home LETRAS SHOWS CONVIDADOS "REGRAS" SOBRE
Busque aqui:    


Letras e Shows atualizados
20/08/2008 5:29 am

OBRA EM PROGRESSO ANUNCIA: As letras de “Lapa” e “Lobão tem razão” já estão publicadas em LETRAS. O set list do primeiro show do Casa Grande (realizado ontem, 19/08/2008) também já está publicado em SHOWS. Desta vez Marcelo Roselli, marido de Giovana Chanley (musa deste blog), teve papel fundamental. Mas não tirando fotografias, ou se aventurando nas ruas de Moscou ou Istambul. Foi ele quem descobriu a entrevista do JB com Lobão e mandou o texto para o Caetano. O jornal chegou no camarim momentos antes do início do show, mas acabou “costurando” seu roteiro, desencadeando novas situações provocantes (em vários níveis, e referentes a múltiplas discussões) de “stand-up comedy“. Tudo vai aparecer em vídeo e em breve por aqui.

PS: O set list do show de 20/08/2008 também já está publicado em SHOWS. Foram poucas as mudanças com relação ao show do dia anterior: Caetano não cantou La Mer, e no lugar de Todo Errado, ele e Jorge Mautner (com, é claro, a participação de Nelson Jacobina) cantaram O Vampiro, com a levada carimbó elétrico apresentada no primeiro show de Obra em Progresso do Vivo Rio.

9 comentários » | Assuntos: , , , ,

A Obra de ontem segundo um fã
20/08/2008 5:24 am

AQUI FALA O HERMANO: Quem quiser pode conferir nos comentários de todos os post deste blog: o Tyrone está sempre presente. Foi aqui que eu o conheci virtualmente. Percebi logo que ele sabe tudo sobre todos os discos e shows do Caetano. É uma enciclopédia ambulante de conhecimentos transcaetânicos! Pois bem: encontrei com o Tyrone na porta do show de ontem: ele veio se apresentar e me disse só tinha ingresso para o show de hoje, mas mesmo assim foi para o Casa Grande, para tentar arrumar uma maneira de entrar. Conseguiu, não sei como: no final, lá estava o Tyrone no camarim. Não resisti e pedi para ele um relato da noite. O cara é rápido. Suas impressões já estão aqui. O blog vive seu momento de radical democracia: o povo dos comentários ocupa a sala de visitas da Obra em Progresso (rsrsrsrsrsrs):

“Penúltimo show da série Obra em Progresso: ao contrário do VivoRio, a acústica do OI CASA GRANDE é 100%. Mas como é um teatro, tem-se ali um ‘vibe’ de peça-de-teatro. Ou seja, as pessoas, de modo geral, se comportam ou tentam se comportar como público compenetrado de teatro - o que para a idéia do show foi certeiro.

Caetano abre com a totalmente inédita “Lobão tem razão”, claro que com uma certa ironia diante da canção feita em 2001 por Lobão, e dedicada ao Caetano. A canção de Lobão chama-se “Para o mano Caetano”, que por sua vez, é uma brincadeira com o título “Mano Caetano”, de Ben Jor, gravado pelo próprio junto com Bethânia em 1971, ou talvez com o “e hoje olha os mano” [trecho da letra de Rock'n'Raul] - música que Caetano fez em 2000 citando Raul Seixas, e que citava também o Lobão em “E o lobo bolo” [que já seria o Caetano mostrando que nem só de rock vive Lobão]. Caetano foi ao Programa de Jô Soares para lançar o disco “Noites do Norte” - que tem a tal “Rock’n'Raul”, e o convidado do programa era, além de Caetano, o Lobão! - não fazendo por menos, Caetano em voz e violão, tocou a canção para o Lobão, que a conheceu naquele momento.

Voltando ao show: do falado disco “Transa”, Caetano fez “You Don’t Know me”. Inevitavelmente rolou “Desde que o samba é samba” - com o arranjo do show Cê, que é já o embrião daquilo que a gente chama de “Transamba”. Uma das músicas que prendem a atenção do público é “Sem Cais”, feita em parceria com o guitarrista Pedro Sá. Já no VivoRio era uma canção que entrava rápido na cabeça-coração das pessoas, e bem aplaudida - essa música vai render muito!

Depois vieram as inéditas “Tarado ni você” (pode-se dizer que há ali uma conotação bissexual, em “todo mundo nu”, e o ato de observar esse todo mundo, estando também nu?!) e “Por quem”, canção que creio que em estúdio fará milagres, com sons que muita gente gosta de chamar de “lounge”. Caetano canta em falsete, e o Ricardo aparece bem aqui [mostre-se mais no show, Ricardo!]

Na década de 70 João Bosco e Aldir fizeram “Incompatibilidade de gênios” - Caetano desde o VivoRio canta essa canção, e a Banda Cê o acompanha num arranjo indie, mais apartamento, mas cara de casal menos careta, mais urbano.

Eu gosto mesmo é quando Caetano canta seu próprio repertório. Eu não tinha ido ao show do VivoRio no dia que ele fez a canção “Uns”, e sem eu esperar, teve “Uns” na primeira noite de Casa Grande. Adorei! Primeiro porque o disco de 1983 que tem o mesmo nome da canção é um dos melhores da carreira do Caetano. Segundo porque “Uns” tomou uma nova dimensão nesta “Obra em Progresso”, uma revigorada que eu não imaginava que a canção dava para tanto. Essa é pra ficar na turnê do disco - momento ‘beeshasejoga’.

Citei o LP de 83, e nele também há “Coisa mais linda”, do Carlos Lyra… Do momento do show ainda com a banda Cê rolou “Saudade fez um samba” - que só conheço pelo João Gilberto, de início de carreira - que é do Lyra e do Bôscoli. Caetano no show “Uns” no Canecão, segundo eu soube, já fazia elogios rasgados ao Carlos, e fez o ‘mesmo’ discurso no Leblon durante a “Obra”.

Depois vieram “Perdeu” e “Base de Guantánamo”. Duas inéditas super aplaudidas durante o show, e que já eram sucesso no VivoRio, e ainda serão mais comentadas quando o disco sair. “Base” tem a presença que o “Haiti” já tinha no show “Noites do Norte”, ou mesmo no show “Fina Estampa” - a pessoa adora e memoriza no momento em que é apresentada. Já em “Perdeu” Caetano faz uso de muitas palavras, e na cabeça do ouvinte que não conhece a letra passam-se figuras, cenas, meio clipe fotojornalistico.

Surpresa do show foi a desconhecida “Água”, do disco “Futurismo”, que saiu há pouco tempo, do Kassin+2. Caetano interpretou muito bem, e tem tudo a ver com a estética do show. Há uma passagem de “Água” que é simbólica: “eu juro que vou, e sei que vai passar o seu rancor, o sangue não se torna água”.

Outra inédita que teve presença impactante já no VivoRio é “Falso Leblon” - embora a letra enumere “ecstasy, bala, balada…” (na escrita seria “ecstasy [bala], balada” no sentido que bala é o apelido da substância), tudo parece se referir a uma mesma coisa. ‘Ecstasy’ já significa euforia… enfim.

No primeiro dia de VivoRio rolou “Três Travestis”, que a Zezé Motta gravou num compacto em 82. Ela disse a mim, no próprio Casa Grande, que fez um clipe com essa canção, creio que para o programa “Fantástico”, da TV Globo. Bom, Caetano repetiu o número mas sem a euforia [ecstasy, rs] da platéia do VivoRio - que ainda estava sob efeito de Ronaldinho na mídia pelo lance que aconteceu na Barra da Tijuca. Depois veio (no mesmo momento banquinho e violão) Vingança, do Lupicínio - que a Bethânia gravou bacana no disco “Memória da Pele”, em 89. Ah, o Caetano chega a falar sobre Lupicínio no VHS “Circuladô Vivo”, onde também faz um trechinho de “Vingança”. Por fim, uma homenagem ao Caymmi em “Você já foi à Bahia?”.

Volta a banda Cê. A inédita “Lapa” rolou depois, o arranjo é um dos melhores do show, e a letra tem citações de alguns lugares do bairro que é híbrido e boêmio.

Do disco “Cê” as empolgantes “Homem” e “Odeio” - sempre que a banda Cê faz essa canção é injetado um novo barulhinho, soando mais ‘pau dentro’ que no “Cê Multishow Ao Vivo”. Caetano gravou duas vezes em sua carreira “Nosso estranho amor”, as duas com voz e violão. Já na “Obra” a música surge num arranjo com banda, que é o momento mais participativo do público, depois de “O Leãozinho” (sempre cantada no bis com novo arranjo que lembra a gravação que o Dadi fez em 1992, do disco “Circuladô Vivo”. Teve um rapaz da poltrona do meu lado que manifestou sobre “Leãozinho”: “nossa, essa música é tão circo”.)

“A Cor Amarela” é uma homenagem à Axé Music, bem cara de festa e fim de show, e é a canção que pode tocar no rádio a nível de “Luz de Tieta”.

Com “Todo errado” e a dançante e debochada “Manjar de Reis”, Jorge Mautner e seu eterno companheiro Nelson Jacobina, subiram ao palco para finalizar com Caetano uma noite inesquecível, de menos participação do público e muito mais observação.”

26 comentários » | Assuntos:

Preparando o retorno ao Brasil e ao canteiro da Obra
27/07/2008 5:45 pm

Caetano, em comunicado provavelmente final desta turnê européia, sintetiza parte do que aconteceu por lá, por aqui (neste blog) e do primeiro show do Vivo Rio até aqui (nesta Obra, limpando o terreno para sua continuidade):

“Transamba é transcriação do samba em chave nova. Bossa nova, esquema novo, novos baianos. Marcos Moran e o Samba Som 7 já tinham o mais transamba dos sambas do Chico, o mais do Paulinho, Antonio Carlos e Jocafi, “O Lado Direito da Rua Direita” e Novos Baianos. Além de guitarra no samba (Novos Baianos já eram isso). Haroldo de Campos chamou de “transblanco” a tradução (”transcriação“) que fez do “Blanco” de Octavio Paz. Pedro Sá vive lendo Octavio Paz. Está apaixonado. Terá lido esse “Transblanco”? Vamos tocar aí no Rio na segunda quinzena de agosto.

Como tudo o que faço em música, a inspiração prática, técnica, tangível, material do meu “transamba” veio de Gilberto Gil. A batida que fiz tocando “Minha flor, meu bebê” - e que está em “Perdeu” e é a base por trás do tratamento das outras canções, inclusive a de Bosco/Blanc - vem de um jeito que Gil inventou para estilizar o samba no violão, nos anos 70. Não sei se há gravações profissionais dele tocando assim (Gil muito freqüentemente fazia coisas em casa que sumiam nos arranjos de estúdio). Mas seguramente foi imitando (limitadamente) o que ouvia Gil fazer que construí a versão de “Madrugada e amor”, acho que do disco “Qualquer Coisa”, e mesmo minha versão de “Eleanor Rigby”, que eu acho linda, com Perinho Albuquerque fazendo guitarra solo sobre meu violão gilbertogilesco e eu cantando um pouco como Amália Rodrigues (mas em que os ingleses e os americanos não viram graça, que eu saiba, assim como não vêem em nada do “A Foreign Sound”).

A catedral de São Basílio é linda como um sorvete; os lutadores da porta do hotel de Caserta são grande cena homoerótica masculina; Noel não é racista nem misógino (essa racialização e sexualização dos argumentos políticos é algo que desejei desde antes do tropicalismo mas hoje tenho de reconhecer quanto pode - como uma vez me disse João Gilberto - atrapalhar o processo: eu disse aquilo sobre o “Feitiço da Vila” porque quero lutar contra esses engessamentos, como quem diz: então vamos fazer exigências politicamente corretas incômodas pra ver se agüentamos); Os “Três travestis” ressuscitaram graças ao caso Ronaldo (que não merecia ter a vida invadida por ameaças que usam o “jornalismo-fofoca-de-celebridades” como arma): o bom disso é a canção - e a oportunidade de sugerir: Jô, meu querido Jô Soares, faz uma entrevista com a Keila Simpson, a principal informante do trabalho feito sobre o travestismo no Brasil pelo antropólogo americano Don Kulick; ela, Keyla, é uma pessoa incrivelmente articulada e tem muito a contar sobre a realidade da vida dos travestis brasileiros (vive em Salvador mas já viveu em Milão e sabe de tudo: está ligada a organizações de humanização da condição das travestis)! - e o livro “Travesti” acaba de sair traduzido em português; amigos americanos liberais (isso lá quer dizer “de esquerda”, ao contrário do Brasil) me dizem que votaram em Obama e gostam dele mas já sabem que ele vai decepcioná-los: bem, eu não me decepcionei com Lula porque não esperava coisa muito diferente do que há - e não votei em Obama; a fantástica frase “prefiro Obama a Hillary porque gosto muito mais de preto do que de mulher” foi outra provocação com a racialização e sexualização da política, mas também, e principalmente, uma homenagem à memória de Pierre Verger:

Tendo Verger ido a minha casa na Bahia com umas moças que fizeram um documentário sobre ele, e vendo que o VHS não reproduzia as cores, me segredou: “assim é melhor, tudo em preto e branco; pra ficar perfeito só falta parar a imagem”. Perguntei porque ele não gostava da imagem em movimento. Ele disse que nunca gostara de cinema porque “em movimento você não consegue uma composição realmente bonita”. Assistimos ao documentário em preto e branco. Depois que acabou, voltei à conversa com ele: - “você me explicou por que não gosta da imagem em movimeno; mas e as cores, qual o problema com as cores?” Ele respondeu: “ah, cores não, cores são uma vulgaridade”. Achei a resposta insatisfatória, embora compreensível: era um lugar comum que ele repetia com a alegria de quem nem precisa elaborar. Adotei esse tom menos responsável e disse: “você gosta mesmo é de preto-e-branco”. Ele, com maior alegria (e maior originalidade do que na resposta elaborada), contestou: “gosto muito mais de preto do que de preto-e-branco”.

Os shows solo aqui foram muito bons. Eu não esperava. Os melhores foram o de Luxemburgo (a acústica do teatro!), o de Viena, o de Roma e o de Oeiras (nos jardins do palácio do Marquês de Pombal). Houve duetos memoráveis com Stefano Bollani em Perugia e Cagliari. Mas nessas outras cidades foi tudo ainda mais bonito. Bollani é um jovem gênio do piano de jazz que gravou um disco chamado “Carioca” com músicos brasileiros (inclusive meus amados Marçalzinho e Jorge Élder), onde ele mostra uma clareza incrível na compreensão do espírito do choro. Mas nesses dias não cantei “Minha voz, minha vida” como em Viena ou Oeiras. Sobretudo não cantei “Odeio” e “Homem” em versões eficientes para violão solo que me surgiram aqui (nada mudou, mas é diferente). O pior show foi em Moscou: não tinha público propriamente, era um show fechado para empreendedores imobiliários russos. Muito charuto. Tenho horror a charuto. Eram jovens com terninhos new wave fumando charuto. O lugar tinha decoração yuppie também. Mas encontrei Tânia Maria e tocamos juntos, o que foi uma grande alegria. Fizemos “Manhã de carnaval” para nós mesmos e ficamos felizes com isso. “Manhã de carnaval” é a canção de Bonfá para o “Orfeu” que Tom Jobim chamava “aquela música russa” (e cuja coda ouço sempre por trás de “Stairway to Heaven“). Fiquei surpreso com vienenses me esperando à porta do hotel para pedir autógrafo e fazer fotografia. Uma gente de todas as idades, com jeito de solitária, sem falar português, falando inglês com sotaque forte e exibindo CDs antigos e novos meus, além de capas de discos de vinil. Jorge Mautner não saía da minha cabeça. Queria que ele visse os austríacos em plena brasilificação. Talvez eles saibam quão perto estão da outra opção. Istambul: o show lá foi lindo mas a cidade merece texto à parte.”

32 comentários » | Assuntos: , , , , , , , , , , , , , , ,

De volta à Revolução Cubana
21/07/2008 12:48 am

Caetano, ainda na Europa, não se esqueceu de sua promessa:

“Eu disse que voltava ao assunto:
Na Europa todos os jornalistas me perguntam sobre o caso Fidel. Eles sabem apenas que Fidel ralhou comigo por causa de uma canção sobre Guantánamo. Fico um tanto triste. Na verdade acho que Fidel não foi político ao me acusar de pedir perdão ao imperialismo americano e a chamar a atenção para um trecho de entrevista onde aparece crítica a Cuba (e reconhecimento dos conseguimentos civilizatórios dos Estados Unidos), em detrimento da canção em si, que é o que devia contar mais. Afinal uma canção é imediatamente ouvida e assimilada por muitos; uma entrevista, mal e mal por poucos. No nosso caso, a canção mostrou-se forte, arrancando aplausos entusiasmados em todos os shows do Obra em Progresso e repercussão na imprensa e um forte boca-a-boca. Com o evidente potencial de, uma vez gravada, tornar-se enormemente conhecida e mesmo amada. Já a entrevista nem era boa. Tive pequenos problemas com o modo como ela foi editada (sobretudo no que diz respeito à sucessão presidencial e à ausência de crédito a uma frase de Mangabeira), mas não especialmente no que se refere ao caso Fidel/”Base de Guantánamo”. Quanto a isso, sei que fui eu a me expressar de modo afobado e daí obscuro. Eu não queria receber aplausos fáceis da esquerda e ser tomado por um anti-americanista recém saído do armário. Não sou Neil Young. Nem quero ser o Mick Jagger de “Sweet Neo Con” or something: um inteligente neo-liberal (no sentido nobre do termo) como Jagger jogando para a galera num tom que, a despeito do acerto básico na apreciação da questão, soa demagógico. Minha “Guantánamo” não tem nada disso. O próprio estilo despido e enxuto (diferente aliás, quanto a isso, embora não quanto à sinceridade, do de “Haiti”, com que alguém aí, erradamente, a identificou) atesta uma atitude direta nascida de observação simples que levou a um estado de espanto indignado. Pareço um poeta concreto, fazendo boa crítica positiva do próprio trabalho? Ótimo. Adoro parecer um poeta concreto. Se o risco de a crítica estar muito aquém da que os pobres produtores das obras podem apresentar, para que falsa modéstia? Fidel poderia ter sido aconselhado por aqueles que, perto dele, ouvem música e pensam em cultura a calar o bico e deixar a canção fazer sua parte, com a entrevista relegada ao esquecimento. O resultado seria um renascimento da força afetivo-simbólica que a revolução cubana tem na mente da minha geração de latino-americanos. E até da imorredoura simpatia que a própria figura de Fidel arranca do nosso cerebelo. (Ou hipotálamo?) Mas não. Ele transformou o episódio numa manifestação anti-Cuba. Os europeus não conhecem a canção, só a fofoca de celebridades velhas do folclore político da América Latina: o Comandante contra o “ex-revolucionário” tropicalista. A ignorância! Mas insisto em que um país onde as pessoas precisam de permissão especial para viajar ao exterior não é o melhor exemplo de respeito aos direitos humanos. Ir e vir é simplesmente o mais básico destes. Deixa os frankfurtianos dizerem que a “busca da felicidade” é mais cruel do que o nazismo. Tou fora. Só espero que com essas declarações sinceras de amor (mesmo meio morto) pela revolução cubana, não venha agora ser a CIA a anotar que pedi perdão ao ditador. Mas acho que a CIA é menos grossa do que isso.”

11 comentários » | Assuntos: , , , , , ,

Ainda Fidel
21/06/2008 3:04 pm

No post “Caetano fala sobre acusações de Fidel”, disponível abaixo, Caetano declarou: “O texto de Fidel é autocongratulatório, prolixo e injusto. Sobretudo com Yoani Sánchez, a cubana que mantém o blog “Generación Y” (http://www.desdecuba.com/generaciony). Ela e seu marido Reinaldo Escobar deram a resposta que eu gostaria de dar a Fidel”. Caetano recomenda que todo mundo leia a resposta de Reinaldo Escobar (link), por isso Obra em Progresso publica aqui uma tradução também ainda em progresso:

SOBRE O TELHADO DE VIDRO

O ex-presidente Fidel Castro acaba de publicar o prólogo do livro “Fidel, Bolivia y algo más” em que ele desqualifica o blog Generación Y que minha esposa, a bloguera Yoani Sánchez, mantém na internet. Desde o primeiro dia ela colocou seu nome e sobrenome (que ele omite) com sua foto à vista dos leitores para rubricar os textos que escreve com o único propósito, repetidas vezes confessado, de vomitar tudo que lhe produz náuseas em nossa realidade.

O ex-presidente desaprova que Yoani tenha aceitado o prêmio Ortega y Gasset de jornalismo digital do presente ano, argumentando que isso é algo que propicia ao imperialismo mover as águas em seu moinho. Reconheço o direito que tem este senhor de fazer esse comentário, mas me permito fazer a observação de que a responsabilidade que implica receber um prêmio nunca será comparável àquela de outorgá-lo, e Yoani, ao menos, nunca colocou no peito de nenhum corrupto, traidor, ditador ou assassino nenhuma condecoração.

Faço este esclarecimento pois recordo perfeitamente que foi o autor dessas reprovações quem colocou (e ordenou colocar) a Orden José Martí nas mais nefastas e imerecidas lapelas que foi possível: Leonid Ilich Brezhnev, Nicolae Ceausescu, Todor Yivkov, Gustav Husak, Janos Kadar, Mengistu Haile Mariam, Robert Mugabe, Heng Samrin, Erich Honecker, e outros que esqueci. Gostaria de ler, à luz destes tempos, uma reflexão que justifique aquelas honras improcedentes que, para mover água de outros moinhos, encheram de lodo o nome de nosso apóstolo.

É certo que o nome do filófoso Ortega y Gasset pode ser relacionado com idéias elitistas e até reacionárias, mas ao menos, nunca lançou tanques contra seus vizinhos incorformados, nem contruiu palácios, nem encarcerou nenhum dos que pensavam diferente dele, nem deixou em maus lençóis seus discípulos, nem reuniu fortunas com a miséria de seu povo, nem construiu campos de extermínio, nem deu a ordem de disparar contra quem - para escapar - saltou o muro de seu pátio.

REINALDO ESCOBAR (Reinaldo Escobar (1947). Jornalista, nasceu e vive em Cuba. Licenciou-se em Jornalismo na Universidad de La Habana (1971) e trabalhou para diferentes publicações cubanas. Desde 1989 trabalha como jornalista independente e seus artigos podem ser encontrados em diferentes publicações européias, no Encuentro en la Red e na Revista Digital Consenso.)

Aqui vai o artigo original, como publicado no blog (link) de Reinaldo Escobar, no dia 18/06/2008:

SOBRE EL TEJADO DE VIDRIO

El ex presidente Fidel Castro acaba de publicar un prólogo al libro Fidel, Bolivia y algo más en el que descalifica el blog Generación Y que hace en Internet mi esposa, la blogera Yoani Sánchez. Desde el primer día ella ha puesto su nombre y apellido (que él omite) con su foto a la vista de los lectores para rubricar los textos que escribe con el único propósito, repetidas veces confesado, de vomitar todo lo que le produce náuseas de nuestra realidad.

El ex presidente desaprueba que Yoani haya aceptado el premio Ortega y Gasset de periodismo digital del presente año, argumentando que esto es algo que propicia el imperialismo para mover las aguas de su molino. Reconozco el derecho que tiene este señor a hacer ese comentario, pero me permito hacer la observación de que la responsabilidad que implica recibir un premio nunca será comparable a la de otorgarlo, y Yoani, al menos, nunca ha colocado en el pecho de ningún corrupto, traidor, dictador o asesino alguna condecoración.

Hago esta aclaración porque recuerdo perfectamente que fue el autor de estos reproches quien puso (u ordenó poner) la Orden José Martí en las más nefastas e inmerecidas solapas que le fue posible: Leonid Ilich Brezhnev, Nicolae Ceausescu, Todor Yivkov, Gustav Husak, Janos Kadar, Mengistu Haile Mariam, Robert Mugabe, Heng Samrin, Erich Honecker, y otros que he olvidado. Me gustaría leer, a la luz de estos tiempos, una reflexión que justifique aquellos honores improcedentes que, para mover agua de otros molinos, enlodaron el nombre de nuestro apóstol.

Es cierto que el nombre del filósofo Ortega y Gasset puede relacionarse con ideas elitistas y hasta reaccionarias, pero al menos, a diferencia de los condecorados por el prologuista, nunca lanzó los tanques contra sus vecinos inconformes, ni construyó palacios, ni encarceló a ninguno de los que pensaban diferente a él, ni dejó en la estacada a sus seguidores, ni amasó fortunas con la miseria de su pueblo, ni construyó campos de exterminio, ni dio la orden de disparar a quienes -para escapar- saltaran el muro de su patio.

REINALDO ESCOBAR - Reinaldo Escobar (1947) Periodista, nació y vive en Cuba. Se licenció en Periodismo en la Universidad de La Habana (1971) y trabajó para diferentes publicaciones cubanas. Desde 1989 ejerce como Periodista Independiente y sus articulos se pueden encontrar en diferentes publicaciones europeas, en Encuentro en la Red y en la Revista Digital Consenso.

4 comentários » | Assuntos: , , , , ,

Caetano fala sobre acusações de Fidel
19/06/2008 9:14 pm

Hoje o jornal O Globo publicou a matéria “Guantánamo: Fidel critica opinião de Caetano” (caderno Mundo, página 36), que continha o seguinte trecho:

HAVANA. O líder cubano Fidel Castro criticou declarações do músico brasileiro Caetano Veloso num livro cujo conteúdo foi divulgado ontem. Fidel interpretou como um pedido de perdão aos Estados Unidos comentários de Caetano sobre sua música “Baía de Guantánamo”, parte do repertório do novo disco do compositor.

Para Fidel, a declaração foi uma “prova da confusão e do engano semeados pelo imperialismo”. No texto intitulado “Fidel, Bolívia e algo mais”, o líder cubano critica o fato de Caetano ter se dito “100% mais” do lado dos Estados Unidos do que de Cuba em matéria de direitos humanos, em entrevista publicada pela “Folha de S. Paulo” em 26 de maio.

“Se eu fosse um tipo de pessoa de esquerda, pró-Cuba, anti-Estados Unidos, não sentiria decepção alguma pelo que ocorreu nas prisões de Guantánamo”, segundo reproduz Fidel em seu prefácio a partir das declarações publicadas no jornal brasileiro.

“Em duas palavras: o músico brasileiro pediu perdão ao império por criticar as atrocidades cometidas naquela base naval em território ocupado de Cuba”, disse Fidel, de 81 anos, que passou a se dedicar a escrever depois de ter se afastado do governo.

Caetano declara:

“Não pedi perdão a ninguém. Procuro pensar por conta própria. Minha irreverência diante dos poderes estabelecidos é impenitente. Dois dias depois de dar a entrevista citada por Fidel, eu disse à televisão austríaca que a tendência sociológica de considerar o racismo no Brasil pior do que o apartheid na África do Sul é uma manobra da CIA. Sou um artista. Minhas palavras são: criação e liberdade. Se não me submeto ao poderio norte-americano, tampouco aceito ordens de ditadores. Fidel nos deve explicações a respeito de sua identificação com os estados policiais que o comunismo gerou. Hoje toda a esquerda silencia sobre a Coréia do Norte, como silenciava sobre a União Soviética na minha juventude. A canção “Base de Guantánamo” não seria composta se eu não tivesse a evidência de que nos Estados Unidos há respeito aos direitos dos cidadãos como não se vê em Cuba. A decisão da Suprema Corte americana, reconhecendo o direito a habeas corpus aos prisioneiros de Guantánamo é expressão disso. Tampouco seria possível a canção sem o valor simbólico que a revolução cubana tem em nossas mentes. Lembro de ter sentido, quando excursionava com Fina Estampa, que a tragédia de Cuba (com liberdades cerceadas na ilha e uma população inimiga do regime atuando em Miami) era mais vital do que a segurança dessangrada de Porto Rico. Tenho idéias e reações emocionais complexas. Não aceito pacotes fechados. O texto de Fidel é autocongratulatório, prolixo e injusto. Sobretudo com Yoani Sánchez, a cubana que mantém o blog “Generación Y” (http://www.desdecuba.com/generaciony/). Ela e seu marido Reinaldo Escobar deram a resposta que eu gostaria de dar a Fidel. Ainda volto ao assunto.”

34 comentários » | Assuntos: , , , , , ,

A música “Base de Guantánamo”
19/06/2008 9:04 pm

Caetano canta “Base de Guantánamo” - no final um “agradecimento” à Suprema Corte dos EUA

8 comentários » | Assuntos: , , , ,

Caetano Veloso comenta a música “Base de Guantánamo”
19/06/2008 1:34 pm

Caetano comenta a música “Base de Guantánamo”

Letra:

O fato dos americanos desrespeitarem os direitos humanos em solo cubano

É por demais forte simbolicamente para eu não me abalar.

A Base de Guantánamo,

A Base da Baía de Guantánamo,

A Base de Guantánamo,

Guantánamo.

8 comentários » | Assuntos: , , , , ,

SHOWS
Março 2010
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  
Categorias
» A Cor Amarela
» Banda Cê
» Base de Guantánamo
» Concepção
» Convidados
» Curiosidades
» Ensaios
» Falso Leblon
» Fidel Castro
» Gravação
» Homenagem à Violeta Arraes
» João Bosco
» Lapa
» Lobão Tem Razão
» Menina da Ria
» Noel Rosa
» Novas Canções
» Obama
» Perdeu
» Por Quem
» raça
» Sem Cais
» Shows
» Tarado Ni Você
» Turnê Européia Solo
ARQUIVOS
» Abril 2009 » Março 2009 » Fevereiro 2009 » Janeiro 2009 » Dezembro 2008 » Novembro 2008 » Outubro 2008 » Setembro 2008 » Agosto 2008 » Julho 2008 » Junho 2008
RSS
RSS de posts

RSS de comentários
DIVULGUE
Seu nome

Seu email

Nome do amigo(a)

Email do amigo(a)

  
Compartilhe: