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Um dia escrevi aqui: “Os linguistas contribuem com sugestões utilizáveis quando se fizer um bom projeto de educação básica no Brasil. Mas no momento esses militantes fazem também um pouco de demagogia nociva, provavelmente sem o saber.” Heloisa comentou desta maneira: “Caetano, gostei da forma cuidadosa e moderada desse comentário. Isso me basta, por enquanto”. Lembro que em outro lugar ela pediu paciência a Luedy, que ele esperasse eu ler Bagno diretamente. Algo assim. Pois bem. Li “A norma oculta” e não mudei um milímetro. Ali ainda pesavam mais os vícios da esquerda autocongratulatória.
Encontrei Luedy pessoalmente. Ele veio com uma professora de linguística irresistível. Ela falava bem e era paciente quando eu a interrompia. Luedy quase não falava. Paquito, o amigo músico que nos apresentou, às vezes puxava o assunto para longe do tema central. Quase nunca concordávamos mas todos gostávamos de ouvir uns aos outros. Eu tinha apenas olhado as primeiras páginas de “Preconceito linguístico“. Depois que Luedy, Paquito e Tânia (esse é o nome da moça) foram embora, fui lê-lo. Heloísa tinha sido profética. A leitura realmente mudou minha disposição em relação ao combativo professor da UnB.
Não sei se o texto que Bagno publicou na Caros Amigos em resposta a minhas opiniões é mais ou menos agressivo do que o que ele mandou aqui para o blog (e depois pediu a Hermano para não publicar: Hermano, que, sendo antropólogo, está mais pros Bagnos do que pros Cipros, tinha me mandado o irado comment, perguntando se não seria o caso de evitarmos publicação de texto tão aguerrido e vulnerável - e eu tinha respondido optando pela publicação: não queria me proteger nem facilitar a vida de Bagno). Seja como for, o texto que li era violento o suficiente para aumentar minha má vontade. Não foi sem má vontade que li “A norma oculta”; não foi sem má vontade que comecei a leitura de “Preconceito linguístico”. Não foi sem alegria que vi minha disposição mudar. Viva Heloisa.
“A norma oculta” me deixou com as mesmas más impressões da entrevista à Caros Amigos: demagogia, ar de quem descobriu a pólvora, malevolência em relação aos consultores de gramática dos meios de comunicação, sobretudo um argumento central que não me balança: a tese do nascimento da gramática normativa há cerca de 2.000 anos como um mal do qual só o heróicos sociolingüistas do século 20 nos salvariam. Mas em “Preconceito linguístico” encontrei o que já nem buscava: razão, alguns argumentos sólidos, apreciações justas. Será que nada disso havia no outro livro – nem na entrevista? Será que nada havia no eco da campanha dos lingüistas? Claro que há coerência entre essas fontes e “Preconceito lingüístico.” Mas ao ler este fui posto em condição de ver o que há de bom mesmo onde eu não tinha visto antes.
Seria preciso contar a história da minha vida. Não posso fazê-lo aqui. Mas o fato é que sempre me excitaram observações como a do Padre Antenor, diretor do Colégio Estadual Teodoro Sampaio, de Santo Amaro, que dizia não podermos considerar errado o “entonce” do matuto do recôncavo, que é português correto mas antigo e não atual e errado. Comentários como esse me prometiam mais do que as nomenclaturas das análises lexicais e sintáticas. É verdade que tive mais sorte do que Luedy: me ensinaram as “categorias gramaticais” no curso primário; a análise sintática só começou no ginásio – e começou devagar: primeiro as orações simples, só mais tarde estudamos períodos compostos. Primeiro os “por coordenação” e depois os “por subordinação”. Se havia quem achasse chato, esses não eram em maior número do que os que não agüentavam história ou geografia – sem falar em matemática. Mas a mera insinuação da etimologia feita pelo padre me acenava com um mundo maravilhoso. Eu queria entender mais o que era a língua que falávamos, como se formara, como continuaria em sua trajetória. Em suma, eu tenderia mais para um linguista do que para um gramático. Embora as sutilezas das regras de concordância me apaixonassem. E até hoje eu ame o entendimento da crase e sofra com o mito de que ela é difícil, um fenômeno inescrutável, um capricho desarrazoado dos professores e da própria língua portuguesa.
Entre a faculdade de filosofia e a música popular, minha admiração por Godard, pelos Beatles, pelos pintores pop e pelos poetas concretos me aproximou de Saussure e Jakobson, dos estruturalistas e pós, não dos gramáticos e filólogos. Entre 67 e 68 eu, além de já estar careca de saber que a língua muda, li “Tristes Trópicos”, Saussure, Jakobson, “As palavras e as coisas”, McLuhan, Oswald de Andrade (“a contribuição milionária de todos os erros”) – e nada de Napoelão Mendes de Almeida. De Antonio Houaiss, só a tradução do Ulisses de Joyce.
O artigo de Antonio Cicero na Ilustrada de 8/2/2009 expõe claramente a natureza de minha atitude contra a euforia dos lingüistas ao “desmascararem” o desejo de manter privilégios escondido por trás de toda paixão pela gramática. Leiam-no em http://antoniocicero.blogspot.com/. Chama-se Os Estudos Literários e o Cânone. Cicero diz, basicamente, que o cânone não é, como quer Eagleton, uma suspeita seleção feita a partir de interesses particulares, mas, ao contrario, algo que foi construído na luta das idéias e cuja força reside em não parar de ser qüestionado. A reação de certa esquerda ao cânone é semelhante à reação dos sociolingüistas à norma culta. Não que eles sejam a mesma coisa. Apenas, naquilo que têm em comum, suscitam reações parecidas nos meios que sonham com a revolução. Em ambos os casos essas reações me parecem tolas. A criação de um “paideuma”, de um recorte do cânone que nos obriga a revê-lo, é, explícita ou implicitamente, necessária à criação de algo relevante na história de uma arte e mesmo na construção de um estilo individual. Agusto de Campos pode dizer que John Donne e Sá de Miranda estão acima de Shakespeare e Camões. Ezra Pound detestava Gertrud Stein. John Cage queria livrar-se de Beethoven. Bergman detestava Orson Welles e Godard. Marcelo Nova pode desprezar João Gilberto. João ostentou gostar tão pouco de Noel que isso era uma espécie de escândalo silencioso. Mas tudo isso é diferente de querer-se desautorizar todo cânone. Muitas vezes em nome de reinvidicações de raça, gênero, classe e “orientação sexual”. Os panfletos de Bagno sempre me pareceram mais aparentados a essa tendência do que à decisão de contribuir para a vitalização da educação no Brasil. Além disso, me causa repugnância a facilidade com que se quer descartar mesmo a mais remota possibilidade de haver algo aproveitável na particularidade da história brasileira. Bagno vocifera contra a baixa estima que resulta de dizer-se que os brasileiros não falam certo ou que não sabem português. Mas faz coro com Marilena Chaui contra a celebração do descobrimento e não vê senão vergonha no fato de a nossa independência ter sido proclamada pelo príncipe da metrópole.
Claro, ninguém “não sabe” a língua que ouve desde que começou a viver. E nenhuma língua é incapaz de resolver os problemas de comunicação que seus falantes enfrentam. Mas, se esse aspecto da questão é evidente, o mesmo não se pode dizer da confusão que causa afirmar ao mesmo tempo esse grau de independência do fenômeno lingüístico e denunciar como mitológica a língua “ideal” dos gramáticos. De novo, sei que não se trata da mesma instância, mas se temos de definir como projetaremos o ensino da língua no Brasil precisamos ser claros justamente quanto ao que transcende (gostou, Heloisa?) a matéria bruta da fala diária e o corpo dos textos escritos existentes. Se seguimos a Marilena do panfletinho contra a celebração do descobrimento, como podemos clamar pela elevação da autoestima de uma nação tão monstruosamente formada – e apenas através da ligüística? Vê-se que há uma lacuna no pensamento. E vê-se que ela é aterrada com o entulho das variedades mais ingênuas das crenças em vanguardas revolucionárias.
O que, então, é bom em “Preconceito lingüístico”? Em primeiro lugar, aqui Bagno freqüentemente mira os alvos certos. O livro de Josué Machado não precisa ser lido por inteiro: as citações escolhidas por Bagno justificam a crítica que este lhe faz. O verbete do “Dicionário Sacconi da língua portuguesa” é tão grosseiro quanto as explicações dadas por Bagno sobre rotacismo e vocalização do “lh” são claras e bem articuladas. Os erros que este aponta nos livros daqueles merecem ser destacados. E a vulgaridade agressiva do estilo deles deve ser combatida. O projeto de lei de Aldo Rebelo é ridículo. Sou amigo de Pasquale Cipro Neto (e admirador confesso do trabalho que ele faz), mas das palavras depreciativas que ele usou contra os lingüistas apenas “deslumbrados” é de fato adequada.
Além disso, Bagno aqui dá um esboço de programa que já é contribuição efetiva para um plano inteligente de educação de massa no Brasil. Ele não está sendo simplesmente o militante de um comando antigramatical. Na verdade, as propostas concretas que ele apresenta soam muito menos demagógicas do que os “Parâmetros curriculares nacionais”. Esse documento oficial (surgido, não se sabe como, no supostamente horrendo governo Fernando Henrique) parece mais um brado de protesto contra humilhações sofridas por falantes pobres, enquanto o próprio Bagno propõe “acionar nosso senso crítico toda vez que nos depararmos com um comando paragramatical e saber filtrar as informações realmente úteis, deixando de lado (e denunciando, de preferência) as afirmações preconceituosas, autoritárias e intolerantes”. Aí ele está elevando o nível de exigência em relação aos que desejam ensinar a norma a tanta gente que tem sede de ter acesso a uma. E o mesmo texto em que ele diz essas coisas é o exemplo da língua culta padrão, da norma – que não está no texto dos grandes ficcionistas nem dos poetas, muito menos na fala coloquial: é o português que Bagno usa (e as regras de que se vale para criticar o conhecimento de gramática de jornalistas e professores, com maior ou menor razão), o português das argumentações teóricas, do texto oficial, da produção acadêmica, e não o dos poetas e ficcionistas, que está mais perto dessa entidade que não pode ser reduzida à materialidade da língua móvel dos usuários: a língua ideal. O fato de Bagno usar pronomes no caso reto em função de objeto direto é mais do uma exceção que confirma a regra: é a exemplificação de uma proposta de regra nova que ele já põe, a sério, em prática (ele não usaria “menas”, “nós vai”, “três pastel” etc.: haveria o risco do texto ficar menos inteligível – e (o que é crucial) menos respeitável. Nenhum padrão é idêntico à pluralidade de entes reais que ele representa. Por que a língua teria de se resumir às falas concretas dos falantes? Mas é o Bagno que sabe disso que diz que ensinar português é ensinar a ler e escrever - numa norma padrão.
A distinção entre ensinar a língua e ensinar sobre a língua procede. Mas isso não pode ir além de meramente enfatizar o treino do uso em vez da análise do funcionamento. As comparações com a diferença entre dirigir automóvel e entender a mecânica do motor é simplista demais. Ainda bem que ele reconhece que numa certa altura tem-se que aprender algo sobre a mecânica da língua: afinal, de onde sairiam os gramáticos, os lingüistas, os técnicos? Há um continuum entre o aluno e o professor, não há uma linha igual à que separa o motorista amador do mecânico de oficina. Claro que Possenti está certo, no trecho citado por Bagno, quando diz que “saber usar as regras é uma coisa e saber explicitamente quais são as regras é outra”. Mas há grande alegria em ver revelado o processo que se dá dentro da gente quando efetivamos o uso da regra. Essa alegria não é igual à alegria do motorista que descobre o que é que faz o carro andar. Justamente por no caso da língua revelar-se algo que está dentro de nós. Não é tudo (acredito que há pensamento sem palavras) mas é muito, é mesmo quase tudo o que somos.
É essa alegria genuína que levou Pasquale a reverenciar Napoleão quando este morreu, não o pedantismo que fazia dele uma figura cômica. Porque uma coisa é certa: se há uma esfumaçada miragem de norma culta, português correto, reverência à maneira lusitana de falar e escrever – essa miragem é pisoteada alegremente pelos brasileiros de todas as classes – e bem possivelmente pelas classes mais remediadas e urbanas. Os jornalistas riem dos gramáticos e da Academia, toda a gente ri de Portugal. A defesa quixotesca da língua culta é um cachorro morto nas ruas do Brasil. Temo que os sociolingüistas o chutem com demasiado prazer. O ódio aos Pasquales se deve a eles representarem um surpreendente sinal de vida no cadáver desse cão. Suspeito que Luedy adivinha que Bagno e Possenti não gostariam do Psirico porque o que correspondente ao Márcio Victor não é o “menas” mas o Pasquale: os “comandos paragramaticais” é que são brega. Se há um país onde regras de gramática são tradicionalmente (e mesmo saudavelmente) desprezadas é o Brasil. Comparemos o que se passa entre nós e o que se passa na França, na Espanha. Os argentinos têm o “vos” e resquícios de uma conjugação referente a esse pronome. Mas quem for filho de alguém que saiba ao menos ler, saberá todas as regras de uso de pronomes que há no castelhano. A rigidez normativa da língua francesa não tem igual. Já disse que sou contra o projeto de lei de Aldo Rebelo. Mas na França, onde a Academia realmente dita a moda (com a contribuição de ninguém menos que Lévy-Strauss, que foi de quem primeiro ouvi que não há línguas mais capazes que outras, que não há línguas primitivas, que não há hierarquia possível entre línguas), as ações de defesa da língua têm muito mais peso do que aqui. Vivi na Inglaterra: na cidade de Londres, as diferenças de pronúncia, vocabulário, sintaxe e tom entre as classes sociais (e a importância que é institivamente dada a elas por todos os ingleses) é maior do que entre as regiões do Brasil, por mais distantes que sejam umas das outras, por maior que seja a disparidade de poder aquisitivo. Dizia-se em Londres que o inglês da BBC era a melhor tentativa de padrão. O mito da homogeneidade do português brasileiro não é meramente um mito: é também a realidade de uma língua transplantada, língua de colônia, em que grupos diferentes de pessoas tiveram de passar a falar uma língua só.
Os lingüistas deveriam ficar felizes pela oportunidade. Na verdade acho que estão felizes. Não apenas o livro do Bagno está na 50a edição: a própria ciência lingüística encontra terreno tão fértil aqui quanto a psicanálise na Argentina. Bagno prefere repetir Marilena na cantilena da formação que não pode ser festejada, mas a colônia em que o príncipe da metrópole declarou a independência é tão original que, mesmo tendo ficado séculos atrasada em relação às outras colônias ibéricas quanto à instituição de universidades – e que exibe ainda a cicatriz desses descompassos e esquisitices nos resultados dos exames de aprendizado dos seus estudantes – produziu o maior romancista latinoamericano do século 19 (Machado) e o maior romancista latinoamericano no século 20 (Rosa) – pelo menos no dizer de Rodrigues Monegal, o grande teórico hispanoamericano de literatura.
Uma empreitada de familiarização da maioria dos brasileiros com as letras já agradece a contribuição que lingüistas como Bagno e Possenti vêm dando. Eu teria preferido me manter como o espírito de porco que, mesmo sem ser estudioso formal da matéria, toma a defesa dos comandos paragramaticais e escarnece dos esquerdismos triunfantes. Mas a leitura de “Preconceito lingüístico” mudou meu mood. Agora prefiro festejar o sucesso desse grupo tão intolerante quanto generoso. Acompanhar o aproveitamento das contribuições que ele traz. Claro que eles podem, como Tom Zé, recusar minha aprovação. Não faz mal. Seguem podendo ser bons para o que interessa.
Minha adesão aos lingüistas tem preço. É preciso que eles ouçam este leigo com a mesma isenção que ele os ouviu e pensem ao menos nas questões seguintes. 1) O cientificismo é, em muitos meios, considerado um preconceito. 2) As regras são sim filhas do uso real da língua pelos falantes e, tal como os próprios lingüistas detectam agora, sempre vieram de “baixo” para “cima”. 3) O fato de a gramática normativa poder datar de cerca de 2.000 anos atrás não diz nem que gramáticos tenham imposto os caminhos seguidos pelas línguas nem que eles não entrem na história da formação destas. 4) Os resultados de uma bem sucedida ação de letramento da massa brasileira poderão supreender esses seus proponentes: “tendências” poderão mudar porque 5) A escrita influencia a fala.
Continuo gostando do sucesso de Bagno, Pasquale, Maria de Lourdes, Possenti e Psirico.
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Fevereiro 21st, 2009 at 5:57 am
Boa madrugada blogueiros de plantão….
Poxa que maravilha este texto e que maravilha lê-lo, enendê-lo e saber que o Luedy eterno critico a linguagem existe.
Um dia espero encontrar Caetano para discutir os aspectos de linguagens que estão impondo de forma passiva a nós.
Eu ~já não sei mais conceitos sobre as novas regras e nem o que é correto e não.
A mim bastario que o mundoaderisse a uma espécie de linguage, que não fizesse estrondo a nenhum país, devíamos começar do zero e fazer uma linguagem universal com a idealização de todos, e sem distinção de origens ou raças.
Raça acho uma palavra forte, prefereria usar etnia ou coisa do gênero.
Bom hoje vi o show de Armandinho aqui em Penha reencontrei amigos de tempos e ficamosaté pouco relembrando e revivendo o p´ssado.
Por momento é isso.
Saudações,
Luiz Carias.
Fevereiro 21st, 2009 at 9:30 am
É carnaval! que baile, Caetano!
Fevereiro 21st, 2009 at 10:35 am
CAEnaval!!! hahahaha
Fevereiro 21st, 2009 at 11:31 am
O relevante nesse post do Caetano nem é se ele muda de opinião ou não, depois de ler textos do Bagno. O relevante é que ele leu. Se continuasse discordando totalmente, mesmo assim tudo seria bem diferente. Porque o chato não é a discordância: o chato é a redução grotesca.
Chamo atenção para uma questão crucial, porque Caetano a destacou: que nenhum linguista é contra (o ensino de) a língua culta. Isso seria de um ridículo atroz! Mas esta é a “acusação” mais repetida.
Fevereiro 21st, 2009 at 12:18 pm
Caetano, um post assim como este de “Carnaval”,somente lendo com calma. Agora é só Galo da Madrugada. Naná já apareceu na TV dizendo que ontem, a noite de abertura do Carnaval do Recife foi maravilhosa.Mas como eu prometi escrever para algumas pessoas, aqui vai a minha visão da festa.
Um jornal local e uma apresentadora de TV falaram que a apresentação do Caetano foi muitó rápida. Realmente, ao ver o Caetano a gente sempre quer mais, mas o fato é que tudo já estava previsto. Ele se programou para cantar quatro músicas e cumpriu.
Depois de uma chuva que nos deixou enxarcados, mas não fazíamos arredar o pé dali, em pé, na praça do Marco Zero, Caetano entrou no palco, às 21h30, sob uma chuva de papel picados.
Lá já estávam o anfitrião, Naná Vasconcelos, o regente Forró ( o nome dele é esse mesmo), da Orquestra de Frevo da Bomba do Hemetério, o incrível e jovem pianista Vítor Araújo, o balé afro ´magê molê, as baianas do maracatu e abaixo do palco, na frente, os 600 batuqueiros.
Caetano começou cantando Alegria Alegria. Saldou as nações de maracatus presentes, o homenageado do Carnaval do REcife (um deles), Carlos Fernando e o REcife. Os batuques do maracatu não combinava muito com a música, o som não estava muito bom, mas ele mandava ver.Ele é muito profissional e tem um coração enorme.. Prosseguiu com Lua de São Jorge, depois, Tieta e terminou com Asa Branca.
Numa aparição rápida e deslumbrante, como sempre, ele se despidiu e a gente ficou com a aquele gostinho de quero mais, mesmo sabendo que a programação seria aquela mesma.
Agora não é que o batuque do maracatu não combine com a música do Caetano, tudo pode combinar, evidentemente, mas talvez a forma como foi colocada. O toque tradicional dos tambores com a melodia. Não sei explicar.
Na saída, conversei com uma amiga jornalista, perguntei. Você acha que combinou o maracatu daquela forma com o Caetano? Ela disse. ” é assim mesmo, nunca combina. Ano passado foi Marisa Monte, Lia de Itamaracá e Elza Soares, não combinou. Ano retrasado foi Maria Bethânia, também não combinou. Naná VAsconcelos é maravilhoso, faz tudo com muito cuidado. Naná, queremos você novamente, mas será preciso melhorar isso aí.
Falei também com o professor de sociologia da comunicação da UFPE, Paulo Marcondes, e ele disse que talvez tivesse sido melhor juntar o Caetano com a Orquestra de Frevo da Bomba do Hemetério.
O regente Forró, é fenomenal.
Houve um momento em que ele e o pianista Vitor Araújo no momento em que tocavam com os maracatus, enloqueceram e os dois subiram no piano de calda. Que loucura.
Voltei completamente molhada de chuva para casa, mas amei tudo. à noite sonhei com o Caetano que encenava num filme japonês.
Caetano, você é mesmo o máximo.
Domo arigato gusai ma shi tta! ( se é que ainda lembro das minhas aulinhas de kendo).
beijinhos a todos.
Maria
Fazia tanto tempo que não via o Caetano que acabei sonhando com ele.
Fevereiro 21st, 2009 at 12:23 pm
Olá amigos, em tempos de post sobre liguistica.
queria corrigir duas coisinhas: a palavra “despediu”, com “e” e frase: /’mas que não fazia com que arredássemos o pé dali”
desculpem-me.
beijinhos
Maria
Fevereiro 21st, 2009 at 1:08 pm
Alalaô, Caetano!
Fantástica essa Kaytanuv 2009!
Embora a Caetanave da década de 70 e seu furor tenham transcendido tudo até hoje, a de hoje transacende também de forma brilhante (a chuva, o suór e a cerveja ficam por conta de cada obremprogressante).
Que Carnaval, hein?
Pense, dance, ha, ha, ha!
Também me apaixono pelas sutilezas das regras de concordância, até hoje eu também amo o entendimento da crase e sofro (cada vez menos, pela fatiga) com o mito de que ela é difícil.
E adorei o preço da sua adesão, esse seu post vale mais pra mim agora que estar ali no fim daquele show no Canecão, quando vc revelou o que eram os caracóis e de quem eram os cabelos que o Roberto cantou. E olha que naquela noite, show de mais 2h30 de duração, Jokerman e tal, ficamos ali, eu e alguns amigos, parados, sem acreditar que tinha terminado!
Interpenetração de mundos, isso é o universo das idéias ao qual as palavras servem, e como. Parabéns pelo seu renovo.
Fevereiro 21st, 2009 at 1:45 pm
Cacilds! Caetano!
Sem comentários. Isso não é um post. É uma aula.
na testa
salem
Fevereiro 21st, 2009 at 2:09 pm
Viva! Puxa, que texto bacana, Caetano! Vou ler com mais calma e preparar os meus comments, ok?
Mas só de saber que vc leu com atenção os textos do Bagno já me deixa imensamente feliz.
Retorno depois.
abs
luedy
ps. falei pouco porque sempre fico tímido quando estou perto de meus ídolos : - )
Fevereiro 21st, 2009 at 3:27 pm
Toda fala é melodia. Assim deveria ser a escrita.
Acho que um compositor - Caetano - ao digitar seus próprios textos sinta-se como dedilhando, no instrumento, uma nova obra … em progresso.
Ouço marchas-rancho na trilha sonora deste este post Carnaval: ‘Os Rouxinóis’, ‘Bandeira Branca’, O Rancho da Goiabada’ …
Fevereiro 21st, 2009 at 3:35 pm
Caetano, nesta época de carnaval estou escolhendo músicas para tocar com os amigos no violão e tocando “Pé do meu Samba” fiquei pensando que seria uma música linda ( que você ainda não gravou em disco de carreira) pra colar no seu novo disco.
É uma sugestão. Mas como carioca essa musica toca fundo em mim.
Abraços
Fevereiro 21st, 2009 at 3:51 pm
MINHA PÁTRIA MINHA LINGUA
Luiz,
Sua sugestão é interessante, não vou
Desmerecê-la, mas não concordo. É justamente da diferenças e da diversidade que nasce a riqueza da “raça” humana - evidentemente o certo é dizer espécie humana, pois somos da espécie homo sapiens , mas quis fazer uma citação à musica do Gil que empregou a palavra dessa forma pra eliminar qualquer forma de segregação racial, conceito que ficou muito impregnado depois da segunda guerra mundial.
Mas como dizia, a língua é o principal identificador cultural das sociedades, por mais que a intenção seja boa de querer dizer que todos são iguais, negros, brancos, amarelos e vermelhos, as sociedades são muitas e diversas, independente da raça.
No Brasil temos uma profusão de miscigenações, essa é a cara da nossa sociedade, e temos nossa língua que é tão marcante ou até mesmo decorrente dessa mistura.
O planificar os idiomas, criar uma língua única é perder a identidade – a UNESCO já reconheceu que a língua é um patrimônio, que deve ser tutelado por cada Estado, no Brasil inclusive existe lei de tombamento lingüístico, para impedir certos “estrangeirismos”.
Por fim raça é raça e etnia é etnia são conceitos que também não se confundem, e não dá pra ter preferencia por um ou por outro, dependendo do momento você terá que usar um ou outro.
Enfim, o buraco é mais em baixo. Mas não como disse todas idéias são válidas, não sou o dono da verdade.
Fevereiro 21st, 2009 at 4:47 pm
Olha, só de saber que de algum modo consegui reunir intelectuais tão importantes aqui, já fico feliz. E Possenti está certo: o mais importante é que agora temos uma posição mais abalizada, por parte de Caetano, acerca do que parte dos linguistas pensam/escrevem.
abs
luedy
Fevereiro 21st, 2009 at 4:50 pm
Estou tentando mandar mensagem que o blog menciona que eu já disse (mentira dele!)
Essa é a última tentativa… (se mando a mensagem várias vezes e não compreendo, desculpas!)
caetano sem preconceito com linguistas é o máximo! rs
Bagno me parece concordar com sua tese de número 2: a questão, para ele, é o conceito de sincronia e de como qualquer norma deve se adequar ao que se fala sincronicamente. Acho muito complicado, entretanto, a definição dele de norma culta (a norma falada pelos falantes com terceiro grau…): Não sei, mesmo. De qualquer modo, ainda não me convenci de que Pasquale não tem, como Bagno diz, uma concepção pré-moderna de língua (modernidade, sim, no sentido que Cicero defende - li recentemente o mundo desde o fim e fiquei de cabeça pra baixo, mas isso são outros 500). NÃO COMPREENDI, EM ABSOLUTO, A SUA ANALOGIA ENTRE O QUE CICERO DIZ SOBRE CÂNONE LITERÁRIO E LÍNGUA, SE PUDER DESENVOLVER EM NOVO POST, FAÇA, POR FAVOR.
1. se tiver com paciência, leia agora dramática da língua portuguesa (não lembro se o nome é precisamente esse, mas é tudo o que você leu com argumentos mais localizados, acho o melhor bagno (se pronuncia banho, né?))
2. O texto de Rio e Sampa ainda espero ainda espero…
vem? Não vem?
Mando Bjs e bom carnaval! =]
Fevereiro 21st, 2009 at 5:34 pm
[Hermano, por que os negros que vieram para o Brasil se desenvolveram mais para o ritmo/percussão enquanto os que foram para os Estados Unidos se desenvolveram mais para o canto? Ou isto não procede? Há algum estudo a respeito?]
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Meu tracklist do carnaval:
*Byrds - “My Back Pages”
*Beach Boys - “Wouldn’t It Be Nice”
*Peter Gabriel - “Waiting for the Big One”
*Jeff Buckley - “Lilac Wine”
*Morrissey - “We Hate When Our Friends Become Successful”
*Jorge Ben - “O Camisa 10 da Gávea”
*Luiz Caldas - “Ajayô”
*Caetano Veloso - “A Filha da Chiquita Bacana”
*Flávio Guimarães - “Hoochie Coochie Man”
Fevereiro 21st, 2009 at 5:38 pm
Caro Caetano,
Vejo que a discussão sobre lingüistas x gramáticos mais uma vez corre solta no blog.. Volto a lembrar (como o fiz no comentário do post “Lingüistas”) que nem todos os lingüistas são adeptos às idéias do Bagno ou, simplemente, à forma como ele as apresenta. Acredito que a impressão causada até agora (mesmo após a sua leitura de Preconceito Lingüístico)” é de estar se falando de um grupo ainda “tanto intolerante como generoso”. Penso, a esse propósito, que generalizações não cabem aqui e, muito provavelmente, vc entenderá o motivo quando passar a ler outros autores, menos “radicais”, menos “esquerdistas”, mas não menos “lingüistas”… Sugiro uma outra leitura básica para que vc possa tirar outras conclusões (do livro “Que Gramática ensinar na Escola?, de Maria Helena de Moura Neves.)
Generalizações à parte, continuo ressaltando que é mesmo “o olhar” que faz o lingüista. Nesse aspecto, sua função é essencialmente distinta do gramático. (apenas “distinta”, nem melhor, nem pior). E, como Possenti bem lembrou no comentário acima, não é verdade que o lingüista é contra o ensino de norma culta. No entanto, como vc mesmo já reconheceu, a ciência da linguagem tem, igualmente, muito a contribuir num processo educativo mais eficiente e condizente com a nossa realidade lingüística.
Melhor do que a “adesão” ao grupo é perceber a sua disposição em dicutir a matéria.
Bjs,
Jaqueline Lé
Doutoranda em Lingüística/UFRJ
p.s.1: A escrita TAMBÉM inluencia a fala
p.s. 2: Cientificismo pode,em alguns meios,ser preconceito, mas a ciência, a priori,pressupõe uma análise global de seu objeto, sem julgamentos de valor.
p.s 3: A Sociolingüística é apenas uma parte da teoria lingüística
Fevereiro 21st, 2009 at 6:16 pm
garçom, dois lamartines e um intérprete!
Fevereiro 21st, 2009 at 6:34 pm
HERMAN, ESSE VALE QUANTO PESA
Reli o Post de Caetano e sei que tenho que relê-lo mais algumas vezes pra metabolizar a profusão de argumentos, idéias, conexões, concordâncias e discordâncias.
Mas uma coisa ficou batendo na minha cabeça. Gramática X Linguística. Cientificismo X Abordagem social.
A Linguística me interessou quando li Saussure ainda adolescente e vislumbrei a possibilidade de entender a anatomia da palavra. Significante e significado. Mais tarde fui ter aulas particulares de Semiótica com Luiz Tatit. Isso porque me interessava de forma obsessiva pela percepção da entoação como um parâmetro (quase científico) para entender o discurso cantado.
Quanto mais rompia o tecido da palavra e entrava na sua musculatura, mais me afastava de uma abordagem social. Confesso que fiquei avesso à politização da discussão da língua, das linguagens e da norma. Peguei bode mesmo. Já disse isso aqui. E não por causa do Tatit, que nem tocava no assunto. Pelos efeitos colaterais terríveis que o discurso social (típicos do meu colegial, efito no Equipe) me causavam. Fiquei preconceituoso? Talvez. Acho que sim.
Exalto aqui a paciência e a cultura de Caetano, que mesmo não identificado com a abordagem sócio-linguística, foi procurar entendê-la além da superfície (eu mal cheguei à superfície, tal a minha resistência).
Parece mesmo que as coisas estão mais claras e alcançaram um patamar mais profundo depois desse post. Mérito que também deve ser crditado à insistência de Luedy, com quem debati com frequência. E que aprendi a discordar com admiração e respeito.
Caetano teceu minuciosamente uma rede de múltiplos pensamentos interconectados. Será que depois desse post ainda haverá quem pense que ele escreve “confuso”? O texto é genial!
Gostei muito desse texto como produção de uma síntese entre visões aparentemente antagônicas. Mas confesso: a abordagem social ainda me incomoda. Não no seu aspecto de constatação inequívoca do preconceito. Mas como um rumo verdadeiramente propositivo para a abordagem da língua, aspecto que me parece menos eficiente e convincente.
No que diz respeito à luta por uma educação mais inclusiva, os méritos dessa abordagem são inquestionáveis. Mas no que tange à análise, à compreensão profunda da língua e ao dissecamento dos corpos das palavras e de seus nervos interligantes, não me excito.
Basicamente e (superficialmente) sinto que a abordagem sócio-linguítica parece contribuitiva na discussão do desgaste do ensino da língua escrita e falada nas escolas do Brasil. Aí, ela é propositiva e coloca o dedo na ferida.
No entanto, do ponto de vista da ciência da palavra, da sua concretude, da sua dinâmica sistêmica, do seu embate interno, das suas tensões de significado e da sua transformação evolutiva, a sócio-linguística parece não ir muito além do que já se descobriu. E até ofusca a beleza do percurso genético e simbiótico da construção da língua e da norma.
Às vezes tenho até medo do gigantesco poder argumentativo e coalizante dos textos do Caetano. Ele tem a força de compor forças aparentemente antagônicas. Coisas de bom compositor.
Com escreve, esse cara!
beijo na palavra
salem
Fevereiro 21st, 2009 at 7:55 pm
“transfoi-se-me”
Fevereiro 21st, 2009 at 8:06 pm
Ola caro amigo Aurélio,
COncordo em parte do que tu disse sobre etnia, linguagem, identificação cultural, etc.
Porém digo e defendo sermos universais a tal ponto de esquecermos tudo e revelarmo-nos um nova nação, sem diferenças, sem contra-cultura, sem nad aque marca ou denomina ou determina um nação ou até mesmo um povo.
Somos todos iguais porém diferentes.
Ontém um amigo me disse uma frase politicamente incorreta mais bonita á beça. Discutiamos sobre a apologia que alguns músicos fazem sobre o uso dam aconha, ou de como usar, fumar, etc…me refiro ao show do Armandinho, onde algumas músicas fazem referência e tudo mais, para um público literalmente de adolescentes e jovens. Meu amigo soltou uma frase a nossa discussão:A canção é o jeito correto sendo incorreto.
Fiquei fascinado ao imaginar uma frase nesse sentido tomando uma proporção exatamente do que foi o show…
Que previlégio ser o primeiro a postar aqui…
Saudações blogueiros de plantão,
Luiz Carias.
Fevereiro 21st, 2009 at 8:49 pm
heloísa??
Fevereiro 21st, 2009 at 9:03 pm
Maravilhoso este post. Realmente, uma verdadeira aula.Sobre um tema,que é para Caetano, recorrente. É um texto para ler com calma e mais que uma vez.Até a própria escrita de Caetano foi menos confusa e enrolada que o habitual. Repito: para ler com calma, degustar, e meditar…
Quero fazer só 2 comentários:
- Concordo com o que Caetano diz sobre os Ingleses. É assim mesmo. Sem tirar nem pôr. Eu, que pretenciosamente me julgo um cara tolerante, tenho um certo sentimento de ambivalência com esse povo.Pior do que isso só mesmo com Suiça, Luxemburgo, e outros paraísos fiscais, onde “todo mundo” vive bem, graças ao dinheiro sujo dos outros…
- Esse sentimento de inferioridade (de ter sido “achado” pelos portugueses e não pelos ingleses) e a necessidade de colagem aos Estados Unidos da América, é, a meu ver, um dos principais obstáculos para fazer desse Brasil, uma nação verdadeiramente grande, com uma mentalidade forte, desigual, mas com ordem e progresso. Será que as colonizações inglesas da África do sul, Zimbabwe, India, Paquistão e mesmo os EUA (para referir só algumas)serão exemplos de grande sucesso?
Caetano, em relação ao W Allen, acho que cê vai ter uma desilusão com V-C-Barcelona. Acontece exactamente o contrário do que você disse num comentário atrás.
Gil, volto a fazer a pergunta: onde está você? quero dizer local terreno…Deu-me a impressão de você estar (vivendo?) em Portugal…
Fevereiro 21st, 2009 at 9:17 pm
Boa TArde blogueiros de plantão,
Olha só o que achei por aí…
http://carnaval.uol.com.br/2009/album/abertura_carnaval_album.jhtm?abrefot=9
Olha só fotos da abertura do Carnaval de Recife, e nosso Caetano apresentando e fazendo a abertura do Carnaval, divino.
Bom por momento é isso…
De língua em todos em ritmo de fevo e carnaval,
Luiz CArias.
Fevereiro 22nd, 2009 at 12:28 am
é claro que Caetano devia estar na Academia, e o Antônio Cícero também, na Brasileira de Letras desculpem a insistência mas até cego vê. Uma delícia o texto da Maria e o detalhe da amiga dela: “é assim mesmo, nunca combina..”, espetáculo! Somos nós, simplesmente! Concordâncias gramaticais e …”Agora não é que o batuque do maracatu não combine com a música do Caetano, tudo pode combinar, evidentemente, mas talvez a forma como foi colocada. O toque tradicional dos tambores com a melodia. Não sei explicar…” não sei explicar…mas não combina, nunca combina, é assim mesmo…temos que pensar mosqueteiro…
Por aqui rola uma versão interessantíssima da saída do nosso Felipão do time do russo na Inglaterra. Pode ser ficção mas é uma observação tão singela que a gente pode adotar. O fato é que Felipão é percebido como paizão junto aos seus jogadores, mais que técnico científico e cheio de táticas e segredos, a opinião geral é que ele forma a “família” e sabe conversar no pé do ouvido com cada jogador e com essa intimidade produz um rendimento extra, motiva melhor e por isso, vence.
Com os jogadores do Chelsea, um elenco com apenas 6 jogadores que falam português, Felipão não pode nos seis meses que trabalhou desenvolver sua principal característica e portanto …falhou, faltou a língua. Sem ela como exercer o paizão, o pé do ouvido, o papo entusiasmante? sem a língua como avançar na intimidade, sem a língua como manifestar o pensamento?
Faltou língua para o Felipão…achei tão lindo…
Fevereiro 22nd, 2009 at 12:56 am
Caetano,seus textos sempre me deixam em muita confusao e paz.Muitos e bons carnavais pra vc.
Fevereiro 22nd, 2009 at 1:02 am
em tempo, o povo inglês é maravilhoso e muito parecido com a gente: adoram música e futebol. A Suíça, que Suíça? a francesa, a italiana ou a alemã? A Suíça é uma beleza e não é verdade que vivam do dinheiro sujo dos outros…e esse tal sentimento de achamento dos brasileiros é ignorância, é antes da neurose. O fato de estarmos geograficamente no continente americano e diretamente ligados economicamente com os EUA tem implicações políticas e culturais que nos fundamentam. Mas tem um fato, lá de cima até lá embaixo todo mundo fala português no Brasil, mais cantado ou menos cantado, a língua no Brasil inteiro é o português nos jornais de todas as cidades e que qualquer um pode ler e entender. E o povo inteiro se entende pela língua antes de tudo…isso é legado e riqueza. Mas a língua saiu de Portugal na boca dos portugueses, não veio escritinha, não veio com dicionário nem com as leis dos magistrados, veio na boca e foi sendo falada e adotada e é assim por todo lado do ambiente lusófono, e por isso os acordos ortográficos, para ajuste do ambiente, porque língua é Poder…olha o Felipão aí…
Fevereiro 22nd, 2009 at 2:44 am
Caetano
Escrevo este comment enquanto te vejo na varanda elétrica de Gil com um belo pano do Ilê no ombro. Fazendo um paralelo entre todos estes posicionamentos linguísticos, norma culta, senso comum e o carnaval, tomo ele como o grande exemplo das possibilidades, reivenicões, mantendo sua originalidade e verdadeira expressão da nossa cultura, e neste mesmo Carnaval vemos coisas que são meros factóides que buscam o sucesso que os verdadeiroaos artistas chegaram seja através de um trabalho que chamo de ‘mãe’…de um surge outro… erudição ou dos seus apropriados ‘entonces”.
Uma nota de arrependimento…Fui ontem ao 2222, e com a dificuldade que tive para voltar para casa, preferi não ir hoje…Deixei ver aqueles encontros bacanas de vocês no puxadinho elétrico com o pessoal dos trios… E quem sabe dizer…Ói…sou Patricia…será??? Que mico hein Caeteno? Acho que fiz bem em não ir…kkk
Fevereiro 22nd, 2009 at 3:08 am
Caetano Veloso,
Apesar de considerar producente a sua recente opinião sobre a reforma ortográfica, gostaria de dizer-lhe que seu cuidado anterior relativo aos “movimentos” (de onde surgem e para quê servem) das reformas normativas, estão ainda no seu último depoimento. E assim deve ser, penso eu. Lembrou-me (ressoou-me?) de “Ensaio sobre a origem das línguas”, um belo estudo do iluminista Rousseau e que tanto encantou Derrida (Gramatologia). O ensaio tem passagens que de alguma maneira são evocadas por você: “não foram nem a fome nem a sede, mas sim o amor, o ódio, a piedade ou a cólera que pela primeira vez soltaram a fala dos homens…” (p. 48). Por mais que nunca se consiga ouvir a voz das fontes (Heidegger), não se pode reduzir a relação, sutil, que a poesia mantém desde sempre, desde a origem com as línguas: “de início só se falou por poesia; só muito tempo depois é que se procurou raciocinar” (p. 49), também de Rousseau, citado aqui a partir da tradução portuguesa.
Abraços,
Ricardo Corona
Fevereiro 22nd, 2009 at 3:19 am
Caetano, por ver/perceber, você a se dedicar a todos os assuntos que perpassam por você, incita maior reflexão/ciclicação na minha condição de ser pulsante, do que pela temática em sí que abordas. Do teu fazer/labor puro extraio a preciosidade possível.
Fevereiro 22nd, 2009 at 3:50 am
Boa noite!! Caetano,
Gosto muito da sua preocupação com a língua portuguesa. Devemos “qualificar” nossa leitura. Precisamos muito do estudo e do debate sobre os usos da língua. Não existe país desenvolvido que não tenha uma boa formação básica em português matemática. Como professor na área de cinema, me preocupo com a idéia da “qualificação do olhar” (www.lisandronogueira.blogspot.com) Todavia, não é possível “qualificar o olhar” sem o domínio da escrita. Na américa latina, passamos da cultura oral diretamente para a cultura visual sem dominar completamente a escrita. Isso é péssimo!! Por isso, a importância do debate levantado por você no seu blog.(lisandro Nogueira)
Fevereiro 22nd, 2009 at 4:49 am
Do caralho Caetano!!!
deslumbrante esse post. fiz letras e lembro que quando comecei a ter aulas de linguistica no primeiro semestre me deslumbrei com esses teses todas, li “o preconceito linguistico” e me engajei totalmente nessa militancia, mas dando aula outras questões vinha me assaltar. você clarificou varias das que eu nunca tinha encontrado resposta.
talvez esse seja o melhor texto publicado no Blog.
Fevereiro 22nd, 2009 at 5:48 am
Carnaval só não é melhor do que o Maracanã.
Se bem que, depois de hoje, tá foda. Vou lançar o bloco “Porra, Mengão!!!”….
Maracanã, carnaval, reveillon…todas experiências religiosas. Estar em um lugar onde todo mundo, todo mundo, quer ser feliz. Isso é fé.
Quais os seus sentimentos em relação ao, maravilhoso, futebol, Caetano?
bjs
J.
Fevereiro 22nd, 2009 at 6:01 am
O novo post encheu-me de alegria e preguiça.
Alegro-me por saber, que a discussão em torno da abordagem – inédita pra mim – dos lingüistas sôbre a norma culta,continua em alta no blog.
A preguiça fica por conta do tamanho do texto.
Comprido post que não acaba mais…
Mas eu li tudo,e duas vezes,podem crer.
E estou ansioso pra ler os livros do Bagno.
_____x_____
Sarorkuteando por aí,encontrei-me com uma pessoinha linda e amorosa que é a Rosana Tibúrcio.
Ela mandou beijos pra todos voces.
Castello.
Fevereiro 22nd, 2009 at 6:51 am
Quanto à afirmação de Caetano que “ninguém “não sabe” a língua que ouve desde que começou a viver. E nenhuma língua é incapaz de resolver os problemas de comunicação que seus falantes enfrentam”, acredito absolutamente no contrário; há um artigo de Ferenczi chamado “Confusão de línguas entre adultos e criança” cuja tese é de que a origem do traumático se encontra na alteridade que não fala a mesma língua: através da linguagem, os adultos submetem, dominam e apassivam a criança; o trauma advém da suposição de entedimento, pois a criança é submetida ao contato com a linguagem através de uma docilidade e por uma antecipação (do simbólico) cujos efeitos sobre ela não deixam de ser violentos, portanto o traumático advém desse desconhecimento.
Fevereiro 22nd, 2009 at 10:23 am
Caro Caetano,
Primeira vez que comento, apesar de acompanhar o blog há algum tempo.
Texto grande! Um carnaval e tanto. Li ano passado “Preconceito Linguístico”. Bagno escreve bem, gostei e apoiei. Porém discuti com poucas pessoas sobre o assunto. A maioria achava ridícula a propostas desses linguístas. “Mas que coisa! é claro que existe o certo e o errado, devemos que seguir a gramática” diziam. Então o assunto se esfriou em mim durante um intervalo relativamente grande e volto a econtrá-lo aqui (com um título supreendente.
Divido muitas opiniões com você. Concordo que a questão não veio a tona agora e que Bagno e afins não são herois salvadores, como muitos pensam. Também concordo qua a atitude deles em ralação aos Pasquales é bruta e sem razão, já que os mesmos nunca criticaram o trabalho dos linguistas. Esquerdismo enfadonho? Pode ser.
Mas discordo em um ponto. Penso eu que a popularidade dos gramáticos não está na necessidade do povo. O povo os procura para curar seu complexo de inferioridade coletiva. A mesma coisa acontece quando vemos alguém utilizar uma expressão da língua inglesa e se achar “superior”, culto, por isso. “O que é importado é bom, o nacional é ruim, é ralé” é o que muitos pensam. Assim, tentam aprender gramática e palavras difíceis para se distinguir da massa. Muito comum, aqui em Brasília cidade onde moro, os pseudo-estudantes de concursos públicos se sentirem o máximo com a gramática debaixo do braço. Bobagem extrema. E Bagno faz a coisa certa em defender os “dialetos” populares e regionais.
O motivo da luta dos linguistas é justo. O modo com que a fazem é que é errôneo.
Há muito que se debater ainda. Espero…
Fevereiro 22nd, 2009 at 11:53 am
hermano,
acho massa quando bandas fazem esse lance que o “miami bros” faz. essa mistura de hard rock com o miami bass sound e pop. valeu a dica, não conhecia.
………….
caetano,
tava elegante lá em recife, hein?! jóia.
…………..
deixo um abraço aos foliões virtuais.
Fevereiro 22nd, 2009 at 12:33 pm
Oi Alexandre
Cê disse, ói:
“Penso eu que a popularidade dos gramáticos não está na necessidade do povo. O povo os procura para curar seu complexo de inferioridade coletiva.”
De que povo cê tá falando? Não citei a sua frase pra pegar no seu pé, não. Mas nela há exatamente a revelação do que tanto me incomoda na sócio-linguítica. Uma espécie de procuração pra falar em nome de um povo sem se incluir nele. Vendo de cima. O que é uma visão anti-preconceito, pode ser esconder um certo preconceito.
Esse é o ponto: não há povo. Há povos, civilizações, culturas, cultivos, diferenças. E nós fazemos parte disso. Não há como se colocar de fora. A palavra “povo” aparece bem à moda dos políticos. Uma casta que estaria crdenciada para salvaguardar os desejos de uma entidade chamada “povo”.
Eu consigo ler e ouvir belezas na língua escrita e falada em várias instâncias regionais e sociais da população brasileira. Há pobres falando bonito e feio (ufa! não usei o “certo e errado”), há também acadêmicos falando e escrevendo bonito e feio. Há gente que tem vocabulário extenso e não consegue elaborar uma dissertação eficiente.
É nesse contexto, aí sim, que um ensino democrático e menos normativo da língua, pode avançar mesmo e até contribuir para reconstrução da norma.
Mas essa divisão entre povo e uma suposta minoria abalizada, reproduz o preconceito que a sócio-linguística propões desconstruir.
É aí, que a sócio-linguística “parece” pedante e pretenciosa.
Essa é uma herança viciada do pensamento da esquerda. Em nome do povo, mas fora dele. Acima dele.
Não me parece que Bagno pense assim. Mas a mistificação da sua tese, talvez involuntariamente, crie essa confusão.
O problema talvez não esteja na tese em si. Mas na sua defesa quase militante.
Isso pode ser conferido nesse blog em depoimentos diversos. Não acho mais que o que esteja em jogo seja apenas o pensamento de Bagno. O que se discute são os desdobramentos reais e propositivos do que ele veicula. Ou seja: as teses de Bagno serão colocadas à prova não por ele, mas pelos que o leram.
Espero que os alunos e leitores de Bagno se tornem grandes mestres. Não militantes.
beijo na testa
salem
Fevereiro 22nd, 2009 at 12:53 pm
Eu adoro matemática. Desde moleque. No meio do meu Ensino Fundamental, as “humanas” magnetizavam a nossa atenção. Era o período da ditadura e nada poderia ser visto ou analisado sem um debate ideológico. Isso excitou a minha geração. Nas aulas de português, história ou naquela tal de OSPB, estávamos todos prontos pra ver, nas entrelinhas, de que lado o cara tava.
A metamática me aliviava e ma fascinava. Pra mim aquilo era poesia desprovida da ideologia binária. A matemática me lançava pra fora do mundo cognitivo e provocava a minha abstração. Não havia militares, nem derramaento de sangue, nem texto e sub-texto, nem invasões de terra e penínsulas. Nada disso. Havia um convite a abstrair. Claro que cansativo, mas pra mim era um ácido que batia. Pra outros, abatia.
Virei músico meio sem querer e depois de um tempão, vi que a matemática tinha a ver com minha atração por quadraturas, divisões e compassos.
A vida não é tão exata.
in test
salem
Fevereiro 22nd, 2009 at 1:03 pm
Gil entendeu tudo!
Língua e Felipão! Língua e poder. Como eu concordo com esse negócio de falar que o “suiço” é assim ou assado, ou os “franceses” são isso ou aquilo, na maioria das vezes é chutão de bico.
Morei 3 anos na França e não consigo dizer nada assim no singular, tipo “o francês é um sujeito arrogante”. Depois que voltei ao Brasil ficava enervado com ao escutar tanta gente falando coisas do tipo “o francês não gosta de tomar banho”.
in test in gil
salem
Fevereiro 22nd, 2009 at 3:11 pm
em comentário deste link
http://www.overmundo.com.br/overblog/o-avesso-do-avesso-carnaval-baile-funk-e-metal
(que fala do trans-metal-pancadão de Volta Redonda)
dou transnotícias imperdíveis do início do meu carnaval carioca
Fevereiro 22nd, 2009 at 3:21 pm
Algumas coisas me chamaram a atenção, embora meio off topic:
Segundo Antônio Cícero, “queira-se ou não, o cânone literário é uma grande tradição. Deve-se dizer, porém, que ela está longe de ser inquestionada ou inquestionável. Ao contrário, essa tradição se construiu e se mantém hoje, entre outras coisas, através do questionamento e por causa dele”.
Eu queria saber se o mesmo raciocínio pode ser aplicado à música popular. Porque foi exatamente isto o que fiquei tentando dizer quando fiz a precária comparação entre Reginaldo Rossi e Bob Dylan.
Uma outra coisa me chamou a atenção: a terrível dificuldade que podemos ter ao expor a defesa de um argumento. Entendi mal ou Luedy foi prejudicado por esta dificuldade - em que pese o brilhantismo da sua defesa. Mas o toque da Heloísa equivale ao seguinte: Luedy poderia não estar conseguindo passar o que seria necessário para que Caetano tirasse suas próprias conclusões (o que o catatau acima confirma). Longe de ver nisso uma crítica, de antemão me solidarizo com Luedy, porque imediatamente tomo como minha uma dificuldade idêntica: em quase nada do que tenho defendido aqui me senti à altura da minha própria defesa: Caetano tem o domínio da palavra, coisa que me parece uma miragem, de tão perfeita. Acho que se fosse ele a defender o que eu defendi, os argumentos seriam ao menos mais claros. Embora até para Caetano deva ser difícil sintetizar (um) livro(s).
Pior que tudo é ainda gerar antipatia pelos temas defendidos, por pura incompetência.
Outra coisa:
“Se havia quem achasse chato, esses não eram em maior número do que os que não agüentavam história ou geografia – sem falar em matemática(…) e sofra com o mito de que ela é difícil, um fenômeno inescrutável, um capricho desarrazoado dos professores(…)”.
Tive um professor de matemática e desafiaria qualquer aluno dele a considerar matemática algo inescrutável, difícil ou mesmo chato. A paixão de Psica (professor sergipano radicado em Salvador) pelo ensino e pela matemática, transformando o difícil em fácil para assombro e fascínio dos seus alunos, eliminando mistérios e tornando a compreensão quase que automática, me assegura que o problema não é com matemática, é com os professores de matemática e com uma cultura atoleimada de “bicho papão”. Claro que existem tendências e vocações para áreas específicas (exatas, humanas etc), mas a dificuldade é muito mais relativa do que se pensa: após um curso com ele fiz vestibular com uma única fórmula decorada (volume da esfera), porque ele não poderia demonstrá-la - seria necessário conhecimento de terceiro grau. Tirando esta, TODAS as outras fórmulas ele nos ensinou como demonstrá-las, ou seja, ensinou como e porquê se chegava a uma fórmula (ele costumava dizer: “vocês não têm vergonha de sempre saberem uma fórmula sem nunca saberem como chegaram a ela?”).
Fevereiro 22nd, 2009 at 3:34 pm
Gente, vcs que gostam de linguística, não percam no TCA em Salvador esta palestra da ‘Fronteiras Braskem do pensamento’…24/03/2009
Steven Pinker is Harvard College Professor and Johnstone Family Professor in the Department of Psychology at Harvard University. Until 2003, he taught in the Department of Brain and Cognitive Sciences at MIT. He conducts research on language and cognition, writes for publications such as the New York Times, Time, and The New Republic, and is the author of seven books, including The Language Instinct, How the Mind Works, Words and Rules, The Blank Slate, and most recently, The Stuff of Thought: Language as a Window into Human Nature.
Ainda sobre Pinker…
Steven Pinker e os PalavrõesEm Ciência Geral e Ceticismo, Mente e Cérebro, Natureza Humana, Uncategorized, Vídeos/Palestras @ 22.Sep.2008. por marcoevolutivo.Você se acha uma pessoa desbocada, boca suja que adora falar palavrões? Pois fique sabendo que você não está sozinho. Nesses dois vídeos curtos veremos Kate Bohner falando sobre o que Steven Pinker escreveu em seu último livro The stuff of Thought a respeito do porquê, nós seres humanos, temos o estranho hábito universal de xingar e falar palavrões pra caramba. Mas lembre-se sempre que explicar não quer dizer justificar, assim como entender não é perdoar. E no segundo vídeo o próprio Pinker, numa entrevista inusitada e descontraída, solta o verbo e fala seus palavrões prediletos sem dó. Além disso, fala sobre vários de outros temas desconexos pra #$*+#@&$#%#. Opa! Me empolguei!
Dia 24 (terça-feira)
FRONTEIRAS BRASKEM – STEVEN PINKER
Abertura da segunda edição do projeto Fronteiras Braskem do Pensamento, curso de altos estudos em forma de um ciclo internacional de debates sobre a cultura contemporânea mundial. O projeto recebe o psicólogo e lingüista canadense Steven Arthur Pinker. Durante 21 anos foi professor no Departamento do Cérebro e Ciências Cognitivas do Massachusetts Institute of Technology antes de regressar a Harvard em 2003. Bacharelado em Psicologia da Universidade McGill, doutor em Psicologia Experimental em Harvard, Pinker escreve sobre a linguagem e as ciências cognitivas em vários níveis, desde artigos especializados até publicações de divulgação científica. Seu livro Tábula Rasa (The Blank Slate) esteve entre os finalistas para o Prêmio Pulitzer e The Aventis Prizes for Science Books. Em 2004, Pinker foi nomeado uma das 100 pessoas mais influentes da Revista Time. Programação e outras informações no site: http://www.fronteirasdopensamento.com.br.
Horário: 20h
Fevereiro 22nd, 2009 at 4:43 pm
É Caetano,
Só dá Fantasmão na avenida. O povão escolheu ir atrás do novo pagode, deixando de lado as estrelas tradicionais. E o vocalaista não deixa pó sobre pó relegando os camarotes, pagos a peso de ouro.
Achei massa quando ele questionou um dos camarotes: Tem alguma MINA de chapinha aê??? Respondendo logo em seguida, Impossível ter…
Fevereiro 22nd, 2009 at 4:53 pm
Salem,
Você é tosco e sensibilíssimo. Eu também. Às vezes te escrevo de forma tosca, você responde sensível - e vice-versa. Ajustes são sempre necessários para que a Paz possa ser amorosa e legitimamente conquistada, nunca imposta.
Somos tão íntimos que até brigamos.
Sorria, meu bem, sorria.
O chinelo foi justamente para subverter os limites, carái.
Arthur é lindo como o mais belo gol de falta do Zico.
Desculpas sinceras e um grande abraço.
Fevereiro 22nd, 2009 at 5:19 pm
Caro Caetano:
Creio que nao há contribuiçao maior para uma lingua, uma mátria, que a dos poetas, o sal da lingua. Mas nas trincheiras do ensino qualquer luz é bem- vinda, especialmente dentro das trevas do preconceito paulistano. Aquele que diz que qualquer nordestino é baiano. Embora eu seja um pernambucano que adore a Bahia. O “baianinho” paulistano carrega em si uma conotaçao extremamente deturpadora e pejorativa.
Você mesmo estava ha pouco enumerando as singularidades do sotaque baiano. Que é tao distinto do pernambucano, do paraibano.
De alguma maneira essa confusao foi até boa pra mim. Me sinto mais baiano em Sao Paulo e agora me sinto baianinho com muito orgulho ao ouvir a musica baiana, onde quer que eu vá. Embora em alguns casos, como foi o meu, o preconceito apenas reforçe ou confunda minhas raizes. Em outros este genero de preconceito pode criar uma verdadeira barreira ao conhecimento de nossa propria historia, portanto da nossa lingua, nossa cultura.
O que quero dizer é: louvavel a sua abertura ao dialogar através deste blog, você mais do que qualquer linguista abre e abriu portas. Mas infelizmente no Brasil, assim como as açoes publicas voltadas para o ensino nao acompanham o ritmo das artes, tao pouco se pode esperar das “cientificas”. Acredito que embora você possa repudiar essa minha tese, os linguistas bagnos estao muito mais ligados a você e a uma tradiçao de canones lusos do que os pasquales da vida. Como em toda relaçao, amor e odio muitas vezes se confundem.
Mas acredito mesmo que a melhor das propostas dos academicos letrudos é sem duvida a proposta levantada por José Miguel Wisnik, Nestroviski e Tatit. A de se expandir o conhecimento da nossa lingua através da cançao. Uma re estruturaçao do curso de letras no Brasil (como proclamava Glauber no Abertura) e porque nao do Ensino como um todo? Qual a sua opiniao? O que você acredita que seja fundamental para “um bom projeto de educação básica no Brasil”?
Abraços cordiais
Fevereiro 22nd, 2009 at 5:32 pm
Se só agora que leu umas páginas desse tal de Bagno, Caetano está autorizado a falar do assunto, só posso me calar.
Sobre o Carnaval a melhor coisa que rolou até agora foi Daniela com Margareth e Mariene e a potência do menino do Fantasmão. As poderosas não fizeram mais do que o mesmo…
Fevereiro 22nd, 2009 at 7:12 pm
Falando em carnaval…
LINDA a passagem De Daniela e Margareth pelo camarote Expresso 2222.
E quando surgiu Caetano e cantou com elas, com Gil e a banda Moinho “O Samba da Minha Terra”????
Ô orgulho retado me deu de ser baiana.
Obrigada meu Deus!
Momento mágico que só se vê no carnaval da Bahia.
Fevereiro 22nd, 2009 at 7:18 pm
Encontro memorável no carnaval 2009:
Caetano, Daniela, Margareth, Gil e Moinho cantando “O Samba da Minha Terra” do saudoso Caymmi. Ô coisa boa!!!
http://terratv.terra.com.br/templates/channelContents.aspx?channel=3149&contentid=223958
Fevereiro 22nd, 2009 at 8:01 pm
Caetano
Por que fui encontrar cê cantando “Amante Amado” do Jorge Benjor? É demais!
Gertrude Stein também não suportava Ezra Pound.
“Mas voltando a EZra. Ele de fato veio de novo e acompanhado do editor do The Dial. Desta vez foi pior que as gravuras japonesas, muito mais violento. surpreendido com a própria violência. Ezra caiu da poltroninha predileta de Gertrude Stein, aquela que depois forrei com as tapeçarias feitas com os desenhos de Picasso, e gertrude Stein ficou furiosa. Finalmente Ezra e o editor do The Dial foram-se embora, todos bem longe de estarem satisfeitos. Gertrude Stein nunca mais quis saber de rever Ezra. Ezra não entendia muito bem por quê. Um dia encontrou-se com Gertrude Stein perto dos jardins do Luxembrugo e disse: mas eu faço questão absoluta de ir visitá-la. Sinto muito, retrucou Gertrude Stein, mas miss Toklas está com doir de dente e além dos mais andamos muitos ocupadas em colher flores silvestres. O que era a pura verdade, como aliás acontece com toda a literatura de Gertrude Stein, mas Ezra se aborreceu profundamente e nunca mais tornamos a vê-lo.”
Autobiográfia de Alice B. Toklas - Gertrude Stein
abraços
Fevereiro 22nd, 2009 at 9:27 pm
veloso,
parente
do boca de matos guerra
( é bom de língua )
seu texto
nos remete
ao fragmento galático
do haroldo:
” o povo é o inventalínguas na malícia
da mestria no matreiro da maravilha ”
e
vi
va
i
ve
te
um abraço transbarroco
seu mano
paulo kauim
Fevereiro 23rd, 2009 at 12:05 am
Caro Vellame,
Caetano (e qualquer um de nós) pode falar o que quiser sempre. O que Possenti quis dizer é que ele precisava saber o que alguns sociolinguistas estavam dizendo para poder falar e criticar com maior propriedade.
luedy
Fevereiro 23rd, 2009 at 1:06 am
Tá bom Gil.Depois você me explica porque é que a Suiça é um país rico (que o é muito menos Hoje do que há 1 ano e meio atrás).Deve ser por causa do chocolate…
Com lavagem de dinheiro, branqueamento de capitais, “off shores”, paraísos fiscais…me desculpem, mas não posso ser tolerante.
E queria fazer um pedido: gostaria que as minhas palavras não fossem desvirtuadas. Eu NUNCA disse “o suiço é isto” ou o “inglês é aquilo”…Por favor…
Heloisa, Where are you? Ça Va???
Fevereiro 23rd, 2009 at 1:18 am
Depois que “menino do rio” “ganhou” um “menina da ria”, acho que “lobão tem razão” merece um “labi tem razão”. Labi, te adoro e leio sempre. Espero, ansioso, por suas histórias de carnaval. Pense seriamente em um blog só seu… Galera, vamos começar uma campanha nesse sentido?!
Voltamos ao papo de linguística, com relação ao qual me calo ainda mais…mas tudo bem.
Em tempo: Caetano, existe alguma gravação sua de “Dama do Cassino”? adoraria ouvir…. se não, existe alguma outra além da do Ney e da Jussara Silveira?
Fevereiro 23rd, 2009 at 1:40 am
Márcio Vitor, Big Neusa, Gil e Caetano juntos agora a pouco mereceia um livro de antropologia de Hermano. Só o que eu posso dizer é:
“Psirico descendo é madeira é viola, então cole na corda”
Fevereiro 23rd, 2009 at 2:06 am
Em pleno carnaval de Salvador e com saudade de te ver por aqui (já que nos trocou por Recife), entro no seu blog (como de costume) e dou de cara com o tema: Carnaval. Posso confessar que estava meio desligada do mundo por conta dessa festa, mas o que quero confessar realmente é que você me surpreende positivamente a cada dia. Quando pensava já ter minha opinião formada sobre Caetano, vejo seus elogios a Psirico, Parangolé e Fantasmão. O que tenho o poder de dizer e concordar contigo - por já ter passado pela minha retina - é a impossibilidade de ficar parado ao ouvir “Kuduro”. Talvez pela proximidade de Luanda a Bahia, talvez sei lá o motivo, o pagode contagia.
Mas o que mais contagia é ver que você tem os olhos no horizonte. Como se não bastasse, eu ligo a tevê pra ver a folia - jé deveria ter me contentado com 4 dias de rua - e vejo “Furacão o bloco ” na camisa de Caetano Veloso.
Sou completamente leiga em relação a percussão, pendor ou colagem, mas me encanta completamente ver essa mistura de convidados do Expresso 2222, pipoca do Psirico, Kuduro e Márcio Vítor vestido de Caetano.
Como diria um grande poeta/cantor/artista/tudo mais que eu conheço: “Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu!” Mas além de você, poucas coisas me surpreendem, afinal, isso aí só se ver na Bahia!
Fevereiro 23rd, 2009 at 2:17 am
o nosso rei momo, gerônimo, e banda mont serrat, despedem-se agora do campo grande, tocando villa-lobos e seu megahit “é d’oxum”. sofisticação total. há 500 metros de casa. luxo só.
pensamento do dia:
“todos precisam crer em algo. creio que vou tomar uma cerveja” [groucho marx, irmão de karl e patrícia, hahahahahahaha]
http://accel21.mettre-put-idata.over-blog.com/0/00/35/40/portraits2/groucho-marx.jpg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Marx
http://1.bp.blogspot.com/_4OAc79HyZlo/R7wb6oR0MnI/AAAAAAAABhw/cEHdGL6GhmM/s320/patricia2.jpeg
glauberovsky, direto dos barris, num esforço de reportagem virtual!
Fevereiro 23rd, 2009 at 2:34 am
Nas escolas de samba do Rio,acontece algo parecido com o que ocorre entre jogadores de futebol,que trocam de camisa em intervalos cada vez mais curtos.
Virou fato corriqueiro,o fulano da Mocidade puxar o samba da Imperatriz,o beltrano do Estácio na ilha,o cicrano da Ilha no Salgueiro etc.
Dizem que é profissionalismo.
Vá lá que seja.
Dois expoentes máximos da maravilhosa arte de cantar sambas de enredo,resistiram à esse profissionalismo :
O legendário Jamelão,no andar de cima de algum divino carro alegórico verde e rosa.
E o Neguinho da Beija Flor,que tem um dos mais expressivos sorrisos da Marquês de Sapucaí.
Sorriso que virou lágrimas,semana passada,quando a nata do samba lhe prestou solidariedade,pelo momento delicado que ele está vivendo.
Doença cruel,que no ano passado nos levou o grande Luiz Carlos da Vila.
Neguinho vai se casar em pleno sambódromo,apadrinhado – segundo o jornal Extra - pelo presidente Lula da Silva e dona Marisa.
Uma grande festa será feita em sua homenagem.
Pedirei licença ao meu coração mangueirense,para aplaudi-lo de pé.
Ele merece,e muito.
OLHA O NEGUINHO DA BEIJA FLOR AÍ GENTE.
CHORA CAVACO !!!
Castello.
Fevereiro 23rd, 2009 at 2:59 am
Voces acreditam,que alguns comentários meus,ainda são
impedidos de desfilar na passarela da OeP ?
Fevereiro 23rd, 2009 at 3:41 am
Paulo
Sorry. Você não disse mesmo “o suiço é isso”.
Queria mesmo é elogiar o viés de Gil, quando perguntou de que Suiça estava se falando. A francesa, alemã ou italiana?
Há realmente muita generalização quando as pessoas querem definir um país olhando de longe. Não é o seu caso, mas Gil sempre faz estardalhaços na direção correta. Há exagero demais na construção da imagem de um país (politica e culturalmente) quando olhamos apenas pra um aspecto da sua anatomia. Os alemães por exemplo (que foram responsáveis por uma das maiores matanças da história) hoje se posicionam de forma elevadíssima e auto-crítica em relação a própria história.
De longe, o Brasil pode ser o país do turismo sexual. Ou o País do Carnaval. Ou o País do Futebol… Esse monte de generalizações, sacou?
A história dos países é dinâmica. A Suiça hoje nem é apenas um paraíso fiscal, nem uma fábrica de chocolates, relógios e canivetes.
Mas o mais bacana do nosso papo saudável foi o surgimento de uma expressão cheia de bossa e som:
O SUIÇO É ISSO!
Adorei esse negócio. Parece marchinha de carnaval.
Nando
beijo no Artur. Bandeira branca! Sandália branca! Paz!
eu sou do seu bloco
in test
salem
Fevereiro 23rd, 2009 at 3:54 am
Glaubito, maibrodis!
Groucho, Karl e Patrícia.
Tese, antítese e síntese.
Lembrar de Groucho no Carnaval é a sua cara! E foi de mais-valia pra quem quer entender melhor como funciona o seu telescópio ligado num overdrive. Com ele você enxerga o mundo feito um cyber-punk-voyeur!
Tua cerveja tem o mais bonito colarinho!
beijo nos Marx
salem
Fevereiro 23rd, 2009 at 5:49 am
glauber, acho que entre os marx fico com a patrícia.
vellame, opinei mais sobre linguística antes do que depois de ler bagno. aliás, escrevi tanto agora (em pleno carnaval do recife) porque não fora nada humilde quando era ainda mais ignorante (mais sobre isto depois).
patrícia (marx?), gostei de entrevista que li de pinker. foi nela que vi bom argumento sobre pensarmos sem palavras. institivamente já sabia disso.
cheguei da rua. rodei com o psirico. espetacular.
Fevereiro 23rd, 2009 at 9:53 am
caetano e hermano,
olha o que saiu nos jornais ontem:
“Manifesto de Luiz Caldas contra Márcio Meirelles:
Senhores dirigentes, foliões baianos e de outras localidades.
Estou sendo perseguido pelo senhor Márcio Meirelles, secretário de Cultura do Estado, que de todas as formas tentou impedir a minha participação no Carnaval de Salvador.
Será que o motivo foi o de eu não querer participar de um trio temático dos anos 80, algo que não acrescenta em nada a minha rica trajetória musical?
Saiba senhor Márcio Meirelles que eu sou dos anos 80, orgulhosamente, e também sou da modernidade, sou do século XXI e estou lançando 130 canções inéditas de uma só vez. Isso já é notícia em todo o Brasil. É cultura, como o Carnaval é cultura, como é a Axé Music que inventei. Não posso viver preso ao passado.
O nosso governador Jaques Wagner e a primeira-dama Fátima Mendonça queriam a minha participação na festa, mas o senhor Márcio Meirelles, da anti-cultura, tem uma borracha maior do que a caneta do governador, e, por ser “todo poderoso”, apagou o meu projeto que era para tocar três dias no Carnaval de Salvador e para o folião pipoca. Vejam quem ele contratou, esquecendo propositalmente o projeto de um dos integrantes diretos desta festa.
Não gosto de me envolver em política de Estado, mas peço publicamente ao governador Jaques Wagner para analisar a conduta deste senhor Meirelles. Será que vale a pena deixar um mandatário cultural boicotar artistas que têm poder simbólico e que fazem parte desta festa carnavalesca para os foliões pipoca? É algo para se avaliar.
É isso foliões. Fiquei sem tocar dois dias em Salvador por conta do jogo sujo que está acontecendo na Cultura baiana.
É hora de dar um basta nisso e respeitar quem tem história e ainda faz história. A pasta da Cultura merece alguém melhor, ao menos alguém que respeite os artistas locais.
Luiz Caldas, criador da Axé Music”
Fevereiro 23rd, 2009 at 11:03 am
caetano,
sobre a contenda caldas/meirelles:
não acho que há perseguição. percebo que faltou foi sensibilidade para perceber que luiz caldas foi um pioneiro do que hoje é a axé music e merece sim, um tratamento à altura. e olha que venho do rock, minha história é outra e consigo ver isso claramente.
meirelles falou em entrevista para a tve que “luiz não aceitou o cachê por considerar baixo”, numa tentativa de reduzir a questão. ora, isso é ridículo. neguinho diz “olha, tem esse trio anos 80 aqui com mais uma moçada e uns caraminguás…é pegar ou largar”. o cara nega [não pela grana, mas pela falta de respeito, reconhecimento e reverência. e por rejeitar a idéia de ficar congelado no frigorífico do passado] e está errado, só porque outros aceitaram??
luiz acaba de lançar 130 canções em 10 cds com 10 estilos musicais diferentes. ele está certo em não aceitar esmolas. agora, se esta questão não cabe a meirelles, aí são outros 500…
pra mim, fica a pergunta:
o que falta para que márcio meirelles [e outros] reconheçam de fato, que luiz é precursor do que hoje está aí e isso lhe confere total importância?
ele não pode se restringir a um trio/homenagem saudosista. não é legal para a continuidade de sua carreira. e nem para o carnaval, para o espetáculo. além de seu próprio talento, carlinhos brown veio de lá…
se o assunto for discutido amplamente, márcio terá que rever suas posições a respeito.
não sou advogado de luiz caldas, mas a entrevista de meirelles me causou certa indignação, pelo tom blasée.
Fevereiro 23rd, 2009 at 11:28 am
Glauber,
Isso é que é uma carnavalesca cobertura!!!
Cadê os executivos de broadcast que ainda não te contrataram?
E entre as línguas e as gramas, fico com os timbales, ha, ha, ha…
E já estou atrasado pra Mudança do Garcia.
Hermano e Salém, falta vocês pra atravessar o circuito na contramão. Se não estão em Salvador, programem-se para a segunda-feira do carnaval do ano que vem, Mudança do Garcia é overmundo e beijo np cérebro.
Viva o carnaval de verdade (e os de mentira tb). Viva Gerônimo!!!!
Caetano, vi o vídeo de Pinzó gravado em Petrolina no qual vc fala “Eu sou fuleiro”. Isso resume todas as suas provocações recentes, realmente, você maneja as atenções como ninguém.
Fevereiro 23rd, 2009 at 11:36 am
Será que a moderação bebe com moderação?
Fevereiro 23rd, 2009 at 11:51 am
Nossa, quantos erros no meu comment. Grafei encharcados com ‘x’. Acho que foi por que tinha escrito ainda encharcada, no bom sentido, por ter visto o Caetano, todo maravilhoso, vestido de amarelo e branco, as cores da padroeira do Recife, Nossa Senhora do Carmo.Será que ele sabia disso?
Participar deste blog, para mim, é muito importante, porque eu estudo. Vou ler Preconceito Ligüístico para ver se entendo melhor essa discussão. Depois, quando terminar Verdade Tropical.
mas agora vou à praia por que ninguém é de ferro.
beijinhos carinhosos a todos
Maria
Fevereiro 23rd, 2009 at 12:04 pm
Vamos a isso Osório, mas eu antes deixa eu te contar: minha imaginação sempre foi excitada com a idéia do paraíso desde o colégio de padres e na minha formação cristã. Pois no dia em que cheguei a Suíça eu me disse: esse é o paraíso na Terra, como é linda a Suíça…a seguir alguns comentários:
Em números absolutos, a Suíça é o 15º maior exportador do mundo. Não há, provavelmente, nenhum outro país cuja prosperidade dependa tanto da exportação de suas indústrias.As maiores empresas suíças – a farmacêutica, por exemplo – exportam 98% da sua produção.
Se fosse feita uma pesquisa para saber a que imagem a Suíça estaria associada, não há dúvidas de que as respostas seriam “aos queijos ou aos relógios”, se bem que os relógios sejam, de longe, muito mais lucrativos para o país.
Embora a Suíça tenha numerosas empresas de porte – como a empresa gigante de alimentos Nestlé, as companhias farmacêuticas Novartis e Roche, os bancos UBS e Credit Suisse, as seguradoras Winterthur e Zurich – essas firmas não são, verdadeiramente, representativas do país como uma nação industrial. Tanto assim que dois terços da produção econômica suíça vem de empresas com menos de 50 empregados.
As PME – pequenas e médias empresas – empregam 1.5 milhão de pessoas, pouco acima da metade de todos os empregados que não trabalham para estatais.
Muitas dessas empresas atuam nos campos da engenharia elétrica e mecânica – o segmento industrial número 1 de produção na Suíça. A maior parte dessas empresas é extremamente especializada e orientada para a exportação. Usualmente, produzem utensílios como máquinas de precisão ou aparelhos eletrônicos cujas marcas não são muito conhecidas, mas exportadas para indústrias de produção em todo o mundo.
As indústrias suíças de engenharia representam mais de 40% dos valores de toda exportação. Sua origem pode ser encontrada na mecanização da produção têxtil. A produção de maquinário pesado suíço abriu as portas para investimentos em produtos mais especializados. Neste setor, a Suíça se encontra entre os cinco maiores exportadores do mundo.
As horas trabalhadas na Suíça superam as de nações vizinhas, com poucas pessoas trabalhando menos do que 40 horas semanais.Os feriados na Suíça são poucos e as aposentadorias raramente ocorrem antes dos 60. Somente no ano de 2000 é que foram introduzidas alterações na legislação trabalhista admitindo o direito de greve.
A indústria farmacêutica suíça tem marcante participação mundial. Possui instalações de produção e pesquisa em muitos continentes. A sede e as raízes dessas empresas estão localizadas em Basiléia. Empresas como Novartis, iniciaram suas atividades como fornecedores de produtos de tintura para a indústria têxtil suíça.
Embora a Suíça mantenha uma forte base industrial, mais da metade da população ativa do país trabalha na indústria de serviços, como bancos, seguradoras e turismo.
Há, também, uma clara correlação entre o papel da Suíça como nação comercial e o de exportadora, bancária e seguradora.
Gerenciamento de ativos em todas suas formas é o ponto chave dos serviços bancários suíços. Isto não é válido apenas para “dois grandalhões” – UBS e Credit Suisse – mas também para inúmeros bancos privados.
O sigilo bancário muitas vezes mal interpretado, não se aplica quando inquéritos policiais ou investigações criminais estão em andamento.
O nível de integração com normas internacionais pode ser sentido pelo fato de que a Suíça cobra um imposto de retenção na fonte sobre toda poupança de cidadãos da União Européia depositada no país. Parte dessa retenção é repassada às autoridades da União Européia.
A questão do anonimato, do direito a privacidade no ambiente democrático moderno, transcende aos aspectos de discrição tradicional dos bancos suíços que se relacionam até mais com a confiança bancária, valor supremo na vida econômica. As ilegalidades devem ser combatidas no seu terreno, quer maior paraíso fiscal do que a telinha a nossa frente proporciona aos “espertos”? O indivíduo acha que pode acessar música, filme sem pagar a quem os criou e produziu simplesmente porque a tecnologia lhe permite alcançá-los e não reprime ainda esse procedimento…porque temos de ser tolerantes?
Fevereiro 23rd, 2009 at 12:34 pm
Bom dia blogueiros de plantão…
Todos vocês tem razão, quando se referem de modo carinhoso uns aos outros.
Achei a entrevista de Luis CAlas, muito pobre, querend mídia para aparecer, ofuscando um lançamento de 10 cd´s de inédita, estranho isso.
Criador do Axé?? Nunca soube que Luis Caldas tivesse sido o criador do axe, achei mmuito pretensioso da parte dele.
CAetano têm toda razão sobre os textos de BAgno, e também curti Psirico no Carnaval.
CAetano estava lindo cantando o samba da minha terra, muito show.
Bom por momento é isso,
Abraços,
Luiz Carias.
Fevereiro 23rd, 2009 at 12:58 pm
“glauber, acho que entre os marx fico com a patrícia”
hahahahahaahahahahahaha
a patrícia marx não é nada mal, caetanovsky…
salemovsky,
simbóra pra mudança do garcia! é noise na fita, hahaha
hermanovsky,
o oscar pirou! sensacional! haha. e só pra lembrar, o “trio foguetão” dos retrofoguetes sai hoje à noite!
http://www.fotolog.com/retrofoguetes/35186613
fui-me!
Fevereiro 23rd, 2009 at 1:02 pm
hermano,
e ontem rolou o trio cascadura/lobão!
http://www.fotolog.com/drcascadura
Fevereiro 23rd, 2009 at 1:14 pm
Só sei que nada sei?
Fevereiro 23rd, 2009 at 2:22 pm
Vocês me deixam sempre em uma/numa deliciosa e excitante confusão . E eis que aqui em Salvador, descubro o grupo do “KUDURO”,trazido por Carlinhos Brown e Márcio Vítor.Assim como Caetano (com Bagno) , fui conferir .Para minha surpresa ,o “KUDURO” é isto mesmo,uma dança angolana em que o quadril tem um papel preponderante.O visual destes artistas é igual aos dos rappers americanos e cariocas, mas o sotaque é massa . Seria esta a única forma de mostrar Angola ?Qual o referencial para as pessoas( e são muitas) que não possuem uma condiçao mínima de crítica da realidade ? Será que o negro americano comum só joga basquete e escreve músicas ?Fico confuso/extasiado com as opiniões aqui no blog e isto é saudável para mim. Já foi comentado aqui sobre o volume alto do som dos automóveis e barracas de praia .Some a esta situação só ouvir Psirico, Fantasmão,Harmonia.Nada tenho contra, mas “Sonho com todas as harmonias possíveis no juízo final ”
E,dos últimos tempos aqui em Soterópolis, a melhor novidade é o picolé de Açaí .Da capelinha…
Fevereiro 23rd, 2009 at 2:59 pm
Palmas pro Gil!
Meu saudoso pai trabalhou mais de 40 anos como químico da Sandoz (em seguida Novartis) na área têxtil, empresa suiça. Sempre foi tratado com padrões trabalhistas muuuito acima da média.
Nos anos 80, a Suiça atentou com rigor para os problemas ambientais causados pela Sandoz, muito antes do oba-oba ecológico.
Eu morei 3 meses em Geneve, onde tocava em uma casa chamada Roi Ubu. Uma casa de violão e voz que recebia desde artistas folk do Quebec, até brasucas da bossa-nova e roqueiros. Não há no Brasil nada similar. Uma pequena arena pra 100 pessoas com um belíssimo mezzanino, onde não se bebe nem se come durante o show.
Um dia perdi minha tira do vilão no trenzinho. Desencanei, até saber 2 semanas depois que a cidade tinha um “achados e perdidos”. Minha tira estava lá.
Fiz poucas amizades nesses 3 meses, mas foram espetaculares. Um sujeito que era salva-vidas da piscina pública onde nadava, descobriu a data do meu aniversário. Eu ‘tava no palco e ele interrompeu a minha apresentação com um bolo na mão cantando parabéns. Inesquecível e pouco suiço (para os arquétipos esteriotipados).
Não tinha os preciosos dados que você apresentou ao Paulo Osório, mas intuia que sua fúria, pra variar, tinha razões que as nossas razões desconheciam
É por essas e outras que sou fã do teu discurso verdadeiramente progressista.
É nessas horas (meu relógio não é suiço) que esse blog arrasa.
Não confundir founde com fodi.
in testis
salem
Fevereiro 23rd, 2009 at 3:16 pm
A Patrícia Marx estava no coro do Tom Zé no lançamento do seu último CD. Quando foram ao Jô, Tom Zé apresentou um a um, cada integrante da sua banda e se esqueceu dela. Ela ficou vermelhinha, tímida e encolhida. Até que Jô percebeu a gafe e avisou o Tom Zé.
Ela estava bonita. Mas as músicas (muito mal ensaiadas) cantadas à capella a deixavam visivelmente constrangida. Patrícia canta bem e não se acomodava ao desleixo geral na abertura de vozes.
Isso não é uma crítica ao Tom Zé. É um elogio à Patrícia.
Existem muitos carnavais. Mas podemos dividi-los em 2 grandes grupos: no mundo e na TV.
A TV é cruel com o carnaval de rua. Na Bahia, aquelas paradas para o pessoal do CQC fazer semgracisses é patético. Algumas jams e encontros que parecem emocionantes pra quem está lá se tornam outra coisa na TV. Gritos, desafinos, distorções, a voz cansada caguetada por uma mixagem tosca na TV. Tudo torna a TV uma inimiga de grandes artistas.
Pessoalmente, eu sofro por todos, embora saiba que eles talvez nem estejam sofrendo.
Gil, Caetano, Margareth e Daniela cantando O Samba da Minha Terra é algo em si maravilhoso. Mas na TV… Me desculpem os meus ídolos (em especial o Caetano que sabe o quanto o adoro), mas é fodíssima! Tudo com o merchan (talvez involuntário) do portal TERRA. Gil se esforçando pra cantar que o “samba da minha terra deixa a gente mole”, com um logo atrás dele escrito Terra.
Tudo de repente para pra que os apresentadores (a Lorena é muito amiga minha) façam perguntas pro pessoal do trio, tipo… “e aí, muita emoção?” E o público na rua deixando o sangue bixar pro link ir ao ar.
A Band não se contenta em transmitir, quer transformar em evento televisivo. É muito deprê ver a festa assim.
Desliguei a TV definitivamente.
Castello. Esse trança trança de escola pra escola que você associou às mudanças de camisa dos boleiros, também me incomoda. Mas talvez não seja tão sério assim.
Na Bahia e no Recige é bacana ver que os artistas pulam com vários blocos diferentes. É assim há anos. Isso tira o tom de campeonato e de competição. Pode ser melhor pro Rio que haja esse trânsito. O problema é a grana que rola por trás disso. Aí, cê tem toda razão.
test
salem
Fevereiro 23rd, 2009 at 4:02 pm
outro comentário transcarnavalesco meu em:
http://www.overmundo.com.br/overblog/o-avesso-do-avesso-carnaval-baile-funk-e-metal
mas para quem tiver preguiça de clicar no link acima, reproduzo aqui o essencial (adorei ver o pessoal fantasiado - tinha até gente de baiana - cantando “boca roxa de botox”):
continuando o relato do meu transcarnaval 2009: a estréia do bloco cru foi maravilhosa: a combinação rock, pop e marchinhas deu totalmente certo - a banda ficava em cima de um trio, a bateria na frente - o som do trio não era dos melhores, mas gostei: dava mais potência à distorção da guitarra (o sax, eu não ouvi nada) - o povo “indie e simpatizantes” (prepare-se: no ano que vem vai ser uma explosão de gente - se fosse empresário cultural eu colaria nesse bloco) pulava enlouquecidamente - mas também a seleção musical só tinha filé, começando com o hino do bloco já cantado por todos (pelo que deu para entender fala de Quebec, Canadá!) mas passando por Nirvana, Lobão, Radiohead, Jumpin’ Jack Flash, I Want to Break Free do Queen, Mutantes (todo mundo gritando Sabotagem!), Grooves in The Heart, Sociedade Alternativa (Viva!), Rocks do Cê do Caetano e - entre muitas outras pérolas do cancioneiro mundial - talvez minha preferida: uma versão de Can’t Take My Eyes Off You que ficou excelente como marchinha - a banda ainda tem muito que aprender com o Chiclete com Banana, principalmente os truques para emendar uma música na outra, pois intervalos esfriam a folia - mas não tem erro: o negócio é bom mesmo e tudo vai se ajeitar rapidinho
momento Caras: celebridades da música pós-popular brasileira que encontrei por lá: Lois Lancaster, do Zumbi do Mato (a mais sensacional banda do Brasil? tem disco novo - Toma, Figurão - para ser baixado aqui); Fábio Bola, agora com os Reciclóides, novamente o pessoal do Solange Tô Aberta etc. etc.
tive que sair mais cedo para garantir meu lugar no tradicional bolão do Oscar na Cavideo - muito boa a invasão de Bollywood em Hollywood, via Inglaterra (ano que vem teremos Nollywood?) - mas essa é também outra história de outros carnavais…
Fevereiro 23rd, 2009 at 4:47 pm
Será que Caetano conserva a tradição pessoal de tomar um pouco de cerveja na terça de carnaval? Sempre achei o máximo: “não gosto de beber, mas tomo cerveja na terça-feira de carnaval”.
“pra mim, fica a pergunta:
o que falta para que márcio meirelles [e outros] reconheçam de fato, que luiz é precursor do que hoje está aí e isso lhe confere total importância?”
Não falta, Gauss, sobra: ego cofcofcofeinteressesescusoscofcofcofcof
Fevereiro 23rd, 2009 at 5:05 pm
Caetano, sei que vc gosta do axé, mas tudo é tão igual…até a alegria é exigente…não conseguimos nos alegrar sempre com as mesmas coisas…
Estava hoje em casa aproveitando o carnaval para arrumar uns ‘panos’, quando minha secretária chegou, trazendo seu filho que queria ver o ‘Chiclete’no Campo Grande. Moro perto… Sentamos para almoçar e na conversa, perguntei a Kaique o que ele gostava do Carnaval. O garoto esperto de 10 anos que pesca siri em Itacaranha…quarenta no mínimo, segundo ele… respondeu: Bel, porque é do Chiclete e o Fantasmão que é tão melhor que nem sei porque…o resto é igual…mas Kuduru é Kuduro; eles dizem coisas diferentes…
Pois é…acho que esse Fantasmão ainda vai assombrar muito e mudar muita coisa por aqui…
‘Bye bye axé…so long happiness…
Bye bye sweet caress…I think you’re goin’ to
die…’ (Sorry, Fosse…)
Fevereiro 23rd, 2009 at 5:23 pm
Maria, Naná me pediu para cantar 4 músicas. Terminei canatndo 8. Parece que tanto a imprensa recifense quanto você foram embora antes de eu cantar com Vítor Araújo, com o coral e com a orquestra do maestro Forró. Pena. Perderam também o melhor da festa: o Marco Zero lotado cantando e dançando mil frevos inocentes e animados. Nando, era totalmente Waldorf. Comparado com o carnaval da Bahia, que é muito “tóxico”. Fiquei maravilhado.
Fevereiro 23rd, 2009 at 5:46 pm
Nando, divido com você a dificuldade em defender pontos de vista aqui, por pura incapacidade ou falta de argumentos válidos, embora não creia que esse tenha sido o caso de Luedy. Ao contrário de mim, ele se desdobrou e até pediu minha ajuda, enquanto eu só observava e pedia paciência. Ele disse o que precisava ser dito, mas Caetano não queria ouvir. Tive esperança (nunca certeza) de que a leitura despertasse algo que eu acreditava latente em quem cantou a ciência da abeia. Funcionou, e o mérito é todo de Luedy.
Caetano, obrigada. Você gosta de neblina porque ela dura o tempo que você define. Para dissipá-la, nada mais simples: você serve de farol.
Fevereiro 23rd, 2009 at 5:58 pm
Mudança do Garcia melhor que tudo e Márcio Vitor colando na corda no chão melhor ainda!
Luedy, só achei arrogante e chegando perto da falácia do “argumento de autoridade”.
Fevereiro 23rd, 2009 at 5:59 pm
Hermano, adorei bloco cru e todos os seus relatos. Além disso, finalmente ouvi Zumbi do Mato, de que Domingos Guimaraens e Mariano Marovato tanto me falavam mas de que só me davam DCs mudos: eles queimavam cópias pra mim e sempre necas de som.
Fevereiro 23rd, 2009 at 6:02 pm
Mais Luis Caldas foi sim o precursor, o criador da Axé Music.
Eu lembro, eu vi, em cima do Camaleão, descalço, cantando: “Nega do cabelo duro, que não gosta de pentear, quando passa na Baixa do Tubo os negão começa a gritar: Pega ela aí! Pega ela aí! Pra quê? Pra passar batom! De que cor? De violeta, na boca e na bochecha! Pega ela aí! Pega ela aí! Pra quê? Pra passar batom! De que cor? Azul, na boca e na porta do… céu!” Tinha a Sarajane (vamos enlarguecer, por favor abre a rodinha, tá ficando apertadinha), tinha todos os sons da época, misturou, virou Axé Music, vieram as cantoras, as danças, virou clássico, começou ali sim.
Assim como o neo-pagode começou com o Gera Samba, depois é O Tchan!, hoje vingaram Psirico, Fantasmão, Parangolé, crias do pagode que ouviam meninos, como diz meu filho, ninguém gosta de pular no carnaval com as musicas que o pai pulava, o som do carnaval se reinventa, se recria de tempos em tempos, a meninada cria lá nas quebradas de não sei onde um jeito novo, que, quando é bem tocado, toma a cidade toda, contamina, toca tanto que todo mundo canta e ouve, aí a meninada inventa outra coisa, e por aí vai.
Penso que só os turistas e autoridades culturais que querem preservação, a meninada quer sempre e sempre cria algo novo, sem desconhecer o antigo, se tocar, todos eles sabem cantar os clássicos de uns dez quinze ou mais anos atrás, mas misturam e inventam, reagge-afro, neo-pagode, axé sei lá o que, a criatividade e a musicalidade do baiano é encantadora, o não-medo de inovar parece vim na veia, é lindo ouvir e detectar isso.
E o encontro de Psirico e Caetano foi o máximo, o que tocou foi a orquestra da Varanda Elétrica, e Marcio Vitor cantou e todo mundo cantou e depois foi todo mundo colado na corda, pegando no pescoço, isso sim é o melhor do carnaval.
E o Fantasmão, gente a dar de pau pulando junto, pulando o Kuduro, o sorrisão do vocalista, maravilha de ouvir e ver.
Ouvir no carnaval, em barracas de praia e carros sonoros nem pensar, mas carnaval é carnaval, e isso fica lindo, arrepia mesmo.
E está um mormaço doido na cidade, um calor derretido, a Mudança do Garcia está no Campo Grande, adoro a Mudança do Garcia, todo ano assisto pela televisão, alias, só assisto carnaval pela televisão, prestando bem atenção nas novidades, no que o povo pula e nesse ano, o povo pulou com o Fantasmão e o Psirico, a meninada foi toda junto, achei lindo.
O meu neto vai pular outra coisa e achar isso um belo clássico, vai sim.
Fevereiro 23rd, 2009 at 6:04 pm
Glauber, sobre a questão Caldas/Meirelles acho que o que faltou mesmo foi conversa. Me parece que com carinho, respeito e conversa isso se resolvia sem dúvida e teríamos Luis no carnaval.
Não ví de perto (relativizando de novo…) para saber de qual lado fatou mais tolerância, contudo nesses casos tudo sempre tem pelo menos 3 lados…
Fevereiro 23rd, 2009 at 7:01 pm
Eu fecho com Karl Marx.
Ele ajudou ( aos que tem olhos pra ver )a enxergar as bases da exploração no sistema capitalista.
A Mais-Valia,apresentada por Marx,é um tributo perene à inteligencia humana.
_____x_____
Logo mais,a Mangueira vai desfilar na avenida.
E certamente quando eu der de cara,com aquele mar verde e rosa,eu vou chorar,sem saber porque,nem como evitar.
Coisa de brasileiro.
Castello.
Fevereiro 23rd, 2009 at 8:15 pm
Cumé que a cabeça e o corpo do Caetano conseguem estar em tantos lugares ao mesmo tempo? Do Marco Zero ao Marcos Bagno. Isso é que é Carnaval!
E eu achando que nesse período o OeP iria esfriar. Mas Caetano botou o blog na rua!
É ferro na boneca semiótica!
beijo na testa do Veloso
salem
Fevereiro 23rd, 2009 at 8:23 pm
HERMANO, desculpe, vale esse último com o link.
Salém, sobre seu comentário do carnaval na TV:
Estou enfrentando um carnaval na TV pois estou gripadão. Estou gostando da transmissão, não estou vendo só na Band e tb na TVE da Bahia (equivalente da Cultura em SP) e TV Aratu (SBT-BA). Somando essas 3 (zappiando) a transmissão fica muito boa e a intervenção de chão na mudança do Garcia foi ótima, ao vivo sem perder o ritmo. A transmissão está sendo comandada por Liliane Reis que era do movimento estudantil de esquerda e fala muito bem.
Em relação ao sofrimento que vc sentiu com os encontros fora do tom creio que além do problema de vc ser músico tem outra questão: Vc tem que fazer uma conversão mental do que vc está vendo para o que está sendo sentido naquele momento. Transcender ao vídeo clip e se imaginar colado na corda pô! Segue o link abaixo para os blogueiros tirarem suas próprias conclusões.
Daí vem a raiva louca de não estar lá.
Amanhã eu vou!
http://www.youtube.com/watch?v=WZL_9_aWQJ4
Fevereiro 23rd, 2009 at 8:26 pm
Sobre a família Marx
Karl Marx casou-se em 1843 com Jenny von Westphalen, filha de um barão da Prússia. Teve 3 filhos: Chico, Harpo e Groucho. Groucho pôs as barbas de molho e do pai, só ficou com o bigodão. Gostava de fumar charutos cubanos pra homenagear as teorias revolucinárias do pai aplicadas em Cuba. Harpo se recusava a falar com o pai, emudeceu. E Chico se casou com Marieta. Tiveram Patrícia (neta de Karl e sobrinha de Groucho) que fugiu de casa no Trem da Alegria ao lado de Juninho Bill cantando Piuí Abacaxi. Casou-se com He Man e teve muitos filhos, os Thundercats.
Fevereiro 23rd, 2009 at 8:52 pm
Minha Nossa Senhora do Carmo, Kanon, Kanon, como vou me perdoar por esta Caetano?. Eu tinha lido no JC antes de ir à abertura do carnaval do Recife que você cantaria também um frevo de Antônio Maria, se não me engano, Frevo nº 2, mas quando você saiu do palco, pensei mesmo que tinha acabado.
Até perguntei para o pessoal do lado, mas ele não ía cantar com o pianista?
Estávamos lá esperando. Eu, e do meu lado esquerdo uma família completa, de Maceió, e do outro lado, uma senhora de São Paulo com o marido e o filho. Nós estávamos completamente molhados de chuva., depois de ter chegado super cedo para pegar lugar na frente, que, na verdade, não foi muito na frente, por conta do grande espaço dado para os maracatus que ficaram em frente ao palco.
Por ter chegado cedo, pegamos pelo menos uma hora de chuva, sem que tivéssemos vontade de ir embora , pois só sairíamos quando visse você cantar. E perguntava para as senhoras como eu (sou velha também): vocês estão pegando essa chuva toda ´só para ver o Caetano? elas balançavam positivamente a cabeça, aí eu dizia: e eu também.
Senti-me, literalmente, como definiu o Bagno, uma Caetanete Gotejante. Na época em que ele falou, não gostei muito da expressão, mas naquela hora era tudo o que eu me sentia.
Então, quando você saíu do palco, o Mestre de cerimônias, começou a falar da programação seguinte. Ainda esperei um pouquinho, mas entendi, assim como todos que estávam do meu lado que , infelizmente, tinha acabado.
Foi uma pena mesmo. Mas eu amei mesmo assim. Fazia muito tempo que não o via. o último show foi circuladô no Centro de Convenções. Ainda não existia o Chevrolet hall. veja quanto tempo.
Agora é esperar você aqui no Recife no lançamento de Zie Zie (aí,será que é assim que escreve?)
Quem sabe você não dá uma canja para os perderam você cantar as outras quatro músicas e repete ´prá nós no show.?
Aquele abraço.
Maria
Fevereiro 23rd, 2009 at 9:04 pm
HERMAN MONSTRO SAGRADO DA ATROPO-BEAT. ESSE VALE
Vellameza
Certeza que cê tem razão. Mas querer que faça “uma conversão mental do que vc está vendo para o que está sendo sentido naquele momento” é pedir demais pra minha capacidade mediúnica. Adoraria estar colado na corda, mas nem Alan Kardec faria eu me imaginar ali só com a TV ligada.
Luedy pelo visto sacou que meu incômodo, não é um incômodo de músico, não. Os asfros afros dos batuques não me incomodam. Agora, um palyback do DJ Patife ligado na em linha na TV com o microfone da Daniela no talo distorcendo e dois apresentadores falando em cima da voz dela, não tem magia. No caso de Ivete, também vi um bom trecho e gostei. Ali a TV apenas transmitia e o som tava okay. O que me incomoda é quando a cena é feita pra TV e a gente vê uma multidão lá embaixo com cara de quem não tá entendendo nada. Isso rolou com frequência. Com relação ao Samba da Minha Terra (link aqui postado) fiquei tenso. Caetano cantou bonito. Gil com pandeiro na mão, sempre impávido e gigante, se esforçando pra cantar. Mas a canção foi destruída. Não pelos artistas, mas pela situação. E o logotipo do portal Terra lá atrás parecia transformar o clássico de Caymmi num jingle. Pode ser encanação de quem tá em SP caretaço, gripado e morrendo de inveja. Deve ser.
Sou zeloso com Veloso. Vejo quando ele faz a coisa por inteiro e não pela metade. Mas sou meio lesado também. Vivo falando merda quando tô fora da onda.
Viu, Nando, como a Waldorf se transformou numa piada interna super sadia? Caetano é mestre-sala-quarto e cozinha!
in test
salem
Fevereiro 23rd, 2009 at 9:21 pm
Caetano, não entendi o seu post como uma adesão aos linguistas.E,no final, você impôs condições que ,claro,não serão aceitas, o que leva a situação (quase) para o começo.Em alguns comentários percebi uma certa euforia como resposta a uma suposta capitulação de sua parte.O seu texto não me convenceu disso.
Othon
Fevereiro 23rd, 2009 at 9:34 pm
Luedy, achei meio arrogante essa coisa de dizer que o debate valeu a pena, pois agora Caetano leu Bagno (esse nome é horrível de falar, entorta a boca, me dá agonia). Na boa, só achei, pode não ser.
Com disse antes, não chegou a rolar “argumentum ad verecundiam”, que é um dos estratagemas do texto sobre dialética erística de Schopenhauer (dentro do Parerga e Paralipomena, editado no Brasil com o tosco nome de “a arte de ter razão”). Se trata de um “kit de detecção de mentira” na argumentação alheia, muito utilizado em ciência, difundido por Carl Sagan. Recomendado por um amigo de minha mãe, estou lendo John Stuart Mill que, quando criança (tipo 8 anos), analisava textos procurando falácias, por isso estou nesse clima.
Fevereiro 23rd, 2009 at 9:38 pm
Salém, sobre a família Marx, me acabei de rir!! como estou gripado meu corpo doeu todo!!
Fevereiro 23rd, 2009 at 9:57 pm
Heloísa: procede, totalmente.
Caetano: que lindo e que bom que você esteve por lá. Amo Olinda, amo o Recife.
Luedy: por que a música POP VIGOROSA (destaque meu) de Salvador é sem aspas e a de Recife ressalta sempre a qualidade “multicultural”, as “raízes”, a “tradição” das manifestações musicais populares de lá, tudo entre aspas? Isto considerando que você disse não estar julgando.
Quanto à relação Waldorf=tradição, não procede; mas não estou certo de que tenha sido essa a intenção do Caetano, a princípio não li assim.
Fevereiro 23rd, 2009 at 10:05 pm
Salem, tô atento e amei a citação do Caetano. Mas não entendi, quando li, que ele estivesse relacionando Waldorf com tradição. Será? Tomara que não, é uma relação fadada à inércia e ao fracasso.
Luedy,
“uma porção de trios tocando uma música pop vigorosa, as tvs que mostram o carnaval de recife ressaltam sempre a qualidade “multicultural”, as “raízes”, a “tradição” das manifestações musicais populares de lá.
Vejam bem, não estou julgando”.
Vejo bem. Mas por que a música POP VIGOROSA (destaque meu) de Salvador é sem aspas e tudo do Recife é entre aspas?
Fevereiro 23rd, 2009 at 10:13 pm
Me amarrei no Zumbi do Mato.
Senti um certo clima,mamonas assassinas,(que eu amava)nos caras.
A turma do Dinho deixou uma lacuna nesse lado irreverente da música popular,que tem tradição no Brasil.Lamartine,Rita Lee,Juca Chaves…
Beleza os caras liberarem o disco pra download.
Pô,Hermano.
Vou sentir falta dessas atualizações que voce tem feito na minha discoteca,hehe.
Valeu cara !
Castello.
Fevereiro 23rd, 2009 at 10:20 pm
caets
“escrevi tanto agora (em pleno carnaval do recife) porque não fora nada humilde quando era ainda mais ignorante (mais sobre isto depois).”
o carnaval no marco zero te brota em humildade?
e o que mais?
mais sobre carnavais, e clareZa e humildade?
venha tomar um chá da próxima vez que um show passar no sul. conversemos sobre linguagens, humildade e clareza.
zapeando vi o psirico, e Caetano e Pedro, querido. bj pra Pedrinho. sim , parece ter sido espetacular.
Fevereiro 23rd, 2009 at 10:24 pm
Carnaval da minha vida, graça a CAETANO O ÙNICO. Seu texto é como sempre transformador, mas quero relatar que transformador foi para mim a sexta dia 20/02/09,Recife antigo onde pude dizer que te amo e o melhor ser tocada e tocar você. Uma besteira se você fosse um simples mortal, mas não é. E confesso que a sensação de lhe tocar foi é única, queria um dia poder conversar com você e lhe falar do bem enorme que você me faz, nos faz. È brega, pode ser, mas EU TE AMO como homem, cantor, letrista, escritor, ser humano com todas as suas virtudes e defeitos.
Fevereiro 23rd, 2009 at 10:57 pm
Maria, pelo visto você também perdeu o “Cê”, no ano passado, no Centro de Concenções. Só no Recife o show teve pouco público. O show, no entanto, foi dos melhores que fizemos.
As mulheres só passaram a votar na Suíça nos anos 70!
Salem tem das transmissões do carnaval baiano na TV a mesma que eu sempre tive. Ontem Pedro Sá (que foi comigo, maravilhado, por todo o percurso do Psirico) me disse que melhorou muito, que agora ele vê e até gosta. Devo também confessar a Salem que detesto cantar em trio elétrico. Gosto de brincar o carnaval, olhar, ficar excitado, ficar cansado. Não quero entrar no tom nem lembrar a letra. Adoro quem faz bem (tantos!) mas eu nunca estou nem um terço ali.
Sobre o carnaval waldorf do Recife, há uma obra-prima do Quanta Ladeira, chamada “Invocação”, que termina com a frase - em dorido dó menor - “Ai que saudade do cordão de isolamento”. É uma sátira ao Recifolia, uma popização meio abaianada do carná pernambucano que teve vigência até, sei lá, o final dos 80, algo assim. A riqueza de ironia que há nessa letra e os pensamentos que ela me fez vir à cabeça serão tema de post em breve. Deixa eu sair que tem coisa pra eu ver.
Glauber, não vi o trio dos roqueiros! Não dá pra ver tudo. Não dá pra ver quase nada. Quanto a Luís, ele é grandíssimo. Não posso dizer mais. Pra mim o axé nasceu no dia em que Morais Moreira transformou o trio em banda pop de acompnhamento de cantor e levou os ritmos dos afoxés pra cima do caminhão: até ali trio só tocava frevo - e ninguém cantava. Tudo veio disso. E Morais já teve queixas mais amargas do que essa de Luís agora. As autoridades eram do outro time. Luís é um gigante histórico, como Morais. Não tenho conhecimento suficiente de como se dão esses problemas.
Fevereiro 23rd, 2009 at 11:55 pm
Carnaval recifense é waldorf! Essa foi ótima, porque eu sempre tive uma impressão sememlhante, pelo menos vendo o carnaval de lá pela tv - bem entendido, somente pela tv! Mas ao ler o comment de Caetano acerca do contraste entre a toxidade do carnaval soteropolitano e o gosto pelo tradicional do de recife, não pude deixar de notar que minhas impressões parcialíssimas de certo modo procediam.
Tenho mil broncas com o carnaval de rua de Salvador: os camarotes opressores e nababescos (em contraste com a multidão que não tem acesso àquele luxo all-inclusive, totalmente all-exclusive) e as cordas dos blocos (que privatizam o espaço público, ainda que de modo ambulante) me aborrecem muito. Mas não posso deixar de destacar a força da música de carnaval daqui. É impressionante.
Quando vejo o carnaval de Recife (pela tv, pela tv…) me chama a atenção justamente este aspecto. Enquanto a transmissão das tvs locais de Salvador mostra uma porção de trios tocando uma música pop vigorosa, as tvs que mostram o carnaval de recife ressaltam sempre a qualidade “multicultural”, as “raízes”, a “tradição” das manifestações musicais populares de lá.
Vejam bem, não estou julgando, apenas constatando algo que me parece coincidir com as impressões de Caetano.
Por outro lado, se em Salvador há uma concentração da folia nos bairros mais centrais (ou mais nobres), lá em Recife há uma descentralização da festa, com inúmeros palcos montados em diversas partes da cidade, com shows diversos. O que me parece bem mais interessante. Só não me atrai muito é esse gosto pela manutenção das “tradições”, das tais “raízes”. Aí eu sou mais a tendência mais pop do carnaval daqui.
vellame, “arrogante”? Quem? E por que o “argumento de autoridade” é uma falácia? Se eu cito Foucault, ou Derrida, ou Marx, ou qualquer pensador importante, estou me valendo de argumentos de autoridade - que obviamente podem ser desconstruídos, criticados, revistos. Não entendi bem o que vc quis dizer.
Heloisa: ainda acho que discordo de alguns dos pressupostos do Dr. Veloso, mas achei massa a atenççao que ele tem dispensado ao debate. Como disse antes, só o fato de ter aproximado Possenti e Bagno de Caetano já me deixou feliz.
abs
luedy
Fevereiro 24th, 2009 at 12:04 am
Salém,
Concordo em gênero, número e grau: esse lance das tvs pautarem o ritmo da festa é de lascar! Isso acontece muito aqui. Tem artistas que param um tempão em frente às torres de transmissão das grandes emissoras(tal como a globo, por exemplo), ou dos camarotes mais badalados, apenas para aparecerem mais no “horário nobre” dos telejornais. Depois seguem com os trios bem rápido e “esquecem” de fazer a festa para a maioria da população que está brincando na rua.
Mas, felizmente, a festa é maior que isso (ainda).
Acabei de ver Ivete (pela tv), pquando ela passava pelo Farol da Barra e, putz, aquilo é uma maravilha: a banda afiadíssima, os arranjos maravilhosos, o som do trio tava excelente (mesmo pela tv) e Ivete cantava como ninguém. Isso é parte das maravilhas do carnaval daqui.
Fevereiro 24th, 2009 at 12:42 am
salem,
marx será o benedito?! hahahahaha
Fevereiro 24th, 2009 at 12:50 am
Salem, cê não precisa pedir desculpa. Eu não quero é ser mal interpretado.Aliás, eu e você, que já estivemos (e vivemos!) em vários outros paises temos maior facilidade em compreender esta situação. E e eu tenho 5 relógios suiços…
Gil, já vi que você é um cara que sabe: Aplausos para a sua “Apologia da Suiça”. Vou só fazer alguns comentários, e tentar ser o mais sucinto possivel, até porque o tema do post é outro bem diferente…
1.Acho dificil a Suiça ser o 15º país que mais exporta em “termos absolutos”. Se fosse em “termos relativos” aí sim. Em termos absolutos acho dificil…para não dizer impossível. Qual é a sua fonte para dizer isso? Será que a Suiça pertence ao G20 e eu não sei?!!!…
2. “…produzem utensilios como máquinas de precisão ou aparelhos electrónicos cujas marcas não são muito conhecidas, mas exportadas para indústrias de produção em todo o mundo…” Devem ser mesmo pouco conhecidas. Eu desconhecia esta magnitude…
3.”Gerenciamento de activos em todas as suas formas é o ponto chave dos serviços bancários suiços…” Sendo O UBS (penso eu) o maior banco da Europa, o Credit Suisse também um gigante, e existirem uma série de outros bancos especializados nestes “gerenciamentos”, cê quer me convencer que todo o imenso dinheiro que por lá circula, vindo de fora, não tem uma importância fulcral para a riquesa do país? Será que a Noruega, se não tivesse descoberto petróleo (e apesar da sua mentalidade e organização)teria recusado entrar na União Europeia?
Ora é aqui que eu critiquei e critico. Sabemos muito bem que a Suiça é uma das roldanas mais bem oleadas ( emais antigas)da maquinaria da lavagem de dinheiro e branqueamento de capitais…E eles sabem bem melhor que nós…
4. Você sabe bem que processos criminais e investigações policiais são uma gota no oceano de todas as “operações ilegais” que acontecem por lá…
5. Não queira comparar a magnitude, nem que seja moral, de crimes como esses e downloads ilegais de músicas…Eu também sou contra isso. Nunca fiz download pirata…
6. Já que vocês (Gil/Salem) acham a Suiça um Paraíso, e já que Gil nos ensinou acerca da riquesa industrial desse país, será que isso não é um argumento a mais a favor de se acabar com toda essa porcaria que se passa por lá???? Pois se há paraísos fiscais que o são porque, por motivos económicos, necessitam mesmo de o ser, pelos vistos a Suiça não precisa…!!!!
Enfim, pontos de vista.
Abraços e Bom Carnaval para todos
Fevereiro 24th, 2009 at 1:56 am
Nando,
Coloquei entre aspas as adjetivações que os apresentadores e repóerteres (sim, até os repórteres não escondem o encantamento que sentem com o carnaval de Recife) utilizam para exaltar a folia de lá. Claro que eu nao vejo (pela tv, bem entendido) o mesmo vigor musical que vejo (também pela tv) do carnaval daqui. Claro também que, sendo morador de Salvador e já tendo participado, ainda que de meu jeito, da festa daqui, toda esta minha apreciação comparativa tenda para a festa de Salvador. [Aliás, é preciso dizer que muitos amigos que foram passar carnaval em Recife me contaram maravilhas de lá]
Em todo caso, pode ser que a tv de lá não tenha conseguido fazer uma transmissão que dê conta de mostrar a mesma força e diversidade que as tvs de Salvador conseguem com a música de carnaval daqui.
Vi ontem pela tv show do Mundo Livre, lá em Recife. Juro que não vi a mesma empolgação - nem da multidão que lotava o local, nem dos apresentadores, que se esforçavam para demonstrarem-se animadíssimos. Mudava de canal e via o Psirico, Fantasmão, Ivete, Daniela, Novos Baianos, Margareth Menezes com Daniela Mercury, Cláudia Leite, etc etc etc. A diferença era absurda (em termos de empolgação e de “vigor”).
Se vc me perguntar se um carnaval com shows do Mundo Livre, Nação Zumbi, Chico Cesar e Lenine não é um privilégio, eu direi que, sim, acho que é sim, mas, comprativamente, não vejo na festa carnavalesca comandada por estes artistas o mesmo vigor e empolgação que vejo por aqui com aqueles que eu listei antes.
abs
luedy
ps. quanto a bagno, Vellame, eu sinto que sua antipatia por ele não lhe faz aceitar a idéia de que Caetano tenha sido, de algum modo, afetado positivamente pela leitura atenta que ele fez de um dos seus livros. E olhe que há ainda muita discordância dele (Caetano) em relação a Bagno. Imagine se ele tivesse ‘mudado de lado”.
Fevereiro 24th, 2009 at 2:07 am
Osório, sei de nada…apologia? estou apenas procurando ajudá-lo a desfazer uma opinião preconceituosa sobre a Suíça, e incorreta, só isso. Não sou suíço mas achei linda a Suíça, pode? O fato de vc desconhecer a magnitude é relativo, muita gente desconhece tanta coisa…eu não quero te convencer de nada, veja os dados da CIA e tire suas conclusões. Esse seu sabemos muito bem é por sua conta, não sabemos muito bem nada, vc acabou de dizer que desconhecia. Esse papo de gota no oceano é papo furado, te venderam, vc comprou e saiu por aí, mas pode ser falso o que vc comprou. Agora, download ilegal eu sei bem do que se trata e podemos discutir, não vem que não tem cumpadre, a menos que vc queira agora criar o conceito de ladrão por magnitude, isso é inédito. E porcaria se passa em tdo lugar Osório, pára com isso…eu e meu amigo Salém vamos juntos passear na Suíça, no jardim que é a Suíça e se vc quiser pode vir com a gente que será benvindo…deixa os suíços em paz que eles tem muito o que fazer nessa crise…a Suíça é paraíso, e não tem essa de fiscal não, a Suíça é só paraíso mesmo e tem o festival de jazz de Montreaux que é o máximo…relaxa Osório, já comi meu bacalhau hoje e tomei um Reguengos Reserva…e água de pedras é claro…viva a Lusitânea!
exportações em bilhões
1 Alemanha 1,361
2 China 1,221
3 Estados Unidos 1,140
4 Japão 665.7
5 França 558.9
6 Itália 474.8
7 Países Baixos 465.3
8 Singapura 450.6
9 Canadá 440.1
10 Reino Unido 415.6
11 Coreia do Sul 371.5
12 Rússia 365
13 Hong Kong 353.3
14 Bélgica 328.1
15 México 267.5
16 Espanha 248.3
17 Taiwan 246.7
18 Arábia Saudita 215
19 Suíça 201
Fonte: CIA World Factbook ( serve como fonte?)
Switzerland is a peaceful, prosperous, and stable modern market economy with low unemployment, a highly skilled labor force, and a per capita GDP among the highest in the world. Switzerland’s economy benefits from a highly developed service sector led by financial services and a manufacturing industry that specializes in high-technology, knowledge-based prodution. The Swiss in recent years have brought their economic practices largely into conformity with the EU’s to enhance their international competitiveness, but some trade protectionism remains, particularly for its small agricultural sector.
Fevereiro 24th, 2009 at 3:04 am
Oi, Caetano e pessoal.
Fico feliz em ver esse post: o que Bagno cobrou no artigo da Caros Amigos foi que Caetano estudasse melhor as propostas dele, pois sentiu-se sofrendo “redução grotesca”. O artigo do Bagno tá no meu blog. Agora Caetano mesmo assumiu que não tinha lido o suficiente. Que bom! Sabia que, quando o Caetano lesse, concordaria com algumas coisas, independente de resistir a outras. Mas eu acho mesmo um barato é o fato do Pasquale resistir ao novo acordo: será que ele, que sempre corrige a todos, será corrigido, agora, pelos editorialistas da Folha e outros jornais? Creio que para ele será uma experiência existencial rara e, quem sabe, profundamente transcendental.
Caetano, esse debate do cânone ocidental contra os estudos culturais leva ao Harold Bloom e aí realmente, é outro lance. Bloom julga, por exemplo, que o cânone da língua portuguesa é Pessoa e Pessoa é Whitman renascido, daí a universalidade do cânone anglo-saxônico: Shakespeare, Milton, Whitman e por aí vai.
Mas jóia, adorei porque agora o debate avançou! Parabéns ao Luedy!
Abraços a todos!
Fevereiro 24th, 2009 at 3:06 am
Relaxado tô eu cara…Não se enerve não…Pronto! Que a Suiça seja O Paraíso…Quando eu morrer quero ir pra lá…
Tá bom Gil. Não vale a pena continuar.Penso que devemos ficar por aqui.
Até porque estamos (como diria Nando acho eu)”out of topic”…
Fevereiro 24th, 2009 at 3:18 am
Caetano,
informação nova a respeito dos Cubanos deportados. Tirei do blog do Juca Kfouri. Pelo jeito, mentiram pra você. Abraço.
http://blogdojuca.blog.uol.com.br
Pugilistas cubanos fogem de novo
Os pugilistas cubanos que foram deportados pelo governo brasileiro durante o Pan-2007 voltaram a fugir de seu país.
Um, Erislandy Laranha, já tinha fugido antes e dito, em Hamburgo, na Alemanha, que ao contrário do que disseram as autoridades brasileiras, ele em nenhum momento manifestou a vontade de voltar para Cuba.
O outro, Guillermo Rigoundeaux, fugiu agora e está em Miami.
O que apenas demonstra o óbvio: ambos foram postos num avião de volta para Havana à força.
Leia mais em http://esporte.uol.com.br/boxe/ultimas/2009/02/23/ult4358u316.jhtm
Fevereiro 24th, 2009 at 3:34 am
Caetano,
“pensar sem palavras”…profundo. sempre achei que poderia pensar ou estar consciente sem que nenhuma palavra flutasse em mim. Oco e cristalino por dentro. acho que deve ser assim, sem palavras, a forma mais elevada de pensamento, é o “nirvana”. Por alguns instantes infinitos e importantes você já conseguiu pensar sem palavras?? Eu tento e vou nessa!!!
Salem,
sua saga sobre a família “Marx” é uma das coisas mais bonitas que já li aqui.
Fevereiro 24th, 2009 at 4:23 am
Gente!,
Hoy estoy de plafón bajo, (días en que a uno le pinchan el globo) por lo consiguiente severa en el semblante, contrapuesta a mí jocosidad. Así es pues, que me dirijo a expresarme en mi “lengua materna”.
Caetano,
Me gusta “verte huracán” y sentir que el “carnaval” te inspira!…yá lo sé…es siempre poder mantenerse “eufórico”, sea éste el terreno fértil, dentro del estado de “alegría o tristeza”. Pucha!. No vayas a pensar ni siquiera un poco en el significado de lo efímero, por favor!. Bueno, únicamente sólo para todo lo que sientas que te pueda parecer “negativo” y por su própio peso muyyyy “chato”.
¡Qué complicado es hablar y escribir bien!
Hay que evitar:
1) Expresiones desgastadas y comunes.
2) Profusión de adjetivos.
3) Términos vagos o de amplio significado.
4) Palabras que se ponen de moda.
5) Palabras extranjeras.
6) Muletillas.
7) Construcciones verbales que pueden decirse con una sola palabra.
9) Expresiones despectivas, que tienen como base la religión, la raza.
El español y los otros idiomas….
Bien sabido es que el español proviene del latín, del griego y del árabe.
Pero, no solo estas lenguas aportaron palabras; el inglés, el francés, el italiano, el alemán, el húngaro y algunas más influyen diariamente en nuestro lenguaje.
¿Qué actitud tiene la autoridad lingüística, la Real Academia Española?, (en mi caso), o Brasileira? (ABL).
Mide la difusión que el término extranjero tiene en la lengua. Está atenta a si aparece solo en el idioma oral o si también lo hace, en el escrito. Por último, cuando se convence de que el vocablo es compartido por una importante cantidad de hablantes y de que, en la mayoría de los casos, no existe alguno que lo sustituya en español, lo castellaniza. Eso significa que lo incluye en su diccionario.
Sin embargo, toda esta tarea no es ni tan perfecta ni tan actualizada. La lengua evoluciona mucho más rápido que el diccionario. A veces, sucede que aparecen castellanizadas o para la lengua portuguesa serían “brasileiradas” (cabe el término?) palabras que ya no se usan. O, al contrario, palabras que se utilizan diariamente son ignoradas.
Elegimos algunas, todas pertenecientes al vocabulario de la cocina e indicamos, en cada caso, cuál es la actitud que la Academia tiene con respecto a ellas.
1) Gourmet
Significado: Persona experta en comidas y bebidas, capaz de distinguir los más finos sabores y los más puros aromas.
Origen: Francés.
Actitud de la Academia Española: La castellaniza, la incluye en su diccionario. No modifica su grafía.
Es un verdadero gourmet.
2) Fast-food
Significado: Tipo de comida que se prepara con rapidez, que no exige una elaboración cuidada.
Origen: Inglés. “Fast” significa “rápido” y” food”, comida.
Actitud de la Academia: La ignora. Por lo tanto, si se usa por escrito, debe encerrarse entre comillas.
Prefiero siempre “fast-food”.
3) Antipasto
Significado: Plato de fiambres que se sirve antes de la comida principal.
Origen: Italiano. Vocablo formado por “anti (antes) y “pastus”(comida, en latín).
Actitud de la Academia: La ignora.
Seleccionaremos un “antipasto” que nos guste a todos.
4) Panaché
Significado: Ensalada caliente, de verduras.
Origen: Francés.
Actitud de la Academia: La castellaniza. Modifica su grafía. La adapta a nuestras reglas de acentuación. Le agrega tilde, por ser aguda, terminada en vocal.
Como acompañamiento, siempre pide panaché.
5) Gulash
Significado: Sopa espesa, con trozos de carne estofada, papas, cebolla, diversos condimentos y ajo.
Origen: Húngaro.
Actitud de la Academia: La ignora.
Son pocos los restoranes en los que se sirve “gulash”.
6) Quiche
Significado: Pastel con fondo de masa hojaldrada, relleno de huevos, crema de leche, jamón u otros ingredientes. Se cuece al horno.
Origen: Francés
Actitud de la Academia: La castellaniza, con la misma grafía que la del idioma original.
Hacen diferentes clases de quiche.
7) Risotto
Significado: Plato que tiene como base el arroz de grano corto. Este se cocina con poco agua y se condimenta, esencialmente, con jugos de carne.
Origen: Italiano.
Actitud de la Academia: La ignora.
Pidió “risotto” como única comida.
¡Es obvio!
Transcribo, a continuación, fragmentos de una serie de avisos, publicados en diario “El País”. Todos ellos piden empleados. Es interesante poner atención en lo se exige para conseguir el puesto:
1) “SUPERVISOR/A DE CALL CENTER
Es imprescindible para el desarrollo de la función:
Profundo conocimiento de la operativa de Call Center
- Definida capacidad de liderazgo
- Buen nivel de inglés
- Herramientas informáticas”
2) “ASISTENTE DE DIRECTOR EJECUTIVO
Requisitos:
- Egresado o estudiante avanzado de carreras universitarias
- Experiencia y conocimiento comunitario
- Muy buen dominio del inglés
- Conocimientos de idioma hebreo
- Muy buen manejo de herramientas informáticas”
3) “CUSTOMER SERVICE
Requisitos:
- Entre 23 y 30 años
- Amplia formación a nivel universitario en Comercio Exterior o Relaciones Internacionales
- Dominio del inglés oral y escrito(imprescindible)
- Preferentemente con conocimientos de alemán
- Excelente manejo de herramientas informáticas.”
4) “BANCO CENTRAL DEL URUGUAY
- 1 cargo de Doctor en Economía
- Título de Doctor en Economía.
- Dominio oral y escrito del idioma inglés.”
Por supuesto, son unos pocos ejemplos. No nos detenemos a observar cómo están redactados, ya que habría mucho para corregir.
Se necesita saber inglés, hebreo, alemán e, incluso, el lenguaje de la computadora.
Ninguna institución -ni pública ni privada- incluya entre sus exigencias que los posibles empleados sepan redactar y hablar correctamente, en “español”
.
“¡Es obvio!” -dirá la mayoría de la gente.” Si en el Uruguay, el español es la lengua madre, ¿quién no va a saberla?, ¿qué universitario tendrá problemas para expresarse?, ¿qué persona que domine idiomas extranjeros no dominará el suyo?”
La respuesta: la mayoría de las personas, universitarias o no, tiene grandes dificultades para expresarse en su propio idioma.
Y a él tendrán que recurrir, cualquiera sea el cargo que desempeñen, tanto para hablar con sus colegas (comentar, discutir, impartir órdenes…) como para escribir ( un memorándum, un informe, una carta…).
Los empleadores parecen no darse cuenta de lo importante que es que su personal sepa expresarse con corrección. El español, bien hablado y bien escrito, consigue éxitos que son muy importantes en cualquier empresa.
Lamentablemente, no es obvio que uno sepa la lengua materna por el solo hecho de ser la que hablamos desde pequeños. Necesitamos un aprendizaje constante, que nuestra enseñanza no da.
La escuela nos brinda las primeras armas, sobre todo en lo que respecta a la lengua escrita. En Secundaria, se dan dos escasos años, de un español, basado casi exclusivamente en el aspecto gramatical, que nos deja un mal recuerdo y muy pocos conocimientos. Y, en la Universidad, la enseñanza idiomática se pierde para siempre. No se dan clases de redacción: nadie enseña a hacer un informe, un resumen, un relato…Se ignora lo relacionado con la oralidad.
¿Cómo, entonces, uno puede llegar a dominar su idioma?
Si se dedica a él, si pide ayuda, si lee, si busca quién le enseñe cómo escribir y hablar correctamente.
¿Pero cuántas personas lo hacen?
Y quienes tienen el poder, porque son las que ofrecen los empleos, ¿no se han detenido a pensar en que lo primero que deben exigir es un correcto uso de la lengua materna? Que deben, antes de contratar un empleado, someterlo a pruebas( no gramaticales, ya que saber lengua no es saber gramática) , sino de escritura, de redacción, de comprensión lectora, de oralidad…
¿O, tal vez, ellos mismos no saben cómo proceder en cuanto a lo que al lenguaje materno se refiere y no pueden, por lo tanto, juzgar cómo lo hacen los demás?
¡Es obvio, o, más bien, tendría que ser obvio, que se respetase el idioma materno antes que los demás!
Está muy bien que dominemos lenguas que no son la nuestra, pero es imprescindible que empecemos por saber manejar el español.
Caridad bien entendida, empieza por sí mismo.
¿Por qué se habla tan mal?
Todos somos jueces del hablar de los demás. Los padres se asombran de la pobreza de vocabulario de sus hijos, de las expresiones que usan. Los adultos opinan sobre la forma de hablar de sus pares y demuestran una inconciencia total hacia la suya.
Los adultos se desesperan cuando ven cómo hablan y escriben sus hijos, que concurren a la escuela, al liceo, e, incluso, a la universidad.
Se ha perdido la adecuación del lenguaje a las diferentes situaciones. Los jóvenes no tienen la más mínima idea de qué lengua hay que utilizar en cada ocasión, con cada persona. Si bien el idioma es uno, tiene una riqueza tal que le permite al usuario valerse de términos diferentes, según las circunstancias.
Los jóvenes, y también, algunos adultos, ignoran que hay distintas formas de lenguaje: uno para dirigirse a los pares, otro, para los superiores, otro, para los mayores… Nos encontramos, día a día, con el tuteo indiscriminado, el voseo, el lenguaje ordinario, las expresiones coloquiales…
En este sentido, la responsabilidad es del docente. Nadie ha enseñado a estos chicos, que pronto serán adultos, cómo se debe proceder. El maestro, el profesor, es quien debe darle los recursos lingüísticos que le permitan adaptarse a las diferentes situaciones con las que se enfrentará en la vida.
Y, para poder trasmitirle ese conocimiento, él tiene que dominar la lengua.
Dominar la lengua no significa ser dueño de un vocabulario complicado, de expresiones rebuscadas. Quiere decir manejarse con un lenguaje estándar, claro y, sobre todo, adecuado a la situación.
Para lograrlo, no basta con los conocimientos que la carrera docente haya exigido. ¡Hay que actualizarse!
Ninguno de nosotros confiaría en un médico, un dentista, un abogado… que, una vez obtenido el título, se conformara con él y nunca más estudiara nada.
Así como cambian las técnicas científicas, los decretos, las leyes, así cambia el lenguaje. Y a esas modificaciones tienen que estar atentos quienes son los formadores de personas.
Las autoridades de la Enseñanza -no es la primera vez que las mencionamos- deben ser exigentes y “controladoras” con relación al lenguaje que usan sus docentes. Esa indiferencia hacia el medio de comunicación de los seres humanos, trae como consecuencia, malos hablantes, malos escritores, malos lectores, malos escuchas.
Si el docente no demuestra cuidado por su idioma, si se expresa mal, si no es severo en cuanto al uso que de él hacen sus alumnos, estos lo utilizarán inadecuadamente.
La influencia lingüística de los padres y la de la enseñanza curricular se ejercen en forma simultánea.
Y, al mismo tiempo, se valen del lenguaje los medios de comunicación: tercera línea de responsabilidad.
En este aspecto, salvo raras excepciones, no hay preocupación ninguna de quienes trabajan con él. Se inventan términos, se conjugan mal los verbos, se utilizan expresiones incorrectas… Nada importa porque los responsables de las radios, de los diarios, de los canales de televisión, no tienen en cuenta cómo usan el lenguaje las personas que empuñan un micrófono.
Lo único que les importa es que tal o cual programa tenga buena audiencia, lo que da como resultado altos ingresos económicos.
Por último, la publicidad: cuarta línea de responsabilidad.
Parece que, en lugar de mejorar en lo que al lenguaje se refiere, la publicidad empeora día a día. Viola las más elementales reglas de la lengua, ignora las de tilde, desprecia la puntuación, modifica la ortografía. Y, ¡nada importa! Siempre y cuando se logre el fin deseado: la venta de un producto, la imposición de una forma de trabajo, la afiliación de un nuevo socio…
¿Por qué hablamos tan mal?.
Porque nada ni nadie nos ayuda a hacerlo mejor y porque, finalmente, todos somos cómplices de ese desapego al buen idioma.
No alcanza con comentar los errores que los demás cometen. Hay que ser intransigentes con ellos, señalarlos, corregirlos, censurarlos.
Como padres, ser severos y exigentes con nuestros hijos, en cuanto al uso del lenguaje. Severos, también, con los docentes a quienes les confiamos la formación lingüística de los jóvenes.
Como adultos, requerir de los medios de comunicación y de la publicidad un correcto uso del idioma. No es fácil lograrlo, pero se puede. Dependerá de cuanto empeño pongamos en ello.
Abrazo apretado. Vero, con el plafón exagerado?.
Fevereiro 24th, 2009 at 5:18 am
e ninguém disse uma palavra sobre o Oscar…tenho visto os filmes, fiquei espantado com o Complexo de Badem Meinhof, achei-o pró terrorista assim como um outro desenho pró palestinos. Milk e o Casamento de Rachel são ótimos. Winsley eu sonho com ela desde que a vi e com Di Caprio eu gosto, filme pesadão do marido pesadão Mendes, não vi o premiado. Rourke apareceu deslumbrante no ano do dragão, parecia um novo Brando, tudo isso…renasce depois sabe-se lá do que, foi linda a referência de Sean Penn a êle quando recebeu o prêmio…e que Oscar bem feito, e salve salve: os musicais estão de volta! Espero que entre nós isso seja um grito de libertação da Broadway…Grammy, Brits, Oscar…o que está acontecendo? O paradoxo da debacle? E nós? MInha nossa o que é aquilo na TV, aqui via Record, aquele amontoado de gente derretendo…e feliz…é anti urbano fala sério…nos anos 60 até que fazia sentido, pouca gente, poucos carros…hoje em dia? No leblon é um inferno: calor, esporro, sujeira e turista? é demais…deus me livre…ehehe…eu quero ir pra Suíça!
Fevereiro 24th, 2009 at 7:08 am
HERMANICATS ESSE VALE
Nando
O comentário de Caetano foi carinhosíssimo. Não tinha nada a ver com tradição. Tinha a ver com a pureza do carnaval do Recife em comparação ao veneno (tóxico) do carnaval da Bahia. Isso (eu acho) porque eu comecei contando aquele historinha do meu filho visitando a Waldorf e a gente estranhando os adolescentes sem espinhas com cara de bebê.
Num outro comentário (sei lá quando/esse negócio de blog tem um timing maluco) ele falou disso, enquanto a gente debatia fervorosamente sobre valores, precocidade sexual e axé.
Caetano está visivelmente alegre e leve. Seu post e seus últimos comentários são afagos e gestos de aproximação.
Nessa onda, concordo com Vellame, quando ele acha “meio arrogante essa coisa de dizer que o debate valeu a pena, pois agora Caetano leu Bagno.” Há um pouco de inocência nisso. Parece que a opinião conciliadora e bem fundamentada do Caetano sacramentou o assunto.
Já tinha sentido a mesma coisa que você e formulei num comentário lá em cima com o meu jeitão medroso (não queria melindrar ninguém):
“Às vezes tenho até medo do gigantesco poder argumentativo e coalizante dos textos do Caetano. Ele tem a força de compor forças aparentemente antagônicas. Coisas de bom compositor.”
Quando li o Post, adorei. Quando reli, gostei mais. Mas temia uma reação do tipo “num falei? o cara leu e agora concordou”. “Caetano falou, agora tá tudo certo”.
Pelamordideus! Ninguém se ofenda com essa minha sensação! Em especial Luedy, a quem reitero os méritos pelo avanço dessa discussão.
Mas meu carnaval agora é outro. Eu quero a Suiça do Gil! Quero que chova canivete suiço! Quero bezuntar a mulherada com foundeu de chocolate! Quero escutar MPS. Música Popular Suiça. Quero avançar na conta do Maluf e torrar a grana toda por lá.
Quero ser Suiço! Só isso!
in tests
salem
Fevereiro 24th, 2009 at 11:08 am
Ainda tentando enxergar o carnaval de Salvador a partir do de Recife (e vice-versa): ao ver o trio de Ivete Sangalo ontem pela tv e de ter mais uma vez constatado a maravilha que é aquilo tudo - tecnologicamente, tecnicamente, musicalmente, visualmente etc etc - não pude deixar de pensar que toda a qualidade impressionante do espetáculo proporcionado pelo trio de Ivete se deve à existência de um bloco milionário, cujos foliões são compostos em sua grande maioria por turistas que vem do sul e sudeste do Brasil. Ou seja, é justamente por conta da privatização da festa que podemos ter tantas estrelas reunidas no mesmo espaço durante o carnaval.
Por outro lado, vi ontem pela Band uma entrevista com o prefeito de Recife. Os dados que ele apresenta são impressionantes: 18 grandes palcos montados pela cidade, com grandes da música popular tocando neles. Outros tantos palcos menores também espalhados pela cidade. Como disse antes, uma descentralização da festa muito mais interessante. Ao mesmo tempo, o carnaval de lá, por conta das inúmeras manifestações tradicionais (maracatus, caboclinhos, cirandas, as orquestras de sopro etc etc) me parece ser muito mais bonito do ponto de vista plástico (o que contrasta em muito com a padronização dos blocos de trio de Salvador) e bastante diverso do ponto de vista musical.
Enfim, acho que temos muito o que aprender com o carnaval de Recife. Agora, acho que teríamos muito a ensinar também: nossa tendência pop, afinal de contas, já renovou até mesmo o frevo de lá.
Fevereiro 24th, 2009 at 11:57 am
Othon, claro que você está certo quanto ao post não ser de adesão. Eu falo em adesão (parcial, que é o adjetivo que caberia ali). Mas isso é só porque quis dar a notícia de quão mais simpático me pareceu todo o esforço desses sociolinguistas brasileiros (para que não reclamem mais de que estou generalizando: não estou: quando escrevo “linguistas” em textos sobre esse grupo é claro que me refero a ele, não aos linguistas em geral). E dizer que há um preço é quase uma piada, já que não creio que Bagno e Possenti dêem tamanha importância a minha opinião. Então, de fato tudo volta ao começo - só que em novos termos. É como dizer: podemos discutir melhor sobre esse assunto agora que eu gosto mais de muitos aspectos do que você falava. O que não quer dizer que eu não reitere alguns pontos essenciais que, desde o princípio, me afastavam do interlocutor. Você não viu que Luedy continua em desacordo? Mas estamos mais doces. Ou seja: é conversa verdadeira. Este blog teve - se nada - a virtude de mexer com minha antipatia muito pensada e pouco estudada em relação aos linguistas antigramaticais de esquerda (continuo só tentando não parecer que generalizo).
Abraço no texto.
C.
Fevereiro 24th, 2009 at 12:45 pm
O carnaval do Recife humilha os outros (plasticamente só o do Rio se equipara, mas a uniformidade estética dos sambas cariocas perde feio para a diversidade pernambucana). Claro que Salvador ainda tem seus trunfos, como o tapete branco do Gandhi e a genialidade sempre surpreendente de Brown. Mas em todos os sentidos (estético, musical; diversidade etc) é um banho pernambucano. Creio que estejam muito mais íntimos do que seja a essência do Carnaval.
Fevereiro 24th, 2009 at 2:46 pm
Bonita a homenagem que o Psirico fez, com os integrantes do trio usando roupas estampadas com capas de discos do Caetano.
Eu continuo intrigado com esse lance de poder pensar sem palavras e, quem sabe, sem imagens. Bjs!!!
Fevereiro 24th, 2009 at 2:51 pm
Acho que já está na hora de, a bem de um real letramento das massas, que é tudo o que o Brasil precisa, reconhecermos a independência da Língua Brasileira. Os alunos já chegam na escola perseguidos por um trauma coletivo com relação ao ensino do português. E, a partir desse ano, com a introdução do Acordo Gramatical, pode ser que o trauma aumente. Talvez se assumíssemos amplamente o termo Língua Brasileira, e não o restrito uso técnico de português-brasileiro, as coisas seriam diferentes. Mas não só a assunção do termo basta: é preciso reconhecer profundamente nossa identidade, aquela coisa etérea que une falantes desde gaúchos até amazonenses. Como se faz isso? Não sei. Mas é preciso tentar, sempre. Com a ajuda de todos. Linguistas, poetas, jornalistas, publicitários, atores, regentes, falantes: uni-vos!
Fevereiro 24th, 2009 at 3:09 pm
london calling…ver in loco o estrago da crise financeira nas hordas de Piccadilly, reconhecer o frio de fato porque o vento do norte passa firme pela ilha, sair do cantinho de melhor clima da euro e invadir a Ilha, ficar mais perto da Rainha e com o meu amor….hoje tem manchester do ronaldo e inter do Mourinho, ali o craque, aqui o Special One…viajamos juntos uma vez quando ele ainda dirigia o Chelsea, na fila pra entrar no avião olhei dentro dos olhos dele e disse: seu time não tem nenhum brasileiro, ele piscou pra mim…me encantei ali com Mourinho, na saída nos despedimos mas antes perguntei quando ele viria ao Brasil, ele respondeu que vem sempre nas férias com a família…acho que vai para o nordeste, ou pra Bahia. Ele é o máximo e lidera o campeonato italiano com um time cheio de brasileiros.
O fim do emprego assola a Europa e tira o sono de todos, na Espanha mais de 15% dos ativos estão, desativados e por aí vai…e o Estado voltou a falar mais alto. Um artigo bonitinho lembra o Bloco do Eu Sozinho, o indivíduo que sai com uma bateria de tambores, pandeiros e cuícas dentro da própria cabeça e delirante brinca consigo no Carnaval. E faz um paralelo com as milhares de empresas registradas sem um único empregado, a empresa do eu sozinho, um modelo que se multiplica pois ninguém quer saber de contratar e arcar com tudo que isso implica. Fica para o Estado esse encargo…e seria tão simples dar prêmios a quem empregue, sugere êle pra acabar com as empresas do eu sozinho.
Mas e a Suíça? Lá não tem desemprego, um paraíso, fazem pouco da eurolândia, não querem invasão das fronteiras, são riquíssimos, 40 mil euros de renda per capita, dá pra imaginar? São na verdade quase alemães, 75% da língua é germânica, e exportam…exportam como os Alemães, os maiores do mundo, incrível né? Tivemos uma patrícia que esses dias se complicou por lá, saia justa total, o Estado é tão responsável que tem gente que fica tentada a aproveitar um pouquinho demais…mas santo nem no jardim, o alarme da crise motiva os canalhas a perseguir e discriminar, é preciso estar atento.
eu fico olhando…só um sujeito ruim pode ser contra o professor Pascali, e muito ruim pra ser contra o professor Bechara. Esse eu conheço e é, quase um santo. Sábio com certeza, mas que homem bom…li algumas coisas do Bagno e gostei, li outras e não ( quando ele chamou Bechara de conservador e de direita me lembrei do Carlinhos Lira dizendo pra Folha no início dos anos 90 que fazia bossa nova de esquerda enquanto João fazia bossa nova de direita… lamentável…). Falando sério, eu não gostei de ver o presidente falando errado…mas parece que somos muito de qualquer jeito mesmo pra ter presidente que fale certo. Maria disse que não combina e que foi sempre assim, e ela não sabe porque. Há uma ilusão de que nossa originalidade vai compensar a técnica e a repetição que nos falta. É verdade, somos muitos, suíços são apenas 7 milhões…mas como produzem…porque será que a França foi o primeiro a se manifestar pela regularização dos acessos a arquivos, pelo comprometimento dos provedores na circulação ilegal de direitos via computadores? Será porque a França tem política de Cultura? Porque a França disputa palmo a palmo seu enorme mercado cultural? França e Inglaterra na frente…e nós? ah…já sei…o Carnaval…oi skindô oi skindô…
Fevereiro 24th, 2009 at 3:14 pm
que nossa originalidade vai compensar a técnica e a repetição que nos faltaM…será?
Fevereiro 24th, 2009 at 3:36 pm
transcarnaval para quem estiver em BH:
http://www.overmundo.com.br/agenda/escola-autonoma-de-feriado-carnaval
aproveitem - hoje é o último dia!
Fevereiro 24th, 2009 at 3:44 pm
Nando calling… no inocente almoço familiar, todos a postos com suas tarefas para a quaresma; um dispensará chocolates, outro café; um deixará de lado a cerveja, outro os cigarros; eu, pensando numa das coisas que mais gosto, tasquei: 40 dias sem internet! Acho que exagerei na dose…
Pois é, promessa é dívida, são várias as testemunhas, lasquei-me. A partir de amanhã, zero de interação aqui na OeP, morrerei de saudades!
Fevereiro 24th, 2009 at 4:42 pm
Caro Caetano e Salem,
Esse blog é bom e dificilmente um “monstro sagrado” seria tão democrático. Caetano compreende as transformações culturais e vai permanecendo…sendo um farol, uma referência. De vez em quando é muito contraditório - mas quem não é? Caetano é muito paciente com o carnaval da Bahia. Moraees Moreira, que Caetano gosta muito, tenho certeza, há muitos anos reclama do significado da festa popular. É muito confortável pagar e pular no blobo da Ivete. Mas o carnaval da Bahia só é instigante e criativo porque acolhe o “novo” oriundo dos guetos e dos artistas menos pasteurizados. Os Novos Baianos voltaram - não foi lá essas coisas - e quando tocaram os “clássicos”, soou muito mais delicioso e interessante q. outros trios. Alguma coisa acontece no carnaval da Bahia…
Fevereiro 24th, 2009 at 4:54 pm
Luedy,
Realmente você precisa ver de perto o carnaval de Recife e Olinda até para confirmar o que seua amigos te disseram e a sua visão de que podemos aprender mutuamente, concordo no que diz respeito a tedência pop do carnaval coisa que eu penso que seria muito mais fácil do carnaval de Recife se apropriar do que o carnaval de Salvador se apropriar da tendencia democrática de Recife.
Acho o máximo o carnaval de Salvador, a emplogação é empolgante….
Acho perfeito o carnaval de Recife e aconselho a você aparecer por aqui porque sinceramente a trasmisão pela tv não faz jus a verdadeira emoção de esta la!!!
abs!!
Fevereiro 24th, 2009 at 5:49 pm
antheógenes,
por conta da vocação pop soteropolitana, temos hj no carnaval rock, reggae, funk carioca, samba, kuduro, pagode, frevo eletrificado, pop-rock, axé, samba-reggae, marchinhas etc etc. Tudo isto me encanta de verdade (apesar de que as músicas deste carnaval de 2009 não tenham me empolgado tanto).
Agora, para se contrapor a você, gostaria de lembrar daquele projeto de lei que limitava ou mesmo proibia a execução de axé music no carnaval pernambucano - lembra disso? É esse apego à “tradição”, é este desejo de preservação que me incomoda. Mas não sei como andam as coisas por lá em relação ao tal projeto de lei (do qual, admito, não sei maiores detalhes). O que me chama a atenção é que não há artistas da chamada axé music (se a gente considerar que Caetano não é um artista da axé music, né?) sendo convidados para tocar no carnaval de Recife e Olinda.
Fevereiro 24th, 2009 at 7:37 pm
Amigos, deixo um último comentário para vosso desfrute, preparado com muito carinho.
Um abraço afetuoso e sincero. Best wishes, see ya!!!
A Pedagogia Waldorf não equivale a tradição. Equivaleria talvez à Tradição, no sentido esotérico que o termo encerra.
Para falar em Pedagogia Waldorf é preciso falar do seu criador, Rudolf Steiner (pesquisem quem foi, pesquisem!).
Steiner, considerado austríaco, nascido numa província do império austro-húngaro, aos oito anos travou contato com a própria sensibilidade clarividente, sofrendo então uma dificuldade oposta à que a maioria de nós enfrenta: para ele, o real era o que para muitos de nós sequer existe. A fonte de suas pesquisas é o que ele descreve em “A Crônica do Akasha”. Desde então dedicou-se, não sem sofrimento, não sem ataques violentos e ameaças que culminaram no incêndio de uma obra querida: o seu Goethianum, centro de estudos e monumento em madeira construído com muito trabalho e dedicação. Forças adversas sempre a postos.
Deixou estudos referentes a cosmologia, cosmogênese, filosofia, Cristologia, Goethianismo, educação, medicina, filosofia social, economia, eurritmia (arte gestual criada por ele), arte da fala, psicologia, artes plásticas, dramaturgia, dicção, música, arquitetura, mitologia, agricultura biodinâmica - cansei só de escrever.
O nome “Waldorf” deriva da escola montada na fábrica de cigarros Waldorf-Astoria, para a qual foi convidado a ministrar aulas para os funcionários.
O cerne da pedagogia reside na aceitaçao de suas pesquisas referentes aos setênios (períodos de sete anos nos quais mudanças significativas são vivenciadas; a queda dos dentes de leite por volta dos sete anos seria um exemplo “concreto”). A concepção de Steiner menciona que além do corpo físico (cuja hereditariedade teoricamente deveria ser superada ao final do sétimo ano de vida e que dividiríamos com os minerais), outros três corpos fazem parte da constituição quadrimembrada dos seres humanos: o corpo etérico ou vital (responsável por “emprestar” vitalidade ao organismo, sendo o exemplomais nítido da sua atuação a cicatrização de ferimentos; que acaba de ser formado ao final do sétimo ano; que dividiríamos com os vegetais); o corpo astral (responsável pelas emoções, sentimentos, desejos e paixões; que acaba de ser formado ao final do décimo quarto ano; que dividiríamos com os animais); e o corpo espiritual ou Eu, residência última da espiritualidade de cada indivíduo (que a partir do vigésimo primeiro ano ganha autonomia para em sua plenitude ser responsável pelos seus caminhos ou pelo cumprimento da sua missão).
Somando quase quatro centenas de livros publicados, em sua imensa maioria extraídos de suas palestras (que foram em torno de seis mil), deixou títulos como “A Filosofia da Liberdade”, “A Ciência Oculta” e “O Conhecimento dos Mundos Superiores”, neste último disseminando o que para ele deveria ser acessível a todos (novas críticas: conhecimento “especial” não é para todo mundo, só para os privilegiados!).
Suas “interpretações” dos Evangelhos são no mínimo surpreendentes e “De Jesus a Cristo” traz revelações intrigantes e para muitos incômodas sobre o nome maior do cristianismo.
Todas as áreas abordadas guardam absoluta coerência entre si, nas mínimas particularidades.
Responsável pela educação de uma criança hidrocéfala, conseguiu que os estudos avançassem, tendo a criança se formado em medicina.
Fonte(s): Nandopédia. Não revisei, perdoem qualquer imprecisão ou qualquer coisa por aí.
Eu sou a filha da chiquita bacana. Entrei pro children’s liberation front!
Fevereiro 24th, 2009 at 7:53 pm
Silvio Mansani…bacana seu par de anéis , lembrei do chico buarque, e sua voz também é muito bonita…e tem ainda os pugilistas cubanos? vejam só…vou ouvir de novo sua música,,,Salém, passa ali…cadê nosso mosqueteiro? já sei…tá aproveitando…Castelão, passa ali pra ouvir o Silvio…Caetano sabe o que faz, deixa êle…Heloísa….Heloísa, onde anda vc..???…Exequiela meu amor, saudades…aí moçada! vamos ouvir o Silvio lá de santa catarina?
Fevereiro 24th, 2009 at 8:03 pm
Poxa vida, perdi o Show “Cê” sim Caetano.
Perdi muita coisa no ano passado, mas ganhei outras.Este ano começo com vontade de retomar.Meus estudos têm a ver com pintura e poesia concreta, mas não a pintura tradicional, algo tendendo para o sumi-ê. A sua obra é muito importante para mim. Enfim,não dá para falar pela internet.
Aguardo você novamente no Recife para o lançamento do próximo disco.
PS>: não cheguei pertinho de você como a Tânia que falou aqui, mas, de longe,achei lindo seus cabelos grisalhos. Você, prá mim,é um artista que respeito muito e tenho muito carinho.
um abraço.
Agora Luedy, Carnaval do Recife, realmente,como falou alguém aqui, tem que sentir de perto.É como diz o Zen, é precido sentir a experiência direta d realidade.
Os shows ( sempre bem vindo) são um espetáculo à parte. Carnaval waldorf mesmo é frevo no pé atrás de um bloco como o “Eu Acho é Pouco”, “Enquanto Isso na Sala da Justiça”,em que nós curtimos as fantasias de super heróis, “Os Ceroulas, ou os afoxés (adoro afoxé). Tem rock e até samba. Tem muita coisa. Multicultural é pouco para definir o carnaval do Recife e Olinda. O Axé fica mais reservado aos clubes, talvez também tenha em algum outro lugar que não estou sabendo.
Em Olinda foi proibido carros de trio elétricos por conta da preservação do sítio histórico. E a música eletrônica, não somente o axé, nas casas que são alugadas pelos turistas. Simplesmente,porque virava uma bagunça. Os blocos querendo passar com a sua música e o som eletrônico vindo das casas, acabando com aquele toque “waldorf” (rs) dos metais. Agora também não sei como está a lei, pois não foi somente dos shows do Caetano que eu sumi, também não brinco mais carnaval como antigamente.
Mas,se um dia você vier aqui, é mais ou menos assim: Recife é mais light, tem shows, desfiles de agremiações e alguns blocos. Como a prefeitura resolveu descentralizar o carnaval,tem também boas atrações nos baiross das periferias. Agora Olinda, se quiser brincar mesmo, é entrar num bloco daqueles e se entregar à folia.
é muito bom.
E na quarta feira de cinzas ainda tem Carnaval em Olinda. Lá pela tarde sai o bloco do Alceu Valença, o Bicho Maluco Beleza e outros.
beijos a todos , Maria
Fevereiro 24th, 2009 at 9:54 pm
voltando do outro lado do rio (la seine), do show de Bethânia (¡OTIMO!).No pude no pensar en el que nos reúne aquí, con o sin lingüistas.O nosso Caetano. Quando é que você volta na França?
Pese a todo,y a que en mi país hay quien ya no sabe escribir “liquidación” o “rebajas”y pone”sale” en las vidrieras-sí, vero, perdón por tu plafón bajo, pero eso también existe al otro lado del río-los dejo con un enlace esperanzado(espero que hermano lo permita)que los acerque al París invernal de esta noche ….y a Brasil
http://es.getalyric.com/escuchar/sIrnDNpGxfc/maria_beth_nia_o_que_o_que_
Fevereiro 24th, 2009 at 9:55 pm
Boa Noite Blogueiros de plantão!!!
Não quero polemizar nem discutir, mais carnaval só é carnaval na Bahia e no Rio.
Em outros lugares não existe Carnaval, existe sim um público animado e seleto que curte shows, mais não CARNAVAL!!!
O Hermano postou aqui um CXArnaval diferente, estranho,, em Recife se me recordo, que é o Carnaval no interior com participação de vedetes, não sei expressar o que elas são, talvez moças da vida.
Sei lá, de todo Carnaval que já vivenciei, Bahia e Rio são os melhores, o resto é o resto.
Não concordo com a nova gramática e as novas leis de palavras e acentuações, acho contra cultura promover algo desse jeito.
Estamos vivendo uma verdadeira doideca na nossa literatura, em nossa língua.
Lula conseguiu bagunçar até isso.
Caetano, iorubá é melhor que Obama?
Queria entender o que significa two naira fifty a kobo.
Também como Maria não pude ver o show do Cê, mais os anteriores eu vi, e gostei muito de Prenda Minha, Noites do Norte e A Foreign Sound.
Bom espero ver o próximo que possivelmente seja todo de transsamba.
Falando em novo, Psirico vai estourar em 2009, e para quem curte uma música brega engraçada, escutem Velhas Virgens, ou o Carnavelhas, é show de bola.
Bom por momento é isso,
Boa Noite, e espero que esta não seja apagada nem censurada…cansei de digitar e não ter os posts publicados.
Atenciosamente, do revoltado,
Luiz Carias.
Fevereiro 24th, 2009 at 10:11 pm
Poxa Carias,
como você diz que não quer polemizar e na mesma frase diz que “carnaval só é carnaval na Bahia e no Rio”?
Você fala do que não conhece. Em Recife não há público seleto que “curte shows”, há uma cidade em festa, por todos os bairros. Em Bezerros, no interior do Pernambuco, há o Papangu, que move toda a cidade numa mistura de Veneza, sertão e Zona da Mata de encher os olhos.
Que afirmação terrível essa tua…sei não.
Inté!
Fevereiro 24th, 2009 at 10:30 pm
o sonho de carnaval acabou. meu coração escorpião trepidou pelos olhos da morena gueixa de Campinas pelas ruas históricas, ornadas com velhos, lindos e coloridos casarões de São Luiz do Paraitinga. espero que o coração dela trepide por mim além, mas muito além da quarta-feira de cinzas.
taí uma coisa que não invejo nem um pouco Buenos Aires. lá não tem carnaval como aqui. perdão linda Exequiela. eu eu gosto de carnaval, é o renascimento do povo para Dionísio, para Baco.
em São Luiz do Paraitinga tem o Bloco Baco do Balacobaco. a marcha-rancho do poeta-compositor Marco Rio Branco é diz assim:
“ninguém é de ninguém
mas todo mundo
é todo mundo
no carnaval (bis)
do balacobaco
baco baco baco baco
baco baco baco baco
do balacobaco (bis)”
há cerca de oito ano eu e outros, inclusive Rio Branco, cantamos juntos pela primeira vez essa marcha de madugada, sobre o “trio elétrico caipira”, nas ruas de Saint Louis of Paraitinga, arrastando uma multidão encantada com o então novo bloco. e foi assim pelos três anos seguintes, eu e Marco e Joana e outros puxando o balacobaco. depois eu fui viajar pra lá e pra cá, Brasil-Itália-Itália-Brasil e outros projetos e não fui mais ao baco, não sem dor no coração. este ano voltei para o balacobaco. humilde como um cachorro babucho. mas fui generosamente impedido de cantar sobre o trio elétrico caipira pela minha querida Caul, fundadora do bloco, que me disse educamente que eu estive fora por muito tempo e que havia perdido meu lugar como “cantor-puxador” do bloco. oh sim. capisco sorella mia.
ocorre que mesmo estando eu fora, o Balacobaco nunca perdeu seu lugar no meu coração e eu ainda amo esse bloco como se fosse meu. e se eu não pude, por motivos de força maior, cantar balacobaco no caminhão informo que cantei na rua, com o povo, pelo povo e para o povo…e sempre cantarei, porque amo meu padrinho Marco Rio Branco. e viva o Balacobaco…o nosso renascimento para Dionísio.
pintou aqui um certo clima de indagação sobre qual seria o melhor carnaval de rua do Brasil. Salvador ou Recife? se é que há uma disputa entre as duas cidades eu acho isso tremendamente inútil. viva todas as cores do carnaval brasileiro.
Fevereiro 24th, 2009 at 10:49 pm
Nando,estou achando que exagerou na dose.Ainda dá tempo de fazer outra.Esta envolve seus companheiros daqui e não acho justo.Será que não dá pará desfaze-la?Algo como uma boa ação. Por exemplo participar mais ativamente desta obra em progresso.Deus ajuda quem quer progredir!
Beijos ternos em todos os progressistas
Réa Silvia
Fevereiro 25th, 2009 at 1:48 am
I.
Parafraseando Juca Chaves :
O carnaval de rua do Rio de Janeiro é igual virgindade de menina rica.
A gente sabe que existe,mas ninguém acredita,hehe.
Viva a banda da da,de Ipanema da da da da.
II.
Meus velhos camaradas,vociferaram nos meus ouvidos,que a direita reacionária ( e bem humorada,digo eu) do blog,só faltou chamar Karl Marx de papai noel.
Pensando bem…com aquela barba,e vestido de vermelho,dá pra confundir…hehe.
III.
SugestioNando.
Troca esses 40 dias por 40 minutos.
( Rudolf Steiner é o cara ).
Castello.
Fevereiro 25th, 2009 at 2:38 am
gil,
tô aqui no meu retiro espiritual lendo tudo! abraço carnavalesco procê.
…………..
nando,
força de vontade é para os fracos! hahaha
………….
carnaval de recife é maravilhoso. e tem que se proteger, sim. senão vai a força da grana e destrói o que tem de melhor por lá. e ninguém quer isso. pra que chamar os onipresentes cantores de axé? acho que recife está muito bem com alceu, lenine, caetano, naná, moska, spok, manu chao, mundo livre s.a. e os antigos. deixa olinda como está, luedy, que tá massa! ano que vem, tô lá. alalaô!
Fevereiro 25th, 2009 at 3:01 am
Hoje eu já não sei mais definir o que é “de esquerda” e o que é “de direita”, depois de tantas e tantas decepções.
Nada entendo do papo que está rolando aqui, apenas concordo com quem argumentou e escreveu sobre a língua brasileira.
Não gosto da distinção que Caetano faz referente ao “de esquerda”, embora aceite. Não conheço as razões dele assim proceder, mas acho que ele incorre em um “erro”.
O “principe da metropole” e “defensor perpetuo do Brasil”, foi injusto com a Bahia (e outros Estados)quando aceitou e assinou uma declaração de independência como tendo sido uma “dádiva de Portugal”. Não foi um presente de pai para filho, mas assim ficou parecendo em documento histórico.
Refiro-me ao “principe” pelo fato de ter lido alguma menção feita ao mesmo, ainda que de passagem. São pequenos erros que todos nós cometemos, mas um dia a história cobra estes “pecados”.
Amo Portugal e não deixarei de amar, mas é imperativo que se proceda uma reflexão sobre uma língua que deixe de ser o portugues do Brasil.
Quantas palavras mortas e quantas outras nascidas, numa permanente renovação, já nos distancia tanto da linguagem imperial lusitana?
Aldo Rebelo luta contra o processo de aculturação mas radicaliza demais. Aculturados estamos pelos EEUU e podemos verificar isso em quase tudo, até em nomes dados a edificios de apartamentos. Teremos sempre esta vocação de ficarmos sempre “à reboque” ?
Sempre achei horrivel o pedantismo (com ar de falsa modestia) de FHC falando em outros paises, outros idiomas que não o nosso. Talvez este seja um erro cometido por “principes” e prefiro ficar com o “estou farto” de Fernando Pessoa, com as nossas diferenças transoceanicas. Continuarei gostando de Portugal, mas penso muito nessa nossa língua brasileira, sem preconceito algum e sem o “de direita”, ou o “de esquerda”, porque a língua é minha Patria e minha Pátria (sem patriotada) é o Brasil; é essa “família amplificada” que Ruy Barbosa tão bem definiu.
Estou farto, também, de tantas reformas assistidas no decorrer de uma vida.
Fevereiro 25th, 2009 at 3:54 am
O carnaval aqui no Brasil acontece em
qualquer canto. O cara que vende
cerveja, pega a latinha vazia e começa a
batucada. Outro começa a puxar um samba ou uma marcha e geral se reúne para dançar e fazer o coro no refrão. Sem essa de que o carnaval daqui ou acolá é o melhor, são muitos carnavais. Quero um dia poder pular todos. Mas é fogo! Vou te contar!!! Quando a gente se apaixona por um bloco fica difícil desapegar - no ano seguinte quer brincar nele de novo.
Aqui no Rio tem uma característica muito forte de desfiles em carroa alegóricoa, reflexo dos antigos desfiles de rancho? Digo e pergunto sem saber muito a respeito. Temos também os bailes, muitos bailes pelas ruas e clubes.
Na madrugada de anteontem para ontem assisti
a Virginia Lane cantando na Cinelândia. O
que foi aquilo? É prétudo; prétropicália,
présambacarioca, préfunk.
Marcha da Pipoca
(Letra de Luiz Bandeira e Arsênio de
Carvalho )
Empurra, empurra
Empurra a carrocinha
BIS
Avança minha gente
Que a pipoca está quentinha
Enquanto eu grito “pi”
Vocês respondem “poca”
Pipoca, pipoca no saquinho
Eu vou pra toda parte
Levando a carrocinha
Quem vai querer
Tem dôce e salgadinha.
Ela cantou também uma outra marcha muito engraçada, “MAS BOM MESMO É MULHER”(OLDEMAR
MAGALHÃES/JAIR ALVES), fiz várias buscas na internet, não consegui achar a letra. Era alguma coisa assim: comida é bom/bebida também/mas o bom mesmo é mulher… se vc não gosta é porque é mulher”. Teve uma outra que ri muito, “Toco cru pegando fogo”. E a da banana me fez gargalhar, explicava os beneficios dessa fruta.
Não havia ninguém da imprensa para registrar… Uma pena! A vedete vestida de vedete. Ela apareceu no palco com as pernas de fora, trajando um maiô cheio de brilhantes, plumas nas cores do brasil e um lindo esplendor na cabeça. Inesquecível! Brincou com coisas maravilhosas sobre sexo, “hoje eu não posso abrir e fechar tanto as pernas”. Há 4 semanas fez uma cirurgia, colocou quatro ou cinco parafusos. Pernas maravilhosas!!! Cantou, cantou e durante a cantoria fazia algum comentário sobre a canção. Lamentou o fato de não poder sambar como antigamente e contrariando o médico deu uma sambadinha. O público fez o coro: “gostosa! gostosa!”. Ela mandou: “Eu era”.
Tudo isso me encheu de ideias.
Antes de ir para a Cinelândia pulei no Rancho Flor do Sereno. Meu terceiro ano. Ali na Almirante Gonçalves, em Copacabana, acontece um carnaval gostoso de cantar e dançar; de arrepiar o braço esquerdo. Uma orquestra perfeita.
Soube que gravaram um cd:
http://www.joaninha.pro.br/projetos/rancho-flor-do-sereno/
Para mim é o melhor do carnaval do Rio.
Cheguei agora (02:46) do Cacique de Ramos, pela primeira vez vi o Carnaval da Av. Rio Branco. Loucura total!!! Que força! Aquelas fantasias, uma mistura de indio brasileiro com americano. As canções que parecem mantras. Muitos dizem que a força do carnaval do Rio está ali; e foi o que senti.
Hoje às 11 da manhã irei ao bloco “Me Beija Que Sou Cineasta”.
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Fazendo buscas na internet encontrei uma marcha que tem tudo a ver com o tópico:
VÍRGULA
(Alberto Ribeiro-Erastótenes Frazão)
Teu amor é fatal - vírgula
Qual mulher sensacional - ponto e vírgula
Queres dar teu coração - interrogação
Que pecado original - exclamação
Teu amor é fatal - vírgula
Qual mulher sensacional - ponto e vírgula
Queres dar teu coração mas comigo não
Ponto final
Teu amor entre aspas
Já consegui descrever
Reticências reticências
Agora adivinhe o que eu quero dizer
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Achei também uma rádio virtual com canções de carnaval:
http://www.collectors.com.br/radio/repertorio_carnaval.htm
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Interesssante:
Arnaldo Jabor
Saudades dos velhos carnavais
(23/02/2009 - Gazeta Digital)
http://www.gazetadigital.com.br/articulistas.php?key=Arnaldo+Jabor&codcaderno=17&GED=6315&GEDDATA=2009-02-24
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Para a quarta-feira de cinzas:
RASGUEI A MINHA FANTASIA
(Lamartine Babo)
rasguei a minha fantasia
e o meu palhaço cheio de laço e balão
rasguei a minha fantasia
guardei os guisos no meu coração
fiz palhaçada o ano inteiro sem parar
dei gargalhada tristeza no olhar
a vida é assim
a vida é assim
o pranto é livre
e eu vou desabafar
Fevereiro 25th, 2009 at 4:11 am
Ufa! Andei sumida e nesse finzinho de carnaval entrei aqui despretensiosamente para dar uma olhada e levei um choque. Que post! Estou sem fôlego, mas adorei. Depois eu volto para reler tudo - os comentários também.
Caetano, como é que você consegue? Me dá a receita, pois estou convencida de que o meu tempo é macho…
Um beijo.
Fevereiro 25th, 2009 at 4:34 am
caetano,
esqueci de comentar: troquei “a troca” por “o curioso caso de benjamin button” com brad pitt e cate blanchett. excelente!!!!!!! meu tipo de filme. já viu? gostaria de saber o que achou…
david fincher mandou muito bem. perfeito. “a troca” verei depois [eu também quero ser john malkovich, hahaha]
ah, ví seu comentário sobre “o leitor” nos comments do outro post. david kross ainda fará muita coisa boa por aí, acho eu. inté!
Fevereiro 25th, 2009 at 6:47 am
Paulo Farias,seu comentário(133) me lembrou um texto(www.olavodecarvalho.org/apostilas/quem.htm ) de Olavo de Carvalho, que li recentemente por causa desse instigante post de Caetano.Escrito há dez anos,ele ataca Bagno e seu grupo por um flanco surpreendente.E toca em questões que você aborda sem atentar para as implicações.Olavo não pode ser descartado sob o argumento de ser um ultraconservador.O seu radicalismo é quase necessário tendo em vista a hegemonia da esquerda na imprensa,nas universidades
nas escolas e no ambiente cultural.
Caetano,não acreditei quando você dedicou atenção ao meu comentário.Veja que maravilha a tecnologia da informação me proporcionou!Um contato com meu ídolo maior.Isso é real?Continuo me perguntando!
Um abraço.
Othon
Fevereiro 25th, 2009 at 11:03 am
Do folião Carias:
“Em outros lugares não existe Carnaval, existe sim um público animado e seleto que curte shows, mais não CARNAVAL!!!”
Vá a São Luiz do Paraitinga ver o público seleto e animado curtindo o show que eles chamam de Carnaval e avise a moçada que aquilo não é carnaval.
Ora, fazfavoire…
in test
salem (Gongado 2 vezes pela moderação por ter feito humor durante o carnaval. Inspirado no meu mestre-sala Glauber, escrevi a continuação do meu enredo A Saga da Família Marx. Foi a forma que encontrei de pular meu carnaval por aqui. Mas pelo visto só enredos tipo “O Paraíso Fiscal Suiço” e a “A Luta de Bagno contra o Império da Gramática” é que entram na avenida virtual)
Fevereiro 25th, 2009 at 11:10 am
mais sobre o transcarnaval 2009 e o futuro do transamba: a escola Tradição Guamaense, de Belém do Pará, desfilou este ano com o enredo “Tecno-samba: a união das galeras”, uma homenagem às aparelhagens do tecno-brega paraenses - encontrei esta descrição na Agência Pará de Notícias:
O samba-enredo “Tecno-Samba - a união das galeras”, referência a um dos maiores fenômenos atuais do Brasil, o tecnobrega, agitou a plateia, que foi contagiada pelo ritmo e se levantou nas arquibancadas para dançar e fazer o “T”, de Tradição Guamaense. Para Fábio Moreno, intérprete da escola de samba, a mistura entre o samba e o tecnobrega deu certo. “A prova maior de que essa mistura dá certo está aqui; afinal, é a união do samba, que é um genero tradicionalmente brasileiro, com um ritmo tipicamente paraense”, explicou.
Pena que não encontrei ainda nenhum vídeo ou MP3 para ver o desfile ou ouvir a música - mas consegui a letra:
Pegador leve a schin e ta na mão
Pai d’égua é maniçoba, peixe assado com limão
No Mangueirão vejo o RE X PA, com meu paizão
Tá ligado, fala sério, que é Tradição
Mudou com led, skywalker e robocop (E o Carlos aí)
Vetron, Ciborg, Brasilândia e Super Pop (Olhaí o Ademar)
Minha galera é tipo assim, maior astral e tá legal
Toda APASEPA, com seu balde, é carnaval
O povo canta com emoção
Faz o T, faz o T, faz o T, que é Tradição
O Guamá faz um S pra mim
Príncipe Negro hoje brilha como a pedra do Rubi
Aparelhagem é Tradição no meu Pará
Passarimbó, Tecno-Samba, cultura popular
O guamaense vem pra ter fazer dançar
O sofrimento do meu povo deixa pra lá
Incrível, dá uma tese (patrocinadores, tecnologia etc.: tudo entendido como tradição e cultura popular) - tem alguém por aqui do Pará para nos informar mais sobre o desfile?
e já que estamos falando de tradições: ontem, atravessando o carnaval de Ipanema, dei de cara com um bloco que tinha um batuque diferente: era o desfile dos Mariocas, que toca no Rio o ritmos dos blocos tradicionais do carnaval maranhense - esta é uma das variações do samba que mais gosto: um groove pesadão, mais lento, totalmente sedutor - deveria ser mais conhecido Brasil afora
e o joao xavi faz comentário transcarnavalesco no Overmundo:
http://www.overmundo.com.br/overblog/o-avesso-do-avesso-carnaval-baile-funk-e-metal
transcrevo aqui também:
estive ontem na av. rio branco, em uma rápida olhada nos blocos que desfilam por lá foi fácil constatar que, se ainda não derrubaram de vez, ao menos abriram uns bons buracos na barreira entre o funk e o samba/carnaval.
a “dança do verão”, como já havia previsto há alguns meses, é o passinho do jacaré. o passinho foi executado antes, durante e depois de cada bloco que desfilava pelo centrão, com direito a diversos pequenos dance contest que atraiam pequenas multidões de olho na habilidade dos dançarinos. o passinho do jacaré, uma releitura carioca-suburbana do frevo?, ainda carrega o mérito de ter trazido de volta o direito dos funkeiros (homens héteros) rebolarem sem pudor.
o hit do carnaval é o buffalo bill, com sampler de sons do MSN messenger e referência ao tal rinoceronte comentado aqui pelo hermano.
ah, pra fechar a série, pelo menos por enquanto, a rainha da bateria da porto da pedra é valesca, vocalista da gaiola das popozudas.
vale a pena ver o vídeo do buffalo bill linkado acima - tem mais 1 milhão e 700 mil views no YouTube - e o debate nas centenas de comentários (lá no YouTube também) tem a ver com coisas que foram ditas aqui no Obra em Progresso sobre o pagode baiano…
Fevereiro 25th, 2009 at 12:20 pm
Hermano o Bloco Tradicional dos Mariocas é tudo de bom!!!
Aqueles tambores enormes.
É o segundo ano que eles desfilam. São dois irmãos que movimentam o grupo, Rômulo e Ramon (são gêmeos). Ensaiam no Recordatório, um espaço que precisa ser reconhecido.
Tem de tudo nas ruas do Rio: bailes, desfiles de blocos com carros de som, fanfarras, carros tocando funks, ranchos e por aí vai.
Fevereiro 25th, 2009 at 12:47 pm
Caetano, estou adorando Verdade Tropical, me deliciando. Delícia não é só pintar com o pincel de bambu, é também ler parágrafos como: ” Do fundo escuro do coração solar do hemisfério sul, de dentro da mistura de raças que não assegura nem degradação nem utopia genética, das entranhas imundas (e, no entanto, saneadoras) da internacionalizante indústria do entretenimento, da ilha Brasil pairando eternamente a meio milímetro do chão real da América, do centro do nevoeiro da língua portuguesa…”
O fato de estar ainda no começo do livro justifica-se pela minha maneira como estou lendo. Comendo letra por letra, mas não como uma sopa de letrinhas da infância, muito pelo contrário. É como se deparar com um oráculo, no sentido de quem o encara com avidez por informação e muito menos pela sua forma complicada e difícil de entender. Está tudo tão claro!. Gosto da sua maneira de se colocar. Não é difícil nem fácil. É boa, principalmente aqueles paradoxos que você coloca bem à maneira zen como:
” eu tinha intuições filosóficas complicadas. Senti com muita força a evidência solipsista da impossibilidade de provar para mim mesmo a existência do mundo…..”.
Isto para mim soou como um paradoxo, porque quando estudei esta palavra, incorporei-a como a afirmação de um eu, um ego forte e com tendências poderosas, - o Budismo diz que isso é ilusório,- tudo bem, mas, filosoficamente entendi assim, pelo menos isso foi o que ficou mais ou menos dito quando estudei um pouquinho de Hurssel. Aí você coloca: a “evidência solipsista da possibilidade”, prá mim foi genialmente paradoxal, e genialmente modesto. Estou adorando.
Estava lembrando agora que o o show Circuladô não foi o último que assisti. Lembro de outro por volta de 1998, quando ainda trabalhava na redação de um jornal.
Glauber, seja bem vindo ao Carnaval de Recife e Olinda. Os cocos-de-roda são coisas interessantes que têm acontecido ultimamente por aqui..
Carias, você está mesmo por fora do Carnaval de Recife e Olinda. Agora eu adoraria sair atrás do Ilê Ayê na Bahia. Um dia ainda faço isso. Quando estive em a Salvador ( adoro a Bahia, a minha mãe é baiana) no início do ano e no final das minhas férias, fiquei na divisa da Ondina com o Jardim Apipema, perto do Othon. Lá já estavam, me parece, armando as arquibancadas. E eu ficava imaginando como seria aquilo repleto de pessoas.
Nando, eu tenho um casal de amigos que os filhos deles são educados na filosofia Waldorf. Eles têm um sítio na zona rural de Olinda onde produzem agricultura orgânica e abrigam uma escola Waldof. O Fran e a Ceci são crianças adoráveis. Quando tem evento na propriedade, o ano passado teve o de Ecologia profunda, eles interagem com os eventos sem atrapalhar e terminam ficando amigos do participantes.
Eu cheguei a ler alguma coisa do Rudolf Steiner, cheguei a ler também sobre antroposofia, tenho uma amiga que é médica e começou a tratar com medicina antroposófica, mas ainda é uma coisa distante de mim. É isso, chega de tanta conversa né?
beijos a todos
Maria
Fevereiro 25th, 2009 at 12:56 pm
Aviso aos navegantes.
A gongada pode vir “a posteriori”
Fevereiro 25th, 2009 at 1:22 pm
castello e gil,
parece-me que salgueiro leva hoje, não?
outra coisa: pelas minhas contas aqui, um puxador de samba-enredo canta o samba aproximadamente de 40 a 50 vezes durante o desfile. existe algum dado a respeito? que cês acham?
Fevereiro 25th, 2009 at 2:59 pm
Teteco Telecoteco
Quando eu era moleque ia sempre à São Luiz do Paraitinga pra Festa do Divinos. Ficava no sítio do meu amigo Cao Hamburger. A gente ouvia falar que São Luiz era uma das poucas cidades do Brasil com população decrescente. Um mistério.
Fui ao site do IBGE agora e vi que segundo o censo de 2000, São Luiz do Paraitinga tem uma população de 10.250 habitantes com uma previsão de 10.872 para 2009. Não é impressionante?
A cidade tem muitas festas além do maravilhoso Carnava e a Semana Santal:
Festa de São Sebastião
Festa de São Luiz de Toloza
Festival de Marchinhas Carnavalesca
Festa de Santa Cecília
Festa de São Benedito
Festa de Nossa Senhora das Mercês
Festa do Divino Espírito Santo
Toda população se envolve. Fora isso, a cidade está em um lugar estrategicamente bonito. No alto da Serra do Mar há menos de 20 quilômetros das praias de Ubatuba. Friozinho no inverno e calorão no verão.
É bom saber que uma cidade tão procurada pela moçada nos períodos de festa se mantenha do mesmo tamanho. Um fenômeno demográfico nos dias de hoje.
A melhor mesa de sinuca que já joguei foi lá, num botequim. Não sei ainda está, plana, verdinha e cuidada. Acho que sim. Onde o espaço físico se preserva, a alma se transforma.
Acho que Carias fala do Carnaval da TV. Em São Luiz não há câmeras, nem camarote. A pinga é excelente, a pipoca tem cubos de provolone, as meninas usam saias brejeiras coloridas, as marchinhas são lindas e a festa não acaba com uma apuração.
Mesmo assim o melhor carnaval ainda é o de dentro da gente.
beijo na testa
salem
Fevereiro 25th, 2009 at 3:17 pm
Adorei o novo post, principalmente o título. Carnaval e língua são indissociáveis rsrsrs! Achei muito bom Caetano ter enumerado as suas questões no último parágrafo. Se é para pensar, que se pense dos dois lados. Ah, Tânia e Paquito foram meus colegas e amigos dos tempos de escola. Luedy, mande um beijo para eles por favor.
Só fui brincar o carnaval (essa é uma expressão bem antiga e da qual gosto muito)dois dias. Sempre me impressiono com a quantidade de gente que trabalha durante o carnaval de Salvador. Existem inúmeras funções necessárias apenas durante os dias de folia. Tem os famosos cordeiros, gente organizando quem sobe ou desce dos trios, gente que levanta o fio de alta tensão para o cantor passar em segurança, vendedores de bebida, comida, catadores de lata, tem quem cuide do som, da roupa do artista, empresas só para organizar os camarotes, captadores de parocínio para blocos, as empresas que vêm filmar tudo…e mais um monte de atividades inusitadas.
Não sei bem quanto de recurso é gerado com o carnaval, mas imagino que seja muito bom para a economia da cidade.
Não gosto nem vejo razão em ficar comparando carnavais, é muito chato.
Bjs
Fevereiro 25th, 2009 at 3:17 pm
pois então, seu caetano, o livro do bagno é bacana, não é?!? que bom que você mudou de opinião e que bom que fez esse texto pois, através dele, pode eu também rever algumas de minhas opiniões.
Fevereiro 25th, 2009 at 4:15 pm
Oi caetano.
Ontem postei o seguinte no meu blog e estou enviando para você. bjs.Ps: Moro em Jerusalém.
“Eu, você, depois quarta-feira de cinzas no país”
Não. Não saí direto da leitura do “Noites Tropicais” do Nelsinho diretamente para a leitura do “Verdade Tropical” do Caetano, que estou fazendo agora. Fiz uma estranha ponte mas fui mesmo é de trapézio: tresli Memórias Póstumas de Brás Cubas. Uma volúpia do aborrecimento, talvez.
Vamos dizer, então, com outros termos:
Saí do DancingDays, me diverti, encontrei amigos, refresquei a memória das lembranças (Nelsinho vai da Bossa Nova à Era Collor num estilo gostoso, onde cada detalhe se torna episódico amarrando a narrativa como uma onda no mar. Parabéns, “Seu Nérson”, como dizia a Angela Rorô quando era alegre e jovem). Dormi, descansei, acordei, tomei um banho caprichado, coloquei minha melhor roupa, passei perfume (Memórias Póstumas de Brás Cubas) e agora estou tendo aula de pós graduação (Caetano Veloso).
O exilio migrou. Pós anistia começamos a exilar nos departamentos das Universidades mais distantes, remotas do mapa, ou trancafiados em casa, remotos e distantes, deixando nossa voz em teses, artigos, quando muito. Fomos afundando no sofá junto com a esperança de um país melhor, desenvolvido, com nossos amigos, discos e livros na sala de jantar. Enquanto- o Nelsinho expressa bem isso- a música sertaneja corria solta, se tornando a cara do país. Gente apareceu, verdade seja dita, para dizer, ei, não somos alienados: Renato Russo, Arnaldo Antunes, Cassia Eller, Cazuza, Nando reis. Mesmo assim o trópico continuou meio triste.
Desde que cheguei aqui só penso no Brasil. Mesmo no Brasil eu só pensava no Brasil. Aqui, definitivamente, aprendi que é possível construir um país. Me sinto com 500 anos nessa terra de meu D’us. O Brasil ficou mais velho aqui. Os judeus inventaram D’us, a gente inventou o Brasil e D’us está solto dentro de mim que consigo, de uma feita só, citar Caetano, Torquato, Rita Lee e Frenéticas.
Uma das características do mito (grego, não midiático) é que queira você ou não, ele existe. O mito não depende de você para existir. O mito, diz Pessoa, é o nada que é tudo. E me diz respeito também: nenhum acústico do mundo poderia surgir se não houvesse um homem chamado João Gilberto, muito menos o meu. A realidade é que aprendemos com João para sempre a ser desafinados; bem baixinho; com a pena da galhofa e a tinta da melâncolia; Chega de Saudade.
Fevereiro 25th, 2009 at 4:35 pm
O caso dos pugilistas cubanos deve mesmo consternar muito a porção direita que é estratofericamente superior a esquerda aqui no Brasil.Nos esportes do mundo o futebol e a luta são os que dão muita grana para mundo e para o sub-mundo.O estímulo e o apelo instintivo que decorre do assistir as atuações num combate é tão poderoso e faz por ex.que o futebol no Brasil seja uma instituição privado-ditatorial recheada de elementos mafiosos bem aceita pela esquerda ou pela direita.Uma frase bem verdadeira que escutei recentemente foi do Carlos Langoni:-”O brasileiro é um capitalista nato”.Cuba também quer muito seus pugilistas.Dois homens se violentando barbaramente,até mesmo com “regras”,é valiosíssimo.Dois homens se amando…Toda vez que Caetano se antipatiza com a esquerda creio que é porque ela lhe é mais estimulante.Caetano é ateu como Marx.Tem essa afinidade elementar.Antes que falem sobre a “ditabranda” é bom lembrar que pimenta nos ôiu dus otro é refresco e que cê é bonzin té que pisem no teu calo.
Fevereiro 25th, 2009 at 5:33 pm
rafael,
a frase de virginia lane foi sensacional! o link da rádio virtual de carnaval também! aliás, seu comentário inteiro foi ultra! tô curioso sobre esse samba dos mariocas…
…………
pessoal,
sinto que a necessidade de reparação histórica [que é importante TAMBÉM] passa por debaixo da mesa de todas as discussões neste país. nada mais natural e neste blog/happening não sería diferente. seja linguística, seja música popular, seja o sexo dos anjos, o conforto de aplacar nossa culpa coletiva que nos proporciona a simples inversão de posições, é gritante. e simplista.
pega o senhor de engenho, bota na senzala. pega o escravo fujão, bota na casa grande. resolvido!
resolvido nada…o buraco é sempre mais embaixo. no carnaval, essa inversão funciona porque é fantasia, é simbologia, enfim. no resto do ano, esse fator nos cega. no mínimo, nos deixa míopes. canso de ouvir “o artista fulano é genial, ele ajuda sua comunidade”. ora, ao se discutir estética, isso tem que ficar de fora, senão não dá. a conversa já começa contaminada [dead from the start]. além disso, repito: pode-se salvar uma comunidade ou outra, mas será que não são sentidos efeitos colaterais em toda a população?
não sou contra nenhuma manifestação cultural, o que me incomoda é que se toque sempre a mesma tecla [same old song and dance].
se alguém se incomodar com uma ou outra expressão em inglês aqui, por favor, ignore e perdoe-me o vício.
e chega desse patrulhamento, hein…tô falando grego? agradaria mais se fosse tupi-guarani? hahaha
………………..
gil e paulo,
um exemplo: as instituições e autoridades suíças aceitaram dinheiro nazista quando da segunda grande guerra, sabendo de onde vinha o dinheiro. ou não sabiam?
há toda uma discussão sobre o assunto.
porém, o povo suíço e a suíça como um todo têm nada a ver com isso. há que se fazer essa distinção. digo isto, por perceber algum ruído na comunicação dos dois.
…………..
vô ali buscar dalila ligêro ["ligêro" é típico de salvador, hahaha]
Fevereiro 25th, 2009 at 5:48 pm
Concordo com Salém e Rafael, o Carnaval explode em todos os cantos deste país, com seus trejeitos próprios e suas variadas formas de expressão. Por isso, discordo plenamente do Carias.
Salém diz lindamente ao Carias: “Vá a São Luiz do Paraitinga ver o público seleto e animado curtindo o show que eles acham que é carnaval e avise a moçada que aquilo não é carnaval”.
Quem pode melhor defender a mistura de tudo e de todos no originalíssimo carnaval de São Luiz do Paraitinga é a cantora e produtora paulistana Suzana Salles, ela está inserida totalmente no assunto. Mas eu também sei dar aqui minha pitadas.
Mais de 500 mil pessoas, segundo a imprensa ( a grande imprensa..Globo, Folha etc) passaram por S. L. Paraitinga nesse carnaval. E olha que a cidade é um recanto histórico bucólico e caipira encravado na serra do Mar entre o Vale do Paraíba e Ubatuba, litoral norte de Sampa, com apenas 9 mil habitantes. Lá nasceram Oswaldo Cruz e o compositor Elpídio dos Santos…”fiz uma casinha branbca lá no pé da serra pra nós dois morá..”.
E não há nada de “público seleto curtindo um não-carnaval”. Tem ‘gentes’ e mais ‘gentes’.
Tem funcionário público, desempregado, estudante, rico, pobre, promotor de justiça, jogador de futebol, mendigo, religioso, artista, criança, idoso, vagabundo, gente boa, gente má, peão de fábrica, pedreiro, engenheiro, médico, comerciante, poeta, apaixonado, desapaixonado…toda a miscelânea de tipos humanos que o universo vem criando desde sempre, como diria Ferreira Gullar.
Nada seleto não meu nêgo…é todo mundo balançando o chão da praça ao som das marchinhas dos compositores locais, com os grupos Paranga, Quar de Mata, Kabereca, Estrambelhados e a banda Confrete puxando blocos como o Juca Teles, Maricota, Bloco do Barbosa, Bicho de pé de Catuçaba, Bico do Corvo, Balacobaco, entre outros.
Nascidos para Dionísio em quatro dias..é isso aí.
Fevereiro 25th, 2009 at 6:47 pm
Glauber,
o Notícias do Rio (Tv Brasil - antiga TVE) acompanhou o antes e o depois da entrada de uma escola do grupo B. Começa com o aquecimento da bateria, depois uma música para animar o público (usaram o hino nacional em ritmo de samba).. Aí o intérprete faz aquela chamada e puxa o samba-enredo que foi repetido 32 vezes.
Eu adoro essa música da Dalila!!!
Gostaria de saber qual a ligação do carnaval ou da cultura baiana com o Egito. Não é a primeira vez que escuto uma música daí cantando o nome de lá.
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A quata-feira de cinzas por aqui será bem característica. Daqui a pouco vai rolar no Maracanã o clássico Botafogo e Fluminense.
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Saramago em seu blog:
“Escrevi estas reflexões (…) pensando também na esquerda do meu país, na esquerda em geral. Que, apesar do que está passando no mundo, continua sem levantar a cabeça. Como se não tivesse razão.”
http://caderno.josesaramago.org/2009/02/24/esquerda/
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Para animar o bloco. Achei um gerador de samba-enredo:
http://carnaval2006.terra.com.br/interna/0,,OI836826-EI6235,00.html
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bjs.
* Aqui no Rio o carnaval só vai “acabar” no domingo. Fui.
Fevereiro 25th, 2009 at 6:50 pm
Luiz (Seu nome é com Z mesmo? gosto de escrever com Z, não sei porquê…Brazil…Bezugo, Boznia…é pancada mesmo…) transcrevo para você o que Caetano escreveu sobre essa música:
“Naira é o nome da moeda nigeriana. Kobo é a fracção.Two naira fifty kobo é o preço que o motorista do ônibus que servia à delegação brasileira no FESTAC (Festival Mundial de Arte e Cultura Negra, que decorreu em 1977 em Lagos, Nigéria)atribuía a tudo que se lhe encomendava e terminou virando seu apelido.Ele punha ju-ju music para tocar no toca-fitas do ônibus, que ficava estacionado em frente ao prédio tipo “Fundação da Casa Popular” que nos abrigava ( e que inspirou o termo “refavela” a G.Gil), e dançava horas seguidas, sobre o asfalto da rua deserta. Ele era feio e magro, usava sempre aquelas roupas estampadas e dançava com os olhos fechados.Parecia um pierrô bêbado dos Carnavais baianos dos anos 60. Sua dança,no entanto,tinha essa graciosidade africana e transmitia doçura e melancolia.”
Glauber, o meu ponto de vista é igual ao seu…
Abraxas
Fevereiro 25th, 2009 at 7:18 pm
Oi, Caetano e pessoal.
Relendo o post e comentários, vejo que retomamos questões já visitadas por mim e o Luedy. Não vejo como o letramento de massa vá reverter as tais tendências, adequando-as ao padrão. Existe gente muito letrada e que cuja fala usa retroflexo, etc. Heloísa já esclareceu isso. O livro de Bagno deveria ter respondido essas perguntas: se não as respondeu, é que a explicação científica dada é mito que Caetano não aceita. Não vejo como dar maiores explicações, portanto, pois são tratadas sempre como construtos mentais, falsas representações sem fundamento no real, idéias doutrinárias de grupos — nunca ciência. Os a priori de Caetano são incompatíveis com a linguística. Melhor transar a onda da gramática.
Fevereiro 25th, 2009 at 7:28 pm
O melhor carnaval do Brasil é o carnaval carioca, o carnaval dos blocos de rua do Rio de Janeiro. No centro da cidade, foi espetacular o “Cordão do bola preta” e o “Carioca da gema”. Em botafogo, o
“Maracangalha”, em Ipanema ” Banda de ipanema” e “simpatia é quase amor”, em Copacabana o “Rancho, flor do sereno”, no subúrbio,em abolição, o “tramela” com os incríveis “bate-bolas”.
Mas já é quarta-feira de cinzas, acabou nosso carnaval. Recomendo aos blogueiros, Nando, Salem, Joaldo, ao Hermano,e a Caetano, e quem mais quiser e puder ir, o show de música popular de um cancionista contemporâneo que muito me tem surpreendido, o nome dele é Negroléo, e ele fará a apresentação na sexta-feira agora, no templo glauber, em botafogo, na rua sorocaba, 190. A banda é formada por um baterista de jazz e um guitarrista com formação em música erudita, além de negroléo no violão.
Aliás, e o Cd do Caetano, hein, quando saí?
Fevereiro 25th, 2009 at 7:49 pm
noutra vez impliquei com o “obra em progresso”, só agora atinei, estar em obra, em grego, é enérgeia, de ergo, trabalho, bonito isso! Caetano é tomista?
Fevereiro 25th, 2009 at 8:01 pm
Hermano, fiquei morrendo de curiosidade para conhecer o tecno-brega do Pará, logo quando as minhas irmãs chegaram do Fórum Mundial,falando do ritmo. Deve ser massa. Pena mesmo não ter encontrado nada para a gente ouvir.
Adorei ver o Carnaval de São Luiz do Maranhão na TV, o de Paraitinga eu não vi, Teteco.
Passa direito o site das tuas músicas, aquele que você enviou pelo orkut não abre.
beijos.
Maria
Fevereiro 25th, 2009 at 8:03 pm
Faz mesmo frio em Londres, parece que vc est’a dentro de um refrigerador, na tv v’arios programas sobre culin’aria, acho que a `inglaterra em breve, se j’a nao ‘e, vai fazer a melhor cozinha urbana do mundo…falaram tanto da m’a qualidade da cozinha inglesa que eles foram a luta e ‘e restaurantes e chefs pra todo lado fazendo uma comidinha…hummm….essa gente ‘e assim, nao fica de conversa nao, vao a luta mesmo e mudam as coisas…
salve mosqueteiro! ‘e evidente que nosso os’orio tamb’em tem razao na questao dos bancos sui’cos, a natureza hist’orica dessa peculiaridade helv’etica tem a ver com nazistas e judeus no per’iodo das guerras mundiais, mas isso avan’cou e hoje em dia j’a ‘e bem diferente. O sistema vai arrumando essa coisa e os americanos estao em cima, como donos do dinheiro do mundo nao vao abrir mao pra ningu’em do direito de …serem donos, portanto cada vez mais veremos essa ” peculiaridade” se reduzir, aos poucos. Mas o su’i'co ‘e muito mais que isso, como j’a vimos e portanto, nada de muita euforia que isso nao faz mesmo bem, sobretudo nesses dias de contencioso envolvendo a nossa brasileira numa questao complicada em terras sui’cas…vamos querer bem aos suicos porque eles merecem tamb’em e os podres deles nao sao piores dos de ningu’em, ‘e bom que se diga. Achei nosso Os’orio exagerado no coment’ario sobre a Sui’ca e sai atr’as…mas ele tem muita razao tamb’em…ficamos assim. Pra colocar mais molho poderia dizer que os americanos estao questionando at’e o volume de exporta’coes dos caras, pode haver muito super faturamento e muita transferencia de dinheiro via exporta’coes…empresas pequenas…enfim…a sujeira debaixo dos tapetes ‘e sempre …mas nao vou mudar meus argumentos com Os’orio, ‘e imposs’ivel e errado dizer que a fortuna deles ‘e TODA vinda dos ” maus” neg’ocios, talvez uma parte, ..mas que ‘e um jardim, ah isso ‘e…e eu quero passar o Carnaval por l’a com meu amigo Sal’em e preparando a recep’cao do Osorio que vai pra l’a antes de morrer, ah isso ‘e que vai que ele nao ‘e bobo nem nada…viva a sui’ca! e que deus nao nos desampare! Obama anteve que os americanos sairao mais fortes depois da crise…mas afinal crise ‘e pra que? Pros mais fortes sairem mais fortes, ‘e l’ogico.
O julgamento do s’eculo continua, deve acabar semana que vem, The Pirate Bay est’a nos tribunais…quem ainda acredita que baixar m’usica ou filme pelo computador ‘e coisa legal? S’o no Brasil, ainda. Porque temos que ser tolerantes? o novo mundo ‘e o m’aximo, a AppleTV ‘e simplesmente o m’aximo…quando a teremos em portugu^es? E que hist’oria ‘e essa de lingua brasileira? Ao inv’es de avan’carmos vamos apagar as pegadas? …francamente…intoler’avel…lament’avel…
Fevereiro 25th, 2009 at 8:31 pm
Boa Noite blogueirs de plantão…
Agradeço a explicação de Paulo Osório sobre a canção Two Naira Fiffty a Kobo, show.
Maria, Salém, e aos que discordam do que digo sobre o carnaval, respeito a opinião e visão de vocês. Mais CArnaval igual ao Ria e a Bahia não há.
Gosto das festividades televisivas e amo um trio elétrico.
Acho linda as manifestações de um povo, ao parar a cidade, ao se envolver com o evento, mais felizmente esses eventos são benéficos a todos.
Em referência a discussão sobre a Suiça, ou países Europeus desenvlvidos, creio que um áís semi desenvolvido não há de criticar os países “superiores” e melhor governado que eles.
Temos que ver, trabalhar e aprender para nos tornarmos uma potência de mundo.
Por momento é isso,
Abraços a todos,
Luiz Carias.
Fevereiro 25th, 2009 at 9:07 pm
Salém,
Que legal que você conhece São Luiz do Paraitinga. Meus avós e meu pai são de lá.
O Cao Hamburguer ainda tem sítio lá?
É um mistério mesmo o que ocorre com São Luiz..o senso populacional já foi mesmo decrescente, hoje é estagnado. Na época em que meu pai era menino a cidade tinha cerca de 20 mil habitantes e agora tem mais ou menos 10 mil. Foi o declínio do café no Vale do Paraiba e o crescimento vertiginoso da indústria em cidades vizinhas, como Taubaté e São José dos Campos, que, juntas, atingem um aglomerado urbano com cerca de 1 milhão de habitantes. Enquanto isso São Luiz ficou lá, esplendida e bela no meio do mato, bucólica e histórica, a margem da invasão industrial que o Vale sofreu nos últimos cem anos. Monteiro Lobato se refere à ela em “Cidades Mortas”. Mas ele não viveu o bastante pra ver o carnaval original que de lá brotaria para o Brasil, demonstrando que de morta a cidade não tem nada. Além das festas que você, Salém, citou, tem também a “cavalhada, folias de reis, festa do saci”, entre lendas do “boitatá”, “curupira”, “mula sem cabeça”, “lobisomem”.
São Luiz já foi considerada pelo governo paulista como a “mais caipira” das cidades do estado.
É uma cidade muito musical. Enfim, muito artística. Zé do Caixão rodou um filme lá em 72. Mazzaropi sempre a usava como cenário, além de incluir músicas do compositor local, Elpídio dos Santos, em seus filmes. cenas do filme “A Marvada Carne”, com Fernanda Torres, também foram gravadas em São Luiz.
O trabalho musical de Renato Teixeira (Taubateano) tem muita influência da música luizense.
No início da década de 70 os Novos Baianos viviam por lá. E foi com uma luizense que o Paulinho Boca de Cantor se casou na época.
O Paranga se apresentou bastante no circuíto do Lira Paulistana.
Mas foi em 1998, creio, que o Sesc SP juntou as marchinhas carnavalescas de São Luiz para um show com um grupo seleto, entre eles, Tom Zé, Arrigo, Vanderléia. Daí a coisa explodiu por aqui.
Além do interesse da imprensa nacional, o carnaval luizense já foi citado até no New York Times. Confira com a Suzana Salles.
Tem mais músico e compositor em São Luiz do Paraitinga que qualquer outro tipo de ser-humano. E eu me orgulho de ser um pouco de lá também. bjs!!!
Fevereiro 25th, 2009 at 9:09 pm
já estive numa festa de São Benedito em São Luís do Paraitinga - é bem bonita - as folias de Reis e do Divino que há na região também são bacanas - o jongo que meio que desapareceu, ou não?
Fevereiro 25th, 2009 at 9:48 pm
Teteco, escrevo enquanto ouço a linda “Deusa Mucama” dos Cantautores. Será que o Caetano já ouviu vocês? Espero que sim.
Só agora me lembrei de São Luiz do Paraitinga, cidadezinha charmosa e festeira no caminho de Ubatuba. Fiquei encantada com o carnaval (felizmente nada seleto), só pela forma como você e o Salem o descreveram. Parece lembrar o de lugares do Rio como Vassouras, Mendes e algumas cidades históricas de Minas. Acho uma delícia esse tipo de folia também.
Porque são muitos carnavais, Carias. Às vezes fico pensando se você faz determinados comentários só para criar polêmica, ou se realmente pensa dessa forma enviesada a respeito de quase tudo.
Gil, tenho um amigo suíço que mora aqui há muitos anos. Sabe o que ele diz? Que não gosta de sua terra porque lá, além dos negócios escusos, é tudo muito arrumadinho, bonitinho e tremendamente…BORING! (Pode me xingar. Como o Glauber, adoro misturar línguas.) Mas que é bonito andar por Lucerna, isso é. Sehr schön!
Caetano, acabei de escrever ‘há muitos anos’ e me lembrei de comentar. Veja como é simples: se você substituir o ‘há’ por ‘tem’, a lógica fica muito clara. Você pode dizer ‘Isso aconteceu tem muitos anos’, mas nunca dirá ‘Isso aconteceu tem muitos anos atrás’. Com ‘atrás’, a expressão já não chama a atenção para o tempo que passou, e sim para um ponto no tempo: ‘Isso aconteceu (a) muitos anos atrás’, com a preposição facultativa. Pelo menos é assim que entendo essa pedrinha no sapato da gramática. Beijinhos. Você estava muito bonito cantando ‘Chuva, suor e cerveja’ com o Psirico.
E viva o Salgueiro! O Tambor mereceu, mas acho que a Caetanave deu sorte.
Fevereiro 25th, 2009 at 9:49 pm
Caetano,
Did you happen to see the article on CNN.com about some scientific research on men’s reactions to scantily clad women? I was amused to see that the photo that accompanied the article portrayed a woman “de biquini amarelo.”
http://www.cnn.com/2009/HEALTH/02/19/women.bikinis.objects/index.html
It seems, according to the article, that the part of a man’s brain that is activated when he sees a woman in a bikini is the same part of the brain that uses tools to achieve goals. Men use a different part of the brain when viewing fully clothed women, apparently.
At the end of the article, they suggested areas for further study. I think they missed an interesting one. Since women are quite often more attracted to what they hear than what they see, perhaps they could find what part of a woman’s brain is activated when she hears a man with a beautiful voice. What part of the brain wakes up??
I guess you are all resting now after Carnaval. Don’t activate any part of the brain. Get some sleep!
Barbara
Fevereiro 25th, 2009 at 10:41 pm
Desculpe Hermano, vale esse.
Eu digo mais Vianna Vana Caravana, todo mundo é intrínsicamente de direita e o super-ego é de esquerda!
Engraçado que achava que Caetano era meio centro-direita antes de ler verdade tropical, talvez influenciado por uma informação ou outra superficial da imprensa.
Depois de ler tive certeza de que ele é MUITO de esquerda. Apesar de, possivelmente, não ser muito chegado a uma parte de nossa esquerda, que em sua maioria é mesmo chata pra caramba.
Fevereiro 25th, 2009 at 10:43 pm
Helo’isa!!! vc pode tudo, misturar l’inguas entao…vc pode Helo’isa, vc pode tudo …seu amigo su’i'co, que beleza, gosta do Brasil, melhor assim…uma vez dormi num hotel em zurique e no quarto fiz uma ligacao para o brasil, na manha seguinte pedi as contas e nao estava l’a a ligacao…chamei o senhor e disse a ele do erro, algo como 50 dolares, ele corrigiu e me olhou, perguntou para onde eu iria, disse que genebra, ele me perguntou por onde, eu disse pela autoestrada, ele pegou o mapa, nao havia gps naqueles tempos, e me disse, v’a por aqui, pela floresta negra, interlacken…fiz a viagem mais linda da minha vida, talvez, parando naqueles lugares a beira dos lagos, cruzando a sui’ca alema, que coisa linda…boningue….o senhor me deu um presente em troca da minha boa acao…que presente aquele sui’co me deu, passear pelo lindo pa’is dele…tudo bonitinho, arrumadinho, que lindo, um jardim…
mosqueteiro! eu vi o filme do brad pitt, bem feito, tudo feito pra ganhar o oscar, mas a historinha ‘e muito sem vergonha, surreal, ganhou a favela indiana, f’abula s’o com tempero documentarista, tempos de big brother…durante o oscar eu torci pelo brad algumas vezes, fez um trabalho bonito, mas tem um exagero naquelas maquiagens…gostei, dos momentos de a’cao entao nem se fala, e brad ‘e o seguinte n’e…’e o nosso james dean…fiquei pensando na angelina, ‘e que eu amo a jolie, tenho 450 fotos dela no meu computador, coleciono como as figurinhas de moleque, porque nao, ‘e jolie de tudo quanto ‘e jeito, ‘e minha preferida…mas acho ela triste do lado do maridao, que coisa, uma impressao, talvez ciumes, mas sei l’a…eu sei, j’a ‘e mae de seis filhos, v’a saber o que ‘e isso…mas eu duvido que ela saiba cozinhar…preferia v^e-la procurando pelo principe encantado, depois que encontrou parece triste…acho que eu ‘e quem ficou triste nessa hist’oria…eu quero ver o filme do kusturika, eu quero ver Maradona! o guitarrista do oasis disse que nao tira fotos na rua, lembra um ditado que diz que a alma vai embora com a foto, simplesmente diz nao quando ‘e abordado. quer viver uma vida comum, andando por ai, mora no centro de londres, diz que assim d’a mais valor quando se re’une com a banda. o outdoor na rua ‘e do king of lion. julio cesar pegou tudo no jogo contra o manchester. carnaval? onde?
Fevereiro 25th, 2009 at 11:11 pm
HERMANELEZA. ESSE VALE!
Eita! Teteco!
Que beleza saber que você tem São Luiz do Paraitinga no seu mapa genético!
O sítio que falei é dos pais do Cao e ainda está lá. Quando era moleque íamos muito. Uma vez Eu, o Cao e o Fromer levamos as bicicletas pra descer a serra. As pastilhas dos meus freios gastaram em 4 km. Tive que descer segurando a magrela. Lembro do Paulo Boca por lá com os filhotes. Banhos de cachoeira. Uma cobra coral falsa dentro da minha bota. Cheiro de bosta de vaca na brisa úmida do final do dia depois da chuva. O céu abrindo. Doce de leite e aquela bala que gruda nos dentes. Bombril na antena da Baby Empire. Paralelepípedos. Bandeirolas coloridas. Uma garota fumando um baseadinho sozinha, sentada no meio-fio. O velho que toca o violão de 2 cordas afinado em uníssono. E finalmente, o Carnaval mais bonito e romântico que vivi.
Carias. Entre a Band Folia e a mulata globeleza, fico com Campeonato Espanhol. E não é porque a Espanha seja um país “superior”, não. É porque os brasileiros estão fazendo um carnaval por lá.
in test
salem
Fevereiro 25th, 2009 at 11:37 pm
Apesar da minha implicância com o Carnaval na tela, há momentos que me levam às lágrimas.
Caetano canta Nelson Ferreira no Marco Zero:
http://www.youtube.com/watch?v=6vJpbDSTiMw
duca!
salem
Fevereiro 26th, 2009 at 2:41 am
O que é ser muito e o que é ser pouco? Não existe drama algum, ou é,ou não é “de” e nada mais além.
Definir, ao invés de valorar é fundamental. O grau de intensidade é algo muito pessoal e pode destoar de pessoa para pessoa. Hoje eu apenas sigo minha consciência, que me conduz à “constelação do cruzeiro do sul”, pra ver se me oriento. Decepcionado não significa ressentido…
Ainda guardo esperança dentro de mim e continuo a acreditar nas pessoas, sem me valer de “rotulos” e “estigmas”.
Gostei de ver o final do jornal nacional sendo encerrado ao som de uma voz, entoando um frevo, de outros carnavais.
Fevereiro 26th, 2009 at 2:48 am
Oi, Caetano e Hermano:
Publiquei em meu blog um texto a respeito de uma nota muito curiosa de Ao Vencedor as Batatas de Roberto Schwarz sobre Caetano Veloso cantando em inglês com “sotaque nortista”. Não está muito dentro do assunto do post, portanto não cabe publicar o artigo aqui. Vcs vão ter que ver lá. O blog está saindo como uma vírgula errada aí no obra, o endereço correto é http://www.penetralia-penetralia.blogspot.com
Fevereiro 26th, 2009 at 4:56 am
Barbara, now I’m curious about scientific research on the subject you’ve mentioned. What brain part would that be? It can’t be the same one that lights up when we listen to some beautiful instrumental music, or even to a great female voice. Do you think the parts would vary depending on the woman and the man’s voice? I certainly do. Scientists should really investigate that, as I’m quite sure the outcomes would surprise us all.
Fevereiro 26th, 2009 at 6:01 am
Hermano, o “jongo” pega mais forte no sertão de Catuçaba, distrito de São Luiz do Paraitinga. O secretário de cultura da cidade, Galvão Frade (violeiro e compositor dos bons), é especialista no assunto. A festa de São Benedito é uma das mais bonitas de lá. Legal que você já esteve lá, aliás chegaram a me dizer que você tinha ido a São Luiz. O Luiz Egipto, meu amigo, jornalista e um dos editores do “Observatório da Imprensa” mora no bairro do São Benedito há anos. Trocou a doidera de Sampa por um lugar na roça.
Mas há uma festa “julina” no bairro dos “Caetanos” ( que nome familiar não?!) que é uma beleza; congadas, folias de reis, jongo, moçambique, maculelê, quadrilha e até maracatu, creio, com o Maracatu “Baque do Vale” do guerreiro Flávio Itajubá. Vale a pena conferir e tomar quentão, vinho quente ou pinga com mel, com bolinho caipira e as delícias do milho-verde. tem muita menina “caipira” linda por lá também, cheias de “erres retroflexos”. É pra se apaixonar de verdade.
Heloisa, obrigado minha querida pelo lindo elogio. Não sei se o Caetano já ouviu o som dos Cantautores de Ilhona. Acho que não. Mas espero que um dia ele possa ouvir.
Ah…você agora também se lembra de Saint Louis of Paraitinga hein?! Bjs!!!
Salém, você e o Cao, mais o saudoso Marcelo Fromer foram loucos na empreitada de descer de bicicleta a serra entre São Luiz e Ubatuba. Aquela serra é punk, não há freio de bicicleta que não sofra nos seus sete quilometros de curvas super-íngremes. Eu já desci de moto, várias vezes. O padre Anchieta a desceu num burrinho, muito antes, para conciliar tribos indígenas em conflito, fato histórico conhecido como “A Paz de Iperoig”..e ele deu de cara com Hans Staden, um ruivo europeu náufrago no meio dos Tamoios, Tupis e Tupinambás. Todas tribos antropofágicas, mas Staden estava vivo, pois ruivo como era foi poupado pelo índios, acharam que ele era de outro planeta ( e era né) ou era um bruxo do mal.
Fevereiro 26th, 2009 at 6:22 am
I.
Glauberovsky.
Sua esgrima foi certeira.Deu Salgueiro na cabeça.
É legal,quando a voz do povo é a voz dos jurados.
E o Império Serrano,hein ?
Fez um desfile de campeã,e foi parar no último lugar.
Dessa feita,a voz do povo não foi a voz dos jurados.
( Dizem que falta patrono-bicheiro na escola ).
II.
Funk no carnaval ?
No final dos 90,fiz carnaval em Casimiro de Abreu.( pacata cidade do interior do RJ ).
Uma natureza deslumbrante,e um certo alheamento do povo em relação à festa.
Pros lados da Barra,invadida por turistas,o pessoal se animava com a passagem do trio elétrico.
No centro da cidade,onde foi armado o coreto,abríamos o baile com as marchinhas tradicionais,depois rolava de tudo - samba-enredo,axé,Tim Maia,Lulu,Jovem guarda,os hits da hora – depois fechávamos com as marchinhas.
Nos intervalos,dava pra escutar vindo dos carrões dos playboys da área,o som do batidão.
Seu Jomar que nasceu na cidade,disse-me que,o pessoal de lá,só gostava de Funk e música “de boiadeiro” ( sertaneja).
É mole ?
Castello,
Desejando á todos um feliz 2009,que ora se inicia.
Fevereiro 26th, 2009 at 9:26 am
caetano,
acho que cê vai curtir os “cantautores de ilhona” de teteco. bem brasileiro e muito competente, o som. e o nome da banda é uma onda, haha
Fevereiro 26th, 2009 at 10:30 am
Carias, não vou discordar de você, o meu Carnaval este ano também foi pela televisão. Só saí para ver o Caetano. Mas espero um dia, sair na Banda de Ipanema e nos blocos Ilê Ayê e Filhos de Gandhi. Será que vou poder?
Salem, obrigadíssima pelo youtube do Caetano cantando Nelson Ferreira. Vou deixar para ver mais tarde, com calma, quando voltar do trabalho.
beijinhos a todos.
Maria
Fevereiro 26th, 2009 at 10:44 am
Caetano, diferentemente da Maria, sempre estou presente nos seus shows e aparições aqui no Recife. E fiquei no Marco Zero, debaixo daquela chuva até o fim.
Literalmente, fui às lágrimas quando você cantou com Vítor Araújo: “Ôoo Saudade… Saudade tão grande…” Lindo momento…
Foi uma participação maravilhosa, apesar dos problemas técnicos em razão da chuva que inundou a cidade. Mas, o que valeu mesmo foi você que inundou a cidade de luz e poesia.
bjs
Grande beijo.
Fevereiro 26th, 2009 at 11:00 am
Cada carnaval com suas belezas, seja no Rio, Recife, Salvador ou em qualquer outro lugar. E sem comparações de qual é melhor ou pior, pois bom mesmo é que sejam todos diferentes. É claro que algumas diferenças despertam mais minha atenção. No carnaval de Salvador já há muito tempo as grandes estrelas são mulheres. Em Recife os grandes nomes do frevo, (incluindo os novos maestros), dos maracatus, do Mangue Bit e outros mais recentes são todos homens! Me agradaria muito ver surgir um grande nome feminino no carnaval pernambucano. Talvez Maria ou outro blogueiro conterrâneo de João Cabral possa nos informar melhor sobre essa possibilidade.
A transmissão da TV não é detalhe pouco importante nessa história. O desfile das escolas de samba no Rio (e mesmo em São Paulo) me parece bem adaptado à necessidade de exibição na telinha, com tudo o que isso traz de bom e de ruim. Já o que aparece do carnaval de Salvador na transmissão da Bandeirantes pouco ou nada consegue me passar do que é estar ali ao lado de um trio elétrico ou dos Filhos de Ghandi. Talvez as novas tecnologias (alta definição, som de qualidade) provem que estou errado, mas às vezes penso que é um desafio impossível de ser vencido. Algo como transmitir uma festa de largo e ser convincente. No carnaval de Recife e de Olinda, que ainda não conheço pessoalmente, me parece haver o mesmo descompasso entre a animação que acontece nas ruas e o que é exibido na tv. Não sei dizer se os shows do Marco Zero foram por conta da necessidade de ter algo mais televisionável. O que sei é que, a exemplo do governo do estado da Bahia, o governo de Pernambuco é um dos patrocinadores oficiais da transmissão do carnaval da Bandeirantes. Estará sendo bem gasto esse dinheiro? Difícil responder assim de primeira. Saudações!
Fevereiro 26th, 2009 at 11:27 am
Meu comentário não tem nada a ver com argumento de autoridade (que seria alguma coisa como “Fulano disse, portanto está certo”). Tanto que disse que o importante não era a posição ser uma ou outra, haver ou não concordância, depois de ler os tais slivros. Que o importante era tomar conhecimento dos argumentos do “adversário”. Meu comentário era contra atitudes do tipo “não li e/mas não gostei”.
Fevereiro 26th, 2009 at 2:19 pm
Na segunda o bloco Exalta Rei desfilou pelas ruas da Urca e qual não foi a surpresa quando o Roberto Carlos apareceu na sacada e acenou para a turma… o povo o saudou com sorrisos e flores. Foi a primeira vez que esse bloco brincou, vai pegar!
No próximo domingo (01/03) Caetano estará na Cidade de Deus comemorando o aniversário do Rio.
bjs.
Fevereiro 26th, 2009 at 3:08 pm
É isso Vellame,isso aí!E Caetano pra mim sempre mirou a esquerda e de uma forma responsável por ele ser o que é.A esquerda não esta dando conta de se reinventar num momento em que o nosso mundo fixo numa órbita de direita fracassou e clama por novas idéias,modelos e porque não “regras”.Que força é esta que poderia estar guiando e cumprindo um papel decisivo mas quer perpetuar numa condição de antagonismo hipócrita com um agora decadente momento e ainda por cima obstrui e ocupa certos ninchos que poderiam estar ocupados alguma insurgência de fato concreta e reveladora.A esquerda é antipática nessa sua tangência grudenta ao óbvio declinante.Esse óbvio que daqui pouco acaba por se mostrar mais interessante aos olhos humanos carentes e prestes a se iludir com algum novo artifício de matéria.Pela liberdade?
Fevereiro 26th, 2009 at 3:47 pm
rafael,
32 vezes é pro grupo B. acredito que no grupo A, os puxadores cantem o samba de 40 a 50 vezes. codiloco! ah, o gerador de samba-enredo é sensacional. eis o meu:
“Raio de sol sobre o povo de Montezuma”
Desde as eras mais distantes
Carnaval é isso aí
Massagistas e turbantes
Mortadelas e diamantes
Na Sapucaí
Vem, vem comigo
Vem comigo aloprar
Na beleza dessa lenda
Onde nunca fecha o bar
Sonho, sonho lindo e tão bonito
Se pisar no calo, eu grito
Hoje tudo é convulsão
Não, não quero acordar agora
Vou dançar em Bora-Bora
Salve a vinda do refrão
(Refrão - 2x )
Clareia, meu amor, clareia!
Clareia que a passista não é feia!
Esse ano grito “é campeão”
Dei dinheiro ao júri em mãos!
—-
muito divertido isso, cara. hahahaha
…………
barbara,
i believe women are specially inclined to kiss a guy with a beautiful voice and absolutely nuthin’ in his pocket! hahaha. take care, lady.
……………..
gil,
saquei o lance da suiça. obama criticou o protecionismo americano em discurso e foi aplaudido! o mundo tomou um ácido…purple haze! hahaha. bom pro brasil. seus últimos comentários tão show de bola também. abraço, velhão.
………..
hermano,
“zumbi do mato” é lóki, uma lenda!
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heloisa vortou, para minha alegria. cadê labi? sobreviveu ao carnaval??
Fevereiro 26th, 2009 at 4:09 pm
Sírio Possenti, eu diria que vc está se utilizando da “falácia do espantalho” considerando que eu não disse que, disse quase.
Fevereiro 26th, 2009 at 4:11 pm
Caetano,
Aí está o mais recente atentado poético de Jomard:
tranSpoesia pelo Sim do NÃO
Jomard Muniz de Britto
Quando se possibilita um passe pSicanalítico pela internet, a solidão deixa de ser uma pantera ou quimera. A escuta se torna escrita e tudo se institui em DEMO LIÇÃO , separando sílabas em interSignos.
O processo paulofreiriano de alfabetização crítico-criadora reassume a práXis dos letramentos sociohistóricos. Outros abismos pedagógicos.
Marias (Rita Kehl e Noemi Araujo) ouviram os fogos do carnaval rouge na travessia dos SEM terra nem traços? Pela internet. Pela intersemiótica.
FILMEFOBIA & BBB aproximando pelo X a criticidade de Jean Claude Bernardet e a elegância recorrente de Pedro Bial.
Nomes lealmente impróprios da crueldade?
Danuza e Gullar escrevem sobre antigos carnavais nos alertando à longevidade enquanto arma quente e retórica requentada. Semanalmente.
Comparar Sarkozy com Napoleão e Chávez com Maquiavel pode ser um despropósito grotesco em nossa tragicomédia nominalista.
INFERNOLENTO desabando no marco zerado?
Uma psicanálise desautorizada entrelugares dos Robertos, o Motta e o Machado, nos terraços do Country Club dos Aflitos, indaga sobre Zizek e todos desvelam fisionomia de paisagem deleuzeana.
Cada um em seu território de conceitos & concepções.
Todos sublimados. Entre vazios transcendentes. Penetráveis de Hélio Oitcica enquanto máquinas desejantes de quase TU DO.
Mas implodimos quando Claudio Brasil convida Caetano para cantar na Toca da Joana. Docemente perversos, indóceis bárbaros em louvor do Paimãe da liberação de caras e bocas transpirando alhos e bugalhos. Pelo riso interminável do carnaval, toda análise pela internet será infinita enquanto inaugure o tempo virtual-analógico.
Brasiliricamente satírico.
Pelos abismos da Pernambucália.
Ainda invocando o trio elétrico do RSI: real/simbólico/imaginário.
Tudo pelo BLOCO do NADA com seus Saraus Filosóficos.
Frevereiro/2009.
Fevereiro 26th, 2009 at 4:45 pm
Caetano,
Terminado o Carnaval, restam os comentários.
Descobri hoje que uma das proprietárias do Espaço de Arte e Terapia e terapias alternativas onde atendo shiatsu,uma negra belíssima é cunhada do Maestro Forró, da orquestra da Bomba do Hemetério, que tocou com você no Marco Zero.
Ela que tinha emprestado o cd dela com músicas suas para a orquestra ouvir no ensaio, ficou até o final da apresentação, pois tinha certeza que você voltaria após ter cantado as quatro músicas com os maracatus.
Ela disse que foi encantador, “Caetano foi só amor, só amor”. Fiquei morrendo de pena novamente de ter perdido isso. Adoro ouvir você cantando frevo. Não seria uma boa você convidar a Banda da Bomba do Hemetério para cantar algumas músicas no seu show de lançamento do novo cd aqui no Recife? a galera ía amar. Tenho certeza.
Soube hoje que o Maestro Forró é filho de José Amâncio do Coco, também da Bomba do Hemetério. O cara tem mesmo a música no sangue. A Bomba do Hmetério é um bairro da Zona Norte do Recife.
A Patrícia me falou também que depois do show vocês ( parece que ela não foi) foram ver um grupo que imita você no tempo da Tropicália. Fiquei super curiosa para conhecer. Parece que eles se exibem num bar em Casa Forte.
Carolina, não lembra que passei um tempo fora da platéia dos shows do Caetano aqui no Recife. Devo ter perdido muita coisa boa mesmo,de 98 até o ano passado, mas já estou de volta. Agora é Caetanear o que há de bom.
Você já leu Verdade Tropical? Leia, traz muitas informações, não dá para parar de ler.
Esse blog me ajudou bastante, não só nisso, mas em outras coisas também.
Thank you Hermano.
Tetequinho dos Anjos, nossa! você me ignorou completamente. Todo mundo ouviu as tuas músicas menos eu. O jeito vai ser pedir a Heloísa pelo orkut o site das tuas músicas.
abraços a todos, Maria
Fevereiro 26th, 2009 at 4:51 pm
Oi, Othon.
Li o texto que vc indicou, “Quem come quem”, do Olavo. Achei um caso flagrante de “redução grotesca” dos argumentos do Marcos Bagno. Mas o Olavo faz tudo conscientemente, é distorçao deliberada, ideológica. Em momento nenhum o Bagno propõe deixar todo mundo “escrever como fala”.
Para ele, criticar a tal norma culta e português padrão da forma como são ensinados hoje em dia, por si só, é capaz de fazer com que falemos em inglês no futuro. Ele inverte as coisas. Ele ele é que vai aos USA no Manhattan Connection falar da ameaça que a China representa porque é comunista (!). E o Bagno é que o “agente”…
Fevereiro 26th, 2009 at 4:58 pm
Queridos,
Só uma retificação: não é banda, é Orquestra de Frevo da Bomba do Hemetério.
Salem , eu vi o youtube do Caetano cantando Nelson Ferreira. Se você se emocionou assistindo ao vídeo, imagine você aqui no meio daquela chuva . As pessoas gritando, acenando para o Caetano, entre elas eu, pelo menos na primeira parte da apresentação. Agora um detalhe interessante, quando Caetano começou a cantar a chuva já tinha parado.
M.
Fevereiro 26th, 2009 at 7:14 pm
Heloisa,
Just going on what I see at Caetano’s concerts, I’m wondering if it’s the part of the brain that processes the sight of a mouse in the house … causes lots of jumping up and down and screaming… I’m kidding, of course!
I was wondering about this myself. I can see the evolutionary usefulness of men processing nude women as objects toward the goal of reproduction. I can see the evolutionary usefulness of women responding (like cats to catnip) to men who are rich, powerful, famous — it guarantees the survival of the next generation. But what could be the evolutionary usefulness of women being attracted by the sound of a man’s voice? I know it’s so, so true. I just can’t see why.
Anyway, it’s nice to have a chance to chat with you again, Heloisa!
Barbara
Fevereiro 26th, 2009 at 8:34 pm
o papo ‘e esse:
- You said the music interest has increased?
- Over the past few years, there has been an expectation that music industry revenues would rise. The industry has a certain reliance on the younger demographic. The younger demographic have gotten used to taking their music for free from illegal sites, and many legal legitimate sites have struggled to compete with free. It’s a very simple proposition: it’s impossible to compete with free.
- People claim file sharing is promoting sales in general?
- That’s a very old fashioned concept with people don’t need to entertain anymore. In 2001, only one survey seems to support this, and since, about five have contradicted, and I don’t really seriously arguing that anymore. And in any event, the artist should have the right to determine how their product is used.
- Through file sharing, the interest in concerts has improved?
- Again, that was an idea that people discussed relatively recently, but not more recently. If you look at the most successful artists from live performances, every single one of them has needed a successful recording career to launch a successful live career. If you have published 21 albums, you can sell concert tickets, but if your first release has gone into #75 instead of, say, #20, you have not been able to build a platform.
- There are also those that claim that TPB don’t differ from search engines like Google?
- I don’t believe that bears for examination. We go to Google and they try to help us stop piracy. Our teams are working on a daily basis with Google to prevent privacy. If you go to Google and type in ColdPlay, you will get 40 million results. These will show you press releases, legal ColdPlay music, reviews, appraisals of their concepts, and a multitude of different things. If you go into Pirate Bay, you will get less than a thousand results, all of which will give you access to illegal music, illegal video or artwork. Unfortunately, The Pirate Bay does what is said in its description: its main aim is to make available unauthorized music. It filters straight material, identifies illegal material, and they do not deny it.
extra’ido do julgamento do The Pirate Bay que est’a ocorrendo em Estocolmo.
Fevereiro 27th, 2009 at 12:44 am
Prezado Othon,
Procederei à leitura, inteligentemente, recomendada. Depois buscarei comentar o
já comentado.
Leio com atenção o que Caetano escreve e gosto muito dos comments de quase todo mundo, mas não busco ideologizar nada, muito menos o blog, pois seria um tremendo erro meu. Apenas dei um toque. Eu gosto de ser “burilado”, de sair do estado bruto…
Gosto de gente que sabe argumentar e a Heloisa e o Luedy demonstraram isso muito bem. Caetano também sabe arguir, mas, no meu entendimento, deveria se desprender “dessa coisa antiga” que parece um ranço.
Agradeço, de antemão, seu comment e buscarei examinar sua observação, carinhosamente.
Grande Abraço
PS.: Acabei lendo o texto recomendado. Fiz uma leitura muito superficial e acabei mais confuso que o mundo confuso de Caetano. Ele, pelo menos leu um monte de gente aqui citada, como o Bagno, enquanto apenas acompanho os debates aqui travados. O Olavo (agradeço-lhe por me ter feito conhece-lo) é um bom argumentador, sustenta a tese dele de uma forma tal que acabei viajando para uma época em que, Castro Alves ainda não era nacionalmente conhecido. Ele era apenas um poeta que se deixava influenciar por Vitor Hugo, numa época em que “bebiamos” o perfume cultural frances e respiravamos toda uma atmosfera iluminista. Mas, nessa viagem, fui conduzido a uma crítica literária da lavra do escritor Pedro Eunapio da Silva Deiró (era natural de Santo Amaro, ou Nazaré, formado em ciencias jurídicas por Olinda, ex-seminarista, jornalista, deputado federal pela nossa “provincia”…) na qual, elogiava a obra Gonzaga, de Castro Alves, bem antes de Machado de Assis…
Eunapio era abolicionista, amigo de Fernandes da Cunha e, atendendo a um pedido do poeta foi apresentado ao senador Fernandes da Cunha, que o encaminhou a J. de Alencar e este a Machado…
àquela época Eunapio enxergava em Castro Alves algo de novo, ainda que sob a influência da escola romântica francesa e isto o fez escrever, na crítica produzida, se já não era tempo de termos uma literatura genuinamente nacional. Ele via traços dessa literatura brasileira em Castro Alves e…
Volto ao Olavo que, como bem observou é um ultraconservador que se expõe, no final do texto, pintando um Bagno, que nunca li, como se o mesmo não passasse de um “esquerdista”, um subversivo…
Evidente que fiz, uma leitura superficial e que não conheço nada do Bagno, aqui tão citado, de modo que ficarei em meu humilde terreiro, apenas matutando uma coisa: Logo eu que tinha que ouvir missa em Latim, que clamava que as missas fossem celebradas em nosso idioma e que, ao ser introduzido na aprendizagem do Latim, deram esta língua como uma língua morta. Não seria o caso de examinarmos - e porque não o próprio pensador brasileiro - o que vem a ser uma língua morta e a influência que a mesma teve sobre outros tantos idiomas? O Coelho e o alface me fizeram lembrar do guarda chuva furtado dentro da Academia de Letras… Alí, insistia o presidente da Academia, só havia gente séria e o perdedor, ironicamente, disse: mas furtaram meu guarda-chuva! Os coelhos comeram o “alface” dele… Bom, alguém comeu alguém, no caso, a elite tem sempre bons argumentos pra comer o alface do povo.
Finalizo dizendo que adoraria ajudar neste debate, mas me falta conhecimento. Fico com a língua brasileira sem o “de esquerda’ e sem o “de direita”, a ideologização do tema não servirá aos bons própositos dos impulsos renovadores de quem conhece o tema. Valeu a intenção,e, creia, minha alma não é pequena.
Outro grande abraço.
Me perdoem à pressa, pois sem ela eu erraria menos!
Fevereiro 27th, 2009 at 2:05 am
Bem, esqueci de dizer que os biografos de Castro Alves esqueceram de citar que foi o primeiro impulso de Deiró, levando Castro Alves até o amigo Fernandes da Cunha (Deiró escrevia discursos para o grande senador, era colega de Alencar e amigo de Machado de Assis. Foi Deiró quem fez a primeira crítica (até apologética) de Castro Alves e a mesma foi publicada na Bahia, em Pernambuco e no Rio. Ainda não me dei ao trabalho de verificar se esta crítica serviu de lastro para aqueloutra feita por Machado. Eunapio só é lembrado por Pedro Calmon, talvez pelo fato de possuirem raizes santo-amarenses, ou por admiração, mesmo. De modo geral os biografos do poeta só lembram de uma carta que Deiró escreveu a Castro Alves, oferecendo trabalho e Castro Alves oferece ao amigo uma carta, em resposta, muito bonita, quanto mordaz em relação à sociedade baiana de então.
Na crítica Deiró se propunha escrever sobre uma literatura genuinamente nossa e o que despertou nele essa consciência foi a obra Gonzaga de Castro Alves, que ele escutou todinha através do próprio autor. Em determinado ponto Deiró pergunta a Castro Alves se ele já tinha lido André Chenier e mostrou a Castro Alves uns versos do poeta francês, o que levou Castro Alves a brincar como se fosse um plagiário. Deve ter sido um papo esclarecedor e Deiró dá ao poeta a primeira grande crítica (de elogio à obra), enquanto lhe encaminhava ao amigo Fernandes da Cunha. Esta é a parte qe os biografos esqueceram de mencionar.
Deiró, lá pelos idos de 1862 já se preocupava com a “identidade nacional” e isso é interessante pois ele era considerado um ótimo crítico e bom escritor, porém era sujeito modesto, desses que preferem escrever sob pseudonimos e acabou em um semi-anonimato. Nada a ver com xenofobia querer buscar uma identidade própria.
O latim pariu tantoas outras línguas até chegar a “extinção”. Creio, se não estou exagerando em minha leitura superficial, que pelos critérios do Olavo o latim deveria ser conservado e tudo o que dele derivou, em termos de idioma, teria sido obra de subversivos esquerdistas loucos. Acho que ele usa muito bem as palavras e tem um rico acervo cultural, mas peca pelos exageros.
Abraços
Fevereiro 27th, 2009 at 11:36 am
Vamos ser justos.
Vellame disse “chegando perto da falácia do “argumento de autoridade”.
E eu concordo. Ele não estava se referindo apenas às supostas “autoridades”, mas à reação aqui no blog. É como se a partir de agora, só a leitura de Bagno (que Caetano fez movido pelo seu incrível interesse) credenciasse a continuidade do assunto.
Eu, pessoalmente, li fragmentos de “Preconceito Linguístico”. Não me sinto portanto, completamente à vontade para falar do livro e do autor (critiquei-o pessoalmente pelo infeliz artigo na Caros Amigos).
Mas, a despeito do POST do Caetano ter esclarecido pontos importantes da sua apreciação, me sinto na mesma posição em relação ao que li aqui e fora daqui sobre a visão dos sócio-linguístas.
Há dois mitos (ou falácias) que acompanham a trajetória de Caetano. Não tenho nenhum dos dois. O primeiro é de que ele é uma “unanimidade”, e tudo o que diz é considerado verdade. Ele mesmo já brincou com essa bobagem. Se tem um sujeito que jornalistas e antenadinhos pegam no pé, é ele. O segundo mito: Caetano opina sobre tudo. Não é verdade. Caetano fala so9bre vário assuntos e opina quando lê, vê ou escuta.
As palavras “autoridade” e “intelectual” servem muitas vezes pra neutralizar e desqualificar a opinião de “leigos”. Ora, não é contra o preconceito que os sócio-linguistas falam? É como se Caetano (depois de ler Bagno) passasse a ser também uma autoridade.
Se, de um lado, os sócio-linguistas e seus admiradores defendem a “inclusão” dos não letrados” por meio da norma. Eu (e acho que Vellame também) defendemos a inclusão dos “não leitores” de Bagno na discussão dos temas que aparecem por aqui.
Esse não é um blog de “autoridades”. Graças a Deus! As pessoas que mais me instigaram a pensar por aqui não eram especialistas. Gil, Teteco, Vellame, Nando, Heloisa, Labi, Caetano, Joaldo, Lacerda e Carias. Todos me provocaram pensamentos concordantes e discordantes, e me levaram a mudar de opinião algumas vezes.
Nando, quando deu sinais de “autoridade”, enrijeceu. Não defendo aqui a falta de informação, mas abomino a falsa idéia de “informados” e “desinformados”. Isso é “falácia”.
Possenti disse: “Meu comentário era contra atitudes do tipo “não li e/mas não gostei”.” Não vi ninguém dizer nada análogo aqui.
Achei engraçado ele usar a palavra “adversário”, bem típica dos treinados para uma discussão polarizada. Caetano não se portou como “adversário”. Ponderou. Viu pontos concordantes e discordantes com sua opinião. E é assim que esse blog tem se comportado de maneira geral. Democraticamente. O “de que lado você está?” não rola. E isso irrita as “autoridades”.
in test
salem
Fevereiro 27th, 2009 at 2:47 pm
hermano, caetano, salem, teteco, lacerda, gil e todos,
vale a pena dar uma lida nesta matéria sobre a estratégia de lançamento do novo álbum do U2:
http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/090225/entretenimento/m__sica_rock_internet_2
este trecho aqui é bastante interessante:
“…O último álbum do Nine Inch Nails é um exemplo da tendência.
O grupo americano, que lançou o álbum de forma independente, o disponibilizou sem seu site oficial em diferentes formatos: download gratuito de nove das 36 músicas, cinco dólares para baixar as 36, US$ 10 por um CD duplo, 75 para um produto de luxo e 300 pela versão “ultraluxo” especial.
Segundo uma análise apresentada no Midem, o lucro chegou a 1,6 milhão de dólares em uma semana…”
Fevereiro 27th, 2009 at 6:10 pm
pensei cá com meus botões na expressão “argumentum ad populum” e lembrei das discussões sobre linguística e música popular[esca] que aqui e fora daqui, parecem se cruzar.
PS.: sou PhD em PN, OK?
Fevereiro 27th, 2009 at 7:02 pm
Salem,
Permita-me discordar do seguinte trecho:
“Possenti disse: “Meu comentário era contra atitudes do tipo ‘não li e/mas não gostei’. Não vi ninguém dizer nada análogo aqui.”
Ora, o próprio Caetano precisou se deter na leitura para compreender e melhor criticar os posicionamentos de Bagno. O que dizer de tantos outros que sequer tomaram conhecimento dos argumentos, não só de Bagno, mas de outros socio-linguistas, e mesmo assim se posicionaram contra?
E você mesmo admite que não o leu com atenção e que por isso mesmo não se sente à vontade para debater o assunto.
Acho que foi Nando quem exemplificou bem o que Possenti apontou: “não posso deixar de não ler este livro”. Claro, é um direito de qualquer um se recusar a fazer o que quer que seja, mas era a isso justamente que o Sírio comentava.
Pode-se não gostar do Bagno - tanto do que ele defende quanto de seu jeito - mas até isso só pode se dar se soubermos o que ele está escrevendo. Agora, não se pode negar que ele pesquisa de fato. Toda a crítica que ele faz aos gramáticos de plantão encontra-se fundamentada e é muito bem ilustrada com exemplos (o que nos permite, inclusive, verificar suas inferências). Para saber disso, Salém, tem que ler o que ele escreve, né? Não vejo como o debate acerca do que ele escreve, pensa, produz possa ir adiante sem isso.
Fevereiro 27th, 2009 at 7:41 pm
Sr. Paulo Farias:
Sua “leitura superficial” do Olavo me conduziu a convida-lo a uma leitura interessante sobre a língua brasileira e a língua portuguesa. Felicito-o por não cair no terreno movediço da ideologização, o que não significa que ninguém tenha suas próprias convicções e utopias. Acesse o link :
http://lingua-brasileira.blogspot.com/
Bom proveito e boa leitura.
Fevereiro 27th, 2009 at 7:41 pm
Oi Caetano, li “preconceito linguistico” pois fui aluno do Bagno na Faculdade fiquei surpreso quando vi a discussão sobre o tema linguistico!!! Adorei em pleno carnaval, acho que o livro do Bagno quer realmente polemizar,mas a nossa língua tá aí pra ser questionada, comentada, repensada, criticada e acho que é esse o papel dos linguistas,mas é claro que sem sensacionalismo não tem muita graça né (ops!)
De todo o modo a língua é nossa e temos que botar a boca no trambone e o bloco na rua!!
Grande abraço!!!!
Fevereiro 27th, 2009 at 9:34 pm
Gil, mas o Pirate bay é 40% do tráfego de dados de toda a internet! E a própria internet somente existe porque existe algo que a filosofia secular do mercado atual não sacou: a cultura da troca. Troca, sem grana envolvida. Sem ela, não haveria a própria internet tal como a conhecemos, o projeto estaria ainda preso em um laboratório desses, provavelmente não estaríamos aqui confabulando num blog. Ser contrário à cultura da troca é se colocar contrário à própria internet. Vamos matar a internet? Olha que esse leão é grande, e não estou somente falando numa grande comunidade de entendidos - falamos aqui em algo que gera lucros, inclusive para os entendidos. E se criarmos leis para regulamentar certas trocas dentro disso? O que faremos? Vamos colocar um guarda em cada esquina, como desejava um candidato a vereador aqui no sul?
Se pirate bay é feio, então também o era o empréstimo de álbums para que nossos amigos gravassem em fitas cassete - ou vice versa, sei lá. E esse papo é antigo. Bem, Copyright - it’s all right -, já está no papel e em vigor. Não adianta ficarmos discutindo a moral da lógica da razão. Agora, se pirate bay sumisse hoje, fato: amanhã nasceriam duas ou três empreeitadas maiores, melhores e muito mais seguras para pessoas trocarem arquivos entre si. Não duvido que já não existam milequinhentos projetos para superar o que hoje é o torrent, nesse sentido. A lei e a crença no copyright, bem como a filosofia de investidores e dos “proponentes de projetos”, terão de se atualizar com a existência das redes de compartilhamento. Do contrário, continuarão esperneando diante da realidade da internet desde seu surgimento: a realidade da troca sem fins lucrativos. Terão de ver que ela simboliza um novo modelo de mercado, e quando novas iniciativas aprenderem a se mover no meio disso, com certeza saberão lucrar e deixarão muita gente esperneando sozinha - por bem ou por mal…
Fevereiro 27th, 2009 at 9:38 pm
Off topic total:
Chegou o dvd dos Doces Bárbaros que eu havia encomendado! O som está sensacional!! Eu amo este documentário, já não era sem tempo o lançamento dele em dvd.
Lindo lindo lindo… saudades, saudades…
luedy nostálgico
Fevereiro 27th, 2009 at 10:40 pm
Boa Noite blogueiros de plantão.
Hoje estamos distantes daquele carnaval que passou euforicamente por nós como um furacão.
Hoje li uma entrevista de Gil que este ano que passou foi o último carnaval dele á frente de um trio elétrico, pois ele está velho demais para isso, segundo palavras do próprio Gil.
Achei uma pena, pois o expresso 2222 é um dos grandes trios da Bahia.
Vejo todos discutirem sobre Bagno, sobre Possanti, e sobre a língua portuguesa.
Eu acho que cada um lerá e terá um ponto sobre esses assuntos.
Li, reli e cada vez que leio e releio tenho diferentes conclusões sobre os temas.
Acho que o frio que está fazendo aqui no Sul, está me deixando afetado, pois não consigo mais escrever como escrevia antes, cheio de idéias, cheio de nostalgia e cheio de ideologias que a mim faziam e fazem sentido.
Muito são incompreendidos, e muitos não me compreendem de forma alguma.
Quero que o Carnaval volte para poder reentrar naquele clima frenético, maluco de folião e blogueiro.
È isso, grande abraço a todos,
Luiz Carias.
Fevereiro 28th, 2009 at 12:03 am
E daí que a independência foi proclamada pelo príncipe da metrópole? Diana Krall tem 4 (eu disse quatro) músicas brasileiras em seu novo CD.
Cantando “Esse teu olhar” em PORTUGUÊS!!
Klaus Ogerman meu bróder.
Viva Tom, bora baêa!
Fevereiro 28th, 2009 at 12:11 am
mosqueteiro! acabei de entrar aqui e vi sua mensagem, pois acabei de ver na BBC direto da Regent Street, no centrao do Londres, em cima de um pr’edio, como sempre n’e?, o U2 ao vivo…povao l’a embaixo, tudo filmado, o novo album e as antigas, c’assicas, que levantaram o p’e da mo’cada, mas ningu’em gritou vamos tirar o p’e do chao…argh…friozinho basico, 8 graus, pra eles bem normal, The Edge estava de camisa de manguinha, Bono com seu ‘unico casaco de couro preto que tem a sua idade, ou seja mais de um s’eculo, todo po’ido ‘e claro que ele ainda nao teve tempo pra comprar outro e depois que foi ao Brasil ficou supersticioso, nao tira o casaco nem pra dormir…ehehe…a m’suica nova ‘e muito boa, mas muito boa mesmo, ou’ca e diga Glaubom…get on your boots…agora vou ler o papo do u2 ali em cima…Obama no jornal botou pra quebrar, sai do Iraque, esse ‘e o nosso Obama!
Fevereiro 28th, 2009 at 12:50 am
sexta fria , pra mim um gelo, meu amor resfriadinha, o jeito ‘e ver na tv Jonathan Ross…pois U2 est’a l’a tamb’em, ou seja, sa’iram dali e foram pra l’a…estarao agora em todos os lugares do planeta eu suponho, as usual…na apresenta’cao brincaram com eles, entrou a introdu’cao de uma can’cao com a indefect’ivel guitarra de The Edge e o JRoss, saudou como se fosse BONO e disse feed the poor e todo mundo inclusive eles morreram de rir…U2 chega e j’a vem pedindo pra dar comida aos pobres…o menino do Coldplay outro dia perguntado novamente como se sentia na maior banda do mundo respondeu que U2 estava chegando e a posi’cao portanto tinha prazo de validade, ou seja, adotou a posi’cao e j’a deu o proximo passo…me lembrou os baianos chegando, era um tal de um apresentar o outro, foi a coisa mais linda, falo de caetano gil bethania e gal…show de bola, no BROCK lembro da c’elebre frase de Lobao antes de fazer o Alternativa Nativa no Maracanazinho perguntado com quem gostaria de dividir a noite: ” odeio todos”…tem a ver, os baianos chegavam pra conquistar e…descobrir o Brasil…o Brock j’a se estabelece noutra fase, terreno batido, sao uma intriodu’cao do neoliberalismo dos 90, individualismo, competicao liberal, vale quanto vende…isso parece que acabou, o mundo digital traz de volta o artista, vale quem sabe fazer de verdade e com qualidade, cantor ‘e quem sabe cantar, e jingle ‘e pra publicidade, vamos redescobrir a boa m’usica…e isso traz a conceitua’cao do que ‘e bom, nao tem ilusao nao, o avanco tecnologico vem absorvido e pilotado de cima pra baixo, o ‘e um paradoxo, parece que nao n’e? conversa…
o papo de varios pre’cos ‘e mais avan’cado, sai de cara com varios pre’cos e formatos, as pessoas sao diferentes e devem ser atendidas conforme sua diversidade…o NIN nao fez tanto barulho nao, esse papo de escolha quanto vc quer dar j’a est’a por fora, ‘e moedinha na case da esquina, t’a por fora, demagogia festiva, o artista merece dignidade no mercado, e a ind’ustria est’a viva e lutando pra adiantar as coisas, n’os ‘e que estamos estatelados esperando dom Sebastiao nos salvar e dizer pra onde vamos, isso sim ‘e terr’ivel e ‘e nossa desgra’ca e parece que ainda nao se deram conta…mas a luta continua, pra eles…o estabelecimento das regras pra nova plataforma seguem em franco desenvolvimento, Franca e Inglaterra na frente e os americanos pelos lados, quem ganhar’a essa luta? as apostas podem ser feitas, podemos fazer um bolao…em Estocolmo como tenho dito est’a se travando uma grande batalha, a maior de todas desde o Napster, o fechamento do The Pirates Bay ‘e o objetivo, vale a pena acompanhar pela Internet que est’a acompanhando ao vivo o julgamento…Coldplay fez 6.8 milhoes de albuns ( CD85% e Digital 15%)…quanto far’a U2? vamos acompanhar…
e n’os? onde estamos? como foram os lan’camentos do nosso Natal? o que vir’a por a’i? que for’cas vao se formar pra empurrar isso tudo pra diante? ou vamos esperar 10 anos?
Fevereiro 28th, 2009 at 12:53 am
Lenartei, … o papo ‘e esse mesmo e essa questao nos alcan’ca porque nao temos projeto para a comercializacao digital da nossa musica e nao participamos do comercio internacional de musica na nova plataforma digital cuja hegemonia ‘e do Itunes da Apple com mais da metade do que ‘e vendido na nova plataforma.
Do outro lado temos a imensa pirataria, circula’cao ilegal de arquivos de musica e filmes, que no Brasil ‘e total e atinge nosso mercado mais capaz, classe ab at’e 25 anos. De um lado porque nao h’a meios de aquisicao legal dispon’iveis e de outro pela disseminacao da pratica ilegal sem nenhuma atitude educativa ou repressora contra isso.
No ambiente internacional, onde se trava uma batalha dura e emocionante , temos o TPB com 40% do tráfego da PIRATARIA na internet, o maior desde o Napster-que perdeu, sentado no tribunal de Estocolmo.
A troca primitiva atrav’es do escambo, a quer vc se referiu, ‘e do tempo que nao existia ‘agua encanada, hospital p’ublico, rua asfaltada. A explosao do desenvolvimento humano veio com a troca monetizada. Troca sem grana seria mandar uma galinha ou um porco por uma m’usica…trocar o que algu’em criou e produziu para comercio pelo que? O TPB vende seu espa’co para anunciantes, comercializa seu site disponibilizando arquivos para serem ” trocados” …e ganha milhoes com isso. A maioria do que circula ali sao os arquivos que tem dono, que nao sao consultados para essa circulacao…e com fins lucrativos complementares sim. E mesmo que nao fosse, vamos l’a.
De fato ‘e imposs’ivel um guarda em cada rua e h’a de fato quem se aproveita dessa aus^encia…mas ser’a contestado.
Emprestar um album ou uma casa a um amigo ‘e uma coisa, abrir um espa’co para circular milhoes de propriedades privadas ilegalmente ‘e outra coisa, auferir ganhos fant’asticos com isso e nao pagar por isso, outra coisa tamb’em.
O fato de diariamente nascerem nao implica que a sociedade esque’ca de tratar dos seus inimigos…ao contr’ario: desestimula a m’a pr’atica. Desglamouriza a pratica ruim, danosa, ilegal.
Se todas as transa’coes financeiras em todos os bancos atingindo todas as pessoas ocorrem pela internet com seguranca praticamente absoluta, porque os arquivos de musica ou filmes nao circularao tamb’em gozando desse mesmo staus? Ou ser’a que o dinheiro tamb’em ser’a trocado indistintamente entre as pessoas? Um lan’camento em conta corrente e sites disponibilizando a “troca” entre os quem tem e os que nao tem… a Ba’ia de Piratas promete? Temos sido tolerantes? Ou nao estamos nem a’i?
o pop ‘e esse
U2 - Get On Your Boots Lyrics
The future needs a big kiss
Winds blows with a twist
Never seen a moon like this
Can you see it too?
Night is falling everywhere
Rockets at the fun fair
Satan loves a bomb scare
But he won’t scare you
Hey, sexy boots
Get on your boots, yeah
You free me from the dark dream
Candy floss ice cream
All our kids are screaming
But the ghosts aren’t real
Here’s where we gotta be
Love and community
Laughter is eternity
If joy is real
You don’t know how beautiful
You don’t know how beautiful you are
You don’t know, and you don’t get it, do you?
You don’t know how beautiful you are
That’s someone’s stuff they’re blowing up
We’re into growing up
Women of the future
Hold the big revelations
I got a submarine
You got gasoline
I don’t want to talk about wars between nations
Not right now
Hey sexy boots
Get on your boots, yeah
Not right now
Bossy boots
You don’t know how beautiful
You don’t know how beautiful you are
You don’t know, and you don’t get it, do you?
You don’t know how beautiful you are
Hey sexy boots
I don’t want to talk about the wars between the nations
Sexy boots, yeah
Let me in the sound
Let me in the sound
Let me in the sound, sound
Let me in the sound, sound
Meet me in the sound
Let me in the sound
Let me in the sound, now
God, I’m going down
I don’t wanna drown now
Meet me in the sound
Let me in the sound
Let me in the sound
Let me in the sound, sound
Let me in the sound, sound
Meet me in the sound
Get on your boots
Get on your boots
Get on your boots
Yeah hey hey
Fevereiro 28th, 2009 at 3:27 am
Maria, minha querida, acho que minha página estava com erros, por isso você não conseguia acessa-la. Clica sobre meu nome que agora vai dar certo.
Thank you Glaubito, Salenzito and Helô.
Salém e Hermano, acaso vocês conhecem o jornalista Luiz Egipto lá de SL Paraitinga??
bjs e ótima ressaca de carnaval a todos!!!
Fevereiro 28th, 2009 at 4:23 am
Texto de Sírio Possenti (extraíso do Terra Magazine):
“Ele, Caetano, falou de lingüística
Há algumas semanas, em seu blog, Caetano Veloso falou de lingüística. O título do texto do dia era “lingüistas” (o tom parecia com os associados usualmente a expressões negativas, como quem diz “mulheres” ou “petistas” para ressaltar características que um homem ou um tucano acham típicas, e que lhes soam negativas).
É difícil discutir todos os aspectos do texto. E sei que destacar algumas passagens de certa forma descaracteriza o pronunciamento. Mas vou fazer isso, apesar dos riscos, porque há aspectos claramente destacáveis (pelo menos do ponto de vista de um lingüista; de um tipo de lingüista, pelo menos).
Primeiro, registre-se que as opiniões de Caetano têm algum lustro: leu certos textos e freqüentou certos meios (os concretistas, que liam Jakobson, que citava e era citado etc.). E, obviamente, ele não é bobo. Nem totalmente preconceituoso… Mas esse tipo lustro nem sempre favorece.
Vamos, pois, aos comentários de algumas passagens do post dele.
Quanto à lingüística propriamente dita, li Saussure (aquelas aulas) no início dos anos 70. Li somente porque os poetas concretos falavam dele… todos falavam de Jakobson, que falava dele.
Aquelas aulas? Pois é. Aulas sobre Saussure têm sido pequenos desastres. Em geral, ele passou para a história (em cursos de letras e de comunicação) como o cara da dupla face do signo, o significante e o significado. Mas, de fato, isso não é próprio do Saussure. Nem a arbitrariedade dessa relação. Saussure é o pensador do sistema, dos valores, da diferença (ler sobre as entidades lingüísticas, por favor). E foi assim que ele passou para a história da lingüística.
O que disse sobre o significante ser a imagem acústica é certamente relevante, porque põe o fonema, por exemplo, num espaço psicológico específico (se tivesse sido compreendido nesse particular, não leríamos os Sacconi da vida dizendo que fonemas são os sons da língua, nem haveria ditados fonêmicos em escolas de medicina ou de fonoaudiologia). É mais ou menos como achar que a relatividade é o relativismo. Pessoalmente, prefiro os “erros” da tradição às achegas parciais a propostas novas. Um bom Newton é melhor que um Planck mal digerido.
Fiquei maravilhado com a afirmação de que a língua é viva e mutante na práxis dos falantes: a língua é falada, a escrita seria apenas uma notação convencionada a posteriori, como as pautas musicais.
“Práxis dos falantes”, obviamente, não é Saussure. O tempo é, para ele, a categoria fundamental para explicar a mudança. Vago? Acho que sim, mas esse é Saussure. Práxis é marxismo (”sério” ou de boteco, pouco importa). Importante: se essa tese de Saussure chamou tanto a atenção de Caetano, aposto que foi porque tinha sido levado a pensar, ou porque talvez estivesse pensando, que as línguas são mais ou menos imutáveis (o que, de fato, de vez em quando, volta com força no post dele, não à toa, eu achei. Gostou da idéia, mas não “conseguiu” incorporar).
Nunca vou esquecer sua observação de que o francês é a única língua ocidental que tem uma palavra cuja grafia não guarda nem um só dos valores fonéticos originais das letras que a compõem: “oiseaux”.
A afirmação acima fecha seus comentários sobre o que Saussure teria dito sobre a escrita. Ficou a anedota, como freqüentemente ocorre. E o exagero (a única língua ocidental: ou o professor “acrescentou”, ou foi no bar; sempre um bom lugar, aliás). As poucas páginas de Saussure sobre a escrita são extremamente lúcidas e seriam revolucionárias ainda hoje (se fossem lidas). Continua válida inclusive sua reclamação de que os lingüistas “não têm vez em capítulo” - quando as questões de escrita são discutidas - e por isso, ele acha, “a forma escrita tem, quase sempre, superioridade” (Curso, pg. 36). “Oiseau” (singular, no Curso) é um excelente exemplo, claro (como a pronúncia é wazô, nenhum dos sons é representado na escrita), mas é do tipo que fica na memória por seu caráter anedótico, não pelo efeito que deveria produzir como exemplo crucial das teses de Saussure sobre o tema.
Caetano conta que, quando veio a Campinas para um show, ganhou um livro de uma professora sobre diferenças entre português do Brasil e de Portugal. Comentários postados garantem que se trata de um livro de Charlotte Galves. Se for, quase todos os comentários de Caetano estão errados. Ele deve ter esquecido também de algum outro livro que leu. Mas, mesmo que tenha lido outro, duvido (mas essa é uma aposta) que alguém tenha escrito o que ele diz que recorda - sobre tu/você etc. Ah, acrescenta que o livro “era escrito num português excelente”. O que ele esperava?
Depois ele discute uma entrevista de Marcos Bagno à revista Caros amigos. O que escreve sobre isso exigiria longas considerações, porque tanto há mal-entendidos, se, de fato, o que Saussure teria dito o impressionou, quanto discordâncias ideológicas a serem discutidas em detalhe.
Na semana seguinte, comentando mensagens de leitores, acrescentou, por exemplo, que “as pessoas que dizem ‘grobo’ são as mesmas que têm vocabulário menor, menos acesso aos conhecimentos, menos poder”. Menos poder, sim. Vocabulário menor é coisa que se pode discutir. Já que citou Lévi-Strauss, ouso sugerir que leia O pensamento selvagem. Talvez mude de opinião. Pensando bem, acho que não mudaria, porque a questão é fortemente atravessada por ideologia, que argumentos “objetivos” dificilmente afetam.
Mais: diz, por exemplo, a propósito de conjugações como “tu vai”:
… a resposta racional é que se conjugo o verbo sempre na terceira perco o direito de prescindir do pronome sujeito (é verdade: se a conjugação se “simplifica”, isso afeta a sintaxe; o inglês funciona assim: algum problema? Mas por que essa é uma resposta racional?); ouço com prazer os “tu é” dos cariocas e os “tu vai” dos gaúchos, mas sei que há um empobrecimento de possibilidades do uso da língua (empobrecimento? É difícil de demonstrar: perde-se aqui, ganha-se lá, como se verifica se não houvesse possibilidades como as mencionadas, que são enriquecedoras, porque novas, diferentes das outras); de todo modo, não há porque não ensinar às pessoas como funcionam as conjugações, tendo em vista o pronome pessoal escolhido (mas as conjugações funcionam assim, exatamente como funcionam; ou ele quer dizer “como funcionavam”, com “vós” e tudo? Nada contra, se fossem assim, mas por que não as de hoje?).
Aliás, amei ler no texto “medieval” de Maira “aa” em lugar de “à”. Isso porque há anos digo que seria legal se escrevêssemos “aa”, como feminino de “ao”: ficaria bonito e não teríamos esse rolo da crase (que adoro mas vejo que é um sofrimento para muitos).
Sei que é uma bobagem, que pode parecer picuinha, mas duvido que Caetano cometa em música um erro tão banal quanto dizer que aa é o feminino de ao. Ou que, em espanhol, al é o masculino de a la. Puxa! O Pasquale lhe diria o que é isso!
Depois de discutir - a meu ver com alguns equívocos, a partir da entrevista de Bagno à Caros amigos - questões de norma culta versus variedades menos valorizadas, e de comentar criticamente a tradução de um título de Proust (no que concordo com ele), dispara:
O que isso tem a ver com os lingüistas, a língua falada, a norma culta, a norma oculta, a demagogia e a mania de pensar que o melhor modo de resolver o problema das favelas é destruir o sistema de esgoto de que desfrutam as “elites”? Tudo.
Bem, se ele entendeu que “defender” variedades lingüísticas populares, mesmo que sejam aceitas como “corretas”, por serem empregadas em textos “cultos”, determinadas construções ainda condenadas (como vende-se flores etc.) equivale a defender que não se leiam textos “clássicos” ou que se critiquem formas em franco desuso, então, de fato ele não entendeu nada (ou não pode entender). E não se trata de deficiência mental, que disso ninguém pode acusar Caetano. Trata-se mesmo de ideologia. Da qual, aliás, não é difícil descobrir traços em outros domínios sobre os quais Caetano opina como cidadão e também como artista ou homem-show.
Também acho que ele podia ter se poupado de gravar “Ou você me ama, ou não está madura”, mas e daí? Dizendo isso, acho que estou elogiando Caetano. Mas concedo que não entendo nada de música, nem do circuito empresarial.”
Li o post do Caetano antes do carnaval,mas não consegui pensar em nada. Ou será pensei muitas coisas?
Té breve,
Wesley
Fevereiro 28th, 2009 at 4:27 am
Luedy, o que disse foi:
“Eu, pessoalmente, li fragmentos de “Preconceito Linguístico”. Não me sinto portanto, completamente à vontade para falar do livro e do autor (critiquei-o pessoalmente pelo infeliz artigo na Caros Amigos).”
Você entendeu outra coisa e escreveu:
“E você mesmo admite que não o leu com atenção e que por isso mesmo não se sente à vontade para debater o assunto.”
Não disse que não li com atenção e não disse que não me sinto à vontade pra debater o assunto. Onde você leu isso?
Se você acompanhou o raciocínio do meu comentário com “atenção” deve ter lido isso também:
“Se, de um lado, os sócio-linguistas e seus admiradores defendem a “inclusão” dos não letrados” por meio da norma. Eu (e acho que Vellame também) defendemos a inclusão dos “não leitores” de Bagno na discussão dos temas que aparecem por aqui.”
Você pode discordar do que disse acima, mas não deve distorcer. Me sinto sim à vontade pra debater o assunto. Não estou fazendo resenhas da obra de Bagno. Reitero: não quero e nem quero ser autoridade.
Reitero que o meu problema não é “gostar” ou “não gostar” do Bagno e do que ele escreve. Debati por aqui à respeito dos desdobramentos e conclusões apresentados (especialmente por você) à respeito da sócio-linguística.
Gostava da forma que você defendia as suas idéias e me sentia, como ainda me sinto, à vontade pra opinar. Fui sempre bem genérico na minha crítica: a politização exacerbada a cerca do tema, a relativização e a mistificação da fala “popular” em contraponto com uma suposta norma opressora.
De qualquer forma, sou mesmo bem palpiteiro. Nunca disse “não li e não gostei”. Uma vez um grande amigo meu me disse a respeito do filme Central do Brasil: não vi e não gostei. E eu respondi “eu ouvi o que você disse não gostei”.
Suponho que deve ser aflitivo mesmo pra quem, como você, mergulhou com profundidade no assunto, aguentar os pitacos de caras intrometidos como eu. Mas, assim como os iletrados, me sinto tranquilo pra arriscar meus palpites e reflexões.
Confesso que o post do Caetano me encheu de preguiça pra ler Preconceito Linguístico. Mas também não me senti obrigado a isso. Vellame (acho) que também teve a mesma sensação.
O que você acha? O assunto está encerrado? Ou ainda dá caldo, mesmo que o livro não seja lido? Sobre o livro, já disse que não falo. Mas sobre as idéias que aqui são expressas, continuo disposto. Embora já tenha me esquivado do estilo desse debate.
De uma coisa eu tenho absoluta convicção: você tem o mérito inquestionável de ter colocado na roda um tema apaixonante. Esse filho é teu. O Bagno pra mim é o vovô que não conheço e do qual tive uma impressão antipática, ao lê-lo na Caros Amigos. Preconceito? Talvez. Devo lê-lo? Talvez. Se não, é melhor a gente abrir um fórum apenas com “autoridades” e gente com o pressuposto da leitura de Bagno. Isso é outro blog. Não é esse aqui. Aí, assunto encerrado mesmo.
in test
salem
Fevereiro 28th, 2009 at 4:52 am
gil,
compreendo o que você diz, mas lenartei também tem razão. não dá pra ir de encontro às necessidades e vontades das pessoas. há toda uma demanda a que as gravadoras não atendem e as dificuldades por que pasa a indústria tem a ver com a incapacidade da mesma de perceber a mudança dos ventos. a questão não é só vender. é vender para PESSOAS e suas necessidades e desejos. é crescente no mundo um tipo de público negligenciado pelo mercado. e esse público encontrou na net um meio de democratizar a informação. isso é MUITO importante. e dará frutos belíssimos. artistas, cientístas e o povo esbanja criatividade. e a indústria?? chega de normatização, estamos no século 21. ao menos é onde queremos [e deveríamos] estar.
a música nova do U2 não é nenhuma “sunday bloody sunday”, mas é muito boa. bem rock. bono canta pacas.
Fevereiro 28th, 2009 at 7:40 am
Pela (des) compreensão do 182.
Fevereiro 28th, 2009 at 1:18 pm
Ainda que não esteja muito por dentro dessa discussão sobre lingüística e gramática,- por enquanto, somente lendo,- estou esperando ansiosamento por um novo post do Caetano. Tenho a impressaão de que ele já está preparando.
Tetequinho dos Anjos, amigo, adoro te chamar assim. Consegui abrir a página, mas não pude fazer o download do áudio. Mais tarde tentarei novamente. Se as tuas músicas tiverem a mesma qualidade viva das tuas poesias, embora como te disse, não seja chegada àquele tema, acho que vou gostar.
beijinhos a todos.
Maria
Fevereiro 28th, 2009 at 2:04 pm
Oi Wesley
Algumas considerações de uma “não-autoridade”:
Na mesma medida em que se demanda por aqui um conhecimento maior da sócio-linguística (aceito que sou leigo), para compreender o que Caetano diz, também seria enriquecedor pensar no POST entitulado CARNAVAL considerando sua produção anterior (textos, música e até cinema).
Pensei nisso quando você disse:
“se essa tese de Saussure chamou tanto a atenção de Caetano, aposto que foi porque tinha sido levado a pensar, ou porque talvez estivesse pensando, que as línguas são mais ou menos imutáveis.”
Se tem um artista e pensador que levou a mutação da língua às últimas consequências, foi Caetano. Ele transita desde construção poética culta (Quereres) até a liberdade trasngressiva dos neologismos (Outras Palavras). Da poesia concreta (Alfomegabetismo, Bat Macumba e Acrilírico) até a beleza da fala popular (”eu assubo nos aro” é um lindo verso de “Na Asa do Vento”). Não há na obra de Caetano, e nos seus escritos, um sintoma qualquer de apego à “correção” imposta. Há respeito pelo que a norma trouxe como ganho, cultivo e riqueza. Mesmo usando com frequência parâmetros da norma, as letras de Caetano a subvertem recorrentemente. Portanto, Caetano é de todos os nossos artistas, talvez o que mais acredite na elasticidade e na mutação da língua. A diferença é que para isso, não se apóia em razões de natureza ideológica. Seu trato tão original com a língua tem origem no seu amplo conhecimento da diversidade das escritas e das falas brasileiras. Essa é um outra forma de entender a trasnformação da língua, Caetano não é exatamente um erudito. São Paulo é Sampa graças à Caetano. A transformação e a dilatação da língua, em sua obra, passa pelo uso e pela invenção. Não por uma defesa política. Caetano trabalha, portanto, no sentido do avanço onde a inclusão da fala popular se mixa às conquistas da norma. Esse mix fez de algumas de suas canções sofisticadas, hits populares. Como é bonito escutar Daniela cantando nas ruas de Salvador:
“Não cabe em si de tanto sim
É pura dança e sexo e glória
e paira para além da história
(…)
Tudo chegou sobrevivente num navio
Quem descobriu o Brasil?
Foi o negro que viu
a crueldade bem de frente
E ainda produziu milagres de fé
no extremo ocidente
Não vamos hiper-dimensionar esse POST (embora seja uma aula). Caetano tem dito o que pensa a respeito da língua, usando-a, há quase 4 décadas.
Depois outra coisa me chamou atenção no seyu texto, Wesley. Ó só:
“Trata-se mesmo de ideologia. Da qual, aliás, não é difícil descobrir traços em outros domínios sobre os quais Caetano opina como cidadão e também como artista ou homem-show.”
Não sei de que “outros domínios” você falou. Política? Cinema? Literatura? Mas expressão “domínios” reforça a idéia que eu e Vellame combatemos aqui. “Domínios” são territórios de propriedade privada. Lembra a expressão “fulano disse isso com propriedade”. Ou seja: tem posse, domina.
Caetano já foi muito criticado por opinar sobre temas fora da música popular. Já ouvi gente dizer: “prefiro que ele só cante.” Confesso que esse tipo de raciocínio de algumas “autoridades” me irrita. A contribuição do livre-pensamento de Caetano pra construção do imaginário de um Brasil pós-moderno é algo de peso. Há ideologia nisso? Há política? Muitos diriam o bordão “todo ato é um ato político”. Há paixão e atração física pela polêmica? Lembro tetetco: “todo ato é um ato sexual”.
O fato é que Caetano coloca sua voz e suas palavras em lugares “dominados” por especialistas. Isso não é mesmo pra qualquer um. É arriscado.
Mas, Wesley, os tempos são outros. ‘Tá tudo “dominado”. E até esse blog é um “domínio” (palavra apropriada pela internet). E nesse tipo de domínio entra, opina e fala quem quiser.
Quanto a Bagno, não li “entrevista na Caros Amigos”. Que edição é? Li apenas um artigo entitulado CAETANAS BOBAGENS. Graças a ele, peguei um bodão do Bagno. O artigo é raso e desqualifica Caetano a priori quando diz:
“Recentemente, decidiu falar de lingüística. Com a petulância dos mal-informados e a arrogância das celebridades, acredita que por ter lido Saussure em meados do século passado está autorizado a dissertar sobre e, principalmente, contra os lingüistas profissionais.”
Oras, não são os “mal-informados” que Bagno defende? E essa tal de “autorização”? Onde Caetano a terá? Na UFPE?
Caetano não usa esse argumento, mas considerando os parâmetros aqui defendidos, sua obra o “autoriza” e ele tem “domínio” do que fala.
Leu Bagno com interesse e clareou seus pontos de vista. Mas se não tivesse lido, não sairia mal dessa discussão. Os pontos que ele sublinhou anteriormente ainda reluzem. Principalmente, aquilo que fala sobre a gênese da língua.
De resto:
“Bússolas não há na cor dos versos
Usam como senha tons perversos
Busco a trilha certa, matematicamente
Só sei brincar de cabra-cega
Errática
Chega”
beijo na testa
salem
Fevereiro 28th, 2009 at 6:45 pm
Alguns comentários tocam ligeiramente numa possível(e indesejada) ideologização na questão dos sociolinguistas .Creio que por conta de uma citação que fiz(138) de um texto de Olavo de Carvalho.Não li Bagno nem Possenti mas é inegável que ambos enxergam,pelo menos em alguns momentos, através de lentes espessas com graus ideológicos elevadíssimos.Bagno, em seu site, é apresentado,no início do texto, como um militante e,ao final, somos brindados com um estridente “ A luta continua! ”
Não li nem ouvi Possenti gritando palavras de ordem mas no terra magazine ele escreveu ,muito feliz e rindo muito ,que não entendia as reações de parte da imprensa à azia de Lula ao ler jornais e ,se perfilando ao lado de Tarso Genro,deu boas vindas a Battisti.
Sem parar de rir, quase gargalhando, comentou algo sobre alguma risível associação,que ele discordava, do neoliberalismo com economia de mercado feita por um jornalista da Folha.Concluiu o texto formando uma dupla com Lula,ele usando usando a gargalhada e Lula a azia.Para combater a imprensa? Não,apenas uns poucos jornalistas que faltam para completar 100% de adesão ao ideário defendido por eles.Mas vocês devem estar se perguntando o que isso tudo tem haver com o exercício da sociolinguista: Nada,se o hábito,desse grupo, de usar lentes ideológicas não os levar ao esquecimento de retirá-las durante o ato de escrever livros técnicos.
Agora(204),ele acusa Caetano de ideológico.Também gosto de rir.
Othon
Fevereiro 28th, 2009 at 7:08 pm
A Patrícia e o Groucho são bons, mas Karl também tinha seu lado Nostradamus:
“Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado”
Karl Marx, in Das Kapital, 1867
Fevereiro 28th, 2009 at 7:40 pm
GlauBom, grande Mosqueteiro, eu admito que o Os’orio tamb’em tem razao nas questoes helv’eticas, mas agora nao vejo nada nas considera’coes do Lenartei, e antes de mais nada vamos estabelecer que quando falamos em mercado estamos falando de compra e venda, circulacao e moeda, em com’ercio.
Esse papo de necessidades e vontades parece bonitinho mas vamos l’a, os mimos dos mimados tem pre’co…necessidade de diversao, vontade de amar, generalidades…querer objetivar necessidade de m’usica pop e vontade de ver filminho, combinar isso com avan’co tecn;ologico e sair passando a mao no bem alheio ‘e intoler’avel…agora sim, intoler’avel.
Tem vontade? T’a com necessidade? Beleza, paga e resolve isso meu cumpadre…agora meter a mao nao pode, atrasa, impede, interrompe, obstrui, anda pra tr’as.
Se vc me diz que a ind’ustria foi refrat’aria, respondeu com atraso ao avan’co tecnologico, escolheu o virtual depois do encoxamento do Napster, eu posso at’e relevar. Mas e da’i? A ind’ustria entao caminhou decidida, como eu disse, saiu na frente…nao deixa de ter sido uma resposta. O mercado apontou para uma nova dire’cao, os meios de produ’cao j’a estavam maduros para a virada na dire’cao do virtual, e a industria foi nessa…como nao foi capaz? Foi sim, est’a a’i…agora, o neg’ocio legal veio acompanhado dos oportunistas, como ‘e mesmo, ‘e assim mesmo e vamos l’a. O que nao queremos ‘e a anarquia, nao nos interessa . Nao h’a ninguem negligenciado pelo mercado, o que pode haver ‘e producao que nao se destina ao mercado, ao com’ercio…nem tudo as pessoas querem comprar, o que elas querem comprar constituir’a o mercado. Mas nao vamos embolar os dados, democratizar a informa’cao est’a lindo, ‘e como disse o outro l’a no tribunal, vc entra no Google e tem milhares de informa’coes sobre um tal artista, mas tem nada disponivel pra ser ” baixado” ilegalmente, porq o tal artista sustenta sua fam’ilia vendendo o seu produto. Vc tem que ir a outro lugar adquirir aquilo. Sair por a’i facilitando o que deve ser vendido ‘e outra coisa, distribuir o mapa da mina pra mo’cada ir buscar o dinheiro do banco nao pode, ‘e roubo.
Mas nada impede que algu’em coloque seu produto na internet e queira dar de gra’ca. Vc por exemplo disponibiliza suas m’usicas no seu site, viva a internet , eu nao saberia que vc existia nao fosse ela. Mas se vc fizer um acordo de distribuicao com uma gravadora, se vc estiver comprometido com o processo da ind’ustria, a’i nao pode ” baixar” de gra’ca sem a autorizacao sua e do seu s’ocio…nenhuma informa’cao ser’a negada, mas pra ouvir o U2 vc tem que comprar o disco ou baix’a-lo no Itunes…
Chega de normatiza’cao? Como assim? Precisamos ‘e de normatizacao, a bolha estourou porque? A anarquia capitalista atinge velocidade e passa por cima de tudo e de todos, precisamos normatizar, nao queremos a anarquia certo? Mas vamos tornar a vida das pessoas mais facil tambem, liga ali e ” baixa”, desconta direto no seu cartao, na sua conta…nada de ter que se vestir, procurar vaga, entrar e procurar, quem sabe j’a acabou, sujar a mao com o vil metal, mil equipamentos pra ouvir ou ver o imaterial…direto no alvo, clica e desce…mas legal, por favor…ou entao ‘e tudo na Sui’ca e que se foda o aviao…
gil,
compreendo o que você diz, mas lenartei também tem razão. não dá pra ir de encontro às necessidades e vontades das pessoas. há toda uma demanda a que as gravadoras não atendem e as dificuldades por que pasa a indústria tem a ver com a incapacidade da mesma de perceber a mudança dos ventos. a questão não é só vender. é vender para PESSOAS e suas necessidades e desejos. é crescente no mundo um tipo de público negligenciado pelo mercado. e esse público encontrou na net um meio de democratizar a informação. isso é MUITO importante. e dará frutos belíssimos. artistas, cientístas e o povo esbanja criatividade. e a indústria?? chega de normatização, estamos no século 21. ao menos é onde queremos [e deveríamos] estar.
a música nova do U2 não é nenhuma “sunday bloody sunday”, mas é muito boa. bem rock. bono canta pacas.
Fevereiro 28th, 2009 at 8:04 pm
Salém,
A comunicação pode se tornar difícil apesar do nosso esmero em redigir nossos textos. Acreditamos que nossas idéias estarão lá, translúcidas, mas nem sempre isso acontece. Você citou, por exemplo, a minha leitura de um trecho seu (que foi também citado por vc no mesmo comment) com o propósito de mostrar meu equívoco. No entanto, a comparação dos dois segmentos só parece apontar para a correção de minha leitura.
Acho que o ponto que nos leva à incompreensão mútua reside no fato de que eu estava me atendo à disposição para criticar Bagno, ou para dispensa-lo, sem que este autor fosse devidamente lido e compreendido. Foi apenas isso.
Não é preciso ser autoridade para discutir o que quer que seja, mas acho que é preciso humildade para reconhecer que há gente com maior autoridade que nós em muitos assuntos e que estes necessitam ter seus argumentos lidos com maior atenção. A noção de “erro” em língua, por exemplo, foi debatida aqui a partir de perspectivas diversas e conflitantes. Sua bronca com a politização (”exarcerbada”) do debate é também algo que nos separava (pra mim não há como deixarmos de ser políticos, com ou sem exarcerbação). Enfim, espero ter situado melhor minhas considerações.
abs,
luedy
Fevereiro 28th, 2009 at 8:06 pm
Acho que escrevi “exacerbado” errado…
Fevereiro 28th, 2009 at 9:33 pm
Salem, acho que você comenta trechos do texto do Possenti pensando que são do Wesley.
Wesley, eu não tinha lido Possenti sobre meu antigo post “LINGÜISTAS”.
Possenti, eu jamais quereria empobrecer a minha vida evitando gravar “Sozinho”, essa canção maravilhosa cujo verso você citou errado. O verso é “Ou você me engana ou não está madura”. Suponho que seu desprezo por essa canção sirva de exemplo para Luedy. E acho que vou perguntar ao igualmente brega Pasquale por que dizer que à é o feminino de ao é um erro. (Erro? logo você?!). Penso que “o” é o artigo definido em sua forma masculina e “a” é o artigo definido em sua forma feminina. Se se soma a preposição “a” à forma feminina do artigo, obtém-se “à”, se à masculina, “ao”. Pode não estar assim nos manuais. Pode haver razões de regra gramatical ou de entendimento da formação das palavras que proibam que se diga assim - mas é uma observação direta do que acontece na língua apresentada de modo adequado. Pode ser amadora (é amadora) mas não é ilógica. Então me diga logo o que é isso, já que não tenho como falar com o Pasquale agora (qualificá-lo de meu amigo foi um exagero: vi-o umas 3 vezes, brevemente, admiro-o, mas não temos contato).
Heloisa, sempre substituo mentalmente o “há” pelo “tem” quando rio pensando nessa questão de “há atrás”. O argumento que outros lançaram aqui - o de que implica redundância ou pleonasmo - me convence mais. Mas o seu é que me fascina. Observo há décadas (embora Possenti pensasse que eu pensava que a língua não muda) que, no uso, esse “há”, tantas vezes engessado no presente, mesmo se a frase está toda no passado; tantas vezes substituído pelo simples “a” na escrita; tantas vezes posto no lugar onde a mera preposição deveria estar - esse “há” é intuído como uma preposição pelos usuários do português. Claro que há quem saiba e há quem prefira, para deixar mais claro que sabe, usar o verbo “fazer”. Mas aí alguns (muitos) flexionam o verbo: “fazem 7 semanas que cheguei de Belém do Pará”. A freqüência em que o “há” aparece como se fosse preposição é altíssima. E, de fato, a pessoa que diz que “de hoje a um ano” fará tal coisa, ou que estamos “a cinco dias da final do campeonato” não sente muito forte que “há cinco anos” é “tem cinco anos”. Tem cinco séculos atrás que os portugueses chegaram ao Brasil: ninguém diz ou escreve isso. Mas não é um absurdo lógico. Se o que se quer dizer com esse “tem” é que séculos há, é apenas algo redundante dizer que eles estão atrás no tempo. Mas é atrás no tempo que imaginamos que as coisas passadas estão. Agora há cinco horas que estou aqui esperando. De hoje a oito dias nos vemos outra vez. As pessoas ficam confusas. Põem H onde não há e um simples A onde H devia haver. Muitas vezes põem acento grave na preposição (como aliás Bagno sugere que se faça: o que me leva de volta a Possenti e à não aceitação de conceber-se “à” como feminino de “ao”). Em suma, eu sempre curtindo minúcias dos falares, apaixonadamente, sendo chato para tantos, amadoristicamente, diletantemente, irritando os especialistas. Mas, vamos e venhamos, esses especialistas são ideologizados demais. E, sendo de Sampa, acreditam em oposição política entre PT e PSDB. Visto daqui do resto do Brasil, isso me parece gozadaço.
Explicação: estive dois dias sem internet em casa na Bahia, depois do carnaval. Quando consertou, fui lendo tudo e só agora, no Rio, estou podendo postar. Acabo de chegar do aeroporto.
Fevereiro 28th, 2009 at 10:04 pm
Salve Vellame .
Na minha revolução dos bichos,quem deu o brado de independência dentro do galinheiro foi a raposa.
Castello sem príncipe.
Fevereiro 28th, 2009 at 11:52 pm
gil,
nossa música tá rolando. o que não dá é pra normatizar a música brasileira. ela não é um animal domesticável. não se vende “produtos”, o que se vende é idéia, é mito. é preciso que a indústria comece a sacar o que a moçada quer. exemplo: pra mim, é totalmente justo e extremamente importante que se possa disponibilizar discos fora de catálogo. o passado está aqui. agradeço seu interesse pela minha banda. valeu, irmão.
graças aos céus minha memória é muito boa. lembro não só de “sunday bloody sunday”, mas de 1 milhão de coisas feitas no século 20. porque pra mim, essas coisas estão vivas, sem passado, presente ou futuro. mas a nova do U2 é bacana.
…………….
“A luta continua!” é dose.
………………
nando, o pagador de e-promessas, hahahaha
Março 1st, 2009 at 12:25 am
o Chelsea nao tem mesmo solucao com esse time pesadao…ganhou de 2×1 de um timeco da liga num joguinho morrinha decidido no ‘ultimo minuto de cabe’ca com um empurrao no adversario que o juiz quis nao ver…Felipao nao tem culpa de nada, nem paizao ali resolve, tem que mudar o time que j’a deu…fora isso, o est’adio ‘e bem dentro de Chelsea um lindo bairro quase no centro de Londres, vc vai andando pelas ruas, aquelas casinhas e de repente o est’adio est’a ali dentro, tudo concentrado e bem distribu’ido, ambiente civilizad’issimo e mais de 50 mil pessoas zanzando. O campo ‘e um tapete, a comunicacao visual limpa, a plate’ia sossegada, muita crian’ca com os pais….e o Blue no gramado…Ballack o alemao se esconde, o laterial esquerdo tambem, Ashley Cole, aquele que quase quebra a espinha com Ronaldinho Ga’ucho dos velhos tempos, Lampard que fez o gol, Drogba e o monumental Terry, esse sim joga demais ao lado do nosso Alex que vai bem…mas o time nao imprime, ‘e pesadao. Est’a no segundo lugar da liga 6 pontos atras do Manchester, esse sim jogando um bolao.
No est’adio tocava King of Lion…mas vai tocar U2 j’a j’a…nem lembro mais de sunday blood sunday, o papo agora ‘e colocar a bota e sair a luta…’e muito boa a m’usica nova do U2 e as outras do disco tamb’em…o que est’a aocntecendo com a nossa m’usica? t’a na boca da Diana, apropria’cao est’etica, mas presen’ca, cad^e?
Março 1st, 2009 at 12:28 am
glauber, 2 da manha e eu vou tentar mandar mais essa…na BBC FOUR passa um filme de 3 rapazes que querem encontrar Maradona…nossa m’usica segue rolando, depois de tanto merecia mais, ser tratada como grande que ‘e, no entanto foi para o supermercado, reduzida, sua economia deveria se comparar as outras como ela, do tamanho e potencial dela, no entanto nao ‘e isso que ocorre.
Nao vi ningu’em falar em normatizar a nossa m’usica, normatizar o mercado, o com’ercio, a produ’cao de riqueza…a m’usica nao.
Desculpe , mas se vendem produtos, id’eia nao se vende, com id’eia se empreende.
‘e preciso que a mo’cada industrialize sua sacada. O que est’a industrializado faz sucesso, tem multiplicador, tem canal e midia, temos falado de Coldplay e agora U2…o que est’a acontecendo fora da industria da m’suica e do cinema a nao ser roubalheira? Qual ‘e o grande acontecimento? Estamos nos referindo a que?
Eu tamb’em acho que as madames deveriam distribuir as j’oias que nao usam, acho extremamente justo, acho justo que ‘agua nao se negue a ningu’em, acho justo que ningu’em passe fome no mundo, acho justo tanta coisa…mas eu nao vou arrombar o cofre de ningu’em porque acho justo isso ou aquilo.
O fora de cat’alogo acaba no meio digital concorda? Tudo pode estar em catalogo na medida em que o estoque ‘e virtual e ao sinal da tal necessidade do consumidor, facilmente vc passa a ter acesso. NAO EXISTE MAIS FORA DE CATALOGO, existia no meio f’isico. Seu desejo ser’a atendido, tudo, tudo estar’a dispon’ivel…mas de gra’ca porque? A agua nao ‘e de gra’ca.
mas a nova do U2 é bacana….esse ‘e o papo.
…………….
“A luta continua!” é dose. ahahaha…esqueci, vc tem calafrios com esses jargoes do meu tempo, sao coisas do meu roxismo romantico…fazer o que? tolerancia vc que tem boa memoria…a luta continua era jargao comunista que hoje serve pra tudo, que beleza…o problema ‘e que pra n’os nao tem nem luta nem bota pra cal’car, estamos naquela situa’cao de ouvintes, estamos admirando o mundo novo, nao estamos nele, estamos fora, e isso sim ‘e que ‘e o terror, s’o temos m’usica de supermercado e quem manda ‘e o padre…j’a viu isso? viva tom jobim mas no terreiro dele quem manda ‘e o padre…t’a boa essa? eu quero meu Itunes e vc?
Março 1st, 2009 at 12:50 am
O Padre José de Anchieta escreveu a Gramática da língua mais falada na costa do Brasil, De Gestis Mendi de Saa.
Muito irritava os portugueses o fato de os jesuitas se comunicarem com os aborigenes na linguagem destes, tanto foi assim que, dentre as justificativas para a expulsão dos padres da Companhia de Jesus estava o fato deles conversarem com os nossos índios na linguagem destes.
A cultura negra, com a vinda de negros arrancados, traumáticamente, de suas terras para servirem no brasil, como escravos, também teve enorme significação para a nossa cultura. Os romanos e arabes também contribuiram para outras culturas, principalmente na peninsula ibérica.
Nossos primeiros habitantes não foram apenas portugueses e, durante a invasão holandesa, por volta de 1625,tinhamos na Bahia, muitos napolitanos e espanhóis. Salvador foi uma cidade cosmopolita, com uma elite, em grande parte, detentora de uma mentalidade provinciana mesquinha. Aqui era ponto de parada obrigatória para as embarcações oriundas da Europa. Os iniciados em Coimbra nos trouxeram as ideias iluministas francesas.
As primeiras le sucessivas levas de imigrantes italianos, em inicio de 1832, muito contribuiram para o enriquecimento da nossa cultura. Ainda me lembro que, antes de brigar eu indagava ao meu oponente se a briga era à vera (uma corruptela nacional de vero). Toda essa especie de gente foi contribuindo, de um modo e de outro, para o nosso desenvolvimento cultural. Ainda tinhamos os suiços, os alemães, os ingleses e muitos outros povos formando núcleos e até cidade. Jequié, sem exagero, é uma cidade brasileira com forte influência italiana. Sempre me sirvo da Bahia pois somos o berço da civilização brasileira. Com o advento da invasão holandesa cresceu a influencia nativista entre os brasileiros, que já não se sentiam portugueses. Mas estas coisas todo mundo sabe. Eu não gostei do texto do filosofo Olavo, cuja leitura me foi recomendada pelo Othon. Ele confunde, cria uma aura de convicção que embute a ideologia que ele abraça e este é o maior pecado dele. Ele fez o que nenhum crítico deve fazer: critica o poeta, antes do poema. É mais ou menos isso. Reafirmo que não lí o Bagio, mas vou comprar o livro que me parece polêmico e renovador, contrario aos preconceitos sociais dos que condenam os que falam “errado”. Eu acho a língua do povo muito exuberante, mas não conheço direito as diferenças entre os gramaticólogos e lingüistas. Pelo que acompanho as idéias de Heloisa e Luedy me pareceram muito coerentes e Caetano chegou admitir uma adesão parcial. Eu até imaginei que ele havia aderido, mas entendo que ele esta em cima do muro. Se ele adere tudo de vez ficaria difícil para os que o acompanhavam trocar o discurso velho por um outro novo. Gosto de novidades e dos questionamentos feitos aqui pelos chamados lingüistas. Só acompanho pois me falta conhecimento. Mas vou querer aprender.
Bem, eu falei em língua brasileira e li o texto contido no link fornecido pelo Sergio Valle. Muito interessante e muito me acrescentou para melhor argüir em defesa da língua brasileira. Eu não entendo porque não acabarmos com essa coisa chata de português do brasil. Parece com o racha que ocorreu entre PCdo Brasil e PC Brasileiro. Estes dois partidos defendem - até hoje - suas teses em torno de suas denominações, o que acho uma babaquice. Mas eu escrevi que era a favor da língua brasileira sem atentar para o que o Olavo havia escrito e ele é contra a “identidade nacional” por “implicância”, por me parecer aquele tipo de cara que tem raízes parecidas com as da TFP. No que concerne a “identidade nacional” é preciso realçar que nada tem a ver com qualquer ideologia, principalmente em relação ao nazismo. Eu torço pela nossa autonomia e autodeterminação e sei que temos muitas diferenças e só não entendo a razão de Portugal - salvo engano meu - estar sempre querendo a hegemonia da língua. A URSS caiu e surgiu uma federação de países independentes. A Albânia caiu. O mapa geográfico do mundo mudou. Os idiomas mudaram. Os argumentos de Olavo pareceu-me falaciosos e cheio de sofismas. Ele ataca o Bagio e o Possenti (é assim que se escreve o nome dele?). Eu não to dentro de polêmica nenhuma, apenas julguei procedente defender a língua brasileira. Ao longo da nossa história houve esse desejo de mudança emancipa, que já deveria ter ocorrido. Salvo engano tem livros de autores brasileiros que sofrem revisões em Portugal e mudança nos textos para que o leitor de Portugal entenda o que o autor brasileiro quis dizer. Não sei se no Brasil fazemos isso com os portugueses. Mas se isso ocorre é forte indicativo que temos que separar as coisas. É minha opinião.
Sou do tempo da camisa volta ao mundo, do sapato vulcabras (nunca usei galocha), vi o surgimento do nycron, adorava minha olivetti, minha roleflex quebrou e o mundo mudou bastante. Até no futebol acabaram com aquela coisa linda que era o TORNEIO INICIO. O futebol mudou tanto que os times viraram empresas, só falta mudarmos nossas cabeças e aceitarmos os modernos conceitos sobre quase tudo. Antigamente o átomo era indivisivel, mas depois descobriram o erro. Freud não foi aceito de primeira, mas, aos poucos, foram ouvindo ele direitinho. Depois houve mudanças. O mundo é assim. Galileu defendeu as idéias dele e foi forçado a desdizer. Muita gente foi pra fogueira. Padre Vieira foi prisioneiro da Santa Inquisição. O mundo é mesmo muito confuso, como bem disse Caetano. Mas eu reparo que o tal de Bagio introduziu conceitos novos e defende uma nova tese que eu devo ler carinhosamente, despido de qualquer preconceito e de idéias pré concebidas. Eu prefiro evoluir do que ficar na linha da Tradição, Família e Propriedade e não é por nenhuma questão ideológica não, é porque a TFP defende coisas chatas demais. Então eu não posso me pronunciar sobre o Bagio se não fiz uma leitura do livro dele e quem não leu acaba pecando. É como eu querer divergir de alguém que sequer travou qualquer debate comigo, com alguém que sequer conheço o pensamento. Caetano conheceu e tornou-se mais permeável, mostrando que não é um conservador. Desarmar os espíritos e escutar e ler sem preconcepções é o que entendo no momento. Mas eu vou ficando por aqui e não quero mais visitar link algum, no momento, porque quem debate o tema é Caetano e não eu. Eu quero estabelecer meu ente de razão e acompanho os debates que são gostosos e enriquecedores e, pra finalizar: sou partidário da língua brasileira, sem a ideologização e sem xenofobia alguma. Aqui não tem vencedores, nem perdedores, é o que penso. Aderir a uma idéia não é perder e Caetano pode surpreender muito, agora, ou no futuro.
Março 1st, 2009 at 3:24 am
Caetano, não acredito que o desprezo de Possenti pela canção “Sozinho” sirva de exemplo para Luedy. Os linguistas costumam aplaudir e incentivar o reconhecimento de canções populares em português não padrão, mas nem por isso precisam gostar de tudo. Eu não suporto “Sozinho”, mas adoro “Sonhos”. É o que alguém já disse aqui: dentro de um mesmo estilo, pode-se gostar ou não, gravar ou não. Sem preconceito.
Quanto à crase, vou lhe dizer logo o que é isso: o “à” pode ser o feminino de “ao”, claro. O que me intriga, e na certa também ao Possenti, é você querer explicar a crase de uma forma tão simplista. Quando você diz que se escrevêssemos “aa” “não teríamos esse rolo da crase”, você diz uma bobagem (sorry!). Na verdade, eliminaríamos só um dos problemas: as pessoas escreveriam “Vou aa Bahia” e “Vou ao Rio”, mas como saberiam que se escreve “à vista” e “a prazo”? Sem contar a estranheza da palavra “àquilo” e as locuções adverbiais (às pressas, a cadeado). O rolo da crase não é simples mesmo.
Quanto à questão do “há atrás”, você diz que o argumento da redundância é mais convincente. Ora, no que eu penso (deduzo, mesmo, pois nunca li minha explicação em lugar nenhum) está claramente embutida a idéia de redundância também: como você disse, “tem muitos séculos atrás” não é incoerente, só redundante mesmo. Meu argumento só vai um pouco mais longe, acredito. E você comenta: [E, de fato, a pessoa que diz que “de hoje a um ano” fará tal coisa, ou que estamos “a cinco dias da final do campeonato” não sente muito forte que “há cinco anos” é “tem cinco anos”.] Por que não? Porque ninguém nunca disse a ela o que “há” significa. Sei que o uso do verbo como preposição é muito comum, e talvez até se torne a regra um dia. Aceito bem as mudanças que o falante provoca na gramática, mas esse caso específico me incomoda. Por que não podemos tentar entender nossa língua? Afinal, você disse: “há grande alegria em ver revelado o processo que se dá dentro da gente quando efetivamos o uso da regra”, e eu identifiquei nessas palavras algo que sentia sem perceber. Você às vezes diz bobagens, mas a maior parte do tempo surpreende, ensina e encanta. E canta, ativando uma parte do cérebro que Barbara e eu ainda vamos descobrir.
Glauber, querido, concordo totalmente com o que você respondeu a Barbara. A voz é tudo!
Paulo Osório, ça va! Abs/Bjos.
Março 1st, 2009 at 6:52 am
gil,
o problema é que as gravadoras parecem não ter interesse em lançar discos fora de catálogo. não sou contra o itunes no brasil. só acho que existem outras iniciativas importantes a serem tomadas pela indústria. gostei dos joguetes bem sacados de seu comentário, as inversões.
acho que empresa lucrando com patrocínio em cima da disponibilização na net, um absurdo. o que defendí é a moçada que faz isso, sem fins lucrativos. a moçada dos blogs, como o “loronix”.
olha, o “a luta continua” não foi você que falou não, foi bagno. tá no comentário de othon. estes pontos abaixo, uso para separar, quando me dirijo a alguém em especial e tal. inté!
…………..
cadê labibarrock pós-carnaval??
Março 1st, 2009 at 11:28 am
Wesley, mea culpa.
Caetano, obrigado.
Li com atenção minuciosa o texto de Possenti como se fosse um comentário de Wesley. Que deslize! Wesley prestou um grande serviço publicando aqui o texto da “autoridade”.
Tive que reler. Gozado o tom muda quando imaginamos novo autor.
Mantenho todos os meus comentários e fico mais feliz pelo fato de ter sido o Possenti o escrevinhador.
E no final o “Mas concedo que não entendo nada de música, nem do circuito empresarial.” pareceu-me um recado do tipo “cada um no seu quadrado. Ou “cada um no seu domínio”
beijo na testa do Wesley
e beijo na testa do Caetano
salem
Março 1st, 2009 at 11:35 am
O Carnaval. O Marco Zero. Vira-se a página. Vamos ao Marco Um do ano de 2009. Caetano deve estar se preparando para o lançamento do álbum que já nasce com uma história.
Ao contrário do que disse sobre gravações no decorrer desse blog (minha resistência a saber dos bastidores em oposição às minhas fantasias infantis), não padeço do mesmo mal em relação aos shows.
Portanto, adoraria saber do Caetano como vão as coisas. Os ensaios. O cenário. O setlist. A turnê. Quando e onde.
Mande notícias, Caetano! Onde está você agora?
in test
salem
Março 1st, 2009 at 11:37 am
Gil,
eu não discordo da ilegalidade dos downloads e sim, do modelo que não funciona para todo o terceiro mundo (logo não funciona mais para esse pequeno mundo) .
Existe aqui (www.storyofstuff.com) uma argumentação muito interessante sobre esse modelo de mercado em que estamos metidos. Recomendo a todos esse vídeo inteligente, criativo e muito bem produzido!
Não vou me prolongar porque não tenho a menor idéia onde isso tudo vai parar mas desejo um mundo mais responsável, criativo e inteligente.
Março 1st, 2009 at 1:08 pm
Caetano: não tenho desprezo por aquela canção que que vc acha maravilhosa. Só acho que ela pertence a outra categoria. Mas não brigaria por isso. Prefiro tua gravação de Asa Branca…
Quanto a “ao” ser masculino de “à”: na verdade, a questão nem se põe. “a” e “o” - artigos - marcam masculino e feminino. A preposição “a” não tem nada a ver com gênero. Então, em “ao” há um artigo masculino (digamos). Ele se opõe ao artigo feminino, mas a preposição não tem nada a ver com a questão. A razão dessa junção, dessa solução escrita, é fonológica, não é morfológica. Não, não está nas gramáticas; acho que não está em lugar nenhum; mas não por ser um erro, ou por ser uma coisa ilógica, e sim por não ser um fato ao qual a categoria de gênero se aplique).
Aproveito a chance para “eclarar” que acho que as gramáticas estão erradas ao aceitaram essa clássica divisão masculino\feminino. No particular, sigo a doutrina de Mattoso Câmara. Há alguma coisa parecida com feminino (feminino de, especificamente) em palavras como “menina”, mas é difícil garantir que há masculino em “menino” (os meninos \ os alunos \ os homens \ os leões são casos que ultrapassam a questão gramatical do gênero). Como dizer que é masculino, por exemplo, o predicado de “navegar é preciso” - ou seja, com que concorda “preciso” (INTERROGAÇÃO). Bem, mas isso são coisas de linguista …
Março 1st, 2009 at 1:15 pm
MODERADOR, PUBLIQUE ESTE COMMENT EM LUGAR DO ANTERIOR
Salem,
Caetano fez a correção que eu faria. Trouxe o texto do Possenti porque o considerei bastante em tempo, ainda que ele responda a um post antigo.
O texto pela pura negação é,em si, frouxo e evasivo, muito pouco propõe: “eu não disse isso”, “eu disse assim, ó”, “você disse que eu disse isso, mas eu disse outra coisa”. Vamos acabar com essa história. O texto está posto e pronto! Aos olhos do leitor ele se multiplica, ganha novas e inimagináveis inferências, sucumbe da informação inicial, se trasnforma, multiplica-se em milhares de novos textos, esta é a malha complexa do discurso e o preço pago por quem nele se lança.
Ceratamente, eu - apaixonado que sou pelo Caetano -fizesse uma defesa similar a sua diante do texto do Bagno publicado na Caros Amigos(e agora o do possenti) que, acredite, não corresponde aos textos de teoria sobre a língua/linguística que ele escreve. Não sei o que houve com o Bagno para num surto inacreditável disparar um texto tão pobre, mal escrito e de argumentação rasteira em que nos chama a todos - participantes do O&P - de “As caetanetes”, numa ambígua flexão de gênero,(um adepto da sócio-linguística como eu, pode também classificar textos como ruins, não confundamos funcionamento comunicativo da língua com inadequação textual), o que me faz duvidar que o texto seja da autoria dele que é um cavalheiro e quase nunca aumenta o tom da voz. No contexto, a frase “Não sabe o que é letramento? Vá estudar!” que foi dirigida ao Caetano assim como poderia ser dirigida à Heloísa, Gil, Mula das Palavras, Luiz Castello, Julio Vellame, a você (que fez, noutras proporções, algo parecido com o Luiz Carias por ocasião do tráfego/tráfico - essas parônimas… sempre determinando boas e más escolas!)ou a mim soaria meio ridículo ou apelativo demais.
Eu, que tenho profundo respeito pelos estudos de linguística, considero Carnaval um post extraordinário: é propositivo, cresce no campo do hipertexto e diz com lucidez certas dores. Claro, Salem, que o Caetano inventou línguas em sua trajetória artística como sugerido no seu comment 215,uma defesa quase desesperada e, até certo ponto, desnecessária em favor do autor de Outras Palavras (talvez, você vá dizer que não disse isso que eu tô dizendo, que “ói, eu disse assim, ó” (Ó Deus Altíssimo,onde isso começa?), coisa mais nonsense… Ariadine, ajude-nos! Ocorre que negar ou recusar “autoridade” (Ó Deus da Vida, novamente?…) é uma das mais eficazes estratégias de poder, é confortável para quem a utiliza, exime-o da responsabilidade de falar sem a possibilidade de errar e o faz inferir livremente sem que pese sobre seu lombo o fardo dos rótulos ou o jugo dos títulos, de dominar sem dizer-se dominador.
Por enquanto, vou correr o risco de ponderar algumas idéias do Carnaval, mesmo que seja surpreendido pela “cascavel eriçada na moita”. Sempre considerei rígida a idéia da língua enquanto Signo (sistema ou código? não lembro) como propõe o francês Ferdinand de Saussure em sua teoria estruturalista-que me parece uma representação estanque não condizente com a dinâmica dos usuários da língua: a mobilidade da própria espécie humana. Interessavam-me mais os apontamentos do russo Mikhail Bakhtin que compreendeu a língua a partir de um princípio básico de cooperação entre os homens: o dialogismo, e o fez unindo genialmente os pilares da teoria marxista à linguagem e às relações sociais. Quer saber o resultado disso? Silêncio da crítica especializada seguido de anonimato in totum ao russo e glória, glória, GLÓRIA ad eternum a Saussure. Também, é admirável a engenharia fonética que o Roman Jakobson elabora quando das suas investidas sobre o poema do Poe, mas não chega a um milímetro da ousadia de Noam Chomsky em sua Gramática Gerativa Transformacional, que por parecer estranha aos norte-americanos, encontra muito mais subsídio entre nós aqui do baixo Sul.
Então, salem, sobre haver ideologia?, política?, polêmica? Há a palavra - este armagedom sutil que nos toma e embriaga. Abraços.
Ludey,
Vi o Caetano passar pertinho de mim na Barra, mas não tive coragem de chamá-lo. Uma vez, em Sto Amaro, um amigo meu, que hoje trabalha na Band, viu o Caetano passar e não resistiu. Correu afoito para abraçá-lo. Creio que o tenha feito com tamanho fervor, que o Caetano não suportou: “Me largue rapaz! Pare com isso!” Ele chorou muito naquele dia e eu achei engraçado demais. Conta pra mim como foi que você conseguiu se encontrar e discutir (quase em siêncio) questões de linguagem com ele.
Glauber,
Chorei ao ver o Ilê passar
e o ijexá do gandhi é de arrepiar.
Daniela, Margareth, Bel,
Ivete e Mariene hão de concordar:
pagode baiano é tudo o que há!
Té breve,
Wesley
Março 1st, 2009 at 2:28 pm
wesley,
adoro os filhos de gandhi. mariene canta muito bem. o ilê ayê tem sua história e importância. neo-pagode baiano não me causa espécie. fico com os caetanos e os elliott smith e os ravi shankars, que eu não sou bobo nem nada. abraço, compadre.
……………….
eli,
mandou muito bem com o vídeo “the story of stuff”. é preciso mudar hábitos.
……………..
pessoal,
peço licença para parafrasear o gessinger:
às vezes e com frequência, “eu me sinto um estrangeiro. passageiro de algum trem que não passa por aqui. que não passa de ilusão”.
o alemão mandou bem aí…
…………….
um belo dia para todos. joaquim phoenix rocks.
Março 1st, 2009 at 2:35 pm
Não compreendo quem pilheria com Karl Marx. Seria como satirizar Sartre, sacanear Voltaire, mandar Dante para o inferno, desdenhar o elogio da loucura, de Erasmo, compendiar Thomas Morus depois de ler a Utopia de tras pra frente.
Uma coisa é ser partidário de alguma coisa e defender seus pontos de vista, mas isso dentro de uma linha de respeito, vez que é crime vilipendiar os mortos (ou não?). Não sou contra quem seja militante partidario. Um homem não se completa totalmente enquanto não possui uma filosofia de vida. Vivemos em uma democracia e é chato ser um “analfabeto político” e sair por ai dizendo que não gosta de política.Acho que o Bagno tem direito de ter o partido dele. Caetano pode ter outro qualquer. O problema é deles. Certo, ou errado, não me cabe julgar. As teses aqui defendidas estão além de Marx, imagino. Não é um debate sobre ideias marxistas. Então não vejo razão de se desdenhar de quem optou por este, ou aquele partido político. Não tenho partido e nunca fui organicamente vinculado a qualquer organização popular.
Sobre jornalistas o que eu acho - e isso é chato de dizer - é que tem muitos deles(as) que ouvem uma coisa, interpretam e escrevem outra coisa e o que era bonito vira merda. Tem jornalistas que não compreendem bem o que pe a ética e por ai vai. Mas existem os bons jornalistas, os que primam pela seriedade.
Quanto a letra de “Sozinho”, cantada por Caetano, acredito que a letra é do Peninha com um novo arranjo do Caetano. Música das minhas preferidas.
Março 1st, 2009 at 3:09 pm
Exequiela, com sua clareza pratense, falou o que eu pensava nestes dias mornos: E o Zii e Zie ?
Conta-se nas mãos o número de pessoas envolvidas nesse papo lingüístico ( com trema só prá chatear os lingüistas ). Assunto que nos acompanha desde o post ” Sifu? “, no ano passado, e tem se transformado, em sua reta final, no grande assunto do OeP. Tá legal, temos muitos intelectuais por aqui! Já, aos não-intelectuais, restará a esperança de novos rumos/posts onde possamos interagir. Por enquanto me diverte o blog do Antonio Cicero ( cacilds ).
Abraços…
Março 1st, 2009 at 3:27 pm
Sirio Possenti,
Eu estive, por muito tempo, tal qual Caetano ao acreditar que “à” pudesse ser uma forma possível para o feminino de “ao”. Agora vejo que não: há uma preposição que não permite a inteira flexão de gênero.
Num post anterior comentei ao Caetano: “Veja, por exemplo, o que acontece com a formação dos epicenos: jacáré macho e cobra fêmea. Diferentemente do que acontece na formação do feminino em “professora” para quem se dá uma vogal temática inexistente na forma do masculino: “professor”, em cobra fêmea não há uma alteração morfológica do termo (justificativa das gramáticas normativas para a formação do feminino), mas uma alteração sintática. Seria mais digno dizer nas escolas que o gênero neutro do Latim vulgar se perdeu na passagem para o português.” Mas depois de sua exposição sobre o feminino de “ao” fiquei em dúvida sobre se os epicenos sofrem alteração morfológica ou sintática.
Luedy,
Sobre o Bagno ter-nos chamado de “as caetanetes” posto similar ao das xacretes ou ao das paquitas da Xuxa, será tem a ver com o fato do Caetano ter-se referido a alguns de nós como “os Luedys”?
Té breve,
Wesley
Março 1st, 2009 at 4:44 pm
“Não compreendo quem pilheria com Karl Marx. Seria como satirizar Sartre, sacanear Voltaire, mandar Dante para o inferno, desdenhar o elogio da loucura, de Erasmo”
concordo com isso. só não gosto é das malditas palavras de ordem.
e o “zii e zie”, como vai? tô doido pra ouví-lo aqui no meu som. no repeat!
Março 1st, 2009 at 4:55 pm
Vellame
Aspas são cruciais.
Março 1st, 2009 at 4:57 pm
(ON)OFF-TOPIC
Recuerdan un disco que me parece que está por lanzarse en el mundillo de la música?….. No recuerdo el nombre………… Ah sí!!!!!! Zii e Zie!!!!!!!!
Ya sé que esto no tiene nada que ver con lo que están “hablando” pero siento un poquito de curiosidad: cómo va el progreso? cuándo va a salir a la venta? Cómo va a ser la capa-tapa del CD? habrá alguna gira internacional que traiga al leoncito a nuestro Buenos Aires Q?
……….
Sí… les envidio el Carnaval y el ritmo!!!!!!!!! Algún día voy a conocer a ambos dos…. o no dicen que la esperanza es lo último que se pierde? Bla, bla, bla.
“Permit me to introduce you to YourSelf”
Março 1st, 2009 at 6:02 pm
“Salvo engano tem livros de autores brasileiros que sofrem alterações em Portugal e mudanças nos textos, para que o leitor em Portugal entenda…”
Farias, se isso acontece será com certeza muito pontualmente. Ou então muito recentemente. Assim de repente não me lembro de caso nenhum. Pelo menos com os livros de Jorge Amado, Veríssimo, Clarice Lispector,Ruy Castro, Castro Alves, Roberto Drummond, Ubaldo Ribeiro, Chico Buarque, Dias Gomes, Guimarães Rosa, Machado Assis, Caetano Veloso…
Eu também gostava de saber mais sobre o Zii e Zie, disco, dvd, shows…
Março 1st, 2009 at 6:29 pm
Feliz Aniversário Rio de Janeiro.
No meio da rua Teodoro da Silva – na terra de Noel - apareceu uma enorme cratera,como se tivesse sofrido o impacto de um asteróide.
E aí entra em cena,a verve do povo carioca,inesgotável na sua capacidade de driblar os buracos da vida com bom humor e inteligência.
Fizeram um boneco e o colocaram diante do abismo com uma vara de pescar,que pelo tamanho da cratera,no mínimo uma baleia vai ser içada.
Essa é a cidade onde eu nasci e me criei,e que está fazendo hoje 444 anos de vida.
Pra comemorar,convido todos os obreiros progressistas,para fazer um pequeno passeio pela história dessa,que para sempre no meu coração,será a mais linda cidade do mundo.
http://www.youtube.com/watch?v=-9UyK9W0UyA
Castello universalista,
e carioca.
Março 1st, 2009 at 8:14 pm
Wesley,
“Sobre o Bagno ter-nos chamado de ‘as caetanetes’ posto similar ao das xacretes ou ao das paquitas da Xuxa, será tem a ver com o fato do Caetano ter-se referido a alguns de nós como ‘os Luedys’?
Eu não sei se foi por isso, mas a idéia é ótima! Adorei! Apesar de achar que eu não mereça tanta deferência.
abs
luedy
Março 1st, 2009 at 9:06 pm
Wesley,
Gostei muito de seu comment (o #227).
É que eu costumo ler de trás pra frente os comments e só depois que respondi ao lance dos “luedys” é que li este seu comment. Há uma evidente erudição nas suas considerações e você evita sabiamente a polarização, apontando inclusive os excessos de Bagno (sim, eu também achei grosseiro da parte dele e, pior, achei que ele poderia estar perdendo a chance de ter um interlocutor bacana como é o Caetano. Se, em algum momento, eu de fato consegui que Caetano ultrapassasse sua justificável antipatia por ele, e se dedicasse a ler o que ele escreveu, eu fico muito feliz. Mas acho de verdade que muito antes e além de mim há um monte de gente aqui responsável por isso.)
Quanto à sua pergunta, eu devo dizer que eu não fiquei em silêncio, e nem em “quase silêncio”. Rebati alguma coisa que ele disse, me contrapus, escutei (mais escutei, é verdade). É que eu tava tão contente de estar novamente ali na casa dele e, desta vez, à convite do próprio Caetano, que ele poderia me jogar pedra que eu ficaria zen : - )
Mas eu tava à vontade. Tava tão à vontade que aceitei o convite para almnoçar (e já era no final da tarde, o que para mim já seria mais janta do que almoço) e comi uma moqueca de tainha deliciosa.
Ficamos eu e Tânia (a amiga linguista) felizes de perceber que Caetano leva à sério as conversas todas que rolam no blog. Antes do almoço conversamos sobre as questões de língua. Depois do almoço ficamos conversando sobre mil assuntos e, aí sim, eu fiquei em silêncio reverente: Caetano contou histórias deliciosas acerca de seus contatos com Clarice Lispector (entremeadas com comentários engraçadísismos acerca das novas manias dos fãs de registrarem tudo em câmeras fotográficas digitais ou celulares. Segundo ele, a maioria das pessoas não sabe usar direito os novos artefatos e tomam um tempo enorme dos artistas pedindo para serem fotografados ao lado deles, registrando e conferindo se a foto ficou boa mesmo - se não ficou, eles pedem para tirar de novo, ou pedem ajuda a alguém e deixam os famosos bastante irritados).
Bem, mas eu tô enrolando, né?
A conversa foi bacana por tudo o que eu disse antes. Mas foi bacana também porque acho que Caetano escutou com atenção aos nossos argumentos. O meu, principalmente, era o de que o falante matuto, sem escolarização, não é um “despossuído”. Do ponto de vista linguístico, este falante não é um despossuído - ele pode ser muito bem um falante mais que competente de sua própria língua, ele pode se valer de construções sofisticadas também. [Aliás, foi esta a sensibilidade que teve o Guimarães Rosa para perceber a riqueza do falar dos matutos].
Disse a Caetano que esta era certamente a questão epistemológica fundamental, algo que dividia gramáticos tradicionalistas de sociolinguistas. Acho que ele me escutou. Pelo menos ele parou para pensar a respeito.
Minha amiga linguista traçou uma gênese das gramáticas, ressaltando que estas deixaram de ser vistas e tidas como um registro descritivo para se tornarem prescritivas e daí a forjarem uma imagem idealizada de língua. Na verdade, o discurso dela foi muito mais sofisticado do que eu seria capaz aqui de descrever.
meu amigo, Paquito, que fez a ponte, mais concordava com Caetano do que com os nossos pressupostos. Mas eu confesso que estava meio sem vontade de repetir tudo o que já havia dito aqui no Blog. Além do que, eu não sou especialista, meu repertório de argumentos já estava um tanto gasto. Acho que fiquei mais foi curtindo estar ali ao lado de meu ídolo e escutando uma linguista e verdade (autoridade, viu, Salém, pesquisadora e erudita sobre o assunto) falando e dando exemplos interessantíssimos.
Da outra vez que estive lá eu acho até que aproveitei mais: tinha menos gente (aha, quase que eu escrevo “menas gente”, em homenagem a Caetano) e eu fiquei mais à vontade. Toquei violão, Caetano tocou também. Dessa vez havia mais gente e o clima não foi tão intimista, mas foi muito bacana.
Lamento pelo seu amigo. Mas, pô, nossos ídolos são de carne e osso, eles se assustam também, têm mau-humor, ficam aborrecidos, assim como qualquer um de nós.
abs
luedy
Março 1st, 2009 at 9:57 pm
Wesley
Tudo certo no que você diz. Tudo claro.
Apenas uma observação:
Quando com ironia e até uma certa falta de cavalheirismo, eu disse ao Carias que talvez a escola que ele tenha estudado não fosse melhor do que “as de hoje”, a mira era outra.
Não queria simplesmente o desqualificar pelo “erro” tráfego/tráfico. Queria ali mostrar em um só exemplo que: 1- a oposição que ele sim criou entre as “boas e rígidas” escolas do passado e as más escolas de hoje era frágil. Que a escola que ele fez talvez também não fosse tão boa assim. 2- que há erros de português (embora, se insistisse que não) que prejudicam a compreensão exata de uma frase se a deslocamos do contexto. Melhor: existe escrever bem. Queria sacudir o Carias e não ofendê-lo.
Ah… minha “defesa desesperada” ao Caetano nem foi defesa e nem foi desesperada. Desnecessária, talvez sim. Mas, mesmo que seja o óbvio, é bom loembrar que Caetano não deve ser visto como um sujeito “conservador” quando o tema é língua. Há mais conservadorismo no discurso protecionista de “alguns” sócio-linguistas anti-opressão, do que na difícil aventura de se considerar a norma e subvertê-la ao mesmo tempo. Esse sim um desafio libertário, e ao meu ver, só possível com a contribuição da arte.
Sergio Valle
Sim. Letra e música de Sozinho são de Peninha. Assim podemos dizer em duplo sentido que “Peninha compôs S(s)ozinho”.
Peninha é hit maker, assim como o teu quase homônimo Paulo “Sergio Valle”.
Quanto a brincar com Marx, se você se referiu ao texto nonsense que fiz, inspirado nas fotos bem sacadas do Glauber, acho que há exagero politicamente correto da sua parte. Humor é isso. Ou vamos começar a perseguir chargistas, como fazem os fundamentalistas. Marx foi um gênio, mas nem o maior dos gênios está imune ao humor. Por aqui, Marx é recorrentemente elogiado quando se fala sério. A brincadeira que surgiu com a Família Marx imaginária, e que Caetano também parece ter gostado, foi até bem inocente.
beijo nas 2 testas
salem
Março 1st, 2009 at 10:12 pm
Feminino é uma palavra no masculino.
Quanto à “navegar é preciso”, o infinitivo “navegar” tem atributos de substantivo (masculino) “o navegar”. E a palavra “preciso” concentra a função de adjetivo (com duplo sentido). Precisão no sentido de necessidade ou exatidão.
“O” navegar é necessári”o” ou “O” navegar é exat”o”.
Posso estar na superfície. Talvez não tenha compreendido a profundidade da questão. Não vi muito mistério nisso, não.
in test
salem
Março 1st, 2009 at 10:15 pm
Cacilds!
Palavras nascem no masculino ou no feminino assim como gente? Se for assim, aceito numa boa. Palavras não têm opção sexual. Claro que se olharmos o mapa genético de cada uma delas talvez se encontre explicação. Mas eu aceito o gênero. É graças à existência dessa diferença que nascem p´´rolas como Menina da Ria.
salem
Março 1st, 2009 at 10:35 pm
Professor Possenti, o senhor me confundiu. Como garantir, agora, depois de sua explicação ao Caetano, o masculino e feminino das palavras?
Heloísa querida, gosto não se discute mesmo. Como pode adorar Sonhos e não suportar Sozinho? Adoro as duas. Por sinal, comprei novamente o cd “Caetano - Prenda Minha”, para renovar o antigo disco.
Maria.
Março 1st, 2009 at 11:06 pm
Sim Glaubito, Heloisa e Bárbara, a voz é um dos mais belos instrumentos musicais. As vezes o mais importante. O belo canto me encanta mais que um belo solo de guitarra, violino, ou qualquer outro instrumento, embora a perfeita harmonia entre a voz, as vozes e os istrumentos seja realmente um orgasmo na alma. Sempre admirei quem sabe colocar, ou postar a voz de forma linda, com técnica e lirismo. Caetano é um desses.
O Salém, já bem antes, aqui mesmo no OeP ,ressaltou a diferença entre cantar e “colocar” a voz em um estúdio. Sei disso.
Março 1st, 2009 at 11:43 pm
glauber meu bom,
eu quero falar de música na dimensão que eu posso no blog do Caetano…acho que vale né? No papo da língua eu tô dentro mas…pé dentro pé fora…o que eu quero é música em português, na língua, música que fale a minha língua… quero rocks, quero fazer samba com tudo…também queremos ganhar medalhas, bater no peito, krig rá bandôlo. quero poder calçar as botas e cair dentro, acho que podemos.
Mas antes disso, temos que entender do que estamos tratando, o que já conseguimos, e como diz a canção do Bono, ou quer dizer: temos que entender o quanto beautiful nós somos You don’t know how beautiful
You don’t know how beautiful you are
portanto o problema não são as gravadoras, era bom que fosse. A bola está com a gente, temos um continente musical, o que queremos fazer com isso? Bater palmas? Não pode ser só o caso. Então vamos…a situação ficou medonha, um desastre, o setor foi desmobilizado de fora pra dentro. Interessa? Não! O que houve? Mudou a plataforma, o avanço tecnológico determinou um novo paradigma, o negócio virtual. No mundo desenvolvido se estabeleceu a nova forma de distribuição da música e se estabeleceu uma fonte, o Itunes. E o resto? E o passado? Continua mas em decadência, vendem-se Cds e DVDs mas cada vez em menores números. E o negócio virtual? Cresce, é o que cresce de ano pra ano. E nós como estamos em relação a isso? Olhando e baixando sem pagar, disseminamos internamente a prática de baixar ilegalmente música e filmes e não há sinal para um retrocesso disso. E a consequência? Desestímulo para o setor organizado da música em investir no nosso mercado…e o desastre? o vazio, estrelas solitárias, tiro curto, falta de renovação, mercado de supermercado, padre na ponta, bagunça, consolidação do produto estrangeiro e ausência do similar nacional no mercado mais sadio.
Vamos agora falar dos discos fora de catálogo? quem quer comprar? Se ninguém ou muito pouca gente quer então deveria ser disponibilizado grátis? E as viúvas concordam com isso? Passamos por cima delas? E os direitos envolvidos?
No mundo virtual não haverá fora de catálogo, tudo estará em catálogo para ser devidamente acessado.
Quais as iniciativas que queremos que sejam adotadas? Mas lembremo-nos que “eles” não estão nem aí hein…desmobilizaram tudo…só tem baixadores? então não tem indústria…pronto…todos se locupletando e a nossa música no buraco, sem saída, sem projeto.
Mas quais são as iniciativas que nós brasileiros gostaríamos de sugerir para a Apple vir pra cá? Pra eles investirem na digitalização de toda nossa música, de todo nosso catálogo que existe e que existirá. Qual é o plano de negócio que temos pra eles? Nosso mercado com certeza, mas baixando a revelia? Aí eles não vem….que terreno nós vamos preparar?
Esquece as gravadoras, quando elas estavam aí nunca demos muita trela e deixamos de cobrar direito, corretamente, permitimos essa desmobilização depois de anos de negócio altamente lucrativo, não nos protegemos, demos tudo e agora estamos aí…sem nada, no supermercado, sem plataforma de futuro. O problema é nosso, nossa falta de política cultural, nossa anti política cultural.
A moçada sem fins lucrativos tem é que saber do que estamos tratando e que isso é coisa séria, veja a França, leva a sério a luta cultural, sabe do que se trata. Tem que haver muito juízo quando forem tocar na circulação do bem cultural de mercado, no mercado. O que tem propriedade tem que ser respeitado, no blog, no loronix e em qualquer parte…temos que respeitar as viúvas, os netinhos, os filhinhos, as pensões, os direitos hereditários…fizeram a revolução francesa! cabeças foram cortadas! morreu gente! tem lei…pra mudar a lei tem que mudar o congresso, ganhar no voto e mudar, mudar a lei.
Temos que mudar as leis que nos impedem de avançar e temos que saber onde está o avanço, teremos que optar.
Se não falei, falo agora: a luta continua…eheh…o bagno também falou? ora vejam, o bagno querer se meter com caetano…tá fudido! ( sorry…) tá fudido! nós somos caetano e tá acabado. ( eheheh…que delícia o carinha se agarrando em caetano e caetano: sai daí, que é isso!…ahahah…que maravilha!!!!)
os 3 rapazes, aqueles do filme que queriam encontrar maradona, acabam encontrando…maradona vem cumprimentá-los, é noite, em frente de casa, assina as camisas de cada um, abraça-os, eles choram copiosamente, maradona diz que é uma honra recebê-los, e clama o grito de guerra, a palavra de ordem: amem o futebol!…não é demais? uma cooooiiiiiisa….vc vê e chora…Maradona é um troço…eu sou argentino desde criancinha! Exequiela meu amor, eu sou ciumento….
maradona entra no carro, se despede e sai, os rapazes vão correndo atrás do carro gritando o nome dele e acaba o filme…nãO SEI QUE FILME É…um escândalo, cadê? alguém sabe? Não vi no jornal e não estou mais lá…de volta pra terrinha…Salém, cadê vc Salém? Tá enrolando a língua? eheheh…vamos pra suiça cumpadre, ou não…kiss kiss bang bang
Eli, beleza que vc não discorda, quanto ao modelo…eu também posso ser contra o modelo, mas depois, antes tenho mais o que fazer com o modelo que está aí, mas vamos mudar o modelo, mas depois, antes vamos, o desastre pode ser maior, temos o que fazer no modelo…Eli, modelo?
olha, o “a luta continua” não foi você que falou não, foi bagno. tá no comentário de othon. estes pontos abaixo, uso para separar, quando me dirijo a alguém em especial e tal. inté!
…………..
cadê labibarrock pós-carnaval??
Março 2nd, 2009 at 12:08 am
Possenti, é claro que uma preposição não tem gênero, mas acredito que qualquer falante de português entenda a contração “ao” como masculina, já que o artigo “o” aparece aí. Se não fosse essa ideia, como saberíamos que a “ao” sempre se segue uma palavra no masculino? Isso não precisa mesmo estar escrito em lugar nenhum, pois é assim que entendemos nossa língua.
Além disso, acho estranha essa ideia de negar o gênero. Por que é difícil garantir que há masculino em “menino”? E, como o Salem disse, o predicado de “Navegar é preciso” só poderia mesmo concordar com o masculino “o navegar”, não? Ou Guimarães Rosa poderia ter escrito “Viver é muito perigosa”?
Não entendo aonde uma discussão dessas quer chegar, mas aceito de bom grado uma aulinha. E com muita honra.
Você é um autor que eu respeito e admiro muito, embora prefira suas ideias linguísticas às gramaticais. Por enquanto.
Maria, querida, para mim as duas canções são muito diferentes, apesar de serem do mesmo compositor. Não gosto de “Sozinho” porque a letra não bate em mim, e a melodia me cansou depois de pouco tempo. Já “Sonhos” me encanta desde sempre, com sua beleza triste e suave. Peninha estava em dia de graça.
Nossa, Luedy, que inveja. Conta mais!
E se eu estiver incluída nos “luedys” daqui será com muito orgulho, pode ter certeza.
Março 2nd, 2009 at 12:49 am
Castelão! show de bola, vi tudo, o filminho do Rio de Janeiro, é isso mesmo…bacanérrimo…valeu demais…e na Vila Isabel tem buraco? E o Salgueirão ganhou? só quer ser diferente…eheh…viva o salgueiro! é bala com bala e o urubu sai voando…mengoooooôôô…vou pedir pra esquentar o feijão…eu tô voltando..pra semana te conto…passa lá…valeu mermo…vi essa novela indiana, mas o que é isso???francamente…degringolou?
Março 2nd, 2009 at 2:18 am
Obrigado Possenti pela correção.
E daí que: “a independência foi proclamada pelo príncipe da metrópole”? Diana Krall tem 4 (eu disse quatro) músicas brasileiras em seu novo CD.
Cantando “Esse teu olhar” em PORTUGUÊS!!
Klaus Ogerman meu bróder.
Viva Tom, bora baêa!
Março 2nd, 2009 at 3:07 am
Fernando Salem,
Não foi a sua ilustrissima personalidade que me moveu a escrever o comment em que citava Marx. Sua brincadeira foi muito bem compreendida. Também sou contra essa coisa de buscar querer ideologizar o blog e as discussões. Eu até não sou marxista, mas entendo alguma coisa do que ele defendeu. Imaginar que as idéias de Marx morreram é uma mancada. Os erros dos paises que sustentavam uma linha marxista ruiram, não por conta das idéias dele, mas em decorrência dos erros cometidos pelo genero humano. Stalin errou, errou. Todo mundo erra, uns com maior gravidade, outros com quase nenhuma gravidade. Não sou marxista e defendo o fim ao embargo contra o povo cubano, pois o prejudicado não é Fidel, mas o povo. Se os americanos do norte acham o regime de Cuba ruim, deviam retirar o embargo, pois tudo o que é ruim se desmancha. Eu nem tenho partido político e acho isso bom porque posso criticar à vontade, mas sempre pautando minhas críticas dentro de uma linha de respeito. Não sou marxista e não sou anti-comunista. Acho que os comunistas tem ótimas idéias. Os socialistas também tem. Eu pendo mais para ser um sujeito de esquerda, mas ainda não sou. Não me considero de direita e sei que só tem essas duas opções. Falar em centro é o mesmo que dizer: estou em cima do muro e só pulo na hora H. Não me acho oportunista, nem fisiologico. Gosto de ler e não de polemizar. Estou preocupado com essas reformas, como sempre estive preocupado com a educação e a saúde no Brasil. Nessas duas áreas só mesmo uma revolução ajudaria e eu temo as revoluções. Não gosto de nenhum tipo de ditadura. Então, o alvo do que escrevi, não foi sua simpatica pessoa que devemos admirar pela inteligência e rapidez de raciocinio. Você tem muitas virtudes. Acho assim: se alguém quer atacar alguém que faça com argumentos. Mas acontece que Marx conduz tudo para a filosofia marxista e não é todo mundo que está apto a debater teorias marxistas, até porque quase ninguém leu O Capital. Quem leu, leu versões resumidas e não leu no idioma original. Então, companheiro, nada a ver com sua “charge”. Gosto de chargistas. Deus salve o nosso Brasil e que Caetano e os (não conhecia esse negocio de lingistas, socio-linguistas) contra-argumentadores dele cheguem a um denominador comum. Não sei o que o pessoal da gramática normativa pensa, mas acho que os tais linguistas são um “pancadão na molera” do Caetano e ele é duro na queda. Já tá na hora dele aparecer com um comment provocante, porque ele agita; é o “rei sol” do pedaço e nesse blog ele tem varios tipos de conselheiros e, verifico, em Heloisa e o Eduardo e outros “cabras bons”, um enorme potencial de sustentação daquilo que defendem, tanto que vou ler o tal do Bagno (pra ver se entendo alguma coisa). Eu não tenho armaduras nem por fora e nem por dentro, de modo que sou aberto às discussões e ao bom combate.
Tenha um ótimo amanhecer.
Ah, a Miriam Lucia é uma boa comentadora e nunca mais li as coisas boas que ela escreve, ou estou enganado?
Março 2nd, 2009 at 3:09 am
Vou responder pq a ironia me pareceu espirituosa…
Ai o principe Pedro I, que vinha do lar da Marquesa de Santos com uma infernal “dor de barriga”, agravada pelo fato de não haver papel e de estar viajando em um pangaré (uma mula), foi obrigado a parar perto das margens do Ypiranga. Foi pra detras de uma moita, acocorado, e despejou obra rala na terra. Como fez para se limpar, não sei. Com os lenços dos soldados que o acompanhavam, não deve ter sido. Então presumo que usou alguma folha que não fosse cansanção, nem urtiga. O fato é que deve ter se limpado. Voltando da moita, viu alguns portugueses (D. Pedro ainda estava se ajeitando)que lhe traziam a exigência de para que o mesmo atendesse aos apelos da corte, em Lisboa… Dai…
Bem, dai vc pode imaginar que D. Pedro não gostou e não disse aquela famosa frase, o que ele pronunciou e tudo mais o que aconteceu naquele dia está registrado em BRAZIL HISTÓRICO, de MELLO MORAES, cujas edições existentes em Salvador foram furtadas e nós, soteropolitanos, não possuímos mais esta valiosa obra, que é de domínio público e que pode ser publicada por qualquer um de nós, atendendo as exigências da BN, onde o exemplar se acha microfilmado para que quiser adquirir a obra. O filme em que T. Meira interpreta D. Pedro é falho, nesse aspecto, tanto quanto o quadro famoso de Pedro Americo (1888). Bem depois D. Pedro vai à corte lutar pela sucessão contra a mãe e o irmão, Miguel. Essa briga até hoje continua através dos herdeiros, pra saber quem tem DIREITO AO TRONO NO BRASIL (é risivel, mas é real). Ainda imaginam que seremos todos suditos…
Então tái a porcelana - faça uma boa história e sirva-se dela, bem à vontade. Com isso não intento baixar nossa auto-estima, mas se a nossa verdadeira história pudesse mesmo ser contada, seria até engraçada e mais gostosa de se aprender brincando.
Março 2nd, 2009 at 3:14 am
Boa Noite blogueiros de plantão…
Poxa vocês fundiram minha cuca com sta história de preposição feminina sendo artigo masculino, que confusão maluca.
Acho que de todos os posts só posso confirmar uma coisa: só Lobão tem razão.
Depois desta brincadeira, alguém pode consertar minha cabeça que esta virada, com tantas regras e tantas confusões linguisticas.
Quem tem razão afinal??Caetano,Maria, Heloísa, Salém, Possenti, help me please…rs
Poxa depois que estudei a canção língua a fundo, creio que esta viagem linguistica que estou vendo aqui tá complexa ao extremo.
Por favor CÊS não podem ser menos complexos e simplificar as regras.
Bom por momento é isso,
desta mente cansada de pensar nas rtegras,
Luiz Carias.
Março 2nd, 2009 at 3:17 am
Paulo Osorio,
Você tem razão. Felizmente coloquei o “salvo engano”. Bem, veja sobre o assunto o que coletei e que está em um site que é favoravel a esta reforma que foi assinada em 1990 :
[Pergunta] Os livros de autores brasileiros que actualmente são publicados em Portugal creio que o são com a norma do português europeu. Portanto, quando o novo acordo entrar em vigor, será que serão editados conforme vêm do Brasil? Se assim for, não será mais confuso depois, dado a diferença que existe em termos gramaticais?
Sou literalmente viciado neste site, e o trabalho que vocês têm feito tem-me ajudado bastante, bem como me tem apaixonado cada vez mais pela nossa língua.
Romeu Pereira :: Desempregado :: Fafe, Portugal
[Resposta] Não se faz adaptações de autores brasileiros só por causa da sua sintaxe ou semântica, mas também por causa da ortografia.
Aliás, muitos dos arranjos sintáticos brasileiros não violentam em nada a índole da língua. Por exemplo, embora estejamos habituados às regras da próclise e da ênclise do português europeu, não é por essas regras aparecerem trocadas no brasileiro que deixamos de entender perfeitamente a literatura brasileira. Quanto à semântica, não temos no nosso país diferenças sensíveis e inúmeros regionalismos? Por exemplo, é sempre fácil ler Aquilino Ribeiro?
O grande problema tem sido a ortografia, pois não é aceitável que textos brasileiros sejam indiscriminadamente apresentados em Portugal, dado que a norma ortográfica por que se regem apresenta algumas diferenças, sobretudo nas nossas consoantes não articuladas, que eles já suprimiram. O mesmo se passa no Brasil com textos de autores portugueses, também nas mesmas consoantes ou em muitos acentos que, por nossa vez, já suprimimos. Compreende-se que oficialmente, nas escolas ou na comunicação social, cada um dos países não deva ter textos com erros ortográficos à luz da sua norma oficial.
O novo acordo pretende resolver este problema, legalizando todas as variantes no universo da língua, uniformizando a grafia quanto possível e aceitando as variantes quando mais de uma forma gráfica for indispensável para a mesma palavra.
Já hoje se lêem os originais dos autores do outro país, quer cá quer lá, sem quaisquer problemas, porque as diferenças não constituem obstáculo ao perfeito entendimento na escrita (o mesmo não se passa sempre na oralidade…). Depois ler-se-ão na mesma e, além disso, terão sempre uma ortografia legal.
Março 2nd, 2009 at 3:22 am
Este artigo escrito por portugueses vale à pena ser lido por quem gosta do tema:
o link éhttp://ciberduvidas.sapo.pt/controversias.php
O autor é Vasco Graça Moura que o Olavo citou!
Quarta-feira de cinzas *
Vasco Graça Moura
«Não há conversor que permita escolher entre as várias versões gráficas tornadas facultativas pelo Acordo [Ortográfico] e portanto todas e qualquer uma delas são susceptíveis de ser utilizadas, pelo facto singelo de todas e qualquer delas constituírem alternativas admitidas como correctas», escreve o escritor, poeta e eurodeputado português Vasco Graça Moura, em artigo publicado no Diário de Notícias de 25 de Fevereiro de 2009.
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Não estão definidas quaisquer metodologias de aplicação do Acordo Ortográfico nas escolas. Ninguém sabe quais as propostas concretas que terão sido elaboradas para se fazer a transição do actual sistema ortográfico para o próximo. Não há, que se saiba, qualquer estudo realizado por serviços competentes do Ministério da Educação [de Portugal]. Não há também qualquer estudo sobre as consequências práticas da aplicação do Acordo no que diz respeito ao ensino de português e das doutras disciplinas. E a ministra da Educação nunca abriu a boca em público sobre estas coisas.
A Assembleia da República aprovou um prazo de seis anos para a entrada em vigor do Acordo. É evidente que não pode improvisar-se nesta matéria. Teria de haver especialistas a estudar, a programar e a fasear uma transição. Não consta que tenham sido nomeados. E teria de ser previsto um dispositivo de avaliação cuidadosa e frequente. Não parece que exista.
E, todavia, para as luminárias de dois ministérios, o da Cultura e o da Educação, parece que basta a existência de um corrector ortográfico da Priberam para o Acordo Ortográfico começar a ser aplicado no ensino! Não em seis anos, mas em menos de seis meses! Com este Governo é assim: faz-se tudo sobre o joelho e o princípio é sempre o mesmo: “Zás! Meia bola e força!”
Sem que tenha sido aberto concurso, aparece uma empresa privada a fornecer ao Estado uma ferramenta informática, ferramenta essa que igualmente não foi ainda nem está para ser, que se saiba, examinada e testada por especialistas.
Diz o ministro da Cultura que ela está a ser testada na Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Fui administrador da IN-CM durante perto de dez anos e nunca me constou que ela fosse um serviço de análise pedagógica ou didáctica dependente do Ministério da Educação.
Diz também o ministro que, com a ferramenta informática, quem escrever em português terá a opção de converter automaticamente o texto segundo o novo Acordo Ortográfico, sejam as normas do Brasil sejam as de Portugal.
O grau de paranóia que nesta matéria atingiu o Governo [português] não lhe permite atentar nesta realidade comezinha: não há conversor que permita escolher entre as várias versões gráficas tornadas facultativas pelo Acordo e portanto todas e qualquer uma delas são susceptíveis de ser utilizadas, pelo facto singelo de todas e qualquer delas constituírem alternativas admitidas como correctas!!! Ter-se-á previsto um sistema aleatório “convertendo” as grafias sem qualquer espécie de critério que não seja o das leis do caos? Ou o conversor imporá inexoravelmente a adopção de uma grafia única nos casos em que o Acordo consagra a facultatividade?
Como escreve António Emiliano, «haverá apenas uma ‘norma multiforme’, que terá a particularidade de, para além de não ter instrumentos normativos conexos, permitir que se escreva um sem-número de palavras de maneiras distintas sem regra. A palavra que hoje em Portugal se escreve oficial e correctamente ‘decepcionámos’ passará a escrever-se oficial e correctamente em todos os países lusófonos signatários ‘decepcionámos’, ‘dececionámos’, ‘decepcionamos’ e ‘dececionamos’. Presume-se que o ‘conversor’ apresentará todas as possibilidades, o que tornará o procedimento rotineiro de correcção ortográfica um pesadelo para qualquer usuário».
O mesmo professor tem chamado continuamente a atenção para o facto de o Acordo gerar, «para além do elevado número de grafias duplas, formas com quatro grafias distintas e um conjunto incontável de expressões compostas com oito, 16 e até 32 grafias possíveis, sem oferecer qualquer critério normativo», facto que, acrescenta, «põe em causa a estabilidade das terminologias técnico-científicas», essencial para o desenvolvimento.
Mas então como é que a lição, o manual, o livro de leitura, o auxiliar de estudo vão escolher uma das grafias possíveis? E como é que se vai explicar a docentes e a discentes a razão por que não se opta por qualquer das outras?
Com a TLEBS e com o português de uns ofícios recentes de uma dama que é directora regional de educação do Norte, o Carnaval já tinha chegado à língua portuguesa. Mas é verdadeiramente deprimente a ressaca ortográfica que se vislumbra nesta Quarta-Feira de Cinzas.|
Março 2nd, 2009 at 6:16 am
Por favor, que alguém me explique o que é o carnaval.
Minha vó tá detestando a India por causa da novela das 8.Ela falou que “as castas” era a coisa mais estupida que ela ja viu.
Eu disse a ela que eu compreendia aquilo e que aqui no Brasil isso pode se apresentar de outras maneiras.
Questões e constatações:
1.Será que no carnaval existem castas ocultas?
2.O Fantasmão foi a coisa mais linda do carnaval.
3.Kuduro, pra mim, é uma dança mais bonita que a Dança do Créu.Não sei, é o jogo interno das pernas.Parece uma lambada da Dança do Tchaco.
4.Psirico, She-Ha, As muquiranas…
5.”Homenina neo paraís de felicidadania”
Março 2nd, 2009 at 6:32 am
HELOISA,
Você sem querer “MACHUCOU” ainda mais, meu coração “plafonado”,que estava bem baixinho a quase de chegar, agora, ele está nas barbas do chão).
Qué isso de que “Caemío DIZ BOBAGENS”?….”aa”…”aa”….”aa”…”ao”…”ao”…”ao”.não , não ”aa” bobagens que ele disse eu entendo bem, mas será porque me língua materna é espanhol?!.
Eu acho que se poderia escrever segundo, dependendo dos verbos e comnotaçoes dadas “aa” palavras a se falarem, escreveriam, neste exemplo: o verbo “ir, e o verbo “dar”, (Vou)(aa e ao),… “aa” vista(a) e “a” prazo(o)”,(ficaria igual)nao “há” porque tirar “a”, so agregaria outra “a” quando seja o caso preciso ….e com o exemplo, escrever ”àquilo”, assim, a ver que achas Helô!,(“aoa” àquilo(é um bom invento?)), e “às pressas”, (“de” pressa”) e “a cadeado”, (“o” cadeado).
O português mistura…o feminino donde caberia o masculino, e viceversa, muito esquisito pra mim….nao passa com o espanhol, é feminino com feminino, e masculino com masculino, por exemplo segundo seus exemplos seria algo assim: “deprisa” (feminino) se escreve todo junto e “a cadeado” escrevemos (el candado), masculino, acho muito mais “simple”.
(Claro, que isto que escrevo são todas “bobagens” minhas…rsrsrs…alias se alguém chegasse a entender o que estou dizendo não seria tan ma idéia, isto que trato de dizer,acho… não sei, só estou “impertinando” um poquinho, me desculpo, mais estou circunstancialmente me sentindo “difícil” nestes dias…com cansaço demais! e acabo nao dizendo coisa com coisa).”Só pra contrariar”…enfim..ah! lembrei…é que faço menção ao este grupo musical, pra homenagear a Helô, e dizer também que gostava mais quando estava Alexandre Piris. Eles sao mineiros verdade?.
SÍÍÍÍÍÍ!!!.
VAMOS EXPLICAR “DUMA” FORMA SIMPLISTA!,….
Oh! Helô!…. “LÍNGUA”…..”Gosto de sentir a minha língua roçar/…./Gosto de ser e de estar/E quero me dedicar/A criar confusões de prosódia/E uma profusão de paródias/Que encurtem dores/E furtem cores como camaleões /Gosto de Pessoa na pessoa/De rosa no Rosa/E sei que a poesia está para a prosa/Assim como o amor está para a amizade/E quem há de negar que esta lhe é superior/E deixa os Portugais morrerem à míngua/……../O que quer/O que pode/Esta língua/…../Vamos na velô da dicção choo choo de……/E deixa que digam/Que pensem, que falem.
CAETANO DISSE: “Em suma, eu sempre curtindo minúcias dos falares, apaixonadamente, sendo chato para tantos, amadoristicamente, diletantemente, irritando os especialistas”.
Bobagem?…tolo, bobo?,….Heloisa, imagino que você se refere aquele que na Idade Média “DIVERTIA” nobres com suas chalaças e momices: palhaço?. Caetano, surpreende, ensina e encanta!….aaahhhh!!
Menos mal, que você logo disse que “CANTA” ativando uma parte do cérebro que….ainda vão descobrir.
Pra mim é a mesma “parte” que “SURPREENDE, ENSINA E ENCANTA”….mais Helô mia!…talvez eu saiba que parte seja essa do “cérebro” de Caemío.
Numa “parte”, que faz mais “parte” nele, donde se encontram ativadas a “humildade” e o “candor”, donde não “tem” ou não “há”,luxo, sem complexidade ou dificuldade de sempre querer….TUDO duma “forma” SIMPLES…acredito que essa “parte” esteja para o lado do hemisfério DIREITO do cérebro, aonde se passa o emocional, afetivo do e de ser! a gente mesmo.
Deixa que diga, que pense, que fale….”bobagens”…porque esse “ser” que você disse que às vezes diz “bobagens” é
“um Peter Gast”, e existe graças a Deus, mas, seu verdadeiro “homem palhaço?”…se a de chamar “CAETANO VELOSO”…..
Sou um homem comum
Qualquer um
Enganando entre a dor e o prazer
Hei de viver e morrer
Como um homem comum
Mas o meu coração de poeta
Projeta-me em tal solidão
Que às vezes assisto a guerras
E festas imensas
Sei voar e tenho as fibras tensas
E sou um
Ninguém é comum
E eu sou ninguém
No meio de tanta gente
De repente vem
Mesmo eu no meu automóvel
No trânsito vem
O profundo silêncio
Da música límpida de Peter Gast
Escuto a música silenciosa de Peter Gast
Peter Gast, o hóspede do profeta sem morada
O menino bonito, Peter Gast
Rosa do crepúsculo de Veneza
Mesmo aqui no samba-canção do meu rock’n’roll
Escuto a música silenciosa de Peter Gast
Sou um homem comum. (Caetano Veloso).
HELOISA, NÃO GOSTEI NADINHA DE VOCÊ SE REFERIR ASSIM DESSA MANEIRA A MEU “CAETANO MÍO”, PREFIRO QUE SIGAS CHAMANDO DE “PICUINHAS”,E NAO DE “BOBAGENS”, MACHUCOU!, BOBAGEM!…mmmmhhh DUVIDO QUE CAETANO, POSSA CHEGAR A DIRIGIRSE A VOCÊ ARGUMENTANDO DESSE JEITO,… BASTANTE VAIDOSO?….E ABUSADO? HELÔ MIA!.
Vero, com “El plafón” muito machucado já quase ao rãs do chão…. e não é “bobagem”.
Março 2nd, 2009 at 7:49 am
gil,
ok, entendo o que cê diz, mas só uma coisa: que dinheiro de viúva é esse que elas nunca viram??? muitos artistas dos 60s e 70s já não ganhavam nada lá, quanto mais depois de mortos. os que estão vivos agradecem aos colecionadores de vinyl e à moçada dos blogs pelo interesse em seu trabalho [que a indústria desprezou, por motivos óbvios].
e não tô falando de gente marromenos não, são artistas incríveis, que já podem voltar a fazer shows, gravar, prensar e vender seus discos, graças aos “loronixes” da vida.
isso acontece MUITO lá fora, no circuito de rock, folk e blues, por exemplo. os coroas tão voltando com tudo porque tem uma camada da população jovem que os vê como heróis, sobreviventes da era de ouro.
se a indústria não estava nem aí para o patrimônio cultural, alguém tinha que fazer esse trabalho sujo, porque nem só de “milli vanilli” vive o homem, hahaha.
cê é guerreiro, valorizo isso. abraço, compadre.
Março 2nd, 2009 at 8:17 am
Acabo de chegar da Cidade de Deus onde MV Bill me pediu para abrir minha apresentação cantando “Sozinho”. Dezenas de milhares de habitantes da CDD cantaram comigo. Lancei a candidatura de Bill ao Senado. A ideia foi ovacionada. Já estou na campanha.
Heloísa, dizer que à é o feminino de ao é simplista. Mas pode ser uma luz para começo de conversa sobre a crase. De resto, não concordo com escrever-se “foi escrito à mão”. Se é “a lápis”, pra mim tem der “a mão”. “À mão” quer dizer outra coisa: quer dizer “ao alcance da mão”. Também: “Enfrentou-o a tiro de espingarda” e “enfrentou-o à bala”. Por que “à”?
Arto Lindsay é americano de nascença e formação, filho de pai e mãe americanos, mas passou a adolescência em Garanunhs, daí sente-se pernambucano. Voltou a viver nos EUA, fundou o genial DNA, depois o genial Ambitious Lovers, e agora vive no Brasil. Passou vários caranavais na Bahia (onde fez intervenções incríveis, maracdamente a colaboração com Mathew Barney e o Cortejo Afro). Há poucos anos foi finalmente ver o carnaval do Recife. Voltou com a tirada: “O carnaval da Bahia é Wall Street; o de Recife, o Kremlin”.
“Psirico passando é madeira, é viola: então cole na corda”. Alguém piedosamente me corrigiu (eu tinha citado o verso errado: não é só o Possenti que erra letra de música).
Possenti: “aquelas aulas” se referia ao “cours” de Saussure, não a hipotéticas aulas que me eram ministradas. Aulas de Saussure, não sobre Saussure. Gostei do lance dos gêneros. É. Deus e o mundo são “masculinos”. O inglês é mesmo a língua que merece ter o poder que tem tido: império britânico no século 19, império americano no século 20: tudo é neutro (menos, claro, “boy” e “girl”) e os verbos já não flexionam quase nada. Eu, como sou admirador dos liberais ingleses (nada como uma boa dose de bom senso para compensar os arroubos alemães e o frou-frou francês) e dos conseguimentos dos Estados Unidos, só acho chato porque nasci em país de língua portuguesa (portuguesa, sim, pessoal) e tenho dificuldade de entender o inglês falado (cantado, então, nem pensar). Mas, como Lévy-Strauss me havia ensinado (e eu não sabia que você me tinha sugerido O pensamento selvagem: li-o em inglês: na casa que alugamos haviam deixado um exemplar de The Savage Mind), línguas não conhecem hierarquias, nenhuma tem reais vantagens sobre nenhumas outras. Apenas pensei que, sendo o português uma língua que pode prescindir do pronome sujeito, fosse bom que os falantes e escreventes tivessem à mão esse recurso. Mas sempre achei estranho ouvir “francês é a mais bela língua que existe” ou “o francês é a língua da clareza”. Outro dia um maluco me ensinou que o inglês é a língua da brevidade (pensei nuns docinhos feitos pela Heloisa). Eu próprio costumava dizer que o italiano é a língua mais linda que existe. Deve ser por isso que não gosto nada quando Bagno desabona afirmações como “tal forma é mais elegante, tal forma é mais bonita”. Não sei, estou confuso, sou confuso, mas acho isso um exagero tolo. Agora, sou muito mais feliz depois que, lendo o segundo livro do Bagno, percebi mais justeza, razão e sensatez do que a fama que vocês criaram fazia crer que existissem. O comment de Othon é de fazer pensar. Pensemos. Heloisa disse que seu desprezo por “Sozinho” era, como o dela, por essa canção individual. Você disse que nem era desprezo mas falou em diferentes “categorias”.
Escrevi um post sobre carnaval. Não publico agora porque quero deixar este comment ouvir algumas respostas. Amanhã à noite.
E “zii e zie” será o assunto depois desse próximo post. Adianto que já estou no Rio e penso em como serão os shows. O CD está pronto, capa e tudo.
Março 2nd, 2009 at 8:45 am
Pode ser que o ensino do português escrito iniba a criatividade. Deveríamos escrever sem preocupações de certo ou errado. Quando eu era criança tinha dificuldades em escrever uma redação, sempre me censurava, a maior dificuldade era com as narrativas descritivas, nas dissertativas eu ia bem. Não sou lingüista, sou achista, eu acho que o ensino de português inibe a imaginação, prejudicando o pensamento, a vida interior, o português é complicado, prolixo.
Para que serve a análise sintática? O professor de português pelo menos poderia explicar o motivo da classificação das palavras, contar a história da análise sintática, a criança simplesmente decora, sem entender, e sem entendimento a criança perde o interesse, estudar português vira obrigação. O inglês é mais simples.
Einstein disse que a imaginação é mais importante que o conhecimento, o brasileiro inculto tem imaginação e não consegue aplicá-la, o brasileiro culto teve seu pensamento engessado pela escola.
A escola não ensina a questionar, e esta falta de questionamento aparece em outros campos da vida do brasileiro. No campo do Direito é onde vemos o estrago que o pensamento português causa ao Brasil, a rigidez de pensamento torna nosso Direito impraticável, lotado de regras rígidas, cheio de códigos do século XIX, ou quem sabe de 2.000 anos atrás, como, por exemplo, a proibição do aborto, e além das regras rígidas há uma absurda e volumosa troca de palavras entre advogados e juízes. Talvez em Portugal a rigidez funcione, mas no Brasil a regra não funciona, o brasileiro sempre dá um jeitinho de burlar a regra, vivemos na impunidade, na ilegalidade, a questão política não é nem ideológica.
Não acho que seja de interesse das classes dominantes brasileiras manter este tipo de educação, ela vem sendo bastante questionada no mundo inteiro, em todos os países de influência latina.
Março 2nd, 2009 at 12:23 pm
Caramba Caetano!
Que confusão boa nesse novo post, hein!Bagno, Marx,Patricia, Fantasmão,Caldas,Dylan, Peninha. Ufa!
Passei o carnaval na serra de Friburgo(Mury), literalmente dentro da mata atlântica, ao som de Quereres, Terra e London, London. Mais carnaval, impossível!
Quanto ao post Ceatano, mais uma vez vou me render ao seu brilhantismo. Petabytes de parabéns é pouco.E viva os “caetanetes”, nos quais me incluo, com prazer!
Já quanto aos militantes, tenho sérias restrições. Opinião, corrente de pensamento,direito à discordância sempre, tudo isso e mais o que se deseje é bom, o ruim é cair na militância de qualquer coisa.É muito chato!
Lembro-me perfeitamente do início dos 70, quando eu esquerdista(não militante) principiante e amante de Beatles e Stones me via contrariado com a patrulha ideológica que se fazia virulenta contra Caetano(mais que a Gil diga-se de passagem).
Li os textos do Bagno e concordo com uma série de argumentos ali registrados, mas vejo alguns exageros em personificar o “mal” nas regras cultas e beatificar tudo o que vem do “povo”.
De minha parte, fico com a regra culta, contanto que seja permitido à todos o seu acesso. Esse é o trabalho e não a “execução” da regra culta.
Alguém me contou ou li em algum artigo que Mozart, para sacanear seus concorrentes escrevia suas partituras com o máximo de semifusas possíveis, porque assim dificultaria extremamente a sua leitura.Mas isso era pura sacanagem de Mozart, aliás muito criativa.
O português brasileiro, que considero lindo porque absorveu elementos do tupi-guarani e fragmentos africanos variados, vem sendo bastante maltratado, na minha opinião.
Nesse carnaval, ouvi na voz do Datena(que não é um exemplo de erudição, rsssss)uma expressão incorreta(viu Bagno!), quando ao lado de Arlindo Cruz e Milton Cunha(homens de fluência elegante) dizer em alto e bom som o seguinte: Vocês querem que eu “falo” quem disse …..”(ou algo parecido).
Quero acentuar que esse jeito de falar(que é muito paulista e carioca) está se tornando comum.
Tenho cansado de ouvir na conversa do dia-a-dia, gente dizer “quer que eu dirijo…”, “quer que eu abro…”. Simplesmente o presente do subjuntivo vai pras cucuias ja,já.
Como os nossos queridos mineiros que já esqueceram a voz passiva. Todos falam que “formaram no ano tal”, que “preocupam com os filhos” e assim vai.
A incorporação da cultura popular é essencial sempre. Que a língua é viva ninguém tem dúvida. Agora, burrice e ignorância, não.
Aliás eu estou falando à toa, porque Ceatano já imortalizou tudo em “Língua”.
Abcs, Eudardo Adauto.
Março 2nd, 2009 at 12:49 pm
Maria,
Pois, é o tal do Maestro Forró é demais. Tem realmente, como você falou música no sangue. Quanto
à banda CAETANO se apresenta aos sábados na Toca da Joana, em Casa Forte (na frente do Colégio Apoio). Soube pela imprensa, que após o show do Marco Zero, Caetano foi assistir uma apresentação da Banda e que teria subido ao palco e cantado com eles.
Março 2nd, 2009 at 12:51 pm
Zii Zie e o fim do OeP.
É sempre bom lembrar,àqueles que estão pedindo o lançamento imediato do Zii e Zie,que tal fato significará – de acordo com o planejamento inicial dos seus organizadores - o fim do Obra em Progresso.
É isso que vocês querem ?
O engraçado é que,o dono do blog parece ter se apegado à ele,e os sinais disso são visíveis nos seus comentários.
Eu daria de imediato 2 exemplos :
“Explicação: estive dois dias sem internet em casa na Bahia, depois do carnaval. Quando consertou, fui lendo tudo e só agora, no Rio, estou podendo postar. Acabo de chegar do aeroporto”.(215)
Interessantíssimo : um artista que tem mais de um milhão de amigos,uma família numerosa e maravilhosa,e vive rodeado de pessoas brilhantes por toda parte do mundo onde se encontre,de repente dando explicação sôbre sua ausência à um bando de birutas virtuais,que ele na maioria sequer conhece pessoalmente.Hehe.
O outro tá no post anterior,quando na sua passagem por Olinda,ele fala sôbre “As letras que cantei com Lenine, Pedro Luís, Vitor Araújo, Moska, Max Viana, Carlos Rennó e grande elenco são divinas mas impublicáveis mesmo aqui em NOSSO TÃO LIBERAL CANTINHO”. (as maiúsculas são por minha conta).
Pois é,pessoal.
Deixa o cara trabalhar no ritmo dele.Ninguem melhor do que ele,pra saber a hora certa de,lançar disco,fazer show,e decretar o fim do nosso “tão liberal cantinho”.
Diz um pensamento hindu :
“Não apresse o rio,ele corre sózinho”.
Castello.
Março 2nd, 2009 at 12:53 pm
Arto é o estrangeiro brasileiro do álbum Estrangeiro. A produção de Mais de Marisa Monte foi uma reviravolta no ambiente hegemônico dos produtores brasileiros. Liminha, Mazzola e todos outros são excelentes. Mas Arto trouxe uma nova textura. Há algo de experimental sem desrespeitar o mainstream. Coisa bem difícil. Rosa e Volte Para o Seu Lar são antológicas, sem falar de Diariamente, que é uma canção que influenciou uma penca de outras composições. Gosto muito de um video caseiro que tá no YouTube com Marisa em um boteco americano acompanhada apenas pela guitarra venenosa de Arto. No DVD de Marisa (esse último que é quase um institucional) ela dá uma aula de estratégia. Nelson Motta foi o produtor certo no momento de construção e lançamento. Arto, o escolhido para o segundo tiro, mais ousado, com repertório mais autoral.
Sozinho é uma baita canção. Sua melhor defesa está na versão do DVD de Prensa Minha, onde Caetano fala da interpretação “ar-ra-sa-do-ra” de Tim Maia. Tenho aqui um álbum de Peninha com mais 3 ou 4 canções à altura de Sozinho. Mas canção dele que (da qual, ora pois) mais gosto é “Almas Gêmeas”. Obra-Prima.
Ser uma palavra masculina não fere o seu lado feminino. Gosto muito do gênero no português. Gosto do Dia masculino e da Noite feminina, embora pudesse ser o contrário. Algumas palavras ganham mais tônus com a definição do gênero:
o comando, o poder. a beleza, a magia. mas é subjetividade total.
Nosso órgão sexual masculino pode ser “o” pau ou “a” pica. “o” cacete ou “a” piroca. Embora o órgão sexual das mulheres seja recorrentemente nomeado no “feminino”. “A” vagina, boceta, xoxota etc.
Em um dado momento houve a escolha ou a geração espontânea do gênero de cada palavra. O quanto há de sexo nessa escolha me fascina.
“zil e zie” é um desses filhotes que teve a barriga acariciada durante toda gestação. Gosto de pensar nisso.
Acabei de ler um texto muito simpático ao OeP publicado no site overmundo. O que mais me contentou foi a percepção do quanto essa aventura é exemplar para a “retribalização de grupos da sociedade, através do desenvolvimento das novas tecnologias” (Paula Jung).
Leiam:
http://www.overmundo.com.br/overblog/o-blog-obra-em-progresso-de-caetano-veloso
beijo nas testas
salem
Março 2nd, 2009 at 1:03 pm
Em tempo:
Nesse sábado fui ao show de uma nova banda de SP chamada “Garotas Suecas”. É bem representativa do momento diferente que a gente vive. Os caras não são muito conhecidos, mas já fizeram uma significativa turnê nos EUA. O som se apega ao momento em que os brancos se enamoraram com o rock preto, gerando o iê-iê-ê. Um momento Telecaster, eu diria. Sem distorções e com muita alegria. Glauber, acho, gostaria. O My space deles:
http://www.myspace.com/garotassuecas
Ah. E a pedidos do Glauber meti 6 canções minhas aleatoriamente no MySpace. Nem sei se são as melhores ou representativas. Mas ‘tão lá, pra quem não conseguiu acessá-las no meu site:
http://www.myspace.com/fsalem
na testa
salem
Março 2nd, 2009 at 2:37 pm
o povo é o soberano das línguas. a gramática sua exceção.
quando o bicho pega, sempre aparecem as regras, a por “humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens” (pessoa).
sai o disco, finda-se a obra virtual?
o problema é que me acotumei a esta conversa, vai ficar um vazio…
a sensação do prenuncio do fim desse blog é muito parecido com o que já disse ana c:
“é muito mais difícil
ancorar um navio
no espaço”
Março 2nd, 2009 at 2:56 pm
caetano, caetano, caetano.¿cómo esta usted?. ¡lo extrañaba!. le cuento que anduve disfrutando de los últimos días de playa, aprovechando la semana de carnaval. ayer volví y la perspectiva de visitarlo en su “casa virtual” atenuó el sentimiento de tristeza. como ve estoy utilizando el usted pero no porque este enojada o algo parecido. me di cuenta que para escribir me es más fácil el uso del usted o del você y no el vos o tu como cuando hablo. es raro pero es así. por lo tanto este usted es amigable para con você (por ahora).ya le avisaré cuando cambie de intención (¿le suena el nombre emir?). bueno, esto es para más tarde, por ahora sigue siendo mi amigo.
muy interesante su post como siempre. sinceramente en todo este tema paso, sigo de largo, no entiendo de que habla. por lo pronto cada vez que usted escribe bagno, a mi se me representa baño en español o banhio en portugues y no asocio para nada con los temas que você escribe. sigo de largo como le dije.
me gustó su relato sobre el carnaval y recordé mi estadía en olinda y los grupos de frevo que durante el fin de semana tomaban la “ciudad”. ¿sabe que resucité y volví a mis andadas de escribir a “nadie”. bueno, es así, acepto que soy “bígama” en el mundo virtual, no lo puedo evitar. mi regreso triunfal fue con un sueño que tuve con você, sueño totalmente inocente por cierto. nos íbamos de camping los dos, llevábamos sobres de dormir, colchón, carpa, farol, caña de pescar y lo “normal” en un camping , pero lo gracioso fue que también nos llevábamos heladera, cocina, freidora de papas fritas, licuadora y recuerdo especialmente ese aparato que se usa para cortar los huevos duros en rodajas todas parejitas. también soñé que íbamos al teatro a ver a kevin johansen y paulinho moska, al “otro”, al ballet de julio boca, nos llevábamos videos de mickey, música de los beatles, algunos libros, disfraces, etc, etc.
bueno, seguí leyendo y comencé a molestarme con usted. ¿el vos sólo es argentino?. ¿usted no sabe que los que venimos de un país “inexistente” somos muy susceptibles?. si, últimamente você nos ha ignorado en sus giras.
lo que leí de repente me dejó “muda”. usted (acá si es un usted de enojo) nombra a emir rodríguez monegal. ¿cómo se atreve?. ya comenté que angel rama ha sido muy importante en mi vida este último año. ¿você sabe que emir y angel eran enemigos declarados?. tengo que dejar acá. si puedo escribo algo de noche, ¡vine con ganas de “parlanchinear”!. además quiero leer algo de los comentarios (vero, no leí nada de lo tuyo). pero você caetano ya dijo que va a escribir algo nuevo, como siempre yo siguiéndolo de atrás, no puedo, siempre se me escapa. estuve leyendo “más allá del boom, literatura y mercado”, libro que reúne ponencias de varios críticos y escritores de un congreso realizado en washington por los años 70. es viejo por cierto, alguien dice búm en lugar de boom. un artículo de antonio cândido me ayudó a entender más la relación de brasil y el resto de hispanoamérica con las metrópolis respectivas y entre sí. mucho nos separó y nos separa por nuestra lengua, aunque somos todos latinoamericanos. estoy en los años 70 y básicamente nombra a clarice lispector y guimaraes rosa. me tengo que ir aunque no quiero. ¡debo trabajar!. me despido con lo siguiente: vargas llosa escribió a la muerte de angel.
“todo organizador de simposios, mesas redondas, congresos, conferencias y conspiraciones literarias, del rio grande a Magallanes, sabía que conseguir la asistencia de angel y emir era asegurar el éxito de la reunión: con ellos presentes habría calidad intelectual y pugilismo virtuoso. angel más sociológico y político; emir, más literario y académico; aquel más a la izquierda, éste más a la derecha, las diferencias entre ambos uruguayos fueron providenciales, el origen de los más estimulantes torneos intelectuales a los que me ha tocado asistir, una confrontación en que, gracias a la destreza dialéctica, la elegancia y la cultura de los adversarios, no había nunca un derrotado y resultaban ganando, siempre, el público y la literatura.” (del diario de angel rama).
me voy pero volveré con este tema y con otros aunque usted ya ande con z e z . ¿incluirá esta vez a mdeo. en su gira?. creo que vero y yo lo merecemos. si analizamos cantidad de población de los países de las personas que comentan asiduamente en este oep (no de los que vichonean y se van porque no lo se obviamente), uruguay tiene una presencia altísima porcentualmente hablando. .simplificando: 2 sobre 3.500.000 de población me da 0.0000005 % . si calculamos el porcentaje de los brasileros que asiduamente participan por acá ¿da mayor?. por cierto, me gustan las matemáticas. usted “debe” tener en cuenta estos números.y por favor no se asuste. prometo que si viene por estos lados se vuelve a ir todo “entero”. con vero llegaremos a un acuerdo y creo que no lo dividiremos. no tenga miedo por favor, somos inofensivas. un beso.
Março 2nd, 2009 at 3:08 pm
Glauber meu bom
é uma delícia ver vc falando em gente que está voltando com tudo…mas…tem ninguém com tudo a não ser uma meia dúzia, a fase agora é de restabelecimento. Normatização. Não tem como estar com tudo, salvo os vencedores do Grammy, Brits e Oscar. No mundo inteiro as coisas estão se redesenhando e infelizmente entre nós…nada( ihhh…lá vem êle…ehehe).
Mas o estar com tudo pode se referir a um grupo pequeno, ao pessoal da minha rua, do meu bairro, e daí? Porque não? É legítimo portanto pensar em qualquer escala.
Quando falamos nos contratos celebrados pela turma dos 50-60 e até os 70 a coisa é embrulhada mesmo. É bronca na certa. Mil motivos, poderíamos entrar neles talvez não seja o caso.
O fato é que na plataforma que está por vir o fora de catálogo desaparece, o estoque é virtual. Mas dar de graça? Porque? Pode ser colocado a preços bem promocionais, é isso que eu vejo acontecendo em toda parte do mundo, facilidades para o que poucos se interessam. As viúvas? Não se incomode que elas aparecem, basta a coisa pintar que elas aparecem…e devem mesmo aparecer, e com seus advogados.
GlauBom, esse não é nosso problema, não vamos dispersar. Vamos deixar isso de molho, vamos pensando nisso. Mas vamos focar nosso ataque. Nosso ponto, olha ele aí…tem gente que não simpatiza com essa onda de ter um ponto, gostam de ficar divagando…eu também gosto de ficar doidão, mas às vezes…entrar na casa de caetano pra mim é coisa séria, mas não é careta, a gente se diverte também…eu prefiro ocupar minha faixa no campo e dar tudo por ali, aquele lateral que sobe e desce, ataca e defende, mas pela sua faixa de campo, não sou nenhum maradona….ahhhh exequiela, meu amor…por falar nisso, cadê nosso poeta taradão…bonitão êle, vai ver é por isso…
O patrimônio cultural é decorrente portanto não é a questão objetiva da indústria, mas sejamos corretos, as dimensões são complementares, ou devem ser. Quem tem que cuidar de nós somos nós…é nós.
Ainda somos um país de guerreiros, nossa tradição começou ontem, não temos escolhas, é ir ou ir pra frente. Melhor assim. mas então vamos …vamos com essa carro
ça Salém…
( vou ter que aprender a gostar mais do MV Bill, do Psirico e do Arto Lindsay…fazer o que? eu gosto é do Caetano)
Março 2nd, 2009 at 3:37 pm
Salém, estou contigo em tudo!
Março 2nd, 2009 at 4:35 pm
Caetano & Bagno
A contenda aparente entre Caetano e Bagno sobre as nuanças concernentes ao sistema gramatical utilizado nesta terra afro-lusitana, localizada na parte sul do continente americano, é, indubitavelmente, de grande valia para autoconscientização comunitária. Os ruídos e desacordos de opiniões entre o conhecimento acadêmico e relativista bagniano e a análise laica, contudo coerente do Veloso sobre o assunto, são compreensíveis no processo de comunicação.
O debate, além de profundo, requer dos interessados prudência no discurso, a fim de se evitar que o conhecimento científico não se converta em verdade absoluta, ou que a laicidade atrevida não estranhe sua limitação. Num duelo de idéias convêm, além da proficiência dos golpes, a cortesia e generosidade, próprias, diga-se de passagem, dos grandes homens.
Décadas atrás, ainda iniciador do curso de letras na UCSal, o qual me retirei antes, mesmo, de concluí-lo, em face, talvez, a minha negligência com a regras pertinentes a essa ciência, descobrir o funcionamento do aparelho fonador, bem como a relevância e os tipos de variações internas possíveis numa língua: diatópicas, diafásicas e diastrásticas.
Compreendo Caetano quando ele diz: “Os lingüistas contribuem com sugestões utilizáveis quando se fizer um bom projeto de educação básica no Brasil”, e Bagno quando afirma que: “Nada na língua é por acaso”. São perceptíveis o vórtice profundo entre o discurso utilizado pela população menos “letrada” e a norma padrão tradicional, bem como a negligência comunitária acerca desse fato de natureza social, cujos efeitos concorrem para estilização ou variação da lingua falada neste país. Os diletantistas estimam-os, os linguistas reconhecem-os, meditam.
A gramática tradicional dificilmente acompanhará os passos e as variabilidades decorridas na língua, assim como a lei jamais se anteverá as transformações e exigências de uma comunidade no exato instante. Haverá, indubitavelmente, sempre um descompasso, uma lacuna a ser preenchida.
A sociolingüística, a lingüística e os pensadores vanguardistas sabem que a língua está em constante evolução, e que esta reflete parte de uma realidade social. As dissonâncias nos discursos, os tropeços na língua escrita, decorrentes, possivelmente, a falta de educação básica neste país, ora as variações criativas e voluntárias decorridos na língua falada são ações reflexas desse curioso e explicável fenômeno social.
Eu vi intenções comuns entre o juízo de Caetano e os textos produzidos por Bagno acerca do tema em tela. Contudo, suponho que a pertinácia os tenha impedido de perceberem as mesmas.
Março 2nd, 2009 at 5:13 pm
amigos das desordens em progresso: tem uma entrevista de gil, no portal terra, que traz questões que debatemos sobre o carnaval e música popular. gil fala com muita franqueza e rebate a tese de que o carnaval ficou elitista em Salvador. Trecho que destaco:
“O Carnaval da Bahia não é o carnaval da Bahia. O Carnaval da Bahia é um momento importante de manifestação das grandes transformações por que passa a sociedade humana no mundo. A gente estava falando aqui antes exatamente disso: ele está submetido a forças muito grandes, provenientes de muitas fontes diferentes. E quando alguém diz assim: “ah, mas está ficando muito elitizado!” Elitizado, como? Qual é a prova que você me dá de que hoje o Carnaval da Bahia é mais elitizado do que ele foi em qualquer momento do passado? Não vejo.”
Link: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3605440-EI6581,00-Gil+O+mundo+me+tirou+a+regua+e+o+compasso.html
Tem uma frase muito boa do Gil, que se revela sem mais nenhuma certeza: “A Bahia me deu régua e compasso, mas o mundo já me tirou!”
Março 2nd, 2009 at 5:39 pm
Alguém podia (Hermano, por exemplo) me dizer o que deve ser levado em conta dos argumentos de Gil quando planejarmos o lançamento de zii e zie? O que é aproveitável do que ele diz? O que é justo? Como o OeP deve se posicionar em face das questões levantadas? Devemos vender canções aqui? Disponibilizar? Leio Gil e Glauber e me pergunto.
Março 2nd, 2009 at 7:22 pm
Não Luedy
“a comparação dos dois segmentos…” NÃO “…aponta para a correção da SUA leitura.”
Junto os cacos usando samplers do que escrevi pra você ver como tudo se complementa com coerência.
“Eu li fragmentos de “Preconceito Linguístico”. Não me sinto completamente à vontade para falar do livro e do autor.”
Atenção: Escrevi “fragmentos” não disse que não li com atenção. E disse não me sentir à vontade pra “falar do livro e do autor” e não do tema que rola por aqui.
Isso fica óbvio na sequência em que eu digo que eu e Vallame “defendemos a inclusão dos “não leitores” de Bagno na discussão dos temas que aparecem por aqui.”
Portanto me sinto completamente à vontade pra opinar como “leigo”, mesmo em meio às “autoridades”, sobre os temas aqui levantados relacionados à discussão das normas.
Só ressaltei que se ler os livros de Bagno for um pressuposto para os papos continuarem, apenas porque Caetano os leu, isso descaracterizaria o blog. Não somos um grupo de estudos. Nem queremos ser. Ou queremos?
Se eu escrever bobagens, qualquer um pode desconsiderar ou questionar, ou meter o pau. Assim é que funciona. Wu adoro o tema, mas odeio a idéia disso aqui virar um café universitário. Cê sabe disso. Esse espaço é uma conquista. Transformá-lo em um ponto de encontro de autoridades e intelectuais é roubada. Embora, eu ache maravilhoso que eles sim se submetam ao estilo de comunicação que rola por aqui. São super bem vindos.
Assim como, se um dia eu estiver em uma aula ou congresso de linguística, me submeteria ao protocolo e aos hábitos do local. Mas aqui é poliritmia. Não sairemos daqui com nenhuma tese.
O grande mérito do blog é meta-linguístico. Um dia acho que falaremos desse aspecto surpreendente do uso da internet com tantas dissonâncias e harmônicos. Não diremos que OeP propôs uma novo paradigma pra discussão da língua.
beijo modesto
salem
Março 2nd, 2009 at 7:53 pm
gil,
quando disse “voltando com tudo”, quis dizer tocando, fazendo shows, com entusiasmo. gente da idade de caetano que tava parada há anos e se sentiu estimulada a voltar para os palcos pelo interesse da garotada, compreende? os “zombies”, que fizeram um puta sucesso no verão do amor com “time of the season” [surrupiada de leve pelos mutantes em "ando meio desligado"] e seu magnífico álbum “odessey & oracle” de 1968 [a grafia é esta mesmo, pessoal] são um bom exemplo disso.
the zombies - “odessey and oracle”:
http://www.youtube.com/watch?v=afrdo2qneoI&feature=related
e eles voltaram a fazer shows:
http://www.myspace.com/thezombies
sem exagero, em termos de qualidade, é “revolver” dos beatles, “pet sounds” dos beach boys e “odessey and oracle” dos zombies.
entendo o lance do foco, mas não existe um ponto só, existem ALGUNS pontos.
Março 2nd, 2009 at 9:05 pm
Caetano, para entender melhor a história dos atletas cubanos:
http://video.globo.com/Videos/Player/Esportes/0,,GIM974527-7824-EXCLUSIVO+BOXEADOR+CUBANO+REVELA+DETALHES+DA+SUA+FUGA,00.html
Pelo jeito a versão de extradição pelo o governo brasileiro não é verdade.
Março 2nd, 2009 at 9:41 pm
Espetacular a citação por Salem do Marx profeta. Confesso que penso nisso desde que vi o monte de fusões de grandes empresas. Claro que já li na Economist vários argumentos liberais contra se ler a crise atual como confrimação de Marx. Mas, separado assim, o trecho é perfeição profética.
Março 2nd, 2009 at 10:33 pm
Caetano!
Depois de um longo período sem aparecer por aqui, venho para encontrar um texto interessante assim. E outros atrasados. Que falta eu sinto de um bem…
Não gosto de Bagno, mas tomo todos os dias. Acho o cara um chato. Eu lato, doutô! Gosto de Blikstein. Existein? Gosto de Chomsky. E funk! Mas, na verdade, ô da viola, gosto mesmo é do cê.
Eu que já fui da cozinha, que sou do lado de fora, que não sou mais de lado algum, hoje estou na África, em país de língua portuguesa. Tou cá para uma pesquisa na área de Educação. E fico encantada com esse português que nos une e nos separa. Penso no filme ‘Línguas’. Penso em como gosto de português, e como e como e como…
O doutô qui me discurpe o Bagno d’água fria. Vou respirá com calma, pra entendê o discurso mió. Por ora mando sodade d’alma, pra além do fiofó
Um abraço a todos!
Patrícia
Março 2nd, 2009 at 11:32 pm
Pois eu discordo, Salém. Respeito seu ponto de vista, mas não aceito que o blog tenha que ser (ou tenha que não ser) isso ou aquilo.
De todo modo, seu último comment confirma o que eu quis dizer: se queríamos discutir os argumentos de Bagno, a gente precisaria ir à fonte, como Caetano fez. Bagno, obviamente não é o único sócio-linguista, mas nenhum outro nome (além do de Possenti) foi avocado aqui para que a discussão continuasse.
É óbvio que levo em conta o que todos vocês falam e opinam a respeito - o que termina por fornecer um painel de como tais questões têm sido consideradas de uma maneira mais ampla, para além dos círculos acadêmicos. Mas há um tom em seus comments que me parece apontar para uma desconsideração da importância das “autoridades”.
Eu não me importo se isso aqui se tornar uma arena de debates mais bem informados - café universitário ou não, pouco importa. Aprendi muito aqui com um bocado de gente.
abs
luedy
ps. heloisa, o orgulho seria todo meu de ter vc como uma das “luedys”, que time, hein? : - )
e eu adorei suas questões ao possenti - tomara que ele responda.
Março 2nd, 2009 at 11:40 pm
Caetano, espero ansiosamente pelo seu post sobre o Carnaval. Gostaria de entender essa de Wall Street e Kremlin
Querida Heloísa, comparei as duas músicas - Sonho e Sozinho - não só por serem do mesmo autor, mas por ambas falarem de solidão. Numa, o sujeito foi abandonado e na outra, se senti dessa maneira. Mas eu entendi a sua explicação. Quando encontrei o CD Caetano - Prenda Minha na loja ,coincidentemente estavam vendendo também uma coletânea que tem Sonhos e outras composições que Caetano gravou de autores diversos, entre elas, billie jean.
Claudinha, obrigada. Eu sabia que ele tinha ido à Toca da Joana, mas não sabia o dia que a banda tocava. Você também é de Casa Forte?, a terra do Lenine? (rs) Entra na comunidade Obra e Progrogresso do orkut prá gente conversar. Estou com umas idéias. Eu estou lá. Sou uma de cara gordinha e cor-de-rosa. (rs)
beijos
Maria
Março 2nd, 2009 at 11:42 pm
caetano, leí con mayor detenimiento y me di cuenta que você va a escribir sobre carnaval y no sobre z e z.. me quedé tranquila, tengo tiempo para escribir algo más y no tengo por que hacerlo ahora que estoy cansada.
releyendo lo que mandé cometí un error. el porcentaje de participación uruguaya es mayor, me olvidé de convertir la cifra a % y “sacar” dos ceros a la misma.. En fin, siga pensando en estos números antes de tomar una decisión sobre la gira. igual si no viene por acá y va a buenos aires, cruzo el charco, visito a Exequiela e igual lo voy a ver. lo juro. si, nos vamos con Vero sin duda, se que hará lo mismo.
Lei algunos comentarios muy por encima, volando. Bárbara y Heloisa trataron un tema que también ha estado rondando por mi cabeza. ¿Qué pasa en nuestro cerebro cuando Usted canta? Alguien nombró a Pinker, la Mc Gill University de Canadá y recordé una entrevista entre el músico y neurocientista Daniel Levitin, autor del libro “This Is Your Brain in Music” y mi otro amor, David. No leí el libro pero sí algunos capítulos, comentarios sobre el mismo y vi la entrevista que se encuentra en seedmagazine.com. Me apasiona el tema. Hablan de cómo el lenguaje musical “pega” (sorry por mi lenguaje)directamente en nuestro cerebro, mueve resortes emocionales del mismo de una manera mucho más fuerte que por ejemplo el lenguaje visual, en principio.O como uno,como fan, neurológicamente hablando ,“sentimos” lo que el artista está cantando. O sea, neurológicamente, cuando Caetano canta algo horrible, algo triste por decir algo, más allá de la “empatía” que uno pueda sentir por la historia, mis (nuestras) neuronas “sufren” verdaderamente. Y viceversa, cuando el canta un samba, mis neuronas verdaderamente “danzan” al ritmo de la misma aunque yo permanezca quietita en mi lugar. También hablan de la sinestesia, de las “mirror neurons” y del lenguaje en general.
¿Hay un componente innato, es una habilidad adquirida?. Muy “feo” lo que leí de que uno puede “pull de strings” en ciertos puntos para provocar una emoción determinada. ¿Nos están manipulando?. Que feo. ¿Cuando você me hace llorar, lo hace a propósito, lo planeó todo?. Bueno, pero yo ya sabía que esto es así en muchos casos. No estoy diciendo que no sea válido por cierto, pero hay muchos que “abusan” de estos “trucos” que no es su caso, por Dios, nada que ver. Você es divino y todo lo que hace y dice es maravilloso. Como ve soy una persona “presa de mis hormonas” y mi valoración hacia usted corre en sintonía con las mismas.
Lo que comenté arriba me recuerda el caso del pintor Mark Rothko (creo que es el, no estoy segura ahora y no quiero chequearlo). Bueno, parece que se comprobó que ciertas personas ante pinturas de Rothko sufren alteraciones,sensaciones de malestar que no pueden explicar“coherentemente” por medio del lenguaje. ¿Qué es?. No se sabe.Y se ha dado en personas provenientes de distintos lugares, que hablan distintas lenguas. Esta historia me la contó mi esposo y si es un disparate no es mi culpa. La duda que me viene es si ocurre con las pinturas de Rothko pero en definitiva esto no sería lo más importante, frente a ciertas pinturas ocurre esto que conté. ¡NO soy especialista!.
Bueno, no se de lo que estoy hablando. Entré para corregir el % y me divagué. En realidad pensaba comentar algo del carnaval. ¿Você sabe Caetano que hay gente que lo vio por una playa de acá?. ¿Cómo puede ser esto?. La fuente es de mi mayor confianza. Si tengo ganas luego le cuento la historia, es otra demostración de cómo você comparte mi vida a pesar suyo. Es una historia de “extorsión” familiar. Porque poco se ha hablado por acá de lo que tiene que aguantar un fan declarado, burlas familiares, de amigos y demás. No, no es fácil declarar el fanatismo a los cuatro vientos y luego convivir con las consecuencias. Acepto que la fama puede llegar a ser molesta y que es horrible (al menos para mi) que a uno lo reconozcan en todos lados. Sólo de pensarlo me enfermo. Pero el que está del otro lado a veces tampoco la tiene fácil. Si, es así. Muchas veces somos objetos de burlas y risas descaradas o de extorsiones, en este caso, como la que aplicó mi hermano conmigo. Yo le “creí” y fui a verlo pero resultó que era mentira. Mi hermano logró su objetivo y você es el culpable. ¡Siempre você es el culpable de todo!. No se para que le doy bola y leo todo lo que escribe.Lo odio. Un beso
Março 3rd, 2009 at 12:06 am
Caetano, a questão que temos evoluído aqui é de ordem estrutural. O lançamento do seu novo disco acontece no ambiente no qual estamos submetidos e nele, vc e a Universal saberão a melhor maneira de fazer chegar as pessoas. A questão é como vamos sair desse ambiente e nos projetar.
Há uma questão política que se instala e é visível se vc ler a entrevista e o depoimento de Gilberto Gil sobre o assunto. Gil fala em desobediência civil…eu lembro de imediato o menino do The Pirate Bay dizendo que ele faz o que faz, porque pode…até que alguém o impeça. Gil fala do Partido Pirata mas talvez não esteja informado da militância neo nazista do principal acionista do The Pirate Bay, o que financiou 40% da operação deles…eu nem acho que isso seja argumento para a questão, mas não custa a gente ter cuidado quando se fala em desobediência civil. Aliás, lembro do Gabeira usando o termo em condições específicas que agora não me recordo.
Mas de todo modo, convenhamos, desobediência civil na Suécia é uma coisa, aqui é outra completamente diferente.
Gil fala no ímpeto, no alargamento que a tecnologia proporcionou…mas isso já deu resultados e não é a toa que a gente vê pelas ruas todo mundo de fone no ouvido, em toda parte…e não é a toa o que acontece com os IPODs. A grande questão pra Gilberto Gil é como vamos controlar o desenvolvimento…essa sempre foi a questão e a resposta sempre foi: agindo. Gil chama de refratários e acomodados os que resistem…o Bono deve morrer de rir, a Madonna também, Coldplay também…eles morrem de rir. O mercado bom é deles. A pirataria tem direito de desafiar diz o GG, vamos observar o julgamento de Estocolmo. Vamos ver para onde irá o tal partido pirata, que cá entre nós: tem o melhor logotipo que eu vi por aí, a melhor programação visual, joga pra torcida de uma maneira que encanta até Gilberto Gil, mas os fundos para pra onde? É bom que se saiba.
http://www.theregister.co.uk/2009/02/26/pirate_bay_neo_nazi/
GG já se pronunciou sobre a prática de baixar música sem pagar no Brasil. Ele não se interessa portanto em perguntar: onde está nossa música no ITunes? Nem porque não podemos comprar no Itunes e baixar legalmente para nossos computadores e Ipods, como o U2 por exemplo? Ele acha que isso é coisa de classe média que tem computador, pensa no mundo onde todos terão computador e aí , pra ele, será impossível…a questão de fundo então passa a ser se é possível ou não diminuir a violência entre nós, acabar com a guerra civil…o que é a desobediêcia civil?
Vamos fazer como sempre fizemos: vamos ouvir Gilberto Gil…e vamos pensar…
Quanto ao papo: Caetano, é pra todo mundo, é pro disco de todo mundo, é o futuro dos meninos e meninas, que já começou e o Brasil ficou de fora, temos que andar com isso.
Março 3rd, 2009 at 12:21 am
caetano,
creio que o mais acertado é o que o U2 fez: vários formatos, para pessoas diferentes, com bolsos diferentes. penso também que poderia ser criado um myspace caetano 2, mais voltado pra essa moçada que tá chegando aí, essa moçada “lapa” espalhada pelo país. o myspace que já existe é mais voltado para o público em geral e do exterior, acho.
na mesma entrevista ao “terra”, gilberto gil fala sobre pirataria, download, etc:
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3605448-EI6581,00-Gilberto+Gil+Pirataria+e+desobediencia+civil.html
isto é um trabalho para hermano vianna, o padroeiro da TRANS-tecnologia! abração!
………………
salem,
ouvindo seu som aqui. muito jóia. a colagem em “a última” é genial. parabéns!
…………….
patrícia voltou! e paloma? e gravataí? e joana? e…
Março 3rd, 2009 at 12:39 am
O papo de crase é bem interessante. Nas lições que tive quando frequentei uma escola era comum ouvirmos a explicação, o “a” é craseado, ouse seja, a preposição a admitindo fusão com o artigo definido feminino “a”, ou então com o pronome demonstrativo aquela…
Li um dia, e aí achei muito louco, foi o Saconni que falou numa dessas gramáticas “pesadíssimas” que não havia propriedade em se dizer que “há crase” e sim que há o sinal indicador de crase, e não propriamente a crase está implícita na fusão!
Pirei, mas pensando bem, há (tem, existe) propriedade.
Beijos!
Março 3rd, 2009 at 12:53 am
Olá, Caetano, Hermano e pessoal do blog, tudo bem? Gostaria de compartilhar a visita que fiz ao Johnny Alf, num relato publicado no meu blog. Caetano fez a música Mais que discreto baseado na atmosfera de Ilusão à Toa. Isso, e mais o conhecimento prévio de muita coisa da obra de Johnny, me motivou a conhecê-lo pessoalmente. O link para meu texto é este: http://ericosanjuan.blogspot.com/2009/02/ele-e-johnny-alf-aos-oitenta-anos.html O blog também tem crônicas, charges e afins, de minha autoria. Um grande abraço a todos!
Março 3rd, 2009 at 1:41 am
Caetano, first of all, acho que deveria EXISTIR OeP enquanto estiverem rolando os shows.
Vamos poder opinar. Não, na verdade sempre podemos opinar, vamos poder conversar com você. Vamos ter a “obra terminada”. Terminada não, é triste, não-inacabada.
O debate aqui influenciou no Zii e Zie? Ou pelo menos no show?
Adoro comprar discos com belos projetos gráficos. Talvez mesmo por causa de meu pai… Tipo “Pirata” ou “Livro”. Quem sacou que esse era o caminho autêntico contra a pirataria? Proibir não adianta, tem é que fazer melhor!
Sobre Marx, eu estava pensando hoje de manhã: 1- Trabalho na maior multinacional do mundo, que vai reduzir os dividendos dos donos (acionistas). 2 - Por mais que se negue tentando inventar um outro nome, o governo americano possuir no MÍNIMO 40% das ações dos bancos não tem outro nome senão ESTATIZAÇÃO. A minha previsão de “Mãe Diná” é que o governo vai limitar a margem de lucro das empresas e apertar as auditorias. Se isso não é a terceira fase do capitalismo de Marx eu não sei o que é.
Vamos se cuidar. O que vai emergir disso não deve ser compatível com nenhum “ismo”. Temos que nos preparar por dentro…..
Unregulated markets was over.
Março 3rd, 2009 at 1:44 am
Caetano
O preço final de um CD nas lojas é definitivamente repelente no atual cenário. Na web também. O Cê na internet é vendido a 34 reais! Gil fala do iTunes como modelo ideal. É uma bela loja virtual com songs a 0,99 cents.
Acho que seria bacana comercializar as canções de “zil e zie” pela web com um preço viável. Mas eu ousaria no formato dessa empreitada. Faria um site específico do álbum disponibilizando as artes da capa, as letras, cifras, extras e conteúdos diversos. Um site dinâmico e também em progresso. Seria uma espécie de continuação do que já está sendo feito aqui com imagens dos shows pra serem baixadas e comentários da moçada. Um espaço de veiculação real de “zil e zie” até com a opção de compra e canções gratuitas se intercalando. No mês X, tal canção está disponibilizada, no mês seguinte uma outra.
Hermano poderia pensar num formato ousado pra essa aventura paralela. Seria de fato algo inédito e a altura do barulho e do progresso da tua obra.
Se a internet se revelar um espaço novo e interessante para a comercialização de “zil e zie” não vejo a empreitada apenas como uma ação de marketing e venda, mas como uma experiência inovadora. Sobretudo (Glauber atentou bem pra isso) na aproximação da molecada que gosta tanto de você e não tem grana pra pagar ingresso e comprar CD. Mas navega. E navegar continua sendo preciso, né…
in test
salem
Março 3rd, 2009 at 2:37 am
Entrando de gaiato na discussão alheia, acho que a entrevista de Gilberto Gil tem o mérito de jogar o debate pra frente - não necessariamente oferece alternativas, modelos, mas é um tento sair do gol e deixar a defesa aberta. Se temos um consumo cultural fragmentário, profundamente modificado pela pirataria e a internet (esse guarda-chuva despedaçado), creio que Obra em Progresso deve nascer também para criar um problema, lançar um impasse. Gosto da última sugestão de Salem e das idéias de Glauber. É por aí. Disponibilizar o “disco” (licença, Gilberto Gil!) na internet, criando um mecanismo que pague os custos dessa empreitada, é algo inovador e que precisa ser tentado no Brasil. Os erros serão corrigidos à frente. Não dá pra ignorar essa realidade ululante. E ainda há a crise nos mirando. Com Marx e contra Marx.
Março 3rd, 2009 at 2:54 am
Pessoas do bem:
- Será que a questão do novo modelo de mercado “não nos alcança” porque ainda queremos reproduzir o modelo de mercado de outrora (adoro essa palavra, fecha parênteses)? Li o livro do André Midani e fiquei, à primeira vista, triste ao ver ele definir que sua carreira brilhante estourara sob o domínio dos vinis, mas que “os downloads” a teriam “matado”. Não fiquei triste assim, como quem entra na fila de “culpar” o compartilhamento de músicas: fiquei triste por ver um negociador inteligentíssimo reconhecer que, dentro do que fazia há tantos anos e da área que então dominava, era como se não houvesse mais um espaço para uma reinvenção, restando só amargar derrotas. Isso é que me entristeceu: a incapacidade de um mercado que fica cego, simplesmente. Mas, como eu falei, senti isso somente à primeira vista. Logo depois, reconsiderei a situação naquilo que traz de positiva. Porque?
- Oras, porque as indústrias da música, pois bem, o que elas fazem pela arte? Por acaso arte é uma mercadoria? Será que ganhar dinheiro com música só deve ser possível quando submetemos o artista à uma lógica de produção no estilo “quantas peças ele pode vender?” Ah, não. Quem fala desse tipo de lucro é justamente quem não faz música. E aqui lembro da velha acusação clichê: o pior é que são todos empregados. Após tanto tempo nessa filosofia de pegar ou largar, agora eles que estão largando. E recordes de vendagens de CDs nunca beneficiaram diretamente o artista senão como uma espécie de distintivo - que só fazia sentido, justamente, como espécie de capital simbólico na negociação de contratos com as próprias gravadoras/distribuidoras. Dava grana, claro, mas a grana mesmo ia para intermediadores. Pergunto: será que faz tanta falta? E daí que em Porto Alegre vejo as bandas e artistas novos, assim como qualquer outra iniciativa mais séria, e sinto esse faro já no sangue: músicos produtores de si. E são conhecidos, e toda a gente vai e canta as músicas que foram baixadas. Eu não imaginaria isso acontecendo há dez anos atrás. Porque o grande problema mesmo sempre foi a distribuição - e a internet é a melhor forma de distribuir algo. Vender músicas para a rádio? Bem, sempre existirão os projetos de massa. Se eles querem ainda gastar grana na “caça de novos talentos”, ou na criação destes em laboratório, que o façam. Como consumidor de música, me basta a riqueza de iniciativas independentes, que posso acessar a um clique, e que me comunicam que a música pode respirar um pouco, agora mais do que antes, por fora desse circo. Estas mudanças radicais me alegram por elas mesmas, e me fazem superar inclusive o medo de parecer ingênuo.
- Peço que acompanhem os argumentos daqueles que estão lá na Suécia representando contra o Pirate Bay as indústrias que lucram com o copyright. Em primeiro lugar: eles não entendem nada sobre internet. Não souberam relacionar suas previsões de perdas com o tráfego de arquivos torrents. Afinal, torrents não são arquivos protegidos por direito autoral. E o site do TPB somente dispunha a tecnologia, restando para a defesa ter que amargar o preço da ignorância: ou fazem buscas diretas nos computadores pessoais de todos os que estão compartilhando arquivos (abrindo-se queixas individuais), ou retiram a queixa, dando a ela outro jeito de ser. Eu sinceramente esperava que ao menos ali eles falassem uma língua inteligível. E falaram línguas mortas. Me assusta, de certa forma, porque eu pensei que as pessoas que ganham dinheiro costumam ter um know-how invejável, e não agirem como bobas. Mas, para além da ignorância, há a deselegância. Basta dizer que basearam suas ameaças não numa impossibilidade de fluxo da música autoral ou na impossibilidade da música como arte, mas sim na impossibilidade de serem lançados projetos Nro 1 nas paradas de sucesso. Às vezes o julgamento parecia uma sessão de terapia, na qual exorcizava-se a existência dos downloads. A representante de uma produtora de filmes disse que calcularam suas perdas subtraindo diretamente o número de downloads de uma obra daquilo que seria o “público esperado numa situação ideal”. E o que seria este ideal? Bem, um mundo sem a internet. Sinceramente? Essa gente já mudou de ramo e não sabe. Ou ainda: o ramo deles mudou e eles não viram. Itunes da Apple no Brasil? Se vier com pretensões de representar “a única alternativa legal para pessoas respeitáveis e cidadãos de bem consumir música”, a proposta nascerá velha.
- Mas há um caminho do meio: o download não significa a renúncia da oferta. Claro que produtos como CDs numa capinha de plástico já não têm muito charme (ia dizer “apelo mercadológico”, mas nosso papo vai além disso né?). Uma nota no jornal local de minha cidade tratava hoje da persistência do comércio de vinis nos sebos, em detrimento de toda crise declarada na venda de CDs. De fato hoje o vinil têm muito mais charme que um CD. Achei natural a sobrevivência destes espaços, por pensar que o mercado não está em crise, tendo somente mudado. O que deixa, é claro, algumas viúvas no vácuo (eis um bom nome para uma banda punk, não?).
- A propósito, o problema do cinema parece ser exatamente o mesmo: a indústria proibitiva da distribuição. E nesse caso, ouso dizer: criminosa, porque são muitos filmes realizados com dinheiro do contribuinte. Sessões de exibição nos cinemas a preços proibitivos. Sem contar quando as salas não estão nos já proibitivos shoppings, que são muito mais proibitivos do que a internet. David Lynch disse que o futuro do cinema segue o mesmo caminho da produção musical: a internet como meio, o compartilhamento. Disse até que sente vontade de abandonar a película e entrar de vez no digital. E eu penso aqui, de repente, em uma publicidade de olho nos acessos de sites como youtube…
- Enfim, de tudo resta um pouco. Mas, talvez tanto quanto a arte de pretender vender um lançamento desconhecido como “a mais pedida”, também o garimpar parece ser a dedicação eterna dos consumidores de música. Mas antes de tentar inovar é necessário abrir mão de certas utopias muito presas ao modelo antigo.
Gil:
- Você tem toda razão: a troca a qual me refiro é bastante primitiva. E não tenho vergonha alguma de acreditar que ela faça sentido, sim, no mundo que me é permitido viver.
- O Pirate Bay nunca ganhou dinheiro com músicas, mas sim com acessos ao site, que nada mais é do que um buscador tal como o google, porém com especialização em torrents. E que não dizem respeito necessariamente a conteúdos protegidos, embora a cultura da troca se faça à revelia de copyrights. O Google também acha torrents. Mas este dinheiro, vale aqui ressaltar (pois na sua resposta não vi distinções), é um dinheiro que as pessoas pagam com o acesso. É outra moeda. Na internet barganha-se o espaço para anúncios a partir do número de acessos, o que é um dinheiro tão limpo quanto aquele gerado pelos acessos ao Google. É real a quem recebe mas virtual a quem paga. Podemos criticar um programa de TV que faça apologia a algo do qual não gostamos - e até desejar levar seus responsáveis a um tribunal devido ao conteúdo. Mas se alguma grana está entrando devido ao IBOPE, isto é um outro assunto…
- Quanto às regulamentações, você pareceu mesmo lamentar a falta de guardas em cada esquina! rsrs.. Minha proposta era a de contestar esta idéia, e não a de fazer sua apologia. Esqueçamos a teoria, passemos à prática: como podemos conceber uma “consulta”, partindo dos usuários aos detentores de direitos, antes da circulação de algum arquivo? Os usuários enviariam um comunicado a eles? Das duas, uma ou duas: ou isso viraria um ritual mecânico sem sentido, ou as pessoas deixariam essa tentativa às traças.
- Por fim: discordo que a cultura da troca na internet possa ser ruim, danosa ou ilegal em sua essência. Assim como as outras manifestações de vida na terra, ela têm altos e baixos (rs). Ela simplesmente é a tradução do que significa a internet e de como se tornou possível: um projeto aberto sem fins lucrativos. Quanto a dinheiro real sendo trocado entre as pessoas pela internet, de fato isso até acontece. Muitas pessoas criam sites para pedir apoio a uma causa, por exemplo. De resto, não entendi o que você quis dizer, se a baía dos piratas deveriam também distribuir o seu dinheiro aos usuários que acessam… Estes conceitos de cultura livre, assim como o de copyleft e o criative commons, creio que resgatam a idéia de liberdade, mas no sentido de direito ao acesso sem restrições proibitivas como dinheiro (ok, aqui vejo uma contradição óbvia pois uma internet que dê acesso efetivo também é algo restrito a certas castas). Eles inclusive dizem que “não é livre no sentido da gratuidade” - as riquezas dessas trocas, como independência e liberdade, iriam além do que conhecemos por dinheiro.
- E aí faço de novo a pergunta: pesando prós e contras, será que aqueles centavos recebidos por “peça” vendida estão fazendo mesmo tanta falta aos artistas?
Abraços
Março 3rd, 2009 at 4:26 am
Caetano na Cidade Maravilhosa de Deus.
Vejam o significado da canção de Peninha.
http://www.youtube.com/watch?v=fU2DcsZKMhc
beijo na testa
salem