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AQUI FALA O HERMANO: Quem quiser pode conferir nos comentários de todos os post deste blog: o Tyrone está sempre presente. Foi aqui que eu o conheci virtualmente. Percebi logo que ele sabe tudo sobre todos os discos e shows do Caetano. É uma enciclopédia ambulante de conhecimentos transcaetânicos! Pois bem: encontrei com o Tyrone na porta do show de ontem: ele veio se apresentar e me disse só tinha ingresso para o show de hoje, mas mesmo assim foi para o Casa Grande, para tentar arrumar uma maneira de entrar. Conseguiu, não sei como: no final, lá estava o Tyrone no camarim. Não resisti e pedi para ele um relato da noite. O cara é rápido. Suas impressões já estão aqui. O blog vive seu momento de radical democracia: o povo dos comentários ocupa a sala de visitas da Obra em Progresso (rsrsrsrsrsrs):
“Penúltimo show da série Obra em Progresso: ao contrário do VivoRio, a acústica do OI CASA GRANDE é 100%. Mas como é um teatro, tem-se ali um ‘vibe’ de peça-de-teatro. Ou seja, as pessoas, de modo geral, se comportam ou tentam se comportar como público compenetrado de teatro - o que para a idéia do show foi certeiro.
Caetano abre com a totalmente inédita “Lobão tem razão”, claro que com uma certa ironia diante da canção feita em 2001 por Lobão, e dedicada ao Caetano. A canção de Lobão chama-se “Para o mano Caetano”, que por sua vez, é uma brincadeira com o título “Mano Caetano”, de Ben Jor, gravado pelo próprio junto com Bethânia em 1971, ou talvez com o “e hoje olha os mano” [trecho da letra de Rock'n'Raul] - música que Caetano fez em 2000 citando Raul Seixas, e que citava também o Lobão em “E o lobo bolo” [que já seria o Caetano mostrando que nem só de rock vive Lobão]. Caetano foi ao Programa de Jô Soares para lançar o disco “Noites do Norte” - que tem a tal “Rock’n'Raul”, e o convidado do programa era, além de Caetano, o Lobão! - não fazendo por menos, Caetano em voz e violão, tocou a canção para o Lobão, que a conheceu naquele momento.
Voltando ao show: do falado disco “Transa”, Caetano fez “You Don’t Know me”. Inevitavelmente rolou “Desde que o samba é samba” - com o arranjo do show Cê, que é já o embrião daquilo que a gente chama de “Transamba”. Uma das músicas que prendem a atenção do público é “Sem Cais”, feita em parceria com o guitarrista Pedro Sá. Já no VivoRio era uma canção que entrava rápido na cabeça-coração das pessoas, e bem aplaudida - essa música vai render muito!
Depois vieram as inéditas “Tarado ni você” (pode-se dizer que há ali uma conotação bissexual, em “todo mundo nu”, e o ato de observar esse todo mundo, estando também nu?!) e “Por quem”, canção que creio que em estúdio fará milagres, com sons que muita gente gosta de chamar de “lounge”. Caetano canta em falsete, e o Ricardo aparece bem aqui [mostre-se mais no show, Ricardo!]
Na década de 70 João Bosco e Aldir fizeram “Incompatibilidade de gênios” - Caetano desde o VivoRio canta essa canção, e a Banda Cê o acompanha num arranjo indie, mais apartamento, mas cara de casal menos careta, mais urbano.
Eu gosto mesmo é quando Caetano canta seu próprio repertório. Eu não tinha ido ao show do VivoRio no dia que ele fez a canção “Uns”, e sem eu esperar, teve “Uns” na primeira noite de Casa Grande. Adorei! Primeiro porque o disco de 1983 que tem o mesmo nome da canção é um dos melhores da carreira do Caetano. Segundo porque “Uns” tomou uma nova dimensão nesta “Obra em Progresso”, uma revigorada que eu não imaginava que a canção dava para tanto. Essa é pra ficar na turnê do disco - momento ‘beeshasejoga’.
Citei o LP de 83, e nele também há “Coisa mais linda”, do Carlos Lyra… Do momento do show ainda com a banda Cê rolou “Saudade fez um samba” - que só conheço pelo João Gilberto, de início de carreira - que é do Lyra e do Bôscoli. Caetano no show “Uns” no Canecão, segundo eu soube, já fazia elogios rasgados ao Carlos, e fez o ‘mesmo’ discurso no Leblon durante a “Obra”.
Depois vieram “Perdeu” e “Base de Guantánamo”. Duas inéditas super aplaudidas durante o show, e que já eram sucesso no VivoRio, e ainda serão mais comentadas quando o disco sair. “Base” tem a presença que o “Haiti” já tinha no show “Noites do Norte”, ou mesmo no show “Fina Estampa” - a pessoa adora e memoriza no momento em que é apresentada. Já em “Perdeu” Caetano faz uso de muitas palavras, e na cabeça do ouvinte que não conhece a letra passam-se figuras, cenas, meio clipe fotojornalistico.
Surpresa do show foi a desconhecida “Água”, do disco “Futurismo”, que saiu há pouco tempo, do Kassin+2. Caetano interpretou muito bem, e tem tudo a ver com a estética do show. Há uma passagem de “Água” que é simbólica: “eu juro que vou, e sei que vai passar o seu rancor, o sangue não se torna água”.
Outra inédita que teve presença impactante já no VivoRio é “Falso Leblon” - embora a letra enumere “ecstasy, bala, balada…” (na escrita seria “ecstasy [bala], balada” no sentido que bala é o apelido da substância), tudo parece se referir a uma mesma coisa. ‘Ecstasy’ já significa euforia… enfim.
No primeiro dia de VivoRio rolou “Três Travestis”, que a Zezé Motta gravou num compacto em 82. Ela disse a mim, no próprio Casa Grande, que fez um clipe com essa canção, creio que para o programa “Fantástico”, da TV Globo. Bom, Caetano repetiu o número mas sem a euforia [ecstasy, rs] da platéia do VivoRio - que ainda estava sob efeito de Ronaldinho na mídia pelo lance que aconteceu na Barra da Tijuca. Depois veio (no mesmo momento banquinho e violão) Vingança, do Lupicínio - que a Bethânia gravou bacana no disco “Memória da Pele”, em 89. Ah, o Caetano chega a falar sobre Lupicínio no VHS “Circuladô Vivo”, onde também faz um trechinho de “Vingança”. Por fim, uma homenagem ao Caymmi em “Você já foi à Bahia?”.
Volta a banda Cê. A inédita “Lapa” rolou depois, o arranjo é um dos melhores do show, e a letra tem citações de alguns lugares do bairro que é híbrido e boêmio.
Do disco “Cê” as empolgantes “Homem” e “Odeio” - sempre que a banda Cê faz essa canção é injetado um novo barulhinho, soando mais ‘pau dentro’ que no “Cê Multishow Ao Vivo”. Caetano gravou duas vezes em sua carreira “Nosso estranho amor”, as duas com voz e violão. Já na “Obra” a música surge num arranjo com banda, que é o momento mais participativo do público, depois de “O Leãozinho” (sempre cantada no bis com novo arranjo que lembra a gravação que o Dadi fez em 1992, do disco “Circuladô Vivo”. Teve um rapaz da poltrona do meu lado que manifestou sobre “Leãozinho”: “nossa, essa música é tão circo”.)
“A Cor Amarela” é uma homenagem à Axé Music, bem cara de festa e fim de show, e é a canção que pode tocar no rádio a nível de “Luz de Tieta”.
Com “Todo errado” e a dançante e debochada “Manjar de Reis”, Jorge Mautner e seu eterno companheiro Nelson Jacobina, subiram ao palco para finalizar com Caetano uma noite inesquecível, de menos participação do público e muito mais observação.”
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