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O Rio era a capital federal. Era a cidade de todos os brasileiros. Luiz Fernando Veríssimo escreveu que, quando menino, vinha ao Rio de avião e, ao fazer escala em São Paulo, se perguntava: que cidade estranha é essa? A revista O Cruzeiro, os filmes da Atlântida, a Rádio Nacional – tudo confirmava a centralidade do Rio. Carlinhos, filho de Edith do Prato e meu irmão de leite, repetia que conhecer o Rio era seu maior sonho. Tínhamos intimidade com os nomes dos acidentes geográficos e dos endereços do Rio. As marchinhas e sambas de carnaval eram todos cariocas. As celebridades pop e as eminências intelectuais viviam no Rio. As gírias vinham de lá. O samba, que aprendêramos que “nasceu na Bahia”, tinha se tornado nacional ao virar carioca. Nossos sotaques eram caricaturados pelos humoristas do Rio – e nós ouvíamos o modo de falar dos cariocas como um modelo para locutores e cantores, sem que o ressentimento fosse maior do que a admiração. Portanto, chegar ao Rio não era chegar a um lugar estranho, mas ao centro do nosso próprio lugar. Tenho 66 anos. Na minha infância e na minha mocidade era assim. Hoje, não apenas admito que isso mudou: orgulho-me de ter contribuído ativa e conscientemente para apressar e aprofundar essa mudança.
São Paulo era às vezes citada como uma cidade que “não pode parar”. Houve um dobrado marcial do seu quarto centenário. E só. A primeira menção a um logradouro paulistano que ouvi foi a “Rua Augusta” de um samba de Juca Chaves. Chaves era um subproduto da bossa nova que fazia uma caricatura desta para veicular sátiras políticas. Eu gostava. Embora eu fosse – e seja – um joãogilbertiano radical (ou talvez por isso mesmo), essas saídas para versões algo paródicas de estilos pré-bossa e para comentários diretos de atualidades me excitavam. Eu encontrava algo disso em Billy Blanco – e esse gosto teve, mais tarde, papel fundamental na minha captação das virtudes de artistas tão antagônicos como Tom Zé e Chico Buarque. Ouvir de Juca “Toda tardinha quando a Rua Augusta eu desço/ Se não me esqueço/ Para matar minha saudade/ Vou passear lá no Hi-Fi onde se ouve um samba em alta fidelidade”, com o detalhe de que “o dono da loja, um tal baixinho/ Muito chatinho/ Só quer ouvir rock and roll”, me fascinava. Era toda uma vida que se abria diante de mim: uma vida brasileira, urbana e rica, da qual eu não tinha conhecimento. Se me falassem de ruas do Recife ou de Belém eu não teria a mesma reação. Havia canções sobre essas cidades. O Ver-o-Peso era parte da cultura urbana brasileira. E o carnaval do Recife era tão presente nas páginas de O Cruzeiro que, em 1960, ao conhecer o espetacular carnaval da Bahia, eu fiquei surpreso, já que este nunca era mencionado nas revistas do Rio. Se eu ouvisse coisas sobre a vida em Porto Alegre ou em Fortaleza, isso tampouco teria o efeito que a notícia sobre a Rua Augusta me causou: essas outras capitais (todas as outras capitais) eram ao mesmo tempo mais conhecidas e menos importantes do que São Paulo. Sabíamos que São Paulo era uma cidade grande – talvez maior do que o Rio. Eu tinha a informação fria de que São Paulo produzia riquezas, tinha fábricas, muita gente trabalhando, muitos imigrantes nordestinos e estrangeiros. E procurava não pensar muito nisso.
Meu irmão Roberto e minha amiga Sônia Castro me surpreenderam: tendo ido ao Rio e a São Paulo, ambos gostaram muito mais desta do que daquela. Era raríssimo ouvir-se isso. Quando eu e Bethânia chegamos a São Paulo em 1965, de ônibus, na seqüência de sua carreira na peça “Opinião”, tivemos a impressão de que saíramos do Rio para uma cidade do interior. Não uma bonita e cheia de sobrados antigos como Santo Amaro, mas uma sem charme como Feira de Santana. O próprio ar nos parecia provinciano. A gente acreditava que ela era grande, mas não sentia que ela o fosse. As ruas não exibiam perspectivas parisienses, como o Rio, ou topografias pitorescas, como Salvador. As pessoas na rua pareciam ocupadas e desglamurizadas. O sotaque italianado entreouvido nos transportes coletivos nos fez crer que se tratava de estrangeiros. Os anúncios gigantes feitos de compensado na porta dos cinemas da Ipiranga, reproduzindo as caras dos atores em pinturas canhestras, nos pareciam a expressão mais gritante do mau gosto. A platéia do show se compunha em grande número de mulheres vestidas para a noite, com jóias, maquiagem e saltos altos: nada da turma cool do Rio, de jeans e cabelos longos lavados. E, finalmente, as pessoas com quem conversávamos mostravam inveja benigna do Rio, da Bahia, do Brasil brasileiro. Muitas vezes pareciam pedir desculpas por serem paulistas.
Foi Guilherme Araújo, um carioca, quem começou, em 1966, a dizer que São Paulo continha as potencialidades brasileiras. Tendo já vivido na Europa e usando a palavra “internacional” como elogio máximo a qualquer artista, Guilherme percebia que São Paulo nos abriria as portas da percepção do mundo, livrando-nos do provincianismo metropolitano do Rio. É difícil exagerar o quanto eu admirava Guilherme.
A partir de 1966, ele alugou apartamento na Paulista, ao lado da Gazeta. Simonal morava no bloco de trás, que dava para a rua São Carlos do Pinhal. Eu o achava talentosíssimo e muitas vezes estivemos juntos, em seu ap ou nos jardins de cimento do prédio, Simoninha bem pequeno iluminando os encontros. Comecei a tentar mudar minha disposição em relação à cidade. Em breve eu estava saindo com Toquinho e Chico, com grande felicidade. Mas Guilherme pedia uma adesão radical, que superasse o estágio Rio do Brasil. Toquinho era a paulistanidade em pessoa. Mas Chico representava à perfeição o amor dos paulistas doces pelo Brasil brasileiro – e este não parecia incluir Sampa.
Só mais tarde tomei contato com pessoas que olhavam para o Brasil com um jeito arrogante, como se fossem de uma grande cidade do mundo e tivessem que arrastar essa África às costas. Entendi que alguns queriam salvar o Brasil, outros, livrar-se dele. Passei a chamar isso (irresponsavelmente) de USP. Ainda chamo, com a mesma irresponsabilidade mas reconhecendo que é só para uso operacionalmente ainda eficaz. A história da USP está clara até no “Preto no Branco” de Skidmore. E tocante em “Tristes Trópicos”. Lembro de ler as páginas de Lévi-strauss sobre essa universidade para Zé Miguel ouvir e ficar na frente dele com os olhos cheios de lágrimas.
Já faz anos que acho Feira de Sanatana charmosa. Sua natureza de entroncamento no nó do Recôncavo com o Sertão; sua prosperidade que resultou em elevação do nível intelectual de gerações novas (quando eu era menino, cidades como Santo Amaro e Cachoeira olhavam para Feira como se fossem professores e poetas olhando para um brutamontes); seu contingente de pessoas avisadas e civis. O paralelo com São Paulo sempre me voltou à mente. Hoje, com Feira liderando a vida acadêmica da região, acho que Santo Amaro, como o Rio, está com um ar de quem perdeu o bonde.
A Folha, a Veja, o Fasano, a Daslu, a Sala São Paulo, o Museu da Língua Portuguesa – tudo isso faz pensar em quanto Sampa é influente e interessante. O Oficina, Os Titãs, Os Racionais, a poesia concreta, o Hurtmold, o Nouvelle Cuisine, Céu, Tiê, Mariana Aidar, mil coisas fazem pensar que Sampa hoje é, como dizia John Lennon sobre Nova Iorque, “where it’s at”.
Mas o Rio é o Rio. Mesmo a Bahia, que pareceu a Stefan Zweig um viúva enlutada (mas altiva), nunca perdeu a majestade – e hoje, depois da fase de talento político de ACM (em que pese o intragável arcaísmo de sua truculência e o fato de até hoje eu não engolir que o aeroporto 2 de Julho tenha ganho o nome do filhe dele num piscar de olhos – enquanto o Tom Jobim demorou e teve de manter o nome antigo: o aeroporto de Salvador chamar-se Deputado Luís Eduardo Magalhães é uma homenagem ao livro “Polígono das Secas”, de Diogo Mainardi) – e do crescimento concomitante e congenial da indústria do carnaval, com sua música vulgar e energética, tão cheia de poesia bárbara e doçura profunda que mereceu o apelido de “axé music” – a Bahia desenvolveu-se, modernizou-se, mostrou potência. Para o bem e para o mal (“Os Deuses da Aprovação”: o que é aquilo? Os adolescentes baianos perderam o senso de humor? Como é que aqueles professores de cursinho podem entrar outra vez em sala de aula e não ser saudados por estrondosas gargalhadas?), Salvador cresceu e enricou: há gente demais, engarrafamento, violência urbana. Mas há o Museu de Arte Moderna, o acervo arquitetônico do Pelourinho e adjacências, há o Parque de Pituaçu, há muita gente preta de carro novo bom. Há teatro. Há talento no teatro. Há Edgard Navarro e seu monumental “Superoutro” no cinema. Há provas de sobra não só de que a Bahia é a Bahia como de que as chances de lugares tão importantes recuperarem-se de fases depressivas são altas.
O índice de homicídios decresce em São Paulo e no Rio. Cresce em Salvador, em Santo Amaro, no Recife, nas cidades do interior do Mato Grosso. É preciso levar em conta o fato de que DECRESCE em Sampa e Rio. Talvez seja uma onda em relação à qual Bahia, Recife e cidades menores estejam apenas atrasadas.
Sou louco por hip-hop desde “Beat Street”, filme do início dos anos 80. Por causa dele compus “Língua”. Mas desde que vi garotos de moto com cara de zangados na Praça da Purificação, fazendo-a parecer-se muito com o Complexo do Alemão, tenho reação negativa imediata à política do rap. Em 1983 eu pensava que rap era a verdadeira música de protesto revolucionário: não era feita por intelectuais da classe média que se apiedavam dos favelados, mas por favelados. Hoje vejo que a moda da marra, o clima de bandidagem (mesmo que às vezes criticado na superfície) faz estrago e pode causar degenerescência em vez de libertação. Os Racionais permanecem como o grupo que fez “Sobrevivendo no inferno”, um dos mais importantes discos já feitos no Brasil. Mas o cômputo geral mostrando que há uma linha de influência que vem do gangsta rap até à Ilha do Dendê, com bravatas machistas-criminais e ostentação de champanhe e cadillacs, me causa profundo desconforto. Fica a glamurização de guerras entre facções de traficantes da coisa que mais odeio: a cocaína. O aspecto formal do rap é o que mais me interessa hoje: as levadas enganosas, o dedo no botão do sinc, a distorção prosódica. Claro que a política dessa cultura é mais complicada do que minha reação atual a ela. E os jogos formais são política bastante. Mas não posso pensar São Paulo na perspectiva do Brasil de hoje sem mencionar o câmbio por que passou minha apreciação dos Racionais e relacioná-lo com a reiterada notícia da queda da violência urbana nos dois grandes centros do país, mormente na capital paulista.
Faz uns anos, alguns amigos cariocas iam freqüentemente passar o fim de semana em São Paulo: eram clubbers. A noite paulistana! E a sensação de que tudo acontece. São Paulo me pareceu, por muitos anos, muito mais sexy do que o Rio. Por causa da concentração e da intimidade dos encontros interpessoais lá. No Rio, era como se estivésemos numa festa, onde se vê tanta gente atraente mas não se chega perto de quase ninguém tempo suficiente para aprofundar uma relação. Hoje nem sinto mais isso direito. Felizmente. Mas entendo que sentisse.
Na canção “Lapa” há muito do que penso sobre o Rio hoje. Como vejo sua força, sua potência. O renascimento dos blocos no carnaval é outro sintoma. Los Hermanos, Roberta Sá, +2, Marisa Monte, Teresa Cristina. O hábito de virem os artistas viver no Rio: Lenine, Alceu Valença, Djavan, Adriana Calcanhotto. A quase eleição de Gabeira. Mas enfatizo Sampa e seus atributos porque sei que ainda é preciso repetir.
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Março 24th, 2009 at 2:57 am
Caetano,
Adorei vc ter citado o Nouvelle Cuisine. Me lembrei que Carlos Fernando cantou chico com Toninho horta (Isso é que eu chamo de livre associação).
O Post é longo por isso vou digeri-lo aos poucos!
Março 24th, 2009 at 4:17 am
Concordo com tudo.
Que Beleza!!!
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Tenho uns amigos paulistas que quando me convidam para sair ou ir a casa deles, dizem:
Não é convite de carioca não. É pra vir mesmo!
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depois volto.
bjs.
Março 24th, 2009 at 6:56 am
caetano,
adorei o “só para uso operacionalmente ainda eficaz”, hahahaha.
jeezis, a campanha “deuses da aprovação” é realmente algo bizarrrrro! remete-me ao constrangimento de ver 300, o filme.
concordo totalmente sobre o rap, embora ache que o hip-hop brasileiro hoje, supera o pai americano, nesse lance de cadillacs, champanhe e correntes de ouro. lá nos states a coisa é sintomaticamente pior. é triste isso, ver o escravo querendo ser senhor. será que é possível que esses grupos de rap sigam o mesmo caminho de “o herói” rumo ao homem cordial? quero crer que sim.
no rock o problema é outro: cinismo e conformismo. confunde-se ironia, iconoclastia, niilismo e irreverência [não gosto dessa palavra, mas não acho outra] com cinismo. resultado: conformismo hedonista. mas rock n’roll é assim, caótico e irresponsável por natureza. e ele sempre se salva, não é mesmo?
perfeito o que cê disse sobre a mudança de nome do aeroporto 2 de julho. deviam desfazer, é possível?
falar nisso, crítica mordaz de arnaldo xavier ao “polígono das secas” de mainard:
http://www.vermelho.org.br/museu/principios/anteriores.asp?edicao=42&cod_not=860
ah, muito boa a música nova da banda “eddie” de recife. chama-se “desequilíbrio”. num mundo perfeito, é hit!
e vamo pra frente. beijo procê, caetanovsky da bahia!
Março 24th, 2009 at 8:01 am
Nasci e vivi no interior, penso que morro por aqui mesmo. Em São Paulo e no Rio só fui duas vezes e dá uma vontade de conhecer um décimo de tudo isso que foi escrito aqui e no post anterior.
Em não podendo, leio e bebo Rio e Sampa aqui: com sofreguidão.
Muito lindo, e não seria diferente.
Beijos a todos moçada.
Saudades muitas muitas, de todos…e Labi, cadê o seu blog????
Março 24th, 2009 at 8:35 am
minha insônia me fez ler este post logo ao amanhecer. gostei muito. só não entendi direito a última frase: “enfatizo sampa e seus atributos porque sei que ainda é preciso repetir”.
você disse que seu irmão roberto e sua amiga sônia gostaram mais de sampa do que do rio, numa época em que tudo de nossa identidade brasileira era centrado lá, no rio. e diz “coisa raríssima” na época. imagino que sim.
o rio era ou tinha sido então há pouco tempo a capital do brasil, o coração do brasil e o pulsar mais forte de toda nossa cultura popular. sampa corria por fora - por fora mesmo, como você mesmo disse da “inveja benigna” dos paulistas em relação ao rio, bahia, recife. eu não tinha pintado ainda neste planetinha nesta época, mas sei claramente que havia essa distinção, um fosso abissal, entre rio e sampa até os anos 50 ou 60. e concordo que você, caetano, os demais tropicalistas, guilherme araújo, os poetas concretos, a própria jovem-guarda, ajudaram diretamente a descortinar o véu que cobria a cara de sampa para o resto do país. e eu, modestamente, incluo nisso tudo a presença da tv record, com seus festivais. mas penso também que a globo, durante a ditadura militar promoveu durante anos o estilo carioca, as coisas do rio, o sotaque carioca, como elementos padrões da identidade brasileira. e isso, nos anos 70 e início dos 80, com o crescimento vertiginoso da emissora carioca, as coisas do rio predominaram novamente, não só sobre as coisas de sampa, mas de todo o brasil, inclusive a bahia. no final dos 80 e começo dos 90 a coisa vira de novo…a folha, a veja, o fortalecimento do movimento sindical no abc ( iniciado nos anos 70 sob forte opressão do estado), o crescimento do pt e do psdb..penso que essas coisas, entre outras, colocaram sampa no topo novamente.
no futebol, ( quesito importante para nós..brasileiros)…penso que o rio teve seus maiores momentos de glória com o botafogo de garrincha e o flamengo de zico. por outro lado, o fato de pelé ter jogado no santos, a academia do palmeiras e mais recentemente a disparada de títulos importantes, em especial, do são paulo futebol clube, depois palmeiras, corinthians e o próprio santos…tudo isso coloca sampa na liderança do futebol brasileiro.
voltando para o lance do seu irmão bob veloso ter, já naquela época, gostado mais de sampa, eu sempre lembro de um comentário da madona, da primeira vez em que ela esteve fazendo shows no brasil. ela disse que já previa gostar do rio ( como gostou ), mas que ficou surpresa de ter gostado também e muito de sampa. agora, em seu show em sampa, madona disse que escolheu, não por acaso a cidade para finalizar sua turnê mundial porque gostava muito dela (são paulo).
sobre a bahia, sua frase “há muita gente preta de carro novo bom”…é bem legal, e reflete a retomada do crescimento econômico baiano. e eu acho que isso vem diretamente da criação do pólo industrial de camaçari, com os investimentos de peso da ford e outras multinacionais, mais o fortalecimento da indústria da música de carnaval da bahia. mas, óbvio, há o outro lado, o aumento da violência e da criminalidade na bahia, no recife, em mato-grosso, pará, enquanto que isso (a criminalidade) decresce no rio e em são paulo.
em relação ao quarto centenário da capital paulista, em 1954, e retornando a falar de futebol, a final do campeonato paulista daquele ano foi entre corinthians e palmeiras. o corinthians venceu. mas depois ficou 23 anos no jejum, sem ganhar nada. um fato curioso foi que o palmeiras jogou de azul, não de verde. foi uma idéia maluca de um dirigente palmeirense que havia sonhado que “se o verdão jogasse de azul seria campeão”. que triste sonho.
mas, enfim, é preciso repetir o que caetano, ao enfatizar sampa e seus atributos atuais???
Março 24th, 2009 at 8:52 am
Caetano
você me fez chorar agora. Pq mil coisas que eu epnsava, e as vezes não conseguia falar, u nem conseguia torna claras para mim mesmo aparecem d forma luminosa no seu texto.
como disse bethânia nuam entrevista no Pasquim em 1966 “você é o quente”!
Março 24th, 2009 at 10:12 am
Caetano
Centro e periferia sempre foram atributos das grandes cidades.Atributos esses que se aplicam até mesmo entre elas, em uma visão mundial.Países e regiões inclusas.
Esse conceito distintivo se esmaece com a globalização.A informação, até onde democratizada, é imediata, via Internet.Isso muda muita coisa.
É uma revolução na comunicação humana.Que estamos vivendo no mundo contemporâneo(veja, por exemplo, o seu blog.).
Se, ou até mesmo em função disso, ainda seria preciso repetir um certo”modelo”, eu não sei.Ou talvez queira acreditar que não.Mas vale a ênfase para Sampa.
A Experiência Internet é nova.Por isso mesmo ainda não são sabidas as suas reais consequências.Que sejam benéficas para todos.
Valeu a pena esperar pelo Rio/Sampa.Se o outro texto é mais específico, êste é mais abrangente.Suscitando mais questões.E isso é bom.
Saudações Globais
Affonso
Março 24th, 2009 at 10:33 am
Ola Caetano,
Gosto muito do blog. Parabens a você, Hermano e a toda equipe. Excelente os 2 últimos posts. Há tempos venho pensando que Rio e SP devem ser entendidas como 2 cidades complementares e seus texto apesar de apontarem as diferenças são uma oportunidade para refletirmos essa complementaridade.
Se São Paulo é a locomotiva do país o Rio é o vagão restaurante (eu quero um lugar na janela). São Paulo é bom para trabalhar e o Rio é bom para passear (um balneário parado no tempo). São 2 cidades que distam 400 e poucos km e hoje em dia isso é quase nada (há grandes metropoles antagônicas com tanta proximidade no planeta?). 40 minutos de voo, 4h30 de carro sem parar, 5h30 de onibus e infelizmente ainda não há um trem rápido. Com celular ou computador portátil, skype, videoconferencia etc pouco importa onde você se encontra. O grande barato é usar as 2 ciddades como sendo uma só.
Se SP do Fasano, Céu, Hurtmold e outros mais te animam não podemos esquecer a força da atual produção carioca. Alguns exemplos:
- os 400 blocos que brilharam na cidade apontando uma nova direção para o carnaval de rua que cresce a cada ano.
- a linda e fantástica geração de músicos que mistura Hermanos, Orquestra, Nina Becker, Do Amor, + 2, Autoramas, Canastra, Nervoso, Moptop, Jonas Sá, Binário, Fino Coletivo, João Brasil etc
- a nova cena do samba com Casuarina, Diogo Nogueira, Mart’nália, Edu Krieger, Moyseis Marques, Nicolas Krassik, Ana Costa, Nilze Carvalho, Empolga as 9, Bangalafumenga
- as festas com Digital Dubs, Phunk!, Moo, Calzone, Combo, Paradiso, Little Black is Fuck, Black Friday, Febre, Dancing Cheeta, Soul baby Soul, Ronca-Ronca, Maldita e muitas outras apenas na Zona Sul (importante destacar que os DJs e produtores envolvidos são, em sua ampla maioria, amadores que inventaram seus ofícios na prática, na experiência de dar uma festa. Antropólogos, Fotógrafos, Jornalistas, Historiadores, Artistas Plásticos, Curadores, Escritores, Atores, vários profissionais de outras áreas mergulharam de cabeça nessa cena, produzindo um espaço de invenção musical e encontros a cada noite na cidade.)
- os numerosos bailes funks que Hermano conhece melhor do que todos nós
- as centenas de atelies de artes plásticas espalhados pela cidade que ainda não dialogam com a populaçao mas que se implementado um programa de interface com o público poderá criar uma mediação viva e nova (diferente da relação comercial das galerias e da museologia mofada dos museus).
- a rapaziada que está preparando a revista Atual (nome provisório) capitaneados por Sergio Cohn (da Azougue) e Fred Coelho.
- os incontáveis blogs de reflexão e informação.
- a sede da Colker na Glória formando profissionais e amadores. A Cia dos Atores do Enrique Diaz, Cesar, Olinto etc na Lapa com seus ensaios, peças e atividades.
Não falo do cinema, da televisão, de literatura e outras áreas por falta de intimidade mas deixo aqui a bola quicando para os demais cariocas.
Penso que a cidade está repleta de artistas que querem pensar novas relações entre arte, cidade e cidadania. Está na hora dessa gente bronzeada meter a mão na massa e inventar um futuro melhor. Falta articulação e muitas outras coisas mas há uma produção cultural fantástica e singular embaixo da nossa cara.
abracos gerais do
Raul (aguardando, aqui no blog, a chegada do disco novo)
PS:
Tem uma coisa que tenho pensado também que faz toda a diferença hoje entre a cena cultural do Rio e SP. Lá os paulistas tiveram na figura do prof Danilo Miranda do SESC o verdadeiro reitor de uma universidade informal e invisivel de produção cultural com seu rigor e exigencias mil. Por alí passaram centenas de profissionais aprendendo o que é arte e seu papel tranformador, o respeito ao público e ao artista. Hoje são esses profissionais que tocam a vida cultural em SP. Aqui no Rio nos faltou uma referência a mesma altura e o bundalelismo prevaleceu. Ninguem paga, ninguem recebe, todos são conhecidos e amigos e não há hora certa para começar nem acabar.
desculpem os erros que passara na pressa da digitação. o tempo é curto. obrigado pelo espaço.
Março 24th, 2009 at 11:22 am
Acabo de ler o texto! A primeira impressão que tive é que o texto de Caetano poderia ter paralelo com o trabalho do Chico “As cidades” (vejam quantas cidades são citadas, direta ou indiretamente no texto), embora o título esteja perfeito.
Questiono-me se as estatísticas que apontam o crescimento e o decrescimento dos homicídios mencionados por Caetano são de fato confiáveis. Acharia ótimo que o fossem também para as cidade do interior do Mato Grosso entre as outras mencionadas (a história da morte no ocidente ainda é real).
Falando-se em Sampa, bem caberia uma citação a Adoniran Barbosa e, consequentemente a Demônios da Garoa (entre outros); já falo como se o texto fosse meu e ele não é.
O Caetano e a USP
“Só mais tarde tomei contato com pessoas que olhavam para o Brasil com um jeito arrogante, como se fossem de uma grande cidade do mundo e tivessem que arrastar essa África às costas. Entendi que alguns queriam salvar o Brasil, outros, livrar-se dele. Passei a chamar isso (irresponsavlemnete) de USP. Ainda chamo, com a mesma irresponsabilidade mas reconhecendo que é só para uso operacionalmente ainda eficaz”
isto precisa se transformar em tese! (Tá bom, há quem não pense assim).
CONCORDÂNCIA: uma das coisas que mais odeio é Cocaína.
Seria redundância de minha parte dizer se gostei ou não do texto.
Tomando-se um dos ícones do texto DÉJA VU com o anterior - Chico Buarque, Caetano bem que poderia continuar a nos brindar com seu brilhante estilo de escrita, que, diferentemente de Chico com uma maneira mais hermética (o estorvo é um livro difícil)de escrever, nos bombardeia com informações claras, quentes, gostosas.
Março 24th, 2009 at 11:23 am
God save the king! Ainda acredito no Brasil porque Caetano Veloso existe e insiste. Disse (disse ou disseram que disse?) que o Brasil daria certo porque ELE queria que desse certo. E acreditei - e acredito. Sou carioca e moro em Sampa. Me tomei de amores pela cidade vindo fazer um trabalho relacionado a Lygia Fagundes Telles, outra paulista adorável e memorável. Cruzava, eventualmente, com o taxi de Haroldo de Campos na rua Monte Alegre, em Perdizes, e sabê-lo perto de onde eu morava era motivo de orgulho profundo. Caetano não mora em Sampa (que ele descreveu e eternizou na canção), mas só de sabê-lo brasileiro - e perto - me dá a sensação de que o país - imerso em inúmeras merdas políticas e culturais - tem jeito, sim. Caetano ilumina e esclarece, ou, em uma palavra mais exata: nos sinaliza. É um dos faróis mais sensatos e bonitos que conheço.
Março 24th, 2009 at 12:04 pm
Lindo texto - bem mais solto pelas avenidas das lembrancas.
Março 24th, 2009 at 12:12 pm
Caetano é quente é demais…o BlogCaetano está quentinho, saiu do forno mais esse pãozinho, parabéns Caetano, como é bom esse cantinho.
Mas que números são esses? A criminalidade no Rio é um escândalo. E hoje mundialmente divulgada, a imagem do Rio está manchada por essa chaga, que só aumenta. Desculpe Caetano, a sensação é de que aumenta todo dia. Ontem a Zona Sul foi um intenso tiroteio. Mulatos no chão sob as botas da polícia, policiais baleados na barriga ilustrados nos jornais, um bangue bangue deplorável, ridículo, terrível. A cidade é submetida a isso por muitos anos, um mal crônico que baixa a cabeça de todo carioca. Injusto! Lá fora quando as pessoas chegavam com essas histórias a gente dizia: bem…não é tanto assim…exagero…eu mesmo, nunca fui…Pois hoje em dia, nem as novelas da Globo são capazes de tapar esse “fenômeno”( arghh..). A violência brutal, atingiu um ponto de agressividade imprevisível, é a desgraça do Rio de Janeiro. A violência, a poluição da Baía e de todas as águas, a escassez das obras públicas, a vergonhosa lotação do metrô, a ausência de uma ponte nova entre o Rio e São Gonçalo ( NIterói já foi, do lado de lá o imenso é São Gonçalo de onde vem bilhões de gentes trabalhar), o escândalo que é o fedor nos arredores do aeroporto Tom Jobim, a reprodução das favelas. Tudo é suportável, menos a violência, o balaço, o escândalo das mortes aos montes todo dia. A violência no Rio explode, nem crece mais, explode, é uma vergonha do Brasil.
Mas cuidado! O Rio é o Rio.
Março 24th, 2009 at 12:51 pm
Hoje, na Nova Zelândia:
RIANZ WELCOMES GOVERNMENT’S FURTHER COMMITMENT TO TACKLING ONLINE PIRACY
24th March 2009
The Recording Industry Association of New Zealand (RIANZ) backs the government’s firm commitment to improve new legislation requiring action by Internet Service Providers (ISPs) to help protect creators’ rights. The industry will work with government and other parties to amend the new law to ensure an effective and reasonable approach.
The government announced yesterday that it will amend new section 92a of the Copyright Act to engage ISPs in tackling online piracy. This follows the failure to achieve a private-sector agreement between rights holders and ISPs on a Code of Practice that would set out the process for implementing section 92a.
Campbell Smith, chief executive of RIANZ, says: “The government acknowledges that New Zealand’s creative industries are suffering because of the impact of online piracy and it recognises that ISPs should play a key role in helping to address the problem.
“The delay required to implement the government’s decision to amend the law is obviously disappointing but that’s a price worth paying if the result is clear legislation that effectively addresses the problem.
“The recording industry worked hard with its partners in the technology sector to supplement the current version of Section 92a with a fair and transparent code for its implementation. The government remains committed to tackling unlawful file-sharing and has decided that it should mandate such a process through legislation. This means we can have a comprehensive approach that covers all players in the telecoms market.”
Background for Editors:
Ø The Government announced yesterday that it would be not implementing Section 92a of the Copyright Amendment Act as originally written. Prime Minister John Key told a press conference that “there is a need for legislation in this area” and Minister of Commerce Simon Power stated that “this behaviour is very costly to New Zealand’s creative industries and needs to be addressed”.
Ø Section 92a required ISPs to terminate, in appropriate circumstances, internet accounts that are repeatedly used for infringement, but did not set out the process by which this was to be implemented. The recording industry and representatives of the telecoms industry therefore discussed implementing a code of practice to complement to the legislation.
Ø Under the code of conduct, rights holders could have provided evidence alerting ISPs to serious infringement taking place through particular subscriber accounts. ISPs would have then sent education and warning letters to the holders of those accounts, notifying them that they were breaking copyright law. A system would have been set up for appeals of any errors in the notices. Only if a subscriber ignored repeated warnings would they have risked losing their internet account.
Ø The government decided to step in after legitimate concerns were raised about how the law would operate in practice as right holders and the telecoms industry had not reached a full voluntary agreement to deal with these issues. The government has undertaken to commence a review of Section 92a immediately.
Março 24th, 2009 at 1:45 pm
HERMAN- CORRIJO ALGUNS ERROS DE DIGITAÇÃO QUE COMPROMETIAM A COMPREENSÃO DO COMENTÁRIO
Gozada essa história do Juca Chaves. Quando eu era garotinho achava legal aquele judeu narigudo dizendo “ajude o Juquinha a comprar seu whiskinho”.
Depois, pré-adolescente, esperava com ansiedade a minha vó trazer semanalmente os fascículos daquela coleção de vinis da Abril (ainda guardo todos). Juca estava ao lado de Billy Blanco, como se os dois guardassem mesmo certa semelhança. Havia humor mesmo em Billy, mas bem mais sutil. Eu era pequeno, mas já percebia que o canto anasalado de “O Preseidente Bossa-Nova” era farsesco. Isso porque já estava abduzido por João Gilberto. Mas adorava a canção mesmo assim. De um outro jeito.
Quando ganhei um disco de piadas do Juca Chaves de um amigo me senti feliz. A capa era uma privada. E noutro dia o vi no programa do Ronnie Von, igualzinho, descalço, com as duas lindas filhas negras e mil declarações de amor à Bahia e à sua mulher. Gostei.
Fico muito orgulhoso de São Paulo quando a descrevem assim, mais de longe, embora Caetano esteja mais do que perto. Morando aqui, não sinto todo esse toque cosmopolita e contemporâneo. Sou como Teteco, passeio de carro extasiado reconhecendo a minha infância em cada quarteirão da cidade.
Tenho um causo pra contar pros filhos vivido em cada bairro, nas padocas, nas casas dos pais dos amigos, nas praças.
Uma vez o Ed Motta me disse que se sentia em Nova Iorque quando ia à esquina da Teodoro Sampaio com a Cristiano Viana. Dezenas de lojas de instrumentos musicais vintage, vinis e songbooks. Ele já se sentia no “primeiro mundo” ao entrar no táxi. “Que serviço! Todos carros são novinhos e os caras educados!” Falava também da quantidade de bancas de jornal com revistas de música importadas.
Tudo isso é meio invisível pra quem mora aqui. Ainda somos mais impactados pelas diferenças sociai, a cracolândia, os moradores de rua e o trânsito nervoso.
No Rio, não. Embora haja tanta violência, tenho a impressão que os cariocas, inevitavelmente, ainda se impactam com as imagens de beleza e natureza explícita da cidade.
Tenho amigos cariocas duríssimos, sem grana, que estão bronzeados e felizes. E falam até com certo ufanismo do Rio, embora critiquem a violência. E tenho amigos paulistas, bem estabelecidos, abastados, morando em boas casas, se queixando da cidade diariamente.
O olhar de Caetano para SP é diferente do olhar de Ed Motta. Há mais tempo vivido em São Paulo por Caetano para notar diferenças e erosões do tempo que quem mora aqui mal percebe. E que Ed (pela idade) também não reconhece.
Houve mesmo avanço civilizador, mesmo com as injustiças sociais que são do Brasil e deixam marcas mais violentas nas cidades grandes.
Mas, parando pra pensar, o avanço na área cultural, é imenso. A Estação Ciência, o Museu do Futebol, o da Palavra, a música independente que deixa de ser alternativa para ser a trilha-sonora da metrópole, os projetos sociais com visíveis resultados, o teatro que deixa de ser teatrão para experimentar loucuras, as livrarias abarrotadas, os prestadores de serviço éticos, os concertos na Sala São Paulo, a Pinacoteca, Daniela Thomas na Oca, no MAM. Tudo luz cultura.
Mas pra quem mora mesmo, resta esses momentos de elogio vindos de quem não mora. É como se alguém dissesse “como sua casa é bonita”. “Como sua mulher é legal”. “Como seus filhos são inteligentes”.
Essas coisas que a gente não costuma dizer pra gente mesmo. A canção Sampa já havia prestado esse serviço de utilidade pública e estética. Agora esse POST. Maravilhoso!
Fico pensando o quanto somos privilegiados ao ler os POSTS do Caetano aqui. Será que tudo isso um dia será publicado? Os não-frequentadores do blog merecem. Não merecem?
Valeu, Caetano.
beijo na testa sotero-paulistana
salem
Março 24th, 2009 at 1:54 pm
Rio: Rádio Nacional.
São Paulo: TV Tupi.
Essa é uma diferença bem interessante e áudio-visual.
Rio: gravadoras.
São Paulo: MTV.
Rio: beleza física com trilha-sonora
São Paulo: certa feiura com narcisismo introvertido
Um video-clipe que nunca vi. Música carioca com imagens de SP. Samba de Zeca Pagodinho com imagens do Tatuapé. Pedro Luiz canta Jardim Ângela. Alcione canta Bixiga.
Como já disse aqui, pros baianos foi mais fácil metabolizar SP. Nada mais paulistano do que Tom Zé, Raul e Sampa.
Paulistas também são melhores “olhando” o Rio do que o cantando. Alguém aqui se lembra de uma grande canção popular sobre o Rio feita por um paulistano?
Denis Brian, era de Campinas (se não me engano) e compôs “Bahia com H”. Mas cariocas cantando SP e pulistas cantando RJ é coisa rara.
in test
salem
Março 24th, 2009 at 1:58 pm
Acrescentando ao post de Salém, as experiências em saúde coletiva que aconteceram e continuam acontecendo em SP são singulares. Para além do HC em cada unidade básica de saúde do Itaim paulista a Brasilândia agentes silenciosos e resistentes insistem em (des) construir novas práticas de saúde.
Made in Sampa!
A ENSP no rio e a escola de saúde pública da Bahia tem tb muitos encantos!
Março 24th, 2009 at 2:43 pm
Ei Caetano, fala um pouquinho de Minas…
Março 24th, 2009 at 2:43 pm
Caetano,
Espio o blog há algum tempo, mas senti vontade de comentar ao ler esses dois últimos textos. É um dos assuntos de que mais gosto: as impressões sobre as cidades.
Sou mineiro e moro no Rio há sete anos, por um acaso da vida (nunca tinha desejado viver aqui). Sempre pensei que fosse fazer minha vida em Belo Horizonte (vivi 16 anos no interior de Minas, no Vale do Aço, perto da Itabira do Drummond). Quando pequeno, no entanto, São Paulo era o lugar que me fascinava, muito mais do que o Rio. Meus pais me levavam para São Paulo e eu achava a cidade incansável para alguém que morava em uma cidade com pouco mais de 50 mil habitantes. Tinha certo medo do Rio, muito influenciado pelas notícias de violência. Em pouco tempo, porém, aprendi a amar a cidade (minha relação com o Rio se deu principalmente por Copacabana, onde morei, e pelo Maracanã, onde estudei).
Acho Rio e São Paulo bem diferentes. Vou muito a São Paulo e tenho algumas impressões parecidas com as aqui relatadas. Nunca morei lá, mas tenho vontade/curiosidade. Ainda gostaria que outras cidades brasileiras tivessem a mesma força dessas duas (acho que Salvador até tem), mas creio que ainda são as duas grandes referências de cidades brasileiras.
Kito,
Sobre Caetano falar de Minas… Não acho Belo Horizonte (ainda) tão fascinante enquanto cidade como o Rio, São Paulo e Salvador. Fiquei instigado pelo que você disse (”falar de Minas” e não “falar de BH”). A impressão que tenho de BH é que é - por enquanto - um centro agregador de toda a quantidade de municípios - históricos, interioranos - de Minas Gerais. O estado Minas, em sua generalidade, ainda é muito mais interessante e poético do que sua capital (de repente, se a capital tivesse se desenvolvido de Ouro Preto, Minas poderia ter uma única cidade-símbolo). Milton Nascimento e a turma do Clube da Esquina traduziram em música o que penso dessas Minas Gerais (”Paisagem da janela”, “Encontros e despedidas”…). O Milton, talvez por ter feito o caminho inverso ao do Ary Barroso e do Ataulfo Alves, conseguiu mais do ninguém extrair uma musicalidade tipicamente mineira.
Hoje, acho que artistas mais novos conseguem traduzir uma “mineirice belorizontina”, já com alguma coisa que incorpora elementos urbanos a esse retrato nacionalmente conhecido do mineiro: ouça Pato Fu e Érika Machado. Então, embora eu tenha muita curiosidade para saber o que Caetano acha de Minas (perdi o show dele com Milton no Canecão), acho que ele não tem uma vivência tão interessante no estado quanto teve (e tem) em Sampa ou Rio. Adoraria estar errado.
Por fim, gosto muito do fato de que as estátuas de Copacabana sejam de um mineiro (Drummond) e de um baiano (Caymmi). Migrar para o Rio é muito interessante.
Março 24th, 2009 at 2:47 pm
Caetano,
EScrevo das Ilhas de Cabo Verde, onde carrego a sina, como no Brasil, de me dizerem que sou o Caetano das ilhas. Olha só.Esses textos seus me lembram os anos em que os barcos brasileiros tocavam o Porto de S. Vicente e nos deixavam músicas recém inventadas em São Pualo e no Rio, e que hoje são nossas.Essa cercania me alenta.
Estou aqui com umas ideias para te comunicar, e não quero usar intermediários, alguns nossos amigos em comum como o Gil. Se mereço a honra aguardo uma palavrinha e um contacto para me dirigir a ti em privado. abraço azul
Mario (www.mariolucio.com
http://www.myspace.com/marioluciosousa
Março 24th, 2009 at 3:04 pm
Leal
A Globo tem tentado ser um pouquinho mais paulistana, mas não consegue. Faustão ocupa o espaço do Chacrinha. Chacrinha era Brasil. Faustão é paulista fazendo TV carioca. Mas Groisman é São Paulo pra caramba. Na madruga.
O humor e as novelas são bem cariocas. A Favorita se passava em SP, mas a gente só lembrava quando rolavam aqueles stock-shots com imagens de pôr do sol na Paulista photoshopados.
A Banda B da TV, como cê disse, é paulista, mas é de doer.
A esquina da Ipiranga com a São João na visão realista. Mas concretamente, está tudo lá, ainda. Houve desvalorização imobiliária dos anos 70 para cá. Mas há muita gente legal comprando aqueles apês maravilhosos, com salas amplas envidraçadas. Um amigo meu comprou um por uma bagatela e o reformou. É uma maravilha. Diretores de cinema, atores e atrizes têm feito o mesmo. O esforço da prefeitura com a tal revitalização (inclusive baixando ICMS de quem sem instalar por lá) ainda não teve efeito visível. E a higienização do secretário Andrea Matarazzo, tucano, que insiste em recolher moradores de rua, é solução de quinta categoria.
Mas de 2 anos pra cá, há alguma melhora. Os cinemas, como no Rio viraram casas de streap. Mas isso até incomoda pouco. O clima deprê-cinza diminuiu. O nome do bar é Bar Brahma e continua lá com shows constantes dos Demônios da Garoa e Cauby.
Vi Jamelão lá, na sua última temporada. Um show de 2 horas. A cada Lucínio que ouvia, entre margueritas, ia entrando numa emoção indescritível. Saí do tempo e do espaço. Havia um século de música, arquitetura e emoção naquele campo magnético.
É verdade. O país canta a Bahia. E canta o Rio. Mas só Caetano e Tom Zé cantaram São Paulo tão explicitamente. São Paul. apesar de encantável, parece incantável.
Mesmo os paulistas (fora Adoniran e Tatit) têm certo receio. As palavras Copacabana ou Ipanema ou Leblon estão em centenas de canções feitas por baianos. As palavras Salvador, baiana, acarajé, Bahia estão em centenas de canções feitas por cariocas.
Mas Sumaré, Morumbi e murissoca (que são de origem indígenas e muito sonoras não aparecem em letras).
É no rap que a gente vê a cidade mais descrita e com nome aos bois e locais.
São Paulo não olha pra fora. Olha pra dentro. Outro dia, no Rio, em pleno trânsito, reparei como os motoristas ainda olhavam a cidade.
Em São Paulo, nos semáforos, todos parecem estar olhando pra si mesmo. Pensando no próximo passo. Em trabalho. Ou na vida. Carros em SP são verdadeiros escritórios ambulantes. As pessoas despacham em viva voz. Falam sozinhas.
Olhar pra dentro é um belo treino dos paulistas, mas turva a imagem exterior da cidade. É comum passarmos diariamente por um mesmo local e repararmos só depois de anos que há uma frondosa árvore ali.
beijo na testa
salem
Março 24th, 2009 at 3:12 pm
Hombre, que texto bonito e que comentários interessantes!
A distância faz bem para entender o Rio. Saí de lá com 10 anos, voltava sempre a passeio. Aos 30 quando fui a morar definitivamente, depois de 20 anos entre Vix e Sampa, o Rio me pareceu um mundo novo. É meu porto, meu lugar no mundo, para o bem ou para o mal.
É uma cidade aberta, com caráter. Uma cidade com alma. Demorei a me encaixar outra vez: há uma maneira de viver aparentemente simples, mas rola uma segmentação nas relações muito curiosa. No Rio descobri que muitos cariocas têm amigos-gavetas, um pra cada hora do dia.
São Paulo, como dizem os madrileños, “mola”, mas o dia-a-dia do trânsito, da pressa, do carro full-time, dos restaurantes, das distâncias afasta e cansa. Deve ser por isso que ir pra curtir e voltar no fim do dia “mola” muito mais.
São cidades paralelas, por isso pra mim é complicado compará-las. Da última vez em que estive no Rio, me impressionou a quantidade de jovens paulistas “fazendo turismo” no Rio: nos bares da Lapa, nas praias, no carnaval.
Vivo em Madrid há 7 anos e há um certo ar paulistano por aqui, apesar das diferenças enormes de cultura e de geografia, claro está. Há muitos imigrantes brasileiros em Madrid agora e a maioria é paulista. Não deve ser aleatório.
Barcelona tem outro ar, tem bairros meio decadentes, tem um leve gosto carioca, apesar dos catalães serem um ponto e um a parte.
Enfim, as cidades abrem mundos de significados que também dependem do nível de intimidade que estamos dispostos a ter com elas. Eu sou do tipo que vai fundo.
Aff, escrevi muito. “Un saludo” primaveril direto dos “madriles” pré-show de Lenine. Amanhã rola um pouco desta mistura pernambucana-carioca tão boa!
[]´s
Março 24th, 2009 at 3:54 pm
Gil: também estou angustiado com os tiroteios na zona sul e em Padre Miguel. Mas se as cenas brutais aparecem em fotos coloridas e manchetes grandes, como nos filmes americanos ou nos favela movies que influenciam até o cinema americano, as notícias reiteradas sobre o real decréscimo do índice de homicídios no Rio aparece sempre em chamadas pequenas na parte baixa da primeira página. É para quem quer ver. Eu quero. Muito. Seja como for, sai em primaira página. Li estudo sobre na Folha de S. Paulo (sobre o decréscimo da violˆneica no Rio), acho que no Mais. Mas as notícias, há poucos anos chegando à capa, vêm inabalavelmente há muito
tempo.
Março 24th, 2009 at 4:55 pm
São Paulo é o centro.
Brasília está no centro.
(E repleta de cariocas vivendo como paulistas e de nordestinos vivendo como nordestinos vivem em São Paulo).
A capital federal sofre desse déficit de brasilidade; sofre com a identidade cultural não formada. Sofrendo e buscando alento. Um dia nos formamos e isso aqui vira uma nova São Paulo no Brasil. Será?
Tem algum brasiliense aí pra ousar?
abs
Ricardo
Março 24th, 2009 at 4:55 pm
Caetano!, se me permite gostaria de falar um pouco sobre um dos aspectos que mais me chateiam em Salvador e que acho que contribui e muito negativamente para a imagem da cidade: a má qualidade na prestação de serviços. Até brinquei um pouco na sua postagem anterior, mas o problema é sério e algo crônico.
Para uma cidade do porte, da importância e da fama de Salvador é inadmissível que continue a ter tantos problemas de atendimento e na prestação de serviços básicos. Tudo é no jeitinho, na ginga, na paciência. Para quem conhece outras capitais e mesmo outras cidades nem tão grandes, é insuportavelmente irritante. É a eterna ausência de troco (sob a alegação de que “ó… acabei de abrir o caixa” ou “comecei a rodar agora, pai, tem menor não? Peraí que eu desço e troco, na moral”, como se fosse natural abrir um comércio sem troco! - isto no cinema ou com os taxistas, não precisamos nem ir aos pobres vendedores ambulantes). É o cardápio nos restaurantes com opção que “esse não está saindo”. É o cobrador do ônibus que fica lá conversando com o motorista, espera o ônibus encher e daí vem cobrar a passagem, pega seu dinheiro, pergunta onde você vai descer e some no meio da multidão, enquanto o usuário se desespera e fica com torcicolo de tanto procurá-lo. É tudo muito complicado.
O serviço nos bares, lanchonetes, barracas de praia todo é deficiente, com algumas exceções. Atendem como se fizessem um favor, como se as belezas naturais da Bahia e toda a sua cultura fossem o suficiente. Por que isso? Não deveria ser justamente o contrário? Tratar bem os turistas para que eles voltem sempre?
Eu conto e acham que é piada, mas foi verdade: parei o carro e minha esposa foi a uma lan house daquelas que tiram xerox e fazem mais mil coisas, onde havia uma placa “temos internet”. Volta ela: “Perguntei pela internet e a moça me disse que ‘o menino saiu’. Perguntei se ele ia demorar e ela: ‘ele volta em março!!!’”.
Por último: Salvador é uma cidade turística onde é extremamente difícil comer à noite. Na Piedade tinha umas barraquinhas de cachorro-quente que já mataram a fome de muito notívago, mas acho que não tem mais. Da última vez, tentei pedir uma pizza às duas da manhã e dez minutos depois do pedido recebo a ligação: “Ó… vou ficar lhe devendo”, e eu: “Mas não é 24 horas?!”, e a moça: “É, mas é que o motoqueiro saiu para entregar lá perto da casa dele e de lá mesmo ele já vai pra casa”. Um amigo de Curitiba, que estava hospedado lá em casa, quase me matou de tanto sarro e eu não pude responder nada. E fomos dormir com fome na capital da gasolina mais cara do Brasil.
Saudações!
Março 24th, 2009 at 4:56 pm
Caetano, fala um pouco de Teresina, pois eu sei que você tem ligações transcendentais aqui.ou não?
Março 24th, 2009 at 5:08 pm
Boa Tarde!
Me alegro muito por vc ter escrito sobre os racionais, o rap. Eu nao sei até que ponto posso discordar de sua opiniao ( em relação a glamourização do crime e da cocaína, que abomino – sem ponto ou vírgula, a não ser aquela que nossos ancestrais experimentaram – na pureza que sua vida continha - sem eu ter por instinto, razao ou desejo experiementado), vc provavelmente se refere a uma vertente da tradução americana do rap no Brasil. Moro muito longe há dois anos. O que conheço dos Racionais, só, presença. Desconheço neles este tipo de alimento.
Sempre gosto de escutar “comida” dos Titans. “vc tem fome de quê?” etc…
Muito pontual sua posição e relação a respeito do declíneo da criminalidade. Eu penso, em São Paulo, podemos sonhar , ser ela fruto do exercício de construção do Ser: indivíduo soberano.
A respeito do indivíduo soberano: qual a sua opiniao a respeito dos interventores do cotidiano?
Me refiro especificamente a São Paulo.
ela me parece ser a cidade, o ponto nodal, aquele que permite a transicao…
mano brown nasceu dela. e Itamar Assumpssao escreveu que entre o sim e o nao existe um vao.
palavras sao fortes. delicadas. transitivas. às vezes intransitivas. mas nisso devemos deter nosso olhar.
liberdade. igualdade. fraternidade
Li seu último post: linda São Paulo.
p.s: Estou escutando, de novo, a trilha sonora de Ata-me: Resistire
e agora: madredeus…
e agora: ira!
Raul Seixas
Mas antes escutei o trenzinho caipira…
E agora b 52 love schack live
e agora: adriana calcanhoto…
itamar assumpcao
Março 24th, 2009 at 5:47 pm
Caetano,
O governo do PT da Bahia inaugurou agora um novo sistema viário aos arredores do Aeroporto Luiz Eduardo Magalhães. Chama-se “Complexo viário Dois de Julho”. Eu fiquei com uma sensação que seria melhor não ter batizado esta obra com este nome, pelo seguinte: é como se eles agora estivessem dizendo “tudo bem, o nome do Aeroporto merece ter sido mudado, a data dois de julho só faz jus mesmo a esta obrazinha periférica”; ou também “pessoal, nós não temos o poder para mudar o nome do Aeroporto, então vamos nos contentar com isso aqui mesmo”.
Também não me conformo. Aeroporto é Dois de Julho.
Salem, e hoje?
Rio: Rede Globo, o “olho do Brasil”.
São Paulo: o resto. A banda B da televisão aberta.
A esquina da Ipiranga (ou Ypiranga?) com a São João hoje é repleta de puteiros (Caetano, era assim também na época a qual vc se refere em Sampa?), e tem um bar famoso. Na Paulista, eu realmente não me sinto no Brasil. Não conheço nada no Brasil parecido com a Avenida Paulista, com toda a sua grandiloquencia (tem circunflexo ainda?). E na primeira vez que fui à São Paulo peguei 05°C. Para um soteropolitano, que sai de casaco quando faz 19°C - o que é raro - imagine a situação. Ou seja: eu realmente não estava em casa.
No Rio, apesar dos pesares, eu ainda me sinto em casa.
Salem, não me lembro mesmo de canções de paulistas falando do Rio e de cariocas falando de São Paulo. Mas isso me lembrou de uma coisa. Drummond fala, num trecho de um poema, o seguinte: “É preciso fazer um poema sobre a Bahia… / Mas eu nunca fui lá”. Depois acabou fazendo mesmo sem ter ido. Ary barroso fez “Na Baixa do Sapateiro” sem também nunca ter ido à Bahia, pelo menos até então. Não sei se Noel Rosa foi à Bahia, na biografia dele que li não consta esta informação, mas ele tem um samba chamado “na Bahia”, que diz “Todo santo dia nasce samba na Bahia”, diz também “Em São Salvador, terra de luz e de amor / Só o samba cabe, disso todo mundo sabe”. Isso eu tinha vontade de saber também, que curiosidade é essa que a Bahia causa nos não baianos. E que texto de Bahia é esse, já que há a Bahia de Canudos, a Bahia do Recôncavo, a Bahia do Cacau…
Março 24th, 2009 at 5:52 pm
caetano, eu sou louco pelos racionais - muito por conta do mano brown, por conta de sua originalidade e carisma, por conta de sua poesia contundente, mas tb por conta da música dos racionais. putz, eles são fera em criar climas, ambientar as músicas com diálogos, com sonoplastias cinematográficas vibrantes e espertas [a cena do velório em "eu sou 157" é de arrasar - além de ser um saque incrível é muito bem realizada; em "tô ouvindo alguém me chamar", toda a ambientação que acompanha a narrativa... eles são realmente um diferencial no rap brasileiro].
mas não os vejo assim como vc os vê. aliás, a marra sempre esteve presente, desde o sobrevivendo no inferno.
neste último trabalho (e como eles demoram para lançar coisas novas!) eu demorei a perceber o lance que havia ali. o incômodo era forte também, mas se a gente prestar atenção e ultrapassar nossa bronca com aqueles aspectos mais facilmente criticáveis (que poderiam ser, por exemplo, o sexismo das bandas de hard rock), a gente vai perceber que mano brown expõe ali, e de uma maneira muito dolorida, todo o paradoxo que envolve o rap: ceder ou não à violência? isto está em “jesus chorou”, em ‘vida loka parte 2″, e na magnífica “eu sou 157″.
ah, escute com atenção, não acho que eles devam ser confundidos com “gansta” rappers, como se estivessem enaltecendo comportamentos violentos. mas há sim muita violência ali.
abs
luedy
Março 24th, 2009 at 6:19 pm
Relendo meu prório comment tive uma resposta: que o texto que se faz da Bahia pela galera de fora, pelo menos nos exemplos que dei, é o mesmo texto de Salvador. Nem é uma coisa “alinhavada” de sertão, sul e capital.
Março 24th, 2009 at 6:23 pm
caets…
acho que entendo a força que vc vê no rio, mas nas pessoas do rio, em muitas delas, há muita agressividade latente e deslocada por essa mania indiferente dos cariocas de “deixar pra lá”, de querer sem querer, e aí qd as mudanças eclodem, são muito desordenadas, e as que as pessoas apostam (como o Gabeira) não chegam a acumular forças suficientes em uma mesma direção.
passei quase um ano sem ir ao rio, e qd voltei lá, muitos amigos de lá, mesmo em contato comigo, falavam comigo como se tivessem me visto na noite anterior, e ainda perguntando coisas como se 1 ano não tivesse passado. muita dispersão na energia. e eu já fiz zilhoes de coisas nesse tempo. e eles não, continuam seguindo muitos padrões de antes. é como os pacientes na terapia, qd de uma sessão pra outra não lembram o que estavam trabalhando, ou misturam tudo. enfim, uma visão de pessoas cariocas, não todas, mas uma tendencia a funcionarem assim.
não acostumo com esses ambientes “estilo festa carioca” onde se vê todo mundo e não se conhece ninguém. até pq nesses lugares, se falo/vejo algo mais profundo, as pessoas se assustam comigo, e ou me agridem desprositadamente ou me deixam sozinha, acho isso um porre.
é, Rafael
um dos motivos pelos quais não me adapto muito ao Rio são essas “relações ventadas”, “vamos fazer algo, passa lá em casa, a gente se vê” e esse vamos fazer não acontece nunca. e no tempo de um encontro pra outro, já fiz muuuuuuuuuitas coisas diferentes. rs rs aqui no sul não funciono assim. sou bem cabeçuda até.
Março 24th, 2009 at 6:35 pm
caetano que maravilha! suas observações foram ótimas.os deuses da aprovação é um mico.
Março 24th, 2009 at 6:40 pm
Salem,
raro mesmo um carioca cantando são paulo ou um paulista cantando o rio. já vimos baianos cantando sampa e paulistas cantando a bahia. aliás, “bahia com h” é um samba maravilhoso.
mas, se não me engano, o vadico, parceiro de noel rosa, era paulista e cantou o rio várias vezes.
Março 24th, 2009 at 7:22 pm
emerson e salem,
esqueceram do chico? paulistano que fala do rio, mesmo quando fala de outros lugares. paris, salvador, sampa e budapeste, é tudo rio! e emerson, cê pegou carona com o chico buarque??? pô, esse pessoal humilha…hahaha
o rio tem a beleza natural que grita, mas eu acho sampa excelente para passear, pra morar é que o bicho pega, tanto no rio como em sampa. outra coisa: nos lugares onde existe área verde, são paulo é agradabilíssima. tem aquele parque em higienópolis, cujo nome não lembro [sorry], ibirapuera…tem uns bairros bem legais, tipo perdizes, pompéia…e eu adoro a avenida paulista. é lindo, cara. é cinema! e no meu planeta, são paulo sempre será rita lee e os mutantes!
esse blog “é o quente”…adorei essa gíria, já adotei!
Março 24th, 2009 at 7:24 pm
caetano podem até ser textos que já estavam na geladeira , mas para mim caíram em cheio nesse meu momento. acabei de matar as saudades de sampa e voltar para “esse lado de cá do oceano” (como costumo chamar portugal).
valeu a repetição porque também ao reler certas coisas elas nos encaixam de outra forma.
Março 24th, 2009 at 7:33 pm
A cocaína esta acabando com o Rio.Esta cidade é para se contemplar.Essa cheiração ao nível do mar é devastadora.O povo não gosta de trabalhar muito mesmo essa que é a verdade então se eletrizam com pó,fica aquela falação desatinada corrida acelerada bombada neurada.O Rio é para se contemplar.Antes que falem que também se cheira muito em Sampa o caso é que la tem mais altitude e atitude condizentes.Os cariocas já são uns egóicos natos. Para que aumentar mais ainda com trem artificial.Tem uma turma lá que quer voltar a ser Guanabara.Eu acho um besteira.Os caras tem assimilar que o estado é do Rio de janeiro como a cidade de São Paulo é do estado de São Paulo.São Paulo só lucra em ter grandes cidades no seu interior.O Rio não aprendeu a lucrar com isso e despreza seu interior tão maravilhoso quanto seu umbigão sujo e malarrumado.Ninguém quer arredar o pé do Rio cidade.E é ridículo para se chegar confortavelmente a qualquer ponto do estado ter que passar pela capital.O Rio ainda é assim.Eu sei porque moro onde todo pais atravessa e estou fora de rota.Belô é fora de rota.Aécio sabe disso e sofre.Tadinho!
Março 24th, 2009 at 7:40 pm
Pessoal
Paulistas cantando o Rio eu até disse que era razoavelmente frequente. O que queria era conhecer alguma canção sobre Sampa feita por um carioca. Tem?
in test
salem
Março 24th, 2009 at 7:42 pm
Caetano, como funciona a contagem de geração? Tom Zé é da sua geração? Ele é 6 anos mais velho que você. Arnaldo é 6 anos mais novo. Arnaldo trabalhou tanto com você quanto com Tom Zé. Vocês três começaram na carreira discográfica praticamente ao mesmo tempo. Tom Zé é 8 anos mais velho que Chico Buarque, isto os coloca em gerações diferentes? Só tentando entender.
Curiosamente Chico Buarque parece muito mais vinculado à geração anterior do que Tom Zé. Raul Seixas era apenas 1 ano mais novo do que Chico Buarque e também parecia bem mais distante deste do que dos tropicalistas.
Alceu Valença (e também Belchior) é dois anos mais novo do que Arnaldo Baptista e no entanto pertence(m) à geração seguinte? Zé Ramalho é 1 ano mais novo do que Arnaldo, mas parece eternamente ligado à geração de Alceu e Belchior.
Março 24th, 2009 at 7:47 pm
Opa!, quis dizer obviamente que Alceu e Belchior são dois anos mais ‘velhos’ do que Arnaldo, não mais novos.
Março 24th, 2009 at 7:47 pm
É isso, Glauber: Chico é carioca, por incrível que pareça! Nasceu no Catete, se não me engano. Ele vivia em São Paulo e passava as férias no Rio, isso até os 20 e poucos anos, quando foi morar no Rio, depois em Roma, depois no Rio de novo.
E peguei carona com ele sim! Quando cheguei no Baixo Leblon, fim da viagem, fiquei ligando pra todo mundo em Salvador: “CARALHO! PEGUEI CARONA COM CHICO BUARQUE!” Hehehe! Um dia desses eu te conto mais!
Dos Anjos, se vc fala que as músicas de Vadico que falam do Rio são as parcerias com Noel (não conheço outras de Vadico), acho que essa conta aí é do próprio Noel, que era o letrista. Não?
Março 24th, 2009 at 8:11 pm
Eu ia comentar no post passado que também achei São Paulo feia. E a cidade que me veio a cabeça foi Feira de Santana. Mas só fui conhecer Sampa sexta passada, quando lá cheguei pra ver Radiohead. Sou de Salvador mas morei uns meses em Feira pra estudar na UEFS. Assim que eu saí do Aeroporto de garulhos e comecei a assistir a cidade pela janela do ônibus, com ruas feias, calçadas sujas, predios sobre predios e quase todos muito feios, pensei: aqui parece Feira. Mas resolvi desdar o credito da minha opinião por ter um preconceito defensivo em relação a SP - do mesmo jeito que muitos pretos não gostam de brancos. Depois de pegar o metrô - e entender o que é metrô - subi para a cidade já a noite e fui andando até a casa de minha amiga. O frio, os jovens andando em grupo(todos muito empolgados e felizes), as japonesas “fruits” e tudo mais que vi, me deram uma suspeita que talvez tivesse algo de bonito por ali.
Março 24th, 2009 at 8:38 pm
Salem, algumas de paulistas sobre o Rio ou quase:
Rita & Roberto
Copacabana Boy
Renato Teixeira
A primeira vez que eu fui ao Rio
Certa manhã / Quando o sol mostrou a cara
Nós pegamos nossas malas / E eu fui conhecer o Rio
Eu e meu pai, / Numa rural já bem usada
Nos pusemos pela estrada / Muito longa, que nos leva
Para o Rio de Janeiro.
Eu tinha lá / Meus 15 anos de idade
E era tanta ansiedade / Que eu nem consegui dormir.
A noite que, / Precedeu nossa viagem
Foi noite de vadiagens / Pela imaginação,
Fala baixo coração.
Nos hospedamos / Num hotel muito elegante
Em plena Praça Tiradentes / Pois meu pai quis me mostrar
Primeiro a parte da cidade / Que é cigana
Depois sim Copacabana / Onde eu fui vestindo um terno
Passear em frente ao mar.
A noite a gente / Conheceu a Cinelândia,
Com todo nosso recato / Fomos só apreciar.
Antes do sono / Nós ficamos conversando
Sobre o medo que se sente / No bondinho,
Um jeito muito / Carioca de voar.
Foi muito curto /O nosso tempo de estadia
Mas valeu por muitos dias / De coisas pra se contar
Pra gente que, / Leva uma vida mais tranqüila,
De um jeito quase caipira / Ir ao Rio de Janeiro
É o mesmo que flutuar…
José Miguel Wisnik e Paulo Neves
São Paulo Rio
Sonhei que deu no jornal /Que São São Paulo estava
Coberta de água e sal / Pela mais branca das ondas
De um mar de safira /Não era mentira
E nem carnaval / Também não era milagre
Desastre ecológico / Nem nada igual
E quando a onda baixou / A cidade ficou normal
Só que do chão vinha a calma / Da lama do mangue
Da alga e da estrela do mar / E a maresia acendia
Uma coisa alegria / Que a espuma da onda
Espalhou pelo ar
Tamanho banho era um beijo / De cheiro e desejo
Em cada pessoa daquele lugar / E nesse dia saiu na primeira edição
De todos os jornais do Brasil:
São Paulo Rio
Não sei se vale mas acho que Guilherme Arantes fez alguma ode ao Rio e Vadico, um dos grandes parceiros de Noel, que era Paulista.
Abraços…
Março 24th, 2009 at 8:49 pm
gil,
para exorcisar o clima de terror, um exemplo do que o rio tem de melhor, a menina prodígio, nilze carvalho [que além de tudo é a cara da alberta hunter quando jovem]:
http://www.myspace.com/nilzecarvalho
Março 24th, 2009 at 9:24 pm
sai.para tomar um vinho no que é quase um quintal. weinkontor.
e voltei para reler minha voz. eu sabia que algo essencial faltava. entao: por favor, leia: palavras sao fortes. delicadas. transitivas. às vezes intransitivas. mas nisso nao devemos deter nosso olhar.
estou escutando novamente adriana calcanhoto, mas me lembro de itamar assumpsao. por que será que em minha fala eu esqueci justamente o “nao”?
palavras
todas sao importantes.
Março 24th, 2009 at 9:45 pm
Ricardo,
Nasci em BSB, mas me considero uma goiana… BSB é assim cada candango no seu galho!
Caetano,
Falar tão diretamento sobre o fim da OeP partiu meu coração… Eu estou adorando a travessia!
Março 24th, 2009 at 9:51 pm
Muito interessantes esses textos sobre são Paulo, Rio e o Brasil. Sempre que vou a São Paulo gosto muito, mas o ar provinciano permanece. É como se tudo fosse jogado sobre um pano de fundo com motivos florais retrô, para usar um papo herchcovitch. Gostei também quando vc escreveu sobre uma maior ingenuidade acompanhada de maior antenamento, essa é uma vantagem profunda em relação ao Rio.
E tem um aspecto paulistano que me incomoda muito, essa história de estar fora do Brasil poderia servir para o surgimento de uma vanguarda política, hoje, algo pós-PT, mas o que prevalece é uma alienação MTV. E tem o lado mais podre da grana representado na VEJA, que não vejo como pode ser interessante.
Março 24th, 2009 at 9:56 pm
Algo que me causou ótima impressão quando cheguei ao Rio há pouco mais de um ano, foi o fato de chegar em prédios de amigos e primeiro entrar para depois dizer quem sou e onde vou.. Faça chuva ou sol.
Menos grades, menos refletores, menos luzes que acendo ao andar.. Sutilezas (são muitas) que me fazem achar essa cidade maravilhosa muitíssimo interessante, ótima de morar…
Março 24th, 2009 at 10:27 pm
erica, leia o ensaio de francisco bosco sobre essas características dos cariocas. e depois pense nisto: sendo assim como é, a sociedade carioca produziu machado de assis, pixiguinha, tom jobim, niemeyer (que, segundo burle marxc me contou, era um típico carioca de praia, pouco informado e pouco rigoroso), cartola, nelson cavaquinho, nelson rodrigues (nasceu em pernambuco, mas não tenho a superstição de alguém aqui que quase disse que carmen miranda ter nascido em portugal é que fez dela uma cantora de samba relevante), millôr, paulo francis, cauby, Iangela maria, francisco alves, seu jorge, los hermanos…
glauber, também adoro são paulo para passear e acho que a cidade é boa para desestressar. e, além, de rita ser sua mais completa tradução, sampa é a terra de sérgio e arnaldo (em quem não penso exclusivamente como compositor e que não considero de minha geração: bastante mais novo - por isso não está no páreo).
luedy, adoro os racionais tanto quanto você - e pelos mesmos motivos. concordo com todas as observações e escolhas que você fez. “sobrevivendo no inferno” é o melhor. tudo é bom. mano brown é grande escritor e rimador e tem carisma. meu problema é com a mensagem não deliberada que termina preponderando. claro que há chapanhe e carrões na capa dp disco duplo. mas não é só isso. em “sobrevivendo” já estava lá isso tudo. o rock tem o problema que você citou e outros. o samba tem os seus. todo estilo e todo gênero têm. mas eu estava falando do rap. os garotos de santo amaro e guadalupe que imitam a onda da marra não se perguntam se os racionais têm e expõem dilemas a respeito da violência. em mim, que pertenço aos dois lugares mencionados, causa dor ver as conseqüências. você dirá que são conseqüências da violência do mundo, que os artistas que a têm como tema não são responsáveis. concordo. entenda que o que teve de mudar foi minha percepção política da obra estética nascida dessa voga. essa reação causada em mim deveria fazer pensar para além do que já pensava quando tomei contato com o hip-hop. uma aprovação política do movimento foi expressa por chico buarque e por tinhorão justo quando eu estava sentindo esses problemas. isso é o que precisa ser pensado. mas nem chico nem tinhorão têm a intimidade que você tem com a bora dos racionais. eu acho que “tô ouvindo alguém me chamar” é a mais linda faixa deles. suponho que chico ou tinhorão (tão abissalmente diferentes como são um do outro) não saberiam do que é que você está falando. mas isto aqui não é para mostrar que sei mais ou que tenho mais razão: é sobretudo para deixar minhas limitações à mostra. deixei de ter a identificação política que tinha com os racionais desde que vi os garotos marrentos de santo amaro e soube da existência de um “dono” da ilha do dendê e de um “dono” que inclui guadalupe em sua jurisdição. alguém orou aí para que mv bill ou rappers trilhassem o mesmo caminho do “herói” de minha música. pois bem: mv bill, para mim, já o trilha. mas bill, com todas as coisas lindas que já fez em rap, não chegou à genialidade de brown. a grandeza de bill vem do acompanahmento que ele faz via livros, filmes e atividade política. o resultado do conjunto da obra é forte. ele não precisaria dos complementos. mas mno brown pode dispensá-los com muito mais folga. você me entendeu?
esses textos sobre rio/sampa estavam na geladeira há séculos. saíram porque quis postar logo algo que nos levasse paralonge de discutir politicagem eleitoral e porque já estamos quas terminando esta obra. mas são textos redundantes para quem já me ouviu falar, leu entrevistas ou artigos antigos.
Março 25th, 2009 at 12:18 am
Oi Cibele, muito bom seu texto. Converse com Salém que está tratando demasiado superficialmente o tema. Salém, só para reforçar, eu te amo.
Eu sou de esquerda.
Só que toda vez que penso no assunto, enquanto definição, me aproximo muito da meritocracia burguesa evolucionista escrota e me sinto muito mal e confuso.
Eu fiquei muito animado para escrever muitas coisas, só que sem o mínimo de tempo ia ser muito confuso. Estou viajando a semana toda e para ter idéia de como tou viciado nesse blog tou lendo sentado no chão do aeroporto de São Luiz do Maranhão.
Othon, sou contra o aborto pois na minha visão de mundo aquela solução temporária encontrada cria mais problemas depois. Religiosamente falando.
Caetano, maravilhoso vc falar de Belém tb.
Estou indo para lá e vou almoçar amanhã alí do lado do ver-o-peso depois de passar lá para comprar umas coisas. vc quer uns bombons de cupuaçú? ADORO Belém!!
Março 25th, 2009 at 12:44 am
Caetano, só lí agora seu post e comment, depois de já ter escrito algo, típíco da minha pessoa. Vamos para longe….
Vc gosta de Feira!!???!! vc é uma figura mesmo…
Uma coisa engraçada, quando estava no segundo grau, eu e os colegas inventamos a expressão “gata internacional” para quando uma menina era bonita mesmo.
Março 25th, 2009 at 12:44 am
essa loucura toda que está acontecendo no rio deve-se ao enfrentamento do estado aos locais onde acreditam estar o criminosos. hoje já não sei se estão certos ou errados. vi em algum lugar que tiveram bons resultados.não sei, realmente não sei. hoje vindo da faculdade, passando pela Lapa, o ônibus fez um barulhão, uma explosão… ficamos todos assustados. quebrou o eixo de não sei o que. haviamos pensado no pior: tiro ou bomba.
assim como Caetano comentou, prefiro acreditar que sim, as coisas estão melhorado.
anlene,
amigo-gaveta, isso é verdade!
Há quem compare Tijuca com São Paulo… não entendo muito bem quando falam isso, mas concordo. Quase todos meus amigos cariocas são da Tijuca e Grande Tijuca, isso desde quando morava no Flamengo.2004. Era a turma do SESC Tijuca, das aulas de teatro e do projeto Geringonça. Caminhávamos nas madrugadas em direção a um supermercado 24 horas, onde comíamos e passávamos toda a madrugada jogando conversa fora. E tinha também as festinhas. Noites viradas na companhia de pessoas maravilhosas e inesquecíveis.
um dos motivos de morar no Maracanã é por querer estar próximo desses amigos.
o Centro Coreográfico Da Cidade Do Rio De Janeiro fica na tijuca. o Centro Municipal de Referência da Música Carioca também fica na tijuca. são dois equipamentos públicos não tão conhecidos.espaços maravilhosos.
http://www.rio.rj.gov.br/culturas/musica_referencia.shtm
http://www.rio.rj.gov.br/culturas/arte_coreografico.shtm
bjs.
Março 25th, 2009 at 12:45 am
Quem perguntou sobre musica sobre SP feita por cariocas?
“São Paulo - SP” foi compotsa por 3 cariocas e 1 paulista: Fernanda Abreu, Fausto Fawcett, Laufer e Liminha.
Março 25th, 2009 at 1:21 am
êba, tarefa pra mim!
depois que eu ler, escrevo mais.
mas já veja assim: me referi a um pedaço doente, que está gerando coisas muito pesadas para o Rio (poderíamos observar assim em outras cidades também, é claro), enquanto massa. e nesse sentido defendo a via dos bailes funks (não só como manifestação artística e cultural, mas também como pura e simples via de expressão e transformação em massa), por ex, que proporcionam um bom movimento de massa, uma via de expressão dançante e criativa e que lida com energias básicas, de raiz, conteúdos latentes.
todos esses expoentes citados são os méritos do Rio. mas se vc calcular, proporcionalmente, a quantidade desses expoentes, que se destacam, pela quantidade do todo da população carioca, talvez me arrisco em querer pensar que trocaria 1 Machado de Asssis por 1 morro menos violento. teremos então que conversar sobre como a energia pode evoluir em massas, em familias, em estruturas de sociedade, poderemos pensar em pq as vezes em 1 casa com 5, 6 ou 7 pessoas, cada uma acessa diferentes informações em diferentes proporções e manifesta isso de diferentes formas, um músico, três pedreiros, um matemático, um médico, um “vadio”. e podemos tentar visualizar o que está acontecendo para que naturalmente se estabeleça um equilibrio, e para que todos se desenvolvam juntos. assim será na sociedade. e qd isso não acontece (o equilibrio dinâmico), arrebenta algum elo. observe que ao redor de 1 esquizofrenico, ou viciado, existe toda uma estrutura doente, e tratar de forma repartida é quase como nadar contra a corrente. da mesma forma, mesmo sem conhecer a historia pessoal de nenhum desses expoentes, garanto que tem/tiveram ao seu redor um tipo de estrutura que definiu o que são. e, as vezes, muitos “expoentes” cujas artes e contribuições admiramos, o fizeram com algum custo para alguém muito proximo. a mesma “mãe má”, ou “mãe boa” pode gerar um famoso obstetra ou um famoso estrangulador de mulheres. podemos pensar as sociedades como essas estruturas, num macro, e os papéis nelas também, são as representações de nossas relações internas e relações externas mais proximas. se olhamos para a macro estrutura, e ela nos mostra algo doente, então podemos observar o micro, e construir ações por dentro, e por fora.
usei essa forma de observação em meu coment.
creio que uma benção do Rio é essa capacidade de mostrar e gerar muitas belezas (para levar graça e beleza à vida de outras pessoas), mas tem muita gente enfeiando e fazendo coisas feias pra isso estar acontecendo, então, algo está proporcionalmente em desequilibrio.
enfim, minhocas que me saltam enquanto passo horas deitada, fazendo nada aos olhos de quem só vê de fora e não acompanha o todo dos movimentos
Março 25th, 2009 at 2:10 am
ah, sim
esqueci de colocar antes.
é que também fica muito explícita a discrepância entre a linguagem corporal e os “vamos fazer algo? me liga!” no carioquês. é uma fala “bocal” desconectada dos olhos, desconectada da ação corporal de “quero-me novamente contigo e isso implica esforço em ação concreta” .
Março 25th, 2009 at 2:27 am
Encontrei este site interessante sobre São Paulo -inclusive letras de músicas falando da cidade.
http://www.saopaulominhacidade.com.br/musicas.asp.
Março 25th, 2009 at 3:41 am
valeu Glauber, desconhecia a vizinha e gostei demais…eu poderia falar 5 horas sobre as maravilhas do Rio de Janeiro, todos vcs sabem, mas eu acho que foi mal olhado, mandinga, coisa ruim o que se abateu sobre essa cidade, é tão cruel com a população. É um desastre do Brasil. Eu gosto de índice, fiz Economia, tenho um certo fascínio nos números, e sei que um montão é menor que um porrão, mas tudo é bastante. E vou ousar porque a ousadia é também uma característica do carioca, o Rio continua a ser o tambor do Brasil mesmo sem ter a primazia econômica e política, e a fotografia do que se passa no Rio é a fotografia do que se passa no Brasil, um não tem jeito sem o outro. Obama quer vir ao Rio e o Cristo Redentor é o santo padroeiro do Brasil.
Março 25th, 2009 at 3:53 am
Hermano me chamou a atenção (em e-mail brevíssimo) para um comment sob post antigo. Trata-se de um excelente texto de André Nemi Conforte ( http://www.obraemprogresso.com.br/2009/02/21/carnaval/#comment-18058 ), referente à discussão sobre socioligüistas versus gramáticos. Concordo com as conclusões dele e também com a idéia de que se ganha muito quando se “perde” uma discussão. Um papo que faz mudar qualquer coisa em nós é um acontecimento. A única ressalva que eu faria é quanto a Pasquale ter deixado de “simplesmente buscar erros em letras de música”. Isso porque, embora saiba que a intervenção dos lingüistas o fez mudar, não posso esquecer de que Pasquale, desde muito cedo, aprovou os “erros do meu português ruim”: coloquialismos, você e tu, pronome reto no lugar do oblíquo - tudo o que sempre houve em minhas músicas foi acolhido por ele como uso exemplar da língua. Claro que ele deve adorar (como eu adoro) meu uso espetacular (nesse caso não cabe modéstia) da mesóclise em “Os passistas” (da mesóclise e de ênclises pouco usuais no português brasileiro). Mas nunca apontou o dedo contra minhas misturas pronominais nem meus “deixa eu cantar”. Vou ler os livros que Conforte me recomendou. A verdade é que não leio gramática nenhuma desde a escola. E livros de lingüística, além de Jakobson e Saussure cedo demais, só o que ganhei de presente de uma mulher muito bacana da Unicamp e dois de Bagno. Somo a isso a consideração que o telefone sem fio entre gramáticos e sociolingüistas pode ter ajudado a criar o mito de que se crê que alguém quer abolir o ensino da norma culta. É evidente que havia (e há) certa hostilidade à idéia de norma culta que, atrelada à adesão a Lula, empobrece a argumentação dos lingüistas. É bom o que diz Conforte não só pelo “in medio virtus” (Torquato Neto odiava esse princípio aristotélico porque o identificava com a mediania, a mediocridade - eu, que ouço tanto que só há esquerda e direita, centro não, e digo que o artista pode e deve ficar não em cima mas muito acima do muro, nunca me senti mal com essa versão tomista da tirada de Aristoteles): importa também a decisão de não se enfraquecer a língua que falamos, de não se deixar atrair pelas forças que a querem fazer chafurdar na sarjeta da periferia onde já vive. Gramáticos e lingüistas devem contribuir para fortalecer nosso domínio da Língua através de uma relação saudável com a língua que nos foi dada como porta de entrada. Eu também luto uma luta e tenho um objetivo claro: o aproveitamento da oportunidade-Brasil para a criação de uma vida humana mais digna. Sem enganos.
Desculpem o tom algo bombástico da parte final do comment acima: foi a força do texto de Conforte que me levou a isso.
Março 25th, 2009 at 4:00 am
Caetano é quente é demais…o BlogCaetano está quentinho, saiu do forno mais esse pãozinho, parabéns Caetano, como é bom esse cantinho.
ou não…
esses textos sobre rio/sampa estavam na geladeira há séculos. saíram porque quis postar logo algo que nos levasse paralonge de discutir politicagem eleitoral e porque já estamos quas terminando esta obra. mas são textos redundantes para quem já me ouviu falar, leu entrevistas ou artigos antigos.
então tá.
Março 25th, 2009 at 4:01 am
Vellame mon amour
Sou superficial, mas não o suficiente para lembrar que o comentário da Cibele, ao qual você fez referência está publicado no POST anterior. Voltei lá e li.
Gostei do que ela escreveu, mas não desgosto do que escrevi sobre o que você chama de tema. São jeitos e abordagens diferentes. Ela atentou para o café com leite. Eu revi a trejetória de Serra como filho de imigrantes calabreses crescido na cultura do pequeno empreendedorismo, adolescido na UNE e amadurecido no exílio. Não acho que isso seja superficial. Acho relevante, sim.
Falei também das suas relações com o empresariado e a direita. Do seu refugo em SP na promessa de que não se candidataria ao governo. São fatos que não estão na superfície.
Também mencionei que ele não imprime um estilo que podemos chamar de “serrismo”.
E disse que Dilma ainda era um mistério em muitos aspectos. Não é?
Também fiz devaneios a respeito do Palmeiras de Serra e Beluzzo. Brinquei com isso.
Assumo que vejo a política com olhos dispersivos (não superficiais). Me acostumei a isso e muitas vezes errei e acertei por conta dessa resistência ao editorialismo. Não sou jornalista, analista e nem economista. Se eu me privar da minha visão matizada pela estética, perco os sentidos.
Prometo tentar me aprofundar, mas dificilmente abandono meu snorkell e raramente deixo de colocar a cabeça pra fora d’água. Nesse aspecto, a superfície me trás oxigênio. E a profundidade pode afogar. Não gosto da pol´tica abissal. Sou comentarista de botequim mesmo.
beijo na testa
salem
Março 25th, 2009 at 4:03 am
“a superfície me traZ oxigênio”
sorry
Março 25th, 2009 at 4:27 am
Uma coisa é certa; não consigo ficar muito tempo longe de Sampa. Tudo faz falta, o que é bom e o que não é também!
Março 25th, 2009 at 8:42 am
Que belo texto, Caetano.
Eu sou um carioca apaixonado pelo Rio, o que é esquisito. Esquisito porque não me identifico com a maior parte dos costumes “cariocas”, e, ainda por cima, sempre noto o esvaziamento cultural injustificável da cidade. Injustificável porque a força da grana pode até erguer coisas belas, mas só o faz – como fez – com um projeto consistente. A burguesia paulistana (“jeca”, sob vários aspectos) definiu com o projeto da bienal que iria fazer de São Paulo a capital cultural do país. A minha geração enxerga o enraizar do projeto que a sua viu se adensar. Tristemente, há 50 anos o Rio não se empenha em fazer qualquer resistência, crendo talvez e bobamente em sua mítica auto-indulgente, quase que querendo afirmar: “não passarás”.
Gosto de São Paulo. Bastante. Mas por sua “estrutura”, pelos hábitos de sua gente (ela existe mesmo?), não pela sua beleza, que, para mim, é rarefeita.
A sujeira, o péssimo motorista, o boné-bermuda horrenda-havaianas, o excesso de despojamento, de calor, etc. Tudo isso me incomoda no Rio. Todos os seus excessos, inclusive de hedonismo. Mas o que me impede de escolher Sampa é que, além de ser uma cidade de deslocamento impraticável, há um lamento, um “tudo que você podia ser” que sempre me toma de assalto quando do outro lado da Dutra.
Por decerto que somos um país colonizado, com toda a carga que isso encerra. Mas São Paulo potencializou isso de uma maneira míope e - a mim – incômoda. O que o dinheiro criou, nessa “velha” (mais que o Rio) recente cidade? Miami, Nova Iorque, Londres, Tóquio? O paulistano é um ser que quer ser algum outro, fingindo que vive em outro lugar. Eu enxergo nas duas afirmações, a do carioca abstrato e a do paulistano de mesma ordem, uma diferenciação essencial. O carioca parece se afirmar de uma maneira baiana, com certa “doçura” (na falta de termo melhor) e singularidade. O paulistano parece privilegiar o “melhor” ao invés do “diferente”, elegendo ainda o “semelhante a” e “no mesmo nível de” como termos adicionados e perversores da equação. Em São Paulo, “come-se como em Nova Iorque”; as galerias fruem “como em Londres”; os musicais configuram uma “Broadway brasileira”. É claro que essa bobagem subdesenvolvida é comum a todas as cidades e a todas as gentes periféricas, em maior ou menor grau (“Rio, Paris dos trópicos”), mas em São Paulo isso se adensou de maneira trágica, já que as forças que o país ali concentrou (em detrimento de outras regiões, como sabemos) foram canalizadas em um projeto de metrópole mimética
Março 25th, 2009 at 8:58 am
oi caetano,
este ambinete de marra tem aparecido , mesmo que de forma menos frequente, também em músicas do pagode da bahia, quando os ouço fico meio assutado, pois juntos com coisas legais que eles fazem, tem coisas asoombrosas ,”VAI SER DURRUBADO”, me causa arrepios…sempre pensei que um pouco desta marra é influência dp hap, que para mim poderia e pode ser influência maravilhosa pelas coisas legais que ambos produzem.
luedy, você percebe ambientes parecidos, linguagens etc?…
Março 25th, 2009 at 9:29 am
caetano:
só uma informação: onde se acha o texto de augusto de campos q vc comentou, “mario noel orlando joão”?
fui no “errática” e não estava. queria muito ler.
beijo
paquito
Março 25th, 2009 at 11:15 am
Caetano!
“O prazer é todo meu”.
Foi o que disse ao me despedir de você na exposição do Vik no mam (adorei os trabalhos) e é o que digo depois de lê-lo aqui.
Eu morava em Cabo Frio, e apesar de pertinho, sempre tive essa imagem do Rio,um lugar onde a arte acontece, os os artistas vivem, onde haviam as universidades públicas e os melhores passeios de minha escola,rs.
Essa semana, vendo num noticiário que 93% dos brasileiros nunca foi à uma exposição de arte fiquei perplexa. A gente até sabe que a realidad é assim, mas os números smepre me chocam mais. E lembrei da fila interminável do Mam, lembrei que a maioria das pessoas que conheçofrequenta exposições, teatro, cinema, e compram livros com certa regularidade. E é nesse momento que a gente percebe que essa maioria é na verdade a minoria brasileira. O Brasil não se resume à Rio-São Paulo, o mundo que vivemos aqui é privilégiado pela maioria dos projetos artísticos, mas não reflete o todo do Brasil.
Enfim, desculpe o desabafo, mas fiquei pensando muito nisso e quando li seu post me veio tudo à boca (ou às mãos).
Grande abraço e muitos cinemas em dias chuvosos pra você.
para todos nós,brasileiros.
Março 25th, 2009 at 11:38 am
PEDRECAL.
Concordo em gênero, número e grau com seu post nº24.
Sou baiana, tenho orgulho disso, mas muitas vezes sinto vergonha também.
Acrescento a tudo isso que você falou um desejo enorme de ver a cidade mais bem cuidada, mais humana.
Sinto que tanto o prefeito quanto o governador atual estão dormindo no ponto.
Até o carnaval está se acabando. O circuito do Centro está à míngua.
É pena.
Acho que ainda sonho com a Bahia das canções de Caymmi.
Axé.
Março 25th, 2009 at 12:02 pm
Sobre o neonacionalismo e a necessidade de uma plataforma digital para o comércio da música brasileira e da decorrente alteração do procedimento de baixar sem pagar:
De fato são as matrizes que recebem os royalties das plataformas ( foi assim no vinil, CD, DVD, e até no rádio transistor), cabendo a música brasileira ser o software e em algum momento obter sua participação na geração dos lucros , se propagar e se difundir através…
Mas quem reinvestiu em ciência e tecnologia foram as matrizes, e o fizeram, de alguma forma gerando um novo padrão de consumo, que atualmente ainda se apresenta com mais vulnerabilidade porque é mais disperso e difuso …
no Brasil, quando é que haveriam condições de capitalização para gerar uma plataforma competitiva ?
Não seria isso um sonho-delírio nacionalista em sua vertente militarista, quase, a mesma que fez a lei da informática e fechou o mercado por 8 anos, atrasando toda uma irrigação de eficiência no setor produtivo ? a mesma fantasia que quase nos levou a aventura de criarmos um padrão de TV digital 100 % brasileiro, em boa hora neutralizado pelo Lula … que enxergou com seu senso comum meio bruto, que o caminho mais rápido para digitalizar a TV popular no Brasil seria incorporar um sistema já feito e testado, e por isso acabou sendo acusado de cair sob o lobby da Globo, acusação que foi plantada na imprensa pelo lobby europeu da Telefonica, que disputava com os japas (e americanos, mas este é o sistema mais antigo, pior, e os nacionalistas, que ainda bem não deu nem para a saída) …
Então, o que seria especular sobre a necessidade dessa plataforma ITUNES ? Reinvidicar uma base de desenvolvimento para o negócio da música e da imagem no Brasil via Internet, levando em consideração a experiência produtiva adotada com sucesso no mundo afim de projetar competitividade e procedimentos civilizados. Vamos considerar.
Março 25th, 2009 at 12:17 pm
Erica,
“minhocas que me saltam enquanto passo horas deitada”. uau. você é poetiza laureada e visionária. adorei.
Salem,
só aceito devaneios poéticos com o glorioso Palestra, mas não pejorativos rs.
Caetano, Glauber, Salem, Hermano, Alemão, Helô, Exequiela (sumida), Castelo, Luedy…vamos desestressar a vida passeando por São Paulo. “É sempre lindo andar na cidade de São Paulo..”
um abracadabraço ao chef Mané Young e ao pessoal do Língua de Trapo.
Março 25th, 2009 at 12:18 pm
Vcs viram o Francis entre os notáveis cariocas do Caetano? Bonito…
Vinicius de Moraes, o maior, nasceu na Gávea e é carioca da gema.
Março 25th, 2009 at 1:28 pm
Músicas feitas para o Rio, em geral, tem a paisagem como protagonista. A inspiração com o fácil deslumbre.
Já em São Paulo o foco fica direcionado para os personagens, a paisagem é plano de fundo, portanto, é necessário estar ali, conhecer o cotidiano do povo. Como disse Luiz Tatit “em São Paulo não temos horizontes”.
Dois exemplos do que falo, junto com Sampa, minhas favoritas sobre São Paulo:
“Ladeira da Memória” Grupo Rumo:
http://www.youtube.com/watch?v=H20t4nn_t54
“Paulista” Vânia Bastos (Eduarco Gudin e Costa Neto):
http://www.youtube.com/watch?v=z–6i1WrInY
Abraços…
Março 25th, 2009 at 1:52 pm
Saudosismo, meu caro, saudosismo. As cidades não são o que pensamos dela, mas que pensamos de nós… nelas. Em Londres e PAris, já fiz uma ode a Salvador como se nada pudesse perturbá-la ou ser superior. Misturas, cosmopolitismo etc. De cá, na volta, uma saudade imensa dos parques verdes londrinos, da falta do toque. Aqui, agora em SP, a falta do toque sem toque soteropolitano. Mas me adequando. A maior falta é da cor de lá. As pessoas são boas e más, os estereótipos idem, mas as cores a gente identifica numa propaganda, num comercial da Discovery. Sinto falta das cores de lá e quereria morar lá como num abrigo da infância, no colo da mãe, mas até as mães nos dão impressões adultas e expurgam a inocência do nosso lar(lugar). Zona de conforto, nosso preto ser diferente dos demais, só o saber de confiança, confiante. So crendo no nosso lugar, como inexpugnável, indestrutível, afável, amável, apaixonante. Troco Salvador por quaisquer coisas demais, minha mulher, minha mãe, meu pai, minha São Paulo. Troco por saber que não me trai, não me engana, está, é, será, sempre daquela cor. “Na terra em que o mar não bate (daquele jeito) não bate o meu coração”
Março 25th, 2009 at 2:02 pm
Lembrei!
A “Sinfonia Paulistana” é de Billy Blanco, que é de Belém do Pará, embora pensem que seja carioca.
Cresci indo pra escola ouvindo “não para / não para / olha a hora / não para / não para” na rádio AM Jovem Pan.
Aquele refrão servia como um red bull matinal pros paulistanos irem pro trabalho estimulados.
“São Paulo, todo frio quando amanhece
Correndo no seu tanto o que fazer
Na reza do paulista, trabalho é Padre-Nosso
É a prece de quem luta e quer vencer”
Na época a Jovem Pan dominava o horário. Eu, lembro que ficava meio deprê com aquele estímulo na contramão do meu sono de moleque. Era como se eu ainda não estivesse em sintonia com a cidade que já acordava excitada.
Quando escutei “Manhã de Carnaval” pela primeira vez, imaginei o que seria acordar no Rio escutando “manhã / tão bonita manhã”. Como seria diferente do meu “não para / não para”.
Na hora de dormir, me vinham outros os versos na cabeça:
“São Paulo, que não sabe adormecer
Porque durante a noite, paulista vai pensando
Nas coisas que de dia vai fazer”
Cacild’s. Além de “amanhecer” trabalhando, eu ainda tinha que ir dormir “pensando” nas coisas que iria fazer no dia seguinte!
“Tenho que estar pelas sete, no Viaduto do Chá
Olha o Sol, olha o Sol, cadê o Sol? Onde o Sol?
Sumiu, sumiu, sumiu
Quando amanhece, o Sol comparece por obrigação”
A letra é um tanto dura mesmo. Mas é bonita. Sentia alívio quando a canção chegava nesses versos:
“Você onde é que estava quando o tempo andou?
Na terra que não pára, só você parou”
E achava engraçado aquele ufanismo todo:
“com Ademir, com Rivelino no gramado
Com rei Pelé e suas jogadas de veludo
Não pe de graça que São Paulo é chamado
Melhor da América Latina em quase tudo”
E finalmente, depois de uma letra gigantesca me sentia finalmente incluído, quando pela primeira vez Billy falava de tesão:
“E a moça vai passando, e ninguém vê mais nada
Quando ela vai na dela, é pra machucar
É a paulistana boa, despreocupada
De short ou minissaia, pondo pra quebrar, pra quebrar”
Tem uma questão de auto-estima aí nessa história toda. Paulistanos não costumam elogiar São Paulo. Elogiam seus feitos. A cidade, concreta, física, material raramente é auto-exaltada. Por isso, Sampa teve uma função quase terapêutica pra cidade.
Rio e Salvador nunca tiveram essa questão narcísica. Há uma penca de lindas canções descrevendo a exuberância das suas paisagens. Billy foi direto ao ponto. Ao invés de cantar uma falsa beleza natural, falava das qualidades dos paulistanos incansáveis.
Mas Caetano foi mais fundo. Penetrou suavemente na tensa musculatura da cidade e encontrou lá dentro, lá no fundo, poesia, sensibilidade. Tão delicada é Sampa que nem o sentimento tem nome. É simplesmente “alguma coisa que acontece”. Como o “acontece” de Cartola.
Além das citações implícitas ou explícitas a Vinícius, Agripino, Vanzollini, Rita, irmãos Campos, Teatro Oficina, o que mais amo é o final”
“E os novos baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa”
É o arremate. E na voz de João Gilberto isso fica mais comovente.
agora preciso trabalhar.
Não para/ não para/ olha a hora/ não para/ não para
beijos nas testas
salem
Março 25th, 2009 at 2:52 pm
Oi, Caetano e pessoal:
Existe um livro chamado Fidalgos e Vaqueiros e que é considerado La Recherche du Temps Perdu de Feira, vocês já ouviram falar?
Tem mais informações sobre Eurico Alves Boaventura lá no site:
http://www.unicamp.br/~boaventu/page21.htm
Março 25th, 2009 at 3:38 pm
Tá bom Teteco
Gosto do Parque Antártica, apesar daquela entrada afunilada na Rua Tutóia que obriga a gente a colocar as crianças nas costas para que não sejam esmagadas. Gosto muito do “jardim suspenso”. Amava ver Ademir da Guia desfilando lépido e elegante no gramado. Leão, Eurico, Baldochi (depois o grande Luizão Pereira), Alfredo e Zeca. Dudu e Ademir. Edu, Leivinha, Cesar Maluco e Ney.
Gil
Aí é que está. Mas “quem reinvestiu em ciência e tecnologia (NÃO) foram as (APENAS) as matrizes”.
Desenvolvedores de software , web-designers e produtores brasileiros estão investindo. A música não é software, é o arquivo final produzido pelo software. Metaforicamente o software seria uma multiplataforma de veiculação, disponibilização e venda dos arquivos com o plug in “direitos autorais”. iTunes é a loja.
Veja a Nota Fiscal Eletrônica por exemplo. Você quando emite já direciona o percentual de tributos automaticamente para fonte. O direitos deveriam ser assim. Comprou o arquivo, o percentual já cai na conta do artista (autor e intérprete). Se o autor quiser disponibilizar gratuitamente, haveria um valor sombólico apenas pelos direitos (ou não). O conjunto dessas instâncias (sem os velhos intermediários) unindo software, autor, arquivo (obra) e loja é que poderíamos chamar de plataforma.
Aí não teríamos apenas o aeroporto, mas boas pistas, banheiros limpos, cafés, assento garantido e passagem pra todo mundo.
O que há agora é overbooking. Quem quiser subir e baixar, sobe e baixa. As companhias aéreas musicais vão falir? Parece que não. Vão ter que se adaptar ao novo modelo de trânsito aéreo.
abraço
salem
Março 25th, 2009 at 4:19 pm
Salém, vc é o cara. Tente do seu jeito, quem sabe?…vamos torcer pra dar certo.
Março 25th, 2009 at 5:05 pm
Salem e Glauber,
Vou a São Paulo no início de abril ver uns intrumentos na Teodoro Sampaio, que ouço falar tanto mas nunca fui. Vou aproveitar também o fim de semana para apreciar melhor algumas coisas citadas aqui por vocês; vou rever a Ipiranga, a São João e a Paulista com mais opções de pontos de vista na bagagem, graças a vocês e a Caetano, e aos demais (esse blog é o quente. Sem dúvida!). Se rolar um show de Cauby no Brahma, vou ver. Vou prestar atenão no “ar provinciano” de Sampa - que por sinal respirei, sim, em Campinas. É pq aquela impressão de que “nada pode parar”, como falou Caetano, engoliu todas as outras possíveis, nas vezes em que estive lá. Parecia realmente um jogo onde “quem morre com mais dinheiro ganha”.
Ah, sim: no Rio também há recolhimento de pessoas dormindo na rua. Parece que a sociedade gosta disso, pelos comentários na hora do almoço, diante do noticiário na TV.
Gil, algo que estranho muito é que os acontecimentos violentos já são vistos pelos cariocas como parte do seu cotidiano. Uma colega de trabalho contou que, indo pra casa rolou um tiroteio, ele se abaixou no ônibus e, grande como é, ficou entalada entre os bancos. O caso a ser contado era o entalamento, em tom de piada. O tiroteio é um assunto coadjuvante.
Julie, se o vinho ajudou no seu comment, deve ser legal pacaramba!
Vellame, piadinha escrota: cá pra nós, o duro era achar uma internacional na ETFBA… Hehehe!
Março 25th, 2009 at 5:46 pm
Caetano,
Vc deve ter chegado ao Rio, pela primeira vez em 1956, no ano em que JK assumiu o governo. Eram os anos dourados, tempo em que a cultura efervescia, no Rio. Também fala na sua ida a São Paulo, com Betânia. Em Verdade Tropical, salvo engano, fala do dia em que foi embora (não sei se pro Rio, ou pra Salvador). Só na viagem com Betânia você lembrou de falar que foi de ônibus, o resto vc omite por julgar desnecessário. Mas bem que poderia falar dos meios de transportes que você embarcou para tais viagens e como eram os Caminhos. No Rio, em 56, as lambretas chamavam a atenção. Vc viveu os anos dourados. O período JK não foi um período ruim.
Existia no Brasil uma ótima malha ferroviaria. Podia-se viajar em cabines, dentro de um trem. Era ótimo viajar de trem. Ir de Salvador à Feira levava - em determinada época - cerca de dois dias. Era melhor ir de trem para Santo Amaro… Então eu tenho enorme curiosidade em saber como foram essas suas primeiras viagens, no que se refere os meios de transportes e vias (terrestres, aereas, maritimas, fluviais). Vejo que fala pouco em Santo Amaro, que foi dizimada pela falta de política preservacionista, enquanto Cachoeira e S Felix tem um casario bem conservado. O Patrimônio Histórico de Santo Amaro foi quase dizimado em nome do progresso. A Casa de D. Canô é bonita e guarda as caracteristicas dos tempos de outrora, da velha santo Amaro.
O Aeroporto que começou como de Ipitanga, ganha o nome 2 de Julho em 1988. Nos anos 50 até inicio dos 60 eu o chamava de Ipitanga, por conta de Santo Amaro de Ipitanga. Foi feito - dizem - pelos americanos e até havia a antiga ESTRADA para o Aeroporto de Ipitanga. Pequeno e acanhado consolida seu nome como 2 de Julho e firma-se com tal força que nunca o chamo com outro nome. Resisto à idéia de terem tirado dele uma data sagrada para nós, baianos. Uma data que celebramos com um desfile enorme, numa grande festa cívica. Deveriam ter construido outro Aeroporto e dado o nome do próprio filho, tudo bem, mas violentar a nossa data magna, foi terrivel.
Mas o que eu gostaria era de ve-lo falar sobre como foram essas primeiras viagens, dos restaurantes de beira de estrada, de instalações sanitárias horriveis; caso as viagens tenham sido através de estradas, quase sempre esburacadas e com muitos trechos em chão de barro,que fatos marcantes ficaram guardados na memória? Antigamente era melhor viajar de avião, ou de trem ou de navio, mas pegar estrada era um problema. DÉJA VU foi ótimo !
Parabéns!
Março 25th, 2009 at 6:05 pm
Erratas:
“Vou prestar ATENÇÃO no ‘ar provinciano’”
“(…) rolou um tiroteio, ELA se abaixou”
Março 25th, 2009 at 6:05 pm
Errata: o aeroporto 2 de Julho ganhou este nome no ano de 1955 (acho que no tempo de Octavio Mangabeira, ou era Balbino? Otavio morreu em 59… a memória falhou, agora, faz parte da idade). Coloquei, no comentt como tendo sido 1988. Foi erro de digitação. Perdão a todos
Março 25th, 2009 at 6:30 pm
HERMAN- ESSE VALE QTO PESA
Gil
Tente do seu, que logo logo vai ter iTunes. O meu é um desejo. Mas não é uma panacéia. Você que sempre diz querer o melhor, o grande, o mesmo que o dos países civilizados. Que vocifera em caixa alta seus panfletos e slogans. Agora me trata como se com ironia, dizendo “o seu jeito”.
Que terrível essa sua mania de polemizar, onde não há polêmica. Só organizei meu pensamento, meu desejo. E acho que incluí nele muito do que você deseja (não chamaria seu desejo de “jeito”).
O que eu almejo é difícil mesmo. Mas tem “jeito”. É culturalmente e tecnologicamente possível. Seu comentário tem a ironia dos que dizem “hum hum, tá certo, pode esperar sentado”. Acontece que não estou esperando. Estou produzindo e pensando o tempo todo. Só tenho certeza que não sonho apenas com lojas. Pra isso não precisa sonhar.
Cê não tem jeito mesmo, heim teimoso…
abraço
salem
Março 25th, 2009 at 6:34 pm
imagens q me vêm quando penso nelas:
rio: favelas, asfalto, travessia de pedestres flutuante, avião descendo, muita coisa, muita gente, sol, chuva, casamento da viúva, história, estórias, uma tela à óleo diesel, praia, gente dourada; quando de repente, um audi ultrapassa um fusca 77, e um pó é inalado num banheiro todo de pastilhas vidrotil, mas que há apenas poucos minutos, era enrrolado numa cozinha sem reboco cheirando a gordura.
sampa: favelas, cinzas, asfalto, rodoviária limpa, metrô, masp, marilia gabriela, bienal, primeiro mundo, elite, pessoas se banhando num afluente do tietê, motoboys, tio, sotaque italiano, rota, trânsito parado, helicópteros sobrevoam a cidade que não termina, que não dorme, que não perde, que não sabe fazer outra coisa a não ser construir essa cidade.
Março 25th, 2009 at 7:56 pm
Músicas:
Para o Rio:
Estação derradeira (Chico)
————_———_——–
Para São Paulo:
São Paulo, São Paulo (Premeditando o Breque)
Breque é uma palavra bem paulistana e Wandy é super paulistano!
Março 25th, 2009 at 9:33 pm
Oh, great. That’s just terrific, Caetano.
I’ve been planning a trip to Brazil for years. I could tell it was going to be costly – in time and money – but I’d waited for so long, there’s a lot I wanted to see. I was glad that I could, at least, leave São Paulo off my list. It looked like just unrelieved urban sprawl.
I finally realized that this trip would never take place if I had to set aside 2 months and $12,000. So I decided to just focus on Bahia. I found some language schools that mix classes in Bahian culture with the Portuguese classes. I figured I could sign up for 2 or 3 weeks of classes and that might cure me of my Brazil jones.
But the way you wrote about São Paulo, it sounded like I should really see it. That got me thinking again about the trip. So I got out my travel books on Brazil, and I remembered all the places I’d had on my list … “I want to see that! And I want to see that! And that!”
So now I have my original list back. Only now São Paulo is on it, too. Thanks so very much. You’re a big help.
Barbara
Março 25th, 2009 at 9:57 pm
Tô falando que só tem artista aqui!!!
Que surpresa Nobile, lindo texto.
Março 25th, 2009 at 11:06 pm
caets
muito bom o Sr Francisco Bosco!
mas eu poderia falar em apego ao que já passou, como ele conta um pouco de seu ponto de vista (aquilo que comentei sobre não ter força suficiente nas mudanças, é um pé sempre em coisas que já passaram, mesmo esse saudosismo afetuoso que o Francisco fala)
e poderia falar de novo dos deslocamentos, pq ele coloca um ponto de vista bem legal do “carioquês”, mas nunca vivi isso com amigos com os quais já aprofundei alguma relação e por algum motivo ela dispersou. o que me intriga e aborrece é essa postura logo de saída! vc vai numa festa, conhece umas pessoas, uma ou outra passam a noite toda conversando e trocando empolgadamente, trocam contatos, e…passou, sem nem começar! nem dá tempo de ter alguma intimidade prévia que justifique um resquício de um afeto! rs rs acho que é displicência mesmo, caets. com o “outro”…problemas lá pelo desenvolvimento cognitivo da 6ª fase na primeira infância…segundo Piaget…rs rs rs
cariocas são difíceis de amar. pq se esforçam tanto nas conquistas, e logo em seguida se distraem tão perdidamente que esquecem do que tavam querendo mesmo (é uma brincadeira).
numa conversa cariocal de fato, se agora eu te dissese, bem caets, não vou me demorar pq tenho que resolver um problema das cirurgias de minhas filhas que tou tentando evitar há anos e acabei de descobrir que não tem jeito, e tou assutada, vc rapidamente, desviaria os olhos, levaria o braço para o lado, gesto que o corpo seguiria de pronto, grunhiria alhuma coisa, e sairia de fininho…mas sempre tem boas exceções…aqui, me refiro ao “cariocal típico”.
Teteco lecoteco
he he he…
nem te conto o que acontece com as minhocas no exato momento que me saltam todas de uma vez…
Março 25th, 2009 at 11:24 pm
Guilherme Aráujo tinha toda razão. Penso que cidades possuem assim como as pessoas, vocação. Para o Rio de Janeiro vieram forasteiros de toda parte, muitos deles, abrilhantaram essa cidade e mesmo se embeberam da alma carioca, mas infelizmente a grande maioria não se dispôs e nem desenvolveu afeto por essa cidade, que numa metáfora triste, é hoje uma belíssima mulher cafona, suja e violentada. Para o Rio de Janeiro, rumaram aqueles em busca de espaço no cenário cultural, as cabeças pensantes, os artistas, os poetas. Para São Paulo, rumaram aqueles em busca de chances de crescimento econômico, além da excelente mistura de emigrantes, especialmente japoneses e italianos, e por não haver o deleite imediato das praias e belezas naturais como no caso do Rio, essa cultura se voltou para a construção da cidade (como bem disse o Nobile José), e isso trouxe o profissionalismo. Por isso, você pode entrar em contato como uma empresa em São Paulo e falar diretamente com o diretor sobre um projeto, não é preciso, como no Rio ter um pistolão, fazer parte a panelinha ou ter que ir ou ligar várias vezes para nada. O Rio de Janeiro já foi apenas como uma poesia, com a porta aberta para quem quisesse entrar e compor com a cidade, um simples cafezinho ou ida a banca de jornal, era uma diversão, havia uma disposição para o humor, graça e amizade. A Bahia possui uma das melhores vibrações de energia que já pude experimentar, em Curitiba senti algo semelhante. Mas poderíamos falar de cidades, apenas como: sou cidadão brasileiro e consequentemente sou cidadão do mundo.
No mais, é fazer a nossa parte para que haja “chances de lugares tão importantes recuperarem-se de fases depressivas tão altas” em todo o mundo.
Março 25th, 2009 at 11:42 pm
Caramba, o Salem conhece mesmo toda a gloriosa Academia comandada pelo mestre Ademir da Guia. O único esquadrão paulista capaz de fazer frente ao Santos de Pelé, Pepe e Coutinho, e ao Botafogo de Garrincha e Amarildo.
O João Cabral tem um poema “O Divino”, onde exalta a magia do Ademir. Acho que alguém já o postou aqui no Obra, se não me engano.
O Chico Anísio até hoje fala do Ademir como um mago dentro de campo. E foi. E ele não era lento não, como diziam. Ele tem as pernas longas e suas passadas eram longas..parecia devagar, mas ele estava em alta velocidade rs. Vero.
O Palestra Itália, o Jardim Suspenso do Palestra Itália, é um estádio antigo, bonito, da época romântica do futebol paulista. Assim como o Pacaembu.
Já bisbilhotei fotos antigas, décadas de 30, 40 e 50 e vi que estes estádios lotavam de famílias. A sociedade paulistana desta época frequentava estes estádios, assim como o Canindé e o campo do Juventus, onde Pelé fez o gol mais bonito dele, aplicando cinco chapéus e entrando com bola e tudo.
Apesar de palestrino fanático e amante de futebol, fico triste com a postura de guerra das torcidas organizadas aqui de Sampa. E do Rio também. Acho que a Gaviões, a Mancha Verde, a Independente e a Torcida Jovem do Santos, entre outras, prestam um grande desserviço ao futebol. Eu não tenho nada contra que as torcidas se organizem, mas que se organizem então para a “festa” do futebol, não para a “guerra”. Hoje não se vê mais bandeiras nos estádios paulistas porque as mesmas bandeiras lindas se tornaram instrumento de violência e o Ministério Público vetou seu uso nos estádios de Sampa.
Uma pena, era tão bonito ver os estádios chamuscados de bandeiras.
Março 26th, 2009 at 12:23 am
Lucesar, valeu a lembrança de Ladeira da Memória! É bizarro isso: nunca fui, não conheço, mas quando estiver lá pela primeira vez, vou reconhecê-la pela música. Fundação da Cidade também é massa, só não sei medir a riqueza das imagens que ela traz. “Esboço” é outra, também.
São Paulo pra mim é o Itamar Assumpção…
E ainda vou morar lá; mas com que salário é que eu não sei
Março 26th, 2009 at 12:51 am
Salém, não fique bravo comigo.
”
Debaixo d’água tudo era mais bonito
Mais azul, mais colorido
Só faltava respirar
Mas tinha que respirar
Debaixo d’água se formando como um feto
Sereno, confortável, amado, completo
Sem chão, sem teto, sem contato com o ar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Debaixo d’água por encanto sem sorriso e sem pranto
Sem lamento e sem saber o quanto
Esse momento poderia durar
Mas tinha que respirar
Debaixo d’água ficaria para sempre, ficaria contente
Longe de toda gente, para sempre no fundo do mar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
todo dia
Todo dia, todo dia
Debaixo d’água, protegido, salvo, fora de perigo
Aliviado, sem perdão e sem pecado
Sem fome, sem frio, sem medo, sem vontade de voltar
Mas tinha que respirar
Debaixo d’água tudo era mais bonito
Mais azul, mais colorido
Só faltava respirar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Agora que agora é nunca
Agora posso recuar
Agora sinto minha tumba
Agora o peito a retumbar
Agora a última resposta
Agora quartos de hospitais
Agora abrem uma porta
Agora não se chora mais
Agora a chuva evapora
Agora ainda não choveu
Agora tenho mais memória
Agora tenho o que foi meu
Agora passa a paisagem
Agora não me despedi
Agora compro uma passagem
Agora ainda estou aqui
Agora sinto muita sede
Agora já é madrugada
Agora diante da parede
Agora falta uma palavra
Agora o vento no cabelo
Agora toda minha roupa
Agora volta pro novelo
Agora a língua em minha boca
Agora meu avô já vive
Agora meu filho nasceu
Agora o filho que não tive
Agora a criança sou eu
Agora sinto um gosto doce
Agora vejo a cor azul
Agora a mão de quem me trouxe
Agora é só meu corpo nu
Agora eu nasco lá de fora
Agora minha mãe é o ar
Agora eu vivo na barriga
Agora eu brigo pra voltar
Agora
Agora
Agora
”
Arnaldo Antunes
Março 26th, 2009 at 12:52 am
Emerson: é EXATAMENTE por isso que eu e Léo chamávamos elas de “gatas internacionais”
vc matou a charada.
Março 26th, 2009 at 2:58 am
Salém, eu não quero transformar nosso debate luxuoso em deselegância, se cometi alguma vc me desculpa companheiro, juro, não foi meu desejo. Trato a questão, meu ponto, como um emblema da passagem no BlogCaetano, alguma coisa que sirva pra quem esteve tão generosamente conosco nesse cantinho. Uma contribuição para o pensamento e para a ação. E sobretudo a vontade de estar a altura de caminhar lado a lado com nosso artista e ídolo TOTAL. Já polemizamos, já nos torcemos, quando reviso o que dissemos noto muita repetição e entusiasmo, é natural. Agora podemos costurar informações, continuar estudando o tema e tirar de tudo isso o melhor.
A quadra que passamos é angustiante, e infelizmente não sou otimista para breve como gostaria. Mas não estamos sós e tudo pode surpreender…ou não…
Caetano, vc tem muita razão também, esse estado todo de violência se alastrou e atingiu a estética, foi revoltante conviver com as estréias dos filmes violentos do Rio de Janeiro pelas esquinas do mundo, com desprazer e vergonha olhar praquilo e querer dizer: pessoal, não é bem assim…mas como? Ver nossa expressão contaminada pelo esgoto, lá…e cá. Não me identifico nem um pouco com Racionais , Manos, som da periferia e o escambau, não me dizem absolutamente nada, desculpe mais uma vez. Vamos ouvir a voz das penitenciárias? A voz da Vala Imunda e nojenta que nos cerca? Esteticamente me basta o convívio, não preciso ficar olhando para o furúnculo pra saber que devo tratá-lo. Isso me parece um masoquismo tarado, uma ataração culpada, neurótica. A MTV, logo ela, abrindo espaço pra se mostrar socialmente coerente divulgando nosso lixo, muito obrigado mas eu mudo o canal. O banqueiro ( puxa, eu gosto dele) fazendo filme miserável, eu não gosto disso. Mas a luz do filme, o som do filme…francamente.
Eu quero olhar para os bons índices, eu quero ver o sinal da curva, todo mundo quer ver quando isso tudo vai passar. Mas do jeito que vai, só creditando ao esconjuro, ao deus me livre, a macumba. O Haiti é aqui e o IraqueAfegão também. Já vimos de tudo e já faz tanto tempo…mas Caetano, enquanto professor e policial ganhar a miséria que ganham não tem solução. E quem quer pagar por isso? O produto da guerra é a desesperança, eu lamento.
Março 26th, 2009 at 5:19 am
Now, Barbara, if you spend your money going to São Paulo just because of the things I wrote here, and you don’t like it, I won’t feel I’m a big help. I’ll probably feel guilty. The only thing I can assure you is I love São Paulo. But, you know, I am from Bahia.
Paulo Leminski dizia que a ponte São Paulo-Bahia era o quente. Ele a contrapunha a uma outra suposta ponte: Rio-Minas. É um tanto gozado, mas pode fazer pensar. Ele próprio estava pensando no encontro dos baianos com os concretistas e com os músicos de vanguarada de São Paulo: Julio Medaglia, Duprat (que era carioca um tanto mais do que só de nascimento), Damiano Cozzella e Sandino Hohagen. Além, é claro, dos Mutantes. Quanto à ponte Rio-Minas, ele não dava nomes aos postes. Talvez ele quisesse fazer uma oposição entre o tropicalismo e o Clube da Esquina.
Gil: “um montão é menor do que um porrão mas tudo é bastante”. É. Mas o que importa nesses números e índices que insisto em ressaltar é a constante queda - o que nos traz mais responsabilidades em relação ao futuro. Dizer que a situação é de desespenrança total é permitir-se a inação. Saber que há indicadores de melhoras é cansativo: exige atuação, aproveitamento das possibilidades. Jaime Lerner uma vez me disse - ao me ouvir falar nos “milhões” de meninos de rua - que isso era conversa de perua: não havia milhões de meninos de rua, contá-los bem, os “apenas alguns milhares”, dava medo porque criava responsabilidade. É mais terrível saber que se está deixando de fazer o exequível do que que não se faz porque não há possibilidade. Precisamos de líderes e homens públicos que partam do que essa tendência incosciente indica. Giuliani chegou a Nova Iorque sabendo que a criminalidade descia (quase) sem explicação. Veja “American Gangster”: ali começa a virada para uma moralização da polícia. Até meados dos anos 70 Nova Iorque metia medo em cariocas. Muito violenta. É inacreditável. Creio que o Rio deve compor um pensamento que combine o olhar para o caso Nova Iorque com o olhar para o caso Bogotá. Sei que é muito. Mas o Brasil tem essa capacidade. Não vamos repetir que o Rio está sob uma macumba ruim e que não tem jeito. Tem jeito. E esse jeito te a ver com uma tendência geral e incosnciente. Pode muito bem começar por darmos atenção a ela.
Breque é palavra paulista para significar “freio” (por alguma razão os paulistas ficaram com a palavra inglesa), que em Portugal, aliás, se diz “travão” (mas se conhece a palavra freio). Samba de breque é carioca. Moreira da Silva (que me agrediu verbalmente pelos jornais antes de morrer mas eu nem me importei) e também Joreg Veiga (que Jorge Mautner imita desde criança, o que o ajudou a criar seu estilo próprio: “quem nunca imitou ninguém nunca será ninguém”, dizia Salvador Dali).
Paquito: o artigo de Augusto sobre aquela turma não saiu na Errática. Foi numa revista de papel. Tenho aqui em algum lugar. Vou te mandar. E depois falo sobre seu disco.
Coisa mais linda mesmo é Tiê. “Passarinho” no Youtube é uma janela para um céu. Ela é apaixonante. Betão tinha me falado nela. Mas não pensei que fosse assim tão bonito tudo aquilo. Ela cantando sobre o próprio nome, com naturalidade total, musicalidade totalmente natural, tudo, fazendo as ruas de São Paulo parecerem bonitas como nas palavras de John Cage: “São Paulo é cheia de flores”.
João Cabral de Mello Neto, surpreso ao me ouvir dizer “o Recife”, em vez de simplesmente “Recife”, me disse que eles, pernambucanos, sempre punham o artigo antes do nome da cidade porque isso é que é correto: há uma regra, ele dizia, que exige o artigo definido antes de toponímicos que sejam nomes de acidentes geográficos: o Rio, a Bahia, o Porto, o Recife. Claro que 50 excessõs me vieram à mente na mesma hora. Mas gostei da observação (quase uma repreensão). Eu dizia “o Recife” não por causa da regra (que eu desconhecia) mas porque os habitantes de lá diziam assim. Continuo dizendo hoje, quando muitos pernambucanos dizem “Recife” sem artigo. São Paulo não pode ter artigo, isso é certo. Nem João Pessoa. Ou Belém. Digo tudo isso para sugerir que se não se põe os adjetivos no femininos diante de “o Rio” por causa disso. “São Paulo é bonita”. Mas também “São Paulo é bonito”. Não tem errada. “O Rio é bonita” não dá. Mas “a Bahia é bonito”, embora um tanto inusitado, nnao é tão absurdo. O que nos leva ao papo de Possenti sobre o masculino não ser um gênero propriamente: abrangendo os dois, ele deixa essa questão de gênero apenas para o feminino. Eu adorei esse papo do Possenti (embora eu o esteja expondo de modo canhestro aqui).
Bem, cadê Heloisa?
Joaldo eu sei que está preparando a Impertinácia e namorando (ele tem uma cara de galã sertanejo da porra!).
Paloma é que parece mesmo uma perda nossa. Sinto grande falta. Achei espetacular a mixagem de Incompatibilidade de Gênios que ela fez. E odeio que ela tenha suposto, por alguma razão inexplicável para mim, que eu lhe dei motivos para ter raiva (será que foi TPM?).
Março 26th, 2009 at 5:43 am
Caetano,
Pelas curvas sinuosas e pela sensualidade, me vem sempre a imagem de mulher. Ao observar o Pão de Açúcar de um certo ângulo por exemplo, veja uma mulher deitada e sempre me permito a licença poética de ver no Rio a beleza de uma mulher. Aliás, as vezes sinto também que é viril, como no caso da Pedra da Gávea que me tomou por inteiro, na verdade o Rio de Janeiro é bissexual, trisexual, é livre simplesmente.
Tenho promovido piqueniques em praça pública, no Rio e no estado do Rio como forma de ocupação dos espaços públicos e de posicionamento contra o encarceramento das pessoas atrás de suas grades, a favor da paz, da troca de idéias, de celebrar a natureza, a amizade, a vida, é minha pequena forma de contribuição. Somos nós, cidadãos comuns os artífices da solução. Apesar disso, não deixo de perceber e expressar tristemente o quanto o Rio está destruído.
Amo São Paulo, Amo o Rio de Janeiro, amo o Brasil e gosto muito, muito de você Leãozinho!
Postei no meu blog sobre como você e Leila Diniz, impactaram minha visão de mundo. A escrita, não dá conta de tudo, a palavra também não, mas mesmo assim repito, você está no meu coração.
Março 26th, 2009 at 6:27 am
caetano,
a bela jornalista marlen gonzalez, de forma contundente, coloca benicio del toro na parede ao falar de “che”, o filme e o mito. claro que o diretor, steven soderbergh, é quem poderia responder às perguntas, mas del toro estudou che por 7 anos para fazer o filme [se não me engano] e parece que até o faz muito bem.
a comparação com hitler me parece descabida, mas a moça tem um ponto. de exclamação! [repare que ao final, ela dá um livro para o ator, num mix de ironia e indignação]. del toro passou maus bocados…
http://www.youtube.com/watch?v=IZGTV6FbBXM
Março 26th, 2009 at 8:20 am
HERMANO FIZ UMA CONFUSÀO E ACABEI MANDANDO ESSE COMMENT LA PRO CARNAVAL ( PUTZ ).POR FAVOR CONSIDERE ESSE DAQUI.VALEU !
Apresento minha seleção de notáveis cariocas.
O esquema de jogo é o 4-2-4.
1 Pixinguinha 2 Vinícius 3 Machado de Assis 4 Lima Barreto e 6 Chico Buarque ( pra quem ainda não sabe, ele é carioca )
5 Oscar Niemeyer e 8 Albino Pinheiro
7 Noel Rosa 9 Zeca Pagodinho 10 Zico ( acham que eu deixaria esse carioca de fora ? hehe ) e 11 Nelson Cavaquinho.
Técnico : Antonio Carlos Jobim.
_________________________
Teteco meu poeta Cantautor, deixei no seu Orkut, um comment-resposta ao seu gentil convite pra desestressar em Sampa. Tentei postar aqui mas recebi outro cartão vermelho.
Ah, você tem razão ; o esquadrão esmeraldino liderado pelo divino Ademir da Guia, fazia frente ao Santos de Pelé e ao Botafogo de Garrincha, mas se batesse de cara com o mengão de Zico, Júnior e companhia, ia levar um sacode de arrepiar, hehe.
Pra você não ficar triste ; considero a dupla Dudú-Ademir da Guia, a Lennon e McCartney do futebol brasileiro.
Abração em você e em toda torcida OeP.
Castello.
Março 26th, 2009 at 9:24 am
Vellamíssimo
Bravo cocê? Hum. Difícil. Nunca fiquei. Entendi agora, graças ao Orkut, que não tem gongo, que você se referia ao meu desconhecimento sobre Dilma. Tem toda razão. Cada vez que a ouço falar, percebo o quanto as minhas impressões e preconceitos, ainda superam a realidade que se constrói diante dela.
Ela é forte sim. Mas é novidade. Os brasileiros que lêem jornais têm traumas com a novidade política. Efeito Collor. E eu, que tendo a captar mais os aspectos subjetivos dos personagens, corro grandes riscos de errar por desinformação. Acertar por intuição é mais difícil.
Mas não falei mal de Dilma mesmo assim. Apenas disse que não tinha sex appeal e depois, reconheci que, mesmo não tendo, isso era irrelevante. Foi o primeiro passo pra sair do “superficial”.
Sobre esse negócio de “gongar” comentários, fico desconfiado de algum bug.
Aproveito aqui a oportunidade (utilidade pública) pra dizer que Carolina (antes tão presente aqui) acessou meu blog dizendo…
“Troquei o Internet explorer pelo fire fox, consigo ler o blog, mas estou impedida de postar!!! Enfim, o firefox me ajudou a ler o seu blog tb!!Mande lembranças minhas aos infocaetenautas.”
Respondi, indagando porque não conseguia postar. Ela disse que havia um problema com o nickname dela que a confundia com outra Carolina. Propus que ela tentasse outro apelido, mas não rolou. Deve ter um bug aí.
Pode ser o Efeito Carolina:
“eu já lhe avisei que não vai dar”
Não queria que o tempo passasse na janela e só Carolina não visse.
Paloma, outro mistério mesmo. Caetano não deu motivos pra que tivesse raiva, não. Seria exagero.
Agora, esse negócio do Joaldo ter cara de galã sertanejo me fez dar muita risada. É o amor!
Caetano dizendo ao nosso Gil que as coisas têm “jeito” no Rio me deixou feliz. Isso porque Gil (pelo menos nas discussões comigo) parece ser um tipo (que eu adoro) e costumo chamar de “otimista-pessimista”. Tenho muito amigos assim e eles vivem me provocando.
Explico: o “otimista-pessimista” se excita com o desejo das grandes mudanças, mas não abre mão de tê-los. Se a solução aparece de forma simples e prática, o mundo se desmonta.
Não é ruim ser assim. Precisamos muuuito de gente assim. Mas se todos fossem, o pessimismo venceria. Ele é implacável. Eu, como um otimista praticante, preciso do Gil. Graças a ele, pensei muita coisa que não tinha pensado e formulei soluções pra coisas que pensava não haver solução.
Caetano
Graças a você tenho acordado mais consciente da minha felicidade por morar em SP. São Paulo é terra de “otimistas-pessimistas”. A correria se justifica nesse sentimento. Se a solução e a paz aparecem, os paulistanos temem.
O costume da classe-média paulistana é passar por mais um dia, chegar em casa, ligar a TV e assistir aos programas populares que narram mais 24 horas dramáticas de enchentes, assaltos à banco e trânsito. Alívio geral. Os problemas continuam. O paulistano pode, como diz a Sinfonia de Billy Blanco: “dormir pensando nas coisas que de dia vai fazer”. A luta continua.
beijo nas testas
salem
Março 26th, 2009 at 9:31 am
Francis Hime faz caminhadas em Ipanema. Já o vi e sempre penso. Esse cara fez a melodia de Atrás da Porta. Não dá pra não se emocionar.
Luiz Tatit faz caminhadas na USP. Quando o encontro, me lembro. Esse cara compôs o repertório mais revolucionário da canção brasileira do final do século passado. E pouca gente sabe disso. Outra emoção.
Março 26th, 2009 at 9:57 am
Oi Caetano.
Além do artigo, nós, pelo menos os recifenses, surpreendentemente, falamos Rêcife,ao invés do que alguns pensam, Ricife ou Récife.(rs)
Agora essa questão do “é”, por aqui,não tem regra, pode ser aberto ou fechado. No carnaval, por exemplo, podia se ouvir a música do Galo da Madrugada, de duas formas: “êi péssoal , êi móçada, carnaval começa no Galo da Madrugada”..Ou: “êi pêssoal, êi môçada, o “É” fechado.
Tenho algumas coisas para te perguntar sobre o que estou lendo em Verdade Tropical, mas agora tenho que sair. Também não é certo que você responda , né? Só queria dizer, que , na primeira vez que fui ao Rio, fui querer ver se a baía da guanabara parecia uma boca banguela.(rs) que coisa engraçada!
beijos saudosos a todos
Maria
Março 26th, 2009 at 10:10 am
Não existe “ponte Rio-Minas”.Minas é ponte.A ponte São Paulo-Bahia é Minas.Minas é a ponte do Brasil.Caetano,O Rio tem jeito sim.Esta violento por saturação.A possível devida atenção esta submersa sob uma atenção excessiva criada por uma cultura baseada na displicência vinda da certeza da exuberância e da força de uma natureza dadivosa e confortabilizante.O Rio precisa sair de si.Concretamente,como já disse,valorizar o interior de seu estado,criar malhas de caminhos para deslocamentos imediatos,e claro,que tais sendas sejam interessantes para um povo transnlumbrado com um propagandiar infinito sobre as maravilhas do seu canto abençoado por Deus,querer sair dali,arredar alguns passos.Mas o Rio cidade não é o único culpado.O estado é um inchaço de corrupção e travamentos político econômicos e ambientais.Precisam trabalhar juntos cidade e estado.É por ex. o estado com maior potencial turístico do pais e esta hoje léguas atrás de Santa Catarina,da Bahia.Poderia viver só de turismo e bem.
Março 26th, 2009 at 10:50 am
salem,
chico buarque é carioca, mas não é. como milton é carioca, mas não é. e carmem miranda nasceu em portugal, mas é carioca.
chico foi do rio pra sampa com 2 anos de idade, quando voltou já era paulistano, hahaha. mas sua obra é carioca, é uma ode incondicional ao rio de janeiro.
e paloma faz falta mesmo…”cadê?” [sincopado]
Março 26th, 2009 at 12:10 pm
Castelão, segura aí:
Manga, Carlos Alberto, Brito, Nilton Santos e Júnior
Carlinhos e Gerson
Garrincha, Romário, Zico e Paulo César
esses eu vi, todos, aqui no Maracanã.
Aspásia Camargo, nossa vereadora, hoje na CBN, a rádio que só toca notícia, denunciou a ocupação deliberada e militar dos altos dos morros e túneis que se processa no Rio, pelos bandidos, sobretudo agora nos limites entre Humaitá, Copacabana, Fonte da Saudade e Botafogo. Ocupação militar, com casamatas, realizada pelo crime e com consequências como a que vivemos semana passada. Ela vem estudando o assunto e disse mais, o índice de tuberculose na favela da Rocinha é o maior da América Latina, números da idade média, índices impressionantes. E mais, um quarto numa favela da zona sul está saindo para quem aluga por 400 reais. É ocupação de território e índices da idade média. E ela disse mais: ainda é barato desmobilizar essas conquistas bandidas, basta haver decisão política. Com o tempo isso vai ficar mais caro e mais difícil. Aspásia, nossa vereadora.
Março 26th, 2009 at 12:10 pm
“Vem ver São Paulo, tá bonita, tá mudada
Quem perder não tá com nada
Vem ver logo é curtíssima temporada
Vem ver são paulo a ex-terra da garoa
a ex-terra do café
Vem ver que Deus Abençoa
Quem vier”
“Em São Paulo, terra de arranha-céu
A garoa rasga a carne, é a torre de babel
família brasileira, dois contra o mundo
Mãe solteira de um promissor vagabundo
Luz, câmera e ação, gravando a acena vai
um bastardo, mas um filho pardo, sem pai”
“Minha São Paulo, calma e serena
Que era pequena, mas grande demais
agora cresceu e tudo morreu
lampião de gá, que saudade me faz”
“Eu estava passeando pela cidade
quando bateu a saudade
a tristeza me prendeu
Fiquei triste com aquele domindo a toa
E chorei com garoa
no lenço que mãe me deu”
” O meu cenário é a fria luz da madrugada
dando espetáculo por nada
calçada da infâmia iluminada
pela eletropaulo
(…)
A minha casa é o céu e o chão, caroço bruto
catado no chão do viaduto
dando por anhangabaú da felicidade”
cidade, city, cité
Adoniram falando sobre “Trem das onze”, segundo Paulo vanzolini.
Paulo vanzolini: ” Porque você fala moro “em” jaçana, quando os moradores do jaçana dizem moro “no” jaçana?
Adoniran: ” Sei lá, eu lá conheço essa porcaria. Eu só pus Jaçana para rimar com manhã…”
Março 26th, 2009 at 12:34 pm
PAULO Francis entre os notáveis, isso é que é o bonito.
Março 26th, 2009 at 12:50 pm
Quando ouço rap paulista e rap carioca, vejo que no Rio, musicalmente, a coisa andou mais. Marcelo D2, A Filial, BNegão e Seletores de Freqüência, De Leve, Leme, Duomonk, são algumas das figuras representativas do cenário. Pra não falar num dos movimentos mais bonitos e expressivos do rap nacional que é o L.A.P.A..
No Rio o pessoal tem uma leveza maior, tem menos tique de “marginal”, transita com mais facilidade para outros universos musicais. Em Sampa a coisa ainda é muito 80’s, crueldade, marginalidade, obscuridade, medo… (vide Xis, MV Bill, Tio Fresh, Racionais, Projeto Manada, Kamau, E.M.I.C.I.D.A., Contra-Fluxo, Rapin Hood…).
Engraçado pensar nisso. Porque ao contrário do rap (e do funk também), o samba carioca ta muito mais para “reserva natural” (como bem disse o Caetano num desses vídeos do Obra).
Agora… E rap de Minas? Alguém aí já ouviu?
Renegado: http://www.myspace.com/arebeldia
E do Mato Grosso?
Linha Dura: http://www.myspace.com/linhadura
E do Distrito Federal?
Aquilombando: http://www.myspace.com/aquilombando
E Goiânia?
A Tropa: http://www.myspace.com/atropah2
Em tempos de descentralização da informação, dos pontos de acesso à cultura e dos movimentos culturais, parece um pouco pedante pensar num Brasil que acontece substancialmente no Sudeste…
Anteontem fui assistir a um show/ palestra do Luiz Tatit no CCBB aqui no Rio. Putz! Que maravilha… O cara é Deus. =)
Tem uma sensibilidade, um trato tão específico com a música; com a canção. E não só com o canto dele, com as suas letras muito peculiares, mas com o violão também. O Luiz tem um violão todo torto, cheio de uma linguagem muito própria, muito bonita, muito expressiva. E, como bem disse o Salem, tem muita gente que não o conhece, não conhece o Rumo, a vanguarda paulista… Putz… Pena….
Março 26th, 2009 at 1:14 pm
Erica, adorei mesmo seu papo sobre minhocas e tudo o mais. Beijos.
Ri muito com o papo do Caetano de que Joaldo tem uma cara de ídolo sertanejo “da porra”. Sempre achei Caetano um cara engraçado. Pelas fotos do Orkut, eu achei Joaldo bonito.
O cantor inglês Ritchie, disse certa vez que achava estranho demais falar “a tribo”.
Para ele, o certo seria “o tribo”, pois considerava “tribo” um vocábulo masculino da língua portuguesa.
De certa forma, concordei com ele e fiquei pensando o quanto é difícil para gringos, especialmente para os oriundos dos idiomas anglos-saxões, se familiarizarem 100% com o português, por causa dessas coisas malucas do português. Mas, será que alguém consegue se familiarizar 100% com outro idioma que não seja o seu idioma natal? Heloisa, Luedy, Caetano, Hermano poderiam “hablar mas” sobre o assunto. Eu, com toda minha doce confusão mental e meu pobre conhecimento de linguística e similares, sou o menos indicado e o primeiro que seria defenestrado pelo gongo do mano Hermano.
Bem, coisas malucas e quase dadaístas (para estrangeiros) existem em todos os idiomas, certo?!
Castello, seria certamente um jogaço entre o Mengão de Zico, Junior e Cia contra a Academia de Dudu e Ademir( O Lennon/ MacCartney da bola como você falou). Eu acho que a Academia venceria, com dificuldades, óbvio. Até porque, você vai se lembrar que em 79 o Palmeiras, não tão mais Academia, meteu uma goleada, acho que 4×1, sobre o Mengão de Zico em pleno Maraca lotado rs.
Mas o Mengão anos 80 foi punk mesmo. Dava gosto vê-lo bailar em campo.
Março 26th, 2009 at 2:46 pm
Salém:
“Eu voltei agora pra ficar,
porque aqui, aqui é meu lugar”
No post anterior postei De volta ao Samba como meu hino! Enfim, muito obrigada pela atenção… O comentário n. 1 desse post é meu!
Salem o Paulo Tatit faz caminhada na USP e vc passa por lá??
Quem sabe um dia nos encontramos, tenho que ir menos à poli e mais à ECA.
Por falar em Caetano!
Onde será o lançamento de Zii e Zie?
Citibank hall, Credicard, Tom Brasil?
Estou aqui olhando os campos de trigo e muito feliz com a espera!
Março 26th, 2009 at 2:49 pm
Caetano, fiquei curiosa. Vc disse”Portanto, chegar ao Rio não era chegar a um lugar estranho, mas ao centro do nosso próprio lugar. Tenho 66 anos. Na minha infância e na minha mocidade era assim. Hoje, não apenas admito que isso mudou: orgulho-me de ter contribuído ativa e conscientemente para apressar e aprofundar essa mudança.”.Que mudança é essa? O Rio deixar de ser o centro de tudo?
Nasci no início da década de 70 no Barbalho (bairro de Salvador)e o Rio sempre foi uma referencia para mim, até porque parte da família morava lá. Então eu sempre tive notícias do Rio e sempre achei que a vida que se tinha lá é que era o modelo de vida boa.
Em 86, com treze anos, passei um mês na casa de uma amiga no Rio e fomos ver:Ultrage a Rigor e os miquinhos amestrados no Canecão, RPM (Canecão), Cazuza no Pão de Açucar, Baixo gávea, Hamlet no teatro do colégio São Vicente, e aquela cidade bonita, mais vegetação, mais gente andando na rua, mais oferta de ônibus. Felicidade pública total. Fora que no fundo, sei que sou rock´roll e o rock nacional me pegou de jeito.
Tive que voltar para Bahia, aquela altura jÁ na Pituba (eu costumo dizer que não basta se identificar como soteropolitana, tem que dizer o bairro onde passou a adolescencia. Faz TODA diferença. Eu sou da PITUBA). Mas enfim, quando surgiu Luis Caldas era também o boom do rock nacional e eu queria ver mais issso e menos aquilo. A axé music para mim foi um desconforto estético.é assim que sinto e por isso minha total (?)rebeldia. Bom, mas sei que não é esse o tema.
O fato surpreendente para mim é que, depois de ir a São paulo a trabalho pelo menos umas cinco vezes e de sempre ter sobrado tempo para passeios:pinacoteca, museu da língua portuguesa (2x),memorial da america latina, masp, liberdade, padarias, Av.paulista, mercado municipal, uma boite chamada trash, a feira de cacareco no bexiga, os restaurentes, shoppings, zé paulino, oscar freire, e amigos baianos gays e felizes na cidade, enfim, o que confesso é:em muitos momentos PREFIRO São Paulo. Amo São Paulo.
Maria João Brasil, sem esperanças de ser respondida.
Março 26th, 2009 at 3:23 pm
Oi, Caetano e pessoal.
Caetano: acho que vc ficou com um trauma daquele debate na FAU/USP em 68.Vc tá com um TRAUMSP.
Março 26th, 2009 at 3:43 pm
Rapaziada do blog,o cd “Zii e Zie”já se encontra em pré-venda na saraiva.ver o link abaixo.a capa parece ser uma paisagem muito estranha e bonita.No anúncio já se encontra a ordem das músicas.abraços a todos.
http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=2634844&ID=C908F1D67D9031A090D1C1051
Março 26th, 2009 at 4:35 pm
Exequiela meu amor, é sempre com encanto que noto sua presença, seus comentários. Não compreendi no entanto sua pergunta, ao que vc se refere a ponto médio na Europa?
Sou do Rio de Janeiro, vivi na Cidade Maravilhosa minha infância e vi e estudei sobre as transformações da cidade, observei como as outras cidades resolveram seus problemas. A América Latina progrediu e se atrasou com seus governos mas nossas Constituições foram sempre muito vulneráveis, nossos Estados Nacionais nasceram em fase decadente de nossos colonizadores, não fomos fronteiras prioritárias de desenvolvimento e avanço capitalista nem almejamos hegemonias. Isso foi assim. Vivemos muito tempo embaixo de ditaduras e das ordens ditadas de cima pra baixo. É assim a História da América Latina e nada é só acaso. Não somos como os americanos do norte, nem poderíamos ser. Ainda temos que decidir o que queremos. Não se trata de lavar as mãos nem se alienar, muito pelo contrário. Quando falo em irradiação de procedimentos civilizatórios eu estou lutando contra a violência no Brasil e na América Latina, eu falo dessa luta contra a desobediência civil que desmobiliza e motiva a simbologia que nutre as violências contra os regulamentos e a ordem que são absolutamente necessárias para a convivência de muitas pessoas juntas como nas cidades do tamanho das cidades da América Latina, seja aqui, em Buenos Aires, em Bogotá ou Santiago, e em estados democráticos.
Creio demais no ambiente cultural e por isso sofri em Buenos Aires no tempo da Maldita Cocaína, quem tivesse olhos veria que a debacle estava próxima, era impossível um ambiente progredir entorpecido daquele jeito. Acredito demais na irradiação cultural, tenho consciência da importância que Gilberto Gil e Caetano Veloso tiveram na formação da minha geração como tenho da precariedade de nossa Educação.
Aqui, depois de tanta bala e decepção a motivação é entregar pra Deus. Há um cansaço diante da guerra constante e terrível, eu só quero rezar Exequiela, me perdoa.
Março 26th, 2009 at 4:45 pm
Menino do Rio…já ouviram?
Março 26th, 2009 at 5:31 pm
Teteco
Conheço a escalação do time da Academia de cor por motivos simples. Eu tinha aqueles times de botão da Estrela que vinham com a foto dos jogadores. Naquele tempo uma mesma escalação durava em média 2 anos. Hoje, seria impossível.
Os times eram uma mistura de botão com figurinha.
Mas meu time de botão oficial mesmo era de tampinha de relógio, de celulóide, lixados com carinho. Grandes Seikos na defesa. E pequenas tampinhas de relógios femininos no ataque.
Morei pertinho do Jardim Suspenso. A coisa mais mágica do Palestra é sua identidade com o bairro da Pompéia. O Bar do Elias com os velhos jogadores tomando chope, o som de guitarra Gianinni vazando e transbordando das garagens, paralelepípedos, carrinho de sorvete Crenata, velhos jogando dominó nas calçadas, sotaque italiano nas ruas e o SESC Pompéia de Lina Bardi visível de qualquer quadra.
Dessa atmosfera eu gosto.
Pelé já disse que Dudu foi o seu melhor marcador. Um inferno. Ele iria com o Pelé ao banheiro se fosse preciso.
Amar o adversário é um gesto antropofágico. Os canibais brasileiros serviam uma verdadeira moqueca com seu oponente vencido fatiado pra que todos o saboreassem e metabolizassem a sua coragem.
Vencer o Palmeiras, pra mim, sempre foi uma forma de respeita-lo e ama-lo como adversário e oponente.
É por isso também que a torcida do Palmeiras assumiu o apelido “porco”, que fora criado pelas torcidas adversárias como uma agressão.
baccio na testa
salem
Março 26th, 2009 at 5:31 pm
Gosto muito do Tatit cantando “o Samba do Geraldo”.
Gosto muito da Ná Ozzetti cantando “Libra” e “Delírio Meu”
Amo profundamente a canção - quilométrica, o estrangeiro, lembro quando Caetano a defendia dizendo que as canções do Legião Urbana também eram enormes e mesmo assim tocavam nas rádios - “o estrangeiro” e os amares e detestares da Baía de Guanabara. É especial o modo informativo, ele diz que o Cole Porter, é compositor, que Paul Gauguin, é pintor e que Lévi-Strauss é antropólogo, sempre achei isso bem bacana.
Então, esta canção começa falando do “Rio de Janeuras” e me parece uma associação (ou sei lá o que) com o “torrão natal” (caretaça a expressão torrão natal” de Caetano - sempre buscando o belo e o amaro - daí, talvez, CHEGAR AO RIO NÃO ERA CHEGAR A UM LUGAR ESTRANHO, MAS AO CENTRO DO NOSSO PRÓPRIO LUGAR.
Adorei a capa, ainda não totalmente perceptível, do Zii e Zie (não sei a pronúncia exata do “ii” “ie” italiano).
Não sabia que o Moringueira, Moreira da Silva, havia agredido o Caetano verbalmente nos jornais, que ano isso, o que ele falava? Adoraria saber.
Mas eu ia mesmo falar do Francis Hime, a história da canção “Atrás da Porta” é um literalmente um porre - engraçadíssima.
Tem aquela dele com o Chico que é tudo, creio que o nome é “pássara”
e aí, ela cisma de voltar
sorri, mesmo pra te provocar…
Março 26th, 2009 at 5:42 pm
FELIZ CUMPLEAÑOS LUCESAR!!!!!!!!!!!!!!!!
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Besos a todos los que me conocen.. Ja-haaaaaaa.
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Me gusta el positivismo de leAozinho cuando trata de resaltar lo que los periódicos ignoran (decrecimiento de violencia en Rio)… veo ahí una mentalidad símil estadounidense- Es que nosotros los latinoamericanos (los brasileros son latinoamericanos, no?) tenemos la tendencia a ser los típicos hijos que toda la vida culpan a los padres (gobierno) de sus males… La típica persona que a los 50 años sigue diciendo: “mis viejos me cagaron la vida!!”. Muy al contrario de EEUU donde la tendencia es ser los típicos hijos que veneran a sus padres y no ven más allá del ideal impuesto por ellos (no sé si Bárbara estará de acuerdo con mi visión).
Gil, el punto medio es Europa?
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Teteco: los cantautores no venían a Bs As??
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El sábado me convertí en madrina…. Soy atea pero no pude negarme ante el pedido de mi hermana (que cree solo en el primer sacramento) de que fuese la madrina de mi sobrinito adorado de 4 añitos (que a cada rato preguntaba: falta mucho para que termine?). La ceremonia estuvo colmada de preguntas (a un nene de 4 años) como: Quién te quiere? A quién quiere más tu mamá? A quién querés más? Sabés quién te va a querer más que tu mamá y tu papá? Pregunto yo: También hay que renunciar a la inocencia para ganarse el cielo? El cura nos preguntó si renunciábamos a las tentaciones y al diablo. Todos dijimos “SÍ” con los dedos cruzados detrás de la espalda (cuándo dejaremos de mentir en la Iglesia?) A los 5 minutos de la renuncia, yo ya estaba tentada, con la mirada clavada en el piso para simular que mis lágrimas de risa eran lágrimas de emoción.
En fin……sólo creo en el diablo de La Renga.
http://www.youtube.com/watch?v=N04hLv22Z8U
Estaba el diablo mal parado
En la esquina de mi barrio
Ahí donde dobla el viento
Y se cruzan los atajos
Al lado de él estaba la muerte
Con una botella en la mano
Me miraban de reojo
Y se reían por lo bajo
Entre dientes oí a la muerte
Que decía, que decía así…
Ahaaa…
Cuántas se habrá escapado
Como laucha por tirante
Y esta noche que no cuesta nada
Ni siquiera fatigarse
Podemos llevarnos un cordero
Con sólo cruzar la calle
Yo me escondí tras la niebla
Y miré al infinito
A ver si llegaba ese
Que nunca iba a venir
Estaba el diablo mal parado
En la esquina de mi barrio
Al lado de él estaba la muerte
Con una botella en la mano
Y temblando como una hoja
Me crucé para encararlos
Y les dije me parece que esta vez
Me dejaron bien plantado
Les pedí fuego y del bolsillo
Saqué una rama pa’ convidarlos
Y bajo un arbol del otoño
Nos quedamos chamullando
Me contaron de sus vidas
Su triunfos y sus fracasos
De que el mundo andaba loco
Y hasta el cielo fue comprado
Y más miedo que ellos dos
Me daba el propio ser humano
Y yo ya no esperaba a nadie
Entre las brisas del aquellarre
El diablo y la muerte
Se me fueron amigando
Ahí donde dobla el viento
Y se cruzan los atajos
Ahí donde brilla la vida
En la esquina de mi barrio
Março 26th, 2009 at 5:44 pm
HERMAN ESSE VALE
Lacerda
A conversa entre a voz e o violão do Luiz Tatit é algo sobrenatural. Gostava do Rumo mas, nos shows, ficava torcendo pra’quele momento em que o Tatit ficava só com seu violão em contaponto.
Tive aulas particulares de semiótica com ele. Eu tinha 18 anos e acreditava que a aproximação me faria entender a alquimia do seu ato de criação. Em vão.
Wisnik em um simpático extra do DVD do Tatit pergunta a ele se sua música tem a ver com suas teses. Ali, Wisnik intuia que a melhor defesa das descobertas linguísticas do Tatit estava na sua própria obra.
Tatit negou. Disse que compunha sem pensar em teorias. Que era outra coisa. Até admitia que as suas relexões como acadêmico poderiam estar presentes num registro mais inconsciente. Mas jamais compôs para provar suas hipóteses. É um genuíno compositor popular.
Tatit é pra mim um autor no nível dos grandes brasileiros da canção. Não gostava quando associavam-no à uma vanguarda paulistana tão aderida ao tempo, tão datada nos anos 80. Percebia que ali havia sobrevida maior. Atemporalidade. Tatit poderia mesmo ser mais conhecido. Acho até que popular. Mas não é exatamente um erro da história que ele não seja. Esse é um desejo meu. Mas talvez não seja dele. As coisas às vezes são assim.
beij na testa
salem
Março 26th, 2009 at 5:45 pm
Pois é, Enzio, sinal de que as coisas por aqui estão muito próximas de acabar. Lamento que, salvo engano meu, o pessoal da “Banda Cê” não tenha se manifestado por essas bandas de cá…
Caetano, vê se descola alguma coisa desse povo.
Beijos a todos
Março 26th, 2009 at 6:40 pm
marcos,
“…O meu cenário é a fria luz da madrugada
dando espetáculo por nada
calçada da infâmia iluminada…”
que coisa mais linda [linda é pouco, é espetacular], rapaz…parafraseando itamar, como é que eu não pensei nisso antes! de quem é?
Adoniran: ” Sei lá, eu lá conheço essa porcaria. Eu só pus Jaçana para rimar com manhã…”
hahahahahaha…adoniran, sensacionaaaaal!
……………..
césar lacerda,
muito bom seu comentário, o lance da descentralização que acontece também com o hip-hop. e tatit e seu violão é como uma conversa em filme de woody allen…diálogo vigoroso, cheio de inflexões, o violão também fala.
……………..
exequiela,
iglesia ou iglesias? eis a questão! hahahaha
…………..
maria joão brasil e carolina voltando…jóia!
…………..
guido,
o grande kid moringueira desfazia de tudo que não fosse parecido com ele e/ou sua geração, numa atitude neurastênica/saudosista compreensível. ninguém ligava muito pra isso, até porque ele era um grande criador e um grande criador de casos e causos, hahaha.
curioso é que quando se tratava de política [gravou uma música elogiando getúlio], direitos autorais, compra e venda de sambas, moreira era bastante flexível. mas era um puta talento, não? era não, é!
……………….
pô, do que se pode ver da capa do “zii e zie”, adorei! a cor, o clima…quem fez? vou agora encomendar o meu, caetanet
Março 26th, 2009 at 6:42 pm
Caetano,
Certamente não podemos dizer “O Rio é bonita”. Mas com alguma boa vontade podemos dizer “Rio de Janeiro (ou simplesmente ‘Rio’) é bonita”, desde que supondo (a cidade do) Rio. Forcei?
Isso aqui é sensacional:
“não havia milhões de meninos de rua, contá-los bem, os “apenas alguns milhares”, dava medo porque criava responsabilidade. É mais terrível saber que se está deixando de fazer o exequível do que que não se faz porque não há possibilidade. Precisamos de líderes e homens públicos que partam do que essa tendência incosciente indica”.
Embora me pareça que fazer alguma coisa (para quem quer realmente fazer) independa de que sejam duas ou milhões de pessoas. Mas que essa mudança no olhar tem um efeito psicológico e emocional estimulante/desestimulante, isso tem, com certeza. Gostei demais disso aí.
Saudações!
PS.:A respeito da sua cutucada com relação a Carmem Miranda, digo que não chega a ser “superstição” o que penso a respeito da influência do local de nascimento sobre a constituição de uma pessoa e sobre toda a sua biografia. Respirar o ar de um local qualquer é interagir com este local que passa a então fazer parte da nossa constituição momentânea, para todos os efeitos. Respirar o ar de um local pela primeira vez em toda a existência é sagrado. Uma criança come com o corpo inteiro, escuta com o corpo inteiro, cheira e respira com o corpo inteiro. Ela é total, plena. Não creio que respiremos apenas oxigênio (ou gás carbõnico). Respiramos outras partículas (alguns chamam de prana) e elas têm tudo a ver com o local onde estamos. Jamais deixamos de ter uma relação com nosso local de nascimento, seja de pertencimento, seja de estranheza, seja se sentindo de Lugar Nenhum!
Março 26th, 2009 at 6:44 pm
Caetano,
É um tanto melancólico sentir que o blog está chegando ao fim, com o lançamento do Zie e Zii, já pela Saraiva… Embora festeje a chegada desse belo cd e creia que os textos do OEP acabarão virando livro, o que lamento é o fim dessa produção ativa de reflexões essenciais, em tempo real.
Embora nunca tenha sido considerada em meus comentários, seja sobre arte contemporânea ou sobre a estética decrépita dos prédios do Farol da Barra ou até sobre o Carnaval ou o que seja (o que me leva a pensar: será que é porque sou mulher?… como se pergunta Betânia no documetário sobre Vinícius, acerca do Gantois… bem, divagações) quero dizer que ler o blog é, para mim, um alento e um prazer, nesse momento.
Como já havia falado, vivemos tão ansiosos por uma discusão do Brasil, essa discussão para a qual não existe palco, nem arena. Lemos superficialidades e absurdos nos jornais, não temos voz. Os “pensadores” do país se preocupam com esse ou aquele setor, não há sutilezas. Aqui tive acesso à conjecturas suas a respeito de questões fundamentais para a modernização e (poetização) do Brasil. Seus últimos posts são maravilhosamente desmistificadores. Nas vezes que comentei aqui, falei sempre que o seu texto sobre o Brasil é profundamente amoroso, pois é essa característica, junto à sua compreensão brilhantemente descentralizada do pais, que me cativa, e é isso que eu acredito que fará diferença para o nosso pais e para a nossa cultura. Qdo li Verdade Tropical no final dos anos 90, me emocionei muito por ter encontrado gênio e amor misturados, eu que já amava tanto suas canções…
Obrigada!
Gde Bjo!
Rafael Rodrigues, obrigada por visitar meu site e comentar meu trabalho. Obrigada tbem por ter se referido ao meu comentário sobre fotografia na internet. Um bjo para vc tbem!
Março 26th, 2009 at 7:35 pm
Maria: a capa pode ser provisória nao é mesmo?mas me pareceu como se fosse uma paisagem carioca,tipo a baía da guanabara vista do mar sob a penumbra,névoa,com luzes da noite.é uma coisa estranha,mas a primeira vista eu gostei.É muito difícil eu não gostar das coisas do Caetano,ele é um esteta de primeira linha,tem muito bom gosto,apesar dos chatos de plantão quererem negar isso.
Bruno, eu frequento o blog desde o começinho, e embora não seja assíduo escritor,pois escrevo uma dissertaçao de mestrado sobre Tropicália e caetano e tal,e me falta tempo de escrever,acompenhei e acompanho as falas,toda essa polifonia de personas e acho muito bom tanta gente viva e inteligente escrever aqui;Talvez o blog acabe,talvez o Caetano e o Hermano decidam transmutá-lo,um transblog? quem sabe, mas fica aqui minha humilde sugesta de alguém nessa comunidá( como diria Gilberto Gil)possa criar uma comunidade,blog,festa internaútica pra todo mundo aqui continuar se encontrando.Quem se habilita?
Beijos e abraços de amor e paz.
Março 26th, 2009 at 7:39 pm
Salem:
A respeito de “Sampa”, a maioria dos músicos da noite que tocam essa música cantam: “…e os novos baianos..” nas duas frases.
É uma pena q eles não tenham captado a diferença..não lhe tenha alcançado o belo jogo de palavras, a poesia… né?
abraço.
Março 26th, 2009 at 7:52 pm
Então Glauber, legal sua explicação, mas eu gostaria de saber exatamente o que o Moreira falou do Caetano, preciso pesquisar, qual foi o jornal ou jornais…
Tá pintando um clima de tristeza sobre o fim do blog do Obra em Progresso, eu também estou tristinho (snifs vários) especialmente agora que ouço Caetano cantando Nirvana enquanto escrevo e ele repetindo
memory,
memory,
memory,
memory,
mas para mim já está ótimo, sinto-me orgulhoso de ter participado deste acontecimento ultra/trans/tropicalista que foi/é o OBRA EM PROGRESSO.
SERÁ QUE ROLA MAIS ALGUNS POSTs?
Março 26th, 2009 at 9:04 pm
caramba: adorei a capa do zii & ziê, um clima noir, sorumbático, vintage, onírica - então essa é a foto feita pela máquina russa????
Março 26th, 2009 at 9:28 pm
Carolina
Quem caminha com suas barbas pela USP é o Luiz Tatit. O Paulo Tatit, seu irmão, prefere a meditação.
beijoca na sua testa
salem
Março 26th, 2009 at 9:43 pm
o arranjo da música LAPA é muito boa. A letra é meio confusa e muito particular em muitos momentos.
.
O RIO legal que vejo hoje tem +2, orquestra imperial, marisa…
e tb artistas que vieram viver aqui: bethania, calcanhotto e brown.
Além de: Estaçao Botafogo,
Cinemateque
Unibanco ArtPlex,
CCBB [ a melhor biblioteca da cidade ],
roda de poesia de madrugada no LETRAS&EXPRESSOES do Leblon,
LAPA,
OI FUTURO
algumas coisas em Santa Teresa
… etc
.
Quando Caetano diz: ” Agua de Kassin lava a Nova Capela”… [ eu entendo que a letra do KASSIN tem relação geral com o publico da LAPA: uma relação de sexo/amizade/tudo bem/ cult-bacaninha ]
Nova Capela é um lugar nao-novo, que é legal tb de ir.
.
A melhor parte da canção LAPA é o ” COOL E POPULAR “.
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em tempo: adorei a capa do disco novo.
maneiro seria no RIO se “ZII E ZIE” passasse por CINEMATEQUE, ou ODEON [ vi alguns shows lá no carnaval ], ou TEATRO ODISSEIA, ou JOAO CAETANO ou CARLOS GOMES…
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nada contra CIRCO VOADOR, mas acho confuso. E ZII E ZIE é um canto meio CAETANO 87 e NOITES DO NORTE.
e FUNDIÇAO é muito grande.
e só depois pelo CASA GRANDE e VIVORIO e CANECAO.
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beijos.
Março 26th, 2009 at 9:52 pm
caetano,
eu entendo sim o que você fala. inclusive parece que há uma preocupação por parte dos próprios racionais acerca da maneira como suas músicas podem ser entendidas.
o kl jay me disse uma vez que eles estavam pensando em não tocar mais certas músicas - “eu sopu 157″ entre elas - justamente por conta de seu suposto enaltecimento à bandidagem.
roney, eu não conheço muito o neo-pagode baiano. que bandas/artistas são esses?
eu demoro pra chegar em algumas novidades. escutei o fantasmão outro dia e ouvi ecos de rock progressivo misturado com a percussão afro-baiana - e que eu achei massa. mas ali a mensagem era maracada por uma crítica social positiva.
fiquei curioso.
teteco, me parece que a língua sempre guarda seus mistérios. ou seja, não há lógica possível que possa dar conta de explicá-la. o que justificaria que nós pensássemos em tribo como correspondendo ao gênero masculino? eu não sei, nunca pensei nestes termos: pra mim tribo não tem gênero. mas confesso aqui minha ignorância a este respeito.
abs
luedy
Março 26th, 2009 at 9:54 pm
errata: “mas ali a mensagem era maracada por uma crítica social positiva.”
leia-se: “mas ali a mensagem era marcada por uma crítica social positiva.”
maracada… ai ai
Março 26th, 2009 at 10:18 pm
Puxa, essa conversa sobre futebol e time de botão me fez ir longe nas lembranças aqui. Lembro do Paulinho da Viola dizendo que levaram à sua casa, de surpresa, um jogador de futebol de quem ele era fã. Ele abriu a porta e diante da imagem mítica só conseguiu balbuciar: “Você é meu botão…”.
Março 26th, 2009 at 10:26 pm
Enzio Andrade, também não entendi a paisagem da capa do Zii & Zie. Não consegui amplia-la o suficiente para poder visualizar melhor. Será que é o Rio ?, já que o Caetano falou que é todo sobre a cidade maravilhosa?.
Maria
Março 26th, 2009 at 10:38 pm
Alguns discos pra mim são a cara e o focinho de Sampa. “Clara Crocodilo”, de Arrigo Barnabé, é um tanto óbvio demais que é paulicéia desvairada demais. Mas eu gosto. Não curto muito o “Tubarões Voadores”.
Os discos antológicos dos Mutantes, claro. E Rita Lee e Tuti Fruti, Sampa total. Joelho de Porco, Made in Brasil e os discos do Tom Zé da fase pré-David Byrne. Os discos do Itamar Assumpção e do Karnak. O “Cabeça Dinossauro” dos Titãs.
Mas o que mais me coloca de frente com a cidade é o “Diletantismo” do Rumo. Eu também acho o Luiz Tatit um grande compositor. Acho que a canção “Ladeira da Memória” não é dele, mas é uma linda canção desse disco. Eu não posso esquecer dos belíssimos discos da Vânia Bastos, alguns do Ira e Ultraje.
Engraçado é que eu acho o “Araça-Azul” um disco totalmente Sampa. Mesmo com Dona Edith cantando os lindos sambas do Recôncavo Baiano, as fotos de um Caetano magricela na praia. Ou ouço o Araçá e me sinto em Sampa.
Tem um disco clássico do Von Karajan e a solista alemã Annie Sophie Mutter, interpretando Mozart, gravado em Berlim que, indiscutivelmente, traduz a alma de Sampa. Não sei como. Claro que é coisa da minha cabeça.
A TV Cultura e as unidades do Sesc são Sampa até o fim. Assim como o Itaú Cultural, com Edson Natale, e os caras da Trama. Creio que Elis, Airton Senna e Monteiro Lobato são os sepultados mais brilhantes da cidade.
Março 26th, 2009 at 10:39 pm
Caetano
Em seu comment (56) neste Post, vi que você trouxe à baila, novamente, a questão referente aos sociolinguistas versus gramáticos.
Vi hoje o filme ENTRE OS MUROS DA ESCOLA.
O filme é baseado no livro homônimo de François Bégaudeau e relata a experiência de um professor de francês em uma escola da periferia parisiense com uma classe tão heterogênea quanto a sociedade francesa atual.
As discussões em sala de aula sobre o padrão da língua culta, o uso das gírias, a inadaptação dos imigrantes das ex-colônias francesas à cultura dominante, etc. tèm tudo a ver com as questões que têm sido discutidas aqui.
O mais interessante é que o filme deixa tudo em aberto, como, aliás, deve ser, em se tratando de questões com tantos desdobramentos e implicações.
Fica aqui a dica:
http://www.youtube.com/watch?v=YD7CFS0mLaY
ENTRE OS MUROS DA ESCOLA (Entre les Murs). França, 2008. Direção: Laurent Cantet, 128 min.
Beijos a você e a todos da OEP
Março 26th, 2009 at 10:55 pm
Imagens:
Do Rio de Janeiro: Os reflexos dos postes rasgando a lagoa sob contemplação do cristo.
De São Paulo:
O cruzamento da Brasil com a rebouças e a árvore de natal no ibirapuera.
Março 26th, 2009 at 11:47 pm
Andei ouvindo duas canções que mostram para mim a polarização Chico e Caetano, os dois maiores compositores da música popular brasileira, pós-anos 60. Em toda sua carreira, Caetano sempre apresentou formas de fazer canção e discutir temas que muito se diferenciam das formas de fazer canção de Chico Buarque, mas que num nível mais denso e numa amálise bem mais profunda, podem ser complementares. Por exemplo a canção “A televisão” de chico buarque e a canção “Santa clara, padroeira da televisão” de Caetano. A primeira o compositor CARIOCA parece se lamentar da existência da televisão, pois o sambista na rua, a lua esplendorosa, perdem sentido e se tornam desinteressantes por conta do interesse causado pela “vida sendo mais vivida” na televisão. Em Caetano, na belíssima canção sobre a televisão, não há este lamento, nem tampouco apresenta-se um hiato quase intransponível entre a lua, as pessoas e a televisão. Muito ao contrário, pois o sujeito diz: ” Lua clara, trilha, sina, ensina-me a te ver/ Lua, lua, continua em mim, Luar no ar na TV” Quer dizer, a experiência da percepção da imagem da lua vista da rua não é mais pura nem mais autêntica do que a experiência perceptiva de ver A MESMA IMAGEM da lua na TV. Aqui Caetano supera de longe Chico Buarque.
Do mesmo modo, com relação ao tema da velhice. Chico fez uma belíssima canção sobre o tema, “o velho”, belíssima mesmo. Mas Caetano conseguiu superar em beleza, com a densa “O Homem Velho”.
Março 27th, 2009 at 12:22 am
Eu nasci em Feira de Santana..
Cresci em Santa Catarina, e só depois, muito tempo depois conheci Salvador
Mas, nasci em Feira de Santana.
Março 27th, 2009 at 2:28 am
Alguém conhece o documentário Saravah, gravado em 1969? É maravilhoso!! Achei esse trechinho com Maria Bethânia e Paulinho da Viola, lindos, lindos, cantando Rosa Maria..
Em homenagem ao Rio e à Labi, que vez por outra requisita Maria Bethânia aqui..Espero que dê certo a tentativa de capturar o vídeo do youtube…
http://www.youtube.com/watch?v=MpaNVNZDwsE
Março 27th, 2009 at 2:47 am
Sim.
letras de canções que falam de São Paulo. Têm a ver com algumas impressões citadas aqui, também… Uma de Belchior (cearense), outra de Thomas Roth (carioca), com música de Luiz Guedes, gravada por Beto Guedes.
Passeio
(Belchior)
Vamos andar
pelas ruas de São Paulo,
por entre os carros de São Paulo,
meu amor, vamos andar e passear.
Vamos sair pela rua da Consolação,
dormir no parque, em plena quarta-feira,
e sonhar com o domingo em nosso coração.
Meu amor, meu amor, meu amor:
a eletricidade desta cidade
me dá vontade de gritar
que apaixonado eu sou.
Nesse cimento, meu pensamento e meu sentimento
só têm o momento de fugir no disco voador.
Meu amor, meu amor, meu amor!
São Paulo
Thomas Roth / Luiz Guedes
Só quem não te conhece,
Bem no fundo não pode entender,
Teus arranha-céus,
Neste escuro véu,
Sem o lume das estrelas.
Só quem não te conhece,
Ó cidade, não pode entender,
Teu postal sem cor,
O real valor,
Que se oculta em tuas sombras.
Universo de luzes e promessas,
Vitrine de ilusões,
Teus metais brilham mais,
No olhar dos inocentes.
Dia a dia o sol,
Abre seu farol sobre pedras,
Ilhas de ancorar corações solitários,
Nas multidões.
Teus caminhos cruzados,
Viajantes de toda direção,
Teus mortais,
Sonham mais,
Com ares do sertão,
Passageiros da paisagem,
Estações que vão no vento,
Em teu coração São Paulo…
Março 27th, 2009 at 2:50 am
CAEMIO, me has inspirado…eso es lindo y me gusta…”mora na filosofía”, eu sei que você vai me entender…?
(Déja vu)?…entonces, no es fruto de una “ocasión propicia” en la que el dolor ha quedado atrás, sino el creador de su oportunidad en medio del infortunio. Así yo te VEO. “Un Hombre Esperanzado”, que sabes transcender en la inmanencia; que ni la inmovilidad impuesta te conlleva a una aceptación de la pasividad.
Adoro en “você” el vigor espiritual que te da sustento a esta convicción hecha, acto que no proviene sólo de una gracia sobrenatural; sino que somos hijos de una comprensión sustantiva de la versátil naturaleza del tiempo.
“Tempo, tempo, tempo”/…/pedido/…en que “nosotros”, seres “esperanzados” encontramos una insinuante gama de “matices”, de variantes, de inconclusiones y alternancias.
É isso Caemio, você “Sempre Atento”…eh!… a esa predisposición de lo real, a las incontables configuraciones que dan Vida a lo posible, y tú como un “Hombre Esperanzado” aseveras que así como el mal golpea a “veces” de manera concluyente, así también la redención podrá restañar la herida que nos parece incurable. (La violencia…).
Y tú Caemio, por “temperamento” y aún más por educación, te pronuncias en consecuencias, a favor de la “historia”(tua) como prodigio…como polífonía real, hecha “inconclusa” y rehecha sin “tregua”; como enlace de acontecimientos que contrastan, se confrontan, se intercalan, confluyen, se excluyen, se interceptan, colisionan.
En ti está la imprescindible construcción de ideales y más aún su sostén y mantenimiento; es para mí, la labor no menos perfectible que interminable y que es también nuestra verdad como estructura humana.
Te hablo de la perpectiva de TEU OLHAR, quanto mais o “vejo” mais se me afigura ver escrito nele…”nosso estranho amor”…que mediante um “fracaso” él se asegura su conquista…( )Ni mesiánico ni profético, el lirismo no vuela más hacia el Ideal ni pretende abrir las puertas de la “verdadera vida”. Mi atención se concentra más bien en lo que falta. Él (olhar) lo resguarda. Él lo interroga y lo fuerza a expresarse.
Es por eso Caemio, que el Amor, para “nosotros”(los esperanzados) resulta ser simultánea plenitud y padecimiento.
Nos envuelve en una atmósfera privilegiada, pero no ignoro que así como ella se forma, así también se disipa y que aún en el anhelo o la experiencia, donde puede ser constante, no sea nunca idéntico a sí mismo.
Y así al reconocer la inviabilidad de lo inamovible en todo lo “viviente”, mi disposición primordial y mi logro decisivo se concentren en el afán y en el esfuerzo de seguir, de proseguir, de transcender y trascenderse.
“Yo espero sin cesar”…porque entiendo que la espera es “marcha”, y al ser marcha ya es encuentro.
Teu “olhar”…é esse olhar “esperanzado” (do qual eu já te disse, que gosto demais!) La mirada esperanzada que no se dirige hacia el porvenir: “se concentra en el presente”. Actualidad. Ésta, mirada en un Hombre Esperanzado, ya no es desierto donde nada cabe aguardar ni la atalaya desde que se avizora lo que no ha ocurrido aún, sino el terreno del “encuentro” con lo que se estima imprescindible. Lo tuyo es hallazgo y no búsqueda.
Experiencia fructífera y no mera aspiración. Dos fuerzas y no una son, en la esperanza, las que comparten el sentido eventual de los hechos. La dirección que parecía única se bifurca. Detrás de la apariencia “palpita ahora” algo más.
Al estar esperanzados no negamos que las cosas sean como parecen; negamos que, en esa apariencia, se agote lo que ellas son. Ensancho el campo de lo significativo sin apartarme del pasado con el presente.
Le devuelvo la comprensión de su riqueza semántica por idealizar el porvenir en desmedro de la actualidad, ya sea por el escepticismo cuyo diagnóstico terminal vacía de sentido tanto lo que vendrá como lo que ya sucede.
Cito la recomendación de Píndaro en la tercera de sus Píticas: “Oh, alma mía, no aspires a la vida inmortal/ agota, en cambio, el campo de lo posible”. Mi fe descansa en la estabilidad de esta alternativa entre “proximidad y lejanía”, tanto como en la simultaneidad con que muchas veces se manifiestan los contrarios.
Si el desencanto, que ciertamente me conmueve, no me amilana, porque para mi, la caída de la “ilusión” no equivale al derrumbe de la querida esperanza. Aclaro que la “ilusión” no es “Amor”. “Amor, eres tú en mí”.
Y notable, en lo que hace a este discernimiento, son los versos del tango “Volver”, que en el 1934 escribiera Alfredo Le Pera: “Y aunque el olvido que todo destruye/haya matado mi vieja ilusión,/guardo escondida una esperanza humilde/que es toda la fortuna de mi corazón”.
Creo que la esperanza se funda en la convicción de que la adversidad, por más que hoy nos paralice y dañe, no tiene por qué contar con la última palabra. Ella en nada se parece a la ilusión. La ilusión confía en arribos de circunstancias favorables o presume tenerlas, y su vitalidad descansa en la expectativa de ver concretado su anhelo.
La esperanza, en cambio, no funda su consistencia en la confianza que le despierte lo venidero. El “mensaje” venturoso que ella dice oír proviene del presente, no del porvenir. No extraigo su energía del suelo potencial o de la expectativa que despierta la ansiada concreción de los fines que persigue.
La extraigo de la inmediata realidad que “habita”, de la presencia inequívoca de aquello que da sustento a su concreción. Bueno, mi “esperanza” es rasgo distintivo del Ser que insiste en Ser, en desplegarse contra toda apariencia adversa. Es a ese empeño que es encuentro y búsqueda simultáneos, que al unísono se perfila como la sed incesante y el agua que colma, a la que cabe llamar Esperanza.
Por aquello de… que no nos falte …”essa LUZ no olhar”…
ESPERANZA
¡Cuántas veces te esperaré!
Recibirte es lo que anhelo
Vienes no se de donde
Viajas por los aires del mundo
Última al salir, primera al llegar
Cuando te vas…te llamo de perdida
Me sumerges a la incertidumbre
De sombras en lo oscuro
Si te vas…no queda nada
Espacio vacío
Contigo iré leyendo en el cielo
Lo que escriben las estrellas…
Despertaré cada mañana…con el secreto
De saberte infinita
En mi destino
Llevas en tus alas
Todos mis quereres
Preguntas ignoradas
Respuestas imposibles
Qué hay en ti?
Tu nunca dices
Tu sosiegas mi alma
De mis equívocos andares
Carga en tu pecho
Mi corazón insensato
Para que por ti…yo muera
Y tu vivas por mi
Pero, oí decir que tu eras
Mentira
Mentiras?…será
Que las mentiras
Ayudan a vivir?…
(Vero Veriño- escrito a muchos años atrás).
Beijo que vai…en una especie de vigilia residual, en sostenida “Atención” latente, sin mengua, velada e indirecta.
Creo que por ahora no me resta…nada más…ah sí! ése “nada más”, lleva cargado…“te quiero…más que ayer, pero menos que mañana”. Y gracias por eso y más.
Março 27th, 2009 at 3:43 am
Conheci o Rio quando tinha 15 anos e fiquei um mês morando em Copacabana 1976. Meu pai havia juntado um dinheiro e alugado um AP na N.S. de Copacabana para que minha mãe pudesse fazer um tratamento dentário. Minha mãe havia se recusado a fazê-lo em Salvador pq achava que no Rio os profissionais eram mais avançados. Era comum aqui se achar que os médicos e dentistas eram mais competentes no Rio. Nao me lembro de falarem em São Paulo. Acho que Salvador temia Sampa. Lembro de ter me achado extremamente coquete por passar um mês inteiro no Rio e de ter ficado maravilhada com a beleza dos lugares que tanto conhecíamos das revistas e da TV. A única coisa que me irritava era o fato de meu pai só querer ir à praia de São Conrado porque era a que mais parecia com Piatã (risos). Caetano tinha razão quando em um dos seus shows disse que a Bahia não perdoava o Rio por ter perdido a coroa de Capital Federal. E nutria pelo Rio um caso de amor e despeito. Da segunda vez que fui ao Rio foi também a primeira vez que conheci Sampa. Fui num desses Encontros universitários de Psicologia. 1982. Detestei o Rio. Fomos (os baianos da excursão) maltratadíssimos por alguns cariocas a ponto de deixar uma má impressão terrível. Nunca esqueci uma noite num bar em que fui com três amigos cariocas e que ficamos conversando sobre Salvador - pq eles tinham morado lá e queriam relembrar coisas e casos - e as mesas muito juntinhas, acho que ouviram a conversa e quando fui ao banheiro um grupo me acompanhou e ficaram gritando na minha cara: acarajé, vatapá, axé não sei o quê, com uma raivosidade que o meu conceito de hospitalidade baiana não conseguia compreender. Até hj tenho cisma de carioca embora não seja generalista. No outro dia comprei passagem de ônibus para ir à Sampa, rever amigos feitos no carnaval e nas férias em Salvador. Esse é um capítulo à parte - paulistas de férias, tão metamorfoseados que é difícil a compreensão de sua verdadeira face quando se os encontram em seu habitat natural. Fui com medo. Todos me diziam horrores que passaria ao chegar na rodoviária mas tirei de letra o “formigueiro” pois já atravessara a Praça Castro Alves muitas vezes àquela altura. Ria por dentro com a vontade que tinha de gritar “Olhe o gêlo” para abrir caminho e não o fazia pq sabia que não surtiria nenhum efeito. Sampa chocou o meu provincianismo. Um murro no estômago! Mas aos poucos fui convivendo com aquela cidade onde ninguém olha pro céu por mais azul que ele esteja porque a temperatura sugere sempre que o dia tá nublado; com a falta de referência que os paulistano tem, mesmo se moram em uma praça com quatro vacas imensas no centro ou embaixo de uma placa gigantesca do Bamerindus ou da Fegerson (aqui se usa até uma plaquinha de coca como referência); dos taxis abrindo os mapas da cidade para nos levar a lugares que achávamos que qualquer um saberia onde é^; com o silêncio dentro dos ônibus na volta do trabalho; com os amigos que não podem sair para um reencontro rápido e feliz hoje porque se programaram para ler um livro e querem marcar para amanhã;com a fisionomia triste dos pobres na rodoviária (que tanto me fizeram entender a estranha alegria dos pobres da Bahia); com a elegância das mulheres de meia calça e sapato fechado nos ônibus e metrôs indo para o trabalho. Mas os milhares de trabalhadores nordestinos de São Paulo me fizeram adorar a cidade tão avessa ao meu sonho feliz de cidade. Sempre que vou a Sao Paulo - de onde até hoje nós baianos ainda temos que esperar vir a mais ínfima rebinboca da parafuseta - busco absorver o máximo possível de seu cosmopolitismo e de sua fauna humana sensacional.Lembro das festas que fui na USP e dos paulistas - com seu humor tão bobo (pueril)e encantador me perguntando se eu usava roupa de “baiana” em Salvador, ou querendo que eu explicasse essa ou aquela música de Caetano e suas interpretações fantasiosas de algumas intenções do mesmo. Adoráveis. Desculpem o longo post, mas Caetano faz aflorar sínteses que como todos sabem em nós baianos, são sempre prolixas.
Sampa é genial.
Obrigada Caetano, tenho um orgulho imenso de pertencer ao seu tempo e ter subido as mesmas ladeiras e becos que vc!
Março 27th, 2009 at 4:29 am
Boa Grillo
A diferença na ausência do artigo na primeira pessoa do plural no último verso de Sampa é fundamental!
Março 27th, 2009 at 4:40 am
Maria João Brasil: Luis Caldas acaba de fazer um CD todo de rock. Pronto. Acabou o problema.
Maria: quando eu era novo, os pernambucanos diziam “ricife”. Era igual a “cibola”. Hoje, que muitos dispensaram o artigo, ouço mais “rê”. Baiano diz “ré-cife”. Quanto a vogais abertas ou fechadas em música cantada, isso não vale. Todo o mundo cresceu ouvindo canções em pronúncia vocálica carioca (os erres eram tipo italiano). E “moçada” é sempre “mô”, pelo menos na Bahia. Vem de “moço/moça” e a gente não esquece. Já “pessoal” na Bahia é sempre “péssoal”. A não ser que se esteja cantando (aí varia: ou se faz como cantores do Rio ou se faz como a Simone - eu já fiz os dois; o gozado é que João Gilberto elegeu a pronúncia das vogais breves cariocas, exceto NUM disco: o branco, gravado em Nova Iorque, no estúdio de Wendy Carlos, que era Walter Carlos mas fez operação e virou mulher: ele/ela é músico erudito e fez a trilha de Laranja Mecânica, de Stanley Kubrik; ese disco branco de João é o meu preferido da discografia dele, se tirarmos os 3 primeiros, com arranjos de Tom).
Lucio Junior: boa lembrança o debate na FAU/USP em 68. Eu não tinha relacionado minhas ironias agressivas à USP a esse episódio. Você é um psicanalista. Vou pensar.
A capa do Zii e Zie tem foto (lomografia: é a câmera “russa” mesmo, tipo “Lomo”) de Pedro Sá, projeto gráfico meu (escolhi a foto, os tipos e onde iriam as palavras) e realização gráfica de Pedro Einloft.
Neyde L: pensei que já tivesse respondido a algum comentário seu. Talvez tenha feito isso e depois não postei. Mas lembro de ler você sobre a Barra e o carnaval. Nunca deixaria de falar com você por você ser mulher: minha misoginia não vai tão longe.
Março 27th, 2009 at 4:58 am
Achei a capa do Zii & Zie louca como o Caetano. Eu já disse que acho o Caetano louco e engraçado. Por isso sou fã do cara; por Coração Vagabundo, Alegria Alegria, Tropicália, Irene, A Tua Presença, Maria Bethânia, London London, Os Argonautas, Jóia, Da Maior Importância, Nara Fifty Kobo, Suggar Cane Fields Forever, NIne out of Ten, Sim Foi Você, Canto do Povo de um Lugar, Um Índio, Os Mais Doces Bárbaros, Gênesis,Muitos Carnavais, Sampa, Cá Já, Lua de S. Jorge, Oração ao Tempo, a interpretação de Vampiro(Mautner), Vaca Profana, Uns, Meu Bem Meu Mal, Ai São João Xangô Menino, a interpretação de Eu Sei que Vou te Amar (Jobim/Vinícius), Peter Gast, Nu Com Minha Música, O Quereres, Língua, Pulsar, José, Vamos Comer, Eu Sou Neguinha, Estrangeiro, Circuladô de Fulô, a interpretação mágica de Jokerman (Dylan), Livro, Noites do Norte, os discos ao vivo com Morelenbauer, Odeio, Musa Híbrida, a interpretação de Soy Loco Por Ti América, Foreing Sound, entre tantos e tantas….e agora o tão esperado Zii & Zie. Estou ansioso para correr à loja e comprá-lo. Estou louco para ver o show. O show Cê eu não vi, estava na Itália quando ele correu o Brasil.
Caetano é doido, engraçado, emocionante, iluminado, é poeta, é pintor, é músico ( embora ele mesmo duvide disso), é performático, é baiano, brasileiro, cosmopolita, e a capa de Zii & Zie me parece tudo isso.
Essa capa um tanto sombria, lúgubre, me lembra da primeira vez que estive no Rio. Eu era moleque de tudo, tinha un nove anos. Meu cachorro tinha morrido de velhice nesse dia e estava chovendo. Eu e meu padrinho Geraldo Henrique ( que era do Exército e já faleceu) e minha madrinha Dona Terezinha entramos no ônibus ( de excurssão) em Taubaté por volta da meia noite e eu estava triste pelo cachorro, mas ansioso para ver o Rio pela primeira vez.
A chuva e a tristeza me acompanharam a noite toda e eu não dormi. Pouco antes da aurora cinza e soturna nós chegamos ao Rio. Eu vi a baía de Guanabara tremeluzindo como uma gelatina negra avermelhada, acho que estávamos na ponte Rio-Niterói. E a tão famosa e maravilhosa cidade do Rio de Janeiro se apresentou assim pra mim, como a capa do Zii & Zie, com a diferença de que havia a luz dos prédios e edifícios no contorno da orla, mas estava tudo ainda meio escuro, meio avermelhado, então o dia chegou, sob uma chuva fina, mais comum em Sampa, e eu estava conhecendo o Rio, de ônibus.Foi lindo e triste. Eu esperava o Rio cheio de sol e lindas mulheres na praia, mas chovia. Então fomos ao centro e ao Maracanã, depois zona sul com Copacabana e Pão de Açucar e não sei mais onde, mas num lugar que comprei uma camiseta estampada com uma pintura do Corcovado e do Pão de Açucar e da baía de Guanabara e uma frase que dizia: “O Rio de Janeiro continua lindo”. Só mais tarde eu viria saber que era um verso do Gil.
No fim da tarde voltamos para Taubaté e eu estava menos, bem menos triste pelo cachorro e, embora tivesse sido um dia chuvoso, eu me achava importante por ter, enfim, conhecido um pouco do Rio, por ter colocado os pés lá e ter ouvido as pessoas falando naturalmente com sotaque carioca. Porque em Taubaté, que fica a 120 Km de Sampa e 270 do Rio, as pessoas brincavam (ou zombavam) com o sotaque carioca. Mas, eu só fui ouvir esse sotaque, de verdade, quando fui lá e achei ele muito importante, mais importante que os nossos “erres retroflexos”. Dia de sol no Rio eu só fui pegar anos mais tarde, quando eu já tinha superado, claro, a morte do meu cachorro.
Março 27th, 2009 at 5:22 am
Caetano
Outro dia tava ouvindo Martinália cantando ( Pé do meu samba ) e achei tão carioca e tão bonito, mas instataneamente lembrei de Isaurinha Garcia cantando ( mensagem ) que é tão paulista e cantada de forma divina.
Será que você poderia comentar essa proximidade entre as duas canções?
Você tava pensando em Isaurinha Garcia quando fez ( Pé do meu samba) ?
Abraço Jean
Março 27th, 2009 at 8:14 am
Certa vez voltei à Bahia depois de decidir não ficar em São Paulo, foi quando ouvi “Sampa” pela primeira vez, e foi motivado pela canção que voltei lá e permaneci por 7 anos, me sentia de fato um novo baiano passeando na garoa,só não entendo até hoje a deselegãncia discreta das meninas mas é tudo tão claro nos outros versos e foi possivel “senti-los na pele”.é bonito demais esse lance de compositores imortalizarem lugares. gosto de caymmi ter composto “tarde em copacabana” e “peguei um ita no norte” e vinicius e toquinhao “tarde em itapuã” e ary barroso ter exaltado a bahia tão lindamente. e vc ter composto linha do equador sobre o céu de brasilia e o traço do arquiteto e tambem em “nu com a minha musica” quando diz que o estado de são paulo é tão bonito, enfim tantos exemplos temos. é genial tambem você falar de itapua e suas casas feias. fui ao rio pela primeira vez em viagem relampago e fiquei apaixonado, gosto de “meu rio” quando vc diz “eu menino já entendia isso”. e “o nome da cidade” é belissima. obrigado.
Março 27th, 2009 at 11:12 am
“Como já havia falado, vivemos tão ansiosos por uma discusão do Brasil, essa discussão para a qual não existe palco, nem arena. Lemos superficialidades e absurdos nos jornais, não temos voz. Os “pensadores” do país se preocupam com esse ou aquele setor, não há sutilezas. Aqui tive acesso à conjecturas suas a respeito de questões fundamentais para a modernização e (poetização) do Brasil. Seus últimos posts são maravilhosamente desmistificadores. Nas vezes que comentei aqui, falei sempre que o seu texto sobre o Brasil é profundamente amoroso, pois é essa característica, junto à sua compreensão brilhantemente descentralizada do pais, que me cativa, e é isso que eu acredito que fará diferença para o nosso pais e para a nossa cultura.”
Também penso assim.
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Margareth,
tenho vontade de um dia fazer um piquenique numa daquelas ilhas da Presidente Vargas…
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Ficou zii e zie ou Zie e Zie?
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Pessoal,
para acabar a barrinha tem que chegar a 100%; será que saltará de 80 para o fim? Creio que não. Quero acreditar que não.
Até 90 chegarás, mas de 100 não passarás.
bjs.
Março 27th, 2009 at 12:00 pm
Glauber,
Há muita controvérsia acerca de Che. Personagem histórico e ao mesmo tempo mítico. Tenho enorme fascínio pela figura que se criou em mim do Che revolucionário, que deu a vida por uma causa. Ao mesmo tempo, fico dividido pelos relatos que o pintam como um “assassino cruel”. Em meio a guerra de informação, quem é o Che? Me parece óbvio que a jornalista do vídeo que você nos enviou alinha-se ao lado dos que acreditam que ele foi apenas um assassino. Outros diriam que em tempos de guerra execuções se faziam necessárias. Do lado oposto, isso é certo, há muita violência também né? Vide tudo o que ocorreu na América Latina durante os anos 60 do século passado - o 11 de setembro chileno é emblemático.
Por isso tudo, tô doido para ver o filme com o Benício del Toro.
E meio que tentando responder à impertinente e bonita jornalista, cito um educador marxista que eu gosto muito, Peter McLaren:
“Nós, do Norte, existimos em um estado de esquecimento, de autoproteção em relação às condições nos países ’subdesenvolvidos’ do Sul. Nós vivemos em um estado de ‘amnésia social’ sobre como o imperialismo norte-americano roubou as vidas de cidadãos do Sul através da CIA roubando em suas eleições, pelos militares norte-americanos treinando esquadrões da morte no Sul, pelos programas de ajustes estruturais pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) e pelo Banco Mundial, pelas políticas comerciais protecionistas dos Estados Unidos, pelo poder militar-corporativo explorando os recursos naturais e a força de trabalho dos pobres.
A globalização do capitalismo através das políticas econômicas neoliberais localizou/colocou o volume da nossa classe operária em países de Terceiro Mundo, nos quais a exploração violenta/descabida ocorre longe dos norte-americanos.”
É por isso que eu estranho quando veículos de comunicação tão suspeitos como a Veja se dedicam a “revelar” a “face oculta” por trás do mito de Che. Ou quanto esta mesma revista tenta ridicularizar Chaves e Evo Morales. Por que a veja não fala que Chaves reduziu a pobreza na Venezuela, reduzindo os números da pobreza da população que eram, antes de seu governo, de 50,5%, e que agora é de 31,5%?
Por que não se divulga que, em 1999, 20,1% dos venezuelanos viviam na extrema pobreza, mas que em 2007, o índice havia caído para 9,5%?
Fonte:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2009/01/090130_venezuela_social_cj_cq.shtml
Luedy, “revolucionário”
Março 27th, 2009 at 12:13 pm
pois é, emerson, eu também já vi cenas assim.
mas ainda tenho fé que esse playboy escute e se deixe tocar também por versos como estes:
“Dois de novembro, era finados/ e eu parei em frente ao São Luis do outro lado/ e durante meia hora, olhei um por um/ e o que todas as senhoras tinham em comum/ a roupa humilde, a pele escura/ o rosto abatido pela vida dura/ colocando flores sobre a sepultura/ podia ser a minha mãe, que loucura/
Cada lugar uma lei, eu tô ligado/ no extremo Sul da Zona Sul tá tudo errado/ aqui vale muito pouco a sua vida/ nossa lei é falha, violenta e suicida/ Se diz que me diz/ que não se revela/ parágrafo primeiro na lei da favela/
Legal/ o assustador é quando se descobre/ que tudo deu em nada e que só morre o pobre/ A gente vive se matando irmão, por que?/ não me olhe assim eu sou igual a você/ descanse o seu gatilho, descanse o seu gatilho/ entre no trem da malandragem/ meu rap é o trilho”
luedy
Março 27th, 2009 at 12:29 pm
As máquinas Lomo com seu olhar de peixe viraram uma mania no meio da proliferação de tantas fotos digitais de altíssima definição.
Essa já é uma característica bem sintônonica com as características analógicas e de produção zii e zie.
A Lomo é como a Telecaster em ampli valvulado.
Mas não consegui vera capa direitinho. O arquivo lá da Saraiva tá em baixíssima resolução e deixa uma vontade de enxergar melhor.
Mas dá pra ver que ali há “Menina da Ria” e “Sem Cais” na atmosfera visual. Talvez não proposital.
Quase comprei o CD por 39 pratas e me lembrei do Gil. Será que tendo o iTunes brazuca teríamos melhor preço? 0,99 cents por canção. Em torno de 30 reais + frete. Iríamos chegar a um preço semelhante, claro que numa loja bem mais bacana.
Não comprei, é claro. Quero ir à loja de verdade.
E o lançamento? Temos news?
Março 27th, 2009 at 12:40 pm
UAH-BAP-LU-BAP-LAH-BÉIN-MorelenBUM!
parabéns a caetano e os dois pedros pela capa. excelente daqui, imagine de perto…teteco acertou, a palavra é “lúgubre”. e lúgubre é bom!
e o show de lançamento? quandé e adónde?
“Wendy Carlos, que era Walter Carlos”
sensacional!
Março 27th, 2009 at 1:17 pm
HERMAN ESSE VALE
Pro Leal e Paratodos
No quarto LP do Chico com o criativo nome de CHICO BUARQUE DE HOLLANDA VOL. 4, gravado na Itália, há muitas canções auto-críticas em resposta à sua da adesão a letras nostálgicas. Sua paixão por Ismael e Noel o fazia se influenciar pela atmosfera poética do samba-antigo. Mas as canções já eram moderníssimas e maravilhosas. Em 68, parece que ele percebeu essa tensão estética na sua obra e se incomodou. Havia o Chico, d’A Banda de olhos verdes encapando os cadernos das garotas, estampado nas capas da revista Intervalo e havia o Chico começando a encantar a esquerda. Nem uma coisa, nem outra apontava o sentido do compositor apurado. Eram dois pesos que ele não suportava.
Esse quarto LP (meio esquecido) é o começo de uma virada. Na letra de “Agora Falando Sério” tem vários comentários sobre o tema:
“Agora falando sério
Eu queria não cantar
A cantiga bonita
Que se acredita
Que o mal espanta
Dou um chute no lirismo
Um pega no cachorro
E um tiro no sabiá
Dou um fora no violino
Faço a mala e corro
Pra não ver a banda passar”
Em Construção essa passagem já se consolida de vez. Que beleza Duprat estar presente nesse disco antológico!
E em Chico e Caetano a redenção da falsa oposição estética entre as duas obras, mal entendida pela genial interpretação de Caetano pra Carolina e pela forma enganosa com que a imprensa noticiou a presença de Gil e Caetano na noite em que Chico cantou Sabiá com Tom. Os jornais publicaram a foto de Caetano e Gil que com fúria defendiam a canção, como se eles estivessem a vaiando, como a maioria do público fez.
Um engano que perdurou anos durante o exílio de Gil e Caetano. E que criou uma falsa dialética na MPB.
Mas o melhor de Chico ainda estava por vir. De Almanaque à Carioca, passando por Vida, Paratodos e As Cidades, Chico compôs uma penca de canções extremamente sofisticadas, ousadas e de uma perenidade incrível.
Canções como Minhas Meninas, O Futebol, As Vitrines, A Ostra e o Vento, Paratodos, Futuros Amantes não cansam. E há infinitas novas descobertas a serem feitas nas frestas dos versos.
Chico é centroavante ciscador que joga recuado e chuta pro gol. É assim que ele joga, como seu ídolo Pagão. Com beleza e a serviço do golaço.
Chico Buarque, diferente de quase todo mundo, está e especializando em ser Chico Buarque. Uma tarefa dificílima de se fazer sem se repetir. Está conseguindo. Ele não é exatamente um músico que transita por levadas e estilos e gêneros.
Ele transita por ele mesmo. Não é pra qualquer um.
Mas aqueles 3 primeiros LPs (bem paulistas) que tem o belo menino de olhos azuis na capa são geniais. Tem Mais Samba, Realejo, Retrato em Branco e Preto, Com Açúcar com Afeto, Carolina, Juca, A Rita, Ano Novo, Januária, Pedro Pedreiro. Tudo obra prima.
beijo
salem
Março 27th, 2009 at 2:21 pm
luedy,
concordo contigo. também quero ver o desempenho de del toro. mas não esperemos muito.
…………
salem,
“agora falando sério”: cê disse tudo sobre o chico. maravilha!
………….
são paulo diz ao forasteiro o que ele quer ouvir. depois, o ignora. ele sofre, mas se acostuma. e aí lá vem ela contar-lhe segredos de liquidificador. sweet nothings…
…………
“Tom Jobim é apenas um marginal bem-sucedido”
jobim,
eu te amo.
Março 27th, 2009 at 2:24 pm
ALÔ HERMANO, ESSE É “O QUENTE”:
Marcos Lacerda,
Chico só pode ter psicografado “A televisão”. Ela só pode ser de Noel Rosa! Hehe! Mas sem sacanagem, quando ouvi, pensei: “Essa é a música que Noel faria se tivessa alcançado o advento da televisão”.
Há diferenças de muitos anos tanto entre “A televisão” e “Santa Clara”, como em “O velho” e “O homem velho”. Em ambos os casos a de Chico é mais antiga, e sugere um “pessimismo”, digamos assim; como as de Caetano sugerem um “otimismo”. Ora, é ótimo que Caetano tenha feito abordagens diferentes do mesmo tema, nas duas situações.
Tom Zé fala um pouco sobre isso na entrevista no Roda Viva em 92 (tá no Youtube em 10 partes). Uma característica tropicalista era o “peito aberto” para as novidades (do antigo “leia na minha camisa” ao atual “cordel da banda larga”). Já o primeiro disco de Chico fala na bandinha, bandinha já era uma coisa fora de moda na época, tanto que rolou até movimento em prol das bandinhas por causa desse “gancho”, segundo jornais. Os outros compositores eram mais saudosistas, talvez. Em letra e música - em que pesem as novidades musicais de Edu Lobo. Essa minha explicação tá sofrível, mas nessa entrevista que eu falei vc com certeza vai ter uma melhor! Hehe!
Então, Chico comenta sobre transformações na sociabilidade por conta do advento da televisão. Caetano talvez esteja comentando o porquê de ela ser tão fascinante. Sobre a velhice, parecem estar falando sobre casos diferentes.
Mas as quatro músicas são bem bonitas.
Caetano e Luedy
“(..) parece que há uma preocupação por parte dos próprios racionais acerca da maneira como suas músicas podem ser entendidas.”
Legal ler isso. Por outro motivo: um belo dia eu estava num bar, no fim-de-linha de São Lázaro, vem de lá um carrão da porra, em cuja direção (agressiva) estava um playboyzinho branco, e em cujo som rolava Racionais MCs à toda altura. Eu sempre pensava que, quando Mano Brown falava assim: “Mas se eu fosse aquele moleque de tôca / Que engatilha e enfia o cano dentro da sua boca / De quebrada sem roupa, você e sua mina / Um, dois, nem me viu: já sumi na neblina”, era com um desses playboys aí que ele estava falando.
Mas o negócio é que CD na prateleira é CD na prateleira. Seja de Sandy e Jr., de Nelson Gonçalves ou dos Racionais…
Março 27th, 2009 at 3:03 pm
Salem, adoro o Chico Buarque de Hollanda n° 04 (adoro todos, tenho tudo). “Ilmo Sr. Ciro Monteiro”, “Cara a cara” e “Samba e amor” pra mim estão entre as TOPs. Engraçado, já vi o próprio Chico confessar que não gostava muito desse disco. Acho que remete a uma situação não muito agradável da sua vida.
“A televisão”, do disco com título igualmente criativo “Chico Buarque de Hollanda vol. 2″: Eu a acho muito, mas MUITO Noel. Tanto na letra, pelo estilo de abordar o tema, quanto musicalmente. Aliás, a música me lembra “João Ninguém”, de Noel.
Me ative a esse momento só pra dialogar com Marcos Lacerda; era dessa época que ele estava falando. Acho que “O velho” é do disco “Chico Buarque de Hollanda Vol. 3″ (pra variar).
Em tempo: A melhor canção do mundo de todos os tempos, pra mim, por uma série de razões, é “Vai passar”.
Ah! Tive uma descoberta muito boa ontem: a sua “Sônia” - música + clipe. Lindo demais, demais. Sempre fui acostumado a asistir videoclipes, mas sempre consegui separar a música das imagens. “Sônia”, não. Achei tudo tão “colado” que parece uma obra de arte só, canção + vídeo. Parabéns! Show de bola!
Março 27th, 2009 at 3:37 pm
imagens:
Rio:
Do garota de ipanema a visão de ipanema
São Paulo:
Atravessando a cidade de onibus
ouvindo a canção como uma onda de Lulu Santos
Março 27th, 2009 at 3:47 pm
Caetano: lendo seu post achei que vc gostaria de assistir a um documentário chamado “O Brasil, os índios e, finalmente, a USP” de Marcello G. Tassara (não por acaso, meu pai, e, até a aposentadoria compulsória aos 70 anos, professor da Escola de Comunicações e Artes da USP). Trata-se de um longa-metragem (corajosamente realizado em 16 mm, entre 1984 e 1986, na ocasião do cinquentenário da USP) que, na verdade fala de São Paulo e tenta compreender porque a USP nasceu aqui e porque é como é, com todas essas contradições que vc nota e anota. Entre vários outros entrevistados está Lévi-Strauss (talvez o único ainda vivo), suspirando de saudades do tempo em que viveu nesse nosso Brasil encantado, multicultural e antropofágico. Porém, nós sabemos que o pouco que o jovem e inquieto aspirante a professor conseguiu vislumbrar naquele momento foi suficiente para a criação do estruturalismo e provocar uma revolução nas ciências humanas. Se e quando quiser assistir, é só pedir que a gente dá um jeito! um beijo, Helena
Março 27th, 2009 at 4:22 pm
Putz Guido!
Kid Morengueira era o Rei do Gatilho mesmo! Mas Moreira, assim como Mojica e Jece Valadão são desses artistas se confundem com o personagem.
Mojica separa as coisas, mas as pessoas ainda acham que ele é o Zé do Caixão. Jece encarnou o cafajeste e no final da vida ficou confuso. Moreira era falastrão. O malandro que ele encarnava era persona cênica. Dizem que era careta, não bebia, odiava maconheiros e cheiradores. Uma espécie de reacionário bem típico do Brasil, que ao seu jeito, como Nelson Rodrigues, provocava os malucos.
Certamente que Caetano incomodava Moreira, como incomodava Paulo Francis, cada um ao seu estilo.
O tempo tem feito Caetano mais tolerante. Com menos arroubos. Fico curioso imaginando como ele reagiu na época à essa fala do Moreira.
A última vez que vi Caetano bem bravão foi no Jô, quando peitou o jornalista do NY Times de forma empolgante.
E essa é especial pro Glauber:
http://www.youtube.com/watch?v=IA3TPJ-jTDM
beijo na testa
Salem
Março 27th, 2009 at 4:29 pm
Oi Leal
Gozado, quando você disse que “A televisão” te lembra Noel, pensei em “Cinema Falado”. As duas falam de um advento tecnológico e do seu aspecto transformador.
Que bom que você gosto de “Sônia” . É a preferida do Arnaldo no meu disco novo. Fiz pra minha irmã. E as imagens são retalhos de um Super-8 com quase 40 anos de idade, que ela achou na casa dela. É ela. Só ela. E eu editei com a canção sem pensar muito. Que bom mesmo que você gostou.
beijo na testa
salem
Março 27th, 2009 at 4:45 pm
sem palavras pra sua capa.
vcs, se pondo minimalistas, estão se especializando em dizer muito…
meu consciente acha belo, o inconsciente lacrimeja
Tiê se fez sensacional em sampa.
Março 27th, 2009 at 4:51 pm
Entrei rapidamente no google (apenas cinco minutos)para encontrar o lance do Moringueira e encontrei estas citações:
“Essa sociedade não surgiu imposta por nenhuma verdade, por um líder. Não houve liderança no mundo inteiro, como se fosse uma tomada de consciência de uma nova tática, de novos meio S “, Raul Seixas tentando explicar qual é o fim específico da sociedade alternativa, entidade criada em parceria com o amigo Paulo Coelho.
“Eu pensava que o racismo lá nos Estados Unidos partisse dos brancos. Ao contrário: os negros são muito mais racistas, muito mais agressivos, e, sei lá… muito mais revoltados! Eu fiquei surpreso e até decepcionado, sabe? Vi muita imundície, muita pobreza (…)”, Agnaldo Timóteo falando sobre sua viagem a Nova York.
“É uma porcaria, é um chato. Está endeusado. Endeusaram o cara dessa maneira. Ele não é de coisa alguma. Para falar a verdade, na Bahia tem gente melhor que ele”, Moreira da Silva esculacha Caetano Veloso.
“O meio artístico não foi feito para gente ficar toda a vida. Foi feito para gente ver e fazer o que pode, depois vem outro. É uma renovação constante”, Martinho da Vila, ao saber que a cantora Elis Regina havia dito que ele estava com os dias contados.
“Em 1966 eu resolvi voltar porque eu estava sem estudar, sem fazer nada, não tinha dinheiro, andava a pé porque não tinha dinheiro para o táxi. Pedia dinheiro a meu pai só para ir ao cinema. Eu ia ao cinema todo dia. Via, às vezes, dois, três filmes por dia”, Caetano Veloso explicando porque foi embora para o Rio de Janeiro.
“Quando me convidam para trabalhar numa festa, a primeira coisa que eu digo é: vão cobrar ingresso para me ver? Se dizem vamos, eu nem vou. Eu não gosto. Eu gosto de cantar para o povo livre”, Luiz Gozanga.
“Tom Jobim é apenas um marginal bem-sucedido”, Tom Jobim se auto-definido.
“Meu camarada, eu realmente tive muitas namoradas na minha vida. Umas me fizeram bem, outras me fizeram mal. As que me fizeram mal foram as que mais dinheiro me deram, porque a s que me fizeram bem eu esqueci”, Lupicínio Rodrigues , explicando o seu sucesso com as mulheres.
“Meu filho, como gente é bacana demais, entende? Como artista, para mim não é. Fim de papo. Não gosto desse gênero de música, para mim não diz nada”, Waldick Soriano dando sua opinião sobre Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Gal Costa.
“Reconheci, conscientemente, que a peça era fraca, que como texto não era nada, e que só o trabalho dele daria uma dimensão maior”, Chico Buarque, explicando como a participação de Zé Celso deu dignidade à peça Roda viva.
http://divirta-se.correioweb.com.br/materias.htm?materia=6134&secao=Em%20casa&data=20090206
Tem este outro que encontrei:
http://www.tribunatp.com.br/modules/news/article.php?storyid=2157
Esta do Tom Jobim é ótima, a mais nova versão do motivo de SABIÁ, rsrs
Desta “elite”, há a entrevista feita com Tom Jobim, onde ele confessa que “pior do que ser concorrente de um festival era participar como jurado.” Só por isso ele inscreveu a nada popular Sabiá (parceria com Chico Buarque) no 3º FIC (Festival Internacional da Canção), em 1968, do qual saiu campeão sob uma chuva de vaias. Os climas das entrevistas são escancarados em cada parágrafo de bate-papo. “Fomos pioneiros em legendar o ambiente das entrevistas”, lembra Tárik. A entrevista com Chico Buarque, por exemplo, foi feita no bar Comidinhas e Bebidinhas, na Lagoa. O papo durou três horas e foi regado por muito chope, caipirinha e Fernet Branca, a bebida favorita de Chico
Outro que coloca ação, mas em uma discussão acalorada com Jaguar com relação aos hippies é Waldick Soriano: “Hippie é vagabundo, é marginal, é maconheiro, é safado. Sou contra essa baderna.” “Você tá de porre? Onde já se viu falar uma besteira dessa”, retrucou Jaguar. Era clara uma separação entre a música feita pela “elite” e pelo “povão.
Minha pesquisinha está fraquinha mas é um bom começo, não conhecia este livro “o som do pasquim”…
Março 27th, 2009 at 4:54 pm
Notícias do Front… =)
o iTunes planeja aumentar de 99 cents para 1.29 dólar, a partir de 7 de abril, as músicas que são os hits de cada álbum.
shiii… cheirinho de queimado…
Março 27th, 2009 at 5:03 pm
Exequiela
a que vc se refere em
Gil, el punto medio es Europa?
No início dos anos 90 um musical se apresentava com esse nome, Maldita Cocaína e em Buenos Aires diversos posters nas ruas divulgavam o título. Ao mesmo tempo explodia o caso Maradona e na vida social circulava a droga com tanta naturalidade e qualidade que me espantava aquilo tudo. Havia uma sincronicidade entorpecida, alguma coisa ali me intuía um desastre, que foi o que desafortunadamente se processou a seguir de uma maneira brutal na vida Argentina. É uma leitura pessoal dos acontecimentos e um tanto heterodoxa, própria de quem crê no ambiente cultural como meio propulsor, uma visão das subjetividades.
E quando não dá mais para olhar o visível, quando a razão já não explica mais, escapamos para o invisível, cada um de um jeito.
Minha empregada que mora na Rocinha hoje me perguntou: seu Gil, como é que entra tanta arma na favela? De onde vem isso?…não sei Margarida…não sei
Março 27th, 2009 at 5:19 pm
Tendo a música no ITUNES, o mundo inteiro estaria apto a comprar a música. A circulação da música brasileira, interna e externamente, para existir, precisa da plataforma digital de comércio. Permanecer desinformado disso aprofunda o atraso. É um escândalo que não se esteja discutindo isso nas esquinas do Brasil.
A plataforma que só a música anglo americana dispõe é que nem a dívida americana…também quero.
Março 27th, 2009 at 5:33 pm
Varias veces nombraron Pé do meu Samba. Adorooooooooo esa canción y la intencinoalidad que pone leAozinhhho para cantarla.
Gil, a qué te referís con Maldita Cocaína? No estoy en contra de que la gente rece (estoy en contra del lavado de cerebro). Confieso que un poco envidio a los que creen en Dios. Yo trato, lo intento pero no puedooooo. Igualmente, tengo una especie de plegaria personal…. mutable.
leAozinho… a dónde llega tu misoginia? TPM?????
Ayer murió Tito Alberti, creador del “Elefante Trompita” canción infantil que han cantado y siguen cantando TODOS los niñitos de mi país (en Uruguay también Lucre y Vero, no?)… Es (fue), además, el padre del baterista de Soda Stereo y un reconocido baterista de Jazz.
Qué argentino/a no canto alguna vez así?
http://www.youtube.com/watch?v=Hz5KJ4UfKtY&feature=related
Yo tengo un elefante que se llama trompita
que mueve las orejas, llamando a su mamita
y la mamá le dice: - portate bien trompita, sino te voy a hacer “chas chas” en la colita-.
Março 27th, 2009 at 6:10 pm
“Em toda sua carreira, Caetano sempre apresentou formas de fazer canção e discutir temas que muito se diferenciam das formas de fazer canção de Chico Buarque, mas que num nível mais denso e numa amálise bem mais profunda, podem ser complementares”
Olha o que eu disse no comentário sobre as canções de Chico e Caetano, quer dizer, estou mostrando que numa dimensão mais profunda de análise as duas dimensões podem ser complementares, nunca quis insistir na polarização Caetano e Chico, ou melhor, só a quis ressaltar pelo que há de brilhante e significativa nela para se pensar algumas questões cruciais sobre canção popular e cultura brasileira. Adoro os dois. E acho um luxo a existência ativa deles. Adoro também Wisnik que é o maior compositor de música popular Brasileira hoje e que entendeu muito bem Chico e Caetano.
Março 27th, 2009 at 7:58 pm
BOBAGENS DE SEXTA FEIRA
Estou dando umas repassadas nos comentários e há o comentário do Rogério Grilo (120) da canção Sampa da diferença entre “os novos baianos e novos baianos”.
Mas há uma diferença ainda mais gritante e bem pouco perceptível que é o excerto
E À MENTE APAVORA O QUE AINDA NÃO É MESMO VELHO
Tenho visto inúmeras vezes grafias sem o sinal indicador de crase o que dá um sentido totalmente diferente, isto é, ao invés da mente ser apavorada ela é que apavora
TÁ LEGAL, TEM GENTE AÍ QUE TÁ PENSANDO QUE EU DESCOBRI A AMÉRICA, MAS NÃO FUI EU NÃO!
DESCOBERTA DA AMÉRICA II:
Estou adorando a retrospectiva buarqueana feita pelo Salén e outros:
Mais uma: VOCÊS SABIAM QUE A “JANE” QUE CANTA COM AÇÚCAR COM AFETO É A JANE DO HERONDI? rsrsrsrs
Março 27th, 2009 at 8:33 pm
Helena Tassara,
Fui aluna da EDA que deve ser sua mãe (?) e em posts passados recomendei a Caetano esse documentário que assisti na sala de aula.
Sua mãe (?) é o máximo!
Caetano peça a Helena porque vale a pena!
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Fernandos:
Rio: Fernando Eiras
São Paulo: Fernando Salém
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Salém eu confundo os dois TaTit, coisa de quem tem ouvido muito palavra cantada (e tb Zeca, nino, pedro, biba), entende, né?
Março 27th, 2009 at 8:38 pm
Que ótima coletânea, Guido. Rindo muito aqui!
Bem, Waldick Soriano aí todo animadão certamente seria um dos atingidos pela delicadeza poética de Nelson Golçalves: “Óculos escuros é coisa de viado”.
Já a elegantérrima resposta de Martinho da Vila me deixou com vergonha alheia de Elis Regina.
Todos eles maravilhosos, deixemos claro.
Glauber!, a frase de Tom Jobim sobre Tom Jobim me pegou pelo pé; eu aqui me perguntando quem teria falado um absurdo daqueles sobre Tom quando desço os comentários para descobrir que foi o próprio! Sensacional.
Março 27th, 2009 at 9:29 pm
Noel Rosa se vivo fosse, provavelmente escreveria um samba falando sôbre a Insociabilidade causada pelo advento da televisão nos botecos.
Nos bares da Vila infectados pela epidemia da tv que tomou conta dos nossos sagrados botecos, ele jamais escreveria “conversa de botequim “.
Que o tubinho luminoso substituiu as “cadeiras na calçada” é visivel nas barracas de sanduba e de cerveja que pululam nos calçadões do RJ.
Boteco sempre foi lugar de encontro com amigos pra jogar conversa fora.
É surrealista, orwelliano, a visão de pessoas na mesa de um bar, com o olhar congelado na tv…
Parece que na nossa civilização, a televisão assumiu o mesmo papel que os oráculos desempenhavam na sociedade ateniense.
Pra completar, existem bares no Rio com música ao vivo e tv ligada ao mesmo tempo.
To believe or not !
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O virus que supostamente tem impedido a gente de postar na OeP, bem que podia baixar no circuito barzístico, e tirar a máquina de fazer maluco do ar, hehe…
Castello
Março 27th, 2009 at 10:07 pm
Desde niña y creo que para muchos por acá fue igual, Brasil siempre fue sinónimo de Rio.
Recuerdo ver fotos en blanco y negro, de esas con los bordes blancos y dentados, de mis abuelos en Río y luego de mis padres que pasaron su luna de miel allí.
Ya Exequiela comentó en alguna oportunidad como por estos lados pasan las marchinhas de carnaval en casamientos y cumpleaños. Es un clásico de estas fiestas y cuando todo el mundo si o si sale a bailar, se hacen trencitos, se reparte el cotillón y todos felices. Creo que en los últimos años esto ha cambiado. Casualmente fui a dos casamientos en lo que va del año, me fijé especialmente en esto y no pasaron ninguna de las marchinhas típicas. Lo mismo ha ocurrido en los últimos años con las telenovelas brasileras.
Durante años, los martes y jueves en el horario central de un canal de televisión abierta pasaban una novela brasilera. Recuerdo ser una niña y no perderme un capítulo de “Dancing Days” que fue un super éxito y luego con “La reina de la chatarra” . No recuerdo haberme enganchado con alguna otra pero si de ver muchas veces las presentaciones durante todos estos años y prestar atención a las imágenes y a la música donde aparecían muchas veces grandes amigos.
Pues leí hace un tiempo que al parecer las ficciones que vienen de Argentina han desplazado a estas novelas que durante tantos años acompañaron a tantas familias. ¿Con las marchinhas pasará lo mismo?.
Durante mi niñez Brasil (Río) fue esas fotos, los cuentos de mis padres, las telenovelas, el fútbol y poco más. Una de las ciudades más bellas del mundo al decir de muchos pero super violenta, peligrosísima y carísima al decir de otros y como se “vende” generalmente esa ciudad al mundo. Nada de esto nos pareció a nosotros (lo de hermosa si por supuesto) pero no digo que no lo sea, es sólo una apreciación personal. Recuerdo escuchar los comentarios de la película “Pixote”.
Durante varios años San Pablo sólo fue para mi Tietê y sus “habitantes”: Santoanjo, Itapemirim, Penha, Sao Geraldo y ainda mais. Un lugar de paso, un lugar desde donde podíamos acceder al ”verdadero” Brasil.
No nos llamaba la atención visitarlo hasta que un día fuimos secuestrados por unos paulistas que nos obligaron a dejar Isla Grande y sus playas para acompañarlos a la “selva de cemento” lo que no pintaba muy auspicioso a priori. Gran error de apreciación. Resultaron ser de las mejores vacaciones de nuestras vidas . ¡Que gente increíble por favor!. Hemos conocido cantidad de brasileros en estos años pero sin dudar debo decir que estos paulistas fueron los más queridos por nosotros.
Llegamos a San Pablo una madrugada de un lunes, nos dieron alojamiento 3 chicos en su apartamento, uno nos dejó el cuarto de el, nos dormimos enseguida, nos despertamos, salimos del cuarto, recorrimos el apartamento y no apareció nadie, estábamos solos. En una vemos una mesa tendida con un típico desayuno brasilero y una carta donde nos decían: “Bom día, fiquen a vontade (o algo asi)……… pasamos por ustedes a xx hora, la casa es suya, etc. etc.”.
A partir de allí “conocimos” San Pablo durante 6 días inolvidables y que hicieron que hasta la fecha esta ciudad sea de las que mejor recuerdo tengo y más quiero. Volvimos un par de veces más pero nunca fue lo mismo. A veces pienso que si no fuera por esta gente mi visión de SP sería otra cosa. No se. Es tremenda ciudad, la llegada por ómnibus realmente impresiona porque uno está rato y rato viendo fábricas, camiones y más camiones. Y la vida cultural ni hablar. Esto que terminé de escribir va acompañado de “Baby” en versión de Os Mutantes en inglés aunque no tenga nada que ver. No se porque pero se me vino como un flash esta canción a la mente cuando terminé de escribir lo anterior.
Ah, los ómnibus en Brasil, toda una experiencia. Adoro ver a la gente cuando se lleva la almohada, las bolsas con comida y demás. Creo que fue yendo a Fortaleza que tomamos un ómnibus y en una el “motorista” se presenta, dice su nombre y pide un rezo colectivo antes de comenzar el viaje. Yo me dije, mamma mia, acá nos matamos, nos morimos, pero no pasó nada, llegamos sanos y salvos. Ahora me hace gracia pero si que me puse nerviosa.
También en Fortaleza, cuando llegamos a la rodoviaria no sabíamos a donde ir y una señora nos vio medio perdidos y nos dijo que ella iba a un hotel que si queríamos ir con ella que todo bien. Resultó ser una señora que venía a comprar ropa para vender en su ciudad. Cuando llegamos al hotel el dueño no nos quería recibir. Muy amablemente nos decía que había mejores lugares que ese pero nosotros insistimos. Resultó que ese hotel, una especie de casa con varios cuartos que daban a un patio central era un lugar donde paraban excursiones que venían del interior de Fortaleza a comprar ropa para revender. El lugar era insólito. Desayunábamos entre maniquies que adornaban el lugar y vestían unos conjuntos de ropa interior que por estos lados asustarían a muchos. Pero allí nadie les daba bola, todos hablaban y se mostraban las cosas que habían comprado mientras empaquetaban todo para cargar los ómnibus. Estuvo genial y la gente amabilísima.
En el año 95 tuvimos la oportunidad de viajar durante casi un año seguido por gran parte del mundo y conocimos cantidad de gente increíble. Hasta el día de hoy creo que la gran experiencia de mi vida sin dudas. Pero como nuestros amigos paulistas nunca apareció nadie más. Recuerdo que alguno odiaba el carnaval, a Río y decían que allí a la gente no le gustaba trabajar y cosas por el estilo.
Esa vez, a medida que pasaban los días yo comencé a sentirme un poco “ahogada” y quería huir de tantas atenciones. No se, quería hacer lo que yo quería y cuando yo quería y no estar dependiendo de tantas personas más. A veces me pasa esto, es como un ahogo, tener que estar todos los días con 5 o 6 personas, por más divinas que sean y salir todos juntos a todos lados me empieza a fastidiar. Decidimos irnos en el momento justo a pedido mío y la última imagen que tengo de ellos es la despedida en Tietê, ellos atrás de las rejas características de la rodoviaria, tirándonos besos muertos de risa y diciéndonos que nos veíamos en Montevideo el año próximo. Por supuesto nunca más los vi. Durante un par de años tuvimos contacto telefónico, les enviamos con un conocido una vez un par de botellas de whisky hasta que desaparecieron de nuestras vidas. Paulinho, Virginia, Ricardo, etc., etc. donde quieran que estén, un gran beso para ustedes por cierto. ¿Y si justo leen esta OEP y se acuerdan?. Ya conté que amaban a Caetano y no miento cuando digo que el cuarto que nos dieron estaba tapizado pero tapizado de Cds y de vinilos.
Con Rio fue distinto, siempre fue un sueño poder ir. Fue mi primer viaje de “grande” como digo, aunque solamente tenía 17 años. Pero eso de quedarme en un hotel, sola con mi novio, sin mis padres ya era una fiesta en si misma. Estaba en la luna y por supuesto me enamoré de la ciudad. También conocimos cariocas espectaculares pero la relación nunca fue tan cercana. Se daba en el momento pero luego cada uno para su casa y si te he visto no me acuerdo. Más bien la fuimos descubriendo con otros turistas como nosotros que íbamos conociendo y nos juntábamos un día para hacer algo juntos. Estuvimos en el Canecao viendo a Olodum con una pareja de argentinos, otra vez fuimos a Paqueta con dos chicos argentinos, caminar, caminar, etc, etc. Sinceramente como belleza natural es una ciudad que asombra. Tengo también muy presente el olor a pichi en algunas calles cuando hacía mucho calor . Me quedó impregnado y me parece estar oliéndolo en este momento que estoy escribiendo. ¿Tendré sinestesia “olfativa?.
En fin. Un año odié con toda mi alma Rio. Llovió desde que llegamos hasta que nos fuimos sin parar, todos pero toditos los días y no exagero. Nos pasamos yendo al cine. Juré que no volvía nunca más pero no lo cumplí.
Como se ve tengo una gran relación con Brasil y disfruté un montón los cuentos de Caetano. Recuerdo que para ir al primer hotel, el de Cinelandia nos bajábamos en una avenida desde donde veíamos una tienda Mesbla con un reloj , o el reloj era de otro lado, no me acuerdo, que unos años después desapareció.
Cambiando de tema, interesante la capa de Z e Z. No puede verla muy bien. En realidad lo único que vi fue una especie de nubes, de humo, de neblina o lo que sea lo que ya de por si, si fuera solo esto sería más que interesante el concepto. Lo vi en chiquito y no lo pude agrandar. No vi nada de letras ni lo que está escrito. Espero apreciarlo mejor cuando salga.
¿Asi que você vive en Leblon?. Que lindo!. Hace un tiempito le mandé a un amigo que vive en el extranjero una foto mía donde aparezco tomando agua, sentada en uno de los bancos de la playa de Leblon y la vista del morro. ¡Que recuerdos!. Le juro Caetano que la próxima vez que vaya voy a recorrer todo Leblon preguntando por usted. Empiezo a tocar todos los timbres de los apartamentos y pregunto: ¿acá vive Catano?. ¿Usted cree que lo encuentre?. Bueno, imposible no es, la probabilidad existe y la esperanza es lo último que se pierde por lo tanto no se asuste si me ve. Yo me presento, le digo hola soy lucre, encantada y lo dejo tranquilo ¿ta?. Atiéndame por favor, no sea malo. Esto va a compañado de la marchinha de carnaval imperdible en todo casamiento uruguayo, al menos hasta hace algunos años: Cidade maravilhosa, Cheia de encantos mil, Cidade maravilhosa, coração do meu Brasil. Un beso.
p.d: Tengo un comentario para hacer sobre Sampa muy gracioso. ¿Se enteró del asunto de los mapas cambiados?. Me maté de la risa cuando me enteré. Parezco “bruja”, justo lo que comenté por acá hace un tiempo. Al parecer en Sampa hay gente que está medio desorientada. Ay, los mapas,tan “inocentes” que parecen. Pero no, no, nada de inocentes por cierto. Aunque sabemos que los mapas no son los territorios ¿no?. Sabemos que se pueden agrandar o achicar según el interés del que mandó a elaborar el mapa. Sólo basta analizar la historia de la cartografía. Hasta acá todo bien, pero borrar a Ecuador ya es demasiado. Yo si fuera ecuatoriana les hago un juicio por “genocidio”. Pero es verdad que también me pregunto muchas veces ¿Y por que el norte no puede ser el sur? ¿Y porque el norte tiene que estar arriba y el “pobre” sur abajo?. ¿Y si damos vuelta el mapamundi y comenzamos a estar “arriba” nosotros?. ¿Nos iría mejor?. Da para pensar. Todo lo que puede decir un simple MAPA una “simple” representación de un territorio. ¿Y Sampa le dio 2 lugares a Paraguay, quizá para limpiar las culpas de Brasil por la guerra de la Triple Alianza?. ¿Habrá sido por eso?. En fin, un error lo tiene cualquiera. Otro beso.
Março 27th, 2009 at 11:27 pm
Hoje saiu no terramagazine “Diários nordestinos de Glauber” (http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3661266-EI6581,00-Diarios+nordestinos+de+Glauber.html ) escrito por Joca (João Carlos Teixeira Gomes).
Em 1956 Caetano parte rumo ao antigo sul do Brasil.
O Rio não era o sul, quando a Bahia era o Leste do Brasil?
Em 1958 Glauber parte para o nordeste e tomam rumos opostos. Joca mostra-nos coisas interessantes, inéditas, do filho do “seu” Adamastor. São visões de um Brasil ainda mergulhado naquele atraso que vivemos e sentimos… Nesse tempo eu estava mais voltado para o nordeste do Brasil, do que para o sul.
Quando fui ao RIO foi uma animação enorme. Viagem em família. Antes de sairmos, na velha RURAL, comprávamos comida para não termos que atrasar a viagem. Íamos cantarolando e admirando tudo, inclusive pequenos “belvederes” que eram construídos na antiga Salvador-Feira. Poucos postos de gasolina e um estradão pela frente. Por vezes era necessário parar o carro no acostamento para satisfação das necessidades fisiológicas. Evitávamos os sanitários horríveis dos postos de gasolina. A rodovia já estava asfaltada. Coisa do governo JK. Mas o Rio foi lindo demais. São Paulo me deixou de queixo caído, era uma selva de pedras, um mundão de concreto. Uma cidade verticalizada, como se quisesse chegar ao céu das nuvens. Neblinas nas estradas, tanto do Rio, quanto de São Paulo, não eram novidade. Piores neblinas pegamos na estrada de Santos. Quanta grana deveria correr pelo Estado de São Paulo. Santos era uma cidade vertical e nossa Feira de Santana era uma cidade horizontal de um entroncamento rodoviário e a maior cidade da Bahia. Ilhéus era mais bonita que Itabuna e Feira e melhor que Conquista e Jequié. Rio e São Paulo era o sonho do nordestino e, mercê de todo tipo de preconceito, o nordestino ainda acha São Paulo a terra da redenção e pra lá continua migrando em busca de um emprego. Conheço pessoas que foram pra lá e melhoraram de vida. Gente humilde… bem, e por falar em Humilde, esta é uma qualidade que Caetano e Joca têm em comum; outra coisa que ambos tem de igual é a “imodéstia” (à parte). Não percam a leitura do Diário publicado hoje. Não sou nenhum Italo Calvino, mas adoro todas as cidades. BELÔ tem um cheiro que se assemelha ao de Brasilia, Salvador e Rio cheiram parecidas. As cidades também tem um cheiro e meu olfato descobriu isso. Elas também tem uma alma que precisamos compreender. Possuem magias diferentes… Tenho outros “olhares” sobre as cidades que em nada entram em contradição com os “olhares” de todos vocês. Sou do antigo leste, que deveria continuar sendo e não explico a razão, pra não me tornar enfadonho. Sobre isto penso igual ao finado Jorge Calmon e Milton Santos.
Abraços
Betão Figueiredo
Março 27th, 2009 at 11:44 pm
Caetano:
Legal essa coisa do pronome oblíquo do caso reto anteceder o nome das cidades: “O RECIFE”, que chamo de Recife. Sigo a corrente de Oswald de Andrade. Aproveito o ensejo para lembrar que GERALDÃO, que conheci na juventude, no tempo em que HAIR (a peça) havia sido proibida no Rio, será homenageado. Geraldão, na época de Hair estava inconformado com os rumos da censura no país, mas haviam novas chances de exibição de Hair, ele acreditava, menos eu. mas é sempre melhor acreditar. Somos a esperança viva, dando testemunho de vida.
Era tão novinho e tão engajado no mundo cultural do Brasil e na derrubada da ditadura (nos bastidores?!)… era tão novinho e gordinho quando o ví pela primeira vez (estavamos em um “aparelho”?! Sei lá, era tempo em que a dita era mesmo dura e bote dura nisso, nada de brandura, como entende a Folha de São Paulo. Foi menos assassina que as outras do cone sul…). Um dia ele se foi sem dizer adeus… Mas permanece vivinho, em folha na minha memória, como “tão novinho”.
Março 28th, 2009 at 12:09 am
Geração
Não atentei bem para quem indagou ao Caetano sobre o que separa uma geração de outra, no tempo. Respondo que a diferença de uma geração a outra, dista 15 anos. Vamos tentar exemplificar: Caetano nasceu em agosto de 1942, então, ele, caso queira, poderia dizer que pertence à geração dos que nasceram de 1927 , passando por 1942, até chegarmos ao ano de 1957. Quem nasceu entre 1942 e 1957 pode dizer que é da mesma geração dele, mas não pode dizer que pertenceu a geração de 1927. Nós somos contemporâneos a Caetano, independentemente de geração, mas a geração de Caetano finda em 1957, em termos “exatos”. A influência, contudo, é muito mais elástica. Caetano incorpora dentro dele, valores que vêm do século 19, ainda que ele não queira. Tem influências do pós guerras e de inúmeros movimentos. A Semana de Arte Moderna o atingiu, embora ele não seja da mesma geração da turma de 1922. Raul é do tempo em que o sangue aparecia nas telas de cinema em “preto e branco”, do pós guerra de 45, ano em que nasceu. Caetano faz parte da geração Glauber, que é de 1939. Glauber poderia dizer que era da geração mais velha que ele 15 anos: 1924! Mas para ser da geação de Glauber deve ter nascido até o ano de 1954. Por isso tem gente que pode dizer que é da geração de Caetano, mas não é da geração de Glauber. Isso é algo relativo, mas a diferença está naquilo que vamos incorporar nos 15 anos antes de nascermos e nos 15 anos após o nascimento. Qual seria o critério, não saberia dizer no momento. Há quem queira que uma geração se distinga de outra em torno de apenas 10 anos. Mas 15 anos parece quase consensual. Algum antropologo poderia falar sobre o assunto. Sou da geração de Caetano e de Raul, mas não sou da geração de Glauber, de quem fui contemporâneo na vida.
PS.: Está dificil escrever para o blog, mas acredito que por problemas técnicos daqui e não do blog.
Caetano, você não acha que essa nova ortografia pode facilitar a vida de quem não sabe acentuar as palavras, mas que irá dificultar a pronúncia delas ? Estou confuso !
Março 28th, 2009 at 12:39 am
Hermano,
O último comment saiu confuso por ter escrito rápido demais. Dá pra retoca-lo antes de publicar? a palavra endereço saiu escrita errado. A pergunta eu endereço ao Salem e ao Gil. Depois saiu confusa a pergunta repetindo o “de” duas vezes seguidas. Então o que pergunto é: Quem compra música e letra comete algum tipo de crime, pois a situação me pareceu analoga a da compra de teses, sim, ou não e porquê?
Você pode retocar ?
Março 28th, 2009 at 12:57 am
Esqueci de comentar uma coisa muito importante. Vi, na TV Brasil esta semana, uma entrevista com MV Bill.
Eu já o conhecia como músico e agitador cultural, mas fiquei impressionado com a sua sabedoria, equilíbrio e clareza das coisas.
Caetano tem razão, vamos empurrar o MV Bill para a política;
MV Bill para senador já! Estou nessa!
Eduardo Adauto.
Março 28th, 2009 at 12:58 am
News de Paloma
Sumiu daqui, mas não sumiu do mapa, não. Tem aparecido com simpatia pelo meu blog. Enfrentou problemas de conexão por algum tempo. E quando tento voltar a publicar… gongo (ou bug). Ela não quer clima. Paloma é do bem total.
Herman. Ela tem batido à porta. Há algum problema com os comentários dela. Tô com saudades das meninas. Paloma deve entrar sem bater, né?
abraço
Salem
Março 28th, 2009 at 1:12 am
Frases interessantes:
“A verdade é que não leio gramática nenhuma desde a escola. ” Caetano Veloso (CV);
“Caetano é quente é demais…” uauauauauauauaua. Essa foi ótima, Gil !
“Salém, só para reforçar, eu te amo.” Vellame para Salem
“Vellame mon amour” Esse seu lado feminino não fere seu lado masculino, né? O muro é a fronteira do Caetano. Mas Salem sempre se supera! É o amooooor ! rs
“minhocas que me saltam enquanto passo horas deitada, fazendo nada aos olhos de quem só vê de fora e não acompanha o todo dos movimentos” - Erica e as minhocas salteantes no leito, onde “passa horas deitada” vendo do lado de fora o todo dos movimentos com os olhinhos fechados. No dia seguinte não recorda o que houve !
“não entendo muito bem quando falam isso, mas concordo. ” rafael Rodriguez é político? rs
” não se deixar atrair pelas forças que a querem fazer :chafurdar na sarjeta da periferia onde já vive.” CV pegou leve, né ?
“Eu também luto uma luta e tenho um objetivo claro” CV
“raramente deixo de colocar a cabeça pra fora d’água.” salem é ótimo! se colocar a cabeça pra fora muita gente poderá perder o sentido.
Tudo faz falta, o que é bom e o que não é também! Eliana Giacon prefere estar mal aconpanhada do que só!
”VAI SER DURRUBADO”, me causa arrepios” de Ronei George
“O prazer é todo meu”. Aline Miranda em o Orgasmo Egoísta
“quando li seu post me veio tudo à boca (ou às mãos)” Aline Miranda., no bom sentido, é claro! Mas ela é gulosa!
”
Que terrível essa sua mania de polemizar, onde não há polêmica. Só organizei meu pensamento, meu desejo. E acho que incluí nele muito do que você deseja (não chamaria seu desejo de “jeito”).O que eu almejo é difícil mesmo. Mas tem “jeito”. Do Salem pro Gil em “O Jeito dos Desejos”
“vc vai numa festa, conhece umas pessoas, uma ou outra passam a noite toda conversando e trocando empolgadamente, trocam contatos, e…passou, sem nem começar! nem dá tempo de ter alguma intimidade prévia que justifique um resquício de um afeto! rs rs ” Erica é d+
“cariocas são difíceis de amar. pq se esforçam tanto nas conquistas, e logo em seguida se distraem tão perdidamente que esquecem do que tavam querendo mesmo (é uma brincadeira).” É brincando que Erica vai dizendo verdades
“nem te conto o que acontece com as minhocas no exato momento que me saltam todas de uma vez…” esse filme é pornô, né, Erica? rs
“A Bahia possui uma das melhores vibrações de energia que já pude experimentar” Margareth Bravo
“era tão bonito ver os estádios chamuscados de bandeiras.” Que lirismo embandeirado do Teteco “dos anjos” rs
“A quadra que passamos é angustiante, e infelizmente não sou otimista para breve como gostaria. Mas não estamos sós e tudo pode surpreender…ou não…” de Gil pra Salem : é tão romântico !
“Bem, cadê Heloisa?” CV bem, ela fugiu depois que viu a naconda
“Caetano,
Pelas curvas sinuosas e pela sensualidade, me vem sempre a imagem de mulher.” Com toda licença poetica pra Margareth Bravo
“Erica, adorei mesmo seu papo sobre minhocas e tudo o mais. Beijos.” minhocas da solidariedade do teteco para Erica. Teteco tá chegando lá com a minhoca voadora dele. rs
“Maria João Brasil, sem esperanças de ser respondida.” de Maria Brasil para Caetano, em busca da correspondência
“teteco, me parece que a língua sempre guarda seus mistérios”… De Luedy, pensamento profundo pra quem sabe usar a língua ! Ele come duas vezes, com a língua!
“Puxa, essa conversa sobre futebol e time de botão me fez ir longe”… Ah, Pedrecal, até onde vc chegou com seus botões ninguém saberá dizer! e Longe Demais é um Lugar que Não Existe, ou não?
“Ele abriu a porta e diante da imagem mítica só conseguiu balbuciar: “Você é meu botão…”. Renato Pedrecal lembrando Paulinho da Viola;
“Os reflexos dos postes rasgando a lagoa sob contemplação do cristo. ” e “O cruzamento da Brasil com a rebouças e a árvore de natal no ibirapuera.” Quem te viu e quem te vê, né, Carol!!! Cê tá vendo muitas coisas interessantes.
“Eu nasci em Feira de Santana..
Cresci em Santa Catarina, e só depois, muito tempo depois conheci Salvador
Mas, nasci em Feira de Santana.” Mônica, você é uma poetisa!
“Conheci o Rio quando tinha 15 anos e fiquei um mês morando em Copacabana 1976. Meu pai havia juntado um dinheiro e alugado um AP na N.S. de Copacabana ” Confissões perigosas de Nanda. Nos tempos do SNI ela teria que explicar o significado “verdadeiro” de “AP”. rs. Até um Partido chamado de P.O.R.R.A. foi festejado pela repressão, quando um torturado, sem mais aguentar as sessões de tortura disse que o significado da porra que estava escrita em uma carta era Partido Operário Revolucionario Retado e Armado. É muita onda!
“Lembro das festas que fui na USP e dos paulistas - com seu humor tão bobo (pueril)e encantador me perguntando se eu usava roupa de “baiana” em Salvador” - A USP tá cheia de lobo mau e vc devia ser uma chapeuzinho vermelha. Nanda, eles deviam ser mais diretos e objetivos pedindo pra ver se a cor da sua calçinha era vermelha, azul e branca. Você, baianamente ingênua, mostraria o mapa da mina e, então… Chapeuzinho sempre é salva no final…
“Maria João Brasil: Luis Caldas acaba de fazer um CD todo de rock. Pronto. Acabou o problema. ” tai, Maria, Caetano correspondeu, agora o problema é o ciume da artista Neyde.
“quando eu era novo” - Caetano é sempre poetico
“Nunca deixaria de falar com você por você ser mulher: minha misoginia não vai tão longe.” de Caetano para Neyde L
“sol no Rio eu só fui pegar anos mais tarde, quando eu já tinha superado, claro, a morte do meu cachorro.” Teixeirinha iria adorar essa história do cachorro para musica-la, Teteco. Vc é um anjo não exterminado ! rs Acenda um charuto por mim!
“Margareth,
tenho vontade de um dia fazer um piquenique numa daquelas ilhas da Presidente Vargas…” Rafael é rápido, dinamico e objetivo. O motel vem depois
“Por que a veja não fala que Chaves reduziu a pobreza na Venezuela, reduzindo os números da pobreza da população que eram, antes de seu governo, de 50,5%, e que agora é de 31,5%?
Por que não se divulga que, em 1999, 20,1% dos venezuelanos viviam na extrema pobreza, mas que em 2007, o índice havia caído para 9,5%?
Fonte:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2009/01/090130_venezuela_social_cj_cq.shtml ” Cuidado, Luedy, dia desses a VEJA vai dizer que você come criancinha (risos! )
Acabou ?
Março 28th, 2009 at 1:25 am
O bagulho é doido e é terrível. Fui ver o Hamlet do Aderbal, eu gosto dele, da pessoa dele. Antes da peça começar um filminho desagradável quer contar coisas pra gente, e conta: mostra as 3 mais recentes visitas ilustres, Caetano cantando uma música em inglês, Paula Toller cantando uma música em inglês e Calcanhoto…eu fiquei ardendo…porra, pegaram justamente músicas cantadas em inglês????…aí pensei, mas porque cantam então?…é terrível, pra onde vc olha…não faz sentido….a irradiação está impressionante. E aí Rã mi lét…rã mi lét…com direito a luta de esgrimas e tudo…eu adorei o Tonico Pereira, que ator…o Wagner, não sei, ele é demais…como será a cabeça de alguém que vive carregando todo aquele texto e aquele personagem…o cara é Dinamarquês, podia ser um marciano…eu tinha uma sensação o tempo todo de que faltava música, e achei longo demais, palavras demais…gostei dos figurinos.Mas gostei de pouca coisa ali, acho que os filminhos da entrada estragaram tudo. Ela me dizia, deixa de ser burro, eu perguntava se não tinha direito de não gostar…se eu era obrigado a gostar. Saí de fininho. Fui tomar açaí no Bibi e comer cheeseburger…imitar americano é o fim.
E na geral, poxa, a visita do primeiro ministro inglês foi muito mal feita mesmo. Visitar o museu acompanhado do Sócrates? Que desprestígio, onde estava Pelé? E o lula hein…francamente…que vergonha…
Março 28th, 2009 at 2:00 am
Jean: fiz “Pé do meu samba” e fiquei grilado com o refrão ser tão comum que eu achava que poderia ser de um samba já existente. Ensaiando com Mart’nália, comentei isso. Ela então me disse que diziam que a primeira parte da música é que parecia com outro samba. E começou a cantar “Quando ocarteiro chegou…”. Vi então que era toda a canção, menos o refrão, que tinha sida chupada dessa. Achei terrível. Foi totalmente incosnciente. Mas é claro que eu conhecia a gravação de Isaurinha e adorava. Acho que algo deveria ser feito até relativo aos direitos autorais, pois, embora as notas não sejam sempre todas iguais, a melodia é semelhante e a estrutura toda é basicamente a mesma. Depois eu conto outra (s?).
Nanda: adorei seu depoimento. Mas esses cariocas que os agrediram não são típicos. Há gente assim em toda parte. Infelizmente.
Helena Tassara: quero sim ver o filme sobre a USP. Como fazemos?
A lista de coisas desagradáveis ou genialmente irreverentes ditas por colegas nossos está muito boa.
Vero, gracias por tus palabras sobre la espereanza.
A cena descrita por Emerson diz muito. Mostra a complexidade do fenômeno estético: a letra citada é bem feita e forte. A situação é brutal e desumana. A letra a vivencia desde dentro e (quase) a redime. Mas CDs ficam nas estantes; quadros nas paredes; livros nas prateleiras das bibliotecas.
Luedy: meu mal-estar político com o rap tem a ver com tudo isso. A letra que você cita, por exemplo, não diminui um milésimo da malignidade da outra: até reforça “matar playboy” ao dizer “não nos matemos os que somos semelhantes, não nos matemos entre nós”. Mas a “guerra” é talvez mais real nas letras do que na vida. A meu ver, nas duas é superdimensionada: maior que ela é o desejo de imitar os americanos a todo custo. O que, diga-se, não considero um desejo nem infundado nem de todo desprezível. Ele não é totalmente reprovável e é totalmente inevitável. O bagulho é doido.
Março 28th, 2009 at 3:29 am
A matéria postada em link por Felício exibindo uma das fontes possíveis do argumento de Luedy a favor de Hugo Chávez é importante. Deve ser lida por todos. Não são de modo algum desprezíveis esses índices. No mínimo, entende-se por que Chávez é tão amado pelo povo pobre da Venezuela. As críticas (cuidadosas) de opositores procedem: quando essas conquistas deixarão de ser emergenciais para se tornarem estruturais? O que leva ao costumeiro muxoxo dispensado a populistas e ao assistencialismo em geral. Mas uma melhora dessas com data de década significa muito. Não quero que Chávez se reeleja (e engorde) lustros a fio. Mas até os quadros políticos que podem surgir numa Venezuela assim menos desigual podem ter melhores características. Chávez terá sido figura histórica marcante. E isso de modo positivo (conhecemos tantas figuras que se fazem grandes na História apenas pelo seu aspecto negativo…). Mais uma vez a teimosia de Luedy me balança. Depois ele diz que eu dou pelota demais a ele…
Salem: nunca esbocei reação visível às agressões de Moreira da Silva (que foram além do já contado aqui). Fiquei quieto e calmo. Um pouco triste. Quando li agressões vindas de Jamelão (meu Deus!) e de Paulo Vanzolini (na Caros Amigos) - ambas recentes - tampouco chiei. Aqui só falo, sem caixa alta, porque me sinto sorrindo entre amigos que batem papo. Mas não sou de grilar com essas coisas. Encrespo é se vejo (ou suponho) que há algo prejudicial ao que mais me importa. Não gosto de meus momentos de ira santa. Felizmente são pouco freqüentes. A cena do “É proibido proibir” resultou bacana. Mas eu não estava propriamente feliz protagonizando-a. Não ouço a gravação. A gritaria por causa do cara do NYT, por mais justa que fosse (e era), não quero rever. E ainda há a questão de explosões devidas ao mero cansaço. Uma vez, em Hamburgo, fiquei irado com uma platéia barulhenta de jovens alemães bebedores de cerveja que assistiam a “Noites do Norte”. Havia brasileiros mas o barulho vinha dos alemães (dava para ver do palco. Chiei durante o show. Um casal, cuja parte masculina era germânica e gentilíssima, me abordou depois do show. A mulher, brasileira, quis dizer que os brasileiros é que são mal educados e barulhentos. A verdade é que em geral até são. Mas não é uma marca nossa em shows. Fiquei irritado com a mulher e acabei sendo agressivo com o marido, que era alemão e gostava de minha música. Perdi a calma, fiquei parecendo o Tom Zé naquela cena do documentário, acho que na Suíça. E tudo ficou desproporcional. O cara não merecia as coisas que eu disse (nada pessoal, coisas sobre não gostar de estar na Alemanha etc.). Sempre que lembro desse dia me sinto mal. Às vezes estremeço na cama quando a lembrança me vem.
Roney George: vi sim cenas de “marra” no Fantasmão. Era muito bom tudo, mas senti a onda. E havia um rapper americano (Zeca e os amigos dele sabem o nome) que gritava muito. O Fantasmão, para o bem e para o mal, é a banda que mais seriamente incorpora essa atitude. Nada tão ruim quanto essa música do “Vai, seu derrubado/ Gagüete descarado”. Esses são sintomas do que descrevi. É o que sinto nas ruas de Santo Amaro e de Guadalupe. Para mim, é um atraso. Não é o que ouço nas falas de MV Bill.
Tenho vontade de escrever um ensaio sobre aquele enfrentamento de Mano Brown e Carlinhos Brwon na entrega dos prêmios da MTV, quando os Racionais ganharam tudo e Carlinhos era o apresentador. Muito rica essa cena.
Março 28th, 2009 at 4:36 am
E então o blog vai acabar…
Tudo o que é bom acaba. Tudo acaba. É natural.
Mas tenho a certeza que Caetano vai encontrar uma forma de nos surpreender com algo de novo no futuro…
Caetano, quando pensa vir a Lisboa? Espero encontrá-lo no seu camarim…
Deixo o meu contacto a quem possa interessar
paulodosorio@gmail.com
abraxas a todos
Março 28th, 2009 at 5:50 am
( alguma alma boa poderia contribuir fazendo a tradução?)
Once were convicts, now we are pirates
March 25, 2009
PERHAPS we began as we intended to go on, a bunch of petty thieves. Copyright theft has become so pervasive that it boggles my mind. It was my birthday yesterday. My mother asked me what I wanted, and I told her the first season of the acclaimed TV series The Wire.
I even told her where she could buy it. She got me a woollen jumper. Not what I asked for, but a good thing to have when it is cold. I only started yelling at her when she suggested that she chose the jumper because her mate Adam could download all five seasons of The Wire free. Get behind me, Satan.
We went out for dinner that night. My uncle brought a selection of pirated DVDs to trade with my grandmother. My brother-in-law tells my wife where she can get her Wii console “chipped” to play pirated games. My father talks of a Russian website from which to download music for 1 cent a megabyte. I assume these are scenes of a common conspiracy, because I would not like to think our family barrel is full of rotten apples. And our family is extended enough to rule out a genetic defect.
I know of at least one pirate DVD store in the city. I have been tempted to burn it down. But there must be many others. What are police doing? It has been documented that DVD piracy in the Philippines is a big fundraising activity for al-Qaeda. With the ratio of legitimate to pirated DVDs in Australia almost one to one, copyright theft must be a good business for someone.
But I am pissed-off because this crime is damaging my future as a filmmaker in this country. I would be OK with paying nothing for movies but only if other industries gave away their goods and services for free. It is not only the material cost but also the attitude that the product is not worth paying for. If it is worthless, then the pursuit to create it must be utter foolishness. Yet the self-same are willing to surrender hours of their limited free time enjoying these products. Do they not value their time?
Mother, for my next birthday, please, stop stealing from and devaluing the industry I work in. Complicity in this illegal and immoral activity costs Australian film $230 million dollars a year, all the jobs that figure represents, all the talent nurtured in those jobs and the quality and quantity of films crafted from that talent.
Felix (name supplied)
Março 28th, 2009 at 6:10 am
Rafael,
Olha, eu nunca imaginei um piquenique nas ilhas da Presidente Vargas, talvez em Paquetá, mas topo essa aventura urbana. Eu quis fazer um no cais do Rio Paraíba do Sul, como um ritual de cura do rio e para chamar a atenção das autoridades para o estado lastimável do mesmo, infelizmente não ocorreu ainda porque as pessoas temem a violência nesse local. Mas também proponho a você e ao pessoal do OeP, um piquenique no Aterro do Flamengo embaixo daquelas árvores frondosas, ouvindo pássaros, saboreando quitutes, trocando idéias e lendo poesias; inventei um método oracular de ler contos e poesias que é muito louco, quem experimentou gostou. Cecília Meireles, Machado de Assis e Hermann Hesse nessa modalidade, saõ de pirar, mas vale para todos.
Felício e Rafael - Adorei a iniciação, ( as frases destacadas assim e com comentários ficaram bem engraçadas e revelam, como as entrelinhas na nossa comunicação deixam margem para muitas interpretações, essa é a beleza é o mistério da linguagem)pena que tenho lido aqui que o blog vai acabar, espero que não saia do ar, para que retardatários como eu possam desfrutar desse momento único de congraçamento, a obra merece continuar!
abs
Março 28th, 2009 at 7:13 am
Costuma acontecer na filosofia e nas artes ;
Cada geração que surge trazendo inovações, nega, ataca, aquela que a precede.
E as gerações estabelecidas, sentindo-se ameaçadas, nos seus conceitos, na sua estética, resistem com certa agressividade.
A aparente animosidade demonstrada nas frases ditas por Kid Morengueira e Waldick Soriano(157), confirmam essa regra não escrita.
Com João Gilberto também foi assim; ele encontrou na música de Tom e Vinícius, a senha perfeita pra desmontar a ordem musical estabelecida :
Chega de Saudade !
Com isso ele quis dizer; chega de bolero, chega de samba-canção, chega de seresta,e afins, que dominavam o cenário musical brasileiro naquele momento.
É que o baiano tem suingue, tem borogodó, disse com toda a genialidade que a gente não cansa de ouvir, as mesmas malcriações que Morengueira e Waldick.
Castello.
Março 28th, 2009 at 7:41 am
“maior que ela é o desejo de imitar os americanos a todo custo. O que, diga-se, não considero um desejo nem infundado nem de todo desprezível. Ele não é totalmente reprovável e é totalmente inevitável”
perfeito, é isso mesmo.
caetano, que tal, com o fim do blog, passar a escrever uns textos [posts] lá no seu site? mesmo não havendo a interação que há aqui, seria legal continuar lendo-o. já tô sentindo falta disso. êee, saudade que se avizinha…
e que tal mais um postzinho pra fechar com chave-de-ouro? a saideira, haha
o pessoal aqui não tem idéia de como o “zii e zie” tá bom, né? sonzão, moreno mandou bem demais…inté!
………………
salem,
demais o video!!! miele de thor, hahaha. será o mariano no piano? seja quem for, detona. mando outro: caetano e os trapalhões, ô psit! caetano não se aguenta de rir, hahahahaha. “aqui tudo é cascata!”, hahahahahahahahahaha
http://www.youtube.com/watch?v=kBsQDn9n5XE&feature=related
e a vida é boa!
Março 28th, 2009 at 8:02 am
luedy,
só uma coisa me faltou dizer sobre o che: fecho totalmente com caetano no lance da liberdade de expressão. nada justifica aprisionar as pessoas, nada pode justificar a violência. da mesma forma que as pessoas não merecem se auto-aprisionar [é assim que escreve?] na roda-viva do consumo compulsivo e da ignorância. o assunto é complexo e a via é sempre de mão dupla, mas quando caetano escreveu que vai sonhando até “explodir colorido no sol dos cinco sentidos”, tava falando de mim também. logo, é natural que esta seja minha opinião. abraço, compadre!
sabadão superbacana!
Março 28th, 2009 at 8:11 am
A quem interessar possa (gil, essa é quente):
Sem querer interromper muito o fluxo desse bom papo sobre as cidades que nos acolhem e principalmente os olhos de raio X de Caetano Veloso sobre Sampa (versão 2.1) “de um tudo”, deu na Revista Trip deste mês (edição 175 - março 2009):
“Sem o apoio de gravadoras, deu CDs para as rádios de poste de Belém (que transmitem em alto-falantes nas ruas da cidade) tocarem suas músicas, enviou pelo correio discos para o Brasil todo, depois fechou acordo com uma distribuidora que os repassava diretamente a lojas e camelôs, vendeu milhares de cópias em shows e supermercados. “A ideia não foi minha, foi ideia da necessidade”, resume Chimbinha.
Na pior crise da indústria fonográfica, a Banda Calypso vendeu ofi cialmente mais de 12 milhões de CDs e 3 milhões de DVDs, lotou estádios no Brasil todo, tornou-se o grupo mais popular do país segundo pesquisa Datafolha e foi citado no livro Free!, de Chris Anderson, editor da revista americana Wired, como exemplo de ponta da nova economia.”
Repassado o recado e precisamos nos acostumar a sermos o melhor pior país do mundo.
Março 28th, 2009 at 8:15 am
E além disso, a surpreendente entrevista com o Chimbinha do Calipso.
Março 28th, 2009 at 8:42 am
Caerano.
Quando voce canta ò meu pai do Araketu o mundo inteiro se rende aquilo.O axé music é lindo.
Deja vu.
Março 28th, 2009 at 10:26 am
Luedy,
Não entendi. Existem assassinos melhores que outros? Ditaduras que fazem bem e outras que não? As ditaduras de direita são piores em que aspecto das de esquerda? Vale a pena o desrespeito à legalidade se for em nome de uma bela causa?
Não dá prá entender…tô fora.
Nanda,
Adorei suas palavras.
Rio: cidade das minhas inesquecíveis férias de adolescente e da entrada violenta na idade adulta. Cidade onde meu irmão mais velho foi brutalmente assassinado. Depois dos longos anos de trauma e recuperação, cidade onde mora o meu melhor amigo a quem sempre quero visitar.
Sampa: cidade grande, onde passei dias trabalhando muito, encantada com suas inúmeras possibilidades.Cidade onde mora o meu irmão mais novo e onde há dois meses nasceu a minha linda sobrinha Sofia mais uma razão para ir lá.
Cidades: lugares por onde andam ou adaram nossos amores, amigos, irmãos, ídolos.
E vamos girando a roda…
Março 28th, 2009 at 11:10 am
é mesmo e sempre foi emocionante ouvir papo de bandido. quando a tv não era o que é a gente lia no jornal esporte e crime. as reportagens eram épicas, cara de cavalo parou a cidade no tempo que detetive subia e pegava na unha, as vezes ficava no caminho e tinha velório. manoelzinho contra o detetive le coq que fundou uma escuderia, com logomarca e tudo. e que nome: le coq. virou mão branca depois, grupo de extermínio. detetive perpétuo morreu e todo mundo rezou por ele. na feira guarda corria atrás do ladrão: pega ladrão! pega ladrão! na unha. anos 60 na cidade maravilhosa, morro de orfeus e eurídices. bossa nova. vem de longe a guerra no Rio de Janeiro. Mas o bagulho?…ah…o bagulho foi ficando muito doido.
Veio a ditadura, repressão virou apelido de perseguição e começamos a descer a ladeira. Hoje vc fala em ordem ou repressão neguinho já te chama de fascista…o que é um absurdo. Outros, apesar de toda luta pela redemocratização e das vitórias, não se sensibilizam e querem a mudança do modelo, e se não for por bem, que seja. E aí começa:
“E que para muitos a criminalidade acaba sendo mesmo a saída?”
pronto, está justificado. E a luta se amplia. Essa papeira é a responsável pelas chacinas. Momentos de stress total. O resultado da luta armada é conhecido, a derrota é conhecida e tem um preço impagável, os meninos e meninas que morreram sem passar dos vinte anos cheios de nobreza e boas intenções ficam no caminho. Quanto vale a vida. O esquerdismo derrota a sociedade. Papo de mano, cano na esquina, isso é um horror, é o horror, a luta armada do Brasil é heroína, droga pesada.
Março 28th, 2009 at 11:23 am
Eli, essa é quente mesmo, toda esquina do Brasil tem alguma coisa quente acontecendo, o povo se vira mesmo, é lindo. Calipso é um escândalo, eu quando vejo adoro ela com aqueles cabelos, aquelas pernas, é totalmente Tina Turner, é Madonna, e é genuinamente brasleiro. É daquelas misturas que a gente vê e compreende a luta do povo pra viver melhor…é lindo. Ela rouca fazendo aqueles passos, com aquelas botas, e cheia de filhos hein, vai fazendo e vai fazendo filhos…é resistência sim. E é baratinho, os disquinhos são bem baratinhos, tudo é pra ser consumido pelo povão com poucos recursos, acho mais sadio que dízimo, dá tesão pelo menos, liga a libido. Vende muito, é o que dizem, acaba até faturando. Mas não é modelo. Seria mais um fenômeno Silvio Santos, de camelô a magnata…quantos anos de estrada tem a Banda Calipso? Vai ver, mais de 15 anos. Amy Winehouse em 2 anos passou o mundo na cara. Oasis em uma semana ficou 4 vezes milionário disse o gajo numa entrevista. Nada se compara a acumulação capitalista…e não me venham com conversa fiada de escambo que isso é ridículo.
( noooossssssaaaaaaa….)
Março 28th, 2009 at 11:32 am
Reitero o pedido do Glauber.
Glauber, não entendi, já saiu o Zii e Zie? ou você está falando das gravações do blog?
Março 28th, 2009 at 11:36 am
Castelão, te entendi, eu acho, mas não sei se João quis dizer isso não cumpadre…são muitas coisas e é muita positividade. E tem a simplicidade do que está dito na letra da canção, só isso…ou tudo isso.
Agora, a gente é que pode dizer que isso é assim ou assado, mas o artista no caso, acho que não…Chico nem quis dar entrevistas sobre o livro novo, disse que está tudo lá, é uma.
Mas Castelão, vc é o bicho e eu sou seu fan total…diz aí…
Março 28th, 2009 at 12:28 pm
Caetano,
Parabéns, mais um post impecável. Sou carioca. Passei minha vida inteira na zona sul do Rio (Flamengo,Copacabana, Leblon). Naturalmente, fiquei viciado em praia. Somente agora, depois dos cinquenta é que deixei a praia pela serra.
Eu fico espantado quando um carioca de fato ou de adoção diz que não sabe nadar.Eu que não sou surfista, adoro, onda, praia, água.
Ainda criança, talvez oito anos, apenas uma vez fui visitar uma tia no Meier(parecia outra cidade) e me lembro da linha do trem e das casas(muito boas) que a margeavam.
A zona norte veio com a maioridade, inclusive Niterói, cidade encantadora, onde estudava na UFF. Se na zona sul, conhecíamos “tudo” de Londres (Beatles e Stones, mini-saia etc…) e Bossa Nova, com a ZN vieram, os festivais de música, o samba de Vila Isabel, Mangueira, o que faltava.
A política sempre me ataiu e minha família era da UDN. Eu não gostava nada daqulio e não deu outra fui para a esquerda quase extrema. Digo quase, porque não tive a coragem que amigos meus tiveram, tanto que alguns se foram,desapareceram.
Enfim, entendi a inclusão do trecho da internacional comunista no arranjo de “Enquanto seu lobo não vem”.Eu tinha a mesma avaliação que você. A extrema esquerda me fascinava e eu nutria profunda admiração por Che Guevara e Marighella. Gosto ainda hoje, mas com outro olhar.
Na minha época de faculdade, na UFF(Médici era o golpista nomeado da hora)não era permitido nem se juntar para conversar. Tinha sempre alguém de olho ou infiltrado.
Em 1972, eu tinha um grupo chamado “Circuito Integrado” e nós tocamos no Caio Martins, em Niterói, abrindo o show para Gilberto Gil que acabava de voltar do exílio.
Pronto, o mundo desabou sobre nós. Fomos expulsos do auditório da UFF onde ensaiávamos, os equipamentos foram tirados às pressas para não serem confiscados e por pouco não fomos parar do DOPS. Eles não brincavam em serviço e ficamos com muito medo.
Mas o mundo dá voltas e tive o prazer de ver Gil como ministro. Na minha opinião o melhor de todos desse Governo.
Nos anos oitenta fui muito ao posto nove em Ipanema. Via Cazuza e Ney Matogrosso com freqüência por lá.Via também Ferreira Gullar (sempre só) mais para o posto 10. Bem, quase “todo mundo” andava por lá. Músicos, políticos como Gabeira, intelectuais, cineastas, gente de teatro e da televisão.
Concordo inteiramente com a visão do seu irmão Bob. Carioca é agressivo cordialmente. As piadas geralmente pegam pesado, mas se dá num ar falso de informalidade sempre e a “malandragem” segue em frente. Atenção: nunca é uma generalização, bem como isso não que dizer que somos ruins ou piores, mas que rola assim, rola.
SP, eu adoro. Prefiro SP a Nova Iorque, que conheço bem. É que São Paulo tem tudo que uma cidade moderna tem hoje e acima de tudo paulista é formal, mas é cordial. Qualidade que não vejo em NY. A noite convidativa, a multiplicidade de opções, a diversidade cultural intensa e o jeito educado que sinto falta.
Dia 26/03, fui a SP e ouvi um homem, vindo do Rio como eu, na área de chegada do aeroporto, assobiando a plenos pulmões, Sampa. Achei engraçado.
Chico Buarque para mim é tudo de bom. Não comparo você ou Gil com ele. São coisas e pessoas inteiramente diferentes e igualmente importantes. Aliás, ele declara que quando você lança um disco, isso o estimula a fazer um também.Vocês, literalmente, fizeram a minha cabeça.
Conheci Salvador, já mais maduro, por volta dos 32 e fiquei chapado como todos. Pela natureza linda, pelos baianos, criativos e cativantes. Percebe-se a alegria e o carinho em receber qualquer um.
Teve um lance interessante na primeira vez em Salvador, quando estávamos num bar nas imediações do Farol da Barra e um grupo de capoeiristas se acercou de nós, que já estávamos entupidos de caipirinhas. Eu, que na época ensaiava os primeiros passos de capoeira, resolvi jogar com eles e foi muito descontraído. Uma pessoa das imediações em dado momento, veio nos avisar que aquele pessoal era perigoso e que tivéssemos muito cuidado. Pois bem, no final eles nos levaram para pegar um taxi. Éramos 4, totalmente bêbados, com tudo o que turista anda, máquinas fotográficas, óculos de sol, dinheiro e tudo mais. Nada aconteceu e voltamos para o hotel. Pode ter sido sorte nossa, mas os caras nos trataram muito bem.
Depois, conheci o sul da Bahia(Porto Seguro, Arraial da Ajuda e Trancoso), mais um desbunde. Dessa vez de puro êxtase e deleite. Quase fui morar lá. Devia ter ido.
Ilhéus, também foi demais, com tudo o que se tem direito, Bar Vesúvio, Fritada da Dete etc…. Todos sem exceção são extremamente receptivos e tem muito orgulho das suas raízes e histórias.
Adoro vocês!
Abraços, Eduardo Adauto.
Março 28th, 2009 at 12:36 pm
Ufa, não entrei ontem no blog e, por isso, meu comment agora já me parece bastante atrasado.
Mesmo assim, gostaria de falar, quer dizer, escrever para o Caetano: Sim querido, eu sei, moçada vem de moço/moça, aqui também é assim, e eu falo moçada com o ‘O” fechado. De qualquer maneira, te agradeço pela atenção em explicar. Você é um ótimo professor. Se tivesse seguido essa profissão,com falou em Verdade Tropical que seria uma das suas possibilidades de caminho, certamente seria bem sucedido, como é como cantor e compositor.
A pronúncia das palavras é uma das coisas da nossa língua que mais me intriga. E, queria me desculpar por ter dito que , para isso, não há regra. Na verdade, quis dizer que não há uma unanimidade aqui em se falar somente de uma maneira o som das vogais, por conta da forma diferente com que fala as pessoas do interior e que vêm morar no REcife. Algumas falam ri e outras ré. Agora continuo sem saber por que nós, os recifenses falamos rê, uma vez que a palavra vem de arrecifes, com “e”, aberto. A minha mãe, que é da Bahia, fala ré, mas quanto às pessoas, sempre coloca o artigo antes dos nomes delas, por isso me acostumei assim. Mas isso é outro assunto.
Estou na página 172 de Verdade Tropical, um livro que ganhei no Natal (97/98) do meu amicíssimo Jones Melo. Estou lendo devagar, porque leio no momento outras coisas também.
A sua escrita é livre e solta, gostosa de se ler. Quando começo não quero parar, a não ser na hora do sono. Até onde estou, você fala das pessoas com quem se relacionou, comenta as formas delas encararem as discussões, seus tipos emocionais, enfim, por você, a gente tem uma idéia da determinada pessoa. Adorei a sua narrativa sobre como foi definido o nome da Gal Costa. Por ter o apelido Gau, devia mesmo ser adorada por todos. O Gil pareceu=me ser aquela pessoa super importante, do ponto de vista filosófico e musical, prá falar o mínimo, e você, sempre com aquela preocupação estética necessária. Mas, fiquei curiosa por saber da Dedé, que aparece como uma pessoa super importante também, principalmente no início de sua carreira no Rio, no tempo em que morou do Solar da Fossa. Onde ela esta agora e o que faz?
Tenho o lp Jóia, em que vocês aparecem nus, naquela capa genialmente linda. Por sinal, é neste lP que você gravou Pipoca Moderna da Banda de Pífanos de Caruaru,e que você se referiu a ela como tosca, no livro, mas não achei nenhum problema, como pernambucana não me senti agredida, a despeito da preocupação da Heloísa com a palavra. Você falou dentro de um contexto em que ressalta a importância da banda no seu processo de busca por novas estéticas, novas e dialéticas estéticas.
Bem, é isso, já falei muito.
Aquele Abraço.
Mas cadê a Heloísa.?
querida e linda amiga virtual, volte, estamos com saudades.
Maria
Março 28th, 2009 at 1:46 pm
Felício,
a Heloísa já tinha feito uma guirlanda de frases daqui da galera do OeP e ficou bem legal. Agora você nos aparece com uma nova compilação de frases soltas. Muito massa. Só posso dizer que o bagulho é louco e que as conversas aqui transcendem quaisquer direções.
Luedy, sim, todos os idiomas tem seus mistérios.
Luedy, não posso concordar com tudo o que você diz de positivo sobre Hugo Chaves, mas também não posso discordar totalmente. Você realmente nos coloca numa sinuca de bico, entre a cruz e a espada. O bagulho é louco.
Mas, enfim, estou com a Lícia ( que lindo nome). Pra mim, de direita ou de esquerda toda ditadura é do mal.
Eu também acho que essa peleja de classes entoada no Rap seja mais evidente nas letras do que na vida real. Mas detesto ver em canções - ou seja lá o que for - manifestos pró-violência entre “tribos” diferentes. Sou decididamente um pacifista utópico determinado, desde que não malogrem minha prole e os amores que amo. Sou de escorpião.
Março 28th, 2009 at 2:05 pm
Caetano,
Eu entendo seu ponto de vista, mas não fecho totalmente com ele.
É preciso situar aqueles versos no contexto maior da letra - que é imensa! São muitos os personagens falando ali. Claro que há a raiva e a revolta permeando tudo, mas prestemos atenção à passagem maior da qual o Emerson destacou só uma parte:
“Para os manos da Baixada Fluminense à Ceilandia, eu sei, as ruas não são como a Disneylandia. De Guaianazes ao extremo sul de Santo Amaro: ser um preto tipo A custa caro. É foda! Foda é assistir a propaganda e ver: não dá pra ter aquilo pra você. Playboy, folgado, de brinco, uns trouxa. Roubado dentro do carro na av. Rebouças. Correntinha das moças. Madame de bolsa. Dinheiro. Não tive pai, não sou herdeiro. Se eu fosse aquele cara que se humilha no sinal, por menos de um real, minha chance era pouca, mas se eu fosse aquele moleque de touca, que engatilha e enfia o cano dentro da sua boca. De quebrada, sem roupa. Você e sua mina. Um, dois, nem me viu! Já sumi na neblina. Mas não! Permaneço vivo, não sigo a mística, 27 anos contrariando a estatística”
Ou seja, o rapaz de touca, que engatilha e enfia o cano dentro da sua (da nossa) boca é uma possibilidade - mas não é a única. E a saída que ele apresenta, novamente, é a de “fugir da estatística” - ou seja, a de não morrer cedo, tal como a maior parte dos rapazes que entram para a vida do crime.
Eu sei, é cruel: ele não cede à violência por compaixão, por respeito à vida do playboy. Ele não cede à criminalidade, sim, porque “o importante é viver”.
Mas essa crueldade faz a gente pensar: quantos de nós aqui se importa com o sofrimento de quem está na cadeia e que não pode, como a dona da daslu, livrar-se dela rapidinho? Quantos de nós se importa com as condições de vida da população carcerária? Quantos de nós sabe o quão cruel pode ser constatar que a pobreza não é “natural” e que as possibilidades de ascensão social para muitos pode ser algo tão remoto quanto a própria dona da daslu ir presa? E que para muitos a criminalidade acaba sendo mesmo a saída?
Mas, além disso, é importante que a gente situe esta letra no contexto maior da obra dos Racionais. Em “eu sou 157″, se há o aparente “glamour” da vida bandida [o refão diz assim: "Hoje eu sou ladrão, artigo 157/ as cachorra me amam/ os playboy se derretem/ Hoje eu sou ladrão, artigo 157/ a policia bola um plano/ sou herói, dos pivete], há também a crueldade terrível da cena em que um dos personagens morre no assalto ao banco. E aí o personagem-bandido diz:
“E agora. pra mãe dele, quem é que vai falar/ Quando nós chegar?/ Um filho pra criar/Imagina a noticia/ Lamentavel, vamo aê/ Vai chover de policia/ A vida é sofrida, mas não vou chorar/ Viver de quê?/ Eu não vou me humilhar/ É tudo uma questão de conhecer o lugar/ Quanto tem, quanto vem/ E a minha parte quanto dá”
Enfim, o persinagem aí é cruel pra caralho! Não sei como é que alguém pode se identificar com ele. Me lembra o personagem do western de Sergio Leone, “Era uma vez no oeste”, interpretado por Henry Fonda - que mata uma criança e transa com a mulher do cara que ele mata.
Brown, no entanto, no final de “157″, reforça a mensagem:
“Aí, loko, muita fé naquele que ta lá em cima/ que olha pra todos e todos tem o mesmo valor/ vem fácil, vai fácil, essa é a lei da natureza/ Não pode se desesperar/ E aí, molecadinha, tô de olho em vocês, hein/ não vai pra grupo não/ a cena é triste/ Vamos estudar/ respeitar o pai e a mãe/ e viver a vida/ essa é a cena”
Eu sei, a complexidade das inúmeras possibilidades de leitura não permite que tudo possa se resumir a este recado, mas, no final das contas, quem cria as condições que fazem a violência aflorar? Os racionais tentam representá-la e compreendê-la. No meu entender, eles fazem isso muito bem.
abs
luedy
Março 28th, 2009 at 3:00 pm
Luedy,
Seu comment está nota 10. Gostaria apenas de lembrar que nas penitenciarias de todo o Brasil, tem gente que já cumpriu a sentença e continua enjaulado. A resocialização é dificil. Depois que entrou numa casa de detenção o “cara” vira “fera”. Tem os que se corrigem…
Tem uma canção dos Racionais em que ele fala ter medo dos moleques que gostam de aparecer e pra matar (e ficar famoso entre os amigos) não custa muito. São meninos que andam envolvidos com o tráfico e com uma arma na mão.
Racionais também faz uma auto-crítica ao uso de drogas (primeiro foi a maconha, depois a cocaína) e tem pena de playboy que gasta a grana toda com drogas. Eles são contudentes, usam o linguajar do mundo do crime, promovem uma crítica social terrivel, muitas vezes chocam, mas eles simbolizam a verdade de um mundo que vive à margem de tudo.
Nunca fui a qualquer show deles por medo. Dizem que a bandidagem toda vai estar no local. Os bandidos curtem Racionais, mas eu não sou bandido e gosto de ouvi-los. Eles não gostam de dar entrevista em emissoras de TV. Por quê será ?
Março 28th, 2009 at 3:11 pm
Caetano,
Seu blog é o maior barato! vê se entende e não acaba com ele. Dizem que tudo que é bom logo acaba. Mas você gosta de quebrar paradigmas e uma obra artistica nunca acaba, é como escrever livros: não termina nunca. Poderia té citar eclesiastes, mas ficaria parecido com os Racionais e não pretendo imitar ninguém. Mas aonde é que vamos ver tanta gente boa se o blog acabar? E o papo de Salem com Gil ? do Vellame ? da Heloísa e do Luedy? Como iremos compreender determinadas coisas que vc adora abordar?
Parece que você vai arrancar algo que está entranhado em nossas cucas. Você é o ópio do blog e tá todo mundo viciado. Onde vc vai nos internar ?
Faz isso não… Obra em Progresso é algo infinito. É uma roda que não para. É movimento. É curtição. É terapia. É cultura e educação.
Faz isso não… vai ficar um vazio danado e uma falta do que fazer pra preencher uma lacuna. Todo mundo aqui deveria protestar contra o papo de fim do blog. Os blogs não são feitos para acabar. Eles estão ai e o seu é popular, o que dá um gosto extraordinário ao mesmo. Nele eu posso rir das minhocas voadoras que a Erica vê (deitada numa cama - que sensual!). Aqui você tem uma coleção de gente boa que gosta de você. Pense e nos acene com o dia do FICO!
Abração
Março 28th, 2009 at 3:31 pm
Eli grande
Cá pra nós, brasileiros, o exemplo (mesmo que isolado) da Banda Calypso é infinitamente mais importante do que o exemplo do Radiohead.
Entendo quando Caetano fala do nosso desejo de imitar americanos “a todo custo”. Fora do contexto, e mesmo sabendo que os Radioheads não são americanos, quando o assunto é mercado de música, também tendemos a almejar o modelo gringo.
Tudo o que acontece de grandioso, moderno e inovador no nosso mercado é visto com desconfiança, por não ter o script e a chancela do mainstream. Parce que não é de verdade. Mas é!
Os Racionais (não vou me meter nas questões de Luedy e Caetano) são um exemplo interessantemente ambíguo nessa história. Se por um lado há (e há) de paralelo com o a ascensão dos negros do hip-hop americano, por outro (o que me interessa agora) os Racionais venderam mais de 500 mi cópias de um álbu duplo com preço baixo, sem jabá, Faustão e rádios.
Nesse contexto, que amo, Racionais e Calypso são exemplos de que há uma força de mercado que cresce a revelia do grande projeto das majors multinacionais. Não atentar pra isso, é não peceber o Brasil das duas últimas décadas. É estar por fora.
Caetano
Não sinto mais o que vou relatar aqui. Mas confesso. Amava ver você nervoso quando eu era mais moleque. Era um paradigma. Tinha algo de heroísmo nos seus arroubos. Isso porque, quando ficava nervoso (eu), gagauejava, desconcatenava o raciocínio e me deixava tomar por uma relativa paralisia. Admirava como você, mesmo descompensado, não perdia a clareza do discurso, conseguia articular as frases sem arfar e com sentido amplificado. Um atributo raro. Dizer coisas diretas, com sentido e poesia, à beira de um ataque de nervos, não é pra qualquer um, convenhamos.
Nunca estive presente num desses momentos pontuais de show em que você perdeu a calma. Mas nos nacionalmente conhecidos, de É Proibido Proibir à sua reclamação na MTV ao lado de Byrne, há enorme sublimação por parte do seu público. Todos adoram. É algo que a maioria não consegue fazer nem na frente de um guardinha de trânsito.
Penso agora no preço histórico que você pagou por tanta honestidade na sua exposição pública, que incluía suas raivas. Natural que houvesse tantas declarações de artistas contra você. Deve ter sido duro, ainda mais pra um cara que, raramente se opunha aos seus colegas. Mas o custo-benefício desse seu jeito é gigante para o Brasil. O que você disse no Jô pode ser desagradável de rever, mas foi fato importantíssimo. No meio de tanta indignação, você ainda teve a habilidade de não ofender os bissexuais e ainda elogiá-los.
Se você fosse um sujeito calado, seria seu fã do mesmo modo. Mas cresci admirando também a sua capacidade de colocar a raiva a serviço da razão. Não é fácil.
Por outro lado, a sua postura no Credicard Hall, ao lado de João Gilberto no episódio “vai de bêbado não vale” foi elegantérrima. Muita gente falou de João Gilberto, mas pouca gente falou de como você foi leve, suave e conciliador.
Glauber
Conhecia o VT dos Trapalhões com Caetano. O mais hilário dessa gravação é uma certa timidez de Caetano, que mesmo com o visual transgressor da época, fica certinho no meio dos malucos. Amo essas imagens! E, você sabe, gosto de todos com especial carinho por Mussum.
Também reparei na levada de Superbacana, com desejo de musical americano. Sbretudo na “coda” “Nada no bolso ou nas mãos!” ” Yeah yeah yeah”. Nada no bolso ou nas mãos.
“Um instante maestro” é verso que faz falta. Pois no universo HQ dos super-heróis da canção popular, Flavio Cavalcanti era o vilão que quebrava elepês. Um brasileito bem típico, que mesmo com a imagem de reacionário, parece que abrigou artistas que fugiam da ditadura na sua casa.
beijo nas testas
salem
Março 28th, 2009 at 3:35 pm
Aqui só falo, sem caixa alta, porque me sinto sorrindo entre amigos que batem papo.
a kxalta foi usada em debate pra destacar a interlocução, pra fazer a sombra, e de forma honesta e transparente.
Não sugeriu gritos nem descompustura.
Por outro lado, foi usada, a kxalta, como meio de desqualificar quem se serviu dela, argumento no mínimo questionável sobretudo sabendo-se da procedência e da circunstância.
E vamos lá, os debates deram um molho especial ao BlogCaetano, fala sério…
Faço a lembrança por conta de Caetano ter sublinhado a questão e não há nada pior que ser mal interpretado.
Março 28th, 2009 at 3:40 pm
Mano Brown é torcedor do Santos e tem grande carisma e liderança.
Uma vez estava no Morumbi no meio da Torcida Jovem num clássico contra o Corínthians. No primeiro tempo o Santos perdia por um a zero e a torcida estava sonolenta, letárgica.
Mano Brown apareceu rodeado do seu staff de manos. Colares e relógios de ouro, imponência. Era visível de qualquer canto da arquibancada. Todos olharam.
Mano Brown se virou pra torcida e gritou:
-Aê, bando de babacas, vamos virar esse porra! Quer dormir vai pra casa (e puxou) “SantôôôôôS Ôô SantôôôôôS Ôô”
A torcida se levantou e mimetizou sua testosterona em segundos. Impressionante. O cara comandou umas 10 mil pessoas num piscar de olhos. O Santos empatou. E a torcida gritou com Brown até o juiz apitar. Nunca esquecis.
salem
Março 28th, 2009 at 3:43 pm
Caetano,
nao conhecia a Tiê, estou embasbacado com a suavidade da moça. Que sonoridade gostosa! O cd inteiro parece um filme… parece trilha de filme.
Procurando por ela encontrei o “Duo Moviola” com o trabalho “o retrato do artista quando pede”.
http://www.myspace.com/duomoviola
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Margareth,
juro que tenho essa vontade. A Presidente Vargas naquele caos e a gente no meio das pistas fazendo um piquenique, lendo poesias, cantando…
Quando vc organizar o próximo piquenique me chame.
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Quando assisti a aprestação do Fantasmão, foi essa “marra” que achei ingênua. Contrastava totalmente com a simpatia do vocalista.
Eu estava na apresentação do Mv Bill na Cidade de Deus, foi uma loucura. A garotada toda cantando, gesticulando, jogando as verdades. O bacana é que o Bill apresenta soluções, muitos outros ficam apenas nas acusações - não que isso seja ruim ou o contrário, vale a música.
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caetano,
esses dias encontrei no youtube uma entrevista no Jô em que você tem esse momento de ira santa contra o cara do NY Times. Foi muito forte e necessário tudo o que você falou.
Também sou mar de correnteza brava.
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olha o nosso rio…
passei a madrugada de ontem para hoje no souza aguiar, hospital público da região central do rio. Duas amigas haviam sido atropeladas, uma protegeu a outra. Elas tinham me chamado para sair, eu estava cansado, resolvi ficar em casa. era meia noite quando o telefone tocou, os amigos estavam assustados no hospital. Chegando lá descobri que estava tudo tranquilo, machucados leves, uns galos enormes na cabeça. Ficamos na vigília aguardando informações. O procedimento normal para esse tipo de acidente é ficar em obervação por 12 horas. Nesse período vi absurdos. Para vcs terem uma ideia. Uma ambulância chegou a toda velocidade, estacionou. Ouvimos um barulhão, a porta do automóvel havia caído. Os funcionários todos saíram para rir do ocorrido, todos. Os caras tentando colocar a porta de volta e nada, tiveram que colocar dentro da ambulância, socorreram a porta. Parecia um filme pastelão. Aqueles funcionários todos que não esboçavam um sorriso, de repente gargalhavam.
O rio tem um pouco dessa alegria cruel.
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gente, calma! quem disse que este é o último post?
espero que não.
rs.
hermano, não acaba com o blog não. Podia rolar fotos da turnê, imagina! O público encaminharia as fotos para um email. Autoria devidamente registrada. Vídeos também. Seria massa! Um álbum fotográfico virtual do “zii e zie”.
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bjs.
Março 28th, 2009 at 4:13 pm
Márcio Vitor disse num show: “Esses condomínios que estão construindo na paralela é [sic] é nosso! O Alphaville é nosso!
Rod Stewart (apertei o play do som e tá tocando o que tava lá dentro) me soa como uma “belle epoque” americana de festas estilo “encontro marcado” com Brad Piit. Década de 50 eu acho, não sei a data das canções, nem tou prestando atenção nas letras, falo só pelo embalamento mesmo. Filas de seguranças tipo “soldados romanos” tem tudo a ver com isso. É engraçado, não dá nem para se aborrecer. Libere o cara. Recuerdos dos americanófilos ingênuos e otários daqui na província. Será que isso vendo em US?
Minha moradia “suburb” em Salvador é Rod Stwart em tudo, piscinão com uma ponte de madeira no meio, e tudo mais. O arquiteto deve ser fanático por este estilo de filme americano ou bicha. Apesar disso não tenho medo pois não vejo a violência do Rap nas palavras do nosso muvuqueiro maior. As coisas não deviam ser escritas, só ouvidas. Artistas deviam se recusar a replicar comentários de colegas sem telefonar para eles antes. Eu não acredito muito no que está escrito nas entrevistas. A de Paula Lavigne que saiu na Veja esses dias quase não tinha palavras dela própria. Não dá para ter nenhuma idéia do ela falou de verdade.
Hermanno Vianna falou na TV daqui de casa ontem a noite dentro de um contexto: “[...] coisas importantes da vida, a morte, o sexo (não tenho certeza), existência [...]”. Acabou o CD de Rod Stwart, entrou Lenini sem nenhum botão apertado, vamos às coisas importantes da vida.
Caetano deve tá de mau humor para não chutar a bola que eXequila levantou com a provocação sobre “misoginia”. Tava esperando a resposta dele sobre meu assunto do momento. Tou lendo a “sujeição das mulheres”…
Tomara que Rubinho, meu anti-herói, ganhe a corrida. Bora Baêa!
Março 28th, 2009 at 4:27 pm
Fui a um show do Caetano em Amsterdam, em 2004. Era a turnê do A Foreign Sound. O show era no Heineken Music Hall, uma coisa assim, um lugar grandão. Lá estavam bastante holandeses mas também muitos brasileiros, e alguns, muito irritantemente, ficavam pedindo os “sucessos” entre uma música e outra, e até gritando pra ele falar em português quando fosse fazer algum comentário sobre uma música. Ele gentilmente respondeu que ia falar em inglês em respeito aos estrangeiros que ali estavam e não falavam português e explicou que aquele show era baseado em A Foreign Sound. Lá pelo meio do show, quando os gritos de uma mulher pedindo “Sampa”, “Tieta” e “Leãozinho” já estavam causando uma situação tremendamente desconfortável, Caetano tomou uma atitude que me surpreendeu. Pediu pra acenderem as luzes da platéia e falou diretamente para a pessoa que estava gritando, olhando pra ela: “Você está bêbada? Quem não estiver gostando do show que vá embora”. Alguns acharam a atitude do Caetano arrogante. Eu adorei e achei super honesta, e ele até tratou a situação com humor. Depois que ele botou ordem na casa, o show seguiu tranquilinho e as pessoas que gritavam, quietinhas. Não quiseram ir embora, claro.
Março 28th, 2009 at 5:01 pm
Não nasci em São Paulo, mais passei metade da minha vida lá. Eu que tenho muitas estórias, imaginem quantas não tenho desta fase da minha vida!
Assim que me mudei para a capital paulista, meu ex marido, que era um boêmio convicto, me levou para passear nas ruas do centro da cidade, começamos a noite no Bar Brahma, e quando este fechou suas portas (pontualmente fechava as 0:00 hs) fomos rodando por ali entrando num lugar e saindo de outro. Lá pelas 3 horas da madrugada entramos num beco que dava na praça da biblioteca municipal e ali levei o meu primeiro susto. Um cara que parecia estar se escondendo surgiu repentinamente, parecia ter um canivete nas mãos, (esta visão pode ter sido apenas provocada por uma ilusão de ótica acometida pelo medo), enfim ele apenas passou por pela gente e seguiu seu caminho. Respirei aliviada. Já na praça da biblioteca o ex me pediu para espera-lo enquanto ele ia fazer um “xixizinho” e saiu andando, eu ainda com receio da noite paulistana, dei uma olhadinha para os lados e vi uma roda de rapazes em volta de uma grande fogueira, sai atrás do ex dizendo se ele não precisava de uma “mãozinha” (nessas alturas me lembrei ate da piada do Juca Chaves, aquela da Ana Maria), mas, como diria Caetano ele já estava pra lá de Marrakesh, nem me escutou e quando vi já tinha entrado no banheiro masculino. Não fazia nem 1 minuto que eu estava ali a lado da porta quando chegou o guarda: - o que a senhora esta fazendo ai? – estou esperando meu marido seu guarda. – bom então vou ficar aqui para proteger a senhora. Ufa mais uma vez me senti aliviada. Saímos da praça e demos de frente com muitos carros do jornal “Diário Popular” aquele que somente noticiava as tragédias sangrentas da cidade (a gente brincava que se torcêssemos o jornal escorria sangue) e, para completar, uma serie de viaturas da policia, então pensei: … agora danou-se tudo cheguei na boca da boca, no lugar mais violento de São Paulo. Confesso que entrei em pânico, mais também fiquei aliviada quando vi que ali era o prédio do jornal do Diário Popular e que não estavam fazendo alguma matéria violenta. Seria trágico se não fosse hilário! No final pegamos um táxi ali na esquina mesmo, e mal tinha começado a respirar tranqüila o táxi quebrou (sei parece mentira, ne? Mas não é) daí como estávamos a umas 8 quadras de casa decidimos ir caminhando mesmo. Já naquela época conclui que São Paulo é um mundo a parte, cheio de submundos mas que a gente pode curtir muito e ter muitas fantasias, e se divertir um bocado.
Tem mais São Paulo para contar para vocês, podem ter certeza!
Estava mesmo com saudades…
Caetano conversando sobre o blog com a tia Regina, que é professora de português, ela me contou sobre a analise do Prof. Pasquale fez sobre Sampa, com relação a frase “Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João” também relatou alguma coisa sobre alguns interpretes ou pessoas comuns que ao cantarem este mesma frase dizem de forma errada: “Que só quando cruzo a Ipiranga e a avenida São João”, colocando o “cruzo” numa compreensão de que alguma coisa acontecia no teu coração quando você cruzava este ponto onde a avenida Ipiranga cruza com a avenida São João. De qualquer forma, achei as gostei das observações.
Beijos a todos
Março 28th, 2009 at 5:36 pm
Caetano
encontrei você ontem, duplamente no CCBB. me explico um dos quadros que barem amostra “brasil, brasileiro” é um retratos eu feito em 1968 (eu não consigo lembrar o nome do artista plastico e estou com preguiça de ir consultar no catalogo).Para minha saurpresa assim que eu entrei na exposiçãoe vi seu retrato começou a tocar “tropicalia”. achei engraçado e pensei: sincronicidade?
Nãos ei se vc ja viu essa mostra do CCBB, é bem legal. Não gosto tanto do modo como as coisas foram divididas, mas é uma oportunidade rara de conferir quse duzentos anos de pintura brasileira. Tem coisas lindas, anita, di, portinari, djanira, volpi, tarcila. Mas o destaque para mim é o Almeida Prado, tem uma pintura sobre o caipaira picando fumo que é deslumbrante. Essa pintura e a “tropical” da anita malfati são o quente!
fiquei tão chapado com elas que quase não consegui prestar atenção no resto, por isso volto lá hoje.
No CCBB também abriu uma exposição d’OSGEMEOS, que é sempre deslumbrante. Vendo o trabalho deles vc sente um deslocamento do trabalhod eles para uma coisa mais brasileira, abandonando um pouco a tematica hip hop. E é bonito pq o Brasil aparece de uma forma absolutamente lirica nessas pinturas e instalações. Com iaras, meninos com pipas, nortistas com roupa estilizada, que faz um parentesco com o nordeste pop de guel arraes. Como tinah saido da “brasil, brasileiro” fiuqei tentando encontrar elos, ligações entre elas, e achei varios. o mais obvio é que a cor predominate n’OSGEMEOS é o amarelo, e a cor das paredes da “brasil, brasileiro” também é amarelo.
sai pensando em mil realações do amrelo com a gente. o amrelo é uam cor quente, o amrelo não é nada discreto, depois pensei no amarelo manga (o filme), no amarelo da manga (que é um amarelode luxuria, né?), na febre amarela (tipicamente tropical), nos amarelos de pastelaria (os orientais que formam a mafia do pastel no rio), e tantas outras coisas. foi bom, ate escrevi uam carta.
Caetano, perguntei algumas coisas para vc a doi post passados e até agora não obtive resposta.
hasta
Março 28th, 2009 at 6:37 pm
Não sei se alguém postou antes a declaração de fechamento da comunidade “discografias” do orkut.
“Informamos a todos os membros da comunidade “Discografias” e relacionadas (Trilhas Sonoras de Filmes, Trilhas Sonoras de Novelas, Coletâneas (V.A.), Pedidos, Dicas/Dúvidas e Índice Geral), que encerramos as atividades devido às ameaças que estamos sofrendo da APCM e outros orgãos de defesa dos direitos autorais.
Nosso trabalho foi árduo para manter as comunidades organizadas, sem auferir nenhum tipo de vantagem financeira com elas, somente com o intuito de contribuir de alguma forma para a cultura e entretenimento.
Não é com o fechamento desta comunidade e outras equivalentes que as gravadoras irão aumentar seus lucros.
Muitos artistas perderão seus meios de divulgação.
Milhares de membros terão que procurar outras atividades no Orkut que não seja o download de músicas e afins. O número de sites e blogs de conteúdo similar, mais programas como eMule, limewire, de torrents e outros P2P, cresce em progressão geométrica.
Perdem eles, perdemos todos, mas enfim, tudo em nome do dinheiro das grandes corporações. Nada em nome da cultura.”
Março 28th, 2009 at 6:40 pm
Caetano não balance não. Aqui no Brasil, durante os governos de FHC e Lula, não houve avanços na área social?
E o mundo não está repleto de países que ao saírem de terríveis ditaduras os indicadores sociais evoluíram ( Espanha, Portugal, Grécia, Chile )?
A Venezuela, com o potencial energético e turístico que tem, não deveria depender de “ridículos tiranos” . O conformismo latino, talvez medo, continua a atrasar o continente.
Abraços…
Março 28th, 2009 at 6:54 pm
tentando entender o assunto de direitos autorais esbarrei nesse excelente video explicativo do CC.
http://www.creativecommons.org.br/videos/Get-Creative-nova-versao.swf
Março 28th, 2009 at 7:26 pm
Então tá. Violência por violência, sou mais os cadillacs com champagne e a panela de pressão dos rappers do que Daslu, Fasano e engarrafamento de “carro novo e bom” (putz!), com preto ou com branco dentro.
Março 28th, 2009 at 7:30 pm
Caetano,
Achei super engraçado vc dizer que sua misoginia não vai tão longe e a Exequiela questionar até onde ela vai… Por fim, o Felício fez uma compilagem mto bacana dos comentários e concluiu que eu estava com ciúmes…rs. É possível que sim.
Na verdade, qto ao que falei de talvez não ter sido considerada nas minhas opiniões por ser mulher, não me referia à vc mas ao blog. Alguns temas ficam circulando dias em comentários masculinos, réplicas e tréplicas, e as mulheres, preste atenção, são sempre as que quebram esse círculo vicioso - embora raramente sejam consideradas e incorporadas à conversa.
Posso compreender parcialmente a coisa de homem para homem: ‘quem são afinal essas mulheres que querem dar palpites (’sejam musas, lindas, louquinhas, e está ótimo!’)?’ Não apenas eu, mas outras mulheres falaram coisas talvez novas sobre temas debatidos à exaustão, e nem sequer parece que foram lidas. Enfim…!
Fiquei tocada com a sua declaração de que se incomoda até hoje por ter dito coisas duras a alguem… mas às vezes as pessoas são mto agressivas. Há poucos anos vc veio cantar em Amsterdam; eu não fui ao Heineken Hall mas soube depois da falta de delicadeza da plateia para com vc, que apresentava ” A Foreign Sound”. Entendo a incompreensnao do gde público que desejava ver vc cantando os seus sucessos, mas a incapacidade de compreender que vc apresentava um novo trabalho artístico deve ter sido um saco de aguentar.
Eu criei aqui um pequeno festival de música brasileira numa casa de jazz maravilhosa, a Bimhuis: The Brazilian Summer Sessions. Já tivemos Teresa Cristina, Mart’nália, Lazzo, o Trio Madeira… é uma outra perspectiva da música brasileira oferecida em Amsterdam, para um público menor e maravilhoso… a atmosfera é mágica (o palco c/ fundo de vidro se abre para o porto e os canais da cidade e vc canta com aquele visual incrível lá atrás, ao mesmo tempo, um clima super íntimo dentro…). Será que não seria um lugar para o Zie e Zii? Seria um sobho fantástico, em todos os sentidos…!
Aliás, a capa com a Lomofoto está linda, uma atmosfera irreal que combina com o espírito dessa obra.
E pô, que linda essa letra dos Racionais que o Glauber citou… eu não conheco nada disso, é de gelar o osso… ao mesmo tempo que compreendo a posição de Caetano e tenho pavor dessa coisa black americana cheia de diamantes e rolls-royces que, no Brasil, só serve para reforçar a supreficialidade e o crime. Mas me parece que essa letra vai além…
Beijos!
Março 28th, 2009 at 8:25 pm
Os Racionais foram fartamente divulgados na MTV, tiveram um clip vencedor de melhor do ano e passaram sem cessar na programação…no embalo criaram um programa Yo…portanto não é verdade que os Racionais passaram longe da midia. E muito mais, os Racionais acompanharam a leva americana, o vento americano dessa música de protesto urbano que fez muito dinheiro nos EUA e começou a ser exportada para o mundo. Era preciso ter o similar nacional e os Racionais estavam aí mesmo, melhor pra eles. Sincronicidade. Mas essa história de marginália está mesmo é por fora, eu prefiro Zii e Zie e ainda nem ouvi.
Março 28th, 2009 at 8:44 pm
Vamos combinar uma coisa…a gente quer ser grandioso, moderno e inovador? Queremos isso? É pra lá que nós vamos? Então está combinado…como vai se chamar nosso ministro da Educação? Quanto vamos dispor no Orçamento da União para investir, INVESTIR COM CXALTA, na Educação?
E quem vai ser o ministro de Ciência e Tecnologia? Quanto vamos colocar lá? Quanto e por quanto tempo?
E quem vai ser o ministro da Cultura? Quantos por cento?
Já decidimos isso? Então que burocracia vai tratar de mantê-los interligados? Que meios democráticos teremos para acompanhar e supervisionar esse processo, como será avaliado? Quais os subsídios? A sociedade civil participa de que maneira?
Caso contrário é papo furado, está por fora. Lamentavelmente não dá pra falar sério sem os requisitos necessários. Pipoca aqui e ali e já deu, estamos conversados. Caetano sempre falou muito da nossa originalidade, da capacidade disso…é assim, o mundo da Cultura manda a mensagem, mas a mensagem tem que chegar e virar obsessão nacional, o país tem que saber o que quer, senão perdemos tempo e aprofundamos o atraso, como foi no caso dos computadores, lembram? É ingênuo, nem leviano é, é ingênuo o pensamento de que podemos ser tudo isso, que podemos ter plataformas…um aeroporto demanda 7, 8 anos para ser concluído depois de outros 5 de planejamento. Lisboa ainda discute seu novo aeroporto. Aeroportos não se constrõem com sites criativos não, não é isso, não é nada disso. Mas a gente vai ser assim até quando hein?..acho que é porque nascem jogadores de futebol todo dia que a gente acha que é assim que as coisas acontecem, sei lá…francamente
Março 28th, 2009 at 11:41 pm
Lícia,
Me parece argumento fácil dizer que Che era um assassino, uma vez que ele comandou pessoalmente as execuções. Sendo, então, um assassino, ele pode ser comparado com Hitler - assim como fez a jornalista que entrevistou Del Toro.
Claro que não gosto de pensar em execuções, assim como acho que Che Guevara não era um santo - e sim um cara com acertos e erros, vivendo no limite e que deu a vida por uma causa.
Mas, mais uma vez: numa revolução, em meio às guerrilhas, se se vai por este caminho, muitas vezes é mesmo matar ou morrer. E eu não tenho dúvidas: do outro lado, havia a CIA que, tendo a oportunidade, matava tanto Fidel quanto Che.
Não esqueçamos do 11 de setembro chileno. A gente se comove com a morte de civis inocentes no 11 de setembro norte-americano, mas quase não lembramos daquele outro 11 de setembro. Quanta gente morreu ali? Quantos não foram executados sumariamente? Esse era o contexto, Licia. E Che nunca torturou ninguém.
Caetano,
Claro que eu adoro quando vc me dá toda esta pelota! : - )
Se eu fosse pobre-miserável, acho também que iria votar toda a vida em Chaves.
Sobre Mano Brown e Carlinhos Brown: olha, não houve contenda entre os dois, pelo menos não diretamente e nem em púbico. O que houve foi entre Carlinhos Brown e Kl Jay. Carlinhos Brown, em meio a seus improvisos, e quebras diversas de “protocolo”, quando Kl Jay estava para fazer seus agradecimentos (após os Racionais terem recebido o prêmio, e após Mano Brown agradecer a sua mãe que “lavou muita cueca de playboy para que ele pudesse ter chegado ali”), Carlinhos Brwon chegou perto dele (Kl Jay) e, pondo a mão em seu ouvido, como se dando um recado muito íntimo, cantou uma música do ilê ayê (salvo engano), que abordava a questão racial por uma outra via (distinta da dos racionais). O mal estar foi que Kl Jay fez a marra, ignorou o recado de Carlinhos Brown, “… como eu estava falando…”, e terminou a fala dele deixando Carlinhos Brown sozinho. Mas se vc rever a cena vai ver Mano Brown recebendo o prêmio das mãos de Carlinhos e até agradecendo.
salém: muito bem lembrado o lance do sucesso popular dos racionais. Falavam em um milhão de cópias do “sobrevivendo no inferno” e agora vc me dá numeros assombrosos para um cd duplo - depois dizem que música popular é música fácil e imposta de cima para massas ignaras e manipuláveis.
betão: pode ir aos shows. tem nada de bandidagem não! já vi shows lindos dos racionais aqui em salvador. muito fervor e muito respeito por parte da platéia para com eles.
é engraçado, porque eu vejo o lance dos carrões e da champanhe como a afirmação de que eles também podem e merecem ter tudo o que há de bom e que lhes é constantemente negado: “preto e dinheiro são palavras rivais? é? então mostra pra esses cú como é que faz” (Brown em “negro drama”).
abs
luedy
Março 29th, 2009 at 12:12 am
Luedy: “contrariando a estatística” é uma das expressões que mais me apaixonaram desde que ouvi essa música pela primeira vez. Tudo o que você disse já estava no meu texto. Leia outra vez. Podemos discordar apenas no seguinte: pra mim, que vejo a força hegemônica da violência vingativa e da ostentação agressiva na mesagem dos rappers resultar em clima degenrativo em minha cidade natal, o hip-hop passou, faz tempo, a ter conotação política também negativa. Pra você, não. No mais, concordamos: os Racionais são geniais, a versão que dão da realidade que vivem é complexa e rica, poética, moral e politicamente.
Postei ontem capa e contracapa de “zii e zie” e vi que abria grande e tudo. Mas logo não abria mais nada. Retirei o post. Mandei pra Hermano ver se alguém posta essas fotos do modo certo.
Glauber ouviu “zii e zie” comigo em minha casa em Salvador. Luedy é que só foi lá falar de lingüística.
Vou gravar um lance a;i e já volto. Quero postar entrevista com Pedro Sá.
Março 29th, 2009 at 1:23 am
Queridos Amigos,
Ontem lembrei da grande e carismática Heloisa, que anda sumida (deve estar arrumando a biblioteca), e de uma coletânia de frases que ela julgou interessante. Outra pessoa, talvez o Glauber, selecionou algumas bem interessantes, inclusive, bem legal, referente a “saudades do jegue” que a Flora sentia e que o Caetano disse não ter, nenhuma. Caetano disse de um jeito muito engraçado e me fez sair do sério. Dei muitas gargalhadas. A culpa foi do Glauber (rs).
Ao ler o que a Erica escreveu sobre as minhocas (confesso que achei muito interessante o jeito dela escrever sobre) e, depois, sabendo que Gil e Salem, debatiam seus pontos de vista, sempre com troca de amabilidades, no inicio de seus textos, me dei conta em observar frases escritas e que tinham um duplo sentido. Fui recortando e colando. Imaginei colocar as frases de Salem e Gil em serie, uma atrás da outra e ficaria muito engraçado a troca de amabilidades deles. Um divertimento diferente, buscando a descontração. Fui lendo tudo muito rapidamente e busquei fazer “piada” com as frases, que têm sentido diverso do que fiz muita gente crer, valendo-me de um recurso que a Margareth Bravo citou como “as entrelinhas na nossa comunicação deixam margem para muitas interpretações”. Jornalistas adoram estas coisas e não sou jornalista, nem comediante, mas aproveitei o gancho deixado. Mas não fiquei apenas nisto, realcei o pensamento do Luedy, que reputei importante.
Eis que este blog é repleto de gente inteligente e sem fricotes e pruridos do falso moralismo que acomete muita gente sisuda. Sei que ninguém ficou chateado com a brincadeira. Mas é sempre bom lembrar que tudo não passou de brincadeira e a Erica foi quem mais me fez rir. O Teteco, idem. Ele é rápido. O piquenique foi uma idéia genial. Como a Flora andou sumida, não deu pra colher nada do que ela poderia ter escrito.
Não poupei o nosso mega star, Caetano, nem o grande Vellame e me atrevi brincar com a Heloisa, que deverá compreender a brincadeira. A Neyde estava meio retada com a ausência de atenção do Caetano aos comentarios sempre bem elaborados e muito bem redigidos e Caetano respondeu de modo bem sui generis. Gente inteligente é outra coisa e um pouco de humor faz parte do show da vida. Vocês todos são fantasticos e o blog - que não deve ter fim - também. Dada esta explicação tonta do que fiz, devo pedir desculpas a quem, porventura, ou desventura, não gostou. Mas a intenção foi brincar e descontrair e nada mais que isso. Creio ter me explicado razoavelmente mal, mas, pelo menos tentei.
Erica, adorei vc e o seu bom humor. Salem e Gil, não fiquem zangados.
Um grande abraço e mil perdões.
Felicio
Teteco, vc é danadinho !!!
Março 29th, 2009 at 2:39 am
Caetano, essa crítica política que vc faz ao rap, no sentido de este passar uma mensagem hj em dia mais ruim do que boa, eu não vejo vc fazer quando comenta o pagode e o axé. O pagode tem tantas pregações à violência, à má malandragem (aquela que quer - e gosta de - passar por cima dos outros)… algumas sutis outras nem tanto. Já o axé, com suas letras “sou praieiro, sou guerreiro, tou solteiro, quero mais o quê?”, suas festas de camisa selecionando “gente bonita”, é, não por acaso, a trilha sonora da juventude classe média playboy cabeça oca.
Gosto do pagode, gosto menos do axé - embora possa citar uma porrada de axés de que gosto bastante. Mas quando julgo esses estilos (sua musicalidade, sua produção, seu marketing) sempre penso nos “efeitos políticos” que causam.
Março 29th, 2009 at 4:27 am
luedy,
foi justamente com fantasmão
que ouvi uma música chamada “vai ser derrubado”, para punir os denunciantes de crimes,etc…(bezerra da silva , já gravou um samba sobre o assunto), a música é excitante. pensei no rap por causa disto e dos recursos eletrônicos bonitos…
sou de artes plásticas , fiquei assustado com estas imagens…pensei e penso que os os dois ambientes se parecem também pela sexualidade, , por outro lado, adoro ouvir márcio vitor cantando vínicius…porém, márcio não deve entrar no ambiente do neo pagode como se fosse a mesma coisa…
caetano, me desculpe voltar ao assunto, é por luedy, sei que você sabe da onda… quando lí o texto me comoví e me lembrei da hitória do fantasmão .adoro todos os textos e este assunto da marra me pegou…
beijos!
Março 29th, 2009 at 7:02 am
Pois é, Gil. Você que pediu que eu confiasse nos nossos senadores, agora faz perguntas sobre o executivo…
“como vai se chamar nosso ministro da Educação? Quanto vamos dispor no Orçamento da União para investir, INVESTIR COM CXALTA, na Educação? E quem vai ser o ministro de Ciência e Tecnologia? Quanto vamos colocar lá? Quanto e por quanto tempo? E quem vai ser o ministro da Cultura? Quantos por cento?
Já decidimos isso? Então que burocracia vai tratar de mantê-los interligados? Que meios democráticos teremos para acompanhar e supervisionar esse processo, como será avaliado? Quais os subsídios? A sociedade civil participa de que maneira?”
Essas perguntas que você parece sugerir não terem respostas otimistas, são a base de uma solução possível. Eu acredito em respostas sedimentadas no tempo. Respostas imediatas não existem em nenhuma democracia moderna. Estamos em construção. Mas parece que você mudou bem seu discurso, que antes se baseava numa solução fácil: iTunes.
A complexidade do tema que debatemos bateu a sua porta. E o seu otimismo virou pessimismo. É assim que tem sido a sua oscilação. Não disse nunca que as soluções para o cyber-trânsito de conteúdos, especialmente da música, era algo simples.
Procurei dissecar o problema com meus parcos conhecimentos. Só isso. Há muita ironia novamente no seu texto com citações a expressões que usei como “sites criativos”, ” grandioso, moderno e inovador”. A pinça voltou a funcionar.
A sua saraivada de perguntas deu a seguinte impressão: se você consegue ter resposta, tudo bem. Se não tem, você desqualifica o interlocutor ( e sem nominá-lo). Não somos nem donos das perguntas, nem das respostas.
Sua angústia é a emergência. Alguns minutos de quietude, valem por décadas de bravata. As coisas vão caminhar. Ande com elas. Interfira. Proponha. Mude o timbre. Experimente outros sons. Silencie. Seja amigo. E dê nome aos bois. Pra quê escrever em braile, né? Não estamos cegos. Você é atento.
abraço
salem
Março 29th, 2009 at 1:19 pm
Salém
-eu não pedi que vc confiasse em Senadores, eles são um fato na democracia, independe. Na hora do voto a gente escolhe…depois aguenta eeheh…
-o Itunes só é solução fácil no seu texto, o Itunes pode ser uma solução, mas está muito longe de ser fácil e chegar até nós, infelizmente. Somos muito atrasados mesmo.
De resto…não vou comentar Salém, vc quer levar isso para o pessoal e de maneira deselegante, não me interessa. Quero estar como Caetano, com um sorriso na boca e entre amigos. Mas vc não pode querer me calar não é? Vai na sua aí que eu acompanho e me deixa…se meus comentários te atingem, comente, mas não estou comentando diretamente pra vc. Nosso debate já rolou e acho que foi bacana, Caetano se excitou com ele e muita gente. O papo agora segue.
Salém, eu sou leal.
Março 29th, 2009 at 1:42 pm
As questões ligadas ao desenvolvimentismo, que é o núcleo do pensamento para as transformações no Brasil, estão relacionadas com nosso desejo de ser moderno, grandioso e inovador. Em todos os países acontece assim, entre os mais ricos e os mais pobres.
Nos EUA por exemplo, o setor militar e as universidades desenvolvem projetos que servem às empresas. Da Rússia ouvimos semana passada a nova diretriz desenvolvimentista de apoio incondicional ao crescimento dos esforços militares e ao Exército Vermelho, como nos tempos de URSS. A China anuncia um plano de melhorar as condições e qualidade de vida de sua população em detrimento do que foi até aqui o objetivo máximo, poupar e exportar.
Nada mais usual que priorizar políticas e meios para projetar o futuro.
O Brasil tem se movimentado em que direções? Elegemos a estabilidade como um valor, um novo valor no nosso ambiente. Depois de muitos anos de inflação alta e correções monetárias, a agenda nacional tomou como ponto de honra, a estabilidade. Isso tem consequências objetivas.
O agro negócio também tem merecido atenção especial, é nossa tradição a produção primária. O Pré Sal parece uma determinação nacional, a transferência de renda para a população mais carente também.
Não temos um plano nacional de Educação como prioridade ( um exemplo seria o programa de governo que Brizola anunciava, construção de novas 25 milhões de escolas. É uma obsessão algo assim).
Como vamos atender ao desejo desenvolvimentista? Temos nos apoiado nas nossas relações com o mundo. Nos servimos dos avanços tecnológicos de outros enquanto cuidamos do que achamos prioritário por aqui. É assim por todo lado.
Portanto, e por isso meu comentário sobre o tema, adotar um projeto de modernização tecnológica necessita antes de tudo de ordem, de organização, de verba, VERBA EM KXALTA, investimentos. Não podemos nos enganar achando que a solução pode ser tão fácil. Como já disse, construir um aeroporto requer muito investimento, temos que saber se queremos mesmo isso ou se podemos usar os meios do vizinho, isso não é inédito nem está errado. Temos que pensar.
Março 29th, 2009 at 2:01 pm
Felício, poxa com um nome desses até eu…adorei as frases pinçadas ( olha a pinça aí). eu e salém viramos uma dupla? era o que eu queria, estar ao lado do cara. caetano disse que ele era o cara então…é ele. mas nunca fiz análise dele, do caráter dele, do jeito dele, da loucura dele, nunca…releio e não encontro. Eu debati idéias com ele e com outros também, deitei e rolei no BlogCaetano, pronto, fiz dele uma ataração. Unanimidade? Aqui só Caetano Veloso. Nem Caetano aqui tem unanimidade nas idéias…( e eu senti falta do Veloso na capa do disco…a seguir desencanei). Também não vim aqui pra ficar falseando, mas sou prejudicado pelo meio, nunca evolui no meio escrito como aqui, portanto…ao vivo eu seria muito mais gracinha e Salém ficaria encantado…Exequiela me daria tanta bola como ao leaozinho…e Glauber iria querer cantar na minha banda…tudo isso…ou não…
Março 29th, 2009 at 4:41 pm
Aí Gil:
Gostei da pinça que me fez lembrar o pinço de pinçar.
Dar um pinço com uma gata era bem legal. Uma pinçadinha, depois veio a pincelada e pincelar é bom paca. Elas adoram pinçar.
Agora, veja bem, eu gosto de ver o circo pegando fogo, no sentido figurado. Nada de beijinho pra lá, beijinho pra cá. Gosto de ler vc e o Salem esgrimando palavras. Parece que você conseguiu arranha-lo, mas arranhão virtual é que nem pancada de amor: não dói ! (rs)
Deixa o Salem pensar. O blog tá cheio de homens e tá faltando mulher no pedaço. Adoro mulher vestida de saia porque posso sentir as emanações hormonais que elas irradiam e, além do mais, a saia facilita muito. Nós somos rápidos, mas tem mulher que dá um trabalho danado na hora que a gente que fazer o gol. A saia facilita a arte de pinçar.
Mas compreendi o seu pinço e o pinçar do Salem. Que grilo e que viagem essa minha?! É a onda do blog que tá muito astral.
Voces são muito bons e, como disse um bloguista acima, eu não entendo o que vocês dizem, mas dou razão a voces. Entendeu? Então tá!
Um abração camarada, gosto mesmo de voces e “brigar” faz parte, fazer as pazes, também. Tamos ai e vice versa.
Março 29th, 2009 at 5:10 pm
Neyde L: uma das minhas discussões mais longas e empenhadas foi com uma mulher: Heloisa.
Neno contou exatamente o que aconteceu no show de Amsterdam.
Lucesar: claro que o Brasil andou com Lula e FH. Eles estão saudados nominalmente em “Lapa”. E me orgulho muito disso. Os países europeus a que você se refere cresceram principalmente proque entraram na União Européia e, depois, na zona do euro. Mas lá, sem democracia não ia funcionar. Meu balanço com Chávez é o mambo necessário para se poder aproveitar tudo o que for aproveitável. E não jogar fora contribuições que contam. Desejo que na América Latina seja superado o gosto pelo populismo. Comparado a Chávez, Lula é muito civilizado e moderno. Old Blue Eyes já não vive para ouvir a tirada dele. A China não é democrática. São outros tempos. Faça uma salada com o que digo.
Sim, Gil, os Racionais são totalmente integrados à MTV. Mas a força dessa letra (e de tantas outras) não é pequena. Nem perde nada por isso. Sei que para a maioria da esquerda naeo-festiva brasileira, a “mídia” inimiga é a Globo. Embora a Globo seja vista pelas classes populares e a MTV, por uma minoria de massa preponderantemente paulista de alta classe média (e seus imitadordes brasil afora): dá traço de audiência (às vezes sai do traço para 1, algo assim) mas é audiência de “qualidade”. Mesmo assim, a importância de suas canções e de seus discos (sobretudo de sua comunicação com hanitantes de áfreas urbanas pobres em todo o país) não pode ser exagerada.
A reação de Neyde L à letra que ela desconhecia é proporcional à sua força.
Mas Caraíba foi um pouco superficial. Eu quero que carros (cadillacs de rappers, BMWs de donos da Daslu ou populares com pretos baianos dentro) desapareçam da face da terra. Transporte coletivo não poluente é que é racional. E quem disse que há essa escolha entre Racionais e Fasano? O bom do Fasano é o talento de Isay. O bom dos racionais é o talento poético de Mano Brown. Tou fora dessas escolhas ideológicas. Tenho interesses mais urgentes.
Março 29th, 2009 at 5:48 pm
nossa, 25 mil escolas era o plano brizolista. milhares não milhões…nada como reler.
Março 29th, 2009 at 7:06 pm
Salem,
fecho contigo: “Não somos nem donos das perguntas, nem das respostas”. Aqui é um liquidificador que pode dar uma boa vitamina nas idéias e só!
Abraço
Março 29th, 2009 at 8:04 pm
CAETANO VELOSO disse:
Encrespo é se vejo (ou suponho) que há algo prejudicial ao que mais me importa. Não gosto de meus momentos de ira santa. Felizmente são pouco freqüentes. A cena do “É proibido proibir” resultou bacana. Mas eu não estava propriamente feliz protagonizando-a. Não ouço a gravação. A gritaria por causa do cara do NYT, por mais justa que fosse (e era), não quero rever. E ainda há a questão de explosões devidas ao mero cansaço. Uma vez, em Hamburgo, fiquei irado com uma platéia barulhenta de jovens alemães bebedores de cerveja que assistiam a “Noites do Norte”. Havia brasileiros mas o barulho vinha dos alemães (dava para ver do palco. Chiei durante o show. Um casal, cuja parte masculina era germânica e gentilíssima, me abordou depois do show. A mulher, brasileira, quis dizer que os brasileiros é que são mal educados e barulhentos. A verdade é que em geral até são. Mas não é uma marca nossa em shows. Fiquei irritado com a mulher e acabei sendo agressivo com o marido, que era alemão e gostava de minha música. Perdi a calma, fiquei parecendo o Tom Zé naquela cena do documentário, acho que na Suíça. E tudo ficou desproporcional. O cara não merecia as coisas que eu disse (nada pessoal, coisas sobre não gostar de estar na Alemanha etc.). Sempre que lembro desse dia me sinto mal. Às vezes estremeço na cama quando a lembrança me vem.
CAEMÍO,
Me parece correcto que “chilles” durante um show, frente a “plateias” mal educadas y desinformadas. Ódio “espectadores” así, no sabes cómo me pone!. Sufro! Y más aún, si el “artista” al que asisto, me “provoca profundos sentimientos”.
Los espectadores tienen la “obligación” de “informarse”, antes de asistir a un espectáculo, no te parece? . Cual es la “ofrenda” a nos entregar?. Quién es él, a quienes… nos a “ofrende”?. Debida “información” tiene que preocuparse el “público”. Si está en otra…que se vaya para “otra”, entonces”.
A parte de ser, una tremenda falta de respeto, para el artista, también lo es para el resto del público que allí se encuentre, por supuesto. Aquí, últimamente lo he notado un poquito, aunque siento que en Uruguay somos “educados”, con referencia a determinados “espectáculos”, sobre todo extranjeros de “especial peso artístico”.
Pero me gustaría, contarte lo más resumidamente posible, mis pensamientos al respecto, de esto y posiblemente un poquito más, en lo que se refiere a “subjetivas emociones”.
El cómo se llega, a ser “uno mismo”. A veces debemos transitar por la vía, del lamentando “sufrimiento”; y no la otra: la del bienestar. Digamos que son necesariamente complementarias. Sino no sabríamos distinguirlas, que es el “dolor” y “bienestar”.
Sufrimiento:
Frente a esas “circunstancias”, tú reaccionaste como el corazón pidió. Te “disfrazarte de furia”, cuando en “realidad” te encontrabas “vistiendo” una “tremenda tristeza”. Tal vez antes de ese “fato”, tu corazón ya estaba “angustiado”, y bueno, claro! que uno puede naturalmente rebasar esa emoción. Es como la gota, que rebasa el vaso. Veamos el vaso lleno, para que se vacíe, y luego volverlo a llenar, sin que se desborde:
Recuerdas mi cuentito?, “El de La tristeza y La fúria, (después del“episodio” que tuve con Heloisa). Post: MULATO, MAÇÃ, CANDÉ, 80%, ALEIJÃO, RC E CV CD DVD ACJ 10/11/2008 10:44 pm , mi comment(442).
(La causa principal de que alguien se llene de rabia y te “perjudique” es que está bajo influencia constante de ilusiones. En realidad debería aplicarse la paciencia y la “compasión”, como dice nuestro querido G.Gil, “mais compaixao”. Lo cierto es que, si los “individuos” tuviesen control de sus emociones, de ningún modo perjudicarían a alguien, porque lo que “buscan” es felicidad.
Nadie podría negar el enorme beneficio material del avance científico y tecnológico, pero los problemas básicos de la humanidad siguen sin solucionarse. Seguimos viviendo inclusive en un ambiente de mayor tensión, temor y sufrimiento.
Deberíamos hallar el equilibrio entre el desarrollo material y el espiritual. Por mi parte trato, y creo poder decirte a estas alturas de mi vida, haber logrado cierto equilibrio, porque para llegar a ésta “estabilidad” he tenido que “revalorizar” los valores humanitarios, y por lo consiguiente “sufrir mucho”.
Revalorizar valores, pienso que de eso se trata. Con ser que existe un nivel cultural sin precedentes. No obstante, la educación que se imparte en el mundo no parece haber fomentado la bondad, sino apenas la insatisfacción mental y el descontento.
Siento que la esencia de la práctica espiritual es tu actitud frente a los demás. Cuando tienes una motivación pura y sincera, entonces tienes la “actitud” apropiada hacia los otros basada en la bondad, “compasión, amor y el respeto”.
Si lo practicamos nos damos cuenta de la “unicidad de todos los seres humanos y de que tus acciones benefician a los otros. Mente lúcida: buen corazón, sentimientos cálidos. Si no tienes una buena mente: no se podrá funcionar. Ni menos aún ser “felices”.
Lo que experimentamos internamente se debe a condiciones externas asociadas entre sí. Y para todo esto hace falta un sentido de responsabilidad personal.
Dos tipos de “compasión”: una es apenas el anhelo de que los seres “sensibles” no padezcan “sufrimientos”. La otra es más poderosa: consiste en asumir la responsabilidad de “liberarlos del sufrimiento”. (Aquí es donde aplico mi cuento de sabiduría Sufí).
Cuando somos capaces de extender tu “mente serena” a todos los seres, tu “compasión” y tu “amor” se expandirán tanto que, en el instante en que aparezca el “sufrimiento”, la compasión surgirá espontáneamente. Se trata de un poco de altruismo. Algunos amigos míos me dijeron que, si, el bien y el amor son maravillosos, no son en la realidad muy relevantes. Afirman que la rabia y el odio son mucho más parte de la naturaleza humana, y que la humanidad siempre será dominada por ello. Y realmente, no estoy de acuerdo.
Pienso que la “mente serena” es lo más importante de mi vida diaria. Depende de las propias acciones. Y la acción depende de la “motivación”. Y sé que existen en el nivel de la motivación por naturaleza los opuestos humanos de la emoción “negativa y positiva”. Positiva(felicidad), negativas por supuesto producen lo contrario.
Tolerancia resulta esencial. Pasa que debemos cultivar la sabiduría de la “mente serena”, y a medida que esta se desarrolle, nuestro sentido “moral” se volverá más intenso. De este modo “todo depende de nosotros” y requiere “Tempo, tempo, tempo”…y en realidad la “rabia” y el “odio” son nuestros enemigos reales. Estas son las fuerzas que necesitamos enfrentar y vencer, no los “enemigos” temporarios que aparecen intermitentemente en nuestras vidas.
Como dar y recibir. Consiste en visualizar e “imaginar” que uno da a los otros sus propias cualidades “positivas”, variados pensamientos y emociones virtuosas; y al mismo tiempo toma sobre sí mismo sus sufrimientos, penas y, particularmente, sus emociones negativas.
Claro, que para todo esto es preciso profundizar el conocimiento de uno mismo, alcanzar lo mutuo. Es el esencial el “contacto de corazón a corazón”. En los días actuales, en algunos casos carecemos de “verdaderas relaciones humanas, lo cual hace que perdamos el respeto por el valor a los “sentimientos humanos”.
Quién no se ha sentido ridículo frente a una mal percepción, después de haberse descubierto, equivocado.
El lado “Budista” de mi “ser” ecléctico es el que me ayuda, cuando genero una emoción “perturbadora” aplico el antídoto adecuado e interrumpirla antes que eche raíces. Pese a ello si no lo logro, intento por lo menos apartar de mi mente esa emoción que me aflige.
Bueno, creo haber resumido bastante el concepto que deseaba trasmitir, como forma de…”sí se puede, todo depende de nosotros mismos”. A veces puede ser “difícil”, pero a la larga se puede! com “vontade”, se aprende.
Caemío, no te sientas mal em lembrar ( )…lembra:” O grande poder transformador”…. cuando te vayas a la cama, trata de imaginar una visión de”luz” (lo que a ti se te represente como ello) y así no quedarás sujeto a la “obscuridad de la ignorancia durante el sueño”.
Es cuestión de práctica, luego se vuelve más sencillo. Yo “predico” con mi propia “experiencia”. Yo en esos casos pienso en la beatitud que engrandece mi alma(felicidad) por ejemplo:…(“Caetano Veloso”, mi mantra), pues, que te parece si desde ahora en más, yo pasara a ser tu “mantra”, para “ayudarte” a despejarte …cuando “algún pensamiento negativo” se te cuele…”antes de dormirte”…y recuerdes estas “sinceras palabras”…en “español”, cargadas de mucha afectividad.
Ah! Y…No hay de qué, “você merece, muito mais…y yo agradezco, emocionada tu “atención”.
Beijos com ondas de luz para “todos”…porque nestes momentos…“cantando eu mando a tristeza embora”.
Vero, aplicando su lado “budista, sufí” de su “Ser ecléctico”.
Março 29th, 2009 at 8:33 pm
Gil
Não “levei pro pessoal”. Levei “ao” pessoal aqui do blog as impressões que tenho dos caminhos e descaminhos da nossa conversa. Aqui, só o coletivo me interessa. Quando sinto que o meu recado deve ter mira, coloco nomes. Quando sinto que no meio de um discurso disperso há recados pessoais à mim, aviso que percebi e comento.
abraço
salem
Março 29th, 2009 at 9:21 pm
CARO CAETANO,
BOAS PALAVRAS..RECONFORTANTES PARA QUEMAIDNA TEM A LEMBRANÇA NA CABEÇA DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA E SEUS FIÉIS REPRESENTANTES..
SOU DO SUL, MAS MORO EM FEIRA DE SANTANA, A QUAL CITASTES NESTE ESCRITO, PORÉM A VIOLÊNCIA DAQUI REALMENTE PASSA POR UM PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO..LINDO !! ABRAÇO…RAFAEL.
DETALHE..PORQUE NA GRAVAÇÃO DO DISCO “TRIBUTO À RAUL”, ONDE CANTAS MALUCO BELEZA, NO FINAL COMPLETAS “VIVA RAUL, VIVA A BAHIA, VIVA O RIO GRANDE DO SUL!!”, FOI ALGO EM ESPECIAL AO SUL, OU APENAS PARA RIMAR ??
Março 30th, 2009 at 2:18 am
Gil,
Fecho com você. Seu comment 220 está bastante esclarecedor.
Quando você cita Brizola, não há nisso nenhum envolvimento ideológico-partidario, é o reconhecimento do que se pretendia fazer. Visitei os CIEPs do Rio. Comi no bandeijão. Olhei o modelo de escola que ele, Darcy e outros idealizaram. Vem as eleições e Brizola foi bombardeado. Foi liquidado ao comprar uma briga com a rede Globo. Foi suicidio político. Mas o defeito de Brizola era o caudilhismo dele. Mas veja bem, se este era um erro, não podemos deixar de enxergar as virtudes. Ele era o simbolo do “macho” dos pampas. Viril e lutador. Cheio de projetos desenvolvimentistas. Lutou e defendeu a reforma agrária e reforma agrária não é um bicho de 7 cabeças não. Veja que no Japão, sob administração de um general ultra-conservador e ultra-anti-comunista, ao buscar uma saida para desenvolver um país aniquilado, promoveu a reforma agraria. O Pentagono partiu pra cima desse general e indagavam: - Vc enlouqueceu ? e o general disse, tranqüilamente, que não. E que não tinha mudado suas convicções, mas para desenvolver o Japão era preciso aproveitar o máximo a produção agricola em um país que importa matéria prima e exporta tecnologia de ponta. Então, aqui no Brasil, os latifundiarios não aceitam que suas terras improdutivas sirvam ao desenvolvimento do Brasil. Brizola lutou por isso e as forças conservadoras sempre o execraram. Brizola, nos episodios de 64, foi muito homem. Naqueles breves dias em que ele levantou o povo gaúcho ele mostrou bravura e daria a vida dele se necessário fosse. Estava isolado. Um grupo de militares fanáticos iriam bombardear o Palacio em que ele se encontrava. Seria uma carnificina mil vezes pior do que a cometida contra Allende. Ele brigou severamente com Jango. Foi bastante duro com o cunhado e, creio, nunca mais voltariam a se falar. Ele queria resistir e Jango não queria derramamento de sangue. Se caminhassemos do jeito que Brizola intentava, na base da raça, teriamos virado um Vietnã e Jango foi muito mais sensato, nesse aspecto. Brizola, dai em diante, com a guerra de guerrilhas na serra do caparaó, voltava à luta. Infamava-o. Mentiam sobre ele. Inventavam conversas fiadas. Ele era o inimigo número um das forças armadas e das classes reacionárias deste país, que não possuem visão desenvolvimentista nenhuma. Essa gente significa e representa o nosso atraso. Depois dele estar fora, Carlos Marighela virou o inimigo n. 1 e depois da morte deste, o n. 1 foi Lamarca. Mas Brizola sempre imaginou um Brasil altaneiro, cheio de escolas, um país sem analfabetos, uma nação civilizada, educada e instruida. Pensava na saúde. Tinha muitos projetos, mas encontrava inúmeras resistências de todos os lados. Era temperamental, é verdade, mas tinha projetos grandiosos como vc bem abordou. Mas destruiram os CIEPs e surgiram inúmeras críticas. Traficantes fechavam escolas com ele fora do poder e, quando no poder, diziam que ele era apoiado pelo tráfico. Uma loucura e uma perversidade contra ele e a educação… Agora lhe confesso que não era e nem fui Brizolista, apenas dou a Cesar o que é de Cesar e só Deus é que poderá julgar Brizola. Subscrevo tudo que escreveu e, coerentemente assino embaixo. Desculpe se falei muito de Brizola.
Caetano,
A Venezuela era um país de “merda” antes de Chavez. Uma nação espoliada e ultrajada. A roubalheira era gigantesca. E a Venezuela tem suas riquezas e com suas riquezas tinha um povaréu faminto, abandonado ao leu da sorte> Lembrava CUBA nos tempos de Fulgêncio Batista, sem os cassinos, mas com tudo mais que os regimes, cujos governantes são mero fantoches de nações poderosas, tem a oferecer ao povo: NADA !
Chavez não é um homem oriundo das classes dominantes e era quase um soldado, sem querer rebaixa-lo. Mas ele tinha algo pra dizer e defender e o povo soube interpreta-lo. Ele não falava para fora da Venezuela, mas para o povo largado e desprezado da Pátria que ele intentava engrandecer. Vai sofrer como Allende sofreu. Podem acha-lo um tirano, mas a fome era tinana com o estomago do povo, com a saúde dos desafortunados. Ele pode ser rotulado como populista, mas é popular. Ele respeitando a constituição, sofreu inúmeras tentativas de desestabilizações, patrocinadas pela CIA e as ELITES venezuelanas. O capital monopolista internacional e o nacional estavam juntos e tentaram derrubar Chavez e não conseguiram porque ele tinha as massas populares do lado dele. Nisso ele foi mais poderoso que Allende. Chavez sendo menos instruido foi mais competente. Sua forma de governar e de dizer as coisas é que, para nós, pequeno burgueses e burgueses, tudo quanto ele diz é valorado do nosso jeito, de acordo com nossos próprios valores e, nisso, pecamos. A CIA pecou e as Elites Venezuelanas pecaram. Chavez tem algo que os Estados Unidos desejam no mundo inteiro: Petroleo. Sabe porquê? porque as reservas energeticas dos estados unidos estão se esgotando. Não sou LULISTA, mas Lula esta fazendo um governo que alcança o estomago do povo e um povo faminto não pensa com o cerebro, mas com a barriga vazia. Lula aprimourou o bolsa família que é uma invenção do PSDB e que ele adotou. É assistencialista, é! O PT comete erros? SIM! mas os nossos maiores erros estão na cegueira das nossas classes dominantes. Já participei de uma reunião de presidentes de federações das indústrias, do Comercio e da Agricultura. O do comercio e o da agricultura eram os mais radicais. O da Indústria até queria um acordo, um acordo que não saiu devido a intransigência dos parceiros agro-comerciante. Parece uma grande ironia. De repente eu ouvi o presidente da federação das indústrias dizer pra seus colegas: - Olha, eu tenho um “jatinho” com grande autonomia de voo. Tenho economias polpudas fora do Brasil e se algo acontecer eu não quero nem saber: vocês estão sendo intransigentes e irresponsáveis e eu estou de consciência tranqüila. Agora não sei se vocês podem voar até onde eu posso e não sei se têm o mesmo lastro econômico que tenho. A reunião acabou e o acordo nunca foi praticado e quem pagou o pato foi o povo. Citei este fato só pra ilustrar. O povo quer avanços tecnologicos, quer a internete, quer o celular e tem celular. Hoje temos uma nova classe média (na Bahia ela é mestiça e negra, como queiram).
Bem, Caetano disse algo muito interessante: precisamos de transportes coletivos que sigam padões civilizados. Não seria necessários tantos carros. Muitas coisas não avançam no Brasil por culpa de uma elite mesquinha e é na agricultura e no comercio que ela se amesquinha muito mais.
Mas o Gil fez uma bela intervenção e Caetano mostra-se permeavel às idéias de um progresso em vários terrenos. Fico feliz! Tenham um bom dia
Fatima Rocha
Março 30th, 2009 at 2:32 am
Ai, meu Deus, depois de ler o que escrevi… quantos erros!!! Não dá pra escrever dentro dessa caixinha quadrada do blog. O pensamento voa e voo com ele. Mas não vou corrigir nada. Acho que dá pra entender, se por acaso alguém tiver coragem de ler tanta coisa.
Tê manhã
Março 30th, 2009 at 3:42 am
sinceramente me “pegó” mal el asunto de la capa, como que visualicé que se acerca el fin y por eso comento aquí y no allá. no se, me dio tristeza y quizá esto influya en mi apreciación de la misma.
la capa me sigue pareciendo “borrosa”, sigo sin ver nitidamente “nada” y me gusta. todo es difuso, brumoso. lo primero que hice fue observar un rato las fotos en chiquito y preguntarme que era esa “mancha” blanca a la derecha. supuse que era una ola pero sinceramente lo que vi en principio fue una especie de águila gigante o alguna especie de pájaro desconocido. agrandada la imagen la ola aparece más nítida pero no tanto y contra que rompe no logro visualizarlo del todo. pero fue luego de leer las explicacions de C que “vi” agua y olas. sin estas explicaciones las imágens podrían seer cualquier otra cosa, un campo por ejemplo. no se. me gustó pero me estrujó el corazón. nucna sabré si fue por las imágenes mismas o por la visualización del fin de esta oep.
estoy de acuerdo con el fin pero eso no quita que me de tristeza. ¿caetano, você nos va a extrañar?. bueno, supongo que si a pesar de que esté acostumbrado al cariño de la gente. me gusta imaginarme a você sentado leyendo los comentarios y que las palabras de la gente de por acá lo consuelen quizá de algun sinsabor del día. está bueno. es una “realidad” tan “ireeal” esto de por acá que parece “real”. a veces me pongo a pensar que lo quiero más a você que por ejemplo a mi prima A por nombrar a algún primo. A es divina, buenísima pero la veo poco y nada y sinceramente si desaparece de mi vida ni me afecta. bueno me expresé mal, você no va a desaparecer de mi (nuestras) vidas. en definitiva você son los discos, los libros y eso es lo importante. esta oep fue un regalo extra super bienvenido pero con fecha de vencimiento incluído y está ok que sea así. no es por pelearlo, no, no, pero nosotros seguiremos sabiendo de usted y usted no de nosotros. ja ja, jeee jeee, ji ji. mire cuando llegue a su casa enojado porque alguien lo peleó ese día y nno tenga las palabras de incondicional cariño de la mayoría de nosotros. bueno, yo no quiero que nadie lo pelee, que nadie se atreva por cierto. pero con la mano en el corazón, digamos que como una pequeña venganza por la tristeza que me va a dar no leer más esta oep deseo que una día esté desvelado, sin poder dormirse, quizá triste por algo y tenga ganas de “vernos” de “hablar” con nosotros y que se de cuenta que nos disolvimos en el aire, nos hicimos humo, polvo y que le de si no tristeza al menos nostalgia (saudade?), pero no me malinterprete, no, sólo quiero que esa tristeza le dure nada más que 4,2 segundos, ni más ni menos y que enseguida se le vaya y vuelva a estar “feliz”. como ve no soy tan mala, sólo un poquito nada más.
me gustaría que la despedida sea sin despedida, que un día me conecte y esta oep diga 100%, fin y nada más. me imagino la situación: si no me muero de un ataque al corazón supongo que me pondré a llorar y le mandaré telepáticamente las palabras que quizá pensaba escribir, con un beso al final. ¡¡¡pero no se le ocurra desaparecer ahora!!!!!. ¡¡¡¡lo mato!!!!!. si quiera hágalo pero dentro de uns días y no ya ya ¿ok?. y espero que antes de su desparición me mande otro beso y me diga al menos encantada de haberla conocido. creo que no es mucho pedir dado que a algunos les ha dicho que los ama, los adora, los “love you” y demás muestras de cariño “exagerado”. no pretendo tanto por cierto. ¿me cree no?. no estoy celosa, para nada.. nno. noo. nno. ni lo piense porque se equivoca mal. tampoco hay que mentir, esto lo odio.
estoy pensando a donde van a ir a parar todos estos cometnarios. adoro todo lo que tenga que ver con las cartas tradicionales y hace un tiempo leí un artículo que decía que la propiedad de las mismas son del que las envía. si pensamos en estos comentarios como cartas de nuestra época “cibernética”, al morir esta oep los comentarios deberían ser “devueltos” a los caetanautas. ¿y si hermano o quien sea nos devuelve los comentarios a todos y empezamos de nuevo con el proceso?. no, no me convence. ya son las 3 de la mañana y estoy divagando. quizá mañana vuelva con este asunto de las cartas. no exagero cuando digo que lass cartas cambiaron mi vida y me volví fanática de las mismas. no puedo contar mi relación con ellas acá porque puedo ir “presa” pero juro que poseen un poder “mágico” sino ¿como se explica que una carta del año 1966, cuando ni siquiera yo había nacido, escrita por el Sr. J.A Farley (luego me enteré quien fue ese señor y que el edificio de correos principal de nueva york lleva su nombre) haya caído en mis manos de la manera más increíble y asombrosa?. tengo testigos, se la regalé a un amigo muy querido y respetado.
en fin, para mi los comentarios de todos por acá son como cartas y como cartas que son merecen el mayor de los respetos. recordar a kafka, a walter benjamin, a nabokov y a tantos otros. da para mucho pero ahora estoy cansada y me “vou a dormir” como dice mi adorado catano. un beso.
Março 30th, 2009 at 5:36 am
Caetano, me referi a divulgação que os Racionais tiveram na MTV quando observei a sugestão de que houve ali um sucesso longe dos holofotes da midia, o que de fato não ocorreu. Mas isso foi lá atrás, talvez a 10 anos atrás. Hoje nem existe mais aquela MTV e pra mim muito menos Racionais. Não sei quem está mais por fora, ou eu ou eles.
A plataforma MTV acabou, não existe mais naqueles termos de braço da difusão da música no mundo, focada mas com alcance social importante, a nova plataforma está aí no mundo digital, e nela, estamos todos por fora…
Março 30th, 2009 at 8:22 am
Tô adorando o “protesto” por parte de algumas meninas sôbre o machismo oblíquo, que campeia nos murais da OeP, desde sempre.
Basta dar uma espiadinha de leve em listas de discos, notáveis,atores, compositores, raramente as mulheres são incluidas.
Só dá valete, mermão…
Será que a superioridade do macho no reino animal é tão acentuada assim ?
Bem, espero colaborar com a minha auto-crítica, apresentando uma seleção de notáveis cariocas de todos os tempos;
O sistema de jogo é o 4-2-4.
1,Elizeth Cardoso 2.Leci Brandão 3.Dolores Duran 4.Marilia Pera 6.Beth Carvalho
5.Cecília Meirelles 8.Wilma Nascimento
7.fernandinha Abreu 9.regina Casé 10.Araci de Almeida 11.Isabel do Volei.
Técnica : Chiquinha Gonzaga.
obs ; esta seleção daria show e venceria molinho o time do Equador… hehe
Abraços e beijinhos sem ter fim, à todas as meninas da OeP.
Castello.
Março 30th, 2009 at 11:41 am
Gil e Caetano
As mais de 2 milhões de cópias vendidas pelos Racionais até hoje não foram compradas pelo público da MTV. Não foram. Os Racionais não foram trilha-sonora da classe média paulistana. Não. É um fenômeno sim. Inegável. A invisibilidade no mainstream (MTV, como disse Caetano, tem audiência qualificada como dizem os marqueteiros) dá a falsa impressão de que um fato cultural não existiu. Sem a chancela da Globo (que é algo importante também), pensamos que se trata de algo menor.
Os álbuns dos Racionais venderam mais que os últimos de Lulu e Xuxa.
Não dá pra negar que Racionais e Calypso (cada qual no seu quadrado) são exemplos importantes de que a força da propagação musical no Brasil já se sobrepõe às imposições das rádios e TVs.
E é aí que sou otimista. Outros cases (palavra de publicitário chato) de sucesso viral da vida real vão rolar. É questão de tempo e ação. E a web vai participar dessa transformação inexorável.
abraço ao Gil
in test, Cae
salem
Março 30th, 2009 at 12:03 pm
Olha a Fátima aí…bacana, resolvendo o problema e atacando no BlogCaetano com tudo, não está esperando que os homúnculos resolvam a questão.
De minha parte sempre notei o desequilíbrio nas participações. Comecei publicando a estatística que fiz, 7 homens para 3 mulheres nos comentários do Blog, isso lá em novembro do ano passado talvez…Depois clamei pelas gajas denunciando a banca examinadora que a tudo intervia e comentava os comentários, julgava que isso poderia estar intimidando as meninas…mas quer saber? As meninas é que devem resolver. Noto que muitas chegam e com toda timidez já entram se descupando, como se praticassem algum pecado em se misturarem. É assim mesmo, noso ambiente atrasado e machista produz esse caldo que se reproduz aqui também. Mas as meninas estão com tudo e sabem de tudo, elas resolverão.
Meu timaço:
Vera Fischer no gol
xuxa com orgasmos múltiplos, globeleza a caráter, gisele e juliana paes
cicarelli, ilde silva, thais araujo e camila pitanga
ana paula arósio e daniela sarahiba
viva elas!
Março 30th, 2009 at 2:03 pm
Antes, uma correção: transporte coletivo, poluente ou danoso, já é o mais racional, agora, à medida que diminui a chaminé humana. Transporte não poluente, no futuro, não importará ser coletivo ou individual. E racionais são também as bicicletas do Gabeira, do Byrne e da boa galera paulistana que está morrendo atropelada na Paulista por fazer questão de parar suas máquinas. Com eles, São Paulo parou.
Superficial? Você diz que quer que carros desapareçam. Acho que todos nós, seu público, já encaixamos suas tiradas, tipo “o Brasil vai dar certo porque eu quero”. Seus quereres, boutades megalô/voluntaristas. Encaixamos bem porque elas soam como reza, seu modo particular de rezar. E rezar pode ser legal, talvez até o seja sempre, me permita discordar do pagode.
Mas reza não dispensa esforço e comprometimento. São, fora engano, 17 toneladas de CO2 per capita anuais. E a dinâmica do terceiro mundo vai fazendo essa cifra crescer. E os interesses políticos locais e globais, em bom entendimento com o capital, vão empurrando as mudanças pra nunca. Tenho calafrios quando penso no terceiro mundo, em peso, girando em ritmo de alta energia; e ardo em febre quando alguém como você parece aprovar tal possibilidade. É certo que você sabe a quantas anda o calibre da encrenca, e que soluções de tecnologias limpas demoram a surgir. De modo que sua imagem das famílias de negros baianos afluentes deslizando em seus carros novos, que pros nossos sonhos de emancipação econômica com uma enorme classe-média era o zênite, será o nadir do atual pesadelo. Pois trata-se de um pesadelo coletivo, Caetano, ou você duvida?
Bom, e a violência nos repugna a todos, hein? Claro, não será por aí. Mas entre a chapa quente das favelas e, do lado oposto, a alta plutocracia brasileira e seu arsenal simbólico delirante, me repugna um tantinho menos a violência reativa dos que historicamente estão ao relento e são responsáveis por uma forma não institucionalizada, artesanal, de violência. Claro. Se numa sociedade algo equilibrada quem rouba pra comer não é julgado ladrão, no contexto do desvario pomposo dos templos que você cita, tudo valerá. Rolex, BMW, tudo. Você um dia instou Chico a explicar Luanda. Por que não nos explica agora o Fasano com argumentos mais inteligíveis que o talento de Ysai (?)? Sera ali que São Paulo é mais Alagoas? A Daslu, pleease, não precisa expicar.
Não acho justo, ou crível, te imaginar de óculos cor-de-rosa a perguntar por que não comem brioche. Mas também não me vejo concordando com você que para integrarmos de uma vez São Paulo ao Brasil será preciso equipararmos, profundamente em nós, centros culturais a equipamentos de uma cidade proibida.
Março 30th, 2009 at 4:44 pm
Clamar que quem comprou Racionais não é público da MTV a gente pode, difícil seria provar isso. Improvável. Nos anos 90 a indústria musical brasileira viveu seu ápice, até Caetano Veloso vendeu 1 milhão de discos. Racionais em muitos anos de vida vender 2 milhões é até possível, é bom saber a fonte dessa informação, mas adotá-la é possível sim. E isso não é nada demais, com o clipe do ano na MTV durante a época em que a difusão da MTV era a mais importante formadora de opinião entre a juventude brasileira urbana. Clipe do ano, exibição contínua, cheio de subjetividades interessantes: música bandida, ambiente do crime, pobreza, miséria, polícia, gueto, negritude, enfim, um prato cheio.
Os Racionais estavam na hora e no lugar certos, e venderam…e daí?
Vender mais que xuxa e lulu já não quer dizer muito, não quer dizer mais nada.
Pois eu digo, os 2 milhões se houver, fora consumidos pelo público da MTV que era imenso naquela época.
Na difusão da música anglo americana, essa sim vencedora, a MTV fez o seu trabalho, foi criada pra isso. A lambuja que nos deu passou por isso, por divulgar esse lado do mundo vamos dizer assim, ok…eu mudei o canal. De uma lado aquele mundo sensacional, de outro o nosso, em frente à cadeia e cheio de cirenes…obrigado, grande serviço social. Virou mania naquela época, trata do tema. O melhor quem fez foram eles: o Haiti é aqui…mas enfim…chega disso né? ou não…
A força de propagação da música entre nós é conhecida, a questão é o que vamos propagar, o que queremos …imaginar um mundo fora do rádio e da Tv? pode ser, na Lua. Aqui tem Tv e rádio e agora tem Internet, temos que fazer parte sob pena de estar de fora, por fora do mundo.
O fatalismo e o fazismo podem alimentar esperanças, mas a luta é contra o subdesenvolvimento, o atraso, a falta, a carência, o complexo e a neurose.
um beijo Salém, mas eu tô falando é com todo mundo e comigo mesmo.
Março 30th, 2009 at 7:25 pm
Caetano,
Vc é mto doce, obrigada pela atenção, fico muito muito feliz!
Infelizmente eu não acompanhei sua discussão com Heloísa, só comecei a ler o blog em janeiro… tento todos os dias voltar e ler os posts anteriores, mas fica difícil ler tbem os comentários…
Ao menos a minha queixa serviu para que alguns notassem a predominância masculina por aqui, sendo que esse não é o problema, afinal de contas, se são os rapazes os que mais entram no blog, o problema é que essa predominância é tbem dominadora…rs.
Aliás, eu diria para o Castello que não apenas aqui há essa desproporção, mas por exemplo, nos museus e galerias de arte, enquanto que 90% das obras tem a mulher como temática (a arte contemporânea vem redirecionando isso), apenas 10% dos artistas exibidores são mulheres. E discordo do Gil qdo diz que as meninas que batalhem seu espaço. Qdo elas entram pedindo licença, é delicado e educado; a licença pedida é justamente a de ser incluida numa roda que já está funcionando, isso é o normal no convívio social, não?…
Eu, aliás, tenho adorado as mulheres do blog, esse comentário da Fátima Rocha é super oportuno, de que o Brizola era um ‘macho’ do bem, queria coisas que nós tbem queremos para o Brasil (embora eu tbem não seja de maneira nenhuma brizolista), e ponderando as questões do Chaves e da Venezuela de uma forma limpa e corajosa.
Oh, e que coisa mais linda esse comentário de Lucre, bem passional, falando de amor, de saudades e de ciúmes… e fantasiando uma continuidade…
E a Exequiela lá na frente falando de Bjork e de ‘emotional landscape’, uma expressão que já adotei em um dos meus trabalhos… e a Heloísa falando de avião…
…
Um beijo!
Março 30th, 2009 at 8:34 pm
Gil e todo mundo
“…a época em que a difusão da MTV era a mais importante formadora de opinião entre a juventude brasileira urbana.”
Essa época nunca existiu. Trabalhei para e a MTV e até hoje com muita gente que se formou lá. Rodrigo Carelli, Fepa Soares, Edgard Picolli e por aí vai.
Conheço essa história de perto. O que você chama de “época”, sobretudo entre o final dos 80 até meados dos 90, foi o período de mais baixa rentabilidade e audiência da MTV. Estava pra fechar.
Com a chegada de André Mantovani na direção houve mudanças radicais no marketing e na programação. Menos clipes e mais programas. A audiência da MTV hoje (que de fato oscila entre traço e 1) é maior que a dessa época mitificada.
Racionais não venderam por causa da MTV. Isso é um equívoco gigante! Racionais são um fenômeno sim da periferia urbana de SP e do ABC. A sua visibilidade na MTV é consequência e não causa do fenômeno.
“os Racionais Mc’s carregam o título de campeões de vendagem, sem o grande público saber. Seu trabalho anterior, Sobrevivendo no inferno (1997), foi adquirido por mais de 500 mil fãs. ”
Fonte: ISTO É no mês de lançamento do álbum
“Produzido e distribuído em esquema independente, Sobrevivendo… bateu a marca de um milhão de cópias, incríveis para números de mercado. Igualmente independente, o CD duplo Nada Como um Dia Após o Outro, saiu para as lojas com tiragem inicial de 100 mil cópias.”
Fonte: http://www.cliquemusic.com.br
De Mano Brown:
“Vender um milhão de cópias e a crítica elogiar, isso não muda nada, somos ainda quatro caras pretos que querem mudar alguma coisa, e por isso conquistamos o respeito do povo.”
Fonte: entrevista a Raquel Quintiliano
Pois é, Gil, só Sobrevivendo ao Inferno vendeu 1 milhão e é um dos campeões nacionais de download.
Holocausto Urbano (1990), Escolha Seu Caminho (1992),
Raio X Brasil (1993), Nada Como um Dia Após o Outro Dia
(2002), Ao Vivo (2001) e 1000 Trutas, 1000 Tretas
(2006) juntos (segundo o Portal do Rap fizeram mais 1 milhão sem contar a pirataria).
MTV?
abraço
salem
Março 31st, 2009 at 3:35 am
Fátima Rocha: concordo tanto com você que fui brizolista. Fiz até campanha para ele. Voluntariamente. Votei nele para presidente sempre. Quanto a Chávez, já disse o que penso da figura dele, levando em consideração as coisas de que você fala. Mas você conhece mais e escreveu um comment maravilhoso.
Ora, Caraíba, claro que tranporte coletivo é que é racional. Não poluente melhor. Meu voluntarismo é reza? Sim. Pelo menos é mais reza do que voluntarismo. Você esqueceu que incluí a Veja na lista paulista e Paulo Francis na carioca: forças são forças. Não sou demagogo. Vejo a realidade das forças. Quero tudo de bom para todos. Só não se estiver de muito mau humor. O que raramente me acontece. Obrigado por acolher minhas preces. Essa é a idéia. Preces para serem acolhidas por outras cabeças. Francis disse as mais violentas barbaridades de direita mas deu grande contribuição. A Veja (que detesto como nunca detestei Francis) faz uma linha nova direita grosseira. Mas contribui. Eu amo os Racionais e odeio a Veja. É um princípio - e está no princípio da minha conversa toda. Você fala como se isso não estivesse posto. Agora, as preocupações com o prestígio político do rap são fundadas em sentimentos e observações que vêm do fundo de minha vida. Sou próximo demais dessa gente. Sou amigo de MV Bill, do Afroreggae, mesmo de Mano Brown (com quem estive apenas duas vezes - embora tenha assitido shows dele em favelas cariocas sem ter ido falar com os caras) e sou de Santo Amaro e de Guadalupe. Entenda minhas nuances. A Daslu não é só aumento da disparidade social - é esforço de empreendedorismo paulistano, modo tosco de lidar com o “custo Brasil”. Não tenho medo de falar dessas coisas. Quando eu digo “é porque eu quero” é porque eu querer significa atuar. Repetir o que você diz - e o que a esquerda quer se diga - não é atuar. Eu estou aqui contrariando a estatística.
Gil: os Racionais venderam independentemente de MTV ou qualquer esquema convencional. Foi uma experiência mercadológica inventiva e surpreendente. Como disse Salem.
Leiam o artigo da Dawd sobre olhos azuis no NYT que eu traduzi (mal e mal, desculpem Heloisa e Glauber). Vou pôr aqui como comment.
Março 31st, 2009 at 3:36 am
A COBIÇA DOS OLHOS AZUIS
NewYork Times
March 29, 2009
By MAUREEN DOWD
Em termos de maluquice internacional, era difícil superar o papa dizendo que camisinha espalha AIDS. Mas o presidente do Brasil, conhecido simplesmente como Lula, fez a melhor tentativa.
Numa coletiva na quinta-feira em Brasília com o Minitro britânico Gordon Brown - que tem talento para se meter em lugares arriscados - Lula começou se engasgando com um pão de queijo que tinha abocanhado. De repente tomou um tom acusatório.
“Esta crise foi causada pelo coportamento irracional de pessoas de olhos azuis, que antes da crise pareciam saber de tudo e agora demonstram que não sabem nada”, atacou o presidente socialista barbado e de olhos castanhos.
Enquanto Brown, de olhos também castanhos*, ficava de um branco mais pálido**, Lula martelou a constatação óbvia de que os pobres do mundo sofrem na quebradeira graças a malfeitos dos ricos.
“Não conheço nenhum banqueiro preto ou índio”, disse Lula.
Ele também disse à CNN que ressaltaria esse tema no encontro do G20 em Londres nesta semana.
Ele diz que seu passado de pobre desempregado e torneiro mecânico lhe dá uma sensibilidade especial.
“Eu vivi em casas que eram inundadas”, ele disse, completando, “às vezes eu tinha de disputar espaço com ratos e baratas - e o lixo entrava com a água”.
Essa “pérola de lula” do “doido Brasil”, como disse o New York Post***, se tornou manchete justo quando o presidente Obama se encontrava na Casa Branca com Vikram Pandit e um esquadrão de banqueiros branquelos que levaram o dinheiro do resgate – alguns dos quais, como Jamie Dimon, têm olhos distintamente azuis.
E é claro que os inexpressivos líderes anglo-saxões que deixaram o mercado financeiro americano virar um obsceno cassino, George W. Bush e Dick Cheney, eram homens muito, muito brancos e de olhos azuis.
Como cantava The Who: “Ninguém sabe o que é ser o homem mau, o homem triste por trás dos olhos azuis. Ninguém sabe o que é ser odiado, ser fadado a só dizer mentiras”****.
Toda vez que Cheney olha para a camera com aqueles olhos azuis gelados e diz que Obama está nos deixando menos seguros, isso soa como se ele secretamente desejasse que fôssemos atacados só para provar que estava certo ao dizer que Obama é fraco, mesmo que ele próprio também tivesse que sumir na fumaça.
(Quando eu fui conferir a cor dos olhos de Cheney, a filha dele, Liz Cheney, respondeu bricando num e-mail: “Desculpe, essa informação é privilegiada”.)
Antes do Presidente Obama, cujos olhos castanhos são opacos quando se olha dentro deles, era mais certo esperar-se que presidentes tivessem olhos azuis. Os que os tinham castanhos – Richard Nixon e L.B.J. – caíram do cavalo.
Através da história, sejam imagens de Jesus em que ele não parece alguém do Oriente Médio ou Barbies que não parecem étnicas, olhos azuis e pele branca têm sido freqüentemente pintados como o ideal.
Paul Newman, de olhos cerúleos, certa vez predisse com escárnio seu epitáfio: “Aqui jaz Paul Newman, que morreu fracassado porque seus olhos se tornaram castanhos”.
Pesquisas mostram que pessoas com olhos azuis são consideradas mais inteligentes, atraentes e sociáveis.
Um estudo da Universidade de Louisville, de 2007, concluiu que as pessoas de olhos azuis eram melhores planejadores e estrategistas – superiores em coisas como golf, trilhas com abstáculos, e preparar-se para exames – ao passo que pessoas de olhos castanhos tinham melhores reflexos, o que as fazia boas no hockey e no futebol.
A tirada de Lula enfatizou uma antiga rivalidade.
Quando eu era pequena, crescendo numa casa onde predominavam imagens de um Jesus de olhos azuis e um J.F.K. de olhos azuis, eu sentia que meus olhos castanhos eram de longe menos atraentes do que os azuis dos meus irmãos.
Fiquei tão obcecada, cortando fotos de uma modelo de olhos castanhos e colando-as no classificador, que minha mãe me tranqüilizou por fim:
“Olhamos olhos azuis. Olhamos dentro de olhos castanhos”.*****
Depois, é claro, haveria a emoção de Van Morrison fazendo serenata para uma “Garota de olhos castanhos”. (“Brown-eyed Girl”.)
Antes de Barak Obama, quando entrevistei os dois filhos de imigrantes de olhos castanhos que queriam concorrer à presidência, Mario Cuomo e Colin Powell, eles pareciam dilacerados diante do grande salto, uma vez que tinham chegado muito longe, se se comparassem com os sus pais.
Perguntei ao Governador Cuomo se ele estava deixando o campo para “os brancos anglo-saxões protestantes privilegiados de olhos azuis” como Bush e Dan Quayle, que se sentiam no direito e nunca duvidavam do seu valor.
Barak Obama e sua família já tiveram profundo efeito na cultura em termos do que é bonito e vendável. Caras pretas aparecem em todo tipo de anúncio agora – usando chapéus de palha finos e outros adereços da hora em anúncios da Ralph Lauren.
Com Michele instando estudantes a ambicionar notas máximas e o presidente prometendo tornar as escolas “descoladas”, os olhos castanhos talvez finalmente – e legitimamente – ultrapassem os azuis como as janelas dos vencedores.
Notas (Dowd é faz jogos de palavras que vale a pena ressaltar):
*Brown-eyed Brown.
**”A whiter shade of pale”, canção do grupo Procol Harum.
***”The ‘Lula lulu’ of the ‘Brazil nut’” (Brazil nut – às vezes simplesmente Brazil, como nas “Buttered Brazils” que eu comprava em Londres ou num poema de Emily Dikinson que Décio Pignatari traduziu aparentemente sem se dar conta dessa acepação - é castanha do pará – e “nut” ou “nuts” é louco, em gíria antiga; eu traduzi primeiro “Lula lelé”, que soa mais, mas o sentido de “pérola de lula” fica mais absurdamente engraçado.)
****“No one knows what it’s like to be the bad man, to be the sad man behind blue eyes. No one knows what it’s like to be hated, to be fated to telling only lies.”
*****“You look at blue eyes. You look into brown eyes.”
Março 31st, 2009 at 4:14 am
Neyde L. vc tem toda razão, a presença delicada das meninas no BlogCaetano é um luxo. Eu só louvo e dou vivas e como acredito é nelas, não tenho dúvida que elas chegam. Assim como vc, bacana. Um Viva pra VC!
Março 31st, 2009 at 6:26 am
Caraca Gil !
Essa tua seleção é de tirar o fôlego.
Eu me limitei a escalar só as cariocas de nascimento, por causa do tema do post ( Rio Sampa ).
A Daniela Sarahiba é a mulher mais linda do mundo na atualidade.
Se ela é carioca da gema, eu dei mole deixando-a de fora do meu escrete.
Fiz igual ao Zagallo quando barrava o Romário…hehehe
Um abraço apertado, amigão.
___________________________
Neyde.
A minha crítica ao machismo oblíquo OeP,não foi um fato isolado, e sim, resultado da auto-observação.
Quando olho minha estante de livros e cds, a superioridade numérica dos homens é quase absoluta.
E agora eu me pergunto, por que ?
Castello, sem respostas, manda um beijo procê.
Março 31st, 2009 at 11:57 am
Caetano: fiquei pensando nessa história de cor dos olhos, sonhei com olhos azuis.
Assisti ontem - véspera do aniversário de 45 anos do golpe militar - ao necessário filme “Cidadão Boilensen” (empresário reacionário, sádico, articulador e financiador da tortura no Brasil) de Chaim Litewski - que demorou 16 anos para fazê-lo. Durante 90 minutos, por conta dos efeitos especiais de animação das fotos, a insistência daquele olhar transparente de puros olhos azuis (que, em preto e branco, são ainda mais assustadores), olhando pra gente com expressão de galã, me embrulharam o estômago. Não sei quanto tempo vou demorar para me recuperar da sensação desagradável de pesadelo daqueles olhos azuis.
Gosto do jeito tosco do Lula se expressar, mas fico um pouco envergonhada, constrangida, às vezes. Contudo, acho que ainda prefiro “olhos negros, cruéis, tentadores das multidões sem cantor…” aos olhos azuis de homens como Boilensen.
Ah, e eu também não tenho notícia da existência de nenhum banqueiro negro ou índio… alguém por aí conhece?
Na verdade, pensando melhor, acho que essa história de cor não tem qualquer importância, já que os olhos são o espelho da alma (no filme João Jardim e Walter Carvalho) e que “alma não tem cor” (na voz de Zeca Baleiro).
beijos
Helena
PS: detesto o reacionarismo de São Paulo, minha cidade, meu estado. Ainda bem que São Paulo não é o Brasil.
Março 31st, 2009 at 1:11 pm
Castelão
eu adorei sua lista, na hora pensei, vou fazer uma só das gostosas, das mais gostosas…poxa, elas merecem. No meu time eu pensei nas cariocas, de certa frma quase todas são e as que não, passam a ser por que o Rio meu irmão, é o Brasil! eheheh…poxa…mas eu não sou baiano…queria ouvir o zizi com caetano…
e eu quero fazer as vontade do Caetano, se diz que é assim, então pronto, é assim. Viva Caetano Veloso!
Março 31st, 2009 at 3:40 pm
CaSTELÃO
minha seleção está incompleta, eu esqueci da minha estrela, a melhor de todas, minha companheira de tanto, minha gaúcha querida que faz aniversário amanhã…não pode ser mesmo verdade existir no mundo alguém tão especial, tão linda, tão companheira…minha mulher.
Março 31st, 2009 at 4:06 pm
a China vai ouvir mais música…queremos que nos ouça também?
Recording industry welcomes launch of new music service in China
30th March 2009
The recording industry today welcomed the launch of a new music service in China. John Kennedy, chairman and CEO of IFPI said: “The launch of Google Music Search is fantastic news for artists, composers and producers as well as consumers across China. It is the perfect marriage between first-class technology and creative talent to produce a great product. I hope this will be a landmark day in the development of the legal Chinese digital music industry.”
Março 31st, 2009 at 4:21 pm
Caetano me deu uma sacaneada, véio.
Zuzo bem.
Ajaiô-Yeah!! para ele.
Março 31st, 2009 at 4:25 pm
A Daslu não é só aumento da disparidade social - é esforço de empreendedorismo paulistano, modo tosco de lidar com o “custo Brasil”. Não tenho medo de falar dessas coisas.
a coragem caetânica, muito melhor que seus pitis, que também contribuem, se expressa dessa forma e com essa certeira contundência. Sem justificar procedimentos inadequados, compreende no entanto as circunstâncias e mais que isso a economia. aos que a apoiam seriam bom perguntá-los onde a pirataria virtual contribui, facilitando a circulação do arquivo e deixando de fora o direito do autor, e se de alguma forma produz emprego, renda, riqueza? e por outro lado, o que deixamos de ganhar, todos com isso.
Março 31st, 2009 at 5:38 pm
caetano querido
eu não acabaria com esse blog…
beije Paulinha hoje por mim.
saudades enormes,
Cézar Mendes
Março 31st, 2009 at 5:55 pm
Meu pai tem olhos azuis como o céu.
John McCain também.
Semana passada em Manaus apostei com um colega que os olhos azuis de uma atendente não eram lente. Ele no fundo e silenciosamente estava dizendo que índio não pode ter olhos azuis, que pobre é pobre e rico é rico, esse maldito legado católico.
Metáfora ou racismo?
Março 31st, 2009 at 6:34 pm
caetano,
fiquei curiosíssimo, com a possibilidade de você escrever um ensaio sobre aquele encontro de carlinhos brown com mano brown , naquela entrega de prêmios da mtv. na época achei interessante e ao mesmo tempo estranho o possível confronto (?) que alí se instalava entre dois ídolos da música negra do brasil, de origens semelhantes(?) e com discursos sobre inclusão, tão distintos.
carlinhos brown coma aquela força múltipla, mil códigos , outras vontades, baiano ( alegria é a prova dos nove),mano brown com aquela “marra”, propondo uma invasão nas estruturas (mtv?)e as pessoas divididas entre duas vontades tão semelhantes e com propostas diferentes. houve quem esculhambasse com brown( carlinhos) e quem acusasse os racionais de fundamentalistas. lembrei do triste episódio do rock in rio com carlinhos brown e de como essas coisas ainda elevam nossos ânimos de arena.
como disse acima , fiquei curioso pelo ensaio, por conta do seu conhecimento sobre “os mundos” dos dois em questão,e por conta do fato de você gostar dos dois. com certeza você pode nos surpreender com sua visão sobre este encontro , para mim, é um fato caleidoscópico com muitas possibilidades de imagens.
a capa do zii… é linda e parece que é uma imagem revelada , que estava atrás da capa do cê…
bj
roney
Março 31st, 2009 at 7:56 pm
Caetano, vc conhece esse filme? Ví hoje…
http://www.youtube.com/watch?v=LbiO_fBeg3I&feature=PlayList&p=40E0DEE7AFC0189E&playnext=1&playnext_from=PL&index=12
Março 31st, 2009 at 10:38 pm
Helena Tassara, eu também gostaria de ver o doc. Será que Caetano me emprestaria depois de ver? Devolvo rapidinho pra ele..
Abril 1st, 2009 at 12:24 am
Caetano Veloso, será que você teve a experiência de passear no carro, novo e bom ou não, de seu pai? Penso que não, acho que li algo no livro mas não estou certo. Passear no carro do pai, à noite, pela Lagoa, pela orla de Botafogo, foi algo como sair de bote mar adentro para assistir à passagem do transatlântico mítico, rompendo subitamente o sono. Então sei do valor que isso tem e ele pesa nessa pegada que dei no seu pé. Desejo a todos doses felinianas de alumbramento, mas em 2009 carro novo e bom é oximoro, tal qual baiano burro.
Não sou de encher o saco de ninguém por coisas assim. Te confesso que o que pegou foi acreditar no especial poder da tua reza, que neste caso, em suma, seria: Quero que todos tenham um carro novo e bom!
Os alarmes aqui soaram.
Nã-nã-não atendam as preces desse insensato, ó orixás do samba.
Por mim, não quero apenas que os padrões que estão inviabilizando a vida desapareçam da face da terra, como por encanto. Quero as miseráveis medidas urgentes de reversão desse processo. E quero todo mundo incorporando voluntariamente padrões de comportamento responsáveis a esse respeito. Essa é uma das rezas que rezo. E, neste sentido, me desgosta sim sua saudação às novas levas de queimadores de petróleo. Demagogo, você? Claro que não. Nem eu, bro. Só pisou na bola. Mas, como diz o Julio Dain, talentoso amigo velho do Pedro, pisou na bola mas seu time é campeão.
Chamava-se Márcia Regina de Andrade Prado a menina, ciclista por opção cívica, ativista, que morreu em janeiro atropelada por um ônibus na Paulista. Lá no http://marioav.blogspot.com/ tem informações e tem também fotos do bonde/bicicletada dos pelados pela cidade. Dia 14 agora. De biquini, os caras às vezes de bunda de fora. Meninas lindas, pernas lindas as das paulistanas, hein? Vale ver. Parecia o posto nove. Uma São Paulo carioca. Veja, Caetano, os caras chegaram à síntese. Essa é a nova raça!
À esquerda, especialmente à latino-americana, a “questão ambiental” incomoda: subverte as tradicionais equações do marxismo. Mas incomoda sobretudo porque ameaça, desde logo, as mais caras aspirações materiais do… eleitorado. É coisa impopular. Estou chovendo no molhado? É que é terrível ver que a impopularidade do assunto pode estar se refletindo na pauta de gente independente. Estamos falando da frustração dos negros baianos com aquilo que é a frustração de boa parte do projeto moderno, não é? Algo muitíssimo mais potente do que os poderes que você evocou, e que chamou de forças.
Quanto a esse papo Daslu e Fasano, secundário, mantenho que o arsenal simbólico e delirante de que falei é coisa pra lá de daninha, já que inclusive alimenta o imaginário (é inveja com o sinal trocado), a potência reativa da chapa quente. São fenômenos em intercâmbio, no fundo. Loucos, os dois: um louquinho, outro loucaço. Eu diria que esse desvario pomposo paulistano e a violência dos manos são uma história. Folha (argh), Museu da Língua, etc., outra.
Abril 1st, 2009 at 12:36 am
Li à tarde, acho que no blog do Ancelmo Góis, que haverá um texto de um aluno do COC acompanhando o “Zii Zie” no lançamento. Fiquei curiosa para saber da história. Aliás, há tempos perguntei sobre a relação do COC com o OeP, mas meu comment nem entrou..
Abril 1st, 2009 at 1:12 am
Quero muito saber a impressão de Caetano sobre a noite em que os dois grandes Browns se encontraram.
Eu tava lá. Fiquei tenso pra caralho. Passaram-se 12 anos daquele VMB. Fui a quase todos, mas acho que pioraram muito. Nesse, fui jurado e votei em Diário de Um Detento pra melhor clipe de rap.
Era um momento histórico. Foi preciso o fenômeno de 200 mil discos vendidos em apenas um mês (o número depois ultrapassou a barreira de 1 milhão) para que as letras sobre a violência em bairros pobres da zona sul de São Paulo, chamassem atenção da molecada da zona oeste.
Os Racionais subiram ao palco (bonito cenário do Gringo Cardia) acompanhados de umas 15 pessoas, pra receber o prêmio de Netinho de Paula e Thaís Araújo.
Ice Blue agradeceu a outro Carlinhos, o da Chic Show, que havia colocado “4 pretos favelados” nos palcos da perifa paulista. Palcos distantes do público da MTV. E frequentado por milhares de pessoas.
Mano Brown, agradeceu à mãe, “que lavou muita roupa pra playboy”, aos “manos da São Bento”, à mulher, aos “irmãos do casarão (Carandiru), da Febem e de todas as favelas”.
Quando subiu novamente pra receber um segundo prêmio (escolha da audiência), rolou o clima. Carlinhos Brown, que era o MC da noite, tentou entregar o caneco aos Racionais, que o ignoravam.
Carlinhos, depois do discurso de KLJay, entrou em cena e cantou “Sou Personificado pelo Fenômeno da Natureza Ilê Ayê”. Vestido de diabo, Carlinhos Brown apresentou esse último prêmio com crianças fantasiadas de mamíferos Parmalat: vaca, gambá, zebra, touro e tigre.
De repente, um gigantesco objeto fálico do cenário de Gringo Cardia jorrou uma espuma branca que deixou a platéia completamente molhada.
Cada Brown ali tinha uma significação diversa, aparentemente antagônica, mas extremamente complementares pra se entender o Brasil.
SP, Bahia, Candeal, Jardim Ângela, Bronks, pobreza e riqueza. Carlinhos e Mano, de forma diferente, atuam nas suas periferias.
Carlinhos baiano, herdeiro genético do Tropicalismo, luta em festa. Mano paulista também faz a sua festa. Na Torcida Jovem do Santos e nos palcos da cena do rap da perifa paulista.
Resistiu e resiste à grande mídia, mas estava lá pra receber o caneco. Carlinhos foi bem intencionado ao querer dividir o momento com o público (na época formado sobretudo por músicos, artistas plásticos, cineastas, jornalistas e videomakers). Mano se retraiu como se aquilo fosse uma adesão.
Ao seu modo, com carros, colares e certa ostentação, Mano também adere. Mas a um modelo gringo (não cardia). Ambos herdaram o apelido de um negro americano, James. Ambos flertam com a cultura negra pop americana. Mas ambos também fazem algo muito brasileiro.
Não sei se as tensões expressas naquela noite permanecem. Mano me pareceu mais leve no Roda-Viva.
Fico muito curioso mesmo pra saber as impressões que Caetano guardou daquele episódio e o quanto do seu significado permanece nas nossas tensões culturais.
Acho que aquilo não foi pouco. O cenário de Gringo propunha o gozo, a divisão simbólica do prêmio com o público. Assim como o champange que os pilotos de Fórmula 1 jogam no público. Mano não dividiu, mas estava lá.
Talvez quisesse dizer que aquilo não se devia à MTV (como Gil interpreta até hoje), o que teria algum sentido. Pois a festa tinha mesmo um certo ar prepotente, como se aquilo ali chancelasse o sucesso dos Racionais. Sei lá. Um momento que guardo com algum detalhe na memória, mas que me faz confuso.
Se os dois Browns se abraçassem esfusiantes, seria pior. Mas se Mano respeitasse Carlinhos (que não é a MTV, nem quem estava lá) seria bom.
in test
salem
Abril 1st, 2009 at 1:24 am
Caetano, em nome do “humanismo” e do relativismo, aqui e ali, são admitidas monstruosidades contra a própria humanidade mas a igreja católica em particular e as cristãs em geral são atacadas até pelo que não dizem. Assassinos como Che Guevara são quase beatificados e o terrorismo é justificado por intelectuais de esquerda. O papa não disse, como afirma a jornalista, que a camisinha provoca AIDS. Ele é um filósofo refinado, jamais diria uma bobagem dessa.O que ele disse foi que as campanhas de incentivo ao uso de camisinhas, sem a estância espiritual ,não serão capazes de superar o flagelo da AIDS e que,ao contrário,pode intensificá-lo.
Um dos mais renomados cientistas na luta contra a AIDS, diretor de um centro de pesquisas em Harvard, afirma que o papa está correto e que um fenômeno conhecido como “compensação de risco” acaba levando as pessoas a correrem mais riscos quando usam tecnologias (Como a camisinha) para redução do próprio risco. Ele também afirma que os estudos mostram uma consistente relação entre a maior disponibilidade de camisinhas e o aumento da taxa de contaminação pelo HIV.Leia texto em inglês no site do Nacional Review Online Não corri o risco de traduzir.
http://article.nationalreview.com/?q=MTNlNDc1MmMwNDM0OTEzMjQ4NDc0ZGUyOWYxNmEzN2E
Othon
Abril 1st, 2009 at 1:25 am
Caetano
Eu, pessoalmente, acho a Daslu um chute no saco do empreendedorismo paulistano, que é na sua maioria formado por gente que paga seus impostos em dia. Há um empresariado emergente paulista com raro conhecimento de economia nacional e internacional, comércio e forte atuação política. Alguns com preocupações de sustentabilidade em moldes contemporâneos e progressistas.
A Daslu é um camelódromo 5 estrelas. Estranho Gil (que é anti-pirataria) enaltecer a frase. Aliás, ao lê-la pela primeira vez, achei que era uma ironia. O “custo Brasil” não existe pra Daslu. Existe pra Fiesp. Despreza-lo não é uma forma de combate-lo. Sobretudo se é pra vender pra ricos, também sonegadores direta e indiretamente.
Defender a Daslu é defender a pirataria de luxo e o contrabando, não é?
in test
salem
Abril 1st, 2009 at 1:31 am
Em tempo:
Eliana Tranchesi, num país com uma legislação modernizada, não necessitaria ser detida, mas sim privada de exercer seu triansito comercial e, depois se julgada culpada, teria o confisco de seu patrimônio e uma pena que implicaria em cassação do CPF e proibição do exercício comercial.
Mas essa mesma senhora que agora é julgada por sonegação e formação de quadrilha, usou a justiça brasileira para processar a Daspu (que é legal) por alusão “oportunista” do nome da Daslu.
in test
salem
Abril 1st, 2009 at 1:32 am
Tentei escrever “instância espiritual” saiu “estância…”
Othon
Abril 1st, 2009 at 1:32 am
Meu amigo Fernando Salém é um assíduo comentarista do blog. Oi Salém. Caetano: adoro seu blog. Vc não cansa de escrever; é impressionante. E adoro sua música (desde Alegria, Alegria, que escutei com 10 anos de idade; para mim, é uma canção ensolarada). Sobre São Paulo e seu post: acho sensacional a relação de estranhamento que vc tem com São Paulo; é uma relação bem diferente da minha, já que nasci aqui em SP, no seio de uma família antiga que ajudou a fundar a cidade (meu antepassado Antonio, da família Alcântara Machado de Oliveira, chegou em São Vicente pouco depois de 1532, para ser Capitão Mór da capitania). São Paulo, para mim, é uma cidade transparente e familiar; as únicas partes da cidade que me são realmente estranhas são as favelas e os bairros populares da periferia; mas de qualquer modo, como sou filho de urbanista, entendo perfeitamente as causas dessa solução brasileira para moradia (tão diferente da americana, por exemplo). Mas só na teoria: me sinto distante da pobreza paulistana, e muito próximo de sua riqueza, já que faço parte desta última. Ao mesmo tempo, São Paulo pode ser completamente impossível, para mim. E é mesmo. Eu herdei aquele sentimento bem paulista de viver em um país “problema”, pobre, inculto, subdesenvolvido, para não dizer inviável, corrupto, burro etc. Aahaha. Não me entenda mal. Eu adoro o Brasil, muito por causa da música, do João Gilberto. Mas eu morei nos Estados Unidos, viajei pela Europa, e o meu “centro”, a minha formação cultural, os livros que eu leio (de arte, por exemplo; sou pintor), todos os meus valores, enfim, são americanos ou europeus. Mas são mesmo? Não sei. Acho que sim. Minha avó Lourdes viajou mais de 30 vezes para Paris ao longo da vida. Para ela, como para muitos paulistas de famílias antigas, a Europa era o centro do mundo civilizado, e o Brasil era onde ela vivia. A geração dos meus pais descobriu os EUA, onde moramos. Eu herdei esse sentimento cosmopolita a ponto de sentir o provincianismo brasileiro praticamente insuportável. Mas muito familiar, ao mesmo tempo. Então, ver um artista como vc, que é baiano (eu quase não sei o que isso significa, apesar de adorar a Bahia e conhecer Salvador), estranhar São Paulo como se fosse Marte (pelo menos quando vc veio pela primeira vez); eu acho que isso só pode ser interessante e positivo. Me obriga e olhar tudo pelo avesso (do avesso). Abraço! Antonio Malta Campos
Abril 1st, 2009 at 2:12 am
Carissimo Caetano Velso:
Meu comment saiu cheio de erros. Não sabia que havia sido Brizolista. Um amigo meu, Beto Silva, autor de Prefixo de Verão e Jorge Mautner (que não conheço pessoalmente) eram brizolistas. Beto, Não sei mas aonde ele anda. Na campanha de Manoel Castro a prefeitura de Salvador, ACM chamou Beto e, antes de qualquer negociação, ele mandou Beto olhar a importância que ele havia mandado colocar na conta do mesmo. ACM tinha interesse em usar Prefixo de Verão na campanha publicitária de M Castro. Beto, ao verificar a enorme quantia, voltou para negociar. Pegou, segundo me contou, uma nota preta. Queria montar um estudio de gravação, mas, depois desse encontro ele sumiu e nunca mais soube noticias dele. Ele tinha uma querela com a antiga banda mel, mas desconheço o desfecho. Coisas pertinentes a direitos autorais. O que digo, não é nenhuma inconfidência, mas pode haver algum exagero.
Enfim, não sou brizolista, mas tenho imensa admiração à personalidade dele pela bravura e dedicação as inúmeras questões sociais e, muito mais pela defesa da educação. Darcy Ribeiro e ele eu cheguei a conhecer. Fui apresentada a eles, mas não tinha amizade. Quando ele voltou do exilio eu fiquei com as posições do Miguel Arraes, mas sempre defendi Brizola das campanhas caluniosas que faziam contra ele.
Olhe, eja bem, recebi um e-mail triste de uma pessoa conhecida fazendo uma campanha (guerra psicologica) falando em Ditadura e golpe e um monte de bobagens. É preciso que fiquemos atentos pois o mundo já não aceita mais ditaduras e nem campanhas alarmistas de cunho golpista. Nós vivemos uma democracia e será sempre bom pensarmos na manutenção dela. Adimiro muito Dilma, gosto do Serra (homem honesto) e gosto do Aecio, mas prefiro o Serra no embate direto com Dilma. Acho que fora dai temos poucas opções.
Vellame,
Conheci um professor universitári, muito simpatico, que tinha seu sobrenome. Tinha olhos azuis. Era um tipo meio cawboy. Inteligente e simpatico. Quem o conheceu sempre o tinha em alta conta e consideração. Nunca ouvi ele pronunciar-se políticamente, mas me parecia um homem progressista. Nessa época a ditadura estava em fase terminal. Depois ele nunca mais foi visto. Pelo menos nunca mais o vi. Seria seu parente? Era Ivo Vellame.
Caetano,
Fico muito agradecida e, confesso, foi uma ótima surpresa saber que foi brizolista. Legal !
Abril 1st, 2009 at 3:51 am
Caemío,
****“No one knows what it’s like to be the bad man, to be the sad man behind blue eyes. No one knows what it’s like to be hated, to be fated to telling only lies.”
*****“You look at blue eyes. You look into brown eyes.”
Respondo:
Independientemente del color…“No hay peor ciego que aquel que no quiera ver”. Pero, a mi me parece que la cuestión está en SABER “mirar”…y la “cobiça” nao tem nada a “ver” com a cor dos “olhos”, a cobiça “tem a ver…con los “dueños de los ojos”….mmmhhh….eu acho.
….y un “necio No ve el mismo árbol que un Sabio”…no te parece?.
Dos “hombres” miran a través de los mismos barrotes: uno ve el “barro” y el otro las “estrellas”.
Bueno, una visión establece la dirección para el pensamiento y la acción, la cuestión no es descubrir qué está mal en tus pensamientos, ni averiguar qué está bien y que está mal en tus acciones. La cuestión es descubrir una capacidad de conciencia tan “absoluta e intensa” que sólo permanezca “aquello que está bien”, y que cuando es “falso” desaparezca….”você decide”…certo?.
——————-
Me trajiste para mis adentros con parsimonia y voz queda una lista de bellas citas de las mentes más sabias…si lograse recordar alguna de esas frases…de el (El lenguaje de los pájaros).
***” Dios le dijo a Moisés: -sal y descubre la “verdad secreta” que atormenta la mente del Diablo-
Cuando Moisés se encontró con el Diablo ese mismo día, le pidió consejo y le oyó decir lo siguiente: - “Recuerda lo que te voy a decir, repítelo constantemente: - “No hables de “MI”, o te volverás como yo”.***
***¡Ay de los que llaman al mal bien , y al bien mal; que dan oscuridad por luz, y luz por oscuridad; que dan amargo por dulce, y dulce por amargo!.***
También sé, que ningún “hombre malo” es feliz.
Para mi el “bien” es el valor supremo de la moral. Utilidad, beneficio. Cualquiera de las “cosas susceptibles” de satisfacer “necesidades humanas”.
“La gente buena me parece buena y la gente mala me parece mala…me doy cuenta…si soy lo suficientemente BUENA/O”.
….cabe decir también que: “Ojos que no ven, corazón que no siente”. Frase que se dice por ahí…dicha tal vez como justificación de algún valor contenido, en las “palabras” que la forman y cobardía en no querer “ver”, lo que realmente se “siente”.
Escondernos atrás de la cortina de la mentira no creo que “siempre sea lo necesario”. No lo es!… puede estarnos “destrozando”…y es ahí donde debemos darle paso a lo que “sentimos en el corazón”.
Yo he cambiado esa frase, por: “Ojos que no VEN, corazón que SI siente y ojos que MIRAN, corazón MÁS siente”.
Porque yo no me contento de vivir la vida entera, sólo de mis cinco sentidos..algunos preferimos otra cosa, cierto?
…Maurice Nicoll: tiene las siguientes palabras que considero apropiadas en relación a esta cuestión y claro, para “a minha maluquice”: No captamos el hecho de que somos “invisibles”…no comprendemos el hecho de que la vida antes de cualquiera de sus definiciones, es un “drama” de lo “visible y lo invisible”, creemos que sólo el mundo visible posee realidad y estructura y no concebimos la posibilidad de que el mundo interior que conocemos como “sentimientos” posea una “estructura real y existente en su propio espacio, aunque éste no sea el espacio con el que estamos en contacto a través de nuestros órganos sensoriales.
“Porque después de todo he comprendido que lo que el árbol tiene de florido…vive de lo que tiene “enterrado”.
Ps: Sí..me trasmiten más “confianza los ojos castanhos”…es en la oscuridad…donde se “ven” más las estrellas…creo que lo siento así, porque los “míos son de color “castanhos”…donde miran mis ojos, están mis ojos que miran…confío en ese “espelho”…y MIRAN…porque…siempre llevo una “estrella” sobre mis ojos…para que lo ilumine todo, como modo de linterna…
Abril 1st, 2009 at 5:31 am
Othon: não se pode conversar se se distorcem as palavras. Maureen Dowd não disse que o papa tinha afirmado que camisinha provoca ADIS. O papa não disse isso. Ela conta que ele disse que camisinhas espalham AIDS, o que é exatamente o que você diz que ele disse. Só que você dá suporte teórico para a afirmação. Pra mim, o problema não é esse. O problema é que o papa não esperou os resultados desses estudos para decidir assim. Eu não sou obrigado a ser católico, sem cristão, nem seuqer religioso. Então quando vejo decisões religiosas se agarrando a informações científicas conevnientes (e desprezando as que não o são), prefiro a voz límpida dos livre-pensadores. O papa e a igreja não recomendam a monogamia por causa da AIDS, ele recomendam porque é lei deles. Não é lei entre muçulmanos. E não por que ser lei entre ateus. Achei legal a informação estatística sobre a circuncisão: será que americanos devem então parar de circuncidar os bebês na maternidade porque, sabendo que isso reduz o risco de contaminação pelo vírus da AIDS, as gerações que se beneficiam desse procedimento podem ter vida sexual mais animada e variada? E: não sou relativista.
Salem: a Daslu é um pé no MEU saco (pono maiúsculas porque não tenho como pôr itálicas). Detesto consumismo e compras e griffes e peruas. Além disso, não tenho nenhuma intenção de defender quem sonega impostos. Citei a Daslu, como citei a Veja e o Francis, porque quis dar um panorama das forças que se mostram nas cidades citadas. Acho que a mulher deve ser punida e que foi bom ela perder o processo contra a Daspu.
Alguém chiou porque eu defenderia funk e axé e criticaria rap, do ponto de vista político. Não. Não sou favorável à política dos proibidões de propaganda do tráfico. Nem gosto da dessublimação repressiva do sexo em letras de funk. Mas essas (assim como o neo pagode e o axé) são manifestações que não têm nenhuma respeitabilidade política ou moral. Nem mesmo artística. Todos as desqualificam. Eu apenas não me sinto obrigado a odiá-las também. O rap - que eu adoro, sobretudo os Racionais - tem enorme prestígio político e intelectual. Adoro mas tenho o direito de descrever os matizes que minha adoração ganha com o tempo e o conhecimento. Nem o papa de Othon nem o Che de Soderberg, nada me pode ser vendido sem que passe pelo meu crivo pessoal.
Abril 1st, 2009 at 6:12 am
salem disse,
“Eu, pessoalmente, acho a Daslu um chute no saco do empreendedorismo paulistano, que é na sua maioria formado por gente que paga seus impostos em dia”
salem, concordo contigo totalmente quanto à daslu e tranchesi.
gostei do comment de caraíba sobre os ciclistas também, me fez entender seu ponto de vista. e que manifestação lóki em sampa, hein? jóia.
othon, camisinha ainda é a melhor maneira de se proteger. o que o papa quer? que as pessoas não trepem?
Abril 1st, 2009 at 10:41 am
HERMANITZ, VALE ESSE
Oi, meu querido Malta!
Gostei do que você escreveu. Mas há uma diferença entre “adorar” o Brasil e achá-lo “viável”. Viabilidade, como seu grande pai urbanista sabe, vem de “vias”, “caminhos” e o Brasil é viável.
O estranhamento de Caetano ao chegar em Sampa, não foi por notar (suponho) uma “inviabilidade” na cidade. Mas as múltiplas vias que ela tinha se cruzando num cenário difícil de interpretar e com certa ausência da beleza física natural.
Há muitas vias e cruzamentos em São Paulo. Muitas ligando a riqueza e a pobreza. No caminho que fazíamos pra jogar futebol no Sítio da Cantareira via-se. Havia (quantas vias) cruzamentos entre a pobreza e a riqueza empreendedora.
É lá que, nesse ano, o grande templo Igreja Renascer caiu. A Renascer é um estranho ponto de encontro de empresários ricos com uma multidão de pobres. Outro fenômeno paulista difícil de interpretar. Se pensarmos em Kaká, por exemplo. Garoto rico e instruído que ajudou a sustentar o embuste religioso. Ou a Daslu, que é outra espécie de templo que também caiu.
Você é um grande pintor. E acho que isso também se deve ao Brasil. A despeito de sua formação e de suas referências européias.
A palavra “provinciano”, que usamos tão pejorativamente, ao falarmos das capitais brasileiras, também tem sentido não pejorativo. São urbes jovens que imitaram seus pais e avós, como todos nós.
Como as capitais européias, a seu tempo, o fizeram. Mas o tempo tá passando e nossas cidades grandes buscam sua originalidade, com imensos problemas e algumas belezas. Erguendo e destruindo, como um adolescente.
Mas a sua pintura, a do Carlito Carvalhosa, do Nuno Ramos, Fábio Migues, Paulo Monteiro, Rodrigo Andrade, Leda Catunda; a música que vimos nascer nos anos 80 com Titãs, os filmes dos nosso amigo Cao Hamburger, todos nossos companheiros de futebol, são coisas nossas, como diria Noel.
De 2 anos pra cá não me sinto melancólico com relação a São Paulo, apesar do caos. Um amigo daqui, o teteco, fala de seus passeios com o filho para desestressar em SP.
Eu faço passeios noturnos de carro com a minha filha Bebel. São maravilhosos. O Marcos da Banca de Jornais da Praça Panamericana é meu conselheiro e dá dicas preciosas de sinuca. A Marta da padaria Letícia já sabe o que vou pedir e me trata com imensa ternura. São Paulo me trata muito bem, na média. E em alguns bairros pobres que frequento isso é mais intenso.
Também morei fora durante quase 3 anos e a saudade que senti do Brasil era tão forte que até hoje me sinto a matando.
Não sou ufanista, nem urbanista. Mas acredito em vias. A forma que Caetano defendeu o transporte público foi incisiva e correta. Carros deveriam ser permitidos apenas para o lazer noturno.
Seu pai é um mestre e se São Paulo não fosse viável, já teria desistido.
Viva a Via!
beijo na testa
salem
Abril 1st, 2009 at 12:03 pm
Fábia: gostaria muitíssimo que todos os interessados pudessem ver o filme da USP! SE eu conseguir entregar uma cópia para o Caetano, você vê aí com ele como fazer, é com vocês. Mas você tb pode me procurar e eu te mostro, a gente se conhece e conversa pessoalmente. OU então, você pode esperar um pouquinho (estamos buscando recursos para fazer uma remasterização e lançar um DVD comercial, fazer uma bela projeção… essas coisas). beijo Helena
Abril 1st, 2009 at 1:30 pm
Oi Fátima, Ivo Vellame era meu tio, irmão de meu pai. Falecido.
Abril 1st, 2009 at 3:02 pm
Fátima, em tempo:
Meus olhos não são azuis
Engraçado essas coisas que os doidos dizem e que muita gente tem no coração e não dize como os olhos azuis de Lula e o caso do professor de Medicina na Bahia.
Abril 1st, 2009 at 7:41 pm
Oi Helena, eu moro no Rio. Pelo que entendi você em Sampa, certo? Morei aí por cinco anos até fevereiro de 2008. Pode ser sim um encontro quando eu for aí, talvez em maio ou junho. Tomara que vocês consigam lançar o doc em DVD. Já pensou em exibi-lo numa TV, como a TV Brasil? Vejo muita coisa boa lá. Muitíssimo obrigada pela atenção e boa vontade.. beijos também.
Abril 1st, 2009 at 8:27 pm
Lula tá bombando:
- foto de destaque do lado da rainha em Londres
- reunião de Gordon Brown com Obama iniciada com uma citação dele
Abril 2nd, 2009 at 9:14 pm
Caro Caetano, suas referências são muito importantes para mim, que mudei-me recentemente a Bahia, e moro em Feira. Estou adorando conhecer essa terra, e tenho trabalhado em diversas cidades na região do sertão, agreste, recôncavo, litoral sul. Viajo todo mês a Curitiba mas tenho já tenho saudades da Bahia quando saio. Conheço sua obra desde menino, me considerava um “Caetanólogo”, que poderia responder sobre você como Clodovil respondeu sobre Dona Beija na década de 70, naquele programa apresentado por Paulo Gracindo, 8 ou 800. Qualquer dia vou conhecer Santo Amaro, e postar em meu blog a visita.
Baita bj!
Abril 2nd, 2009 at 10:05 pm
Caetano,
Moro em Sampa há cinco anos. Uma relação que se aprofunda em amor e ódio. Detesto os dias frios, de inversão térmica, a garoa - agora nada poética e mais afeita à chuva ácida. Sinto uma saudade sem fim da maresia, das sextas na Lapa e da paisagem sem igual do Rio.
Mas como não reconhecer? São Paulo é. Não bastasse tudo o que esta cidade igualmente provinciana e antenada gerou (Mário, Oswald, Geraldo Filme, Samba da Vela…), aqui encontramos o Brasil. No seu melhor e pior, diga-se de passagem.
Um passeio na mega livraria Cultura, o museu incomparável de Emanoel Araújo. A facilidade, o acesso, a qualidade, a entrega. E as pessoas?! Quinze minutos no Anhangabaú e você vai ouvir todos os sotaques. Ver o Brasil de perto.
No início, me irritei muito com as duras críticas feitas ao Rio, “à cidade do crime, onde ninguém vive em paz”. Sem dúvida, São Paulo é mais segura para a classe média. O dia a dia revelou, no entanto, um apartheid local, onde a miséria permanece afastada em bairros distantes.
Não sou mais ingênua de pensar, como já acreditei (confesso!), que o Rio, democrático por natureza, permitiria a ricos e pobres dividirem o espaço aberto e franco das praias. Tive a oportunidade de levar a questão a Milton Santos que me abriu os olhos.”Não se iluda. Preste atenção e você verá que os espaços estão marcados”.
Longe de concluir qualquer idéia, só queria concordar com você e dizer: Não se deve, ou melhor, não se pode ignorar São Paulo.
Termino com uma vontade enorme de agradecer pelos 20 anos de prazer com “Estrangeiro”. Um dos mais belos discos que já ouvi.
Abçs,
Ariadne
Abril 2nd, 2009 at 10:59 pm
Lula ao ladíssimo da Rainha Inglesa dos olhos azuis.
Como diriam os manos browns e blues: É NOIS NA FITA!
Confesso: meus olhos marejaram!
Abril 2nd, 2009 at 11:03 pm
Ou melhor: É NÓIS NA FOTO!
Abril 3rd, 2009 at 12:12 am
Concordo Caê:
Viva O Zeit GEIST!
Abril 3rd, 2009 at 1:01 am
Caetano, uma coisa é dizer que a camisinha espalha ou provoca AIDS e outra é dizer que campanhas pró-camisinha que não incluem a responsabilidade moral provocam ou espalham AIDS. A primeira frase, escrita pela jornalista, sugere ou pode sugerir uma relação direta de causa e efeito entre o uso da camisinha e a AIDS, que obviamente não existe na segunda, além de nela faltar à dimensão moral observada pelo papa. Tentei fazer essa distinção.
Othon
Abril 3rd, 2009 at 3:22 am
Caraíba: eu jamais rezaria para todos terem carros novos e bons. Ou velhos e ruins. Meu pai nunca teve carro. Felizmente. Ele não seria ele, maravilhosament ele, se tivesse tido. A ascensão social dos negros brasileiros me interessa muito. Sou espiritual. A ascensão social dos negros brasileiros me interessa mais do que o aquecimento global ou o consumo de carne bovina. Isto é simplesmente verdade. Mas eu não rezaria para todos terem carros.
Vellame: publiquei o texto de Maureen Dowd porque me interessa muito o fato de Lula estar bombando. Gosto muito disso. Somos espirituais.
Abril 3rd, 2009 at 5:11 am
Também cresci numa família sem carro e sem telefone. Só aos 19 anos, na capital, alugamos um telefone - e era caro - e aos 20 e poucos ou tantos, não lembro exatamente, minha irmã comprou o primeiro carro da casa, o primeiro objeto de desejo com a poupança do trabalho. Há 15 ou 20 anos. Depois dela, comprei o meu e desisti. Vendi e adoro andar de ônibus facilmente, morando na zona sul do Rio. Como não conheço bem a cidade imagino que na zona sul, por várias razões, inclusive o turismo, o transporte é mais fácil. Não sinto falta de carro e sonho com o dia em que as ruas estarão mais liberadas, sem tantos carros novos e bons ou velhos e ruins. Nas minhas viagens cabe uma tentativa de conto em que uma simples batida - sem mortos
- gera um engavetamento pela cidade inteira no qual ninguém consegue se mover. Não dá para dar ré, pq tem um carro atrás e outros e outros, por ruas e ruas. Pode ser qualquer grande cidade brasileira hoje. Então, as pessoas abandonam os carros onde estão por absoluta falta de mobilidade.
A gente aceita tudo né? Os carros chegaram, as pessoas morrem neles, com eles, por causa deles e a gente acha tudo muito natural. O máximo da contradição pra mim foi ouvir de Lula - que gosto, voto, torço como torço para Obama, Chico, Caetano, Ronaldão, Fred do fluminense e o Cruzeiro mineiro e outros menos conhecidos - fazer um comentário sobre a crise dizendo algo como as pessoas poderem comprar seus carrinhos. Mas já que o grande mal das crises econômicas é o desemprego, resta pensar que somos reféns da indústria automobilística - que em sua cadeia emprega muito - e de muitas outras coisas. Contradições das escolhas da humanidade.
Minha vontade é que a gente entre numa outra reflexão para gerar atitudes e novos rumos. Eu realmente espero e desejo isso. Espero estar viva pra ver. Vou fazer 40 e acho que isso é para quando eu estiver com 80 ou mais, se é que vou ver e viver. Meus amigos quando ouvem isso se assustam e acham que eu viajo. Mas acho mesmo que algo diferente precisa acontecer.
Abril 3rd, 2009 at 12:59 pm
With the anniversary of MLK’s assassination this weekend, this is too apropos to pass up. Here is an article from Wikipedia about a famous educational experiment:
Whether she planned the exercise previous to April 5, 1968 or not, on that day she implemented the exercise (also called an “experiment”) for the first time. Steven Armstrong was the first child to arrive to Elliot’s classroom on that day, asking why King was murdered the day before. After the rest of the class arrived, Elliot asked them what they knew about Negros. The children responded with various racial stereotypes such as Negros were dumb or could not hold jobs. She then asked these children if they would like to find out what it was like to be a Negro child and they agreed.
On that day, a Tuesday, she decided to make the blue-eyed children the superior first, giving them extra privileges like second helpings at lunch, access to the new jungle gym and five minutes extra at recess.[2] She would not allow blue-eyed and brown-eyed children to drink from the same water fountain.[4] She would offer them praise for being hard-working and intelligent. The “brownies” on the other hand, would be disparaged. She even made the brown-eyed children wear ribbons around their neck.
At first, there was resistance to the idea that brown-eyed children were not the equals of blue-eyed children. To counter this, she used a pseudo-scientific explanation for her actions by stating that the melanin responsible for making brown-eyed children… also was linked to intelligence and ability, therefore the “brownies” pigmentation would result in lack of these qualities.[2] Shortly thereafter, this initial resistance fell away. Those who were deemed “superior” became arrogant, bossy and otherwise unpleasant to their “inferior” classmates. Their grades also improved, doing mathematical and reading tasks that seemed outside their ability before. The “inferior” classmates also transformed – into timid and subservient children, including those who had previously been dominant in the class. These children’s academic performance suffered, even with tasks that had been simple before.[4]
The following day, Elliott reversed the exercise, making the brown-eyed children superior. While the brown-eyed children did taunt the blue-eyed in ways similar to what had occurred the previous day, Elliott reports it was much less intense. At 2:30 on that Wednesday, Elliott told the blue-eyed children to take off their collars and the children cried and hugged each other. To reflect on the experience, she had the children write letters to Coretta Scott King and write compositions about the experience.
Source: http://en.wikipedia.org/wiki/Jane_Elliott
Abril 3rd, 2009 at 3:05 pm
A feijoada regada a muito pagode de “fundo de quintal” era quase sagrada aos sábados, ouve um tempo que tomavam conta da cidade de São Paulo, hoje não sei mais se ainda é assim. Pompéia tinha um lugar que era bem famoso, sempre lotado com filas imensas (coisa que paulistas e paulistanos são bem habituados), mas ninguém parecia se importar com isso, enquanto esperávamos íamos tomando uma “birita”, um “caldinho”, e ninguém parecia se importar de arriscar uns pacinhos de samba ali mesmo na calçada. O que chamava a minha atenção era ver como as pessoas se interagiam, conheci muitas pessoas que somente encontrávamos nesses locais, nunca soube nada de particular sobre suas vidas, mas ali tocávamos momentos felizes, muitas vezes cheio de cumplicidade, como se fossemos amigos antigos.
Normalmente os relacionamentos humanos entre pessoas estranhas numa cidade grande são muito difíceis, com a desconfiança a frente de qualquer coisa, formando assim uma barreira quase intransponível. Mas este tipo de acontecimento, como também numa discoteca, ou outros eventos semelhantes as onde as pessoas trocam momentos sem grandes questionamentos.
É interessante observar que muitas pessoas pensam que esta estória de ter um nome fictício (nick mane) ou uma vida que não é a sua, fosse uma coisa inventada no mundo virtual, mas isso esta longe de ser verdade. Uma realidade que observei quando li o Baile Funk Carioca do Hermano Vianna, onde, ao questionar as pessoas que frequentam os bailes, sobre onde moram ou que o fazem profissionalmente, algumas vezes obtém respostas evasivas ou não verdadeiras. É obvio que ali o Hermano desenvolve um trabalho muito mais abrangente e interessante.
Dentro de tudo isso, coloco abaixo parte de um parágrafo, extraído desta obra do Hermano que parece traduzir bem o que eu gostaria de ter dito:
“A festa entra em cena como um outro “mundo”, onde as pessoas podem experimentar uma alegria impossível nas atividades “comuns”. É a natureza dessas festas que vai nos mostrar o que é condenável na vida séria. De um lado, encontramos aqueles autores que, explicitamente ou não, pensam que os indivíduos só podem se sentir felizes quando deixam de ser indivíduos e se entregam ao todo poderoso mas generoso coletivo. De outro lado, nos deparamos com uma minoria de individualistas convictos que enxergam no divertimento coletivo benefícios contrários aos anteriores: a vida séria, com suas incontáveis regras e hierarquias, não deixa que as pessoas expressem sua individualidade; é na festa, com o abrandamento, o questionamento e até a inversão dessas regras, que o indivíduo descobre a ocasião para ser senhor de sua própria vontade, “dono de seu nariz”
Beijos
Abril 3rd, 2009 at 3:38 pm
Olha andei lendo meu comentario enquanto esta por ser aprovado e vi que o paragrafo 2 para ter sentido teria que vir abaixo do paragrafo 3 mas acredito que quem ler ate o final vai entender bem.
é isso ai… beijos
Abril 3rd, 2009 at 5:30 pm
Eu acho que essa versão de que os Racionais incentivam o crime e tudo mais é meio passadista. O que aconteceu com o Mano Brown (por que quando se fala de Racionais MCs, na maior parte dotempo o assunto é Mano Brown mesmo) é que eles têm mesmo uma certa indiferença ao universo que não faz parte do deles.
Essa indiferença fez ele desistir de fazer da música dele um palco político e de denúncia e ele começou a se transformar no mais poético dos contadores de história da música atual no Brasil. E isso é curiosíssimo se pensamos em São Paulo que tem tantos gênios da música narrativa brasileira (Vanzolini, Adoniran, Geraldo Filme, Itamar, Arrigo…). Gente que sempre usou a música também para contar histórias. Uma tradição que tem muito a ver com as raízes caipiras e nordestinas tão presentes em todo lado em São Paulo.
Mano Brown colocou essa tradição em outra escala e deu uma profundidade gigantesca. Não é àtoa que em suas novas músicas ele tá buscando uma realidade dos bailes black de sua juventude, pra buscar um elemento novo pra sua narrativa, eu presumo.
Em minha opinião em Sobrevivendo no Inferno (em músicas como Capítulo 4, Versículo 3), o Brown começa aa sair do personagem que monologa em canções tradicionais do rap e parte pra construção de uma verdadeira dramaturgia.
Nos discos anteriores, músicas como Fim de Semana no Parque e o Homem na Estrada (mesmo em Hey Boy, onde Ice Blue fala com um interlocutor quase mudo) e ainda em Sobrevivendo, em Diário de um detento , Brown se tornou um mestre de mostrar um contador de hstórias contando as suas versões pra fatos sempre controversos.
Mas emO Nada como um dia depois do Outro (chora agora e ri depois) Brown radicaliza esse formato e transforma a canção em uma dramaturgia de vários personagens para não mais do que um ator.
Vida Loka II e artigo 157 são exemplo belíssimos dessa construção de uma cena mesmo.
Além disso aquela introdução melodramática do “Jesus Chorou” é uma das coisas que mais me arrepiaram na música brasileira. A primeira vez que eu ouvi, foi como se eu tivesse sendo submetido a alguma coisa a alta voltagem. Olha só um trecho:
“O que é, o que é??
Clara e salgada, cabe em um olho e pesa uma tonelada…tem sabor de mar,
pode ser discreta, inquilina da dor, morada predileta….na calada ela vem, refém da vingança, irmã do desespero, rival da esperança… pode ser causada por vermes e mundanas…e o espinho da flor, cruel que você ama
amante do drama, vem pra minha cama, por querer, sem me perguntar
me fez sofrer…e eu que me julguei forte…e eu que me senti…serei um fraco, quando outras delas vir..se o barato é louco e o processo é lento…no momento…deixa eu caminhar contra o vento…o que adianta eu ser durão e o coração ser vulnerável…o vento não, ele é suave, mas
é frio e implacável….(é quente) borrou a letra triste do poeta (só) …..correu no
rosto pardo do profeta…verme sai da reta…a lágrima de um homem vai cair…esse é o seu B.O. pa eternidade…diz que homem não chora…ta bom, falou…não vai pra grupo irmão ai …. Jesus chorou!”
Eu duvido que isso aconteça, mas eu já sonhei muitas vezes (e verdade) com a Maria Bethânia recitando uma coisa dessas. Acho que seria lindo.
Certa vez, eu assisti a um documentário sobre os Racionais chamado Aqui Favela Rap representa em queo entrevistado final é o Brown. O desabafo dele é sobre isso: “Por que eu não posso ser simplesmente um narrador da periferia?”. Ele mesmo fala, não glorifico ninguém nas minhas músicas. Os personagens são uns fodidos.
Na minha opinião, o Brown é o personagem mais complexo da música brasileira dos últimos anos. E a complexidade da obra dele, o seu personagem tão errático e controverso e a mitologia em torno dele são muito reveladoras do Brasil que a gente vive hoje.
Abril 3rd, 2009 at 5:39 pm
Mais um pouquinho da genial Jesus Chorou:
“Vermelho e azul, hotel,
pisca só luz, nos escuros do céu
Chuva cai lá fora e aumenta o ritmo,
sozinho eu sou agora o meu inimigo intimo(…)
Periferia, corpos vazio e sem ética
lotam os pagodes rumo a cadeira elétrica
eu sei, você sabe o que é frustação?
máquina de fazer vilão.(…)”
Abril 4th, 2009 at 6:21 pm