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Cordão é sinônimo de bloco. Só quem saía sem corda eram os trios elétricos. Das grandes sociedades às escolas de samba (como lembro dos Diplomatas de Amaralina!), dos Filhos de Gandhi aos Internacionais, do Crocodilo ao Ilê Aiyê - todos sempre saíram com cordão de isolamento. Isso nunca impediu os foliões de brincarem carnavais inteiros de graça. Ainda hoje é assim. Moreno, meu sábio filho, nunca entrou num camarote ou num cordão - nunca deixou de brincar mais do que eu, nunca reclamou. Quando nossa maior paixão era o Olodum, eu subia no caminhão com Paulinha Lavigne (Aloísio Mercadante era companheiro querido e animado), usava fantasia e dançava dentro da corda, Moreno brincava a noite toda na pipoca.
A primeira vez que vi as escolas de samba do Rio foi na Avenida Presidente Vargas, com Dedé. Choramos de emoção: era 1965, o ano em que a Império Serrano saiu com os “Cinco bailes na história do Rio”. Estávamos na arquibancada. Naquele tempo havia uma arquibancada longa de um lado só da avenida: do outro lado era uma corda guardada pela polícia. Quem não tinha dinheiro para comprar lugar na arquibancada ficava de pé na rua, sambandinho, colado na corda. Os foliões que tentaram seguir as escolas foram repelidos a cacetetaas pela polícia montada. Dedé e eu ficamos chocados, mas ninguém sequer reclamava. Nem uma palavra nos jornais. Nós próprios terminávamos sempre sendo retomados pela beleza do espetáculo e desistíamos de implicar com a dureza da polícia..
Depois o Darcy Ribeiro construiu o Sambódromo. Paulinho da Viola era contra - acho que ainda hoje não se conforma com a ideia de “praça da apoteose”, muito menos com a exclusão do folião pobre, que olha por frestas, do alto de viadutos, pouco pode ver.
Quero citar a obra-prima que é “Invocação”, do Quanta Ladeira, esse bloco recifense que canta espetaculares paródias obscenas de canções conhecidas. Nesse caso, a graça vem da ironia com o Recifolia, um carnaval pop abaianado (”resto de janta abaianada”) que se serviu ao povo daquela cidade por alguns anos. A última frase diz: “ai que saudade do cordão de isolamento”. Uma reação a essa intervenção no carnaval pernambucano fez muito bem à cidade: o carnaval de lá tem tanta força na tradição que pode viver quase só dela. O carnaval baiano que me apaixonou em 1960, quando fui de Santo Amaro pra Salvador, se pautou, desde 1950 pelo menos, pela invenção novidadeira. O trio elétrico serviu, antes, de inspiração e, depois, de argumento para os tropicalistas. Não tinha corda. Num frevo que escrevi sobre o assunto (”Um frevo novo”) digo “Todo mundo na praça e manda gente sem graça pro salão”. Só parte da juventude de alta classe média ia às ruas: ou eram comunistas, ou eram boêmios, ou eram veados, ou eram dos Internacionais. Minto: os velhos ainda saíam nas “grandes sociedades”.
Na Avenida Sete, as famílias punham cadeiras na beira da calçada para assistir ao que passasse. Logo estavam cobrando para alugá-las. As cadeiras ficavam amarradas em cordas que iam de árvore a árvore e roubavam toda a calçada aos foliões. Bem, faz uns bons anos que os camarotes que avançavam sobre o espaço do folião em Ondina foram proibidos (no período Imbassahy?). No ano passado, acompanhei Brown e o Camarote Andante, a pé, da Barra a Ondina. Neste ano, fiz o mesmo percurso em cima do trio do Psirico. A generosidade dos espaços - e o aproveitamento que as multidões fazem deles - é empolgante.
Daniela Mercury há anos não aluga seu trio a blocos: sai sem corda. Não é a única. Brown também. E há vários trios financiados pela prefeitura que saem sem corda. Feitas as contas, não houve piora, talvez tenha havido melhora na configuração topográfica do carnaval da Bahia.
Antes de ver o de Salvador, já tinha, aos 13 anos, passado o carnaval no Rio. Ver a Avenida Rio Branco vazia e sem animação me cortou o coração nos anos 90. Estava tudo reduzido aos desfiles das escolas. Há 4 anos, passei os dias de carnaval no Rio, sem ir ao carnaval. Estava sofrendo, de luto por dentro, não queria ir ao Sambódromo. Fui com Antonio Cicero e Marcelo Pies ver uma exposição no CCBB. Isso fica no centro, perto da Candelária, que é onde a Rio Branco desagua na Presidente Vargas. Para minha surpresa, vi muita gente fantasiada por ali. Pedi licença a Cicero e Marcelo e fui olhar a avenida. Chorei de emoção: estava como quando eu tinha 13 anos: cheia de “clóvis”, blocos, famílias fantasiadas, tudo. No dia seguinte Hermano Vianna me chamou para ver um mini-bloco que Kassin tocava na Avenida Atlântica (eu estava num apart-hotel entre Copa e Ipanema). A Atlântica estava vazia. Mas, voltando de lá, vi burburinho no Arpoador. Fomos olhar e Ipanema estava apinhada de gente. Nos disseram que o Monobloco tinha passado horas antes. A turba remanecente estava pronta para um carnaval pernambucano, baiano, pronta para tudo. Não havia mais blocos. Sobretudo me impressionou a ausência total dos poderes públicos: os vendedores improvisados paravam no meio do safalto, em qualquer lugar. Lembrei-me de quanta coisa se fez na Bahia e no Recife nestes anos. Há regras para a distribuição dos vendedores. Há proibições, planejamento. O Rio oficial porta-se como se nada houvesse além do Sambódromo. Ouço que o número de blocos cresceu enormemente. Que o folião pipoca é multitudinário outra vez no meu Rio. Fico tão feliz que nem dá para explicar. E espero que surja o que surgiu na Bahia: repertório novo e forte - e presença da prefeitura.
Todas essas coisas - e tantas mais - tomaram minha cabeça (além do que é mais forte: o samba do Psirico, a “viola” do Fantasmão, Daniela com o trio caprichadaço puxando milhares e milhares de pessoas, Ivete deixando o pano branco voar, Preta cantando bem um repertório massa na varanda do Camarote 2222, Xande cantando super bem, o Ilê em sua majestade, Armandinho agora com multidão atrás outra vez, Retrofoguetes homenageando Armandinho, Lucas Santana, Trio eletrônico arrebentando…) que não sobra muito espaço para reclamar do que nem tem modelo melhor no passado para comparação.
Bem, eu teria muito do que reclamar - mas não seria de nada do que o pessoal reclama. Talvez começasse, como Zizek, a reclamar contra a existência do carnaval. Mas não penso como Zizek mesmo! Paro em constatar que, nos blocos convencionais (mas nunca no Chiclete), quem brinca mais é quem fica fora da corda: quem está dentro leva aquele “sem graça” do salão de que falava minha música. As roupas uniformes ficam muito feias quando essas pessoas estão cansadas e sem nenhuma outra emoção positiva além da certeza de que está dentro do bloco. Mas já falei demais sobre o mau gosto carnavalesco da classe média provinciana em Verdade Tropical.
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Março 4th, 2009 at 9:52 pm
HERMANO, VOCÊ ME HIZO REIR. Desde que comencé a frecuentar esta OEP me estoy preguntando que quiere decir la gente cuando escribe RS RS o rs rs. No sabía que así se reían en la red los “intelectuales”.
Ja ja, Je je, ji ji !!. Me hizo gracia. Yo siempre me reí así. En un momento llegué a pensar que era algo relacionado con la letra r, ya que como empecé a frecuentar este lugar por la época en que caetano hablaba de la r “retronoseque” y la r “retronosequi” llegué a pensar que era algo relacionado con la “sonoridad” de esa letra o algo por el estilo, o una especie de contraseña o vaya una a saber que de los “caetanautas”.
Dada mi ignorancia en el lenguaje cibernético, no me atreví a preguntar y la dejé por esa, como otro misterio sin resolver, hasta que leí su explicación. MUCHAS GRACIAS.
BUENO, BUENO, vayamos a otro punto conflictivo como lo adelantó mi querida amiga Exequiela.
HELOISA!!!!. Menina, você confirmó lo que he estado comentando por acá más de una vez: MI PAÍS NO EXISTE !!!!. Somos ignorados onstantemente !!!. Cuando en un país extranjero alguien nos pregunta, where are you from y decimos uruguay, digamos que muchos dicen ¿PARAGUAY?, no repetimos nosotros, uruguay. Ah, dice el que pregunto primero con una expresión extraña, uruguay. ¿Y como es Paraguay? nos vuelven a preguntar. A esta altura ya no vale la pena aclarar nada más y nos convertimos en unos resignados Paraguayos. Exagero un poco pero no tanto. En Brasil más de una vez lo he comprobado. Pero bueno mi amiga, está disculpada por cierto, tampoco es tan grave el asunto. En definitiva su equívoco no hace sino confirmar lo que hubiera debido ser (quizás) nuestro destino “natural”, ser parte de Brasil o Argentina y no este estado tapón “inventado” por Lord Ponsomby. Tuvo suerte que se cruzó conmigo que no soy una “nacionalista” fanática y que no tengo antipatía por los Argentinos como sí la tienen muchísimos uruguayos, básicamente hacia el porteño, el de Buenos Aires. En fin, con las aclaraciones del caso, acordada la paz antes de que hubiera guerra y corriera sangre, te digo que me gustó tu propuesta de la “tesis” pero no se muy bien por donde empezar. Menina, você lo propuso y si puedo te sigo pero no lo aseguro. ¿Debemos seguir al pie de la letra los procedimientos para la elaboración de una tesis?. ¿Valen “experiencias” que no se pueden explicar adecuadamente con las palabras existentes hasta hoy ya sea en inglés, portugués, español o cualquier otro idioma?.
En fin, el tema es super interesante. Por lo pronto Exequiela habló del chocolate y creo que quizás se pueda comenzar a investigar por ese lado. Como dicen algunos, al parecer las mujeres son muy propensas a caer rendidas ante esta delicia tan dulce. Parece que consumir este alimento estimula la producción de ciertas sustancias vinculadas a la serotonina en nuestro cerebro que hacen que sirva tanto para cuando estamos tristes, deprimidas o alegres. Nuestras neuronas se activan, comienzan a trabajar y obtenemos placer por dicha activación. ¿No es fácil inferir de esto como dijo Exequiela que escuchar cantar a caetano podría producir lo mismo en nuestro cerebro?. Si, creo que sí.
Por lo pronto, ahora cada vez que veo un bombón Garoto me acuerdo de caetano. Por estos lados abundan y se venden también sueltos. Los “Serenata de Amor” son las más famosos, los más requeridos por los consumidores pero a mi no me gustan. Prefiero los de fruta, esos que nadie come y que quedan en la caja por los siglos de los siglos. O sea chocolate=dulce=bombón=serenata de amor =garoto= brasil= música= cerebro=caetano=chocolate =dulce …… Una línea puede ser esta sin duda y se puede combinar de varias maneras por cierto.
Otra línea interesante es la evolucionista pero para esta debo estudiar más. Por lo pronto voy a tratar de leer más sobre el tema (en serio) y ver que pasa. Una experiencia personal. De niña, cuando mi abuela me cantaba canciones antes de dormir me ponía a llorar horriblemente. Yo no me acuerdo mucho pero una vaga idea tengo de que me venía una tristeza horrible.. Era empezar a cantar que yo comenzaba a los gritos, llorando a mares y me preguntaban que me pasaba y no decía nada, solo lloraba. Hoy en día sigo siendo bastante llorona por cierto y basta escuchar los primeros acordes de algunos temas y me pongo a llorar a mares. Ej: el tema principal de la película “Cinema Paradiso” de Morricone. Me pasa una y otra vez cada vez que la escucho y también hay otras ¿Qué “strings” tocará en mi cerebro?. Ahora trataré de analizar mis reacciones antes ciertas canciones de caetano. veremos.
Por lo pronto ayer tuve otra experiencia “mágica” y no miento. No me puedo dormir sin leer algo antes, ya en la cama. Leí nuevamente el capítulo de A. Cândido y cuando nombra a los tropicalistas me asusté por cierto. Me subió la presión y me acordé de los disparates que escribo por acá, de quien es caetano y me dije, no escribo nunca más.
Luego miré una revista muy producida que viene de regalo con un diario. El tema principal era una producción fotográfica sobre Carmen Miranda, varias modelos “disfrazadas” como ella y un pequeño comentario escrito donde nuevamente nombran a caetano y nuevamente me vino el “terror”. Me acuerdo que me reí porque no decía los “tropicalistas” sino los “tropicales”. Si, decía algo como: “ los “tropicales” reivindicaron su figura y bla bla bla….”. Me hizo gracia.
Luego ( y juro por mi querida abuela que no estoy mintiendo) que luego de esto leí el diario de ayer, pero no el que viene con la revista sino otro, donde hablaban de una película de Carlos Saura sobre Fados y nuevamente lo nombran a caetano y creo que también a Chico Buarque. Por acá no la estrenaron pero la semana que vienen la van a dar en un lugar y quizás vaya. No me acuerdo el nombre y no tengo el diario para chequear. A esta altura ya me sentía una pulguita, me vino vergüenza y me juré que nunca más iba a aparecer por acá.¡Cómo para no soñar después con caetano!. Era “dios” nuevamente. Hoy me levanté y se me fueron todas las pavadas, nuevamente era un hombre “normal” , con dudas, contradictorio y confuso como el resto de los mortales, nuevamente me decidí a escribir y acá estoy.
pd: con respecto al lanzamiento del cd. un comentario. recuerdo que DB comentó que mucha gente le preguntaba por su disco con Brian Eno y cuando el les decía que todavía no existía físicamente, que no había nada tangible sino sólo los temas colgados en la red, al parecer muchos no quedaban muy convencidos. recién cuando apareció el “objeto” que uno puede tocar, la tapa, el librillo, etc, varios meses después, fue que el disco “nació” para muchos. recién en ese momento consideraron que el disco existía sin tener en cuenta que desde varios meses antes se podía acceder a los temas. ¿estamos tan “adelantados” y se va tan rápido a la desaparición del soporte físico como muchos dicen?. en mi caso yo compro cds.y también bajo alguno pero no soy una fanática porque luego no me da el tiempo de escuchar todo. lo que no hago es “mirar” videos, ni siquiera de caetano ¡Vero, 150 videos, por Dios!. me doy cuenta que prefiero escuchar a mirar (sin entrar en eso de que en realidad miramos y escuchamos con todo el cuerpo ¿no?). bueno, miro y escucho a veces por youtube algo pero jamás los bajo. tengo sólo 3 dvd originales y todos me los regalaron: uno de “morcheeba”, uno de peter gabriel y otro de drexler. nada más. prefiero así. por ej hoy estuve mirando un rato las fotos de caetano y cuando me empezó a dar “miedo” la corté. ya estaba pensando nuevamente en no escribir más y bla bla bla. si, si sólo escucho no me viene “miedo”, pero cuando lo “miro” me aterra, es dios y me asusta realmente. nadie está preparado para verle la cara a DIOS por cierto.
Março 4th, 2009 at 11:52 pm
Li espantado o relato do casal que foi jogado Niemeyer abaixo depois de terem sido roubados, por pura maldade. Essa ferocidade que o crime no Rio atingiu combinada com a ausência do setor público é o que conspira contra o Carnaval e as manifestações de rua na cidade. Fica ruim para o folião pipoca ( nunca tinha ouvido esse qualificativo, tão bonitinho, folião pipoca, do bloco do eu sozinho). A sensação quando alguém se depara com um Clóvis hoje na rua qual deve ser? O que estará por detrás daquela máscara? Um terrível esquartejador ou apenas um folião de fantasia barata? Estar junto da multidão, no meio dela, no Rio é sublimar a existência e acreditar na força do além que há de dar rumo e proteger a todos, é uma atitude de entrega total. Como criar filhos, como experimentar a alegria e gozar do bom gosto? Ficou mal o ladrãozinho, ficou ruim de dar dó, sem dó nem piedade, e espanta. O Carnaval sofreu e a cidade sofre o tempo todo e não encontra saída. Já ouvi coisas terríveis da Colômbia, inimagináveis num ambiente urbano da atualidade, e o que vamos fazer?
Quando Brizola e Darcy Ribeiro chamaram Niemeyer para construir o Sambódromo a questão nem era a segurança, era o monta desmonta das arquibancadas de madeira e ferro que anualmente tornavam a cidade refém das montadoras. A festa ficou um brinco, arrumou. E ficou cara e veio a TV e os turistas. É lindo, ali dentro é lindo. Foi uma intervenção do Estado que propiciou esse engrandecimento da festa. Mas depois disso, os que vieram não fazem senão lavar as mãos e fechar os olhos. Não vi mas parece que César Maia construiu o espaço para as alegorias no Terreiro do Samba, mas alguma coisa de fato afastou o carioca da festa da rua. De onde vem esse terror que amaldiçoa e assusta o Rio de Janeiro? Uma maldade gratuita, um fazer doer, de onde vem isso? Eu tenho vontade de reclamar disso…mas pra quem?
Março 5th, 2009 at 12:23 am
Eu nunca vou me esquecer
do dia em que ouvi pela primeira vez “muitos carnavais” eu achei tudo muito bonito e familiar.ainda hoje guardo aquelas canções nos salões das minha fantasias carnavalescas.
Março 5th, 2009 at 2:27 am
Caetanódromo
No Rio, um bloco de fãs de Roberto Carlos surpreendeu. Com a charanga tocanado a introdução de “Meu Amigo de Fé Meu Irmão Camarada”, todos de azul. O bloco temático chegou, além do horizonte, à janela do apê do Rei que saiu, sorriu e acenou. Lembrei de Maria Carnaval e Cinzas e me emocionei. Estrelas mudam de lugar. Gosto da palavra bloco, mais do que escola. A idéia de que pessoas amontoadas sacundindo formam um coletivo chamado bloco uno é bem bonita. Escola também é bonito, acadêmicos, unidos, mocidade, estação, tudo é bacana e muito grande. Mas a idéia de blocos espalhados desenha um mapa diverso. Não sei mais como é o carnaval, Nem do Rio. Nem do Recife. Nem de Salvador (o que conheci melhor no passado). As notícias e visões que me vêem por meio desse POST maravilhoso são alentadoras. Escuto os sambas-enredo de SR e RJ e pouco da Bahia, por conta desse blog. Do Recife, conheço a tradição dos frevos razoavelmente. Não sei brincar carnaval. E entendo quando Caetano aponta uma espécie de falso saudosismo de algo que na verdade nunca foi exatamente o que povoa nosso imaginário. Mais um texto surpreendente.
beijo na testa
Salem
Março 5th, 2009 at 3:27 am
caetano,
legal o post novo. leve e didático. um telespectador da tve, durante o carnaval, sugeriu a construção de um “pipocódromo”!!! hahaha. só se fosse com dinheiro do sindicato dos pipoqueiros do estado da bahia! hahahaha
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pessoal,
lí os últimos comentários lá no outro post.
grande coisa, a wired, no meu planeta. assinado ou não, o editorial é mais que pernicioso: é estrume de vaca mesmo. argh! mas vamo lá, gil, meu compadre. vamo em frente!
notícias do caernaval:
soube que nosso pop-poeta joaldo apaixonou-se por uma linda hermafrodita marxista que o levou para a suíça. ela permite que ele leia os comments, mas ele não pode comentar por causa das algemas.
mas não se preocupem. dr. ricardo joaldo tem se alimentado duas vezes ao dia das marmitas passadas por debaixo da porta do banheiro dos fundos. está feliz…um pouco mais magro, mas feliz…aah, l’amour!
Março 5th, 2009 at 3:38 am
Você me lembrou da minha tenra infância. Lá por meados de 70 havia o “Cordão dos Bichos” em Tatuí, interior de São Paulo. Consistia numa aparição de pessoas fantasiadas de bichos.um acontecimento na cidadezinha que fazia bem ao imaginário. Eu me lembro bem da corda que separava a gente daqueles bichos. Eram inatíngiveis,não era exuberante a corda era de corda mesmo, e se não me engano ninguém os seguia.Era um pequeno mas as pessoas saiam todas de suas casas para ver o cordão dos bichos. Não me lembro de música nessa cena, preciso perguntar para a minha madrinha que ainda mora lá. Era um acontecimento. Depois terminou. Durante o resto do ano as fantasias ficavam guardadas num porão, na cadeia da cidade, cuja janela dava para uma pracinha. A gente ficava então olhando aquilo tudo parado, escondido. Anos depois li em algum Mário de Andrade ( Turista Aprendiz, talvez) sobre o folclore do Cordão dos Bichos. Mário registrava algo que estava terminando.
Bem, Caetano, li seu texto e a sua corda me levou para a minha. Uma corda puxa outra. Talvez alguém saiba aqui a origem dos cordões…
Março 5th, 2009 at 3:41 am
Não dá pra não dizer: lindo!!
Março 5th, 2009 at 6:50 am
Caetano,
Sou folião desde sempre. Assim como você – se bem entendi –, tenho memórias lúdicas da adolescência em relação ao carnaval do Rio, cidade em que vivo e na qual nasci há 32 anos. Costumava sair num bloco de piranhas e frequentar bailes de clubes, que até 15 anos atrás eram muito bons. O carnaval de rua, entretanto, estava morto, com raros espasmos de blocos pequenos, de amigos, um aqui outro ali. Foi justamente o fascínio da rua, do povo na avenida, que me levou a migrar para Salvador durante a folia. Minha sensação era a de estar presenciando uma catarse coletiva fora dos padrões oficiais, vinculados ao desfile das escolas de samba e aos bailes de clubes. Era a genuína zona do povo, pulando atrás daqueles trios enormes (os mais antigos que me vêm à memória eram o do Orlando Tapajós e um do Paes Mendonça, que tinha a logomarca do supermercado em neón – algo que eu na minha vã inocência achava o supra-sumo da modernidade).
Como tinha e ainda tenho muitos parentes em Salvador, passei a vivenciar, ano após ano, o carnaval de rua, sempre fora dos blocos. Parava no Clube de Engenharia, no início da Carlos Gomes, e sempre me arranjava por ali. Achava tudo ótimo, via tudo, mas a sensação de brincar de verdade só veio quando saí pela primeira vez num bloco (CocoBambu, 1996). Daí pra frente não larguei mais os abadás. Minha relação com os blocos pagos sempre foi a de poder usufruir da brincadeira da melhor forma possível, com um artista tocando pra mim do início ao fim e com a sensação (ainda que ilusória) de ter certa segurança. Saio sempre com o Chiclete, que funciona muitíssimo bem no caminhão (para que está dentro ou fora do bloco).
O renascimento do carnaval de rua do Rio me deixa feliz e ao mesmo tempo intrigado com o modelo desenvolvido em Salvador. Fico me perguntando se a coisa libertária que me atraía nos meus primeiros anos na folia em Salvador não está realmente embutida na brincadeira pressuposta na ausência de cordas, como ocorre nos trezentos e tantos blocos cariocas. Voltei a Salvador no carnaval deste ano e novamente brinquei à beça no Camaleão, como, da mesma forma, me encantei com a multiplicidade de situações maravilhosas proporcionadas na avenida (a exemplo dos lindos desfiles/apresentações do Cortejo Afro e do trio independente de Daniela Mercury e Margareth Menezes no sábado). Ou seja: não me arrependo de nada, mesmo sabendo que milhares(ões) de outras pessoas estão se esbaldando tanto quanto eu sem pagar um tostão furado.
Entretanto, como você disse, tenho visto cada vez mais nas transmissões de TV em Salvador alguns foliões de bloco, dentro do bloco, em pleno carnaval, na parte inicial do percurso, com cara de “gente sem graça no salão” ou coisa parecida, como se cumprisse uma obrigação em nome do status estar dentro de uma agremiação de cordas, paga e restrita. Ver esse tipo de imagem triste, desoladora, enfadonha, destrói em mim toda a alegria decorrente de manifestações espontâneas vistas em uma festa plural como o carnaval de Salvador. Vejo que muita gente recorre a abadás para satisfazer vontades que passam ao largo da curtição inerente àquela proporcionada por um bom bloco de carnaval. Foi justamente o aposto disso que acabou me atraindo para os blocos do Chiclete: quem tá ali tá é pra brincar todas, e dane-se o resto!
No mais, achei o carnaval desse ano lindo, com um aspecto hiper-grandioso (sentimento talvez atrelado à grandiosidade dos camarotes), moderno, atrativo não só para o folião, mas também para quem queria estar ali mais para ver e apreciar do que para brincar. Um grande carnaval, enfim – apesar do mau gosto. E me felicito em saber por amigos e pela mídia (a coluna do Joaquim Ferreira dos Santos desta semana é um primor) que o carnaval de rua do Rio realmente veio para ficar, de fato. Tomara que em 2010 seja melhor ainda, para quem fica dentro ou fora da corda, e também para quem passa ao largo de cordas.
Em tempo: tenho um amigo que trabalhou na coordenação de carnaval de rua do Rio este ano pela prefeitura. Pelo que ele me falou, a constatação é a de que realmente não haverá como fugir do estabelecimento de circuitos específicos para os blocos de rua no ano que vem, tamanha a reclamação da zorra em que se transforma toda a cidade com blocos pipocando por todos os cantos, engarrafando todo o trânsito, impedindo a circulação de pessoas alheias à festa etc. Veremos…
Abraços e parabéns pelo teu excelente blog,
Oldon (www.blogdooldon.blogspot.com)
Março 5th, 2009 at 9:22 am
Bom Dia Democracia!
Labi Barrô strikes again!
Ai que saudade de Pai Caetano!
Eu estava no interior de Minas, em casa de gente muito simples. Não se ouve falar em internet. Carnaval em Brasília não é lá essas coisas né…Então todo ano me mando daqui e vou brincar em outros cantos. Em Minas tem carnaval sim gente boa! Carnaval não é só no Nordeste não. Voltei no domingo.
O papo do to be or not to be assimtomático rendeu bem pra mim. Assim que voltei havia recado na secretária eletrônica: Labi, você está convidada para um jantar que vou oferecer para minha amiga francesa que está no Brasil. O recado era do meu amigo diplomata, que leu as coisas que Vô Velô escreveu e gostou muito, pode?
Eu fiquei animadíssima né…Labi jantando com a francesa lindíssima, magérrima, cheirosíssima, loiríssima. Pra mim é tudo né gente boa!
Eu me preparei. Arrumei meu cabelo, pintei meu rosto, coloquei a melhor roupa que tenho. Fui com minha piteira. Eu não fumo não, mas a piteira me deixa muito charmosa, chique e com cara de quem tem atitude. Uso em ocasiões especiais, mas sempre com o cigarro apagado. Adoro montar um look Bette Davis. Só que a Bette Davis que faço tem um quê de Maria Bethânia né. Fica lindo. Eu adoro e quem vê curte muito.
O jantar, a la francesa, trazia creme de aspargos como entrada. Que lindo. Que delícia.
Só que de repente gente boa, não mais que de repente, a francesa, aquela francesa linda, chique, magra, altíssima e loiríssima, saca um lenço de dentro da roupa e começa a assoar o nariz, em plena mesa de jantar! Não, pode uma coisa dessas? Eu também não acreditei no que meus olhinhos viam gente boa, mas eu juro que é verdade.
Aquela limpeza do muco fez com que uma imagem de secreção nasal se misturasse em minha mente com a aparência do creme de aspargos e, gente boa, meu estômago travou de uma tal maneira, meu sorriso (que estava lindo) desmontou para um riso sem graça e eu não consegui desfarçar. Perdi o apetite.
Meu amigão foi logo dizendo: o que houve Labi, que cara é essa? Por que parou de comer? E eu: Como que cara é essa? Olha o que a francesa está fazendo? Querido, se ela escarrar eu me levanto e vou embora! E ele: Labi não faça isso. Assoar o nariz é costume em toda a Europa, é coisa normal. E eu: Ah é? Então abre uma coca-cola aí que eu vou começar a regozijar. Eu li num livro que o regozijo é costume dos nobres. Meu amigo riu, contou uma piada para as francesas (eram duas mulheres lindas, a amiga dele levou a namorada, que não entendem uma palavra de português) e eu tratei de me recompor. Afinal, não queria ficar com fama de pagadora de mico né? Pu vê vu pra cá, sa vê vu prá lá e tudo correu bem. Foi assim. Acabei comendo o tal canard à l’orange, e achei delicioso.
No final recitei Dans mon ile para as duas. Elas não entenderam nada. No início uma delas queria me interromper e disse assim: Pardon! Meu amigo explicou e elas bateram palmas pra mim no final. Adorei! Eu queria tanto saber falar francês. É tão lindo.
Mas Pai Caetano, Hermaninho, Rosaninha Tibúrcio e toda gente, se um dia vocês forem jantar com uma francesa e ela começar a assoar o nariz à mesa, olhe para o lado, pense naquela canção do Roberto, não deixe sua mente pensar besteira, finja que não viu e trate de comer tudo. É chique gente boa!
Sobre o lançamento do disco, eu sugiro uma tiragem em vinil, com capa dupla! Vai ficar lindo. Misturar a modernidade da internet, que possibilitou uma votação para eleger uma das duas versões de Incompatibilidade de gênios e a coisa retrô do long play.
Labi Barrô, morrendo de medo da barrinha lá de cima!
Março 5th, 2009 at 9:27 am
Caetano,
Acompanho seu blog, mas me calo, por não ter nada a dizer. Mas desta quero te contar de como me emocionei neste carnaval. Ói, que eu sou meio metida à besta, detesto gente me relando pra imitar o Olodum – passei carnaval em Salvador uma vez pra nunca mais, valha-me Nosso Senhor do Bonfim. (Vejam bem, adoro Salvador e a Bahia toda, de Abrolhos a Mangue Seco, passando por Caixa-Prego. Mas não no carnaval.)
Então eu que achava que o melhor carnaval era o de Ouro Preto – mas quando e se a gente tem uns vinte e poucos anos. Aquela coisa de blocos, de marchinhas. Eu tocava alfaia no bloco Pirata e me esbaldava no bloco da Lama, até o dito ser proibido por lesar o patrimônio histórico universal, uma vez que os foliões não conseguiam se segurar em suas (lá deles) pernas, e deixavam suas (lá deles) mãozinhas marcarem de lama os casarões coloniais. Depois de uns 5 anos de lambança o padre Simões arretou, moveu mundos e fundos e acabou com o bloco da Lama! (Padre Simões, ele mesmo, o que disse no meio da Santa Missa que se peito fosse buzina ninguém conseguiria dormir uma noite em Ouro Preto. Eu adorava (r)ir na missa de padre Simões.) Sem contar minhas aparições no bloco das Lajes e no Mesclado.
Mas o tempo passa, a gente cansa de ficar com roxo na perna. E os vinte e poucos viram trinta. Mas – things get dirty as we get to thirty – e eu descobri que carnaval no ridijaneiro é bom demais! É o carnaval de Ouro Preto sem os pós-adolescentes! Esquece a Sapucay, a cobertura da Globo: aquilo devia ser gravado no Projac, Carnaval na Marquês só serve pra dificultar o trânsito pra Lapa. O bom mesmo é ir pros blocos.
E tem muitos, muitos. Tantos e pra tantos gostos! A beleza dos Gigantes da Lira, com suas fantasias de palhaço, muitos são palhaços de ofício! Tem fotos lindas no flickr, destaco as de http://www.flickr.com/photos/roberto_tumminelli/. E o Exalta Rei? Bloco já citado pelo Salem e que só cantava Roberto Carlos? Eu chorei de emoção muitas vezes, em vários blocos.
Mas uma coisa há de ser dita: não é um carnaval musical pra frente, não ouvi músicas novas. O carnaval de rua do Rio é um carnaval musical pra trás, de músicas de antanho. Pode ser que alguma renovação musical venha do resgate. Mas pode não ser.
Março 5th, 2009 at 9:55 am
Legal a lembrança. Minha infância e adolescência foi em Quintino, aqui no Rio, onde o carnaval era de rua e ao redor do coreto. Nessa época do ano tudo mudava, em qualquer bar, lá estavam: tamborim, repique de mão, surdo, reco-reco e vez em quando uma cuíca, qualquer um podia se habilitar (quase virei um sambista !). Havia uma atmosfera… uma alegria contagiante no ar, há muito tempo não volto lá, mas ficou essa lembrança boa e pura. Fico feliz de ver a revitalização do carnaval de rua na zona sul e centro do Rio, mas nas zonas oeste e norte, carnaval de rua é uma tradição, um patrimônio “mermo” dessa gente do subúrbio.
Abraços
Março 5th, 2009 at 11:46 am
Pensando bem, caetano, eu também não penso como Zizek contra a existência do carnaval. é que ele estava em “Paralaxe” e não viu o que a gente vê.
Março 5th, 2009 at 11:55 am
Passei o carnaval desse ano aqui no Rio (pra lembrar, sou de Salvador). Quando criança, ficava fascinado pelos desfiles das escolas de samba; achava aquele acontecimento no sambódromo (e o próprio sambódromo) uma coisa fantástica. Agora que moro aqui esperava ver isso tudo “in loco”. Mas não consegui, porque todos os ingressos foram vendidos, pelo telefone, em pouco mais de 30 minutos…!
Resultado: saí em alguns blocos, e achei muito massa; isso que você, Caetano, falou, é MUITO verdade: a ausência dos poderes públicos no sentido de dificultar a vida de vendedores e catadores de latinhas. No sentido de segurança, também: eu, acostumado a às vezes levar uns “cutucões” de cacetete quando vai passando aquela filinha de policiais no meio da pipoca (e dentro dos blocos também), fiquei surpeso ao sair no Cordão do Boitatá e não ver NENHUMA viatura, nenhum policial. Não tinha nem mesmo um folião sequer fantasiado de polícia! E o melhor de tudo: Não vi confusão, briga, nada desse tipo.
Mais um detalhe: as fantasias da galera deram shows de criatividade, esmero, alegria.
E os nomes dos blocos? “Se não quer me dar me empreste”, “Bata pra mim que eu tô cansado”, “Vem ni mim que sou facinha”, “Rola preguiçosa”, “Largo do Machado mas não largo do copo”… Sensacional.
Deixa, Caetano, que “o Rio oficial porte-se como se nada houvesse além do Sambódromo”. Vai que ele olhe pra esse outro carnaval, resolva intervir e fique tudo uma merda…
Abraços a todos.
Emerson Leal.
Março 5th, 2009 at 12:11 pm
Zizek falou que não deveria existir carnaval? É complicado…
“O Brasil é o país do futebol e do carnaval”: isso é tão glória quanto vergonha, depende das razões de quem ouve. Eu sei que sem isso ia ser difícil pacaramba.
Zizek quer viver pra quê? Pra produzir ciência, ser reconhecido, ganhar dinheiro, mergulhar no estudo da macrossociabilidade, por assim dizer… Ótimo. Mas, aqui pra nós, aturar essa sisudez toda, essa fome toda, essa impossibilidade toda, essa vergonha toda, essa impunidade toda, essa porra toda sem “se vestir de rei” pelo menos uma vez por ano não dá. Zizek, viver pra quê? Ou então: nem todo mundo goza pensando, ou brigando… Deixa o carnaval onde ele está. O resto do ano (ou da vida) a gente briga.
Beijos,
Emerson.
Março 5th, 2009 at 12:39 pm
Acho que está renascendo um carnaval mais forte, dialeticamente mais forte - transcarnaval. ninguém segura a energia intrísica de um povo. mesmo que desviem o cordão da alegria pra um salão qualquer, feito água, ele transbordará inundando a cidade com seu carnaval particular.
Março 5th, 2009 at 2:48 pm
Olha Caetano tomara que a pipoca carioca cada vez mais estoure por todos os cantos do Rio e que seja bem independente da atuação e do estabelecido pela prefeitura.Quanto ao repertório novo e forte isso é só questão de tempo.Por enquanto tem-se que usar e abusar do repertório alheio que é o que se ouve ostensivamente por todo país mesmo quando não é carnaval.Durante todo o ano.E o tempo de cura,de assimilação transmutativa para criação e recriação é algo que o carioca deveria querer mais para si.Chega de tanta ansiedade e vigorexia despropositada.O carioca precisa relaxar mais.Menos pó e mais erva,talvez.Hermano brother que tanto admiro,cê me interditou lá em baixo e eu mereci aquilo!Tava maldoso!Mas óia eu só quiz dizê qui é pra nóis aqui qui é das eliti como ocê qui ocê dirige seus encantamento com o mundano.Claro qui ocê num tem qui tá aqui falando só trem qui é dus nossu mundinho e o qui nós qué ouvi,né?Mais aquele trem antigo das impreza de gravação vô ti contá qui nunca acreditei mesmo na ladainha fingida delas.Sempre puzeram os artista popular contra os de elite para seus próprio interesse financioso.E ói continuo “prestando muita atenção no que meu ‘Hermano’ ouve”!
Março 5th, 2009 at 3:40 pm
No Rio os “novos” blocos são formados, em sua maioria, por moradores da zona sul e, em muitos, a solução de “selecionar” quem acompanhará o bloco em todo seu percurso, não aconteceu com as conhecidas cordas, que cercam a massa, e sim com a divulgação de horários “falsos”, como no bloco “Exalta Rei”, citado por Salem. Espero que isso não seja as primeiras folhas, de uma árvore proconceituosa que cresce no nosso carnaval.
Lindíssimo foi o Cordão do Boitatá, domingo, na Praça XV. Dezenas de milhares de pessoas brincavam em um clima maravilhoso, crianças, idosos, suburbanos, estudantes da PUC, dividiam a lateral do Paço Imerial, exibindo seus Franksteins, suas cinderelas, seus mendigos…
bjs
Março 5th, 2009 at 3:42 pm
“Se não quer me dar me empreste”
“Largo do Machado mas não largo do copo”
hahahahahahaahahahahaha…sensacionaaaaal!
Março 5th, 2009 at 5:06 pm
“Não põe corda no meu bloco
Não vem com teu carro chefe
Não dá ordem ao pessoal
Não trás lema nem divisa
Que a gente não precisa
Que organizem nosso carnaval
Não sou candidato a nada
Meu negócio é madrugada
Mas meu coração não se conforma
O meu peito é do contra
E por isso mete bronca nesse samba plataforma
Por um bloco que derrube este coreto
Por passistas a vontade
Que não dancem o minueto
Por um bloco
Sem bandeira ou fingimento
Que balance e abagunce
O desfile e o julgamento
Por um bloco que aumente
o movimento
que sacuda e arrebente
o cordão de isolamento.”(Bosco & Blanc)PLATAFORMA.
Março 5th, 2009 at 5:46 pm
Ah!Tem uma música linda do Caetano,Danilo Caymmi e Sérgio Fayne,muito linda mesmo.Digna de entrar pra lista das do lado b belíssimo obscuro e ainda não gravadas por ele e que bem podia ser:”O Penúltimo Cordão”.
Março 5th, 2009 at 6:07 pm
Também fiquei surpresa com a maravilha que é o Carnaval no Rio, alegria e fantasias, coisa boa de ver e ouvir.. Adoro as marchinhas. O Boitatá foi mesmo um dos melhores acontecimentos de todos os dias. E outro charme da cidade no Carnaval, Rafael Rodrigues, se não me engano, disse no post anterior. Onde há dois ou três tocando um samba, junta-se uma turma e a festa está garantida.. Muito, muito bom!!
Março 5th, 2009 at 7:11 pm
Eu, Moreno Veloso e os outros foliões pipoca precisamos agradecer aos integrantes do bloco pelo show que eles pagaram e nós estamos assistindo sem pagar. Ou será que é de graça?
A rua também não é de graça. O folião pipoca aluga a rua para os blocos e recebe em troca o show.
Os camarotes se pagam e os trios independentes tb. As variações se completam e se equilibram. É a lógica precisa do capital. Nada é de graça.
O estado deve moderar para que o aluguel da rua se faça valer.
Eu riu para não me aborrecer com a demagogia pseudo-intelectual de quem não sabe fazer uma conta de padaria quanto mais um projeto de viabilidade contra a corda e o camarote.
Março 5th, 2009 at 7:13 pm
Gil, a violência vem decrescendo no Rio em números absolutos (pelo menos o indicador “número de homicídios” não pára de decrescer. Em São Paulo decresce mais ainda. Em Salvador, ao contrário, cresce. No entanto, a violência no carnaval vem decrescendo ali - e neste ano foi lá pra baixo. Não houve homicídios relacionaods ao carnaval. Mas o mais importante é saber que esse número sinistro DECRESCE em São Paulo e também no Rio. Alguém tem de pegar esse embalo e surfar nessa onda.
Barbara, you are bilingual? Maybe of Mexican descent? Or Puerto Rican? An American friend once told me your English comments read a little foreign, in her words “sometimes even more stilted than yours” (saying that to me). By the way, I read a long article in the New York Times Magazine about reactions of men and women, both gay and straight, to images of male and female nude bodies, sexual intercourse between man and woman, two women, two men etc., and the result was that straight men only get excited at the vision of women’s bodies, scenes of heterosexual sex, or between two women etc., while gay men only got aroused at the sight of man-man relation (or male nude); as for women, they seemed to be aroused by all kinds of sex combinations. Men were also very true to their reactions as detected by electronic devices (they all had electrodes adapted to their brains and sexual organs): that is, their spoken report often coincided with the resulting graphics. While women were often incoherent. I found the whole story a little weak, but at least I found it interesting to know that men who are more defined in their choices are more intensely sexual, while women who are more intensely sexual get horny at the most varied kinds of images. They didn’t say anything about voice.
Na região do pelourinho, centro histórico de Salvador, há um carnaval “à antiga”. Moreno levou Rosa este ano. Bandinhas de trompetes, saxes, trobones e tubas, batucadinhas, mascarados, tudo. Tem isso também. Já fui lá algumas vezes. É legal. Mas sofre do mal de só tocar “Olha a cabeleira do Zezé”, “Se a canoa não virar”, “Jardineira”, “Alalaô”, “Mulata bossa-nova” e “Bandeira branca”. Há umas 5 mais. No Rio é assim. No Recife são frevos mil, em geral sem letra, bem-tocadíssimos - e a turba dança com muita energia acrobática.
Março 5th, 2009 at 7:40 pm
Gil com certeza você não saiu em nenhum bloco no Rio.
Guilerme, você estava no Cordão? Nossa! Meu terceiro ano de Cordão. Muito bom!
Para o Rio falta apenas que os governantes olhem para o carnaval de rua. Este ano o prefeito exigiu dos blocos uma contrapartida. Como assim, né!? Que outra contrapartida além de alegrar os foliões?
O Problema não é a pipoca carioca, são os políticos e empresários cariocas que ainda não miraram as possiblidades.
Março 5th, 2009 at 7:57 pm
Hola, chicas (y chicos)!
Lo siento que no respondí antes. Estoy muy tarde. Gracias a Heloisa por recordarme.
Yo leí con mucho interés los comentarios de Lucre. Sus reacciones a la música son muy interesantes. ¿Pueden Vds. leer el inglés? Yo encontré un capítulo de un libro sobre las reacciones a la música — físicas y emocionales.
Espero que funcione este link: http://books.google.com/books?hl=en&lr=&id=RqNVshbRkmEC&oi=fnd&pg=PA141&ots=yjhUnx5HcI&sig=-GsNxNqB5ySIMMRXUA7uI_8DA1o
La autora dice que las reacciones emocionales pueden ser individuales. Por ejemplo, mi reacción a la tema de Cinema Paradiso es éxtasis en vez de tristeza. Pero ella dice también que los científicos creen que los oyentes pueden ter reacciones a la emoción de la música propia, no a las memorias individuales de los oyentes. Puede ser que nuestra Lucre es especialmente {empathetic – Yo no sé esa palabra en español.}
No he encontrado ningún estudio de mi interés inicial … Hay algo diferente entre las mujeres y los hombres en sus atracciones basadas en el sonido de la voz?
¿Si el parte del cerebro del hombre sea diferente al verse las mujeres nudas o vestidas, puede ser diferentes partes del cerebro de las mujeres también cuando se suenen la voz de un hombre o se ven a su imágen? Cuando yo veo a Bryn Terfel, por ejemplo, mis ojos dicen “Hmmm.. Yo creo que no,” pero mis oídos dicen, “Sí! Sí! Sí!” Y en termos de atracción, mis oídos siempre se ganan. Yo reí al leer el comentario de Glauber. ¡Es la verdad! Lo que tiene en sus bolsillos no se importa nada… por lo menos, en ese momento exacto.
Yo sospecho que haya diferente con los hombres. Pero no he encontrado estudios científicos. Puede ser que hayan demasiados variables a medir.
Pero claro que sí, yo quiero participar en el estudio sugerido por los comentarios de eXequiela… Los científicos van a medir nuestros cerebros mientras que escuchamos a la música de Caetano y comemos el chocolate. Sign me up now!
Caetano, I hope you don’t mind our hijacking your blog for this discussion. I did enjoy your reminiscences about Carnaval, past and present, particularly your personal reactions. You are very affecting when you write about your experiences.
Best always,
Barbara
Março 5th, 2009 at 8:44 pm
Acabei esquecendo, o ponto alto do carnaval em Quintino era o bloco do Flamengo, ficávamos lá esperando aquele time horroroso ( Zico, Adílio, Mozer, Nunes, Tita, Leandro, Raul, Andrade, Junior, etc…) dar algumas voltas na praça e voltar para casa dos pais de Zico. Quanta tristeza e ódio esse time causou a um pobre botafoguense.
Março 5th, 2009 at 10:05 pm
Deus te ouça Caetano, Deus te ouça…antes quero aproveitar para saudá-lo por mais esse comentário tão pessoal e tão brilhante, ficamos todos envaidecidos com vc, a vaidade é nossa. Pronto, sem babação…
Quis me referir ao caráter maldoso e feroz que o crime de rua alcançou no Rio, a falta de valor a vida humana, a audácia de fazer sofrer sem motivo, a tortura seguida de morte. São episódios coloquiais no Rio de Janeiro e hoje estão difundidos por todo mundo, vc sabe.
Vi, como já disse, recentemente o filme Complexo de Baden Meinhof que narra a história desse grupo guerrilheiro mítico e terrível da Alemanha nos anos 70. A escalada criminosa atingiu um ponto tal que a justifica era: vamos fazer sofrer, fazer doer a sociedade. Quando li o que se passou com o casal sequestrado e torturado no Leblon imediatamente fiz o paralelo com o filme. O casal se perguntava porque eles foram tão sádicos, sem nenhum motivo…será que já atingimos o mesmo ponto que aquele dos anos 70 na Alemanha? Será que já produzimos nas nossas proporções e peculiaridades o mesmo resultado de luta urbana que aquele? Como olhar para isso, como enfrentar isso? E é inevitável Caetano, diante disso é possível falar em desobediência civil? Temos que pensar nessas coisas e com vc por perto a gente pensa melhor.
Março 5th, 2009 at 10:19 pm
Vellame,
pode rir ou se aborrecer. sou contra às cordas por princípio: é uma privatização do espaço público, ainda que de modo ambulante.
mas eu mesmo me questionei, num comment anterior, se seria possível termos tantas estrelas no carnaval, com os trios sofisticadísismos em termos tecnológicos sem esta lógica capitalista.
mas não me iludo, o espaço para o folião pipoca está ficando mais reduzido e eu acho, assim como Caetano, os abadás um horror!
concordo com quem diz que o estado tem que regular a coisa, afinal permitir o paredão de camarotes que, há alguns anos, se formou na avenida oceânica era mesmo um absurdo. Até a vista para o mar, nesta avenida, os camarotes já chegaram a tomar.
Este ano, assim que a folia, aqui em Salvador, terminou, eu fui dar uma espiada lá na barra (até porque o trajeto que faço para meu trabalho é de bicicleta e passa por ali): a coisa não estava tão feia como eu imaginava, mas ainda assim me assusta. É um paredão feito de tapumes que se elevam por até três andares. Talvez a saída para Salvador seja descentralizar o carnaval - muito concentrado em praticamente dois circuitos: o badalado “barra-ondina” e o tradicional “campo-grande”. Uma saída poderia ser extender o carnaval até o bairro do Rio Vermelho, mas aí é que não teríamos mesmo mais vista para o mar. Os camarotes tomaríam tudo.
Acho que alguma coisa nós aqui de Salvador deveríamos aprender com o carnaval de Recife - que dá um show de descentralização e que permite que o folião brinque sem ter que pagar para estar dentro de um cordão de isolamento.
abs
luedy
Março 5th, 2009 at 11:11 pm
a, e, i, o u.
rolou bloco de tudo quanto é tipo aqui no Rio.
o gigantes da lira é uma graça!
Rancho Flor do Sereno. Empolga às 9. Mariocas. A Rocha da Gávea. Me Beija Que Sou Cineasta. Cacique de Ramos. Me Enterre na Quarta. Buda da Barra. Porre Certo. Songoro Cosongo. Bloco Se me Der eu Como. Me canta que Eu Canto. Mulheres de Chico. na cinelândia virginia lane e outras/outros das antigas. batuques em latinhas pela rio branco.
Há 3 anos que brinco o carnaval no Rio e vejo sempre a mesma felicidade.
“E tem muitos, muitos. Tantos e pra tantos gostos!”
É uma baita mentira essa história de que os blocos não divulgam horários. Sempre escuto falar isso, mas nunca vi acontecer. Os jornais divulgam em cadernos especiais a relação dos blocos e os horários de concentração.
Março 5th, 2009 at 11:12 pm
Oi, Caetano e pessoal.
Zizek realmente disse no Roda Viva não gostar do carnaval e sim de ordem. E disse que Auschwitz e o Gulag foram também “carnavais”: inversões.
Foi uma provocação: parece que ele usou o conceito de carnavalização daquele livro do Bakhtin, mais do que pesquisou o carnaval brasileiro.
Março 6th, 2009 at 12:39 am
caetano,
no carnaval de 2008, gravei uma marchinha do maestro zeca freitas para o carnaval retrô do pelourinho. era uma marchinha que falava de clonagem, chamada “alô, dolly”. adorei participar desta gravação com o maestro e seus músicos.
Março 6th, 2009 at 1:44 am
gil,
obrigado pela referência lá no outro post.
Meu velho cão morreu essa noite. Decidimos sacrifica-lo. Acreditamos que nosso apego era o que o mantinha vivo, a vida já não lhe interessava mais. Fica essa vontade de ter dito mais sem palavras, eu que sou ruim de afago. Mas acho que ele me compreendeu como acho que o compreendi também. Valeu. A vida é assim: é doce e dói.
O carnaval passou, estamos livres para renovar as tristezas.
Março 6th, 2009 at 2:07 am
A brasileira mineira Márcia Barros que casou com um português e vive em Portugal, gravou um disco singelo chamado Bossa Nossa que seria o melhor da pop portuguesa em ritmo de bossa nova, ou seja, canções portuguesas “embossadas” ( argh… eheh) …tem uma que toca no rádio e é tão bonitinha que mando a letra…
O bairro do amor
Letra e música: Jorge Palma
No bairro do amor a vida é um carrossel
onde hã sempre lugar para mais alguém
o bairro do amor foi feito a lápis de cor
pra gente que sofreu por não ter ninguém
No bairro do amor o tempo morre devagar
num cachimbo a rodar de mão em mão
no bairro do amor hã quem pergunte a sorrir
será que ainda cá estamos no fim do Verão
Eh pá, deixa-me abrir contigo
desabafar contigo
falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
descontrair um pouco
eu sei que tu compreendes bem
No bairro do amor a vida corre sempre igual
de café em café, de bar em bar
no bairro do amor o sol parece maior
e hã ondas de ternura em cada olhar
O bairro do amor é uma zona marginal
onde não hã prisões nem hospitais
no bairro do amor cada um tem de tratar
das suas nódoas negras sentimentais
Eh pá, deixa-me abrir contigo
desabafar contigo
falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
descontrair um pouco
eu sei que tu compreendes bem
Março 6th, 2009 at 2:45 am
O Emerson Leal disse tudo. Gostaria apenas de ressaltar que têm música nova sempre em muitos blocos, porque têm escolha de samba, como nas escolas. Mas não têm sucesso de verão…é outra onda…É curtição mesmo! E deixa assim, porque assim é que é bom!
Março 6th, 2009 at 4:05 am
Sí al Carnaval de Brasil!!… que no tenga fin y guarde su encanto… que todavía no lo conozco! Además, no vaya a ser que la tristeza no tenga fin ni la alegría comienzo! Perdón por mi ignorancia: qué es un bloco??? (JAAAAAAAAAA-HAAAAAAAAAAAAAAAA)
LeAozinho, al final no entendí: quién tiene más in-tensidad sexual-sexualidad in-tensa… el hombre o la mujer? la mujer o el hombre?. Quién es más coherente?.. la mujer o el hombre?, el hombre o la mujer?….. Que sigan in-vestigando nomás… a ver si algún día se hace la LUZ!!!!!
Barbara: qué español! te lo tenías guardado!! Bueno, fijate que en mi caso la voz de LeAozinho y otros-otras (típica mujer in-definida) es aún mejor que el chocolate porque no me da migraña luego de escucharlo… qué placer in-doloro! Acá http://www.luciernaga-clap.com.ar/articulosrevistas/28_musicaycerebro.htm avalan mi teoría, dicen: “Cuando un acorde que resuelve una sinfonía nos produce un delicioso escalofrío se activan en el cerebro los mismos centros de placer que actúan al comer chocolate, hacer el amor o tomar ciertas drogas.”
___________________
Esto no tiene nadaaaaaaaaaa que ver con nada (¿?) pero en uno de esos momentos potentes que uno se permite para la risotada… y ya que estamos con una onda memorabilia, recordé mi in-fancia y me puse a buscar videos de Raffaella Carrá. JAAA-HAAA. Me gustaría saber si allá en Brasil tuvo el mismo impacto que en Argentina (y seguro que Veriño y Lucre se van a sentir identificadas): muchas niñas, adolescentes, adultas y bichas han estado alguna vez al borde de desnucarse imitando los sacudones de cabezas de Carrá.
Dos videos in-olvidables:
En el amor todo es empezar (alias eXplota, eXplota mi corazóooooon) http://www.youtube.com/watch?v=jYgpmwhGrm0
Hay que venir al sur http://www.youtube.com/watch?v=G5Y6uFjEYBM
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Sí Glauber!!!!!!!!! Vos también recibiste un message in a bottle de esa suiza des-almada e in-sensible que tiene raptado a Joauudo?… El mío decía que está por des-nutrirse así que mejor que pronto vuelva a escribir alguito para nutrirse …o lo perdemos!!!!!!!
Março 6th, 2009 at 7:50 am
CAETANO MÍO e PESSOAL,
Ya lo decía mí Abuela, “Carnavales, eran los de antes” y todo “tiempo pasado fue mejor”…y Vero dice: ”Mis Carnavales son ahora” y “mi tiempo es hoy”…así que mí Abuela, era muy sabia!. (Esto acabo de escribirlo hace diez segundos atrás, jé!).
Creo haber hallado la “TESIS…DO SEX APPEAL”…
Encontrar completamente sexy a una persona y no a otra no tiene ninguna relación con el azar. Al menos eso opinan los científicos, que llevan años tratando de entender cómo sucede la atracción entre dos individuos del sexo opuesto.
No sólo la proporción del cuerpo y la forma del rostro, el olor corporal e incluso la voz son armas naturales para volverse irresistible. El sonido también es esencial. Según estudios realizados por el profesor Gordon Gallup, de la State University of NY Albany, la voz tiene un rol trascendente.
Y todo comienza tan sólo al mirar el rostro del “ser amado”: los ojos, los pómulos, la nariz, los labios. Todo influye.
Desde la antigüedad se ha postulado que una cierta proporción es necesaria para ser considerado bello, y hoy hay estudios que demuestran cómo es un rostro perfecto. Por ejemplo, la distancia horizontal de un ojo debe ser igual a la distancia que hay entre ambos. Audrey Hepburn, Greta Garbo e incluso estatuas de Nefertitis cumplen con esta ecuación.
(Oh! entonces pienso, matemáticamente tengo chance!?, aunque no sea yo Egipcia, podría llegar a parecerme, a Nerfertitis!, con un “turbante” a su estilo…claro!, después de ser yo momificada…ji-ji!, aunque me considero tener boca y labios muchos más “sensuales” que los de Ella, bueno! luego iré a ver alguna foto y me compararé…aunque las comparaciones son horrorosas, (en éste caso), no les parece?,… mí descendencia no es de Allá, sino más bien de “Alá”, en fin). Esa es otra historia.
La simetría de la cara también es clave y según concluyeron investigadores británicos en un estudio publicado en la revista científica PLoS, esto sería una forma que tiene el ser humano de buscar la mejor pareja posible, ya que los rasgos simétricos sugieren que esa persona es portadora de mejores genes y que, por lo tanto, se trata de un buen compañero para reproducirse.
De hecho, una mala nutrición en la vida fetal dejaría rastros asimétricos e imborrables en el rostro.
En entrevista con “El Mercurio”, el profesor Gallup explica: “El sonido de la voz de una persona es un medio que entrega importante información biológica. Hemos descubierto que el sonido de la voz puede usarse para predecir la apariencia y el comportamiento de una persona”.
Hormonas sensuales
Parte de las investigaciones más llamativas de Gallup demuestran cómo el ciclo reproductivo influye en lo que se considera una voz sensual. “El sonido de la voz de la mujer cambia durante el ciclo menstrual. Cuando está ovulando, su voz es más atractiva. Esto pudo haber servido durante la evolución humana para sincronizar la inseminación con la ovulación, y así maximizar las posibilidades de reproducirse”, explica.
En la misma línea, otros expertos postulan que una voz masculina grave se relaciona con una alta cantidad de testosterona en la pubertad.
Pero eso no es todo. Incluso el olor que el cuerpo secreta es un arma para atraer al sexo opuesto, según explica desde Viena la doctora Elisabeth Oberzaucher, miembro del departamento de Antropolgía del Ludwig-Boltzmann Institute for Urban Ethology : “Hemos hecho experimentos con androstenona y copulina. La primera es una feromona masculina, la segunda es una mezcla con ácidos que produce el mismo efecto de las feromonas.
Cuando a las mujeres se les da a oler la androstenona, el olor les parece más atractivo cuando están ovulando. Por su parte, la copulina desencadena la testosterona en los hombres, y cuando están expuestos a este olor, pierden la habilidad de distinguir entre una mujer más o menos atractiva. Todas les parecen sexys”.
Las voces masculinas graves suelen llamar la atención por su tonalidad. Eso es lo que ocurre en nuestra sociedad occidental. Pero la antropóloga Coren Apicella, de la Universidad de Hardvare, ha estudiado a los Hadza, una población de cazadores y recolectores de Tanzania, y parece haber llegado a una conclusión mucho más interesante.
Estudiando a esta etnia, la científica logró comprobar que los hombres con voz grave tienen un mayor éxito reproductivo.
Lo que ocurre es que los Hadza no utilizan métodos anticonceptivos, por lo cual se entiende que poseen una “fertilidad natural”.
Prestándole atención al saludo de estas personas (“Hujambo”, que significa “Hola”), lo comparó con la historia reproductiva de cada hombre.
Las comparaciones arrojaron un dato sorprendente: los hombres con voces más graves tenían una mayor cantidad de hijos sanos.
Apicella concluyó que las mujeres escogen a los individuos con voces más graves para reproducirse debido a que pueden proveerlas con una mayor cantidad de alimentos.
Esto no es nada ridículo, puesto que estudios anteriores demostraron que los individuos que poseen voz más gruesa, poseen niveles más elevados de testosterona que otros individuos.
Extrapolando este dato al presente estudio, se concluye que la caza está condicionada por la testosterona. A mayor testosterona, mayor habilidad para la caza. (Todo muy animal. Hei!).
La voz de las mujeres experimenta cambios tonales según ésta esté atravesando un ciclo ovulatorio, según han descubierto científicos de la Universidad estadounidense de California. Aparentemente estos cambios en la tonalidad de las voces femeninas tienen un efecto de atracción para con los hombres, asegurando así la actividad sexual durante su ciclo más fértil.
Pidiéndole a 69 mujeres que grabaran sus voces en distintas partes de su ciclo ovulatorio, los científicos de la Unviersidad de California consiguieron ver que a medida que se acercaban a su ciclo menstrual, el tono de voz de las mujeres se iba incrementando, mientras que dos días antes de la ovulación éste alcanzaba su clímax, justo en el período en el que las probabilidades de quedar embarazadas son mayores.
Curiosamente, hace un tiempo se había descubierto que en lo que respecta al sexo masculino, las voces de los hombres que son más graves resultan más seductoras para las mujeres, y que los hombres con tonos de voces más bajos tienen más hijos, pues para las mujeres (inconscientemente, por supuesto) esta voz representa al hombre como un ser más agresivo, saludable y como un buen compañero sexual.
Una voz más viril
Según el otorrinolaringólogo Andrés Ortega, del Laboratorio de Voz de Clínica Las Condes, los chilenos tienden a perder aire al final de las frases, lo que hace que el tono se vuelva más agudo, y por lo tanto, menos atractivo.
Sin embargo, gracias a ejercicios es posible disminuir algunos tonos, e incluso hay pequeñas cirugías que permiten rejuvenecer la voz.
Caemío!,
Será que es esto uno de tus “secretos”?, rejuvenecer a cada “primavera”!.
Yo siento, que mi “alma” tiene todas las edades, menos una: la de mi cuerpo. E a tua?…eu acho que…mmmhhh…..me iré de ti, por algunas horas?, pero tu no te vayas de mí. Porque me iré de ti como me voy de todo, sin que nada se vaya de mí. (Lee, imaginando en un “tono atractivo”…mmmh!,mmeeejoorr me voy).
Beso, sin tono. Vero Veriño.
Março 6th, 2009 at 8:22 am
Carnavais farão sempre,ela pipocar dentro do meu coração.
Ela que era uma adorável biruta.
Que outra mãe teria coragem de pegar o filho mais velho,e o filho mais novo (eu) ,agarrados na saia e carregar até a Praça Onze,pra curtir a folia dos anos 60 ?
Ela amava o carnaval.
É bonito olhar nosso álbum de famíla e contemplá-la nas suas variadas encarnações :
Tirolesa,jardineira,pirata, baiana,foliã incansável.
Os blocos passavam,assistíamos do meio fio,e a sensação era de que,as cordas preservavam o espaço necessário,para os passistas desenvolverem sua arte de inventar passos coreográficos,absolutamente mágicos.
De tão próximos,sentíamos o perfume das fantasias.
Um dia – e há sempre um dia – irrompeu,sabe-se lá de onde ou por que,a cavalaria montada,no meio dos foliões.
Houve correria,pânico,talvez tiros,desespero,lágrimas, xingamentos,e desmaios.
Graças à Deus,pelo que eu ouvia dos adultos,nenhum caso fatal.
E a Dona Maria,abraçada aos seus dois pintinhos,o coração pulando dentro da boca,encostada num muro,de uma daquelas ruas laterais,mal iluminadas,enquanto a multidão corria e gritava de um lado pro outro,sem destino.
E assim termina a história dos nossos carnavais na Praça Onze.
Como eu disse ; ela era uma adorável biruta,não uma irresponsável biruta.
Castello,
Saudando o bloco da dona Maria,que já fez sua passagem.
Março 6th, 2009 at 9:26 am
O Carnaval de blocos do Rio de Janeiro é a melhor coisa do mundo. Cada ano os blocos estão mais interessantes, e o repertório também se modifica, quer dizer, diferentemente do que disse Caetano, não são as mesmas músicas que são tocadas sempre. Por exemplo, em Piedade, eu ouvi Ultraje a Rigor, mamonas assassinas, Ivete Sangalo, Xuxa e marchinhas cariocas.( Hermano iria adorar!!!)
No rancho Flor do Sereno, em Copacabana, foi possível ouvir canções belíssimas de Maurício Carilho e Paulo César Pinheiro. Mas eu espero que se façam canções que não sejam de tão mau gosto quanto as canções do Carnaval de Salvador, espero que o Rio de Janeiro não copie este péssimo gosto…
Eu fiquei emocionado ao ouvir e ver Caetano cantando Nelson Ferreira, muito obrigado Salem…
” O Carnaval da cidade é o tesouro
que nunca ninguém nos pode roubar
não rouba não
(…)
é rancho, é sociedade, é cordão”
Você me conhece?
Zii e Zie, estamos a espera do disco…
Março 6th, 2009 at 10:40 am
HERMAN- ESSE Q VALE
Luedy, my darling
Cordões de isolamento aborrecem alguns (como nós), mas não dá pra dizes que isso é lógica capitalista.
Os maiores cordões de isolamento são os que separam e isolam países inteiros do resto do mundo, uma lógica do comunismo. O Muro de Berlim foi o maior cordão de isolamento da História recente.
Há cordões, muralhas e paredes em todas as “lógicas” da humanidade. Entendo quando Caetano diz que isso vem de outros carnavais. O dilema é que o grande Carnaval de hoje se divide em folia e mega-espetáculo. Como espetáculo e evento ele não tem como escapar de uma logística (diferente de lógica), que inclui, custo, segurança e viabilidade operacional.
Também não é a minha vibe, por isso prefiro São Luiz do Paraitinga.
Recife parece um alento. Bacana co contraponto que Caetano faz entre a vocação “novidadeira” baiana e a folia waldorfiana de Recife. Acho que o Carnaval vai evoluir nessas duas frentes. Grande espetáculo com boa infra-estrutura e bagunça sadia de blocos temáticos e cidades do interior.
O interessante (e Caetano me fez pensar nisso) é que, mesmo na TV, o mau gosto dos concursos de fantasia dos salões e clubes está em franca decadência. Há menos interesse no Carnaval de baixarias também. O baixo IBOPE da Rede TV mostrou isso. Travecos siliconados dançando com Big Brothers não estão mais em alta.
Fora os interesses sociais e antropológicos, o que mais me magnetiza no carnaval ainda é a música popular ser o centro hormonal de tudo. E nesse aspecto, parece que está rolando uma diversidade maior. A volta das marchinhas e blocos. O frevo desbocado. Os grooves diversos.
Esse mix de ousadia e tradição é algo muito original do Brasil. Não somos adeptos do folclore. Somos pouco conservadores. Essa é a nossa maior virtude e o nosso maior vício. Uso aqui a expressão “conservador” sem ser pejorativo. Da mesma forma que somos atrevidos e adeptos da transformação (virtude), somos depredadores de patrimônio público e cultural (vício).
O Carnaval é a grande festa onde algo muda e algo se conserva. A construção do Sambódromo assustou porque foi uma mudança gigantesca. E foi criado por um comunista! Mas é claro que ele promoveu uma maior inclusão do carnaval e das pessoas (foliões e público) no espaço urbano.
Transformação eTradição . Novidadeiros do axé e molecada revendo velhos frevos. O Carnaval ainda é o elo trans-temporal mais atávico e sincero do Brasil.
O pior cordão é aquele que fazemos dentro da gente separando a vocação comercial, turística e grandiosa do Carnaval, de sua ligação atávica ao “passado de glórias”. Sem essas duas vertentes, parece que não há bom carnaval.
E, acredite, não há cordão que separe meus pensamentos dos teus nessa folia virtual. O resto, é “gente sem graça no salão”.
Grande abraço
Salem
Março 6th, 2009 at 10:46 am
Caetano,
O arremate final de Mau Gosto, ao refletir sobre o sentimento das pessoas de dentro do Bloco e justificar o forte argumento de “um frevo novo” posto lá do meio do texto, além de mandar a gente (nós – com exceção do Moreno e Júlio Vellame) sem graça pro salão, é perfeito no sentido de se pensar a complexa sociologia da maior festa de rua da Bahia.
Conheci já tarde o carnaval em Salvador. Por isso, sempre que me aproximo da multidão tenho uma sensação sindrômica de pânico e a idéia de que vou cair do 5º andar do apto. na Avenida Sete onde fico, suo morno, me arrependo de ter ido e depois fico feliz. Algumas coisas em Salvador me irritaram este ano, quer sejam: 1) a especulação arbitrária do grande público para o fato de “Dalila” significar cocaína e ouvir, sempre que o trio da Ivete passava, piadas do tipo: “já prenderam quem pegou Dalila, comé que eu vou buscar? (RISOS, RISOS e RISOS)”, é impossível imaginar que o Brown que é um príncipe, muito solícito quando o entrevistei para a Revista Dorotéia, fosse capaz de tamanha grosseria; 2) a presença de um pacífico Filho de Gandhi que,sem prerrogativas, descarregou sobre as costas de um rapaz (este sim em paz) toda a força do seu braço banto e 3)O comentário da apresentadora da Noite da Beleza Negra do Ilê Ayê onde se elege a Deusa do Ébano (pouco antes do carnaval, mas no contexto). O fato é que a apresentadora chamou ao palco as impressionantes Deusas do Ébano desde 1978 (acho que foi) até 2008 e justificou a ausência de muitas delas por razões diversas, dentre as quais, a mais grave delas, segundo a própria: tratava-se de mulheres convertidas ao protestantismo cristão – fato considerado pela apresentadora como “um surto desgraçado que assola o Brasil”.
Não gostei. Fui iniciado no candomblé e assumo o posto de Assobá, mesmo cargo do Mestre Didi no Ilê axé Opô Afonjá, mas venho de uma família tradicional da Assembléia de Deus que me deu subsídios para que eu pensasse o mundo do modo integrador como o penso hoje. O ortodoxismo de minha avó, mãe e tias me põe ladeado com a realidade da hierarquia matriarcal tão comum no Axé. Por isso, quando aquela apresentadora disparou a dura afirmação, senti a mesma profunda melancolia de quando ouço um pastor da Igreja Universal dizer que Xangô, Oxóssi e Iansã são espíritos demoníacos. Ao final do desfile, procurei a mulher e quis fazer a observação para o perigo de sua fala. Ela me interrompeu: O sistema é bruto pro nosso lado, negão! Eu já não podia dizer mais nada, aquela mulher mal sabia que lutando contra este “ sistema” equivocado e gratuito sobre o qual me falava com convicção, ela é que se embrutecera a custo de sustentar a visão, muitas vezes deturpada e unilateral, característica de alguns movimentos sociais que alimentam a segregação em lugar da coletividade, a guerra em lugar do diálogo e o instinto bélico em lugar da comunhão.
Gey Espinheira dizia em suas aulas que o carnaval carioca é contemplativo, o da Bahia é mais participativo e o de Recife localiza-se na linha tênue onde os dois se encontram. Humilharam muito Preta Gil quando ela foi madrinha de bateria da Mangueira (?) - empurravam-na no sambódromo: “Samba, porra!” Nosso samba é de roda, é mais pisado.
Léo Santana, do Parangolé, é sensacional, além de ser belíssimo é o mais energizado de todos, acenou pra mim do trio, eu lá no 5º andar: Negão, você é pagodeiro que eu tô ligado! Balacubaco mexer balacubaco…
Júlio Vellame, Paulo Tabatinga, Emerson Leal e Luedy,
Não interpretem mal: sou apaixonado pelo Ilê. Mas aquela mulher me deixou confuso. Vai a música Agô, Ilê que eu fiz para o Mais belo dos belos . Daniela gostou da canção ( eu detesto ouvir minha voz), Margareth falou que era o seu tom:
http://www.youtube.com/watch?v=FHvzkdiKVTY
Té breve,
Wesley
Março 6th, 2009 at 10:57 am
Luedy,
Acabando com a corda como vc propõe, quem vai pagar os artistas, som técnicos etc etc etc?
Repito: o folião pipoca recebe de graça a rebarba do que o folião do bloco pagou. (estou reduzindo algo mais complexo como falei em meu coment anterior)
Março 6th, 2009 at 11:10 am
Oi, Caetano e pessoal.
Labi Barrô: gostei demais do seu post, realmente vc é uma personalidade! KKK
Me fez lembrar uma professora da faculdade, Jeanne Marie Gagnebin, que comentou que as mulheres na Europa podem ter cabelo debaixo do braço, mas aqui isso é considerado mau gosto.
Depois que ela falou, reparei isso em fotos e filmes. No filme Carmen, por exemplo, com frequência quando as dançarinas levantavam o braço…tava lá aquele tufo.
E fiquei imaginando o diálogo de Labi com José Fernandes Sobrinho, o Grande Inquisidor:
Zé:–Labi, você me excomunga? Me excomunga, vai!
Labi:–Já te excomungay.
Março 6th, 2009 at 11:36 am
Estou tb animado para ver o resultado do dia sem corda do Olodum ano que vem.
O que será que vai dar?
Março 6th, 2009 at 11:37 am
Caetano, adorei o teu singelo post sobre os carnavais que você conhece, e conhece tão bem.
O Carnaval do Recife é assim mesmo. A gente brinca com aquela alegria, que nem sabemos de onde vem, mesmo com música sem letra, ou músicas improvisadas que às vezes nem cola tanto assim, embora nos divertimos à beça, de qualquer maneira.
Uma vez, cerca de 20 anos atrás, a minha turma da época formou um bloco em que o som era tirado somente de algumas latas e outros instrumentos improvisados. A farra mesmo ficou por conta do fato que saímos todos completamente sujos de barro. A argila que a minha amiga fazia uma experiência na faculdade, era a única cobertura dos nossos corpos, vestidos apenas por roupa de banho. Foi uma loucura, niguém, evidentemente queria encostar em nós. Parecíamos mais uns et’s, disse uma amiga que conseguiu me reconhecer. E ninguém estava bêbado ou drogado. Estávamos apenas brincando. O nome do bloco era: “Barreados no baile”. Depois, vi que a turma mangue beat começou a sair assim também, mas já não tínhamos coragem para isso.
E aí, Gil, ficou impactado novamente? Aliás, com o que você ficou impactado mesmo no meu relato de um dos comments, do post anterior do Caetano?
Rafael, adorei saber alguns nomes de blocos do Rio. Se algumas amigas toparem, tenho vontade de lançar aqui algo semelhante às Mulheres do Chico, só que, aqui, o nosso bloco seria em homenagem ao Caetano. Cadê a Claudinha que não apareceu mais?
Maria
Março 6th, 2009 at 12:29 pm
No Rio de Janeiro
Os Cordões, assim como os Ranchos, Blocos, Clubes e Sociedades, eram formados por grupos de foliões que invadiam as ruas do Rio de Janeiro durante o carnaval a partir da segunda metade do século XIX.
O nome parece derivar de um grupo de pessoas que se sucedem e não do fato de haver uma corda circundando os componentes. Entre a principal característica dos cordões estava o fato de ser formado por grupos de foliões mascarados com feições de velhos, palhaços, diabos, reis, rainhas, índios, baianas, entre outros, conduzidos por um mestre obedecendo a um apito de comando. Seu conjunto instrumental costumava ser excusivamete de percussão.
Os primeiros registros de cordões datam de 1886, quando é fundado o Estrela da Aurora, e 1895, com o Teimosos Carnavalescos. Em 1902 começa a Era dos Cordões na cidade do Rio de Janeiro, quando 200 cordões são licensiados pela polícia. Datam dessa época os cordões Estrela de Dois Diamantes, Filhos da Primavera, Filhos do Poder de Ouro, Destemidos do Catete, Maçãs de Ouro, Rainha das Chamas e Triunfo da Glória. Em 1906, o jornal Gazeta de Notícias organiza o primeiro concurso de cordões.
Porém, já em 1911, os ranchos começam a substituir os cordões no Carnaval carioca. Em 1918, surge o Cordão do Bola Preta, que na verdade nunca foi um cordão, mas sim um bloco que desejava, segundo seu próprio estatuto, “reviver as tradições dos antigos cordões”, uma mostra de que já àquela época os cordões já estavam praticamente extintos no Rio de Janeiro. Com a satanização dos cordões promovida pela elite intelectual do país, bem como pela imprensa, estes começaram a se denominar blocos, ou se transformaram em ranchos. Ironicamente, o primeiro concurso do qual participou o Ameno Resedá, o maior dos ranchos cariocas, foi a “Festa dos Cordões”.
Fonte: Wikipédia
Março 6th, 2009 at 1:00 pm
que lindo Castelão…que lindo…somos da mesma turma mesmo. nós também fazíamos assim, as fotos amareladas ainda comprovam, éramos apenas como todo mundo era, naquele tempo as diferenças a gente conhecia de longe ou nem conhecia, outros tempos. Ficamos assim, sempre com o coração na mão. Viva dona Maria! Sua e Nossa pra Sempre! Viva!
Ricardo de Alcântara, poxa, meus sentimentos pelo seu cão. Estamos livres pra renovar alegrias também…força aí… ( pipoca aqui, ali, desanoitece e amanhã tudo mudou.)
valeu Her mano…obrigado pela deferência, foi melhor assim.
e pra não perder o ponto, olha os suecos aí:
Stockholm, 3rd March 2009
On the final day of The Pirate Bay trial, organisations representing music companies, publishers and composers comment on the significance of the trial in defending the rights of creators and creative industries.
The following statements were issued today:
Jonas Sjöström, Chairman of SOM (Svenska Obereoende Musikproducenter/Swedish Independent Music Producers Association):
“Sweden’s independent music labels are building a future by licensing new, legitimate music services, which respect their rights and pay for their works. The Pirate Bay has no place in that future - it represents the old way of disregarding creators’ rights and exemplifies an old technique which is now quickly losing its appeal and is replaced by new and legitimate services such as Spotify. Swedish independent music companies are in the business of making new, exciting music and believe that the music fan community we are servicing and are a part of, are tired and sick of services like The Pirate Bay who have no understanding or respect for the creative community and instead have their own financial interests at heart.”
http://www.som.a.se/
Kjell-Åke Hamrén, Chairman of SMFF, the Swedish Music Publishers Association:
“Our songwriters and composers have mandated us to make their music available for others. This is carried out in various ways and forms, for example through the publishing of sheet music or through the recorded music medium. In both cases the respect for copyright is the most important prerequisite for the originators to get paid for their work. Without compensation the creators’ livelihood is unsustainable. It is therefore of utmost importance that licensing schemes and new legal services can emerge in the digital environment, while at the same time legislation says firmly no to grand scale businesses that are built on copyright infringement.”
http://www.smff.se/
Ludvig Werner, Chairman, IFPI Sweden:
“It is important to see organisations representing right holders from all over the world show their support in the trial of The Pirate Bay. It’s particularly encouraging to see support coming from thousands of small, new and independent creative companies. That’s a powerful response to The Pirate Bay, whose propaganda very often misrepresents this as a battle between young and old, and between new and old techniques.”
http://www.ifpi.se
olha os portugueses ( jornal Público de hoje):
Indústria pede corte de acesso à Net a quem piratear ficheiros
Portugal poderá seguir os exemplos de França e do Reino Unido para combater a pirataria informática
A As indústrias da música, vídeo e livros querem que o Governo acorde com os operadores de telecomunicações (ISP) o corte do acesso à Internet aos utilizadores que disponibilizam (fazem upload) ilegalmente conteúdos na rede, bem como aos que façam download em larga escala.
Há um movimento liderado pela Agecop, a Associação para a Gestão da Cópia Privada, que está a tentar sensibilizar o Governo para a questão. “As indústrias culturais não sobreviverão se não se tomar uma atitude. Já temos um quadro legislativo que proíbe downloads ilegais, mas não há aplicação no terreno”, diz o produtor Tozé Brito, acrescentando que este tipo de punição está prestes a ser implementado noutros países europeus, como é o caso de França e da Irlanda.
No Reino Unido, houve já uma proposta no mesmo sentido mas o Governo preferiu esperar até Outubro, quando se realiza uma conferência mundial sobre negócios criativos, para tentar um acordo e um plano de acção de âmbito internacional. E a Nova Zelândia, que ia implementar esta punição até ao final de Fevereiro, decidiu adiá-la para 27 de Março, à espera que a indústria detentora de direitos e os ISP elaborem um código de boas práticas.
Contactados pelo PÚBLICO, os dois maiores fornecedores, Clix e PT (Sapo, Netcabo), não se quiseram pronunciar. No caso da PT, a empresa diz que “aguarda uma reflexão de todos os intervenientes e cumprirá as deliberações legais que vierem a ser tomadas”. O problema é que tal atitude teria um preço para os ISP. Em França, o Conselho Geral das Tecnologias de Informação estima que esta punição possa custar aos fornecedores de sinal mais de 70 milhões de euros nos primeiros três anos de aplicação da lei.
A maior preocupação da indústria de conteúdos está nos uploads, quando alguns utilizadores colocam milhares de ficheiros na Net. “Estes devem ser exemplarmente castigados. Nos Estados Unidos houve pessoas presas, multas altas, apreensão de material. Se isso acontecer aqui, funcionará como efeito dissuasor.” No caso dos downloads, “as punições devem depender do número e intensidade da actividade”, precisa Tozé Brito.
O que as indústrias de conteúdos pretendem é que “os operadores avisem os utilizadores que estão prestes a fazer uma operação ilegal antes de estes fazerem um download de conteúdo com direitos de autor”. “Se depois prevaricarem, terão que ter alguma punição.”
olha o Público de Lisboa falando do show de hoje, lotado, no Campo Pequeno:
Simone & Zélia Duncan (Lisboa)
Uma é serena. A outra, irrequieta. Em comum, têm o estatuto de vozes maiores da MPB e outras afinidades descobertas em “Amigo é Casa”, o espectáculo que as junta em palco. Depois da Figueira da Foz e do Porto, Lisboa recebe-as a 6 de Março.
Simone e Zélia Duncan encontraram-se em 2005 para cantar “Idade do céu”, de Jorge Drexler. A colaboração, que foi muito bem recebida por público e crítica, serviu também para as despertar para um diálogo que estava à espera de ser levado mais longe. Em “Amigo é Casa”, “as cantoras abrem vozes e dividem as canções”, explica Duncan. “Meu coração agradece e reparte que nem pão”, diz Simone.
“Jura Secreta” foi um dos primeiros sucessos de Simone. Ainda hoje essa canção tem um lugar especial no coração dos fãs da cantora. Qualquer um deles dirá que 30 anos só apuraram o melhor que Simone tem: a capacidade de fazer o samba dançar com o intimismo, com um toque certo de sofisticação.
Março 6th, 2009 at 3:05 pm
Caetano, de fato, o carnaval é como diz sua linda Frevo Novo “…mete o cotovelo e vai abrindo caminho…”. Eu nunca havia passado um carnaval no Rio de Janeiro. Sou do interior, Angra dos Reis, lá as coisas acontecem num ritmo diferente. Dessa vez, estava aqui. Assisti a um ensaio técnico - sem exuberância, porém gratuito - no sambódromo, mas me “joguei” nos blocos. Tive a sorte de pegar um ano especial neste sentido. Não disposto a pagar algumas dezenas de reais pelo ingressos para a Sapucaí, segui diversos blocos na Cidade Maravilhosa. O encerramento foi apoteótico! Monobloco no último domingo, da Praça Mauá à Cinelândia. Milhares de pessoas pintando o asfalto da Rio Branco. “Tambor de todos os ritmos” em cima do trio elétrico, e muita animação de quem seguia, em paz. A estrutura do poder público ainda é inexistente, visto que tudo fica por conta da Apoteose, mas oc omentário que mais ouvi nos dias de folia de quem já brincou muito por aqui foi que, definitivamente, o Carnaval de rua do Rio voltou para ficar. O desfile oficial das escolas de samba agora tem concorrência. Um pouquinho mais de organização, que pode ser aprendida junto aos baianos, e mandaremos toda gente sem graça direto para o salão, porque a rua é do sorriso.
Março 6th, 2009 at 11:28 pm
Marcos Lacerda, tenho de repetir que meu sonho é fazer um disco de antologia da axé music. É uma tradição que não deve nada à das marchinhas e sambas de carnaval do Rio dos anos 40 e 50. Amo o renascimento dos blocos, torcia por isso. Espero que o repertório que virá seja tão vital quanto o que se desenvolveu em Salvador dos anos 70 até agora. Boa sorte para nós todos.
Luedy, o espaço para o folião pipoca de Salvador NÃO está ficando cada vez mais reduzido: eis exatamente a essência do meu post. Quanto a ser contra as cordas: você pode, mas cordas sempre houve. Cordão é sinônimo de bloco. Perguntei a um amigo no Recife se ali os cordões tinham sido proibidos. Ele me disse que não. Prefiro assim.
Asa Branca… Quando eu cantei agora com Naná, lembrei que, ao cantá-la no Recife quando voltei de Londres, fui vaiado pela imensa platéia do ginásio de esportes onde me apresentava.
Março 6th, 2009 at 11:30 pm
Bueno. Yo creo que Viro nos proveyó la información definitiva sobre la voz y atracción. Muchas gracias por hacer tanto trabajo. I’m blown away! Pero yo sospecho que los chilenos no vayan a aceptar las conclusiones. Yo viajé por Chile en 1978. Todavía me recuerdo de un hombre muy atractivo. (Pero no me recuerdo de su voz.)
Caetano, estoy de acuerdo con Vd. Todo esto me parece un poco dudable. Al fin, es posíble que hayan demasiados variables (sociales, físicos, emocionales, e individuales) para deducir conclusiones. Yo noto que los científicos no se mencionaron nada de los efectos atractivos de hablar de los libros… No estoy convencida de nada ahora.
Caetano, I was very amused by your friend’s observation that my English is a little foreign and stilted. What a hoot! Perhaps she isn’t fluent in Okie. Or she doesn’t fully appreciate Academe-speak. (Who does?!?)
I’m used to it actually. Up until my current job, I spent most of my working life in international organizations. On more than one occasion, people from other countries told me they were sure I must not be American. Perhaps I shouldn’t have, but I took that as a compliment.
Or perhaps your friend is picking up on the extreme measures I take here to NOT offend. When you live in the United States, you get used to offending practically everyone. You just wake up in the morning and figure you’ve probably already offended someone. I’VE even been offended by my country in the last 8 years. Glauber noted once the anti-american undercurrent in many of the comments people post on this blog. I’ve certainly noticed it. I don’t take any particular joy in offending people, so in a situation like this where I may be the only native U.S.ian posting comments (in English, even!), I bend myself into pretzels to avoid saying anything offensive.
Or maybe … I just can’t write English!!
With a smile,
Barbara
Março 6th, 2009 at 11:32 pm
Caetano, então Zii e Zie nasce em abril. E o lançamento será mesmo em São Paulo? Por que não em BH…? Just kidding. Minha irmã, que é mais esperta do que eu, disse que você não gosta muito de minha cidade. Estranhei, mas depois me lembrei de um comentário pouco lisonjeiro que você escreveu aqui, e foi preciso concordar. Que pena. E nós que te amamos tanto!
Você reparou que chegamos a um consenso em nossa última discussão? Inacreditável, se tudo é neblina sem claridade entre nós. Um descalabro.
P.s. A menina da ria existe?
Lucre, desculpe-me pela troca de sua nacionalidade. É que, infelizmente, não sei diferenciar as várias formas do espanhol. Uruguaia sim, como minha querida algoz. E com orgulho, moça!
Março 6th, 2009 at 11:35 pm
Ah, e Zizek: ele diz sim que Stalin é carnaval, inversão, de fato refere-se a Bakhtin, pouco deve conhecer do carnaval brasileiro. Li o livrão dele defendendo “causas perdidas”, que, aliás, são as mesmas de milhares de jovens desavisados que falam comigo. Zizek gosta de Robespierre, Stalin e Mao, contra a sociedade liberal moderna. Ele também diz que a mulher de véu e vida limitadíssima do mundo muçulmano está protegida contra virar “objeto”. Ele também, no mesmo livrão que li (”In Defense Of Lost Causes”), diz que, ao contrário de Toni Negri, prefere Chávez a Lula. Eu, nesse caso, prefiro Negri. Brigando com a esquerda brasileira, sinto-me à esquerda de Zizek.
Março 7th, 2009 at 1:46 am
Sim, mas… e Paglia? Nenhuma palavra sobre? Fale, algo, homi!
Março 7th, 2009 at 4:18 am
Chegamos no Brasil dia 22 e fomos passear por ai, toma rum pouco de sol para ver se o gelo derretia, fiquei sem internet e sem celular também, aos poucos vamos voltando ao normal.
A primeira vez que o Franco veio ao Brasil ele somente falava em ir ver o carnaval do Rio de Janeiro, na época a sensação que tinha é que o Rio era o único lugar que existia por aqui. A este ponto devo confessar que fiquei com um pouco de medo de leva-lo ao Rio, embora morasse em São Paulo que também era bem violenta, o Rio me provocava um medo diverso, talvez por não conhecer suas artimanhas, o que para mim era familiar em São Paulo. Para minha sorte, naquele ano, estava quase uma epidemia de dengue no Rio e saiu ate uma material num jornal virtual sobre o pronunciamento do ministro da saúde que pedia para que os turistas tomassem muito cuidado, como o Franco é medico e europeu (ou seja morrem de medo dos nossos mosquitos) não foi difícil convence-lo a não irmos ao Rio. De qualquer forma, me senti culpada então reservei uma mesa no sambódromo de São Paulo, assim nem tudo estaria perdido. O interessante em São Paulo é que atrás das nossas mesas e também na frente estavam as arquibancadas e a vibração popular, o que ao meu entender é o que da a autenticidade ao carnaval, podia ser sentida em toda a sua plenitude. O Franco ficou mudo, e eu me preocupei, pensei que talvez não estivesse agradando, mais quando perguntei se ele estava cansado, afinal tinha praticamente chegado de uma viagem de quase 15 horas, se queria ir embora, isso as 3 da madrugada, ele foi taxativo: não de jeito algum estou tão maravilhado que não tenho nem palavras por isso estou quieto (ele parecia uma coruja).
E eu que sabia que o carnaval no Rio era muito superior em termos de apresentação de escolas de samba, me senti ainda mais culpada, imaginando ter furtado dele o espetáculo ainda maior. Mais ele estava feliz, e no final ficou tudo bem.
No ano seguinte, não tinha como não leva-lo ao Rio, na semana que ia chegar o exercito ocupou as ruas do Rio, eu nem falei nada para ele porque não queria mais me sentir culpada, venci o medo e lá fomos. Sempre pensando no que seria o melhor para ele comprei ingressos num setor que me disseram que era especial para turistas, pensei que fosse mais seguro e achei que estava no caminho certo. O carnaval das escolas de samba do Rio é um espetáculo inigualável, o Franco acho lindíssimo mais ao mesmo tempo me disse que ele sentiu que o de São Paulo era mais legal por causa da participação popular. O problema nesse caso foi que este tal setor turístico fica longe das arquibancadas e ali estava um monte de turistas “corujas” que somente ficavam olhando sentados em suas confortáveis e acolchoadas cadeiras vermelhas. Mais tudo bem, depois fomos andando por ali ao lado do sambódromo e ele viu algumas coisas que nunca tinha visto na vida, que é um comercio de tudo, com pessoas muito simples, alguns sambistas com meias fantasias, enfim, um mundo muito diferente, então ele gostou também.
Estou ensaiando leva-lo para Salvador faz anos, mais não sei se ele iria suportar uma multidao junto com o calor. Estivemos em recife e Olinda em setembro do ano passado e ele gostou muito, tambem tenho curiosidade de passar um carnaval no frevo.
Eu qeria muito mostrar um carnaval de salao ou um bloco de rua mais aqui na cidade que temos nossa casa no interior de São Paulo isso já não existe mais, o que é uma pena.
Labi carissima e eu que pensava que este negocio ai era so para talianos… hehehe… mais te falo uma coisa, tenho a impressao que este negocio de assoar o nariz seja encarado como uma necessidade fisiologica por isso tenha esta conotaçao de coisa normal. Mais a gente se assusta mesmo.
Beijos a todos
Março 7th, 2009 at 5:22 am
Boa Noite blogueiros de plantão…
Noticia de ultima hora no link abaixo:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u530759.shtml
Lancamento do cd novo de Caetano Zie and Zie, ou algo do gênero.
Em maro tereos novidades…
Abraços a todos,
Carias.
Março 7th, 2009 at 11:24 am
40 minutos do segundo tempo e temos três desfalques:
Joaldo, Gravataí e Siboney.
.
Joaldo deve mesmo ter sido raptado, quem sabe abduzido?
.
Gravataí não deve gostar de despedidas e se foi antes do “final da partida”.
.
Siboney, bem…deve ter dado porrada em algum espanhol que olhou prá musa dele e tá preso de novo!
Vai ver foi preso outra vez.
Março 7th, 2009 at 11:36 am
Oi, Caetano.
Uma sugestão: quem sabe o disco não muda de nome e vira:
Zii & Zek?
kkk
Março 7th, 2009 at 11:36 am
Caetano, preciso esclarecer e corrigir a minha postagem:
Vc não vai falar nada sobre Camille Paglia? O seu silêncio é tão inquietante, rapaz, que já estou quase concluindo que a presença de Paglia no carnaval baiano foi percebida como uma grande ausência, ou um não-fato.
Não me deixe pensar sozinho [rs]. Diga algo, homi!
Março 7th, 2009 at 11:50 am
Camille Paglia acenou para mim do alto do trio de Daniela. Ela tinha escrito um texto forte sobre a cantora baiana. Vocês lembram da paixão intlectual que ela nutria por Madonna. Pois, ao ver Daniela (creio que num DVD), Paglia decidiu que esta representa muito melhor o que ela vira em Madonna no início da carreira. É um elogio entusiástico e firme. Depois de surgir sob a luz de Harold Bloom, Camille caiu sob a mofa da esquerda acadêmica americana - desconfio que mais pelo que tem de realmente interessante do que pelas suas falhas. Seu texto de glorificação de Daniela só ganhou da imprensa brasileira uma nota grossa da neo-conservadora revista Veja. Se ela tivesse escrito sobre o apartheid racial que representam os camarotes e blocos do carnaval soteropolitano teria encontrado espaço amplo na Caros Amigos, na Folha, na Piauí e na Veja. Mas eu sempre me irritei com o gosto que Paglia tinha em desrespeitar minha amiga Susan Sontag - uma intelectual muito superior a ela. Ela é legal assim mesmo. Prefiro Paglia destratando Sontag do que o reacionário Tom Wolfe fazendo o mesmo. Gosot do que Paglia escreveu sobre a promiscuidade entre os homossexuais masculinos. Gosto do que Paglia escreveu sobre as feministas quererem a nova mulher, independente, mais protegida do que as puritanas que não falavam “fuck” o tempo todo. Gostou, Tomas Baraldi?
Março 7th, 2009 at 2:58 pm
Ah ! Os descaminhos da filosofia …
Sócrates,cujo Oráculo de Delfos,apontou como o mais sábio dos homens,fazia filosofia,caminhando pelo grande mercado da Grécia,e simplesmente,interrogando as pessoas ; políticos,médicos,mas principalmente,o homem comum.
Quanta diferença,para os contemporâneos filósofos de gabinete – ao estilo Zizek - sempre defendendo teses de mestrado e invencionices,em oposição à outros filósofos de gabinete.
Academia virou sinônimo de estruturas burocratizadas,distanciando-se da sua fonte de inspiração inicial,nos “Jardins de Academo”,que era onde Platão e sua turma,se reunia pra bater um papo,igual aos que a gente faz no quintal da nossa casa,com nossos amigos.
Aristóteles e sua galera,pegavam qualquer coisa – uma poesia,um texto,um post – liam-no,e simplesmente saiam passeando pelas ruas da Grécia,discutindo,com quem pintasse pela frente,num jogo rico e participativo,que ficou conhecido,pelo pomposo nome de “Peripatética”.
Nada de salinhas fechadas,onde a população agora aparece no máximo,na condição de,campo de pesquisa,ratos de laboratório,prontos à legitimar teses de doutorado,esdrúxulas,na maioria dos casos.
À quem interessa saber se Zizek gosta de Robespierre, Stalin e Mao,ou se não gosta de carnaval ?
Certamente à ele mesmo,que dessa maneira justifica,ou melhor,mistifica,sua “profissão de filósofo” dando munição,à quem se deleita com disputas intelectuais.
Se é pra jogar,prefiro os games irados que tem na net.
Elitizaram a feijoada,a lagosta e a filosofia.
Pergunte ao seu vizinho o que ele pensa sobre a justiça,política,futebol,tudo enfim,e deixe ele desenrolar,contradizer,refazer,desmontar,pensar.
Era assim que o mais sábio dos homens fazia,e refazia com humildade ,à ponto de contestar o próprio oráculo,dizendo “como posso ser o mais sábio,se tudo que sei,é que nada sei ?”.
Tirar a filosofia desse contexto,é desperdiçar a mais poderosa ferramenta que o ser humano possui para transformar o mundo em si mesmo.
Castello.
Março 7th, 2009 at 3:16 pm
Luedy, Wesley e Salém: relí meu comment inicial e ele está mesmo ruim demais. Desculpem. Desculpe Caetano tb pela outra comunicação.
Penso aquilo mesmo contudo escrevo como um oficial da SS.
Eu pulei Carnaval 99% das vezes na pipoca. Desde pequeno quando minha mãe levava agente. Ela levava agente para tudo.
Depois com os colegas desde uns 12 anos. Detalhe: eu tenho 1.60m (às vezes falo 1.62) ou seja “um frevo novo” é o meu carnaval.
Já saí no bloco tb algumas vezes. Só é chato quando vc tá em momentos de pausa e tem que marchar. Na pipoca vc se encosta e vai conversar. Paquerar no tempo de solteiro. Na pipoca a dinâmica é bem melhor.
Nunca nem pensei a favor ou contra as cordas. Elas sempre existiram no meu carnaval e nunca me atrapalharam. (talvez somente por que já estavam lá desde o começo…)
O bom mesmo é de Ghandy na pipoca….
Contudo isso nada tem a ver com o que eu escreví:
Alguém tem que viabilizar (olha como estou mais light) o MEU carnaval de graça. Lí o livro “seminários de carnaval” editado pela UFBA e não tinha uma linha explicando como vai ser a viabilidade desse carnaval 100% pipoca.
Março 7th, 2009 at 3:43 pm
não há nada certo sobre o lançamento de zzi e zie. quando houver, aviso. já disse que vai ter post só sobre isso. aguardem. não é infundada a notícia da folha: hermano nos pôs em contato com alê do studio sp e eu adorei a ideia. mas nem ele nem nós sabemos se será viável. esperemos.
Março 7th, 2009 at 3:52 pm
eXequiela,
“a música é a única arte que nos ataca pelas costas”, escreveu Millor Fernandes, grande desenhista, humorista e escritor brasileiro.
Gente, as cordas nos blocos nunca foram exclusividade da Bahia. Sempre as houve em toda parte. Na Bahia também tem blocos sem corda. Há também, em áreas mil da cidade (mas concentrados no centro), com ou sem corda, blocos improvisados, foliões inventivos solitários, grupos de violão, tudo. Comento os blocos de “abadá” e os camarotes porque quero ajudar a quem fala sobre o assunto a pensar. Dar um simancol na demagogia.
Março 7th, 2009 at 3:58 pm
é, glauber, também tenho medo de controle da rede. acho que o partido comunista da china ia adorar esse esquema. mas prefiro auguso de campos que se diz feliz com a existência da net: pode-se ver/ouvir poemas de pound e cenas de erika badu no youtube.
Março 7th, 2009 at 4:36 pm
caetano,
trecho do texto que gil colocou aqui:
“…indústrias da música, vídeo e livros querem que o Governo acorde com os operadores de telecomunicações (ISP) o corte do acesso à Internet aos utilizadores que disponibilizam (fazem upload) ilegalmente conteúdos na rede, bem como aos que façam download em larga escala…”
não te dá uma sensação de déjà vu? uma arbitrariedade pior que colocar um guarda em cada esquina…e ainda há quem dê pulos de alegria quando se trata de reprimir, proibir, espionar, amedrontar, enfim…certamente, é mais fácil reprimir que usar a criatividade [se é que ela existe] para superar obstáculos. tô cansado do poder da grana dos bigshots e seus exércitos. libertas quae sera tamen.
mas tem grilo, não. o tropicalista raul seixas [sobre isso falo depois] já dizia: “cê mata uma, vem outra em meu lugar”. querem reprimir a esse ponto? nada que um boicote organizado mundialmente na rede e a invenção de outros métodos de democratização não resolvam. importante é lutar a guerra que vale a pena, não?!
outras palavras:
bloco “me beija que sou cineasta” é demais! hahahaha
se for possível, seria legal que a gente soubesse com certa antecedência sobre a data do show de lançamento em sampa. quero ir lá te ver. baci!
Março 7th, 2009 at 4:57 pm
Gil,meu amigão gente fina
Guardarei os “Vivas”que voce enviou à Dona Maria,como uma das grandes emoções sentidas aqui na OeP.
Obrigado,de coração,meu irmãozinho!
Março 7th, 2009 at 5:16 pm
Glauber, se souber a data antes eu vou a Sampa ou RJ tb com certeza!
Se vc descobrir me avisa.
Março 7th, 2009 at 5:25 pm
Heloisa, gosto de Belo Horizonte. Lembro de quando comecei a conhecer as capitasi brasileiras: só não gostei de Curitiba e Cuiabá. Estranhei Fortaleza. Depois aprendi. Preferi Recife e Belém a tudo o mais. Nos anos 70, passei a adorar Curitiba. E nos 90, Cuiabá. Aquela tinha mudado de modo espetacular com Jaime ALerner, esta mudou de modo ainda mais impactante com o crescimento econômico das últimas décadas (e sou louco pela Chapada dos Guimarãzes, que fica ali pegado). BH sempre foi nobre e rica e interessante. As ladeiras, o parque em frente ao hotel, as ruas com nomes de estados brasileiros, A COMIDA!!!!! Definitivamente sou louco por Belo Horizonte e pela hospitalidade mineira. Falo da doméstica. A pública: tenho dito, desde os anos 70, que o melhro público brasileiro oara shows é o de BH. Com o Cê não foi assim. Mas nada mudou para mim.
Março 7th, 2009 at 5:36 pm
Deus meu, a mulher era fã de Madonna e agora descobriu que Daniela Mercury existe, graças a um DVD! Fico com o não-fato.
Mas Caetano, “só uma nota grossa” não. A revista é bem ruim mesmo, mas ela tava lá nas amarelas da Veja e falou o tempo todo (bem) de Daniela Mercury (e muito mal de Madonna). Ela (Paglia) parece ter dormido uns dez anos e acordado só agora. Se vir a Cláudia Leitte ou Ivete é capaz de dar cambalhotas triplas de costas rsrs
Coibir troca de arquivos P2P é impossível, arrumem outra bandeira pela qual lutar. Para muitos adolescentes “comprar disco” ou música nunca fez parte das suas vidas - nem nunca fará. Eles podem receber de bom grado música (através de senhas, por exemplo) junto com um ingresso de show, com um celular ou notebook novo etc. Comprar? Esqueçam. Estranham o que seja um CD (gravado) e mais ainda um LP, infelizmente.
Saudações!
Março 7th, 2009 at 5:47 pm
Nos enseñan a hablar…. nos enseñan a leer…. pero se pusieron a pensar que no nos enseñan a oír? El oído (o el tacto?) es el primer sentido que se desarrolla en un feto y no es el que último muere? Hay estudios que confirman que los enfermos en coma reaccionan al escuchar su música predilecta y aún a sonidos a los que estaban habituados (por ej: un canario). Lo último que hacemos con un ser querido que está muriendo es hablarle y acariciarlo… Probablemente el olfato sea un sentido igual de potente pero el poder (positivo y negativo) que tiene lo que entra por nuestros oídos es inigualable.
Podemos cerrar los ojos, cerrar la boca, taparnos la nariz pero…alguna vez no tuvieron el deseo urgente de no escuchar lo que otra persona les decía y además de taparse los oídos tuvieron que empezar a cantar o a decir “LALALALALALALAAAAAAAA” a los gritos para no escuchar de veras?!
¡Qué difícil es taparnos los oídos! No hay nada que entre por un oído y salga por el otro.
Março 7th, 2009 at 6:00 pm
ah ah ah ah
rs rs rs rs
zii e zek
não tenho nada a dizer sobre os cordões.
trabalho com terapia de cordões de relacionamento
e garanto que, na terapia, todos os que acabam por serem cortados geram um alívio sem comparações e proporções.
parece eu e meu ex marido tentando encontrar os nomes das gêmeas: branca e clara, amor! ops, acho que não
Março 7th, 2009 at 6:04 pm
Caetano: tendo a concordar que a nova “gente sem graça do salão” está dentro dos cordões dos blocos tradicionais. Mas cabe uma reflexão: não seria este um comentário elitista `as avessas? Dito assim, parece que o monopólio do bom gosto é de quem é pobre ou local.
Abraço,
Vitor
Março 7th, 2009 at 6:24 pm
Moro no rio há pouco tempo, vim para cá na metade do ano passado para começar a faculdade de cinema na PUC. Morava em Vitória, e o engraçado é que apesar de ser uma cidade proporcionalmente tão violenta quanto o rio, as pessoas, não por culpa delas - acredito eu - enxergam o Rio como um lugar sinistro, uma espécie de “Gotham City ” abrasileirada, e no entanto me surpreendeu muuuuuito o carnaval de rua daqui. O clima da cidade, é uma coisa indescritível. Em vários cantos, nas ruas, era samba e marchinha; crianças, adolescentes e senhoras que dançavam e cantavam as músicas. É algo bonito de ser ver… poético as vezes. E eu fico pensando, é paradoxal essa coisa do medo da violência no RJ, por que não me lembro de ter visto nem um pingo de preocupação no rosto das pessoas, via só uma exaltação muito democrática da felicidade. A neorose carioca do “medo”, estava bem distante dali… a semana do carnaval também me mostrou uma coisa muito especial do Rio de Janeiro, nas ruas de ipanema, que é onde eu moro, por uma semana deixou de existir uma separação social óbvia, até os moradores de rua da Visconde estava se esbaldando nos blocos daqui, junto com eles, os muleques do morro, o pessoal da Viera Souto, os intelectuais da livraria da travessa, enfim tudo junto. Foi uma semana enriquecedora… ou talvez tenha sido uma ilusão enriquecedora. Hoje já está tudo como antes, “cada um no seu lugar”…
Certa vez, e isso foi no ano passado, estava almoçando na casa de uma pessoa, e Caetano apareceu por lá, para minha surpresa… e me deu aquela vontade enorme de ir lá, conversar com ele, assuntos como o desse post por exemplo, e poder discutir sobre coisas… me arrpendi de não ter o feito. E é por isso que eu gosto de Blogs, principalmente esse… esse assunto me interessou muito depois do meu primeiro carnaval aqui no Rio.
Abraço pra vocês !
Março 7th, 2009 at 8:16 pm
Caetano tem razão.
Eu espero também que os blocos cariocas consigam fazer um repertório com a mesma “vitalidade” do carnaval baiano. Embora não goste das canções do carnaval baiano de 70 até agora, é indiscutível a sua vitalidade.
Caetano, porque você não canta no Carnaval carioca, em algum bloco de rua? Fico invejando Recife e Salvador, que sempre tem a sua luminosa presença no Carnaval. E, nós, os que moramos e amamos o Rio de Janeiro, como ficamos?
E falando em cidades, eu acho que Caetano não tem razão em escolher São Paulo como o lugar do lançamento do “zii e zie”. Eu adoro São Paulo, acho que a capital paulistana é superior ao Rio de Janeiro em vários aspectos. Eu sou paulistano, mas moro no Rio, quer dizer, aderi à cidade do Rio de Janeiro, me sinto afetivamente carioca, e queria que Caetano fizesse o lançamento do disco aqui, no Rio. Seria bom para todos nós.
Março 7th, 2009 at 8:30 pm
Castello meu bróder:
Oráculo de Delfos é conversa para boi dormir.
Sócrates foi o invertor do construtivismo (isso é minha opnião, não leve a sério) ele já tinha tudo pronto na cabeça e ficava conduzindo o diálogo. Assim como Zizek acreditava mesmo nos pontos nos ii. Inclusive crítico da democracia Ateniense e ficava tirando onda de Espartano (só onda claro).
Para eles existe a verdade. Ainda bem que existe gente assim com pontos e contrapontos. Se todos fossem como eu, relativizando tudo, mudando de opnião toda hora e fazendo perguntas sinceras sem ter a resposta na cabeça o mundo não andava para frente. (tou falando sério, não é ironia)
Março 7th, 2009 at 8:50 pm
Caetano, desculpe desconfiar, mas eu duvido que vc tenha medo do controle. Pra mim vc enfrentaria ele. Caetanear pra mim sempre teve a ver com a coragem.
Por outro lado recordo de um controle singelo pelo qual vc fez um barulho: o respeito ao sinal vermelho no trânsito. E vou adiante agora ampliando: afinal o que estamos experimentando globalmente senão a reforma ética do sistema, a necessidade da volta de controles e normas para garantir justamente, a liberdade das pessoas. O descontrole neoliberal levou a isso que muita gente ainda nem se deu conta: um desastre global.
Não somos chineses e não vivemos a tradição e a experiência deles pra negar preconcebidamente e talvez preconceituosamente, seus controles…vai saber. Temos que ser mais prudentes.
Ser contra controles é jogar pra torcida, mas o futebol é cheio de controles.
O assunto é delicado e por isso mesmo temos que enfrentá-lo, mas só o amor constrói. Não vamos nos despedaçar se não formos capazes de avançar juntos. Paz e Amor! mesmo na américa do sul.
Março 7th, 2009 at 9:56 pm
Salém,
é difícil dizer hj o que não seja “lógica capitalista”. mas vc há de convir que só a lógica capitalista justificaria a ocupação do espaço público (ainda que de modo ambulante) do jeito que os blocos de trio fazem em Salvador.
Não vou nem falar de como a segregação racial e social se faz presente (e de modo deprimente, pelo menos para mim) quando percebemos quem são os “cordeiros” - pessoas pobres, quase todas negras, que se submetem a ficar a horas a fio segurando a corda e protegendo os mais bem aquinhoados materialmente em troca de um salário baixíssimo. Claro, não é o carnaval de Salvador que cria a desigualdade e a injustiça social, mas os blocos de trio não me parecem que façam muito para diminuir um pouco seus lucros e dar uma melhor condição para os pobres cordeiros. Sei, sou eu aqui, ingênuo e “revolucionário”.
Também, não vou falar (aha, claro, já estou falando) de como os trios endinheirados pautam a festa e estabelecem a ordem das “atrações”: os blocos afro ficam sempre por último. Se isso não for lógica capitalista, eu não sei mais o que é.
E eu não curto esse lance de tentar contrapor à democracia capitalista os exemplos dos gulags soviéticos, do muro de berlim, da falta de liberdade em Cuba.
Ainda acho que a utopia socialista é uma utopia bonita.
O engraçado é que a gente (eu sei, não é o seu caso) esquece que quem veio salvar o grande mercado desregulado dos Estados Unidos foi justamente o Estado.
Agora, se vamos dar exemplo de crimes contra a humanidade, vamos falar também da baía de guantanamo, das torturas em Abu Graib, do muro israelense, da política estadunidense contra os imigrantes ilegais, contra o muro que os protege dos chicanos, da grande mentira que justificou a invasão do iraque, da imensa população carcerária dos Estados Unidos - predominantemente negra e latina. Enfim…
Eu já gostei mais do carnaval de Salvador. Mas devo confessar que já faz um tempão que não me animo muito a sair. Fico vendo pela tevê. Mas sei que sem a grana dos blocos de trio, não teríamos tanta música. Concordo com Vellame, sim. Mas não posso deixar de observar que os trios ganham uma dinheirama danada. Não foi Imbassahy (ex-prefeito de Salvador) que no apagar das luzes de sua última admnistração perdoou uma dívida enorme do trio do Chiclete com Banana? Me contaram isso, ou saiu publicado em algum lugar, que haveria ocorrudo esse “perdão” das dívidas do trio. Ou seja, se eles ganham tanto dinheiro, poderiam fazer um pouquinho mais pelo bem social comum.
Wesley: lindo seu comentário. Adorei o fato de vc também percer a importância da religiosidade evangélica - ao contrário de muitos militantes negros que tentam desconsiderar o que há de positivo neste movimento. Lembrei do Mano Brown que no programa Roda vIva demonstrou ser um evangélico de mentalidade aberta - inclusive condenando os ataques ao candomble por parte de certos setores neo-pentecostais.
Vellame, eu não propus acabar com a corda. Gostaria de ter esse poder, mas não tenho : -)
Caetano brincou comigo na casa dele quando falávamos sobre certas medidas que poderíamos ou deveríamos tomar para melhorar o mundo (era algo importante, algo que demandava alguma medida global, mas eu nem lembro mais do que foi). Ele falou assim, “aí, só quando acontecer a revolução do luedy”.
Fiquei embevecido de ser lembrado assim, apesar da crítica embutida no tom de brincadeira.
E eu já toquei durante o carnaval em palcos de periferia (faz tempo isso). Nem sei mais se esse lance de criar uma estrutura com palco e som, com bandas tocando para animar o carnaval dos bairros populares suburbanos ainda existe. A prefeitura organizava e o sindicato dos músicos fazia a seleção das bandas. Advinha qual era o nome da banda que nós criávamos para estas oportunidades? Chuva, suor e cerveja.
Pois bem, os palcos eram super precários. O som era péssimo. Era uma migalha que se dava aos moradores daqueles bairros. As bandas que se revezavam eram todas desconhecidas. Isso é que é lógica capitalista.
abs a todo@s
luedy
Março 7th, 2009 at 10:38 pm
faço coro com o marcos lacerda.
!Meu Rio!
Meu Rio
Perto da favela do Muquiço
Eu menino já entendia isso
Um gosto de Susticau
Balé no Municipal
Quintino:
Um coreto
Entrevisto do passar do trem
Nós nos lembramos bem
Baianos, paraenses e pernambucanos:
Ar morno pardo parado
Mar pérola
Verde onda de cetim frio
Meu Rio
Longe da favela do Muquiço
Tudo no meu coração
Esperava o bom do som: João
Tom Jobim
Traçou por fim
Por sobre mim
Teu monte-céu
Teu próprio deus
Cidade
Vista do outro lado da baía
De ouro e fogo no findar do dia
Nas tardes daquele então
Te amei no meu coração
Te amo
Em silêncio
Daqui do Saco de São Francisco
Eu cobiçava o risco
Da vida
Nesses prédios todos, nessas ruas
Rapazes maus, moças nuas
O teu carnaval
É um vapor luzidio
E eu rio
Dentro da favela do Muquiço
Mangueira no coração
Guadalupe em mim é Fundação
Solidão
Maracanã
Samba-canção
Sem pai nem mãe
Sem nada meu
Meu Rio
————-
O transamba que ela pode ser ou já é.
“A Menina da Ria” já cantava em Noites do Norte. Que beleza! Anteontem (re)escutei essa canção e fiquei admirado com a suavidade e beleza.
bjs.
Março 7th, 2009 at 10:56 pm
Luedy, seu texto é a sequência do meu DNA.
Mas…
Ainda sobre as cordas, dúvidas recorrem e recorrem:
- O ser humano é bom ou mau, sendo que a cultura civilizatória o transforma em mau ou bom?
- Considerando a natureza do homem como fica o sistema de regulação do grupo de humanos na Terra?
- Está claro para mim que Kant não explica tudo quando disse que a “nossa liberdade termina quando começa a do outro” (não foi bem isso que ele disse). Então, qual algorítimo explica tudo?
- O que é Deus para além da Física?
Março 7th, 2009 at 11:01 pm
Era muito bonito aguardar a chegada do Bloco do Barão na Piedade e o Jacú, do mesmo modo. Eram blocos de “filhinhos de papai” e que não precisava de cordão de isolamento, separando o povão (os pipocas são, na imensa maioria, gente que não podia pagar uma “mortalha” e não pode, hoje, comprar abadá. Acho um absurdo essa coisa de “cordão de isolamento”. Caetano pode discordar.
O carnaval era super gostoso quando Caetano e Gil comandavam a massa. Caetano cantava frevos que sacudiam o chão da Praça. E por falar em Praça (a Castro Alves) ali ficavam gente de todo tipo e era marcadamente uma praça tomada por “entendidos” e homosessuais (masculino e feminino) e também por muita gente que não tinha nada a ver, mas gostava de se misturar porque era ali que tudo “rolava”. Nas escadarias do atual palácio dos Esportes ficavam os “travecos” dando um show à parte. O carnaval era muito mais democrático. No tempo das mortalhas era raro os “caretas” (mascarados[as]. Quando criança tinha medo de “caretas”. Era um carnaval em que era permitido usar lança-perfume e muita gente - hoje bisavós e avós - usavam lança que tinha um aroma especial. Janio proibiu. Os carnavais em clube eram para as elites (baiano e Iate, principalmente) e os demais (quase todos) eram frequentados pela classe média. Era um tempo - como bem disse Gil - que “preto não entrava no Baiano” de Tênis. Hoje temos cordas e o pipoca tem menos espaço para a folia. Não dou um centavo pra sair em bloco algum, nem gasto dinheiro para ir a camarote (que substituiram os Clubes das elites e que é uma ostentação). Recife ganha da Bahia no carnaval para todos, sem as cordas. Lá é de graça, aqui cobram e tem muito racismo em blocos de elite e a elitização de certos blocos se dá pelo alto custo dos abadás. A polícia tem se revelado eficiente e enérgica. Wagner descende de judeus poloneses e, nossa policia, é treinada por agentes do MOSSAD, que é um serviço secreto dos melhores do mundo. Isso favorece os “pipocas”, mas não evita a violência, nem os roubos e furtos patrocinados pelos excluidos (socialmente falando, a plebe ignara). Todos podem discordar, mas antes era um carnaval mais bonito, com toda sorte de gente misturada, sem discriminação. Garotas lindas podiam curtir na avenida sete, numa boa. O Relógio de São Pedro era um point. Tinha o trio Traz os Montes… mas começaram as cordas. Tinha o camaleão, o Eva, os Internacionais e os Corujas. Mas era show o bloco do Barão (de Mococof bebão) e o Bloco do Jacú (ha ja cú pra nós comer - usava-se o cacofato ). Não acontecia nada demais em misturar o povo com essa gente rica da cidade. Ainda haviam os bancos nas calçadas da avenida, onde os mais velhos podiam apreciar o carnaval, numa boa. A Praça Castro Alves era onde tudo “desaguava”… quem não era, ali poderia parecer que era “homo”. Mas haviam muitos hetero. Já levei muitos beijos de sapatonas. Tinham os caçadores de veados (ou viados?) e quando o trio chegava só não ia atrás - de verdade - que não podia, ou já era ( o “já morreu” de Caetano). Era superbacana. Hoje o Psirico faz o carnaval dos pipocas e ficam dizendo que “enche a rua de ladrão”. Os camarotes… Bom, os ladrões são muitos, tem os de colarinho branco e os da ralé. Uns frequentam as ruas, outros ficam em locais privilegiados. Padre Viera distingua o “bom ladrão” dos que roubavam o povo…
O sambodromo nasceu no governo Brizola - que acabou a maracutaia da montagem das arquibancadas. Acho o carnaval do Rio chato, mas está crescendo o carnaval de rua e se levarem trios eletricos pra lá vai se de arrombar. Mas a tendência dos que vivem do carnaval é industrializar e monopolizar, além de elitizar o carnaval, a pretexto de uma pseudo “profissionalização”, que não existia na Bahia, em antigos carnavais.
Moreno é uma prova de que os cordões são desnecessários.´Isso de separar o povo, um dia pode causar revolta.i
hoje eu tô como Gil : “A Bahia me deu régua e compasso, mas o mundo me tirou”. Concordo com Caetano em muita coisa, principalmente quanto ao depoimento verdadeiro que ele presta sobre o carnaval da Bahia e do Rio. Minha discordância é a “corda” e a “industria” carnavalesca e, pior, esse negócio de o governo dar grana, patrocinar blocos… Tudo bem que ajude blocos e trios para os “pipocas”, mas nada de dar grana pra que fatura altissimo às custas do carnaval e do turismo. Que se pague os músicos dos pipocas e se deixe de lado os blocos elitistas. Sei que vão me crucificar por isso. Não gostei de saber da onda da exclusão do Luis Caldas, mas Marcio também não pode ficar leiloando a grana do povo. Tem que ajustar essas coisas e quem quer fazer um carnaval tem que ter despreendimento e se contentar em - também - patrocinar a alegria popular.
Gostei muito da entrevista do Gil no terramagazine. é isso ai… Agora, Caetano conhece os bastidores do carnaval baiano muito bem e eu posso estar enganado em algumas coisas por falta de informação. Mas sou contra as cordas !
Março 7th, 2009 at 11:07 pm
Cheguei de SAMPA e só deu pra ler o post de Caetano e mais nada, ressalvo.
Março 7th, 2009 at 11:40 pm
Caetano, para quem quiser ler a Camille Paglia, eu postei, faz uns dias, e comentei com amigos que acho ótimo ela estar ‘enamorada’ por uma baiana sensual
gosto da Paglia como vc, tem um lugar importante, tb simpatizava mais com a Sontag, enfim…
aqui está a entrevista onde ela fala da Daniela Mercury:
http://lauravive.blogspot.com/2009/02/camille-paglia.html
Qto ai Rio e a violência, acho que nos chocamos porque a cidade é tã olinda que deveria ser poupada, não é Gil?
A exuberância do Rio não combina com crimes bárbaros.
Abs a todos.
Março 8th, 2009 at 12:55 am
Pessoal,se o show de lançamento for em Sampa poderemos marcar e nos encontrarmos. Todos! Seria de uma beleza e delicadeza ímpar.Talvez até pudéssemos ver Caetano de pertinho.Seria bom demais! Muita pretensão? Justo eu que sou tão tímida e escrevo tão pouco.
Adoro tudo que o professor Caetano ensina aqui.Já não sou a mesma do início do blog.Com certeza aprendi muito com o Mestre e seus discípulos,e espero continuar aprendendo por algum tempo ainda.Tomara!
Meu filho adolescente está dizendo que não é o Caetano que nos responde aqui.Ele não acredita que isto seja possível.
Beijos ternos para todos e em especial para Caetano.
Réa Silvia
Março 8th, 2009 at 1:13 am
E Caetano, seguindo no raciocínio do seu comentário, vc acha que o estabelecimento de controles sobre a circulação de músicas e filmes ilegais na Internet seriam a mesma coisa que controlar a internet? Caso vc se ache apto e informado para expressar sua opinião sobre a questão, a exemplo do que faz GG, será muito benvinda sua reflexão, é lógico.
Particularmente, como vc tem acompanhado, mais que emitir minha opinião pessoal tenho tratado de trazer um painel do que se passa envolvendo a questão com a reprodução de textos da Inglaterra, França, Portugal, Suécia, opinião de órgãos corporativos e da Imprensa especializada, e mais ainda, acendendo a luz para o que se passa no tribunal com o The Pirate Bay. Portanto, sem demagogia e afirmando a proposta de que a música brasileira e o negócio da música no Brasil necessitam uma plataforma de desenvolvimento no ambiente digital e que sem isso ficamos condenados ao atraso, ostracismo e ao anacronismo. Como meio para isso considero urgente a desglamourização e a educação contra “baixar pela Internet” afim de incentivar um comportamento civilizado e responsável no trato com a rede. Como solução observo o caminho adotado no mundo desenvolvido que é a adoção do Itunes, ou assemelhado, mas que funcione.
E considero que estou falando de liberdade também.
Fora isso, o pau quebra porque faz parte, mas com honestidade, respeito e coragem…e aguardando com ansiedade Zii e Zie.
Março 8th, 2009 at 1:13 am
Barbara, I wasn’t amused by the strange observation about your nationality. I was confused, actually, because something like that would never come to my mind. Of course you are a good and careful writer, but stilt? I really don’t get it. If I were you, I’d also take all that as a compliment. It’s so amazing to read well-written texts on the Internet , where most of the time people use that weird text message language.
I figure it must have been hard to be an American all those years, but I’m sure things will get better. I love the USA (specially New York) and have always found American people kind and friendly. I might be wrong, but that’s what I feel every time I walk down the streets and talk to people.
Sorry for my writing. I try my best, though I barely write anything but scientific stuff in English. Maybe that’s why I like reading you.
Março 8th, 2009 at 1:34 am
e só de blague…impossível era ver a volta de Collor, o que é isso?
mas ele disse uma coisa: quem não sabe virar a página não pode ler o livro… como traduziríamos isso? aberto aos comentários…
o impossível ainda não inventaram…mas que tem uma galera que não compra mesmo, isso tem. Sem chances. Tem outro caminho para o hábito senão a educação ou a repressão?
HEi! Vc aí! Repressão ( ato de suster a ação ou movimento de conter;sustar;moderar;coibir;refrear, ou …castigar)
a cultura e a civilização, elas que se danem…ou não.
Março 8th, 2009 at 1:49 am
BARBARA,
De nada, no me tomó ningún trabajo, lo hice con mucho gusto. Estoy de acuedo contigo, en NO generalizar la “afirmación” que declara el Dr. Andrés Ortega, pero fíjate que el propio doctor es “chileno”. Y si él lo dice…me pregunto que “voz” tendrá.
A veces, acostumbro mirar un programa que trasmite TV Chile, donde el “conductor” me parece de lo más “atractivo”, en orden de…”físico y VOZ”, y también como persona, me parece un ser encantador. Al menos, a mí me encanta!, sabés quién es?, no sé si lo tendrás en vista?, es el que condujo este año el Festival de Viña del Mar, te confieso que me gusta asistir su programa sólo por verlo a él, me “aníma” cuando lo “veo y oigo”, aaahhh! pero, NO MÁS! que mí “Caemío”…eeeehhhh!…en fin, dijo Pichín.
EXEQUIELA,
No sólo la música “entra pelos sete buracos da minha cabeça/……/é a coisa mais bonita em toda natureza”/….a “sua presença”…/ (Me acordé de A Tua Presença Morena del tema de “Caemío”).
Creo que también “entra” atraves de muchos “buraquinhos más…llamados POROS”. Pienso que es por esa razón que cuando algo nos impresiona bastante o profundamente llegamos muchas veces hasta “erizarnos”…no lo sé muy bien, se me ocurre, porque hallé que ésto fuera servir como buen argumento para…(”a música é a única arte que nos ataca pelas costas”).
Me parece que el “poder” (positivo y negativo), se encuentre en nuestra “piel”, y quienes al final nos terminan diciendo:
“LALALALALALALAAAAAAAA” a los gritos para no escuchar de veras?!, serían pues….. entonces culpables,….nuestras glándulas sudoríparas?!.
Difícil, pero no tan improvable eh!. En definitiva!… no te parece que todo es una “cuestión de piel”!.
Besos “porosos”. Veriño.
Março 8th, 2009 at 1:56 am
é caetanet, e dá pra ver fotos da jennifer connelly e bater um papo virtual com o irmão de maria bethânia, que também é um excelente cantor, embora às vezes diga o contrário, hahaha
……………
sobre o lance que falei do raul:
é comum ver a frase “vontade fela-da-puta
de ser americano” da canção de caetano, dita e compreendida de forma simplista. até aqui no blog já rolou. penso que caetano se referia ao início de carreira de raulzito aqui em salvador e ao amor que o mesmo cultivou pelo rock dos 50s até morrer.
mas é claro que caetano sabe que raul foi muito, muito mais que isso. e que ele faz falta, ôoo se faz…
pra mim, não há nada mais tropicalista fora da tropicália, que raul seixas. nem chico science. nem rita lee, nem alceu valença, nem los hermanos.
entre 1970 e 1975, raul entendeu tudo e devolveu o presente. e quando se fala em raul seixas, tem-se que falar em paulo coelho também.
aquele disco com miriam batucada e sergio sampaio ["sessão das 10"] é um barato. caetano pode falar um pouco sobre isso, se não for um aborrecimento, claro.
adoro aquele “por que nãaaao?…” cantado por raul fazendo uma referência e tirando um sarro dos tropicalistas também [não lembro agora em que música. obra-prima. por que não?
Março 8th, 2009 at 2:54 am
acho engraçado pacas quando miriam fala “o franco”. parece uma entidade, algo metafísico, um ser que nos observa, mas que não sabemos se existe mesmo ou se é fruto de nossa imaginação…
não meu amigo, vá ao banheiro enquanto é tempo, porque Ele está em todos os lugares: franco, a mulher inesquecível!
será que o franco é franco? será que o franco é fraco? será que o franco é freak? o franco é atirador? ó, fratelloso franco, iluminai nossas mentes blogueiras com sua onisciência!
francofrancofrancofrancofranco…hmmm, há algo na palavra que quando repetida assume características de mantra…deveras revelador…viva o franco!
[brincadeirinha miriam e franco! hahahaha]
Março 8th, 2009 at 5:59 am
Glauber, penso o mesmo sore Raul. Ele conversava comigo nesses termos. Conto em Verdade Tropical. Mas não quero chamá-lo de “tropicalista” porque podem pensar que sugo tudo para dentro da turma que TomZé rejeitou. Marcelo Nova poderia chiar. E seria talvez mal interpretado: o aspecto principal, isto é, que Raul, por ser roqueiro (entre outras coisas), nadou mais e melhor do que qualquer um nas águas tropicalistas, poderia sumir na cabeça coletiva. Seria injusto. Até porque ele era muito mais do que isso.
Gil, não estou tão inteirado quanto seu xará. Falei aqui somente porque temo controle da net por países fechados. Mas considero sua luta e seus argumentos oportunos e importantes (por isso pedi que me ajudassem a entender e, caso usássemos algo no lançamento de zii e zie, saber o que seria melhor). Tenho horror da vocação brasileira de ficar de fora, atrasado, mesmo que seja pelos mais simpáticos motivos. Sinto que você não responde aos pontos fortes dos seus oponentes nem estes aos seus. Mas discussões são assim. Até parirem algo. Continuo firme e forte na campanha pelo respeito ao sinal de trânsito. É uma lei simples e deveria ser modelo para a obediência às leis em geral. Legislar sobre uso da inetrnet é difícil. Li Lessig, ouço Hermano, Gil, Ronaldo - e, por outro lado, Brant, Bastos e você. Nada me enche as medidas. E resta muita coisa que não entendo. Sou burro pra isso. Às vezes a discussão entre você e Glauber não é sobre legislar, mas sobre criar uma cultura ética a respeito. Parece que você diz que os investidores de países habituados a prosperar vêm criando bases de rentabilidade no mundo digital/informático que sugerem legislação adequada - e que nós estamos só no romantismo. Parece que Glauber diz que os garotos que cresceram baixando (e uploading) coisas na internet não devem ser criminalizados, mesmo porque foi essa cultura que criou o Youtube onde se vê John Cage e Fantasmão. Vamos avançando devagar.
Barbara and Heloisa, forgive me for telling you the joke my American friend made. She knows I love Barbara’s English and style. The point was to annoy me, saying MY English is stilted. She was also pretending to be jealous. I understand it may have sounded rude, but that was not her intention. Nor mine. I - as Bess would say to Porgy - loves you.
Gente, eu leio a Veja só quando viajo de avião. Vi a “nota grossa” mas não vi as amarelas com Camille. Eu adoro o que ela diz sobre Daniela em geral. Adoro o interesse dela pela brasileira. Que bem o merece.
Luedy, Luedy… eu queria que você visse os cordeiros do Psirico. Achar trabalho já não é coisa ruim. Divertir-se no trabalho então… E detesto esse papo de discrimanação racial pelos blocos. Não é visível. Quando eu era moço, preto não entrava no Baiano de Tênis. Não era oficial (felizmente não somos americanos nem sulafricanos) mas era sabido e dito pelos sócios do clube. No final dos anos 80, a Festa da Beleza Negra foi no Baiano de Tênis. Vejo todas as multidões de todos os blocos da Bahia. Procuro o racismo de que os demagogos falam e não encontro. Quanto aos gulags, o que é conservador é repetir sempre as queixas contra os EUA, o capitalismo, Israel e nunca reclamar dos horrores de países comunistas ou muçulmanos. Hordas de garotos e garotas me repetem o que você escreveu aí - e o mesmo fazia o pessoal da minha geração. Surgiu uma fresta crítica contra os regimes fechados - mas isso nunca se tornou dominante nem na imprensa, nem na academia, nem no folklore jovem. É chato. A utopia socialista é bonita? É o que as utopias têm de ser. E eu detesto pensamentos reacionários. Mas é muito ruim cegar-se. O interessante de Zizek é que ele afirma os descalabros, não fecha os olhos para eles. Mas o resultado é igual: apóia os regimes ditatoriais “de esquerda”, o apedrejamento de adúlteras, a execução de homossexuais em praça pública e o terror. Um homem público (que era do PT) me contou que em Porto Alegre algumas autoridades brindaram COM CHAMPAGNE a derrubada das torres do World Trade Center e, portanto, a morte de milhares de civis inocentes. O que há de bom nisso? Só Zizek explica. Bush foi o pior representante da fase iniciada por Reagan. Mas os EUA são um país revolucionário que ainda vive sua revolução. Eu fiz uma canção contra a prisão de Gantánamo. Sempre fui contra. Mas a gente não se deve fingir de bobo.
Março 8th, 2009 at 6:00 am
HERMANITO. ESSE Q VAI.
Luedy, amigo
A sua frase “Ainda acho que a utopia socialista é uma utopia bonita.” é praticamente um pleonasmo. Toda utopia é uma quimera e como tal, tem beleza. Nunca ouvi a expressão “utopia feia”. A “utopia capitalista” também é bonita. A realidade capitalista é a um só tempo, perversa, excitante e humana. A realidade socialista também. Ambas têm cordões.
Não falei de “utopia” quando citei muros,grades, paredes e cordas. Falei de realidade. Presente nos mundos capitalista e socialista. A idéia de contenção compulsória não é desejável em qualquer utopia.
Acho que é disso que Gil fala também quando se refere à web e cita o exemplo clássico de Caetano do “sinal vermelho”, uma contenção civilizada do fluxo viário. Não imagino o que seria uma contenção ética e democrática na web. No carnaval há logística. Se essa logística segue um modelo perverso e elitista, não tenho clareza. A indústria do Carnaval carioca, claro que capitalista, integra o povo que você gosta de chamar de oprimido e gera empregos, um aspecto bom da “lógica capitalista”. Embora haja aberrações. Não imagino um carnaval socialista, nos moldes da realidade. Cuba ainda divide sua população dos visitantes. Pior corda impossível.
Não sou um anti-comunista. Aliás, nem acho essa expressão suficientemente atual pra definir ninguém ideologicamente. Também amo as premissas da “utopia” socialista. Assim como gosto da aventura capitalista no sentido da liberdade da invenção e do escambo.
Glauber
Caetanet é um trocadilho espetacular. Podreria ser o nome de um site de fãs do Caetano na web. Adorei.
Caetano
SP está bem parecida com você. Talvez mais agora do que nos anos 80 e 90. A mente continua apavorando o que ainda não é mesmo velho. A SP de Caetano e Dedé está mais presente agora, embora seja passado. O Studio SP é uma bela “utopia” para o lançamento de zii e zie. Seria maravilhoso. Mas disputaríamos lugares a tapa. Uma “festa” de lançamento por lá não é impossível. Seria uma farra. Uma temporada o Studio SP, só se você ficasse uns 3 meses no mínimo por aqui de quinta à domingo. O que, pra mim, seria um sonho vitorioso. Por quê não o Tuca, onde tudo começou? Gosto muito de música no espaço cênico teatral, com quarta parede e platéia inclinada ou arena (como é o caso do belo Tuquinha). Quando vi Arnaldo Antunes no Teatro Fecap fiquei extasiado.
Será que zii e zie é show pra se ver de pé? Não gosto de ficar de pé, mas prefiro do que sentar nas mesinhas das big-houses com nome de patrocinador. São mesmo deploráveis, anti-anatômicas e colocam uma platéia inteira de perfil torcendo o pescoço por 90 minutos. A gente assiste aos shows de lado, entre a circulação de garçons e, se estiver só, ou em dupla, tem que dividir a mesa com razoável constrangimento com desconhecidos. “Quer um pouco do meu amendoinzinho?” é frase mais empática que se consegue dizer ao estranho no meio do tumulto.
Vou estar na estréia de zii e zie. E acho que já estou produzindo alguns sentimentos que jamais levei à uma casa de shows. Isso por conta da aventura histórica que experimentamos por aqui.
Há algo bem bonito e estranho no ar. Durante esse tempão, o povo daqui (”povo” do jeito que Hermano usa) inventou uma nova forma de intimidade com um artista. Algo diferente do fanatismo e da bajulação, e também diferente da amizade presencial. Isso é de arrepiar. Só de pensar que tantos amigos virtuosos e virtuais estarão lá, e que tantos viajarão pra isso, já é de emocionar mesmo.
zii e zie tem muito a ver com o Rio, Ria, Lapa, Perdeu. E foi no Rio que os shows de gestação se deram. Não poderia ser melhor. Agora, São Paulo vai ser a sala de parto. É em São Paulo que a obra se ergue.
Muitos amigos músicos defendem a idéia de que uma temporada deve percorrer todas as capitais e praças pra se encerrar amadurecida em SP. Que aqui o público é mais exigente e coisa e tal. Balela. O público de São Paulo é de fato bem atento, mas não menos caloroso e não tão chato tecnicamente quanto se propaga. Essa história de que o público paulista é perfeccionista é um mito.
Os críticos, sim. Mas isso, suponho, seja excitante pra você e pra todos nós que aguardamos a estréia com felicidade e apreensão.
Tô bem contente.
beijo na testa
salem
Março 8th, 2009 at 6:52 am
Me esqueci de dizer uma coisinha. Se zii e zie nascer no Studio SP na Rua Augusta teremos outra beleza. Quem também nasceu na Rua Augusta número 25 foi Orlando Silva, o cantor das multidões. Embora o Studio SP, não seja propriamente um local pra multidões, como havia dito, é bonito lembrar da grandeza da região.
Há desde sempre um mix de sub-mundo e arte nesse pedaço do centro de São Paulo. Tudo é perto. Os restaurantes dos velhos atores, as putas, o velho Teatro Paramount na Brigadeiro, a vanguarda teatral satyrica.
Há fósseis vivos Sampa verdadeira em todo entorno do local. As novas casas de show, na sua grande maioria, estão nos bairros para onde o dinheiro migrou: Moema e Vila Olímpia, onde se concentram também os bares, as pajeros, as putas de classe, as casas de massagem tailandeza, os restaurantes japoneses de boa aparência e cardápio duvidoso, os meninos que bebem vodka-ice e as meninas que se fantasiam de Amy com roupas de grife. É bem diferente. Mas tudo isso é bobagem, depois que o show começa. O chato é o whiskie caro e a histeria burra. Na estréia do último show do Chico me sentei com Fernanda e Bebel em uma mesinha. Uma mulher sozinha ocupou a qurta cadeira. Bastou Chico entrar cantando Lamartine “voltei a cantar porque senti saudades”, pra mulher se levantar e gritar:
-A Bandaaaaaa!
Março 8th, 2009 at 10:44 am
Hermano, favor postar esse comentário, ao invés do que enviei há pouco. Obrigada!
Caetano,
Mais um post lindamente sentimental, para o meu deleite que estou longe e não vi o Carnaval. Me senti consolada pela sua visão íntima, cristalina e tão sem conflitos, me ajudando a refletir em pontos, para mim, ainda muito contraditórios.
Tenho escutado, emocionada, que o carnaval do Rio se renovou através dos blocos e tanto o seu post quanto vários comentários aqui testemunham isso. Alguem aí em cima falou da aura sinistra que se formou em torno do Rio por causa da violência e eu vislumbro, na inocência desse tipo de carnaval low profile, gostoso, miudinho, aberto, um contraponto não somente à inacessibilidade do sambódromo, como tambem à crueldade do crime… Como um tipo de resistência sensível, que vai se formando na cidade…
O Carnaval de Salvador é uma coisa gigantesca, questionável pela fúria comercial, não pelo seu formato clássico. Concordo com Luedy sobre os super-poderes (com ou sem hífem?) dos trios (e dos camarotes), inviabilizando qualquer possibilidade de democracia. É tudo infinitamente contraditório pois há momentos sublimes nesse mesmo Carnaval que, de tão massivo e catártico, tornou-se um mito entre os mais jovens (vivo na Europa e aqui realizei que, quase que da mesma forma que os jovens muçulmanos sonham em ir à Meca, os jovens brasileiros de todas as partes do país, hoje, sonham em ir ao Carnaval da Bahia… não estou exagerando).
Eu era garota qdo fui pela primeira vez à praça Castro Alves e, para meu encanto, lá estava Caetano, no chão, entre nós, naquelas madrugadas incríveis. O Carnaval, então, já era imenso e trazia uma promessa no ar (que eu lia como uma promessa de prazer e delicadeza misturados, eu acho. Pois isso é o que eram aquelas noites da praça: poesia, novidade e êxtase, com o apoteótico encontro dos trios, com Novos Baianos e com Caetano, sempre dando canja na madrugada da quarta feira de Cinzas. Mas, rapidamente, tudo tornou-se grande demais e essa grandeza tambem suprimiu a promessa de prazer que os trios haviam sugerido.
Com a chegada da Axé music e a profusão das novas estrelas, veio tambem um jeito novo de fazer carnaval influenciado por Caetano, Moraes Moreira, Armandinho, Dodô e Osmar, no entanto cru até o osso, radicalizando nos aspectos menos lúdicos e cordiais, no “mete o cotovelo” (que na música de Caetano era anárquico e alegre), no “sai do chão”, nos gritos e pulos e coreografias, a rudeza se generalizou e a poesia se inibiu. Meu carnaval se tornou o Olodum na sexta, o Ilê no sábado, o Gandhi no domingo e mais recentemente, a Mudança do Garcia na segunda (a Mudança me deu a dimensão da quantidade de bandinhas querendo ir prá rua fazer seu carnavalzinho e e eu espero que haja mais e mais mudanças para que isso se torne possível). Esse Carnaval alternativo era (e ainda é) uma nova vertente do Carnaval da Bahia, parte da sua grandeza, mas nunca chegou a ser hegemônico e nunca conquistou, como disse Luedy, nem mesmo horários melhores para se apresentar no Campo Grande.
Minha única experiência dentro da corda foi no Araketu qdo aquilo, nos anos 90, com Tatau puxando, era lindo – eu não gostava de blocos mas uma amiga me arrastou. Mas, na avenida 7, o bloco se estreitava e a luta dos “cordeiros” para afastar a massa era um espetáculo melancólico, a segregação viva, alí frente a frente; eu tive medo e tristeza e nunca mais quis saber daquilo.
Uma outra questão é com relação à cidade em si. No ano passado, com a polêmica da tirada das pedrinhas portuguesas do Porto da Barra e com a difusão de uma notícia ainda mais horrorosa de que queriam ampliar o calçadão do Farol, entrando pela areia da praia, para dar mais conforto aos que alí correm todas as manhãs, me veio um pânico… ao mesmo me veio uma consciência clara da feiura daquela área da Barra e da subordinção da parte mais linda da cidade ao carnaval: prédios velhos, mal ajambrados, quase em ruínas que, durante o ano inteiro, só servem de especulação imobiliária e, finalmente, de camarote, durante o Carnaval. Camarotes que, diga-se de passagem, destroem o próprio calçadão para se instalarem e não têm a obrigacão de restaurá-lo, ao final da festa.
Pensei que se as coisas fossem como deveriam ser, para ampliar o calçadão, o mais justo seria desapropriar esses prédios e, mais sensato e mais correto ainda seria não ampliar coisa nenhuma (pois aquilo - a balaustrada, a praia, o farol - é um local histórico e, eu diria, sagrado) mas obrigar os proprietários a restaurar suas feiuras e cuidar das fachadas da Barra pois o Carnaval dura apenas uma semana e a vida dura muito mais. Assim como os “abadás” padronizados e anti-fantasia, aqueles prédios, os paredões dos camarotes, a luta das cordas e a exploração dos “cordeiros”, querido Caetano, são mau gusto.
Luiz Castello, que linda que devia ser essa sua mãe carnavalesca!
Labi, que história hilária… conheço a cena… haha!
Barbara, all the anti American mentions are references to the hegemonic empire and its devastating international policies. Never against the American people, my darling!
Caetano, um beijo!
P.S. Eu tbem quero ir junto com todos aqui para o lançamento do Zii e Zie em São Paulo!!!
Março 8th, 2009 at 10:59 am
rápido e rasteiro…o filme da Patty Smith Dream of Life, é um poema, deslumbrante, um escândalo, a melhor coisa do mundo…fiquem ligados, é totalmente caetano, é bethânia, é tropicalista eheheh…é o máximo!
beleza Caetano, vc é sempre beleza.
salemzinho, escambo é pré pré capitalista, vem das origens das relações econômicas…o capitalismo passa por cima, é economia de massas…mas ó, tá lindo. E democracia se faz com leis, uma não existe sem a outra, são os controles que legitimam a liberdade de cada um…e isso tem a ver com a ética social…
e eu tô com Glauber nessa, quem baixou baixou, quem comeu comeu, quem bebeu bebeu, mas daqui pra frente os meninos devem ser avisados, educados, informados: pode não, tira o pão da padaria, diminui, restringe…tem que fazer direitinho, pagar um tantinho porque a água tá cara, pra viver todo mundo junto tem que ter …ordem, pode ser chato mas é o único meio de proteger a todos, inclusive a quem “baixa”. E viva o Youtube! Mais Youtube pra nós ! Tudo no Youtube! Desde que seja legal e que o DIREITO das pessoas sejam respeitados…é esse o novo mundo, vamos a ele devagarzinho porque o amor não é pra já…mas vamos…ou não…
Março 8th, 2009 at 11:31 am
Caetano, a imensa platéia do geraldão te vaiou cantando asa branca? que insanos! Pensei que tivesse sido somente um grupinho de esquerda metido a revolucionário que só gostava de música de protesto. Ainda bem que não estava lá, provavelmente eu devia ter uns 9 ou 10 anos no início da década de 70.
Mas lembro, quando assistir a um show seu nesse ginásio, acho que foi o Cores Nomes ou Outras Palavras, não lembro bem.Lembro que estava ao lado de pessoas de esquerda, mas que gostavam de música.
Agora, essa é a segunda vez no O e P que você lembra desse fato. Não ligue mais para isso, Caetano. O Recife te adora. Lembre apenas da bela recepção que você teve na sua apresentação no Carnaval. Você cantou Asa Branca acompanhado pela percussão do Naná e os batuques dos maracatus. O Governador de Pernambuco te saudou como sendo você o representante de todos os artistas convidados ao Recife. Achei isso muito bacana. Então, nnão lembre mais daquilo, você não preciso disso.
Vou formar um bloco para assistir ao lançamento do Zii Zie aqui no Recife.
beijos
Maria
Março 8th, 2009 at 12:05 pm
Revista BRAVO! | Março/2009
Qual o Futuro da Música
Por Arthur Dapieve
O grupo Radiohead, que vem neste mês ao Brasil, abriu a temporada de previsões sobre as mudanças na arte de compor e veicular canções. Das ideias levantadas, saiba o que faz sentido e o que é só especulação
http://bravonline.abril.com.br/conteudo/musica/qual-futuro-musica-424977.shtml
Março 8th, 2009 at 12:09 pm
Luedy, eu tinha me programado hoje de manhã para ligar para um amigo que já trabalhou em corda para balizar um texto sobre os motivos da galera ADORAR trabalhar de cordeiro (coisa totalmente improvável num subemprego) e Caetano saiu na frente….
Março 8th, 2009 at 12:37 pm
Eu não acredito em racismo mas que ele existe existe.
Março 8th, 2009 at 1:19 pm
Glauber, você alegra os meus dias com seu senso de humor sui generis. Obrigada!
Caetano, vou perguntar de outra forma: a menina de Niterói existe?
Março 8th, 2009 at 2:00 pm
pintou um Gil, Gil com maiúscula! e não sou eu, esse gilzinho de g minúsculo…esse Gil aí é novo, não pergunto se é Gilberto Gil porque esse tem obrigação de entrar com nome inteiro é claro, ehehe…ou vir como GG…ou não…queria apenas deixar registrado, sabe cumé né…
Março 8th, 2009 at 2:12 pm
Salém, eu quero te pegar Salém…lá veio vc de novo para a mesa de negociações, é assim que é…eu quero vc Salém, e vc veio….tô me preparando, vou com tudo hein, é nós mesmo…é isso aí…só pra gente não perder tempo, sem nenhum problema com o menino que baixar as músicas que vc disponibiliza. Não pode, ou não deve e não poderá é baixar música que vc tenha contratado com uma empresa para a distribuir, não pode é se vc tiver sócio e ele não estiver de acordo com isso. Ninguém é obrigado a estar vinculado a nada muito menos a indústria da música. as pessoas podem cantar no banheiro sim, gravar em casa, disponibilizar pela internet, tá lindo…mas se fizerem negócio com a indústria, se disponibilizarem para um parceiro distribuir, aí não pode baixar de grátis…é só escolher, todo mundo livre e respeitando a Lei. Se fazer parte da indústria da música te der mais chances de vc viver do seu trabalho musical vc naturalmente vai pra lá e por outra, se vc quiser seguir na sua, fazendo no seu quintal, tá lindo.
arrumado isso, vamos em frente. piarataria não! desobediência civil, não! ordem e progresso, sim! amar e ser feliz, sim!
Março 8th, 2009 at 2:20 pm
eu tô defendendo a ordem pra depois cair em cima daqueles canalhas das gravadoras…ahahaha…depois a gente tem mais é que brigar com todos esses safados…ahahah
não tem blah blah blah…temos que ter a plataforma digital com nossa música a venda no mundo inteiro, igual as poderosas, temos que ter as mesmas armas, as mesmas condições, eu quero fantasmão no itunes ( ou similar) pra eu baixar se me interessar, eu quero Roberto e Caetano lá, com o cartão de crédito brasileiro sim! que mundo é esse? estamos fora porque? porque ficamos de história, perdemos tempo, tratamos mal as gravadoras e não cobramos delas o que elas DEVEM nos devolver.
A feira de CDs e DVDs é decadente no mundo inteiro, é nós estamos dormindo…cadê meu Itunes com MINHA MÚSICA????EU QUERO MEU ITUNES!
Mas pra isso tem que parar de roubar, aí é que está…pra arrumar tem um preço, o preço de acabar com a bagunça…temos que decidir se queremos pagar e avançar ou se queremos permanecer num carnaval direto, sem fim, se queremos apenas nosso mimo, elas que se danem? ou não!
Março 8th, 2009 at 2:27 pm
Salém, divulgar Caetano é redundância…Caetano é estrela! é beleza! estratégias para o futuro, caminhando contra o vento…não se incomode tanto com Caetano…Caetano virou Caetano vendendo poucos discos…os compradores de discos do Caetano estão aqui, entre nós, lembra da Exequiela? Ela só baixa, é claro…e quem ama e tem consciência chega lá…mas quando houver a boa, a nova lataforma, ai se segura malandro…quando a gente entra em campo nas mesmas condições a gente faz samba.
Mas não tem problema não, tá mais que lindo e Zii e Zie entra no bolo da obra que está mais que viva e poderosa…tem que servir agora pra tocar pra frente, como sempre…a começar por não matar o blog, um disco desses não pode chegar com esse legado, o de ter acabado com o blogCaetano o maior fenômeno cultural do ano…ihhhh, olha bode…eheheh…esse papo está chegando então é melhor já ir adiantando, o blogCaetano é Caetano na letra, não pode acabar.
Março 8th, 2009 at 2:42 pm
caetano,
enquanto chamava raul de tropicalista, imaginei marcelo nova torcendo a boca, hahaha. mas é isso mesmo: raul era tropicalista “não sendo”. uma voz em contraponto, deixando as coisas mais claras, com aquele senso de humor sensacional. o cara que iniciou sua carreira solo dizendo “eu devia estar contente…”. sujeito inteligentíssimo.
os discos eram muito bem gravados. aquele som de bateria, a gente passa maus bocados num estúdio, tentando refazer. e aquela banda dele? ninguém fala muito nos caras, eu mesmo não lembro os nomes. peço desculpas. eram capazes de tocar absolutamente quase tudo com uma puta sensibilidade e muito “punch”. das melhores bandas de apoio já formadas no brasil [refiro ao período 70/75, principalmente].
Março 8th, 2009 at 2:54 pm
caetano,
esqueci de falar pra você ver um documentário chamado “cordeiros”, de ana rosa marques e amaranta césar. eu vi na tve e achei surpreendente, esclarecedor e emocionante. achei na rede uma espécie de release:
CORDEIROS
um documentário de Amaranta Cesar e Ana Rosa Marques
A palavra “cordeiro”, na sua acepção mais comum, remete às características do animal homônimo: pacífico, submisso, obediente. Mas ela comporta um outro significado, quando se refere às pessoas, homens e mulheres, na sua maioria negras, moradoras dos subúrbios da cidade, que durante o carnaval de Salvador sustentam as cordas que delimitam o espaço a ser ocupado pelos blocos nas ruas. É trabalho do cordeiro empurrar de volta à calçada qualquer um que, sem ter pago a fantasia do bloco, tente brincar num espaço que é público, mas que durante o carnaval é comercializado pelos blocos carnavalescos. Assim, os cordeiros encontram-se nas trincheiras da luta pelo exíguo território das avenidas, cuja organização reflete a divisão e a desigualdade que caracterizam a geografia e a estrutura social da cidade de Salvador.
Nas longas e inúmeras transmissões televisivas da maior festa popular do mundo, não há imagens dos cordeiros. Vista de cima, através das lentes da televisão, as cordas do carnaval de Salvador formam uma fronteira invisível, camuflada entre os corpos.
Composto por imagens, sons e entrevistas captados durante três carnavais (2004, 2005 e 2007), « Cordeiros » é um documentário que, de maneira inédita, lança um olhar sobre os cerca de 80 mil homens e mulheres que trabalham como cordeiros no carnaval de Salvador. O documentário pretende tornar visíveis as condições deste trabalho e as fronteiras que os blocos desenham nas ruas. Através das imagens e das vozes dos cordeiros, a corda torna-se um objeto estranho, perturbador, violento; uma metáfora explícita das tensões entre incluídos e excluídos, brancos e negros, ricos e pobres. Nesse processo, o próprio ato de filmar torna-se objeto de reflexões e tensões.
Março 8th, 2009 at 3:04 pm
Olá Caetano,
Essa idéia dos blogueiros participarem do show em São Paulo é muito boa. Uma corda separaria os blogueiros para q. pudéssemos curtir o show perto do Caetano e banda.
Aqui em Goiás, o pessoal do Fica - Festival Internacional do Cinema e Vídeo Ambieental, entre 16 e 21 de junho, já está em contato com Paula e o João Franklin para trazer o show para a antiga cidade de goiás (terra da poeta Cora Coralina). E mais: trazer o filme “Cinema falado” e fazer um papo depois com Caetano, José Miguel e Ismail Xavier - prof. de cinema da USP.
Março 8th, 2009 at 3:28 pm
HERMAÓIDE. ESSE Q VALE QTO PESA
Luedy
Só pra deixar claro: quando escrevi no meu comentário anterior que sua frase sobre utopia era “praticamente um pleonasmo” (pois toda utopia é uma quimera e como tal, tem beleza) não havia lido o comentário acima de Caetano. Embora ele apareça depois, ainda não estava publicado.
Fico contente ao ver que as reflexões de Caetano batem com o que penso. Não há canção mais clara sobre o racismo do que Haiti. Caetano sabe tudo. Mas há de fato uma insistência teimosa em não ver avanços na questão racial brasileira.
Gil
Você tá certo ao apontar os avanços do cyber-mercado artístico nos países da linha de frente. Mas, assim como outros comentaristas diversos daqui, apoiar-se apenas na comparação que nos apequena, é um tanto broxante. Embora, você tenha características de “potência sexual” no teu discurso. Não sei o que Fernando Brandt diz agora. Há um ano atrás dizia coisas conservadoras e completamente dessintonizadas com a revolução que já se dava no mundo inteiro.
Simplesmente manter o modelo (que é uma conquista) de arrecadação de direitos que sustenta alguns poucos autores brasileiros é anacrônico. Liberar geral? Pouca gente fala isso. O que vejo é muita gente refletindo sobre o assunto para que o Brasil conquiste parâmetros legais e éticos condizentes com as suas características.
Basicamente temos por aqui uma decadência da indústria e a manutenção desesperada do monopólio da distribuição. Ora, gravar ficou bem mais barato e acessível (o que é a boa novidade). Resta para as majors o poder de distribuir e afunilar o mercado.
O retrato atual: um enorme contraste entre a efervecência da produção musical refletida na web e as lojas de CD repletas de antologias, compilações e remasterizações. Pouca ousadia como plataforma de lançamentos e novidades. Nada de correr riscos. Quem produz música como eu, não pode ficar esperando a indústria e os distribuidores terem um improvável surto de inteligência. Reclamar? Eu reclamo. Mas a melhor contribuição que dou (penso) é ainda encontrar frestas pra continuar fazendo o meu trabalho e tentar esgarçar o espaço de entrada dele no mundo real.
Grandes artistas como Caetano têm um papel nesse papo? Lógico que têm. Caetano já faz boa parte mantendo-se ligado à novidades, tanto quanto à tradição. Gil também, ao seu modo, quando ministro, mirou bem na questão do software. Mas concordo que não podemos nos contentar com uma produção viral, à margem.
Meu Disco (que se chama “Dissco”, lançado em 2001, teve uma tiragem de 10 mil. 1.500 foram comercializados no Brasil (nada). O resto, pelo mundo. 5000 (metade) no Japão. Ressalto que nunca estive no Japão e nem imagino quem sejam os doidos orientais que clicaram em “comprar” nos sites. Mas, pra mim, é um dado relevante e esquisitíssimo.
Lobão apostou suas fichas no mecado paralelo, nas bancas de jornais e acabou voltando para o colo do mainstream. Mas temos que saber de uma coisa: o disco que ele lançou pela OUTRACOISA (Canções Dentro da Noite Escura) era estranho e escuro. E o Acústico MTV, que é muito bom, é um disco de sucessos proposital (MESMACOISA). Por quê ele não lançou um disco de sucessos pela OUTRACOISA? Será que ele ainda sucumbiu ao preconceito de que há música para OUTRAGENTE (entendidos) e música para o grande público?
O desafio é atingir um número maior de escutantes e compradores com maior diversidade no cardápio. Começamos pela repressão? Acho um mal começo. Por enquanto as minhas canções (todas disponibilizadas para download) não competem com o meu CD que se esgotou. Fico feliz cada vez que alguém baixa com liberdade (e anuência minha) uma música pela net. Ficaria infeliz se esse sujeito fosse criminalizado. Você pode dizer, “ah! salem, mas você “pequeno”. Sou. Mas, assim como Tom Hanks, “quero ser grande”. E se para mim, o prejuízo com o download é zero, muitos grandes já provaram que para eles também. Tropa de Elite é um fenômeno comercial calçado no marketing espontâneo e viral da pirataria. Esse é um modelo? Não. Essa é a situação que servirá de base para a dinâmica de construção de um modelo brasileiro.
Nunca escutei tanta música na minha vida, graças à web. Mas nunca baixo. Não gosto de colecionar arquivos. Vou às lojas de CD que hoje mais parecem memoriais e museus. Comprei o último álbum de Nelson Sargento que acabou de sair. É maravilhoso. Comprei com gosto.
Zii e Zie poderia ter já no seu lançamento alguma iniciativa resultante de todo esse papo. Não o prejudicaria nas lojas. Pelo contrário, vitaminaria a sua divulgação. Era de você que eu esperava alguma idéia nessa direção.
beijo na testa
salem
Março 8th, 2009 at 3:30 pm
Certa vez entrevistei Sontag para o Jornal do Brasil, ali pelo final dos anos 80 (antes de Paglia tornar-se celebridade), mas já tentando muito às custas de agredir Sontag, certamente uma das personalidades mais interessantes e criativas do planeta.
um dia, Sontag, já um tanto cansada de ver todo aquele esforço de Paglia para aparecer, disparou: “Ela (Paglia) devia fundar uma banda de rock”. E mais não foi preciso.
Março 8th, 2009 at 3:39 pm
snapshots:
preto não entrava no baiano de tênis. hoje entra. melhor, de tênis nike.
………..
sexta-feira rolou uma matéria no jornal a tarde sobre a volta de ronaldo fenômeno no corinthians, com a chamada:
“a volta do boêmio”.
………..
pessoal,
não liguem para esse meu senso de humor. quem faz piada de mau gosto no brasil hoje, é o PMDB.
…………
castello fratello acabou fazendo uma singela homenagem a todas as mães e mulheres do mundo. o texto de rita é muito bom. rita rocks!
Março 8th, 2009 at 3:56 pm
Toda esta caetanidade expressa em um html ideológico-musical, me faz lembrar que o povo brasileiro é lindo. Viva mamàe africa, viva zumbi, viva zapata! Hoje acordei mais herbocinético do que nunca, um beijo caê!
Março 8th, 2009 at 3:57 pm
e se não entrar aquela mensagenzinha me chamando a atenção, lá vai:
- sou a favor da corda
- sou contra o papo do GG e não acho que como ministro ele colocou o foco certo na questão, ao contrário. Mas eu amo Gilberto Gil, de qualquer jeito.
Março 8th, 2009 at 4:07 pm
Vamos legalizar tudo, a maconha, a cocaina, o casamento gay, o aborto, só não podemos legalizar a pirataria, esta é imoral,
Março 8th, 2009 at 4:48 pm
gente, caetano, salém e vellame, em especial:
eu sei disso que Vellame e Caetano estão falando sobre os cordeiros. vi uma vez uma matéria num telejornal local sobre a fila imensa que se formava para ser cordeiro do trio do chiclete com banana (um grupo mítico aqui em salvador devido ao fscínio e à mobilização fantástica que eles exercem sobre as massas). enfim, a matéria mostrava, inclusive com depoimentos, a alegria dos cordeiros em segurar a corda para o trio do chiclete.
se, no entanto, os donos da corda não tratarem bem os cordeiros, eu ainda assim continuarei a reclamar. ora, eu que já não curto esse lance de corda, só de saber (também pelas matérias de telejornal) que o valor médio que se paga é de 25 reais por dia, para um trabalho extenuante, Eu, obviamente, “revolucionário” de boutique e demagógico que sou, fico ainda mais chateado. E digo mais: não coseguiria me divertir sabendo que tem gente se submetendo a estas condições para que eu possa brincar meu carnaval em paz. Minha culpa burguesa não permiiria. Eles precisam trabalhar? Claro que sim! Mas alguma dignidade poderia lhes ser garantida, a começar por uma remuneração mais justa: são mais de cinco horas de trabalho puxando corda. Alguém aqui se habilitaria?
mas admito que não tenho dados mais precisos acerca dessa realidade. Seria interessante saber, por exemplo, se todos os cordeiros (e não só os do psirico ou do chiclete) estão “agradecidos” por conseguirem uma oportunidade de emprego no estado que tem um dos piores índices sociais do país. Acho que a Bahia fica apenas na frente do Piauí (apesar de termos uma arrecadaçao muito maior). Seria interessante saber se as condições de trabalho são sempre indignas e humilhantes - pode ser que não.
Falando nisso, encontrei uma matéria interessante pesquisando por aí:
http://carnaval2009.ig.com.br/noticias/salvador/2009/02/25/cordeiros+eles+levam+o+carnaval+com+as+maos+4309989.html
Vale a pena dar uma conferida. Queria saber mais do documentário que Glauber indicou aqui.
De resto, concordo com Caetano: o racismo daqui não é visível. Mas ele existe sim. Pode ser menor ou menos ruim do que já foi no passado. Os dados de algumas ongs, no entanto, apontam para uma leitura oposta: são rapazes negros e mestiços as vítimas preferenciais da polícia baiana - algo que para estas ongs poderia muito bem configurar extermínio. Mas esse é um outro papo.
abs
luedy
Março 8th, 2009 at 5:10 pm
Raul era um fake de si mesmo. Kika Seixas, sua última esposa, disse-lhe: “Que sociedade alternativa, cara, você não cuida nem de sua vida”, no que Raulzito aceitou resignado e tristonho. No final da vida, sem dentes e sem conseguir sequer urinar sozinho, segundo Kika o melhor que Raul poderia ter feito era morrer.
Gosto do Raul, gosto do seu humor, de suas tiradas. Muita coisa alheia afanada e com fama de originalidade atribuída ao velho canceriano sem lar. Um grande ventilador de idéias alheias e de idéias próprias toscas e sem desenvolvimento.
Ainda assim, Raulzito, uma mosca inconveniente, barulhenta, incômoda, louca por rock’n roll.
O que Glauber Guimarães falou sobre o som da banda é verdadeiro, grande som, acho que o baixista era o Paulo César Barros, muito bom mesmo, aquela levada de ‘Como Vovó Já Dizia’ é fabulosa.
Saudações!
Março 8th, 2009 at 5:38 pm
pedrecal,
acho que cê foi cruel e injusto com raul.
raul seixas é um happening, cara. não tem que “dar certo”. não tem que dar em nada. não “tem que”. e no final de nossos dias, todos nós teremos dificuldade em urinar em alguma medida.
Março 8th, 2009 at 6:14 pm
Citaram a entrevista de Gilberto Gil no Terra e faltou destacar um troço importante pacas. Abrindo aspas:
“Onde era que você tinha a quantidade incrível de mulheres na rua? Apenas pra você pegar a questão feminista. Onde você tinha a quantidade de adolescentes e crianças com seus pais?”
Não dá pra discutir a democratização do carnaval sem olhar para esses detalhes, sem discutir a inclusão feminina nas “orgias” (uso um termo mais década de 30/40). O Carnaval de Salvador é também um produto da liberação sexual. Não dá pra sentir saudade desses bailes da Belle Époque, com aquela coisa decadente de jogar serpentina e perguntar quem é você. Meu nome não é Enéas.
Março 8th, 2009 at 6:18 pm
O carnaval de Salvador é cheio de surpresas, mas fiquei encantada mesmo foi em ver Daniela Mercury e Margareth Menezes reverenciando Yansã, juntas, no trio sem cordas. Pareciam divindades…
Aliás, “Oiá por nós”(nome da música feita pelas duas em homenagem a Yansã) deverá contar também com a participação de Maria Bethânia no novo cd de Daniela.Vai ser lindo.
Eparrei!
Março 8th, 2009 at 6:25 pm
Gil
Cê não me pega sempre. Quando pega, eu aviso. Não quero divulgar Caetano. Quero que Caetano divulgue a sua música em moldes atuais e contribua pra que todos nós avancemos. Ele mesmo se propôs a sacudir essa letra. Você recuou e preferiu ficar com teus slogans e estandartes. Caetano pediu MV Bill no senado. Você pediu Caetano na ABL. Há diferença não há? Ou você vê Caetano como um senhor de idade estabilizado?
beijo na testa
salem
Março 8th, 2009 at 6:30 pm
Ah, Gil
“Escambo” foi uma palavra-fóssil para não usar o lugar-comum do livre-mercado. Acho que você compreendeu a figura de linguagem. Eu ando compreendendo as suas há um tempão, sem entrar no rigor da obviedade. Já tentaram fazer isso com o “povo” do Hermano e não colou. Aqui não é sala de reunião com terminologia e protocolo. E isso se deve muito ao teu estilo. Ande pra frente, my brother,
in test
salem
Março 8th, 2009 at 6:34 pm
Porra, Gil. Cê leu tudo que escrevi? Ou fica pinçando átomos pra me pegar. Tô te convidando pra sambar, Gil. Desde a semana passada. Te chamei pro palco. Te dei aminha telecaster. Levantei o microfone à altura da tua boca. Quero escutar a a sua voz. Não quer reescutar o velho discurso. O palanque virou paco.
i love you
salem
Março 8th, 2009 at 6:40 pm
Boa Tarde Gente Boa!
Estou perplexa com os papos que andam rolando por aqui! A-do-rei o que Gluber disse sobre Raul.
Se o Nova aparece por aqui seria ótimo né Glauber? Ah mas eu ia mostrar pra ele direitinho que na verdade Bety não morreu e nada aconteceu daquela maneira. Foi tudo um equívoco. Bety era lutadora de jiu-jítsu e acertou um bem no saco do estuprador. Bety não foi ISTRUPADA!
E a Sílvia? Lindíssima! Ela não era nada daquilo que dizem. Ô Marcelinho, já era tempo de você saber querido: SOME GIRLS JUST WANT TO HAVE FUN! Só porque a garota queria se divertir os caras ficam chamando de piranha? Tipo assim, véi, nada a ver!
Sobre Lena digo apenas que falar que a balzaca se impressionava com carros sem capota, discos de Bob Dylan e madames com caras de idiota é puro despeito cara. A maravilhosa só queria ser classuda mano. Pô, deixa a menina véi!
Pai Caetano, desculpa querido, eu sei que esse blog é teu mas se a gata foi mor rata contigo…é porque tu aprontou! Pô Vô Velô! Hoje é dia 8 de março! Eu entro no Possante e tu começa a falar que a mina foi mor rata contigo rapá? Aí não dá. É ou não é Hermaninho?
Labi Barrô manda seu bando anunciar: viva a mulherada! E ó… Não enche!
http://www.youtube.com/watch?v=PaLfDnShEn0
Caetano dizendo que gosta de BH foi ótimo… Nó! Fiquei doidinha. Cês sabem que sou mineirinha com um quê de brasiliense né gente boa?
Minha vida é trabalho, my name is work! Tenho que pagar os dias que fiquei fora no carnaval. Mas valeu a pena. Eu volto, se a barrinha lá de cima deixar, eu volto! Aí vou dar pitaco em tudo afinal, eu sou Labi! Cuidado hein … eu viro a Yoko de Caetano.
Labi Barrô, assim como Pai Caetano, morrendo de inveja da longevidade e dos orgasmos múltiplos. Mas apenas disso. OK? Beijos especiais a todas!
Março 8th, 2009 at 7:23 pm
Veriño… por los poros.. Siiiiií!! Pero también hablaba de palabras no cantadas que entran por nuestros oídos y a veces no queremos escuchar.. LALALALALALALALALALAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
En este día de la mujer, y, aclarando que tengo 50% de feminista y 50% de machista (con algunas oscilaciones dependiendo del estado de ánimo), quería compartir lo siguiente y desearles un feliz día a las mujeres de OeP… y a aquellos hombres de OeP que no pueden vivir sin la presencia de una mujer (es decir, a todos…ja-haaaaaaaa)
Algunas canciones con la palabra mujer (y sus variantes) en el título:
Woman is the nigger of the world. Lennon http://www.youtube.com/watch?v=6P91_H690z4
Honky tonk woman. Rolling Stones http://www.youtube.com/watch?v=faEEro38pEA
Just like a woman. Bob Dylan http://www.youtube.com/watch?v=Xz3iGvZI_Pg
Menina da Ria LeAozinho http://www.youtube.com/watch?v=WUu9vPW81xc
Muchacha ojos de papel. L A Spinetta http://www.youtube.com/watch?v=yIWbdWXKF3o
Mi niña Lola . Buika http://www.youtube.com/watch?v=iziwC_NfTLY
Last but not least… en este día… un homenaje al tango. Hay género musical que gire más alrededor de la mujer?
LLORÓ COMO UNA MUJER. http://www.edmundorivero.tango-tour.com.ar/llorocomounamujer.htm
LA LENGUA CASTELLANA ES MACHISTA?
Zorro : justiciero
Zorra: Puta
Perro: Mejor amigo del hombre.
Perra: Puta
Aventurero: Osado, valiente, arriesgado.
Aventurera: Puta
Ambicioso: Visionario, Enérgico, con metas
Ambiciosa: Puta
Cualquier: Fulano, Mengano, Zultano
Cualquiera: Puta
Regalado: Participio del verbo regalar
Regalada: Puta
Callejero: De la calle, urbano.
Callejera: Puta
Hombrezuelo: Hombrecillo, mínimo, pequeño
Mujerzuela: Puta
Hombre público: Personaje prominente. Funcionario público
Mujer pública: Puta
Hombre de la vida: Hombre de gran experiencia.
Mujer de la vida: Puta
Atorrante: Adj. que indica simpatía y viveza.
Atorranta: Puta
Rápido: Inteligente, despierto.
Rápida: Puta
Puto: Homosexual
Puta: Puta
y hay más…
DIOS: Creador del universo y cuya divinidad se transmitió a su Hijo varón
por línea paterna.
DIOSA: Ser mitológico de culturas supersticiosas, obsoletas y olvidadas.
PATRIMONIO: Conjunto de bienes.
MATRIMONIO: Conjunto de males.
HÉROE: Ídolo.
HEROÍNA: Droga.
ATREVIDO: Osado, valiente.
ATREVIDA: Insolente, mal educada.
SOLTERO: Codiciado, inteligente, hábil.
SOLTERA: Quedada, lenta, ya se le fue el tren.
SUEGRO: Padre político.
SUEGRA: Bruja, metiche, etc.
MACHISTA: Hombre macho.
FEMINISTA: Lesbiana.
DON JUAN: Hombre en todo su sentido.
DOÑA JUANA: La mujer de la limpieza.
Março 8th, 2009 at 7:33 pm
Garagem do Faustão. Pode ser ingenuidade minha mas gostei.
Março 8th, 2009 at 8:51 pm
Hoje vou contar uma história que, não sendo verdadeira, poderia bem ser:
Era uma vez um casal brasileiro que se amava muito.
Os nomes: João e Maria.
Moravam no Rio.
Estavam planeando casar.
Mas agora era altura do Carnaval. E era preciso muita diversão.
E ainda por cima eles que iam desfilar com a sua Escola.
Chegou o dia do desfile.Sambódromo.Rio de Janeiro.
Que beleza! Que Alegria!!!… Skindô…Skindô…
João estava vestido de computador, uma alegoria e ironia aos computadores “low cost”.
Foi então que apareceu o Gil:
- Aí moçada! Legal! Que beleza!…Skindô!…Skindô…Mas você não faz download pirata não!!!!…Nem pense nisso meu caro!! Temos que mostrar para esse pessoal como se deve fazer. Temos que moralizar!!!…Vamo lá! Vamo lá! Até os portugueses já estão fazendo alguma coisa e nós não????!!!! Qué qué isso galera????…Vamo lá! Agitar esse pessoal!!!…O Brasil tem que acordar…
E foi então que apareceu o Glauber:
- Não exagera não cara!!!…
-Ooooooh!… Aí velhão!!! Como vai?…
E foram tomar um chopp no boteco da esquina, enquanto continuavam a discussão…
João e Maria acharam curiosa a intervenção de tão estranho e excêntrico personagem… Mas a festa continuava.
Mais atrás, a Escola seguinte tinha convidado Caetano Veloso para apadrinhar o desfile. E lá estava o cara. Todo ele era alegria, era dança, era cantoria… De vez em quando dizia umas coisas como: “ E não se esqueçam: as palavras paroxítonas levam acento na penúltima sílaba, e as oxítonas…e patiti patitá…” E depois continuava a cantar e dançar… Ao seu lado estava Luedy disfarçado de dicionário, e logo atrás o Farías fantasiado de enciclopédia.
Heloísa, que via o desfile pela televisão, atentava naquelas palavras, e só via nevoeiro, neblina… Foi então que decidiu procurar um oftalmologista.
À frente de João e Maria ia a Escola de Labi. E lá estava ela fogosa ,fulgorosa, fantástica como sempre!!!!…Meu Deus!! Meu Deus!!! Que Beleza… até que alguém arrotou gravemente por ali. O sorriso de Labi que era LINDOOO ficou um riso sem graça! Todos perguntavam: Labi, o que houve, que cara é essa?????!!!…
E o cortejo prosseguia… Eta alegria, eta maravilha!!!!…
Glauber e Gil encontraram Zizek no boteco. Afinal o cara decidiu ir ao carnaval do Rio. Estava enchendo a cara e mostrava os seus diplomas de pós-graduação tirados na República do Palau [tb deve haver "offshore" por lá]…
Quem andava por ali perto também era o Carias que, empunhando um baita megafone, bramia: “carissimos blogueiros de plantão…bem sei que sou um pouco controverso…mas vou-me refrear…tudo bem…sou incompreendido…tudo bem…de língua…”.
E o desfile continua inexoravelmente…João e Maria arrasavam…Tudo estava bom…Tudo estva ótimo! Só ocorria agora uma coisa estranha: havia um cara muito educado, e muito simpático que andava por ali distribuindo beijos na testa de todo mundo…
Nas bancadas, acabadinhos de chegar, estavam Miriam [finalmente regressou menina!]e o Fantástico, Magnífico, Magnânimo,…FRANCO. O cara estava abismado.Não dizia uma palavra. Por mais que Miriam perguntasse: “Então? Tá gostando? Tudo legal?…” o Magnânimo não conseguia dizer uma palavra. Estava Si-de-ra-do!
Vellame, também nas bancadas, discutia com os caras da prefeitura e do governo estadual a filosofia de pagamento dos blocos, trios, técnicos, e tudo mais…
Mas, a verdade é esta: Tudo o que é bom acaba!!! E O Carnaval acabou esse ano.
João e Maria dedicaram-se então a planear o seu casamento. Preparativos e tudo mais. E, claro, lua-de-mel! Estavam ponderando ir para as ilhas Seychelles. Foi nessa altura que apareceu outra vez o Gil:
“- Que Seychelles que Maldivas que nada meus caros…Cês têm que ir é pra Suiça!!! SUIÇA!!! SU-I-ÇA meus filhos! Lá é que é Bom!!! Tudo é bom!!!!…É um Paraaaííííso! Tudo lindo! Tudo legal! Uma maravilha! Tudo joia!!!…Skindô…Skindô…Vamo lá! Vamo lá! Que eu também vou!! E vou levar o Salém e o Osório também…
João e Maria acharam curiosa a intervenção de tão estranho e excêntrico personagem…
Mas decidiram aceitar a sugestão dele.
E foram.
E foram felizes para sempre.
Março 8th, 2009 at 8:53 pm
Menina da Ria é a minha preferida!!! Canção deslumbrante, o melhor de Caetano, daquelas canções que ouviremos muitas vezes e nos encataremos sempre.
Também “A cor amarela”, “Falso Leblon” e “Sem cais”
Deveríamos nos encontrar no dia do lançamento do disco, todos os que mantiveram aqui uma relação de debate crítico, elogios, afagos, reflexões densas, em suma, todos os que fizeram parte desta experiência espetacular e revolucionária.
Mas eu quero que o lançamento seja no Rio de Janeiro!!! Se for em São Paulo, eu vou a São Paulo ver o lançamento, na querida Rua augusta.
” E nesse dia saiu na primeira edição
de todos os jornais do Brasil
São Paulo Rio”
Salem, espero que o nosso “povo” esteja por lá…
Março 8th, 2009 at 8:55 pm
Caetano,
e se você surpreendesse todo o mundo, e viesse apresentar o disco…em Lisboa…????
Março 8th, 2009 at 9:08 pm
Não deveria escrever de novo, mas não resisto. Acabo de ver uma entrevista curta de Guilherme Wisnik sobre o livro que escreveu a respeito da obra e da figura de Caetano Veloso. Arthur Netrovski abre o vídeo falando sobre a importância de Caetano para a cultura brasileira contemporânea, e não só na feitura de canções. Caetano é ensaísta brilhante, diz ele com razão, além de excelente cantor e compositor. A moderna música popular brasileira deve a ele, a chico buarque, edu lobo, tom zé, aldir blanc, paulo césar pinheiro o que ela tem de vital e de relevante. Dentre eles, Caetano é o pensador mais sofisticado e refinado, o mais cosmopolita e, a partir desse blog, o mais generoso.
Março 8th, 2009 at 9:10 pm
Caetano escreveu que Millor disse:
“a música é a única arte que nos ataca pelas costas”
Essa frase é totalmente erótica, aliás, fazer sexo bem feito, também pode ser considerado uma arte, ao menos nos leva ao êxtase. Vale lembrar que no passado as atrizes eram consideradas prostitutas e as gueixas, artistas na arte da sedução. Mas quem melhor define essa situação é uma mãe que ao flagrar um filho(a) brincado de médico solta o clássico: fazendo ARTE né!!! rsrsrsrsrs
Portanto aproveitem para fazer bastante ARTE esta noite!
Março 8th, 2009 at 9:58 pm
Caetano,
Em sua antologia da Axé Music, por favor, não esqueça de Vale, Sarajane:
Burucutú, chegou a hora,
Nossa senhora da sacola,
por favor, vem me valer,
Eu quero vale,
Eu quero vale,
Eu quero vale,
Eu quero vale,
Eu quero vale…
Castello,
O texto creditado à Rita Lee é corajoso e emblemático, no conjunto é bonito, embora eu não tenha conseguido perceber nele a presença e a identidade da cantora brasileira (seria mais um desses apócrifos da Net, como lembrou Caetano, numa outra ocasião?)
Jabour, que beleza… eu quero tocar fogo nesse apartamento!
Zii e Zie nem chegou ainda e já tem o acre sabor das saudades! Zizek dirá o quê?
Té breve,
Wesley
Março 8th, 2009 at 10:43 pm
Glauber!
Não falei em “tem que dar certo”. Citei só porque sei que pouca gente sabe dos fatos, obviamente saindo da abordagem tropicalista aí no papo. Posso?
Cruel e injusto foi Raul consigo mesmo. Quem quiser pensar que não, que pense, tem todo o direito. Um happening? Acho pouco para quem vive nas camisetas de tanta gente. O cara é um guru, um avatar. Só que leva muito mais fama do que merece (apesar de eu gostar dele; mas ele nunca foi um gênio; muita gente se engana porque desconhece os originais, que ele surrupiava sem dar crédito; o discípulo Marcelo Nova, pior ainda; então, sem essa de “ele era muito mais que isso”. Que muito?). Mas, noves fora (por que noves sim e mis não, Caetano?), sim, ele foi um (pós? anti?)-tropicalista, concordo inteiramente. Tanto ele quanto Ney Matogrosso reconhece(ra)m a dívida saudável com os tropicalistas.
Gosto de Raulzito, apesar disso tudo. Gosto muito de “A Maçã” (ponto de vista corajoso e pouco compreendido, ele mesmo dizia não saber se concordava com a música); gosto muito de “Cachorro-Urubu” e seu lirismo agridoce; mas não gosto dele meter a mão em “Bridge Over Troubled Water” para fazer “Ave Maria da Rua” sem dar crédito, entre dezenas de outras canções. O lugar dele no panteão dos genuínos criadores está bem aquém do que a idolatria imagina, foi este o meu porém. Um ídolo para ignorantes, para décadas de idiotização coletiva bem-sucedida.
Atrás do maluco beleza havia uma pessoa e esta pessoa, sim, me interessa em sua complexidade. O personagem acho bobo; um patropi amalucado. O resto é puro folclore. Mas não estou em conflito contigo, veja bem, foi só um aparte mesmo, gosto muito do que você escreve por aqui.
Saudações!
Março 9th, 2009 at 1:38 am
Por aqui comprei o novo U2, o pacotão com tudo, lindo, um disco fantástico, adorei tudo. E mais um monte de novitudes. Mas eu gosto de ir as compras no Itunes, que beleza. E a Apple Tv? Escândalo, merecemos, gostamos de filmes, dá uma olhada no troço.
A grande iniciativa está aqui, e Salém… Zii e Zie proporciona isso… que disco hein…esse é o papo: consolidar o que Zii e Zie criou. Nas lojas? Vai ser um arraso.
Vamos calçar as botas.
Março 9th, 2009 at 1:45 am
Salém,
o que nos apequena é a nossa contemplação e complacência. Observamos o que se passa e adotamos o procedimento mais banal, escolhemos ficar à margem aguardando notícias da linha de frente, nos escondemos do jogo, aceitamos esse jogo, o da anti política cultural.
Berro por seu berro!
E se vc não sabe, os brasileiros passam mais tempo na Internet que qualquer outra nação. Música e Internet…e estamos olhando pra onde? Broxante é a roubalheira, a desobediência civil.
Não participo de nenhum grupo nem tenho conversas específicas a não ser aqui no blog. Me informo e discuto o assunto de forma particular e livre.
A crise mundial não parece ter colocado o modelo e o sistema em cheque. Ao contrário, no mundo inteiro, o consumo projetado, o volume de bens disponíveis para as pessoas são conquistas que não estão sendo questionadas, o que se quer é saber como e se é possível mantê-las. A crise é pra continuar a dar condições das pessoas manterem suas casas e seu nível de consumo. O modelo portanto não está anacrônico, não há confrontação hegemônica.
Não tem decadência nenhuma, houve um avanço tecnológico que possibilita uma nova plataforma mais abrangente, o mundo está andando. Aqui, não temos nada, temos música no supermercado e padres ( com todo respeito, acho que sou crente também), estamos pra trás, sem projeto nem direção. E sem bases pra exploração econômica e formação de riquezas. A questão é que não acreditamos na nova tecnologia nem nas empresas, é a nossa crise de confiança, vamos ficar rodando e esperando o futuro chegar.
Sua fotografia atual é sonho. Um sonho bom. Só há mais do mesmo porque ninguém vai investir pra ser pirateado, a efervecência vai minguando, não há solução de desenvolvimento. O fazismo vai se esgotando, é um crime, não há plataforma para crescer. Cada um se vira como pode, país de heróis. Temos que avançar nas soluções, e rápido.
Os grandes artistas tem que ter desejo, só o desejo é criativo. Temos que ser capazes de promover a melhor discussão mudar o jogo.
O Japão é nosso amigo e o Segundo Mercado de música do mundo. É o primeiro país onde a indústria saiu do vermelho. A cultura do celular, das letrinhas e coisas pequenas produziu a vanguarda comercial. É uma fronteira que afirma nossa potência, nossa música encanta por lá…também. Sim nós podemos, mas precisamos de meios.
O desafio é criar emprego, multiplicar, criar riqueza e crescer, esse é o desafio.
Ninguém quer repressão, a gente quer educação, povo civilizado, ordem na casa e procedimentos que favoreçam a humanização das pessoas e das cidades. O ideal é ninguém ser criminalizado mas o mundo também é mal e a gente tem que se proteger.
A pirataria como base de inspiração é romântico mas já perdeu. Até quando vamos ficar nesse encantamento Robin Hood? Bem… se é o que temos…mas podemos projetar outras soluções, começando sendo mais humildes e menos originais. Vamos sempre ficar lembrando do Silvio Santos que virou magnata? Tudo pela bola sete? Francamente…mais previsibilidade para a América do Sul. Nem tropa nem reidiorédi.
As botas Salém, as botas…
Março 9th, 2009 at 1:47 am
Oi, Caetano e pessoal.
Luedy: o carnaval aqui na pequena cidade do interior onde vivo imitou esse negócio das cordas e foi bastante ridículo. Acho que tem algum sentido na Bahia, imitado ficou horrível. Mas foi no passado. Esse ano não teve carnaval aqui.
Caetano: acho que Zizek, como filósofo, deve ir contra o senso comum mesmo e ele quer é chocar, provocar, fazer pensar. Para podermos debater, não se pode reproduzir só alguns pontos de seu pensamento.
Quanto ao negócio do PT festejar a queda das Torres Gêmeas…bom, então eles são mais loucos do que imaginei. Em matéria de ouvi dizer, tem cada uma…tem um tal de Rodrigo Mehreb do Jornal O Tempo aqui de BH que disse, nos anos 90, vc deu um show no final dos anos 70 e, irritado, teria gritado: “sou amigo do presidente Geisel!” Achei graça porque sei que é hearsay: o Glauber levou o Mautner ao encontro do Geisel e poderia ter levado, mas sei que você não sentia tesão, achava a política meio cinza, meio cartaz polonês.
No mais, queria comentar Velvet e Iggy Pop. Curioso como o Velvet foi à Costa Oeste, em San Fran e Los Angeles e acharam os hippies uma escória e o pessoal da música, homofóbicos. O Velvet era algo regional, novaiorquino, enfim.
Iggy, segundo o Bowie, era melhor que o Jim Morrison, pois não era tinha mentalidade europeia, era totally mid-west.
Março 9th, 2009 at 2:08 am
Boa TArde blogueiros de plantão…
Caro Marcos quem dera estar no lamçamento do novo disco e falar e receber um cd autografado por Caetano, um sonho.
Queria muito tornar esse sonho realidade, mais vida de pobre é duro…trabalha,trabalha e trabalha, e só paga conta.
Lazer e diversão é dádiva para poucos.
Hoje em dia ou se vive, ou sofre.
Essa é a lei.
Salemzitho, uma honra ter você como meu amigo no Space.
Saudoso abraço a todos.
Luiz CArias.
Março 9th, 2009 at 2:10 am
eu prefiro Caetano na ABL e MV Bill no Senado, e eu já te disse que estar entre os mais velhos é uma onda também. Artista não estabiliza nunca e Caetano é quem move isso pra frente me disse o Wally. eu tô nessa, eu tô aqui com tudo que eu posso. eu acho que isso aqui é a onda sacou? ocupação dos espaços, Caetano sabe tudo. Mas não vamos deixar Zii e Zie com o beijo da morte do blog, se faz favor hein…desde que foi criado isso aqui já mudou e é onde rola o maior fenômeno cultural do ano…tem que viver.
Março 9th, 2009 at 2:56 am
Réa, que maravilha se nos encontrássemos para ver o show. Com toda a emoção que juntamos há meses, a experiência seria única, de uma energia quase palpável. E se Caetano permitisse uma aproximação? Aí seria uma alegria para sempre.
Salem, sinto o mesmo que você. A ligação que se criou aqui ninguém explica, pois não se parece com nada já vivido antes. Caetano agora é como se fosse uma espécie de amigo, ainda que nunca o seja de fato. Nós o sentimos mais próximo e mais real, embora continue sendo nossa grande estrela.
Caetano, um dia desses, andando pelas ruas, pela primeira vez tive consciência de como você é presente em nosso cotidiano. Cds e dvds (piratas ou não), capas de livros, revistas: você está em todos os lugares. E olha que eu moro numa cidade pequena…Às vezes conversamos de forma tão natural que me esqueço da intensidade de sua luz. Não deveria. Perdoe-me por todas as vezes em que fui chata e implicante. You ‘is’ my real diamond, forever and ever.
Março 9th, 2009 at 3:16 am
Apenas quero contribuir para os que gostam de refletir sobre o carnaval e para quem, no futuro, desejar reavivar a memória sobre as várias visões sobre o carnaval. Quem ama o feio, belo lhe parece. Onde há mau gosto, pode haver bom gosto. Mas fico com o mau gosto,o meu mau gosto:
Caetano disse:
“Daniela Mercury há anos não aluga seu trio a blocos: sai sem corda.
Não é a única. Brown também. E há vários trios financiados pela prefeitura
que saem sem corda. Feitas as contas, não houve piora, talvez tenha
havido melhora na configuração topográfica do carnaval da Bahia”
Sem dúvida houve uma evolução do nosso carnaval, mas não raciocino olhando as exceções.
Da velha fobica de Dodô e Osmar às Jamantas e carros de apoio, com blocos de corda que
possuem uma estrutura que se assenhora do chão do povo, nos conduz a um reticente “talvez”.
A configuração topográfica de Salvador (do Forte da Barra, passando pela da Vila Velha do Pereira,
Porto da Barra, até o Pelô, a configuração do relevo e do solo urbano continua a mesma.
O que mudou foi a tecnologia, os automóveis, a mentalidade capitalista (selvagem paca!) e a conseqüente
sede de lucro acrescido do vício de “mamar nas tetas” do dinheiro público, que não acontecia nos tempos
em que a alegria não era organizada por empresários com apetites tão vorazes.
Exceção de alguns blocos e lideranças do carnaval, a pratica da bajulação aos “poderosos”,
comandantes do dinheiro público, torna-se cada vez mais vergonhosa.
Carlinhos Brown, eu colocaria como exceção, pois até o penis ele mostrou de cima do trio. Só não sei a razão
do ato que chocou meio mundo de gente acostumada aos “bons costumes”.
O folião pipoca é um indefeso em meio a multidão. Tem cara de povo, cheiro de povo e a cor do povo espoliado
desde as eras coloniais. Furtam-lhe os espaços e lhe dão as migalhas. O pipoca gostaria de ir atrás do Chiclete, mas
vai à reboque. Não tem defesa o discurso de quem acha esta usurpação do chão pelos blocos elitistas. Podem comentar e
inventar argumentos mil, mas usurpação é usurpação e o povo merece respeito. Pena que nossos “representantes” tornaram-se
muito mais empresários do que povo e as coisas acontecem sem que os políticos dêem um pio. Uma vergonha os nossos
legislativos. Nossas briosas instituições estão sendo maculadas estupidamente e a corrupção que era tida como endêmica, parece epidêmica.
Parece?!
A montagem de arquibancada no Campo Grande é nociva e pouco transparente. Brizola pôs um ponto final na
sangria do dinheiro público quando, com Darcy Ribeiro, fizeram o Sambódromo, que também funciona (após o carnaval)
como escola pública. Não sei se continua assim, pois no Rio muita coisa mudou. Aqui o prefeito esqueceu que a cidade
cresceu, que o número de carros é tamanho, que estaciona-los, durante o carnaval, é um suplicio. Nossas avenidas são
acanhadas e estreitas. Nosso sistema de transporte é vergonhoso. A Av. Sete de Setembro virou um corredor estreito;
as ruas transversais do circuito da Barra ficaram apertadinhas. È uma falta terrível de visão não mudar muita coisa no carnaval em nome da “tradição”.
Nada a ver com a iconoclastia que persegue nossa cidade. O Campo Grande vai ter que ficar na “saudade”. Chega de “palanques” caros. O povo precisa
de um novo modelo de arquibancada. E essa coisa antiga e mofada de ver quem é o “melhor”, de ganhar “prêmio”, de fazer gênero é uma coisa tão careta
quanto aqueles desfiles do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e os concursos de MISS, BAHIA, MISS BRASIL e MISS UNIVERSO. É coisa dos tempos de “O CRUZEIRO”, que nos tempos finais de existência, todos ficaram sabendo, era financiado pelo SNI e servia como mais um instrumento ideológico dentro do aparelho ideológico do Estado.
Você que viveu o tempo do “pão e circo” e que até produziu um disco com tal titulo não poderia fazer algumas reflexões sobre o nosso carnaval ? Nesse aspecto eu acho que G. Gil é mais critico, mas muito menos polêmico que você, Caetano. Gil funde a cuca da gente, numa boa. Ele diz sem parecer que está dizendo. As vezes você é assim.
Caetano disse:
” As cadeiras ficavam amarradas em cordas que iam de árvore a árvore e roubavam toda a calçada aos foliões”.
Houve um tempo em que a cidade permitia que isso acontecesse e nem por isso, tal apropriação deixa de ser
um erro cometido pela tradição. Com o tempo, quando o povo já não dava mais tranqüilidade aos usurpadores,
os bancos foram sendo retirados, naturalmente, sem repressão. Tornou-se um incomodo para os “donos do passeio público”.
Este argumento do Caetano ainda é valido para os camarotes que nos furtam o ar e a visão do mar. O carnaval não pode combinar com
a “arte de furtar” seja lá o que for, pouco importa.
Caetano disse:
“A generosidade dos espaços - e o aproveitamento que as multidões fazem deles - é empolgante.”
Tenha dó, Caetano. Esqueça um dia que é famoso e tente brincar o carnaval como um pipoca, olhando de baixo pra cima.
Experimente tornar-se anônimo como Danuza Leão, Kin Novak e Samuel Wainer fizeram, certa feita, no carnaval antigo do Rio
e sinta a “empolgação” ali mesmo no Porto da Barra, ou em outro local.
Se não chover não vai ter lama pra tirar a “empolgação” do pipoca de qualquer local da cidade.
Caetano disse:
“Bem, eu teria muito do que reclamar - mas não seria de nada do que o pessoal reclama. Talvez começasse, como Zizek, a reclamar contra a existência do carnaval. Mas não penso como Zizek mesmo! Paro em constatar que, nos blocos convencionais (mas nunca no Chiclete), quem brinca mais é quem fica fora da corda: quem está dentro leva aquele “sem graça” do salão de que falava minha música. As roupas uniformes ficam muito feias quando essas pessoas estão cansadas e sem nenhuma outra emoção positiva além da certeza de que está dentro do bloco. Mas já falei demais sobre o mau gosto carnavalesco da classe média provinciana em Verdade Tropical.”
O título deveria ser “Verdade Parcial”. Entendo que é careta essa coisa de sair uniformizado, mas o que mais revolta são as cordas e não me venha com o
argumento de que os pobres negros arrumam emprego (e gozam o carnaval) durante o carnaval. Eles reclamam muito, principalmente da grana que recebem. Tanto é que, este ano, os “cordeiros” (que delicia de ironia esta palavra carrega). Entendo que a melhor coisa que poderia ocorrer era misturar tudo, como reza a “propaganda”. Mas
a mistura não existe. O que existe é uma odienta segregação. Sei que sua visão deve ser outra. Você tem amigos que estão dentro dessa estrutura carnavalesca e não pode falar muita coisa sem criar arestas. Eu sei que você observa que parecemos estar em um novo Haiti, falando o portugues de Macau, e “acho” que do jeito que caminhamos, o Brasil “ainda vai tornar-se um imenso Portugal”, ou um “Império Colonial”, como queira a nossa língua.
Já não temos confetes e serpentinas !
Março 9th, 2009 at 3:43 am
Vellame.
Sócrates inventou o Construtivismo e o Destrutivismo.
Pra ele a verdade apareceria no momento em que todas as perguntas – dirigidas ou não - ficassem irrespondidas,sem alternativas,sem cânones,contradições.Algo parecido ( atrevo-me a dizer ) com o nirvana da tradição budista.
Até ser obrigado a tomar aquela birita mortal,ele viveu igual à você ( falo sério ) ”relativizando tudo, mudando de opinião toda hora, fazendo perguntas sinceras sem ter a resposta na cabeça”.
E o mundo andou pra trás,quando a democracia ateniense decretou sua pena de morte.
Wesley.
Sabe que eu pensei a mesma coisa ?
Postei o texto,por achá-lo bonito e consistente,perfeito pra homenagear todas as mulheres do mundo,como disse nosso querido Glauberóvsky.
E cá entre nós ; Rita Lee tem talento de sobra pra escrever uma jóia dessas,né ? É o folclore da net…
A escritora e jornalista Cora Rónai,escreveu um livro chamado “Caiu na rede” onde ela esclarece a autoria de vários textos atribuídos à LF Veríssimo,Millôr,J Ubaldo etc.
Encontrei neste link,alguns desses filhos bastardos,porém com os pais verdadeiros já identificados.
Vale a pena conferir,porque são divertidos.
http://livrocaiunarede.blogspot.com/
Neyde
A Dark Girl que aparece na foto do seu site,é muito linda.
Seria você ?
Um beijo fraterno pra ti e para os meus bróderes.
Castello.
Março 9th, 2009 at 5:05 am
Caetano, na década de 70 havia, relativamente, mais cordas do que hj? Não vivenciei essa época, porém não captei a lógica que o lveou a essa afirmação. De todo modo não é verdade que se brinque fora da mesma forma que se brinca dentro das cordas. É preciso separar as coisas. As pessoas vão curtir o carnaval e curtem, mas isso não quer dizer que não haja problemas muito fortes ligados a essa separação provocada pelas cordas. O carnaval de muita gente certamente é prejudicado pelas cordas, ainda que não se reclame. A maioria das brigas ocorre quando passam os trios de cordas. Esse é um ponto. O outro é saber como e quanto se deve mudar deste modelo de carnaval. O que eu percebo é que nos últimos anos vêm aumentando a quantidade e qualidade dos trios independentes e tb a abertura e diversidade da festa. O carnaval de Salvador vem melhorando e não vivemos mais sufocados pelo axé. Nada contra o axé, tudo contra uma hegemonia sufocadora - a Bahia é mais do que eles queriam passar. Eu só curto carnaval seguindo trios sem corda (independentes). Nada de abadás nem de pipoca de bloco de corda. As atrações dos independentes são muito boas (em geral melhores) e o clima é melhor, mais misturado, mais conforme a minha ideia do que seja o carnaval. Espero que cada vez mais as pessoas percebam que essas opções existem e estão mais forte e assim muitos que largaram o carnaval de Salvador em oposição à “ditadura do axé” possam voltar, pra seguir trios sem cordas de Brown, Armandinho, Novos Baianos, Daniela Mercury (um dia apenas, infelizmente), Margareth Menezes etc.
No mais, volta, Moraes Moreira!
Março 9th, 2009 at 5:31 am
Ya Veriño contó como es nuestro carnaval y no quiero ser reiterativa. Como hoy es el Día de la Mujer lo que quiero recordar es la participación que las mjueres han tenido en en el mismo.
Durante gran parte del siglo XIX en Uruguay imperó lo que el historiador Jose P.Barrán ha definido como la cultura “bárbara” (nada que ver con el nombre Barbara por cierto) y se considera que el carnaval de esa época también era bárbaro. Todo el mundo participaba de inmensas guerrillas de agua, se tiraban frutas, cáscaras de huevo, etc. Recuerdo que Barrán comentaba en su libro que un edicto de la épcoa prohibía tirar gatos y orina a la gente entre otras cosas. ¿Gatos?. ¿La gente se tiraba con gatos?. Parece que si. Mi Dios, que carnavales. Al parecer participaban todos pero todos, pobres, ricos, presidentes, ministros, sacerdotes, jóvenes, viejos, hombres y mujeres y también los pobres gatos.
Es por esta época que las “Comparsas de Señoritas” tienen su auge, con nombres como Las Tentadoras, Las Irresisitbles, Las hijas del Amor, Las Vejestorias, las Jubiladas, Viejas Infernales, Las Cotorritas, etc.
Ya en el 1900 las mujeres desaparecen de la calle y son confinadas a desfilar en los “carruajes alegóricos” pero ya no del alboroto callejero.
Luego el papel serpentina sustituyó a los gatos y al agua y ya que nombro a este “inofensivo” papel quiero recordar especialmente este día a 4 mujeres.
En el carnaval de 1906, en medio de un gran debate sobre el divorcio, 4 mujeres que desfilaban en un carruaje llamado “Partidarias del Divorcio” mueren quemadas luego que algunos “bárbaros” les tiraran serpentinas prendidas fuego. Mi homenaje a estas 4 mujeres recordándolas hoy!!!.
(Gracias a Milita Alfaro y su libro que tanto disfruté y de donde recordé estas historias)
Pasaron muchísimos años y llegamos al día de hoy. Hoy nuestro carnaval es más como bien dijo Vero, de observar, más teatral que de participación. Y desde mi punto de vista tiene un gran componenete de “tristeza”. No se, las murgas deben hacer reir y me rio por supuesto, las comparsas de candombe también me gustan, pero todo visto en conjunto, como que me da cierta tristeza o quizás esa no sea la palabra exacta, quizá melancolía o algo parecido Es una impresión mía por supuesto y alguno debe pensar que estoy loca pero lo siento así. Tuve mi época de murguera, sobre todo a la salida de la dictadura donde todo el mundo iba a los tablados a “escuchar” dentro del repertorio de las murgas mensajes cifrados contra la dictadura y era una especie de catársis general. Hoy en día estoy más alejada pero todos los años un par de veces voy a algún tablado a ver algo.
Estuve en Rio varias veces, y un par de ellas en la previa del carnaval. No me atrae para nada ir al Sambódromo, creo que me aburriría horrores luego de un rato. Si participe de desfiles improvisados por Copacabana, siguiendo a alguna “scola” improvisada también para los turistas quizá, pero divertido igual. caetano, ¿nos habremos cruzados por Rio alguna vez?.
Bueno, a partir de mis 16 años, a partir de que me ennovié con el que hoy es mi esposo, debemos haber pasado, sin exagerar más de 15 veranos en Brasil. Para nuestro primer viaje a Río mis padres me tuvieron que sacar permiso de menor para cruzar la frontera. De la plata que nos daban nuestros padres para salir el fin de semana, ahorrábamos algo que lo guardabamos en un libro. Para los cumplaños el regalo era $ que nuevamente iba al libro y así llegamos a Río la primera vez, en ómnibus y terminamos alojados en un hotel de - 5 **** ( digo menos cinco estrellas) en la rua Senador Dantas, en Cinelandia que hoy no existe más. Adoré ese hotel, un cuchitril por cierto en el que pasamos 15 días espectaculares. Otro año fue en uno cerca del Acueducto y que la vista del cuarto daba a la iglesia esa con forma de prisma que ahora no me acuerdo como se llama. Otro año en uno en Copacabana que más que hotel creo que era un motel con un tráfico de gente y paredes tan finas que me ponían nerviosa, y para disimulaar lor ruidos y dormirme me tenía que enchufar los auriculares y en esos momentos ¡você aparecía!. Si, porque antes de viajar nos grabábamos cantidad de CDs para amenizar las largas horas de bus y VOCE siempre estuvo presente, siempre simpre siempe en todos estos años.
Estuvimos un año en la festa da Reveillon y esa tarde previa también participamos en un “arrastrao” en la playa de Copacabana que no fue muy agradable. Recuerdo ver ensayar a G. Gil un un escenario montado en Copacabana una tarde, no recuerdo si ese mismo año u otro. En fin, miles de recuerdos y amigos por cierto. Y la gente de acá, siempre diciéndonos ¿Río? pero están locos, es super peligroso, te asaltan, te violan, te matan, no podés andar por la calle. Pues jamás de los jamases nos pasó nada malo y no andábamos precisamente en los lugres típicamente turísticos. Al contrario, recuerdo tomarnos un ómnibus para ir al Maracaná a ver un partido del Flu-Fla y allí mismo conocer a unos garotos que nos dijeron que nos fueramos con ellos. Dudamos, íbamos con otra pareja de argentinos que conocímos el día anterior y finalmente, después del partido, nos decidimos a ir con ellos y estuvo espectacular, terminamos en la casa de uno de ellos comiendo y tomando cerveza. Adorables. Es una experienca particular por cierto y no se debe generalizar pero anduvimos por las calles de Río, sin nada, sin reloj, sin anillos, caravanas, sólo con lo puesto y nunca nos pasó nada de nada. Por eso me alegra eso que você dice que DECRECIO la criminalidad en Rio. Ay, la seguridad, que tema. Por acá parece, según dicen los diarios y la televisión, que cada día vivimos peor, que cada día hay más asesinatos y muertes.
Sin embargo un amigo me decía hace un tiempo que los índices de criminalidad han descendido, que lo que ha cambiado es el tipo de crímen, más “espectacular” si se puede usar esta palabra en este tema. Y la televisión cada vez le da más amplia cobertura a estos temas. ¿bajo, no bajö?. No lo se, pero si se que este tema es el “caballito de batalla” de muchos y cada vez hay más voces que dicen de bajar la edad de ininmputabilidad, pena de muerte y cosas por el estilo. He llegado a escuchar decir a personas que los criminales nacen “malos”, vienen con el gen de la maldad incorporado. En fin, que seria me he puesto. No, cambiemos el tono. Casi me olvido, no sabía que el Sambódromo se había construido en la época de Darcy Riveiro, gracias caetno por este dato.
Sí pasé carnaval en Salvador y vi todos los preparativos. Un año nos quedamos en un hotelito en Barra, enfrente a la playa, casi al final antes de que doblen los ómnibus viniendo desde el farol. Otro año en un apartamento bien enfrente al farol. Cantidad de anécdotas también y yo preguntándome a cada rato ¿caetano habrá estado por acá?. ¿por donde vivirá caetano?. En fin, como ve, soy insoportable por cierto. Es tarde y no me da para contar mi carnaval en Salvador hoy. Lo que quiero recordar es una de las tardes más lindas que pasamos en el Pelourinho. En una veníamos caminando y nos asomamos a una puerta donde en una especie de sótano había varios hombres conversando. Nosotros mirábamos para adentro hasta que en una nos invitan a pasar. Resulta que era el local donde se reunían los “aposentados” de no me acuerdo bien que gremio pero creo que de los gráficos o algo relacionado. Estaba todo el local cubierto de fotos y terminamos conversando sobre los linotipistas, sobre los gráficos en general, sobre el plomo y como les daban para tomar leche luego de una jornada de trabajo, etc, etc. Estuvimos cerca de una hora conversando mientras estos aposentados jugaban al domino y tomaban algo. Pasamos genial. Me río porque yo digo “estuvimos conversando”, me incluyo, pero hasta ahora no he dicho que en realidad soy “muda” cuando hay más de dos personas que no conozco en una reunión. Tres para mi ya son multitud. Es verdad lo de la mudez, no literalmente por cierto, pero muda al fin, aunque no lo parezca cuando escribo. O quizás sea por eso, como soy muda escribo. No lo se.
Heloisa: Todo bien. Ni renegada ni orgullosa de más, uruguaya sólo. Y mi portugués es espantoso por cierto.
Bárbara: Muy interesantes tus observaciones. Me sorprendió tu reacción con el tema de “Cinema Paradiso”. Yo lloro aunque no se si es tristeza precisamente lo que siento. Con respecto al sentimiento antinorteamericano es cierto que se da muchas veces pero es contra todo lo que implica un imperio. Yo muchas veces lo he sentido y siento, pero siempre aclaro que el pueblo, la gente, no tiene nada que ver en esto. Desgraciadamente como muchos por estos lados tengo varios conocidos que se han tenido que ir por motivos económicos y mal o bien allá han podido hacer una vida.. No la tienen fácil y son discriminados en muchos casos, lo que es horrible. Pero acá ni siquiera tenían donde vivir. En fin, tema complejo si los hay.
Vero: Que trabajito que te mandaste. Hoy me agarró por el lado serio, no se. Quizá otro día analice la relación entre la voz de caeano y caetano mismo, o digamos su cuerpo. Es muy interesante. Durante años para mis fue solo una voz y no existía como persona física. Bueno, existía pero no le daba bola para ser sincera. Su voz era suficiente. Pero como tu Caemio es “malo”, por su culpa obviamente, en algún momento se juntó todo, la voz, con la cara, las manos, los ojos y el resto. Y por su culpa este “juntamiento” comenzó a perturbar mi vida durante un tiempo. Lo prefería cuando era un “puzzle” sin armar. En fin, no voy a contar por acá, y menos en presencia de c aetano el resultado de este encu entro entre sus partes y menos sus consecuencias, por lo menos por ahora. Pero fue muy interesante como dije.
Exequiela: Vos siempre haciéndome reir. ¡¡¡ R. Carrá!!!!. No me desnuqué intentando imitarla de pedo. ¿Viste que el pelo siempre le quedaba perfecto?.Una ídola total. y el LALALALALA . Si lo conoceré. Te juro que una vez, ya pelotuda como soy, lo usé, me salío del alma, tipo regresión infernal, y fue tal la gracia que nos hizo a los dos que terminamos riéndonos y hasta el día de hoy es un “chiste” cuando lo recordamos.
Março 9th, 2009 at 8:28 am
Caetano, eu tinha uma tia que morava nos Aflitos e todo carnaval ela mandava colocar umas cadeiras em frente a um beco que ficava entre o Instituto Mauá e a loja A Caiaca, ( onde até hoje vou comprar sandálias rasteiras de couro feitas a mão com um lindo pesponto nas solas)e elas passavam la o carnaval sem que ninguem as tirasse do lugar. Eu saia da Barra, onde so havia o Jacú e Barão, e ficava extasiada vendo os afoxés, Escolas de Samba e Cordões. Meu pai era gringo e nunca gostou muito de carnaval, mas minha mãe fazia questão de levar eu e minha irmã vestidas de bailarina…sempre com um saquinho de filó cheio de confete, serpentina e uma reluzente Rodoro…
Março 9th, 2009 at 8:52 am
EXEQUIELA,
…esas palabras qué escribiste son “esas palabras NO cantadas”….jijijijiijhhh!!….tengo la respuesta, mirá que es ¡100% MACHISTA!..eeeeehhhh!- ¿ Por qué a los hombres cuando escuchan una cosa que no les interesa les entra por un oído y les sale por otro, y sin embargo a una mujer le entra por un oído y no le sale por el otro?.
- Porque el sonido no se transmite en el vacío- aaaaaahhhhh….. NOOOOO!!!….. y es por “esto” con más razón que te digo….SIIIIIIÏ!!!…por los “poros”… “esas palabras no cantadas” también “penetran” por los poros, de nuestros oídos!….jajajajhaaaaa!!….y
Lengua: Órgano muscular que sirve para deglutir…..y que algunos “degenerados” usan para hablar….jajajajahaaaa…
Tus ejemplos estuvieron divertidos….tengo otros….
FALO: aparato reproductor, protuberancia…
VAGÍNA: agujero vacio ….
-Pues reclámale a la naturaleza…aaaaaaaaaaaaahh
“La lengua castellana es machista”?. ¿Cómo va a ser machista la lengua?. Si es “*LA* lengua”.
Pero,… cómo deberíamos referirnos al final…. lengua CastellanA, CastellanO o Idioma Español?….
Machistas son las personas…. pero quienes “influencian” a los “hombres” y “mujeres” a seren machistas?.
SOMOS LAS MUJERES (MADRES), LAS QUE HACEMOS A LOS “HOMBRES” (todos) MACHISTAS. Qué opinan? hein!.
“El idioma es solo una herramienta de comunicación”.
Chistes(piadas) Machistas:
¿Cuál es la diferencia entre una hada y una bruja?
-Cinco años de matrimonio.
-¿Por qué la estatua de la libertad es mujer?
-Porque necesitaban un sitio hueco para el mirador.
¿Cuál es la botella que una mujer descorcha después de la fiesta de año nuevo ?
La botella del detergente……
¿Para qué sirve el alcohol?
Para que feas y gordas pierdan la virginidad.
¿En qué se parece una mujer a una computadora?
Poca inteligencia y mucha memoria.
(Bueno! aclaré que eran chistes Machistas!).
Y bueno! también pongamos algunas “cositas” Feministas:
Cursos cortos para hombres:
Supervivencia: Cómo freir un huevo.
Técnicas para mantenerse “despierto” despues del coito. Ser padres hoy: una tarea que no termina después del acto sexual.
Técnicas para relajarse y dormir aun cuando se tengan ganas de…
Cómo bajar o subir (según la ocasión) la tapa del inodoro. Paso a paso. Es posible orinar dentro del inodoro? (con prácticas degrupo).
Motivos para colocar un rollo nuevo de papel higiénico en el baño, cuando el que había se ha acabado. (Con diapositivas y ejemplos).
Por qué no es malo regar las plantas.
El lavarropas: ese gran desconocido.
Gente! un poquinho de Humor!, para desESTRESARME…y recuerden el HUMOR salvará al mundo!. (Ya que hablaron de Utopias…dessa eu gosto muito).
En una sociedad machista, las palabras serán machistas. El lenguaje es lo que son sus usuarios, ni más ni menos. Y así mismo también contrariamente…seamos como Exequiela 50 y 50% para lograr un equilibrio…ni más, ni menos…calibremos de cada cuales nuestras “istas” demais.
Besos “desestresados”….porque peor que el “stress” es cuatro. Vero Veriño.
Março 9th, 2009 at 11:11 am
HERMAN SORRY. ESSA Q VALET!
Gil
Você continua com sua pinça. O modelo que chamei de “anacrônico” é o da distribuição atual no Brasil (aliás, que você também critica) que tem um gap gigantesco.
Estava em Nova Iorque no dia do lançamento da Apple TV. Comprei uma e uso há quase 2 anos. Ela lê as bibliotecas de 5 macs aqui em casa e no estúdio. Lindo! Mas qual é o assunto mesmo?Ah! Lembrei! Música, mundo digital e e-commerce! No geral, concordamos em muitos pontos.
O desafio que propus e acho que Caetano também gostaria de ouvir era escutar de você algo imediatamente propositivo, além do iTunes no Brasil.
Achei que um caminho bonito seria a gente avançar na conversa sobre zii e zie na web. Você parece tratar esse papo como uma bobagem. No entanto, diz que aqui é seu único espaço de discussão. Ué! Então, por quê não falar disso se esse é o eixo integrador do blog?
Não vou discutir o meu trabalho por aqui. Tenho feito isso incansavelmente com a minha distribuidora, meus amigos músicos, meu advogado xiita, meus filhotes e o escambau.
Daqui, gostaria de ver um resultado concreto. Essa é a ambição que acho que você não tem. Dar uma passo além na insólita parceria que Caetano fez com a tchurminha que frequenta nossa bodega virtual.
Ora, se dá pra pedir Caetano na ABL e iTunes para o Brasil por meio de um blog restrito a um pequeno grupo, por quê não dá pra pedir zii e zie na web com um formato mais ousado? Essa sim seria uma iniciativa possível e criativa. E que talvez refletisse a profusão de pensamentos propagados e construídos durante esses quase 8 meses. (9 é o tempo mítico da gestação).
Também berro por seu berro. Mas esse papo não pode ficar “qualquer coisa”, né?
iTest
salem
Março 9th, 2009 at 11:23 am
A todos os que, a começar pelo Glauber, indagam-se sobre minha atual ausência da infocaetanave, enfim declaro que sim, e com o meu veraz and expresso consentimento, fui raptado! E só clamarei por liberdade se condicionada a:
a) voltar a escrever pra OeP;
b) ir pro show de estréia de Zii e Zie integrando o cordão/bloco dos obreirosemprogresso bem à frente do palco (por falar nisso, como e com quem asseguraremos, com boa antecipação, a aquisição de nosso ingresso?), e
c) dedicar-me de corpo e alma com uma querida trupe de impertin-azes à próxima e final etapa dos preparativos do lançamento da nave da Impertinácia na webosfera.
Enquanto não solicito a minha soltura, ouçam e reflitam comigo:
PARADEIRO
(Composição: Arnaldo Antunes, Marisa Monte)
Haverá paradeiro
Para o nosso desejo
Dentro ou fora de um vício?
Uns preferem dinheiro
Outros querem um passeio
Perto do precipício.
Haverá paraíso
sem perder o juízo e sem morrer?
Haverá pára-raio
Para o nosso desmaio
No momento preciso?
Uns vão de pára-quedas
Outros juntam moedas
antes do prejuízo
Num momento propício
Haverá paradeiro para isso?
Haverá paradeiro
Para o nosso desejo
Dentro ou fora de nós?
http://www.youtube.com/watch?v=7AcK1TOVAB4
______
Lucesar, falta agora sabermos em que estação estarão Gilliatt, Siboney and Gravataí esperando para reembarcar na infocaetanave, antes que a seta siga reta aos 100%.
______
Salem and Marcos Lacerda
De todos os e-mails que estão seguindo com os desdobramentos recentes em prol do surgimento da IMP, os que finalizo pra enviar a ambos são dos que mais neste momento imprimo dedicação.
Março 9th, 2009 at 11:25 am
Querida Heloisa
Tive o mesmo insight! Na TV Cultura, Haroldo de Campos ao lado de Péricles Cavalcanti, num já antigo documentário, falava da grandeza de Caetano. Mudei de canal e lá estava o Skank tocando Beleza Pura. Naquela tarde fui à Pop’s (uma loja de CD de aficcionados aqui de SP) e olhei a enorme prateleira com o nome CAETANO VELOSO em caixa alta e um poster do Tropicália.
Cacild’s! Pensei naquele momento: esse é o cara com o qual a gente conversa quase todos os dias pela web? Passei décadas escutando o que Caetano canta e lendo o que ele escreve. De repente, caí na real. A possibilidade do diálogo é uma conquista emocionante e sem precedentes. Há dois motivos para tanta beleza: a evolução da tecnologia e a disposição de Caetano em usá-la de uma forma única.
O blog foi se ajeitando, se desmoderando, se hermanando e hoje tem tem uma cara. É um mosaico. Lembro que a ausíencia de Caetano era mais sentida quando ele ficava disas sem postar e comentar. Hoje, a sua presença entra pelos 7 buracos das nossas cabeças, mesmo quando ele fica quietinho.
beijo na sua linda testa
salem
Março 9th, 2009 at 12:15 pm
Ainda bem que escapei da história do Paulo Osório.
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Leram a matéria de capa da Revista Bravo deste mês?
Qual o Futuro da Música
Por Arthur Dapieve
http://bravonline.abril.com.br/conteudo/musica/qual-futuro-musica-424977.shtml
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Falando em Raul…
Ano passado, voltando de um teste, entrei num ônibus. Estava um calor insuportável. De repente, lá pela Lapa entra um cara com um violão. Ele fica lá na frente, ao lado do trocador. Começa a tocar a canção “Disco Voador” do Raul. O coletivo lotado, o músico atrapalhando a roleta e eu ali. Chorei muito e o cara viu meus olhos brilhando… A canção parecia dele, era como se estivessemos dividindo a mesma experiência, o mesmo segredo. Não precisávamos dizer nada além do que o que estava sendo cantado. Não conhecia a canção, ao terminar a tosca interpretação disse que era do raul. Cheguei em casa e pesquisei no Google. Até hoje quando leio as lágrimas viram promessas e os olhos mareados.
Disco Voador
Hoje é domingo
Missa e praia
Céu de anil
Tem sangue no jornal
Bandeiras na Avenida Zil…
Lá por detrás
Da triste linda Zona Sul
Vai tudo muito bem
Formigas que trafegam
Sem porque
E da janela desses quartos
De pensão eu com cobertor
Transquilo eu tento
Uma transmutação…
Oh! Oh! Oh! Seu Moço!
Do disco voador
Me leve com você
Pra onde você for
Oh! Oh! Oh! Seu Moço!
Mas não me deixe aqui
Enquanto eu sei que tem
Tanta estrela por ai…
Andei rezando
Para Tótens e Jesus
Jamais olhei pro céu
Meu Disco Voador além
Já fui macaco
Em domingos glaciais
Atlântas colossais
Que eu não soube
Como utilizar…
E nas mensagens
Que nos chegam sem parar
Ninguém pode notar
Estão muito ocupados
Prá pensar…
Oh! Oh! Oh! Seu Moço!
Do Disco Voador
Me leve com você
Prá onde você for
Oh! Oh! Oh! Seu Moço!
Mas não me deixe aqui
Enquanto eu sei que tem
Tanta estrela por ai
Enquanto eu sei que tem
Tanta estrela por ai
Enquanto eu sei que tem
Tanta estrela por ai…
—————————-
Fica impossível não ir até o espelho e chorar.
bjs.
Março 9th, 2009 at 1:27 pm
Olá,
Estou aqui ainda, lendo uma coisinha aqui outra ali, mas só tenho vontade de comentar pouquíssimo, e acabo achando que não vale a pena, que já falaram melhor, ou simplesmente não vale a pena mesmo. Mas hoje tive vontade de me sentir parte do grupo, principalmente quando li o comentário de Heloísa sobre Diamante Cotidiano (não foi bem assim que ela falou mas é assim que traduzi). Então aproveito para perguntar a caetano o que ele quis dizer com “jovens desavisados veem conversar comigo”. Desavisados do que? (eu tenho cá minhas desconfianças, mas …)
Março 9th, 2009 at 2:02 pm
pedrecal,
também gostei de várias coisas que cê falou aqui. mas voltemos ao assunto:
acho que a mitificação de raul está de mãos dadas com a iconoclastia exacerbada que percebo em seu comment. gênio, raul foi, sinsinhô. mesmo tendo “surrupiado” uma ou outra canção. sei da importância de kika seixas na vida dele, mas ela não escreveu as canções. o talento é dele!
vários de meus heróis não admnistravam bem suas vidas: hendrix, cobain, lennon, joplin, cazuza, morrison, piaf, mingus…a lista é infinita, sem falar na literatura e artes plásticas. so what?? certamente, os que não mergulham fundo nas águas escuras da vida [são maioria], correm menor risco. os mais centrados, por natureza [são minoria] também. mas não podemos julgar aqueles que se aventuraram por todos nós. as cobaias.
EU administro muito mal minha vida…mereço seu julgamento e condenação?
me parece que o que você ataca é o que eu chamo de “raulzismo” e não raul. raulzismo é um fenômeno do qual sofre não apenas raul seixas, mas muitos ídolos da juventude [legião urbana, los hermanos, doors...]. porém, eles não podem ser responsabilizados pelo fenômeno, até porque não existe controle sobre isso.
mas você parece conhecer fatos além do conhecimento geral. cê conheceu raul seixas?
Março 9th, 2009 at 2:10 pm
castellão,
wesley tem razão. o estilo ali não parece ser o de rita. vai saber…certa feita, achei que um drummond internético não era drummond. achei fraco, comparado com o que lia dele. quem me corrigiu foi nivaldo lariú, o autor do dicionário de baianês: era drummond mesmo e eu fiquei com minha cara de besta, pedindo desculpas ao “elefante” mineiro. mas que era fraquinho, era, hahahaha. mas mesmo não sendo rita lee, gostei do texto.
Março 9th, 2009 at 2:38 pm
Paulo Osório, massa sua história!
Glauber, lí na biografia de Paulo Coelho o lance do Satanismo (que teria ficado pela metade no caso do escritor) e de Raul. Vc manja disso, acha que merece nota?
Março 9th, 2009 at 3:09 pm
Glaubito
Gosto do Raul. Bastantão. Ouro de Tolo é uma das mais lindas canções brasileiras. No rádio, então! Uma canção que tocava nas AMs com frequência! E não modulada. Raul sabia de tudo.
Mas tem uma coisa que a moçada aqui vai cair de pau em cima de mim. Acho o encontro do Raul com Marcelo Nova um tanto constrangedor. Aquilo tudo me deprimia. Nem posso alegar motivos muito racionais. Nem sou daqueles que achavam que Nova era oportunista. Havia quem dissesse isso. Mas comigo, foi diferente.
Havia algo caricato no ar. Havia também reconhecimento (merecido), mas festejado de um jeito esquisitíssimo. O que se via tentava ser alegre, animado, mas era cheio de melancolia.
Um dia, eu tava saindo do hotel Atlântico Copacabana pra ir ao estúdio Nas Nuvens gravar e vi Raul sendo carregado por dois caras pra ir fazer um show com o Nova. Eles o levavam como quem carrega um case de guitarra (essa era a minha impressão).
Eu não tinha o menor interesse por aquilo tudo. E não achava musicalmente importante.
Gostaria de saber a sua opinião sobre esse momento. Muita gente acha o máximo. Eu, não. Até gostaria de ter gostado. Preferiria ter gostado. Mas… mas há muitas coisas nesse mundo que eu não saiba demais. Essa é uma delas.
beijo na testa
salem
Março 9th, 2009 at 3:22 pm
Ninguém pergunta, Caetano não responde, todo mundo o menciona com a maior naturalidade, mas em mim a pergunta não quer calar: O QUE É “ZII E ZIE”? Ok, sei que é “tios e tias ” em italiano. Portanto, a pergunta não é bem “o que é” , mas “por que” Zii e Zie? Há uma razão já explicitada que eu não tenha lido ou Caetano quer que seja um título enigmático mesmo? Alguém me mata a curiosidade?
Março 9th, 2009 at 3:38 pm
Creio que a canção que o Glauber se refere está naquele longplayng do Raul “Metro linha 743″, o “porque não?” surge como música incidental junto com “imagine” do Lenon. Penso que é o pior disco do Raul, diferente do “Gita”, que tem a canção brega que mais gosto “sessão das dez”.
Quando li o texto “mau gosto” do Caetano, me ocorreu a lembrança da canção de Edu Lobo: no cordão da saidera (não que atualmente seja como na canção).
Hoje não tem dança
Não tem mais menina de trança
Nem cheiro de lança no ar
Hoje não tem frevo
Tem gente que passa com medo
E na praça ninguém pra cantar
Março 9th, 2009 at 3:46 pm
Boa TArde blogueirs de plantão…
Alguém pode me explicar o porque o nome do novo cd de Caetano é Zii Zie???
Salémzitho, tu és poeta ao extremo, tu sabe colocar as palavras em modo claro e que soa e fica bonito para quem recebe os elogio críticas, show.
Quero agradecer a Luedy, por dizer aqui sobre o dvd do mais doces bárbaros do mundo, muito show o dvd, a qualidade da imagem e de som é algo que impressiona, sem falar na história que ali conta verdadeiramente tudo como aconteceu.
Caetano tu já era o mestre dos mestres, agora além de mestre tu demonstra ser o Sr. do tempo, pois o tempo é seu maior amigo e aliado.
Hermano cadê mais dicas e vídeos como aquele do carnaval…tu que é um pesquisador nato.
Eu sou um mulato nato no sentido lato mulato democrático do litoral sul.
Grande abraço a todos,
E as mulheres parabéns por ontém.
Luiz Carias.
Março 9th, 2009 at 4:16 pm
Putz Glauber, nunca tinha sacado esta do “nostalgia” (é esta que a Ângela RoRo toca gaita de boca?, não), muito louco.
Tem o lance do Raul naquela canção “As aventuras de Raul Seixas na cidade de Thor” falar da questão da “linha evolutiva da música popular brasileira”, como que tirando uma onda com o Caetano…
Detalhe: o eu sou egoísta (adoro esta canção) do novo aeon, não faz menção ao “por que não”, mas a gravação do metro linha 743, faz.
Março 9th, 2009 at 4:17 pm
Assisti o show “Cê” em Cuiabá, moro a 64 km de Cuiabá - no ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico - e de fato a cuiabania CARETAÇA que estava sentada “na parte nobre do salão” estava totalmente devagar, nem quando Caetano cantou Rock’s o povo dançou, havia meninas tolas se autofotografando e pedindo para Caetano cantar “leãozinho” e ele, ainda bem, não cantou.
SERÁ ESTE UM DOS MOTIVOS PARA CAETANO NÃO GOSTAR DE CUIABÁ? Ou será pelo calor, climático (e humano), que, aliás, é totalmente oposto à frieza de Curitiba.
Em tempo: Beleza Pura com Skank é difícil de engolir.
Março 9th, 2009 at 4:37 pm
guido,
a música em que raul faz o “por que nãaaao?” é “eu sou egoísta” [se não me engano, do álbum "novo aeon" de 75]. pode ser viagem minha, mas acho também que raul tava falando com caetano na letra de “a verdade sobre a nostalgia” ["...eu vou fazer o que eu gosto, eu vou fazer o que eu gosto..."]. lembra de “nostalgia [that's what rock'n roll is all about]” do “transa” de 72? ["...you're always nowhere, but you'll realize pretty soon, that all that you care isn't worth a twelve bar tune..."].
gosto muito das duas. acho interessantíssimo esse lance das canções conversarem…caetano, que acha disso?
Março 9th, 2009 at 5:15 pm
Heloisa e Salem, faço das suas palavras as minhas, só acrescento que a minha relação expectador x artista ficou alterada com esse blog. Engraçado, porque eu não vejo mais Caetano como um artista, no sentido de intangibilidade, é como um amigo que se enquadra no meu contexto diário, muito além do Ipod. Gênio.
bjs
Março 9th, 2009 at 5:54 pm
Se o lançamento do Zii Zie for em Sampa eu vou. Nada contra as outras cidades.É que geralmente estou mais perto de Sampa do que de outras capitais.
Eu gostaria de ver um Caetano lançando um disco no super-coreto de São Luiz do Paraitinga. Assim, ele veria como essa cidadezinha é um verdadeiro OVNI que se instalou no sertão paulista…os de lá parecem terráqueos, mas só parecem..e são gente finíssima; o Salem e o Hermano sabem do que estou falando.
Imagina que doido um artista como Caetano lançando um disco novo no meio do sertão, fora dos grande centros. Sugiro Saint Louis of Paraitinga, que, apesar de isolada e efervescente fica relativamente perto ( equidistante) de Rio e Sampa. Saravá!
Eu estava em Campinas com muito amor mas sem nenhuma internet e acabei perdendo vários coments legais aqui. Estou empenhado em ler tudo e todos. Adoro. No mais, prefiro o amor do que ter caminhar até uma lan-house.
Beijos!!!
Março 9th, 2009 at 6:02 pm
Oi Caetano, coincidência,tb escrevi sobre o carnaval de salvador aqui
http://www.diginois.com.br/index.php?meio=post&id=1072
e sobre o do rio aqui
http://www.diginois.com.br
abs!
Março 9th, 2009 at 7:19 pm
pedrecal,
o raulzismo me incomoda também. e não só com relação a raul, mas com outros artistas. sou fã dos byrds. abraço, velhão.
…………..
salem,
o disco de raul e nova é bacana. tem umas sacadas geniais de letra. quanto à parte melancólica, não glamorizo, nem me incomoda. acho que faz parte. é como eu disse, tô acostumado com a vida desastrada de gente que admiro. elliott smith, torquato neto jeff buckley, nelson cavaquinho, etta james, jards macalé, ângela rô rô, nick drake…van gogh! lista interminável, hahaha. qualquer modo, acho que a grande contribuição de raul foi entre 70 e 75, os primeiros discos solo. e claro, antes disso, ele produziu discos de muita gente, jerry adriani, por exemplo.
………….
labi,
cê é uma figura surpreendente! parabéns pelo seu cérebro.
………….
vellame,
os ensinamentos de aleister crowley viraram moda a partir dos 60s entre os popstars. beatles, stones, zeppelin, todo mundo entrou nessa.
na minha humirrrde opinião, eram basicamente um mix de técnicas de manipulação de massas, simbologia, marketing pessoal e muita, muita bobagem, hahaha. mas vai saber…
nos anos 40 e 50 em hollywood, era comum entre os vips a prática do vodu [que é mais que aquele lance de furar os bonequinhos. acho que tem um componente social forte aí. aqui na bahia, políticos, artistas de nome, publicitários renomados, executivos frequentam o candomblé. para alguns, questão de fé e tradição. para outros, é estar onde os poderosos estão, onde a festa está, onde a grana está. é como frequentar as vernissages, coquetéis e dar aqueles sorrisos…lobby party.
mas acho o interesse pelo ocultismo na primeira metade do século xx, esteticamente, culturalmente interessante. abraço procê também.
……………..
cramulha,
se você existe, releve, hahaha
Março 9th, 2009 at 7:38 pm
Lucas Santanna é o cara! Tô sempre lá no diginois enriquecendo-me de sua maravilhosa música e agora ele aqui abrilhantando nossos comentários.
Quanto a Raul, numa entrevista ao Jô dias antes de sua morte.
http://www.youtube.com/watch?v=99e7NHfFKUE
Essa idolatria a Raul Seixas sempre me deixou intrigado. Seu público, em geral, não curtiu Caetano e Chico. Tampouco se interessou pela cena rockeira dos anos 70. Um público tão inexplicável quanto ao seu ídolo.
Março 9th, 2009 at 7:44 pm
Glauber!
Fiquei até me sentindo culpado aqui, mas você resumiu bem: [me parece que o que você ataca é o que eu chamo de “raulzismo” e não raul].
De certa forma é isso. Mas também veja o depoimento comovente aí de Rafael: essa música é dos Byrds! Foram inúmeras, não uma ou outra. Mas repito: eu gosto de Raul Seixas, o acho talentoso (baião + rock = 10), mas ele é superestimado. Concordo com tudo o que você falou sobre seus ídolos, realmente não quis dizer que Raul valesse menos por conta da sua vida pessoal, de forma alguma, peço desculpas se assim pareceu, quem somos nós para julgar a vida dos outros. Enfim, me chateia o que se criou em torno dele, a peregrinação; mas é claro que ele tem seu valor, é inegável. Sei que é complicado, porque no mundo da música as “influências” são moeda corrente (uma amiga minha me disse: “Quem nunca chupou ninguém que atire a primeira pedra” ssss). Admito que me senti meio traído quando descobri o tanto de coisas emprestadas de outros e da fragilidade de suas idéias. Mas é assim, artista não tem obrigação nenhuma de corresponder a expectativas de fãs, basta que satisfaçam às suas próprias (e nós também, não é?) Não o conheci pessoalmente, li numa entrevista.
Saudações!
PS
Engraçado vocês falarem dos “foliões” que “brincam” fora das cordas. Não custa lembrar que a totalidade dos marginais de Salvador também sai pra “brincar” fora das cordas, este ano inclusive com celas gradeadas preparadas especialmente para eles, ao ar livre, feito bichos enjaulados, nem George Orwell poderia supor tamanha desgraça.
Março 9th, 2009 at 9:46 pm
O Raul é um desses mistérios que só a Bahia sabe revelar. Revela sim, mas continua mistério. O Raul rockeiro inovador, a voz contestadora do povo da periferia, o Raul que é mais ídolo entre os operários do ABC que na própria Bahia, o Raul brega e cômico, lírico e maluco. Eu não sei se existe mesmo um “raulzismo” tacanho e cabeça dura ou se há, de fato, uma tal “raulmania” eterna ( como a Beatlemania..que já acabou) consagrada pelos milhares de fãs de um grande artista. Fico com a segunda hipótese.
Março 9th, 2009 at 10:08 pm
Labi,
Você é o máximo!
Março 9th, 2009 at 10:12 pm
Boa TArde blogueiros de plantão…
CAro Guido li seu post e discordo totalmente sobre o que falaste sobre Curitiba.
Sou curitibano, viv lá por 25 anos, se tu diz frieza de clima, concordo em gênero, número e grau. Porém se é de povo frio, discordo com veêmencia do Sr.
Se assim fosse, artistas renomados como Marisa Monte, jamais inciariam a turnê de seus showm em Curitiba, cito MArisa Monte, porque ela já fez isso por mais de uma vez, e ela denomina o público curitibano, como o mais atento e crítico do Brasil.
Portanto se ela se sai bem em Curitiba, ela já sabe que será sucesso no resto do Brasil.
Cuiabá não me parece ser uma cidade sem calor humano, tão pouco creio que Caetano goste daí sim, embora ele mesmo tenha criticado o comportamento do público no show ai em Cuiabá, e ter dito ter sido o pior show da turnê Cê.
È duro você se preparar e apresentar o show para um público desatento, li este comentário na revista Rolling Stones, e são palavras de Caetano, não minha.
O melhor show da turnê Cê, foi no Guarujá, onde o público participou diretamente e da primeira a última canção. Foi um verdadeiro show!!!
Curitiba é uma das mais belas cidades do Brasil, e a melhor em qualidade de vida.Fonte é a EMBRATUR.
Amo Curitiba, mais vivo em Santa CAtarian, e hoje vendo os doces bárbaros, vi que Caetano também gosta dessa simples cidade litorânea, cheia de belezas e ondas. Que onda, que onda que dá que bunda que bunda.
Por moemnto é isso, desse curitibano catarinense.
Luiz Carias.
Março 9th, 2009 at 10:37 pm
salem,
“toca raul!” é um clássico. certa vez, tava tocando em sampa com a minha ex-banda, dead billies, e ao final de uma música gritaram “toca raul!” de brincadeira. prontamente nos olhamos e tocamos raul mesmo, hahaha. mal tocado pacas, mas agente não poderia perder a piada…
curioso que ao mesmo tempo em que caetano se mostrou mais próximo, mais real pra mim, desde o ano passado, mantenho ainda aquela admiração e gratidão pelo legado, pelas canções, por me fazer refletir desde guri. difícil mudar isso.
falei pra ele que aprendi a palavra “predileção” ouvindo “rai das cores”. eu tinha 12 anos, ouvi aquele “quais são as cores que são suas cores de predileção?” e pensei: putz, que palavra espetacular. e que frase musical e que música sensacional e que arranjo e que pergunta e blá blá blá…”
ouço caetano desde os 5 anos de idade. muito antes de conhecer os beatles e tantos outros. minha infância era caetano, milton e chico buarque. ainda bem que tinha o aqualung do jethro tull, ou não seria roqueiro, hahaha.
conversar com o compositor de “tropicália” é surreal pra mim…mas o lance é que caetano é muito easy, deixa o sujeito à vontade e tem um humor sensacional. talvez só os filhos consigam vê-lo apenas como caetano e não um dos caras mais brilhantes e influentes do século xx. eu me esforço e aí sinto-me à vontade, mas é surreal, hahaha
…………
mas sir veloso,
num vai se acostumando não, que temos muito o que discordar! hahahahaha
Março 9th, 2009 at 11:27 pm
Luiz Carias,
não sou tão senhor assim, embora também não sou tão jovem assim; não grile comigo não, na verdade o que disse sobre Curitiba estava mais no aspecto climático, embora muitas pessoas tenham uma visão de “Curytuba” como um povo fechado, difícil de se enturmar com os “estrangeiros” que por lá chegam! Minha filha mesmo esteve morando um tempinho por lá estudando na UFPR e foi um pouco barra…
O que não significa que seja um lugar péssimo.
Veja só, apesar de eu morar no “ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico”, também sou catarinense, mas há muito saí daquelas terras…
Também li a Rolling Stones e tirei de lá as informações de Caetano sobre as tais meninas boçais (no youtoube também tem o Caetano e Pedro Sá comentando o lance), mas havia presenciado a cena ao vivo.
Então Luiz, de boa, não tive mesmo intenção de desmerecer “Curytuba”…
O MELHOR LUGAR É SER FELIZ.
Um grande abraço.
Guido.
Março 9th, 2009 at 11:31 pm
Heloísa:acabo de ler o que você escreveu:”Uruguaia sim, como minha querida algoz”?????
Nào entendi.
Como vocêis, acho incrível que nosso caetano seja ao mesmo tempo esse “ídolo” e esse ser tâo tremendamente humano e tào presente em nossas vidas diárias, por causa de esse blog.
Y pensar que llegué a esta Obra casi por casualidad,frustradísima porque estuve en Rio en mayo pasado y se canceló la primera presentación de Obra em progresso…y cuando finalmente tuvo lugar, el miércoles siguiente, yo estaba en Salvador, hablando de lo que me había pasado en un maravilloso local de discos del Pelourinho que se llama Cana Brava.
Quando voltei na França, contava para meus amigos:você sabe o que caetano me fez?….
Quem te viu e quem te ve!
Beijos
Março 9th, 2009 at 11:57 pm
conheci Raul e ele tinha muita onda…se vc cruzasse com ele diria: esse é o cara, destemido muito doido artista total, elvis. elvis porque elvis é bonito de dizer, raul era elvis. Mas o bagulho é doido, vai saber…no final foi terrível…mas ele foi um Cara, do cacete. Raul foi du cacete mermo!
Março 10th, 2009 at 12:00 am
Viva Raul Seixas do Brasil! Viva Raulzito!
Março 10th, 2009 at 12:37 am
Salemzinho, tô de pinça não, vc é meu favorito, aproveito tua deixa e vou em frente, sua boa fé e companheirismo estão presentes sempre, nosso amor por Caetano também, o seu me dá inveja. Já te disse, vc como interlocutor é um privilégio…
tenho te dito que o melhor já está está aqui e no disco que vem aí. Toda criação é santa. Vc luta pelo disco eu luto pelo blog, que não deve morrer…
Salém , a restrição é a que estamos submetidos sem a plataforma para nossa música, essa é a restrição a ser superada para que todos os Zii e Zie…formato ousado e iniciativa criativa é lutar pra mudar isso e berrar pelo nosso caminho para o desenvolvimento, de TUDO, começando pela caretização de quem baixa ilegal…tá por fora…e assim vamos…puxa…que calor por aqui…
Março 10th, 2009 at 1:37 am
Glaubito
Nos anos 90, fiz um show com Jerry Adriani, Roger e Luiz Melodia no Circo Benneton. Era um projeto só com canções da Jovem Guarda. Jerry tem um QG aqui em SP, um apê na Alameda Santos. Fizemos uma noitada com os el cabongs e ele contou muitas histórias do Raul. Uma das coisas mais legais no Brasil é essa capacidade que a gente tem de criar slogans e bordões. Um dos meus preferidos é “toca Raul!”. Ao contrário docê, eu até glamourizo alguns heróis. Sou meio infantil. Caetano é um bom exemplo. Todo esse papo aqui, anti-idolatria faz sentido. Algumas pessoas dizem que, depois do blog, não vêem mais Caetano com a aura de ídolo. Eu vejo. E agora mais ainda.
Gil
Você tabém sabe o grande valor que dou pra cada sílaba vinda digitada por suas mãos de viking gentileza. Mas a nossa sadia diferença ficou clara quando cê disse assim, ói…
“a restrição a ser superada para que todos os Zii e Zie”
Eu penso que essa luta por “todos” passa por iniciativas avulsas. Nem toda transformação é coletiva no nascedouro. O lançamento de Zil e Zie poderia concretamente refletir um posicionamento de Caetano à respeito de algo que ele mesmo se declarou ainda confuso. E nos pediu pitacos. Eu (quase ingenuamente) dei idéias. É o meu jeito incontinente. Mas vejo que a discussão no registro político e teórico pega mais por aqui.
Cê disse que eu luto pelo disco você luta pelo blog. Não é bem assim. Eu luto pela integração desses dois percursos em um outro patamar. Pode ser bobagem. Mas é como eu vislumbrei a continuidade, bem ao modo de Joaldo (que saudade feladaputa).
Eu sou assim. Se você ficar discutindo mais de 1 hora comigo aqui em casa sobre qualquer assunto, acabo pegando o violão e querendo fazer uma música. Cê já é parceiro.
beijo na pinça
salem
Março 10th, 2009 at 2:38 am
O Raul havia falecido há pouco tempo. Eu e minha gangue de aborrecentes iríamos tocar numa espelunca em Santo André. Era um boteco enorme e soturno. Mas não havia muita empolgação da galera local com a nossa banda, a então Lady Vestal. A noite caminhava para um fiasco.
Então o Marcelo Cobrinha (hoje daimista total), que era magrelo, barbudo, enlouquecido e mentiroso disse que era filho bastardo do Raul. O dono da casa sabia que era embuste, mas mesmo assim escreveu com pincel atômico no cartaz que o “filho bastardo do Raul” iria tocar lá, naquela noite.
Não sei, mas toda aquela emoção da recém morte do Raulzito e, de repente, um filho “bastardo” dele ali no boteco fez com que a casa ficasse cheia, cheia demais.
Eu fui para a bateria ( toco legal bateria) e o Cobrinha assumiu a guitarra tosca e o vocal e mandou mais de 20 sons de Raul. A malucada de Santo André foi ao delírio. Até autógrafo o Cobrinha deu, bêbado como uma capivara no abismo.
Então uma gatinha tímida sorria para o Cobrinha. Ele chegou nela, todo cheio de graça, falando isso e aquilo e tal. Mas nada da garota soltar uma palavra sequer..só sorria. Então o Cobrinha se grilou e disse “pô mina, to aqui falando pelos cotovelos e cê não fala nada?!”
Daí…a menina saiu correndo, meio que murmurando e grilada. E logo em seguida uns dez caras mal-encarados entraram no boteco. O mais forte deles foi logo gritando.
- quem tirou sarro da minha irmã? A mudinha…
Ninguém da banda, nem o Cobrinha poderia supor que a garota fosse muda. Foi um mal-entendido.
Porém, novamente a magia de Raul nos salvou. O proprietário chamou a galera do mal para um canto e explicou que o “filho bastardo” do Raul tinha cometido um engano e coisa e tal e pediu desculpas pelo episódio chato com a linda mudinha.Então os valentões de Santo André, que poderiam realmente nos dar um cacete, relevaram a mancada só por causa do “filho bastardo do Raul”.
O que quero dizer com tudo isso ( e essa história é mega-verdade) é que o nome Raul tem poder. Não como os evangélicos fanáticos atribuem poder ao nome de Jesus. Mas Raulzito é uma lenda. Nos salvou duas vezes. Acho que o Raul, se ele pôde ver a coisa toda, o embuste do tal filho bastardo (coisa do alucinado do Cobra), o lance da mudinha, os autógrafos, a casa cheia, a fria e o desfecho feliz de toda aquela noite estapafúrdia..creio sim que ele tenha dado muita risada, ao lado de Elvis e Jonh Lennon.
Março 10th, 2009 at 3:45 am
Heloisa: You are so very sweet. I honestly wasn’t hurt by Caetano’s joke. But your kind remarks are very much appreciated. Your English writing is wonderful, by the way. Much better than my Spanish.
Caetano: I think you have a bit of “naughty boy” in you. I told everyone at work what you said about my writing English like a foreigner, and we all got a big laugh out of it.
Heloisa, Lucre, eXequiela, Vero, et al : No quiero “beat a dead horse” (como decimos en el inglés), pero yo quería decirles del programa de TV que yo encontré por casualidad el sábado. Se llamaba “The Science of Sex Appeal.”
http://dsc.discovery.com/videos/science-of-sex-appeal/
(Nunca he entendido la ciencia de los links para este blog. Lo siento.)
En el programa nos dijeron muchos de los hechos que Vero ya nos dijo. Pero me interesaba mucho unos estudios en Austria. ¿Se escucharon a la música de Caetano y se comieron el chocolate? ¡NOOOOOOO!! Las pobres en el estudio tenían que oler los “t-shirts” sudorosos de unos desconocidos. Con este estudio y otros los científicos se descubrieron que el olor de los hombres es repulsivo a las mujeres por la mayoría de cada mes. Pero en los 2 or 3 días en que la mujer es lo más fértil, le gusta el olor. Por coincidencia, las células que se llevan el olor también se llevan la información del DNA sobre la imunidad. Y solamente le gusta a la mujer el olor de los hombres que tienen la imunidad a las enfermedades que la mujer no tiene. En esa manera, ella pasa a sus hijos la imunidad a dos veces las enfermedades. Me parece INCREÍBLE. Pero eso es la belleza de la evolución.
Neyde L. : Obrigada por seu comentário muito bondoso.
Caetano: I used to have a boss who would precede new assignments for me with the sarcastic comment, “in your copious spare time …” What amazes me most about this blog is that you have welcomed this motley bunch of fools (including me) to soak up your “copious spare time” with our various comments, ideas, passionate interests, lovers’ spats. And you always (well, mostly) respond with patience, kindness (nay, sweetness), and something interesting to add. You’re amazing! I kept thinking you would bag the whole thing. It must have been a burden, at times. It will be strange not to hear from this bunch of strangers who have fallen in together over the last year. Thanks for bringing it all together.
I loves you, too!
Barbara
Março 10th, 2009 at 3:47 am
Lucio Junior: quando eu era criança em Santo Amaro havia corda nos blocos. Quem disse que a corda foi inventada em Salvador? Havia cordas no Rio, em toda parte.
Flora: eu não falei sobre a configuração topográfica da cidadde do Salvador, mas sobre a configuração topográfica do carnaval de Salvador. A força da grana fez os trios crescerem e melhorarem sua competência técnica. Ela também toruxe muitos turistas e ergueu camarotes que começavam a tapar o mar e as áreas livres. Foi uma grade votória nossa que o poder público tenha tirado os camarotes do lado da praia da Barra e os da parte de dentro de Ondina. Também os espaços das calçadas foram respeitados como era de se exigir. E muito rapidamente, não precisou esperar o tempo de obsolecência natural, como no caso das cadeiras da Avenida Sete. Também detesto os camarotes e palanques que tapam a visão do Campo Grande. Mas progresso imenso houve nos casos citados - o que nos leva a crer que aí também possamos ainda melhorar. Eu sempre brinquei e brinco no chão, na pipoca, sei do que estou falando. Você cita vários trechos do meu post mas parece nnao ter lido. Conto ali que segui Brown da Barraa Ondina no chão. E, digo agora, sozinho. Este ano fiquei um tempo com meu filho Moreno na rua da Barra. No sábado, de volta do Curuzu, andei da Barra Avenida até a rua do farol, com a modelo Talythe Pugliese e o pioneiro do carnaval negro da Bahia Gerlado Badá. Mais de meia hora a pé por entre foliões desorganizados. Daniela não é exceção. Há e sempre houve trios independentes. Este ano, mais ainda. Brown não é exceção nem como apoiador de poderosos. Ele sempre foi carlista confesso e entusiasmado. O Ilê também nunca fez oposição. É meu bloco favorito, mas é o único que faz discriminação racial. E tanto ele quanto Filhos de Gandhi - e todos os demais afoxés e blocos-afro - têm corda. Sempre tiveram. Por que só os empresários de blocos “brancos de classe média” recebem agressões verbais? O empreendedorismo deles (e a visão do poder público) foi quem fez o carro e o som de Armandinho crescerem. Pra ser sicero, fico orgulhoso ao ver a grita contra o carnaval que vem de Dodô até Ivete: é prova de sua força. Seu comment, Flora, só tem uma palavra certa: “quem ao feio ama, bonito lhe parece”. É overbo amar que explica tudo. Quem ama vê beleza real naquilo em que os vazios de amor não acham graça.
Lucas Sattana, li seus textos e gostei. Gostei mais de ver você na rua no trio. Como você sabe, “eu organizo o movimento, eu oriento o carnaval”- então estou total com você quando diz que o carnaval da Bahia tem grande diversidade, embora o poder da axé music pareça tudo ofuscar (o que, para mim, é uma vitória histórica). Mas acho que o carnaval do Rio precisa de acompanhamento do poder público para organizar: se crescer, cresce o aspecto naturalmente capitalista e esse também precisa ser regulado. As barracas de mesas e bancos tipo arte concreta dos anos 60 e 70 foram forma de exploração capitalista que foram superadas. Eu também sofri quando os toldos chegaram. Mas já incorporei há anos. E vejo que a violência diminuiu também porque elas foramembora: todas as brigas eram regadas a sangue tirado da cabeça de alguém por bancos arremessados. Claor que esse não foi o único (nem mesmo o mais forte) fator da queda da violência no carnaval. As cordas concorrem para conter e para instigar a violência: o lance é paradoxal. Isso tudo dá para muita conversa. Veja que tem gente aqui achando o sambódromo uma solução brizolista perfeita. Não é assim. Eu (como Lina Bo Bardi, que dizia com muito mais charme do que Zizek que continuava sendo Stalinista) adoro o sambódromo. Mas é o conceito de camarote elevado à potência soviética: so não espero tanques desfilando porque os camarotes parecem salas de ap da Vieira Souto. Inclusive com a mesma porcentagem de peruas. O ressurgimento dos blocos é empolgante. Vou querer voltar ao Rio no próximo carnaval. Mas é preciso que alguns blocos façam como o Monobloco e vão para a Rio Branco - e que a prefeitura sinta o movimentonatural e ponha alguma ordem para o caos rolar bem. Vendedores têm de saber onde podem ficar, o que podem armar, o que podem levar para as ruas. O tráfego precisa ser racionalizado em função do que acontece na folia. Etc. Enfim, um abraçaço.
Pedrecal: você tocou num assunto importante: as jaulas para prisões relâmpago no carnaval. Ouvi falar sobre elas, vi fotos antes, mas não vi nenhuma na rua. Estavam talvez só no centro? Alguém pode me dar informação segra sobre isso? É de vital importância para mim (para todos nós). Pelas fotos que vi, são uma visão horripilante. Têm uma força simbólica que nem a letra de “Haiti” sugere. Antigamente eles tinham umas cabines totalmente fechadas para pôr esses presos. Era talvez mais cruel, mas os presos não eram vistos. Essas gaiolas que vi em fotos (tiradas em locais neutros - talvez pátios de quartéis), se foram usadas nas ruas, devem ter sido uma visão ultrajante - que nos leva a discutir toda a história da repressão no carnaval. É pior do que a polícia montada espancando os foliões na Presidente Vargas em 1965. E deve gerar uma revolta que pressionará os poderes públicos no sentido de humanizar, civilizar a manutenção da ordem. Se alguém sabe sobre isso, diga aqui e começaremos uma capanha.
Gil e Salem: eu não falo nada sobre projetos pro Zii e Zie na net porque não consegui conversar com Hermano. Mas sobre Zii e Zie muito vou falar logo logo. Na net ou fora dela.
Glauber: sou teu fã. Vou agora tentar ouvir o Salem.
Março 10th, 2009 at 4:52 am
Os carnavais de Salvador, como os do Rio e Recife são manifestações culturais diferentes. Compará-los, evitando preferências pessoais e sem cair no bairrismo, exigiria um enorme esforço sem,provavelmente, alcançar um resultado que o justificasse.Sejamos apenas foliões,ou não.
As visíveis desigualdades sociais presentes no carnaval de Salvador,moro aqui , são chagas da nossa sociedade e não serão resolvidas com intervenções do Estado apenas na festa.Essa é uma evidência banal mas precisa ser reiterada.
Caetano,acho engraçado quando leio textos na mídia exterior apresentando você como “…a Brazilian leftist and activist …” . Nada mais distante da realidade. Quando li referências a Zizek pensei em comentar mas ai veio seu demolidor comment(51) e nada me restou além de uma pequena discordância. Dizer que você está à esquerda de Zizek é só uma forma elegante de afirmar que você simpatiza com os ideais de justiça social da esquerda sem aprovar as suas tentativas de materialização, sempre acompanhadas da supressão das liberdades individuais em troca de uma igualdade, sempre desejada, jamais atingida. A aniquilação do indivíduo em nome de uma coletividade amorfa.Essas engenharias sociais ,que encantaram e encantam tantos jovens inocentes(e velhotes teimosos e inconseqüentes), deixaram um rastro de milhões de mortos.São evidências históricas.
Fico me perguntando se essa onda antiamericana, mais recentemente travestida na demonização de Bush e na beatificação de Obama, no Brasil, na América Latina e em parte da Europa, tão virulenta quanto em muitos países islâmicos, não é o começo do fim da civilização ocidental. A Europa ,rica e bondosa como uma vovó ,incapaz de se defender ,foi salva por três vezes ,no século passado pelos demonizados americanos .Nós também.Não fosse por eles,nossos carnavais seriam paradas nazistas ou comunistas.Com o “provocador e filósofo” Zizek aplaudindo, de um camarote oficial, o desfile sem cordas e com a “coletivização” dos espaços públicos.Em lugar de frevo,axé e samba ,discursos intermináveis de um ditador.
Othon
Março 10th, 2009 at 9:25 am
hoje sonhei com o clip da canção “Sem Cais”:
no instante em que a pessoa deitava na areia da praia - numa quase camera lenta - a câmera se afastava, abria: cabeça, torax, corpo inteiro - revelando a pessoa. e seguia abrindo cada vez mais: areia - a pessoa ainda no instante de deitar. a câmera já revelando a beira do mar. quadro: pessoa, areia, beira do mar. mar. quadro: pessoa, areia, beira do mar, mar. a pessoa já deitada, relaxada. a câmera em alto mar. todo o quadro anterior num horizonte ao contrário. a mesma pessoa que estava relaxando agora passa na frente da câmera nadando sem saber nadar (e ela lá no fundo da cena, deitada na areia), perde a força - um quase afogamento, mas não se afoga e continua nadando. tudo numa tomada só, uma única câmera.
Achei uma loucura sonhar com isso, mas sonhei. Tomei um gole de coragem e escrevi aqui.
bjs.
Março 10th, 2009 at 9:29 am
Glauber e Salem
O disco “A panela do Diabo” é foda, muito, mas muito foda. O negócio é que havia (HÁ!) uma demanda feladaputa por Raul. Aquilo que você, Glauber, contou sobre “toca Raul”: nunca - nunca! - toquei no circuito universitário de Salvador sem ouvir isso. Parece que Raul agrega mais e mais fãs com o passar do tempo, e isto não só está ligado ao mero fato de que a população cresce: o negócio é sério, meio que exponencial.
Mas “eis que tergiverso”. Voltando: já havia uma demanda grande por Raul. Muita gente queria ouvir Raul ao vivo, queria ver Raul. E Raul estava vivo, gravando (UAH-BAP-LU-BAP-LAH-BÉIN-BUM! e A PEDRA DO GÊNESIS são imediatamente anteriores àquele disco), mas não fazendo shows. Mal de saúde, etc (Salem, me nocauteou essa cena descrita por você). Quem acompanharia Raul nessa empreitada de aparecer novamente se não fosse Marcelo Nova (Luedy, me ajude se eu estiver esquecido ou falando bobagem!)? Marcelo Nova “se aproveitou”? Depois daquilo, o que ele conseguiu? Ah, bicho, havia anuência de Raul nisso tudo. Eu acho.
Sinceramente, o que eu acredito é que Marcelo era mais um fã de Raul que queria que ele voltasse. Só que era um fã mais privilegiado, em relação a nós: estaria em cima do palco com Raul na sua volta (já pensou, Glauber?). Não penso que ele achava bonito Raul subir no palco trôpego - e é bom lembrar que desde a década de 70 Raul quase só chegava no estudio pra gravar desse jeito, segundo o produtor Mazola, na sua autobiografia intitulada “Ouvindo estrelas”.
Tudo isso são suposições, claro. Tenho 30 anos e era muito criança quando isso aconteceu. Só me lembro deles no Faustão cantando “Carpinteiro do universo”.
Março 10th, 2009 at 10:15 am
Caetano
Lá no meu site:
http://web.me.com/fernandosalem/FERNANDO_SALEM/HOME.html
há um botão na HOME escrito ouça. Lá tem algumas pré-mix de canções novas e a maioria das que estão no meu CD que se chama Disco.
No MySpace:
http://www.myspace.com/fsalem
há 6 canções de épocas distintas. Uma em especial (Mudei de Musa) acabei de fazer.
Há também os clipes na página de vídeos.
beijo na testa
salem
Março 10th, 2009 at 10:34 am
Caro Emerson
A cena que narrei de Raul sendo carregado para o show tem a descrição da minha angústia. Seria leviano interpretá-la imaginando que ali houvesse uma imposição a Raul pra que ele subisse ao palco. É muito possível e provável que ele desejasse muito fazer os shows com o Nova.
Me ative às minhas sensações e não transforma-las em uma crítica a qualquer suposta atitude oportunista. Não posso e nem devo achar que as coisas rolaram assim.
Na entrevista de Nova e Raul no Jô (veja no YouTube), Raul parece menos dono de si mesmo. Ainda é dono de seus pensamentos, mas não da ação em torno dele. Muita gente decidia o que seria o melhor pra ele. E muita gente percebia que o “melhor pra ele” talvez fosse o melhor para seus bolsos.
Nova, com absoluta segurança, não estava de olho na “oportunidade”. Mas o efeito musical daquela temporada não me emocionava no sentido da grandeza de Raul. Me constrangia. O fato de estar trôpego ou adoentado, era o de menos. Cazuza fez um dos seus mais belos shows, quando já estava bem doente. O fato é que Raul dava sinais de não estar no comando da própria nave. Tudo parecia um grand circus do playback ao vivo pra que a atração se mantivesse no centro do picadeiro.
Raul, que sempre comandou a massa, parecia ser comandado por ela. Isso me entristecia. Mas se os fãs (não me incluo entre os super-fãs de Raul) não viam assim, já é motivo suficiente pra que eu steja errado nas minhas impressões.
Mas, convenhamos, impressões e sensações, podem estar sem sintonia com a realidade, mas não podem exatamente estar erradas, pois são pessoais.
beijo na testa
salem
Março 10th, 2009 at 11:13 am
Ah, um detalhe importantíssimo, pra terminar o assunto sobre Raul, pela minha parte: Há um ano atrás mais ou menos estava eu no Nhô Caldos, um bar… Underground (tá bom, vamos colocar assim) de Salvador (que já fechou. Nesta minha cidade natal tudo fecha rapidamente).
Cadeiras na calçada, todos conversando avidamente, isso de frente pro mar do Rio Vermelho. Numa tela grande, DVDs de Iron Maiden, Kiss, gente pacaralho, funcionando como trilha ambiente e algo pra se olhar quando o assunto da mesa se esgotasse.
Quando os caras colocaram aquele DVD não-oficial de um show de Raul na Praia do Gonzaga, menino… Aquele bar parou. Ninguém conversava mais, todos atônitos na tela, boquiabertos, e eu no balcão prestando atenção nisso. Tudo se calou frente a Raul.
Show de bola.
Março 10th, 2009 at 1:04 pm
Não pulei carnaval este ano. Viajei para o interior de São Paulo no sábado e fiquei sem poder ver. A gente se acostuma com tudo. Mas como eu sinto falta! Só vi um pouquinho de Psirico pela televisão na sexta à noite e fui olhar com meus filhos o bloco das carmelitas em Santa Teresa na sexta feira à tarde.
Aqui no Rio moro em Santa Teresa, uma espécie de Olinda do carnaval carioca e, de brincadeira, já falei com meus amigos daqui do bairro que vou me candidatar a subprefeito de Santa Teresa para poder aplicar meu know-how como folião de carnaval da Bahia por aqui .
Não gosto da idéia deste novo prefeito de choque de ordem, porque para mim isto vai terminar em câmeras de segurança espalhadas por tudo quanto é canto. Mas, por outro lado, por que precisamos das leis de incentivo à cultura e não precisamos que a prefeitura se intrometa ou organize no carnaval? Já passei carnaval em Londres(Notting Hill) onde a festa é demais e rolava sem que a presença do estado fosse ostensiva. Hoje em dia, com o crescimento da festa eles enfrentam discussões parecidas com esta sobre ordenamento, aumento da violência, privatização da organização(afinal eles são ingleses) e mudança do local da festa. Já há reclamações sobre os custos da festa para o estado.
O Rio de Janeiro que, para mim, está muito a frente das outras grandes cidades brasileiras no que diz respeito à circulação de sua população pela cidade pode dar mais uma contribuição enorme ao carnaval e deve investir com tudo nisto. E a população cola na corda e vai esticando. Forçando um pouco a barra para o espaço ir se adequando também aos seus interesses.
Em Salvador sempre apostei, primeiro como folião e depois como compositor, num caminho de dialogo entre o axé e as outras manifestações musicais no palco do carnaval. Me interessava a emergente indústria do carnaval baiano. Quando era mais novo e morava ainda em Salvador me sentia um pouco sozinho nesta idéia. Havia este repúdio ao axé que vez em quando aparece aqui no blog. Lucas Santtana era meu parceiro. De lá pra cá conheci muita gente que também gosta desta idéia. Por isto acho natural que o diálogo (e a diversidade que Lucas falou no seu blog) cada vez aconteça mais.
Agora, sobretudo, me soa ingrata a associação imediata à axé music quando se fala de “musica da Bahia”. Nas transmissões de carnaval pela TV e mesmo em outros contextos ouço sempre esta associação. Isto me parece ter os mesmos objetivos que levaram a criação do termo axé music. Principalmente porque essa associação não leva em conta que a axé music no sentido lato vai de Moraes Moreira e Antônio Risério a Fantasmão. Há diferença entre Luiz Caldas e Ivete Sangalo. Entre Geronimo e Olodum. Entre Psirico e Timbalada.
Me esforço para que os tentáculos da axé music lato sensu se espalhem e colaborem com outra formas musicais, fazendo surgir outras cenas. Talvez estas cenas continuem a ser caracterizadas com o nome geral axé music, ou apareça algo como axé music de qualidade, mas isto não deveria causar inibição.
Março 10th, 2009 at 1:08 pm
caetano,
obrigado mesmo, pelo carinho e generosidade. you just rock. ponto.
……………
salem,
faz sentido sim, o que você diz sobre a aparição de raul no jô antes de morrer e tal. porém, é como marcelo nova disse pro samuel rosa, quando este, desastradamente, disse que raul andava com más companhias no final da vida: “rosa, RAUL é a má companhia para si mesmo”. e sim, marcelo era ali um fã e seguidor, pagando tributo ao seu mestre. e houve uma relação de amizade por trás daquilo tudo…
………………
emerson,
interessante que justamente aqui em salvador e em porto alegre, a adoração a raul seixas se manifeste com maior intensidade. no brasil inteiro é uma coisa de louco, mas aqui e lá, é ainda mais forte. o que me remete à frase de caetano em “rock n’raul”.
………………
othon,
“…salva por três vezes ,no século passado pelos demonizados americanos .Nós também.Não fosse por eles,nossos carnavais seriam paradas nazistas ou comunistas.”
cê não exagerou um pouco no último comentário, não? os EUA “salvaram” a europa e a nós aqui na américa do sul?? não gosto do anti-americanismo chato e tosco, mas tem certeza???
Março 10th, 2009 at 1:36 pm
Caetano,
I realized after I sent the message last night that I should have assured you that you have excellent English. Your friend who told you that you have stilted English was probably just getting back at your for something ornery you had said or done to her. On occasion, your word choices are a little surprising. They’re not wrong; they just aren’t the ones we normally choose. That’s the only telltale sign that you are not a native speaker. To call that “stilted” would be over the top!
Barbara
Março 10th, 2009 at 1:41 pm
Usei o “feladaputa” de Rock’n'Raul sem perceber! Hehehe! Freud explicaria?
Salem, falo que me nocauteou justamente por ser uma cena forte pacaralho, imagino sua angústia, o que eu senti deve ser um pouquinho dela.
Eu vi a entrevista de Nova e Raul no Jô, no Youtube. Gozado, o que eu reparei é que Marcelo Nova quase não falava, e quando falava era pra pagar pau pra Raul! Ele não parecia estar em muitas condições de decidir nada, mas… Vai saber se ele não queria!
Mas entendo quando vc diz que a volta de Raul era pra ser uma coisa alegre e foi uma coisa triste, a grosso modo. É realmente triste ver (hoje num DVD não-oficial que circula por aí) Raul daquele jeito, nem conseguindo tocar, inchado pacaralho.
É que Mazola conta que mesmo pra gravar ele só ia assim, fora de si, desde a década de 70. Seria o caso de se perguntar: Quando foi que ele tomou realmente conta de si? Sim, porque Mazola chegou a comprar um AP em São Conrado pra Raul quando viu o adiantamento monstro que ele ia receber da gravadora, não lembro agora qual era. Mazola foi um “paizão”, enfiou um AP goela abaixo de Raul pq ele não tinha nem residência fixa àquela altura, acho…
“O meu egoísmo é tão egoísta que o auge do meu egoísmo é querer ajudar” - Carpinteiro do Universo - Raul e Marcelo Nova.
Abraços.
Março 10th, 2009 at 1:47 pm
Salém, vc não esteve errado nas suas considerações sobre o que viu no fim do Rauzito…e vc tem toda razão, é daquele jeito mesmo e aquilo tudo foi terrível. Concordo com todas as suas linhas sobre aquilo tudo.
E vc foi ao ponto, a questão política e teórica é a mãe de tudo, altera qualitativamente todas as iniciativas e boas idéias. GG está lá pensando um mundo, precisamos contestá-lo, queremos outro mundo…é assim Salémzinho e eu quero brincar no teu bloco também…vamos calçar as botas disse o Bono…mas que calor aqui…minha nossa.
Zii e Zie não pode matar o blog…ao contrário…com o blog Zii e Zie é totalmente demais.
Março 10th, 2009 at 4:09 pm
Que história sensacional do Baú do Teteco: O Cobrinha e a Mudinha!
Esse causo fala mais sobre o fenômeno Raul do que qualquer homenagem póstuma.
Toca Teteco!
salem
Março 10th, 2009 at 6:35 pm
Então, Emerson
Há uma diferença entre o que Mazola conta quando diz que Raul gravava “fora de si”, desde a década de 70 e o “fora de si” que descrvi. Esse talvez seja o ponto em que alguns blogueiros daqui chamam de “mistificação”.
Parecia (pra mim) algo do tipo “ah! o Raul sempre foi muito doidão”. Como se qualquer postura fosse justificável. Até a de celebrar a sua decadência física. Há uma diferença entre a “maluquice beleza” e a “maluquice tristeza”. Embora, não ache que Raul tivesse qualquer obrigação de só se apresentar alegre.
O que me pegava era a inconsistência musical, o falso rock and roll supostamente viril, ali, capengando, com a platéia achando bonito. Senti isso com Kurt Cobain no Brasil. O equívoco! “Ah! Puta show! O cara tava doidão!” Cacild’s! O cara tava sofrendo. Infeliz no palco. Achando aquilo ruim. Achando a vida chata.
Raul talvez não estivesse achando a vida chata naquele momento. Mas o palco não parecia o seu lugar. Parecia um simulacro. Assim eu sentia.
beijo na testa
salem
Março 10th, 2009 at 8:18 pm
Sobre as gaiolas no carnaval de Salvador encontrei isso aqui:
http://passapalavra.info/?p=904
bjs.
Março 10th, 2009 at 10:02 pm
Oi, Caetano:
Obrigado pela informação. Em todo caso, realmente não entendo muito de carnaval, como te disse, vivi numa cidade onde ele não era importante. Me diverte ver Easy Rider e a cena do LSD no Mardi Gras e pensar em Sem Lenço Sem Documento, tb uma linda marchinha. O carnaval, aqui, como disse Oswald, é o acontecimento da raça.
Não me lembro das cordas em Amor, Carnaval e Sonhos, do Sarraceni, por exemplo. O que vc acha desse filme, Caetano? Woodstock foi um grande carnaval, não acha?
Já vi o de Diamantina e, embora fosse uma grande bagunça, tinha bares onde tocavam as velhas marchinhas, Máscara Negra e belas cachoeiras em Cristais e Mendanha, por exemplo. Adoro Diamantina, mas prefiro fora do carnaval.
Março 10th, 2009 at 10:30 pm
Caetano gostei muito de ler o seu comentário 89. Estou meio atrasada porque estou com uma internet provisoria que no dia que chove não funciona, mas estou aqui.
Esta questão do MP3, que já comentei anteriormente, para mim é a realidade atual, não vejo volta nesse sentido, creio que as gravadoras subestimaram os downloads e uploads ilegais de musica. Estas medidas que hoje estão colocando sobre punição direta aos provedores de internet fazendo com que estes controlem estes tipos de praticas poderia ter sido tomada desde o inicio, hoje isso é quase impossível de se controlar, uma porque sempre existira um provedor que não ira cumprir esta determinação, para começar ele não tem interesse nisso, porque isso daí esbarra no direito do consumidor que adquire por exemplo uma conexão ilimitada. Um provedor italiano já tentou fazer o bloqueio da porta do e-mule e foi obrigado a desbloquear por causa exatamente disso que eu falei. Vamos supor que se faça uma lei regulamentando que todos os provedores tenham que fazer este bloqueio, a principio pode parecer uma solução, mas, sempre existira um provedor que não ira bloquear e não ira informar a policia financeira sobre isso e a concorrência entre os provedores poderá se tornar injusta nesse sentido, ninguém quer perder cliente. Isso sem contar que atualmente existe um grande numero de empresas grandes que vendem os tocadores de MP3, como já coloquei a grande maioria de celulares já vem com memória para você portar inúmeras musicas no seu telefone portátil, hoje existe inclusive um grande investimento com relação a acesso de internet pelo celular e logo se terão ali o mesmo problema dos downloads ilegais de musica. As operadoras de celular ganham muito dinheiro com acesso de internet ninguém vai abrir mão disso,pode acreditar.
É lamentável você ver que ainda hoje os governos pensam sempre numa solução simplista, aquela menos trabalhosa, ou seja, a repressora, a que invade a privacidade das pessoas, a dita as regras. Não apresenta uma solução que venha de encontro ao interesse da população, como a abertura para o comercio do MP3, regulamentações nesse sentido. Falarei, talvez, uma grande bobagem, as musicas são muito taxadas, o que encarece demais os CDs e DVDs. Tem muitos músicos ai que podem confirmar isso. Quando se faz um disco numa gravadora, o artista, creio, fica com a menor fatia do bolo, e na realidade, a única preocupação dos governos é a de não perder esta arrecadação fiscal. Esta ai um produto que vai ter que ser socializado e os artistas vão ter que se impor, porque com esta falta de opção eles estão perdendo também. Não existe nada mais globalizado que a Internet. Não existe fronteiras no mundo virtual. Aqui estamos falando de musica que é o que interessa no blog mais o comercio virtual é muito mais abrangente do que isso, hoje você compra uma coisa em qualquer lugar do mundo e eles te entregam na sua casa, isso burlando o fisco, mais acontece ainda em menor escala porque as pessoas tem medo de comprar um produto na web e não receber. Uma das coisas que mais mudou nesse sentido é a telefonia Voip que vem tomando conta do mercado. Hoje você faz uma ligação usando um voip qualquer e paga uma tarifa as vezes ate ridícula se comparado com as tarifas da telefonia usual. Agora que estou morando na Itália e estou sempre falando com a minha família que mora aqui, para fazer ligações sempre me utilizo destes programas de voip, na verdade uso 2, um que me possibilita falar gratuitamente em telefone fixo e outro que tem uma tarifa menor para falar em celular.
Pode parecer contraditório e ate piegas mas, a Internet, por falta de regulamentação, se tornou um dos sistemas mais socialista existente no mundo atual. Porque permite o acesso a todas as pessoas de forma irrestrita e igualitária. Pasmem, mas, os únicos paises que não permitem isso no mundo são exatamente os 2 paises que se dizem “socialistas extremos” China e Cuba, que com muito autoritarismo vão trancando as portas de saída e entrada.
Vamos voltar a falar de musica, a Apple é muito poderosa e competente, isso é inegável, mais ela não é e nunca foi das “massas” a Apple é da elite, ou ainda de poucas pessoas que fazem de tudo para ter o seu Ipod ou Iphone. Ela cria as maquinas e software próprios que somente podem ser utilizados nessas maquinas, como a gente já de longa data observa com os PCs. Muito diferente dos produtos da Microsoft que se popularizam, inclusive pelo uso de pirataria dos próprios produtos. Mesmo assim os Ipod da vida não te impedem de colocar um MP3, Wav ou Wmv que se tenha baixado ilegalmente da web. A Microsoft tentou bloquear a gravação de discos no media player criando um dispositivo de identificação que vem impresso nos CDs, mais existem inúmeros programas gratuitos que quebram estes lacres.
Os formatos MP3/4 são sem duvida alguma os mais populares e mais fáceis de encontrar. Quem não tem computador pede para um amigo, ou vai a uma LAN. Inclusive já vi por ai a venda de aparelhos que convertem o antigo disco de vinil sem a utilização do computador, fazendo a gravação direta das musicas em CD, DVD ou pendriver. E, respondendo uma pergunta que li num post anterior, se poderia disponibilizar a venda das musicas nesses formatos.
Beijos a todos
Março 10th, 2009 at 11:24 pm
Cacild’s, Rafael!
Alguém viu a tal da gaiola? A prisão de uma pessoa em exposição pública é um escândalo! Não entendo patavina de lei, mas além de ferir os princípios dos Direitos Humanos, parece algo inconstitucional. Mesmo que haja flagrante, a detenção de um cidadão (suponho) depende de um Boletim de Ocorrência e um pedido prisão feito por uma autoridade em uma delegacia. Será que um policial tem todo esse poder? Se tem, não deveria tê-lo. Além de arbitrário e humilhante, dá a apenas uma pessoa um atributo que ela não deveria ter. Oras, se o policial interpreta uma ação como crime, pode prender o cara em flagrante e levá-lo a uma delegacia. Lá, ele tem (deveria ter) seus direitos assegurados: ligar pra um advogado, dar um depoimento com sua versão para o episódio, saber em qual crime foi enquadrado, pagar fiança se a lei assim prevê, etc, etc, etc.
Que merda, se essas gaiolas foram de fato utilizadas. É uma imagem lamentável pro carnaval brasileiro! Se a moda pega, teremos um zôo-carnaval. Ainda acho que essa loucura não foi feita, pois o fato geraria muita chiadeira e ganharia maior visibilidade na imprensa.
Alguém sabe mais sobre essa insanidade?
salem
Março 11th, 2009 at 12:04 am
salem,
as gaiolas foram usadas, sim. apenas quando uma ficou exposta, é que causou certa indignação. os presos não ficavam muito tempo nelas, diz a polícia. mas o problema, como disse caetano, é o significado simbólico disso, que remete à idade média e à escravidão, já que quem vai pra gaiola, como sempre, é o pretopobre. um absurdo.
Março 11th, 2009 at 12:36 am
Olha o eixo BritFrench…e nós? cadê?
IFPI Chairman and CEO John Kennedy as the French Assembly starts debating the Creation and Internet Law:
“The music industry is rapidly changing its way of doing business, responding to consumer demand and embracing new forms of licensing and distribution. Our future, like that of the film industry and other media depends on whether we can sustain a legitimate business in an environment that has been swamped by unauthorised free music. Over the last two years the French government has led the way in addressing this critical challenge. It has recognised that involving ISPs in addressing the massive flow of infringing content on their networks is not only essential to protect the rights of creators and producers, but can provide a sensible and proportionate solution that will work effectively in practice. The music industry internationally strongly supports the Creation and Internet Law proposed by the French government. The proposal is good for a thriving music market in the 21st century, good for music consumers and good for artists, creators and producers whose rights need protecting in the digital world.”
Março 11th, 2009 at 2:42 am
Estive com Raul e Marcelo no camarim do Canecão quando eles se apresentaram no Rio. Raul falou comigo com muito carinho e todo o entusiasmo que sua debilitação permitia. Marcelo foi educado e seco. Mas eu não tive nenhuma dúvida de que ele estava ali por amor verdadeiro. O show foi tudo o que Salem diz - e me deprimiu um pouco. Mas no camarim tive vontade de chorar foi de emoção pela forma digna com que Marcelo me pareceu etar vivendo aquele episódio.
Salem, faço a mesma pergunta sobre as gaiolas. Não vi nenhuma na rua. Mas se houve devemos chiar e chiar muito.
Rafael, a Universal escolheu “Sem cais” para fzer clip etc. Mas vão partir do que já emos gravado do show (não aquela versão errada que rolou aqui no blog). Mesmo assim, vou mostrar seu sonho-roteiro aos responsáveis. Lido, me pareceu muito bonito.
Othon, entendo que, das 3 palavras da Revolução Francesa, “liberdade” e “igualdade” entram em choque quando se chega à experiência real. A Revolução Americana (que Zizek e a esquerda em geral não computam entre as revoluções) trouxe palavras mais bem escolhidas e chegou a resultados melhores. Ain da hoje não igualdos por nenhum estado revolucionário. Também detesto o ressentimento e a facilidade com que se usa o nome de Bush para desqualificar toda a experiência americana. Mas não entro na euforia anti-comunista. Os EUA são fortes e avançados, isso inclui generosidade (que não é propriamente altruísmo). Mas me nutro do desejo de superar essa fase comandada por eles. Como? Não sei.
A árabe que o passapalavra mostra discutindo com sacerdote e apresentador diz tudo certo a respeito do assunto. E olha que o passapalavra parece muito pró-Chávez etc.
Salem, adorei seus transambas! Consegui ouvir ontem. Agora vou ouvir melhor, com sua guia.
Barbara, thank you for paying attention to my funny English. I never suffer with its oddness. Not being able to understand spoken English without effort - that’s what makes me sad. Of course I can talk with my American and English friends, but I have to repeat “sorry” or “what?” too many times. And it’s sometimes a nightmare to see an American (or Australian or British…) movie without Portuguese (or Spanish, or French, or English!) subtitles.
Lucio Jr., nunca vi “Amor, carnaval e cinzas”. Sou amigo de Sarraceni e vi os outros filmes dele. Esse, não.
Março 11th, 2009 at 3:16 am
Querido Caetano,
A configuração topografica que você denomina como “do Carnaval” foi elastecida. Não havia o chão do pelourinho e agora existe. Lá ficam os que gostam dos saudosos carnavais do qual, nós, brincamos. Não sei se por lá existem cordas. Será que existem cordas e cordeiros?
A Praça da Sé não é mais aquela de outros tempos. O chão é de granito e os trios não passam por lá. Podem fazer um giro pela Misericordia e ponha misericórdia nesse trajeto acrobático. A Rua Chile não é mais a mesma. A Praça Castro Alves já não comporta mais os trios competentemente gigantescos. Não são mais aqueles caminhões, são “jamantas”. O trio de Ivete é um luxo e não sou contra o conforto e o luxo de quem está dentro de um trio, mas a favor de que, todos os que ficam do lado de fora do trio tenham conforto e não o luxo que só é permitido a quem tem posses. O Campo Grande e o Corredor da Vitória ainda são os mesmos e a população cresceu absurdamente, tanto quanto a cidade. A configuração dos espaços ainda é a mesma. A Av. Sete não é mais aquela, perdeu o glamour que havia noutros carnavais. Os blocos de corda são imensos, em comprimento e largura e o chão é o mesmo. O chão do povo deveria ser de todo mundo e não de donos de blocos. Somos um povo que prima pela miscigenação, pela mistura de raças e essa mistura não combina com a separação entre quem está dentro das cordas, com quem está fora delas. Quem fica do lado de fora, fica prensado, ou à reboque mesmo. É triste ver e notar essa separação, como é visivel a “seleção” que acontece nos blocos mais procurados e essa seleção envolve o poder econômico, a classe social e, talvez dai decorra, a exclusão de muita gente que possui caracteres morfológicos mais próximos do negro (que ainda guarda a carga genetica dos seus ancestrais).
A configuração do que você mistura com topografia teve como novidade o acrescimo do percurso Barra-Ondina e ai era muito nítida a segregação entre os que podem e os que não podem … As cordas, e não os cordões, obrigaram os donos de blocos a contratarem “cordeiros” e, mercê do que dizem e até atestam, esses “cordeiros” reclamam muito. Claro que para um pobre excluido e extremamente sacrificado na vida, ganhar uns tostões durante o carnaval, contenta. Este ano os “cordeiros” (vide jornais de antes do carnaval) não queriam aceitar os valores ofertados pelo trabalho (que é uma tremenda exploração) e muita gente acabou sendo “contratada” de última hora. São pessoas necessitadas e que, muitas vezes, ficam felizes em ter um pedaço de pão e uma média de café com leite. O que ganham só dá para repor a energia dispendida e não paga o esforço do trabalho, que é penoso e doloroso. Doloroso visto que ficam obrigados a empurrar sua própria gente, sem atentarem para o que estão fazendo. Eles procedem como os soldados “quase todos pretos” batendo e prendendo “outros tantos pretos” e não é preciso ser convidado a lugar algum para presenciar esta realidade. Eu não compreendi muito sua topografia carnavalesca, mas estou tentando entender. Se houve um acrescimo de percurso, esse acrescimo correspondeu a um elevadissimo número de novos foliões. Os de melhor poder aquisitivo estão nos blocos de corda, ou nos camarotes. Nas ruas, todos nós estamos. Uns “de passagem” e até cercados de segurança. No seu caso, coloco-o dentre as exceções. Acho que é corajoso, ou então se fia demais em Brown. Mas duvido que você fique brincando como pipoca, em frente ao morro do Cristo, vendo um bloco de cordas passar. Trios independentes é outro papo e eles não são, na totalidade, o que o povo gostaria de acompanhar. O Chiclete é um bloco que atrai muita gente pobre e excluida. Eu brinco como pipoca e não me chamo Caetano Veloso. Você é famoso e querido. O povão gosta de você e não vai lhe tocar, ou lhe furtar. Essa coisa de o pipoca brincar não é o eixo central e sim o fato de haver uma usurpação do solo, uma separação grotesca através das cordas separando foliões que podem, dos que não podem. Você é privilegiado e é exceção. Não é o “pipoca” que quase não tem o que comer e gosta de curtir o carnaval. Essa gente, coitada, sequer nota que está sendo lesada em seu direito de pisar no mesmo chão que os usuarios de abadás e que ficam separados através de grosseiras cordas. É um isolamento e não foi sempre assim, não. Você tem o direito de discordar, mas não pode comparar os outros tempos, dos bons carnavais, com o atual, nitidamente capitalista, com empresarios que não são nada classe média, mas emergentes burgueses e que possuem uma lógica capitalista, sim. Isso está na cara. O prefeito confessou que achava um absurdo dispender recursos elevados com o carnaval, enquanto a verba para a merenda escolar era infima. O pior cego é o que não quer ver. Gosto de todo mundo que você cita. Acho bonito Daniela ter um trio independente. Mas a alegria de hoje custa caro e não é barata. Nem Luis Caldas quis o tiquinho que a ele ofereceram. Sei o que é um trio elétrico e sei dos custos que eles representam, mas também sei que aquela gente que fica dentro das cordas, além de patrocinadores, cobrem - e como cobrem - os gastos, tornando o custo beneficio algo muito rentável para um grupo que vive da elitização do carnaval.
Esta coisa de camarotes é natural. É o eterno desejo que o burguês e os emergentes possuem de se destacarem da plebe despossuída, sem direito a se juntar, na alegria de um carnaval, com outras tantas pessoas, sem distinção de raça, credo e poder econômico. Já escutei gente falar que “em meu bloco só entra gente bonita”. Sabe o que isso significa? Pois eu sei pois ouvi o desdobramento da frase com toda clareza. O racismo está presente dentro dos Blocos. Falar que Vovó - é ele quem comanda o “mais belo dos belos” - comete “racismo” é um papo que ele discorda e argumenta que o bloco tem um histórico, uma tradição e ele quer botar o bloco na rua com aquela gente que tem o tom da pele dos que foram arrancados, violentamente, da África. Ele, Vovó, ainda não foi compreendido, inteiramente. Seria algo tipo termos um bloco só de imigrantes italianos, ou de galegos que buscassem guardar suas raizes históricas. Falam que ele comete o chamado “racismo reverso”, mas eu o compreendo. Ele gosta de todo tipo de gente, é super paciente, um sujeito fenomenal. Depois lhe respondo o resto, se, por um acaso, este comentario for publicado. Um grande abraço e não me confunda com a Flora Gil, figura admirável que deve estar se deliciando com uma xará contra-argumentando com alguém que reside no coração dela. Também o tenho no coração, mas não posso me furtar a rebater algumas coisas que você escreve, muitas vezes como um menino birrento. Um super beijo e não me interprete mal. O papo é bom e saudável, o que não é bom são os fatos: até “gaiolas” ?!!!
Março 11th, 2009 at 6:57 am
alotroladode(l)río, “algoz” é só uma brincadeira com minha querida Vero, que entendeu e até achou graça. Un bisou pour toi.
Barbara, I guess you are the sweetest one here: I’ve misspelled the word “stilted” and you never mentioned it. Shame on me!
Teteco, meu poeta desbocado e lindo, essa história da Mudinha é muito engraçada. Mas aconteceu mesmo? Sei não, você tem imaginação demais…
Março 11th, 2009 at 10:25 am
Não duvido que essas gaiolas tenham sido/sejam usadas.
O mesmo ocorre aqui no Rio; não com ferro fundido, mas sim através de cacetadas, tiros para o alto e spray de pimenta.
Já vi confusões horrorosas nas ruas próximas ao Maracanã. Policiais mantendo torcedores sentados na calçada até o fim do jogo ou quando o jogo acaba e tem alguma confusão os baderneiros (ou qualquer um que estiver passando na hora) são cercados e levam cacetadas, tiro pro alto para manter a ordem. Todos acabam liberados depois de um tempo.
A polícia sem controle no carnaval e no futebol.
A polícia sem o controle do carnaval e do futebol.
bjs.
Março 11th, 2009 at 12:18 pm
Caríssimo Glauber o Franco é o protagonista da estória da minha vida atual, não tem como não falar nele, sem contar que ele é um personagem singular que tem características muito peculiares, isso sem contar que ele é o “objeto direto” do meu viver e do meu amar.
Mandei um comentário que não entrou, mais tudo bem, eu sempre penso que o Hermano tem sempre razão, entre outras coisas falei ali que andei sem internet porque aqui na cidade onde estou quando chove a coisa fica complicada, mais sempre que posso estou ai com vocês, pessoas que aprendi a amar e respeitar, cada qual também com as suas características e peculiaridades.
Paulo Osório, antes de sairmos da Itália estava vendo na tv sobre o carnaval de Veneza e na hora me lembrei do seu comentário, a matéria falava exatamente da elegância do carnaval veneziano que não se encontra em outro lugar no mundo, dizia que o ator Nicolas Cage aproveitou do anonimato das mascaras e saiu passeando elas ruas sem ser reconhecido, o que achei elegante da parte do jornalista foi dizer que ele já tinha ido embora, ou deixar no ara duvida da presença dele, preservando assim a vida privada do artista. Se falou também sobre o baile dourado que, pelo que entendi, é considerado uma obra de arte dos carnavais. Não conheço pessoalmente o carnaval de Veneza mais espero conhecer, o problema é que sempre nessa época optamos por estar no Brasil, já que é mais fácil encontramos todos os amigos. Presentinho a ti:
Foto do carnaval em Veneza 2009-03-11
http://www.carnevale.venezia.it/it/galleria/foto/dona-poll-9.html
Beijos a todos
Março 11th, 2009 at 12:25 pm
Corrigindo o meu texto entrou agora quando olhei anteriormente nao o tinha visto… obrigada Hermano, saiba que mesmo que nao tivesse entrado continuaria te respeitando e te querendo bem da mesma forma.
Março 11th, 2009 at 2:42 pm
Outro lance do Raul é seu entusiasmo por discos voadores. Lembro de ter lido numa dessas revistinhas para violão um episódio de discos voadores que ELE viu em uma praia, acho que na Bahia, ele falava dos movimentos em zigue-zague dos OVIS, um papo assim. Achei bem interessante a narrativa do Raul desses papos todos…
Um tempo depois, minha mulher me contou uma dessas experiências que foi bem semelhante a do Raul, movimentos em zigue-zague, cores várias…
Terá sido depois dessa experiência que ele fez S.O.S?
O papo das gaiolas remeteu-me às imagens do programa “Divino Maravilhoso” no final da década de 1960…
Março 11th, 2009 at 2:45 pm
quis dizer OVNIs
Março 11th, 2009 at 3:22 pm
confesso:
acho esse papo anti-axé-music muito chato - há anos vejo os pobres e preconceituosos argumentos serem repetidos a exaustão, sem novidade ou inteligência (apesar da pose de inteligente que dão para quem os emite… é tão bacana - moralmente “inatacável” - defender um mundo sem cordas…)
gosto de axé music (o Quito tem razão ao apontar a diversidade dessa música - diversidade que é uma das principais razões do meu gosto por seus hits), e gosto do modelo de negócios que a axé music inventou para se desenvolver
numa época de plena e evidente decadência da indústria fonográfica (discutida aqui em outros comentários), quando todo mundo procura modelos de negócios salvadores, quase todo mundo se esquece de constatar: a axé music inventou um modelo triunfante, que combina micaretas-abadás-trios (e cordas) como alternativa para disco-show-tradicionais (e mesmo para a pirataria) - a experiência de pular ali dentro da corda, em tempo real, não é pirateável - as pessoas pagam por isso (e não pagam para baixar música)
antes, a música de carnaval da Bahia gerava dinheiro apenas no período carnavalesco - depois era a seca - agora há trabalho o ano inteiro
e’ um modelo perfeito? claro que não - é uma experiência que tem sua carga de acertos, mas também de problemas graves - como qualquer outro modelo comercial (sobretudo em países como o Brasil, onde mais da metade de sua economia é informal - isso para não dizer ilegal ou pirata) - é uma experiência, que pode ser muito melhorada (se aparecerem propostas de alternativas concretas e não apenas reclamações)
existe injustiça social ou racismo no modelo de negócios da axé music? claro que existe - onde não existe no Brasil? cordeiros estão em todas as partes, escondidos - mesmo nas ruas onde moramos (seguranças no condomínios de luxo e nos bairros de classe média; soldados de milicianos e traficantes nos subúrbios e favelas etc.)
se eu fosse militante anti-racista americano (claro que todos eles não pensam assim, é uma generalização simplória), poderia dizer que o racismo ostensivo das cordas (sendo simplório novamente: vamos supor que o racismo aí seja realmente ostensivo) é “melhor” que o racismo velado do restaurante com seu exército de seguranças, garçons, flanelinhas etc. - pois o racismo explícito é mais “fácil” de combater (tanto que não há tanto protesto contra a existência de cordeiros do restaurante assim como há contra a visibilidade dos cordeiros do trio…)
não falo isso para aceitar a situação - mas pensando dentro da “lógica” deste modelo negócios específico - se tirarmos a corda vamos substituir por o quê? apenas pelo patrocínio da prefeitura? por ensaios pagos (como passaram a fazer os blocos do Rio)? é preciso fazer as contas e saber se os modelos alternativos são sustentáveis etc. (e acusar os empresários da axé music de lucro injusto não basta…)
(ou mesmo alguém aí pode inventar uma cybercorda flutuante - que se mova sozinha - mas isso não resolveria o problema, pois o pessoal quer a abolição das cordas - então a questão é de um outro modelo de negócios mesmo - ou então a questão é estética, os críticos querem o fim da axé music, assim como nosso querido Ziii e Zeeek quer o fim do carnaval…)
quanto a esse argumento de que a rua é pública: claro que é - mas na rua pública também circulam, entre muitas outras coisas, ônibus gigantescos de turismo protegidos por seus cordeiros (e por a rua ser pública ninguém pensa em exigir poder circular nesses ônibus sem pagar… ou pensa?) as empresas de turismo pagam impostos etc. para poder circular nessas ruas etc. - é questão também de contrapartidas: o que a cidade ganha com a cessão daquele espaço público para aquela atividade - o que os blocos dão de volta para a cidade? o que é feito com essas contrapartidas (como elas são calculadas, já que envolvem também hotéis cheios etc.) - se as pessoas não estão contentes com as contrapartidas, não seria o caso de fazer uma proposta de mudança, para que a cidade lucre melhor e de maneira mais transparente com a festa? aí a conversa começaria a ficar interessante, para além da reclamação de quem preferiria que não houvesse axé music no mundo
outra coisa: a vitória da axé music (a acusação de ditadura é muito empobrecedora…) não foi de maneira alguma imposição das gravadoras ou das rádios (eu me lembro de ter visto muito, naqueles absolutamente maravilhosos carnavais dos anos 80 com Fricote num ano e Faraó no outro) as músicas fazerem sucesso na rua e as rádios serem obrigadas a tocar - eu me lembro também de ter vindo da Bahia empolgado com uma fita cassete do AraKetu na mochila - mostrei para todos os diretores de gravadora - ninguém viu possibilidade comercial ali… depois isso mudou - mas foi a partir de fora, das ruas, não foi nada uma produção dos laboratórios de marketing das multinacionais do disco
mesmo o modelo de negócios dos abadás-cordas - aquilo foi uma invenção coletiva, das ruas, a partir de muitos testes e experiências, sobre os quais empresários se aproveitaram depois
mas gostaria de conversar sobre isto: como melhorar essa estrutura, como aproveitar seus ensinamentos, como reparar seus erros - repito: seria bacana ter propostas concretas - e não me venha tentar impor (ditatorialmente) a música que você gosta, como se fosse melhor para “o povo” que axé music…
Março 11th, 2009 at 4:18 pm
O comentário do Hermano lembrou-me um carnaval, creio que 2007, que o Carlinho Brown critica o que ele considera um apartheid - os camarotes como o Expresso 2222 e as cordas; achei altamente forçado ele comparar as cordas a resquícios de navio negreiros! Nossa! não me parece tanto…
Muito bom o que o Hermano disse com “e não me venha tentar impor (ditatorialmente) a música que você gosta.
Também andei ouvindo o Salém, e, entre muitas, curti a versão de Louco, ficou tão bom ou melhor que com João Nogueira,
Março 11th, 2009 at 4:58 pm
Caetaníssimo
Me emocionei com a expressão “transambas” pra definir meu repertório. Nem imagino que canções você tenha escutado. Mas a referência me deixa muito feliz.
No meu DISCO gravado em 2001 tem a capa do Gringo Cardia na HOME do site. Ao clicá-la há um texto do Arnaldo Antunes que é uma excelente bússola pra escutá-lo. Nesse Disco há apenas um samba que se chama O SAMBA e uma bossa que se chama ZOOM e fala de um sujeito que embrulhou carne com um jornal onde um crítico metia o pau na música da Bahia. Essa canção é de 2000 e involuntariamente antevia o papo que rolou por aqui. Hoje, desse CD, a canção que mais gosto é ÁRVORE, que compus com André Abujamra.
Em 2007, depois de compor muita coisa de encomenda, tive um surto de incontinência. Comecei a fazer sambas sem o mínimo controle. Gravei 22 canções pela primeira vez sozinho. Enganei bem no cavaco, fiz programações, toquei percussão e embromei legal. Nesse repertório, metade é de sambas inéditos, ao eu modo, menos convencional.
Entre essas há ODALISCA, um antigo samba que fiz com o Arnaldo Antunes. SAMBADIFERENTE, um samba esquisitão baseado em pedaço da letra de O SAMBA. TRANSFIGURAÇÃO, que chamei Paulo Miklos (que crooner!) pra dividir as vozes comigo. E dessas 10 ou 11 inéditas, apenas A ÚLTIMA (Lado a Lado) não é propriamente um samba, mas homenageia meus heróis do samba.
A outra metade são regravações. Há LOUCO do Wilson Baptista, 11 & 6 de Fito Paez, 3 sambas do Paulinho (IRONIA é o meu preferido), OLHA O PADILHA (o clipe em animação tá postado no MySpace) que foi gravado pelo nosso Kid Morengueira, NOTÍCIA do Nelson Cavaquinho e outras.
Dessa loucura, ficaram 2 idéias: a primeira é o lancamento de um CD com um mix de inéditas minhas e regravações (que implicaria em limar metade do repertório). E a segunda: lançar 2 CDs, um de inéditas e outro de regravações (o que implicaria na perda do interessante diálogo entre sambas novos e antigos). Tô na dúvida.
No camarim do Circo do Edgard, você deu uma olhadinha na capa (não oficial) do CD que continha as pré-mixes desse repertório. Era uma capa preta apenas com os nomes das canções em branco. Você leu em voz alta lá no final “A ÚLTIMA, Lado a Lado… (pausa) Lado a Lado é bonito.”
Fiquei com esse negócio na cabeça. “Lado a Lado”. Sambas antigos e Transambas (na época não usávamos a expressão). Belo nome pro CD.
Não faço idéia se você ainda escutará mais coisas. Já tô feliz pra caramba. Podemos ir trocando figurinhas. Pitacos são glória!
beijo na testa
salem
Março 11th, 2009 at 5:05 pm
Ah! SAMBA DO QUÍMICO fiz pro meu pai. É a minha preferida. Fiz um ano antes dele morrer. O que me faz lembrar dos versos do Nelson Cavaquinho
“se alguém quiser fazer por mim que faça agora”
in test
salem
Março 11th, 2009 at 5:33 pm
Gil! Você disse lá que iria ferver… Acho que já saí queimado, porque o post está ficando antigo. A internet não perdoa!
- Quando eu falava em troca, você entendeu justamente pelo viés monetário - apesar de eu ter ressaltado que a riqueza está além disso. Vale dizer que a cultura da troca na internet é sobretudo a troca de conhecimento, de informação sobre a própria ferramenta, e que isso não passa, necessariamente, pelo temível compartilhamento de arquivos. Existem outras trocas ocorrendo no meio musical, e não se tratam só de arquivos de áudio.
- Então, com senso prático: sabemos do negócio do Itunes, e vislumbramos isso como uma alternativa ao crime - digo, ao compartilhamento de arquivos/desobediência civil. Enfim.
- Tenhamos cuidado, porém, para não ficarmos deslumbrados demais com o Itunes. Afinal, isso (o deslumbramento) só aconteceria se estivéssemos acreditando nas leis atuais. E as leis atuais ainda estão baseadas no modelo antigo de mercado. Por isso, penso que a inteligência do Itunes não estaria na justificativa da “alternativa legal”, do “seja bonzinho, ajude o pobre coitado do artista”, ou, no melhor estilo MPAA: “não seja criminoso”. Disse que assim o Itunes já nasceria velho porque não estaria dialogando com o novo modelo de mercado: o usuário de internet. Que, vale lembrar, seria o consumidor-alvo do Itunes. Uma das regras básicas da propaganda e do marketing, dizem, é não fazer do consumidor um inimigo. Neste caso, é o que está acontecendo: um planejamento de projetos como “Itunes”, pensado justamente para pessoas que não acessarão o Itunes. Mas existe, sim, uma parcela do mercado que ele pode abarcar, incluindo o brasileiro. Uma minoria, diga-se de passagem. E a maioria não aceitará ser tratada por “criminosa”, e hoje dá gargalhadas quando é entendida como “marginalizada”.
- Não sou nenhum Walter Mercado, cujo nome nos é sugestivo. Aliás, ninguém é Walter Mercado, nem ele mesmo talvez. Mas arrisco: um Itunes mais inteligente, por estes alegres trópicos, teria por objetivo geral vender a música de “seu artista predileto” por um preço gritantemente simbólico. Um álbum não-virtual, fora de promoções, costuma custar em média R$ 15 reais. Com doze faixas em média, e em média 3 ou 4 “músicas de trabalho”. Acho que são expressões antiquadas. Além disso não parece fazer sentido promover uma música como “a mais baixada”. Mentiras à parte, isso de delimitar a relação entre preferências do público com o artista é um lance que penso ser anacrônico, secular, não muito inteligente. Nada atual.
- Acho que o simbolismo desse preço do Itunes, para as pessoas que são consumidoras em potencial do Itunes (algumas nunca serão), só não é consenso nas viúvas mais ferrenhas do ativismo anti-internet (e que, por motivos de coerência, imagino, jamais nos lerão). Abandonemos estas suposições difíceis dos anti-internet, de querer extinguir o download. Cidadãos A e B (por acaso, o mesmo perfil que têm grana pra pagar um ingresso de cinema hoje), poderão baixar dos seus aparelhos MUDERNOS a música que a MTV disse que é a mais baixada. E ponto final. A princípio, eis os limites do Itunes. Se será inteligente ou se, do contrário, sonhará em tomar tudo para si, via repressão, saberemos.
- Vamos para outras suposições, mais factíveis? Sim? Vamos, ou não vamos? Aí, eu gostaria de trocar idéias. Mas se for pra negar aqui, novamente e em plena Caetanave (CARVALHO, R. Joaldo - 2008) a própria história da internet e a sua cultura da troca livre, devo pedir ajuda aos wikipediários:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Internet
- Contemplemos o linque. Atentemos para o surgimento da internet no exato momento em que deixa de ser “arpanet”, um projeto privado de comunicação para fins bélicos. Que é por sua vez um outro modo de falar em “fins lucrativos”, bastando procurarmos na wikipédia por verbetes sobre a história de qualquer uma dessas guerras aí. A partir do momento em que a internet, ou seja, este projeto de comunicação, passa a ser amplamente divulgado e sem fins lucrativos, ele nasce tal qual o conhecemos.
- Agora que cumprimos a lição de casa e deciframos que a essência da internet é ser uma ferramenta cujo projeto é aberto, e que portanto é avesso à normatizações e privatizações (embora as suportem!), vamos em frente. É verdade que não estamos menos assustados, com todas as informações por segundo que nos chegam (eu estou, acredite). Mas ao menos podemos ir ali pegar um café, ou um chimarrão, ou demais estimulantes de nossa preferência (oxigênio vale).
- Lembramos, portanto, que tudo aqui gira em torno de um senso prático. Da questão da onipresença de guardas em cada esquina: podemos comprá-los e traduzí-los para o Brasil, com o lobby da MPAA e tudo o mais. Mas estes guardas não poderão conhecer a internet melhor do que seus usuários.
***
- Recapitulemos, agora, no melhor viés mercadológico: as músicas já estão ao alcance de quem não pode ou não quer pagar. E temos o Itunes, com o seu preço simbólico e com seu campo restrito - ainda assim, aberto à idéias. O que podemos oferecer que a internet, por si só, não tem? Fisgar pessoas? Como fisgar pessoas? E vamos fisgá-las para que? Para lotar shows? O que mais? Onde entra essa cultura da troca? Vamos continuar a ignorando?
- Agora, na hora da criatividade, é que a coisa desanda, porque os exemplos, ao menos hoje, estão nos artistas e não nos seus possíveis produtores (espantados demais com a crise das demandas). Os produtores estão falando em prisões, os artistas estão dialogando com a cultura da troca. Ou seja, além de observarmos uma prática que torna consumidores em inimigos, estamos vendo que representantes da indústria (prováveis “representantes/produtores” dos interesses da “classe artística”) simplesmente negando tudo o que já tem sido feito até agora por esta mesma classe, diante das mudanças do modelo de mercado. Exceções patéticas à parte, consideramos, Gil: só artista peixe-grande costuma condenar a pirataria. E é sempre assim (como Deleuze em relação a certos psicanalistas falando sobre o desejo): “eles falam como padres”.
- Insisto em dizer, Gil, que a criatividade destas pessoas tão importantes à música enquanto arte-para-consumo (como produtores/treinadores, cabelereiros, maquiadores e acessores de imprensa) não está sendo de ajuda agora. Estou falando do Brazil com Z também! Os artistas, você tem razão, Gil: sozinhos, também não dão conta do recado - mas só se este “recado”, aqui sonhado, seja um recado de uma major. De um tubarão, transpeixe. Aí, concordo. Realmente não dá, competir com Coldplay. Restou a justificativa: pra que? Por quem? Pela “sociedade”? Enfim. Olha, não ouvi o último do U2 (aliás por aqui vocês estão sendo os melhores incentivadores da desobediência civil para o último do U2, rs) - agora, o último do Coldplay, holofotes e grammys à parte, não me diz nada. Coldplay: ricos e agonizantes. Jamais iria a um show desses, e olha que gostei dos primeiros álbuns (que por sinal também não comprei). Aqui está uma diferença, pedra cantada há vinte anos: a gente não quer só dinheiro. A gente (toda a gente) quer coisas que façam sentido.
- Os projetos “major” no Brasil com S parecem estarem sendo o pagode, o funk. Mas se fazem sentido nas festas, na pasta do mp3 e na prateleira dos informais, idem. Volta e meia, os djs locais de funk aqui fazem shows: lotados. Não são tubarões. Talvez no Rio sejam desconhecidos? Sim, porque talvez no Rio não façam sentido algum. Que pretensão é essa de querer fazer sentido a todo o mundo? Ora bolas. Minha opinião com Coldplay não é a de todos, mas o fato é esse: não é mais só dinheiro na jogada; não acredito que alguém baixe, só por ser de graça, algo que não lhe faça sentido. Talvez nunca tenha sido assim de fato, mas a internet nos possibilita alternativas, diante de tudo aquilo que a indústria deseja vomitar onipresentemente. Acho normal que “conheçamos” Beethoven, Beethoven fez sentido já sem internet, na época que era a dele. Faz ainda hoje, através dos downloads. Mas daqui, de onde moro, vejo muitas coisas legais acontecendo sob a internet, que é o surgimento de uma nova forma de relação entre músicos e consumidores de música.
- Estamos numa fase de amadurecimento na construção do público. Onde estão as novas “teorias da recepção” musical? Gostaria de saber entender e explicar o que está acontecendo. Porque os artistas podem não dar conta desse recado que você parece incitar como sendo o único desejável, Gil (o recado tubarão), mas com certeza dão conta do seu próprio, um recado regional. Que pode, sim, ter mesmo o tamanho de um banheiro, em comparação ao universo e às estrelas do grammy. E com toda a dignidade, que aliás não é lá coisa que se costume encontrar no grammy, à exceção de verdadeiras ilhas.
- Temos como mudar e levantar toda uma indústria à moda antiga com isso? Não vou perder meu tempo pensando a respeito, porque não me preocupo. Esta situação é tão aterrorizante? Vejamos: para quem? Para “wannabes” tubarões e tubarinhos. Mas com certeza, existem problemas e infelicidades sendo geradas na assimilação deste novo modelo, para além das viúvas.
- Penso aqui num mapa e imagino as variadas cenas, as muitas facilidades, e todas as iniciativas estão (já estão) interligadas em rede. Duas fotografias. Ontem: Caetano viaja de Salvador com a sua irmã cantora, a substitui em num programa de tevê, e daí nasceram estrelas possíveis, em um modelo antigo de mercado, centralizado, que os produz e os lança em escala nacional/mundial. No modelo novo de mercado, Caetano, já famoso nacional e mundialmente, houve a banda Y, que é famosa regionalmente, e comenta em seu blog. Vou lá e baixo o álbum dessa banda. Quero ir no show, e pagar por isso. Eles talvez não saibam de nada disso, que receberiam em Porto Alegre retorno de minha parte. O jabá da divulgação saiu grátis a quem pagou, mas o retorno será real a quem o receber. Você, Gil, e talvez os familiares e amigos do pessoal dessa banda Y, podem se perguntar: será que eles serão Coldplay um dia? Serão infelizes até que isso aconteça? Ou estamos diante de um outro universo?
- O que é ser “major” na era do download criminoso - digo, da cultura da troca na internet/desobediência civil? Minha crença, mais nos artistas do que nos produtores/treinadores, cabelereiros, maquiadores e acessores de imprensa, vêm daí: hoje os artistas têm muito mais pé no chão para responder isso. Assumo com gosto o risco da ingenuidade, mas diga aí: os independentes não são viúvas, estão usando a internet. Na marra. E curtindo. Vão lá, dão com a cara nas portas virtuais - e insisto, existem coisas maravilhosas aí. Coisas que vejo aqui, Gil, e que você não conhece. Coisas que você ouviu no myspace aí, e que eu talvez nunca vá conhecer. Porque a cultura e o mercado são outros, não temos mais toda essa ganância. É o mercado da troca (esqueça o viés monetário), da troca de experiências, da troca de idéias, que caminha até uma próxima etapa, a etapa da co-elaboração, na qual estamos. Estes artistas estão na internet, mas você pode não conhecer, caso more fora do estado. Não é incrível? E os artistas se conhecem, saem daqui, arrumam shows em outros lugares. A coisa anda meio maluca.
- Los Hermanos deslancharam em meio ao Napster e a era do download. Com Abril e BMG imagino que ganharam uma equipe de cabelereiros/barbeiros, mas sobreviveram pelo modelo antigo, em meio aos downloads. Os dois discos do Radiohead depois do Ok Computer (KID A e Amnesiac) fazem parte de um mesmo projeto com a mais clara distinção de não continuar no caminho mais fácil, na repetição (como fazem os tubarões fora de moda do Coldplay, por exemplo). KID A têm um agradecimento à comunidade do Napster. São os tubarões da era do download, mas que já tinham se estabelecido devido à grande indústria. O último álbum foi disponível gratuitamente. Mas os shows de Radiohead no Brasil só tiveram seus ingressos esgotados quando anunciou-se a banda de abertura, Los Hermanos. Acho tudo isso um excelente retrato de uma fase de transição entre os modelos de mercado. Que elementos novos e positivos temos aí?
- Uma prova da existência destes elementos está neste blog, diante de nossos narizes e barbas virtuais: a co-elaboração como forma de divulgação. O blog não foi acessado por todas as pessoas que se conectam à obra nova de Caetano. Mas uma obra nova, Zii e Zie, ganhará um outro significado entre nós, que acessamos o blog, porque algo foi compartilhado. O que temos à disposição, que o Itunes, o Pirate Bay e o mp3 não tem (pelo menos não em sua essência, que podem ser aproveitadas para tanto), é a troca e a possibilidade de interação direta entre artistas, sua arte e o público, seus consumidores. Porém, minha opinião: isso não é lá tão monetizável para uma pretensa grande indústria. Um webmaster ou mediador antenado faz um trabalho análogo ao de um produtor musical. Dou toda a razão em sua verve, Gil, você é um lutador mesmo, como diz o Glauber. 10 mil acessos no myspace não levam à nada - mas somente se nós almejamos ser Coldplay. Para os indivíduos isolados, que acessam, baixam e ouvem, pode fazer muito sentido. Parece uma das características do novo modelo de mercado: artistas e consumidores de música têm maior liberdade para “convencer” e se deixarem convencer.
- Passando a limpo um dos binômios mais conhecidos do rock 80: o PAPA é um neonazista muito mais criticável (e até agora, mais provável) do que o amigo direitista dos caras do Pirate Bay. E o POP, enquanto arte-para-consumo, está se transformando (ou morrendo mesmo, numa visão mais holística). A estética das bandas indie às vezes até lembram Warhol ou Lichtenstein, mas a arte pop, talvez, já tenha deixado de ser a arte-para-consumo” por estar dividindo a audiência com produções regionais, com projetos cada vez mais próximos de seu público. O consumo é mais interativo nos shows. Poderia ser assim também na internet, mas em Itunes e derivados, incluindo a MPAA, criatividade não é uma referência.
- Quanto a um Brazil com Z que eu julgue compatível com toda essa confusão, cito a Cibelle Cavalli. Vale o exemplo? Veja bem: ela teve acesso a alguns selos e produtores. Ela é de São Paulo. Mas para garimpá-la tive que conhecer as preferências musicas de Érico, amigo meu de Salvador. Se eu não tivesse saído de Porto Alegre, talvez nunca faria o download do seu álbum - que está na internet! Não sei se a Cibelle está infeliz assim com este “problema de distribuição”. Ela chegou até a mim sem que eu fosse seu vizinho ou familiar. Mesmo de longe, sei que ela não está restrita ao seu banheiro. Cibele é um tubarão em plena época da internet, um passo adiante daquilo que podemos dizer sobre Radiohead ou Los Hermanos. Anseio por um show, mas ela parece não estar nem aí. Você disse que a plataforma é o computador. Podemos acreditar no potencial do virtual para promover Cibelle, descobrir como ela poderia transitar, para que me atacasse “aqui”, onde eu estava, sem que eu precisasse ter conhecido meu amigo Érico. Mas talvez não seja do projeto dela atacar-me. Ouvi dizer que gravou em nova iorque com não sei quem, que tocou no Carnegie Hall. Acho que ela está feliz assim, trocando os meus centavos pelos cents de outros. Compartilho, aqui, da tua preocupação, Gil - embora não tenha a pretensão de planejar a carreira de Cibele à sua revelia. Ela não parece almejar o Coldplay (porque ser Coldplay é fazer uma outra coisa). E a cultura da troca (a mesmíssima dos criminosos downloads) está aí, aguardando as iniciativas que a decifrarão. Pois bem, o que a própria Cibele já disse a respeito disso?
=> Cibele no Bate-papo:
Fonte: http://musica.uol.com.br/ultnot/2007/01/24/ult89u7418.jhtm
massagista_acre: Cibele…como você se sente fazendo carreira fora do brasil? Você acha que as pessoas no exterior valorizam mais o seu trabalho?
(07:33:31) Cibelle Cavalli: massagista_acre, acho que não tem mais tanta divisão, está na internet, e um planeta só. Ta tudo tão globalizado.
=> Cibele numa matéria:
Fonte: http://musica.uol.com.br/especiais/2003/07/03/ult1541u35.jhtm
O disco tem recebido resenhas elogiosas em todos os países onde foi divulgado -Inglaterra, Alemanha, Bélgica, França, Estados Unidos. O jornal inglês Independent deu à cantora o epíteto de “rainha no exílio”, pois sua música seria sofisticada demais para o público brasileiro, título que Cibelle descarta.
“Acho que o público quer ouvir algo novo. Tem muita música boa no Brasil, mas o que se ouve na TV e no rádio não é tudo o que está sendo produzido”, avalia.
O debate tá massa, Gil. Só continuei contribuindo porque vi que este diálogo não está sendo um monólogo.
***
Ps: Coisas escritas ao som de Teclas Pretas, banda que quero ver quando voltar à Salvador!
Abraços
Março 11th, 2009 at 5:52 pm
Caetano você comentou que o projeto gráfico de Zii e Zie já está concluido, de quem foi a idéia e concepção, sua mesmo?
Como foi o processo?
beijos
Guilherme Ginane
Março 11th, 2009 at 6:07 pm
Sobre o carnaval ainda tem muita coisa pra se debater e uma delas é a questão da segregação.
Os trios chamados de “independentes” podem até sair, quando são realmente independentes do dinheiro público. É raro o dono desses trios bancar a alegria do folião, sozinho. Sempre há um, ou outro, patrocinio. Deveriam ser todos INDEPENDENTES do poder público. Trios auto suficientes não existem em Salvador e quando nada recebem, é a maior gritaria e até manifestos acabam rolando.
Não quero ser mais realista que o rei (os “momos” são mera figurações), mas essa questão de cordas separando e ocupando o espaço do folião, precisa acabar, como essa lógica mercadológica que impregna o carnaval da Bahia.
A Ditadura do Axé ainda existe e é muito forte. Evidente que os espaços estão sendo abertos para
outros ritmos. Até Falcão, do Rappa, já arrastou folião pipoca, lá pelas 4 da madruga. Eu estava ali, no lixo da madrugada!
Não compreendo porque deram o nome de axé “music”. Implico com esse “music”. Porquê não puseram, simplesmente, música de axé, ou axé musica ?
Março 11th, 2009 at 6:20 pm
Glaubito, my friend
Meu pai foi um químico. Um cientista das cores e matizes. Sua especialidade era corantes. Pouco sabia de música e só sabia cantar Jardineira. Mas… foi a alma mais melódica que conheci. Seus olhos marejavam escutando Chico cantando Olhos nos Olhos. Há mais música em alguns seres humanos explicitamente menos musicais, do que em outros virtuosos do solfejo. Dei-lhe a canção de presente gravada num documentário que produzi sobre meus ancestrais, na festa dos seus 80 anos.
Hermano
É bom te escutar falando alto e em bom tom. No seu comentário há uma síntese muito bem alinhavada de todos os pontos levantados por aqui sobre o axé. Gosto do axé e gosto dos seus argumentos. Essa direção verdadeira e transparente que você propõe pra continuidade a conversa é tudo que desejo nesse blog. Inclusive nos outros temas como língua portuguesa e música na web. Gosto muito do momento em que a discussão política se transforma e algo propositivo. É nessa ponte que eu moro. O lado de lá e o lado de cá só me interessam se houver passagem. O resto é recalque, reclamação ou conclamação ufanista e conservadora.
E é por isso que sonho com a concretização dessa profusão de pensamentos arremessados aqui no blog num fruto concreto: zii e zie na plataforma digital num formato trans-formador.
Nem sei se esse tema pegou, aí na sua testa. Se você acha insano. Mas é bacana imaginar que um grupo tão diverso tenha se formado na web em torno do nascimento de um álbum. O álbum nasce afinal e com ele, parece que algo mais pode acontecer. O principal desdobramento de OeP, pra alguns seria a sua própria manutenção. Não sei. Pode ser. Mas acho que já há algo no campo magnético pedindo ruptura, trasnformação, pressão.
Cê acha?
beijo na testa
salem
Março 11th, 2009 at 6:23 pm
Oi, Caetano e pessoal.
Othon: outro dia fui ao myspace do Caetano (será que era o oficial? Parecia) e vi um texto em inglês onde ele era apresentado como ativista de esquerda.
O Zizek olha sempre os dois lados de toda a questão e por isso, quem sabe, atraia Caets. Ele, na entrevista que vi, manifestou-se a favor das telenovelas brasileiras (contrastem: Glauber disse que uma delas acabava com mil cursos de marxismo-leninismo que se fizessem no Brasil)!
& na mesma entrevista, Zizek ainda disse que o filme Clube da Luta é referência para saber quem é liberal: quem não gostar e disser que é fascista, é direita, é liberal.Eu passei longe desse filme.
Então vai ver que sou transliberal delirante e com tabuque.
Eu sempre prefiro uns filmes americanos como a biografia do Johnny Cash e a do Capote, por exemplo…
E sobre Raul: um amigo meu do PSTU uma vez me disse que adorava fumar um em seus shows e que o trânsito no centro de BH segue a lei Raul Seixas: faça o que tu queres pois é tudo da lei!
kkkkk
Março 11th, 2009 at 6:55 pm
Oi, Caetano e pessoal.
Caetano: são cinzas ou sonhos? Por onde o Sarraceni, hein? Comente para a gente esse trechinho bacana de um filme dele que tá no youtube e tem vc e Caymmi em Roma:
http://www.youtube.com/watch?v=zLpIZlGTVzY
Abs do Lúcio Jr
Março 11th, 2009 at 7:38 pm
Flora e Tânia: amo a criatividade comercial do povo da Bahia expressa no triunfo do seu carnaval. O texto de Hermano + o texto de José Marcelo Zacchi dizem o essencial do que é preciso dizer. As reivindicações dos cordeiros - melhores soldos, melhor alimentação e obrigatoriedade do equipamento de segurança - são prova de que se trata de um grande negócio em andamento, ouvindo as exigências de crescente humanização (da parte ainda não suficientemente civilizada). Nos tempos de que alguns dizem ter saudades, as normais cordas e as anormais atrocidades se davam sem que houvesse sequer consciência de que se podia exigir melhoras. A axé music foi decisiva também para o aumento dessa consciência. Tudo isso porque é uma massa de música inspirada, forte e relevante.
O termo “axé music” é tido como tendo sido inventado pelo jornalista baiano Agamenon Brito com o intuito de estigmatizar (ele era tipo rockista modernóide imitador dos branquinhos da Ilustrada), mas Moreno me mostrou a contracapa do primeiro Lp do Muzenza, em que o autor se refere com orgulho à música dos blocos-afro como axé-music. Não sei se ele ouviu o termo já salvo pelo uso inocente do povo das ruas da Liberdade ou se foi esse povo quem inventou a expressão que o Agamenon quis usar como pecha. Estamos vendo que parte da má intenção do Agamenon frutificou. Mas parte da inocência do criador forte também. Isso é vitória nossa.
Gaiolas NÃO.
Heloisa: voltando ao século passado: então “aquele” é masculino e “aquela” é feminino, mas “àquele” e “àquela” não têm gênero. Gostei das idéias do Possenti porque gosto de ambigüidade quando se trata desse assunto. Mas o falante (e escrevente) brasileiro intui “àquele” como masculino e “àquela” como feminino. Contar aos alunos que há semelhança entre isso e o caso de “ao” e “à” não seria inútil. Acho que seria uma revelação.
Março 11th, 2009 at 7:39 pm
miriam,
amar alguém e ser correspondido é dormir em paz. um beijo procê e franco, este homem de sorte de tê-la ao seu lado. aêe, francão, danadão! hahaha
……………
salem,
teu “samba do químico” foi dos que mais gostei. bonito e inspirado. teu pai ficou feliz, acho. e não esqueço teu avô. já sou fã incondicional dele.
……………
caetano,
estranho que o lance das gaiolas não tenha causado barulho na imprensa e opinião pública, não? soube que até apareceu no jornal local aqui…se souber de mais detalhes, bota a boca no trombone que cê é o cara pra isso.
ah, esqueci de dizer que na minha infância, além de você, milton e chico, rolava também muito gilberto gil, claro. tem jeito, não: onde tem caetano, tem gil e vice-versa, haha
Março 11th, 2009 at 7:48 pm
Hermano,
Um mundo com cordas - guardadas as devidas proporções - é como um mundo com muros. O
de Berlim Caiu, felizmente!
Março 11th, 2009 at 7:54 pm
Gente sem graça de salão é quem se encastela na ladainha anti-axé. Mas pra mim o princípio fundamental da conversa é cada um no seu quadrado.
Também acho bacana a visão do Carnaval como utopia possível de “todos iguais esta noite”, e estimulante a sugestão de mobilidade e liberdade plenas que seus mais belos momentos encarnam. Também não gosto de encontrar um mar de gente diferente de mim em praias secretas que um dia foram só minhas, na Bahia ou onde mais for.
Mas isso se chama convívio democrático. Gosto de axé, mas isso não importa: defenderia de todo modo até a morte o direito de que se goste. Poderia lançar-me em aventuras estéticas em busca do que de mais instigante habite hoje o caldeirão eterno daquelas ruas naqueles dias, e nem teria dificuldade alguma nisso, como já mostraram o caminho Quito, Lucas e tantos outros antes aqui, além de Caetano, é claro. Ou poderia não gostar.
Mas teria sempre que respirar fundo e conter a pretensão pequeno-burguesa (mesmo que intencionalmente stalinista) de reivindicar o resgate da minha praia idealizada ou de ensinar à turma nova o jeito certo de curti-la, caso me pegasse acometido por tais instintos de salão (mesmo que intencionalmente públicos).
O mais é o exercício fascinante da negociação fundiária em territórios compartilhados: aonde as cadeiras, aonde os cordões, aonde os independentes, aonde a pipoca, as tribunas, as massas, vanguardas, velhas-guardas, alternativos, aonde a urina.
E mais fascinante ainda, para mim, é perceber a desenvoltura também da vivência baiana nesta tarefa: diversidade praticada que não precisa mais do que da leitura atenta da soma dos relatos feitos aqui para sobressair-se. E processada no bom debate permanente da negociação dos espaços a cada ano que passa: aqui com a chegada dos blocos afro, ali com a expansão dos cordões, na encruzilhada com a reação dos independentes, a criação de novos circuitos, o fim das cadeiras nas calçadas, os camarotes e a vista pro mar, o ordenamento do comércio, da infra-estrutura, da violência. Cidade em movimento.
Carnaval como ritualização também de experiência democrática, convívio, diferenças, pactos e liberdades. Chame gente.
Eu sei: somos brasileiros militantes, filhos de terra-mátria. Não gostamos intuitivamente de regras e limites públicos, por intuitivamente reconhecê-los castradores ou colonizantes. Mais ainda, é claro, quando o assunto é Carnaval. Pode ser. Mas eu prefiro enxergar a dimensão de história tomada nas mãos que há nesta trajetória recente toda do Carnaval de Salvador (vão já, o quê?, umas três décadas, não é isso?). E não sabendo seduzir-me pelo pós-stalinismo de Zizek neste caso, não posso deixar de fazê-lo pela visão no meio disso tudo da coexistência possível entre diversidade libertária e ordem negociada, devidamente desfeitas de complexos filiais. E de ler aí a sugestão animadora de uma outra utopia brasileira particular (próxima daquela, quem sabe, de visionário que não carece de seguidor).
Março 11th, 2009 at 8:11 pm
Caro Caetano
O filme que Lúcio Jr se refere é “Amor,Carnaval e Sonhos” de Sarraceli.e não “Amor Carnaval e Cinzas”.Você deve ter confundido com “Maria Carnaval e Cinzas”,não sei de autoria de quem,que Roberto Carlos cantou em um dos festivais). Este você deve conhecer sim,pois data de 1972 e foi a ultima aparição de Leila Diniz no cinema. Leila morre pouco depois em um acidente de avião quando retornava ao Brasil.
Beijo terno
Réa silvia
Março 11th, 2009 at 8:18 pm
Muito boas as colocacações de Quito no comentário 182, como ele disse, quando eramos jovens(hahahaha) assistimos com entusiasmo e interesse as transformações ocorridas em salvador, a industrialização não foi apenas do carnaval mas também da cidade. A chegada do macdonalds, pizza hut, melhorias urbanas na “zona sul” da cidade, instalação da ford motors, acm com muito poder no governo FHC levando as verbas e o parque industrial para a Bahia, informatização das comunicações(lembro que tirei meu passaporte em 15 minutos).
Não a toa, salvador anos depois viria a se tornar uma das maiores capitais do país. e esse crescimento, como sempre ocorre no Brasil, não foi ordenado, e assim as perferias explodiram em Salvador. gerando um aumento brutal da violênica e da entrada de drogas como o crack, que hoje estão em qualquer esquina do pelourinho.
Mas voltando ao carnaval, eu e Quito sempre lutamos por uma internacionalização e diversidade do carnaval soteropolitano. Por isso fiquei feliz de ver esse ano uma ponta de esperança em relação a uma possível transformacão.
E essa postura não é contra a axé music(que como disse em meu texto tem todos os méritos pelo seu profissionalismo e competência), dos empresários às cantoras como Ivete. Minha colocação não é contra a axé music mas para além, muito além dela.
Quando você conversa com um menino de classe média em Salvador ele conhece apenas Axé music. Seu conhecimento musical é limitado. Em outros lugares do Brasil você conversa e eles são muito mais abertos e bem informados sobre outros estilos musicais. E não estou falando de nada difícil e cult.
Afrobeat por exemplo tem tudo haver com a axé music, mas ninguém conhece. O ragga tem tudo haver com o pagode, funk carioca, etc. Muito pouca gente conhece. Então me preocupo com esse bitolamento provocado por essa indústria lá. E esse bitolamento tem haver com a maneira como Acm se apropriou do discurso da axé e transformou a “baianidade” que era algo natural do baiano, numa coisa caricata de si mesmo.
Bom, esse papo rende muito e tem muitos desdobramentos, por hora fico por aqui. E eu que já não escrevo muito bem o português então fica mais difícil, hahahaha.
Numa oportunidade futura sentaremos juntos e destrincharemos essas questões do carnaval. Tomara que Quito esteja presente também.
Viva Margareth Menesez cantando Maga Ragga esse ano no bloco dos mascarados, e viva o ministério público sound system, que fez toda as peruas dos camarotes de ondina descerem até em baixo ouvindo dance hall.
Abraço forte para você e Quito .
Março 11th, 2009 at 8:28 pm
hermano,
compreendo perfeitamente seu último comment.
meu interesse é que salvador exista [não apenas enquanto "resistência" ou "curiosidade", mas como algo natural] para além de tudo o que tem a ver com o carnaval [axé music inclusa]. estou nisso desde os 15 anos de idade e seguirei lutando para que mais e mais pessoas descubram aqui, que existe um mundo inteiro lá fora, cheio de possibilidades.
viver o carnaval [e axé music] o ano inteiro é desperdício. e é isso que acontece por aqui. salvador não é [ou não deveria ser] um balneário carnavalizante ou carnavalizado ou carnavalesco, como preferir.
como disse o “blur” nos 90s, “…stereotypes, there must be more to life” [pra quem não fala inglês, não sei traduzir isso a contento, mas é algo como "...estereótipos, deve haver algo mais que isso, na vida". heloísa, como cê traduziria esta frase?]
mas como disse, compreendo o que cê falou e concordo com vários pontos de sua argumentação. vamo em frente!
Março 11th, 2009 at 8:40 pm
tasquiupariu, pra mim lenartei disse tudo. tudo! e não é porque citou o teclas, não. é porque disse tudo mesmo!
hermano, “não existiria som, se não houvesse o silêncio”, não?
e o caeblog pega fogo. burning blue!
Março 11th, 2009 at 8:50 pm
hermano mistura tudo, indústria da música com exploração de abadás…francamente…nesse caminho vale tudo. fala da plena decadência do negócio da música de boca cheia se lixando para verificar o que se passa e como se passa. Que decadência é essa? os 10 bilhões de faturamento que a indústria perdeu ao eleger o digital como objetivo de futuro? seria isso um desacerto? talvez seja cedo para vaticinar a decadência. A inglaterra também está em decadência, os EUA nem se fala? É preciso saber ler melhor o que se passa, não é tão simples assim.
O que experimentamos é a mudança do paradigma para digital, e o que resta? a Música anglo americana, só ela dispões dos meios para se desenvolver , e é exatamente esse o ponto, a isso é que devemos meditar muito… a quem finalmente serve o avanço tecnológico e, de resto, as crises. Visto isso, como podemos nos adiantar?
Conversa de experiências de pé de chão, quem quer saber disso e que força isso tem pra projetar de fato nosso desenvolvimento? Será que estamos diante da defesa dos carnavais fora de época? vamos transformar tudo num tremendo carnaval? é isso? ora ora, é escambo de um lado, pré capitalismo de outro e fenômenos, muitos fenômenos…chega de fenômenos, bolinha rente a relva. A vitória do Axé…onde? Na Bahia? No mundo nossa vitória é o samba, nos Eua, na Europa e no Japão…samba brasileiro, nem vou entrar nessa de carioca que isso é besteira, o Rio coitado…sofre. A vitória do Axé é uma fotografia, não teve ainda força de multiplicação pelos ouvidos do mundo… mas pouca roupa, alegria e bagunça todo mundo gosta até em Barcelona…vamos mais devagar senão parece que estamos diante de um “fenômeno”, desculpe mas não é. O que não diminui em nada uma música que se faz na Bahia. Nem gênero ainda é… querem que seja. Mas viva axé music pra quem gosta e pronto, e de repente Caetano pega e faz uma maravilha com a antologia e vai para o quadro.
Não há modelo de negócio salvador que sobreviva com procedimentos não civilizados vamos dizer assim, nem a indústria da música nem a dos abadás.
Março 11th, 2009 at 9:07 pm
Her Mano…todo amor do mundo hein…na boa.
Março 11th, 2009 at 9:12 pm
Gil
Ficou bem claro que quando Hermano se referiu à “evidente decadência da indústria fonográfica” falava da indústria de CDs. Esse mal entendido já rolou entre a gente, quando eu disse que a indústria fonográfica centralizada nas majors estava “decaindo” O fato não é contrário ao que você aponta, o crescimento do mercado digital. Corrobora.
O que é pontual no escrito simples e direto de Hermano é: a crítica do gosto travestida de crítica social e política. O sujeito odeia axé e fica dizendo que “a corda isso”, que “o racismo aquilo”, que “o lucro isso”, que “a indústria aquilo”. Ora, ele foi lúcido: o modelo nunca é perfeito, mas está em franca evolução.
A questão é: se o mesmo fenômeno ( e é um fenômeno, sim, Gil) estivesse acontecendo com outro estilo musical, o rock por exemplo, os mesmos críticos teriam a mesma posição.
Tomemos o grande boom do rock brasileiro nos 80. Uma grandeza! Dezenas de boas bandas brasileiras ocupando o espaço das gringas nas FMs. Mega-eventos como Rock and Rio e Hollyood Rock, Paralamas e Titãs abrindo shows de megastars e roubando a cena. Havia cordões? Claro que sim. Havia comércio? Lógico. Alguém criticou o aspecto comercial desse crescimento? Imagino que só um maluco. A melhor e mais pertinente crítica que se fazia era a gigantesca diferença da qualidade do som, das passagens de som e da logística destinada aos gringos em comparação à atenção dada às nossas bandas que estavam mobilizando mais energia do público.
Hermano falou dessa vocação pra festa. E também falou an passant da nossa enorme e triste vocação para o desperdício. Não podemos reprimir o que evolui com grandeza artística e comercial de forma tão espontânea. Não podemos desperdiçar o axé. Não podemos desperdiçar idéias. Há muito técnicos de futebol e música popular no brasil. Mas quem entra em campo e joga o jogo, pode ser vítima do desperdício. Ronaldo falou disso no Bem Amigos, segunda feira. Jobim passou a vida falando disso. Basta acertar a mão na criação, que alguém te acerta a mão na cara.
Hermanito
Cê disse:
“muitas vezes o que é bom dá e passa… e é bom porque passa…
mas talvez tenha que continuar transformado… outra coisa…”
eu disse:
“zii e zie na plataforma digital num formato trans-formador… O principal desdobramento de OeP, pra alguns seria a sua própria manutenção. Mas acho que já há algo no campo magnético pedindo ruptura, trasnformação, pressão.”
sou mais confuso, mas é parecido não é?
in test
salem
Março 11th, 2009 at 9:27 pm
oi Lucas:
claro que concordo com o que você fala (e sei muito bem que você não é contra axé music) - também sou por mais e mais diversidade no carnaval de Salvador e em qualquer carnaval - tanto que no Rio este ano só vi o Bloco Cru
http://www.youtube.com/watch?v=HUaxYydV_VQ
os suecos no Plano B, o Revelação no Terreirão (lotado de Ecko), o o samba maranhense dos Mariocas…
e adoraria ver Buraka (que tocou no Rio no Baile Skol de Campo Grande e Caxias) e Deize Tigrona num trio na Praça da Apoteose - já viu o clipe? transamba em Lisboa! sensacional! é sucesso estrondoso em Portugal, mainstream mesmo - e o Daniel Haaksman me falou que a turnê do Buraka na Alemanha arrebentou - o mundo está dominado):
http://www.youtube.com/watch?v=RPsRK7wboK8
olha o Tejo aí gente!
abraço!
Março 11th, 2009 at 9:53 pm
“Sonho que se sonha só
É só um sonho que se sonha só
Mas sonho que se sonha junto é realidade”
( Prelúdio – Raul Seixas )
Raul Seixas foi,o que na Índia chamam de “um buscador de caminhos”.
Trouxe nesta sua encarnação,sementes anímicas intensas,que no meu ponto de vista,tentou desenvolver de forma desordenada.
Quando adolescente,trancava-se num quarto escuro, acendia uma lampadazinha vermelha,e ficava horas,com o olhar fixo na luz,na expectativa de rolar algum barato.
O que conseguiu foi uma miopia precoce,que o acompanhou pro resto da vida.
Mais tarde,deixou-se envolver por doutrinas enigmáticas,praticadas por uma pessoa,que em vida auto-denominava-se “a besta do apocalipse”.
Essa influência quase o levou à loucura - a patológica,que leva à internação em manicômios - tamanha a intensidade das forças telúricas,barra-pesada,que atraiu sobre seu cotidiano.
Paulo Coelho estava com ele nessa,e num de seus livros,toca de leve no assunto.
Conseguir emplacar um sucesso,nas rádios comerciais,em 1974,que tinha mais de 4 minutos de duração,com uma letra insólita,na contramão de tudo,é coisa de gênio,cara…de gênios.
Ainda hoje eu escutei na rádio Bandeirantes AM do RJ,a canção que Raul e Coelho,fizeram,na linha bhakti,da cultura vaishnava, baseada num dos capítulos do maior livro de conhecimentos espirituais do oriente,o “Bhagavad Gita”.
Sim,Gita é a canção.
Dizem os sadhus da Índia,que qualquer ligação que se estabeleça com a Divindade,é suficiente para proteger a pessoa das maiores obscuridades.
Sou de opinião que a sinceridade nas buscas,e o encontro com essas sublimes energias,mantiveram nosso maluco beleza,no caminho que era só dele.
Chegar ao fim de uma encarnação – que é um sopro,diante da eternidade – sendo carregado pra urinar,pra subir no palco,decrepitudes e deformidades,são neblinas…
É a casca da cigarra grudada na árvore,enquanto ela está há anos-luz de distancia,enviando ressonancias da sua alma através da Metamorfose Ambulante,Al Capone,Ouro de Tolo,A Maçã,O Medo a Chuva,Como Vovó já Dizia…
Castello.
Março 11th, 2009 at 9:54 pm
Caetano,
Já te pedi, cê grava Vale da Sarajane, né?
Flora,
já se sabe da dinâmica irrefutável a que o tempo e a história nos remetem e obrigam a participar de alguma forma. Nasci em Cruz das Almas e diria sem titubear que as espadas juninas produzidas hoje são muito diferentes das que eram produzidas na minha infância. Naquele tempo, aos 9 anos podíamos brincar de pular espada. Hoje, as pessoas temem até sair de suas casas. Mas não acho justo comprometer a beleza da festa de São João, inclusive a beleza da própria espada por conta desa mudança. Pode bem parecer papo de burguês: o que eu não sou, mas será que o carnaval do cara que cata latinha é tão derrotista como alguns pensam que seja? É possível que no Bairro da Paz, d. Maria tenha sido mais feliz ao assistir o carnaval pela tv no barraco onde mora do que a Dra. Sthéfane Zimmermman, que deixou sua clínica de cirurgia plástica em Jardins, São Paulo, e mais uma família cheia de carências para brincar sozinha e melancólica dentro das cordas do Nana Banana. Quiçá, para fazer sua último Post, Caetano tenha visto a esta última e a tenha querido “amar”. Também acho que a razão que não leva (ou leva?) o Caetano a ser furtado, socado ou bulinado quando humanamente se mistura aos foliões, não eja simplesmente o fato de ele ser famoso e querido. Eu, por exemplo, nunca tive problemas no carnaval, mas temo a multidão, é coisa minha, sabe?! Quando vejo o Bocão no dia seguinte, me pergunto: eu estive lá? O próprio Caetano apresentou dados aqui sobre a queda da violência no carnaval baiano. Realmente, considero importante que você reflita sobre como se configuram as relações de poder nos espaços públicos quando estes últimos são tomados pela mais distinta multidão. E gosto também da idéia de você pensar o desfile do ilê, que eu amo (já falei algo no comment 41, se tiver curiosidade, leia)como o momento em que se marca a presença cultural e a identidade etnológica revelada na minha, na sua e na cara do Caetano (que de perto é muito branquinho assim como Bethânia, fiquei um pouco decepcionado quando os vi pessoalmente, esperei que fossem mais pretos). Fico pensando, inocente que sou, o quanto seria bom se pudéssemos fazer um carnaval sem cordas/cordeiros e farta alegria para todos. Mas como fazê-lo?
Hermano e Lenartei, que comments “jamanta”. rsrsrsrs
Té breve,
Wesley
Março 11th, 2009 at 9:55 pm
sim Salem: acho este blog incrível… coisa boa que aconteceu em nossas vidas (e mesmo nas vidas de gente que nunca passou por aqui [sou como o cara da música Muito de Caetano: nada modesto...]) - é uma experiência também, acho que inédita na intensidade com que a proposta foi levada a sério por todos que participam dela… quase todo dia fico impressionado/alegre com a qualidade da conversa por aqui, e com tudo que a partir dela podemos pensar sobre as consequências da internet para a produção cultural… agora: não sei se deve ser uma obra em progresso eterno… sou meio japonês: gosto de arquiteturas efêmeras… muitas vezes o que é bom dá e passa… e é bom porque passa…
mas talvez tenha que continuar transformado… outra coisa…
Gil: deveria ter falado indústria fonográfica tradicional (a que está baseada na venda de CDs ou qualquer outro suporte físico)… claro que a indústrias da música anda bem… hoje mesmo estava conversando com meu excelente amigo Daniel Haaksman, que tem uma gravadora novinha
http://www.manrecordings.com/
que está crescendo muito com vendas digitais - quem compra as músicas são DJs - quase sempre compram pelo beatport, você conhece?
https://www.beatport.com/
tem beatport em português, sinal que vende bem no Brasil também
o que é bacana lá é a área de mixes de DJs - muita gente compra tudo que seus DJs favoritos recomendam - outra coisa boa é a possibilidade de comprar arquivos com alta qualidade
a gravadora do Daniel sobrevive e está crescendo
dito isso: mas tudo no modelo de negócios da axé music é incivilizado? não existe nada aproveitável na experiência feita por lá? e não tem nada que possa ser feito para melhorar o modelo? ou você acha que é experiência para se jogar toda no lixo?
quanto a transformar o tudo num tremendo carnaval… tentadora sua proposta… uma vez declarei, em entrevista para a Trip (sou mesmo bem irresponsável…):
“HERMANO: Aliás, acho que esse é o maior talento do Brasil: fazer festa. As pessoas não têm mais motivo pra festa, e inventam! Outro dia eu peguei um DVD de Peabiru, interior do Paraná, da Festa do Carneiro ao Vinho [risos].
TRIP: Festa do Carneiro ao Vinho é ótimo.
HERMANO: Tem a Festa do Peixe Ornamental e o Piabódromo, em Barcelos, a Festa do Cupuaçu [risos] e o Tribódromo [risos], em São Gabriel da Cachoeira… A experiência mais fascinante da minha vida foi participar da excursão do Música do Brasil, em que a gente saiu, durante um ano, da Festa do Divino em Macapá ao Carnaval em Cuiabá, praticamente vivendo na estrada, indo a festas todo dia. Tinha uma hora que a gente estava cansado e aí vinha aquele bando bêbado tocando tambor, e aí a gente animava e ia atrás. Já conversei sobre isso com o economista Carlos Lessa, que foi presidente do BNDES, ele também fala muito sobre a economia da festa. O Brasil poderia se especializar, esse é um talento nosso tão evidente… Já pensou, que coisa boa pro mundo, um país especialista em festas? Eles vêm aqui, ficam doidões, sambam, voltam alegres pra casa…
Devia ter uma faculdade de festa. A alegria é a prova dos nove, dizia o Oswald de Andrade. Agora, tem essa coisa da sustentabilidade, né? Festa é desperdício, você faz comida pra milhares de pessoas, gasta o que não tem. Talvez a gente encontre um caminho… Essa é minha utopia de Brasil.”
Março 11th, 2009 at 10:43 pm
Caetano,
lembro quando escutei pela primeira vez essa canção. Acho que foi no primeiro dia do Obra… Em casa tentei recordar - só tinha a certeza do primeiro verso e do refrão - na semana seguinte estava lá eu no Vivo Rio prestando atenção para decorar. “Sem cais” me derrubou, é muito linda!
“Sem Cais” tocará nas rádios e todo mundo vai cantar!
Ela merece um clipão. Se não for o meu sonho-roteiro que seja um outro.
Há muito tempo que eu não recordava dos meus sonhos - deixo sempre um caderninho e uma caneta em minha cabeceira para o caso de alguma ideia. No caso desse sonho/desse dia, evitei perder tempo, acordei com ele todo em minha mente, liguei o pc, acessei o blog e deixei sair como saiu.
Talvez o texto esteja estranho ou confuso, ando com um bloqueio… não tenho conseguido desenvolver a minha escrita. Creio que já esteja passando, consegui chegar até este parágrafo.
De qualquer maneira, vou pegar esse sonho-roteiro e reelaborar. Mas a ideia principal é essa. O campo de visão em constante ampliação: o rapaz deitado, um outro nadando (quero tanto…). praia, beira do mar, mar, alto-mar - e pensei agora: a câmera continua nesse trajeto (ampliando), de repente o seu perfil cantando um trecho da canção, revela ao poucos o local onde você se encontra: sobre um rocha (Arpoador?) , até …
Pode ser em animação também. Seria mais interessante que não. Mas pode ser.
bjs.
Março 11th, 2009 at 11:43 pm
Caetano!
Não consegui apurar com certeza o que aconteceu com a gaiola dos loucos. Quando muito um incerto “parece que o Ministério Público proibiu”. Sei que o MP divulgou nota oficial se comprometendo a “acompanhar de perto” o caso; talvez isto, junto com a ampla repercussão, tenha feito o(s) autor(es) da idéia recuar. Creio que deva ter sido usada em algum lugar de menor visibilidade ‘midiática’, como você suspeitou (Glauber confirmou aí).
De qualquer maneira, tendo ou não sido utilizada, pouco ou muito, gostaria de dizer o seguinte:
O carnaval sem cordas é uma idéia bela e necessária, mas completamente distante da realidade. Acho que, sim, devemos lutar pela democratização, pela proteção policial, pelo dever do poder público em zelar pela segurança coletiva e individual, pelos deveres do cidadão a que Fernando Salem fez alusão. Mas, na real? Tudo longe, muito longe, da realidade. Lutemos, sempre!, mas conscientes disso.
As gaiolas dos loucos são um retrato múltiplo: da marginalidade que sai para “brincar de dar porrada” no carnaval; da ‘normalidade’ que aproveita o carnaval para exercer a marginalidade do seu duplo ou sósia; da marginalidade do policial (não todos, exceções etc) que sai para ‘dar porrada’ em quem sai para brincar de dar porrada (e em alguns outros, conforme seu humor); da marginalidade que sai para fazer o que sempre faz; e, enfim, dos policiais que saem para fazer seu trabalho com dignidade e enfrentam este tipo de proposta absurda; do folião pobre (marginal à margem do dinheiro) que sai na esperança de conseguir brincar em paz; dos privilegiados e/ou sofridos que conseguem seu abadá (muitas vezes pagando por ele durante um ano inteiro, a prestações) e saem dentro das cordas. E, por último mas não menos importante, do folião que nem tem mais coragem de botar a cara na rua quando vê uma imagem como essa da gaiola dos loucos, acuados que vivemos muitos de nós, para deleite de um dos grandes e incansáveis fabricantes de marginais de todo o sempre: o Medo.
Saudações!
Março 11th, 2009 at 11:53 pm
JOALDO, un gusto tenerte nuevamente por aquí.-
Te hice caso. Escuché y canté la canción que hacía tiempo que no sonaba por mis oidos. Adoro a Marisa y amo esa canción en particular.-
Sigo en veremos con Orkut, ya apareceré. Soy haragana, pero antes que finalice esta Obra en Progreso tengo que visitar a mis amigos. Lo prometo.-
A la espera de la revista por cierto.-
Un beso para você,
Lucre
Março 11th, 2009 at 11:54 pm
Crime e Castigo.
Sou a favor das gaiolas no carnaval.
Como punição aos humanos que transgridem leis criadas pela própria humanidade em geral usamos o castigo de cercear a liberdade.
Mas queremos os presos longe dos nossos olhos.
Incomoda também a quem olha não somente a quem está sendo olhado.
O motivo de querer tirar os transgressores de lá não é “pena” nem nada disso. Queremos elevar a nossa condição humana através disso por que nós nos sentimos em parte lá enquanto humanos.
Não chegamos lá ainda. Precisamos de gaiolas. Na “agenda” da construção de um mundo melhor estou mais preocupado com os motivos que os transgressores tiveram para transgredir. As motivações.
O argumento dos “direitos humanos” é um argumento de autoridade, vamos fundo na discussão, vamos discutir o “espírito das leis”.
Importante é estar claro para todos as consequências da transgressão antes da transgressão.
Além disso, sendo pragmático, tenho mais medo dos calabouços a (tem crase?) prova de som.
Eu estava tb na Fundação Casa de Jorge Amado no dia dos 80 anos do finado Jorge. Evoluímos muito de lá para cá.
Vamos deixar as gaiolas lá.
Vazias.
Como com os campos de concentração hoje museus.
Março 12th, 2009 at 12:55 am
Boa noite blogueiros de plantão…
Vi vários assuntos rolaram aqui.
Ouvi as canções de Salém e também gostei muito. O samba do químico é muto bacana, mais há uma outra, que é show, que fala de mulher.
Não sei porque após ler o comentário do Hermano a cerca do blog, pareceu um tom de despedida, será??
Não gosto de usar o termo axé music, até porque acho que não tem axé nos axés de hoje em dia. È tudo mais music estranha que axé.
Caetano é surpreendente o seu estilo de ser, de pensar, de escrever, fico fascinado com você, você me alucina.
Voltando ao comentáario de Caetano aqui, achei a escolha de Sem cais para o clip, acertadíssima,é a música com mais balada, com mais suavidade sonora do cd, e não que as outras não sejam, mais SemCais éespecial por si só. Desde o primeiro momento em que a vi no YOUTUBE foi de todas a que mais me chamou a atenção.
Gosto da democracia que há aqui, cada um revela seu ponto, mais todos admiram a mesma coisa.
Queria que alguém por favor me explicasse o porque o nome do cd é esse??
Um saudoso abraço a todos,
Luiz Carias.
Março 12th, 2009 at 1:06 am
BARBARA,
Leyendo lo que has mandado, pienso que te puede interesar el siguiente libro: The Mating Mind: How Sexual Choice Shaped the Evolution of Human Nature, de GEOFFREY MILLER.-
Supe de este libro hace un par de años gracias a DAVID BYRNE, como ya he comentado por acá ¡más de una vez!, uno de los “amores” de mi vida. El participó en charlas con el autor sobre este tema y fue así que me interesé por el libro y leí resumenes de capítulos y comentarios del mismo en inglés y tengo una idea general pero parcial sobre el tema. No lo he conseguido por acá y quizás no esté traducido al español, no lo se.-
Es un libro que despertó muchas polémicas y trata varios de los temas que comentaron tu y Vero.-
Simplificando pero mucho mucho, MILLER postula que nuestras mentes han evolucionado no como máquinas para sobrevivir sino como aparatos para cortejar y sostiene que las más enigmáticas habilidades de la mente humana son instrumentos de cortejo que han aparecido en la evolución para atraer y entretener a nuestras parejas sexuales.-
Bueno, si el lo dice, sus razones tendrá. Es un profesional muy respetado aunque polémico. No se nada del tema y no puedo opinar, sólo leer y tratar de entender algo de como funciona nuestra mente, tarea dificilísima por cierto.-
Con respecto al chocolate, le huyo para ser sincera, veo un bombón Garoto y disparo. Es que si me disponía a realizar la “tesis” comentada, iba a terminar con varios quilos de más y no es mi intención. No, con los quilos no se juega y ni las canciones de nuestro adorado “objeto de estudio” merecen essos quilos de más. Prefiero seguir con la intriga o intentar por otro lado.-
¿Se podrá cambiar el chocolate por una ensalada de lechuga y tomate acompañada de un vaso de agua?.
¿El efecto será el mismo?.-
Bueno, dejo por acá. Un beso para ti y que sigas con tus “investigaciones”.-
lucre
Março 12th, 2009 at 2:18 am
Caetano,
Não sou muito de carnaval.Só de olhar o carnaval da Bahia na televisão fico cansado.Acho que essa história de pipoca é coisa de jovem. No máximo até 25 anos.
Concordo quando Chico diz “uma ofegante epidemia que se chamava carnaval, carnaval…” em “Vai passar” para acentuar o clima da loucura.
Claro que adoro ver tudo, a manifestação popular, as músicas e a alegria, mesmo com hora marcada.
Principalmente o que acontece nos 3 grandes carnavais: o da Bahia, o de Recife/Olinda e o do Rio. Aliás se falou muito em sambódromo, em Brizola, em Darcy(que eu adoro de paixão) e não se lembraram do Niemeyer(adoro também) que projetou o próprio.
Eu concordo com a análise e a defesa ferrenha do Hermano sobre o desenvolvimento e a auto-suficiência que o carnaval baiano conquistou.Só não tenho gosto pela Axé-Music definitivamente.E não é pela sua origem,mistura caribenha, regionalidade ou o que quer que seja.Simplesmente,não curto.
Pode soar saudosista, mas preferia quando ficávamos aguardando ansiosamente pelo frevo que Caetano iria apresentar no carnaval.Era fantástico,mas aí veio o axé e tomou conta geral.A fila anda o que vai se fazer!
Em vários comentários aqui se falou do Raul Seixas.Eu partilho da opinião de alguns que gostam, mas não o acham gênio e coisa e tal.
Quando ouvi Raul pela primeira vez, não gostei, achei que não cantava bem e desafinava, mesmo em gravação, mas a sua banda de apoio tocava muito bem mesmo.
Não vejo o Raul próximo do tropicalismo, nem abarcado por ele.Acho, por exemplo, Arrigo Barnabé e Grupo Rumo mais nessa tendência.
Aliás, gosto muito da sua música “Rock’n'Raul” e da do Zeca Baleiro “Toca Raul”. A sua é bem mais vigorosa e a dele é bem moleca.
Gosto de me lembrar do Raul em forma, com a irreverência e alegria de atuar.O final da carreira foi muito triste.Prefiro apagar da memória.
Quanto à internet, seus controles ou falta de, acho que estamos vivendo um momento histórico de transição de comunicação de tudo.Em futuro não muito distante vamos poder votar regularmente para qualquer coisa pela rede.Caetano se referiu à nossa vocação de ficar fora, atrasado nas coisas.Não me parece assim,no caso da internet.
Aparecemos na liderança das estatísticas de utilização da rede e já há muito tempo com as declarações de imposto de renda(acho que fomos pioneiros nisso).
O modelo de negócios, principalmente em tudo que depende de direitos autorais, está mudando rapidamente.As gravadoras e editoras e por conseguinte os artistas produtores de conteúdo estão ainda um pouco perdidos, mas a necessidade urgente está aos poucos desenhando uma nova estrutura que já tem a Creative Commons, por exemplo.
Gilberto Gil que saiu na frente e é mestre nos assuntos da web, sendo reconhecido internacionalmente, sabe tudo.Tive a felicidade de ouví-lo e vê-lo no Fórum Internacional Software Livre de Porto Alegre, em 2004.Simplesmente fantástico o seu domínio e conhecimento sobre a matéria.Foi muito aplaudido e reverenciado pela nata internacional da web e dos jovens estudantes.
Abraços, Eduardo Adauto.
Março 12th, 2009 at 3:42 am
othon,
decisivos, eles foram, claro.
entendo o que você quer dizer, mas salvando a europa e a américa do sul da “ameaça comunista”, os eua também lucraram horrores com o plano marshall e os regimes ditatoriais de direita.
investimento.
e aqui na américa latina e nos países árabes, a cia fez um tremendo estrago. foi um rio de sangue. claro que os países comunistas também cortaram muitas cabeças e jorrou mais sangue…mas a via é de mão dupla, não?
acho que o único país que nunca quis dominar outro foi a índia. até por questões religiosas e tal. creio que não é leviano dizer que o brasil, os países africanos, árabes e outros dominados, fariam o mesmo, tivessem a chance. tem o pessoal do tibet também, mas em geral, as nações sempre têm ímpetos imperialistas, mesmo não colocando em prática. mesmo não podendo colocar em prática.
falei bobagem aqui?
Março 12th, 2009 at 5:37 am
Glauber, os Estados Unidos foram decisivos nas duas grandes guerras. E venceu, também, a guerra fria.Por três vezes os americanos salvaram a Europa,sim . Não dá para contar uma história que não aconteceu mas se o triunfo das democracias liberais sobre o nazismo e o comunismo não livrou a América Latina do populismo ,não há dúvida que qualquer supremacia totalitária, não permitiria que aqui se desenvolvesse qualquer coisa parecida com uma reserva democrática.
Abraço,leio seus comentários com admiração.
Othon
Março 12th, 2009 at 6:17 am
Caetano, concordo com você, ainda que pareça inacreditável: por isso eu escrevi que pela primeira vez chegamos a um consenso. Até tentei discutir essa idéia com o Possenti, mas ele parece não ter tido vontade de responder. Nem a mim e nem a você. Entendo a intuição de masculino/feminino porque sempre percebi isso. Nesse caso não importa o que as gramáticas digam, e sim a nossa percepção como falantes. Sempre procurei fazer com que o aluno entendesse a língua de uma forma menos burocrática.Você estranharia se soubesse como explico determinadas regras da gramática (atualmente, só a inglesa): por dedução pura, de uma forma meio louca que o aluno nunca ouviu antes. Mas funciona. Como uma revelação.
Rafael, adorei seu sonho. Mas eu tinha entendido que a pessoa deitada à beira-mar era a mesma que nadava. Como se, embora em segurança fora d’água, a sensação fosse de estar em busca de um cais. Não era. De qualquer forma, seria um belo clip. Você não tem explicação mesmo: é criativo até em sonho.
Salem e Glauber, não há como definir a inveja que sinto de vocês, que merecem curtir a emoção de ter Caetano ouvindo e apreciando suas músicas. É um presente sem preço, uma alegria pra sempre (Espero que Caetano me perdoe, pois vivo repetindo suas palavras. É que, por mais que eu busque, não encontro uma expressão melhor para o que é excepcionalmente prazeroso na vida). Alegria que o Teteco, o Castello e os outros músicos daqui deveriam experimentar também. Àqueles se prestam a essa ocupação, meu abraço: a vida sem vocês seria um silêncio insuportável.
Carias, Caetano disse que escolheu esse nome para o cd porque gostou da repetição dos sons. Ele viu as palavras num livro e escreveu aqui. Aí deixou que a gente quebrasse a cabeça para descobrir o que significava, mas era o que era mesmo: ‘tios’ e ‘tias’ em italiano. E enquanto isso ele se divertia, estou certa.
Março 12th, 2009 at 7:35 am
Caetano, Hermano, Flora,
Essa discussão sobre o Carnaval da Bahia não é apenas sobre mercado, política ou estética. É uma discussão que tambem contem um forte teor sentimental.
O que me levou a comentar o post Mau Gosto foi o amor que eu senti no texto de Caetano, com o qual me identifico inteiramente e que, eu diria, é o mesmo amor que eu tambem observei no segundo cometário de Flora. A história de que “quem ama o feio, bonito lhe parece” que apareceu no comment dela e que Caetano ressaltou, me parece ser a chave da discussão.
Diferente da percepção de Hermano, de que essa é uma discussão contra a axé music, creio que é, de fato, uma discussão que todos os que vivemos e amamos o Carnaval da Bahia sentimos necessidade de fazer e o post de Caetano como que promoveu essa oportunidade. É a necessidade de falar tambem sobre o que desequilibra e o que dói nesse carnaval maravilhoso que tanto emociona – e essa emoção, diga-se de passagem, é muitas vezes proporcionada pela axé music, como escrevi na primeira vez que participei desse blog (por isso, ao assistir ao dvd Noites do Norte, fiquei muda com a declaração de Caetano de que gostaria de fazer uma antologia de axé. Sei que isso acontecendo será algo tão maravilhoso a ponto de aplacar o preconceito e de promover uma reorganização na compreensão e na hierarquia da musica brasileira contemporânea).
O amor que Caetano transmite, ao se referir às coisas imperfeitas da nossa cultura, é de uma sensibilidade sem precedentes, na cena contemporânea brasileira. O seu amor e a sua compreensão do Brasil são exercidos de uma forma incrivelmente abrangente e à frente de tudo e ninguem contrubui tanto qto ele com tal clarividência, a tirar das trevas o que ainda está confuso, nos levando a dar passos para o futuro… Essa semana assistí novamente à Noites de Norte e a reflexão que aquele trabalho artístico promove sobre a qestão da escravidão e suas cosnequencias é revolucionário.
Caetano, um gde beijo!!!
(Luis Castello, a Dark Girl sou eu, a foto é de 2002. Obrigada e um beijo para vc tbem!)
Março 12th, 2009 at 10:15 am
Heloisa, é isso mesmo: A pessoa que deita é a mesma que nada. No coment anterior quis apenas explicar por alto.
O que gerou a confusão foi “o rapaz deitado, um outro nadando…”. Corrigindo: “o rapaz deitado e o mesmo rapaz nadando …” .
Beijão procê.
Podemos pensar na capa do disco “Cinema Transcendental” como inicio - talvez a camera fechada na cabeça, nos cabelos. Revelam-se os ombros, as costas, os cotovelos - a foto completa. A câmera gira mostrando a pessoa de frente e inicia seu trajeto de ampliação.
Pensar no Caetano sobre a pedra do Arpoador é criar uma analogia com o encarte de Noites do Norte.
Imagina uma criação coletiva do roteiro do clip; seria mais um dos frutos da Obra. Tomara que o pessoal da Universal compre a ideia!
——————————-
Neyde L.,
adorei o que vi em seu site; me amarrei na Dark Girl e nos trabalhos que constam em “My Sea”.
——————————-
bjs.
Março 12th, 2009 at 1:20 pm
Um outro motivo que levou o Caetano a não chamar o CD de TRANSAMBA é que já havia um trabalho com este nome. Ou estou errado?
Março 12th, 2009 at 2:45 pm
pessoal,
acho que a antologia da axé music de caetano seria a maior e melhor crítica possível ao próprio axé. caetano cantando axé music não é axé music, é outra coisa. eu poderia fazer um disco só com canções de caymmi e mesmo assim, não seria caymmi music, saca?
espero mesmo que caetano realize esse projeto, não por isso, mas por acreditar que um CD com 20 boas canções tiradas do repertório do axé dos 80s pra cá, é totalmente possível [5 CDs, como disse caetano, já acho difícil, principalmente pelas letras] e claro, com ele ficaria surpreendente e bonito, como foi com “avisa lá” do olodum com aquele “solo” de trompete matador. tomara que ele faça mesmo!
estranho escrever pra todo mundo sobre caetano como se ele não estivesse lendo [até porque quero que ele leia, haha]…e ele lê! [essa foi para os céticos, hahaha]. tô meio corrido agora. enfim, abraço caetano, hermano, helô e todosss…
p.s.: nando foi visto passeando alegremente na suíça com joaldo. a mesma hermafrodita marxista é quem levava as coleiras…a suíça é outra coisa…
Março 12th, 2009 at 2:46 pm
é claro que o mercantilismo gerado no carnaval de Salvador é positivo em tese, acho bacana e as forças envolvidas vão se arrumando.
As cordas eu me lembro nas ruas com os blocos de antigamente no Rio de Janeiro, ou vc pulava pra dentro ou ficava de fora e deixava passar, mas não se cobra pra bloco no Rio. Se vc fizer sua fantasia de índio e se encontrar com o Cacique de Ramos, vc é um Cacique também. As Escolas de Samba da Sapucaí é que tem suas fantasias comercializadas a partir dos desenhos do carnavalesco, sempre foi assim. Vc vai ao ensaio, visita o barracão e escolhe a sua ala, sua fantasia. As alas tem cada uma delas sua estrutura. O crescimento da população e do Carnaval implicam numa nova visão da sociedade sobre o espaço a ocupar no ambiente urbano atual. No Rio a construção do sambódromo ( ei, eu lembrei do velho sim, Niemeyer foi o arquiteto…e as salas de aula projetadas para serem camarotes e receberem autoridades) foi solução, talvez Salvador esteja pedindo alguma coisa semelhante, não sei.
Só ouvi críticas negativas sobre o renascimento dos blocos no Rio, deve ser o ambiente que circulei? Talvez, mas todo mundo, unanimidade, achou uma bagunça , uma sujeira, mais um mal trato para o Rio…é uma questão. O Rio tem o Carnaval no Sambódromo e tem que pensar como e onde vai suportar blocos “pipoca” circulando pelas ruas. Não é simples.
Quanto a indústria da música, entre nós vai muito mal, só temos a saída supermercado, não temos a nova plataforma portanto é anacrônica a indústria que está aí…carece. Precisamos olhar pra isso, não serão alguns espasmos aqui e ali que trarão de volta a pujança, precisamos nos adiantar. Mas lá fora, ali do lado a coisa já acontece. Vejamos os números. No melhor da indústria no Brasil chegamos a 100 milhões de unidades e cerca de 800 milhões de dólares de faturamento? No auge. ( hoje estamos com cerca de 40 milhões de unidades). O mercado digital, exclusivo da música anglo americana já fatura 4 bilhões de dólares…e estamos fora.
que crise é essa? crise pra nós que estamos de fora…e o que fazemos? qual nosso projeto de inclusão no novo negócio? Temos que andar mais rápido…ou não
Março 12th, 2009 at 3:15 pm
Pessoal,acabei de ler no “Todas as Notícias” aqui na net.
A notícia é curtinha,por isso preferi copiar.
Eu concordo com os músicos.
“Radiohead e outros artistas defendem fãs que baixam músicas na internet
Londres, 12 mar (EFE).- Um grupo de músicos formado pelo guitarrista Ed O’Brien, do Radiohead, e pelos cantores Robbie Williams, Annie Lennox e Billy Bragg criticaram hoje uma proposta que quer tornar crime o ato de baixar músicas pela internet.
Na noite de quarta-feira, a The Featured Artists Coalition, que reúne mais de 140 bandas ou cantores, votou majoritariamente contra o processamento judicial de fãs por esse motivo.
Os músicos transferirão essa opinião majoritária ao secretário de Estado para as Comunicações britânico, lorde Carter, que sugeriu a possibilidade de tipificar essas ações como crime, segundo informa hoje o jornal “The Independent”.
Um dos músicos, Billy Bragg, declarou ao jornal que “a indústria musical não pode seguir por esse caminho” com medidas protecionistas que equivalem “a colocar a pasta de dente outra vez no tubo”.
“Os artistas deveriam ser titulares dos direitos e poder decidir quando sua música pode ser usada gratuitamente e quando é preciso pagar por ela”, disse Bragg.
A coalizão, criada para defender os direitos dos músicos no mundo digital, também quer que empresas como YouTube e MySpace remunerem os músicos quando usarem suas composições em publicidade”.
Março 12th, 2009 at 3:15 pm
LUCRE,
Muchas gracias por la recomendación. Yo voy a sacar ese libro de la biblioteca.
Yo creo que fué eXequiela que nos dijo que la música de nuestro “objeto de estudio” le afecta como el chocolate. Yo sospecho que son los [endorphins – otra palabra que yo no sé en el español] del chocolate y del sonido de esa voz maravillosa en el cerebro. Pero si la ensalada de luchugas le afecte lo mismo … it’s worth a try!
Muchas gracias otra vez.
Barbara
Março 12th, 2009 at 4:04 pm
Her mano é doido…eheheh…quer festa todo dia…tá lindo, no meio do tiroteio é lindo pensar nas festas, essa é a Utopia de todos nós, acabar a guerra e virar uma festa…mas festa sem fim …huuuummm…não sei.
Me lembro do lance dos feriados, todo ano quando são anunciados tem gente que diz: impossível dar certo com tanto dia parado. Outros acham: mas só isso? Vamos emendar…
Com esse desemprego todo o dirão? Vamos fazer festa? eheheh…se não tem o que fazer, vamos fazer festa mesmo. Na festa sempre tem um mercadinho né?
E vai rolar a festa! Tira o pé do chão…
Março 12th, 2009 at 4:34 pm
lucesar, caetano é uma das poucas pessoas no brasil que sabe usar, de forma digna, o poder que tem.
Março 12th, 2009 at 5:31 pm
UM BOM CONSELHO !!!
Saiu ontem na coluna do Ancelmo Gois:
.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.* Mv bill
Rapper no Senado
Caetano Veloso conclamou MV Bill para se candidatar ao senado em show na Cidade de Deus, dia 1. A Cufa encomendou, então, uma pesquisa ao IBPS para ver se o rapper teria alguma possibilidade na política.
Veja o resultado: 42% dos moradores de comunidades têm uma imagem positiva de Bill, 27% dos entrevistados acham que ele deveria se candidatar a deputado federal e 7% acham que deveria concorrer a senador.
Segue…
A pesquisa mostrou ainda por qual partido MV Bill deveria se candidatar: 10%, PT; 3%, PV; 3%, PDT; e 3%, PMDB.
A maioria dos entrevistados (74%) disse ainda que consideram “muito importante” ou “importante” ter no Congresso Nacional um representante de áreas carentes do Rio.
.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*
Também, com um empurrãozinho desses até eu !!!
Abraços
Março 12th, 2009 at 6:38 pm
oi heloísa:
merci!
sou uruguaia eu também, como a poeta da que você gosta “Porfiado, me capturas sin herirme, sin enlazarme, sin tocarme siquiera. Así de potente es tu porfía”.Como é que você conhece?É curiosidade só.
bjs a todos,a nosso caetano também
cachila
Março 12th, 2009 at 7:12 pm
Gil;
Precisamos de festa o tempo todo.
Precisamos de gente estudando festa o tempo todo.
Não vamos para festa todo dia.
Tem gente indo para festa todo dia.
Março 12th, 2009 at 7:19 pm
Miriam,
Brigado pelo presente…Estive lá em 2007 e vou repetir com certeza. Eu que não tenho muito de folião tive uma vontade danada de comprar máscaras e vestir fantasias.Fiquei só pelas primeiras…Mas da próxima vez…
Beijos
Março 12th, 2009 at 8:20 pm
Caetano,
Que maravilha continuada os seus textos. Li num post anterior que finalmente conheceu a música, sobretudo a voz, de Lula Pena. Fique feliz, muito. Ofereci-lhe o disco dela há anos, talvez em 2001. Creio que na mesma altura em que fomos, juntos, ver a deslumbrante Denise Stocklos. Um abraço grande e obrigado pelo seu trabalho.
Changuito
PS: Quando voltar a Lisboa está convidado a vir visitar a minha livraria de poesia.
Março 12th, 2009 at 8:46 pm
Acho engraçado quando falam em “ditadura do Axé Music”. Alguém inventou e impôs esta música por acaso?
A questão é: porque o Axé cresceu e se fortaleceu tanto???
Justamente porque foi um movimento natural que surgiu e caiu no gosto popular e que veio se renovando, se reinventando.
O Axé explodiu em 1992 representado por uma cantora branca de voz forte a qual trazia gingado e a força de um ritmo profundamente negro: Daniela Mercury. De lá pra cá a Bahia continuou produzindo e alargando os caminhos abertos nacionalmente por Daniela.
E sempre foi assim. Já ouve a época da Bossa, do Rock e agora do Axé.
Até que venha uma nova onda que invada e caia novamente no gosto popular. Não vejo nada de imposição nisso. Acontece que há tempos a Bahia vem sabendo explorar comercialmente sua música e mantê-la na crista da onda. (E cá pra nós, numa terra repleta de artistas não poderia ser diferente).
O carnaval vem, então, como uma grande vitrine para os artistas. Tanto que tem artista que não canta música baiana subindo em trio elétrico.
É a Bahia mostrando que sabe vender bem seu peixe.
Março 12th, 2009 at 9:27 pm
O Sonho/Roteiro
Se “Beira Mar” é Cais, “Sem Cais” é Mar Alto.Onde o Poeta vivencia a solidão do Humano.
Uma possível locação para o Sonho/Roteiro
Boipeba.Tão mágica quanto Jeri.Mais preservada do que que Arraial e Morro.
O Blog
Tá difícil de acessar.E portanto, de acompanhar.Atualiza o tempo inteiro e não para quieto.Esforço-me…e não é possível que seja só com o meu computado!!Será??No início do Blog estava normal.Piorou, melhorou e agora está pior ainda.Quero continuar a participar, ainda que esprádicamente, da OeP.Me é instigante!!!.Hermano???????????
Março 13th, 2009 at 3:58 am
progressistas em obras, olha o que encontrei por aqui:
Ufba lança livro sobre lembranças de Dona Canô
Lembranças e histórias de Dona Canô estão reunidas em ‘Canô Velloso - Lembranças do saber viver’, livro do historiador da UFBA Antonio Fernando Guerreiro em parceria com Arthur Assis Gonçalves da Silva, que vai ser lançado na sexta-feira, 13, às 17h, no Museu Galeria Caetano Veloso, em Santo Amaro.
No dia 13 de março, os santoamarenses comemoram a emancipação da cidade. O lançamento do livro integra a programação oficial de aniversário da cidade. Em Salvador, será lançado no dia 20, às 19h, no Palacete das Artes Rodin Bahia. Os lançamentos são promovidos pela Editora da UFBA (Edufba) e Fundação Pedro Calmon.
Dona Claudionor Velloso passa dos 101 anos com lucidez e disposição para viver. Isto já seria suficiente para render homenagens e histórias. Mas o sabor é especial por ser Canô quem é - filha de uma cidade de intensa atividade cultural e matriarca de uma família repleta de artistas.
O livro de Guerreiro e Assis reúne lembranças dos anos de dedicação à cidade, aos amigos e filhos, dentre eles a escritora Mabel Veloso e os cantores Caetano e Bethânia.
http://ibahia.globo.com/plantao/noticia/default.asp?id_noticia=201064&id_secao=151
Março 13th, 2009 at 5:28 am
Caetano,
Vi a entrevista de Zizek no Roda Viva.Achei interessante.Ele é meio doido e fala isso o tempo todo.Contudo, como bom intelectual é um provocador(aliás, você faz o mesmo).
Aquela história de que ele odeia carnaval é provocação misturada com inveja e deboche.Acho que ele faz questão de desconstruir a idéia euro-centrada do paraíso verde que a gente sabe bem que não existe.
E isso fica bem claro quando ele, após elogiar uma série de aspectos nossos, inclusive a dramaturgia das telenovelas, insistiu que não idealizava o Brasil.
Eu compartilho de muitas das coisas que ele disse sobre a crise, o capitalismo, Morales mais que Chavez e a alternativa da esquerda que não é mais aquela coisa enferrujada do passado.
Achei interessante, mas fiquei apreensivo de início, quando ele defendeu a “violência” nas administração de condutas políticas, utilizando imagens fortes de propósito, como o tal filme “Clube da Luta” que não vi nem quero ver.
Depois de decantados os seus argumentos entendi onde ele quis chegar, mas como ele próprio falou algumas vezes, tem respostas ou interpretação de perguntas que levam de duas a três horas para que se possa ter clareza e entendimento e como ele estava num programa de TV e não em um livro ficava difícil.
Eu, que também aprecio Marx, o achei diferente dos marxistas tradicionais, gente sempre professoral, sisuda, algo distante e meio desesperançada.Gosto de gente que pensa bem e é mal comportada no bom sentido, como por exemplo, Maria da Conceição Tavares (adoro ela). Fiquei bem impressionado.
Só mais uma coisa, adoro quando você se refere aos “branquinhos” de óculos da Folha.É isso mesmo, eu me escangalho de rir.
PS: O blog ficou mesmo meio doidão, mas agora à noite voltou ao normal.
Abraços, Eduardo Adauto.
Março 13th, 2009 at 7:05 am
Gil,
o Cacique de Ramos vende fantasias para que o folião brinque dentro da corda. Tem vários preços, a camisa do bloco custa R$25.
Março 13th, 2009 at 9:10 am
Wesley, fiquei pensando no que vc disse, ou nas questões que vc levanta (mas quase já respondendo, né?):
“será que o carnaval do cara que cata latinha é tão derrotista como alguns pensam que seja? É possível que no Bairro da Paz, d. Maria tenha sido mais feliz ao assistir o carnaval pela tv no barraco onde mora do que a Dra. Sthéfane Zimmermman, que deixou sua clínica de cirurgia plástica em Jardins, São Paulo, e mais uma família cheia de carências para brincar sozinha e melancólica dentro das cordas do Nana Banana”
eu não tenho dúvida que o catador de latinha merecia ter uma vida mais parecida (em termos de possibilidades) com a da dona zimmenrman. não tenho dúvida que a melancolia da dona stephanie pode ser muito sentida, sim, mas ela pode, sei lá, viajar, pagar o preço do abadá do chiclete, desembarcar no aeroporto dois de julho (pra mim este ainda é o nome do aeroporto de salvador), entrar numa van com ar-condicionado que a deixará no complexo de hotéis de luxo de sauípe (bem longe da fuzarca da cidade, quando ela quiser descansar). Dona stephanie vai tomar seu café da manhã tranquila, antes ou depois do banho de piscina?
O rapaz da latinha e dona maria, moradores do bairro da paz podem ser felizes, cada um a seu jeito? claro que podem, mas pergunta se eles não tem raiva do fato de que a dona zimmerman pode quase tudo, ao passo que a eles não podem quase nada?
pergunta se eles não desejariam também estar ali, seja do lado de dentro das cordas (e não puxando-as) ou num resort em sauípe?
o carnaval não cria o conflito de classes, mas ele existe.
luedy, retado com dona zimmerman
Março 13th, 2009 at 9:29 am
Caetano, também gosto do texto do Hermano (aliás, gosto de muita coisa ou quase tudo do que ele escreve). Acho que a discussão caminha de forma mais rica e interessante, sendo mais justa com a complexidade das coisas e divisando outras questões (e estas bem mais articuladas do que as que eu mesmo coloco aqui).
Mas não gosto (viu, Hermano?) quando se vincula a crítica à existência ou necessidade mesma das cordas com o ódio à axé music (que tem coisas que eu adoro!).
Sei que meu marxismo e meu amor à música popular massiva (ou seja, a dos meios de comunicação de massa) se unem de maneira pouco convincente para muita gente.
Quando tento defender a idéia de que há uma política do corpo no pagode, costumo ser criticado por não levar em conta a “luta que realmente importa” dos marxistas mais tradicionais. Mas quando vejo a corda (mas também os flanelinhas, os seguranças, toda aquela turma que o Hermano listou), me sinto o mais marxista de todos os marxistas.
abraços,
luedy
Março 13th, 2009 at 10:12 am
Glauber, que beleza, um livro sobre Dona Canô. Sou fã dela também. Quando o livro chegar às livrarias, avise também, tá certo?
abraços
Maria
Março 13th, 2009 at 1:00 pm
Querida Heloísa, essa história da Mudinha, do Cobrinha e do Raul como patrono dessa pândega aconteceu sim, em Santo André, no ano de 1990. Não é produto de minha verve não.
O “Lady Vestal” existiu também, lançou seu único disco em 95 , intitulado “Sexo é Mais Interessante que Pasteurização”. O Glauco Mattoso se disse, na época, fã da múica “Deprê”, do Lady Vestal. Ah..o nome da banda é homônimo ao livro do poeta americano Gregory Corso, um dos homenageados por nossa então galerinha “descontente” com o “stablisment”. Beijos linda.
Salém, altravolta ringrazzio della cordialle accoglienza. Baci fratello !!!
Hermano, também acho que esse excesso de discussões prós e contras a axé music já virou um pé no saco.
Gaiola? Sou contra.
Cordão? A favor.
Festas? Sempre a favor. Eternamente.
Livro sobre D. Canô? Maravilha.
Rapper no Senado? A favor.
Caetano, criatividade comercial do povo da Bahia? A favor, mas com certas ressalvas.
Luedy, marxismo e amor a música popular massiva? tudo bem.
Beijos exorbitantes!!!
Março 13th, 2009 at 3:12 pm
errata:
o nome da música do olodum é “nossa gente” e não, “avisa lá”. e o “solo” não é de trompete. provavelmente um naipe de metais. ou seja, errei tudo, hahaha. esse arranjo é muito bom, mas o que mais gosto é o falsete bem africano de gilberto gil com efeitos.
gosto desses “cacoetes” que os cantores têm e que em alguns, são como impressões digitais, algo que só o cara tem. observem como gil às vezes dá umas cinco notas seguidas num espaço em que outros cantores dariam duas. milton, caetano, fazem coisas com a voz que ninguém mais faz. é único. caetano tem aquele “cadê!” que ele usa quando canta sambas. chico inflexiona as palavras certas em suas letras, enfatizando a dramaticidade, como ninguém.
……………….
caetano,
de onde vem esse “cadê!”? não lembro de ouvi-lo em outro lugar.
muito boa, a escolha de “sem cais” para o videoclipe. canção profunda e bela. com o video, tocará mais fundo a alma das pessoas. tudo parece estar tão certo quanto a “zii e zie”, não? full circle.
como diria aquele comandante do “esquadrão classe A”, “eu adoro quando um plano dá certo!”, hahaha
http://www.minhainfancia.com.br/imagens/seriados/esquadrao_classe_a.jpg
Março 13th, 2009 at 3:47 pm
Castelão, riquezas são diferentes e todo mundo tem direito a pitaco e eu também concordo com os músicos, mas qual deles? Veja isso também:
The reinvention of the music business in the digital environment
• Digital channels now account for around 20 per cent of overall music sales and were
valued at US$3.7 billion in 2008 – compared to virtually zero six years ago. The
recorded music industry generates a greater proportion of its revenues through digital
sales than the film, magazine and newspaper industries combined.
• There are more than 400 licensed, legal online music services worldwide with over
ten million tracks licensed to the major services. At the same time, new “music
access” models are being developed, revolutionising the options for consumers.
• Music companies are extending the download sales model to embrace subscription
services, social networking sites, mobile services, brand partnerships, direct-toconsumer
sites and advertising-supported streaming services.
• A number of ISPs have partnered with record companies to offer advanced music
services to their customers. Sky in the UK, Neuf Cegetel in France and TDC in
Denmark are among those who are pioneering this market.
• Consumer demand for music is higher than ever even though deriving commercial
value for it is more difficult than ever. NPD research found that total music
consumption in the US rose by one third between 2003 and 2007. Nielsen Soundscan
reported overall sales were at an all-time high in the US in 2008.
Março 13th, 2009 at 3:58 pm
Puxa vida, até o Cacique está cobrando a fantasia?…tem corda pra controlar tanta gente? tanto índio? tem diretor de harmonia no bloco? quem garante a fidelidade dos modelos dos índios comercializados diretamente pelo bloco? tudo isso pra mim é novidade…mas a grande novidade mesmo será conviver com a movimentação de um grupo tão grande de pessoas no espaço urbano. Interessa fomentar isso? E nesse caso que estruturas serão organizadas para suportar isso…ou que se dane o avião?
Março 13th, 2009 at 4:03 pm
Acho que o Céssar Lacerda tem razão ao distinguir pirataria e download (e nenhuma discussão sobre direitos autorais e troca de arquivos pode prosseguir sem passar por essa distinção). Há blogs exclusivamente dedicados a raridades, por exemplo, que são de um valor inestimável (nos quais fazem questão de deixar claro que o objetivo é cultural e não ‘criminoso’). Interditá-los seria realmente terrível. Mas fugir dos direitos (inclusive quanto aos herdeiros, como gil destacou) também é impossível. Embora um sebo (físico) tampouco contribua com os herdeiros ou com os autores. Como resolver o impasse parece realmente bastante delicado.
Março 13th, 2009 at 4:55 pm
Castelão, vale a pena:
http://www.featuredartistscoalition.com
Março 13th, 2009 at 4:59 pm
gil,
A primeira coisa importante -que você ainda não entendeu- é; há uma (enorme) diferença entre pirataria e download. Pirataria, no caso de música ou cinema, envolve a cópia de mídias em série com o intuito lucrativo. Isso vai além da natureza de troca proposta pelo download.
Segunda coisa importante –que muita gente não percebeu- é; quando se rompe com um sistema gerando um novo suporte, mudam-se as formas de se relacionar tecnicamente com os novos códigos. Para isso, são necessárias amplas discussões (prevendo e provendo uma democratização e uma universalização) para que, não somente, aprenda-se a lidar com o novo sistema, como também, para que este novo sistema possa, de alguma forma, abraçar as pessoas e as relações existentes antes de sua chegada.
Ou seja;
Mais importante que importar modelos e plataformas, ajeitar as estatísticas, gerar uma situação favorável para a economia, é tornar toda essa Torre de Babel numa coisa mais ou menos justa para todas as partes.
Se você der uma passeada no site do MinC (por exemplo), você vai perceber que as diretrizes caminham para esse lado das discussões dos Direitos Autorais, da veiculação do material na internet, da reestruturação na cadeia produtiva…
Enfim, gil, você deveria doar um pouco dessa sua força para chegada das caravelas do Steve Jobs em terras brasileiras para estas ‘discussões menores’.
http://www.cultura.gov.br/site/2009/01/19/debate-sobre-a-politica-e-a-lei-de-direito-autoral/
No fundo, quando o Caetano falava sobre carnaval no Rio, mau gosto, corda… Havia um pouco dessa discussão. Um pouco dessa inadequação.
Março 13th, 2009 at 5:27 pm
caetano,
foi essa moçada mutcholoca, a incredible stringband, que esteve mais em contato contigo em londres, não foi?
http://www.rhgdigital.co.uk/blogs/virtualtour/wp-content/uploads/2007/06/album16.jpg
http://www.huxrecords.com/hux100.jpg
Março 13th, 2009 at 7:16 pm
Gil, até alguns blocos de Cabo Frio (cidade do interior do Rio) cobram para brincar dentro das cordas. Falando nisso, é interessante observar que várias cidades do interior fluminense reproduzem o carnaval da capital - mesmo que qualitativamente
inferiores (para não dizer, toscamente). Reaproveitam carros alegóricos e fantasias das principais escolas de samba que desfilam na Apoteose.
Outra coisa, esta um pouco mais complexa. Quase toda a verba da secretaria de cultura de Cabo Frio é dirigida para o Carnaval - sem falar que essa cidade tem o mesmo secretário de cultura há mais de 10 anos.
O maior problema do carnaval do Estado do Rio de Janeiro é outro. Quanto a isso os blocos parecem ser bem mais limpos, tirando o cheiro de xixi que impregna as ruas nesse período.
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Gil,
acho que nosso papo já avançou quanto a essa questão dos downloads. Não dá mais para ficar businando sobre isso. É o que o Cessar Lacerda escreveu e o que consta na Revista Bravo deste mês. Além de todas as ações do Radiohead nesse sentido. O que mais podemos falar sobre isso de maneira que não caiamos sempre nessa história de criminalização?
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Sobre axé, pagode, internet
Na edição 79, ano VI (04/2004), da Revista Cult tem uma ótima entrevista com o Hermano Vianna:
”
(…)
O público já deve saber também que quase todo o jornalismo cultural brasileiro se tornou um negócio, em que assessores de imprensa e departamentos de marketing de gravadoras/editoras/televisões/etc. têm muitas vezes mais poderes que os editores. Não importa o assunto. Importa a competição entre jornais. Então isso não é exatamente entretenimento, é apenas “business usual”. Não tenho certeza sobre as razões que levaram cadernos culturais dos jornais e a imprensa brasileira em geral a ficarem
assim. Penso que tem a ver com a dura crise que assola a mídia brasileira. Mas também tem a ver com certa irresponsabilidade geral que tomou conta de boa parte dos setores dominantes.
Cult: Mas isso é um sintoma ou uma causa? A sociedade deseja o entretenimento no lugar da informação?
H.V.: Como disse, não acho que seja um problema apenas de entretenimento. É um problema de negócios. Muitas vezes, o crítico musical (que acusa o músico de pagode ou de axé de se sujeitar às manipulações mercadológicas das gravadoras
ou de fazer sucesso por causa do jabá) se sujeita às manipulações mercadológicas - bem suspeitas também - das empresas jornalísticas onde trabalha. Não acho que o público queira só isso. É isso que tem sido oferecido para o público, em nome do que as empresas jornalísticas acham que é o que o público quer, o que denuncia preconceitos fortíssimos sobre o gosto do público, sempre menosprezado. Aí vira um círculo vicioso, do qual vai ser cada vez mais difícil escapar: baixaria alimentando baixaria, até chegar ao fundo do poço, onde jornalistas e público estarão totalmente insatisfeitos.
(…)
Veja o caso da internet. Tudo de bom que existe na internet foi criado antes de as firmas de investimento e os grandes grupos corporativos invadirem a rede. Comandava a idéia de domínio público (como é até hoje) e a economia da dádiva, onde as pessoas trabalhavam de graça para disponibilizar informações (como continuam a fazer até hoje em blogs e fotologs). Quando o dinheiro
“brabo” chegou, a idéia era tirar lucro rápido e ir embora rapidinho. Ainda bem que quase todos os vorazes investidores se deram mal em sua tentativa de transformar a internet em um shopping careta. Ainda bem que a internet continua crescendo sem eles.
(…)
cultura para mim sempre teve código aberto.
(…)
O brasileiro é produto de encontros, desencontros, alianças e desentendimentos. (…) A polca chegou aqui virou maxixe e o maxixe foi ingrediente fundamental para o nascimento do samba. Teria sido um erro te proibido a polca para o “bem” da cultura brasileira?
(…)
Gosto sim de axé e pagode e funk carioca. GOsto de grupos de rock totalmente obscuros. Gosto de Giacinto Scelsi ou Luigi Nono. Nunca entendi por que para gostar de uma coisa tenho que desgostar de outra. Nem preciso gostar de tudo. Não gosto, sobretudo, de gente que para se afirmar sofisticado tem de menosprezar o de que o povo gosta. Gosto de imitação também: gosto de karaokê coreano em São Paulo.”
—————————
bjs.
Março 13th, 2009 at 7:21 pm
Lenartei escreveu texto longo e relevante. Gostei. Gil precisa mesmo pensar a cultura da troca que se desenvolve na internet. E todos precisam levar em conta o que Gil diz sobre não haver uma morte da indústria da música nos países ricos - que muitas vezes é o argumento para se tomar atitude demasiadamente relaxada aqui no Brasil. Gil, uma espécie de neo-nacionalista, está impaciente com a música brasileira ficar com fatia desproporcionalmente pequena no bolo que ele vê crescente (a despeito da crise) da nova indústria da música que já conta com a internet. O iTunes parece ser um símbolo para ele. Não faço essas observações como se eu fosse o professor Raimundo da escolinha, mas como um artista típico, ou seja, pouco afeito à sagacidade dos empreendedores capitalistas e dos burocratas estatais - e naturalmente simpático à troca intelectual destrelada da troca de grana.
Céssar (Céssar?) Lacerda ajudou. Mas não entendi a que inadequação ele se refere quando diz que no meu posto Mau Gosto há um pouco dessa discussão. E não consegui ver o que era anunciado no site do MinC.
Glauber, eu leio tudo.
Joaldo sumiu de novo? Cadê ele?
Eduardo Adauto: não vi Zizek no Roda Viva. Mas li dois livros dele. Um breve (”Bem vindo ao deserto do real”) e um longo (”In Defense of Lost Causes”). Vi “Clube da luta” quando estreou e gostei. Mas não gosto das idéias de Zizek sobre violência e terror de Estado. Não gosto também do desprezo aos direitos humanos. O que é que ele diria a Wafa Sultan? Quanto a ser intlectual provocador, devo lembrar que sou um cator popular e não um acadêmico de alto treinamento teórico. Mesmo assim, tomo o cuidado de manter coerência maior entre meus pronunciamentos do que Zizek.
Vellame: sua preocupação com o que fundamenta os direitos humanos me parece perfeitamente legítima. Mas não os direitos não são “argumento de autoridade”. Eles são um conjunto de decisões a que se chegou coletivamente, a partir da experiência humana. Você pode ficar 50 anos discutindo se o “não matarás” é da autoria de Moisés, de Deus ou das sucessivas tentativas de organização da convivência. Mas se alguém tentar matar alguém perto de você e você puder evitar, você deverá evitar - mesmo que não tenha se decidido entre Moisés, Deus e as sociedades. Os direitos da constituição americana (com aquele da “busca da felicidade”!), da Revolução Francesa e da ONU nascem desse Deus asuente, desse Moisés anônimo, do homem na História. As leis romanas, o código de Napoleão nnao estão ausentes do meu pensamento. Pessoalmente, não concebo nenhum argumento que abale um milímetro minha decisão interna contra a dilapidação das adúlteras. Jesus seria um bom nome a ser usado aqui como argumento de autoridade. Mas eu não preciso dele para isso. Acho gradioso que ele tenha sido herético em relação à lei judaica quanto a esse costume. Mas sinto que ele falou em nome da percepção comum da crueldade do ato. É o tal negócio: a cena de Deus (ou seu anjo, figura que causa espécie numa religião monoteísta) e Abrahão no instante de sacrificar o filho amado rende mais do que o livro de Kirkegaard. Mas eu acho que a resposta boa a um deus que te mandasse matar tua linda filha seria: NÃO.
Março 13th, 2009 at 7:24 pm
Bem, typos mil, mas “desatrelada” e não “destrelada”.
Março 13th, 2009 at 7:40 pm
Oi, Caetano e pessoal.
Eu tenho uma professora que deve ter sido colega de sala do Caetano, a Maria Eugênia Boaventura, vc lembra? Agora ela é professora na UNICAMP.
No mais, como esse ano a Carmen Miranda está em evidência, queria fazer um artigo sobre Carmen Miranda e Wittgenstein, alguém me dá uma dica de material sobre os dois? Ele adorava ela, isso eu sei.
Março 13th, 2009 at 7:52 pm
Luedy,
Perfeito! Mas não se zangue com Dra. Zimmermman que, embora seja espírita e preste serviços gratutitos à comunidade de baixa renda na Região de Santo Amaro - SP, todas às quartas feiras (porque ela também é de yansã), não desenvolve uma consciência profundamente política sobre as classes. O cara da latinha é a metonímia do carnaval baiano porque ele faz a festa ao lado de quem segura as cordas, de quem mija fora dos banheiros químicos, de quem beija na boca, de quem tira fotos e de quem desconfia daquela toda alegria. É como se de alguma forma o carnaval enquanto construto social representado pelo acúmulo de contingente popular tivesse de ter na raiz fundamental de seu acontecimento as presenças do catador de latinhas, da d. Maria e da doutora cirurgiã plástica que, assim postos, deixam de ser ricos ou pobres, brancos ou pretos, revolucionários ou conservadores e formam um todo perfeitamente harmônico e homogênio, tudo é fruto perfeito do cruzamento das diferenças que os distinguem. É singularidade gerando unidade.Pode ser perverso, mas estou pensando no carnaval na perspectiva fenomenológica, embora saiba que ele como qualquer outro episódio sócio-histórico seja na prática feito das divergências ou foi diferente com os vizinhos que só puderam ouvir Lennon enquanto ele esteve nas ruas pobres de Liverpool? Os Beatles nem por isso deixaram de fascinar. Reitero, porém, que não se trata de apatia analítica, ao contrário, normalmente minhas avaliações são até bastante apaixonadas e o que me leva a voltar à questão é desconfiar se as regalias oferecidas pelo complexo hoteleiro de Sauípe garantem, por si só, uma vida mais digna ( e/ou mais feliz?)à Dra. Zimmermman e que a ausência das mesmas torne as pessoas absolutamente desgraçadas, incapazes, portanto, de existirem noutras dignidades. Eu vou na contramão é quando tomo a defesa do catador de latinha, tão rotulado e neste sentido marginalizado por quem pretende desmarginalizá-lo e quando arrisco nova possibilidade: eu o vi cantar enquanto catava sua renda, eu vi-o feliz e talvez tão digno quanto à cirurgiã tentando driblar as agruras da vida e refazerem ambos sua história e seu tempo. Do contrário, deveríamos conferir sofrimento eterno ao cara sem nome e alegria para sempre à médica de sobrenome alemão. Em toda a minha infância, vi meus tios metidos em quartos minúsculos onde se manuseava a carvão de imburana, o enxofre e o salitre para fabricarem a pólvora, se cozinhava o bambu, se encerava o barbante e se fabricava centenas de dúzias de espadas que eram compradas pelos moradores ilustres da cidade, pelos que voltavam ricos para brincar a festa junina. Eu pergunto em meio a esta dialética: quem é mais digno: meus tios que viviam o ano inteiro praticamente da renda que acumulavam no são João ou quem comprava e fornecia o óleo necessário à engrenagem da máquina comercial?
Eu amo meus tios, amo o cara da latinha,
amo a Dra. Sthéfane, e amo você, que nos provoca com doçura.
Té breve,
Wesley
P.S.: Precisamos ver o lance das músicas para Márcia.
Março 13th, 2009 at 8:04 pm
Bloguemia,
aqui me tens em regresso!
Voltei pra dizer ao Hermano que sua idéia da indústria da festa, do país especializado, em festa é fantástica e me parece, desde já, altamente viável.
Tenho um amigo de Taubaté, terra de Teteco, que vai muito bem com seu buffet especializado em festas para faculdade.
E festa mesmo quem está fazendo todo dia é o Ronaldo. Ele merece. Ele é o cara.
Ele voltou, o bloguemio voltou novamente…
Março 13th, 2009 at 9:09 pm
sentimental.
Neyde,
Concordo com o adendo do “forte teor sentimental”. O “amar o feio”, ou “amar o belo”, é uma questão de gosto e, portanto, sigo a lógica dos antigos e prefiro não rotular nada. O carnaval dos anos 70 era um, dos anos 80, outro e o de agora está
muito mais diferente. Essa dinâmica carnavalesca vem transformando a alegria popular em mercadoria. A espontaneidade de outrora foi sofrendo, paulatinamente,
modificações. O carnaval de agora parece ser um “negocio da China”. Acho justo que se promova determinados avanços impostos pelos ventos neo-liberais que varrem o mundo e que agora se encontra em uma encruzilhada histórica, maximizada por uns e minimizada por outros (uma marolinha!?). Me prendo apenas em um ponto que julgo crucial: misturar e abrir os espaços tomados pelas cordas ao povo. Relembro um antigo frevo de Caetano em que ele diz: “A Praça Castro Alves é do povo/como o céu é do avião”. O chão da Praça é o mesmo chão da rua e das avenidas, mas a visão “racista”, preconceituosa, comercial, estabeleceu uma fronteira que eu poderia denominar como uma “grilagem”. Tomaram do povo o direito da “igualdade” e os “donos da rua”, são os “novos donos do poder”. Seria tão bonito, como acontecia com o bloco do Barão e o Jacú, ver os integrantes dos referidos blocos, misturados e juntos com o povo. Era muito bonito e os citados blocos tinha raízes burguesas, ainda não submetidas e corrompidas pela lógica do lucro. Qual a razão de cordas em um bloco? oferecer segurança ao folião que paga para se divertir? dar emprego a “cordeiros”, ainda que o Ministério Público esteja exigindo dos donos de blocos a garantia dos direitos trabalhistas consignadas pela CLT. Até o ministério público não enxerga a “usurpação” do chão, que pertence a todos. Imagine um cara que compra um terreno na beira da praia e, de posse do terreno, passe a colocar estacas - com arames farpados - impedindo-nos de usar a areia da praia e a água do mar, do espaço que o dono do terreno julga ser dele. Isso não é raro de acontecer, mas tem sempre alguém que denuncia e obriga que o “grileiro” devolva ao povo o que é do povo. Os donos do poder econômico também controlam a mídia, bombardeiam ideologia de todas as formas e maneiras que passamos a comer, beber, vestir e respirar o que eles desejam, dentro de uma lógica capitalista. Eu não pretendo fazer revolução alguma, não tenho esse poder e não tenho vocação para o exercício de qualquer tipo de tirania. Mas o que vem acontecendo, acontece com tamanha sutileza que sequer percebemos que estamos cedendo o espaço da rua para os “donos das ruas, avenidas e praças”. Claro que Caetano não vai mudar isso, mas pode influir. O grande lance é que ele está “envolvido”, também de forma sutil, pelos donos do poder. Essa tomada não foi refletida, adequadamente. Parece que não estou sendo suficientemente clara quando abordo este assunto que parece de somenos importância. Eu fui adiante e acusei os vereadores de omissão por não representarem seus eleitores como deveriam. Eles conquistam os votos dos excluídos e dos despossuídos e no final também são engolidos pela máquina do “sistema”. Eu aspiro ver mudança e o direito do povo se juntar, pouco importa se com fantasias, os de pés no chão. Quando falo em política relembro os terríveis tempos ditatoriais, quando o general Médici utilizava o FUNRURAL, como hoje se utiliza o beneficio da Bolsa Família. Não quero confundir ninguém dizendo que o PT é igual ao pessoal da antiga ARENA, que virou PDS, depois PFL e agora se auto intitulam como DEMOCRATAS. Quanta ironia o destino nos prega! Que saco! quanta embromação nós temos e teremos que engolir ? Quem derramou seu sangue por um Brasil livre, parece ter morrido em vão, ao menos sinto tal sensação. Eu sonhei com um Brasil muito melhor e jamais com qualquer tipo de tirania. Sonhei e continuarei sonhando porque os sonhos são necessários e sem eles mergulhamos no mundo da loucura.
Não sou contra o axé-music, é bom que se diga. Sou favorável às diversas manifestações populares e me foco no “chão” que nos tomam, como quem furta a alegria de estar “atrás do trio elétrico” junto e lado a lado com todos, “fardados”, ou não. Digo: fantasiados. Não pretendo, nem aspiro fazer a cabeça de ninguém, mas essa história me faz lembrar o cara que diz: “só vou meter a cabeçinha” e de repente “mete tudo”. Já meteram quase tudo…
Concordo com você em quase tudo. Na sua beleza em exprimir seu pensamento com a suavidade da brisa. Caetano é belo, sim. Também é confuso quanto o mundo. Talvez, por isso, ele dê trabalho a meio mundo de jornalistas. Ele é permeável; não é inflexível e nem radical, mas quando defende algo posiciona-se como se estivesse cheio de armaduras. Digo estas coisas com tamanha serenidade que gostaria de assim ser lida: com serenidade !
Bem, não sou freqüentadora de blogs e esta é a minha primeira experiência que simplesmente aconteceu. Não tenho formulas mágicas pra nada e se me exigirem, ou indagarem se tenho a apresentar alguma solução para a “grilagem” do carnaval eu apenas diria que isso depende de vontade política, de um processo de discussão aberto e transparente que deságüe no bem estar comum de todos.
A revolução francesa foi muito mais bonita que a americana, mas esta é uma questão de opinião. Ambas foram bonitas, mas a que nos trouxe melhores ventos foi a francesa, que inspirou um movimento de gente humilde, na grande maioria alfaiates e que foi violentamente sufocada. Os negros pagaram com a vida e os brancos tiveram penas abrandadas, na maioria. Mas já existia dentre nós um ideal libertário. Havia uma bandeira. A nossa (é nossa também) Inconfidência Mineira precisa ser re- examinada, vez que Tiradentes, bem antes de ser cabeça da “inconfidência” andou nesta soteropolis. Thomaz Antônio Gonzaga, também esteve entre nós (em meio ao povo desta soteropolis). No Brasil os historiadores não procuram os elos de ligação entre os diversos movimentos libertários acontecidos entre nós. Já evoluíram quando vincularam a revolução farroupilha, com a nossa Sabinada. Bem, mas não estamos tratando de história passada, mas de fazer a história do carnaval, sem esta pretensão. A coisa brota do “chão da praça” que é do povo! Sim, tem algo de sentimental em todos nós e estamos todos unidos, neste blog democrático, debatendo temas sem imposições e tudo quanto escrevemos merece reflexão. Não quero tirar o dim-dim de ninguém, mas sonho em ver o direito de igualdade posto em pratica, em um carnaval fraterno e livro e com cheiro de burguês dentro dele, porquê não?
Desculpe este longo post de desabafo.
Bjs
Março 13th, 2009 at 9:38 pm
saudade,,,,
Março 13th, 2009 at 9:52 pm
Luedy,
Trabalho no Bairro da Paz e adorei vê-lo citado aqui no Blog, mesmo que como exemplo de pobreza.
Gente “É” em qualquer lugar, estando em Sauípe, Bairro da Paz ou Xangrilá.
Bj
Março 14th, 2009 at 12:38 am
Pois é, Caetano. Eu moro aqui perto, onde tudo termina, e a grande graça, para mim, foi sempre sair assim, livre de um “abadá” (nome que se dá a essa tentativa muita vezes cruel de separar o carnaval de quem o possui por direito).
Sair todos esses dias assim é uma experiência particular. Há 10 anos que moro em Salvador, e nesses anos todos é desse jeito que curto meu carnaval. Muitas das pessoas que conheço fazem uma série de barganhas e sacrifícios para curtir um carnaval que termina morto, com muitos trios que, infelizmente, correm de maneira feroz naquele fim de circuito e não privilegiam sequer por um minuto toda aquela massa aglomerada que não veste uma “camisa-carimbo”. O show passa a ser feito para camarotes (com mais do mesmo) e onde tem televisão. (Nada contra se fazer shows para quem está num camarote ou na TV… mas e nós, onde ficamos?)
Mudando um pouco o viés do comentário, esse ano também me foi muito especial pois uma amiga minha da Indonésia (mais especificamente em Bandung, lugar esse que imagino ser magnífico), que está trabalhando em São Paulo e veio curtir o carnaval daqui, vai levar pra sempre na memória dela essa experiência que teve aqui: Não tinha dinheiro