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OBAMA, LOBATO, GENY, MCCAIN, RIO/SAMPA?: GIL
27/09/2008 1:52 am

O New York Times de 25 de setembro publicou artigo sobre show de Gil no Joe’s Pub em que se faz justiça à grandeza dele. Quem quiser ler um texto bom de crítica musical e aprender em que reside a superioridade de Gil, procure essa resenha escrita por Jon Pareles. É de desintegrar a pretensão iconoclasta brasileira de criticá-lo sem reconhecer seu peso.

Sobre drogas proibidas penso exatamente como Chico Buarque: deviam ser legalizadas. Sem sombra de dúvida. Tenho idéias íntimas sobre por que o álcool é livre (pelo menos em países não-teocráticos) mas não vejo argumentos fortes sobre isso em parte alguma. Aceito dicas. Drogas proibidas estimulam o nascimento de uma economia paralela monstra. Só não temos uma decisão adulta a esse respeito porque os americanos não querem. Mas um país declarar “guerra contra as drogas” é a idéia mais idiota que se pode conceber. A “guerra contra o terrorismo” (declarada por um país) é uma idéia até menos idiota.

Esse lance de todo o mundo queimar um baseado ao mesmo tempo não me sugere paz de jeito nenhum: eu também teria de fumar e, pelo menos dentro da minha cabeça, não haveria paz. Quando Gabeira falou sobre drogas, disse coisas certas. Apenas isso não é tema da alçada de prefeituras. Nem deve pesar na escolha de um candidato a prefeito. Eu odeio maconha pessoalmente. Digo: assim como odeio pepino. Mas odeio a cocaína com mais furor: ela trouxe pessoas excitadas e chatas para perto de mim. Foi ela (e não Brizola), ela, a cocaína, que decidiu a virada do crime no Rio.

Gabeira é bom e é forte porque ele tem valor simbólico coincidente com o do Rio. Ele está crescendo porque coisa simplesmente pequena não pode sair de sua decisão em aceitar a candidatura. Veremos.

teteco dos anjos, que comment maravilhoso o seu! Você é dos anjos mesmo. Genny Marcondes e Monteiro Lobato! Sim, o presidente negro e o petróleo. Quando eu era menino, antes de ler os livros de Lobato (que li ainda menino mas não tão menino), ouvia meu pai dizer que admirava Lobato por sua coragem de desmentir os técnicos americanos que diziam não haver petróleo no Brasil. A vitória empresarial da Petrobrás (não consigo escrever esse nome sem o acento agudo), a descoberta de Tupi, talvez mais no pré-sal, tudo o que acontece nesse setor me vem com um sabor afetivo ligado ao respeito de meu pai pelo nome de Lobato. O Sítio (encenado por Adroaldo Ribeiro Costa na Salvador do final dos anos 40) veio depois. Taubaté. E Genny, que beleza! Ela radiografou “Alegria, alegria”. Pode pôr flores aos pés da torre na Rua do Petróleo. E, se puder, diga a Geny que eu a adoro.

Suíços? Hmmmmm. As mulheres só ganharam o direito de votar na Suíça em 1972!!!!! Eu já estava exilado na Inglaterra. Nos EUA foi nos anos 20. Na França foi em 1945 (!!!!!). Na Suíça só em 1972. Melhor não contar muito com suíços quando se trata de eleições. Ou será que não permitir o voto às mulheres foi uma demonstração de sabedoria suíça que resistiu o quanto pôde à decadência do ocidente?

Exequiela, no Brasil usamos a palavra “negócio” num amplo e sugestivo espectro semântico. Me dou conta de que isso não acontece em espanhol (será que ajuda ou atrapalha no caso de Espanha ser muito mais rica que Portugal - e mais afeita aos grandes negócios?). No Brasil usamos a palavra negócio como sinônimo de “coisa”: - “Menina, pegue esse negócio aí em cima da cômoda pra mim, por favor”. Mas há sempre um certo pendor semântico para coisas de mais importância: - “Eu tinha um negócio para te contar mas agora não lembro o que é”. A letra de “Chega de Saudade”, a canção nave-mãe da bossa nova, termina repetindo muitas vezes a palavra: “Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim/ Não quero mais esse negócio de você tão longe assim/ Não quero mais esse negócio de você longe de mim”… E, last but not least, é um dos modos de mencionar o órgão genital masculino: - “Ele botou o negócio dele pra fora e mostrou à moça”. Ou: “Deixa eu pegar no seu negócio?” Bem, pelo menos era assim que se dizia quando as moças ainda não falavam palavrão.

Acabei de ver o debate Obama/ McCain. Acho difícil entender inglês falado. A parte dita “passiva” da apreensão de uma língua estrangeira é sempre um problema para mim. Já pensei que se tratasse de eu querer falar e não ouvir, ou que fosse conseqüência do zumbido eterno que levo no lado direito da cabeça desde os 13 anos, nunca cheguei a uma conclusão que me desinibisse os ouvidos e deixasse entrar o que é dito em língua que minha mãe não fala. Inglês então, com aquele monte de monossílabos, aquelas vogais sempre indefinidas (sem falar no “u” breve, como em “blush”, que é um som sem vogal, o qual, aliás, se assemelha ao que se ouve em palavras em que qualquer das vogais é seguida de um “r”, como “skirt” ou “Burt”, ou “jerk”), aquela tendência a fazer da frase uma palavra, me deixa perdidaço. Uma vez liguei a TV na Europa e vi um cara falando de algum desatre, ferimentos, e julguei ter entendido o nome de Madonna: era McDonald’s: tinha havido um protesto não sei onde e tinham tocado fogo num Mc Donald’s. Só depois de ouvir umas 4 ou 5 vezes a palavra é que percebi o “l” e o “s”. Mas já tinha perdido mil coisas que o cara dizia. Assim perco a piada nos filmes sem legenda, nas conversas com mais de uma pessoa de língua inglesa etc. Pois bem. Ouvi o que pude do debate. Fiquei até surpreso por entender tanto. Achei que os dois tentaram não falar muito diretamente sobre a crise financeira. Obama gaguejava um pouco. Não senti aquela naturalidade pretendida quando ele chamava McCain de “John”. Este não olhava para ele. A maneira de pronunciar as palavras e entoar as frases é sempre muito mais bonita em Obama. McCain tem sotaque de pig. Ele não olhar para Obama me deu uma má impressão do ponto de vista racial. Eu pensei que fosse esquecer totalmente esse quesito. McCain não deixou. O “John” de Obama não ajudava muito. Talvez a americanos, a mim, não. Foi bacana quando Obama mencionou o vice dele. Sentiu-se a crítica calada à mulher do Alasca, aquela que vê a Rússia da janela. Depois os comentaristas da CNN (uns muito louros e um moreno com um sotaque inglês muito forte - ou será australiano e eu sou mesmo surdo?) disseram coisas sensatas e variadas, à espera das primeiras pesquisas (além da leitura daquelas linhas que sinalizavam a “reação” de democratas, republicanos e independentes). Quando as primeiras pesquisas saíram, Obama ganhava. Aí eu vim pro computador ler e postar. Vamos ver o que os próximos dias dizem sobre quem venceu o debate (ouvi que quem vence ganha logo uns bons 3 pontos nas pesquisas).

Escrevi um texto sobre Rio/ São Paulo. Mas estava quase do tamanho de “Verdade Tropical”. Guardei para resumir e postar. E quero contar coisas da gravação. Mas agora vou dormir porque tenho de curar a gripe.

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