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	<title>Obra em Progresso - Caetano Veloso</title>
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	<pubDate>Wed, 19 Nov 2008 15:28:18 +0000</pubDate>
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		<title>TOM ZÉ, MARIANA, BARBARA &#038; DAVID BYRNE</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Nov 2008 07:21:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Obra Em Progresso</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Ouvi o disco de Tom Zé. Muito legal. Muito ele mesmo. Quando li que se chamava &#8220;estudando a bossa&#8221;, ri, gostei do tom de trilogia com os outros dois &#8220;estudandos&#8221;, e fiquei curiosíssimo para ver como é que ele ia tratar musicalmente o assunto. Diferentemente de mim, de Gil, de Gal e da torcida do Bahia, Tom Zé nunca foi um bossanovista. Comentado o &#8220;Estudando o samba&#8221; com David Byrne em Nova Iorque, logo que saiu a primeira coletânea de Tom Zé que ele fez, eu disse: &#8220;Muito da força desse disco vem de Tom Zé não ser da área do samba: ele não é do Recôncavo, tem sotaque do sertão, não é meio carioca como o povo de Salvador&#8221;. Claro que a força maior vinha do espírito experimental de Tom Zé e de suas escolhas no universo da música erudita contemporânea. Mas a distância, o estranhamento que sua origem propiciava contribuía muito para o experimentalismo e as escolhas. Agora, com a bossa nova, o que é que ele faria? Alegra-me muito que, ao fim e ao cabo, isso tenha algo a ver com nosso transamba aqui, nosso trabalhoso progresso. Pelo avesso. Mas tem. É um comentário de comentários sobre os ritmos do samba, as levadas, as batidas - e é o Rio. O Rio como tema permanente. Adorei ouvir Mariana Aydar dizendo &#8220;masturbar&#8221; com os erres superpaulistanos (não confundir com os retroflexos, que são meus e de Heloísa e de mais ninguém). E a afinação e musicalidade de Mônica Salmaso me impressionou de novo como tinha me impressionado quando cantamos juntos em Parati, com o Wakti. No disco com as músicas de Chico ela não me pareceu à altura sublime do que percebi naquela noite. Mas Zélia Duncan, Fabiana Cozza, todas. E David Byrne - na faixa que, à primeira audição me pareceu a melhor do disco - está divino. Os contrapontos engraçados, os contrapontos inventivos, os contrapontos sofridos, tudo no disco é Tom Zé puro. A explicitude nas várias recontagens da história também. </p>
<p>Barbara,</p>
<p>I liked your explaining why “mulatto” wouldn’t please you. (Here the word MULATO appeared in big letters on the front page of the most important Newspaper, just by Obama’s photograph, when he became President-Elect.) But I’d like to ask you a question: What were the reasons given by your colleague for not feeling that Obama qualified to be called African-American? </p>
<p>I remember having read that for a while, when Obama was still trying to be chosen by the Democratic Party as candidate, many blacks said something like they wouldn’t back him because he was not exactly an African-American, as his ancestors had not faced slavery in the USA nor had he experienced segregation or the struggle to overcome it. If I am not wrong, even Jesse Jackson (who finally cried when Obama won) had expressed himself in similar terms. Would your colleague’s ideas be similar to those? Or she has different reasons to think so? </p>
<p>This is a theme that’s very important to me, as for some decades now it’s been the tendency of people who think about “race” in Brazil to emulate American formulas. Sociologists, both Brazilian and American, have written about the perverse aspects of Brazilian “racial democracy”, stressing that open hostility (as was the case in the USA and South Africa) brought better results than our intense miscegenation and pretended lack of hatred between blacks and whites. I feel differently. But they may have a point. Still what interest me most are the actual differences between your people’s historic experience and our own. Let’s begin by my asking you about your colleague’s reasons. </p>
<p>Congratulations on Obama’s victory. It made me happy too.</p>
<p>Best wishes.<br />
Caetano.</p>
<p>&#8220;Incompatibilidade de gênios&#8221; amanhã ou depois: agora é pra valer. Depois explico o atraso. </p>
<p>Moreno estava de licença-maternidade até hoje. Meu netinho nasceu. Mas tenho ficado em casa é para estudar com Zeca para as provas (por isso eu lia todos os posts todos os dias mas não escrevia nada). Amanhã voltamos, Moreno, Pedro, Daniel e eu, ao estúdio. Mega. Mix.  </p>
<p>Salem,<br />
eu mesmo não sei dizer qual o tom do meu diálogo com Heloísa. Creio que nem mesmo ela saberia, apesar da habitual clareza. Posso apenas rememorar vaga e provisoriamente as sutis diferenças de opinião em relação aos lingüistas que agridem os divulgadores da gramática. Depois meu papo (que eu supus bem-humorado) sobre a afirmação dela de que o sotaque mineiro é o que sofre maior discriminação. Mencionei os nordestinos. Depois tive que me esforçar para desfazer a idéia dela de que minha percepção do erre do interior paulista (e parte de Minas) descrita em &#8220;Verdade tropical&#8221; não era uma confirmação do primeiro argumento dela sobre quem sofre mais discriminação. No belo comment em que ela responde àquele que Joana achou que escrevi bem, ela diz que às vezes fui ríspido com ela, ou algo assim. Nunca senti que fosse. Mas sou um discutidor apaixonado. Em geral encrespo pela determinação de me fazer entender: o motivo é o argumento, não a pessoa. Nem mesmo desejo convencer o interlocutor de uma opinião fechada: apenas me debato para que se entenda bem o que minha argumentação, sempre parcialidades de um pensamento em progresso, quer instaurar. No caso de Heloísa, a pessoa só me inspira afeição e respeito. Hoje, por exemplo, lembrei-me de falar que estou estudando com meu filho de 16 anos, ajudando-o como posso nos estudos para as provas de português e literatura - mas também ouvindo-o (a pedido dele) sobre biologia e química, coisas de que não entendo, só para animá-lo a articular as idéias - porque me senti bem lendo de Heloísa que ela queria dizer à filha algo gozado que leu sobre armários desarrumados. Suely tem razão quando diz que Heloísa me leva a pensar e escrever coisas. Isso é afeto espontâneo. Creio que não é preciso explicar, já que quase todos aqui já externaram especial carinho por ela. Tomei a história da &#8220;neblina&#8221; pelo lado amoroso - notando que ela partiu da citação de Rosa. A frase de Riobaldo sobre Diadorim é uma das coisas mais lindas que a palavra humana já me deu. Às vezes a combinação de ironia com apego tenaz à comunicação do argumento pode criar um tom que parece irritação. A &#8220;fumaça de diesel&#8221; pode sugerir isso. Não sinto assim. Outros podem ver. Para mim, trata-se sempre de pedir &#8220;Oh Lord, don&#8217;t let me be misunderstood!&#8221;. O resto é dengo. </p>
<p>Amiguismo??????? É. É uma. </p>
<p>Alguém disse aí (foi Suely?) que as pessoas aprovam ou desaprovam um filme segundo minha veneta. Nada mais injusto e longe da verdade. Nos anos 70 e 80, disse em várias entrevistas que não gostava dos filmes de Woody Allen (ele me parecia aquele cara anti-rock, anti-contracultura, anti-black-is-beautiful, anti-hippie, anti-punk, deslumbrado com &#8220;alta cultura&#8221; e apês cor de antílope - e roupas cor de antílope - do Upper East Side, anti-sulamericano, com uma mente estreita). Pois bem, a única coisa que consegui com isso foi a discordância de amigos que foram da saudosa Teresa Aragão a Pedro Almodóvar (cujo cinema é o oposto de tudo o que listei sobre Allen). E os cinemas lotavam de cultuadores dele. Ninguém me deu bola. Hoje, que já gosto de Allen (ele merece o prestígio de ter reeguido o cinema independente de Nova Iorque contra Hollywood, tem &#8220;final cut&#8221;, escreve &#8220;oneliners&#8221; espetaculares - aquela sobre a masturbação é divina: &#8220;por que falar mal da única relação sexaul que você tem com quem relamente ama?&#8221; - , &#8220;Bullets Over Broadway&#8221; é uma comédia para ninguém botar defeito, etc.), o público se afastou dele (se bem que ouço palavras animadas sobre o filme em Barcelona: vou ver). Em &#8220;O Cinem Falado&#8221;, pus na boca de Dedé e de Felipe Murray palavras de gozação ao então idolatrado &#8220;Paris Texas&#8221; (&#8221;&#8216;Paris Texas&#8217; é um dramalhão mexicano filmado como gravuras hiperrealistas americanas, com verniz alemão; e o mais cartea e ridículo dos Édipos não deixa de fazer sua aparição presunçosa&#8221;): a platéia inteira da pré-estréia (largamente de admiradores meus) vaiou a fala com fúria. Vi &#8220;Blade Runner&#8221; logo que saiu, em Salvador, com Paulo Cesar Sousa, Gi e Dani Mariani e, creio, sua tia Ângela, a avó dos meus netos. Elas já gostavam do filme. Estavam revendo. Paulo Cesar e eu não gostamos. No início me encantei com a direção de arte e os efeitos. Mas aquele cara com capa de Humphrey Bogart num ambiente degradado cheio de orientais vendendo olhos de peixe sob chuva me entediavam porque pareciam estar dizendo &#8220;olha, isto aqui é o futuro, nada de clean 2001-uma-odisséia-no-espaço&#8221;. Ah, e aquela música chatíssima feita com sintetizadores. Bem, as mulheres eram lindas (e nunca me conformei com a desaparição da morena de nome inglês - ou irlandês - que parece chinês). Perdi o bonde. Hoje o filme é um clássico, eu próprio dou muito mais valor tanto à percepção de que a tecnologia dispara sem que uma vida mais racional (e limpa) a acompanhe quanto ao esforço de criação de ambientes incríveis com mais forte resultado do que qualquer coisa feita hoje com os recursos de computador que não havia na época. Finalmente, apesar de ter imensas queixas quanto à mixagem da música maravilhosa que compus para o filme, acho &#8220;Tieta do Agreste&#8221; um grande filme. Só não é genial porque não tem as 3 horas que deveria ter. E essa opinião não só não encontra eco na turma paissandu-estação como provoca a fúria de pessoas íntimas. Tive de implorar a amigos para verem os enquadramentos divinos em preto-e-branco de &#8220;Eloge de l&#8217;amour&#8221;, de Godard. Então não sei de onde Suely (se é que foi Suely) tirou a idéia de que oriento o gosto cinematográfico nacional. </p>
<p>Acabo de assistir a &#8220;O poderoso chefão&#8221; no TelcineCult (minha TV vive ali) e fiquei abismado: como é divinamente realizado, como tem vida, afeto, tragédia, vigor. Coppola é o cara. Não tem Escorsese certo. Que atuações! E os temas do anjo Nino Rota: que música! (Desculpem os admiradores de Morricone (que merece ser admirado), mas Rota é tocado pela transcendência - e decididamente não merece as críticas grosseiras que Morricone lhe faz.) E no entanto, quando o filme saiu, eu nem fui ver: aquelas filas enormes, a festa do Oscar, as fotos de Brando com a boca cheia de algodão&#8230; Eu, que queria opor Blake Edwards a Woodie Allen - e Hollywood a Herzog (detestei &#8220;Aguirre&#8221; e &#8220;Casper Haus&#8221; e aquele do navio na Amazônia) , tinha (nesse caso) preguiça de acompanhar o cinemão: achava que não gostava de filme de máfia. Cada vez que vejo o filme de Coppola no Vietnam (incrível!) e os poderosos chefões 1 e 2 na TV (nunca vi no cinema!) fico extasiado.  </p>
<p>Gostei de &#8220;Linha de passe&#8221; e de &#8220;Última parada 174&#8243;, por razões opostas. Um feito por carioca que vive em Sampa sobre a vida no Rio. O outro feito por cairocas que vivem no Rio sobre a vida em Sampa. Mas as razões opostas são outras.</p>
<p>Bem, vamos deixar pra falar de Sampa e Rio quando eu tiver tempo de escrever direito.</p>
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		<title>MULATO, MAÇÃ, CANDÉ, 80%, ALEIJÃO, RC E CV CD DVD ACJ</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Nov 2008 04:44:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Obra Em Progresso</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[A hipótese de &#8220;mulato&#8221; vir daquela palavra árabe sempre me convence mais do que a de que vem de &#8220;mula&#8221;. Mas o Houaiss dá &#8220;jumento&#8221; como o primeiro significado da palavra. Segue-se &#8220;burro pequeno, ainda novo&#8221;. O.K. Mais crível que SEJA burrico do que que VENHA DE mula. Para &#8220;vir de mula&#8221; seria preciso uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A <a href="http://www.obraemprogresso.com.br/2008/11/05/li-voce-esta-publicano-comentarios-rapido-demais/#comment-6427">hipótese de &#8220;mulato&#8221; vir daquela palavra árabe</a> sempre me convence mais do que a de que vem de &#8220;mula&#8221;. Mas o <a href="http://www.dicionariohouaiss.com.br/index2.asp">Houaiss</a> dá &#8220;jumento&#8221; como o primeiro significado da palavra. Segue-se &#8220;burro pequeno, ainda novo&#8221;. O.K. Mais crível que SEJA burrico do que que VENHA DE mula. Para &#8220;vir de mula&#8221; seria preciso uma formação de palavra italiana (em inglês tem dois tês), como &#8220;frutato&#8221; (ou será &#8220;frutatto&#8221;?): era assim que eu pensava até ler o Houaiss. Seja como for - além de jumentos serem bonitos (e jumentinhos novos, lindíssimos, parecidos com Brigitte Bardot) - &#8220;mulato&#8221; é uma palavra com conotação positiva no português brasileiro que aprendi em casa e na rua. Mais: no segundo verso da canção que é o Hino Nacional Brasileiro não-oficial, &#8220;Aquarela do Brasil&#8221;, o país é chamado, orgulhosa e carinhosamente, de &#8220;meu mulato&#8221; (aliás o Houaiss dá &#8220;inzoneiro&#8221; como sinônimo de &#8220;mulato&#8221;, quando este tem valor adjetivo). By the way, a &#8220;Aquarela do Brasil&#8221; foi eleita em votação popular (popular mesmo: a audiência do Fantástico) como a primeira dentre as &#8220;maiores músicas brasileiras de todos os tempos&#8221;. Seguida, se não me engano, de &#8220;Águas de março&#8221;, &#8220;O bêbado e a equilibrista&#8221; e &#8220;Carinhoso&#8221;.</p>
<p><a href="http://www.obraemprogresso.com.br/2008/11/05/li-voce-esta-publicano-comentarios-rapido-demais/#comment-6410">Glauber</a>, lembro do Stained Glass. Depois eu falo.</p>
<p><a href="http://www.obraemprogresso.com.br/2008/11/05/li-voce-esta-publicano-comentarios-rapido-demais/#comment-6441">Ricardo Pereira</a>, conheço <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/J%C3%BApiter_Ma%C3%A7%C3%A3">Júpiter Maçã</a> (ou Apple). Depois eu falo.</p>
<p><a href="http://www.obraemprogresso.com.br/2008/11/05/li-voce-esta-publicano-comentarios-rapido-demais/#comment-6460">Gravataí Merengue</a>, concordo totalmente com você: afro-isso, afro-aquilo (e a forma americana &#8220;African- American&#8221; é ainda pior) é um modo racista de falar. Um egípcio é africano. Um bôer da África do Sul também. O mesmo para tunisinos, marroquinos e argelinos. &#8220;Africano&#8221; não quer dizer &#8220;negro&#8221;. Mas mesmo que todos os africanos fossem pretos, seria racismo designar povos tão variados (inclusive fenotipicamente), oriundos do maior continente da Terra, por uma só palavra. Iorubanos não são bantos, malineses não são bundos, haussás não são gege. São povos com histórias diferentes e muitas vezes tingidas de inimizades milenares. Chamar um mulato filho de uma branca americana com um preto do Quênia de &#8220;African-American&#8221; é uma grosseria histórica. Essas expressões são &#8220;muito piores do que qualquer outra adotada espontaneamente pelas pessoas&#8221;, como você diz. Usá-las é adotar o olhar do traficante de escravos.</p>
<p>Contei que conheci Portishead há uns dez anos através de um elenco fascinante que entrou na casa de Milton Nascimento, numa festa. Disse que não foi lá que, através de Marininha, Karola, Candé, Luísa e Natália, tomei contato com o grupo inglês. Foi quando, dias depois, liguei para um deles, que ouvi uma gravação fantástica na secretária eletrônica. Perguntando, me informaram que a banda se chamava Portishead. Bem, todos os envolvidos me dizem que escrevo tão mal que ficou parecendo que conheci Portishead ligando pro Milton Nascimento. Se pareceu isso, corrijo: foi ligando para Candé que ouvi Portishead pela primeira vez. Ele (e as meninas bonitas) adoravam esse grupo. Até apelidei Candé de Portishead, já que muitas vezes era a banda que atendia quando eu ligava para ele. E, além de me dizerem que escrevo mal, Candé chiou por ter passado de protagonista a mero figurante na história.</p>
<p>Este blog é da obra em progresso, a feitura do &#8220;zii e zie&#8221;. Quando o disco estiver pronto para sair, acaba. Mas não se avexem não que vai demorar a sair. Já está todo gravado, embora não todo mixado. Falta também eu ir lá na Universal falar com Gê e Pedro (não Sá) para fazermos a capa (já tenho as fotos e as idéias de tipos). De todo modo, o disco só deve sair no ano que vem: Roberto Carlos e eu lançamos neste fim de ano o CD e o DVD do show com as músicas de Jobim.</p>
<p>Aqui vocês vão ouvir &#8220;Incompatibilidade de gênios&#8221; nas duas versões para eleger uma. Isso, amanhã ou depois.</p>
<p>Heloísa, você ficou de mal comigo. Minha resposta sobre o &#8220;aleijão&#8221; foi pura e doce, mesmo que parecesse teimosa e cruel. Justamente por não haver nada mau em mim em relação ao erre retroflexo é que nem lembrei do que você falava quando voltou ao assunto. Sabia que tinha lido algo assim da primeira vez mas, entre tantos comments, não me liguei em &#8220;Verdade tropical&#8221; (embora ali estivesse explícita a referência). Creio ser o único artista de fora da região do erre líqüido a usá-lo na composição (e gravação) de uma música não cômica nem folclórica, com profundo amor de identificação. Je t&#8217;embrasse. Tendrement.</p>
<p><a href="http://www.obraemprogresso.com.br/2008/11/05/li-voce-esta-publicano-comentarios-rapido-demais/#comment-6125">Rafael</a>, prefiro GABEIRA PRESIDENTE do que questionar o resultado da eleição. Embora, é claro, ache erradíssimo o cara que, no Globo, comparou a Zona Sul a um &#8220;curral eleitoral&#8221;.</p>
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		<title>LI: VOCÊ ESTÁ PUBLICANDO COMENTÁRIOS RÁPIDO DEMAIS</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Nov 2008 05:15:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Obra Em Progresso</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[O discurso de McCain caracterizou a vitória de Obama como uma vitória dos “africanos-americanos”, como eles dizem lá. Foi um bom discurso. Elegante e, no todo, uma bela afirmação da energia histórica dos Estados Unidos. Mas as vaias que vinham da platéia (toda branca, até onde se podia ver na TV) terminavam soando como brados [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O discurso de McCain caracterizou a vitória de Obama como uma vitória dos “africanos-americanos”, como eles dizem lá. Foi um bom discurso. Elegante e, no todo, uma bela afirmação da energia histórica dos Estados Unidos. Mas as vaias que vinham da platéia (toda branca, até onde se podia ver na TV) terminavam soando como brados racistas. A menção à escandalosa ida de  Booker T à Casa Branca em 1901, a convite de Teddy Roosevelt, foi oportuna e justa. Mas, ao fim e ao cabo, “na agradável noite do Arizona” (a meu ver onde há o céu mais lindo e as cidades mais feias do mundo -  sem falar no deslumbramento que é o deserto de Sonora), ficou um gosto de racialização da eleição: eu a sentia como conteúdo mais fundo do que o equilíbrio civilizado da fala de McCain. </p>
<p>Sarah Palin (tipica personagem de Big Brother) estava mais que nunca imitando Tina Fey.</p>
<p> Mas vi tudo isso depois de ver Jesse Jackson chorando. Chorei junto com ele. Nem gosto das coisas que ele diz – seja no caso da palavra “nigger” que um rapper queria pôr como título de seu CD, seja na própria campanha de Obama: Jackson soa como um velho lutador racialista; Obama é um presidente mulato. Jackson chorava como um homem velho que vê a grandeza de um fato consumado suplantar a dos seus maiores sonhos. </p>
<p>(Isso acima ia num comment, mas recebi essa resposta do blog que transformei em título. Seguia assim: &#8220;vai devagar&#8221;.)</p>
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		<title>Pedro e sua câmera soviética</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Nov 2008 19:13:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Obra Em Progresso</dc:creator>
		
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.obraemprogresso.com.br/wp-content/uploads/2008/11/pedrosovietico.jpg" rel="lightbox[164]"><img class="aligncenter size-medium wp-image-165" title="pedrosovietico" src="http://www.obraemprogresso.com.br/wp-content/uploads/2008/11/pedrosovietico-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
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		<title>ZAMBUJO, CICERO, AUGUSTO, ADORNO, PAPO À BEÇA</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Oct 2008 11:15:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Obra Em Progresso</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[A Cor Amarela]]></category>

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		<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>

		<category><![CDATA[Noel Rosa]]></category>

		<category><![CDATA[antonio cicero]]></category>

		<category><![CDATA[António Zambujo]]></category>

		<category><![CDATA[fado]]></category>

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		<description><![CDATA[ANTÓNIO ZAMBUJO, INDIE ROCK, COOL JAZZ, MINIMAL, BOSSA NOVA, THE NEW YORKER, MICHELANGELO ANTONIONI E MONDRIAN CONTRA AXÉ MUSIC DENTRO DE MIM? NÃ-NÃO. “A COR AMARELA” É BROWN IVETE E DANIELA. É O SAMBA DO RECÔNCAVO EM TRANSE NO PSIRICO, NO HARMONIA, NO TCHAN: É TRANSAMBA JÁ CONSTRUÍDO POR TODOS ESSES BAIANOS GENIAIS.
Gostei muito do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ANTÓNIO ZAMBUJO, INDIE ROCK, COOL JAZZ, MINIMAL, BOSSA NOVA, THE NEW YORKER, MICHELANGELO ANTONIONI E MONDRIAN CONTRA AXÉ MUSIC DENTRO DE MIM? NÃ-NÃO. “A COR AMARELA” É BROWN IVETE E DANIELA. É O SAMBA DO RECÔNCAVO EM TRANSE NO PSIRICO, NO HARMONIA, NO TCHAN: É TRANSAMBA JÁ CONSTRUÍDO POR TODOS ESSES BAIANOS GENIAIS.</p>
<p>Gostei muito do CD do Portishead (já de cara, aquela falação em português paulistano sobre a “regra dos três”, em tom a meio caminho entre pastor evangélico e conversador new age): os timbres das programações fazem as modulações insólitas ficarem mais bonitas. A <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Beth_Gibbons">Gibbons</a> é uma chorona cool e a atmosfera sonora parece com a foto da Estação de Rádio de Portishead. Gosto do Portishead há mais de dez anos: entrou com Karola, Candé, Marininha, Luísa Mariani e Natália Lage na casa de Milton numa festa. A “Disneylaândia” da Marilena. Na casa de Bituca não dava pra notar, mas no primeiro telefonema que dei lá estava Portishead na secretária. Achei bonito à pampa. Perguntei.</p>
<p>O disco do <a href="http://www.myspace.com/marcelocamelo">Camelo</a> é bom à beça: ele toca violão muito bem naquela faixa de letra curta; a decisão de soar relaxado e livre de tiques reconhecíveis pode virar um novo tique se o ouvinte tiver má vontade – mas é assumida com bravura e realizada com decisão; eu gosto; é carioca num grau Marisa Monte; é um luxo que ele seja a estrela solitária do momento em nossa música inventiva.</p>
<p>Quero ouvir o disco de Arnaldo Antunes logo.</p>
<p>As palavras em caixa alta que foram citadas aqui como parte de artigo meu para o Pasquim eram declaração de Jimi Hendrix traduzida por mim. Foi da última entrevista que ele deu. Mandei pra aqui em cima da hora.</p>
<p>Vou ouvir o <a href="http://www.everythingthathappens.com/">disco de David Byrne com Brian Eno</a> na semana que vem.</p>
<p>Já ouvi muito do de <a href="http://www.myspace.com/littlejoymusic">Rodrigo Amarante com Fabrício</a> dos Strokes (que trouxe a namorada): os ecos de pop rock do início dos anos 60 – com um toque country – soam com frescor inventivo que descarta ironia ou nostalgia; é música imediata; a gente não pensa em tiques nem em toques – apenas entra em contato com as emoções que motivaram as canções, ou melhor, nas emoções que as canções motivam. Mas a ida à Itália me interrompeu a audição, de modo que comentários mais responsáveis ficam para depois.</p>
<p>Quem vê assim pensa que ouço discos. Eu fazia isso em 1960: João Gilberto, Thelonious Monk, Chet Baker, Miles Davis, Sylvia Telles, Modern Jazz Quartet, Ray Charles, Maysa, Jimmy Giuffre, Dolores Duran, Ella, Sarah, Billie… Hoje ouço o que me mostram – e não ouço repetidas vezes cada coisa, como fazia então. E olha que ouvia esses que citei sem abandonar Caymmi, Chico Alves, Orlando Silva, Eliseth, Silvio Caldas, Aracy de Almeida cantando Noel – além de seguir com atenção irresistível o Nelson Gonçalves da fase Adelino Moreira, Anísio Silva, Paul Anka, The Platters, Pat Boone, The Diamonds e os sambas e marchas de carnaval, tudo pelo rádio. João Gilberto mais que tudo.</p>
<p>Ouço o que me atrai a curiosidade (por ouvir falar, por ler no jornal, por ter ouvido acidentalmente – no radio, em casa de amigo – um trecho que me excitou). Por exemplo: adoro <a href="http://www.myspace.com/corneliusofficial">Cornelius</a>, o japonês de sons puríssimos, idéias rigorosas e sensibilidade violentamente delicada (se me é permitido o paradoxo – mas creio que sim, em contexto nipônico).  Vou ouvir o novo disco do TV On The Radio, banda que o maluco do Folhateen sugeriu há um par de anos e cujos dois primeiros discos me encantaram (se bem que os ao vivo no Youtube nem tanto). Já disse que adoro Radiohead (a partir de OK Computer, mas com um gosto pelo pouco louvado Pablo Honey – que ouvi depois – e sem nenhuma rejeição a Kid A, ao contrário).</p>
<p>Aprendo algo com essas coisas e não lembro muito depois. Mas ouvir o CD do <a href="http://www.antoniozambujo.com/home.asp?zona=1&#038;template=7&#038;precedencia=0&#038;idioma=1">António Zambujo</a> me prendeu à necessidade de ouvir de novo, de novo e de novo. Esse mesmo desejo senti quando Moreno me mostrou <a href="http://www.buika.net/">Buika</a> cantando <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Lv4D5glbdx0">Mi Niña Lola</a>. Quero ouvir muito, mais vezes, mais fundo. No caso do <a href="http://www.myspace.com/antoniozambujo">Zambujo</a>, muito mais ainda. É a língua portuguesa. É a história do fado. É o fato de eu ter sempre só gostado de cantoras de fado, nunca verdadeiramente de cantores.</p>
<p>Amália reverbera em cheio em <a href="http://www.mariza.com/">Mariza</a>. Um espetacular virtuosismo vocal faz de <a href="http://www.dulcepontes.net/">Dulce Pontes</a> uma das mais impressionantes cantoras da atualidade – embora sempre na beira do risco de parecer só virtuosística. Uma atenção ao desenvolvimento do fado – e do gosto na história do fado – faz de <a href="http://www.pt.misia-online.com/">Mísia</a> uma elegante guardiã da tradição: uma espécie de Nara Leão com mais canto e menos despojamento genuíno (o que não é desmerecer a cantora portuguesa, já que a brasileira é um caso extremo de inteligência crítica espontânea a serviço despretensioso do canto).</p>
<p>Mas há nos pianíssimos com arabesco no fado tosco de <a href="http://gentedofado.blogspot.com/2008/03/argentina-santos-fadista.html">Dona Argentina</a> da Parreirinha d’Alfama (e que sempre amei e amarei na <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_da_F%C3%A9_(fadista)">Maria da Fé</a> do Senhor Vinho, essa Maria da Fé que parece ter se afastado de mim, do Brasil, de nós, como se tivéssemos prometido algo que não podíamos lhe dar) algo que, para meu espanto, reencontro onde nunca esperei reencontrar: numa voz masculina. Admiro os fadistas homens, mas nunca cheguei a amar-lhes o canto. Fado para mim era cantado por mulher. Desde <a href="http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?nome=Ester%20de%20Abreu&#038;tabela=T_FORM_A">Ester de Abreu</a>, da minha infância, até Mariza: mulheres, sempre mulheres.</p>
<p>Não é que o Zambujo me pegou de jeito? Há nele dois elementos que – para além do prazer imediato de ouvir-se uma voz naturalmente musical e relaxada – compõem para mim um grande passo: que seja um homem a cantar fado tão lindamente – e que o diálogo com a música brasileira se apresente tão orgânico, já não-pensado, já resultante de forças históricas que vêm se expandindo há décadas. O disco de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Teresa_Salgueiro">Teresa Salgueiro</a> é belo e emociona (finalmente com Carlos Lyra no destaque que merece). A atitude programática de <a href="http://poportugal.blogs.sapo.pt/264538.html">Eugénia de Melo e Castro</a> foi e é tocante, além de desbravadora. Mas o que se ouve em Zambujo é algo já que vai mais fundo. É um jovem cantor de fado que, intensificando mais a tradição do que muitos de seus contemporâneos, faz pensar em João Gilberto e em tudo que veio à música brasileira por causa dele.</p>
<p>Quando Zambujo canta “Nem às paredes confesso”, vamos ao fundo do fado e, ao mesmo tempo, sentimos a cultura da bossa nova e da pós-bossa nova já na corrente sangüínea da canção portuguesa. Quando ele canta um Vinicius com Antônio Maria (esse seu xará com acento circunflexo), a composição soa enfaticamente “moderna” e americanizada, embora o tratamento seja de fado. E o mais incrível é que “Lábios que beijei” não soa menos americanizada e “moderna” do que aquela. Não pelo arranjo, que é fadista, mas pelo Brasil que há ali. É de arrepiar e fazer chorar. Sentimos a força da cultura de língua portuguesa – aquela que, afinal de contas, mais me interessa –  construindo-se. É que espero, ou melhor, exijo do Brasil a articulação do papo que ele tem de levar com o mundo – saindo de seu chiqueiro de atraso, intrigas e pequenezas.</p>
<p>Eu odeio o fato de o aeroporto de Salvador se chamar Deputado Luís Eduardo Magalhães: nem no “Polígono das Secas” de Diogo Mainardi há uma piada tão sinistra. Odeio a meia-trava que o ideologicamente amorfo PMDB pode significar no progresso politico nacional. Embora nunca se saiba: vai ver é daí que de repente vem algo que contribui para esse progresso. Ele existe: a vitória de honra de Gabeira no Rio, o repúdio à propaganda-perua de Marta insinuando bichice de Kassab, a importância maior dada ao bilhete único e aos CEUs do que à idéia de “a nossa turma tem de ganhar” são provas disso. Mas o chiqueiro ainda é a imagem dominante. Pois o disco do António Zambujo nos faz crer que viraremos esse jogo.</p>
<p>Gozado é que, procurando Zambujo agora no Youtube, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=JvHg0eJjFp8">achei-o cantando com Roberta Sá</a>. Não sabia que ela o conhecia. Muito bom. Embora os outros vídeos dele que vi não estejam à altura do disco.</p>
<p>Outra que vi no Youtube – e essa me maravilhou – foi a caboverdiana <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Vfl7fkIkBkk">Mayra Andrade cantando “Tunuca</a>”, sentada no chão da rua com Mariana Aydar.</p>
<p>É gozado como em São Paulo existe essa polaridade PT/PSDB. No resto do Brasil não é assim. Em primeiro lugar porque ambos parecem sobretudo paulistas. Para mim, mais ainda, dois raminhos da esquerda da USP. Claro que li aqui gente dizendo que deixou-se de votar em Gabeira por ele “ser PSDB” – e notando que Paes é quem chamou logo um tucano para começar o secretariado. Sei que há petistas com essa onda por toda parte. E afinal o PSDB é “oposição”. Bem, só se for Serra querendo ser presidente contra uma Dilma qualquer de Lula. Mas o que pinta é a disputa dele com Aécio. Serra é feio que dói.</p>
<p>Vídeo sempre divino é o de<a href="http://www.youtube.com/watch?v=06Qm-Z5OsHw"> Hermeto tocando garrafas e flauta com os rapazes dele dentro de uma lagoa</a> (ou rio?: não vi correnteza). Um DJ de música minimal e house etc. foi quem me mostrou.</p>
<p>Depois de contar a história da crise financeira mundial passo a passo, a Economist chega esta semana com a nova de que os “emergentes” – que pareciam livres do contágio de derretimento – e eram a esperança da economia mundial mesmo quando o problema das hipotecas imobiliárias americanas já estava avançado – não parecem mais imunes. A boa notícia (que me fez lembrar o final do livro de <a href="http://www.youtube.com/watch?v=F2_Z2XNjcaY">Kapuscinski</a> sobre a queda do Império Soviético – livro chamado “Império” de que gosto muito mais do que o homônimo de <a href="http://www.youtube.com/watch?v=mKIVBPZh2cQ">Toni Negri</a> – e final que eu já citava no meu Verdade Tropical) é que os países grandes se sairão melhor. Grandes territorialmente e possuidores de economia diversificada. O Brasil tá aí. Mas vai atravessar as dificuldades inevitáveis com a mesma euforia de festa de posse do Lula em que já estamos viciados?</p>
<p>As letras de Zii e Zie soarão bem datadas quando o disco sair. Digo, aquelas que falam de fatos políticos pontuais, como a Base de Guantánamo (como alguém já notou aqui), assim como aquelas que têm uma versão muito peculiar minha da euforia afirmativa que nasce dessa nossa fase FH-Lula. <a href="http://www.lygiaclark.org.br/">Lygia Clark</a> dizia que o tropicalismo era romântico: dependia das informações da hora: falar em Coca-Cola, Paulinho da Viola, passeatas, Brigitte Bardot era atrelar-se ao tempo – e preparar a própria obsolecência; enquanto ela, trabalhando na area de decisões formais e expressivas em princípio atemporais, tinha ambição clássica. Ela não o dizia com ar de superioridade sobre nós. Dizia com carinho e com uma rosa de plástico enfiada numa garrafa de Coca-Cola no meio da toalha de mesa que estendeu no chão de sua casa em Paris, para que nosso jantar parecesse um piquenique. Mas a Brigitte e as Cardinales não impedem que “Alegria, alegria” seja ainda minha canção mais querida por brasileiros. E o que é dito em “Diferentemente” sobre Osama e Condoleezza poderá ter uma graça futura que não podemos apreciar hoje. Sem falar nas profecias ultra otimistas que se ouvem em “Falso Leblon” e “Lapa”. Eu, na verdade, acho essas afirmações desaforadas mais interessantes em face da crise do que seriam se soassem meramente como reafirmação de uma aprovação ao governo de 80%.</p>
<p>Não sei o que é Zizi (ou Zie-Zie, ou Zy-Zy) em francês. (Será algum modo infantil de se referir a partes graciosas da anatomia masculina?) Mas vocês todos deviam saber o que é Zii e Zie em italiano. Escolhi o nome pela impressão curiosa (e bela) que essas palavras simples causam quando escritas juntas. As encontrei assim na tradução italiana de Istambul, de Orhan Pamuk, que li na ida à Turquia, presente de uma italiana espectadora assídua dos meus shows. É um modo livre, misterioso e revelador de coisas que não sei, de nomear um disco tão lançado à aventura.</p>
<p>Amo os argumentos de Cicero sobre as vanguardas. Mas entendo que não interessem a Augusto de Campos. Augusto é o autor de “Não” (uma versão encapsulada de muito do que Drummond diz num poema longo sobre o fazer poético, apresentada primeiro como um mini-objeto mimeografado – como os poemas “marginais” que lhe são contemporaneous – que ele distribuía entre amigos e possíveis leitores), um poema que extrai intensa poeticidade do modo como pensa seu próprio lançar-se no mundo, comentando assim a condição mesma da poesia. Ao ler os comentários (justamente) entusiasmados sobre os arrazoados de Cicero, me lembrei de que, ao ler “<a href="http://adorno.planetaclix.pt/d_e_conceito.htm">Dialética do Esclarecimento</a>” (muitas veses atrapalha, em vez de ajudar, a escolha dessa palavra “esclarecimento”: sempre evitando “iluminismo”, “ilustração” ou mesmo “luzes”, o tradutor muitas vezes nos leva a esquecer o quanto é sobre o “esclarecimento” histórico, do século 18, que os autores estão falando), tinha encontrado algo que me fez pensar nos concretos. Sei que <a href="http://www2.uol.com.br/haroldodecampos/">Haroldo</a> gostava muito de <a href="http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142002000200013&#038;script=sci_arttext">Benjamin</a> – e que a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_de_Frankfurt">Escola de Frankfurt</a> foi levada em grande consideração pelo grupo Noigrandres quando foi levado a pensar na dimensão política da aventura em que embarcavam. Augusto não gosta da apreciação que <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Xd7Fhaji8ow">Adorno</a> faz do jazz. Mas nunca desejou descartar os desafios teóricos que Adorno lançava. Fui olhar o livro e achei um dos trechos que me fizeram pensar em Augusto. Eis:</p>
<p>“O sentimento de horror materializado numa imagem sólida torna-se o sinal da dominação consolidada dos privilégiados. Mas isso é o que os conceitos universais continuam a ser mesmo quando se desfizeram de todo aspecto figurativo. A forma dedutiva da ciência reflete ainda a hierarquia e a coerção. Assim como as primeiras categorias representavam a tribo organizada e seu poder sobre os indivíduos, assim também a ordem lógica em seu conjunto – a dependência, o encadeamento, a extensão e união dos conceitos – baseia-se nas relações correspondentes da realidade social, da divisão do trabalho. (…) É essa unidade de coletividade e dominação e não a universalidade imediata, a solidariedade, que se sedimenta nas formas do pensamento”.</p>
<p>Não o cito como resposta argumentativa a Cicero, mas como uma indicação de que, entre outras coisas, o enfrentamento de questões como essa animou a criação da poesia concreta. E que é perfeitamente natural – e até saudável – que um poeta como Augusto olhe de longe (e com desconfiança) argumentos como o de Cicero, vendo pouco neles além do fato de que servem afinal para afrouxar o arco e instruir pensadores criticamente receptivos a uma poesia atada à sintaxe vista pelos concretos como expressão da opressão. Era uma luta que envolvia ambições também nessa área. Sou suspeito porque, dessa luta saiu a sensibilidade que não só entendeu o essencial do que eu pretendia fazer como prefigurou minuciosamente alguns argumentos que os tropicalistas viriam a formular (sem conhecer tais prefigurações), como é o caso da avaliação da Jovem Guarda e do “novo folclore urbano e internacional” que surgia, energético, na música pop de massa feita para a juventude. Mas é que sou ainda mais suspeito em relação a Cicero, que é um amigo íntimo e freqüente, com quem partilho inclusive comentários pouco simpáticos a Adorno e à Escola de Frankfurt.</p>
<p>Postei demais. É que, apesar de cansado da gravação, fui acordado, por ordem minha, para acompanhar a saída de meu querido filho adolescente para a escola: ele tem aula à 7, tem de acordar às 6, entrou o horário de verão e ele tem pena de desperdiçar as noites dormindo (embora, diferentemente de mim, não tenha dificuldade em adormecer). Acordei tendo dormido menos de uma hora – e não consegui dormir de novo. Aí sentei aqui e escrevi. E olha que ainda não saiu o catatau São Paulo/Rio. Mas quando sair, sairá curto: o que faz a gente escrever comprido é falta de tempo para editar os textos (mesmo na cabeça).</p>
<p>Evangelina, leia comment no post da foto do Moreno.</p>
<p>Heloísa, você que está lendo Verdade Tropical: já chegou no final, onde falo em países grandes?</p>
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		<title></title>
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		<pubDate>Thu, 23 Oct 2008 05:08:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hermano Vianna</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[estúdio]]></category>

		<category><![CDATA[Moreno Veloso]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.obraemprogresso.com.br/wp-content/uploads/2008/10/moreno.jpg" rel="lightbox[159]"><img class="alignnone size-medium wp-image-158" title="moreno" src="http://www.obraemprogresso.com.br/wp-content/uploads/2008/10/moreno-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Moreno</p>
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		<pubDate>Tue, 21 Oct 2008 14:28:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Obra Em Progresso</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Banda Cê]]></category>

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		<description><![CDATA[Daniel, Ricardo, eu, Moreno, Marcelo: os Velosos escondidos: Moreno de costas e eu com a cara no escuro.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.obraemprogresso.com.br/wp-content/uploads/2008/10/caetano_0073.jpg" rel="lightbox[157]"><img class="alignnone size-medium wp-image-156" title="caetano_0073" src="http://www.obraemprogresso.com.br/wp-content/uploads/2008/10/caetano_0073-300x201.jpg" alt="Daniel, Ricardo, eu, Moreno, Marcelo: os Velosos escondidos: Moreno de costas e eu com a cara no escuro. " width="300" height="201" /></a></p>
<p>Daniel, Ricardo, eu, Moreno, Marcelo: os Velosos escondidos: Moreno de costas e eu com a cara no escuro.</p>
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		<title>ERASMO, GLAUCO, ÁLVARO GUIMARÃES</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Oct 2008 10:42:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Obra Em Progresso</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>

		<category><![CDATA[Gravação]]></category>

		<category><![CDATA[Alvinho Guimarães]]></category>

		<category><![CDATA[Erasmo Carlos]]></category>

		<category><![CDATA[Glauco Mattoso]]></category>

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		<description><![CDATA[Álvaro Guimarães foi uma pessoa determinante na minha formação. Foi mesmo mais do que isso: foi um anjo do Destino. Bethânia e eu fazemos música por causa dele. Ele me apresentou à primeira mulher que conheci. Depois me apresentou a Duda Machado, uma das maiores influências que, com prazer e deslumbramento, sofri. Alvinho me apresentou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Álvaro Guimarães foi uma pessoa determinante na minha formação. Foi mesmo mais do que isso: foi um anjo do Destino. Bethânia e eu fazemos música por causa dele. Ele me apresentou à primeira mulher que conheci. Depois me apresentou a Duda Machado, uma das maiores influências que, com prazer e deslumbramento, sofri. Alvinho me apresentou ao Brizolismo, a Roberto Pinho e ao professor Agostinho da Silva. Ele inventou o nome Baby Consuelo (e deu esse nome para Bernadete Cidade usar publicamente como vocalista dos Novos Baianos). Ele era amigo de Glauber antes de eu conhecer qualquer dos dois pessoalmente.  </p>
<p>Foi assim: conheci Alvinho através de Sônia Castro e Lena Coelho (mãe de Laís Bodanski). Ele era um jovem diretor de teatro. Todos eram de esquerda e estavam próximos ao CPC da UNE. Mas Sônia me disse que Alvinho era crítico do panfletarismo do CPC. Logo Alvinho conversava comigo e, sem sequer ter me ouvido cantar, me chamou para fazer a trilha sonora do filme dele: confiava nas minhas conversas sobre João Gilberto, Miles Davis e Caymmi. Depois me fez compor trilhas para as peças &#8220;O primo da Califórnia&#8221; e &#8220;A exceção e a regra&#8221;. Fiz tudo, embora protestando. Isso mudou minha vida. Alvinho montou &#8220;O Boca de Ouro&#8221; e chamou Bethânia para cantar &#8220;Na batida do samba&#8221;, no escuro, na abertura do espetáculo. Só a voz. Ninguém nunca mais esqueceu aquela voz e ela virou uma figura de culto entre a turma de teatro de Salvador. Anos depois Alvinho brilhou atuando na peça de Fausi Arap &#8220;O amor do não&#8221;, em Sampa e no Rio. Recentemente, ele tinha um programa de TV, onde apareci  falando sobre o carnaval. E Alvinho desapareceu. Fui reecontrá-lo no sul da Bahia, vivendo no Arraial da Ajuda. Foi um reencontro muito amoroso e comovente para nós dois. Hoje choro com saudade dele e com fascínio diante do mistério das amizades que desenham a vida da gente.  </p>
<p>&#8220;Fera ferida&#8221; é muito Roberto na minha cabeça. Não gosto de me intrometer na questão do que é mesmo de Roberto e Erasmo (ou de Lennon e McCartney). Mas tenho curiosidade e alguma idéia sobre as individualidades envolvidas. Há coisas de rima em &#8220;Fera ferida&#8221; que eu atribuiria a Erasmo (com seu talento para os versos rimados e seu amor por essa forma, como atestam o uso que ele fez do poeminha de Ghiaroni e as letras do disco do &#8220;Coqueiro verde&#8221; - sem falar em &#8220;Sentado à beira do caminho&#8221;, um esplendor de clareza e precisão), mas o tema de “Fera ferida” é Roberto puro. O que impacta nessa canção é o tom de confissão íntima de Roberto, tom que fica reforçado pelo fato de a música ter sido lançada em sua voz. Mas Erasmo é tudo o que eu disse em &#8220;Verdade tropical&#8221; e muito mais. Lendo o livro de Midani (que tem algumas lembranças que não coincidem com as minhas mas é mesmo um ótimo livro), vi voltar a imagem forte de Erasmo, sua personalidade rock. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Agrippino_de_Paula">José Agrippino de Paula</a> também gostava mais de Erasmo do que de Roberto (como Midani) e eu sempre entendi por quê. </p>
<p>Recebi vários livros de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Glauco_Mattoso">Glauco Mattoso</a>: ele me mandou aqui pra casa essa semana, dizendo que afinal lhe tinham dado meu endereço. Fiquei feliz. Faz tempo que não tenho notícias dele. Li algumas coisas de Glauco na Caros Amigos (quando estava viajando muito com o &#8220;Cê&#8221; pelo Brasil, comprava Veja e Caros Amigos para ler no avião: era sempre gozado; à vezes comprava também a Carta Capital, que eu chamava de &#8220;a Veja do Lula&#8221;). Quem me apresentou a poesia do Glauco foi Augusto de Campos. Nesse tempo Glauco tinha um jornalzinho poético (todo escrito por ele) de que Augusto gostava muito. Fiquei interessado. Depois, livros. E a revelação de que esse não era o nome dele: era um trocadilho com &#8220;glaucomatoso&#8221;, pois ele sofria de galucoma. O que o levou à cegueira total. Ele é o poeta cego, Homero, um arquétipo, um poema de Antonio Cicero, uma Idéia com i maiúsculo. Vou ler todos os livros e já já volto a falar nele.  </p>
<p>Prometo para breve escrever sobre a palestra de Zizek (por ora, só digo que não foi tão divertida assim, não me fez rir; adianto a <a href="http://www.obraemprogresso.com.br/2008/10/10/eleicoes/#comment-4300">Roberto Joaldo de Carvalho</a> que reconheci o primeiro artigo de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Terry_Eagleton">Terry Eagleton</a>: acho que Hermano tinha me mandado faz um tempo; comecei a ler o segundo – também muito bom – mas cheguei do estúdio tarde e me obriguei a parar.)  </p>
<p>O texto sobre Rio e Sampa está esperando moderação (minha não do Hermano). Por ora, basta celebrar a próxima vitória de Gabeira e dizer que, sem candidato em São Paulo, fiquei triste com a mancada da campanha de Marta. Sempre levo em consideração o fato de um candidato “de esquerda” ser o favorito dos mais pobres. Não é populismo. É uma antiga ligação com a esquerda universitária, que sempre pus em questão mas que sempre me comove quando cria um laço com as populações carentes, pra lá do apelo de time de futebol que ela tem para pessoas de classe média que querem parecer inteligentes, cultas ou bondosas. Mas não dá pra perdoar Marta nem João Santana (que é conhecido meu da Bahia e que ela responsabilizou pela patada) nessa história de perguntar se o eleitor sabe se Kassab é casado e se tem filhos. O velho Suplicy reagiu com dignidade. Se eu fosse o Kassab, eu teria respondido ao indiscreto que, na sabatina da Folha, perguntou “você é homossexual”?, assim: “sou”. Pra cortar o papo. Entre outras coisas, porque nem sei o que possa significar “não ser homossexual.” Eu não daria para ser político (com trocadilho, por favor, como diz o Agamenon).  </p>
<p>Tomei as notas acima desde ontem à noite. Mas o <a href="http://www.obraemprogresso.com.br/2008/10/10/eleicoes/#comment-4509">Salem</a> tem razão (isso é freqüente nele): voltei ao estúdio e estou pondo voz. Antes estava rouco. Agora, gravando de novo, não tive tempo de reler os textos – e não postei. Mas tenho escrito muito nos comments.  </p>
<p><a href="http://www.obraemprogresso.com.br/2008/10/10/eleicoes/#comment-4474">Heloisa</a>, é duro para um baiano, vizinho dos nordestinos (e nordestino na denominação oficial de hoje em dia), ler que o preconceito contra sotaques e “tendências” lingüísticas regionais se volta sempre para os mineiros. Você, tão cosmopolita, nessa hora soa ilhada pelas alterosas. O erre “líqüido” e sonoro (algo inglês, sobretudo inglês americano) da região de Alfenas e Três Pontas (e do interior de São Paulo – além de parte de Goiás) é peculiar e soa cômico aos ouvidos dos demais brasileiros (assim como é curiosa a onda de não conjugar os verbos pronominais como tais). Mas a caricatura do nordestino ganha de longe como tipificação depreciativa (com agressões à vezes explícitas em cartas à redação de jornais paulistanos). O mineiro – como o gaúcho – pode ser freqüentemente imitado com exagero, mas não é tão facilmente discriminado quanto o “baiano” ou o “paraíba.” (“Baiano” aqui no sentido que o paulistano comum dá à palavra; &#8220;paraíba&#8221;, no que o carioca comum lhe dá.) De resto, <a href="http://www.obraemprogresso.com.br/2008/10/10/eleicoes/#comment-4509">adorei sua tradução</a> da frase francesa que você me mandou. Ficou mais concisa em português. No seu português. Embora eu não esteja seguro de que tenha sido justa comigo.  </p>
<p>E vou parar pois está longo à beça esse post.</p>
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		<title>ELEIÇÕES</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Oct 2008 09:47:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Obra Em Progresso</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[A votação para escolha da versão de &#8220;Incompatibilidade de gênios&#8221; que vai para o CD só se dará quando tivermos disponibilizado as duas gravações em MP3 (Hermano, Daniel, Moreno, é mesmo em MP3?) aqui. E isso só acontecerá quando eu tiver posto a voz definitiva. &#8220;Voz definitiva&#8221; lembra estúdios de gravação de antigamente. Hoje soa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A votação para escolha da versão de &#8220;Incompatibilidade de gênios&#8221; que vai para o CD só se dará quando tivermos disponibilizado as duas gravações em MP3 (Hermano, Daniel, Moreno, é mesmo em MP3?) aqui. E isso só acontecerá quando eu tiver posto a voz definitiva. &#8220;Voz definitiva&#8221; lembra estúdios de gravação de antigamente. Hoje soa gozado. Seja como for, achei bacana que muitos já tenham votado, mesmo sem ouvir. Primeiro pensei que a versão com efeitos e um violão regular ganharia por unanimidade. Agora vejo que há quem vote na versão com solo de guitarra e violão-base correpondendo aos arroubos do solo. Veremos.</p>
<p>GABEIRA GABEIRA GABEIRA GABEIRA GABEIRA GABEIRA. Vamos redobrar o entusiasmo e deixar a onda crescer. Gabeira é uma onda boa. O Rio está tendo coragem de olhar para si mesmo. Acho que estamos bem com Paes e Gabeira para escolher. Não tenho nada contra Paes. Mas Gabeira é muito mais coerente. Desprezemos a mão pesada da grande imprensa em sua tentativa de sufocar a força espontânea que a candidatura de Gabeira desencadeou. Tudo o que ele fez de admirável - respeito aos concorrentes, limpeza na campanha de rua, desprezo pelos &#8220;santinhos&#8221; - vai ganhar cada vez mais significado. Gabeira se eleger prefeito do Rio é algo bom em si mesmo. Comecemos a pensar em ajudá-lo a governar. E que esse nosso pensamento chegue ao governo do estado e ao planalto. Essa raiva de Dirceu é patética. E a de Vladimir (de quem sempre gosto mais) é apenas para uso de campanha. Depois todos terão de conviver com a retidão e a sensatez que Gabeira nunca abandonou e que há de manter quando for prefeito.</p>
<p>Rei do Rio é uma expressão boa por ser livre do medo de tendências absolutistas ou totalitárias. É uma piada boa e benigna.</p>
<p>Falando em rei, hoje ouvi no rádio do carro a gravação de Bethânia de &#8220;Fera ferida&#8221;. Como é que Roberto fez essa canção tão extraordinária numa fase em que já não era de se esperar dele algo assim contundente? &#8220;Fera ferida&#8221; é tão boa quanto &#8220;Curvas da Estrada de Santos&#8221; e chega a bater lá em cima, em &#8220;Se você pensa&#8221;. Começa dizendo &#8220;acabei com tudo&#8221; - e nunca mais a peteca cai, em duas longas estrofes com rimas fortes para idéias fortes, indo desaguar no refrão desafiador &#8220;não vou mudar&#8221;. Esse refrão soou (e soa) como um paradoxo violento: Roberto dizendo que não muda (e explicando em tom de queixa que &#8220;esse caso não tem solução&#8221;) justamente quando estava mudando pela primeira vez em muitos anos. Ouvir isso hoje - e na voz de Bethânia - me fez chorar. (Eu também gravei essa canção - do que muito me orgulho - mas é só uma homenagem ao grande acontecimento poético: a gravação não está à altura da música).</p>
<p>Hoje minha irmã mais velha, Nicinha, completa 80 anos. Sinto não poder estar em Santo Amaro: estou preso ao estúdio. Mas transcrevo aqui a letra da música que fiz (e gravei) há alguns anos sobre ela:</p>
<p>NICINHA</p>
<p>Se algum dia eu conseguir cantar bonito<br />
Muito terá sido<br />
Por causa de você<br />
Nicinha<br />
A vida tem uma dívida<br />
Com a música perdida<br />
No silêncio dos seus dedos<br />
E no canto dos meus medos<br />
E no entanto<br />
Você é a alegria da vida.</p>
<p>Não vi o debate dos presidenciáveis americanos: preso ao estúdio. Gosto de Obama por ele mesmo, não tanto pelo que penso que ele pode fazer uma vez que assuma o poder. Mesmo porque agora ninguém sabe que país ele irá governar dentro de alguns meses. Que mundo! Muitos esquerdistas dizem que isso é a prova de que o capitalismo é mau e vai acabar. Hm. Gosto do capítulo de Mangabeira (não no livrinho que recomendei mas num grande, chamado &#8220;Política&#8221;) sobre como é discutível (e frágil) o conceito de &#8220;capitalismo&#8221; em Marx. Acho que as dificuldades do mundo são grandes desde sempre. Creio em melhoras e progressos. Os grandes empreendimentos civilizatórios, os impérios, as nações, passaram temas e soluções para a frente. Tem algumas coisas que deveriam ser inegociáveis. Muito do que se chama de &#8220;direitos humanos&#8221; está entre essas coisas. Por que será que Zizek não inclui a Revolução Americana em sua lista de revoluções exaltadas? O programa da Revolução Americana é ótimo - e não teve terror. Ingleses? Cromwell?</p>
<p>Estou lendo o livro de André Midani, &#8220;<a href="http://www.travessa.com.br/Andre_Midani/autor/27260631-CEA4-49F4-8E0B-2187297A08D7">Música, ídolos e poder</a>&#8220;, e estou impressionado. É um livro bom, escrito por um homem incrível, sobre uma vida improvável. Muito bonito o destino desse homem que eu amo tanto e que foi tão importante para mim. Independentemente disso, é um livro para ser lido por quem quer que se interesse por música no Brasil e tenha prazer em ver o assunto olhado de uma perspectiva não provinciana, de uma larga visão histórica. Da chegada dos aliados na Normadia aos downloads e aos piratas, uma personalidade singular, sofrida e curtida (nos dois ou mais sentidos) faz a gente aqui se sentir real, possuidora de um tamanho real.</p>
<p>Não gosto de reeleição. Se algo pode ser chamado, como Zé Dirceu grosseiramente chamou, de &#8220;herança maldita&#8221; do governo FH, é a instituição da reeleição. Há sempre a força da máquina do estado do lado de quem quer se reeleger. Até que dois mandatos de FH e dois de Lula não foi coisa tão ruim quanto me parecia que fosse ser. Mas os prefeitos todos se reelegerem é demais. E na Bahia a situação é odiosa. O cara que levantou uma favela nas areias da orla e tirou a calçada portuguesa do Porto da Barra não pode ser reeleito. Acorda baianada! Vamos votar no petista e dizer a ele que a condição é repor as pedras portuguesas no Porto. Estive lá e vi que, além da mera burrice de destruir o que é bonito e tem valor histórico, a laje que foi posta como calçada não agüenta um aguaceiro e 15 joggers. Não dá para reeleger esse cara. A não ser que ele se comprometa em refazer a calçada do Porto e, principalmente, tirar as construções de barracas permanentes das praias. Tem que ser como no Rio: monta sua tenda de-manhã e desmonta no por-do-sol. E nada de sombrinhas presas à areia - o que faz com que, de-noite, parte da orla soteropolitana pareça um cemitério. Sei que esta última mosntruosidade já estava lá quando João Henrique chegou. Mas não é a quem faz o que ele faz que se pode pedir pra consertar coisas assim.</p>
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		<title>REI, REIS</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Oct 2008 22:57:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Obra Em Progresso</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Roberto Carlos não é o primeiro rei brasileiro. Não falo dos de Orleans e Bragança, que foram imperadores. Mas de Francisco Alves, o rei da voz. Luiz Gonzaga, o rei do baião. Sem falar nas rainhas (anuais) do rádio. Carlos Imperial esteve por trás do Roberto bossa nova do primeiro disco e também por perto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.obraemprogresso.com.br/2008/10/01/gabeira-e-gaberia/#comment-3638">Roberto Carlos não é o primeiro rei brasileiro.</a> Não falo dos de Orleans e Bragança, que foram imperadores. Mas de Francisco Alves, o rei da voz. Luiz Gonzaga, o rei do baião. Sem falar nas rainhas (anuais) do rádio. Carlos Imperial esteve por trás do Roberto bossa nova do primeiro disco e também por perto no início da fase pop rock. Mas os epítetos da Jovem Guarda (Ternurinha, Tremendão e Rei) devem ter sido forjados por <a href="http://www.carlitomaia.etc.br/publicidade.html">Magaldi &#038; Maia</a>, a dupla de publicitários (o segundo, um homem que se notabilizou por suas posições de esquerda) que, se não me engano, orientava a criação da imagem do programa e do grupo. Os da Rádio Nacional eram sempre criados por <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A9sar_Ladeira">César Ladeira</a>, se não me falha a memória (e nos últimos anos ela tem falhado à beça): Francisco Alves, o rei da voz; Orlando Silva, o cantor das multidões; Aracy de Almeida, o samba em pessoa… Em todos os casos, tratava-se do embrião do que hoje você chama de marketing. Luiz Gonzaga cantou (e eu me abstive de repetir): “se mereci minha coroa de rei, essa sempre honrei: é a minha obrigação”. De Londres escrevi para o Pasquim que, tal como Gozaga, Roberto merecera sua coroa de rei – e a honrava. Eu estava profundamente emocionado pela audição em primeira mão de “Curvas da Estrada de Santos”, com Roberto sozinho ao violão na sala de minha casa no exílio. Anos depois, quando, no show “Circuladô”, quis contar que ele tinha escrito “Debaixo dos caracóis dos seus cabelos” para mim, como um desagravo por ter percebido que o exílio era um castigo pesado demais, eu frisei que “é bom que a gente saiba quem é que a gente chama de rei”. Os esboços de marketeiros não enfiaram esse título pela goela dos brasileiros abaixo: como nos casos de Chico Alves e Gonzaga, eles captaram o que a voz do povo queria articular. Se não fosse assim, eu não estaria nervoso por dividir o palco com Roberto. E, se parte do meu nervosismo se devia à grandeza de Tom e à musicalidade de Jaquinho e dos músicos com quem eu estava trabalhando, parte maior ainda se devia à importância que dou a Roberto Carlos. Mas devo lembrar que a emoção boa, pura, de estar ouvindo coisas grandiosas – e que estão ligadas a toda a minha vida – na voz de um personagem tão significativo (o que me fez chorar todas as noites em que  nos apresentamos) também contribuiu para a impressão de que meu terno estava apertado.</p>
<p>Okay, <a href="http://www.obraemprogresso.com.br/2008/10/01/gabeira-e-gaberia/#comment-3568">Exequiela</a>, not ALL but MOST long English vowels are in fact diphthongs. Still I hear two vowels in all those “oos” you mentioned. Well, maybe not in “goose”… A friend of mine told me I sound pedantic when I start talking about all this grammar and phonetics business. I had thought I sounded sexy. It’s because I find theory very sexy.  Mostly when it’s obvious I have no scholarship whatsoever in the matters.</p>
<p>Gabeira vai ser o rei do Rio. Vocês vão ver.</p>
<p>Vi o debate entre Biden e Palin (nomes feitos de bons ditongos ingleses). Foi mais agradável do que o de Obama e McCain. Pelo menos eles se olhavam. E dessa vez foi a republicana quem se apressou em pedir permissão para chamar o senador de Joe. A pressa mostrou que isso estava no script com a função de criar a intimidade que Obama, também jovem, não conseguiu com McCain, e de mostrar-se mais educada do que o preto, que acabou sendo tratado como “boy” pelo experiente McCain. Este repetiu mil vezes “senator Obama doesn’t seem to understand”. Biden procurou não dizer coisas semelhantes sobre Palin pois esta já era uma piada mundial com as burrices que disse em entrevistas. Ela se recuperou, vê-se que com o treinamento. Mas as piscadelas de olho, os “Áiracs”, “Áirans” e “Núkelars” que ela emitia com orgulho – além de seus acenos de mão e trejeitos juvenis de eterna cheer-leader – faziam com que seu corpo de gostosa provocasse repulsa em mim. Ela parece essas mães ainda jovens e bonitas que fazem cara de secundaristas e deixam os filhos embaraçados. Eu odiaria ser filho dela. Biden não foi canastrão quando falou sobre a morte da mulher e da filha. Mas ele tem um amendoado irregular nos olhos ou aquilo é uma plástica mal feita?</p>
<p>Já estava bom da gripe quando fui gravar e notei que a seqüela do som de nariz tapado só aparecia quando ouvíamos a voz gravada. Adiamos e, em duas noites, botei voz em “<a href="http://www.obraemprogresso.com.br/2008/06/21/a-musica-a-cor-amarela/">A cor amarela</a>”, “<a href="http://www.obraemprogresso.com.br/2008/06/19/a-musica-base-de-guantanamo/">Base de Guantánamo</a>”, “<a href="http://www.obraemprogresso.com.br/2008/07/07/caetano-canta-a-musica-nova-perdeu/">Perdeu</a>” e “<a href="http://www.obraemprogresso.com.br/2008/06/27/tarado-ni-voce/">Tarado ni você</a>”.  Pedro Sá levou uma câmera que parecia um objeto soviético. Era. Diz que é máquina vintage russa que dá imagens fantásticas. Tomara que ele apresente fotos boas de nós no estúdio. Gravamos também os coros de “Base de Guantânamo” e as palmas de “A cor amarela”: foi festa no estúdio pois Ricardo e Marcelo vieram para isso. Tony Vanzolini andou filmando umas noites lá (quando gravávamos “Menina da Ria”) mas até hoje não pintou nada aqui no blog. Perguntemos a Hermano.</p>
<p>Também não depende de mim o tamanho das letras. Perguntemos a Hermano. Li a palavra “blogosfera” justamente em Portugal (aqui também se usa), quando visitei um blog muito legal de um português que alguém me indicou em Lisboa. Mas não sou muito de ler blogs (leio pouco mais do que e-mails na internet). Então nem sei se o tamanho das letras aqui está longe do padrão, se é que há um padrão. Só tenho é a idéia de lançar aqui duas versões da gravação de “<a href="http://www.obraemprogresso.com.br/2008/07/03/caetano-fala-sobre-incompatibilidade-de-genios/">Incompatibilidade de gênios</a>” que fizemos. Uma com um solo de guitarra e um violão base que corresponde às intenções do solo, outra com uns efeitos de guitarra com um violão regular. Ambas são lindas e escolhemos provisoriamente a dos efeitos. Mas eu queria ouvir a opinião (e contar os votos) dos visitantes aqui do obraemprogresso.</p>
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