derivação “vai tomar no olho do seu c…!”. Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável , se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: “Chega! Vai tomar no olho do seu c…!”.

    Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e sai à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.

    E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: “F*deu!”. E sua derivação mais avassaladora ainda: “F*deu de vez!”. Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar:
    O que você fala? “F*deu de vez!”.
    Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de “f***-se!” que ela fala.

    Existe algo mais libertário do que o conceito do “f***-se!”? O “f***-se!” aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta.
    “Não quer sair comigo? Então f***-se!”. “Vai querer decidir essa m**** sozinho (a) mesmo? Então f***-se!”. O direito ao “f***-se!” deveria estar assegurado na Constituição Federal.
    Liberdade, igualdade, fraternidade e f***-se!

    (Luís Fernando Verissimo)

  56. Ricardo de Alcântara disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 1:58 pm

    O descontrole sobre a repercussão do que se diz é uma questão que vivenciei aqui no blog nos comentários do post anterior. Qualquer som reverbera, qualquer palavra escrita ou dita cintila. A clareza da concepção no instante em que se diz o que se quer dizer, nos caminhos entre o cérebro e a língua, ou a mão, desvanece nos descaminhos do espaço amplo e externo ao ser: a clareza da concepção não é a clareza da captação, muito menos da repercussão. O que se fala, o que se publica, é imprescritível e o entendimento do outro que escuta e repercurte é líquido como o som do Radiohead, em sua interessante propriedade de tomar a forma do invólucro definido para o compartimentar. O que Lula disse a quem o escutou de corpo presente no momento em que o som “sifo” saiu de sua boca, tomou determinada forma no interior de cada um que estava lá, tendo gostado ou não, de uma maneira que não é a mesma percebida por quem leu a expressão nas manchetes dos jornais. Por motivos ortográficos, por motivos ideológicos, por diferentes representações sociais sobre o que é um presidente e o que representa a figura de Lula, “sifu”, como foi escrito e posteriormente lido em letras grandes nas páginas dos jornais (e sites de notícia), deve ter causado uma tremenda repulsa em quem já não gosta de Lula. Em quem gosta, um riso a mais. Em quem não gosta nem desgosta, mil coisas, inclusive reflexões e apontamentos pertinentes sobre a moralidade imbecil e imbecilizante de nossos jornalistas até na forma de definir as letras para compor uma palavra. Lula não “sifu” ao dizer “sifo” como quiseram fazer parecer, nem precisa da pesquisa do datafolha, basta saber que o brasileiro nem sempre olha apenas para o que lhe apontam.

  57. Lucesar disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 2:02 pm

    Caetano cantando Nelson Cavaquinho, pensaram que eu não tinha não é ??? Pode não ser “Rugas”, como desejaria Salém, é mais simples, no entanto, igualmente comovedora e linda, linda como “YOU’VE CHANGED” interpretada por Exequiela.

    Caetano cantando A Mangueira me Chama:

    http://www.youtube.com/watch?v=fTMwbHTFvZ8

  58. Socorro disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 2:51 pm

    Sinto discordar de você e concordar com os jornais, mas concordo com aluns comentários aí em cima: não existe a palavra “sifoder! o que há é a expressão se foder, que pronunciamos, principalmente se estamos com muita raiva, se fuder. Portanto, se a palavra que o presidente usou não não existe oficialmente, tem que ser grafada como se fala, “sifu”. Quem leu, entendeu na hora o que ele quis dizer. Penso que a linguagem, principalmente dos jornais, tem que ser assim, mesmo que em algumas situações se assemelhe a banheiro de boteco. Que eu gostava muito de ler. Tinha pérolas do baixo-astral.
    Mas hoje estou feliz da vida! É dia de festa na Conceição e o Glauber Rocha vai reabrir. A Praça Castro Alves é do povo!

  59. Carlos "Alemão" Moura disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 3:11 pm

    Tá cada vez mais complicado acompanhar tudo por aqui. Ainda mais com trabalho…graças a Deus!

    Teteco,
    Grande abraço. Ainda vou cair em São Luis, a caminho de Ubatuba.

    Labi Barrôca maravilha,
    Língua piguesa é genial. A do Cazuza era charme total.

    Lenartei,
    Drogas, tô fora, tô dentro, tô fora, tô dentro. Sem apologias, sempre. Cada um sabe onde mete o nariz, o quanto sofre e o quanto é feliz, feliz…

    Salem,
    Ouvi Roberto e Caetano cantando Wave, na “MPB FM” daqui de Sampa, sob o céu de Santo Amaro, a avenida. Senti que não é fácil dropar essa onda, não. Na língua do surf, João Gilberto é o local desse pico.

    Abraços mui carinhosos a todos!

  60. Julio Vellame disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 3:49 pm

    Hermano Vianna, não creio que seja a hora do computador, pois quando posta ele não copia a hora do meu….

  61. Julio Vellame disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 3:53 pm

    Caetano levantou uns exemplos desconcertantes com relação ao uso da fonética das ruas. De fato me incomoda e deve incomodar a todos os defensores do sifu aqui no blog “cumi” “chuveu”.

    Onde está o limite? na licensa poética vale tudo (ou quase tudo) e na prosa?

  62. Luis disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 4:32 pm

    Este post criado me pareceu pouco feliz. Claro que aqui se fala de tudo. É um post tergivesável. Podemos falar sobre drogas, interminavelmente. Podemos falar do Latim arcaico, barbaro,medieval, tardio até chegarmos ao latim extinto. Podemos derivar sobre o português brasileiro e o portugues de Portugal, com, ou sem as nossas neuroses perfeccionistas. Podemos aprende acentuação das palavras e o que vem a ser uma silaba tônica e toda uma série de regras gramaticais que o nosso conservadorismo nos impõe exigir. Podemos falar em mudanças e continuarmos falando em cinema, ou nos antigos bacanais dos primordios dos tempos e de mil e uns sifus das nossas vidas. O fato de Lula ter dito que não se deve dizer a um paciente que ele tá fodido é uma realidade e ele quis dizer isso como quem abrevia a palavra porra, dizendo “pô”. Algo do tipo : “Um pouco mais de respeito pelos vivos, pô!” Todo mundo sabe que Pô não é pó e que é uma abreviação de PORRA, que Faustão diz tranqüilamente. Sacanagem sempre foi uma palavra liberta no Rio, mas na Bahia era palavrão. Sei não, achei este post um pouco diversionista para fugir daquele papo blue da Helô (perdão pela intimidadade), ou um tanto quanto chegado ao FHC, de triste recordação. O post também pode ensejar recordações sobre Collor de Melo que dizia ter a “binga roxa”, ou falarmos do Ciro que mandou alguém a puta que pariu, ou do político que deu colchão ao povão e disse que ninguém mais dormiria na “cama de pau duro”. Vamos falar do maculelê e segurar o lelê do sifu, numa boa. Ah, antes de terminar o meu blá, Monteiro Lobato tinha um personagem intrigante que fazia uso do pó de pirlimpinpim (era assim mesmo que se escrevia). O pó, pra os inocentes, era cocaina, que o Eric Clapton canta divinamente bem (Cocaine). Sou contra o uso de drogas, mas defendo a liberação das mesmas. Não acho que seja caso policial, mas um problema de saúde pública. Não uso… aliás… nós todos usamos tantas drogas cotidianamente que sequer sabemos. Cigarro e alcool são duas terriveis drogas liberadas. A maconha - que já fumei - eu achava que fazia menos mal, mas tem lá seus problemas. Mexe com a concentração e a memória, sim. Mas não nego que tem seus lances positivos. Tenho muito medo de sermos patrulhados pelo tráfico que se esparrama pelos podres poderes e se espraia por todos os cantos usando a linguagem da violência mais bestial de todas. A vaca está no brejo, dizia Tuzé de Abreu. E agora, filho de “seu” José. Hoje somos todos “Josés” e de algum modo Manés porque sempre esperamos que alguma coisa caia do céu, tipo Deus Dará. Por favor, corrijam este texto apressado, ponham os acentos, coloquem as virgulas e tudo mais que for aprazivel. Somos o Brasil que erra e o Brasil que conserta. O Brasil que diz e o Brasil que faz. E o nosso português não se tornou independente, continua sendo “português do Brasil”. Isso é hilário. Que deriva, deriva, mas poderiam falar BRASILEIRO. Eu falo brasileiro e fim de papo. Não tô com saco de corrigir nada, pô!

  63. Marcos Lacerda disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 4:32 pm

    Gente, que bacana o texto do Salem sobre a canção “Lapa”. É uma aula sobre “canção”. Acho que o Salem tem razão, muitas canções demoram para nos sensibilizar,e as melhores canções que já ouvi e ouço até agora, foram justamente as canções que não gostei quando as ouvi da primeira vez. E salem tem razão novamente: precisamos voltar a ouvir as canções do disco.
    Curioso, é só Caetano fazer comentários sobre seus gostos pessoais que já cria uma estranha agitação entre os que aqui escrevem. Claro que é possível entender isso, levando em consideração que caetano é um personagem importante da Cultura brasileira, muito além de um cancionista, aliás em matéria de capacidade para manipular bem a língua portuguesa para fazer canções, acho Paulo Cézar Pinheiro, Aldir Blanc E Chico Buarque, melhores. Mas o que é mais intrigante é que as canções do Caetano são mais interessantes que as canções dos compositores citados, e muito disso se dá por conta da presença de Caetano como figura ímpar no campo cultural brasileiro.
    O blog é ótimo porque nos dá condição para refletir sobre estas e outras questões, além de criar um contato que seria impensável em outras situações. Caetano, você vai escrever livros, pretende dar continuidade ao Verdade Tropical?
    E cinema? Eu gostei muito do “Cinema Falado” e fiquei curioso em saber se você continuará fazendo ensaios para ensaios de filmes possíveis.

  64. Fernando Salem disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 7:10 pm

    Cacilds!

    Que coisa linda, Lucesar! Não sabia que Caetano tinha cantado A Mangueira Me Chama. Bonito mesmo.

    Valeu

    beijo na testa

    salem

  65. a.c. disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 7:14 pm

    toda droga tem o seu barato. seu pirilimpimpim…
    e o axé-católico também.(não sou católica nem nada, mas sabe como é, muita gente é)
    e é novidade.
    pra mim ainda é surpresa ver bateria e amplificadores num altar.
    com o tempo a música de dentro das igrejas, universal e católica, pode chegar às referências eletrônicas e poéticas das mais requintadas.

  66. Lucia Alves disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 7:14 pm

    Escreve-se cada dia pior neste país.

    Os jornalistas (novos e velhos) parece-me que adotaram outra língua, erram tudo toda hora.

    Ficam todos dizendo que na “internet pode escrever errado”. Por quê???

    A língua portuguesa é um código - lindo - mas um código. Do mesmo jeito que a nossa senha de banco (exemplo feio, mas funciona).

    E, pura opinião, quem aprendeu a ler e escrever - parcela privilegiadíssima da população brasileira - tem o dever social e humanitário de contribuir com quem não teve acesso às salas de aula.

    Sem patrulha, mas não podemos “axar” que pode tudo.

    Caetano, você não prestou atenção, mas eu já havia falado deste estranho fenômeno da hora do comentário há alguns posts atrás. É um mistério…

    Beijos para todos.

  67. Julio Vellame disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 7:24 pm

    É difícil escutar Wave depois de João. Essa é a verdade SALÉM!

    Estava justamente no carro escutando a versão de Caetano e Roberto e comentando sobre se alguém além de João tinha feito uma boa gravação dessa melodia espetacular.

    - Ninguém lembrou de nenhuma gravação!

    Parece que quando Caetano começa ou Roberto ou algum estrumento parecem dar o tom. É meio estranho…

  68. Carlos "Alemão" Moura disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 7:28 pm

    Salem,

    A música é a sua praia. E nela você desfila suas manobras com maestria, à la Kelly Slater ou Pepê. Por isso mesmo te invoquei, te convoquei, te provoquei.

    O meu lance com a música é apenas instintiva. Sinto e me emociono. Bate.

    Sempre achei Roberto e Caetano feras. O Rei praticamente a trilha da minha infância, redescoberta na juventude. Caetano, não. Esta trilha veio depois, depois que se aprende a ouvir música e letra e harmonia e melodia. Aprender como emoção, ok? Sem formação técnica.

    Quando escrevi “não é fácil dropar essa onda, não”, não tinha intenção de um “não tem Roberto e Caetano certo”, conforme me ensinou o dicionário de baianês.

    Mas queria registrar o que senti: um grande esforço da parte deles em levar uma onda que em João Gilberto parece tão natural – principalmente quando o tom vai lá pra baixo, o esforço é incrível (foi o que me pareceu, instintivamente).

    Não fizeram feio. Jamais fariam com a qualidade e a experiência que têm.

    Gostei da onda deles, também. Mas a de João é Pipeline quebrando 12 pés tubular.

    Grande abraço!

  69. Nando disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 7:33 pm

    Caetano, passei batido quanto à acentuação tônica. Você está corretíssimo.

    Quanto a moralismo e cafajestada, não consegui sacar. Muita gente fala (principalmente no sudeste( “sácánáge”, mas sempre escreve corretamente: “sacanagem”; carioca diz algo como “aí é fuóda”, mas todo mundo escreve “foda”.

    &

    Lucesar, você existe mesmo? Puxa vida, muitíssimo obrigado por todas essas maravilhas.

  70. Nando disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 7:42 pm

    Para encerrar, penso que o correto seria grafar como “Se fo…”, já que não existe o termo.

  71. Ro Costa disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 8:08 pm

    Caetano, os jornalistas reproduziram o que o Presidente disse, não?
    Sifu ou sifo? Dentro desse contexto: declaração de um presidente para a nação me deixou com uma sensação de desleixo, de tanto faz, de falta de seriedade.
    De um lado os jornalistas adoram pegar no pé do Lula e enquanto que ele adora aparecer na mídia. Como naquele ditado: falem bem ou mal mas falem de mim… Não sei quem me cansa mais a mídia ou o Lula. Humn… os dois.
    Forte abraço, Roberta.

  72. Fernando Salem disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 8:15 pm

    Oi Alemão

    Eu embarquei na onda do Rei com Caetano.

    Só achei a voz do Caetano meio afundada na mix em relação à do Roberto que está mais à frente. Na verdade a voz do Caetano está do jeito que eu gosto, mais misturada ao som da banda. Principalmente em se tratando de um disco ao vivo.

    Wave é um standart. Está no Real Book. É tocada pelo mundo todo. É difícil mesmo escutá-la, depois da gravação do João Gilberto. É uma gravação antológica de um cantor-autor.

    Roberto e Caetano gravaram Wave numa outra onda: como crooners. O que, convenhamos, não é pra qualquer paneleiro. É uma interpretação exata, respeitosa, enxuta e sem firulas.

    Seria um tanto esquisito se ele impusessem um jeito autoral de cantar uma canção assim. Aliás, eles tiveram esse critério em quase todas as músicas do show. O que fez do show, na minha modesta opinião, um acontecimento histórico.

    Na crista dessa onda as manobras radicais são o de menos. Não há acrobacias na arrebentação. Aí sim, cantar pode ser como surfar. E Caetano e Roberto surfaram em Wave.

    Ouça de novo sem pensar numa “new” wave. Mas na velha onda da bossa nova.

    Roberto é bom de onda desde o Broto do Jacaré. E Caetano compôs Salva-Vidas, pra segurar sua onda.

    beijo na testa

    salem

  73. Edison disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 8:22 pm

    Sifu é um oxítono: vai sifu! O Lula disse: “meu, se fo…”, que estardalhada e equivocadamente os jornalistas transformaram em “sifu”, mas corretamente seria “sífu”, com acento no i, melhor que “sifo”. Sifo não tem a mínima cafajestada que tem sífu. O “o” átono final, de tão fraco, pronuncia-se como se fosse “u”. Naturalmente as palavras “sujas”, relativas a sexo, de tão surradas e desgastadas, perdem sua expressividade e se transformam naquilo que o povo faz delas: caracas, putz, fela da puta, paca. Não vejo moralismo nisso.

  74. Edison disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 8:38 pm

    Tarado em você não tem a menor graça que tem ni você ou nucê.

  75. Suely R disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 8:45 pm

    Caetano,
    Hoje acordei com saudades deste “canteiro de obras” e pensei que precisava arranjar tempo para vir bater meu ponto. Enquanto me dedicava a atividades mais urgentes, fui ouvindo,de novo,o CD Outras Palavras, que tem Dans mon Íle do Henri Salvador. Adoro sua interpretação e creio que esta terá sido a sua única experiência em lingua francesa. Por que você não gravou mais em francês?
    Acredito que daquela gravação para cá sua voz evoluiu e ganhou um timbre mais definido que, com certeza, resultaria em uma interpretação ainda mais bonita.
    Procurei o link desta canção, não achei na sua voz mas fica a do H. Salvador que também é linda!
    Beijo
    Suely
    http://www.youtube.com/watch?v=JDzz2KGuyH0

  76. Edison disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 9:56 pm

    Suely, Caetano gravou em 2006 “Cherche la rose”, no álbum Révérence, com Henry Salvador; mas não vale a pena ouvi-la apenas para conferir a evolução da voz ou definição de timbre, a interpretação é belíssima como a outra, cantada para Regina Casé, são dois registros distintos.

  77. Nando disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 10:16 pm

    Suely,

    A produção informa que é possível escutar Caetano fazendo biquinho também em “Cherche la rose” (canção originalmente composta para Marlene Dietrich, que com ela fez grande sucesso), belíssimo dueto com o também divino Henri Salvador no album “Révérence”.

  78. Andre Avellar disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 10:48 pm

    Caetano fui censurando aqui…
    Cadê minha mensagem?

    Bem vou repetir: na humilde opinião, o titulo do novo cd não incorpora a propaganda deste blog e tampouco as musicas. prefiro Transamaba.

    Mas a obra é sua, e com certeza irei consumi-la de qualquer maneira.

    Espero não ter errado muito o meu português. rs

  79. Cleithsania tiburcio disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 11:03 pm

    sobre o comentário 17/ Jô acredito que o caetano se referia ao fato de que; A imprensa sempre se referiu aos cantores baianos(isso há uns bons anos atrás), como um grupo que sempre se protegia uns aos outros,como se quisessem se diferenciar e se separar do resto do Brasil. no entanto quem teve esse “desejo” de ser um outro país e se tornar independente do brasil foi justamente o Rio grande de sul.por isso a música diz:
    NADA DE AXÉ DODÔ E CURUZU
    A VERDADEIRA BAHIA E O RIO GRANDE DO SUL.
    caetano se eu falei uma grande besteira por favor me corrija.
    Caetano: você assistiu o filme sobre Che, o que achou dele?

  80. Rafael Rodriguez disse:
    Dezembro 8th, 2008 at 11:24 pm

    Joana,
    Lapa sim!!!
    O “Cê” no “Circo Voador” foi inesquecível!!!
    !Caetano nas lonas culturais do Rio de Janeiro!
    Não sou de frequentar a nigth da Lapa mas sim o dia a dia… (nem nenhuma outra noite, explicando: curto mas não curto tanto, gosto de sair para conversar, de encontrar as pessoas - mas como não bebo, não fumo e nem cheiro, às vezes fico voando). Estou sempre de passagem por lá, a partir das janelas do 433 e 464, descendo e subindo as ladeiras de Santa Teresa para ensaiar, etc.
    **********************************

    *Saudosismo*
    O ano de 2006 foi renovador para mim, assisti pela primeira vez uma peça do Zé Celso (O Homem II) e no dia 19/12 assisti pela primeira vez um show do Caetano. Foram duas porradas gostosas e que mudaram radicalmente a minha via.
    Com o “Cê” ganhei muitos amigos e uma amiga em especial que colocou uma pedrinha no meu sapato; ofereceu um janeiro (2009)passeando pela Bahia - não sei como aceitar e não tenho coragem de recusar (ela sabe disso…rs).

    **********************************

    *Lula lá*
    O problema não é o palavrão, mas sim o tudo que foi dito (o contexto)… Lula mentiu para os brasileiros (para o bem ou para o mal) e assumiu a mentira alguns meses depois. E se de repente o paciente viesse a morrer?
    Quando o presidente solta o palavrão acaba por desvirtuar o debate; ao invés da imprensa focar na crise, acabou procurando um probleminha menor transformando-o em tromba-d’água.
    Foder é ótimo, o problema é nos fodermos todos nessa crise.
    Algumas pessoas próximas a mim já compararam o ocorrido com o “Aquilo roxo” do Collor.

    **********************************

    *Poparacumpó*
    “Tira o pé do chão!”, isso é platonismo puro! …risos… E uma cantora axé gospel cantando isso tem tudo a ver.

    “Drogas, tô fora” era ótimo, mas nunca representou nada a ninguém… gastava-se uma grana com a campanha, mas creio nunca ter tido algum tipo de retorno (negação da droga).

    “Injetar na sua veia o sangue que correu na cruz”
    Não difere em nada de uma Amy Winehouse só que ao contrário, trocando um vício por outro.

    “p.s: Adoraria que atentássemos mais para o vídeo de Ivete que o Rafael postou. Há algo ali. Vou tentar ver melhor com os olhos que a poesia me propicia, e volto feito peixinho - ensaboadinho - e pulante, quem sabe num texto voador.”
    (joaldo)

    Volto a postar o link:
    http://br.youtube.com/watch?v=NxFe3PuPM18

    **********************************
    “Eu era um bêbado, e vivia drogado, hoje estou curado, encontrei Jesus, encontrei Jesus, ENCONTREI JESUS…”
    **********************************

    Fiquei assustado quando escutei uma série de funks evangélicos, foi na festa de casamento de uma prima…
    Algumas dessas músicas cantavam (ao som de tiros) que homossexuais e viciados deveriam ir para o inferno - aquele funk do Caveirão com a letra trocada (seria um proibidão golpel?).
    **********************************

    Isso é curioso:
    Pastor no Baile Funk
    http://www.youtube.com/watch?v=rQV957W21v4

    Mais do mesmo:
    http://www.youtube.com/watch?v=O2CB0JpTRig&feature=related

    O mesmo pastor (Fantástico de 6 de abril de 2008):
    http://www.youtube.com/watch?v=zbg1AA9gRxU&feature=related

    Derrubando pessoas com um paletó que tem o poder de Deus (não tem a ver com funk, mas vale ver):
    http://www.youtube.com/watch?v=eie1elImGY8&feature=related
    **********************************

    Para rir um pouco:
    http://www.youtube.com/watch?v=l_a7BL0USwA&feature=related
    **********************************

    .beijo na boca.
    :*

  81. Nem Queiroz disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 12:04 am

    Não me contento também com a expressão usada por ele. Foi uma infelicidade, muito embora tenha eu, alguma compreensão da sua intenção, contudo, compreendo ainda mais, que o presidente, por mais presidente que seja, não pode se dar a este luxo. O Lula vacilou! Modos Sr, Presidente!

  82. joana disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 12:20 am

    pois Salem…

    tomei uma overdose de Lapa (o bairro). fui muito até lá, no circo, no estrela, muitas vezes, sempre me divertindo um pouco, mas tentando esclarecer uma situação muito desconfortável com uma pessoa, e, ao menos, fazer nascer um abraço sincero.

    a última vez que estive lá, decidi que nem na cidade conseguiria ficar, porque de divertidinho foi passando a desgastante e por fim lacrimoso.

    então, qd ouvi Lapa, juro que senti assim: sr Caetano, não me diga que vai de novo levar uma Obra até a Lapa, circo, fundição, arcos. nããããããooo!

    essa foi tipo minha primeira impressão.

    agora já não. entendi que por um abraço desse eu iria pra qualquer lugar, até a Lapa novamente. mas confesso que ainda penso: sr Caetano, outros lugares que o CÊ não foi, leva a Obra pra outro lugar…

    minha esperança foi qd soube da Menina da Ria, Portugal geralmente me acrescenta em sorrisos (e pude fugi um pouco da minha lapa…)

  83. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 1:34 am

    ANOTAÇÕES PARA FUTURO COMENTÁRIO - OU SERÁ JÁ UM COMMENTDROMEDÁRIO?

    MARILIA: Gostei tanto dessa cadência do seu pensar e mais ainda do seu intuito de se recolher um pouquinho para retomar o que for de mais nuclear e nos ofertar aqui. E compreendi porque você nos dedicou a canção dos Titãs - porque ela fala da ‘inteireza’ de nossas sedes e fomes. Uma inteireza que a canção cataloica não comportará: por se converter em piada fácil. Não é à toa que uma das turmas do humor besteirol está acompanhando a cantora no vídeo de Ivete postado por Rafael. Não é a toa o indisfarcável tom zombeteiro de Ivete a pretexto da música - e sobre tudo o mais.

    Não consigo parar de me corroer de rir quanto a como isso se reverterá em algo estrondosamente irônico para a própria instituição religiosa que acredita na “nobreza” de tal mensagem. É muito diferente da campanha pelo uso da camisinha durante o Carnaval - uso que a própria Igreja Católica não tolera, como sabemos, em síntese por acreditar que incita a sexualização desenfreada, não abençoada oficialmente, embora o mandamento de Deus seja no sentido de crescei-vos and multiplicai-vos. A campanha da camisinha é uma cruzada facilmente abraçada pelas classes artística e musical de modo genuíno ou veraz.

    Com isso, quero dizer, sem concluir, que não sou contra esse futuro hit que espoucará em nossos ouvidos trocentas vezes ao dia, assim como não fui contra o fenômeno do arrocha - e até dei as minhas arrochadinhas, em festas bem aprazíveis lá na enseada da Ribeira aqui na Bahia, com a ninfa Elsimara, a mesma que, conforme relatei página atrás, me deu recentemente um “bolo” indigesto, com isso me fazendo ter de recorrer a esse pozinho salvador que é o Sal de Andrews.

    Não sou contra o fato em si, o seu surgimento. Isso - para parafrasear o próprio Caetano - porque advém de forças e regiões profundas do ser do Brasil. Mas não deixo de achar muito divertido que o próprio Caetano queira ver toda a tchurma cantando poparacopoaí. Porque o desejo dele é uma ordem. Ele organizará um movimento com isso, orientando o próximo carnaval baiano a propagar uma alegria… sem inteireza! Daí o risco. E - sem patrulhas do politicamente correto, já que será Carnaval, e as patrulhas, como faz parte da regra do jogo momesco, serão abolidas no período - eis o risco, e o risco, e o risco! Aguardo ansiosamente pelos seus próximos verbos.

    CAETANO: Quando postei meu último comment, o seu ainda não tinha aparecido. E como já aconteceu de outra feita conosco, o meu ficou por baixo do seu e, isso, é - sem qualquer conotação sexual - deveras agressivo comigo. Protesto por mais moderação de sua parte. Termos em que: peço deferimento para dizer que, pelo conteúdo e tom do que disse agora, você apenas nos trouxe uma opinião e mais alguns argumentos iniciais sobre um assunto que merece dar mais pano para manga. Tenho a impressão de ter lido mais cedo um segundo comment de SALEM sobre o tópico e pelo qual senti formulados, ali sim, argumentos mais fortes e desenvolvidos, mas passei a vista agora e não o reencontrei - como estou me preparando para uma viagem profissional de um dia inteiro saindo de manhã bem cedo, e está ficando tarde, não vou poder conferir isso agora.

    Aproveito, Caetanino, para constatar que quanto ao pós-escrito 2 do meu primeiro comment nesta página continua reinando um silêncio espessegoso difícil de aturar. Quanto ao pós-escrito 1, eu estou separando algo sobretudo de Antonio Risério sobre o assunto, para fazer a você e a quem mais se interessar espero que uma divertida e compreensível provocação.

    LENARTEI: Eu estou aqui pasmo com o que você escreveu! Uma das melhores coisas que eu já vi aparecer neste blog assim de repente, parece que instantaneamente. Sabe que eu vou chamar Zizek no meu próximo comment para trocar umas idéias a respeito de coisas que você está dizendo aí? Zizek é o cara! E, se você existe, do que duvido, venha comer um risoto comigo em minha casa aqui em Salvador um dia desses! Meu e-mail está na página do perfil em meu blog. Escreva que eu te passo meus fones.

    SALEM: Eu adoraria que você pudesse trazer para a gente algo daquele seu maravilhoso tratado sobre a cafonice que publicou em outra página desta OeP, avaliando com a sua perspicácia habitual a estética e proposta musical da canção catolaica. Seria um delicioso concerto de sabedoria saborosa que você executaria para nós todos.

    GRAVATAÍ: Quanto ao contrabando do fenômeno cretino-musical chamado ratatá colombiano, que você confidenciou-me ter trazido para o Brasil de uma de suas excursões latino-americanas - por que não vem fazer de vez a relação entre ele e esse fenômeno subjacente ao da transformação em hit da música catolaica em tela? Contribua com as autoridades para que a sua pena seja comutada.

    JOANA: Ainda não achei o volume 1 dos Ensaios e a minha memória até aqui não me foi prodigiosa. Mas é uma questão de tempo eu achá-lo e assim destrinchar a ambrosia maior legada na própria obra de Michel como homenagem a Etienne.

    Sobre a casa de praia onde aguardo um punhado de queridos infocaetanautas para o meu risoto matador - risoto é modo de falar, porque será feito com Raris 7 cereais (estou recebendo unzinho$$ por isso), que é um produto composto e totalmente integral, mas adianto que o prato não fica nada natureba) -,fica em Itacimirim, um reduto ainda livre do nouveau richism que vem assolando cada vez mais os melhores pontos do litoral norte e da vida cultural da Bahia, e localiza-se pouco antes da já bastante conhecida Praia do Forte. Temos a opção de mais uma casa para, se o encontro perdurar por um fim de semana completo, atender casos como o de GLAUBER GUIMARÃES, que disse não se separar por nada de sua filha pequena, onde abrigarmos especialmente filhos e enteados pequenos a fim de terem o seu sono sagrado preservado. A receita do risoto seguirá em caráter extraordinário por e-mail para SALEM com muito gosto - mas somente depois que ele avaliar a fundo o projeto-piloto da Revista IMPERTINÁCIA!

    LUCESAR: A Revista IMPERTINÁCIA, uma revista web viva inspirada nesta OeP, e ainda em fase de concepção de seu piloto, que se constituirá numa República (do conhecimento conjugado com os afetos) sem pecado, sem perdão, sem Platão, e sem juízo final, um misto de blog, fórum de discussões e comunidade ou rede de relacionamentos virtuais, solicita currículo urgente, com vaga para apenas um pretendente, a fim de ocupar a vaga de responsável pelo canal no YouTube da futura publicação online, e o seu nome foi, por mim, selecionado por unanimidade.

    MARCOS LACERDA: Convidamos V. Sa. a se dirigir ao Orkut ou a algum outro lugar indentificável, nesse mundo virtual, fora desta infocaetanave, a fim de que possamos contar contigo pra avaliar e sugerir modificações quanto ao projeto do pré-piloto da IMPERTINÁCIA.

    ________________

    Pauta da Entrevista com a Estrela Argentina EXEQUIELA GOLDINI pra Rádio web IMPERTINÁCIA (a ser posta no ar antes mesmo da Revista de mesmo nome)

    Entrevistador: GILLIATT

    1. Para seu atual projeto, intitulado Canciones caseritas, que começou a divulgar pela web através do purevolume, além da belíssima e pungente I-You’ve Changed, que repertório adicional usted pensa agregar?

    2. É verdade que o Chiquito Buarque sugeriu que gravasse dele O Último Blues, com letra vertida para su lengua and sotaque portenho?

    3. É verdade que o infocaetanauta RoberTo Joauuudo, seu incentivador, empresário e principal amurado de sua vida, é um Peter Pão?

  84. Igor Lucas Adorno Santos disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 1:35 am

    Ele me mora em mim, ela disse.
    “HOMI, SWEET HOMI”.

  85. Edison disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 2:02 am

    Permitam-me uma palavrinha ainda sobre a questão do “sifu”: não concordo que a contração do pronome átono “se” com a abreviação monossilábica tônica do verbo foder, origine o vocábulo paroxítono “sifo”; pelas leis da fonética deveria ser “sifô”, oxítono, o acento realçando o verbo monossilábico cujo pronome se apóia. Mas se fosse escrito assim, ou, como sugere o Nando, “se fo…”, que impacto teria? que indecência os jornais venderiam?

  86. Rafael Rodriguez disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 2:06 am

    Hermano,
    esse bug(hora) deve estar relacionado a quantidade de pessoas comentando ao mesmo tempo.
    bj.

  87. Luiz Carias disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 2:25 am

    Democraticamente faland e lend os posts daqui, vê-se como se disvirtua um pensamento ou vários.
    Iniciou com a polêmica frase dita SIFU, ai ja adnetrou em temas como drogas, entrevistas, pensamentos jogados de qualquer forma.
    Em minha visão pessoal, creio que música não é pra se achar graça, mais sim conteúdo e arte, quendo Caetano leu, erebateu as críticas de LObão, achei o máximo, pois o Lobão não passa de uma pessoa invejosa, que não tem talento nem pra compor, nem pra cantar.
    Agora me pergunto o porque, o título da canção Lobão tem razão, ironia profunda, em cima da própria ironia de Lobão.
    Lobão teve a ousadia de dizer que Chico Buarque não tem graça, e o pior com o aval do Nelson Motta.
    Há alguns anos atrás Caetano disse, que era melhor que Gil, Milton e Chico juntos, creio que foi modesto e verdadeiro, e também o considero melhor cantor, compositor e intérprete.
    Algumas ironias de Caetano são obras primas, outras são jóias raras.
    Caetano qual o seu gosto musical, ou qual sua tendência musical…pois sempre grava de tudo, e tudo que grava fica bom, e todos gostam.
    Gostei da frase de Caetano no especial Som Brasil, onde Caetano diz que nunca foi unanimidade, sempre cada frase, cada gesto têm um grupo que sempre se cpontrapões, questiono, é inveja ou o quê?
    Meu Rio, Sampa,Menino do Rio, Rock´n Raul,Nu com a minha música, Menina da Ria,Onde o rio é mais bainao,Trilhos Urbanos,Tempo de estio, dentre muitas outras, são canções que representam cidades que Caetano canta e encanta, pois todas são lindas de se ver e ouvir, e a última delas, é do Cê Minhas Lágrimas e Lapa, são as últimas artes em progresso de Caetano.
    Agora pergunto diretamente ao Caetano que conhece e entende todos os gostos musicas do país, qual a diferença de levar a sonoridade de um transamba para o Brasil, e qual o melhor som que o Brasil gosta ou quer ouvir? É transamba, é rock, é axé, é pagode, é sertanejo?
    Pois de todas essas idéias malucas que relato aqui, creio que muitos se perguntam?
    Caetano sempre inova, e sempre redescobre novos tons, novos sosns e novos dons.
    è isso por hoje, grande abraço a todos, e o SIFU ainda renderá muita discussão.
    Luiz Carias.

  88. Pedro disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 3:07 am

    Mas então não deveria ser “sefo”?

    O problema de escrever “boceta”, por exemplo, é simples: não tem o mesmo efeito erótico da palavra pronunciada, porque quando a gente lê, soa o “o” e não o “u” de quando a gente fala.

    Quanto ao que o Lula disse, bem, ele já disse coisa tão pior…

  89. Julio Vellame disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 3:55 am

    Acabei agora de ler VERDADE TROPICAL.
    Fiquei com a mesma sensação que tive em “Interpretação dos Sonhos” de Freud.
    Sensação de pudor, de que um pequeno pedaço dos sentimentos e desejos é dita.
    Sensação de recalque de coisas ditas como idealizadas, sem confissão, com culpa.
    Assim como o primeiro livro de Freud (e ainda em maior proporção, claro) é uma biografia sem ser. Justamente a solução para esse recalque?

  90. Fernando Salem disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 4:19 am

    Oi Luiz Carias (não é o Farias?)

    cê disse assim:

    “Em minha visão pessoal, creio que música não é pra se achar graça, mais sim conteúdo e arte.”

    depois cê disse assim:

    “…me pergunto o porque, o título da canção Lobão tem razão, ironia profunda, em cima da própria ironia de Lobão.”

    Pronto. Caetano fez graça com Lobão. Música pode e deve ser pra “se achar graça”, em todos os sentidos da palavra.

    “Graça” é uma dessas palavras com múltiplos sentidos:

    Pode ser um “favor”. Uma benção. Um privilégio. Um agrado. Elegância e charme. Um chiste. Ou uma piada mesmo.

    Acho muita graça quando alguém me pergunta “qual é a sua graça”?

    Se graça pode ser nome de tanta coisa, por quê não seria nome próprio também.

    Música serve pra fazer graça sim! E se for “de graça”, melhor.

    Pó pará cum Pó tem graça (humor) com a graça de Deus.

    Arte é assunto sério, mas não é “sem graça”, não.

    besitos en la testuda

    salem

  91. Luiz Castello disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 5:19 am

    Voce é uma Contração.

    A língua portuguesa está repleta de contrações.
    Voce é a junção de duas palavras : vossa mercê,que o falar caipira transformou antes no gracioso vosmicê.
    Em boa hora virou embora.Desta arte, destarte.
    Na canção popular Edú Lobo compôs e gravou “Borandá”,que seria a contração de, em boa hora andar.

    O po para com pó é um forte candidato à uma nova contração ; Poparacompó.Uma jóia.

    A gramática diz que há perda de fonema,e eu digo que há o enriquecimento da língua com a criação de novas palavras.

    O sífo escrito com o,mas pronunciado com u, na paroxítona,é mais malandreado,mais carioca e cai melhor nos meus ouvidos.
    ______x______

    “Voce tem que tomar uma overdose de Jesús
    Injetar na sua veia o sangue que correu na cruz”.
    Achei isso legal pacas.
    Atrever-me-ia chamá-los de, “versos tropicatólicos”.
    _____x_____

    Joaldo meu poeta,
    Sôbre a questão das drogas,que você sábiamente trouxe de volta - e Caetano avalizou, ao OeP,num outro comment darei minha posição.

    Sabe que,quando eu lia o trecho do seu comment que diz -“(…)a. c. (que eu pensei que significasse “antes de Cristo”, e pelo Orkut se confirmou, pois disse ser alguém de um mundo de múltiplos deuses (…)”
    uma pergunta estalou na minha cabeça :

    Serão Os Deuses Internautas ?

    Um impertinaz abraço do Castello.

  92. teteco dos anjos disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 6:57 am

    “póparácumpó” é diversão. não creio que possa estimular o “uso” ou o “não-uso” de cocaína. tudo o que causa dependência física e/ou psíquica é feio, seja maconha, alcool, cocaína, tabaco, antidepressivos, até mesmo sexo. todo vício vampiriza e é total “rompe culhone”. palavra de quem já passou maus e maus e maus e maus momentos com algumas substâncias acima citadas.

    tais ondas de axé católico ou funk evangélico etc etc…não me comovem. nada contra. mas música com respaldo religioso que me acerta em cheio vem sobretudo da linha da Umbanda e do Candomblé. cresci ouvindo muito disso e coisas que ressoam temáticas evangélicas ou católicas são estranhas pra mim. quando o Rodolfo ( ex Raimundos) trocou as letras sobre putas pra falar de Jesus achei que ele perdeu a graça ( mais essa “graça” hein Salem?!)
    Nadinha contra Jesus também, com todo respeito, até acho que ele foi e é ainda um cara mal deglutido, mal interpretado, mal divulgado, apesar de todo aparato cristão mundo afora.
    mas, pensando bem, a música da Índia, via Ravi Shankar, tem embasamento religioso, meditativo, e me faz bem. o que ocorre, na verdade, pra mim, é que os compositores de hits católicos ou evangélicos são , perdão e sem ofensa, fraquinhos.
    “Se eu quiser falar com Deus” é Gil cósmico total religando-se ao sublime sem compromisso com nenhuma vertente religiosa, penso eu. é Gil zen. acho que por isso Bob Charles, bom católico, não quis gravar. Elis quis e ficou lindo. amo Elis e Robertão do jeito que eles são…maravilhosos.
    Mariana Aydar canta coisas da Umbanda e do Candomblé e fica tudo lindo de morrer. Caetano e Gil e Gal e Bethânia também. “Pai Véio Sete Um” de Bezerra da Silva é outra diversão incrível e de cunho religioso e bem humorada, cheia daquela poesia das quebradas, como só um gênio como Bezerra sabia fazer. “Mãe Menininha”, do Caymmi, me faz chorar e me eleva espiritualmente cada vez que ouço ou cantarolo. é um mantra. como “Porta Aberta” de Vicente Celestino. e tais músicas são lindas sem querer IMPOR nadinha, nenhum dogma ou lei ou regra. na verdade, o que me incomoda nos hits católicos ou evangélicos é essa imposição explícita ou latente…esse é o certo, isso é errado. acho isso um saco.

    beijos Labi, Alemão…e até pro Caetano, que não gosta mais de mim. mas eu gosto dele mesmo assim…

  93. caetano veloso disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 7:23 am

    Marília castelo Branco,
    concordo com toda a argumentação de Tom Taborda. E já escrevi aqui, em post, que sou totalmente a favor da descriminalização de todas as drogas. Não sei que conclusão você tirou de eu sugerir à turma do carnaval da Bahia que adote em seu repertório o “Poparacumpó”, uma música irresistivelmente boa para carnaval e que está estourada no Youtube. Sou pela legalização das drogas e amo a axé music.
    Um beijo.
    C.

  94. Vero (Uruguay) disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 7:55 am

    Caetano MÍO:
    Sifu?/Sifo?, no me incomoda, tampoco sé lo qué significa exactamente, tendrá que ver con “evacuar” o desocupar u ocupar alguna cosa, cumplir un “trámite”, o tal vez con sacar, extraer los “humores” viciados del ser humano?. Hoy me encuentro con el plafón bajo,…(Plafón: adorno en la parte central del techo de una habitación para suspender una lámpara) o sea, sintiéndome un poquito douw, con la lámpara al ras del suelo; y no estoy muy “brillante”…(poca luz, escuchándote cantar ESCÂNDALO, me encanta esa música, Caetano mío) como para comprender el sentido de sifu/sifo de Lula; en español,… me podrías desasnar?, es qué no he visto ningún tipo de Jornais ni de aquí, ni de allá, tampoco TV y no pude saber el contexto de la frase en origen. A veces y por lo general me abtraigo, del mundo para quedarme sólo con mi “mundo”. Es una necesidad que tengo, para liberarme un poquito del “peso”, de la “mochila” que me ha tocado cargar.
    Aquí lo más fuerte que le he escuchado decir a un presidente de la república fue: “son todos una manga de ladrones”, luego su mamá lo reprendió(resongo) en la TV; (Exequiela, quizás sepa a que me refiero, eso si que fue un incidente “frenéticamente infeliz”, que trasfiero con vergüenza ajena, pero entendible por lo temperamental, conocido ex presidente, más explicaciones de este incidente no vienen al caso y tampoco importan más, sólo lo menciono como forma ilustrativa).
    También tenemos, actualmente, un muy popular senador de la república que gusta mucho de la huerta, y acostumbra denominar cada tanto a algunos “periodistas”, cuándo después de formulada la pregunta(poco feliz) o en medio de disertaciónes …responde: “No sea NABO”,(no sea estúpido)…no sé el por qué de “agredir” al pobre, noble nabo, y agarrárselas con sus otros compañeritos crucíferos. Esto es hacer política?.
    Con respecto de lo dicho a lo escrito,o viceversa: “viado”(para nosotros español Yorugua significa marica o maricón). Marica(Hombre afeminado u homosexual); Maricón(Es el insulto grosero que se usa con un significado preciso o no). Se me “ocurre”que también pueda tener el mismo sentido o parecido al decir o escribir “veado”-“viado” “sifu”/”sifo”?.(Uno denomine, u otro insulte, me refiero a estos casos, para otros quizás una forma de modismo).
    “A verdadeira Bahia é o Rio Grande do Sul”,…ah! Caetano mío,…y un poquito más abajo?!podría…aquí por dónde me encuentro yo…bueno fue por culpa de los 33 Orientales, que no me encuentro más arriba (rs) http://es.wikipedia.org/wiki/33_Orientales, pero esto es otra historia. Por suerte igual llegaste!…en las casas(lojas) de venta de “discos”,llega bastante música de… sertaneja, axé, pagode, sambas enredo, rock brasileiro moderno, bossa nova, toda la “música brasileira popular”… MPB(Moderno Pop Brasileiro, es para evitarte el “odio”).(rs). Para mí é muito engraçado e profundo o odeio de vocês, me chega com muita “paixão”, nosotros no “odiamos” tanto,(utilizar la palabra),sino, que se acostumbra o al menos yo acostumbro más a expresarme con un(“detesto la denominación”…o también,(“que rabia me da…”etc).
    Caetano mío, creo ya haberte dicho que me gusta demais lo “ecléctico” que “hay” en ti.
    Si tu me dices por ej: Entao para a “moça” que assina “Vero”:(“ zii e zie não será ir mais fundo do que há no”Cê”, mais ir a lugares a aonde “Cê” não foi”). Eu te respondo:”si acepto”…con uma frase assim tan mmmhh! Subyugante…eu te digo: SIM ACEITO…você…é…tao…poderoso.(rs). Beijos desta vez…um poucos mais grandes…alí…no seu coração. Vero.

    Roberto Joaldo,
    Meu zefirocentáurico: haz puesto mi anomalía a funcionar …llegando a mi memoria sus palabras.., a tal punto lo que supo Montaigne de la amistad como un bien sublime y raro que, tras la muerte de La Boètie, su ausencia se convirtió para él en un desconsuelo irremediable. Cuando él cita a este respecto los versos de Catulo: “¡Oh hermano mío, qué desgracia el haberte perdido!/Tu muerte terminó con todos nuestros placeres./¡Toda la dicha se disipó contigo!/¡Contigo toda mi alma está enterrada!/(…)/¿No podré ya hablarte ni volver a oír el timbre de tu voz?/(…)/¿No podré ya verte más?”.
    Sólo un hombre como Montaigne, al que en grado superlativo le fue dado el “don de la amistad”, pudo haber escrito, años más tarde, un lamento como éste: “Si, de modo infalible, supiera yo de alguien que se acomodara a mi manera de ser, en verdad iría a buscarle por lejos que estuviera, pues jamás se paga demasiado cara la dulzura de una grata compañía. ¡Un amigo! ¡Qué verdadera la antigua sentencia según la cual es necesario y placentero que el uso del agua y del fuego”. (Ensayos escogidos).
    Montaigne no exagera. El acercamiento amistoso entre dos “almas” y el culto de ese vínculo a lo largo de los años, no son hechos menos enigmáticos ni menos venturosos que el nacimiento y el despliegue de un gran amor. Por lo demás, siendo obvias las diferencias entre uno y otra, las coincidencias entre el amor y la amistad rozan, en más de un sentido, la sinonimia. Creo que sea por esa “razón” que es tan difícil trazar con pulso firme cualquier frontera drástica que aspire a distinguirlos de modo absoluto.
    La anomalía me llegó hasta el alma, y cuando me sucede esto, se me dá por filosofar…porque me gusta creer y sentir que un “amigo”…es mi alma y la del otro en uno”. Animae dimidium meae (mitad del alma mía).
    Ah! Pero la alteritas del amigo no sería lo que es, en relación con nosotros, si la médula del vínculo no fuera la benevolencia o el bien querer, supedita el juicio crítico sobre el otro al tono inconfundible del afecto con que se manifiesta. En fin…to be continued!. AH! Será que vai parar o pó,? E aonde?…to be continued…Beijo. Ps: Yo encontré las negritas….rs

    Exequiela: Te escuchéééé, te escuché, te escuché!!, en “I-you’ve Changed”, los you por I…”sutil” llegaste a mi anomalítico corazón…y con tu ronroneante “voz” te quedes para siempre en mi hueco musculo…sigue adelante que tu lado “leodulceferina” es muito gostoso!. Beso.

    Lucesar!!: Muito obrigada pelo “presente chiquito e sabroso”, óbvio que gostei demais, sendo do meu querido “Caetano”, sempre é e vai ser meu “melhor presente”.(Todo dele); Graças por La deferência!. Beijo grande pra ti e na tua videomusicalidade.

  95. caetano veloso disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 8:06 am

    Dimas Roque, que maluquice! Você não leu alguém contando aí quanto palavrão eu falei no palco do Canecão? Falo palavrão, gosto de ouvir palavrão e protestei contra o fato de que os palavrões (palavras relacionadas a sexo) são maltratados pelos cafajestes moralistas que pensam que se trata de palavras sem história. Acho falta de educação um presidente dizer que tem “aquilo roxo”, ou “sifo”, ou xingar como Ciro Gomes fez quando candidato. Mas não ligo muito. Não gosto é de ver erros de português serem perdoados só por se tratar de palavrão. E o pior de Lula foi ele dizer que vem mentindo para o “paciente”. E todos rirem. Obama disse que a situação está mal e que vai ficar pior. O que Lula disse foi que se ele fosse dizer a verdade teria de dizer que o Brasil “sifo”. Mas que não se diz isso a um paciente em estado grave. De repente, do otimismo da “marola” e de “o Brasil está blindado”, passamos a “o Brasil se fodeu”. É chato.

  96. Nando disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 8:31 am

    Caetano levou menos a sério a “proposta” da canção do que eu supunha.

    De fato, tudo ali é uma piada. O que não quer dizer que o tema abordado o seja, obviamente - como grifou com precisão a Marília, acho que todos concordamos quanto a isto.

    A expressão precária da relação entre entre religiosidade e droga não precisa nem deve ser tomada como definitiva. Há algo mais aí.

    Acho que aqui o tema não vai adiante, mas ainda assim queria registrar que os “versos tropicatólicos” citados pelo Luiz Castello encerram um verdade profunda e complexa referente a um tipo de conhecimento místico normalmente restrito a pessoas que se debruçam sobre estes estudos. A relação entre droga/veia/sangue na cruz encerra uma verdade profunda dita como piada.

    “There’s more to the picture than meets the eye”, nos ensinou Neil Young.

  97. Ângela Fontana disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 10:25 am

    Descobri o Obra em Progresso só agora e vejo que andei perdendo coisa boa. Ainda bem que existe arquivo em blog.

    Sobre o “sifu” e sobre essa mania de resumir palavras de forma indecente, concordo com tudo. E falando em escrita de palavras me lembro da nossa questão atual com a reforma ortográfica. Talvez já tenha escrito algo (não fucei o blog ainda), mas gostaria de partilhar um texto de umas oito linhas http://angfont.blogspot.com/2008/09/reforma-ortogrfica.html

    Bem, quero dizer que é uma delícia ter você aqui na varanda da minha casa falando de arte, do que gosta, de coisas boas que andou presenciando,expondo seu pensamento tão próximo.

    Também desejo ir ao show do Radiohead. Adoro o Radiohead. Adoro o timbre vocal puro e anêmico do Thom Yorke. Será que é isso que tem de Minas lá?

    Abração!

  98. Fernando Salem disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 10:36 am

    Caetano é homem da palavra e também dos palavrões.

    Não sei direito o que faz de uma palavra um palavrão. Apenas os aspectos pútridos, escatológicos ou genitais?

    Acho que não.

    Caralho é palavrão, pênis não é. Ligar o nome à coisa, portanto, não faz de uma palavra um palavrão. Deve ter a ver com sua origem, portanto com a autoria e o local. Daí, o preconceito.

    Presídios, putarias e favelas devem ser o berço esplêndido dessas palavras espetaculares. Tão espetaculares que ganharam o aumentativo e não o diminutivo. Não são palavrinhas!

    Como o autor, sempre usou e muito bem os palavrões nas suas canções.

    Cu do Mundo e Merda são canções com palavrões em seus títulos. Mas reparem: ambas se referem a um uso bem específico das expressões.

    Alguns versos do caralho:

    “Ah! Puta de uma outra esquina”
    GIULIETTA MASINA

    “Colheu, esticou, encolheu, matou, furou, fodeu”
    PERDEU

    “Veados americanos trazem o vírus da AIDS para o Rio no carnaval”
    AMERICANOS

    “Depois de arrebanhar o marginal, a puta, o evangélico e o policial”
    HOMEM

    “A minha luta foi exibir uma vontade fela da puta de ser americano”
    ROCK’N'RAUL

    “E quando for trepar sem camisinha…”
    HAITI

    “Me deixa gozar, me deixa gozar, me deixa gozar, me deixa gozar”
    NÃO ENCHE

    “Onde queres o ato eu sou o espírito, e onde queres ternura eu sou tesão”
    QUERERES

    “Índios e padres e bichas, negros e mulheres e adolescentes fazem o carnaval”
    PODRES PODERES

    Caetano já deu muitas dentadas na maçã da luxúria. Por isso quando fala do sifu do presidente, fala como conhecedor da língua que escreve e lambe.

    Pra falar a verdade, nem liguei muito pro sifu do presidente grafado como foi. Diria que “caguei” pra isso.

    Fiquei mais chocado, como disse anteriormente, por ter descontraído uma platéia sobre a morte de brasileiros.

    Mas entendam: há palavras, palavrinhas, palavrórios e palavrões. E elas são ditas e escritas. Caetano, atento ao modo em que são grafadas, interpreta o conteúdo e o sub-texto embutidos nelas.

    Uma tarefa do grande cacete.

    chupadas na testa!

    salem

  99. Marilia Castello Branco disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 11:13 am

    Caetano querido;

    Não tirei conclusão nenhuma…! Até porque acho que conclusões são “verdades”, são “definitivas”: a conclusão encerra a conversa. Peguei mais como pro-vocação (mora na etimologia!), estímulo para o pensamento e a palavra.

    Não sou contra nada, não sou contra o que não gosto ou o que não concordo. E isso também é parte da sua influência nos meus anos de formação. Meeeeu! Eu tinha sua foto na porta do guarda-roupa, cercado de estrelinhas. Meu tesão de menina era todo pra você (tá, eu te traía com o Gil, o John Lennon, dois Rolling Stones, o Claúdio Marzo, aquele bonitinho da novela, o Dennis Hopper, o Romeu do Zeffirelli… nesse meu panteão juvenil você, saltitante, era uma espécie de Mercúrio), mas isso foi antes de surgirem os meninos reais e seus desejos bem concretos.

    A sua posição quanto às drogas ilícitas é pública, libertária e corajosa; eu a admiro e compartilho em grande parte. Por isso não entendi a princípio sua colocação, e esse não entender me provocou, fez pensar e escrever. Em tempo: concordo com o que você diz sobre o álcool, de longe a droga mais perigosa e, juntando todas as consequências dela, nosso maior problema de saúde pública.

    O Poparacompó me incomoda de maneira parecida com o sifo/sefo de Lula incomodou outras pessoas aqui: por vir de uma figura de autoridade. É financiada pela grana da igreja católica, “que vê tanto espírito no feto e nenhum no marginal” e costuma meter o seu bedelho torto em assuntos sérios de saúde como o uso da camisinha. Vinda daí, soa perversa e desrespeitosa. A maioria das igrejas é moralista e dona da verdade; enchem o saco (quando não atrapalham, e muito) quanto ao o tratamento dos dependentes. Sou mais a posição dos AAs e NAs da vida, pois funcionam com base na fraternidade e compaixão.

    Mas a sua frase acabou por me fazer pensar que a apropriação dessa música pelas ruas, sendo pulada libertariamente pelos novoriche e os velhopobre (sou paulistana, às vezes prescindo dos plural), pelos cheiradaços, bebaços, chapados e caretaços, é um jeito de desconstruir a lógica perversa que a ela subjaz. É não é isso o Carnaval, a inversão da lógica do arquétipo patriarcal?

    Logo mais eu volto pra falar sobre espiritualidade, drogas e cultura, que aqui tá cheio de gente interessante me pro-vocando.

    Mas vou realizar um sonho de menina:

    Te beijo na boca, Caetano Veloso!

    Marilia

  100. Giovanna disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 12:33 pm

    Este blog é um oásis em meio a tanta porcaria que circula pela internet. Adoro suas idéias!

  101. monika neves disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 1:05 pm

    Oi Caetano!!Sou fanzona sua ha muitos anos,desde o inicio da sua carreira.Tenho vários discos seus aqui em casa e sempre que tenho tempo ouço.
    Como voce e outras pessoas ai em cima ja colocaram não sou a favor da modificação das palavras, o que alguns chamam de neografismos.Se continuar dessa forma breve teremos uma nova lingua em solo brasileiro,se é que ja não a temos principalmente entre os mais jovens.
    Quanto a fala do presidente da república na hora em que vi no jornal nacional não acreditei de imediato no que ouvia.Aquele discurso ficaria ate estranho entre amigos intimos, quanto mais em público, na frente das cameras de televisão.Pelo cargo que ocupa atualmente Lula deveria medir melhor a força de suas palavras e as consequencias delas.Não fica nada bem a pessoas que ocupam cargos ou funções de destaque, sejam elas politicos, artistas etc… estarem com certos comportamentos ou falarem palavras consideradas inadequadas em público, pois isso repercute na midia e de forma desastrosa como foi o caso.Lula ao que parece esquece disso na ansia de se fazer popular, de se fazer compreendido pela população em geral ou até engraçado quem sabe??.Esquece também que um discurso pode ser simples e de facil compreensão a todos sem a utilização de palavras chulas, que agridem uma parcela consideravel da população que ele governa.Um abraço de sua fã soteropolitana

  102. vonaldo mota disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 1:25 pm

    caetano sem querer ser insistente, apesar da pesquisa de paloma, a pergunta persiste: onde vc ouviu/ viu a risada de andy wahrol? fale-me sobre moça de vando.

  103. Marcelo disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 1:25 pm

    Genial a observação que a música do Radiohead é líquida!! É a coisa mais original que já ouvi sobre da música deles.
    Também interessante a auto-observação de que és seco! Nossa! Temos aqui panos p manga! Vai um molhinho?
    Imagina os discos na loja classificados em liquidos, úmidos, secos, gelatinosos e gasosos! Até seria interessante: Maria Bethania com Pearl Jam nos gelatinosos, Benjor com Coldplay nos úmidos, Ney com Bjork, Uakti com Air?
    Quem não iria gostar seria o Secos e Molhados!!
    hehehe
    Eu fui de Manaus pro seu show Obra em Progresso no Rio e agora vamos juntos pro Radiohead.
    Um abraço do norte.

  104. joana disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 2:47 pm

    Rafael!

    que legal sua história com CÊ! bom janeiro p’ro cê…
    lonas!!

    eu vi o Cê de convite liberado por conhecido querido , em POa, qd estreou fora do rio, pós TIm. acabei encontrando meu ex-cunhado e minha 1ª prof de yoga e foi uma interessante experiência, pq já havia vivido com eles coisas boas. as luzes lindas, o show lindo, mas descobri que o lugar (muito usado em grandes shows)tem um som péssimo.

    Joaldo

    …já tou ficando com fome desse risoto. amo esse 7 grãos. se vc for me contando mais de sua Bahia, quem sabe consigo ir chegando? inda mais agora que Glauber abriu esse precedente da filharada incluída. sabe, sempre tive muitas dificuldades de locomoção com minhas gêmeas, desde bêbes, era carro prum lado, bolsa pra outro, mil mamadeiras, as pessoas nos parando na rua pra vê-las, a cada quadra…e nem são iguais, era curiosidade mesmo, uma fugindo prum lado a outra pro outro…um esforço imenso, mas amo qd tudo se abre pra elas. descobri ontem que uma delas dá nomes pras suas pintas e marquinhas. fui olhas umas pintinhas e ela começou: não mexe nessa, é a Naguro.essa também também não. deixa a Yoshumi em paz! rindo da minha cara.

    Vero!!!!

    estou rindo até agora da sua percepção a respeito da “moça que assina…”!!
    minha mente as vezes fica fechada na pergunta e resposta que nem percebi o que essa frase pareceu!
    vc percebeu o que me “disse” Caetano?

    minina, ri muito!

    “tá bom, direto e claro desse jeito, não há nem o que contestar.” rs rs

    Pedro

    pois eu, sinto erótico qd leio boceta, e chulo e sem graça qd leio buceta.

  105. Luiz Carias disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 3:30 pm

    Ola Sr. Salém, creio que não entendeu meu post sobre graça em canção.
    Estava rebatendo um post de alguém que dizia que não via graça na canção tarado ni você.
    Toda bela canção tem essências profundas de arte, graça,poesia, e poucas canções são para cultos, intelectuais, etc.
    Agora a graça a que me refiro na canção, é de fazê-la rir, tarado ni você, não é para rir, talvez Lobão tem razão seja, ou até em Totalmente Demais, é pra se rir, porque tem graça.
    Acho o maior barato em postar aqui, e receber diferentes visões de minha maluquisse, muitas vezes ironicamente questionada de forma agressiva, ou de forma contestada.
    É muito bom, ainda mais depois que li que Caetano disse que internet é um bando de malucos comentando seus pontos de vista e que blogs como estes são o paraíso.
    Hoje vi no uol que foi postado neste blog as duas versões de Incompatibilidade de Gênios, com versões a serem votadas via blog, ou via net.
    Qual seria o próximo tema a ser abordado, Lapa, Rio de Janeiro, pois li um comentário no Blog do Vocalista Tico Santa Cruz do Detonautas, que o Rio não passa de ficção que se vê em novelas, pois a realidade é muito diferente do que se passa na tv, a realidade é cruel, e curiosamente ele diz também que acredita que alguns seres humanos possam ser Et´s.
    Maluquisses a parte, fico com minha maluquisse atenuada e vibrante.
    Lobão não tem razão e Salém tem razão em partes, por me expressar mal, ou não dar a tonacidade que queria a meu comentário.
    Por hoje é isso, grande abraço ao Hermano, ao Caetano e em especial ao Salém, que leu meu post, e me ajudou a vislumbrar outra forma de resposta a minha ironia.
    Até breve, Luiz Carias.

  106. Luiz Carias disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 3:38 pm

    Agora queria comentar sobre uma canção a mais forte e que me marcou de uma forma diferente, pois é uma canção forte e real, que fala um pouco do que comentei em meu último post sobre o Rio.
    A canção se chama Perdeu, é nova, está aqui, é profunda, bonita, e têm tudo a ver com a realidade das favelas do Rio.
    O Jovem mau sai do mamilo da mãe, já está com armas na mão, defendendo o que pra ele é correto, tráfego de drogas, de armas, etc.
    Saiu um novo filme nacional que aborda esse tema, porém me fugiu o nome, mais creio que a nova canção caberia como uma luva no filme.
    E nesta canção Perdeu, Caetano relata direito o sentimento intenso da família que cria, e perde o ente querido, o filho amado, porém essa dura realidade têm de ser revertida, pois cenas como a canção de Caetano são a de países mulçumanos, que se vê crianças com armas de guerra e prontas pro combnate desde meninos.
    Estamos perto de ficar assim no Rio, pelo menos é essa a visão que a tv nos passa de fora, e que alguns artistas comentam de forma explicíta em sites, blogs, revistas.
    Queria saber se há uma previsão de lançamento do cd e dvd Obram em Progresso para o ano que vem?
    Estou curioso pra ver o resultado tanto do cd, como do dvd, e a música mais notável aos ouvidos que achei do show no geral, é Sem Cais…é linda, poética, e faz bem aos ouvidos.
    è isso, abraço a todos, Luiz Carias.

  107. graziela disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 4:13 pm

    Oi, Caetano:dou toda razão a você quanto ao “sifu”; autores, escritores e jornalistas só escrevem como se fala a fala de quem eles consideram incultos,ou qualquer outra coisa;deveriam ,então, também copiar para a escrita o som da fala deles- como ,por exemplo o esse carioca com som de xis- e os outros bons exemplos que você citou. Quanto ao “veado”,será que o viado não veio da palavra”transviado”?Acho mais lógico do que sacrificar o belo animalzinho!Nesse ponto,eles estão escrevendo certo, mesmo sem saber ,porque tenho certeza de que acham que viado vem de veado,animal.Abraços,e parabéns pelo interesse a nossa tão judiada língua!(coisa rara!)

  108. Marcos disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 4:20 pm

    caetano, vc é muito engaçado. hehehe

  109. Julio Vellame disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 4:32 pm

    OBAMA disse que a economia ia piorar por dois motivos óbvios:

    - ele não é presidente ainda.
    - está se desculpando previamente pelo fracasso.

    Muito mais feia que a postura de Lula que de fato não sabe bem os reflexos da crise de crédito no Brasil.

    Existem sim informações sigilosas, quem lidera um grupo (ou mesmo tem filhos) sabe que omitir pode ser sim em favor do próprio grupo.

    João Ubaldo foi o primeiro que lí falando o óbvio em relação a Obama. Não tem nenhuma importância ele ser preto (e acho que deve passar o mandato todo provando isso). Ele e primeiro lugar americano e em segundo democrata e protecionista. E já deu pistas de quem nem as vantagens desarmamentistas virão.

    CAETANO, apesar de não responder, vc está sempre respondendo ao que está na minha cabeça.

  110. glauber guimarães disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 4:35 pm

    ok, viva! “poparacompó” no carnaval…que dura, sei lá, uns 5 dias? e nos outros 300??

    explico:
    acho cruel essa idéia de que salvador seja um balneário onde nativos acéfalos e hospitaleiros estejam sempre prontos a entreter.

    nas minhas viagens por outras partes do brasil [pra tocar] era comum ouvir “puxa, você nem parece baiano!”. caramba, isso é muito chato, sabe o que queríam dizer, desastradamente? que eu não parecía baiano porque era inteligente! jeeezzziisss…

    acho que caetano tem a melhor das intenções, mas às vezes suas idéias servem pra que tudo fique como está. livros, minha gente, livros!

    ………………….

    sifu? sifo? see thru…

    ………………….

    caetano, hermano, salem e todos,
    um grupo de hip-hop de salvador que mistura as influências de fora com as raízes afro-brasileiras, baianas e tal…muito interessante mesmo, têm chamado a atenção das pessoas aqui:

    http://www.myspace.com/opanije

    ………………..

    simbóra, meu povo!

  111. Nobile José disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 4:35 pm

    lula é aquele cara do boteco que comenta o futebol, é o barbeiro que conta sua vida, é o personagem do homem do povo. por ter origem popular, ele fala o que as pessoas querem ouvir. da diarréia do mercado financeiro ao “bush resolve sua crise”.

    uma vez num congresso do pt, quando eu ainda era petista, em bh, lula chegou no minascentro (era 2000) pelo meio do povo. falando com todo mundo, imprensa etc etc. lá pelas tantas, já no palco, uma pessoa da platéia lhe entrega uma vasilha com farofa. enquanto alguém discursava, ele mandou ver, ali, na frente de todo mundo, a tal da farofa. na hora pensei: esse cara é doido, sair comendo assim uma farofa sabe lá de quem, como que foi feito, etc etc.

    mas lula é assim: a cada “gracinha”, sua aura mítica aumenta, apesar de ele se parecer tão comum. parece um meta-consumismo às avessas. tipo a volta à moda das havainas. o básico chique. um pop límpido.

    coloca a escrava que falava francês no chinelo.

    sifu? que nada. lula é safo…

  112. glauber guimarães disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 5:06 pm

    em tempo:
    os 60 dias restantes são o limbo pré e pós carnaval. são vitor martins das causas impossíveis, venha me valer…

  113. Nando disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 5:35 pm

    Engraçado. Todo mundo tem responsabilidades e obrigações inerentes às funções que desempenha. Lula, não.

    Acho que ninguém aqui gostaria de ser operado por um cirurgião trajando bermuda, camiseta, mascando chiclete e com um boné com a aba virada para trás. Este comportamento é estranho à profissão.

    Não bastasse o português ridículo, temos que aguentar também termos chulos. Lula pode tudo, porque “fala a língua do povo, que todo mundo entende”. Então sou obrigado a ouvir “pobrema”, “menas” e outras pérolas. Todo mundo precisa de qualificação, ralar em supletivo, cursinho, faculdade, obter inúmeras especializações para, quem sabe, conseguir ter uma vida um pouco mais confortável. Lula, não. Ao contrário, se orgulha de não gostar de ler (talvez por saber que teria muito trabalho em aprender a interpretar um texto antes. E em time que está ganhando não se mexe, não é mesmo?).

    O cidadão Lula pode falar como quiser. O presidente, não. Se eu estiver num ambiente e ele entrar eu me levantarei e o tratarei por excelência. Independente do seu desempenho à frente do governo. Exijo respeito porque me comporto de maneira respeitosa diante de uma autoridade. Trato os mais velhos por senhor(a), assim como a meus pais. Nunca chamei professor pelo nome, mas por professor(a) fulano(a). Os chamava pelo nome quando saíamos para tomar cerveja; em sala de aula, nunca. Informalidade não é o mesmo que falta de educação.

    Que ele tenha idolatria pelo poder que desempenha, paciência, é a viagem dele. Que ele não tenha a mínima consciência do papel que desempenha (afinal de contas, seu nome estará para sempre nos livros de História) é ultrajante. Tenho vergonha dele.

    Ainda assim, ensino a meus filhos para que o tratem com respeito. Respeito que ele não faz por merecer. Até porque eles (de 7 e 5 anos) falam um português mais correto que o nosso Excelentíssimo Senhor Presidente da República.

  114. eXequiela - TransCe disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 5:38 pm

    Puxaaaaaaaa. Cuántos mensajes!!! Para entender “algo” debería leer todos (algo que hago siempre) pero ahora no puedo leer todo lo acumulado. No entiendooooooo. No entiendooooo. Sifu? Axe católico… y hay alguien que me quiere dejar gritando: “no entiendooooooo”. Todo bien, puedo vivir sin entender (yo puedo, yo puedo!)

    LeAozinho….
    Qué es eso de: “A concisão quase saxã do “Cê” não se encontra em meus textos de antes nem de depois desse disco. Mas é porque eu não quero.” Te imagino diciendo: “no quiero, no quieroooooooooo, no quierooooooo” Por qué no querés? Por queeeee? (No entiendo).

    Estoy assim: con una rabia!!!!!!!! No pude ver a mi ídola: MADONNA!!!! Tenía entradas y suspendieron la función. Ayer me fui a cambiarlas y no había más entradas. AY!!!!!!! Qué dolor!!!! Madonna es mi ídola desde que tengo alrededor de 10 años. Ya la vi hace muchos años en un recital acá en River (un estadio para 60 mil personas). Estaba viéndola en el campo (parada) y me desmayé: me alzaron y todos los bracitos solidarios me pasaron por arriba hasta llegar a la enfermería. Ja-HAAAAAAAAAAAAAAAAAAA. No fue que me desmayé de emoción, tuve una lipotimia porque estaba deshidratada. Es que era pendejita, viu? En esa época no sabía que me deshidrataba con tanta facilidad. Ahora sigo siendo pendejita en muchos aspectos pero siempre con una botellita de agua en la cartera en caso de emergencia. La vida es tan sorpresiva… uno nunca sabe cuando nos va inundar la calorina. Estemos preparados! Madonna para mí representa a una liberación femenina (y masculina) necesaria…. especialmente cuando se trata de la liberación corporal y sexual. Muchos pueden ver al arte de Madonna grotesco. Ejemplo: video Erotica [...I´d like to put you in a Trance…] http://www.youtube.com/watch?v=H5V6qLb8744 Yo pienso que es necesario de lo grotesco para producir revoluciones y fijar ideas y conceptos en el consciente o inconsciente colectivo.

    Leyendo el mensaje de Marilia… pensé en lo difícil que es “ver” a los ídolos de cerquita. Este blog para mí es: “ocaso de un ídolo” Ojo: puse “un ídolo”, no puse “ocaso de Caetano” u “ocaso de leAozinho” Se entiende la diferencia?. Cómo hacemos para que o LeAozinho no sea nuestro fetiche? Lo leemos por unos meses en este blog y listo! Todos tendemos a convertir a los ídolos en espejos y a idealizarlos e identificarnos con ellos (al igual que idealizamos a nuestros padres en algún momento? transferencia?). Por definición, idealizar es: “Creer o representarse la realidad como mejor y más bella de lo que es en realidad”. Es fácil idealizar de lejos…. y difícil ver la realidad de cerca. Más difícil aún darnos cuenta de que sólo vemos lo que quiere mostrar o leAozinho y está bien que así sea. Acerquémonos si queremos pero conscientes de que podemos sufrir el efecto “ICARO”. Yo que sueño tanto (dormida), tuve unos sueños recurrentes en los que veía a leAozinho en un teatro de Bs As (Gran Rex) en primera fila (la única vez que lo vi fue de muy lejos) y todo era feo. No lo podía ver bien y lo que veía no me gustaba. En fin… ahora no sé si cuando venga a Bs As voy a comprar entradas para primer fila. Si lo hago, me llevaré protector solar 100 (mi piel es muy sensible!) anteojos solares (sufro de fotofobia) y dos litros de agua mínimo!.

    Este fin de semana fui a un casamiento y me acordé de ustedes brasileriños!!! Saben que en todos los casamientos “típicos” de acá… se baila el “carnaval carioca”? Esto ocurre casi al final, siempre alrededor de las 4 am…. de carnaval carioca no tiene nada porque se mezclan canciones brasilera (la que dice: pe pe pe pe pe peeeeeee es infaltable) con canciones del tipo: Bombón asesino. Esta última le tiene que gustar a Labi y se la quiero dedicar a ella y a todos los bombones asesinos, insaciables y masticables de Obra em Progesso: http://www.youtube.com/watch?v=jpsRsCF_0Vk

    Lucesar es uno de los bombones!!!! Vieron el video que hizo con las imágenes del blog?. Lindo, lindo!!!!!!!!

    Gracias hermana rioplatense. Besoooos! (quiero leer lo que decís sobre la amistad con más tiempo…. me interesa muchísimo)

    Al querido entrevistador:
    1. Para seu atual projeto, intitulado Canciones caseritas, que começou a divulgar pela web através do purevolume, além da belíssima e pungente I-You’ve Changed, que repertório adicional usted pensa agregar?
    me gustaría, entre muchas: danca da solidao, summertime, this masquerade, alguna de los beatles, y será que puedo cantar alguna de Caetano Veloso?… todavía no encontré ninguna que sienta que me sale mínimamente bien. No entiendo, no entiendooooooooooooo!
    2. É verdade que o Chiquito Buarque sugeriu que gravasse dele O Último Blues, com letra vertida para su lengua and sotaque portenho?
    Sí, 100% verdad. Los deseos de Chiquito, son órdenes para mí así que será grabada a la brevedad.
    3. É verdade que o infocaetanauta RoberTo Joauuudo, seu incentivador, empresário e principal amurado de sua vida, é um Peter Pão?
    Hmmm… ahora que lo pienso: eso podría explicar muy bien este sentimiento de pedofilia que he estado teniendo últimamente. Aguarde para esta respuesta! Estoy muy cerca de comprobar que Joauuuuudo es el auténtico Peter Pão.
    *************
    Conocen a la cantante española Bebe? Bien vale la pena unos minutos de atención para conocer a esta mujer increíble. Acá va el link (especialmente para Joauuuuudo): http://www.youtube.com/watch?v=cMY8dpqtX1Q
    ************
    PD: qué útil aprender cómo se dice beso en la frente en portugués.

  115. gil disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 5:53 pm

    Pois é, Caetano tem razão, é chato…mas o Lula é o seguinte…ninguém sabe mais do Brasil que o Lula, é difícil ter que dizer isso por mil razões, mas se a gente quer mesmo falar do que Lula diz, a gente tem que falar do Brasil. Lula hoje é a única voz do Brasil na midia ( quem mais? cadê? quem se habilita a encarar?) e ele usa a midia como ninguém, está lá, todo dia do lado de cada brasileiro, juntinho…e ele sabe que a midia dura o dia, na frequência que ele trabalha que é a frequência da midia diária, o que se diz hoje não precisa ser o que se dirá amanhã, até porque ninguém sabe nada…e nós daqui muitas vezes somos reféns do casino dos negócios. O Lula interpreta, ganha o espaço…e provoca a inteligência do país que, fica aflita, com razão, e esperneia. Uma vez Guilherme Araújo em Nova York disse que o Brasil ficou com a vulgaridade, a esculhambação é um traço que às vezes parece que se amplia, Lula fala a língua do populacho quando quer. São tantas contrações que acabou no presidente: sifo ( como quer Caetano e como deve ser portanto), diarréia…o presidente é o melhor espelho do País e do que ele quer e como quer. A análise do que o Lula quis dizer só Caetano interpretou, mas o que fica é o sifu e a diarréia, pronto…não tem espaço para senso crítico, todo mundo quer satisfazer…desejos. Olha…são muitas emoções…

  116. paloma regina, rio disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 6:23 pm

    “Tudo acabou em 11 de novembro de 1991. O Pasquim ’sifu’ com 22 anos, ou seja, uma idade provecta, dadas as condições insalubres nas quais existiu: AI-5, tortura, censura – aquelas coisas. Ah, não adianta correr pro dicionário para sabe o significado de sifu. Trata-se de criação de Luis Carlos Maciel, e passou a ser utilizada na linguagem diária, ao lado de modismos como “barato”, “curtir”, “sarro” e outros vitupérios devidamente cifrados como nusfu e duca. Com a censura não se brincava.” ava?

  117. Vianna Vana Caravana disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 6:32 pm

    Quem não quer foder ser fodido ser o foda?Mas é feio fuder com alguém ser fudido por alguém ser um fudido.Há sim Caetano diferenças significativas entre os verbos foder e fuder.As instituições (imprensa e governo, no caso né?)que há muito só pensam em riquezas e misérias como valores conjunturais e bem lulametaforizados pop-politicamente tem mais intimidade com o verbo Fuder que com o Foder.E densificam no povo a idéia vulgar de que com grana um ex-fudido pode comprar até uma boa foda.Eu prefiro continuar um fudido mas ter alguem que me clame:-Me fode;-Deixa eu te foder.Não é delicioso?Romantismo já!

  118. Roberto disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 6:51 pm

    Caetano, fiquei sem entender a seguinte afirmação sua que saiu na Ilustrada do dia 8:

    “Em um mundo que o que vende é valorizado, é uma piada que o Radiohead seja considerada a melhor banda de rock do mundo.”

    Como assim?!

  119. gil disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 7:10 pm

    Em tempo, as generalizações que usei não se referem a Caetano, é lógico, que sempre encarou e que sempre teve a coragem, que nos faltou muitas vezes.

  120. Gravataí Merengue disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 7:18 pm

    Andy Warhol - pus o comentário a seguir no post correlato, ou seja, o de baixo, mas ninguém o leu porque logo veio esse. Reitero:

    Gravatai Merengue disse:
    Dezembro 7th, 2008 at 1:38 pm

    Paloma, estou no hotel, em Buenos Aires. Nao consigo ver no Youtube, mas pelo visto ha ai uma preciosidade. Quando a Warhol rindo, bom, nao se trata de algo tao raro. Veja:

    http://blog.lehighvalleylive.com/events_impact/2008/07/medium_andy-warhol.jpg

    (foi uma busca rapida no google - termos basicos)

    Abs

    :)

    —————–

    Exequiela: no pacote que comprei para Buenos Aires (fui para acompanhar uns amigos), vinha ingresso da Madonna, para domingo. Se me avisasse, daria o meu. Acabei nem usando.

    —————–

    PóParáComPó: a música foi feita pela própria Igreja (no caso, por seus integrantes - assim como as canções do Padre Marcelo). Não faz sentido, agora, alguém em nome da mesma fé católica não permitir que a canção se propague sob qualquer que seja a alegação.

    —————–

    Lula: Ele conhece tanto o Brasil que até faz mutretas como bom brasileiro, abraça Sarney et caterva e a miséria intelectual dos que dogmaticamente o defendem não permite que haja uma única crítica ao Mito em qualquer que seja o espaço. Não, ele não dominou “o Brasil” (ainda bem). Ele dominou “alguns brasis”. Não “tá tudo dominado”. Claro que, em vez de fazer algo mais útil, Lula preferiu passear nos “anos vagos” entre uma eleição e outra, às custas da verba partidária do PT, que preferiu ter um Messias.

    Num sistema não-messiânico, o candidato que perde é substituído na eleição seguinte por outro e assim por diante. No sistema messiânico não tem disso. O cara é mantido pela verba partidária e é tratado como o Salvador - tanto que seus comparsas se lançam à fogueira para preservar a figura do Mito.

    E os outros - gratuitamente - jogam a si próprios nas chamas do ridículo para salvar o mesmo ser mitológico.

    —————–

    EUA: Nenhuma outra força política agregou tanto os valores norte-americanos quanto a de Lula. Embora ostente publicamente a imagem estética de esquerda, e traga consigo companheiros sindicalistas, Lula pôs em prática - no mercado - a mais severa política neoliberal.

    Para o bem ou para o mal (e vejo, muitas vezes, que foi para o bem). Quando impôs a cobrança previdênciária sobre os inativos, coisa a que nem os do PFL se atreveram, notei que ele iria longe.

    Quando contratou a Blackwater (procurem o que é isso no google), dava para se ter uma idéia da distância imensa entre a mesa de boteco e a “realpolitik” do Planalto.

    —————–

    A absolvição do Paulinho da Força é o “Brasil de Todos”, esse do slogan criado por Duda Mendonça. O mesmo Duda que elegeu Lula em 2002 e, depois, disse ter recebido dinheiro em contas no exterior por meio de operações realizadas por Luis Favre (atuando sob o nome real: Wermus).

    Não basta conhecer o Brasil, é importante conhecer Caymann, não é mesmo?

    —————–

    Sifu? Sefô? Isso é tão pequeno perto do tamanho do buraco…

  121. vonaldo mota disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 7:20 pm

    não gosto de palavrões, acho que deveriam se chamar palavrinhas, ainda mais quando são usados como virgula. fazer o que?

  122. César Lacerda disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 7:38 pm

    Engraçado esse papo esquisito de drogas, negros, música popular, língua, religião… Este preconceito velado que tem no Brasil.
    Sinto que existe um forte fetichismo brasileiro pela coisa (norte-)americana. Uma compra de valores meio sem sentido, cafona, que intensifica essa moral (ou falta dela).
    Sou da turma que acredita nas vantagens do governo Lula. Que sente uma espécie de esperança no ar. E isso é muito importante, sobretudo, quando se tem 21 anos. Acredito -prefiro acreditar- que o período de mudanças que o mundo vive, ou precisa viver urgentemente, é algo maravilhoso. Adoro pensar que finalmente, o mundo ganhou um status de escolha. Que cabe a cada cidadão do mundo fazer suas escolhas, fazer política, fazer opinião, desfazer e refazer o mundo. ‘Inda que isto para muitos soe como utópico, jovem, inflamado… É este o norte, ou o “extremo sul”.
    Reclamar tem sido uma prática muito anacrônica. Parece ser melhor fazer.

    ——————————————————-

    Caetano, você acha Radiohead obscuro e “não quero que você me entenda” assim como você achava Milton triste?

    ——————————————————

    Acho que a liquidez a qual Caetano se refere, tem relação com a opção que os ingleses fizeram desde Sgt. Peppers. Uma opção que aparece no Oasis, Blur, mas que o Radiohead leva ao extremo, ao limite.
    E quando o Gil se pergunta sobre a imensa relação da banda, com a propaganda, a indústria, o povo brasileiro, etc etc etc; respondo. Radiohead é tão indústria quanto Michael Moore. E é isso que é o máximo. O quanto alguém pode usar a indústria para se voltar contra ela!

  123. vinicius vargas disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 8:57 pm

    Vianna,
    Existem diferenças signigficativas entre o verbo foder e fuder. Mas também existem diferenças significativas entre o verbo foder e o foder.

    Cada “foder” é uma palavra única. O contexto.. o tom,.. a fonte,..

    “não tem espaço para senso crítico, todo mundo quer satisfazer…desejos.” Q bom isso, Gil.

  124. DIMAS ROQUE disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 9:29 pm

    Obrigado pela deferência senhor Caetano Emanuel Viana Teles Veloso. Mas é que neste mundo cibernético eu ando de olho no vigia do vigia, só para saber se ele não nos vigia.

    O grande poeta Toím de Déa, morador do vale dos sonhos que fica em um lugar distante onde prefere não receber visitas, a não ser por telepatia. E isto é para poucos versados nesta arte. Falou-me que nos idos de 1971 um corpo magricela perambulou pelas ruas da Inglaterra depois de ter sido despejado do seu País. Diz ele que assina com sangue a informação dada. Que de lá daquelas terras distantes, este corpo magro e de cabelos inspirados nos hippies, gravou um LP (pode soar como antigo, mas gosto do som que ele me oferece), e que teria sido o que mais o emociona até hoje. Não muito pelo seu conteúdo, muito mais pela memória que ele revela ao seu criador.

    Vai lá saber se isto é verdade.

    De doido este mundo ta cheio e é por isto que vez ou outra eu grito “pare o mundo que eu quero descer”. Para diminuir a quantidade de loucos.

    Não me incomodou ser o Lula a pronunciar o “Sifu”. Confesso que fiquei muito mais raivoso com a abertura do “jornal” nacional quando o apresentador, quando o apresentador faz a chamada já indicando que o Presidente da Republica teria feito algo de errado em um pronunciamento. Diante da abertura do “jornal” cheguei a pensar que dessa vez eles tinham conseguido derrubar o Lula. Só depois ao ver e ouvir o que de fato tinha acontecido é que me dei conta que, mesmo achando um termo inapropriado para uma solenidade e um discurso oficial do Presidente, estava havendo a tentativa, mais uma vez de manipulação da noticia. Li todo o discurso e vi que muitas coisas de maior importância foram ditas e não repercutiram na “imprensa”.

    A IMPRENSA GOLPISTA não se conformou ainda de ter perdido a eleição por duas vezes para um metalúrgico de São Bernardo.

  125. vonaldo mota disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 9:34 pm

    salem ja que vc falou de riso, talvez consiga explicar a frase , “e quem não riu com a risada de andy wahrol?”.

  126. Fernando Salem disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 9:34 pm

    Oi Luiz Carias (agora tenho certeza do “C”, ou docê)

    Acho que entendi o que você quis dizer com:…

    “…a graça a que me refiro na canção, é de fazê-la rir, tarado ni você, não é para rir, talvez Lobão tem razão seja, ou até em Totalmente Demais, é pra se rir, porque tem graça.”

    …embora a expressão “fazê-la” na sua frase dê a impressão de que seja a canção que ri. O que acabou criando uma belíssima imagem.

    O que você disse me fez pensar. Lembro da versão original de Totalmente Demais com a voz de Arnaldo Brandão e não sentia ali a dose de humor explícito que Caetano trouxe com sua interpretação. Uma canção pode ter uma natureza “engraçada”, com humor intencional, como “ele Tá de Olho Na Butique Dela”. Mas pode não ter e tornar-se. Tarado Ni Você tem muita graça. Tem humor sim. Eu ri quando escutei. Não foram gargalhadas de que vê uma torta na cara. Mas achei bem engraçado, como acho graça nos neologismos de Outras Palavras.

    A coisa de “achar graça” relacionada a fazer rir não é determinada apenas pela composição, mas pelos nossos ouvidos. O riso às vezes pune. Às vezes qualifica.

    Eu rio com canções sérias e já chorei com canções enagraçadas em contextos diversos.

    Mas entendo o tom da tua colocação. Só venho insistindo muito por aqui (e isso não é com você) com uma exacerbada “seriedade” dada a canção popular, pra justificar um tônus que ela não reivindica. E acaba por colocar a tal da MPB em oposição à produção de massa. Não gosto desse muro. E ele já foi derrubado a décadas.

    É como se Chico, Caetano, Gil, Paulinho, Milton e Bosco fossem compositores “sérios”. E a plebe do axé, do pagode e do sertanejo não fizessem arte.

    Foi por isso que enchi o saco na polêmica da Academia e em outras conversas que tentam refazer uma separação que foi desfeita com muita luta.

    Não há em nenhum outro ambiente cultural no Brasil tanta tolerância, diversidade e diálogo como no da música popular. Não confundir com brodagem, camaradagem ou o tal de amiguismo.

    Quando falo da graça, falo sério. Qualquer pessoa pode achar graça de qualquer canção. Nada determina essa vontade.

    Gostei de falar comn você

    beijo na testa com testosterona

    salem

  127. Heloisa disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 10:46 pm

    Caetano está certo: o verbo é um só. ‘Foder’ encontra-se no dicionário com
    os vários sentidos que conhecemos e usamos. Tento explicar para Vero e Exequiela:
    Foder: ter relação sexual; não dar importância a alguma coisa ( ‘foda-se’); desejar mal a alguém, exprimir descaso, repugnância, (‘foda-se’); também indica que algo está perdido, não tem solução ( ‘fodeu-se’).
    Só que todo mundo diz ‘fuder’. E ‘fodeu-se’ só aparece no dicionário. O termo transformou-se em ‘se fudeu’, que por sua vez recebeu uma forma contraída: ‘sifu’. Foi essa perolazinha - nem um pouco estranha à fala de muitos brasileiros - que nosso presidente proferiu. Só que essa palavra e suas derivadas não são apropriadas para qualquer situação -(cuidado hermanas rioplatenses!) - aí quase todos ficaram horrorizados. Normal. Mas Caetano, sempre no meio da corrente - contra, a favor, atrapalhando ou desimpedindo seu fluxo* - encrespou foi com a grafia da palavra: ‘sifu’, quando ele a queria ‘sifo’, de acordo com o verbo correto ‘foder’. Aí alguém disse que, pela lógica dele, a palavra deveria ser grafada ‘sefo’ (boa, Nando!).
    Entenderam? I hope so. Dizem que sou boa professora, mas tenho impressão de não ter sido muito clara aqui.

    * É claro que isso é uma paráfrase - só Caetano se definiria tão liquidamente assim. ;)

    Marília: Leio suas palavras como se escritas por mim, tão grande a confluência de idéias e lembranças. Brilhante, você!

  128. martin disse:
    Dezembro 9th, 2008 at 11:33 pm

    Caetano:
    Aqui desde Buenos Aires te escribo con toda la verguenza que me da pensar que puedas leer mis palabras…
    Tengo 37 años y acompaño tu carrera hace mas de 15 años y desde los shows de circulado te he ido a ver cada vez que te presentaste por estos pagos , a veces hasta mas de una vez.
    Me encanta el blog , vengo leyendolo casi desde el primer dia y siempre tengo ganas de dejar un comentario sobre tal ocual cosa , pero me cuesta sentarme a escribir y pensar que como , quizas tu lo leas , tenga que ser algo brillante o un derroche de lucidez….
    asi que hoy tome coraje y sin pensar en nada me sente y estoy escribiendo/hablando-te…
    Lo que mas me gusta leer son tus oppiniones sobre musica , grupos etc. por lo general coincidimos en casi todos los gustos y a veces me das algun dato sobre algo a lo que no habia prestado suficiente atención…
    Me fascina tu gusto por pixies , portishead y radiohead vengo escuchando esas influencias “subterraneamente” en tu musica desde “noites do norte”
    Espero ansioso el nuevo disco y una futura visita a nuestras tierras
    Beijos!

    pd:¿porque el show de “foreign sound” no tuvo un cd o dvd? Me encantaria volverte a oir cantando “adeus batucada”

  129. paloma regina, rio disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 12:26 am

    salem listou letras de musicas com palavras chulas, vamos dizer assim - eu que ja fui até dark, não falo nem bunda, veja só … caetano, só peço que não use de jeito nenhum, em qualquer futura composição, a expressão mais vulgar da moda : “caraca” : feia e cretina.

    abrs paloma

  130. Edmilson Silva disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 12:29 am

    de Cora a Caetano, passando por Hermano, Graziela e Gil:

    desde que não grafem moqueca com u e que não destrocem em meias luas inteiras os ós das rodelas de tomate, da cebola e do pimentão do tempero desse prato psicodélico, não vejo porque marcar posição, vociferar, grafiferar contra o registro sonoro de qualquer língua.

    a língua é algo genuinamente sonoro, musical. a dicionarização, a pauta vem depois.

    e esse papo de que foi Ziraldo quem criou esse ou aquele termo é aponevroso; ele pode tê-los publicado, pois quem inventa língua é o povo.

    específicamente para Gil, sobre o fato de Lula ser a única voz do povo brasileiro, acho que há na Esplanada dos Ministérios uma voz eclipsada: a de Mangabeira Ugly.

    com licença pela obviedade, entro e saio dessa roda neste canto de vírtua, metendo a colher na conversa sobre mulatice, repetindo uma recusa engraçado do povo semi-letrado do Recôncavo, que refuta a classificação carinhosa de mulatinho, pois não sou feijão. não sou negro tutu or dudu, mas não me venha chamar de tinta fraca também não, mas deixe que diga que o povo que fale.

  131. Luiz Carlos Cunha (Belém do Pará) disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 12:32 am

    Caetano:

    Homossexual é “veado” pelo motivo abaixo.

    É designado “veado” para representar homossexual, em função do fato do animal veado passar a maior parte de seu tempo em grupos formados exclusivamente por machos. A fêmea do veado sé é requisitada para procriação.

    Minha curiosidade me levou a essa resposta.

    Um abraço…

  132. Patricia* disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 12:35 am

    Não me espanta o Lula dizer sifu…é tanta besteira que ele fala o tempo todo…e está com 70% de aprovação.
    ‘Veado’ ou ‘viado’ é uma maneira muito feia de chamar os homossexuais, soa preconceituoso…prefiro bicha, pois é usado entre os próprios homo…Um homossexual chama o outro de bicha, não de veado ou viado…ou não?
    A mudança da grafia das palavras acontece de maneira natural, mas concordo que é muito feio quando a palavra é escrita errada fora de um contexto adequado. ‘Hômi’ por exemplo,tbem acho horrível, não gosto.

  133. Caetano Veloso disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 12:50 am

    Gravataí, tentei 3 vezes e deu pau seu BLIP.

    Exequiela, es que en español una “u” o una “i” final no lleva tonicidad a la sílaba. En portugués, sí. Para tener el sonido de “sifu” en español hay que escribirlo así: “sifú”. En portugués, sin el acento ya suena así. Es la regla. “Asi” en português suenaría “así”. En español suena “ási”. Comprendes ahora la razón de mi pelea con la prensa: Lula dijo “sifo” (suena “sífu”, ya que la “o” final breve, en portugués, suena “u”). Si uno quiere porque quiere poner la “u” tiene que poner el acento sobre la “í” para que suene como suenaría “sifu” en español. Lo digo para complementar la explicación de Heloísa.
    Mi questión tambien es que ellos quieren la “u” porque la gente no pronuncia “foder” (que quiere decir “joder”, “follar” - adoro esa palabra “follar, que se dice en España!): pronuncia “fuder”. Pero tambien “chuver” (en lugar de “chover”), “cuzido” (en lugar de “cozido”) etc. Pero con todas esas palabras repetables nadie se siente en el derecho de escribir como uno habla: con las palabras relacionadas a sexo, sí lo hacen. Siempre. Em “sifu” es forma corta para “se fodeu” (se pronuncia “si fudeu”). Así que, para poner algo en el post mientras espero “Incompatibilidade de gênios” ser liberada por la editora para que hagamos la votación, encontré ese asunto lleno de detalles de palabras, reglas, sílabas, para mostrar una vez más lo aborrido que soy cuando me divierto .
    E não precisa tanta proteção para me ver de perto no Rex: não sou esse sol todo.

    Heloísa, pensei esses dias que você tem uma outra característica bem mineira: é desconfiada. Digo “outra” porque você também tem a concentração, a hospitalidade, a discrição - e deve conzinhar bem.

    Salem, Salem, só você para chegar onde deveríamos (e eu esperava): comentar as canções novas gravadas e aí dando sopa. Com algumas pessoas chiando por não se tratar do disco aqui. Não falta material ainda não devidamente comentado. Você é tudo.

  134. gil disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 2:28 am

    qual foi a separação que foi desfeita com muita luta? papo furado.

  135. Fernando Salem disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 2:32 am

    Sobre o riso e a graça:

    Há definitivamente uma resistência à idéia de que o humor e a graça sejam atributos da ARTE “séria”.

    Isso se reflete nitidamente nas premiações de filmes que, em regra, não reconhecem as comédias. Elas são vistas como produções menores, pueris. Como se o riso fosse efêmero, circunscrito ao seu tempo.

    Chorar, por outro lado, parece qualificar. As pessoas adoram dizer que choraram ao ver um filme ou escutar uma música. O choro eterniza.

    Tal comportamento rendeu algumas estatuetas. Laços de Ternura é um exemplo histórico. Um filme que me comoveu, diga-se de passagem.

    Mas jamais vamos ver um crítico dizendo que Os Normais, ou Romeu e Julieta de Bruno Barreto são grandes filmes. No máximo diriam que são boas comédias. Ou seja: cumpriram com a sua única e diminuta missão de fazer rir.

    Esse medo de ser feliz é engraçado, mas revela uma triste realidade. O riso é gozo e por isso esquecível. Uma vez ejaculado, já era.

    Não vejo graça nenhuma nesse modelo de pensamento. Ele é responsável por algumas injustiças.

    Adoniran, Genival, Jerry Lewis, Morengueira, Moe, Larry and Curly, Harpo, Mussum, Dercy, Regina Casé, Luiz Fernando Guimarães, Angeli, Roger Moreira, Chaves, Peter Sellers, Mister Bean, Kiko, Los Pirata… e por aí vai.

    Quando eu era moleque, artista bom é o que me fazia rir. Só chorava no cinema se tivesse medo, fome ou tédio. Depois, comecei a aprender a chorar e gostar. Mas não abro mão da graça, não.

    Não gosto de música com piadinha fácil, nem de chacotas, paródias de brega, tiração de sarro gratuita.

    Mas há uma graça que só se produz com genialidade. Um drible do Garrincha, um verso do Adoniran como “as mariposa ficam dando vorta em vorta da lâmpida pra se esquentá” ou a cena de P{eter Sellers em O Convidado Trapalhão segurando o xixi, enquanto uma espécie de Nara Astrud Leão toca violão.

    São obras-primas.

    Humor só é uma forma menor de arte quando a piada é de anão.

    beijo na testa

    salem

  136. Gravataí Merengue disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 3:05 am

    Um tanto offtopic quanto ao post, mas definitivamente OnTopic no que diz respeito ao blog:

    http://blip.fm/gravataimerengue

    Por essa URL, gravações minhas toscas, caseiras, algumas com um violão pra lá de temperamental, quase todas de canções do repertório de Caetano (lavra própria ou de gravação contumaz).

    Trata-se do BLIP, uma ferramenta de rede social muito simples de ser usada - tanto para colocar músicas (não sei se essa função ainda está ‘ok’…), quanto para compartilhar etc.

    É como um ‘Twitter Sonoro’. E, por meio de uma URL fácil, cria-se uma rádio própria (essa, aí do endereço que enviei, é a minha).

    Beijos na clavícula :)

  137. gregananian disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 4:20 am

    Caetano, olha que interessante, este fragmento de uma entrevista do Pasolini, quando ele fala sobre o cinema, penso que possui alguma relação com o transamba.

    “O cinema abrange o mundo e não apenas uma cultura:
    O cinema é um sistema de signos não simbólicos, de signos vivos, de signosobjetos…
    A linguagem cinematográfica não exprime, portanto, a realidade
    através de um certo número de símbolos, mas por meio da própria realidade.
    Não é uma linguagem nacional ou regional, e sim transnacional… ”

    abcs gregananian

  138. Madam Jadele disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 4:46 am

    Estava Labi arrumando as malas quando resolveu dar uma espiada aqui no bolog.
    Logo viu.
    Heloísa, SIM, conseguiu eXpiar o post. Resumiu e colocou um ponto final, pelo menos para Labi, nesse tema chato que Caetano Veloso achou por bem colocar aqui. E mais chato ainda é TODO MUNDO concordando.
    Viva os linguístas! Abaixo os gramáticos.
    É preciso tomar cuidado para a obra não entrar em regresso. Dizer SIM quando é pra ser SIM, sim. Mas dizer sempre SIM, NÃO.
    Não vem me ENCARAR DE FRENTE não, Caetano. Eu chamo Bethânia! Eu só escrevi porque Labi pediu. Não tenho NADA com isso. Labi anda ocupadíssima com a mala…Acabei entrando de gaiata no navio!
    Sou Madam Jadele, bichachata e velha, consciente, porém, RICA. E é o que importa.
    Amcíssima de Labi Barrô.
    Flores para todos! Paz e Bem.
    Fodeu!

  139. Miriam Lucia disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 7:07 am

    E pegando o bonde, não acho que seja correto um chefe de governo ou de estado falar o que vem a cabeça, e o pior colocando isso como se fosse a forma usual do povo brasileiro, embora tenham pessoas que dizem normalmente “sifu”. Gramaticalmente, estou de acordo que deveria ser “se fodeu”, talvez “sefo” mas, este “sifu”, que é uma gíria, não representa um “se fodeu” qualquer ele é especifico, porque foder é uma coisa prazerosa, e “sifu” não o é, na minha opinião, é porque esta relacionado a “tomar no cú” (não sei se isso pode falar aqui, enfim). Imagino que esta relação de “desejar mal a alguém, exprimir descaso, repugnância” e tomar no cú se deva ao fato da existência de uma certa analogia que existe entre tomar no cú e dor, isso porque nem todas as pessoas sentem prazer nesse tipo de ato sexual, ou se sentem não expressam isso com naturalidade e isso fica por conta do tabu em torno do cú. Penso que isso devera responder a indagação de Caetano: “Por que ele grafou “jaco” (de “já comi”) com “o” e “sifu” com “u”?”. Este “u” esta relacionado com o outro “ú” que coloquei acima. Fudeu é sempre mais profundo e mais dolorido que foda-se.

    Aqui na Itália esta coisa de “vai tomar no cú” não tem esta conotação enfadonha que temos ai no Brasil, confesso que fiquei ate espantada quando escutei na TV um vaffan’ culo, depois no noticiário disse que isso não era considerado uma expressão ofensiva, que foi ate legalizado o uso do termo nos meios de comunicação, talvez pudéssemos compara-lo a um “vá a merda” ou alguma coisa do gênero. De qualquer forma, isso não seria considerado “normal” se fosse falado em publico por qualquer dirigente do governo ou estado aqui e penso que em qualquer lugar do mundo.

    Ele foi infeliz ao dizer da relação medico x paciente terminal, porque contrariamente ao que ele expôs tem alguns médicos que dizem isso com tanta naturalidade que chega ate a assustar. Vivi isso na pele com relação a minha irmã mais velha, embora ela tenha reclamado da atitude do medico, eu também me assustei na hora, as vezes penso que foi isso que deu a ela mais gana para lutar contra a doença dela, conquistando cada dia a ser vivido e, voltando ao termo, uma semana antes de morrer me olhou e disse, mesmo com toda cultura que lhe era peculiar, “me fudi” o som era bem este mesmo. Isso sem contar o que ele deixou subentendido com este exemplo. Os governantes deveriam por obrigação nos dar a noção exata do que acontece realmente em nosso pais, sem ficar supondo ou dizendo que não diz para não assustar, quem sabe assim teríamos mais chances de uma sobrevida maior, mesmo que no final digamos “sifudemo”.

    Este negocio de veado e viado me lembrou uma estória boba, eu achava que isso era culpa do bambi, porque ele era tão meiguinho, bonitinho, era mesmo uma gracinha de veadinho, veja onde vai a mente humana, que bobagem, coitado do bambi não tinha culpa alguma. O tempo passou e compreendi que o veado relacionado a “bichinha” era na verdade um homem com o comportamento transviado e daí entendi que o veado (bambi) não tinha nada a ver com o “viado” de extra-viado, dês-viado, trans-viado (as palavras foram propositadamente separadas por hífens para que desse bem a noção do viado em questão).

    DIMAS ROQUE - Zezim de Cumade Zefa e o Raso da Catarina, nossa tudo de bom, melhor ainda com o Veríssimo! Na verdade o meu maior sonho é conhecer o Raso da Catarina, nunca antes havia conhecido alguém que conhecesse este lugar, me senti extasiada. Certa vez li muito a respeito e achei tão lindo, quem sabe um dia chego por lá eu também.

    Gravataí você tem um bom humor admirável! Gosto de pessoas felizes!

    O Salem é sempre preciso e resolvido, isso fora a desenvoltura em tratar de assuntos tão diversos, você nem imagina quanto gosto da sua inteligência! É uma pessoa feliz também!

    Fiz um verdadeiro curso sobre o Tambor de Crioula graças ao Rafael, puxa fiquei tão encantada, como é lindo este Brasil brasileiro! Obrigada!

    Beijos para todos!

  140. Nando disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 9:22 am

    “É designado “veado” para representar homossexual, em função do fato do animal veado passar a maior parte de seu tempo em grupos formados exclusivamente por machos. A fêmea do veado só é requisitada para procriação”

    Ué, então muitos hetero masculinos são veados, porque adoram andar juntos (de preferência falando sobre mulher) e normalmente procuram a “fêmea” para procriar ou sexo descartável. Claro que não são/somos todos blablabla.

    Já as bichas, normalmente adoram companhia feminina. Num cabeleireiro então, “menina nem te conto, o babado é for-tís-si-mo!” =]

  141. Ricardo de Alcântara disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 9:51 am

    Nando,

    o (des)respeito que Lula inflige a sua própria posição reside no português que pronuncia?

    Acho isso muito reducionista e preconceituoso (a velha questão do preconceito linguístico que aqui não uniu ninguém em pôstes anteriores). A força intelectual de alguém não se demonstra apenas pelo linguajar culto ou pelos livros lidos, isso não dá conta do que um ser humano é capaz. Aliás, um sujeito pode ao mesmo tempo falar bem e ler muito e ser uma péssima pessoa.

    Lula se fez entender no Brasil e no mundo. A comunicação é um dom que possui, independente da qualidade de seu português. Com menos estudo e menos títulos, fez o que um FHC fez. Não acho que o respeito que a figura do presidente do país impõe reside na forma do português falado pelo ocupante do cargo. Não sinto vergonha, admiro e respeito (claro que com outras ressalvas e outras críticas).

  142. Fernando Salem disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 10:51 am

    A Ilustrada deve muito a Caetano Veloso ao longo da três úlimas décadas. Graças à ele vendeu-se alguns muitos milhares exemplares da FOLHA contendo falsas e verdadeiras polêmicas. Um tantão de cartas foram publicadas no painel. Réplicas e tréplicas, críticas e descríticas.

    Caetano, sem querer, também deve um pouquinho à Ilustrada. Muito do pensamento cultural de Caetano sobre jornalismo nasceu no bojo de alguns equívocos e aberrações produzidos ali.

    Caetano diagramou algumas reflexões a partir das provocações (algumas com o propósito consciente de instigá-lo) a partir de textos publicados no caderno.

    De Paulo Francis à Silvia Colombo, passando por Miguel de Almeida, Pepe Escobar, Giron, Foreastieri (é assim que se escreve), Pedro Alexandre, muitos jornalistas tiveram a incumbência explícita de seus editores de manter Caetano provocado. O Leão precisava rugir.

    Nas vezes em que o Leão silenciava, a Ilustrada tramava estratégias ardilosamente para acordá-lo novamente. Acontece que nos tempos de desditadurização do Brasil, era mais fácil encontrar temas que incendiassem a alma leonina. Isso porque quando a esquerda passou a poder falar, destrambelhou a dizer suas bobagens escondidas, preconceitos tricotados em silêncio e um enorme cardápio de desconhecimento cultural.

    Caetano vociferava. Era uma época onde se achava que tudo que alguém “de esquerda” dissesse era bom. Afinal, eram jornalistas competentes com verdades silenciadas pelos militares e tinha muita coisa a dizer. Tinham mesmo?

    Alguns, como Marcos A. Gonsalves pareciam ter sim o que falar de interessante. Outros, mal sabiam escrever.

    Cheguei a ler, certa vez, que Leãozinho era uma canção de declaração homossexual. Isso como um elogio. Claro, que a repressão havia produzido embaçamento.

    Mas foi bonito a Ilustrada chamar Caetano para esses debates. Há no convite, uma espécie de reconhecimento da riqueza de pensamentos produzida na tensa relação entre Caetano e o caderno.

    Leio a Ilustrada todos os dias. Me queixo da Ilustrada todos os dias. Mas reconheço: em relação aos outros cadernos culturais, foi o que mais se arriscou. Seja em críticas pontiagudas, seja em hiperdimensionamentos de pequenas bandas invisíveis gringas.

    Foi na Ilustrada que li Arnaldo Antunes há pouquíssimo tempo rebatendo um texto de Nelson Archer com elegância e fúria ambiental.

    Me sinto meio ingênuo de ter sido um estudante secundarista paulista que aprendeu a meter o pau na Ilustrada desde molecote.

    Hoje eu penso diferente. Continuo metendo o pau. Mas assumo que preciso dela. Poderia ser melhor? Claro que sim. Mas a Ilustrada tem uma vocação que deve ser respeitada. Erra ao contratar gente que escreve mal e têm argumentos frouxos. Mas acerta na insistência de tentar não abaixar a sua temperatura.

    Achei bonito ver o largo sorriso de Caetano na capa de hoje. Havia uma certa ironia (que só as fotos podem ter). Caetano estava feliz ali. Acho que talvez sinta algo semelhante ao que descrevi sobre a história do Caderno.

    Veja erra em apostar na vanguarda da direita. Ou acerta, Pro que vende pra caralho. Reynaldo Azevedo é um bosta. Nesse cenário, em que ficou bacana ser reacionário, pra agradar a classe média senil, a Ilustrada optou por continuar com seu estilo. Menos consistente na arte de provocar, é verdade. Mas com pautas interessantes, equívocos, achados, perdidos e debates como esse de ontem.

    Caetano é ilustre personagem da história da Ilustrada. Não remunerado, generosamente trabalho pelo caderno por mais de 30 anos.

    Beijo na testa sorridente

    salem

  143. DIMAS ROQUE disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 11:48 am

    Miriam Lucia – Será um grande prazer receber a sua pessoa por estas terras. Se um dia desejares vir, só ou acompanhada, reservo um pequeno espaço para acomodar a todos que desejem visitar esta região que faz parte do Estado da Bahia.
    Se tu queres conhecer em tempo quente, a melhor época são os meses de janeiro e fevereiro. Mas saiba que irás encontrar temperaturas entre 45º a 50º. Além de a vegetação estar seca, semimorta. Em maio e junho, com as chuvas de inverno, a vida ressurge e a florada deixa o Raso lindo de se ver. Poderás inclusive colher o fruto do murici e degustar um dos melhores sabores da flora brasileira.
    O PSDB e o DEM (pfl), falam que um terceiro mandato de Lula é golpe!
    Alguém sabe se eles já fizeram alguma declaração quanto à compra do segundo mandato de FHC?
    Pimenta no do outro é refresco!

  144. Vianna Vana Caravana disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 12:41 pm

    Heloísa,voce foi muito clara sim!Mas também todo verbo é uma palavra e nem toda palavra é um verbo.Mas ambos podem ter vários significados(né ,Vinicios).Várias derivações e até mesmo abreviações de frases podem virar outras palavras(como “sifu”,”sifo” ou “sefo”)e porque não outros verbos?Quem tece um dicionário pode não incluir nele o verbo “fuder” ou o verbo “foder” ou sim?A partir de que momento um verbo se torna oficial em uma língua?”Foder” seria um verbo relativamente novo e inconsistente ainda?Verbos são estáticos?Verbos são palavras mais poderosas?Verbos se transformam em outros também?Então quando sugerem até uma quase antonominia…Não podem mudar a grafia para tornarem outros?Porque todo mundo naquele lugar escutou o presidente dizer “sifu”.E isso é que é mais real e verdadeiro sensorialmente e que transmite melhor o clima e a intensão da emissão da fala e do verbo frágil.Mas talvez Caetano cobra dessa imprensa uma rigidez deveras bem apropriada para o tamanho da arrogância dela que não percebe-se como limitada nos instrumentos maiores de sua comunicação:a palavra e o povo.

  145. Suely R disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 12:44 pm

    Hermano,
    ontem escrevi o texto que vai a seguir e não consegui enviá-lo copiando e colando aqui nesta página. Não funcionou. Hoje estou começando a refazer toda a digitação diretamente aqui na página do blog. Agora vai, com certeza.
    Sobre o horário do blog, eu já reparei que meus comentários entram sempre com 03 horas a mais que a real e eu acredito que isto seja a tal da “hora da internet” que foi criada há alguns anos para uniformizar os relógios de todos que usam a web. Não sei em que está baseada mas acredito que não corresponda ao horário real de nenhum território geograficamente identificável. Ia fazer uma pesquisa sobre isto mais acabei perdendo muito tampo com as tentativas de envio do texto ontem e desisti.
    Mas vamos ao texto.
    Um abraço.
    Suely

    Marília,
    li o texto do Tom Taborda e concordo sobre a necessidade da legalização das drogas medida que, ao contrário da simples descriminalização, eliminaria a figura do traficante e, em consequência, de toda a rede criminosa que se beneficia do consumo de drogas.
    Só não devemos esperar que a legalização vá fazer diminuir o consumo de drogas apenas por deixarem de ser proibidas.Basta vermos o que acontece com o álcool e o cigarro. Pesquisas confirmam o que médicos, educadores, psicólogos e terapeutas já sabiam: entre os jovens, nunca se bebeu e fumou tanto quanto agora.
    Lembremos do Dr. Dráuzio Varela que nos conta que na sua experiência com o tratamento de encarcerados viciados registrou diversos casos de pacientes prisioneiros que, após abandonarem o uso da cocaína e do crack, se declaravam impotentes para lutar contra o vício do cigarro.
    O álcool, por sua vez, está presente na lista semanal de compras das famílias e os supermercados fazem concorrência entre si baixando o preço da cerveja. Há, ainda, os aditivos á base de cafeína como red bull e similares cujos efeitos são potencializados pela mistura com álcool e outras drogas criando coquetéis que podem ter efeitos dramáticos sobre a saúde física e mental de quem os consome.
    Muitos já disseram que a geração que passou pela ditadura e pela revolução de comportamento das décadas de 60 e 70 não soube estabelecer o ponto de equilíbrio entre o que deveria ser mudado e o que precisava ser preservado em termos de comportamento individual e social. Muitos pais levaram o slogan “é proibido proibir” ao extremo, deixando de estabelecer limites saudáveis para seus filhos. Toda educação em valores humanos, éticos, filosóficos, moraie e até religiosos passou a ser considerada careta e castradora.
    Interessante apontar que enquanto estava escrevendo este texto ( ontem à tarde), ouvi da tv a notícia de que cerca de 80 jovens de Londrina, recém formados em medicina e que acabaram de cumprir seus estágios em pronto-socorro, fizeram uma comemoração, vestidos com seus jalecos, em um botequim em frente ao hospital e que, depois de horas bebendo, invadiram o pronto-socorro onde trabalharam, soltaram fogos no pátio interno e se dirigiram a pacientes com palavras de desdém dizendo que não mais precisariam tratar aquela epécie de doentes!
    Vivemos uma época onde o prazer deve ser buscado a todo e qualquer custo e a felicidade é vista como um objeto de consumo que pode ser comprado e consumido vorazmente e imediatamente reposto.
    Uma mudança deste comportamento envolve uma mudança de paradigmas e passa pela educação - aqui significando, também, exemplo, ou seja, o fim da política do “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço” que muitos pais e educadores adotam.
    Um pai ou mãe que senta com o filho para: estudar,ver um filme, ouvir música, conversar a sério ou só “abobrinhas” por pura diversão, está prevenindo o consumo de drogas mais do que qualquer campanha de qualquer instituição que o faça.

    Para terminar deixo a letra da canção COISA ASSASSINA de Gil e Mautner que está no cd Eu não peço desculpas de Caetano e Mautner e que também poderia ser bem cantada no carnaval da Bahia junto com a que deu origem a toda esta profícua discussão.

    Se tá tudo dominado pelo amor
    Então vai tudo bem, agora
    Se tá tudo dominado,
    Quero dizer, drogado
    Então vai tudo pro além
    Antes da hora
    Antes da hora
    Maldita seja essa coisa assassina
    Que se vende em toda esquina
    E que passa por crença, ideologia, cultura, esporte
    E, no entanto, é só doença,
    Monotonia da loucura e morte.
    Um beijo.
    Suely

    Um beijo par Edison e outro para Nando que me contaram sobre onde encontrar mais Caetano em francês. Tenho mais de 40 cds do Caê, mas não conheço esta gravação que vocês tão prontamente me indicaram.

    Evoé Exequiela e Heloísa! Estamos na área!
    Beijos para todos.
    Suely

  146. Dan disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 2:12 pm

    Caetano, desculpe-me por fugir do “Sifo”, mas gostaria de comentar as suas considerações sobre a Banda Calypso no evento da Ilustrada.

    Confesso que fiquei de queixo caído quando você disse que a banda do Pará revolucionou a música brasileira. Também cheguei a conclusão de que sou preconceituso - musicalemnte falando - pois não consigo enxergar revolução no gênero da Joelma…

    Quando se trata de música, sou um cara totalmente segmentado: amo música brasileira, mas só dou ouvidos aos hits que me tragam originalidade. Não ouço músicas as quais eu teria capacidade para compor, como, por exemplo, as da Banda Calypso. Por isso meus ouvidos são só para Caetano, Chico, Marisa, Tom, João Gilberto, Gil, Nelson Cavaquinho e toda a deliciosa academia musical brasileira.

    Porém, se você que é mestre fez esse julgamento a respeito da Calypso, pos favor, escreva também um post dissertando sobre a revolução ‘bate-cabelo’. Será que as minhas aulas de Cultura de Massa foram deficientes?

    Abraço!

    Dan

  147. Gravataí Merengue disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 2:38 pm

    Caetano, testei aqui e o BLIP deu certinho… Poxavida, que triste você não ter conseguido - e justo você, caramba, que honra!

    Às vezes, pode ser o navegador, na hora de apertar o “play” o Explorer pode dar pau, daí teria que dar “reload” ou mesmo fechar a janela (com o Mozilla é um tanto mais estável)…

    Que pena :(

  148. Carlos "Alemão" Moura disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 3:00 pm

    Caetano,

    Bom ler que não te incomodou tanto o que ou como disse o presidente, mas sim o tratamento da mídia.

    Nando,

    Na boa, retirar frases fora do contexto dessa forma não é legal. Parece o monte de e-mails que recebo de amigos anti-Lula que insistem em grafar Lulla. Isso é ruim. É infantil. Não gostei.

    Salem,

    Muito bom seu comentário sobre a graça, o humor e a Arte.

    Jerry Lewis é gênio, na minha opinião, pois utiliza do humor, da graça, para criticar o, desculpem, modo de vida americano. Fez isso em muitos filmes, como Terror de Mulheres, O otário e Professor Aloprado, por exemplo.

    Incluo na sua lista, ainda, Juca Chaves, Eduardo Dusek, Ankito, Oscarito e Grande Otelo.

    Beijos na nuca da Madam Jadele, amiga da Labi.

  149. Nando disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 3:46 pm

    Caro Ricardo Alcântara, melhor respondê-lo com palavras do nosso querido presidente. Veja aí alguns tópicos extraído de um dos muitos blogs na internet dedicados a rir do nosso chefe de estado:

    “Até Magda, do extinto “Sai de baixo”, escapou de tanto primitivismo político. “Foguete não resolve o problema de ninguém”, disse Lula, analisando a guerra no Líbano. Dona Santinha, a do cafezinho, ficou envergonhada…

    Mais pérolas, micos e mancadas:

    1. “Foi uma surpresa. Quem chega em Windhoek não parece que está em um país africano. Poucas cidades do mundo são tão limpas, tão bonitas arquitetonicamente e tem um povo tão extraordinário como tem essa cidade”, disse Lula ao se despedir na capital da Namíbia;

    2. “Há males que vem para o bem”, em conversa com Putin, sobre o desastre de Alcântara, quando mais de vinte especialistas morreram;

    3. “Não vou dar palpite na política de Cuba”, tentando justificar sua omissão, quanto a defender os Direitos Humanos nas conversas com Fidel;

    4. “A companheira Benedita cometeu um erro administrativo” tentando justificar sua “companheira”, na mordomia paga pelo Governo, quando da viagem da Ministra, para um café com orações ,em Buenos Aires;

    5. “Não existe acordo com o FMI. Somente em dezembro vamos estudar…” No mesmo dia, no Brasil O “Czar” da economia firmava o acordo e dava conhecimento aos repórteres e TVs;

    6. “Os Presidentes que me antecederam foram todos covardes”, fazendo demagogia junto aos nordestinos sobre a seca no Nordeste;

    7. “Eu não quero repetir as mesmice (sic) que foro feito (sic) neste país”, (Presidente Lula pedindo paciência aos sem-terra e prometendo fazer a reforma agrária, 21 Nov);

    8. “Por muitos anos o Brasil não pôde sequer conversar com a Líbia porque os americanos não gostavam dos libaneses” como justificativa apresentada para o encontro com Ghadafi questiona a postura de Washington , afirmou Lula nesta semana;

    9. “Proponho um brinde …” …Lula se animou na Síria e cometeu mais uma gafe, ao propor brinde no país onde não é costume beber…;

    10. “Países do tamanho da Síria, países do tamanho do Brasil, continente como o sul-americano ou como o continente árabe não podem mais, no século XXI, ficar à espera de serem descobertos”, por ocasião da visita ao Oriente Médio;

    11. “Não adianta ter só um bando de General (SIC) e de soldados…” ( Presidente Lula aos militares, de improviso, prometendo equipar as Forças Armadas) -(Cláudio Humberto, O Dia,16 Dez);

    12. “Qual é o enredo?” por ocasião da Festa da Uva, quando Lula estava no carro alegórico alusivo ao evento;

    13. “O Brasil com 8500 Km² de costa….” (comentário irônico de Diego Mainardi sobre o que Lula teria falado durante o último evento com o Min da Pesca.);

    14. Lula afirmou na Grã-Bretanha, que Tony Blair estaria prestes a se aposentar porque já está em seu segundo mandato como primeiro ministro, provocando risadas de 12 dos governantes e uma cara de ponto de interrogação em Blair.
    ”Daqui a dois anos, você nem vai estar aqui para o próximo encontro”. Lula confundiu o primeiro ministro com presidentes que só podem exercer dois mandatos;

    15. ”Tinha preconceitos sobre Blair porque tudo o que eu sabia sobre ele tinha lido na imprensa brasileira. E tudo o que Blair sabia sobre mim era o que Fernando Henrique tinha contado pra ele”. (Dando a entender que a imprensa brasileira deturpa os fatos);

    16. “Pelotas é exportadora de veado.” (Conversa gravada com o candidato do PT à prefeitura local, Fernando Marroni);

    17. “Abre a porteira, Gonçalves.” (Em Aracaju, pedindo a abertura da cerca de proteção que o separava do público - ou do gado…);

    18. “Não tem chuva, não tem geada, não tem terremoto, não tem cara feia, não tem Congresso, não tem Judiciário - só Deus será capaz de impedir que a gente faça esse País ocupar o lugar de destaque que nunca deveria ter deixado de ocupar.” (Em Brasília);

    19. “Espero vê-lo novamente. O Celso (Amorim) vai organizar um jantar meu com os embaixadores da União Européia.” (Para o Embaixador da Noruega. Detalhe: a Noruega não faz parte da União Européia);

    20. “Companheiro Wellington (Wellington Dias, governador do Piauí), você veio aqui para Brasília com medo de morrer afogado lá no Piauí?” (Fazendo piada com as enchentes que assolaram o Nordeste, deixando 117 mil desabrigados);

    21. Ao falar com desabrigados, alojados em um ginásio, Lula questionou a suposta má qualidade da água do Piauí e elogiou na frente de Wellington uma água mineral que disse ter vindo do Ceará. Segundos depois, ao perceber o mal-estar generalizado, o presidente recuou e afirmou que a água era do Piauí mesmo;

    22. “Todos vocês vão competir a uma vaga para Antenas (sic)? E quem é que acha que vai ganhar? Levante a mão aí para eu ver.” (Em encontro com atletas no Palácio do Planalto, se referindo à cidade de Atenas, na Grécia);

    23. “Eu estou com uma dor no pé, mas não posso nem mancar, para imprensa não dizer que eu estou mancando porque estou em algum encontro com portadores de deficiência” (Disse Lula, que falava para uma platéia repleta de atletas em cadeira de rodas);

    24. “Um livro para uma criança, é como uma esteira para alguém da nossa idade. Dá uma preguiça desgramada (sic), mas depois de uns vinte minutos a gente vê como é importante.” (Na abertura da Bienal do Livro, comparando livros a aparelhos de ginástica);

    25. “Quando Napoleão visitou a China, ele cunhou uma frase que ficou famosa. Ele disse: A China é um gigante adormecido. No dia em que acordar, o mundo vai tremer.” (O imperador francês nunca pôs os pés na China…);

    26. Na cerimônia de lançamento da nova política de saúde mental do governo, perante pessoas com deficiência mental, Lula comentou que “Todos nós temos um pouco de louco dentro de nós”. Quem não acreditar é só fazer uma retrospectiva do comportamento pessoal nos últimos dez anos que vai ver que já teve esse momento” (Não deu para confirmar se Lula estava se referindo a si mesmo);

    27. Durante discurso na Fenadoce, Lula se referiu à sua esposa primeira-dama Marisa Letícia com um certo primitivismo: “Ela engravidou no primeiro dia de casamento porque pernambucano não deixa por menos”, e deixou a esposa, a quem chama de “Galega”, enrubescida;

    28. Para chegar ao Palácio de Astúrias, os espanhóis cederam uma limousine Rolls Royce ao presidente Lula. Assim que desembarcou da viatura real, Lula esqueceu a “galega”, isto é, a primeira-dama dentro do carro. Mas Juan Carlos de Espanha, como bom rei, não esqueceu a coroa e imediatamente correu em socorro da dona Marisa;

  150. Caetano Veloso disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 4:10 pm

    Dan, você só leu a manchete da capa da Ilustrada? É o que parece.

  151. Eduardo disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 4:32 pm

    Nem boceta, nem buceta.

    Caetano, eu acho que o certo não é buceta nem boceta. Tenho a impressão que a origem dessa palavra está em bolseta, que, como diz o nome, é uma pequena bolsa, muito utilizada até o fim do século retrasado para se guardar tabaco.
    Inclusive, aqui no litoral catarinense, entre tantos outros nomes, o pênis também é chamado de tabaco. A relação é clara.

    Abraço

  152. Caetano Veloso disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 4:50 pm

    Edmilson, “muqueca” eu aceitaria: vem de palavra da região de Angola (de onde vem a maioria das palavras africanas do protuguês brasileiro) e pode muito bem ter sido sempre pronunciada “muqueca”. Nós, os falantes de português, é que pusemos aquele “o” ali para seguir a regra (viva do desenvolvimento da língua) que diz que os “os” bereves soam “u”. Do mesmo modo que os “es” breves tendem a sora “i”. Como em “futebol”, em que o “e” entrou sustentando o “t”, já que em português não existe caso de grupo consonantal “tb” (”futbol”) - e que os paulistas, mostrando que a língua escrita pode definir caminhos da língua falada, passaram a pronunciar como um “ê”: é gozado para quem não é de Sampa ouvir nas ruas e na TV “fu-tê-ból”, mesmo com o acento permanecendo na ultima sílaba. Já “fudeu” está errado. A palavra tem história latina e é com ‘”o”.

    E o que é que você ou nossa gente do recôncavo teria contra o feijão mulatinho? Eu sou mulatinho, meu pai era mulato (por alto e mais escuro e com cabelo de preto). Muito me orgulha.

  153. Caetano Veloso disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 5:04 pm

    Dimas Roque, terceiro mandato é golpe. Nem pensar. E a imprensa noticiou e criticou sim as manobras de compras de consciências no legislativo para implantar a reeleição. Fui contra e não votei em Fernando Henrique para o segundo mandato. Não votaria nele ali de jeito nenhum. Por que os partidos de oposição deveriam falar mal de seus membros? Não entendo sua lógica. Esse papo de “imprensa golpista” parece que a gente quer ser a Venezuela. Eu não quero. Acho que o Brasil é bem maior do que isso. Lula, com sua esperteza em manter a política econômica que funcionava desde FH - e, mais, seu carisma, seu isntinto e sua sorte - é prova disso.

  154. Ricardo de Alcântara disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 5:22 pm

    Caro Nando,

    Para não alongar demais essa história sem fim sobre “gafes” do Lula, faço de minhas as palavras do Carlos “Alemão” Moura, no comment 148.

    Um abraço,

    Ricardo.

  155. Caetano Veloso disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 5:32 pm

    A risada de Andy Warhol é referência à gargalhada que se ouve por trás de sua obra. Estive com Warhol duas vezes. Marina Schiano deu um jantar em casa dela depois da entrevista que fiz com Mick Jagger nos anos 80 e Warhol foi. Conversamos. Ele falava baixo mas era muito direto e comunicativo. Elogiei o retrato de Marina feito por ele que estava na parede e a capa do disco de Diana Ross. Comentei que, embora o truque de colorir fotografias com silk-screen tinha virado um lugar-comum mas que quando ele o retomava sempre vinha uma força de originalidade. Ele me perguntou se eu tinha disco novo e se eu e minha gravadora não estaríamos interessados em que ele fizesse a capa. Eu disse que já tinha o projeto para capa em andamento, feito por amigos meus (Luciano Fiqueiredo e Oscar Ramos, era o “Uns”). Ele continuou, o que era incrível, perguntando QUANTO a minha gravadora pagava a quem faz a capa. Eu não sabia. Voltei a encontrá-lo, por acaso, no coquetel de um show de Diana Ross no Central Park. Para minha surpresa, ele me reconheceu, me chamou da mesa onde estava sentado com 3 rapazes jovens, e perguntou pelo Brasil e pelo disco que eu disse que estava concluíndo na última vez em que nos tínhamos visto. Ele não ria muito não.

    Rimas: Warhol rima com Salvador (e a risada dele com a risada tropicalista). Alegria, Alegria é toda rimada (vejam as rimas em João Cabral e em quase toda a poesia espanhola). Mesmo que eu pronunciasse Wharól e não Warhôl, seria rima. Chico, certeiramente, rima rock’n'roll com futebol (ambas palavras inglesas que, aliás, não rimam no original). Ele abriu o ó de rock’n'roll para ficar masi engraçado, mas se não tivesse querido abrir, seria rima do todo jeito.

  156. gil disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 5:34 pm

    Lenartei, vc pode não ter usado a MTV pra chegar ao Radiohead, mas ele veio para o teu sangue por onde? Como ele saiu de Oxford e te encontrou? Que veículos a máquina utiliza pra te alcançar nesse nível, no seu gosto e no seu desejo? E a riqueza de detalhes que vc tem sobre a trajetória deles…riquezas são diferentes…Eu se visse pela primeira vez aquele anúncio no jornal quereria com certeza ouvir o som daquela banda. Tem gente que acha Tom Jobim de antigamente, precisa ser reinventado, remisturado, redesbotado, sei lá…mas acham a Noviça Rebelde o maior barato, West Side também…afinal quando uma música fica velha? Tom dizia que todas as suas músicas eram novinhas. Nós queremos saber se o pessoal gosta mesmo de Tom Jobim e se está interessado nisso. Quem domina a irradiação? Temos um resíduo que ficou por aqui depois da escuridão da Guerra Fria, um resíduo tóxico, torcemos pela derrocada quando percebemos alguma empresa fraquejar. O momentâneo debacle da indústria do disco é comemorado ingenuamente, inclusive por artistas. A nossa burguesia não quer estar comprometida em salvar, desenvolver, fundar empresas ? Ficamos procurando como será o futuro dos negócios, podemos começar a conspirar pelo regresso da indústria da música ao invés de proclamar sua obsolecência. O contrário disso é ficar toda semana anunciando dentro das nossas fronteiras o novo sucesso das paradas…ou adivinhando… mas indústria é coisa do século dezenove por aqui, então… a legitimação da música gratis é o sexo dos anjos, nossa questão está na padaria. Como vamos criar nosso ambiente para expansão? Nossa expansão, isso é mais revolucionário que disponibilizar disco grátis de Oxford para o mundo…eta eta eta … artistas novos? Conspirem pelo vigor das gravadoras e valorizem a sua produção, criem empresas, associações. A internet? Desconfiem, sejam mais mineiros, desconfiem.

  157. Lelo disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 6:25 pm

    Radiohead, é lindo, é líquido, é água pura de beber…

    Radiohead, eu vou, caê vai e voce vai também???

    Radiohead é lindo, Maceió é linda mas vou pro RJ pra ver os caras se liquefazerem no palco…

    Rio de Janeiro deve ser linda e alguém tem algum programa bom pra fazer no dia seguinte ao show???

    Caetano, voce tem alguma ideia??

  158. Socorro disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 6:49 pm

    Dimas Roque,

    Além de ser do Raso da Catarina, um lugar onde viveu meu avô, que sempre falava de lá com muito respeito e devoção, você se chama Dimas Roque, dois belos nomes que só se vê nessas bandas do sertão, e disse tudo sobre o sifu de Lula. Resumindo, bichinho, você é foda!

  159. Luiz Carias disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 6:58 pm

    Aqui muito se discute sobre tudo, porém pouco se age.
    Todos aqui parecem querer ser o dono da verdade de um jeito medonho…que não sei explicar.
    Caetano ecoa todos os coments com clareza profunda, assim omo o místico amigo Salém, que é um dos melhores escritores deste blog depois de Caetano é claro.
    Acho que a solução pra nossa idéias, críticas, noções vai muito além de onde estamos agora, falar que tudo é culpa do governo é fácil, e quem deixa os homens nos poderes??
    Devíamos rever conceitos, e antes de criticar olhar nossos erros e com ele aprender.
    Li um Posto do Serginho Groisman,m super interessante, onde ele dizia:”não me arrependo de nada que fiz, e se tivesse que fazer faria tudo de novo, até os mesmos erros, pois foi com eles que aprendi a não errar de novo.”
    Já Caetano também creio não se arrepende de nada, mais creio que se pudesse fazer ou voltar no tempo, ele faria tudo igual.
    Imaginem os senhores que postam aqui, se Caetano voltasse no tempo, e mudasse seus pensamentos, se não houvesse movimentos revolucionários como a Tropicália, onde estaríamos agora? Ou o que ouviriamos?
    Caetano diz que “prefere preto ou negro do que mulher”,se referindo a Barak Obama, ao qual creio fará bem para os Estados Unidos da América, embora tenha receio pelo povo americano ser preconceituoso ao extremo, qualquer bomba ou crise que extore já malharem o cara de maneira injusta.
    Falando em injustiça, queria um dia ver caetano reproduzindo é proíbido proibir, com aquelas falas todas, chamando o juri de imcompetente, entre outras coisas…deve ser o máximo ver caetano pra lá de Marrakesh.
    Hoje ouvindo e relembrando canções de Chico, vi em que um poeta pode errar, em a canção o que será, ao menos é uma visão pessimista ao ponto de dizer “o que não tem mais jeito nem nunca terá, o que não tem sentido”, e ouvindo a única parceria de Chico e Caetano sendo cantado por Miúcha, Toquinho, Tom e Vinicius, é uma obra de arte.
    Obra de arte também pode se considerar o filme experimental e muito complexo do Caetano, o cinema falado, onde há uma cena que me emociona no filme, que é ver, dona Canô cantando uma linda canção com Caetano e bethânia, e também acho deslumbrante um filme muito lindo que Caetano interpreta Lamartine Babo, cantando pérolas de marchinas de carnaval, como: Aurora, entre outras canções magníficas.
    Em o estrangeiro canção que é tema central de o cinema falado, com clips e tudo mais, Caetano mistura ritmos e plavras, num texto longo, elogiando e criticando pessoas, de um modo assombroso.
    Lembro detalhadamente na véspera de elição de 2.002, Caetano e Mautner no Altas horas, cantando lindas canções do cd que ambos lançaram juntos, onde foi perguntado a Caetano o fato mais estranho que aconteceu em algum show.E ele muito calmamente responde, do show em Americana inteiror de SP, onde ele diz, que era um ginásio escolar, e o palco foi montado eele não teve tempo de ensaiar, e no último número meu bem, meu mal, ele fazia uma dança enquanto o pianista solava, e nessa dança, ele não viu o fim do palco e desabou…e nínguem viu…segundo Caetano a queda parecia nunca ter fim…após alguns segundos Caetano acha uma saída, e chega a tempo de concluir a canção com a frase meu bem, meu zem meu mal…e de braços abertos espera aplausos e o que vê, e o público perplexo…pois na pressa, não viu que um de seus braços estava machucado com sangue escorrendo..por isso em nu com a minha música ele diz quando chegar em americana não sei o que vai ser.
    Nopssa tantos textos que li, releio e amo…o modo de chamar Paulo Francis de bixa amarga, o modo de ser…aconselho Caetano a ouvir uma Banda chamda Velhas Virgens, uma banda independente, pouco conhecida, mais muito irônica e tão há 20 anos na estrada, tocando rock´n Roll com Blues, é muito bom o som, recomendo. Muito de vocês não devem conhecer, mais podem confiar é boa.
    A Salém queria dizer que aprecio muito seus posts, e aprendo muito com eles, não seo sua idade, mais creio que um jovem de 27 anos como eu, tem por dom, ouvir os outros, reconhecer os aprendizados, e talvez ensinar uma nova linguagem, estranha, complexa, cheia de girias curtas e fadadas a novas gerações ou a nossa juventude.
    A CAetano digo, naquela mini-série da Globo anos dourados, dizia-se que: A JUVENTUDE ERA O FUTURO DO MUNDO…pois bem até hoje oulo isso e discordo: A JUVENTUDE É O PRESENTE DO MUNDO, pois acho que nossos jovens é que farão o mundo de amanhã.
    Assim como os jovens de 60,70, fizeram o nosso amanhã ser hoje, e nós faremos o jove, virar o amanhã para novas gerações, talvez não de um modo organizado, ou repudiado com veemencia, mais creio que estamos tentando fazer o bem ou o melhor.
    Só voltando ao topo de meu post, acho que falar, reclamar, culpar, são coisas inúteis, que só servem pra inércia, enquanto ficarmos parados tudo será como os outros querem, enquanto não agirmos com energia, mostrando o que nós queremos tudo ficará na mesma, ou até pior.
    O movimento devia começar no Rio, local mais malhado pelo Brasil, injustamente, pois por poucos, todos os cariocas pagam, e são olhados de maneira diferente.
    É tudo meio estranho no fato de viver em um lugar onde há guerras urbanas em plena luz do dia…
    Não acreditem na mídia, ao menos em alguns veículos da mídia, acreditem em vocês, sejam capazes de fazer uma pequena ação, pois com pequenas ações fazemos uma grande mudança.
    Exemplos não faltam, enchentes em Santa catarina minha cidade natal, quantos brasileiros não contribuíram, Criança Esperança, Teleton, etc…porque só nos ajudamos na tragédia??
    Sei lá ta longo demais esse post, mais creio que resumi ao máximo meu ponto de vista, e sei que serei sacralizado por muitos que o lerem, em não achar nexo nas frases, mais não me importo, o que vale é a opinião que tenho e ponto final.
    Grande abraço a todos.

    PS:QUANDO SERÁ LANÇADO O CD TRANSAMBA DE OBRA EM PROGRESSO E O DVD??? Achei estranho pois tocou em a Favorita a canção cor amarela quando apareceu a Taís Araújo…
    Abraços aos amigos queridos que não conheço mais me afeiçoo muito Caetano Veloso meu mestre, Hermano responsável por essa obra em progresso, e Salém pela sua habilidade linguistica e de expor seus pontos de vista com clareza absurda, na qual um dia tentarei ser assim.
    Sendo 1% dos três citados acima estarei feliz.

  160. Luiz Castello disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 7:10 pm

    Drogas

    1.Sou solidário de corpo e alma com todos que vivem o drama da dependencia quimica e do alcoolismo.
    Viciados devem ser tratados como doentes,jamais como marginais.
    Sou radicalmente contra a legalização das drogas.
    Os jornais vivem dizendo que,as cargas que chegam aos morros cariocas,vem misturadas com tudo que se possa imaginar; pó de mármore,éter,palha,cocô de cavalo,bicarbonato e sabe-se lá o que mais…
    Legalizar pra que ? Pra estabelecer um controle de qualidade ?
    Existe esse controle na produção do açúcar refinado,que desmineraliza nosso organismo ?
    Ou no dissolvente de ossos que chamamos de coca cola ?
    A cocaína destrói o funcionamento normal dos neurônios.
    Como ser complacente com uma porcaria que destrói neurônios ?
    Uma vez eu vi no programa do Jô,o ator Carlos Vereza falando sobre a maconha transgênica.
    Pra quem pensa que a erva dos anos 60 é que era “o cara”,fique sabendo que a de hoje está sendo potencializada genéticamente.Quer dizer ; o índice de THC (seu principio ativo) é multiplicado,pra poder viciar mais depressa.
    A ciência à serviço do mal…

    2.Li o artigo do dr.Taborda.Sei que muita gente vai concordar,em parte eu também concordo, com o que ele diz :
    (…)”quanto realmente custa cada droga, vendida nas esquinas?” É uma equação cruel: além da matéria-prima, processamento e distribuição, ela traz embutida no preço, 1 juiz + 2 delegados + 4 fiscais da alfândega + 8 policiais + 16 “mulas” + 32 menores para usos diversos + 64 metralhadoras + 128 toneladas apreendidas e assim por diante, numa perversa equação em progressão geométrica de custo. (…)
    A venda regulamentada interrompe esse fluxo ? Sim.
    Só que essa equação corrupta e maldita vai continuar existindo e dando suporte a prática da prostituição infantil,ao tráfico de órgãos… e aí,o que fazer ? Legalizar também ?

    3.Os governos vão adorar a idéia do imposto sôbre a droga,para custear tratamentos e investimentos em educação.
    Isso nunca foi problema deles,mesmo.
    E de quebra,terão mais uma fonte de renda.

    4.Os tiroteios no morro e no asfalto são uma abominável forma de violência.
    Desmineralizar organismos,dissolver ossos,destruir neurônios, são uma abominável forma de violência.
    Por que lutar pra acabar só com os tiroteios ?

    5.O Bhagavad Gita - que é um livro de conhecimentos,pouco lido no ocidente - diz que,um gosto ou prazer,só pode ser abandonado,quando substituído por outro melhor.
    Eu acho que esse é o caminho.
    A meditação com suas variadas técnicas,adaptadas ao temperamento de cada pessoa,poderia estar sendo apresentada nas escolas,desde o primeiro grau.Como opção,é claro.

    6.Uma forte decisão pessoal,o carinho da minha família,práticas meditativas,e a música,salvaram a minha vida.
    Por isso,esse comment em forma de depoimento.
    Experimentei drogas.Maconha,cocaína e um carnaval em Juiz de Fora em 82,regado à cheirinho da loló.
    Fui um pouquinho além da curiosidade mas fiquei muito aquém da condição de viciado.
    Por outro lado,tive sérios problemas com bebida e só comecei a retomar nas mãos as rédeas do meu destino,no dia em que me percebi doente e pedi ajuda.
    Quando digo que sou alcoólatra e que por isso só bebo água, sucos e refrigerantes, o pessoal acha engraçado,mas é verdade.
    Comparo minha situação à dos diabéticos.Eles controlam o percentual de açúcar no sangue,eu controlo o de álcool.Minha tarefa é simples,basta evitar o consumo.
    Alcool zero.Tô “limpo” há 16 anos.

    7.Nunca me esquecerei da noite em que estava saindo pra trabalhar e minha mãe,que viveu comigo até desencarnar,na hora do beijinho de despedida falou :”Meu filho eu agora fico sossegada,porque sei que você vai chegar direitinho”

    Que prazer doido, é capaz de substituir essa alegria de mãe ?

    Um abraço sóbrio e fraterno em todos.
    Luiz Castello

  161. Fernando Salem disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 8:17 pm

    O jeito que as coisas são escritas me instigam menos do que a forma com que são percutidas com a boca falante.

    É bonito quando a gente fala futchibol (futebol) ou mortchi (morte) ou artchista (artista). Os “es” e “is” breves que aparecem após as consoantes “t” ou “d” produzem dos mais belos sons da nossa língua falada . Mais do que o “x” carioca que dá som ao “s” no final das palavras, que também é bem bonito.

    O ” t” e o “d” + as vogais ” e” ou “i”, nessas situações, ficam mais sensuais ainda quando são ditos por gringos falando português. É onde eles dão mais bandeira do acento (sotaque). Mesmo os que moram há muito tempo no Brasil, capricham e têm “dgificuldadgi”. É nesse esforço que revelam sua origem e seu amor pelo Brasil.

    Dgi Cavalvanti. Show dgi bola. Alguns encontros amorosos das consoantes com as vogais são o grande lance da sexualidade da nossa fala brasileira.

  162. Edmilson Silva disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 8:22 pm

    Caetano,

    gostei da sua explicação, meu nego, mas não tenho nada contra o feijão mulatinho não, que, cá no Rio, é chamado de feijão paulista ou paulistinha, até porque quando cheguei aqui, e fomos almoçar em casa de uma certa Rosa, lá pros lados de Pendotiba (região oceânica de Nikiti, Niterói - que, quase sarará, já se antecipava com essa onda de tingir de loiro os cabelos. sabe aquele loiro extenuado!?) e a dona nos serviu uma feijoada da qual não se divisava o que era carne-de-sertão, que é seca aqui e charque acolá, acima do Leste do Brasil - pois também nasci e aprendi com a professora Anália, irmã de Raimundo Mário, que a Bahia integrava o Leste -, carne de porco, chouriça, carne verde, ou de boi, achei aquele amálgama algo próximo de manguezal curtido ou mesmo petróleo.
    na nossa Bahia, feijão preto é produto para ebó. coisas da cultura.
    o sabor da feijoada, que era bom, fez com qu’eu aceitasse a nova cor, negra not mulata, do prato.
    falar em feijão, o que se chama aqui de manteiga, lá no Recôncavo é nominado de mulata gorda. e, cá entre todos, há algo mais acolhedor que o colo, o sorriso, o ninar, o canto - viva Dona Ivone Lara! - de uma mulata gorda!?
    não tinha língua nem beiço na feijoada da Rosa, mas como quem é de terra alheia pisa no chão devagar, coloquei a minha viola no saco, tomei aquilo como participação em uma experiência antropológica e continuei a adentrar a mata das novidades da terra estrangeira.
    e já que falei em língua, permita-me uma derivação: gostaria de saber o que acha do fato de a grafia de Capitu para o diminutivo carinhoso de Capitolina assim ser grafado? pela sua argumentação, Capitu teria que ser com O, já que se trata de redução de Capitolina.
    aliás, o povo da produção deu uma cochilada que deixou cair o cachimbo da ortografia: usou-se o verbo haver, erradamente, para indicar futuro em um dos manuscritos que reforçam a voz do narrador do seriado.

    em tempo: a batuta do diretor Luiz Fernando de Carvalho fez com que o ator Michel Melamed parecesse, ainda que de forma sutil, o coringa interpretado por Heath Ledger no último filme sobre Batman.

    em tempo 2: para quando você sentir calor, um abano feito com folhas de macaçá.

  163. Lucesar disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 8:25 pm

    Sobre Paulinho de Viola, acompanhei com atenção especial os comments de Lacerda, Nando e Salém no post anterior (Oscar). Porém, do Paulinho o que mais admiro, não é seu talento ou sua genialidade, é aquele sorriso, há se eu tivesse aquele sorriso!!!

    Caetano cantando trecho de “A VOZ DO MORTO” e Paulinho sorrindo:

    http://www.youtube.com/watch?v=lWIbggvadJQ

    Martin, bienvenido.

  164. DIMAS ROQUE disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 8:26 pm

    Do site BahiaJá:

    Artistas e personalidades das mais diferentes áreas são indicados pelos internautas de Salvador e outras cidades.

    Mais de mil internautas já votaram até as 13 horas desta quarta-feira, dia 10, para a escolha do Rei Momo do Carnaval 2009 de Salvador.

    Os cantores e compositores Carlinhos Brown, Caertano Veloso, Gerônimo e Márcio Víctor e os ex-reis Momo Édicles Calmon e Bola Sete são os mais votados. Cerca de 90 nomes já foram indicados, incluindo personalidades de várias áras, a exemplo do ator Lázaro Ramos, do empresário Jesus Sangalo, do locutor Batatinha, do repórter Zé Bim, do vereador eleito Leo Kret e do apresentador de TV José Eduardo Bocão.

    A idéia da Emtursa - Empresa de Turismo S/A - é, até o dia 28 de dezembro mobilizar a população de Salvador para a eleição do Rei da Folia, “como uma forma de democratização da escolha”, como diz o presidente Misael Tavares. Para votar, é só acessar os sites da Emtursa - http://www.emtursa.ba.gov.br , http://www.portaldocarnaval,ba.gov.br - ou ainda o site da Prefeitura Municipal - http://www.salvador.ba.gov.br.

  165. Rosana Tibúrcio disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 8:49 pm

    Heloisa me conta um “trem”: você cozinha bem ou não?
    Caso não, treina um pratinho sá, porque além duma provável aula particular, acho que rola um almocinho aí com o Caê. Convida…
    E eu ficaria, novamente, umas três noites sem dormir.
    AdoUUUrooo!!!

  166. Edmilson Silva disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 8:51 pm

    prezados,

    vou dar meu pitaco sem ler; mas quando alguém diz que algo revoluciona alguma coisa, o ato de revolucionar é relativo: pode ser pro bem, quanto pro mal.
    sem essa de achar que o que o povo, aqui na acepção de povão, é de mau gosto.
    a canção serve para acalentar, apaziguar a dor-de-cotovelo e a de corno também, para alegrar, mas, em qualquer lugar do mundo, a canção é usada para dançar. mexer o corpo, bulir com o esqueleto, pois a alma, embora mais maleável que os primeiros, é chegada a cismas. fica tesa, parada, e a música e uma espécie de sopro para tirá-la da paralisia.
    e se Joelma e Xambinha e banda mexe com o povo, o que fazer? eu não gosto, não morro de amores, mais se a maioria gosta, fazer o quê?
    tem gente que jura de pés junto que não gosta de Bebeto, mas quando começa a tocar “Carolina”, o chão, os assentos e os espaldares das cadeiras que o digam: é um tal de remelexo que só.
    como esfregou na cara brasileira, notadamente a carioca metida a besta, que o funk é “música de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado”.
    dancemos, pois a vida é uma só.

  167. lucre disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 8:54 pm

    Legiao Urbana a tudo vence

    Nuevamente mi vida se dirige hacia Brasil. Dentro de un ratito estaré participando en un espectáculo llamado Homenaje a Legiao Urbana (sorry pero escribo sin acentos, tildes o lo que sea porque no los encuentro). ¿Qué es?. Bueno, varios de los más importantes músicos de mi país (de entre 30 y pico a 40 y pico de años) se reunirán para brindar un homenaje a LU, con la presencia de Dado Villa Lobos y Marcelo Bonfá. En principio no pensaba ir pero mi hermano nos regaló las entradas y ahora estoy super contenta, me hubiera arrepentido por cierto. Nunca fui muy “fan” de LU pero como en el caso de Caetano, creo que su música me entró por “osmosis” , pero esta vez por culpa de mi hermano, que durante un tiempo de su vida escuchaba una y otra vez los discos de Titas, Paralamas, Cazuza y Legiao. A mi siempre me tiró más Titas pero reconozco que ante ciertas canciones de LU caí rendida. En fin, lo que me llamó más la atención fue la influencia que tuvo esta banda en estos músicos que hoy y mañana se reunirán a hacer sus canciones. He leído entrevistas y todos recuerdan a la banda y a Renato Russo con mucho “cariño”. Yo realmente pensaba que a LU sólo la escuchaba mi hermano y sus amigos pero al parecer me equivoqué. Veremos como sale el homenaje.

    Con respecto a lo de sifu, por dios, que lío que me hice. Busqué en diccionarios online la palabra sifu y sifo y nada de nada. Luego seguí con sofi, sufi, sofu y seguía sin entender nada. Hasta no leer ciertos comentarios no entendí de que estaban hablando. Me doy cuenta que me cuesta captar ciertas cosas del portugués, no sólo en este caso. Luego leí la explicación de Caetano y más “merengue” se formó en mi cabeza, en la primera leida, pero luego leyéndolo nuevamente se me fue aclarando el panorama, entre tanta u, i , e, “aborrimiento” y “suenaría”. ¡Suenaria!. Me re re re contra encantó ( re = nota musical pero aquí usada para acentuar algo, en este caso el encantamiento con la palabra suenaria). ¿Cómo suenará el disco final de Caetano?. ¿Cómo suenará Caetano diciendo suenara?. ¿No suena mejor suenaría que sonaría?. Bueno, yo también estoy aborrida, haciendo tiempo para irme a escuchar cantar en portugués y yo intentar captar algo. Últimamente estoy bastante “obsesionada” con el asunto de las palabras. Sigo con mi amigo Cortazar. En varios capítulos de Rayuela el escribe palabras “mal”, por ejemplo poniendo H (aches) donde no van. Creo que fue García Márquez que una vez propuso eliminar la H del idioma español y enfureció a toda la Real Academia Española. O el famoso capítulo 68 de la misma novela, escrito en “glíglico”, lenguaje inventado por él que mezcla palabras “normales” con palabras inventadas (recordar a nuestra amiga Alicia). Este capítulo describe una escena erótica empezando así:

    Apenas él le amalaba el noema, a ella se le agolpaba el clémiso y caían en hidromurias, en salvajes ambonios, en sustalos exasperantes. Cada vez que él procuraba relamar las incopelusas, se enredaba en un grimado quejumbroso y tenía que envulsionarse de cara al nóvalo,…..

    Cuando leí este capítulo enseguida pensé en las traducciones de la novela y como quedaría el sentido, como “suenaria” por ejemplo en inglés, alemán o portugués. ¿Cómo se traduce esto?. Para mi es totalmente erótico, con palabras inventadas pero no carentes de sentido. Es que el glíglico tiene la misma sintaxis y morfología que el español (esto lo dice wikipedia y no yo). Yo digo que mi “piel” lo traduce “bien”, de la manera que supuestamente Cortazar le quiso dar. Quizás usando “malas palabras”
    ( ¿malas?) quedaría algo vulgar y chocante y sería tildado de pornográfico (aunque no entremos en lo que es pornográfico y lo que es erótico). En fin, tengo otro ejemplo. A un primo mío le dicen Pico, ese es su sobrenombre. Pico (pico de botella, pico de pico y pala, etc.). Una vez estando en Chile con unos amigos se enteró que la palabra pico en ese país se utiliza para nombrar el pene, de la manera “vulgar”, o sea de la manera que utilizan los inocentes niños de escuela al referirse a su “aparato” genital (creo que estoy usando eufemismos). ¡Por dios, son simplemente palabras!. En fin, nuevamente creo que no tiene mucho que ver con el tema propuesto por Caetano pero mi “aborrimiento” me llevó a escribir algo y nunca pienso mucho en lo que voy a escribir. Empiezo y va saliendo, y es así que cometo faltas de ortografía y a veces soy entreverada.

    Empecé nuevamente a leer VT (pero ahora desde el principio, prestando atención a todo, sin dejar pasar ningún detalle). Estas explicaciones y “clases” de Caetano sobre tan variados temas (me doy cuenta que sigo escribiendo como a “nadie”, como si Caetano fuera un ente o algo parecido, sin usar el tu o vos, pero no me sale, no puedo) me recordaron como leí el fin de semana que en momento el deseo o pensó que su vida lo llevaría a ser profesor, rodeado de gente admirando todo lo que sabe. Bueno, todo llega en la vida. Nunca me imaginé que iba a recibir clases de Caetano Veloso sobre la pronunciación de palabras o la forma como se habla y se escribe dependiendo de las palabras. Es re re re re divertido e interesante.

    En este momento recordé una historia que leí en un libro de un escritor uruguayo sobre Caetano. En este momento no tengo el libro para consultar pero mañana lo chequeo y le preguntó si esa historia es verdad.

    Exequiela, sigo leyendo y riéndome con tus observaciones. Uy, los casamientos y la parte que se viene todo el “popurri” de las brasileras, imperdible. Nosotros por acá también tenemos el “popurri” de las canciones del “rock argentino” que incluye una “ensalada” completa de temas argentinos. Esto me recuerda que como país “inexistente” que somos, en cada partido de fútbol en que juegan Brasil y Argentina (porque como país “inexistente” que somos, Uruguay tampoco existe en fútbol), por lo menos en mi familia siempre hay alguno que dice, pucha, porque no seremos argentinos y algunotro dice, pucha, porque no seremos brasileros. Típico de un país “inventado”, “tapón” como se les dice. Creo que algo de esto comentó mi compatriota Vero (encantada Vero, por si lees esto. Debí presentarme antes pero no se, no lo hice y más vale tarde que nunca). Apuesto un millón de dólares que en ningún casamiento brasilero o argentino hay un segmento de música uruguaya, pongámosle murga o candombe. Estoy segura que no. Con respecto a ver de cerca de Caetano, concuerdo contigo pero mmm , yo lo vi creo que 3 veces y nunca de muy cerca y me gustaría verlo de más cerca, tipo que me “escupa” cuando canta y me tenga que limpiar la baba. Ay, que asco por favor, pero viniendo de Caetano lo acepto. Soy medio exagerada. Una vez vino al teatro Solis y demoró cantidad en empezar el recital porque se había roto algo de las luces, creo. Esa vez también fui al otro día a verlo. Me fui con la novia de mi hermano y le lloramos al portero un rato hasta que nos dejó entrar. El teatro al poco tiempo cerró sus puertas por varios años por reformas y hoy en día está espectacular, todo nuevo y me moriría verlo nuevamente allí aunque es un teatro muy chico.
    Bueno, me voy corriendo porque llego tarde para ver el homenaje de LU. Seguiré unas horas más con mis antenas dirigidas hacia Brasil. Hoy tendré sobredosis de portugués y me encanta, es como una caricia, un arrullo. Sorry porque nuevamente salió un mamotreto, no lo puedo evitar. Estaba aborrida y me ”desaborrí” con Caetano. Gracias Caetano desde ya. Un beso y un abrazo.
    Lu

  168. Carlos "Alemão" Moura disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 8:55 pm

    Hermano, sempre admirei muito você e seu irmão.

    Por alguma manobra blogniana, meu comentário acabou caindo logo acima do do Nando (148 e 149), mas é uma resposta a ele. Na boa Nando, com todo o respeito.

    Luis Castello,

    Respeito sua sóbria opinião, mas emito a minha:

    Alguns argumentos para demonstrar porque legalizar é legal:

    0. Retira-se do tráfico o poder e o controle sobre a droga. O estado e a iniciativa privada passam a ter o controle sobre a produção, distribuição e venda dos produtos.

    1. Sim, naturalmente deverá haver uma melhoria na qualidade do produto oferecido. As agências reguladoras são órgãos importantes e devem funcionar bem nesse sentido (sei que aqui no Brasil ainda não é bem assim, mas isso é outro papo)

    2. Diminuição da violência. Não só a relação usuário traficante, mas a relação usuário políicia e a relação polícia traficante são extremamente violentas e confusas. Quem está ao lado de quem?

    3. A liberdade do ser humano deve estar sempre em primeiro lugar. Sei que isso pode parecer meio ingênuo, mas entre a escolha individual e a repressão e a proibição, neste caso, fico com a primeira.

    4. A repressão e a proibição se mostraram incompetentes para combater o tráfico. Não inibem o usuário e cometem violências absurdas, arrrasando famílias e comunidades. Está na hora de investir em outra estratégia.

    Não, não faço e nunca farei apologias contra ou a favor das drogas.

    Sim, também tenho casos tristes na família por conta do uso de drogas. Sim, deve-se ter controle sobre o uso, como, por exemplo, o bafômetro para inibir motoristas bêbados.

    Acredito na legalização como uma alternativa, ousada e inteligente, ao atual “estado da arte” que assistimos e vivemos.

    Abraços mui carinhosos a todos!

  169. glauber guimarães disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 9:13 pm

    lucesar,
    somo ao sorriso de paulinho da viola, ray charles e billy preston [memorável e sorridente neste vídeo]:

    http://www.youtube.com/watch?v=4SiqmoZq47I&feature=related

    isso é o que chamo de rubber soul, hahaha. abraço a todos!

  170. Gravataí Merengue disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 9:21 pm

    Lula só aceita a autocrítica. Não admite que o criticam, não admite a análise externa, não admite ser visto como ‘outro’ pelo ‘outro’. E os seus não atmitem que ele seja o ‘outro’ de análise alguma.

    É bizarro.

    Não entro nessa de “presidente analfabeto”, tal e coisa. Nem com Lula, nem com Collor, nem com FHC, nem com nada. Há coisas mais profundas - como isso, agora, do terceiro mandato que chegou à baila.

    E concordo com Caetano Veloso: um terceiro mandato é golpe da mesma forma como a aprovação da emenda da reeleição, ali da forma como se deu, foi também uma mutreta.

    Somos, por óbvio, maiores do que o chavismo. E definitivamente somos MILHÕES DE VEZES MAIORES do que qualquer cubanização que se suponha possível ou admissível para o Brasil.

    Quando Caetano nos manda atentar para o discurso de Mangabeira Unger, e então Mangabeira é motivo de piada por conta de seu sotaque (uma contra-piada quase inversa àquela desferida a Lula por seus erros), sentimos a dificuldade de alguns setores teoricamente esclarecidos de nossa sociedade.

    Para o Brasil, não há um único caminho, ou dois, ou apenas três. Há infinitos. Nossa capacidade criativa e inventiva permite conciliar - como já foi dito - o carisma de Lula com a política econômica exitosa do governo anterior.

    Mas há militâncias de torcida organizada atuando de forma antagônica, cada qual de um lado da arquibancada, dicotomizando o que é para ser plúrimo, quase infinito. É uma auto-sabotagem permanente que tenta minar as forças de quem pretende ter alguma esperança.

    Isso lembra aquela entrevista antiga do Caetano, na qual falava do “otimismo mítico e do pessimismo básico”. Ainda há isso, Caetano?

    Sinto-me assim, quase sempre. Acho que todos nós. E, emendo: ainda há uma (ou várias) trilha (s) clara (s) para esse nosso Brasil, apesar da dor?

    Beijos em testas.

    ps - depois da cisma com a intensidade da risada de Warhol, falta agora o questionamento da sutileza da elegância de Bobô, se era mesmo algo leve ou se eram trajes da moda um tanto espalhafatosos, com direito a fotos, desfiles etc :D - não é fácil fazer música popular, hein?

  171. Heloisa disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 9:32 pm

    ‘O Lord, please fill my mouth with worthwhile stuff
    And nudge me when I’ve said enough’

    (an old negro prayer)

    Acabei de ler isso no livro que vou começar a ler, e a partir de agora será meu objetivo todos os dias – principalmente aqui. Pelo menos vou tentar.
    Dito isso, Nando, meu caro: assim você me tira os dentes do varal (ou do quarador). Preciso concordar com o Ricardo e o Carlos ‘Alemão’: há um preconceito lingüístico forte contra Lula mesmo. E de que que adiantou FH e sua Sorbonne? E não falo mais nada porque gosto muito de você, e tenho que me lembrar da frase lá em cima.

    Salem, que coisa engraçada: assim que você falou em Adoniram no seu ótimo comment sobre a graça na arte, pensei ‘Vou responder com a letra das mariposas…’, mas não deu tempo – lá estava ela! Adoro essa música – cantava quando criança e canto para minha filha desde que ela era bebê. Aliás, Adoniran e Demônios da Garoa…Delícia total!

    Labi Barrô, não me esqueci de você na lista. Aliás, pensei o tempo todo: só me esqueci de ….escrever! Sorry. Beijão para você, Madam Jadele e todas as outras que estiverem por aí.

    Miriam: Eu também sempre achei que a culpa era do Bambi…

    Gravataí: Sei que não serve de consolo, mas consegui abrir o BLIP e ouvi tudo. Sua voz é muito bonita, e o repertório, então! Não fique triste. Por que você não tenta colocar de novo? Beijos na escápula! :D

    Eduardo: Li um blog em que afirmavam que ‘boceta’ seria a portuguesa, e ‘buceta’ a brasileira. Aí um português respondeu:

    ‘Lamento informar que em Portugal a palavra “boceta” não tem conotação sexual alguma: simplesmente, não se usa esse termo para designar de alguma forma as miudezas femininas. “Boceta” é, por definição, uma caixa pequena ou uma saca redonda e fantasiada que serve para guardar pequenos artefactos de beleza ou segredos (cartas de amor, por exemplo). Assim, é legítimo dizer-se “A boceta de Pandora” sem que isso se refira a qualquer região anatómica específica, mas sim à lenda que todos conhecemos. Já o passaralho…’ :D

    Caetano: Adorei ver você no debate – ri demais com a confusão das anotações e do livro com marcações diferentes das suas, e mais ainda quando você disse que estava atrapalhado como o Sr. Hulot. :) Na entrevista da Folha, achei muito carinhosa a forma como você se referiu aos freqüentadores do blog, dizendo que tem ‘pessoas gozadas, a gente se afeiçoa.[...]’ Sou muito curiosa: o que tinha aí que eles editaram? E não me assustei com a história do Calipso – tinha sentido no contexto, e descobri que você nem me assusta mais.
    Não me acho muito desconfiada, mas já é a segunda pessoa que me escreve isso hoje. Será que eu sou? E por que você pensou nisso? Boa cozinheira dizem que sou. Minha moqueca é apetitosa, com ‘u’ ou ‘o’ – tento fazer como a da Bahia, mas como trazer o mar, o cheiro, os sons? A feijoada também tem uma certa fama entre os amigos, que eu também brindo com docinhos e engordantes em geral. Mas ando meio afastada das panelas: tenho um amor maior pelas letrinhas, sempre as letrinhas que me prendem os olhos e a atenção, mais do que quase tudo na vida. Beijim mineirim pra você.

    Ps. Não adiantou nada minha prece lá em cima – falei demais, como sempre.

  172. Ana disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 9:37 pm

    Ah, Caetano, vamos só falar de música, do Pixies na BBC. Até fiz marcação de minuto na tua música que parece Pixies. bj http://www.revistaparadoxo.com/materia.php?ido=3984

  173. Lucesar disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 9:42 pm

    Hermano, acho que as versões das postagens de “incompatibilidade 1 e 2″ são iguais.

  174. Lucesar disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 9:49 pm

    Perdão Hermano, são diferentes.

  175. Paulo Osório disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 9:56 pm

    Sou contra a liberalização de drogas pesadas.
    There´s no question about it.
    Ao contrário de drogas leves (marijuana, haxixe) de cujo consumo ligeiro não resultará danos para o organismo, qualquer pequena dose de coca ou heroína (por exemplo) pode provocar danos catastróficos (incluindo enfarte agudo do miocárdio, morte súbita…já nem falo nos neurónios…).
    Haveria de ser bonito, num país como o Brasil, a liberalização das drogas…
    Quanto ao alcool: é como se fosse uma droga leve, ou seja só consumos excessivos irão fazer mal… Aliás um consumo muito ligeiro de certas bebidas alcoólicas poderá mesmo diminuir as doenças cardiovasculares.

    Nota: “controle” não existe. É controlo.

  176. Gustavo disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 10:06 pm

    Caetano,
    Na minha ignorância midiática, fiquei sabendo agora, por você, que o Lula usou tal expressão. Mas acabei sem entender se os incomodados são os que “se foderam”, ou simplesmente são as “tias velhas”(nada contra as tias velhas, mas elas são assim mesmo: “menino não fala assim”). Eu adoro quando o Lula usa estas expressões populares. Mesmo quando xinga, é com um humor, uma delicadeza… é muito bonito.
    Ate
    Gustavo - Campinas -SP

  177. Paulo Osório disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 10:11 pm

    E confirmo o que Heloísa diz : em Portugal boceta não tem qualquer conotação sexual. Aliás é uma palavra que praticamente ninguém usa. Também não se usa veado para homossexual: em compensação existe aqui (não sei se vocês usam aí) a expressão “rabeta” (para o sexo masculino, claro).

  178. Lucas Jório disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 10:26 pm

    Sobre a discussão do “sifú”, Lula já se arrependeu e deu um “pití” (como se escreve isso?) ontem, dizendo que ninguém nesse mundo está mais preparado para a crise do que nós… Achei ridículo, pareceu que toda a revolta (ele queria que queria jogar o boné no chão) era contra ele mesmo ter deixado escapar que acha que o Brasil tá na bosta, o que um representante-mor não pode deixar. Costumo dizer que o Lula tem complexo de filho único, acha-se meio rei mas se debate com a evidência de que não poderia ser diferente, no Brasil. Gosto dele falar sem preparar, acredito mesmo que ele diz o que lhe vem à mente na hora, ele não prepara as analogias. O coisa caga quando ele não “escolhe” bem e tem que contornar até fazer sentido. Mas é divertido, e queira Deus que por um tempo a gente alterne entre PT e PSDB, se for possível.
    Caetano: desconfiança, concentração, hospitalidade e discrição, você disse sobre Heloisa, putz, e eu como mineiro, rapaz!, não sei como fico. Acho tudo isso verdade, a mineiridade, mas implico com ela, a gente sempre tem qualidades passivas, e depois de desconfiar, concentrar, receber e não implicar? O bicho pode comer, o bicho é conservador pacas e acha que vive numa ilha dentro de uma ilha. Gostei das conversas sobre Guimarães aqui, de pessoas não mineiras, porque haja saco pra ser mineiro e ouvir toda a reverenciação do “grande escritor MINEIRO” que se faz dele aqui.
    Abraços

  179. Marilia Castello Branco disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 11:02 pm

    Queridos amigos

    (particularmente para Joaldo, Suely, Castello, Glauber, Nando, Luís(es), Nando, César, perdoem se esqueci alguém que se dirigiu diretamente a mim, mas tentei. Caetano a gente nem precisa dizer.)

    Que prazer lê-los!! Entre concordâncias e discordâncias, os comentários são inteligentes, perspicazes, com posições abertas, generosas, livres de preconceitos. Não é o que, em geral, estamos acostumados a ouvir, mesmo em ambientes esclarecidos. Praticamente, já foi dito aqui tudo o que eu gostaria de dizer quanto a uso, abuso, redução de danos, e não tenho quase nada a acrescentar. “Se todos fossem no mundo iguais a vocês…!”

    Minha postura pessoal com relação à legalização: creio que as drogas nunca deveriam ter sido proibidas, pois isto entregou o que era uma questão da busca por transcendência, êxtase ou prazer nas mãos das máfias, diminuindo a capacidade de auto-regulação da sociedade. Mas agora, proibidas há mais de 80 anos, a questão se tornou tremendamente complexa. Gosto muito do texto do Tom Taborda que postei mas, na prática, não me parece que a legalização que seja o que a sociedade quer neste momento. O que precisamos fazer agora é disseminar informação, diminuir o preconceito, melhorar a prevenção e, principalmente, exigir coragem do poder público na abordagem da questão do álcool que, já disse, considero nosso maior problema de saúde pública. A proibição do beber e dirigir foi um passo importante, mas é preciso fazer com que seja cumprida. Quem sabe chegaremos a um futuro mais libertário.

    Lenartei, gostei demais do que você escreveu. Se trabalha com RD certamente já ouviu falar do Proad, ligado à Unifesp, de cuja equipe me sinto honrada e orgulhosa de fazer parte: http://www.proad.unifesp.br/apresenta.htm O Proad, já há mais de 20 anos, foi um dos pioneiros da RD e da prevenção à Aids entre os usuários. Somos parceiros! Acreditamos que o que se opõe à dependência é a liberdade, e é com base nessa premissa que apenas atendemos os que desejem se tratar. E tratamos a todos com muito respeito. As internações compulsórias não fazem parte de nossa filosofia, e a medicação (que também é droga, concordo) também só é usada quando for uma escolha do indivíduo junto com seu médico. A efetividade e a função protetora da RD fica muito clara no nosso cotidiano; observamos que os dependentes, muitas vezes, são os que menos têm acesso às informações sobre álcool e drogas. O usuário bem informado tem muito mais condições de se proteger.

    Só uma ressalva quanto ao uso da palavra “paciente”. Eu também já tive restrições a ela. Dizia-se que referiria àquele que se submete passivamente à ação do terapeuta. Ao passar a trabalhar e estudar numa escola médica, tive de me render a esse uso, que é o normal lá. Com o tempo, percebi que, por sua raiz grega, “pathòs”, a palavra remete a paixão e a sofrimento (como na paixão de Cristo). Também se relaciona com paciência, a infinita paciência que precisa ter aquele que se dipõe a passar por um tratamento tão sofrido, difícil e imprevisível como o de uma dependência. Hoje acho a palavra “paciente” linda, e a digo com paixão e compaixão. Outra coisa: se usamos “paciente” para quem sofre de câncer ou diabetes, negá-la para o do dependente também pode ser uma forma de discriminação.

    Suely, muito bom o que você escreveu. Minha vontade era te ver falando para um grupo de mães de usuários.
    Castello, meu primo (meu avô assinava “o velho Castello”). Parabéns pela coragem e sobriedade! Nosso esforço é justamente ajudar as pessoas a encontrarem outras formas de prazer. Vou mostrar seu texto para uma paciente muito querida minha, uma mulher inteligente e culta, alccolista abstinente há 6 meses.

    (continua…)

  180. Marilia Castello Branco disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 11:17 pm

    Joaldo, isso foi o que consegui escrever até agora sobre religiosidae, drogas e cultura nessa correria de fim de ano. Também é obra em progresso. Há um livrinho que venho ensaiando fazer… quem sabe?

    Hermano, perdôe a ousadia de uma “antropóloga-amadora-amante” em abordar temas que não são exatamente a área dela.

    Há milhares de anos as substâncias alteradoras da consciência fazem parte da experiência humana. Seu uso, seja recreativo, religioso ou medicinal, existe em praticamente todas as culturas. Hoje sabemos que mesmo alguns animais procuram certas substâncias pelos seus efeitos. “A gente quer prazer pra aliviar a dor”, e gente tem “desejo, necessidade, vontade” de transcendência, viver um pouco além da realidade banal e cotidiana. Jung via a busca pela transcendência como uma função da consciência, relacionada ao princípio criativo, essencial como comida, água ou afeto. Uma vida plena e saudável depende, também, da possibilidade de buscá-la pela arte, religião, filosofia, amor, trabalho ou onde quer que cada um acredite que possa encontrá-la.

    Para tocar o tema de religiosidade, cabe uma brevíssima profissão de fé. Já disse que não gosto da igreja católica que, como toda religião que se pretenda “universal” (é o que “católico” significa) , é autoritária e intolerante. Mas professo um cristianismo muito pessoal, mistura de popular, gnóstico e místico. Já montei meu presepiozinho de barro vindo lá de Pernambuco. O menino tão pequeno em sua manjedoura, nu e frágil como um cabritinho, bracinhos abertos em cruz, é essa a mnha fé. Rezo o terço à minha maneira transcultural como se fosse um mantra, faço lá as minhas promessas, e gosto de ir ao Candomblé de vez em quando.

    Poderia falar horas sobre plantas de poder, o peyote mexicano, kawa nas ilhas do Pacífico, amanita muscaria na Sibéria, bétel do Sudeste Asiático e outras substâncias ainda mais exóticas, mas não é preciso ir a culturas tão diferentes da nossa. Basta lembrar das referências aos comedores de loto na Odisséia; de Dioniso, o deus grego do vinho e do êxtase; ou mais simplesmente, ler a Bíblia. Noé, após chegar ao monte Ararat, plantou uma videira e embriagou-se do seu vinho. E quem há de dizer que ele não merecia? Depois de 40 dias e noites chuvosas com toda a família dentro de uma arca apinhada de todo tipo de bicho, só um porre! E o primeiro milagre de Jesus foi transformar a água em vinho, para não deixar uma festa de casamento acabar. Na última ceia, ao compartilhar o pão e o vinho, ele ensina que o sacrifício pode ser a nível simbólico, marcando uma nova etapa para a consciência da humanidade. (atentem para o encontro do cristo com o cabrito, será o benedito?).

    Porém, o uso dos alteradores da consciência é muito arriscado. Podem ter efeitos graves no nosso organismo e psiquê. Nas sociedades tradicionais esses riscos são minimizados pelos rituais, que têm, entre outras, função protetora. O uso é feito dentro de sistemas simbólicos organizados, há uma preparação e aprendizado para fazê-lo, acompanhamento por parte dos mais velhos e experientes, auxílio para retornar à realidade. E nessas culturas não existe o fenômeno da dependência como conhecemos hoje. Pode ser até que haja o potencial para que elas se manifestem, mas nunca com as características epidêmicas (ou endêmicas) como vemos hoje.

    A farmacodependência, como a conhecemos, é um fenômeno da sociedade industrial e vem crescendo há cerca de 200 anos. O potencial para causar dependência não está unicamente na substãncia mas num quatérnio que podemos classificar de bio-sócio-psico-espititual: o encontro de um indivíduo com uma substância dentro de um determinado contexto. Vejam o uso tradicional do tabaco por parte dos índios sulamericanos: há sabe-se lá quanto tempo eles fumam aqueles charutos gigantescos com altas concentrações de nicotina e outras substâncias. Apesar disso, não existe entre eles o tabagismo. Agora, se você levar para eles uns Marlboros, que podem até ter menos nicotina, mas vem de um contexto cultural para o qual eles não tem referências, logo teremos um monte de tabagistas.

    A sociedade industrial levou ao extremo a dinâmica patriarcal, com sua lógica concreta, científica, materialista e individualista, às custas do sacrifício do matriarcal. Num certo momento isso foi necessário, mas hoje precisamos passar para um outro nível, mais fraternal, e alcançar uma dinâmica de alteridade. Disso irá depender a sobrevivência. Como tudo o que é reprimido, o feminino aflora de forma sombria, como na busca pelo prazer imediato. Se na época do Freud o reprimido era a sexualidade, hoje vemos aflorar a violência devoradora, que também é atributo do feminino sombrio. Não se iludam, meninos, com a suavidade da mulheres: evolutivamente ainda somos bacantes, senhoras do sangue.

    Uma característica da nossa época é a falência e perda de sentido dos rituais tradicionais. Perdemos essa referência e ainda não achamos outra, mais adequada às necessidades da sociedade contemporânea, para substituí-la. Mas não estamos livres da nossa história biológica e evolutiva. Os ritos de passagem agem simultâneamente a nível bio-psico-sócio-espiritual, promovendo uma vivência de morte e renascimento simbólicos e auxiliando a passagem para novas formas de consciência, mais adequadas a cada fase de nossas vidas, e continuam a ser necessários. Tentar achar uma saída com base na lógica do indivíduo é algo extremamente complexo, e requer um nível considerável de desenvolvimento psíquico /espiritual de que nem todos dispõe. Nos mais jovens fica especialmente aparente essa busca por ritos que ajudem a construir uma nova identidade pessoal e coletiva. Modificações corporais, drogas, restrições alimentares, experiências limite, de risco à vida, jornadas iniciáticas, são frequentes nos ritos tradicionais. Não é à toa que observamos uma busca crescente por essas práticas, que podem tanto acontecer de maneira saudável como transformar-se em patologias. Transtornos alimentares, por uso de substâncias, automutilação e outras formas de compulsividade e autodestruição. Como disse Jung, os deuses se transformaram em doenças.

    O analista junguiano italiano Luigi Zoja considera que o dependente fica prisioneiro do aspecto “morte” do rito de passagem. Ele busca uma auto-iniciação mas não consegue vivenciar um renascimento simbólico, e passa a repetir compulsivamente essa busca, chegando algumas vezes à morte real.

    Fica aí a tentativa de entender um pouquinho um fenômeno. Mas acredito que, por trás de tudo isso haja uma questão pouco enfrentada: TODOS SOMOS DEPENDENTES. Da satisfação de nosas necessidades básicas, de uma série de coisas transcendentes de que falei acima, de drogas, de objetos, mas, principalmente uns dos outros. Negar essa dependência, querer-se independente a todo custo, é caminho certo para o sofrimento. E a nossa cultura tenta hoje fazer justamente isso, colocando “os dependentes” como bodes expiatórios, animais sacrificiais portadores e responsáveis de todas as nossas mazelas, expostos para serem despedaçados. “Só podia estar drogado!” é a frase dos famigerados “repórteres que gritam” nos programas da tevê. Mas os drogados são cordeiros do deus. Para eles, pelo menos, resta uma possibilidade, inda que pequena de redenção.

    A Graça é filha da Compaixão.

  181. Marilia Castello Branco disse:
    Dezembro 10th, 2008 at 11:27 pm

    Heloísa

    Serei rápida, que já falei demais:

    Vindo de você, o elogio me deixa toda boba.

    Te deixo de presente uma palavra que descobri recentemente:

    Sororidade.

    Gracias!

    Achei bonito o som, uma certa estranheza, o sentido e a raridade.

    Obrigada.

  182. Matilda Penna disse:
    Dezembro 11th, 2008 at 12:12 am

    Moqueca é derivada de móquem, palavra tupi, de móquem veio moquear, de moquear veio moqueca, era um processo de conservação de alimentos usado pelos índios.
    Sempre esquecemos os índios, mas eles também tinham culinária, nos deram mais que o aimpim e a pipoca, deram o nome e o pirão da moqueca.

  183. Lúcio Jr disse:
    Dezembro 11th, 2008 at 12:32 am

    Oi, Caetano, Hermano e pessoal. Caetano: vi seu debate na Folha Ilustrada. É o tal negócio: Cronicamente Inviável também me passou uma impressão negativa quando foi lançado. Taí abaixo meu artigo na época. Mas eu entendo porque um adorniano de formação sociológica como Schwarz venha a gostar desse filme: ele curte sociologi e esse filme dialoga com a sociologia, negando o mito do homem cordial, por exemplo. Já quanto às figuras pop, acho que dizer que Francis é pop já vai longe demais. Ele mesmo dizia que a cultura pop é uma montanha de lixo. Um adorniano como Giba também teria virado criatura pop? Então, como te disse, a Escola de Frankfurt hoje é pop.

    O filme de Sérgio Bianchi (Cronicamente Inviável, Brasil, 2000) talvez preferisse não trazer inscrita sua origem brasileira depois dele. Pretendendo ser o negativo da cultura oficial, dos festejos fracassados em Porto Seguro, essa narrativa centrada num restaurante chique (nos Jardins?) pretende ser um “retrato” do país. No entanto, como na canção pop da Legião Urbana, julga que “queimaram o filme”, inapelavelmente. Na caatinga cultural de uma cultura submetida à tevê, o filme nacional – esse produto discriminado e marginalizado – deve disparar contra tudo que se move, isso é a lição de “moral” que sobrou no final da epopéia de desastres. Ou seja, estamos diante do filme brasileiro suicida, autofágico, que se recusa a dar sentido, e se dedica com prazer sádico-anal a aniquilar o sentido. A experiência central que poderia articular e dar sentido àquele coquetel de fatos variados e dar-lhe uma espinha dorsal seria a constatação da óbvia dependência, do processo colonial que formou o país e que ainda molda sua face –ainda que essa seja a da tragédia e da barbárie tornadas cotidianas.
    Embora ambicione enfileirar um catálogo de mazelas brasileiras (violência policial, racismo, vitimização, tráfico de crianças, prostituição masculina) o filme destruidor se ressente de sua própria sanha assassina: se esse país não presta, do sul colonizado pelos poloneses até a Amazônia, e se o próprio intelectual que realiza esse périplo é um sociólogo corrompido pela mulher mestiça que, apesar da infância sofrida numa carvoeira, faz dos corpos das crianças brasileiras uma matéria-prima de exportação colonial, podemos até suspeitar desse narrador aparentemente isento, dessa voz tonitruante, beirando a histeria, que faz denúncias. Esse prazer destrutivo se dirige preferencialmente contra o Rio e a Bahia, embora finja não poupar ninguém; é carioca o intelectual que fala na identidade nacional como sendo a mestiçagem, é da cidade maravilhosa a negra que dança na escola de samba, é bem carioca a bossa nova em inglês que toca entre os grã-finos. Todos esses tipos são atacados, pretendem simplesmente esconder a dominação, são escravos dançando para os senhores e exibindo uma alegria estúpida e sem sentido – um jargão marxistizante é usado cinicamente: valor de troca, valor de uso, opressor e oprimido, revolução, guerrilha. Mesmo assim, não há boa vontade com os sem-terra, que são mostrados como massa de manobra, numa cena lamentável, mesquinha e reacionária. Como uma maldição, nada cresce nessa waste land que não respeita as minorias “como os Estados Unidos”, país que é poupado desse espírito homicida, junto com as telenovelas da Globo. O ponto de vista de Bianchi (espécie de juiz-penitente) não é o dos mais fracos: fotógrafo do horror, turista do fracasso, é um forte que compactua com o que é condenável, mas deseja manipular essas “coisas” em proveito próprio. Com o binóculo da classe média paulista, marcada pelo integralismo, malufismo, peesedebismo e quejandos, Bianchi só consegue ser um carcamano, um pirata do navio-fantasma-Brasil.

  184. Fabio Celeri disse:
    Dezembro 11th, 2008 at 1:18 am

    Caetano,

    Há pouco tempo descobri a razão pela qual os homossexuais são chamados de veados, e não viados. Isso acontece porque, como em qualquer outro grupo animal, no bando de veados existe apenas um macho dominante. Quando esse macho envelhece, ou perde seu chifre (seu símboloo de poder)em alguma luta, ele se disfarça de fêmea para que não seja expulso do bando, inclusive estabelecendo relações sexuais com o novo macho dominante. É daí que vem o nome.
    Quanto ao SIFU/SIFO, não sei quem é pior; aquele porque disse, ou nós por darmos tanta importância.
    Grande abraço.

  185. Nobile José disse:
    Dezembro 11th, 2008 at 1:28 am

    drogas têm que legalizar
    adictos têm de se tratar

    prefiro os furos do lula
    aos buracos mal tampados de fhc

    andy me assombrou quando vi de perto sua obra

    heloisa, se caetano titubear, me convidas pra jantar?

    acho o anti-lulismo cafona, como achava brega o fora fhc

    acho mais bonito falar boceta

    adoro alguns palavrões

    tem a tal música, que ainda não ouvi, que diz: vai tomar no cu… parece q foi cantada pela eliana, em alguma festa…

    não leio ilustrada todos os dias

    não leio veja e acho mainardi um bonito blefe

    e chega de mim: beijo na festa!!!!!!

  186. Edmilson Silva disse:
    Dezembro 11th, 2008 at 1:29 am

    Bravo, Matilda!

    Você arrasou.Proparixitonou, e de forma singular, essa prosa com o limão que faltava. O saber é como o gengibre, o quioiô, temperos que poucos sabem usar.
    A moqueca de folha (peixes miúdos temperados apenas com sal e pimenta, enrolados em folhas de bananeira), cozida em moquém, sobre trempe, e que, infelizmente, não se encontra mais nas novas baianas do acarajé, apenas reforça sua apetitosa intervenção.
    E já que estamos a falar em comida, falemos na massa puba, amido de mandioca, outra contribuição dos indígenas.
    Se o pirão da moqueca for estampado, rajado ou matizado pela caligrafia verde de alguns poucos quiabos, ainda fica melhor.
    E “quem quiser vatapá que procure fazer / primeiro o fubá / depois o dendê / procure uma nega baiana (uma preta ou mulata gorda), ô / que saiba mexer / que saiba mexer(…)”
    Agora, melhor do que tudo isso, só o Efó (assim mesmo com caixa alta) de Canozinha. Acepipe bom, que acho inté, que Deus me perdoe - a mão direita, dedos fechados, a bater triplamente sobre a boca - Nossa Senhora da Purificação já teve vontade de comer.

  187. eXequiela - 100% de humedad disse:
    Dezembro 11th, 2008 at 1:30 am

    Gravataí: Sí pero el domingo no estaba en Buenos Aires!! Sino, nos hubiésemos visto pibe!! Te voy a mandar por Orkut un videito Emo que te va a gustar.
    *******
    Lucre: che!!!! una escupida no!!! JAAAAAA-HAAAAAAAAAAAAAAA.
    Y todavía dudan de qué lado estar cuando juega Argentina-Brasil? Yo me pongo la albiceleste y que no se me cruce ningún brasilero porque se arma una!!!!!! Y eso que los quiero tantooooooooooo. AY!!!!
    ***********
    LeAozinho: Muy amable tu explicación (aunque hubiese preferido que me contestes alguna que otra preguntita más profunda que te hice ……equis). Y lo del axe católico? No entiendo!
    BESO-BEIJO. Los detalles de las palabras, reglas, gramática, sílabas, diptongos…. no son aburridos, no, no!! Son aburridísimos, un torre (zzzzzzzz), un embole, un somnífero potente! Está bien tocar estos temas muy de vez en cuando pero zzzzz. BESO-BEIJO. Por lo menos tengo la delicadeza de decirlo entre besos para que no te enojes.
    Quizás no seas tan solar pero yo soy muy sensible así que tendré que ir protegida. Imaginate si me desmayo!!!! Vas a tener que suspender el show para darme un beso y revivirme. No señor!!! Yo conozco muy bien al público argentino y si se suspende el show por mi culpa, me linchan! Ah! Y si me desmayo y no te importa revivirme y quedo ahí tiradita en el suelo? No señor!!!
    Sin embargo, si por una de esas causalidades Joauuuuuuuuudo estuviese en Buenos Aires y me acompaña a verte: Ahí sí!!! Me animo incluso a ir en bikini sin filtro solar …. Joauuuuudo es mi proTección.
    No me gusta follar, y menos con acento español, en todo caso fosssshhhar con acento porteño. Prefiero coger, con acento porteño* of cOUrse.

    **********
    No leí todo lo que pusieron sobre las drogas pero pienso que los drogadictos sufren la carencia, y la discriminación que sufre cualquier paciente psiquiátrico. Las enfermedades psiquiátricas son tabú. “Fácil” decir: mi hijo tiene diabetes. Complicado decir: mi hijo es drogadicto o… mi hijo es esquizofrénico. Los enfermos mentales son estigmatizados…. en gran parte por lo difícil que son de tratar y conocer (o conocer y tratar) este tipo de enfermedades.
    *********
    Madam Jadele, le mandás un beso a Labi de mi parte? Que no tarde en volverrrrrrrrrrrrrrr!!! Que necesitamos sambar!!!!

  188. eXequiela - 100% de humedad disse:
    Dezembro 11th, 2008 at 2:13 am

    Me olvidé de algo LeAozinho:
    No te creo que te divertís de una forma tan aburrida. No te creo! No te creo! Leoncito impostor!

  189. Rafael Rodriguez disse:
    Dezembro 11th, 2008 at 4:31 am

    Ontem gravei um comercial na Lapa…
    Nas pausas conversei com vários moradores de rua, todos eles vinham falar comigo (engraçado isso). Eu com um violão na mão (fazendo pose)…
    Uma desses Moradores, o Carlos (55 anos, muito bem arrumado), disse que foi expulso de casa… Gosta de beber umas e outras e cheirar cocaína… Falou de sua via, sua profissão (marceneiro), seus filhos(um de 24-faixa roxa em Jiu-Jitsu e outro de 8), mulher… Tudo isso entre lágrimas e sorrisos. Repetiu algumas vezes que o problema maior era a bebida que o levava para o pó, só cheirava quando bêbado.
    “Só bebo na quinta, sexta, sábado e domingo.”
    Perguntei:
    Ué, mas hoje é que dia da semana?
    Ele (sorrindo):
    Quarta…
    Prometeu refletir sobre o consumo e que iria se internar hoje numa instituição localizada na Av Brasil.
    Chorando contou que amava muito a esposa, estava fora de casa há uns 15 dias.
    Aconselhei a ligar para a patroa, pedir desculpas… Chegar em casa, ligar no Roberto Carlos dos anos 80 (gargalhamos, ele: Ih! cara, vc é o cara!)… Falar no ouvido dela, carregar para o ninho e matar a saudade. Contou que é apaixonado pela mulher.
    “Eu tenho idade para ser o seu pai”.
    Revelei a ele que meu pai também se chamava Carlos, José Carlos.
    Cantei o “póparacompó”, ele quase rolou de rir, adorou!
    Foi assim, um brincando com o outro, trocamos um papo bacana. Falamos de tudo, de música, drogas, pais e filhos, amor…

    Aqueles moradores de rua da Lapa sacam muito de música, muito mesmo! Fiquei impressionado!

    Tinha uma senhora que falava que gostava do Caetano, pedi para cantar uma música dele…
    Ela:
    “Deixa a vida me levar, vida leva eu…”

    Para um outro cantei “Não me arrependo”, ele me acompanhou quase chorando, conhecia cada verso.

    bjs.

  190. Nando disse:
    Dezembro 11th, 2008 at 12:52 pm

    Ricardo, Alemão, Heloísa e Gravataí,

    O (des)respeito que Lula inflige à sua posição não reside SÓ no português errado que pronuncia. De modo geral reside na obtusidade que lhe é característica, que é o que todos os trechos colecionados apontam. Não pensem que fico gargalhando quando vejo coisas assim. Acho lamentável. Dispensável qualquer contexto.

    Em momento algum falei dos erros e acertos do governo Lula, nem o relacionei a qualquer antecessor. Muito menos disse que a coisa mais importante do mundo é o comportamento do Lula à frente da presidência da república. Estou me referindo especificamente às atribuições inerentes ao cargo que ele ocupa. Que isto não interesse a ninguém, tudo bem. Mas ao menos leiam direito o que escrevi. Estou sentindo na pele o que é não ser entendido, Heloísa.

    Luiz Castello: que generoso da sua parte compartilhar conosco sua experiência. Fiquei muito comovido aqui. Força sempre, pra você.

  191. Alemão disse:
    Dezembro 11th, 2008 at 1:14 pm

    Nando,

    Fiz menção a você com todo o respeito, pois acompanho suas excelentes participações aqui nesse democrático espaço.

    Minha crítica se resume ao fato de vc ter retirado alguns trechos de falas do presidente, o que me pareceu infeliz, só isso.

    Quanto ao resto tá tudo certo. Todos temos o direito de criticar, para o bem ou para o mal, qualquer figura pública. Inclusive, está aí o Caetano demonstrando incrível generosidade e desapego, postando versões de suas músicas e recebendo toda a forma de comentário.

    Um carinhoso e paulsitanto abraço pra você.

    Marília,

    Lindo demais o que escreveste. Já copiei para ler e reler muitas vezes. Com certeza, vai enriquecer a minha opinião sobre o tema que, por enquanto, ainda é pela legalização, pero sem apologias jamais!

    Beijos paulistanos carinhosos a todos!

  192. Heloisa disse:
    Dezembro 11th, 2008 at 3:10 pm

    Nando, desculpe-me. Entendo o que você quis dizer, e até concordo: nosso presidente é um atrapalhado mesmo, apesar de tudo de positivo que enxergo em seu governo. E não será por uma possível divergência de opiniões políticas que a gente vai criar um clima desagrável aqui - logo com você, que me faz rir e pensar tanto! Já estou acostumada, pois convivo com um marido anti-Lula que me provoca o tempo inteiro, e nem me estresso… Dentes no varal para você, com muito carinho. :D

    Marília: Adorei ganhar uma palavra nova de presente, tão novinha que ainda nem aparece no dicionário. Isso é um luxo que me obriga a pesquisar e pesquisar…É claro que um primeiro sentido me vem à mente logo, mas é preciso buscar outros e mais outros. Obrigada pelo mimo!

  193. Alemão disse:
    Dezembro 11th, 2008 at 3:25 pm

    Heloísa,

    Não sei porque, mas essa é pra você que sempre me pareceu tão grande e tão forte e tão bela que de alguma forma me intimidava.

    Percorrendo o youtube com seu efeito pai dos burros (imagens-que-puxam-imagens, como palavras-que-puxam-palavras no dicionário), encontrei Três Travestis. Não coloco o link para não ser redundante, todo mundo que convive aqui já deve ter visto.

    Que coisa mais linda. Que melodia e que letra! “Não sou nenhum Chico”, disse Caetano todo seguro si. Seguro de que fez uma música realmente incrível. É posia pura. E em 77!!!

    Lirismo total urbano. Transamba, transurbano, transexual.

    E o mais importante: o comentário de Caetano a respeito do ocorrido com Ronaldo. Isso sim é grande artista em carne viva. Não sei como bate em Minas, no Recôncavo, no Sul, no Rio, enfim. Daqui de Sampa zona sul classe média, ouvir isso é bom demais.

    Beijos muito carinhosos.

  194. Guido Spolti disse:
    Dezembro 11th, 2008 at 3:54 pm

    PRA NÃO DIZER QUE NÃO DEI UMA COMENTADINHA

    Sem entrar em detalhes do palavreado “chulo” mencionado pelo presidente ( O Lula é uma figura), parei para ouvir a tal “PÓ PARÁ COM O PÓ”; um barato; geralmente não curto estas ondas de 100% JESUS, Jesus na veia, tanto pelos evangélicos quanto católicos, acho de uma caretice absurda (ai, as religiões); mas vá lá, cocaína levada às últimas conseqüências também é caretaço.

    Uma divagação: o sentido dado à conotação sexual para (bu) boceta me parece intríseco ao próprio ato de guardar algo, algo é introduzido na boceta, não parece óbvio? sei não! Creio que nossa musa Heloísa responderia isto com precisão…

  195. Miriam Lucia disse:
    Dezembro 11th, 2008 at 4:20 pm

    Uma vez falando com o Franco sobre este assunto o que seria mais correto buceta ou boceta ele me deu uma explicação muito simplista mas que ate gostei, para quem não sabe o Franco é italiano e não fez nenhum curso de português, mas como é medico tem um bom conhecimento de anatomia. Para ele tem mais sentido boceta porque se a vulga tem grandes e pequenos lábios logo ele ve que poderia bem ter alguma relação com a palavra boca, na verdade não levei muito a serio porque ele não conhecia esta palavra que no italiano não existe e também nunca a viu tanto no latin como no grego, mas, pelo menos me serviu para não errar mais na hora de escreve-la.

    Tem uma outra versão que já vi por ai que relaciona a palavra buceta a uma caixa e daí a caixa de pandora e os males do mundo, que particularmente não gosto. Para começar não sei onde é que inventaram este negocio de “caixa” de Pandora porque na mitologia grega somente se faz referencia a jarra, ânfora ou vaso.

    Heloisa, por falar nisso me lembrei de uma estória, tem horas que o Franco fica louco quando vê como tratamos a mitologia seja ela grega ou romana, porque principalmente para as pessoas da geração dele tem um significado de grande importância, veja que ele estudou sobre a mitologia grega em grego e na escola secundaria. Isso sem contar algumas transformações fonéticas de letras derivadas do grego ou latin, como exemplo o x, e isso se da toda vez que ele fala abacaxi, e pronuncia “abacaksi e eu vou corrigindo, daí ele teima dizendo que para termos este som deveríamos escrever abacasci, então tive que pesquisar sobre a historia da evolução da letra x na língua portuguesa para faze-lo entender como foi que tudo aconteceu, entender ele entendeu mas não se convenceu muito não.

    Marilia Castello Branco, sempre leio os teus comentários, mas estes últimos em que você fala da Unifesp li com muita nostalgia, morei na Botucatu uns 12 anos bem de frente ao portão da escola, onde hoje é a oncologia pediátrica (na verdade saímos dali por este motivo mesmo) meu ex era professor da escola por isso freqüentei muito aqueles pátios da antiga EPM, e minha filha que na época era pequena queria levar todas as visitas que recebíamos em casa para ver os “bonecos” da sala de anatomia e, no dia do “banho” ela era sempre a primeira a chegar com a latinha na mão e passava o dia todo com a turma, diziam que ela era a mascote. Tenho muitas estórias e boas lembranças!

    Mas falando de coisas serias, sempre gostei muito deste tema sobre drogas e sempre li muito a este respeito, gostei muito do trabalho desenvolvido sobre a cannabis sativa pelo Dr. Carlini, que creio é uma das maiores autoridades sobre o assunto, inclusive, o que mais gostava na leitura de suas pesquisas era a imparcialidade e sobretudo a seriedade profissional com que tratava um tema sempre polemico.

    Peguei um link de um trabalho de alguns profissionais, inclusive o Dr. Carlini para quem quiser dar uma olhadinha e acrescentar um pouco mais de conhecimento sobre o tema drogas.

    http://www.imesc.sp.gov.br/pdf/artigo%201%20-%20DROGAS%20PSICOTR%C3%93PICAS%20O%20QUE%20S%C3%83O%20E%20COMO%20AGEM.pdf

    Carissimo DIMAS ROQUE confesso que fiquei ate emocionada com teu convite e tuas dicas, principalmente as que falam sobre o calor de 45 a 50 graus que para o meu companheiro seria demais, embora aqui na Itália quando temos o scirocco (o vento africano) a temperatura atinja ate uns 45 graus em algumas regiões, e isso fica pior por causa da umidade e a gente sente o sangue ferver literalmente, e depois aquela sua expressão poética ao falar da florada convence qualquer pessoa. Obrigada!!!

    Beijinhos a todos

  196. joana disse:
    Dezembro 11th, 2008 at 5:00 pm

    Joaldo…um obrigada com sorriso nas orelhas pelo carinho…

    segue de novo o mail pra fazer contato comigo, se vc quiser. sou mais pra quieta mesmo, mas de fato muito observo…joana.jin@gmail.com

    Hermano

    vai ter prêmio nesse blog? depois de tanto tempo e esforço pra acompanhar, bem que podia ter uma premiação divertida. tipo um cd com lacinhos, e autografado, ingressos pro show e pra levar a família, um souvenir de Caetano autografado e personalizado, hi hi hi

  197. vonaldo mota disse:
    Dezembro 11th, 2008 at 5:27 pm

    valeu caetano por responder sobre a risada de andy. ja não sou um careta!eu gosto das referencias que vc sempre faz em sua obra desde alegria alegria.

  198. Roberto - evaporizador - Joaldo disse:
    Dezembro 11th, 2008 at 6:00 pm

    SOBRE QUASE TODAS… UMAS POUCAS COISAS:

    Passei um dia em meio sem pegar o bonde da OeP e estou mais perdido do que cego em tiroteio. Enquanto não posso voltar com um camelocomentário, o único tipo de comentário que sobrevive a este calor inenarrável que se apoderou de Salvador e de meus 1,82 metros and 74 quilos (perdi dois ontem), eu queria registrar algumas coisitas.

    Primeiro, que Lenartei não existe - mas pelo que chegou dele em meu gmail descobri que ele… consiste!

    Segundo, que Madam Jadele está conratada pra chefiar e equipe de ombudsmans libertários que irão conceder a palavra aos futuros e ansiosíssimos assinantes-comentadores de nossa Impertinácia (uma revista web viva inspirada… etc. and tal)!

    Terceiro, que eu fiquei preocupado com Marilia - depois daquele beijo na boca dado assim diante de nossos suados narizes em Caetano: mas vejo que ela se salvou (diferentemente de Nando and Gravataí, tão caidinhos nos braços caetrânticos há semanas e semanas)! E ainda que ela poderá publicar o livrinho que anunciou, se asssim o desejar, através da Editora Impertinácia, que se integrará como uma das iniciativas ligadas à Revista eletrônica de mesmo nome!

    Quarto, que Salem continua sendo o único que consegue se UNO com o Caetano sem entrar pelo cano - e que, finalmente, depois de me resistir tanto, orkut-circuitou comigo!

    Quinto, que Castello, por diversos outros momentos deste blog, é o máximo denominador comum de nosso bom humor e terá seus livros em que reunirá o sumo de sua comicidade editados pela Editora Impertinácia (para quem não leu o item terceiro supra: iniciativa que se associará à Revista de mesmo nome)!

    Sexto, que Joana é a pessoa dentre nós mais bacana! E tem um olhar que me chama, que me chama…que me chama!

    Sétimo, que Labi Barrô se aglutinou mesmo em: Labô! E que, por motivos diversos dos de Exequiela dias atrás, daqui, sim, se evaporou, mas soube que voltará feito chuva! Tomara que a chuva caia logo…

    Oitavo, que me chateei com Nando num certo momento, pois quanto ao curioso prefixo de verão ou hit do axé catolaico-ionesco parecia nos pedir em certo instante: poparacoadiscussaoaió!

    Sétimo, que Suely, por sua própria e bela natureza, e ainda mais por nos indicar a pérola que é Coisa Asssassina, de Gil and Mautner - no momento ela é o mínimo múltiplo comum de onde ainda poderemos partir para quem quiser dar ainda mais “vida” a essa tão instigante questão!

    Oitavo, que foi não no sétimo mas no oitavo dia que Deus foi descansar, e, como ninguém é de ferro não, foi nesse dia então que o Diabo sentou praça neste mundo e…!

    NOTEM BEM.: encontrei a canção de Gil and Mautner youtubada - interpretada por Mautner and.. Caretano! Confiram-na aqui:

    COISA ASSASSINA”>

    -alguém compondo longe de mim…

    (Nando, Gavataí, Glauber e outros compositores daqui)

    …algum dia poderia
    por seu turno,
    pôr esta campanha-canção acima
    em fantasia de frevo embolada baioque
    em algum outro compasso, afinal,
    que domine o gosto imberbe da massa
    no próximo Carnaval?

    ___________

    eXequiela:

    Hmmmm… pensastes que me esqueci de ti? Sua…sua leodulceferina ronroneante and exTasiante!

    Toma daqui para essa humedad excessiva em tua Buenos Aires querida todo o poder evaporizador de um cheiro deste baiano e caboclo amarelo do sertão de Tocós, que vive exilado no sentido lato neste litoral soteropolitano.

    Tem mais troco que eu preciso dar em ti aqui por coisitas que diz de mim mais acima! No momento, a transpiração excessiva impede-me dar vazão a toda minha inspiração.

    ENQUANTO ISSO…

    p.s.1: O curador e apresentador principal da FM Impertinácia, nosso querido Gi (Gilliatt), acaba de dizer-me por SMS que deseja mucho continuar a entrevista contigo sobre as suas canções caseiras e saber mais algumas coisitas pessoais… não, não é teu respeito não! - sobre mim.

    p.s.2: O nosso querido responsável pelo futuro canal da Revista Impertinácia no YouTube, Lu (Lucesar), também por SMS lembrou-me mais cedo de que usted ainda não esclareceu o que disse páginas atrás: são sobre o que exatamente os teus aguardados vídeos caseiros?

  199. Heloisa disse:
    Dezembro 11th, 2008 at 6:00 pm

    Paulo Osório: O ‘controlo’ de vocês é o nosso ‘controle’ aqui. As duas palavras ocupam com orgulho o lugar que lhes pertence no vocabulário - só não se conhecem ainda. E eu me pergunto todo dia: quantas línguas cabem dentro de uma mesma língua?

  200. Roberto - evaporizador - Joaldo disse:
    Dezembro 11th, 2008 at 6:05 pm

    Sétimo and Oitavo repetido…não foi culpa da revisão, não: o calor aqui é de fundir a cuca mesmo! (o ar-condicionado está em manutenção)

  201. Rodrigo Marques disse:
    Dezembro 11th, 2008 at 6:19 pm

    Caitano nem sifu nem sifo
    um caiato caiu na máquina de escrever dos homi
    não tinha o ó butaram o u! oh, ah uh!
    u lulu luaou e disse mesmo foi com u
    que lula conjuga as vogais sem gaguejar
    é um tal de a um tal de é um tal de i um tal de ó e um tal de sifu
    sifo é abreviação de sifose que é o mal que tem a língua quando o professor quer entortar o rebolado espontâneo, sem gramática dura, do falar, dos falares
    mas isto foi antes ou depois do acordo ortográfico?
    Caetano será que vocÊ leu o livo Fazendinha, tá lá no Overmundo, do Rodrigo Marques, autorizo voismicê a musicar os poemas não precisa pagar os direitos,

    Abraços e qui Deus te ate bem e coma o u do teu ateu

  202. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Dezembro 11th, 2008 at 7:37 pm

    Querida Vero, que banho que você nos deu sobre Montaigne! E que momento oportuno, com essa onda de calor que nos assolou aqui em Salvador. Você condensa tudo aí sobre o dom da amizade. Agora, eu continuo me lembrando que um dos ensaios em particular guarda relação com um ato que Michel fez para eternizar e agradecer literariamente a amizade vivenciada com La Boètie. Mas não consigo achar ainda o volume 1 onde estaria isso, e minha cuca está fundida com a quentura extrema desse anteverão na Bahia para que eu me lembre disso sem folheá-lo.

    O que importa é que seu texto é magnífico. O que importa ainda mais é que o seu humor - único! - está cada vez mais se delineando aos olhos de todos nós, Vero. Você foi muito feliz e lindinha com essas palavras. Sou teu fã. Um fã fanfarrão, é verdade. Adorei inagurar o seu Orkut.

    Quantos não se interessarão em mergulhar de vez na leitura dos Ensaios, Vero, a partir desse teu texto acima? Eu já vejo o diamantino Salem correndo para comprar um exemplar dos dois volumes (se for a mesma tradução que tenho, saída pela Nova Cultural, são dois volumes).

    Sabe, Vero, para a Revista Impertinácia, eu tenho chamado, por enquanto mulheres, mas isto não significa por si só nenhuma distinção ou discriminação, infocaetanautas para lerem comigo juntos algum livro e isso ser ponto de partida para postagens nossas de capa e para comentários na nossa futura revista eletrônica, ou mesmo aqui ainda na OeP - se a programação de Caetanino para lançar o novo álbum se atrasar (o que espero que aconteça, pra gente curtir mais um poquinho esta nave).

    Eu e Exequiela, e quem mais quiser nos acompanhar, leremos Tirant lo Blanc, de Joanot Martorell. Eu e Heloisa leremos A Transparência e o Obstáculo, de Jean Starobinski, um leitor profuso de Rousseau, e quem sabe a gente não se anima a partir daí para lermos deste diretamente Julie, ou la Nouvelle Héloïse! Eu penso em propor a Miriam Lucia a leitura do Romance da Pedra do Reino, de Suassuna.

    A você, Vero, também a Joana, e a quem mais se apaixonar, porque é um livro plural, com várias portas de entrada e saída, e constituído de ‘textos’ que não precisam ser lido exatamente na ordem, eu proponho lermos os Ensaios de Michel de Montaige. Que tal?

    Eu volto a falar sobre esses livros oferecendo links úteis para todos eles, a fim de ainda mais ouriçar o interesse dos infocaetanautas e dos futuros impertinazes para participarem do nosso Clube do Livro ou Clube da Leitura - mais uma iniciativa agregada ao projeto da revista web viva: Impertinácia. Eu volto quando o calor passar…

  203. DIMAS ROQUE disse:
    Dezembro 11th, 2008 at 8:54 pm

    Socorro – Obrigado pela deferência. Seu Avô viveu em uma das melhores regiões deste país. Histórias de bravura e sobrevivência deste povo ao qual faço parte é o que de mais belo existe. Por aqui passaram diversos tipos que hoje estão nas páginas de livros. Roque é de família.

    Caetano – Sou contra um terceiro mandato para Lula. Sou contra inclusive a reeleição. Este fato hoje prostitui as eleições. Não é justo que alguém possa competir com um outro que têm em suas mãos milhões a serem utilizados na compra de formas para burlas urnas, compras votos, comprar juizes…

    No mais os sábios que moram as margens do rio São Francisco contam lendas a respeito de Caetano. Uma delas fala que no dia em que a policia foi prender Caê ele ainda estava dormindo. Isto devia ser umas 11h. A então esposa dele, Dedé, teria pedido para que eles voltassem mais tarde. A justificativa era de que ele não iria gostar de ser acordado naquela hora. O problema não estava na prisão. Estava em acordá-lo. Você pode até me perguntar se isto é verdade. E eu te respondo: E eu sei lá. Quem vai acreditar em histórias de velhos que moram no sertão as margens do rio.

    Pelo sim, pelo não. Melhor ouvir uma boa música.

  204. Luiz Castello disse:
    Dezembro 11th, 2008 at 11:20 pm

    1.Joaldo meu poeta,

    que vontade de saborear esse risoto,ti dar um abraço apertado e desfrutar ao vivo da sua torrencial Proesia.
    Papear com você,alem de divertido,deve ser um extraordinário exercício intelectual.Sem pedantismos,e sim,no sentido da descoberta de novos e fascinantes horizontes.
    Que pena…no momento ta complicado $$air do Rio de Janeiro.

    Em relação à minha natureza,você acertou em cheio; os trombudos que me perdoem,mas bom humor é fundamental.
    Meu impertinaz abraço.

    2.Marilia,minha priminha,você é Demais…ou DeMarte.

    Seu texto falando de religiosidade e drogas é antológico.
    Vibrei quando vi você falando em,“busca por transcendência”.
    Os grandes comentadores daqui,parecem estar identificados com a retórica do chamado “materialismo histórico ou dialético”,e isso tem me causado um certo acanhamento no modo de abordar determinados assuntos.
    Mas você lavou minha alma.(mesmo sendo à favor da legalização, he he).

    Um cafunézinho na sua orelha,
    desse meio-velho Castello.

    3.Querido Nando,Marília,Joaldo,Carlos “Alemão” Moura e todos que acolheram meu comment depoimento.

    Valeu ! pela força.

    É sempre difícil,e ao mesmo tempo prazeiroso falar de nós mesmos.Ainda mais,quando o assunto desperta tempestades psicológicas.
    Eu me programei para falar sôbre a legalização das drogas,dependência química,alcoolismo,sem envolvimentos,mas desde o princípio senti que seria impossível.
    Perguntei à minha mulher o que ela achava,e ela me disse :
    “Não Luiz,é a sua vida pessoal,voce deve se resguardar”.Mas eu insisti :
    -São pessoas inteligentes,cultas e extremamente sensíveis,devo compartilhar sim.

    As palavras carinhosas e encorajadoras que vocês me devotaram,provaram que fiz a escolha certa.

    Essa semana minha amiga Glória,mandou-me por e-mail,uma frase que diz tudo nesse momento :
    “Se a sua alegria é a ALEGRIA DO PRÓXIMO, viverás em eterna felicidade”.

    A Vitória é Nossa.

    Obrigado,de coração,
    Luiz Castello.

  205. Ricardo de Alcântara disse:
    Dezembro 12th, 2008 at 12:26 am

    Nando,

    você respondeu meu comentário com gafes selecionadas do Lula. Eu entendi onde quis chegar, só não achei uma boa resposta.

    Leio aqui as coisas que você escreve e sempre (sempre mesmo) te acho muito inteligente. Essa discussão do Lula já nasceu morta, fiquemos com o “nêgo rezador” da Heloísa. Ademais, você tá certo, o Lula pisa um monte na bola.

    Abraços,

    Ricardo.

  206. gil disse:
    Dezembro 12th, 2008 at 12:32 am

    Castello, queria te dizer alguma coisa, mas eu nem sei…acompanhei o seu relato com muito respeito e agora, percebo sua coragem e sensibilidade. Sua inteligência já não era mais segredo e seus depoimentos revelam cumplicidade, estamos todos embaraçados de ser.
    “os deuses não revelaram logo ao princípio todas as coisas aos homens, vão, sim, procurando e encontrando melhor ao longo do tempo”( fragmento 31

  207. Heloisa disse:
    Dezembro 12th, 2008 at 1:52 am

    Alemão, obrigada pelas palavras e por se lembrar de mim ao ouvir essa música tão linda.’Três travestis’ é um primor, e Caetano diz que ela é bonitinha… Assisti de novo agora - além da música, a fala bate em mim com alegria, confirmando tudo o que penso dele e do assunto que abordou.
    Não tem por que se intimidar comigo - grande, forte e belo aqui é o Caetano. Aliás, eu nem tem tamanho para isso tudo. :) Beijos carinhosos.

    Paulo Osório, nos dicionários de vocês não aparece ‘controle’? Estranho, porque um bom dicionário brasileiro mostra palavras usadas aqui e aí - no caso de ‘controlo’, por exemplo, há a indicação de que é a mesma palavra, mas usada em Portugal. Assim não precisamos de outro dicionário aqui. ‘Rabeta’ é engraçado, não conhecia - vou ver se encontro. Um abraço.

    Viana Vana Caravana, a evolução de uma palavra independe de sua classe gramatical – qualquer uma pode ser desdobrar em outras, como você afirmou. Quem organiza um dicionário inclui os neologismos que podem surgir de várias formas, até mesmo com a mudança de sentido de uma mesma palavra, como é o caso do verbo ‘foder’. É preciso ficar claro para você que, pelo menos por enquanto, esse verbo é o mesmo para todas as definições. Ele é oficial e consistente, mas não estático: nada impede que um dia ele passe a ser grafado com ‘u’, mas não para separar os sentidos. E não é impossível – por mais que Caetano discorde - que um dia ‘sifu’apareça no dicionário. Verbos se transformam em outros também: só para ficar mais tecnológico, ‘iniciar’ resolveu dar a cria ‘inicializar’, a meu ver sem necessidade nenhuma. A partir de sua inclusão no dicionário, qualquer palavra é considerada oficial. Espero ter clareado um pouco o assunto para você. Um abraço.

    Miriam, abacasci é sensacional! :D

    Duas perguntinhas que li hoje, e deixo para Exequiela, Miriam, Joana, Labi e quem mais se interessar:

    ‘Quantas bocas tem uma mulher? Quanta voracidade é capaz de produzir?’

  208. Paulo Osório disse:
    Dezembro 12th, 2008 at 2:15 am

    Heloísa.

    Sério? É que aqui algumas pessoas também dizem “controle” e o dicionário não deixa margem para dúvidas. Assim sendo faz sentido um dicionário português do Brasil- português de Portugal, uma versão alargada daquele que existe no final do livro “saga lusa” da Adriana Calcanhotto…

  209. Caetano Veloso disse:
    Dezembro 12th, 2008 at 3:51 am

    Matilda,
    engraçado. O Houaiss diz que a palavra é quimbunda. Conheço moquém. Mas não creio que moqueca venha daí. Lembro que em “Casa grande e senzala” Gilberto Freire fala da moqueca como de origem negro-africana: as “moquequinhas de folha”, que ainda se encontra na feira em Santo Amaro, feitas de peixinhos miúdos com dendê e pimenta, teriam se transformado no prato das casas de família. E como assim ninguém lembra da culinária indígena? No meu Recôncavo, a maniçoba é comida obrigatória (ninguém lá nem sabe que é “de” Belém do Pará). Sem falar em tapioca, madioca, tucupi, tacacá (todos conhecidos nacionalmente e muito falados em conversas e letras de música). Quanto ao “o” em lugar de “u”, ele também acontece em palavras tupis: passamos décadas escrevendo “Itapoan” - na melhor da hipóteses, um raro “Itapoã” - até que alguns antropólogos e lingüistas aconselharam as autoridades a escreverem “Itapuã” nas placas de Rua de Salvador. E foi assim que grafei o nome do bairro na letra (e no título) de uma música que fiz.

  210. Caetano Veloso disse:
    Dezembro 12th, 2008 at 4:08 am

    Edmilson,

    Capitu é diminutivo de Capitolina porque as pessoas pronunciavam Capitulina. Mas Capitu é um oxítono. O erro que apontei em “sifu” foi o de escrever-se um oxítono para representar o que, na língua falada, é um paroxítono. Eu já disse ate’em espanhol, para Exequiela, que se alguém quer porque quer usar o “u” em “sifo” (o que não seria a minha escolha), que ponha então um acento agudo no “i”: “sífu”. Tudo bem. O exemplo de Capitolina não tem nada a ver com isso. Entendeu agora?

    Eu estava no especial do Roberto Carlos, cantando (e ontem ensaiando), daí que não pude ver “capitu” na TV. Meu filho Zeca viu e achou um pouco estilizado demais. “Bem feito”, ele disse, “mas não gosto daquela aura branca em torno das imagens - e o cara que faz Bentinho adulto é um tanto caricatural”. Não tenho autorização de Zeca para contar aqui o que ele me disse hoje, em casa, portanto de forma totalmente despreocupada, podendo mudar de idéia amanhã. Ele só mencionou isso porque lemos Dom Casmurro juntos faz pouco tempo, para ajudá-lo para a prova de literatura ou português. Foi uma delícia ler com ele. É uma delícia ler você aqui. Fico grilado ao saber que houve erro no uso do verbo haver numa adaptação de Machado.

  211. Nando disse:
    Dezembro 12th, 2008 at 8:03 am

    Castello,

    Sem acanhamentos, então:

    A abordagem com relação às drogas normalmente se limita a falar em danos graves causados por um, digamos, uso indevido. Mas o que representa a droga? Por que a necessidade dela? O que ela proporciona?

    Dizer que desde que o mundo é mundo que as pessoas se drogam é obviamente refutável. Desde que o mundo é mundo as pessoas se matam, nem por isso achamos (nem devemos achar) natural homicídio ou suicídio. A necessidade de superação e evolução exige que caminhemos para frente e para o alto - mesmo que outros percursos existam e que queiram fazê-los. Como disse um amigo meu, com razão: “Todo mundo também tem o direito de se lascar”.

    A droga (seja ela qual for) tem por princípio anular um sintoma indesejável ou facilitar o acesso a um estado emocional ou psíquico desejável. Em ambos os casos, mata aquilo que deveríamos conquistar por nosso próprio esforço.

    Um exemplo menos óbvio: o educador que, no afã de satisfazer seu filho, atende a todas as suas necessidades sem que a criança desenvolva qualquer esforço (falando claramente: impedir que ele se levante e pegue aquilo que quer, lhe dando tudo nas mãos, por exemplo), estará abrindo uma porta para a necessidade de droga (seja ela a maconha ou a preguiça: ambas anestesiam a vontade).

    “Se eu posso me estimular com pó, por que eu iria fazer qualquer tipo de esforço para desenvolver estímulo sem o pó? Se eu posso obter relaxamento usando maconha, por que meditar ou fazer uso de métodos alternativos? Se eu posso utilizar heroína e conseguir um gozo fenomenal e aliviar minhas dores, por que encará-las e superá-las de cara limpa?” - é este tipo de pensamento que precisa ser trabalhado. É o mesmo pensamento de “Se posso roubar, por que trabalhar para ter?”. E o grande drama é que pensamentos assim nem chegam a surgir, já são instantâneos, subliminares. Como combater algo invisível?

    Tudo o que causa dependência é nocivo. Seja um(a) namorado(a), seja internet, seja cocaína, café etc. A liberdade é um grande desafio. E dá trabalho, muito trabalho. Tudo o que chega sem esforço e que não for por mérito também é nocivo. O desenvolvimento da vontade é outro desafio. E dá trabalho, muito trabalho.

    É por isso que quando eu ouço Caetano falar enfaticamente “EU”, fico emocionado; porque há uma coisa valiosa aí que ele nos ensina pelo exemplo, a seco, de cara limpa. O usuário de drogas perde o “Eu” progressivamente, quem fala no lugar do Eu são os princípios ativos. A piada “tem muito sangue neste álcool” tem um terrível fundo de verdade.

    O uso de drogas tem implicações ainda mais duras (e surpreendentes - olha a transcendência aí, Castello), mas fica para depois, se houver espaço e interesse.

    Abraço,

  212. glauber guimarães disse:
    Dezembro 12th, 2008 at 12:34 pm

    nando,
    quando eu disse “entorpecer-se é tão velho quanto a história das civilizações”, quería dizer que o maior incentivador do uso [ou mau uso] de drogas é a cultura da superação, do herói. potencializada pela boa e velha culpa cristã.

    o comentário que fiz sobre o comentário de marília, podería ser resumido numa única pergunta:

    por que precisamos escapar?

    é uma pergunta que tenta ir além do controle de danos [que é importante também, claro].

    ………………….

    castello fratello,
    ví benito de paula no jô e lembrei de você. foi sensacional! abraço procê.

    …………………

    caetano,
    corretíssimo o que você disse sobre o acento no “i” em “sífu”. se o critério for, simplesmente, o entendimento imediato do termo pelo leitor, tem que ter acento.

    concordo com zeca sobre capitu. direção de arte e trilha sonora, sensacionais [parece até coisa do terry gilliam]. quanto ao resto, sei não…tô vendo.

    outro assunto:
    cê nunca pensou em usar efeitos [delay, distorção, etc] na voz, como fazía lennon e faz os strokes e tantos outros? não que precise, só pra experimentar mesmo. curiosidade matou o gato…

  213. eX disse:
    Dezembro 12th, 2008 at 3:25 pm

    Tem o mais lindo email escrito de minhas terras para você!

  214. Nobile José disse:
    Dezembro 12th, 2008 at 4:12 pm

    tô adorando capitu

    o rio antigo com paredes pichadas

    capitu tatuada, o bentinho do michel tá mto bom
    gosto da caricatura teatral que ele faz

    o som tá ótimo

    o bentinho adolescente tá dando um show de atuação

    gosto de releituras

    josé dias está bem, a mãe de bentinho tb

    e a atriz/roqueira capitu é linda

    escobar chegou ontem…

    enfim, aguardemos.

  215. Nando disse:
    Dezembro 12th, 2008 at 4:36 pm

    Haloísa*, Richard e Alemão: relax total.

    Glauber: não falei em referência direta à sua frase, nem lembrava dela; lembrei depois que você a re-postou.

    *Só depois vi que grafei “Haloísa”. Gostei tanto que resolvi não corrigir ;)

  216. eXequiela - eX? disse:
    Dezembro 12th, 2008 at 5:04 pm

    Yo no escribí ese mensaje con la firma “eX”… o sí? el/la que escribió el comentario con el nombre “eX” favor de aclarar quién es porque me da miedito… estoy enloqueciendo y ya ni recuerdo lo que escribo?

    Vuelvo más tarde pero mientras tanto dejo una pregunta a los lectores/escritores de OeP (especialmente a los poetas):

    LOS POETAS SON PELIGROSOS?

    Esto me preguntó mi inconsciente ayer en un sueño.
    ***************************************************

  217. joana disse:
    Dezembro 12th, 2008 at 6:19 pm

    minha boca não tem tempo.
    mais cala que fala.

    minhas mãos e pés falam mais que todo o resto.

    e mesmo assim, apenas 1 pessoa conseguiu arrancar de mim muitas “faladas” escritas. vorazes? sim. um tanto quanto muito carregadas de tudo que vem dos nebulosos orbitais femininos.

    capitu. toda machado.

    caets: vc relatando sobre seu respeito ao que Zeca não quer divulgado no blog gerou duas sensações em mim: achei bárbaro vc fazendo, contando e respeitando isso; revi minha vida e vi que se vc que é vc consegue e faz assim, bem, vejo que já fui muito mais desrespeitada na minha vida do que eu imaginava. ponto pra vc, mais atenção ainda pra mim.

  218. Heloisa disse:
    Dezembro 12th, 2008 at 6:41 pm

    Gente, o que escrevi lá em cima foi uma prece antiga dos negros americanos - ‘prayer’ é prece e não ‘padre’. Para Gil, que pediu a tradução, segue uma livre:

    Ó, Senhor, enche minha boca só com o que valer a pena
    E dá-me uma cotovelada quando eu tiver falado demais.

    Caetano e Glauber, escuto muito a palavra ’sifu’ como oxítona, ou como se tivesse duas sílabas tônicas. Não ouço muito o ‘o’ fraco que seria o som na paroxítona. Será que só eu ouço assim?

  219. joana disse:
    Dezembro 12th, 2008 at 7:00 pm

    eX, que não é eXequiela.

    então manda que “a gente ficamos curiosos”…

  220. Miriam Lucia disse:
    Dezembro 12th, 2008 at 7:53 pm

    Suely gostei muito do seu comentário ainda não tive tempo sobrando para acrescentar algumas reflexões que fiz a respeito, mas meu pensamento esta bem de acordo com o teu em determinados aspectos, como no caso de limites, ou falta deles, mas divaguei um pouco com relação a inversão de valores, aspectos afetivos ou exemplos de desafetos familiares entre os adultos e seus reflexos nas crianças e jovens. Tem também a questão que vejo frequentemente relacionado a compensação das ausências maternas/paternos através de permissões, presentes ou coisas do gênero, isso também se dá muitas vezes pelo próprio desgaste físico materna/paterno, o estresse dos pais, a falta de paciência e de dialogo. O mais importante a violência que se vê diariamente nas telinhas, sejam nos noticiários ou filmes, novelas, etc. Esta falta de esperança gritante com referencia as relações humanas, o mundo precisa de amor o resto viria por conseqüência disso. Mas a maioria pensa que isso não seja problema seu, talvez seja um problema dos governos, da ONU, das igrejas, das camadas da alta sociedade, e nesse empurra-empurra o mundo esta assim como esta e fica cada vez pior e a tendência é esta mesmo. Se fala em respeito ao ambiente, estão aqui se debatendo sobre leis, se estão pensando em energia alternativa, e blábláblá, e a única coisa que se precisa no mundo é AMOR o resto é conseqüência, se os homens não amam os homens como podemos exigir que amem o planeta? Houve um tempo de revoluções e os homens, e mulheres, e crianças, e jovens, e ate mesmo os velhos deram as mãos e saíram por ai professando a PAZ e o AMOR, mas pelo visto esta revolução que era a única necessária não vingou, quem sabe se em meio a este caos existente na terra dos homens não acontece esta revolução do AMOR, e enquanto estamos aqui escrevendo tem pessoas pensando na revolução do capitalismo, do socialismo, mas ao meu ver a única solução da sobrevida humana esta no AMOR, não sou descrente da humanidade e nunca generalizo, mas… O Rafael contou as estórias dele na Lapa e falava com tamanho entusiasmo e felicidade e ele pode ate me corrigir se estiver errada mas ali somente foi possível esta troca agradável porque as pessoas sentirão que ele estava de coração aberto, dando amor ele recebeu amor de volta, é isso ai.

    Beijos com muito amor

  221. Miriam Lucia disse:
    Dezembro 12th, 2008 at 7:54 pm

    Heloisa ainda bem que você disse que iria colocar a pergunta para as mulheres, nada pessoal, mas se eu fizer esta pergunta aqui para o Franco, cruz credo, Deus me livre, fazendo sinal da cruz e tudo (rindo muito mesmo), ate imagino por onde ele começaria, na opinião dele o melhor exercito do mundo seria o das mulheres falantes, na fantasia dele o exercito das mulheres falantes vai avançando e exercito de homens iria ficando cada vez mais apavorado ate chegar ao desespero e se renderem ou fugirem, assim se ganharia qualquer guerra sem a necessidade do uso de armas de fogos, bombas, etc. Mas, caríssima isso daí deve ser por conta das italianas que devem falar muito, porque eu, como você pode ver pelos pequenos comentários que faço, quase nem falo. Mais você viu a definição da outra boca feita por ele que já postei no outro comentário, isso daí é uma coisa a parte. (gargalhadas prazerosas)

    Refletindo sobre o tema na minha opinião a mulher tem bocas e bocas, num minuto sou capaz de visualizar uma infinidade delas, vamos a alguns exemplo:

    a boca sensual que desperta o desejo do beijo, de tocar os lábios; a voracidade desta boca pode produzir um efeito fulminante, ou seja, uma louca paixão ou repulsa.

    a boca sexual: sua voracidade pode produzir prazeres inesquecíveis.

    a boca que come: sua voracidade pode produzir transformações dos alimentos e também transformações em corpos, pode ser desastrosa e muito perigosa.

    a boca inteligente: sua voracidade pode produzir grandes reflexões isso estando aberta ou ate mesmo fechada

    a boca suja, afiada ou felina: a voracidade pode produzir danos irreparáveis ou alívios agradáveis

    a boca doce, carinhosa ou amorosa: sua voracidade é capaz de produzir resultados inimagináveis

    a boca, fofoqueira, beata ou sem papas na língua: sua voracidade é capaz de produzir a transformação de uma cidade inteira

    mas se tem também as mãos que embora não produzam sons são utilizadas nas conversas entre mudos, então para mim seriam também bocas e suas voracidades seriam capazes de produzirem vários efeitos como a boca que fala.

    Eu acrescentaria os olhos também, porque muitas vezes eles “falam” mais do que as palavras, e sua voracidade igualmente produz sensações diversas, da mesma forma que revela sentimentos intensos.

    Vou deixar um pouco para as demais pessoas, ne?

    Beijos com a boca da amizade.

  222. Matilda Penna disse:
    Dezembro 12th, 2008 at 8:56 pm

    Caetano,
    desgraçada. Pronto, agora estou contra Houaiss, contra Gilberto Freire e contra Caetano Velloso.
    Mas eu creio que moqueca vem sim de móquem, de moquear, vem dos indígenas, existe moqueca de carne, os índios moqueavam os portugueses (só os valentes, que covardia pegava e isso eles não queriam), a moqueca era o móquem com água, com caldo, tomate, pimentas, feito nalguma panela de barro, os africanos acrescentaram, muito bem acrescentado, o dendê, a cebola veio doutro lugar, enfim, a base e o nome são dos tupinambás, mesmo porque quando isso tudo se fundiu aqui se falava era tupi, enfim, cozido na folha da bananeira, nomeado moquequinha, para mim é indígena.
    E ninguém lembra da culinária indígena nos pratos da culinária baiana, isso que quis dizer, só falam da origem africana, mas cá para mim, até o vatapá tem nome indígena, nome e farinha de mandioca, hoje que se faz com até farinha do reino, ou farinha de pão, mas era uma comidinha tipo pirão feito com farinha e pimenta, novamente veio cebola, dendê, gengibre, leite de coco, etc e etc, mas isso é só outra teoria matildiana, vou estudando e conferindo coisas, tenho alguns estalos de Vieira e creio na origem meio misturada dos nossos pratos.
    E seu Recôncavo é o meu Recôncavo também, de Curralinho para baixo, acho antepassado em quase todas as cidades, Santo Amaro inclusive, embora meus pais tenham nascido em São Félix, maniçoba é um dos pratos da minha família quando tem festa de muita gente, rende que é uma beleza!
    E sempre grafei Itapuã, para mim é o certo, aliás, sempre escrevi e escrevo Paraguassu, se colocar cedilha minha avó vai revirar na cova, ela morreu escrevendo assucar porque dizia que com dois esses era mais doce, donde se conclui que isso de teorizar sobre ‘algos’ deve ser genético, só pode!
    E também escrevi Itapuã num treco que fiz faz tempo, enfim, discordamos na origem da palavra moqueca mas concordamos na escrita de Itapuã, empatamos nessa.
    Ou não?
    Ia pesquisar Houaiss e Gilberto Freire e mas livros mas não achei onde coloquei Casa Grande e Senzala, queimei o arroz do almoço pensando que estava mais era desgraçada mesmo, mesmo um comentáriozinho pequenininho tinha sido notada, ia ter que responder (acabei comendo com farofa), enfim, desisti de pesquisar, foi tudo de lembrança mesmo.
    E é isso, está uma lua linda hoje aqui na Bolandeira, os pagodeiros do prédio deram folga, o silencio abençoado paira sobre a rua, estou de bem com a vida, esqueci o arroz queimado por culpa de Caetano Veloso, só mesmo eu para dar com esses acontecidos assim…

  223. Lucio FIlho disse:
    Dezembro 12th, 2008 at 9:24 pm

    Alguém lá em cima disse que é de Porto Alegre e que mora há pouco tempo em Salvador e emitiu sua opinião acerca da cena rock em ambas as cidades.

    Eu também gostaria de emitir a minha opinião, só que meio ao contrário. Explico.

    Tenho 30 anos, nasci em Porto Alegre mas desde os dois anos de idade que moro em Salvador. Nos últimos 3 anos, entretanto, estive morando em Brasília e agora, desde fevereiro deste ano, moro em Porto Alegre. Espero que até abril do ano que vem possa voltar a morar em Salvador.

    Pra mim nem se compara a cena rock de POA com a de SSA. Muito maior. Já peguei uma época em que SSA tinha muito mais bandas de rock ou outros estilos que não fossem axé e pagode. Isso da metade da década de noventa até início deste século. Hoje, o que observo e que me informam, é que praticamente já não há mais tantas bandas nem lugares pra tocar como havia antes (claro que essa dificuldade sempre existiu e existirá, mas agora tá pior).

    Aqui em POA quando abro a boca logo me perguntam de onde sou. Quando falo que sou da Bahia logo dizem: “hum, axé, ivete sangalo, carnaval, etc.”
    Ontem mesmome disseram isso. Fui num barzinho bem bacana daqui, que me lembrou os tempos bons do rio vermelho em salvador quando haviam os bares estilo “inferninho”, tipo café calypso. Este bar daqui tava lotado e tocava uma banda cover de the doors (muito boa por sinal, o vocalista tinha um timbre de voz absurdamente parecido com o de morrison).

    O fato é que muitas pessoas ainda acham que Salvador é só axé e pagode. Desconhecem ou se esquecem que esta terra já pariu de tudo (literalmente e não ecleticamente): Dorival Caymmi, Raulzito, Camisa de Vênus, João Gilberto, o próprio Caetano entre muitos outros).

    É como Caetano já explicou e eu assim havia interpretado: a Bahia é rock n’ roll sim. Não dá pra reduzi-la ao axé e pagode só pq já faz um certo tempo que tais ritmos têm uma maior notoriedade. Mas também é verdade que a cena rocker em ssa tá devagar. Fraca. Ou então eu tô mal informado.

    Por isso a comparação com o Rio Grande do Sul. Aqui a cultura rocker é mto mais forte. Como já foi na Bahia.

    Não sou contra axé e pagode mas sou contra a falta de democracia e de igualdade de oportunidades para as bandas, sejam elas de qualquer estilo. E é fato que em Salvador não há espaço nem visibilidade, hoje, para bandas que não sejam de axé e pagode. Aliás, hoje não. Já faz um bom tempo.

    Aqui em Porto Alegre, pra quem curte um bom rock e suas vertentes e mora em Salvador, é um verdadeiro paraíso.

  224. Lucio FIlho disse:
    Dezembro 12th, 2008 at 9:31 pm

    À propósito, fui num show do Júpiter Maçã. Putzzzzz!!! Do caralho!!! Há muito tempo não via um artista tão autêntico em tudo. Coerência entre o seu visual e o que canta. Verdadeiramente doidasso. Ao contrário desses emos que cantam o que nada tem a ver com seus visuais. Os punks adotavam o visual que adotavam pq eles realmente queriam chocar, denunciar, agredir (de forma não-gratuita). E esses emos meu Deus? Pra quê aquele visual punk se as letras e a atitude deles em nada representa este importante movimento cultural? Sid Vicious deve tá se debatendo no caixão…

  225. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Dezembro 12th, 2008 at 10:34 pm

    PARA A BELA AND FERA EXEQUIELA

    Sou poeta. Logo, sou um que sabe. Os poetas são, sim, um perigo, representam risco de vida: de uma vida mais vívida. São os arautos da benção mais imanente: mais vida nesta vida.

    Guimarães Rosa acrescentaria: Viver [de verdade] é muito perigoso!

    Poucos vivem. A maioria sobrevive.

    Poeta democrático é aquele que acalenta multidões e as faz reviver. Já poeta comunista é aquele que reparte a poesia como se o pão de cada dia.

    -Clicando no meu baldeado nome, um elogio à poesia que nos amalgama, maiskovskiana.

  226. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Dezembro 12th, 2008 at 10:37 pm

    digo, mai(a)kovskiana!

  227. Nando disse:
    Dezembro 13th, 2008 at 12:09 am

    Voltando láááá em cima no post, Caetano diz:

    “Não gosto de MPB como sigla que indica um gênero. Não há tal gênero. Claro que MBP como simplesmente “música popular brasileira” é OK. Mas isso não é um gênero. Não se pode dizer: rock, reggae, blues, axé, pagode e MPB. Está errado. Na MPB FM ouve-se rock, reggae, blues, bolero, axé e guarânia - contanto que seja feito e interpretado por brasileiros, é Música Popular Brasileira”.

    Caetano, nesse caso o erro é da programação da MPB FM, não da sigla.

    Se pode dizer: rock, reggae, blues, axé, pagode e… “Djavan, Caetano, Chico e outros”?

    Se chega alguém que nunca o ouviu e quer saber “que tipo de som faz esse tal de Djavan?”. Excluindo-se respostas sensatas porém retóricas e algo grosseiras, como “Ora, ele faz o som do Djavan” ou “Ouça e tire suas conclusões”, o que responderíamos? Soul nordestino? Pop dramático? Jazz abrasileirado? Fico com MPB mesmo: é música, é popular e é brasileira - brazilian pop music, morreu bucha de sena.

    *

    A verdadeira Bahia é a Bahia mesmo.

  228. Francisco Almeida disse:
    Dezembro 13th, 2008 at 2:28 am

    Esse lance do “sifu” é curtição do Caetano, sinceramente. Adorei - ou estava adorando - o papo sobre drogas, redução de danos etc. Creio que todos sabem que nossas farmácias são drogarias e que todos nós consumimos os mais variados tipos de drogas, como remédio, prescrito, ou não, por médicos. Gostaria apenas de salientar o óbvio: a diferença do remédio pra o veneno está na dose. Valium (diazepan) misturado com alcool pode me levar a um estado de coma irreversivel. É preciso colocar melhor esta questão de drogas para não incidirmos em erros conceituais. Crack e Cocaína são drogas mais pesadas que o tabaco e a maconha e precisam de melhor reflexão sobre, uso, compra, venda, legalização. A sociedade conservadora precisa ser menos rigorosa e mais permeável às idéias inteligentes dos que buscam melhor controlar o uso e abuso das drogas ilicitas, enfraquecendo, inclusive, o narcotrafico nos moldes atuais, com guris portando AR-15 e pistolas como se brinquedos fossem. Proteger a juventude, filhos, parentes, etc, pois todos tem alguém nesse “submundo” que nós próprios determinamos que seja asssim enquanto não aceitamos mudanças benfazejas.
    Drogas, tô fora, parecia uma boa propaganda e os drogados pilheriavam e os não drogados adoravam: Drogas, tô, fora, volto daqui a pouco!
    Não é só a má qualidade da publicidade sobre o tema, é a educação que precisa melhorar e a cultura da violência que precisa ser melhor pensada por quem tem poder para mudar e melhorar a sociedade. Sei que todo poder emana do povo e em nosso nome deveria ser exercido, mas nós ficamos limitados aos debates acadêmicos e tudo acaba no blá-blá-blá de sempre. A solução vai pra gaveta.

  229. eXequiela - levitación magnética disse:
    Dezembro 13th, 2008 at 4:53 am

    Joauuuuuuuuuudo “evaporizador”: sos un pirómano tratando de apagar un incendio.
    Puedo continuar la entrevista pero me dan el permiso de contestar: “ns/nc” (no sabe/no contesta) o “sin comentario”??? Yo hablé de videos? Ay!!! qué dije???

    Heloisa:
    Cuántas bocas? Ni idea!! Y Miriam ya hizo una descripción “Miriamnesca”, es decir: genial!
    Pero lo podemos charlas entre todOs. Me parece que UNA sola boca (como los hombres). Podrán parecer muchas según el lápiz labial que usemos, según la sed que tengamos, según el hambre que tengamos, según lo que quede por decir, según lo que quede por callar….pero es siempre la MISMA boca.
    Cuánta voracidad?: También depende del lápiz labial que usemos, la sed que tengamos, el hambre que tengamos, lo que quede por decir, lo que quede por callar. Y del límite que ponga el que está siendo devorado…. claro que si es un churrasco, el pobrecito no puede hablar! (con lo carnívora que soy yo… si me ponen un churrasco jugoso enfrente me lo devoro todito, todo)

    Sería bueno que esas preguntas la contesten los hombres también. Pienso que sería muy valiosa la opinión de todos ellos (en especial la de los poetas… peligrosos). Incluso o LeAozinho podría contestar!! Pero para que la conteste o LeAozinho tenemos que disfrazar la pregunta, agregarle algún temita de gramática, acentuación, sotaque: boca en portugués se pronuncia bOca o bUca?

  230. Roberto Joaldo - voando feito Pegasus disse:
    Dezembro 13th, 2008 at 6:56 am

    A permissão solicitada pela infocaetanauta e estrela amarela and prateada da música telúrica humana, eXequiela, fica ao alvedrio do entrevistador e curador de programação da futura rádio web Impertinácia, monsieur Gilliatt.

    Quanto a este papo-cabeça acima, entretecido a princípio entre Heloisa, Miriam Lucia, and agora por ti, isto é, sobre a “fase oral”, amplamente estudada por Freud, e sua perpetuação na vida adulta, encontro em teu discurso traços ostensivos do falocentrismo, que já deveriam ter sido superados pela onda feminista que com mais crista se projetou no mundo a partir dos anos 1960.

    De minha parte, sem querer encerrar tão saborosa questão, nem “fechar” o entendimento de algo que a mim me permanece mui lindo enquanto mais aberto à eclosão, festa ou gozo dos sentidos - o que um poeta “perigoso” pode dizer, então? Algo que outros poetas pirômanos já o disseram! Tudo já foi dito, inclusive isto, com direitos autorais meus de mero adaptador:

    O beijo não vem da b(o)ca, mas de onde uma beleza nasceu!

    -Clicando em meu baldeado nome,compreendam, com o auxílio luxuoso do poeta Geraldo Carneiro, que o beijo não passa de uma ficção, e além disso que a boca só pode ser a caverna platônica profunda mais propriamente bendita porque voraz!

  231. Luiz Castello disse:
    Dezembro 13th, 2008 at 9:31 am

    1.Bons ventos os tragam.
    Novos comentadores na área,atraídos ou estimulados pela votação ?
    Uma boa…uma boa.
    Os veteranos,entre os quais eu me excluo,agora vão poder tirar umas folguinhas. ( He He)

    2.Oi Gil,
    Lembra quando você defendeu Caetano do ataque de um visitante aqui do blogg ?
    Na época eu escrevi umas palavras que só agora eu te envio na íntegra;
    “Como eu gostaria de fazer parte da sua constelação de amigos !
    Ter um cara,gente fina,que nos defenda na esquina,nas peladas e reuniões de condomínio - onde vez em quando o bicho pega - com essa sua veemência e entrega apaixonada,é uma dádiva que eu aceitaria desfrutar”.
    Abração,amigo.

    3.Glauber,”qui binito”o Benito.
    Mandou bem,irmão,eu me amarro no Benitão.Ele ainda é o cara e suas músicas são muito tocadas pelos baileros,nas noites do sudeste.
    Cá entre nós : eu toco um piano vagabundinho,igual o dele…he He
    Mais cover do que isso…impossível. + He He
    Abração.

    4.Nando,
    Krishnamurti,filósofo indiano do século passado,dizia que a transcendência é inerente à todo ser humano,e o usuário de drogas,no fundo, está buscando contato com essa realidade.
    Certa vez ele até radicalizou,quando disse que, para alcançar a transcendencia,só existiam dois caminhos a escolher ; a droga ou a meditação.
    Talvez ele tenha dito isso,num contexto em que fazia sentido.Porque pra mim os caminhos da realização são múltiplos e variados.

    Podemos ir além,muito além de nós,quando acontece na nossa vida,
    O nascimento de um filho
    O canto da sabiá
    A visão explendorosa da constelação do Cruzeiro do Sul
    O encontro de um grande amor
    A música de Bach
    O vôo repentino de um pássaro na nossa janela
    Uma noite de São João
    E a lista é infinita
    E as criancinhas circulam livremente por esses mundos encantados
    E eu gosto de aprender com elas.

    Um abraço fraterno
    Luiz Castello.

  232. Roberto - ensolarado! - Joaldo disse:
    Dezembro 13th, 2008 at 12:45 pm

    RELER ESTE BLOG É VIVER E REENCONTRAR MOTIVOS PARA COMPRIMIDOS DE POESIA

    eXequiela, que na ocasião adotou ainda o codinome cyber - estrela principal de minha seleta constelação de musas qeu brilham no Cruzeiro do Sul -, usted disse-me páginas atrás, no cmt. 249 ao post intitulado “Zambjujo…”, tão logo eu ter lançado nos campos das mentes dos infocaetanautas a primeira semente da revista eletrônica muito vívida, Impertinácia, dentre outras coisas lindas, e com este sotaque irresistível:

    “Gracias por todo lo que me has estado mandando… Mi gatita leonina (Paquita) te agradece la inclusión en Orkut. Si este blog tiene fin (lo dudo) [!] te ayudo si querés en tu proyecto de armar un blog nuevo. Ya tengo tres sitios web (dos de traducciones y uno de alquiler de apartamentos en BA) y me fascina todo lo relacionado a Internet.(…)”

    Pois, então: naquelas reticências após teu agradecimento a toda a poesia com que eu já saturava a tua alma e de todos desta caetanave - por que será que li nelas que você me estaria restribuindo, e a nós todos, com teus vídeos caseiros, não significando exatamente com isso vídeos feitos em casa, e sim vídeos amadores, filmados por alguém que ama fazer de um tudo para incendiar o coração de nosotros! Lucesar, por exemplo, não aguenta de tanta ansiedade pra incluí-los num canal especial no YouTube embutido na “capa” de nossa futura Impertinácia!

    Tudo não passou de pura imaginação fértil minha, telepatizada por Lucesar? Ou presumi isso exatamente da tua afirmação: “me fascina todo lo relacionado à Internet”? Na internet, pouco é nada: a mim mesmo só me fascina tudo.

    _____

    note bem: bem mais acima nestes comments, usted me tratou como um infantil peterpãozinho, quando já sou um Peter crescido e um verdadeiro Pão em pessoa, e ainda fez picardia comigo quase que em seguida ao me dissolver numa fórmula estranhamente manipulada para que eu me tornasse teu creme protetor durante as ribaltas que aprontava no meio da platéia, ao comparecer em trajes sumários de banho and praia durante show - imaginário - do Caetanino aí em BA, fazendo assim de meu ser dissolvido um objeto de todo tipo de ataques. eu sei que você sabe que sou capaz de quebrar muitos dos meus espelhos narcísicos, mas me ver sendo tratado assim de um modo tão pisado e desmanchado… sem o meu consentimento… ora, isso deixa-me por ti ainda mais e mais amurado! Sou um tiquinho masoquista. Mas por outro lado…

    _____

    eX,

    {que minhas outras musas nem ouçam: me desertariam)

    ama-me! - amo-te!
    sem ti vivo por aí
    em ermos caminhos
    tropeçando, virando latas
    e sacudindo o pó
    de meu pêlo cinza
    como um cãodelinho

    a) rjTotó

    _____

    -Clicando no meu baldeado nome, mirem e vejam o estilo grácil and ingrato de navegação de uma nau grega - branca ou negra, a depender da preferência racial

  233. Miriam Lucia disse:
    Dezembro 13th, 2008 at 2:34 pm

    Matilda Penna, este negocio de moquear não tem nada a ver com moqueca não porque o peixe moqueado que os indígenas comem ate hoje é o peixe assado em fogo muito lento, a fogueira é feita com lenha e pedras de forma que o fogo não chegue a queimar a carne, e a fumaça que produz tal fogueira indígena vai defumando o peixe, eles a utilizam também para fazer o mesmo com a carne de caça, da mesma forma que usam a folha da bananeira com a mesma preocupação de não deixar queimar o peixe ou a carne. O moquém é uma grelha feita de varas que se utiliza para finalidade assar, secar ou defumar as carnes.

    Li por ai alguma coisa que relaciona o moquém a moqueca, mas não concordei não, porque a única semelhança entres os 2 seria o fato do “bem cozido” mas para mim isso é muito pouco, tem a citação na carta do padre em 1554 da palavra moqueca, mas não tinha nada a ver com o contexto da moqueca de peixe seja a baiana ou capixaba, ele contava sobre pessoas assadas no moquém e não cozidas na panela com rodelas de tomates, cebola, pimentão, etc. Algo parecido com que vi num filme destes de aventura, acho que na áfrica, onde as pessoas eram colocadas num caldeirão grande cheio de legumes (isso foi só para descontrair um pouco, risos).

    Voltando a moqueca, o Franco fica louco quando dizem que ela nasceu ai no Brasil, porque aqui na Itália, e olha que ela tem muito mais anos que o Brasil historicamente falando, tem um prato da região de Livorno que chama cacciucco e que tem muitas semelhanças com a moqueca, segundo a observação dele a diferença estaria em determinados ingredientes como o azeite de dendê, leite de coco, urucum, que eles não tem e não usam por aqui. Existe algumas lendas sobre a origem deste prato, uma delas o coloca como símbolo da generosidade popular, diz tal lenda que os pescadores recolhiam partes dos produtos conseguidos nas pescas e doavam para as famílias dos pescadores mortos ou pessoas muito pobres. A outra lenda relaciona o prato como um símbolo da origem de Livorno que tinha a população composta de diversos povos de origens também diversas como judeus, africanos, anglicanos, holandeses, etc., e a união destas culturas com as suas tradições e gastronômicas seria representado pelo cacciucco. A que parece mais verdadeira é a de que os pescadores após terminarem o trabalho e vendidos seus produtos da pesca, preparavam um prato com o que sobrava.

    De todas estas estórias e lendas que coloquei ai a que mais me chama atenção é a de mistura de povos e cultura diversas, não somos somente descendentes de índios e nossa cultura não se limita a cultura indígena, eu vejo o Brasil bem assim, um trás uma coisa lá da cultura dele e o outro acrescenta um pouco de brasilidade e daí vamos fazendo esta nossa cultura miscigenada e maravilhosa que temos ai. Mas, respeito a tua opinião. Beijos para você!

  234. DIMAS ROQUE disse:
    Dezembro 13th, 2008 at 4:13 pm

    Achei interessante este texto que fala sobre a POESIA MARGINAL e gostaria de compartilhar com vocês.

    “Esse rótulo ambíguo, “poesia marginal” (que pode ter n implicações), aplica-se aqui a um fenômeno específico que surge na poesia brasileira, em fins dos anos 60, nos rastos do boom da Música Popular Brasilera (MPB), representada por Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil… Ou mais especificamente, poesia que se manifesta como múltiplos desdobramentos do Tropicalismo, lançado por Caetano Veloso com “tropicália”, no pós-64, como um repto à Ditadura Militar que se instalou no Brasil.

    É evidente que sempre existiu a marginalização do autor “novo” e anônimo, face à crítica e ao mercado editorial. desde os primórdios, as histórias literárias estão cheias de exemplos de grandes poetas ou grandes artistas que, em seu tempo, foram “marginais”, e hoje gozam de consagração mundial. Mas neste caso específico, “poe-marginal” brasileira resultou de um determinado comportamento anti-sistema e que nasceu no clima tropicalista, “salada-de-frutas” ou “geléia geral” que envolveu, ao mesmo tempo, o público “rockeiro” e o intelectualizado.

    Ampliou-se o interesse da faixa mais jovem pela poesia (ou por tudo que pudesse ser poesia) justamente (e não, por acaso) no momento em que foi baixado o AI-5 (Ato Institucional n.º 5) endurecendo a censura à palavra escrita, falada ou cantada. Surge a “geração mimeógrafo”, a que fora do circuito editorial, imprime seus poemas em toscos folhetos mimeografados e os vende nos bares, portas de teatro, praças públicas ou nos meios boêmios noturnos.

    No confuso ambiente de contracultura que se impõem principalmente nos grandes centros urbanos (São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba…), a poesia marginal identifica-se não só como produção “fora do sistema” (como várias outras manifestações da literatura e da arte), mas por sua intencionalidade de contestação pelo “desbunde”, pelo palavrão, pela apologia do lado sórdido da vida… Daí ser chamada também de “lixeratura”, a literatura do lixo, da sujeira.

    Termo emprestado das ciências sociais (para definir o indivíduo que, entre duas culturas, vive em conflito ou à margem de ambas), Passou à área da poesia e da arte mais como padrão de comportamento ético-social e não de grau de conhecimento. Da avalanche de “poetas marginais” que surgiram nos anos 70/80 (alguns dos quais acabaram realizando obra de autêntica poesia, como Ulisses Tavares, Chacal, Ana Cristina César, Nicolas Behr…), destaca-se a participação feminista: a mulher expressando uma linguagem-do-corpo agressiva, descrevendo as relações eróticas de maneira vulgar e obscena, buscando o avesso da chamada “lírica feminina”. Uma das mais ativas dinamizadoras dessa produção feminista foi Leila Miccolis, responsável pela organização de varias antologias, exposições de poesia, espetáculos públicos, etc.”

    Nelly Novaes Coelho

  235. Roberto - ensolarado! - Joaldo disse:
    Dezembro 13th, 2008 at 5:07 pm

    É PORQUE HOJE É SÁBADO!

    Eesta também vai para o e-mail da Joana:

    - NÃO É PROIBIDO -

    ____

    hoje só pararei de postar esses camelinhos-comentários quando surgir a temível tela branca mobydickjubartiana!

  236. Roberto Joaldo de Carvalho disse:
    Dezembro 13th, 2008 at 6:10 pm

    - NOTA DE UTILIDADE PÚBLICA -

    Muito bem, vocês tiveram aí,com Marisa Monte, e sua Não é Proibido, que seguiu, como disse, também por outro meio para a Joana, a trilha sonora e o cardápio com todos os comes e bebes da recepção do Primeiro Encontro Internacional de Infocaetanautas, a ser realizado oportunamente na Praia de Itacimirim, litoral norte baiano, ocasião em que acompanharemos, diretamente via satélite, da Barreira do Inferno, no Rio Grande do Norte, o lançamento para a webosfera, com propulsão baseada em teconologia 75% nacional, da nave da Impertinácia! Uma revista web viva que jamais teria sido imaginada se não tivesse acontecido, por iniciativa e iluminação de Hermano Vianna, este obraemprogresso do noviçoso artista baiUNO Caetano Veloso.

    _______

    NOTINHA DE ADVERTÊNCIA: aproveito o ensejo para comunicar a todos -mas principalmente a tod(a)s - que estão me mandando e-mails, ou mensagens reservadas pela minha página interna de depoimentos no Orkut, contendo conteúdo de evidente intenção de saquear - com toda a delicadeza, dizem - os meus beijos, abraços e todo o meu ser dengoso and carinhoso, que tinjo-me de carneirinho mas no fundo sou… um… centauro vadio!

  237. Matilda Penna disse:
    Dezembro 13th, 2008 at 6:17 pm

    Edmilson Silva, obrigada, :), mas se colocar quiabo complica, tenho quizila com quiabo, detesto mesmo, não gosto de quiabos, não gosto de quiabos, não gosto de quiabos. E chega setembro já entro em pânico, vão chegando os malditos, sorte que em caruru sempre tem vatapá, o que salva, salva até em dezembro, Iansã que me perdoe, mas vai sem quiabo mesmo, fazer o quê?
    Miriam Lucia, a palavra moqueca é sim de origem indígena, é uma palavra tupi e é a isso que me referi, não ao prato em si, portanto moquear tem sim a ver com moqueca e quando moqueavam os inimigos valorosos não colocavam cebola, que aqui ainda não tinha, como não tinha manga, jaca, carambola, cocos e outros, que vieram depois, com as naus portuguesas, os portuguesas espalharam plantas e frutas e legumes e hortaliças pelo mundo. O prato que chamamos moqueca deve existir desde sempre, com ingredientes de cada lugar onde é feito, colocar carne, peixe, galinha numa panela com temperos e água para fazer caldo e não pegar na panela deve existir desde os primórdios (palavra linda essa, não?), duvido que as mulheres das cavernas gostassem de suas cumbucas, caçarolas ou panelas ou sei lá o que usassem pegadas de comida, a moqueca com dendê e pimenta e tomate e cebola e pimentão que surgiu aqui.
    Eu não disse que a nossa cultura se limita a indígena, não mesmo. Beijos para você também.

  238. gil disse:
    Dezembro 13th, 2008 at 7:19 pm

    salve Castello, obrigado pelo gente fina, confesso que me senti um trombudo relendo a forma como disse tudo aquilo…hoje me inclino até mais pelo seu ponto de vista. Devo contar portanto com a cumplicidade e a tolerância. Grato por tudo.

  239. Nando disse:
    Dezembro 13th, 2008 at 8:25 pm

    Castello,

    Uma espécie de desvio iniciático (como a depressão), sem dúvida. Mas é delicado e perigoso falarmos em termos tão simplificados - tô falando assim porque acho que estamos em sintonia o suficiente para.

    Humildemente, entretanto, aponto um terceiro caminho aí (veja bem, falando em transcendência, não em “realização” de um modo mais amplo, como você falou): o filosofar. Por vias bem mais tortuosas e requerendo disciplina espartana com o que é colocado a si mesmo, sim, acredito que também seja possível a transcendência. Mas é preciso saber perguntar direito e até saber a hora de parar um pouco para poder ir adiante depois.

    De modo geral somos crianças envelhecidas e arrogantes penduradas no cipó de uma razão frágil retroalimentada pelos irmãozinhos vaidade e orgulho, estas coisinhas mais tchutchucas do papai.

    Beijo nos chacras,

  240. Heloisa disse:
    Dezembro 13th, 2008 at 11:47 pm

    Miriam, Exequiela, Joana e Joaldo,

    Adorei o desdobramento de bocas - só aqui acontece uma mágica assim. E às bocas que vocês criaram eu acrescento uma, que acredito fazer parte de todos aqui, caetanautas que somos: a boca que têm voracidade de saber, não importa o quê.
    E deixo o Zé Ramalho, que também pergunta:

    ‘Quantos olhos você tem pra me falar
    Quantas bocas você diz, a me olhar’

    Beijos de doce veneno… quero sim!

  241. virgilio disse:
    Dezembro 14th, 2008 at 3:26 am

    nao entendi. meu comentario nao entrou. por que? bem, nao faz mal, escrevo novamente. nao vejo problema algum em sifu. sifo nao comunicaria tao bem. eh sifu mesmo. nao falamos ‘fodeu’, e sim fudeu. e como, vc sabe, a lingua eh viva, quem manda nela eh o povo, a linguagem oral - aos eruditos soh lhe restam registrar a mudança - entao eh sifu, assim como se fala - inclusive na bahia, onde morei durante doze anos, quatro deles na vila matos, em frente ao morro de sereia, onde vc tem casa. nunca vi alguem la dizer fodeu e, sim, sempre, fudeu, com o u bem assentuado. escrever sifu eh uma questao estilistica do autor de aproximar a linguagem verbal falada da escrita, ao meu ver, sem uma conspiraçao moral, como sugere sua critica, que me pareceu meio politicamente correta demais. nessas palavras: foder, veado etc., ha uma malicia e algo incorreto aih que sao intrincicas a elas, entao nao vejo problema em assumir logo essas caracteristicas, grafando fuder, viado etc. qto em respeitar a historia da palavra, se assim fosse, estariamos falando em latim ainda. espero que agora meu comentario entre. ui. um beijao!

  242. paul constantinides disse:
    Dezembro 14th, 2008 at 10:21 am

    olha, tudo bem nao gostar, ou odiar como vc diz, a denominacao MPB….porem POP BRASILEIRO nao soa bem, de forma alguma.

    abs
    paul

  243. Miriam Lucia disse:
    Dezembro 14th, 2008 at 11:55 am

    Matilda Penna você tem razão com relação a origem da palavra é indígena, realmente pode derivar da palavra moquear mesmo, não sei porque desconheço o vocabulário tupi e suas derivações, desculpe-me mas, fui por outro caminho, pensava em relação ao prato, por isso a minha argumentação. Da mesma forma que me enganei com a questão colocada por Caetano com relação a palavra “Sifu” onde ele questionava a questão colocada segundo a grafia pela mídia para chamar mais atenção, e também a questão da transformação da palavra paroxítona “sifo” em oxítona “sifu”, mas, de qualquer forma, os debates foram interessantes exatamente porque levou as reflexões por caminhos diversos e, desta forma, pudemos observar também conceitos que vão além das origens das palavras, ou da limitação gramatical, dentro do que chamaria de campo das idéias que, ao meu ver, é infinitamente mais criativo.

    Heloisa caríssima, voce falou de caetanautas mas não falou das bocas gotejantes (risos), voce viu o Nelson te mandou uma musica lindíssima la no post da votação e vc nem respondeu pra ele amiga!

    Beijinhos!

  244. Lucio FIlho disse:
    Dezembro 15th, 2008 at 1:18 am

    Concordo com o texto deste link (último segundo), com exceção dessa última frase a respeito do Caetano (e não falo isso pra puxar saco ou só pq tô no blog dele, mas pq realmente é como penso).

    Não curto a música da Madonna, tampouco as suas seguidoras (Britney Spears, Cristina Aguilera, etc.). Acho as canções de tais artistas sem conteúdo nenhum. Um saco.

  245. Rafael Rodriguez disse:
    Dezembro 15th, 2008 at 2:50 am

    !PELA DESORDEM!

    Marcelo Camelo é TRANSTUDO!

    Quem foi ao show viu; quem não foi, vá!

    bjs.

  246. Rafael Rodriguez disse:
    Dezembro 15th, 2008 at 3:00 am

    Alguém já leu isso aqui:

    Madonna é um lixo
    “Madonna é o destempo. Caetano elogiaria seu show, em virtude de seu enorme sentimento de culpa, que o transformou num patrocinador de idiotas, ao longo de sua carreira.”

    http://ultimosegundo.ig.com.br/opiniao/regis_bonvicino/2008/12/13/madonna+e+um+lixo+3208158.html

    O cara faz uma misturada…

  247. Nobile José disse:
    Dezembro 15th, 2008 at 11:55 am

    não gosto de moqueca

    madonna é um bicho

    a chuva cai para todos

    mpb,se existe, não é o que chamaos de mpb

    marcelo camelo é o chico/caetano da minha geração

    mallu magalhães merece atençães

    notudo: tiros que vcs ouviram é coisa de homem sim. dantas esteja!

    ora pareço vicky, ora pareço cristina, nunca fui a barcelona, não achei o filme careta: o achei uma uma história que no fim vence a caretice - como costuma contecer no verdadeiro leblon

    a vinda de madonna me fez ver como caetano é uma pessoa normal

    no mais,
    outras postagens, outras postagens

  248. eXequiela.....agua de río mezclada con mar... disse:
    Dezembro 15th, 2008 at 12:45 pm

    Joauuuuuudo……es que yo sé que tenés la capacidad de romper los espejos narcisistas, por eso no te pedí permiso para que seas mi protector… mas no necesita disolverse para protegerme, não!!! Te propongo esto: Yo te protejo y vos me protegés. Vos me protegés y yo te protejo. Dale que sí?

    El sábado “la tierra debajo mío se movió”…. pues fui a ver al estadio River Plate a Los Fabulosos Cadillacs. Su cantante Vicentico, tan celestial, tan terrenal, es el segundo responsable de animarme a la música nuevamente. Yo Sí que me sentaría a tu mesa Vicentico querido!!

    Muchos sabrán lo que es ir a un recital en un estadio de football, y verlo desde el campo:

    La distancia entre los cuerpos: CERO centímetro. Es una de las pocas situaciones en la vida en la que no tener distancia con un desconocido me completa. TODOS somos UNO. Se baila en conjunto, se salta en conjunto, y si no te prendés o abrazás al compañero musical, corrés el riesgo de fractura o aplastamiento.

    En este recital pasó algo que nunca había vivido (quizás me falta experiencia en estos recitales multitudinarios… que alguien me diga si es común!) De pronto!!!!!! se abrió un círculo entre la muchedumbre… como si hubiese caído un meteorito invisible, o sería el reflejo de la vuelta invisible de la luna???. Mis patitas estaban listas para salir corriendo porque pensé que había alguien con un cuchillo o un revolver y por eso todos se corrían. Pero NO… todos nos miramos esperando que algo pasara y el círculo se volvió a cerrar… Esos milagros que ocurren: círculos que se forman y se comprimen pacíficamente sin que quede nadie quede encerrado ni ofuscado adentro. Para mí: todo un milagro!

    Los Fabulosos Cadillacs (en especial Vicentico querido) son mi música (cable) a tierra…. desde el sábado tienen ese papel.

    Siguiendo la luna (y su vuelta invisible)
    http://www.youtube.com/watch?v=Nlb-wKKJM4g&feature=channel_page
    Siguiendo la luna
    No llegaré lejos
    Tan lejos como se pueda llegar
    Las cosas que dije
    No tienen sentido
    No puedo detenerme
    Ponerme a pensar

    Siguiendo la luna
    Y su vuelta invisible
    La noche seguro me alcanzará
    No es que tu mirada
    Me sea imposible
    Tan solo es la forma en que caminas

    Vamos mi cariño que todo está bien
    Esta noche cambiaré
    Te juro que cambiaré
    Vamos mi cariño ya no llores más
    Por vos yo bajaría el sol
    o me hundiría en el mar

    Y esto parece verdad para mí

    Suena como un crimen
    Lo que tu me has hecho
    Deberías ir a parar la prisión
    Suena como un crimen
    Que me hayas mentido
    Que hayas engañado a este corazón

    Siguiendo la luna
    No llegaré lejos
    Tan lejos como se pueda llegar
    Son casi las 4 de la madrugada
    Mi casa brillaba cruzando ese mar

    Vamos mi cariño que todo está bien
    Esta noche cambiaré
    Te juro que cambiaré
    Vamos mi cariño ya no llores más
    Por vos yo bajaría el sol
    o me hundiría en el mar

  249. Alexandre Ribeiro da silva disse:
    Dezembro 15th, 2008 at 2:15 pm

    Caetano, você como cantor e músico é ótimo. Mas, como estudioso dos assuntos da língua, é um verdadeiro arquiteto que usa a psicologia para exercer a medicina.

  250. Yuri disse:
    Dezembro 15th, 2008 at 2:26 pm

    Nelson é mais visceral, mais irônico, mais na veia. É mais John Lennon.
    Cartola é mais melódico, mais doce e sentimental. E mais otimista também. É mais Paul McCartney.
    É quase impossível escolher um entre os dois. Eu escolho apenas uma música “Palhaço”, que teve uma grande importância para mim. Abs.

  251. Roberto - correnteza e maré - Joaldo disse:
    Dezembro 15th, 2008 at 3:24 pm

    Sim, eXequielinda, assim está mui bem! O mundo é cruel. E com nossos seres carinhosos - até mais do que com mais ninguém!

    Seremos sentinela - um do outro. Estás concertado. Ouves comigo… deixa eu encostar uma das minhas mãos em concha no teu ouvido: não parece aquela melodia do sentinela amoroso do Cântico dos Cânticos?

    Sei bem o que tu descreves quanto a esse show do Vicentico y Los Fabulososo Cadillacs. Vivi exatamente isso num estádio em Feira de Santana, maior cidade do interior baiano, com ninguém mais ninguém menos do que Jimmy Cliff and Gilberto Gil no centro. Era o ano da graça de 1980.

    O estádio sem gramado. Todo o público no local onde rola a bola. Nunca comi tanta poeira em minha vida! Nem turbei tanto feito um bárbaro - imprensado em meio a uma horda gigantesca. Que ás vezes parece uma violenta corenteza, outras o refluxo imprevisto das marés.

    Nem no Carnaval baiano em Salvador! No Carnaval, sou malandro: pois sou mais de ficar, a exemplo de num prédio de apartamentos na região da folia, como já fiquei no setor residencial do Orixás Center mais de uma vez, escolhendo, dentre o que vai passar, o que vai me deleitar: pra não ficar amassando-me só no gosto imberbe da massa.

    Num show em Estádio, como o de Gil e Cliffy, e como este aí em BA de Los Fabulosos Cadillacs, somos uma massa indiferenciada - pelo som, pela fúria, pelo êxtase… pela doçura. Somos Um. Unos. E no entanto: Diversos.

    rjTo

  252. gil disse:
    Dezembro 15th, 2008 at 3:48 pm

    quem detém a irradiação???? nossa BondGirl Exequiela foi sábado ao ESTÁDIO ver los fabulosos!!!! banda argentina nos estádios…e aqui????madonna no estádio e um fuzuê babação de mimados…e a nossa padaria quando chega lá eles nem dão boa, não querem saber do nosso foreign sound…é lógico, tem lógica…o mundo vindo abaixo e nossa BondGirl Platina batendo cabeça para os SEUS…isso quer dizer alguma coisa. Quem vai? quem vai mais? tem madonna, tem radiohead, tem keane…quem fez a irradiação? como foi que isso deu em tanta fila em volta dos nossos estádios…e nós que batemos no peito com a nossa música vamos para o estádio ver o que? nosso mimo, não sobra nada no dia seguinte, ninguém faz blog no dia seguinte pra dissecar uma canção, pra imaginar a situação, cadê, cadê, cadê…Socorro Caetano!!!!!!

  253. glauber guimarães disse:
    Dezembro 15th, 2008 at 4:39 pm

    alemão,
    benito de paula na vêia!

    …………..

    gil,
    madonna também lotou estádio na argentina. e pelamordedeus, o que você chama de indústria britamericana não tem só madonna e quetais, tem tom waits, stephen malkmus, andrew bird, quasi, foetus, sporting hero, etc…e se eu for citar as coisas perdidas do passado, a lista é interminável!

    tem banalidades e maravilhas lá fora e aqui também.

    ………………..

    exequiela,
    los fabulosos cadillacs é uma banda divertidíssima. conhece café tacuba? não sei de onde são, mas são muito bons.

    ……………….

    pra falar a verdade, acho mesmo que os grandes artistas são uma nação à parte, flutuante…

  254. Heloisa disse:
    Dezembro 15th, 2008 at 5:19 pm

    Miriam, é mesmo, tem a bocas gotejantes sim, essas loucas insaciáveis.
    Eu respondi ao Nelson, você não viu? Reclamei que ele me abandonou, aquele desalmado. :(

    Gil, não respondi ainda porque não sei bem o que você quer. O que será? Quase sentiu o cheiro de minha comida e se questionou sobre a verdadeira pátria da feijoada. Depois quis saber minha música preferida do Radiohead.Hm. I wonder why…

  255. Luiz Castello disse:
    Dezembro 15th, 2008 at 7:00 pm

    A mensagem diz que o comentário é repetido.

    Ele não foi publicado,como pode ser repetido ?

    E o assunto é mixagem,que eu ainda não vi ninguem aprofundar nem aqui nem acolá…

    Continuo mais perdido que o cachorrinho que caiu do caminhão de mudança…

  256. Alemão disse:
    Dezembro 15th, 2008 at 7:02 pm

    Luis Castello e Glauber,

    Vejam como a droga é perigosa: Benito foi o primeiro vinil que comprei sozinho, lá pelos idos de 75, e até hoje ainda “uso” o cara!

    Agora chegou a vez vou cantar, mulher brasileira em primeiro lugar, ô lerê, ô lerê, ô lerê…

    Salve Benito!

  257. Luiz Castello disse:
    Dezembro 15th, 2008 at 7:56 pm

    Máquinas e Homens.

    Quando falo em ser limado é em alusão à máquina,pois que Hermano-Caetano,além de serem a fina flor do cavalheirismo e da democracia-por certo-nem sabem da minha medíocre(que tá na média) existência .

    Tenho pesadelos matrixianos,onde as máquinas assumem o comando operacional,e passam a agir por indecifráveis associações de bytes e criptografias,escolhendo randomicamente,o que deve ser falado ou publicado no seu mundo virtual.

    Curuzes ! Vou retornar às historinhas do Chaves pra aliviar a cabeça….he He he

  258. Marilia Castello Branco disse:
    Dezembro 15th, 2008 at 10:01 pm

    Queridos amigos;

    Nem sempre posso estar aqui, embora gostasse de acompanhar mais de perto as conversas.

    Deixo um presente para todos que amam a música brasileira de todo tipo:

    http://loronix.blogspot.com/

    “Loronix promotes forgotten music not commercially available”

    Espero que todos (os que ainda não conhecem) apreciem e divirtam-se.

    Beijos para todos.

  259. gil disse:
    Dezembro 15th, 2008 at 10:47 pm

    glauber…eu vivo pra ver fila na porta da tua banda…tô sabendo das maravilhas do mundo, sou maravilhado por elas…mas a padaria glauber, esqueço o mimo e penso no pão.
    helô…alou…vamos fluindo, curiosidades no mosaico, nas ondas da obra em progresso. nem sei…tô vendo coisas, sentindo cheiros.
    oi sklindô oi skindô,oi sklindô oi skindô,oi sklindô oi skindô,oi sklindô oi skindô…

  260. Nando disse:
    Dezembro 15th, 2008 at 10:52 pm

    Glauber, se não me falham tico e teco o Cafe Tacuba é mexicano. Bandinha boa, velhinho, bandinha boa…

    Quanto a Madonna, quem mandou bem ao falar sobre ela foi o Fito Paez: “De bobagens, bastam as minhas”.

  261. eXequiela.....agua de río mezclada con mar... disse:
    Dezembro 16th, 2008 at 12:03 am

    BondGirl? EH?

    Glauber: sí, me gusta Café Tacuba. Son mexicanos y fui asistente de ellos una vez que tocaron acá… cuando trabajaba para una productora de shows. Puxa, me tocó trabajar para grupos que me interesaban CERO: Megadeth (aunque son muy buena gente), Andrea Bocelli y no se me dio trabajar para LeAozinho… qué lástima!!! (Pero tuve a U2, Rolling Stones, Bjork…..)
    Glauber: ORKUT!!! dale!!!!!!

    ME ENCANTA MADONNA. La de veces que me disfracé de Madonna cuando era menina con mis amigas y cantamos y bailamos como loquitas! Like a Virgin… heeeeeeeeeeeeeeeeee!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  262. lucre disse:
    Dezembro 16th, 2008 at 1:07 am

    Exequiela, me río porque según este foro, tu ya estás viviendo el día 16 de diciembre de 2008, exactamente la hora 12:03 ¡Me encanta!. ¡Estás en el futuro!. ¿Que se siente?. Aunque quizás dentro de un rato vuelvas al pasado. Registra todas tus experiencias porque me temo que mañana a esa hora no recuerdes lo que viviste hoy en el futuro. Creo que es lo que ocurrirá. Ahora recuerdo porque me gustó tanto “Volver al Futuro” y también “Eterno resplandor de una mente sin recuerdos” y tantas más por el estilo que anda por allí.

    Han estado hablando de bocas, uy, y hace unos días atrás comenté de una historia referida a Caetano que leí en un libro del escritor uruguayo Eduardo Galeano. Tengo el libro conmigo y justo, o casualidad, se llama “Bocas del tiempo”. Con este escritor he tenido períodos de amor, seguido de otros de odio para volver al amor y así sucesivamente. No es la primera vez que nombra a Caetano. Recuerdo que un libro suyo empezaba diciendo “de cerca nadie es normal” CV.

    En fin acá va el cuentito:

    Los caminos del agua

    Le cayó muy simpátco. Caetano no lo conocía. El muchacho, que andaba por la playa vendiendo cangrejos, lo invitó a dar una vuelta en su barca.

    - Me gustaría -dijo Caetano-, pero no puedo. Tengo cosas que hacer. Compras, trámites…

    Fueron. En barca fueron al mercado y al banco y al correo y a otros lugares. A lo largo de la costa, desde las orillas, penetraron la ciudad; y por el puro gusto de mirarla, se demoraban flotando en la mar serena.

    Y así ocurrió el segundo descubrimiento de San Salvador de Bahía. Una ciudad era la ciudad caminada, ese barullo que jamás se queda quieto, y muy otra era la ciudad navegada. Caetano Veloso nunca la había andado así, desde lo mojado, desde lo callado.

    A la caía de la tarde, la barca devolvió a Caetano a la playa donde lo había recogido. Y entonces, él quiso saber cómo se llamaba ese muchacho que le había revelado la otra ciudad que la ciudad era. Y de pie sobre la barca, el cuerpo negro brillando a la luz del último sol, el muchacho dijo su nombre:

    - Yo me llamo Marco Polo, Marco Polo Mendes Pereira.

    Buscando esta historia de Caetano me encontré con la de Catalina y sus amigos y enseguida me recordó este lugar, a Heloisa, cuando se refirió a la gente que anda por acá. Es cortita y acá va. A mi me encanta.

    Población de luz

    Catalina tenía muchos amigos visibles, pero no eran portátiles.

    En cambio, los invisibles la acompañaban a todas partes. Ella decía que eran veinte. Más no sabía contar.

    Fuera donde fuera, iba con ellos. Los sacaba del bolsillo, los ponía en la plama de la mano y con ellos conversaba.

    Después les decía chau, hasta mañana y los soplaba hacia el sol.

    Los invisibles dormían en la luz.

    En fin, pequeñas historias. Hay alguna sobre de Tom Jobim y varios brasileros más.

    Me despido con veinte besos y veinte abrazos. Más se contar pero ya es una exageración super exagerada.

  263. eXequiela.....agua de río mezclada con mar... disse:
    Dezembro 16th, 2008 at 4:16 am

    Lucre,

    Y ahora quizás ya estoy en el 17 de dic y vos en el 18 :) Qué lindo eso de Galeano! Y qué casualidad: Justo cuando salío el tema de la “voracidad”, me acordé de esto de Galeano:

    Para Todos:

    DEVORADOR DEVORADO
    El pulpo tiene los ojos del pescador que lo atraviesa. Es de tierra el hombre que será comido por la tierra que le da de comer. Come el hijo a la madre y la tierra come al cielo cada vez que recibe a la lluvia de sus pechos. la flor se cierra, glotona, sobre el pico de pájaro hambriento de sus mieles.

    No hay esperado que no sea esperador ni amante que no sea boca y bocado, devorador devorado: los amantes se comen entre sí de cabo a rabo, de punta a punta, Todos Toditos, Todopoderosos, Todoposeídos, sin que quede sobrando la punta de una oreja ni un dedo del pie.

  264. glauber guimarães disse:
    Dezembro 16th, 2008 at 4:20 am

    nando,
    rí muito com essa frase do fito paez. digo o mesmo.

    ví luiz vieira ["o príncipe do baião"] no jô. impressionante o quanto ele parece jovem, já aos 80 anos. lenda viva. abraço, compadre!

    …………..

    gil,
    pra que a gente possa dialogar de forma mais precisa, explique-me melhor essa sua frase:

    “tô sabendo das maravilhas do mundo, sou maravilhado por elas…mas a padaria glauber, esqueço o mimo e penso no pão”

    realmente não entendí lhufas. tô no aguardo, mas se preferir encerrar o [ou mudar de] assunto, pelo desgaste, ok.

  265. Roberto - peixinho pulante and enigmático - Joaldo disse:
    Dezembro 16th, 2008 at 12:02 pm

    TRANSCENDENDO A SIFUCIDADE E A SIFOCIDADE ATRAVÉS DA: VORACIDADE

    É incrível a força que as coisas têm quando são feitas ou tocadas pela poesia. Parece que exatamente por convocação da “poeta perigosa” Heloisa (a Exequiela que agora se sabe), com a aceitação de Miriam Lucia, Joana, Lucre, Exequiela (a Heloisa que também se sabe), e deste poeta dengoso que ora vos escreve (teve mais alguém?), o papo-cabeça de Caetanino - que se desinteressou por esta página e está todo prosa com a discussão da incompatibilidade de gênio entre versões gêmeas não univitelinas de uma certa canção de dilacerção da vida conjugal - converteu-se num papo sobre os sortilégios da boca e sua voracidade.

    Kafka dizia a Milena numa famosa carta que beijos escritos jamais chegavam ao destino, porque sorvidos no caminho por bocas famintas de seres fantamagóricos e insaciáveis. O quer que Kafka esteja dizendo com isso - sinto que ele, como quase sempre Salem, tem razão!

    Tava me lembrando agora do enigma bobinho da Esfinge: Decifra-me, ou devoro-te! “O que pela manhã tem quatro pernas, ao meio dia tem duas e à noite tem três?” Ora, quem não sabia que era o homem, saído engatinhando da infância, adentrado de pé na vida adulta e mergulhado na velhice apoiado numa bengala? Não acredito na mitologia: quando diz que só Édipo o decifrara!

    Reescrevo a mitologia.

    Decifrar é um movimento de existir cartesianimado. É ser sujeito pensante diante de uma matéria extensa, o mundo.

    Deixar-se devorar é consistir. É se descartesianimar. Pois só podem ser consumidos os seres quem têm consistência. Quem tem consistência comporta mundos em si.

    Os existentes - simplesmente morrem: e são inconsumíveis. E por isso anseiam por uma vida eterna, ou por uma outra vida depois desta.

    Quem se deixa consumir, vive pra valer, e é devorado sem dó…

    Até um dos mais famosos centauros mitológicos, que recebeu, coitado, o maior presente de grego, ou cavalo de tróia, que possa ser conferido a um ser especial - a imortalidade -, grita pelos milênios afora: “que hora soa agora, a eternidade me devora?”

    -Gente, lembre-se que a revista web viva Impertinácia será um República baseada num regime comunista orgiástico de individualidades entredevorantes - Helô, Miriam, Joana, Lucre, eX, euzito, e quem mais topar ou já tá no time escalado pelo Salem - oba, oba!

  266. gil disse:
    Dezembro 16th, 2008 at 6:28 pm

    qual é o desgaste glauber? pra mim nenhum, é um prazer bater esse papo com vc, a curtição do blogCaetano é essa não é? às vezes as idéias são diferentes, esse é o mundo e é assim mesmo…vamos fazer o mundo.
    a irradiação depende da nossa potência e portanto da concentração que a gente é capaz. a cultura nasce justamente quando vc se afasta do outro, e começam as projeções, os pontos de vista. A hora é de olhar para o umbigo, a hora da globalização já passou e portanto é reacionária, atrasada, cafona. Agora é olhar para o umbigo, e vamos ver a quantas andamos, do que somos capazes. Não há sobras, o mundo está carente de sobras, e tem muitas necessidades. a batalha que se trava é pelos recursos escassos e a bandeira é cultural. Queremos nossas medalhas, temos nossas bandeiras e vamos nos olhar e fazer o nosso pão. Mandar recursos escassos pra fora, dispender energia, doar vitaminas essenciais é a contra política cultural, é o contra poder, é careta e está por fora. Temos que irradiar internamente nossa projeção e amassar nosso pão. Somos o padeiro e o pão.é hora do ataque das pessoas marionetes…muito bacana a sua banda hein…curti muito. está tudo aqui glauber, a massa a gente tem, nós agora queremos abrir nossa padaria e distribuir o nosso pão entre a nossa gente…depois a gente pensa mais …abs

  267. virgilio disse:
    Dezembro 16th, 2008 at 7:43 pm

    mas caetano, baiano nao tem nada de seco. baiano eh barroco! cheio de enfeites e balangandans. brown eh seco? o que ele puder misturar ele mistura. radiohead estah muito mais pra o baiano do que sex pistols. abç!

  268. Lenartei disse:
    Dezembro 17th, 2008 at 5:28 pm

    Pessoas queridas;

    Em primeiro lugar, desculpem-me mas meu teclado aqui encontra-se sem alguns acentos.

    Bem… quando disse o que disse nao foi com manias epistemofilicas, de nao conseguir ouvir certas palavras, mas foi para, a partir delas e de seus usos, tentar propôr uma reflexao sobre autonomia e saude relacionada à questao das drogas.

    Alguém ai expôs uma larga série de consequências danosas que os usos acarretariam. Ressalto: acarretariam. Podem acarretar. Saude nao é lei, medicina é antes uma arte que uma ciência. Re-salto, para tentar ser contundente (rs): as pessoas sao um universo.

    Fico feliz em saber que Caetano e muitas pessoas aqui se colocaram contrarias à proibiçao; conseguem conceber a questao das drogas para além do “problema das drogas” midiatico; que hoje temos que dividir o que sao problemas gerados pelo uso de drogas (e eventuais relaçoes viciadas, que sao relaçoes apaixonadas), e o que sao os problemas SOCIAIS oriundos da proibiçao: pessoas armadas em confronto, pessoas que morrem mesmo sem ter desejado um contato com usos de drogas; policiais e desempregados (no final das contas dois lados de uma mesma moeda), e enquanto isso quem ganha dinheiro nao aparece nos jornais.

    A cançao Coisa Assassina, para mim, sempre girou em torno dos jornais. Com certeza o clichê da “coisa assassina que se vende em cada esquina” é inevitavel para a visao midiatica do trafico de drogas, mas (pergunto-me) se esta visao nao seria a mesma que associa pobreza com violência, e que fala de pessoas que usam drogas como escravas. Nao posso compactuar com isso. Entao para mim, gosto de imaginar que a musica fala dos maus jornais: essa salada de frutas azeda (ou digamos, adocicada com açucar de mentira), transbordante de ideologia/cultura/esporte, assim massificada e despretensiosa, reflete a propria monotonia da loucura de uma pessoa que nao sabe olhar ao seu redor, no ritmo da cidade, e se ampara em um mau jornalismo para interpretar o mundo onde vive. A monotonia da morte me leva à pensar também nas paginas policiais, que sao a morte banalizada, quando o sofrimento humano se submete às interpretaçoes estatisticas; quando somos quase levados a escolher que mortes sao insignificantes e quais nao sao.

    Entao vejamos: quem sao os traficantes (essa entidade essencialmente maligna, como diz a antropologa Alba Zaluar) segundo todo mau jornalismo? Sao pessoas à margem do mercado de trabalho. Vocês ja viram o depoimento do Hélio Luz no Noticias de uma guerra particular? Os convido. Eu, um ativista pelo direito das pessoas que usam drogas, pela sua organizaçao politica, vi aquilo com um misto de satisfaçao e descontentamento, nunca imaginei alguém ser capaz de falar objetivamente de nossa desgraça, como quem dita as regras de um jogo vencido, e ainda ter que concordar com ele… é dificil. A todas estas, meus caros, quanto à inteligente e maldosa proibiçao das drogas, temos uma maxima: a droga ilegal é lucrativa por ser ilegal. Acabar com essa palhaçada é dever de qualquer pessoa minimamente comprometida com uma sociedade justa. Lembremos, porém, do depoimento de um advogado californiano em sua participaçao no documentario Cocaine Cowboys (sobre as primeiras rotas de trafico Colômbia-EUA): “aprendemos a odiar as drogas publicamente, mas talvez nao queiramos ter a audacia de viver sem o montante de grana que elas injetam na economia formal. A lavagem de narcodinheiros é uma magica; o que era ruim passa a ser bom e até recomendavel”. Pensemos nessa rede clandestina que une pessoas sinceras comprometidas contra um mal concreto cuja aparência é a presença concreta das drogas em comunidades pobres visitadas por ricos; e que une também os que lucram com isso. A guerra às drogas é uma guerra aos pobres, e ela serve para isso mesmo - esta sendo uma politica eficiente. Que bom que aqui, em que pese as diferentes formas de ver a questao dos usos, nos unimos em direçao a um acolhimento desta realidade, e nao da omissao. Somos pessoas corajosas hoje, mas espero viver o suficiente para perceber que essa coragem nunca foi mais que bom senso.

    —————

    Quanto à questao do desrespeito com as pessoas que usam drogas (à sua condiçao humana!), dou aqui um exemplo concreto, e que estamos acostumados a ponto de naturalizar. O ex-policial, ex-namorado de uma atriz global famosa, recentemente achado morto, teve “overdose” atestada por policiais. Isso é fonte? Ora, nao precisamos de fonte: qualquer pessoa pode falar da vida de um drogado/viciado/escravo, à revelia do que ele mesmo pensaria sobre isso; essa entidade nao-humana, quem sabe até desumana. Neste caso, acusaçoes morais estiveram se confundindo em meio à achismos sobre cocaina e seus usos. Vale lembrar, por exemplo, que nao existem consensos cientificos quanto à crises de abstinência sobre cocaina - existem disputas de significados ainda, mas nao um consenso em torno do tema. Entao, expôr a opiniao de um delegado como cientista fosse nos atesta o viés das noticias sobre drogas: acusaçoes morais. Em ultima analise, ele, que veio a falecer, nao seria uma pessoa em sofrimento, em uma relaçao abusiva com drogas? Qual é a gênese desta necessidade de puni-lo moralmente? Isso aconteceu ha nao muito tempo atras quando um jornalista “acusou” Lula de “ser um alcoolatra”. Ora, alcoolismo é uma doença ou uma acusaçao moral? Nao se têm alcoolismo, nao se sofre dele, antes disso preferimos dizer: tal pessoa é alcoolista.

    Mas nada disso, nada destas desinformaçoes, supera (no seu potencial de me entristecer) os depoimentos descarados da médica psiquiatra que acolheu esta pessoa recentemente falecida (e aqui se ressalta a carga negativa do “paciente”), falando abertamente detalhes de seus encontros como profissional de saude. Isso é questao séria de ética médica, mas nesse caso, estamos tolerando. Como disse um amigo meu: “Por muito menos, o movimento LGBT ou Negro iria tornar a vida desta ‘médica’ um inferno”. Somente nos resta esperar que os Conselhos que regulam a ética na profissao de médicos e médicas tratem disso. “Afinal”, continua ele, “o sistema judiciário brasileiro ainda não nos autoriza a termos um movimento político de pessoas que usam drogas, ou pelo menos o impede de se manifestar publicamente”. A exemplo da Marcha da Maconha, em que pesem criticas de pessoas que nao concordam com algo ali, o que persiste ali sao pessoas falando de suas relaçoes com drogas de forma aberta, e isso é muito mais maduro e tem muito mais a ver com autonomia (com SAUDE!) que os outros dois discursos que “permitimos” às pessoas que usam drogas: ou doente ou criminoso (…)

    ——————-

    Lucio, curti muito tua exposiçao destas andanças pelas cenas roqueiras de Porto Alegre e Salvador. Incrivel ver que nos complementamos em nossos relatos, nao é? De um lado, um gaucho ja saturado do rock gaucho (nao exatamente saturado da cena rock de PoA, mas sim, do seu peso sobre outras cenas), e deslumbrado com outras possibilidades de Salvador. De outro lado, alguém criado em Salvador que vai se desbundar em PoA, ja saturado do peso que outras cenas soteropolitanas exercem sobre a cena roqueira.

    Vi uma entrevista aqui em Salvador com uma guria que organiza um evento chamado Bahia de Todos os Rocks: “aqui nao temos somente axé”. Acho que isso se torna muito mais interessante quando pensamos num certo tipo de turismo, aquele que atropela a propria vida cultural das pessoas que escolhem Salvador como territorio afetivo-existencial, para além das férias.

    E disso, parto para outros assuntos, porque o tema do atropelo sente-se aqui na vida vivida. Logo quando cheguei, vi num jornal um debate entre gestores do qual os editores extrairam uma frase: “o que é bom para Salvador é bom para o turista”. A principio sempre é bom ouvirmos isso de um gestor, em que pese nossas duvidas sobre o que “Salvador” significa para ele. Mas chama-nos atençao o fato de isso precisar ser dito num tom de desabafo ou descoberta pelo gestor, e mais ainda, que o jornal carregasse no tempero: leia aqui, eis uma frase de impacto. Aos poucos fui conhecendo um pouco mais as extensoes destes atropelos… é triste, e as pessoas entristecidas com as quais eu falo nao parecem ainda “terem tempo de anotar a placa do caminhao” que as atropelou, como se diz la no sul, pelo menos. Uns falam que em dois (ou quatro) anos duplicou-se o fluxo do trafego. Outros começam seu relato partindo de dez anos atras… E o condominio onde o Joao (entao prefeituravel) estava morando (o mesmo Joao que o Caetano rogou para que nao “asfaltasse” a calçada portuguesa na Barra), foi invadido por ratos, escorpioes e barbeiros. Uma area de mata atlântica, num empreendimento cujos laudos ambientais iniciais ja apontavam para isso. Agora ele esta saindo de la, mas as obras continuam e tendem a se ampliar pela zona. Ou seja, o atropelo nao salva sequer as pessoas que talvez julgassemos como protagonistas ou motoristas desorientados… Com todo o sistema e com toda a ipanema, a gente vai levando - mas até quando? rsrs..

  269. Ronaldo disse:
    Dezembro 19th, 2008 at 5:56 pm

    Enfim, consegui ir ao Mistura Fina, ontem, conferir o som d’Os The Three Amigos. Genial! Liminha passeou na guitarra, Louie (que eu não conhecia, sorry) é soul puro e Dadi … é o cara!
    Se os Amigos me permitem sugestões para o repertório, acho que caem bem as canções:

    - Rockin’ in the Free World - Neil Young
    - Stray Cat Blues - Stones

    Obrigado pela noite especial e até as quartas de janeiro, no mesmo Mistura. Abraços.

  270. Carlos Alberto disse:
    Dezembro 22nd, 2008 at 11:32 pm

    Nem pensar em terceiro mandato. E olha que fui eleitor do Lula. Seria golpe, assim como o foi o segundo mandato do FHC. A que preço, imaginas Caetano, passou pelo Congresso tal golpe.

  271. Marcos Uchoa disse:
    Dezembro 23rd, 2008 at 11:22 pm

    Tenho lido críticas infundadas ao LULA. Primeiro a que envolve o SIFU, depois a do terceiro mandato.Uma outra, de cunho elitista, que o chama de analfabeto, em um país cheio de analfabetos lato sensu, sem falar dos “analfabetos formados em-alguma-coisa-qualquer”. Um país de DOUTORES !
    Essa idéia de um terceiro mandato foi refutada por Lula faz muito tempo e nunca passou pela idéia dele golpear quem quer que seja, muito menos a nação que o ama, enquanto povo. Expressões como SIFU (não existe sifú, como não se pronuncia BOCETA)FUDER, são pronunciadas com a letra “u” e é a forma popularmente consagrada, pouco importando a gramática, pois quem faz a língua é o povo. Sem pernosticismos, é do povo que emana todo o poder (poder é diferente de fuder, por conta da pronúncia popular). O sifu de Lula deveria ser examinado no contexto em que ele o pronunciou, mas, é fácil observar, que tem gente querendo tirar proveito político do fato e são os mesmos que continuam com aquele discursso velho, modorrento, mofado, cheio de “letras” doutorais e que em nada irá mudar o juízo do povo. FH queria um terceiro mandato e esta gente que fala em “golpismo” de Lula é a mesma que reclamava um terceiro mandato para o DOUTOR que falava na lingua dos estrangeiros e que não impunha a própria língua enquanto representante máximo de um povo. É triste, muito triste o oportunismo político, em todos os níveis e em todos os locais.
    Foi um tópico que apareceu em cima da discussão com Tom Zé e que não merecia sequer ser discutido. Quem imagina e até coleciona os “foras” de Lula, procedem como o macaco que não olha o próprio rabo. Outra coisa estupida: saber como é a grafia correta: veado/viado. Estamos no século XXI e os “iluminados” ainda estão no sec. XVIII. Não é hora de parar para refletir um pouco sobre si mesmo do que ficar jogando conversa fora?

  272. Raphael Uchoa disse:
    Dezembro 24th, 2008 at 9:08 pm

    Concordo com meu primo, Marcos. Estamos em um novo milênio e tem gente debatendo coisas que não tem muito sentido. Por exemplo, como se grafa esta, ou aquela palavra. Os cultos devem optar pela linguagem culta, erudita, enquanto os mais chegados ao povão, optam pelo linguajar coloquial e os gramáticos que briguem entre si. Outra coisa, acho ofensivo tratarem as bichas como sendo veados e/ou veados. Não sou simpatizante da opção homossexual de ninguém, eu simplesmente entendo que todos somos gente de carne e osso e aceito as coisas como elas são. Se alguém é sexualmente “invertido” o que é que eu tenho a ver com isso? e daí ? Eu vou falar o quê? vou colocar alguém numa fogueira só por conta do prazer que desfruta do modo que bem entende? Papo furado, isso! Não quero saber da vida de quelé. Outro detalhe é a popularidade que Lula desfruta junto ao povo e, verdade seja dita, apesar da crise e de tantas coisas mais, o governo dele bate no de FH milhões de vezes. Não quero terceiro mandato e ninguém queria, salvo o próprio povo que vê em Lula uma espécie de Getulio Vargas. Homem simples, de linguajar coloquial e que é muito simpático.
    Enfim, desejo a todos vocês um ótimo natal, com direito a tudo que tiverem direito e que usem o que quiserem usar, mas com moderação e responsabilidade e viva a felicidade de todos vcs. Agora, me deixem gozar, me deixem gozar, porque eu mereço !

  273. Amanda Nascimento disse:
    Dezembro 26th, 2008 at 2:50 pm

    No final das contas, o “sifu”, tão enaltecido, virou palavra-chave jornalística sobre o discurso do presidente…
    Como diz minha avó (ou voinha, como costumo chamá-la): “tem de ter é paciência de Jó!”
    Aposto que ninguem mais recorda do que se tratava tal discurso. O “sifu” resumiu tudo? Rica informaçao…

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